Se Brasil retaliar com tarifas, impacto no PIB poderá ser ainda pior

Importações crescem e déficit comercial da indústria brasileira é o maior  em 13 anos; entenda - TV Pampa

EUA têm déficit anual de US$ 1,67 bilhão com o Brasil

Priscila Yazbek
da CNN

Se o Brasil de fato recorrer à Lei da Reciprocidade e elevar as tarifas sobre produtos americanos em resposta à taxa de 50% imposta por Donald Trump, o impacto sobre a economia brasileira pode ser ainda mais negativo, de acordo com especialistas consultados pela CNN.

Tanto economistas quanto diplomatas afirmam que o governo brasileiro está de mãos atadas e não tem ferramentas eficazes para pressionar Trump. A saída seria tentar negociar uma redução da tarifa, caso contrário o governo corre o risco de a oposição assumir o papel de negociador, no lugar do Itamaraty.

QUEDA DO PIB – Gabriel Barros, economista-chefe da ARX, projeta que se a tarifa dos EUA ficar em 40%, sem retaliação, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve cair pouco menos de 0,2 ponto percentual.

Já se o Brasil retaliar com suas próprias tarifas, o impacto negativo no PIB seria de 0,3 ponto percentual e haveria pressão inflacionária provocada pelo aumento dos preços e pela volatilidade do dólar.

“Isso poderia levar o Banco Central a elevar os juros em até 0,3 ponto percentual”, diz Barros. Ele acrescenta que, embora a retaliação possa compensar parcialmente a perda nas exportações, ela amplificaria os efeitos negativos sobre o investimento e a inflação, se revelando uma medida contraproducente.

ESCALADA DE TENSÕES – “Seria um erro e acredito que produziria uma nova escalada nas tensões, tornando o tit for tat imprevisível”, diz o economista-chefe da ARX.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, 16% de todos os produtos importados pelo Brasil vieram dos Estados Unidos entre janeiro a junho deste ano, totalizando cerca de R$ 20 bilhões.

Com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 5,35% e a taxa Selic em 15%, os aumentos de preços provocados pela elevação de tarifas para produtos americanos poderiam pressionar ainda mais a inflação e os juros.

PREJUÍZO AO COMÉRCIO – Um eventual aumento de tarifas também tende a prejudicar mais o comércio brasileiro do que o americano. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, tanto em importações quanto em exportações. Já o Brasil é apenas o nono país que mais importa produtos americanos e o 18º país que mais exporta.

Apesar da resposta do presidente Lula, que afirmou que o tarifaço de Trump será respondido com reciprocidade, diplomatas que atuam nas embaixadas brasileiras nos EUA disseram à CNN que não acreditam em uma retaliação tarifária mais significativa.

Eles dizem que o Brasil não está em condições de suportar as consequências de elevar os custos de importações americanas.

BUSCAR O DIÁLOGO – Em entrevista ao Live CNN, o ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington, Rubens Barbosa, afirmou que o governo brasileiro deveria buscar o diálogo com os americanos. Ele avalia que há um “esvaziamento do Itamaraty” e “o partidarismo e a ideologia têm contaminado a política externa”.

“Todos os países que receberam cartas de Trump estão negociando porque não existe mais regra no mercado internacional, não há alternativa. O único país que pôde se opor foi a China, que é a segunda maior economia do mundo e usou os minerais de terras raras e chips como moeda de troca”, afirma Barbosa.

“Ou o Brasil estabelece canais de comunicação e inicia uma negociação comercial, ou os opositores vão pedir a redução tarifária por conta própria, Trump vai conceder e a redução tarifária vai ser feita pela oposição”, afirma Barbosa, que observa que o Brasil não tem diálogo com os EUA, nem com a Casa Branca, nem com o Departamento de Estado.

4 thoughts on “Se Brasil retaliar com tarifas, impacto no PIB poderá ser ainda pior

  1. No tarifaço de Trump, o castigo brutal, de ordem econômica, não tem justificativa econômica

    Acaso o Brasil está tirando proveito desleal do seu comércio com os States, como apontou Trump? Não, cara-pálida: o Brasil compra mais dos States do que os States compram do Brasil.

    Ah, o ex-mito está sendo processado pelo STF, e isso é perseguição? Ora, se alguém não gosta de um processo que rola num tribunal, ainda longe de uma sentença, deve tascar um tarifaço por conta disso?

    O Brics está incomodando porque estuda o uso de moedas próprias para liquidar as contas entre seus membros, mas apenas o Brasil, e não os demais do grupo, tem de engolir a bomba?

    Não há lógica nessas justificativas. Isso significa que não há negociação possível dentro da lógica comercial e econômica, como alguns vêm sugerindo.

    Como alguns interesses dos States também serão contrariados, como os dos importadores de produtos brasileiros, será preciso, antes, esperar pela imposição de tarifas, para só então conferir sobre o que fazer.

    Não são pequenos os efeitos internos. Alguns setores e empresas ligados à exportação, como os de máquinas (Weg), commodities agrícolas (café, suco de laranja e carne) e celulose (Suzano e Klabin), deverão ser atingidos. Também será preciso ver os efeitos colaterais sobre o câmbio, a inflação e os juros.

    Algum impacto político interno parece inevitável: o castigo aos brasileiros tem tudo para ser um tiro no pé nos objetivos eleitorais do ex-mito.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Economia & Negócios, 12/07/2025 | 08h00 Por Celso Ming

  2. Trump mirou no governo petista, no STF e nos Brics, mas errou o alvo e acertou o ex-mito

    E com isso, o presidente dos EUA deu a Lula uma chance de ouro de recuperar apoios políticos e popularidade

    MAS O BARBA PÕE TUDO A PERDER QUANDO TOMA UNS GORÓ E FALA DE IMPROVISO: SÓ SAI ASNEIRAS.

  3. Sr. Newton

    Perguntar não ofende, a Ìndia ainda faz parte do Eixo do Mal, ops, errei, dos Briocos, ops errei de novo, dos Brics.??

    Veja que interessante estas noticias sobre taxação do Laranjão….

    “”..EUA e Índia negociam acordo comercial que pode reduzir as tarifas para menos de 20%
    Esse pacto colocaria a nação do sul da Ásia em uma posição favorável em relação a seus pares na região

    “…Milei avança em acordo com Trump para garantir tarifa zero à Argentina
    País deve garantir isenção a 80% de seus produtos e obter alíquota reduzida para os restantes; acordo ainda não está fechado

    PS..

    A realidade brasileira não se pode ser comparada á uma garrafa de pinga 51.

    aquele abraço…..

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