
Charge do André Félix (Arquivo do Google)
Pedro do Coutto
O governo anuncia, com otimismo, que a inflação deve encerrar o ano em 4,4% e projeta um cenário ainda mais benigno para 2026. No papel, o número soa como alívio. Na vida real, porém, ele encontra resistência.
É difícil aceitar essa taxa como tradução fiel do que ocorreu ao longo do ano, quando os preços — sobretudo dos alimentos — subiram muito além do que a média oficial sugere. A sensação cotidiana é a de que o custo de vida avançou mais rápido do que as estatísticas conseguem captar.
DESCOMPASSO – Parte desse descompasso está na forma como a inflação é medida. No caso dos alimentos, o levantamento considera, em muitos casos, os preços mínimos praticados no mercado, e não a média efetivamente paga pelo consumidor. Essa diferença técnica, legítima do ponto de vista metodológico, produz um efeito político e social relevante: a inflação pode parecer controlada nos indicadores, enquanto continua pressionando o orçamento das famílias, especialmente das que gastam a maior parte da renda com itens básicos.
Não se trata de negar que houve algum arrefecimento em determinados momentos. De fato, o aumento não foi explosivo. Mas também está longe de ter sido irrelevante. O problema é que, quando se anuncia uma compensação ou uma desaceleração, o consumidor percebe que, no dia seguinte, os preços continuam subindo — ou, no mínimo, não recuam. A inflação sentida é cumulativa, persistente e pouco sensível às boas notícias oficiais.
DESCONFIANÇA – Esse desalinhamento entre números e percepção corrói a confiança. A política econômica pode até cumprir a meta, mas a legitimidade dessa conquista depende de algo mais simples e mais difícil ao mesmo tempo: fazer com que o cidadão comum reconheça o resultado no supermercado, na feira, no restaurante popular. Quando isso não acontece, o discurso técnico soa distante, quase abstrato.
Há ainda um elemento estrutural que não pode ser ignorado. Mesmo variações aparentemente pequenas pesam mais sobre quem tem menos. Um aumento modesto nos alimentos tem impacto desproporcional sobre as famílias de baixa renda, para as quais a comida não é um item entre outros, mas o centro do orçamento doméstico. A média estatística dilui essas desigualdades; o cotidiano, não.
DESAFIO – Projetar uma inflação menor em 2026 é desejável e necessário. Mas o desafio real não é apenas cumprir um número dentro da meta. É alinhar a política de preços, a comunicação governamental e a experiência concreta da população. Sem isso, a inflação continuará sendo, ao mesmo tempo, um sucesso técnico e um fracasso perceptivo.
No fim das contas, controlar a inflação não pode ser apenas um exercício contábil. Precisa ser, sobretudo, um compromisso com a vida real — aquela que não fecha balanço, mas precisa fechar o mês.
Agora vai
Como pairava dúvida, e não havia ‘prova’, de que tinha sido mesmo indicado pelo pai para ser pré-candidato a presidente, Flávio Rachadinha divulgou então uma carta, que teria sido manuscrita pelo ex-mito, confirmando, para surpresa de ninguém, sua indicação ao Planalto em 2026.
Como de resto, no contexto, credibilidade nunca foi um forte da famiglia, dada ao vício da mentira e de fake News.
Mentiras e fake News que, muitas vezes, eles próprios desmentem no dia seguinte.
Como deves saber, quem lucra são OS patrões do Barba!
Os preços dos alimentos, recuaram neste ano, contudo não foram suficientes para caberem no bolso do trabalhador.
Por qual razão: As tarifas de serviço público ( água, eletricidade e gás), dos impostos municipais, dos Planos de Saúde, todo ano, aumenta acima da inflação.
No início desse ano, o reajuste dos Planos de Saúde aumentaram 16 por cento e tudo indica, que o reajuste será ainda maior. Chegará o momento e está muito perto disso, que 50 por cento dos clientes irá migrar para o SUS. Que fazer? Nada.
As privatizações das empresas públicas e estatais, criou um ambiente de instabilidade em toda a cadeia produtiva do país. Os empregados das empresas privatizadas, agora dependentes dos proventos do INSS, abandonaram consultórios médicos, gerando. uma crise no setor sem precedentes. Operadoras de Planos, não pagam os serviços médicos e postergam ao máximo as cirurgias dos pacientes.
Quando observo candidatos a presidente, deitando falação na defesa de mais privatização para angariar votos da classe média, me leva a concluir, que não sabem nada de Economia e do país, quanto aos reflexos negativos de uma política que o Estado Mínimo provoca nas pessoas que vivem nos Estados e Municípios.
Muito se fala hoje dos serviços de eletricidade, executados pela estatal italiana ENEEL, na capital paulista. Tanto o governador, Tarcísio, entusiasta ferrenho das privatizações, quanto o prefeito Ricardo Nunes, a cada chuva intensa, clamam pelo rompimento da concessão da ENEEL.
Mas, essas duas figuras políticas patéticas, não indicam quem ocupará o lugar da concessionária nem avaliam o caos que vai gerar no fornecimento de energia para o consumidor paulista, até que uma nova concessionária entenda os gargalos do fornecimento, quando as tragédias climáticas derrubam árvores, postes de energia e destruição das estações de transmissão em baixa tensão espalhadas pela cidade.
Então, Tarcísio de Freitas, que se exibe nos eventos de privatizações, como do fornecimento de água, tirando a SABESP e entregando para o concessionário privado, quebrando o martelo do leilão, tal a força empreendida por ele, está acuado pelo serviço de má qualidade prestado ao cidadão e o mais trágico de tudo, que foi a elevação brutal das tarifas, nada diferente do que fez Cláudio Castro no Rio de Janeiro, após a privatização do fornecimento de água, antes prestado pela CEDAE Distribuidora, que continua estatal na captação das águas do Rio Guandu.
Podem perguntar, o que isso tem a ver com a inflação e o bolso do trabalhador? Respondo que tudo, porque tudo está ligado a tudo na Interdependência universal.
Um fato incorreto na cadeia produtiva, arrasta todo o resto, no chamado efeito dominó.
Os indícios de que vem mais trevas no solo do Brasil, foi a retirada de 500 milhões do Orçamento das Universidades Públicas, votado pelo Congresso, que vai comprometer o custeio da infraestrutura básica para o funcionamento das Universidades. O corte foi feito para sobrar mais dinheiro para as Emendas Parlamentares e do Orçamento Secreto.
Nossos representantes no Congresso, sinalizam que a Educação Pública não é necessária, e que os pobres devem se concentrar nos cursos técnicos deixando os diplomas universitários para os membros das Elites, que podem pagar bem alto pelas Escolas de Nível Superior Privadas. Está é o pensamento externado recentemente pelo governador Tarcísio de Freitas de São Paulo.
Seria cômico se não fosse trágico para o país.
Falemos do reajuste do salário mínimo:
Puxa, 1.621,00 – 1.518,00 (atual SM) = 103,00. Isso (tudo) dividido por 365 dias dá menos que 29 centavos a mais para gastar por dia (28,2).
O povo zurrante deve estar em festa e agradecendo aos céus por esta dádiva. Sonha até em ganhar um cargo comissionado … Cadê o instigante DIEESE ?
Mas o salário é mensal, não é apenas uma vez !!!
OK, os zurrantes podem gastar quatro reais a mais por dia … isso não compra o feijão e o arroz. Vão continuar dependendo do vale-transporte. Ou seja, continuam mendigos.
O índice oficial de inflação, o IPCA, como se sabe, é calculado pelo IBGE, ora sob o comando do petista Marcio Pochman.
A verdade econômica sobre o dito salário-mínimo, como sabemos, só é encontrada na análise temporal do efetivo aumento ou queda do seu poder de compra no mercado, e não apenas na variação do seu valor nominal.
Zurrantes se defendem.