Galípolo não ataca nem defende Moraes e fica em péssima situação

Indicado ao BC, Gabriel Galípolo passa por sabatina no Senado

Galípolo revelou as pressões mas parece que se arrependeu

Carlos Newton

A atenção da grande mídia neste Ano Novo está dedicada em saber por que o Banco Central, decidiu liquidar o Banco Master, que estava sendo negociado com o BRB – Banco Regional de Brasília, para superar riscos de falência.

Na percepção dos especialistas do Banco Central, que tem por missão fiscalizar as atividades financeiras, tratava-se de interromper um golpe estratosférico em detrimento de milhares de investidores e o que poderia gerar instabilidade em todo sistema bancário, com repercussões internacionais.

R$ 40 BILHÕES – Nesse caso, para reparar perdas e prejuízos, o Fundo Garantidor de Crédito com recursos oriundos dos bancos deverá disponibilizar cerca de R$ 40 bilhões de reais, para proteger o sistema financeiro de possível desestabilização.

O assunto veio à baila depois que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em entrevista coletiva, jactou-se de ter resistido às intensas pressões de autoridades e políticos para permitir a venda ruinosa do banco Marques ao BRB (Banco Regional de Brasília, que é estatal.

Em seguida o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo, tinha um supercontrato de R$ 129,6 milhões em três anos.

MORAES EM AÇÃO – A jornalista Malu Gaspar, também de O Globo, juntou as duas informações e saiu em campo. Apurou em seis fontes diferentes do Banco Central que Moraes realmente tinha feito pressões, em quatro telefonemas para Galípolo e uma reunião convocada por ele no STF.

O Estadão também procurou se informar e descobriu que houve muito mais telefonemas de Moraes ao Banco Central, tendo feito seis ligações num só dia.

Os telefonemas colocam Moraes em péssima situação, porque desde 2024 sua mulher tem o contrato milionário com o Master, que lhe paga por mês o equivalente a 100 salários líquidos de seu marido.

GOLPE NO BRB – As investigações começaram em 2024 antes da assinatura do contrato com a mulher de Moraes. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025.

A apuração descobriu que o banco adquiriu créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.

Apesar de todas as evidências de advocacia administrativa, crime cometido por Alexandre de Moraes para justificar a remuneração da mulher, o relator Dias Toffoli e o procurador-geral Paulo Gonet tentam proteger o ministro do STF.

SEM PROVAS – Alegam que até agora nenhum documento comprovando ilicitudes foi disponibilizado. O que existe são as palavras de Galípolo e informações sobre telefonemas e reuniões que precisam ser comprovadas, mas tudo foi feito fora de agenda.

Portanto, não há saída para Galípolo, a não ser exibir toda a “documentação” que disse possuir aos repórteres, na coletiva do dia 18.

Mas até agora o presidente do Banco Central não mostrou nenhuma intenção de fazê-lo, para não prejudicar o ministro Alexandre de Moraes.

###
P.S.
Agindo assim, Galípolo acaba justificando a CPI que está sendo convocada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), um dos mais respeitados parlamentares do país, que pretende liderar o impeachment de Moraes e pode incluir também o impeachment de Galípolo, que provocou o interesse da imprensa e agora tenta sair de fininho, como se dizia antigamente. (C.N.)

6 thoughts on “Galípolo não ataca nem defende Moraes e fica em péssima situação

  1. ADVOGANDO EM CAUSA PRÓPRIA: INÍCIO DE TUDO

    O STF ‘FLEXIBILIZOU’ O CODIGO DE PROCESSO CIVIL EM 2023, ‘PERMITINDO’ QUE FAMILIARES DE MINISTROS ATUEM COMO ADVOGADOS EM PROCESSOS NO SUPREMO

    Em agosto de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu invalidar a ampliação da regra de impedimento de juízes prevista no Código de Processo Civil (CPC), que proibia magistrados de julgar processos em que a parte fosse cliente (mesmo que representada por outro escritório) de parente até terceiro grau.

    A decisão, tomada em agosto de 2023 na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5953, flexibiliza a interpretação anterior, mas não a proibição geral de nepotismo ou de o parente atuar diretamente no mesmo processo.

    Detalhes da Decisão:

    O que foi invalidado: A Corte, por 7 votos a 4, declarou a inconstitucionalidade do Artigo 144, inciso VIII, do CPC. Este dispositivo estendia o impedimento do juiz a casos, onde a parte era cliente de um escritório de advocacia que tivesse um familiar do magistrado (cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau), mesmo que esse familiar não atuasse no processo.

    Motivação: A maioria dos ministros considerou que a regra criava um “impedimento impraticável”, pois dependia de informações de difícil acesso para o juiz e poderia ser utilizada de forma estratégica.

    O que permanece válido: Continua em vigor o impedimento do juiz atuar em processos nos quais seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, até o terceiro grau, atua diretamente como advogado, defensor público ou membro do Ministério Público.

    Assim, a decisão do STF não autoriza de forma ampla que familiares de ministros advoguem em casos que serão julgados por eles, mas sim que o ministro (ou qualquer juiz) não será automaticamente impedido se o parente tiver apenas uma relação indireta com o escritório que representa a parte, desde que não atue diretamente naquele processo. A Súmula Vinculante nº 13, que proíbe o nepotismo em cargos públicos, permanece em vigor.

    _______________

    ASSIM, FAMILIARES DE MINISTROS DO STF ATUAM COMO ADVOGADOS EM PROCESSOS NO SUPREMO

    Familiares de ministros do STF atuam como advogados em processos no Supremo, e a lei não proíbe essa atuação, mas exige que o ministro se declare impedido de julgar quando o parente (até terceiro grau) atua diretamente no caso ou representa clientes do escritório do familiar, gerando debates éticos e projetos de lei para restringir essas atividades, como a atuação de cônjuges e filhos de ministros como Viviane (esposa de Alexandre de Moraes) e advogados ligados a Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

    Regras e Debates:

    Impedimento: O Código de Processo Civil (CPC) veda ao juiz julgar causas em que seu cônjuge ou parente (até 3º grau) atue como advogado, ou quando o cliente do parente estiver no processo, mas o STF flexibilizou isso em 2023, focando mais no advogado diretamente nos autos.

    Atuação de Familiares: Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli têm cônjuges ou filhos advogados que atuam em cortes superiores, sendo comum a presença de escritórios de advocacia ligados a eles.

    O Caso Viviane Moraes: A esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, aumentou sua atuação no STF após a posse do marido, gerando debates sobre a aparência de conflito de interesses.

    Projetos de Lei: Existem propostas legislativas para disciplinar essa atuação, visando maior transparência e restrição, argumentando que a atividade de parentes de ministros no STF gera questionamentos éticos, mesmo sendo legal.

    Em Resumo: A prática é permitida pela legislação atual, mas controversa, levando a discussões sobre ética, transparência e a necessidade de regulamentação mais estrita no Judiciário.

    • Quando o Poder vence o Direito

      O Direito vem sendo rebaixado à vontade autoritária de quem tem o Poder

      Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 01/01/2026 | 03h00 Por Editorial

      • O Master não pode virar um novo caso Americanas, sem punição a todos os envolvidos

        Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 31.dez.2025 às 15h00 Por Adriana Fernandes

  2. Se a própria Malu “corrigiu” seu primeiro artigo dizendo que Moraes não fez pressão, não há nenhuma evidência séria contra o ministro.

    O Estadão colocou seis telefonemas num só dia. De onde foi retirada essa “notícia”?

    Para mim, se não foi do próprio Galípolo que partiram essas “informações” , a credibilidade das tais fontes é precária.

    Coisa elementar para quem usa a razão para pensar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *