
O dólar americano, moeda de reserva global, perdeu valor
Pedro do Coutto
A política econômica colocada em prática pelo governo de Donald Trump nos últimos anos produziu efeitos que repercutiram muito além das fronteiras dos Estados Unidos. O dólar norte-americano, moeda de reserva global, perdeu valor frente a outras divisas relevantes, atingindo níveis historicamente baixos em 2026, em um movimento que surpreendeu investidores e economistas e que está fortemente associado às decisões tarifárias e ao ambiente de incerteza política e econômica promovido pela administração Trump.
O enfraquecimento do dólar — que, em janeiro de 2026, caiu para os menores níveis em quatro anos, apesar de declarações presidenciais assegurando confiança na moeda — reflete uma combinação de fatores: expectativas de cortes nas taxas de juros, déficits fiscais elevados e uma retórica que coloca em dúvida a independência do Federal Reserve, o banco central norte-americano. Em uma economia global interligada, a volatilidade da moeda dos Estados Unidos altera fluxos de capital e reajusta preços de ativos em todo o mundo, com implicações diretas e indiretas para mercados emergentes como o brasileiro.
EFEITOS — No Brasil, os movimentos da política comercial dos EUA tiveram impactos visíveis sobre o comportamento do mercado financeiro. Há registros recentes de valorização do real e de o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, alcançar novos recordes em momentos de maior confiança ou de avanço em negociações comerciais, como após encontros bilaterais entre líderes do Brasil e dos Estados Unidos. Em contrapartida, quando a ameaça de tarifas elevadas foi reforçada — como propostas de impostos de até 50% sobre exportações brasileiras — o dólar voltou a subir frente ao real e o principal índice acionário recuou, sinalizando cautela por parte dos investidores.
As tarifas comerciais, uma das principais bandeiras da agenda econômica de Trump desde 2018, foram reforçadas e ampliadas mais uma vez nos últimos anos. Essas medidas buscaram, segundo a Casa Branca, corrigir desequilíbrios comerciais e proteger a indústria doméstica, mas acabaram gerando incerteza nos mercados globais. Em episódios anteriores, após a imposição de tarifas recíprocas, bolsas internacionais e o dólar sofreram quedas significativas, refletindo o receio dos investidores diante de uma possível escalada de guerras comerciais e de seus efeitos secundários sobre a atividade econômica.
Embora o enfraquecimento do dólar possa beneficiar exportadores norte-americanos ao tornar seus produtos mais competitivos, também encarece importações essenciais, alimenta expectativas inflacionárias e pode reduzir a confiança de consumidores e empresas nos Estados Unidos — fatores que, no médio prazo, tendem a limitar o crescimento econômico. Por outro lado, países emergentes como o Brasil podem, em determinadas circunstâncias, atrair fluxos de investimento ou se beneficiar de conjunturas externas favoráveis, especialmente quando acordos comerciais com outras grandes economias reduzem tensões e melhoram o ambiente de negócios.
RESPOSTAS DOS MERCADOS — As reações dos mercados à política tarifária norte-americana evidenciam uma realidade complexa: embora a imposição de taxas sobre importações possa gerar ganhos discursivos no curto prazo, as respostas dos mercados financeiros são moldadas tanto por expectativas de crescimento futuro quanto por percepções de risco político e econômico. À medida que o dólar se enfraquece, outras moedas ganham espaço e investidores buscam alternativas ou ajustam posições em ativos considerados de menor risco.
Em síntese, a política tarifária e a orientação macroeconômica dos Estados Unidos sob Trump ilustram como decisões políticas podem reconfigurar cadeias produtivas, impactar mercados internacionais e alterar dinâmicas globais de capital. Para economias como a brasileira, essas transformações representam simultaneamente desafios e oportunidades, delineando um cenário em que a economia mundial continua profundamente dependente de fatores políticos, institucionais e de confiança — mais do que de variações pontuais nas cotações.
Giverno Laranjão já começou a dar marcha-a-ré.
O apelido de Trump é TACO (Trump Always Chickens Out), seria algo como Trump sempre amarela.
Os EUA usam o dólar como instrumento de pressão econômica aos outros países. Usam o SWITF para se beneficiar com informações privilegiadas e como ferramenta de pressão econômica. Os países estão trocando as suas reservas em dólar para o ouro, vendendo os títulos da dívida americana e comprando outro. Até o Brasil entrou nessa e a China criou o CIPS, concorrente do SWITF além de países do BRICS comercializarem com moedas regionais. Isso é um soco no estômago dos EUA que precisa dolarizar a economia mundial e rolar a sua dívida pública que está impagável.