Ministros não sabem como impedir a crescente desmoralização do Supremo

O péssimo exemplo, de sempre, do Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Desde sua criação, em 1829, quando se chamava Supremo Tribunal de Justiça, a principal corte brasileira jamais teve sua imagem tão esculhambada, com ministros envolvidos em corrupção explícita ou implícita, na qual incorreram em função do cargo. Realmente, nunca se viu nada igual.

É claro que já houve outras crises graves, mas quase todas ocorreram por motivos políticos, durante regimes de exceção, quando a democracia sofreu fortes abalos e o Supremo tentava resistir à opressão, que é o contrário do que acontece agora, quando muitos ministros se tornaram agentes opressores.

PRISÃO DE HELIO– Uma das crises mais interessantes ocorreu pouco antes da ditadura militar de 1964. O presidente João Goulart sentiu-se ofendido por um artigo de Helio Fernandes na Tribuna da Imprensa e abriu processo contra ele, pedindo que fosse condenado à prisão.

A causa teve enorme repercussão e foi julgada no Supremo em 1963, numa sessão histórica, com a plateia lotada e muita gente de pé, pois os julgamentos eram públicos, qualquer um podia assistir.

Houve empate, o que aumentou ainda mais o suspense, e o presidente Ribeiro da Costa deu o chamado voto de Minerva e então desempatou, absolvendo o jornalista, numa cena emocionante, em que foi ovacionado pelo público, numa grande confusão cívica, digamos assim.

TIRAR A TOGA – Em 1966, dois anos após o golpe militar, o ministro Ribeiro da Costa não aceitou pressões do governo ditatorial ao STF e pediu aposentadoria. O presidente Castelo Branco então convidou o deputado Adaucto Lucio Cardoso para a vaga, por ser jurista de reputação ilibada e ter feito oposição a Goulart, inclusive renunciando à presidência da Câmara.

O novo ministro assumiu em 1967, mas nunca se curvou à ditadura e não apoiava os excessos do governo. Ficou no STF por apenas quatro anos. Em março de 1971, quando o plenário julgou constitucional a Lei da Censura Prévia (Decreto-lei nº 1.077), editada pelo governo Médici, Adauto Lúcio Cardoso então manifestou sua indignada repulsa.

Numa sessão absolutamente lotada, pois o julgamento foi acompanhado por dezenas de jornalistas, além de políticos, magistrados e autoridades, ele despiu sua toga, atirou-a sobre a poltrona e abandonou acintosamente o recinto, num fato inédito na história do STF. 

TUDO MUDOU – Desde a redemocratização do país não houve graves crises e tudo mudou. O que há agora é uma degradação como nunca se viu e que somente está acontecendo porque alguns presidentes da Nova República passaram a desconhecer os pré-requisitos de notório saber e reputação ilibada, com o Senado dando força a essa ilegalidade.

É como se tivesse havido uma implacável campanha para desmoralizar a mais importante instituição do país, que tem obrigação de funcionar como poder moderador, para exigir o cumprimento das leis.  

Agora é tudo ao contrário. O Supremo “reinterpreta” leis, como fez ao libertar Lula da Silva em 2019; “inventa“ leis, a exemplo da descondenação do mesmo Lula em 2021, “legaliza” a perseguição política, ao bloquear a liberdade de expressão; tenta “estender o alcance” de leis brasileiras a países estrangeiros; “considera fora da lei” o único esforço válido de luta anticorrupção no país; “pratica a anistia” a corruptos confessos; e “protege ministros” que infringem a ética e a moral.

###
P.S.
O Supremo sai do recesso e volta a funcionar hoje, num ambiente insalubre e nojento. No entanto, nada disso estaria acontecendo se fosse respeitada pelo governo e pelo Senado a exigência de reputação ilibada e notável saber na indicação de ministros. Mas quem se interessa? (C.N.)

13 thoughts on “Ministros não sabem como impedir a crescente desmoralização do Supremo

  1. No entanto, nada disso estaria acontecendo se fosse respeitada pelo governo e pelo Senado a exigência de reputação ilibada e notável saber na indicação de ministros. Mas quem se interessa? (C.N.)

    Os $enadores são cúmplices dessa tragédia grega bostileira …

    Por 129 milhões de motivos óbvios, os $enadores não levam muito a sério as indicações ao Supremo Tayayá Resort Federal por causa de mais da metade do $enado estão mais sujos que pau de galinheiro., como se dizia antigamente.

    aquele abraço

  2. “…Quem acompanha a “Tribuna da Internet” há mais tempo sabe que seu editor-chefe jamais demostrou a menor simpatia por Jair Bolsonaro, seja como militar, parlamentar ou governante…””

  3. Sr. Newton

    O negócio está tão feio para os Sinistros que não podem nem ir na padaria do Seu Joaquim de Pombal para tomar um café e comer um pão com manteiga na chapa..

    Segundo os especialistas de plantão, um dos Sinistros foi hostilizado no restaurante que costumava frequentar e comer sua lagosta e caviar com uma garrafa de vinho francês raríssimo e caro por pessoas que estavam no local..

    aquele abraço

  4. Caro editor, dentre as desventuras supremas podemos citar a vergonhosa “aposentadoria compulsória” dos ministros Vitor Nunes Leal, Evandro Lins e Silva e Hermes Lima.

  5. Acontece que o próprio povo desconhece as condições mínimas para eleger alguém a presidência da república, e este depois de eleito, também passa a desconhecer as condições necessárias para indicar e nomear indivíduos para ocupar cargos nas cortes superiores de justiça.
    É tudo resultado da falta de conhecimento político da população.
    É sobre estes indivíduos que Bertold Brecht escreveu o seu “analfabeto político”.

  6. Até parece que os Deuses do Olimpo estão preocupados com a opinião pública, um é dono de resort, outros praticam advocacia administrativa com prepostos, “tá tudo certo”…

  7. Poxa , até que enfim alguém dessa TI reconhece que a principal fonte de alimentação da ” corrupção ” nas fileiras do poder judiciário BR , é o poder legislativo a serviço do poder executivo , ao endossarem e aprovarem a ida de maus elementos e desqualificados , para os STF e demais tribunais do país , numa verdadeira troca recíproca de favores e acordos ” espúrios e criminosos ” , lesivos ao Brasil e a seu povo de bem .

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *