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Investigações já esbarraram em pastores influentes
Bernardo Mello Franco
O Globo
A relatoria do caso Master será um teste para André Mendonça. O ministro e pastor chegou ao Supremo Tribunal Federal por ser “terrivelmente evangélico”, nas palavras do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora terá que mostrar autonomia em relação ao segmento que apadrinhou sua nomeação.
As investigações da Polícia Federal já esbarraram em figuras influentes do meio evangélico. A mais famosa é o pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha. Valadão é amigo do banqueiro Daniel Vorcaro, que chegou a frequentar a denominação. A Lagoinha controlava uma fintech, a Clava Forte Bank, que foi tirada do ar em meio ao escândalo do Master.
QUEBRA DE SIGILO – Citado na CPI do INSS, Valadão já foi alvo de pedido de quebra de sigilo, além de convidado a prestar depoimento. No fim de janeiro, negou ter negócios com Vorcaro, a quem chama pelo primeiro nome. “Conheço Daniel há anos, dentro da vida e do contexto da igreja. Mas não no campo de negócios”, disse.
Dias antes da fala de Valadão, a Polícia Federal prendeu o pastor e empresário Fabiano Zettel, ligado à Lagoinha e cunhado de Vorcaro. Ele é suspeito de operar o esquema de fraude bancária e foi capturado quando tentava embarcar de jatinho para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Zettel foi o maior doador das campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições de 2022.
Os escândalos em investigação já provocaram bate-boca entre figuras notórias do meio evangélico, como a senadora e pastora Damares Alves e o pastor bolsonarista Silas Malafaia. Irritado com declarações de Damares, Malafaia a desafiou a listar igrejas e pastores que estariam ligados ao esquema de fraudes nas aposentadorias. A senadora respondeu citando cinco pastores. Entre eles, Zettel e Valadão.
Pastor André Valadão, pastor e empresário Fabiano Zettel, pastora e senadora Damares Alves e o pastor bolsonarista Silas Malafaia.
Mendonça deverá se sentir em casa.
E vice-versa:
Pastor André Valadão, pastor e empresário Fabiano Zettel, pastora e senadora Damares Alves e o pastor bolsonarista Silas Malafaia.
Deverão se sentir em casa, com Mendonça.
“Agora terá que mostrar autonomia em relação ao segmento que apadrinhou sua nomeação.”
Até onde conheço, o segmento evangélico não apadrinhou ninguém e, de acordo com o Mestre, não lhe cabe assim fazê-lo, “assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. (Romanos 14.12).
E, caso, ele seja, de fato, “terrivelmente evangélico”, como verdadeiro cristão, deverá honrar a Aliança que tem com o Mestre, se é que tem.