
Charge do Cláudio Oliveira (Folha)
Deu na Folha e no Estadão
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se queixou a um interlocutor de cobranças que recebeu para efetuar pagamentos ligados à compra do resort Tayayá, do qual o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli era sócio, por meio da empresa Maridt.
Os diálogos obtidos pela Polícia Federal por meio do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort, segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
CUNHADO OPERADOR – O cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, atuava como seu operador financeiro e foi o responsável por organizar os pagamentos. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel, por mensagem de WhatsApp, qual era a situação dos repasses.
“Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
NOVA COBRANÇA – Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a tratar das cobranças com o cunhado. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro cita o nome da ex-mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel em diálogos obtidos pela PF com outros interlocutores.
MULHER DE TOFFOLI – O relatório da PF apontaria indícios de que ela atuou em assuntos jurídicos para o Banco Master quando ainda era casada com o ministro do STF. A polícia não teria confirmado a existência de um contrato da ex-mulher de Toffoli com o banco. Procurada na noite deste sábado (14), a advogada não respondeu. Procurado pela reportagem, Vorcaro não comentou o assunto até a publicação deste texto.
Toffoli enviou nota, por meio da assessoria do STF, dizendo que o negócio ocorreu antes de ser relator do processo sobre o Master, que não conhecia o gestor do fundo que adquiriu sua fatia no resort e que não recebeu dinheiro de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel.
“Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”, afirmou o ministro na nota.
FORA DA RELATORIA – A retirada da relatoria do caso Master das mãos do ministro Dias Toffoli teve como um dos pivôs o resort de luxo Tayayá. Foi no espaço localizado em Rio Claro (PR) que o magistrado dividiu, por meio de sua empresa familiar, sociedade com um fundo de investimentos ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Como mostrou a Folha no mês passado, o resort localizado em Rio Claro (PR) era a parte visível de uma parceria que teve início em setembro 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.
O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos apontados pelas autoridades como pertencentes à engenharia financeira de Vorcaro e seus sócios.
FORA DO RESORT – O controlador do fundo Arleen é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, segundo o jornal O Estado de S.Paulo.
A empresa familiar Maridt somente deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.
Os irmãos José Eugênio, que é engenheiro, e José Carlos, que atua como padre, levam uma vida sem luxos em Marília (SP), como mostrou a Folha. A Maridt é uma empresa de capital social de ridículos R$ 150 e tem ainda um dos filhos de José Eugênio na diretoria.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As investigações estão apenas começando. Daqui para a frente, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes vão ter surpresas diariamente no noticiário dos jornais. Será que vale a pena enriquecer ilicitamente, para depois passar tanta vergonha? Sinceramente, a desfaçatez dessa gente é uma arte, como diria Ataulfo Alves, sempre lembrado aqui na Tribuna. (C.N.)
A imensa maioria faz muito pior do que eles fizeram ao longo de tantos anos impunemente.
O STF é apenas a ponta desse iceberg de poder ilícito e arbitrário ilimitado no Judiciário.
A toga, no Brasil, se tornou o melhor esconderijo extremamente lucrativo para bandidos blindados.
Poxa vida , o Brasileiro é tão criativo , que já lançaram uma nova moda sociológica – matrimonial , ou seja , quando os agentes públicos , empresários e as pessoas ditas e havidas como poderosas , se envolvem em alguma falcatrua e são pegas com a boca na botija , passaram a recorrerem aos ” providenciais ” e libertários dissociativos divórcios matrimoniais , visando protegerem seus patrimônios , impedindo que algum juiz decente , honesto e metido a besta , bloqueie seus bens para ressarcimento aos cofres públicos , uma vez que a tática de se refugiarem nos hospitais – hotéis cinco já esta manjada .