Campanha publicitária “Nunca É Tarde” funciona para o governo como uma confissão de culpa

Através do Zé Gotinha, o governo tenta se redimir dos crimes

Jorge Béja

Esta CPI – instalada para investigar se o governo federal cruzou os braços, pouco ou nada fez para combater a pandemia – nem precisa prosseguir com os seus trabalhos, que nesta quarta-feira se mostraram atrapalhados. Isto porque o governo federal lançou no mesmo dia uma campanha publicitária cujo título é a própria confissão de culpa. O nome da campanha é “Nunca é Tarde”.

Ou seja, o governo reconhece pública e oficialmente que até aqui, desde o início da pandemia, tardou com o desempenho de suas obrigações em defesa da população brasileira contra o Coronavírus. E que só agora, mesmo tarde, começa a fazer a sua parte, isto porque “Nunca é Tarde”. Mesmo já tendo ceifado perto de 430 mil vidas.

RECOMENDAÇÕES – No vídeo de 30 segundos, o Zé Gotinha aparece com toda a família. Os avós, os pais e o filho defendem o uso de máscaras, o distanciamento social e a vacinação.”Máscara, certo filho? Tem que lavar as mãos direitinho e nada de ficar muito juntinho, assim você cuida da sua família, da sua renda e do Brasil”, diz a campanha.

O que é isso, a não ser confissão oficial de culpa? De retardo? De omissão de socorro ao tempo e à hora que eram necessários prestar?

Portanto, a CPI pode encerrar seus trabalhos hoje. Atrapalhados trabalhos, visto que na primeira ocasião que a CPI se deparou com uma testemunha que mentiu muito, não lhe deu voz de prisão.

PRESTOU JURAMENTO – Então, por que o presidente da CPI exigiu desta testemunha mentirosa que antes de começar seu depoimento, antes de ser inquirida, ela prestasse  o compromisso do artigo 203 do Código de Processo Penal, que é o de falar a verdade, somente a verdade, sob pena de prisão em flagrante? Falso testemunho é crime formal. E crime formal é flagrante delito.

A decisão de enviar o depoimento da testemunha que faltou com a verdade para a promotoria pública foi decisão esdrúxula e absurda.

O promotor de justiça está alheio à CPI. Ele vai ler aquele “cacatau” de papéis que recebeu e nem saberá o que fazer. É possível que devolva tudo à CPI. Oferecer denúncia à Justiça é certo que não fará.

FOI CONDESCENDENTE – A testemunha mentiu e o presidente da CPI não usou de seus poderes que a Constituição Federal e a Lei das CPIs (nº 1579) lhe conferem. Se não prevaricou, foi condescendente e complacente. Viu o crime, testemunhou o crime, tinha o dever de prender o autor do crime e nada fez.

Mas todo este raciocínio agora é desnecessário apresentar. Afinal, a CPI pode encerrar seus trabalhos. O denominado “Fato Determinado”, que é apurar a atuação do governo diante da pandemia, já está mais do que provado que o governo pouco ou nada fez.  Esta campanha lançada agora em 12 de Maio de 2021  é a maior prova. É a confissão de culpa: “Nunca é Tarde”,

18 thoughts on “Campanha publicitária “Nunca É Tarde” funciona para o governo como uma confissão de culpa

  1. Na realidade, esta como todas CPIs que a antecederam, não irão ter efeito nenhum. Apenas o seu objetivo principal que é a auto promoção dos parlamentares que são diariamente vinculados pelas mídias.
    E isso deve durar por mais alguns meses até que se cansem e garantam muitos votos na próxima eleição.

  2. Desta vez, discordo da interpretação do Dr Jorge Béja.

    O “nunca é tarde” da campanha nada tem a ver com confissão de culpa. Refere-se, evidentemente, às controversas orientações da OMS e dos “especialistas” e na demora da ciência em encontrar soluções para tratar da peste chinesa, que assola o mundo. Note que, ao contrário do “fique em casa” da OMS e dos “especialistas”, a campanha reforça a necessidade de cuidar da renda (ou seja, de trabalhar). Desnecessário lembrar que “uso de máscaras e distanciamento social” foram recomendações exaradas pelo Ministério da Saúde logo no princípio da pandemia.

    No caso do depoimento do ex-secretário, me causa espanto a rapidez do Dr Béja em inculpar o depoente e até torcer pela sua prisão. O sujeito foi de livre e espontânea vontade dar o seu testemunho, falou o que o corrupto Renan Calheiros não queria ouvir e recebe uma ordem de prisão em flagrante por mentir? De onde saiu a certeza de que o depoente mentiu? Da cachola do relator. Agiu bem o senador Aziz.

    • A senadora Leila Barros reproduziu a gravação da entrevista que o assessor do planalto concedeu à Veja. E se ouve perfeitamente o entrevistado repetir que foi incompetência. Repete duas vezes. É o que está na Revista. Já na CPI a testemunha negou que tenha dito isto ao jornalista que o entrevistou.

        • Não consta que a testemunha tenha negado a gravação, ou a considerado fraudulenta ou que tenha solicitado sua requisição para ser periciada. Também não consta que a testemunha tenha acionado judicialmente a revista, com pedido de reparação, nem mesmo enviado uma carta contestando o teor da entrevista.
          Pessoalmente, não considero de boa reputação a Veja. Em 1995 a Revista me pediu uma entrevista que seria de uma página. A repórter Márcia Vieira, pessoa delicada, conviveu o meu dia-a-dia de segunda até quinta. Quando a revista saiu no domingo, minha foto ocupava toda a capa com um título nada edificante. E na parte de dentro a matéria não era de uma, mas de 8 páginas e 12 fotos, também com legenda desairosa, tudo porque eu defendia gente pobre e vítimas da violência policial e do mau atendimento hospitalar. Aqui na Tribuna da Internet, numa matéria de grande texto, tudo contei e mostrei com os textos e as fotos. Não me recordo o ano que a TI publicou. Nem o mês nem o dia. Talvez o nosso editor Carlos Newton possa localizar a nos trazer o link.

  3. Oferecer denúncia à Justiça é certo que não fará.

    Renan tá igual garçom de rodízio de pizza, vai e volta no salão mas quer mesmo é entregar a comandinha e pegar os 10%.

  4. Você é encrenqueiro mesmo. Só que eu não caiu nesse sua malandragem.

    a – Eu disse que confio na opinião do Sr. bejá, quanto a falta de credibilidade da revista veja, sem precisar ver a reportagem citada por ele.

    b – quando fui procurar a citada reportagem, disse que achei outra dele, de assunto mais importante para o momento, que é a candidatura avulsa;

    c – sei (acredito eu) que o Dr. Bejá tomou algum tipo de providencia quanto ao desvio da reportagem/entrevista manipulada pela dita revista.

    então, só perguntei qual foi o resultado das providencias (creio que houve) tomadas pelo Dr. Bejá á revista veja. Queria saber se ele teve direito de resposta, e se (caso sim) ele considerou que foi suficiente.

    então, Onde nessa sua cabeça, você viu ofensa ?

  5. Ainda sobre a entrevista de 1995 à Veja.

    A revista foi verdadeira sobre as respostas e declarações que dei à repórter Márcia Vieira, que conviveu meu dia-a-dia de segunda a quinta-feira, de manhã ao final da tarde, na semana anterior à edição e publicação da revista.

    O que eu disse e o que fiz no exercício da advocacia foram reproduzidos fielmente. Porém, os títulos, as chamadas, as manchetes, as adjetivações que a revista empregou ao meu trabalho e a mim é que me magoaram.

    Não acionei judicialmente a revista a pedido de meu querido Pai. Mesmo inconformado com as adjetivações que a Veja-Rio empregou contra seu filho, ele me pediu que nada fizesse contra a revista. “O conteúdo da reportagem contradiz os títulos e manchetes”, foi o que disse Papai. E eu obedeci. Era conselho de um sábio.

    • Parece que o Sr. (Dr. Bejá) fez escola. Veja abaixo, trecho tirado do depoimento de Wajngarten a CPI.

      “-” – – A entrevista publicada na VEJA e o áudio confirmam a versão de Fabio Wajngarten na CPI, de que não teria chamado Pazuello de incompetente. Ainda na CPI, o publicitário disse que a manchete de capa da VEJA teria sido um truque para chamar atenção.

      “A manchete serve para vender a tiragem, a manchete serve para trazer audiência, a manchete serve para chamar a atenção, conforme a gente conhece”, afirmou. “-“-”

      Quanto a insistência maluca desse bendel de me vincular a outras vitimas dele, nem vou comentar; visto que ele nominou esse tal de Schoslander. Então, ele que se resolva com os fantasmas dele.

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