Conheça “A Esfera”, um poema interminável, na criatividade de Cassiano Ricardo

CASSIANO RICARDO: ladainha hi-tech | MIOPIA

Cassiano, ao tomar posse na Academia

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974) é autor de uma obra poética tida como uma das mais sérias e importantes da literatura brasileira contemporânea. Pode ser notada nos versos de “Rotação”, onde as palavras esfera, espera, ensina e esperança se alternam entre si, originando novas mensagens em cada estrofe, num poema interminável.

ROTAÇÃO
Cassiano Ricardo

a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
de novo a esperança
na esfera

a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera

a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera

Um poema-oração de Clarice Lispector, pedindo perdão pelo pecado de pensar…

Clarice Lispector - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, no poema “Meu Deus, me dê coragem’’, faz uma mensagem desesperada em busca da plenitude.

MEU DEUS, ME DÊ CORAGEM
Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
meu pecado de pensar.

No Dia Internacional da Mulher, duas homenagens com o maior carinho…

Yes, Nós Temos Braguinha – Wikipédia, a enciclopédia livre

Braguinha foi enredo vitorioso da Mangueira em 1984

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga (1907-206), conhecido como Braguinha ou João de Barro, fez uma belíssima declaração de amor ao colocar letra no famoso choro “Carinhoso”, um dos maiores clássicos da MPB, composto por Pixinguinha.  “Carinhoso” foi gravado por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

“Carinhoso” é uma exaltação à mulher e se tornou uma das músicas brasileiras mais gravadas, em empate no segundo lugar com “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), ambas com 430 gravações. Recentemente, o primeiro lugar passou a ser de “Garota de Ipanema” (Tom & Vinicius), com 442 gravações.

CARINHOSO
Pixinguinha e Braguinha

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.

Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.

Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
A procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.

##########################
DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Paulo Peres

Quero parabenizá-la, dizendo que
não existe palavra capaz de definir,
peculiarmente, esta dádiva chamada
MULHER, maravilha infinita
que embeleza o cotidiano!…

Na poesia de Dante Milano, o passado carrega nossa vida para trás…

Veredas da Língua: DANTE MILANO – POEMASPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta Dante Milano (1899-1991), nascido em Petrópolis (Rio de Janeiro), foi um dos mais destacados elementos representativos da terceira geração do Modernismo. Neste pequeno poema, Milano faz criativas indagações sobre o ir e vir da passagem do tempo. Afinal, para onde o tempo vai?

AO TEMPO
Dante Milano

Tempo, vais para trás ou para diante?
O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,
Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida

A um tempo aproximando e distanciando…
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando

Tempo, vais para diante ou para trás?

Um poema em homenagem ao genial arquiteto Bernardo Artigas

www.antoniomiranda.com.br

Holanda, poeta pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997) escreveu este poema após visitar o Edifício da FAU USP “Faculdade de Arquitetura de São Paulo”, em 1977, prestando assim uma homenagem póstuma ao arquiteto Bernardo Artigas, que projetou o prédio da instituição e foi um de seus criadores.

FACULDADE DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO
Gastão de Holanda

O arquiteto abrange o espaço com seus braços
e que se esculpe nesse espaço?
ubiquidade, instrumentos de música,
o auto-retrato do arquiteto:
olhos, língua, testa,

a serena contemplação de um claro
organizado lugar de encontros.

A laje pulsa.
A mão risca a proporção do homem,
decalca o pensamento, o andar,
o ir-e-vir cotidiano e diz:

– Podeis trabalhar tranquilos: aqui é o Teto do povo.

O voo existe antes do espaço desenhado.
A alma do arquiteto
recortada pelo espectro da coluna

vigia nossos passos,
e o gesto em flor
é uma opção bifurcada em artérias.

O sangue do arquiteto está coagulado ali,
sepulto e vivo nas veias do ferro,
na carne do cimento
semente diluída no voo de estudantes/abelhas,
no mel e na medida do tempo.

Tempo? ou luz que tudo enlaça?
Que diferença há entre o edifício e a árvore?
Entre a árvore e esse homem debruçado?
Entre esse homem e seu edifício vivo?
O seu fazer alcança teto e galho,
viaja o quintal das plataformas e colhe
na Primavera o fruto de um desígnio,
o capricho do vivo silêncio
que amadurece as formas antigas
artigas.

Belchior não tinha ilusões, sabia que era apenas um rapaz latino-americano

O que você aprendeu com Belchior? #belchior #belchiorpensativo #mpbPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946-2017), na letra de “Apenas um rapaz latino-americano”, tenta mostrar o significado, na década de 70, daquilo que era ser um jovem o saído do interior para viver na cidade, algo distante da mistura colorida, a princípio, identificada na trupe da Tropicália. A música “Apenas um rapaz latino-americano” foi gravada por Belchior no LP Alucinação, em 1976, pela Polygram, com extraordinário sucesso.

APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO
Belchior

Eu sou apenas um rapaz latino americano,
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas trago na cabeça uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos, conversando com pessoas
Caminhado o meu caminho, papo o som dentro da noite,
E não tenho um amigo sequer que ainda acredite nisso, não
Tudo muda, e com toda a razão

Eu sou apenas um rapaz latino americano,
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes e vindo do interior.
Mas sei que tudo é proibido, aliás,
Eu queria dizer que tudo é permitido,
Até beijar você no escuro do cinema 
Quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve.
Som, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém,
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe, meu amigo,
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente.
quer dizer, ao vivo é muito pior

Eu sou apenas um rapaz latino americano,
Sem dinheiro no banco,
Por favor não saque a arma no saloon,
Eu sou apenas um cantor

Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo, à tarde, às três,
Que à noite eu tenho compromisso
E não posso faltar por causa de você

Eu sou apenas um rapaz latino americano,
Sem dinheiro no banco,
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei, sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não

Candeia e Paulinho da Viola, cantando juntos nas madrugadas do Rio

Candeia – Samba Carioca

Candeia era um sambista muito aclamado

Paulo Peres
Poemas & Canções

O policial civil, cantor e compositor carioca Antônio Candeia Filho (1935-1978) e seu parceiro Paulinho da Viola, na letra de “Minhas Madrugadas”,  afirmam que cantam pelas noites para esquecer o passado, do qual só restou a saudade de uma vida de ilusões. Esse samba foi gravado por Candeia no LP Raiz, em 1971, pela Equipe, e também por Paulinho da Viola, com grande sucesso.

MINHAS MADRUGADAS}
Paulinho da Viola e Candeia

Vou pelas minhas madrugadas a cantar
Esquecer o que passou
Trago a face marcada
Cada ruga no meu rosto
Simboliza um desgosto

Quero encontrar em vão o que perdi
Só resta saudade
Não tenho paz
E a mocidade
Que não volta mais

Quantos lábios beijei
Quantas mãos afaguei
Só restou saudade no meu coração
Hoje fitando o espelho
Eu vi meus olhos vermelhos
Compreendi que a vida
Que eu vivi foi ilusão

O preço da vida não cabe no poema, dizia o imortal Ferreira Gullar

A arte existe porque a vida não basta. Ferreira Gullar - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira (1930-2016), o famoso Ferreira Gullar, explicava poeticamente por que “Não Há Vagas” para os dramas diários.

NÃO HÁ VAGAS
Ferreira Gullar

O preço do feijão
não cabe no poema.
O preço do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás,
a luz, o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão. 
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome,
sua vida fechada
em arquivos. 
Como não cabe no poema
o operário
que esmerilha seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago,
a mulher de nuvens
a fruta sem preço.
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

Poética e amorosamente, Flora Figueiredo criou a “Ave Maria dos Amantes”…

Flora Figueiredo - a poética da vivência | Templo Cultural Delfos

A poeta Flora Figueiredo em evento literário

Paulo Peres
Poemas & Canções

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo, no poema “Reza”, suplica pela existência de um espaço em que o cotidiano do amor e suas contradições possam coexistir, abençoados pela Ave Maria dos Amantes.

REZA
Flora Figueiredo

Tem que haver um espaço pra nós dois
onde caibam nossos amores,
nossos temores,
nossos dilemas.

Tem que haver pra nós um tema
que fale de flores.
Tem que haver uma canção
de versos sofridos, amargos e doces.

Tem que haver uma oração
que fale de ciúme, de saudade, de perdão,
que abençoe os beijos
e os desejos retumbantes.

Para quando declinada ao fim do dia,
possa ser a Ave Maria dos amantes.

Um samba especial de Cartola, dedicado a seu grande amor, a famosa Dona Zica

Repique - Cartola e Dona Zica 😍 | Facebook

Cartola e Dona Zica, um lindo caso de amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, na letra de “Tive Sim” expõe que teve um grande amor, mas não tem como compará-lo ao atual. Esse samba foi gravado pelo próprio Cartola e também por Luiz Melodia no CD Estação Melodia, em 2009, pela Biscoito Fino.

TIVE, SIM
Cartola

Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos
E assim
Íamos vivendo em paz

Nosso lar, em nosso lar
Sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou

Tive, sim
Mas comparar com o teu amor
Seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar

“Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks-rurais…”

História de Casa no Campo, de Zé Rodrix - Novabrasil

Tavito e Rodrix, dois gigantes da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O músico e compositor carioca Zé Rodrix 1947/2009), nome artístico de José Rodrigues Trindade,   na letra de “Casa no Campo”, parceira com o músico mineiro Tavito, nome artístico de Luís Otávio de Melo Carvalho, retratou sua intenção de trocar a agitação da cidade grande pela vida simples e tranquila do interior. A canção viria a se tornar um grande sucesso na voz de Elis Regina, através de um compacto duplo gravado em 1971, pela Philips.

CASA NO CAMPO
Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks-rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique, sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais.        

A História da Pátria, na versão poética e étnica de Ascenso Ferreira

Ascenso fazia sucesso também no rádio

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, servidor público, radialista e poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), no poema “A História da Pátria”, ratifica seu amor pelas raízes da brasilidade no Nordeste.

HISTÓRIA DA PÁTRIA
Ascenso Ferreira

Plantando mandioca, plantando feijão,
colhendo café, borracha, cacau,
comendo pamonha, canjica, mingau,
rezando de tarde nossa Ave-Maria,
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
A gente vivia.

De festas no ano só quatro é que havia:
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão!
Mas tudo emendava num só carrilhão!
E a gente vadiava, dançava, comia…
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Todo santo dia!

O Rei, entretanto, não era da terra!
E gente pra Europa mandou-se estudar…
Gentinha idiota que trouxe a mania
de nos transformar
da noite pro dia…
A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Vivia!

(E foi um dia a nossa civilização tão fácil de criar!)
Passou-se a pensar,
passou-se a cantar,
passou-se a dançar,
passou-se a comer,
passou-se a vestir,
passou-se a viver,
passou-se a sentir,
tal como Paris
pensava,
cantava,
comia,
Sentia…

A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Vivia

“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la”, ensinava Antônio Cícero.

Antônio Cícero viveu e morreu com dignidade

Cícero com a irmã, a cantora Marina Lima

Paulo  Peres
Poemas & Canções

O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima (1945-2024) pergunta por que se escreve, por que se publica e por que se declama um poema, a não ser para “guardar” o que realmente queremos.

GUARDAR
Antonio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la,
Isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela,
Isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
Isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

“Adeus, vou pra não voltar, e onde quer que eu vá, sei que vou sozinho…”

Boa Noite !!! “Eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um  pedaço de mim eu sou como eu sou vidente e vivo tranquilamente todas as  horas do fim.” Torquato Neto (Paulo Peres
Poemas & Canções

O cineasta, ator, jornalista, poeta e letrista piauiense Torquato Pereira de Araújo Neto (1944-1972) é considerado um dos principais letristas do movimento Tropicalista. Torquato era daqueles cuja extremada sensibilidade o fizeram partir precocemente. Tanto que a solidão e a perda de um amor que transbordam na letra de “Pra Dizer Adeus” mais parecem um bilhete de despedida.

A música faz parte do LP Elizeth e Zimbo na Sucata, gravado em 1969 pela Copacabana.

PRA DIZER ADEUS
Edu Lobo e Torquato Neto

Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho
Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho

Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer

Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus

“Mantém-te jovem, pouco importa a idade!”, recomendava Bastos Tigre

Tribuna da Internet | Envelhecer jovem como Bastos Tigre, o bem-humoradol poeta pernambucanoPaulo Peres
Poemas & Canções

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano Manoel Bastos Tigre (1882-1957), no soneto “Envelhecer”, demonstra que cada etapa da vida tem a sua juventude apropriada.

ENVELHECER
Bastos Tigre

Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.           

A verdade sobre a vida de Lula que a escola de samba não quis contar…

Bolsonaro, Michelle e outros políticos resgatam foto antiga de Lula usando  camiseta com pedido de 'anistia'

Lula era agente infiltrado pelo regime militar no sindicalismo

Paulo Peres

Não podemos esquecer que a quase totalidade dos petistas e dos eleitores do PT não sabem quem é o verdadeiro Lula da Silva, que é tido como um líder esquerdista. No entanto, aqui na Tribuna da Internet, nós conhecemos a verdadeira versão da trajetória do criador do PT, através desse artigo de Antonio Santos Aquino, que foi apagado dos arquivos de nosso Blog pela ação de hackers que nos invadiram. Mas em havia tomado o cuidado de fazer uma cópia, para que pudéssemos republicá-lo.

Aquino é oficial da Marinha, ligado ao almirante-de-esquadra Júlio de Sá Bierrenbach. da ala legalista das Forças Armadas, que jamais aceitou a ditadura militar.

Leiam esse relato histórico de um brasileiro de verdade.

###
LULA É UM PRODUTO CRIADO PELO REGIME MILITAR

Antonio Santos Aquino (Tribuna da Internet)

Poucos sabem que Luiz Inacio Lula da Silva é produto pronto e acabado da Revolução (golpe de 1964). Foi protegido desde que os irmãos Villares, empresários do ramo metalúrgico naval, o apresentaram como sindicalista confiável aos militares. Desde então foi protegido pelo general Golbery do Couto e Silva, ideólogo da Revolução de 1964.

Lula fez curso numa escola paga pelos americanos em 1963 em São Paulo, para formar líderes sindicais. Em 1972/73 foi para os Estados Unidos tomar aulas de “sindicalismo” na central sindical AFL-CIO e na Johns Hopkins University.

BRIZOLA DE VOLTA – Lula foi preparado para se contrapor a Leonel Brizola que voltava do exílio depois de 15 anos e ainda metia medo aos militares com a tal “República Sindicalista” que nunca existiu e nunca foi cogitada. Foi até um pretexto para o golpe planejado nos Estados Unidos em 1964 (isso é conhecido e provado).

Lula deve saber alguma coisa dos militares e muitas coisas pesadas de políticos, corrupção e crimes, inclusive.

Já ouvi falar nisso ao jogar “dama” com outros cascudos como eu, na Praça Cruz Vermelha, e que têm filhos que exercem funções de destaque no governo, inclusive oficiais das Forças Armadas. Não são daquela época, mas ouvem muitas coisas e relatam aos pais.

PERGUNTEM POR ELE – O que sei é que Lula foi um líder fabricado para enfrentar Brizola e impedir a volta do trabalhismo, uma linha ideológica brasileira que nada tem de comunismo. Aliás, o próprio Lula e o PT também nem sabem o que significa comunismo. No partido, o que tem de pilantras e bandidos que comeram do fruto proibido e estão posando de vestais é impensável.

Perguntem quem é Lula ao José Sarney, ao filho de Tuma, ao ministro aposentado Almir Pazzianoto e ao representante da Volkswagen na Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), Mário Garneiro, a jornalistas e historiadores que escreveram livros sobre ele, como José Nêumanne, Marco Antonio Villa, Felipe Recondo e Ivo Patarra.

Há quem diga que Lula e o PT são comunistas, mas isso representa a maior ignorância. É coisa de analfabeto político.

Uma poesia que exalta os amantes, mas não esquece os dramas sociais

Cairo de Assis Trindade (@CairoDeAssisTrindade) • FacebookPaulo Peres
Poemas & Canções

A arte do poeta gaúcho Cairo de Assis Trindade (1946-2019) tem forte conotação social. Ele não esquece os fracos, marginalizados e renegados pela sociedade, embora sempre mantenha também seu viés romântico, como neste “Cantor do Amor”.

CANTOR DO AMOR
Cairo Trindade

Eu queria ser o poeta
dos sem-terra e dos sem-teto;
servir, como um anjo da guarda,
aos tristes e deserdados;

ser o arauto dos sem-voz,
dos loucos, perdidos e sós;
dos feios, fracos, falidos,
sem porra nenhuma na vida.

Eu queria ser o poeta
de todos os que não deram certo;
sem deixar, por um instante,
de ser o cantor dos amantes.

“Mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade…”

Vinicius e Carlos Lyra - playlist by Vinicius de Moraes | SpotifyPaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980) escreveu com Carlos Lyra (1933-2023), em 1963, a “Marcha da quarta-feira de cinzas”.

O lirismo melancólico dos foliões a espera do próximo carnaval, que imperava na letra, depois serviu também como música de protesto contra a ditadura militar de 1964.

Embora consagrada pela voz de Nara Leão, essa marcha-rancho foi gravada, inicialmente, por Jorge Goulart, em 1963, pela Copacabana.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

A porta-bandeira é a figura principal e sofre quando é substituída

O primeiro casal mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca cheg... |  TikTok

Porta-bandeira é a grande rainha do Carnaval

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro, na letra de “A velhice da porta-bandeira”, em parceria com Eduardo Gudin, registra que a vida partilha alegrias e tristezas enquanto o tempo passa e, nas escolas de samba, há sempre outra porta-bandeira a espreitar.

Esse samba foi gravado no LP “O importante é que a nossa emoção sobreviva”, em 1974, pela Odeon, por Eduardo Gudin, Paulo César Pinheiro e a cantora Márcia, alcançando repercussão nacional com o disco e os shows realizados por diversos estados.

A VELHICE DA PORTA-BANDEIRA
Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

Ela renunciou
A Mangueira saiu, ela ficou
Era porta-bandeira
Desde a primeira vez
Por que terá sido isso que ela fez?

Não, ninguém saberá
Ela se demitiu, outra virá
Ninguém a viu chorando
Coisa tão singular
Quando a bandeira tremeu no ar

Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ela se emocionou
Perto dela ela ouviu, alguém gritou:
“Viva a porta-bandeira”,
“Sou eu”, ela pensou
Mas foi a outra quem se curvou

Ô… quando toda avenida sambou
O seu mundo desmoronou
Ô… quando a porta-bandeira passou
Quem viu
Ela se levantou e aplaudiu

Olha o bloco do sujo, que não tem fantasia, mas que traz alegria para o povo sambar

20 Anos do Bloco dos Sujos de Olinda

No Brasil inteiro, existem blocos dos sujos no carnaval

Paulo Peres
Poemas & Canções

O coronel do Exército Brasileiro, compositor e letrista carioca Antônio de Pádua Vieira da Costa (1921-1996),  que adotou o nome artístico de Luiz Antônio, e o pianista e compositor maranhense Luís Abdenago dos Reis (1926-1980), conhecido como Luís Reis, são os autores do samba “Bloco do Sujo”, cuja letra expressa as manifestações populares típicas do carnaval de rua, onde o improviso e a desorganização são a tônica.

Um grupo de foliões com fantasias improvisadas, ou mesmo de roupa comum, reúne-se ao som de instrumentos também improvisados e desfilam pelas ruas da cidade, cantando e dançando. Alguns blocos de sujo satirizam a política nacional com faixas e cartazes, sempre em tom de ironia e deboche, com a marca do humor brasileiro.

As Gatas gravaram esse samba, em 1969, após terem vencido o Concurso de Músicas de Carnaval, no ano anterior, na extinta TV Tupi, promovido pelo Conselho Superior de MPB do Museu da Imagem e do Som.

BLOCO DO SUJO
Luiz Antonio e Luis Reis

Olha o bloco do sujo,
Que não tem fantasia,
Mas que traz alegria,
Para o povo sambar.

Olha o bloco do sujo,
Vai batendo na lata,
Alegria barata,
Carnaval é pular.

Olha o bloco do sujo,
Que não tem fantasia,
Mas que traz alegria,
Para o povo sambar,

Olha o bloco do sujo,
Vai batendo na lata,
Alegria barata,
Carnaval é pular.

Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Se não tem tamborim,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Bate a lata,
Plac, plac, plac,
Carnaval é assim !…