Trump e Milei garantem o inesperado sucesso da nova direita radical

Javier Milei segue Donald Trump e vai retirar Argentina da OMS

Trump e Milei logo conseguiram avanços concretos

Marcus André Melo
Folha

O americano, mesmo enfrentando resistência, implementa partes relevantes de sua agenda, e o argentino caminha na mesma trilha

A ascensão de lideranças da direita radical tem gerado um paradoxo que desafia explicações tradicionais. Uma de suas características é a propensão a erros por serem outsiders, incapazes de construir coalizões, e pelo amadorismo de suas assessorias e projetos estapafúrdios.

Trump, no entanto, mesmo enfrentando resistência, conseguiu implementar partes relevantes de sua agenda. Na Argentina, Milei caminha na mesma trilha, embora enfrente obstáculos ainda mais profundos: detém apenas 15% da Câmara dos Deputados.

MUITAS PROMESSAS – Trump promoveu desregulação, caça aos imigrantes, reformas fiscais, guerra com as universidades e cortes radicais no orçamento. Na guerra das tarifas, os resultados alcançados até agora seguem – inclusive para o Brasil – um script claro: blefes e ameaças estapafúrdias seguidas de reestruturação radical vantajosa.

Contudo ele ganha perdendo: o sucesso na implementação da agenda tem sido acompanhado de fiasco político. Sua popularidade declinou, e a base de apoio se mostrou volátil.

Parte de sua sustentação veio de efeitos conjunturais: após o colapso de mercado em fevereiro, o índice S&P registrou muito mais que recuperação, estimulando uma percepção de aumento de bem-estar econômico. No entanto esse movimento se deu, em parte, pela antecipação de estoques por empresas temendo as tarifas impostas, efeito de fôlego curto.

DIZEM AS PESQUISAS – O apoio ao partido republicano caiu cinco pontos percentuais (de 48% para 43%) na primeira estimativa do agregador Strength in Numbers.

Os democratas aparecem com a perspectiva de fazer a maioria (222 cadeiras) na Câmara dos Deputados (mesmo descontando possível manipulação dos distritos eleitorais no Texas), e com chances similares de levar o Senado.

Tudo isso a despeito da declinante identificação com os democratas que está em baixa histórica (negativa para 63% do eleitorado). A brecha voto x aprovação nunca foi tão alta, segundo G Elliott Morris. Mais importante: os efeitos das tarifas sobre a atividade econômica e a inflação aparecerão no médio prazo.

E A ARGENTINA? – Milei apresenta um caso ainda mais instigante. Hiperminoritário e com enfrentamentos constantes com os governadores, tem, paradoxalmente, conseguido avançar em sua agenda de ruptura histórica com o passado.

Esse sucesso inicial se deve ao colapso virtual do país, viabilizando um outsider. Ele se apoia em mecanismo institucional peculiar: Lei Ônibus delegada que equivale a carte blanche por 12 meses (ao contrário de batalhas por PECs e PLs sucessivos, como no Brasil).

Aprovada como “última cartada para evitar colapso do país”, ela garantiu trégua. Ele enfrenta, no entanto, eleições de meio de mandato em outubro, o que suscitou mais que estremecimento –guerra aberta– das relações como governadores provinciais e ex-apoiadores, inconformados com a suspensão de transferências federais em ano eleitoral.

DIREITA EM ALTA – Apesar disso, as pesquisas apontam que 40% do eleitorado considera votar em candidatos alinhados a Milei, contra 27% da oposição. Isso pode indicar uma oportunidade de crescimento legislativo nas eleições seguintes, ainda que não garanta maioria.

Assim, cada família da direita radical enfrenta infortúnios tolstoianos a sua própria maneira, mas a de Milei tem tido menos atribulações.

8 thoughts on “Trump e Milei garantem o inesperado sucesso da nova direita radical

  1. Direita radical? Qual é significado deste conceito? Estamos tendo uma implementação de regimes ditatoriais por ela, como soe acontecer aqui no Brasil “democrático e progressita”?

    O problema não é a ascenção da Direita, mas a decadência moral, civilizacional e temporal da “Esquerda Progressista”, que, hoje, face à Quarta Revolução Tecnológica, tornou-se uma força recionária, atrasada, neoludita, explicitando seu caráter totalitário, sem projeto amplos de municípios, cidades, Estado e países, aliada aos regimes mais escabrosos, inclusive, misóginos, terroristas, medievais e homofóbicos, e mostrando suas práticas corruptas por onde passa.

    Esta tal “esquerda”, como a conhecemos hoje, vai entrar em profunda decadência se não fizer um ato de contrição, e não haverá, com uma profunda reflexão crítica e auto-crítica de si mesma.

    Marx estudou e expôs esta “esquerda revolucionária” na sua obra “A Sagrada Família”, cuja ação dá-se num mundo metafísico, numa realidade paralela.É o idealismo filosófico que a faz viver no discurso sem a respectiva práxis. Inúteis em termos concretos.

    A única causa desta pilantragem é o anti-imperialismo, que é a causa sem causa. O que aconteceria de o Irã tivesse continuado com seu programa nulear genocida e evaporado os EUA do mapa?

    Ao que saiba, seria muito prejudicial, inclusive pros famélicos, explorados e miseráveis trabalhadores e lumpesinato, que, aliás são explorados por ela, através da extração da mais valia absolutíssima da Indústria da Miséria e da Exclusão.

    • Há um problema incontornável nos dogmas supersticiosos da tal “esquerda progressista”: o de que a riqueza cai do céu, tem geração expontânea e é abundante.

      Desta forma seu único recurso é o populismo econômico, que levou a Argentina à situação encontrada pelo Milei, depois de longo tempo do peronismo. Um coronelismo atrasado, reacionário e inútil.

      Populismo econômico lulista que já quebrou o Brasil uma vez e quebrará de novo. Espero que o Lula tenha a bomba estourada no seu colo e não no da poste Dilma, como da vez anterior, de forma que passe pela História como o que realmente é: um farsante.

      Por onde tem passado deixa um rastro de decadência sócio-econômico e de escândalos de corrupção.

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