É preciso entender que determinados serviços públicos funcionam pior quando privatizados

Charge reproduzida do Arquivo GoogleRoberto Nascimento

É ilusão achar que vamos nos livrar da dicotomia esquerda & direita, que surgiu na Revolução Francesa de 1789. Do lado direito do salão do Parlamento ficavam os girondinos; à esquerda, os jacobinos; e ao centro, os planaltinos.

Esse legado da Revolução Francesa está presente em todas as instituições do poder e hoje a Direita está em viés de alta. Na América Latina, o campo progressista, como se intitulam os adeptos da esquerda, somente governa o Brasil e o México. O sonho de Donald Trump é dominar esses dois importantes países da América Latina, onde a esquerda ainda resiste.

PRIVATIZAÇÃO – Um dos debates ideológicos mais intensos na disputa entre direita e esquerda está evidenciada na política de estatizar ou privatizar. No Brasil, os neoliberais tucanos cometeram graves erros ao privatizar estatais altamente rentáveis, como a Vale do Rio Doce, uma gigantesca empresa construída com dinheiro público.

Na época, a mineradora tinha valor de mercado em torno de R$ 20 bilhões, mas foi vendida no governo FHC por R$ 3 bilhões e não foi à vista, pois houve  financiamento a juros baixos pelo BNDES.

O sistema de energia das distribuidoras estatais foi todo vendido/privatizado, com exceção da estatal de Minas, por causa da oposição do então governador Itamar Franco. Mudou alguma coisa? O serviço está melhor? As tarifas diminuíram?

CONTRADIÇÃO – Empresas de áreas estratégicas, como fornecimento de energia e prospecção de petróleo, devem ser estatais. A riqueza da Arábia Saudita, por exemplo, deve-se à Aramco, que é estatal.

Uma das multinacionais que entrara m mercado de energia no Brasil é a Eneil, uma gigantesca empresa italiana. Foi fundado como estatal na Itália em 1962 e semiprivatizada nos anos 1990, mas o governo da Itália continua como o maior acionista individual, detendo cerca de 23,6% das ações por meio do Ministério da Economia e Finanças, enquanto o restante do capital é negociado na bolsa de valores.

A multinacional Enel trata tão mal os paulistas, que até o governador Tarcísio de Freitas, forte adepto das privatizações, já se manifestou pela rescisão do contrato, junto com o parceiro de toda hora, o prefeito Ricardo Nunes. Infelizmente, parece que já mudaram de ideia, tanto Tarcísio quanto Nunes, porque pararam de falar do assunto.

CONCESSÕES – Os chamados serviços públicos, como geração e distribuição de energia, abastecimento de água, tratamento de esgoto, fornecimento de gás, transporte de massa etc. são estratégicos e deveriam ser providos pelo poder público, por envolverem responsabilidade social, que a iniciativa privada se nega a oferecer.

Mas os políticos inventaram as “concessões” e hoje somos reféns dessa gente que controla as empresas concessionárias. Pagamos tarifas altíssimas de água, luz, gás e telefone, tudo privatizado, sem falar nos trens urbanos, uma porcaria de serviço.

É uma eterna Odisseia de sofrimento, sem nenhuma expectativa de vencermos essa batalha. Vamos morrer na praia antes de chegar a Ítaca, como no filme de Cristian Nolan, que vem lotando os cinemas do Rio de Janeiro.

Lula é esperto e diz que nada fará com que se desentenda com Donald Trump

Charge do JCaesar: 3 de junho | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Roberto Nascimento

O perigo de intervenção americana no Brasil é real? Ninguém sabe, mas Lula é esperto e foi logo dizendo que nada fará com que rompa com o presidente americano Lula da Silva. Lula sabe que já houve essa ameaça concreta em 1964, quando os Estados Unidos, com medo da influência da União Soviética no governo João Goulart, estimularam o golpe civil/militar.

O governo americano influenciou os brasileiros através do embaixador Lincoln Gordon, muito ligado a Roberto Marinho, do adido militar, coronel Vernon Walters, e dos agentes da CIA.

QUINTA FROTA – O então presidente Lyndon Johnson mandou liberar o apoio financeiro, logístico e militar para a derrubada do governo Goulart, considerado de tendência sindicalista e comunista.

Assim, no dia 31 de março de 1964, quando foi deflagrado o golpe, a Quinta Frota da Marinha norte-americana estava ancorada nas costas do Espírito Santo, preparada para agir em favor dos golpistas, em caso de resistência dos oficiais legalistas leais ao presidente João Goulart.

Não foi preciso entrar em campo o apoio militar americano, porque Jango, desistiu da reação ao golpe temendo a eclosão de uma guerra civil, que poderia acarretar a divisão do país.

TUDO DE NOVO – Agora, Donald Trump, Marco Rubio e J.D. Vance, o trio do terror, querem a volta da submissão total dos países da América do Sul aos interesses americanos. Já conseguiram tomar a Venezuela, que vem sendo comandada à distância por Marco Rúbio, o secretário de Estado.

Washington conseguiu dominar a Argentina através de Javier Milei; o Chile, com a eleição de José Antonio Kast, um seguidor do general Augusto Pinochet; a Colômbia, hoje presidida por em empresário excêntrico, Abelardo de la Espriella, que ameaça romper relações com Nicarágua e Cuba; e o Peru através de Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori.

Portanto, o cerco vai se fechando em torno do Brasil, na reta final da nova eleição para presidente.

AGROBUSINESS – Donald Trump tenta enfraquecer o maior concorrente do produtores agrícolas norte-americanos. Sua estratégia é tarifar os produtos agrícolas braseiros, desprezam a lei da livre-concorrência, um dos dogmas do capitalismo.

O resultado é negativo, porque a inflação fica estimulada. Esta semana, por exemplo, o café aumentou 4% no mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, o governo Trump não vê com bons olhos as fortes relações do Brasil com a China, Brasil, que vem comprando nossos minérios e produtos agrícolas, enquanto vende mercadorias de alto teor tecnológico e de valor agregado ao Brasil.

As montadoras de automóveis chinesas, por exemplo, tornaram-se campeãs de venda por dois anos seguidos, principalmente dos carros elétricos.

GUERRA FRIA – Está em jogo na pressão de Trump contra o Brasil, o componente chamado Pequim, nessa guerra fria em que os EUA desejam destruir a China, como fizeram com a União Soviética.

O jogo está sendo jogado no cenário internacional e o Brasil está no meio da disputa, como o algodão entre os cristais. O cenário indica que tudo será feito para que um candidato da direita, alinhado aos interesses vitais americanos, saia vencedor nas eleições presidenciais de outubro.

Esse jogo de xadrez será pesado, com uso de todas as armas financeiras e até militares, que estão disponíveis no arsenal do jogo sujo, eivado de mentiras, falsidades e argumentos dúbios. A sorte está lançada e o retrato não é nada bom para os brasileiros, que estão numa Odisseia, com o mar revolto anunciando o tsunami de nome Trump e seu canto da sereia.

Trump dá sinais de desequilíbrio mental e pode sofrer processo de impeachment

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Especialistas em doenças mentais estão preocupados

Roberto Nascimento

Donald Trump voltou com tudo na política de tarifação, com decisões sem pé nem cabeça, que já foram refutadas pela Suprema Corte, mas ele insiste em aumentar as alíquotas, com base na interpretação de uma outra lei, criando uma confusão dos diabos.

Seus tarifaços não têm base legal nem lógica, porque atingem inclusive os países que são deficitários no comércio externo com os Estados Unidos, que é justamente o caso do Brasil.

DEMÊNCIA – Trump chegou à presidência acusando de demente seu antecessor Joe Biden, que tinha 81 anos e era o presidente mais velho do mundo. Porém, o castigo veio a cavalo, porque agora é Trump está a caminho dos 81 anos, tomando decisões radicais que colocam em dívida sua saúde mental.  

Ele tenta levar os EUA a se tornar uma autocracia. Só quem manda é ele, como uma nova espécie de Nabucodonosor laranjão. O nível de desaprovação a seu governo só faz aumentar, mas ele mantém a enlouquecida estratégia.

Na política externa, prometeu, mas não conseguiu acabar com a guerra na Ucrânia. Além disso, apoiou prazerosamente a destruição da Palestina por Israel, com mortandade de civis, incluindo crianças, mulheres e idosos. E continua atacado o Irã, numa selvageria realmente incomum.

ELEIÇÕES À VISTA – As decisões radicais e destrambelhadas do presidente americano são incentivadas pela necessidade de vencer as eleições parlamentares de novembro, para dar seguimento à administração. Sem apoio do Congresso, nenhum presidente americano conseguiu conduzir os mandatos sem problemas de governabilidade.

O Comércio mundial virou uma bagunça depois dos tarifaços de Trump, que a Suprema Corte anulou, inutilmente, porque seu governo alega ter encontrado uma brecha jurídica para alterar as tarifas sem aprovação do Congresso.

Parece que o ogro deseja o caos no mundo, e nenhum país está seguro diante dele, que já invadiu a Venezuela e quer dominar a Groelândia, o Canadá e o Oriente Médio.

INSANIDADE – O fato concreto é que Trump dá sinais de problemas mentais. “É nossa opinião profissional, baseada em avaliações anteriores e contínuas, que o estado mental de Donald Trump se deteriorou ainda mais desde nossa declaração de 2024”, começa a carta que um grupo de médicos e pesquisadores da área da saúde entregou ao Congresso em 30 de abril deste ano, reafirmando advertência feita em 2024,.

Os especialistas alertam “para o fato de que o presidente dos EUA representa um perigo crescente para a população”. O documento foi assinado por psiquiatras, neurologistas, psicólogos e especialistas em saúde pública e mental ligados a universidades prestigiadas, como Harvard, Columbia e George Washington.

Cabe ao Congresso aprovar o impeachment, mas isso depende das eleições de novembro. Historicamente, nenhum presidente dos EUA foi destituído, Andrew Johnson (1868), Bill Clinton (1998) e Donald Trump (em 2019 e 2021) sofreram  impeachment na Câmara, mas acabaram absolvidos no Senado. Richard Nixon renunciou em 1974 antes que a Câmara votasse seu processo. Vamos aguardar.

Mestre do jornalismo, Joel Silveira achava que Brasília destruiu a política brasileira

Joel Silveira retrata a Segunda Guerra como devastação - 17/01/2026 -  Ilustrada - Folha

Joel Silveira era considerado o maior jornalista brasileiro

Roberto Nascimento

No governo de José Sarney, que foi o primeiro civil a presidir o país após o regime militar, o jornalista Joel Silveira, considerado um dos maiores nomes da imprensa, resolveu ir a Brasília para colher dados e escrever uma reportagem denominada “O outro lado da capital”.

Procurou um amigo, que deu a ele uma panorâmica do poder no governo Sarney, quem mandava, quem fingia mandar etc. Silveira procurou também outro famoso jornalista, Carlos Castelo Branco, que o recebeu na sua casa ofereceu do seu melhor uísque, a bebida que Silveira preferia.

JANTAR NO GAF – Castelinho disse que o político que mais conhecia os bastidores do poder na capital, por dentro e por fora, era o deputado Talhes Ramalho (PMDB-PE).

”Quero conhecê-lo”. disse Joel Silveira. “Então vai conhecer”, replicou Castelinho, que pegou o telefone e ligou para Thales Ramalho: “Está aqui comigo o Joel Silveira, quer conhecer coisas de Brasília.

Thales Ramalho, deputado federal por cinco mandatos consecutivos, era respeitado por todas correntes políticas, e marcou o jantar para o dia seguinte no sofisticado restaurante Gaf.

POESIA FRANCESA – No jantar, uma surpresa – Thales Ramalho era um grande intelectual e só queria falar de literatura, embora Joel Silveira só estivesse interessado na política e no poder. O parlamentar começou falando dos poetas malditos franceses. E de Rimbaud passou para Verlaine, depois Baudelaire e por fim, Mallarmé.

“Thales recitava, os poemas num francês impecável com sotaque nordestino, enquanto eu bebia o solene conhaque Armagnac, devagar, no magnífico jantar. Já não nos sentíamos à beira de um vulcão como é Brasília, sempre prestes a entrar em erupção”.

Bem, depois das citações dos poetas franceses, Talhes Ramalho enfim passou a contar para Joel, tudo o que sabia sobre a podridão da política em Brasília.

AH, BRASÍLIA! – Na semana seguinte, Joel Silveira assim fechou, em conclusão, sua coluna na “Revista Nacional”, do saudoso Jornal do Commercio de 19/06/1999:

”Ah, Brasília! Clarice Lispector, que também amava Rimbaud, tem razão. Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e ele floresce gélido, potente, força gelada da natureza.”.

“Ah, Brasília! Valhacouto de espiões e viveiro de neuróticos, burocratas e tecnocratas, estufas de efêmeras glórias, depósito de sonâmbulos, intrigantes, trambiqueiros e meliantes de crachás, perversa e irreal capital do Pânico e da Avidez, da Dúvida e do Pesadelo, quase sem ar na sua rarefação de deserto, base lunar onde não existe um lugarzinho sequer para os ingênuos e os puros, e onde os gatos, com todos os seus sete fôlegos, não chegam a viver metade da vida a que tem direito.”

MUITAS SAUDADES – Quem tem amigo não morre pagão, e só os amigos podem proporcionar uma conversa desse quilate no jantar.

Quantas saudades dos políticos como Thales Ramalho, Ulysses Guimarães, Ruy Barbosa, Afonso Arinos e tantos outros, detentores do notável saber da Literatura, da História, da Filosofia e da Política. O que temos hoje são políticos de emendas parlamentares, sem compromisso com a nação, só interessados na próxima eleição, onde vicejam os Vorcaros da vida.

E o que diriam, Joel, Thales e Clarice sobre o Inferno de Dante em que se transformou o Rio de Janeiro que eles tanto amaram?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Um grande texto de Roberto Nascimento, que quase mata de saudades o editor-chefe da Tribuna da Internet e o colunista Paulo Peres, ao lembrar a Revista Nacional e Joel Silveira. A convite de Mauritônio Meira, fui o criador desta revista, que circulava aos domingos, encartada em jornais de todo o país. Nossa tiragem chegava a 800 mil exemplares, superava qualquer outro jornal ou revista no Brasil. Nossas atrações eram, além de Joel Silveira, nomes como Rubem Braga, Sebastião Nery, Niva Chavs, Roberto Paulino, Mister Eco, Nássara, Paulo Peres, Willy, Alberto Nunes e muitos outros. Todos já se foram, o chargista Willy Oliveira se aposentou, e só restam eu e Paulo Peres, entrincheirados aqui na Tribuna da Imprensa. (C.N.)

Imprensa faz seu papel no caso do Master, mas falta o STF fazer o dele

Charge do JCaesar: 29 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Roberto Nascimento

A teia mafiosa tecida pela organização criminosa comandada por Daniel Vorcaro se infiltrou nos Três Poderes. Com muito dinheiro, na ordem dos milhões, o banqueiro fraudador conseguiu comprar a cúpula do Estado, esta é a realidade.

Recursos públicos da aposentadoria de servidores foram dilapidados e entregues na lavanderia do Banco Master para serem usados na compra da consciência das mais altas autoridades do país.

FOI UM FESTIVAL – Dois diretores do Banco Central, agentes da Polícia Federal, vários governadores, como Ibaneis Rocha, Claudio Castro e Rui Costa, diversos senadores, como Ciro Nogueira e Jaques Wagner, deputados federais, presidentes dos Institutos de Previdência de Estados e Municípios, foi um verdadeiro festival.

O jornal O Estado de São Paulo vem publicando uma estrutura chamada de Vorcaroesfera, com detalhes da organização criminosa e a cooptação dos agentes políticos do Congresso, do Executivo e do Judiciário com riqueza de detalhes.

A participação de cada personagem comprada por Vorcaro chega a raia da minúcia. E o trabalho jornalístico do Estadão já começa incomodar gregos e troianos.

CENSURA, NÃO – Citado na reportagem, o candidato do PL ao Senado, por São Paulo, ex-secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas, o capitão Guilherme Derrite, que é deputado federal, incomodado com a repercussão do caso na sua candidatura, entrou na Justiça de São Paulo requerendo censura do Jornal O Estado de São Paulo.

O pleito do capitão Derrite foi negado, sob o argumento de ferir a liberdade de imprensa. Inconformado, ele ameaça recorrer ao STF alegando perseguição política e risco à sua candidatura ao Senado, em que está bem atrás nas pesquisas, com Simone Tebet e Marina Silva à frente.

E ainda falam em democracia, mas tudo dá boca para fora, assim como o lema Deus, Pátria e Família. No fundo, são adeptos de uma bela ditadura, com censura e prisões de desafetos sem o devido processo legal.

MAIS DENÚNCIAS – Reportagem de O Globo deste sábado, assinada pelo jornalista Rafael Moraes Moura, informa que Vorcaro manipulava até avaliação de aplicativo, obtenção de dossiês, inquéritos sigilosos, ameaças, intimidações, simulação de assaltos, tudo a cargo do capanga “Sicário” (Philippi Mourão), a mando de Vorcaro e do pai, Henrique, o chefe da milícia.

Além do CEO do Banco Itaú, também o dono do Banco BTG Pactual, André Esteves, desafeto e concorrente de Vorcaro, foi monitorado e teve um dossiê preparado para detonar o banqueiro.

É de longe o maior escândalo financeiro e político do país. A imprensa está fazendo seu papel, resta saber se o Supremo fará o dele.

Michelle assume papel de Lady Macbeth e pode desfazer os sonhos de Bolsonaro

A cartada de Michelle Bolsonaro. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (29). #meio #charge #michellebolsonaro

Charge do Spacca (Canal Meio)

Roberto Nascimento

A disputa pelo espólio político do chefe do clã Bolsonaro guarda semelhança com drama do Rei Lear, porque, a exemplo do Reino da Dinamarca, também há algo de podre, mas muito podre, mesmo, nos Três Poderes de Brasília.

É a união de três famosas tragédias de Shakespeare:
“Otelo”, “Macbeth” e “Rei Lear”. Tanto assim que o jornal Estadão já passou a chamara de Lady Macbeth a madrasta Michelle Bolsonaro.

LUTA PELO PODER – Os filhos e a madrasta lutam pateticamente pelo poder. Cada um dos filhos tem seus interesses políticos e financeiros, sempre estão sugando nas estruturas do Estado, seja no Legislativo ou no Executivo.

Nenhum deles jamais trabalhou na vida, simplesmente usavam o sobrenome do chefe do clã para conquistar mandatos eletivos na Câmara dos Vereadores, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e no Senado.

Antes, havia distanciamento, sem que existisse discórdia. A tragédia shakespeariana só começa com a eleição presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Depois de quatro anos, o planejamento da tentativa de golpe tumultuou inteiramente a convivência da família, e as rusgas internas passariam a ser noticiadas, enquanto a Justiça era feita, provocando   a prisão do chefe do clã e seus aliados, mas sem atingir o resto da família.

UMA BRIGALHADA – Começou então, a luta dos filhos contra a madrasta, na disputa pelo espólio político que sobrou do bolsonarismo. A brigalhada foi num crescendo e chefe do clã colocou ainda lenha na fogueira ao indicar o filho mais velho como sucessor.

Agora, com a campanha eleitoral já em curso, o vídeo interpretado por Lady Macbeth, muito bem produzido, com símbolos religiosos no cenário e uso de teleprompter para facilitar a leitura, veio expor a família desunida numa guerra insana.

Lady Bolsonaro mandou recados para o candidato presidencial e os irmãos. “Tenho vida política própria e não preciso de você. Pelo contrário, tenho controle do PL Mulher, das mulheres evangélicas e você, Zero Um, vai precisar do meu apoio”, disse, desafiadoramente.

PRINCIPAL MOTIVO – O apoio dela à candidatura do senador Eduardo Girão ao governo do Ceará, contra a aliança do PL em favor da candidatura de Ciro Gomes (PSDB), não é o principal motivo do racha na família do capitão reformado. Trata-se de quem vai assumir o controle dos votos bolsonaristas no futuro, quando o cacique se aposentar de vez da vida pública.

Me parece que a madrasta, no papel de Lady Macbeth, deu um passo à frente com seu discurso religioso, à moda integralista de Plínio Salgado: “Deus, Pátria e Família”.

 Mas será que seguirá firme contra o Estado Laico e lutará pela volta da Religião no seio do Estado, um retrocesso brutal e medieval. O certo é que a desunião do clã Bolsonaro favorece Lula e deve impedir que o Brasil se curve definitivamente perante os Estados Unidos.

Alvo da PF, Wagner exibia o temor dos políticos com a delação de Vorcaro

Jaques Wagner foi alvo de operação da PF nesta quinta-feira

Roberto Nascimento

Nesta terça-feira, dia 16, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), saiu de seus cuidados e subiu à tribuna para fazer um surpreendente discurso, criticando a reforma da Lei da Delação Premiada, que o Congresso aprovou em 2013.

Wagner disse que o Congresso não percebeu, à época, os riscos de permitir acordos de colaboração com investigados já presos. “Nós, acho, cometemos um erro. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas”, afirmou.

SOB COAÇÃO – O mais curioso foi ver o líder do Governo dizendo que, esse modelo abriu espaço para acusações obtidas sob “coação psicológica” durante as investigações da Lava Jato.

“Na verdade, foi com essa delação sob coação psicológica, a real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram o atual presidente Lula à cadeia.”

Em seguida, o parlamentar petista disse que a colaboração premiada deveria ocorrer apenas com investigados em liberdade. “O instituto da colaboração é para alguém que esteja em liberdade e resolva colaborar para evitar que seja eventualmente preso. Alguém que está preso, que tipo de coação tem? Vai voltar para a Papuda? Não vai voltar para a Papuda?”, questionou.

APOIO A ALCOLUMBRE – O discurso de Wagner foi feito em solidariedade ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. O líder petista aproveitou para também desmentir ter se envolvido em negócios com Vorcaro na Bahia.

Quando um político se manifesta sobre um fato, como é o caso do senador do PT da Bahia, Jaques Wagner, sempre há uma relação de causa e efeito. Assim, ficou demonstrado o temor de Wagner, Alcolumbre Rui Costa, Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e muitos outros que mamaram nas tetas do Banco Master. E, nesta quinta-feira, a PF fez  operação de busca e apreensão contra Wagner em Salvador, suspeito de receber propinas e uma apartamento de luxo.

E o assunto vai render, porque Vorcaro quer trocar de advogado e insistir no pedido de delação premiada, embora isso não signifique que será evitada sua transferência para a prisão da Papuda, até que aceite contar em detalhes como comprava apoio político no Congresso e proteção no Planalto e no Supremo, pagando caro e sem garantia de entrega, como se viu no caso do contrato de R$ 129,6 milhões com a mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Carlo Ancelotti não tem saída e agora terá de escalar os melhores jogadores

Endrick celebra gol pela Seleção Brasileira: "dar a vida pela minha nação"

Endrick mostra que tem futebol e garra para entrar em campo 

 

Roberto Nascimento

O jogo Brasil e Haiti, nesta sexta-feira, será um divisor de águas para a seleção canarinho.Tem que ter atitude e jogar no ataque o tempo todo, sem firulas e jogadas de calcanhar. O objetivo principal é bola nas redes do adversário, como faz a Alemanha, que goleou Curaçau por 7 a 1. Tinha que ser esse placar vergonhoso, que nos lembra de um passado cruel para a seleção verde-amarelo? Bem, são coisas do futebol.

O técnico Ancelloti ficou visivelmente incomodado com as perguntas dos repórteres ao final do primeiro jogo, sinal de que entendeu suas falhas na escalação.

SEM SAÍDA – Agora, o treinador italiano não tem mais saída. Ou muda, escalando os melhores atletas. ou vem para casa mais cedo. A escolha está nas mãos dele.

Com a escalação que foi a campo contra o Marrocos, o Brasil não vai avançar até às quartas de final. Primeiro, é preciso trocar o Alisson, que não transmite confiança. O goleiro de Cabo Verde defendeu mais no jogo de segunda-feira do que o Alisson em três copas. Everton. como titular traz mais segurança ao time.
Para o Brasil vencer, Ancelloti precisa ousar, escalando o seguinte time: Everton;
Danilo, Marquinhos, Leo Pereira e Alex Sandro;
Fabinho, Danilo Santos e Matheus Cunha;
Endrick, Vini Jr. e Luiz Henrique.

ALTA VELOCIDADE – Os jogos estão numa velocidade máxima, pegados, de muita marcação e jogadas pelas laterais com pontas ofensivos cruzando na área para os atacantes finalizarem.

Jogadores menos velozes, como Casemiro, Paquetá e Gabriel Magalhães, no meio de campo, mesmo sendo excelentes, darão espaço para contra-ataques diretos dos adversários.

E o que tenho observado até aqui. Os laterais Danilo e Alex Sandro não podem ficar no banco. O zagueiro Gabriel Magalhães jogou muito mal ao lado do Marquinhos. Leo Pereira é mais jogador.

PONTAS OFENSIVOS – No ataque, como todos os times nessa Copa, precisamos de dois pontas ofensivos fustigando as defesas, Vini Jr. e Luiz Henrique são escalações que se impõem.

Matheus Cunha e Endrick ou Rafinha completariam o meio do ataque à área adversária.

Mas parece que o treinador Ancelotti vai preferir escalar os amigos que jogam na Europa do que vencer os jogos. E o pior é que ele já tem emprego milionário até a Copa de 2030…

Entenda por que Flavio Bolsonaro está entregando novamente a eleição a Lula

Flávio é Bolsonaro, Flávio é Rachadinha… #flaviorachadinha #bolsonaronacadeia #familicia #charge #desenholadino

Charge do Bruno Struzani (Instagram)

Roberto Nascimento

Os Estados Unidos, sob a gestão catastrófica de Donald Trump, estão se dando conta da progressiva perda de seu protagonismo político e econômico para a China. O Leão do Norte demonstra estar cansado, desdentado, mas busca a todo custo voltar a comandar sozinho a floresta.

Então, está rugindo para o mundo, porque ainda tem poderio econômico e um arsenal militar e nuclear suficiente para impor a força e o medo nos quatro cantos do globo terrestre.

FORTE CONCORRENTE – No meio dessa briga de gigantes, o Brasil acabou virando alvo de Trump, porque está se transformando num forte concorrente comercial, principalmente nas commodities agrícolas: soja, carne, laranja, açúcar, café, frutas e exportações de alimentos industrializados, além de produtos siderúrgicos, como aço e alumínio, assim como minerais estratégicos, notadamente o ferro e as terras raras.

Ideologia, eu quero uma para viver, como dizia o genial cantor e poeta Cazuxa, mas hoje em dia esses paradoxismos político-partidários são o que menos importa.

O X da questão é a economia, através do comércio mundial, que começa a ser liderado pela China, com a nova Rota da Seda e os investimentos na América Latina, na África e na Ásia.

AVANÇO CHINÊS – Os Estados Unidos estão assustados com o avanço da diplomacia e do comércio da China, que se tornou o maior mercado do mundo. Por essa razão, Donald Trump impõe tarifas absurdas a todos os concorrentes e a países estratégicos que tem comércio robusto com a China, caso do Brasil.

Nada do que ocorre na política externa é por mera coincidência. Trump tem de pressionar, devido às ligações com os Brics, grupo de países não-alinhados com os EUA e com a Europa, do qual o Brasil é fundador, junto com a China, a Rússia e a Índia.

Por essas circunstâncias é que a atuação dos irmãos Bolsonaro, ao se alinharem preferencialmente aos Estados Unidos, primeiro eles e nós, depois, significa uma traição nacional, pois o ideal seria uma postura brasileira de não-alinhamento político e comercial, porque não podemos perder exportações para os Estados Unidos nem para a China.

TODAS AS ARMAS – O momento é de grande preocupação, porque o governo Trump está usando todas as armas possíveis e imagináveis para forçar o alinhamento entre Brasília e Washington.

Mas não podemos adotar essa política ansiada pela despreparada família Bolsonaro, que age movida exclusivamente por motivos pessoais e ideológicos, sem analisar quais seriam os interesses do Brasil no intrincado xadrez da política internacional.

Se perdermos o comércio com a China e os 30 bilhões de dólares no superávit comercial, os Estados Unidos não comprarão nossos produtos na mesma proporção dos chineses e o Brasil entrará numa gravíssima crise econômica.

APOIO A LULA – Agindo com essa falta de visão econômica e de patriotismo, a família Bolsorano fará com que as classes produtoras da agricultura, da indústria e dos serviços apoiem a reeleição de Lula, por falta de alternativa.  Isso já aconteceu em 2022 e pode voltar a ocorrer agora.

Lembrem que em 2018, quando venceu a eleição, Bolsonaro tinha o economista conservador Paulo Guedes como conselheiro, apelidado de “Posto Ipiranga”.

Agora, o inexperiente e desqualificado filho Flávio se apresenta sozinho, sem ter apoio de um administrador político-econômico de experiência e confiabilidade. E isso fará com que as classes produtoras desistam de apoiá-lo, preferindo novamente Lula, que é um líder que se diz socialista mas sempre foi aliado aos banqueiros.

É preciso entender que os objetivos de Trump são mais econômicos do que políticos

30/05/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Roberto Nascimento

A estratégia do presidente Donald Trump e de Marcus Rubio, secretário de Estado, é reduzir as exportações de produtos agrícolas do Brasil para a China, para favorecer o agronegócio norte-americano, equilibrar a balança comercial, diminuir a rejeição a seu governo e reconquistar votos no interior do país.

Ou seja, trata-se de uma estratégica com efeitos políticos e econômicos, para fortalecer o Partido Republicano nas próximas eleições parlamentares, preparando o terreno para sucessão de Trump.

SUCESSÃO DE TRUMP – No ano que vem, já deve se iniciar a disputa entre o vice presidente, JD Vance, e o secretário Marco Rubio num duelo gigante para saber quem será indicado pelo Partido Republicano para concorrer a presidência com o candidato do Partido Democrata. A briga vai ser da cintura para baixo.

A viagem de Trump à China foi para pedir ao presidente chinês, Xi Jinping, que compre mais produtos agrícolas dos EUA. Como se sabe, as ações da diplomacia dos países e até mesmo as guerras sempre têm um foco mais econômico do que político. Assim, a venda de armas, a reconstrução dos países arrasados pelas bombas e as exportações de produtos industriais e agrícolas são a base da riqueza das nações, especialmente os Estados Unidos.

Trump, Rubio e JD Vance não estão nem um pouco preocupados com PCC e CV nem com o Cartel de Sinaloa no México, também rotulado de organização terrorista.

LEDO ENGANO – Se alguém da direita pensa que Trump vai invadir a Baia da Guanabara com seus navios de guerra, como pediu Flávio Bolsonaro para atacar os barcos com drogas como fizeram no Caribe estão muito enganados ou acreditam em Papai Noel.

Nenhum soldado americano, nem tanques ou helicópteros vão ocupar as comunidades cariocas controladas por traficantes e milicianos, para impedir que essas células do crime enviem drogas para os EUA, zero de chance. A mesma situação nas áreas paulistas da Paulicéia desvairada, redutos controlados pelo PCC.

Não adianta Flávio Bolsonaro tentar espalhar o medo de uma invasão norte-americana. Ora, Donald Trump tem mais o que fazer. O principal objetivo dele é multiplicar sua fortuna no tempo que lhe resta na presidência dos Estados Unidos. O resto não tem pressa.

Vorcaro será destruído pelas delações de seu cunhado e do ex-presidente do BRB

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. # vorcaro #danielvorcaro #bancomaster #toffoli #stf #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Roberto Nascimento

Daniel Vorcaro é um mafioso, um homem perigoso, e sua tática da delação premiada é uma farsa, um engodo para ganhar tempo, enquanto aguarda um socorro tipo VAR, vindo daquelas personalidades a que Vorcaro pagou para ter proteção, e uma delas é o atual alvo da PF, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por participação na rede de Vorcaro.

Vorcaro jamais incluirá Ciro, Alcolumbre e Arthur Lira na sua delação. Ministros togados, nem pensar, fora de cogitação, porque se o fizer o mundo vai cair sob seus pés. Está mais do que claro que só bagrinhos vão aparecer na lista do banqueiro fraudador: Cláudio Castro, Ibaneis Rocha, Celina Leão, Paulo Roberto Costa e outros menos votados.

GANHAR TEMPO – Tudo isso e inútil e só funciona para ganhar tempo. Não há salvação para Vorcaro, porque o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, vai fazer delação e acaba de ser transferido para uma prisão mais confortável, a chamada Papudinha. Além disso, o próprio cunhado e operador, Fernando Zettel, também se ofereceu para delatar.

Portanto, se continuar mitigando a delação, provavelmente Vorcaro terá que voltar para a prisão na Papuda, o pior dos mundos para ele, porque o quadro se agravou com a descoberta de suas ligações com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira.

Meses atrás, respondendo a repórter da CNN sobre seu envolvimento com Vorcaro, Ciro fez um desafio: ” Se encontraram algum ilícito meu envolvendo o Banco Master, renunciarei ao meu mandato”.

NOGUEIRA NA PIOR – Com certeza, essa promessa do senador Ciro Nogueira foi parar no brejo. Ele se comportava como dono do Partido Progressista e foi quem indicou o corrupto Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB. Como se sabe, o governador Ibaneis Rocha, do MDB, aceitou o pedido do amigo do Centrão, e  se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão, nas palavras do general Augusto Heleno.

A atual governadora de Brasília, Celina Leão, do PP, é muito grata a Ciro Nogueira, de quem se considera afilhada, porque entrou na chapa de Ibaneis atendendo a um pedido dele. Agora, Celina Leão está em pânico.

Brasília é uma cidade de muro baixo, isso significa que nada escapa aos fofoqueiros de plantão. As narrativas começam a pipocar, porque os advogados dos envolvidos já falam em perseguição política e Ilações tiradas fora de contexto. Mas é tudo um jogo de cartas marcadas. Se Vorcaro não fizer a delação correta, entregando seus protetores nos três Poderes, vai se dar mal, porque as delações de Paulo Henrique Costa e Fernando Zettel serão suficientes para deixá-lo envelhecer na cadeia.

Se a quadrilha de Ibaneis ficar impune, é melhor a gente se mudar para o Paraguai

Como a implicação do BRB no caso Master afeta Ibaneis Rocha - Nexo Jornal

Ibaneis Rocha abriu o olho e está sumido (ou foragido)

Roberto Nascimento

A série de artigos da jornalista Malu Gaspar, a estrela que desvendou o escândalo do Banco Master e que continua desbravando todos os elos dessa corrente do mal contra o sistema bancário do Brasil, não deixa a menor sombra de dúvidas sobre o desfecho dessa novela de Brasília, envolvendo dois atores do elenco da fraude: Ibaneis Rocha e Celina Leão, então governador e vice, arrastados pelo bandido Daniel Vorcaro.

Não tem mocinho nessa trama macabra, todos são bandoleiros assaltando a caravana do Banco Regional de Brasília e do Banco Master.

JOGANDO PARADO – Importante salientar, que o xerife está jogando parado, no aguardo do término das investigações oriundas dos celulares do chefe do bando, mesmo sem a senha dos aparelhos. A nuvem está cheia de informações, mas o processo demora.

Importante salientar, que candidaturas de governador, senador e deputado federal estão por um fio e na mão do xerife. Quando as informações vierem a público, o estrago nas reputações será avassalador.

Com o avanço das investigações, os dois destaques políticos na farra do Banco Master estão se desentendendo. A atual governadora do DF, a lutadora de boxe Celina Leão, é do PP de Arthur Lira e Ciro Nogueira, duas ilustres companhias do Centrão, e se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.

CPF DIFERENTE – No desespero, Celina Leão tem alegado que o CPF dela é diferente do corrupto Ibaneis Rocha, o ex-governador, que renunciou para se candidatar ao Senado. Ora, os dois eram unha e carne. Portanto, Celina Leão não desconhecia o esquema criminoso da compra do Master pelo BRB.

Coloco nessa teia do diabo o advogado Daniel Monteiro, preso na mesma operação em que a Polícia Federal encarcerou Paulo Henrique Costa, o laranja que Ibaneis colocou à frente do BRB.

Como ele estava recebendo suborno de Daniel Vorcaro, através da transferência de imóveis avaliados em R$ 174 milhões para seu nome, pode-se calcular quanto seria o cachê de Ibaneis, que era o poderoso chefão da jogada.

CONTAS SECRETAS – Voltando ao advogado Daniel Monteiro, os vazamentos de informações em Brasília indicam que o ilustre causídico era o articulador das tenebrosas transações entre Vorcaro (Master) e Paulo Henrique Costa (BRB).

Os investigadores estão na mira das contas secretas em paraísos fiscais, com informações de que somente Vorcaro teria investimentos da ordem de R$ 40 bilhões. E Ibaneis Rocha, que sumiu e parece estar foragido, conseguiu a façanha de se envolver no escândalo como pessoa física e pessoa jurídica, porque seu escritório de advocacia extorquiu R$ 30 milhões de Vorcaro.

O Brasil vem sendo saqueado desde o Império. Essa sangria não para nunca. Mas tudo isso, é claro, deve influir nas eleições de outubro. Se não influir e Ibaneis e sua quadrilha forem eleitos, é melhor a gente se mudar para um país mais sério, como o Paraguai.

Com Alcolumbre presidindo, tudo pode acontecer no Senado, até mesmo nada…

Quem está na chuva é para se queimar

Charge do Kácio (Metrópoles)

Roberto Nascimento

Estão fazendo muito barulho por nada. Como se sabe, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alexandre Vieira, do MDB de Sergipe, em seu relatório pediu o indiciamento de três ministros do Supremo e do procurador-geral da República, e expôs suas razões. No entanto, o relatório foi rejeitado pelos senadores da CPI, por 6 a 4, portanto, seus efeitos na prática foram derrubados.

Mesmo assim, o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, muito contrariado, decidiu pedir a abertura de um inquérito criminal contra o senador Alessandro Vieira e vai protocolar na Procuradoria-Geral da República para que se tome providência, embora o procurador Paulo Gonet é suspeito, porque foi um dos indiciados pelo relator.

TOFFOLI DE VOLTA – O ministro Dias Toffoli, muito calado nas últimas semanas, também se disse indignado e sugeriu votar a inelegibilidade do senador Alessandro Vieira, para impedi-lo de concorrer nas eleições de outubro.

Portanto, a guerra entre as duas Instituições da República escalou de maneira trágica. Até agora, os senadores da oposição, do centrão e os governistas não se manifestaram com firmeza em defesa de Alessandro Vieira. O

 presidente do Senado, Davi Alcolumbre tem o dever de defender seus pares, afinal, os parlamentares não podem ser punidos por atos legislativos  discursos e atuação nas Comissões Parlamentares de Inquérito.

INSEGURANÇA – Se os 81 senadores se omitirem na defesa de Alessandro Vieira nesse contra-ataque de ministros do STF, nenhum parlamentar terá segurança de atuar na defesa de seus mandatos, conferidos pelo voto popular, o que os torna democraticamente inatingíveis.

Sem conferir qualquer juízo de valor acerca da decisão do relator da CPI, entendo que indiciar três ministros do STF e o procurador-geral no âmbito da CPI do Crime Organizado foi uma decisão arriscada, no mínimo.

Há um dispositivo na Constituição, o Impeachment de ministros do STF, que é o mais adequado para essa situação defendida pelo senador na CPI, mas, para ir ao plenário para votação dos 81 senadores, tem que ser pautado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

NO ANO QUE VEM – Nesse caso, o presidente do Senado já declarou que não abrirá nenhum processo de impeachment nessa legislatura.  Com Alcolumbre à frente da Mesa Diretora, tudo pode acontecer, até mesmo nada.

Talvez no ano que vem, 2027, com a eleição de um novo presidente do Senado, o quadro fique diferente? Mas acontece que Alcolumbre poderá se candidatar novamente, por se tratar de uma nova legislatura.

Alessandro Vieria se adiantou e já pediu o arquivamento da decisão de Gilmar Mendes, com base na jurisprudência do próprio Supremo. Portanto, pode ser que nada aconteça. Depois é o futuro, que a Deus pertence, como dizia o ministro Armando Falcão, durante a ditadura, para se livrar do assédio da imprensa.

Envolvido até o pescoço com Vorcaro, a eleição de Ibaneis será um desacato 

Escândalo Vorcaro: A Prisão e suas Implicações na Democracia

Esta é a pergunta que não quer calar em Brasília

Roberto Nascimento

Até semana passada, o rombo do BRB  (Banco Regional de Brasília) era de R$ 12 bilhões, jogados no colo do banqueiro fraudador e picareta Daniel Vorcaro. Mas ainda era pouco e novas investigações da Polícia Federal, apontam um rombo muito maior, na faixa de 30 bilhões.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, salafrário, tinha uma milícia particular para fazer o serviço sujo, sob o comando do matador e aluguel, o “Sicário” Mourão, um moderno cangaceiro de Minas, parecido com o Antônio das Mortes, que também matava no sertão, por dinheiro de fazendeiros, imortalizado no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do cineasta Glauber Rocha.

SAI ILESO – No filme, uma bela ficção de Glauber, Antônio das Mortes sai ileso, são e salvo, enquanto as vítimas, ficaram na horizontal com terra por cima. Na vida real, o Sicário Mourão, o chefe da milícia do  Vorcaro, teria se enforcado na cela da PF em Belo Horizonte.

No meio dessa confusão, surge uma pergunta que não quer calar, e todos a fazem em Brasília e arredores:
Por que o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, ainda não foi preso?

Ele negociou as compras de papéis podres do Master, diretamente com o banqueiro Vorcaro na mansão do picareta. Que país é este, que deixa o vampiro de Brasilia solto e livre para se candidatar ao Senado e ganhar imunidade eterna?

PROPOSTA INDECENTE – E agora surge a nova governadora Celina Leão, que era vice e assumiu o cargo de Ibanéis após a renúncia dele para se candidatar ao Senado, tenta pressionar o governo federal para salvar o BRB, o Banco de Brasília do rombo gigantesco.

Qual a proposta de Celina Leão? Ora, ela pretende que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, comprem papéis do BRB, da ordem de R$ 8 bilhões. Que vergonha, governadora Celina, esse pedido é uma proposta indecente e imoral.

A única saída é uma intervenção do Banco Central, liquidando de vez o BRB. Embora seja estatal, pode sofrer intervenção e liquidação por insolvência, má gestão grave ou colapso financeiro, justamente as características atuais do BRB, deixando claro que governadores não devem administrar Bancos, porque o rombo é praticamente certo.

CIDADE ABANDONADA – Ao mesmo tempo, Brasília dá mostras de que está abandonada, com o aumento do número de moradores de rua nas superquadras e a favelização das chamadas cidades satélites.

Tudo isso demonstra que os políticos querem alçar ao poder apenas para enriquecer. Pedem votos ao eleitor com promessas impossíveis e depois riem da cara do povão, quando são eleitos.

Será que o morador de Brasília ainda pretende votar no Ibaneis Rocha e na Celina Leão? Acho que não. Errar de novo e sofrer duas vezes, sinceramente seria demais.

Histórico da democracia brasileira indica que é preciso estar atento a novos golpes

Golpe Militar de 1964: o que foi, contexto, resumo - Brasil Escola

De 64 a 85, foram 21 anos de ditadura militar e arbítrio

Roberto Nascimento

Em recente comentário aqui na Tribuna da Internet, abordamos golpes de estado ocorridos no Brasil após a República, que foi oriunda de uma conspiração contra Dom Pedro II, um monarca altamente intelectualizado e que sabia governar, ao contrário de muitos presidentes.

Insta salientar que, no ambiente da Internet, se o comentarista escrever muito, quase ninguém terá paciência de ler. Portanto, é preciso ser o máximo sucinto possível, e por isso não foi possível discorrer sobre  as nuances de todos os golpes de estado ocorridos no Brasil durante a República.

Primeiro, houve a conspiração de Floriano contra Deodoro. Depois, o episódio dos Tenentes (18 do Forte), a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas a governar por 15 anos em regime ditatorial, a Intentona Comunista de 1935, o Levante Integralista de 1938, o Movimento de 11 de Novembro (1955), para evitar a posse de Kubitschek, e as revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), já no governo JK.

COUTTO LEMBROU – Este ano, o jornalista Pedro do Coutto foi um dos poucos que lembraram a passagem do golpe de 31 de março de 1964. Entretanto, a aventura política civil-militar nunca esteve tão atual, pois a ameaça golpista continua atormentando o país.

Tentaram de novo em 2022, mas fracassaram. E agora, vão levar 10 anos, como ocorreu no passado, quando tentaram derrubar Getúlio em 1954 e voltaram em 1964?

O mesmo golpe de 1964 foi tentado em 1954, com a pressão militar para derrubar Getúlio Vargas. Mas o suicídio do presidente, aliado à comoção popular, fez os militares recuarem. Em 1955, tentaram impedir a posse de Juscelino, mas o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, na época não se falava em ministro do Exército, impediu o 11 de Novembro, e depois vieram as revoltas de Aragarças e Jacareacanga, de origem aeronáutica.

JANGO ASSUME – Bem, em 1961, assumiu o vice João Goulart, devido à renúncia de Jânio Quadros, sete meses após assumir a presidência, supostamente para reassumir como ditador em meio a uma esperada pressão popular, que não veio. 

Os militares não queriam a presidência de Jango e até ameaçaram derrubar o avião que o trazia de volta de uma viagem à China, para assumir o governo.

Após intensas negociações, os militares aceitaram um acordo para mudar o regime de presidencialismo para parlamentarismo, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. Seis meses depois, Jango arquitetou um plebiscito para retorno do presidencialismo, e o povo votou sim, dando o poder de volta a João Goulart como presidente.

Os militares, então, começaram a minar Jango junto com a elite empresarial paulista, acusando o presidente de comunista e de querer implantar uma república sindical.

GUERRA FRIA – O contexto era a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. Os EUA, que consideravam (e ainda consideram) o Brasil como colônia americana, tiveram receio de que nosso país passasse a orbitar sob o domínio de Moscou.

Com base no argumento da guerra fria, abasteceram os golpistas brasileiros com informações da CIA, ofereceram apoio logístico, caso fosse necessário, e dinheiro para minar o governo de Jango, tudo comandado pelo embaixador Lincoln Gordon e o adido militar, coronel Vernon Walters.

Em 31 de março de 1964, o golfe foi desfechado, assumindo o comando da nação, pela força, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. O regime militar durou 21 anos, de 64 a 85.

BARBÁRIE MILITAR – Importante salientar que naquele período de trevas, toda a América Latina, após o Brasil sucumbir ao autoritarismo, teve um efeito dominó.  Depois, caíram Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Equador, Peru, Colômbia, somente a Venezuela foi poupada da barbárie militar no Cone Sul.

Bem, o futuro a Deus pertence e o Golpe de 2022 foi fracassado porque não houve adesão popular e do empresariado, além da falta apoio dos Estados Unidos, circunstância que desestimulou o Alto-Comando do Exército.

O então presidente Joe Biden enviou um assessor militar para dar um recado aos golpistas: se o golpe fosse executado, o novo governo ficaria isolado e sem condições de prosseguir. Portanto, se o presidente fosse Trump, a história seria outra. Portanto, todo cuidado ainda será pouco, porque Trump agora é o presidente e os golpistas brasileiros estão todos aí, com sangue nos olhos.

Brasil vive tempos obscuros: quando parece que vai melhorar, a situação piora

Quem vai rodar? Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira  (23). #meio #newsletter #charge #delacao #vorcaro

Charge do João Spacca (Canal Meio)

Roberto Nascimento

Uma tristeza corrói nossa alma, com o Brasil vivendo tempos nada republicanos. Vejam o exemplo de Cláudio Castro, que era governador do Rio, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral e se tornando inelegível por oito anos, o que seria uma dádiva dos céus para os eleitores. Mas pode recorrer sub judice e ser eleito senador, para ser cassado mais à frente.

Mas será que o Supremo vai confirmar a condenação? Lembrem que ministro André Mendonça, o atual queridinho da Globo e dos jornalistas, também votou pela absolvição de Cláudio Castro, em dobradinha com o ministro Nunes Marques. Os dois foram votos vencidos, perderam de 5 a 2.

E O IBANEIS? Entretanto, há um caso ainda pior do que o de Cláudio Castro. Trata-se das embrulhadas do governador de Brasília, Ibaneis Rocha. Todo dia lemos notícias negativas sobre ele, como o “investimento” de R$ 12 bilhões, jogados fora na podridão do Master pelo Banco Regional de Brasília, que é estatal e seu presidente Paulo Henrique Costa foi nomeado por Ibaneis.

Depois da cumplicidade com a roubalheira do Vorcaro, vem a noticio de que o escritório de advocacia de Ibaneis, hoje administrado pelo filho, vendeu os honorários de precatórios, no total de 85,5 milhões de reais, a um fundo de investimentos ligado à Reag, financeira que fazia lavagem de dinheiro para o Master. Essas operações ocorreram entre 2019 e 2024.

E não acontece nada. Todos os pedidos e impeachment foram rejeitados pela Câmara Distrital. O Judiciário faz de conta que Ibaneis não existe. Qualquer criminoso de elite consegue escapar.

FORA DA CURVA – A prisão de Vorcaro foi apenas um ponto fora da curva. O que vai acontecer a Ibaneis é a pergunta que não quer calar e grita nos ouvidos moucos da República, aquela que está longe de ser dos nossos sonhos.

Agora teremos um novo Tribunal Superior Eleitoral. Como se sabe, o TSE é composto por sete ministros, três do Supremo Tribunal Federal e quatro indicados entre ministros do Superior Tribunal de Justiça e advogados com experiência em questões eleitorais.

Atualmente a ministra Carmem Lúcia é a presidente. A partir de agosto, finda o mandato dela e o novo presidente que está na fila é justamente o ministro Nunes Marques, o vice-presidente será o ministro André Mendonça e o terceiro, Dias Toffoli.

FUNDO DO POÇO – Essas três peças raras vão compor o Tribunal Eleitoral nas eleições de outubro. A gente pensa que chegou ao fundo do poço e não há mais como piorar, mas logo surgem péssimas novidades.

E assim a crise institucional se torna um mistério das Mil e Uma Noites. Triste Brasil. O povo é trabalhador e resiliente, mas a elite não vale um tostão furado.

“Uma delação Sob Medida” é título de música de Chico e Edu Lobo. Como tudo gira em torno de dinheiro, quem acertar os termos da delação de Daniel Vorcaro, o fraudador, lavador de dinheiro, operador financeiro e encantador de serpentes dos três Poderes, com destaque para o Centrão, vai levar uma bolada das grandes. Delação meia-sola ou meia-bomba, é o que gregos e troianos acreditam na bolsa de apostas em Brasília.

Desesperado com demissão de Kent, agora Trump já fala em terminar a guerra

Counterterrorism official Joe Kent resigns over war: 'Iran posed no  imminent threat'

Joe Kent mostrou que a guerra é inútil e pediu demissão

Roberto Nascimento

Como se sabe, Joe Kent, ex-chefe da Agência de Antiterrorismo dos EUA, é um respeitado herói de guerra, que perdeu a esposa num atentado terrorista no exterior e hoje integra o movimento MAGA (Make American Great Again, ou Faca a América Grande de Novo), que Donald Trump usou para conquistar votos e se eleger presidente.

Ao pedir demissão do cargo, Joe Kent, que tinha sido nomeado pelo próprio Trump, expôs sua contrariedade com a guerra contra o Irã, que a seu ver não ameaçava os EUA.

GUERRA INÚTIL – Kent garante que o Irã não domina a tecnologia para fabricação de bombas nucleares, até porque as instalações de enriquecimento de urânio foram destruídas pelos EUA, com bombas que entraram pela rocha até a profundidade de 60 metros.

Portanto, Kent deduziu que essa guerra inútil para os EUA quebrou uma promessa de campanha de Donald Trump ao movimento de direita MAGA, de não entrar em conflitos desnecessários.

Assim como outros expoentes do importante grupo republicano, Joe Kent acha que Donald Trump está a reboque de Israel, o maior interessado na destruição do inimigo Irã e que precisa de permanente apoio dos Estados Unidos.

ISRAEL À FRENTE – No raciocínio do estrategista Kent, se o maior interessado na guerra é Israel, então, o presidente Donald Trump, não coloca os EUA em primeiro lugar, porque nesse conflito é o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que comanda o teatro de operações, como o ator que dita os rumos da guerra, até pela proximidade geográfica, não deixando alternativas a Trump.

Depois desse repto de Kent, o presidente Trump passar a deixar claro que deseja o fim da guerra, mas, não sabe como fazê-lo, porque não interessa a Israel uma trégua antes da queda do regime clerical do Irã.

Donald Trump demonstra estar a beira de um ataque de nervos, não diz coisa com coisa e nesta sexta-feira, dia 20, chegou a anunciar que a guerra está em fase final, mas o fato concreto é que o Irã está reagindo com extrema violência, ameaçando os países da região.

Isso significa que Trump enfim entendeu o recado de Joe Kent e certamente lamenta ter entrado nessa arapuca de Nethanyahu, um radical que se mantém no poder defendendo um permanente clima de guerra, .

ALTA DO PETRÓLEO – O resultado tem sido cada vez mais preocupante, porque o barril de petróleo já chegou aos 120 dólares pressionando os preços de combustíveis no mundo inteiro, com reflexos na inflação em geral, devido à falta dos derivados, que incluem importantes insumos industriais e agrícolas.

A paz é absolutamente necessária, porque se trata de uma guerra que só serve para Israel destruir seu principal inimigo no Oriente Médio. Entretanto, em contrapartida, vem causando uma desordem mundial, modificando para pior a vida dos cidadãos de todas as partes do mundo.

Para Trump, o pior é que este ano teremos as eleições de meio de mandato nos EUA, e os prognósticos, por causa da guerra, indicam derrota do Partido Republicano e a consequente perda da maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado, o que tornará a vida de Trump num novo inferno de Dante. Trump está perdido, igual biruta de aeroporto, sem saber o que fazer para sair dessa armadilha na qual foi colocado por seu amigo da onça Benjamin Netanyahu. E a máxima do repertório popular nunca falha: “Aqui se faz, aqui se paga”.

Em pânico, Brasília aguarda o anúncio da delação premiada de Vorcaro

Brasília entra em pânico com possível delação de Vorcaro Troca de advogado do dono do Banco Master após decisão do STF que manteve sua prisão aumenta expectativa de colaboração premiada

Charge reproduzida do site Brasil 247

Roberto Nascimento

A confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, por decisão por maioria da Segunda Turma do Supremo, com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando o relator, ministro André Mendonça, repercutiu no meio político e causou uma apreensão a mais no intrigado tabuleiro político e judicial, deixando à beira de um ataque de nervos muitas autoridades dos três Poderes.

O causador dessa insuportável tensão é o banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master, um operador financeiro especializado em fraudes bancárias, pirâmides e até no comando de milícias digitais e físicas, disposto a mandar moer e matar adversários.

VORCARO BALANÇA – O fato concreto é que Vorcaro não está aguentando o isolamento na prisão. Trocou de advogados e assim mandou recados ao Congresso e ao Judiciário sobre a possibilidade de delação premiada. Mas, o líder de uma organização premiada, no topo do crime, pode fazer delação?

A legislação em vigor – Lei de Organização Criminosa – diz que sim. A diferença é que, se a delação for de um subalterno contra o líder da quadrilha, o delator pode ficar isento de crime e sequer ser denunciado pelo Ministério Público na abertura do processo penal.

No caso de Vorcaro, não há essa moleza. Como ele é o chefe da organização criminosa, seus benefícios serão no máximo uma redução da pena. De toda maneira, será julgado e condenado, porém com menos rigor.

IBANEIS EM PÂNICO – O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, governador de Brasília, levou o Banco Regional de Brasília (BRB) a torrar R$ 12 bilhões dos cofres públicos na peneira do Banco Master de Vorcaro.

Às vésperas de deixar o governo para se candidatar ao Senado, Ibaneis não vem conseguindo dormir, toma Rivotril direto e teme ser rejeitado pelo eleitor da capital, onde há fortes candidatos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O governador Cláudio Castro, que perdeu quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência no Banco Master, já não tem certeza da viabilidade de sua eleição ao Senado e pode ser cassado pelo TSE no julgamento marcado para o dia 25 deste mês.

MAIS PREJUÍZOS – O senador Davi Alcolumbre está metido no rombo de 400 milhões da AmPrev (Previdência do Amapá), cujo presidente, indicado por ele, torrou investindo no Banco Master. O presidente do Senado está uma fera com a Polícia Federal, que teima em investigar corretamente essa fraude bilionária.

Hugo Motta, Jaques Wagner, Ciro Nogueira, e muitos outros políticos, assim como magistrados de tribunais superiores e membros do governo, são muitas “autoridades” com algum negócio fora das quatro linhas republicanas, alguns até legais, mas todos imorais, e temem a delação de Daniel Vorcaro.

A cada dia, surge uma novidade extraída dos oito celulares de Vorcaro e de seu cunhado, o pastor Zettel, expulso da Igreja Lagoinha de Belo Horizonte. Quem podia, levou dinheiro do Banco Master em troca de algum pedido desse verdadeiro encantador de serpentes. Mas quem vai pagar esse rombo, que já passa de R$ 50 bilhões? Ora, somos todos nós, os contribuintes, é claro.

Se a servidora provar inocência, poderá processar o ministro Moraes por perdas e danos

Tribuna da Internet | Moraes não sabe como irá responder ao embargo  infringente de Bolsonaro

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Roberto Nascimento

Estimado leitor, gentil leitora, minhas desculpas por voltar ao tema Supremo. Mas o assunto esquentou depois que a Polícia Federal, após recuperar as conversas dos cinco celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, o inteiro teor das conversas que dizem respeito a Dias Toffoli, relator do inquérito do Banco Master, sugerindo a suspeição do ministro.

O presidente Fachin imediatamente encaminhou o relatório de mais de 200 páginas para apreciação do ministro Dias Toffoli. No mesmo dia, Toffoli enviou resposta, alegando que, à luz do Código de Processo Penal, art. 145, somente as partes integrantes do processo e o Ministério Público têm legitimidade para arguir a suspeição de juízes e ministros.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Bem, tecnicamente, Toffoli até pode ter razão, mas há outras normas legais que obrigam a Polícia Federal a tomar providências desse teor, especialmente quando o procurador-geral da República dá mostras de favorecimento a determinados ministros, e assim é melhor nem insistir em denunciar erro da direção da Polícia Federal por ter encaminhado o relatório.

Entretanto, é bom lembrar que o ministro Alexandre de Moraes, no dia 12 de janeiro, quando exercia a presidência interina do STF, nas férias de Fachin, abriu um inquérito determinando à Polícia Federal investigar o vazamento de dados fiscais de ministros e seus parentes, em dois órgãos de Estado: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e a Receita Federal.

O objetivo era uma pretensão pessoal – simplesmente saber se algum servidor vazara a informação sobre o contrato de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o banco Master, pela módica quantia de R$ 129,6 milhões.

FORA DA LEI – Sempre agindo fora da lei, quatro dias após a reunião secreta no STF que afastou Dias Toffoli da relatoria do caso Master, o ministro Alexandre de Morais deu a ordem para quatro servidores da Receita Federal serem afastados do serviço.

Além disso, tiveram de entregar os passaportes e obedecer a diversas restrições, inclusive usar tornozeleiras eletrônicas, e tudo isso aconteceu sem nenhuma culpa formada, praticamente já condenados e cumprindo pena, sem direito de defesa e sem o competente devido processo legal.

Desta vez, a novidade de Moraes foi o descarte puro e simples do Código de Processo Penal, que destaca a obrigatoriedade de a Procuradoria Geral da República ser ouvida para se pronunciar sobre abertura de inquérito que envolva autoridades do Estado, além de expedir a indispensável denúncia, destinada a tornar suspeitos em réus.

SERVIDORA REAGE – Humilhada e reclusa em sua casa, após sofrer busca e apreensão, a agente administrativa Ruth Machado dos Santos, da Receita Federal, nega ter acessado os dados fiscais da mulher de Moraes.

A funcionária, de ficha exemplar, diz que em 21 de agosto de 2025, nas dependências da Receita em Guarujá, litoral paulista, não poderia ter feito o acesso, porque estava ocupada em atendimento ao público. É claro que há possibilidade de alguém ter copiado e usado a senha dela, e isso deveria ter sido investigado antes dessa busca e apreensão, humilhando a servidora diante de seus colegas de trabalho, de seus vizinhos e de sua família. Se Ruth dos Santos provar inocência, poderá processar Moraes por perdas e danos.

No entanto, Moraes não quer nem saber dessas obrigatoriedades legais. Assim, quando em cada caso um artigo vale e em outros não vale nada, está sacramentada a Insegurança jurídica no país. Portanto, é preciso parar Moraes o quanto antes, e na defesa das leis a Polícia Federal tem notória especialização.

“Vazamento” da reunião do Supremo escancarou o baixo nível dos ministros

VAZAMENTO DE REUNIÃO E SAÍDA DE RELATORIA ELEVAM TENSÃO NO STF - Sem  Fronteiras TV

Toffoli conseguiu apoio e solidariedade de sete ministros

Roberto Nascimento

O surpreendente vazamento do teor da reunião secreta do plenário do Supremo Tribunal Federal, na última quinta-feira, teve uma importância muito especial porque escancarou duas realidades que vêm sendo criticadas nos últimos anos – o danoso corporativismo que impera numa instituição que deveria operar exclusividade com base na lei, doa a quem doer, e o incrível baixo nível dos ministros, revelado por suas afirmações sem o menor sentido.

O ministro Flávio Dino, por exemplo, que foi aprovado em primeiro lugar no concurso para juiz federal em 1994, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e deveria ostentar notável saber, disse que Toffoli tinha “fé pública”.

PÉROLA RARA – Esta afirmação de Dino foi uma pérola rara, porque os atos de qualquer magistrado só têm fé pública quando são corretos, dentro da lei e da ética, sem prova em contrário, o que decididamente não é o caso de Dias Toffoli, cuja fé pública foi inteiramente destroçada pelas 200 páginas do relatório da Polícia Federal.

Outros sete ministros – incluindo Toffoli, é claro – concordaram com essa posição corporativista de Dino, e até consideraram um lixo jurídico o criterioso relatório da Polícia Federa, que passou a ser linchado pelos defensores de Toffoli.

Assim, essa reunião pouco secreta e nada republicana não teve serventia para debelar a crise suprema e apenas registrou  a renúncia de Toffoli ao cargo de relator do Caso Master, atendendo a pedidos.

A CRISE AUMENTA – Com a divulgação de importantes trechos da reunião, o desgaste do Supremo só fez aumentar e já começou também o vazamento de transcrições das reveladoras conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos e autoridades da República.

O resultado dessas decisões teratológicas explícitas, nessa reunião que ia ser secreta, deram mídia para o pastor Silas Malafaia convocar mais um comício em São Paulo, no dia 1º de março. O pastor vai bater duro em Dias Toffoli e Alexandre de Morais, para pedir impeachment dos ministros, pressionando Davi Alcolumbre, presidente do Senado, a abrir os processos.

Por fim, o Brasil está vivendo uma crise anunciada e sem precedentes, mas devemos lembrar que a luz do sol e a transparência são os maiores aliados da democracia, enquanto o sigilo e a censura, ao contrário, são a base de toda ditadura.