Prisão de Bolsonaro e generais é um “marco”, dizem intelectuais, em carta aberta

Grupo diz que “República brasileira respirou”

Deu na Folha

Intelectuais de diferentes áreas divulgaram uma carta aberta em que afirmam que a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e de quatro militares da mais alta patente representa uma inflexão histórica no país e demonstra que a democracia brasileira está aprendendo a se defender.

No texto, o grupo ressalta o ineditismo do acontecimento do último dia 25 e diz que o fato de a Justiça ter conseguido processar, julgar e responsabilizar “figuras outrora intocáveis revela um aprendizado institucional raro em países com histórico de tutela militar”.

INTERVENÇÃO – “A República brasileira nasceu sob tutela militar, marcada por golpes, intervenções e tentativas reiteradas de limitar o poder civil. […] Sempre pesou sobre nossa democracia o fantasma do pretorianismo: a intervenção abusiva dos militares na vida democrática, seja explícita, seja silenciosa”, diz a carta.

“A condenação desses quatro expoentes militares [os generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos] é, portanto, mais do que uma punição individual. É um marco com pelo menos três significados profundos: verdade, justiça e memória.”

VIGILÂNCIA – “Democracia exige vigilância, responsabilização e compromisso público com a ideia simples e revolucionária de que o poder pertence à população e não às armas”, afirmam os signatários. “Ainda assim, no dia 25 de novembro de 2025, a República brasileira respirou.”

O documento foi organizado pela doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Lisboa Beatriz Rey e pelo advogado e doutor em Direito pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Lucas Paulino. Também assinam a carta, entre outros, o escritor e sociólogo Sérgio Abranches, o professor de Ciência Política João Roberto Martins Filho, a antropóloga Maria Filomena Gregori, a cientista política Luciana Gross Cunha e o escritor João Paulo Cuenca.

CARTA ABERTA SOBRE O SIGNIFICADO HISTÓRICO DE 25 DE NOVEMBRO DE 2025

No dia 25 de novembro de 2025, o Brasil viveu um acontecimento inédito: pela primeira vez em nossa história, militares de alta patente foram presos para cumprir pena por crimes contra a ordem democrática. Os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, assim como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, passaram oficialmente para a condição de condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a confirmação do trânsito em julgado do processo que reconheceu a responsabilidade criminal deles pela participação ativa na tentativa golpista que buscou reverter o resultado legítimo das eleições presidenciais de 2022 e usurpar o poder de forma autoritária.

A este grupo soma-se Walter Braga Netto, general quatro estrelas, ex-ministro da Defesa e ex-ministro da Casa Civil, que em 2022 concorreu à vice-presidência na chapa de Jair Bolsonaro (PL), derrotada por Lula e Alckmin. Em setembro de 2025, Braga Netto já havia sido condenado a 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Esse fato não pode ser tratado como rotina institucional nem como mero desdobramento processual. Ele representa uma inflexão histórica.

A República brasileira nasceu sob tutela militar, marcada por golpes, intervenções e tentativas reiteradas de limitar o poder civil. Mesmo após 1988, a separação entre o governo eleito e a estrutura militar nunca esteve plenamente consolidada. Sempre pesou sobre nossa democracia o fantasma do pretorianismo: a intervenção abusiva dos militares na vida democrática, seja explícita, seja silenciosa.

A tentativa golpista de 2022 foi o ponto mais recente e mais grave dessa história. Durante o governo de Jair Bolsonaro, setores militares e civis tramaram ações para fragilizar o processo eleitoral, desacreditar a Justiça Eleitoral e fomentar a ruptura institucional. A estratégia incluiu desinformação, sabotagem institucional, uso político das Forças Armadas e estímulo a manifestações antidemocráticas. Não foi improviso: foi projeto.

A condenação desses quatro expoentes militares é, portanto, mais do que uma punição individual. É um marco com pelo menos três significados profundos: verdade, justiça e memória.

Primeiro, o fato do Supremo Tribunal Federal conseguir processar, julgar e responsabilizar figuras outrora intocáveis revela um aprendizado institucional raro em países com histórico de tutela militar. Não estamos diante de uma democracia plena, mas de uma democracia que, aos poucos, está aprendendo a se defender.

Segundo, tentativas de golpe não podem ser tratadas como divergência política ou erro administrativo. São crimes contra a soberania popular. Responsabilizar seus líderes (e não apenas os executores) é condição para quebrar o ciclo histórico de impunidade que, em 1964, custou ao Brasil 21 anos de ditadura.

Terceiro, o ato do dia 25 de novembro não repara o passado sozinho, mas ajuda a construir o futuro. Uma democracia se mantém não apenas por votos, mas também pela memória dos riscos enfrentados e pela coragem de proteger sua integridade institucional.

A condenação desses militares, por mais relevante que seja, não é suficiente para encerrar o ciclo golpista. A permanência do pretorianismo nas Forças Armadas exige reformas profundas, institucionais e culturais, para que a ruptura democrática deixe de ser uma tentação permanente ou um recurso disponível. Sem essa transformação estrutural, o risco de repetição permanecerá vivo, apenas à espera de uma nova oportunidade.

Reconhecer isso é parte do mesmo compromisso democrático que torna possível responsabilizar quem atacou a República. Porque responsabilizar é um passo; transformar é o desafio. E se há algo que a história tem tentado ensinar ao Brasil —e que tantas vezes recusamos aprender— é que nenhuma democracia sobrevive quando seus cidadãos passam a tratá-la como garantida. Não é. Democracia exige vigilância, responsabilização e compromisso público com a ideia simples e revolucionária de que o poder pertence à população e não às armas.

Ainda assim, no dia 25 de novembro de 2025, a República brasileira respirou. Ainda com cicatrizes, ainda com ameaças, ainda com dúvidas, mas respirou. Que este fato não seja exceção. Que seja início. Porque nenhuma democracia sobrevive quando os que a atacam acreditam estar livres de consequências.

Ciro Nogueira descarta Flávio e tenta impor Tarcísio e Ratinho como eixo da direita

PT ignora pré-candidatura de Flávio e centraliza ataques em Tarcísio como adversário estratégico

Flávio anunciou ter sido escolhido por seu pai

Sérgio Roxo
O Globo

Apesar do anúncio da pré-candidatura a presidente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na última sexta-feira, resolução do diretório nacional do PT aprovado no sábado passado que trata sobre as diretrizes eleitorais para 2026 centra críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para o partido, Tarcísio é o “principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista”.

“Setores da direita brasileira, especialmente governadores, vêm atuando para sabotar políticas do governo Lula, criando obstáculos à ação federativa em áreas estratégicas como segurança pública,infraestrutura, educação e políticas sociais. Entre eles, o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas, se destaca como principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista, transformando São Paulo em laboratório da redução radical do papel do Estado, da entrega de bens públicos e do enfrentamento ideológico ao governo federal”, diz o texto, que foi divulgado na manhã desta segunda-feira.

ESCOLHIDO – Na sexta-feira, Flávio anunciou ter sido escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como nome do grupo político para disputar o Palácio do Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição. A definição foi mal recebida pelo mercado financeiro, com alta do dólar e queda na Bolsa.

Pesquisa Datafolha divulgada no domingo mostra que Flávio perderia para Lula em um eventual segundo turno em 2026 por uma diferença de 15 pontos percentuais. A diferença do petista para Tarcísio, por sua vez, é menor, de 5 pontos.

No documento aprovado no sábado, o partido também assume a bandeira da defesa da implantação do Ministério da Segurança Pública, que chegou a constar no programa de governo de Lula durante a campanha de 2022, mas nunca saiu do papel.

FOCO – “O PT reafirmou que o Brasil precisa de um Ministério da Segurança Pública e uma política de segurança nacional articulada, com foco em inteligência, combate financeiro ao crime e proteção das comunidades”, afirma a resolução.

A pressão pela criação da nova pasta foi reforçada após crises recentes, como a que envolveu a operação nos complexos da Penha e da Maré, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. Na ocasião, o governador Cláudio Castro acusou o governo federal de não ajudar os estados no combate à violência.

Direita articula Tarcísio e vê candidatura de Flávio como chantagem por anistia

Datafolha: 54% veem dano à tornozeleira como tentativa de fuga de Bolsonaro

33% acreditam que Bolsonaro teve um “surto paranoico”

Deu no O Globo

A maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) danificou a tornozeleira eletrônica que utilizava porque pretendia fugir. É o que revela pesquisa Datafolha realizada entre 2 e 4 de dezembro com 2.002 eleitores em 113 municípios. Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados veem o episódio como tentativa de fuga, enquanto 33% afirmam acreditar na versão de Bolsonaro, que atribuiu o dano a um “surto paranoico”.

Outros 13% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a suspeita de fuga é ainda mais acentuada: 60% afirmam que o ex-presidente tentou escapar.

CONTRASTES – Já a análise por renda mostra que a tese do surto encontra maior acolhida entre os mais ricos, grupo em que 40% dizem acreditar na explicação dada por Bolsonaro. O recorte regional revela contrastes significativos. No Nordeste, 61% veem tentativa de fuga, o maior índice do país. Sul e Norte/Centro-Oeste apresentam os percentuais mais altos de adesão à versão do surto, ambos com 40%, acima da média nacional de 33%.

A prisão do ex-presidente foi considerada justa por 54% dos brasileiros, enquanto 40% discordam da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), também de acordo com o Datafolha. Outros 6% não sabem ou não responderam.

LOCAL – Os pesquisadores também questionaram os entrevistados sobre o local onde o ex-mandatário deveria cumprir a pena, estipulada em 27 anos e três meses de cadeia pela Corte. Para 34%, Bolsonaro deveria cumprir a pena em casa. Já 26% pensam que ele deveria estar em um presídio comum, 20% em uma unidade militar, e 13% disseram na sede da Polícia Federal — onde o ex-presidente se encontra atualmente. Não souberam responder 7%.

O Datafolha aponta também que 36% dos brasileiros entendem que estão bem informados sobre a prisão definitiva de Bolsonaro. O montante é próximo dos 37% que dizem ter conhecimento sobre, mas estão mais ou menos informados. Já 11% apontam que estão mal informados, e 16% afirmam sequer terem tomado conhecimento.

A ofensiva de Michelle acelera rachas no PL e ameaça caciques da direita

Candidatura sob chantagem: Flávio admite desistir se anistia a golpistas avançar

Mais escândalo! Meia Brasília está na folha de pagamentos do Banco Master

Um acordo de R$ 478 milhões que pode custar ainda mais caro a Daniel Vorcaro  | VEJA

Vorcaro comprou meio mundo em Brasília e já está solto

Fernão Lara Mesquita
Site Vespeiro

A infecção generalizada que vazou no abcesso conhecido como Banco Master inclui todos os patógenos da vasta fauna que se desenvolve no caldo de cultura brasiliense. Eis uma lista possivelmente incompleta dos que já foram identificados até este 18 de novembro da prisão de Daniel Vorcaro e seu sócio Augusto Lima pela Polícia Federal, que promete ser o primeiro teste real da capacidade de resistência da proteção por eles contratada, pois já estão soltos.

A lista é longa, encabeçada por Paulo Henrique Costa: presidente afastado do BRB, envolvido nas negociações com o Banco Master, evidenciando a vinculação entre instituições públicas e interesses privados.

OUTROS NOMES – Advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Seu escritório de advocacia, que inclui dois filhos do ministro como sócios, foi contratado para atuar em processos do Banco Master, fazendo a ligação jurídica direta entre Vorcaro e o Supremo Tribunal Federal. Em 2025, o escritório foi alvo de sanções americanas, o que impactou sua relação com o banqueiro.

Alexandre de Moraes: Ministro do STF, com relação indireta a Vorcaro via o escritório da esposa. Michel Temer: Ex-presidente da República e consultor de Vorcaro, que indicou Moraes ao STF, exercendo forte influência política e articulando conexões entre o banqueiro e o alto escalão do governo federal.

Ricardo Lewandowski: Ministro aposentado do STF que participou do comitê consultivo estratégico do Banco Master, consolidando vínculos com o Judiciário.

MAIS ENVOLVIDOS  – Ex-ministro e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles faz parte do comitê de notáveis do Master, influenciando decisões financeiras estratégicas em favor do banco.

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, associado a Vorcaro em conselhos e círculos de poder financeiro.

Jaques Wagner: Líder do governo no Senado, aliado próximo de Augusto Lima, sócio de Vorcaro, influenciador na expansão do programa Credcesta na Bahia, que foi fundamental para o crescimento do banco. Davi Alcolumbre: presidente do Congresso, com trânsito facilitado junto a Vorcaro, viabilizando articulações políticas no Legislativo.

OUTRAS FIGURAS – Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira foi figura central das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, padrinho da indicação do presidente do Cade, Alexandre Cordeiro, e ator político com conexões amplas que unem Vorcaro a diversos grupos de poder.

Ibaneis Rocha: Governador do Distrito Federal, defensor da compra do Master pelo BRB, articulador político que buscava alianças para a eleição de 2026, fortalecendo laços regionais e nacionais.

Guido Mantega: Ex-ministro da Fazenda, consultor de Vorcaro, responsável por apresentar o banqueiro ao presidente Lula, ampliando sua inserção no governo federal. Alexandre Silveira: Ministro de Minas e Energia ligado a Vorcaro, representando conexões com setores estratégicos da economia.

AINDA MAIS – Empresários mineiros e parceiros de Vorcaro, Walfrido dos Mares Guia e Lucas Kallas atuam em setores-chave da corrupção, como educação, saúde e mineração.

Rui Costa: Ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, amigo de Augusto Lima, ampliou o programa Credcesta, peça-chave para o Banco Master. Fábio Faria: Ex-ministro e interlocutor político de Bolsonaro, facilitou a aproximação de Vorcaro com diversas lideranças.

Antônio Rueda: Presidente do União Brasil, aliado em projetos políticos conjuntos, participando da aliança que apoia a candidatura de Ibaneis ao governo do DF.

Alexandre Cordeiro: Indicado por Ciro Nogueira para o Cade, que aprovou a controversa compra do Banco Master pelo BRB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria, enviada pelo advogado João Amaury Belém, que exibe a podridão de Brasília, infestada por essa gentalha que hoje domina os três Poderes. Só com todos os participantes desse desgoverno na cadeia é que poderemos começar a moralizar o país. (C.N.)

Crise Messias-Gilmar acirra guerra entre Poderes e fragiliza indicação de Lula ao STF

Integrantes da Corte avaliam que Messias expôs Gilmar

Guilherme Seto
Folha

Em conversas na última quinta-feira (4), ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) adotaram tom de indignação ao comentar a manifestação apresentada pela Advocacia-Geral da União, comandada por Jorge Messias, que pediu que Gilmar Mendes reconsiderasse sua decisão que ajuda a blindar integrantes da corte contra a abertura de processos de impeachment. Gilmar rejeitou o pleito da AGU também nesta quinta-feira.

APOIO – Ministros afirmaram nessas conversas que, em suas avaliações, Messias tentou se aproveitar do atrito entre o Senado e Gilmar para ganhar o apoio de senadores em sua campanha para conseguir aprovação para sua indicação. Ignorou, no entanto, o desgaste que isso geraria para o ministro, que vinha trabalhando insistentemente para vencer a resistência de colegas como Alexandre de Moraes e Flávio Dino ao seu nome.

Moraes apoiava o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que era o preferido também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Dino, por sua vez, desentendeu-se com Messias quando ambos faziam parte do governo petista.

A cronologia do processo também foi destacada nas conversas pelos ministros, que ressaltaram que Gilmar pediu manifestação da AGU no processo em 30 de setembro e a resposta foi apresentada somente agora, em meio à campanha de Messias para uma vaga no STF.

DENÚNCIA – Em sua decisão, Gilmar afirma que apenas o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), atualmente a cargo de Paulo Gonet, pode apresentar denúncia para abertura de impeachment contra magistrados do Supremo.

A reação no Senado foi imediata. Em nota, o presidente do Senado, Alcolumbre, cobrou respeito do tribunal e falou em mudar a Constituição para defender as prerrogativas do Senado se preciso. Na manifestação rejeitada por Gilmar, a AGU pediu que a decisão tivesse seus efeitos suspensos até o julgamento definitivo pelo plenário do STF.

Da prisão, Bolsonaro impôs apoio de Michelle e do PL à candidatura de Flávio à Presidência

TSE abre ofensiva pela confiança eleitoral em 2026 com recorde de testes nas urnas

A queda de Bacellar implode plano de Castro e deixa sem rumo a direita do Rio

Por um voto, TRE-SP barra Marçal por oito anos e reacende debate sobre redes sociais

Defesa afirma que vai recorrer da decisão

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve na última quinta-feira, 4, a inelegibilidade de Pablo Marçal (PRTB) por oito anos. Por 4 votos a 3, o tribunal entendeu que ele fez uso indevido dos meios de comunicação ao promover concurso de cortes de vídeos nas redes sociais com falas dele na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo no ano passado. Os vencedores recebiam dinheiro e brindes.

O TRE-SP manteve o pagamento da multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial, mas acatou parcialmente recurso da defesa de Marçal e o absolveu das condenações de abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos. Procurado por meio da assessoria de imprensa, Marçal disse que vai recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

CONSENSO – “Um placar de 4 a 3 deixa claro que nem o tribunal chegou a um consenso sobre essa sentença. Em uma decisão por um único voto de diferença fica claro que há mais dúvida do que certeza. No TSE deve prevalecer a lógica jurídica e essa situação será revertida”, declarou ele.

O autor da ação foi o PSB, que teve a deputada federal Tábata Amaral (PSB) como candidata a prefeita. “Ao confirmar a inelegibilidade de Marçal, o TRE/SP resguarda a lisura do processo eleitoral, coibindo práticas que possam desequilibrar a disputa e influenciar de forma imprópria a escolha do eleitor. O resultado reforça que a competição deve ocorrer em condições equânimes, preservando a confiança pública”, disseram Rafael Carneiro e Felipe Corrêa, advogados do partido.

No mês passado, o mesmo TRE-SP reverteu outra condenação que tornava Marçal inelegível. O autointitulado coach havia sido condenado na primeira instância por abuso de poder político e econômico por prometer gravação de vídeos em apoio a candidatos a vereador em troca de doações para sua campanha.

Câmara prepara resposta ao STF no caso Zambelli após decisão de Gilmar

Ala da Câmara defende manutenção do mandato da deputada

Deu na CNN

A decisão do decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de impedir que o Senado abra processos de impeachment contra ministros da Corte poderá ter efeito também sobre movimentos sensíveis na Câmara dos Deputados, como a votação sobre a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo e atualmente presa na Itália.

Antes, deputados avaliavam a rejeição do parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) pela absolvição da deputada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O parlamentar é relator do processo de Zambelli no colegiado e se manifestou pela manutenção da deputada bolsonarista.

RECADO – Agora, porém, diante da decisão de Gilmar, líderes consultados pela CNN entendem que a Câmara pode usar o caso Zambelli como recado ao Supremo. Após um pedido de vista, o caso da parlamentar voltará a ser analisado na CCJ na próxima semana, sem previsão ainda de ser pautado no plenário da Câmara.

Por se tratar de uma condenação criminal, a Casa Legislativa entende que não cabe acatar sumariamente a decisão de Alexandre de Moraes, do STF, mas que os parlamentares têm respaldo para decidir sobre a perda do mandato.

RAMAGEM – A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados também deve remeter à CCJ da Casa a ordem do STF para a perda de mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que atualmente está nos Estados Unidos, mas foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Na avaliação de deputados, Ramagem terá mais facilidade de garantir o mandato do que Zambelli. Anteriormente, a Câmara já havia votado para trancar a ação contra Ramagem pela trama golpista, mas teve a decisão revertida pelo Supremo em seguida.

Centrão rejeita escolha de Flávio e expõe fraqueza do bolsonarismo para 2026

Da tentativa de golpe ao risco de expulsão: o cerco militar que se fecha sobre Bolsonaro

Bolsonaro, ao indicar nome de Flávio, fortalece Lula e desorienta a oposição

Charge do dia faz referência a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro como presidente para eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5/12) que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Chega a ser comovente o esforço que Jair Bolsonaro faz para bagunçar a próxima eleição. Ao indicar seu filho Flávio, que é chamado de “Zero Um”, o ex-presidente fortalece a campanha de Lula da Silva e cria um problemão para o PL, para o governador paulista Tarcísio de Freitas, para as diversas correntes de direita e centro que tentam se unir para escorraçar o petismo e também para sua própria família.

O PL precisa dos votos dos bolsonaristas, mas não quer ser excluído da escolha do candidato, até porque ainda é muito cedo para tanto. Tarcísio também fica em má situação, porque prometeu ser candidato somente se for indicado por Bolsonaro. Os demais partidos que enfrentam Lula e PT também já exprimiram seu desagrado. E a família Bolsonaro fica dividida, porque a mulher Michelle e o filho Eduardo também aspiravam a candidatura.

HORA ERRADA – Está tudo errado, inclusive não é o momento para uma definição tão importante. As pesquisas políticas mostram que Lula está num momento ruim, com queda na aprovação de seu governo e alta na reprovação a seu nome. O mais recente levantamento do Instituto Datafolha mostra que o atual presidente está com 44% de rejeição, que é uma enormidade.

Além disso, as perspectivas econômicas estão ruins, com o IBGE apontando 0,1% de evolução do PIB no terceiro semestre.

Assim, há risco de estagnação ou até estagflação, em que preços sobem, o poder de compra cai e a economia fica estagnada ou cresce pouco, gerando um dilema para o Banco Central, que precisa controlar a inflação elevando juros sem piorar a recessão, impactando renda e investimento.

AINDA NA FRENTE – Apesar do declínio, Lula ainda bate os rivais, mas na pesquisa AtlasIntel, que ouviu 5,5 eleitores, no segundo turno ele já caiu para empate técnico de 49% a 47% com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que nem se declara candidato, e também com Michelle.

No Datafolha, que ouviu apenas 2,2 mil eleitores, na margem de erro a diferença é de apenas 1% a favor do petista contra Tarcísio.No Datafolha, a família Bolsonaro perde para Lula, não importa a candidatura.

O patriarca Jair Bolsonaro desponta com 45% de rejeição, empatado com Lula, 44%, considerando a margem de erro. Sem nunca ter disputado uma eleição nacional, contudo, já registram taxas altíssimas de rejeição o senador Flávio, com 38%, o deputado Eduardo, com 37%, e Michelle, com 35%.

RATINHO SOBE – Bolsonaro pai, segundo o Datafolha, perdia de Lula por 47% a 43%, e agora por 49% a 40%. Mas o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), tem baixa votação no primeiro turno, mas desempenho semelhante ao de Tarcísio de Freitas no segundo turno.]

Ratinho Jr. perde de Lula por 47% a 41%, com apenas 2 pontos de diferença na margem de erro, o que demonstra a força da direita no segundo turno, seja qual for o candidato contra o atual presidente petista.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que há uma tendência de união da direita e da centro-direita contra Lula, mas o clã Bolsonaro está fazendo o possível e o impossível para tumultuar a candidatura mais forte, que é de Tarcísio de Freitas.

Disputa por herança política de Bolsonaro destrói pacto com Ciro e racha o PL

General que enfrentou pressão golpista afirma: “Legalidade era o único caminho”

Abin expõe vulnerabilidades da eleição de 2026 e diz temer ataques coordenados

Agência Brasileira de Inteligência destaca uso de IA

Raquel Lopes
Folha

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) aponta como riscos para o processo eleitoral de 2026 a interferência externa e a atuação do crime organizado, segundo documento sobre os desafios da instituição para o próximo ano. Além disso, o uso de inteligência artificial para desinformação e a crescente radicalização religiosa são fatores que, segundo a agência, ameaçam deslegitimar as instituições democráticas.

As conclusões estão no documento “Desafios da Inteligência —Edição 2026”, relatório em que a Abin apresenta à sociedade e às autoridades com sua avaliação sobre os riscos diretos e indiretos à segurança do país no próximo ano.

DESAFIOS – De acordo com a Abin, o Brasil enfrenta desafios relacionados à manutenção da democracia e à estabilidade institucional. Desde 2018, observa-se a propagação recorrente, principalmente por meio de plataformas digitais, de desinformação acerca das eleições brasileiras.

Tal processo, segundo a agência, resultou em mobilizações que questionavam o processo eleitoral nacional, as quais culminaram nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na época, um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiu e depredou as sedes dos três Poderes. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela acusação de liderar uma trama golpista.

Diante do que aconteceu na última eleição presidencial, a Abin avalia que o pleito do próximo ano ocorrerá em um cenário marcado por múltiplos desafios. “A possibilidade de interferência externa no processo eleitoral brasileiro é fator de risco que não pode ser subestimado”, diz a agência.

INTERFERÊNCIA – O órgão aponta que essa interferência pode ocorrer por meio de campanhas de desinformação sofisticadas, ataques cibernéticos à infraestrutura eleitoral ou via financiamento oculto de grupos políticos específicos e de movimentos de viés antidemocrático.

Segundo a agência, a articulação transnacional de movimentos extremistas, que compartilham táticas de manipulação e de propaganda em fóruns e comunidades próprias, eleva a sofisticação dessas ações e cria ameaças coordenadas e globalizadas contra o processo democrático brasileiro, impactando diretamente a soberania nacional.

“Atores estatais ou não estatais podem ter altos incentivos para promover ações de desestabilização do processo eleitoral, minando a confiança nas instituições, influenciando resultados e favorecendo interesses geopolíticos e econômicos próprios”, acrescenta. O órgão não cita nenhum país específico como os atores estatais que poderiam mover ações de interferência.

ESTADOS UNIDOS – Auxiliares do presidente Lula (PT) têm especial preocupação com os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump já declarou apoio a diferentes políticos no continente americano. Recentemente, Trump saiu em defesa do conservador Nasry Asfura na eleição de Honduras e ameaçou cortar ajuda ao país se seu favorito não vencer.

O republicano adotou retórica semelhante em relação à Argentina. Ele disse recentemente que seu apoio ao país dependia de uma vitória do ultraliberal Javier Milei nas eleições legislativas. Além disso, Lula já fez críticas a megaempresários que interferem na política de outros países, no que foi lido como uma referência a Elon Musk, dono da rede social X.

Em fevereiro, o petista declarou que a democracia deve ser respeitada, mas “o que não pode é a gente achar que um empresário pode ser dono da comunicação do mundo e pode falar mal do mundo a toda hora, se metendo nas eleições dos países”.

FACÇÕES – Outra preocupação da agência sobre o processo eleitoral se refere ao crime organizado, com a atuação de milícias e facções. Em áreas periféricas e de baixa presença estatal, grupos criminosos exercem domínio de território, controlando a vida de comunidades e, consequentemente, o voto.

Essa influência se manifesta tanto em ações de financiamento de campanhas quanto de coação de eleitores e indicação de candidatos próprios, chegando, em casos extremos, à eliminação de adversários políticos. Outro ponto apontado pela agência seria a deslegitimação sistêmica das instituições democráticas. A desinformação, especialmente em ambientes digitais, é identificada como elemento central desse processo, agravada pela manipulação proporcionada por novas tecnologias.

SIMULAÇÕES – Esse quadro se intensifica com o avanço da inteligência artificial generativa e dos deepfakes, que permitem a criação massiva de conteúdos audiovisuais sintéticos e hiper-realistas a baixo custo. A tecnologia, segundo o documento, pode forjar falas de candidatos, simular discursos inexistentes e descontextualizar declarações com alto grau de semelhança.

A polarização ideológica também tem sido um ponto de atenção, isso porque segmenta a sociedade em grupos antagônicos e tem bloqueado o diálogo democrático, ainda de acordo com a agência de inteligência. Nesse contexto, tem sido observada a instrumentalização de crenças religiosas como movimento de mobilização e polarização.

CRIPTOGRAFIA – Além das questões eleitorais, o relatório aponta outros quatro desafios para o próximo ano. Entre eles está a transição para a criptografia pós-quântica. A agência ressalta que a criptografia, presente em transações financeiras, aplicativos de comunicação e serviços digitais, é essencial para garantir a confidencialidade e a integridade dos dados.

No setor público, ela sustenta a soberania digital ao proteger comunicações sigilosas, documentos sensíveis, atos administrativos e a interoperabilidade segura entre órgãos, funcionando como pilar para a continuidade do Estado.

Outros riscos são ataques cibernéticos autônomos com uso de agentes de inteligência artificial. O avanço acelerado da IA, segundo o documento, especialmente dos grandes modelos de linguagem, criou um novo patamar de risco para a segurança cibernética ao permitir que agentes planejem e executem ataques de forma autônoma.