Delação de Vorcaro por um fio após embate entre Mendonça e advogado do banqueiro

Despachos frequentes deram lugar a petições por escrito

Malu Gaspar
O Globo

O rebaixamento de Daniel Vorcaro de uma sala especial para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF) não é o único sinal de que o acordo de delação premiada do banqueiro está por um fio. Uma outra evidência de que a negociação tomou um rumo bem complicado é o fato de que o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça, não recebe mais os advogados do dono do Master em seu gabinete.

O veto do ministro foi comunicado ao time de Vorcaro há cerca de duas semanas, depois de uma discussão ríspida entre o ministro e o advogado José Luís de Oliveira Lima, o Juca. Desde então, os despachos, antes frequentes, deram lugar a petições por escrito.

RUMO DA DELAÇÃO – Os dois se desentenderam sobre o rumo da delação de Vorcaro, que ainda não havia sido apresentada formalmente, mas sobre a qual já se falava nos bastidores. De acordo com relatos, Mendonça disse que a proposta do banqueiro seria rejeitada caso escondesse fatos ou não trouxesse informações novas.

Juca, então, respondeu que, nesse caso, recorreria à Turma, referindo-se à Segunda Turma do Supremo, de que o ministro faz parte e que por isso é a responsável por analisar questões referentes ao caso do Banco Master.

A resposta foi entendida por Mendonça como um desafio e uma confrontação, já que só quatro dos cinco ministros da Turma estão votando no caso Master, depois que Dias Toffoli se declarou suspeito após deixar a relatoria das investigações em fevereiro deste ano, e em caso de empate a decisão tem que ser a favor do réu.

DEDUÇÃO – A dedução óbvia sobre essa resposta é que, ao recorrer, Juca aposta que haveria um empate, em que Mendonça teria o apoio de Luiz Fux, enquanto Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes se manifestariam a favor da delação.

A reunião terminou em clima péssimo, mas a situação ficou pior depois que a história da discussão foi publicada pela colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo — no mesmo dia em que o Estadão divulgou uma foto em que Juca aparece conversando com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques, à mesa de um restaurante no dia em que entregou a proposta de delação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF).

Azevedo foi indicado e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula com o lobby do ministro Alexandre de Moraes, de quem é amigo pessoal há mais de 40 anos. Como Moraes é um potencial alvo de delação de Vorcaro, por conta do contrato de R$ 129 milhões do Master com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, o flagra levantou especulações de que o ministro pudesse estar tentando monitorar a delação por meio do amigo.

NOTA – Já a publicação da história da briga com o advogado fez Mendonça divulgar uma nota em que afirmou não ter tido acesso ao conteúdo da delação para contestar a versão de que ele, o ministro, teria ficado insatisfeito pela falta de menções ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Agravaram ainda mais esse quadro as duas últimas etapas da Compliance Zero. A primeira, de busca e apreensão sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI), fragilizou o relato de Vorcaro, que não trazia as informações reveladas pela PF. Já a prisão sobre e o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, teria abalado o moral da família e feito algumas pessoas próximas reconsiderarem a estratégia de defesa.

Depois que Mendonça baniu Juca dos seus despachos, alguns advogados chegaram a ser sondados para substituir os atuais e começaram a circular em Brasília boatos a respeito. Por enquanto, porém, a equipe de defesa se mantém a mesma. É a essa equipe que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o MPF devem dar uma resposta sobre a proposta de delação premiada. Ao que tudo indica, ela não deve ser das mais animadoras.

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Após revelações sobre vínculo com Vorcaro, Flávio fala em “perseguição” e ataque do Estado

Senador tropeça nas próprias controvérsias

Lauriberto Pompeu
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, reclamou nesta terça-feira estar sofrendo uma perseguição. Sem citar os vínculos com Daniel Vorcaro, do banco Master, tornados públicos com a divulgação de uma série de mensagens e áudio, Flávio declarou que há um uso “do aparato estatal” contra ele.

– A gente resolve os problemas do Brasil pela política. Estou na política há 24 anos. Tudo que eu quero para minha vida é oferecer um Brasil para as minhas filhas, que seja um Brasil também próspero para as filhas e filhos de todos que estão aqui presentes. Mesmo com todas as perseguições, com todo o sistema querendo manter as coisas da forma como estão, com o Brasil inteiro olhando para Brasília com nojo pela forma como as coisas que estão acontecendo, desrespeito à Constituição, insegurança jurídica, uso do aparato estatal para perseguir adversários políticos – disse.

CRÍTICAS – A declaração aconteceu durante um discurso feito na Marcha dos Prefeitos, que neste ano convidou os pré-candidatos a presidente para falarem aos gestores municipais. O parlamentar também criticou diretamente o PT, partido do presidente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e voltou a dizer que, se eleito, vai promover uma anistia ao todos os envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro, algo que contemplaria seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado por liderar uma trama golpista.

– A era do ódio vai acabar a partir de 2027 porque vamos fazer um governo olhando para frente, sem perseguições, com as instituições voltando a ficar subordinadas à nossa Carta Magna, com os Poderes funcionando com harmonia e independência, com a lei valendo para todos e com anistia ampla, geral e irrestrita para os perseguidos políticos do 8 de janeiro. É assim que a gente vai conseguir alcançar a pacificação, porque vai ser o fim da era do PT.

VISITA A VORCARO – Após uma reunião com parlamentares do PL, Flávio admitiu ter visitado o Vorcaro no fim de 2025. A visita ocorreu na casa do executivo, em São Paulo, quando ele estava em regime de prisão domiciliar após ser detido pela primeira vez.

Na quinta-feira da semana passada, o site Intercept Brasil, revelou mensagens, áudios e documentos que apontam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar “Dark horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente. Segundo a publicação, o acordo previa aportes de cerca de R$ 134 milhões. Desse total, foram repassados cerca de R$ 61 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As falas de Flávio Bolsonaro, tentando protagonizar a figura de vítima em meio aos caos, não pode nem ser classificada como Piada do Ano, como diria o amigo Carlos Newton. Essa estratégia derradeira é uma afronta à coletividade, uma falta de respeito que mira na ignorância dos que ainda acreditam em suas falácias cada vez mais controversas. Ele nega a si mesmo e logo em seguida reconta suas versões pra lá de suspeitas. Constrangedor. (M.C.)

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Aliados de Lula acionam TSE para barrar filme sobre Bolsonaro financiado por = Vorcaro

Charge do João Spacca (Instagram)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), ambos aliados do presidente Lula, decidiram acionar nesta terça-feira (19) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, longa-metragem sobre a carreira política de Jair Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O filme tem estreia prevista para setembro, a um mês das eleições presidenciais.

A ação visa impedir o lançamento de “Dark Horse” até o fim das eleições, sob a alegação de que o filme pode funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto”, além de configurar propaganda eleitoral “dissimulada”, financiada por recursos milionários de “origem suspeita”, com indícios de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, caixa 2, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro.

REVELAÇÕES – A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência foi abalada pelas revelações do Intercept Brasil de que o senador pressionou Vorcaro a dar R$ 61 milhões para o filme e que o dinheiro passou pela conta do advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, que atuou como produtor-executivo do longa.

“O conjunto de fatos revela possível engrenagem de financiamento político paralelo: agentes políticos, banqueiro investigado, estrutura empresarial estrangeira, fundo no exterior, contratos privados, valores milionários, obra de exaltação política e lançamento estratégico no período eleitoral.”

Os autores do processo também alegam que a proximidade do lançamento do filme com o pleito de outubro “amplia o risco” de que a obra funcione como “ativo de campanha”, com ampla repercussão em cinemas, plataformas digitais, redes sociais, streaming, entrevistas, eventos promocionais, trailers, cortes e impulsionamentos na internet.

INVESTIGAÇÃO – Com a ofensiva petista, capitaneada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, a controvérsia envolvendo a pressão do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), sobre Vorcaro para liberar recursos para o filme chega à Justiça Eleitoral, o que pode abrir novas frentes de investigação contra a candidatura bolsonarista.

Na ação, os advogados ainda pedem que o TSE comunique a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal, o Ministério da Justiça e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre o caso, para a apuração de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiário final, fraude cambial, falsidade documental, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e outros ilícitos conexos.

DOCUMENTÁRIO –  Na representação eleitoral, os aliados de Lula traçam um paralelo entre “Dark horse” e um precedente do próprio TSE de 2022, quando a Corte Eleitoral suspendeu a divulgação durante as eleições do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, da produtora de vídeos de direita Brasil Paralelo.

O documentário seria lançado em 24 de outubro de 2022, a seis dias do segundo turno, mas teve a divulgação suspensa – e acabou exibido apenas depois do pleito vencido pelo presidente Lula por uma vantagem apertada de 2,1 milhões de votos.

PRECEDENTE – “A aplicação do precedente ao caso ‘DarkHorse’ é direta. A obra também envolve Jair Bolsonaro, também possui conteúdo de alta relevância política, também se projeta sobre eleição presidencial e também pode ser lançada em momento sensível do calendário eleitoral”, afirma a ação.

À época, o TSE concluiu que era importante evitar que um “tema reiteradamente explorado pelo candidato em sua campanha receba exponencial alcance, sob a roupagem de documentário que foi objeto de estratégia publicitária custeada com substanciais recursos de pessoa jurídica”. No caso de “Dark Horse” , os substanciais recursos vieram do bolso de Vorcaro.

DISPUTA PRESIDENCIAL – Em 2022, Jair Bolsonaro era candidato à reeleição e protagonista do documentário sobre o atentado à faca em Juiz de Fora, enquanto agora quem pretende disputar a corrida presidencial é o seu filho. “Dark Horse” (Azarão, em tradução livre) é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente.

De acordo com a ficha técnica do filme, foram escalados atores para os papéis do clã Bolsonaro, como Michelle, Carlos, Eduardo e o próprio Flávio, que será vivido pelo ator brasileiro Marcus Ornellas – mas não se sabe ainda o espaço que Flávio terá na versão final do longa-metragem.

ESPERANÇA –  Além disso, o TSE que vai se debruçar sobre o caso “Dark Horse” não é o mesmo daquele que foi acusado de “censura prévia” por suspender o lançamento de “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”. Aliados de Flávio apostam nas mudanças na composição da Corte Eleitoral para blindar “Dark Horse”. No último dia 12, Cármen Lúcia deixou a presidência da Corte e passou o bastão para Kassio Nunes Marques, enquanto André Mendonça assumiu a vice-presidência do TSE.

Kassio e André foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro e são considerados menos “intervencionistas” quando se trata de assuntos ligados à liberdade de expressão.

Já o julgamento que levou à suspensão do lançamento do documentário foi presidido por Alexandre de Moraes. O ministro, considerado “inimigo público nº 1” da militância bolsonarista, não integra mais a Corte Eleitoral.

DESFILE NA SAPUCAÍEm sua defesa, aliados de Flávio apontam um outro caso rumoroso que opôs bolsonaristas e lulistas na arena cultural– e que poderia ser usado a favor do filho “zero um” de Bolsonaro.

Em fevereiro, o TSE negou dois pedidos de liminar dos partidos Novo e Missão para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, considerado propaganda eleitoral antecipada pela oposição. Após o cortejo carnavalesco, o PL pediu ao TSE a abertura de uma investigação sobre o financiamento do desfile, mas o caso foi arquivado.

“Em tese, o filme do Bolsonaro vai atingir a própria bolha, só vai assisti-lo quem se dispor a ir e pagar o ingresso. Já o TSE não proibiu o desfile do Lula, que foi exibido em TV aberta, financiado com dinheiro público e invadiu a casa de milhões de brasileiros”, afirmou um aliado de Flávio, tentando diferenciar os casos.

EXALTAÇÃO A LULA –  O desfile foi marcado pela exaltação à figura de Lula e a programas sociais da administração petista, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Luz para Todos – além de alfinetadas em Bolsonaro, retratado na comissão de frente como um palhaço que acaba preso. A Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação e foi rebaixada.

O samba-enredo entoado na Marquês de Sapucaí remetia em seu refrão a um jingle de campanha de Lula, com os versos “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. Em uma das alas, componentes estavam fantasiados com uma estrela vermelha, em alusão ao símbolo do PT.

Já os detalhes do roteiro e da pós-produção de “Dark Horse” não são plenamente conhecidos, mas sabe-se que a produção abordará a trajetória política de Bolsonaro – e dará destaque ao atentado à faca, conforme cenas da gravação do filme que já vazaram, com o ator Jim Caviezel encenando o episódio nas ruas de São Paulo.

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Flávio Bolsonaro admite encontro com Daniel Vorcaro após prisão do ex-banqueiro

Flávio disse encontro foi para colocar ‘ponto final nessa história’

Carolina Linhares
Isadora Albernaz
Folha

O pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) visitou Daniel Vorcaro, do Banco Master, depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada por Flávio nesta terça-feira (19).

O encontro em novembro ocorreu na casa de Vorcaro em São Paulo, depois que o ex-banqueiro foi liberado da prisão por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que determinou restrições como o uso de tornozeleira eletrônica.

“PONTO FINAL” – Em entrevista nesta terça (19), Flávio afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final nessa história” e relatou ter dito ao ex-banqueiro que, se tivesse sido avisado que a “situação era grave”, ele teria procurado outro investidor para o filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“No final de 2025, houve aquele áudio, que todos ouviram, em que eu peço uma luz, uma palavra final sobre o que ia acontecer. Estava em um grande risco de o filme ser encerrado. Seria uma catástrofe. E no dia seguinte ele foi preso. Foi nesse momento que nós vimos ali que deu uma virada de chave, entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, disse na sede do PL, em Brasília.

Apesar de ter confirmado o encontro com Vorcaro, Flávio não respondeu quando foi questionado pela Folha sobre por que não contou sobre a reunião com o dono do Master antes. O senador deixou a sede do PL sem responder às perguntas dos jornalistas.

FINANCIAMENTO – Como revelou o site The Intercept Brasil, o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção. Desde então, Flávio vem tentando conter os danos para a pré-campanha à Presidência e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na esteira do caso “Dark Horse”, ele se reuniu nesta manhã com as bancadas do PL na Câmara e no Senado para dar explicações sobre o escândalo e tratar do posicionamento do grupo sobre o fim da escala 6×1.

Ao justificar sua relação com o então banqueiro, o pré-candidato do PL repetiu que Vorcaro “circulava em todas as rodas em Brasília” e que, na época das negociações para financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente, o dono do Master era uma “pessoa acima de qualquer suspeita”. “Ainda no final de 2024, em um jantar com um amigo comentando sobre a dificuldade de arrumar investidores aqui no Brasil, ele disse que conhecia uma pessoa que já tinha investido em outros filmes e me apresentou a esse investidor, que é o Vorcaro”, relatou Flávio.

FUNDO NOS EUA – A Polícia Federal também suspeita que o montante repassado por Vorcaro pode ter sido usado para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Isso porque recursos da Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, chegaram a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.

Flávio afirmou que pediu ao fundo americano e à produtora brasileira que apresentem, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. Além disso, ele disse que o valor investido por Vorcaro será deixado “à disposição” das autoridades brasileiras.

“Assim que o filme começar a dar o resultado, o valor aplicado no filme em função do investimento por intermédio dessa empresa indicada pelo Daniel Vorcaro vai ser separado para que fique à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entender que está dentro da lei”, disse.

APOIO – Flávio revelou o encontro pessoal com Vorcaro aos deputados e senadores do PL durante a reunião. Segundo os parlamentares presentes, mais da metade do tempo da reunião foi dedicada ao assunto Vorcaro. Sob reserva, eles afirmaram que saíram satisfeitos com as explicações dadas por Flávio e que o senador agradeceu a unidade e o apoio da bancada em relação a essa crise da sua pré-campanha.

Ao menos dois deles afirmaram à Folha que o encontro pessoal de Flávio e Vorcaro após a prisão do ex-banqueiro não agrava a situação porque ainda está dentro do contexto das tratativas sobre o filme. Segundo eles, esse era um assunto que Flávio deveria tratar pessoalmente e que, naquela altura, enviar mensagens ao celular de Vorcaro seria ainda pior.

“PÁGINA VIRADA” – O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que “essa página foi virada”. “Se acontecer algo fora do filme, aí sim será surpresa”, respondeu a respeito da revelação do encontro. Parte dos parlamentares bolsonaristas afirmou ainda que a relação entre Flávio e Vorcaro é uma narrativa, que acabou inflada, e que deve ser derrotada. Eles reforçaram o contra-ataque que tem sido usado como resposta à crise —o apoio à instalação da CPI do Master e a ressalva de que Lula também se reuniu com o ex-banqueiro.

Na reunião, Flávio ainda exibiu um trailer de “Dark Horse”, que ele publicou em suas redes em seguida. Esteve no encontro a maior parte dos senadores e deputados do PL, inclusive os líderes. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos poucos ausentes. Sua assessoria informou que ele cumpria agenda no Acre.

Na última sexta (15), o senador disse que novas informações sobre “algum encontro” entre ele e Vorcaro poderiam ser divulgadas. “Pode vazar um videozinho mostrando o estúdio, que eu possa ter enviado para ele, ou algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo para tratar exclusivamente do filme. Não vai ter surpresinha. Não virão coisas novas”, declarou em entrevista à CNN Brasil.

“POUCAS VEZES” – Na ocasião, ele disse que se encontrou pessoalmente “poucas vezes” com Vorcaro, todas para tratar da produção, e que o dono do Master ainda não era investigado. O ex-banqueiro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Segundo investigadores, ele tentava fugir do Brasil para evitar ser preso pelas fraudes no caso. A defesa do ex-banqueiro nega.

No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central. Dez dias depois da primeira prisão, Vorcaro foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 4 de março de 2026, foi detido novamente. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada “A Turma” com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

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Pai de Vorcaro mandou matar “Sicário”? O chefe da quadrilha é o pai ou o filho?

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Surgem mais dúvidas sobre a quadrilha da família Vorcaro

Roberto Nascimento

Henrique Vorcaro, pai do banqueiro fraudados que criou o grupo Master, preso na semana passada pela Polícia Federal, por ordem do ministro-relator André Mendonça, era o homem que comandava a “Turma” (milícia de aluguel), na qual atuava o capanga Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, título de uma série na TV sobre um criminoso sanguinário.

O patriarca Henrique Vorcaro era assessorado por três policiais da PF – dois agentes e uma delegada federal. Além disso, o empresário também comandava os pagamentos pelos serviços prestados à gangue pelos “Meninos”, grupo de hackers que acessavam investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República.  

GRANDES DÚVIDAS – A prisão de Henrique Vorcaro e a divulgação de suas atividades criminosas levantam importantes dúvidas sobre o rumoroso caso. Logo de cara, reforçam a possibilidade de Sicário ter sido morto mando de Henrique Vorcaro na Superintendência da PF em Belo Horizonte, porque jamais foram divulgadas as imagens do suposto suicídio dele, e o superintendente da PF em Minas, delegado Richard Murad, garantiu publicamente que a gravação do vídeo não tinha “pontos cegos”.

Outra dúvida que surge é sobre a organização criminosa. O chefe era o filho, Daniel Vorcaro, ou o próprio país? De uma forma ou de outra, ambos são cúmplices.

Esses mafiosos da pior espécie não podem ficar impunes, porque em liberdade se tornarão um perigo ainda maior para a sociedade, porque costumam eliminar aqueles que entram no seu caminho.

CORREM RISCO – Tanto o pai quanto o filho precisam ser vigiados e protegidos em prisões de segurança máxima, porque correm risco de serem eliminados pelos poderosos corruptos que receberam milhões da sua rede de empresas e fundos especializados em lavagem de dinheiro.

Qualquer informação que se refira ao caso Master é sempre muito estranha e complicada, envolvendo grandes autoridades da República, como os ministro Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Não é de se estranhar, portanto, que estejam demorando tanto a se concretizar as delações premiadas de Daniel Vorcaro, de seu cunhado e operador Fernando Zettel e do ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa. Eles sabem que não podem falar demais, porque correm risco de vida, junto com suas famílias e seus amigos.

Zema baixa o tom contra Flávio após se desgastar com os aliados do Novo

Michelle Bolsonaro segura definições da campanha ao Senado até agosto

Cuidados com Bolsonaro tem inviabilizado agenda pública

Gabriela Echenique
Folha

A ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro (PL-DF), tem confidenciado aos aliados que só vai definir as estratégias de campanha incluindo a definição do seu suplente ao Senado, em agosto. Isso porque ela tem concentrado os cuidados ao ex-presidente Jair Bolsonaro após ele passar por uma cirurgia no ombro.

Integrantes do PL afirmam que Michelle está sobrecarregada e que isso tem inviabilizado a agenda pública da pré-candidata ao Senado. O nome dela está posto, mas não tem feito campanha nas ruas. Mesmo assim, a avaliação interna no partido é que ela não precisa usar o período da pré-campanha porque já tem um nome viável.

ATIVO POLÍTICO – Além disso, postagens da ex-primeira-dama nas redes sobre os cuidados ao marido são usadas como ativo político e eleitoral, principalmente de olho na eleitora conservadora.

O PL, no entanto, aposta na entrada mais rápida de Michelle na campanha para impulsionar o segundo voto ao Senado na deputada Bia Kicis (PL-DF). O cenário, para ela, é mais difícil, mas a direita aposta na aliança com a ex-primeira dama para garantir as duas cadeiras do Distrito Federal na Casa.