Nem Jânio (de porre…) conseguiu fazer um governo mais maluco do que Bolsonaro

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

No Brasil, ser repórter de política virou, ao mesmo tempo, diversão e escravidão. Os jornalistas realmente se divertem com as maluquices da família Bolsonaro e de seu governo, que é o mais enlouquecido da história, pois nem mesmo Jânio Quadros, eternamente de porre, conseguiu mais trapalhadas do que o atual presidente. Mas fazer a cobertura do governo virou também uma escravidão, porque o show é permanente, inclui fins de semana, feriados e viagens ao exterior.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL – Os repórteres não têm sossego, porque o espetáculo é apimentado pelas participações dos filhos Flávio (o Zero Um), senador pelo PSL-RJ; Carlos (o Zero Dois), que comanda à distância a Comunicação Social do Planalto; e Eduardo (o Zero Três), que se autoproclamou “chanceler informal” e dá ordens ao ministro do Exterior, que é uma espécie de Rainha da Inglaterra e não manda nada.

Além disso, há as sensacionais intervenções do escritor Olavo de Carvalho, o Rasputin virginiano, que saiu de cena, mas ainda manobra nos bastidores.

PRESIDENTE BIPOLAR – Analisado com atenção, o chefe do governo demonstra um comportamento bipolar. Muda de opinião com facilidade, é um vaivém incessante. Faria sucesso em qualquer divã, porque nem mesmo Freud explicaria o proceder de Bolsonaro, mesmo ajudado por Jung, Lacan, Pavlov, Pinel etc.

O fato é que Bolsonaro e os três mosqueteiros que eram quatro (seus filhos e o guru virginiano) não têm a menor ideia do que seja democracia. Se comportam como se tivessem inventado um reinado psicodélico, em que Legislativo e Judiciário ficam em segundo plano, mas Padre Quevedo esqueceu de dizer a eles que “isso non ecziste”.

Bolsonaro tenta reagir à influência dos filhos e de Olavo, mas tem recaídas. Às vezes, percebe que errou, como no caso do ministro Gustavo Bebianno. Arrependeu-se e ofereceu-lhe a diretoria de Itaipu ou as embaixadas da Itália e Portugal, a escolher, mas Bebianno recusou. Na semana passada, demitiu Santos Cruz e lhe ofereceu outro cargo no governo, mas o general não aceitou e saiu de fininho, sem dar entrevista.

ESCULHAMBAÇÃO – Os atos administrativos são uma bagunça. O decreto das armas é um exemplo. Teria de ser uma medida provisória. Baixado como decreto, é ilegal, apenas uma peça de ficção. Em sentido inverso, o mesmo fenômeno se registra em relação à medida provisória para acabar com a contribuição sindical obrigatória. Poderia ser um simples decreto e já estaria em vigor, mas como medida provisória corre o risco de rejeição ou alteração pelo Congresso.

O certo é que Bolsonaro seguiu Raul Seixas e se transformou numa metamorfose ambulante. Ninguém sabe qual será a tendência do governo, porque o privatista Guedes está em baixa e as desonrosas demissões de Marcos Pinto e Joaquim Levy demonstram que Guedes não manda mais nada. Os dois eram da sua cota.

Se Guedes tivesse hombridade, seria solidário aos auxiliares e pediria o boné antes deles. Mas esse tipo de comportamento digno parece fora de moda e o ministro fez questão de dar entrevista tentando justificar a grosseria de Bolsonaro, que é injustificável.

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P.S.Como na canção de Moraes Moreira e Pepeu Gomes, lá vai o Brasil descendo a ladeira. E ninguém sabe para que lado o governo Bolsonaro irá pender – se vai adotar uma linha nacionalista, seguindo a tradicional visão do militares, ou se vai mergulhar no neoliberalismo mais vulgar, nas mãos dos Guedes da vida. Na realidade, tudo é possível, até porque, na era Bolsonaro, nada é previsível. (C.N.)    

Demissão de Levy revela a fraqueza de Guedes e o fortalecimento da ala militar

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Levy e Guedes se tornaram dois perdidos numa economia suja

Carlos Newton

Conforme explicamos aqui na “Tribuna da Internet’ neste domingo, a demissão de Marcos Barbosa Pinto foi apenas o motivo aparente, a chamada gota d’água, da canção de Chico Buarque e Paulo Pontes. O presidente Bolsonaro foi sincero ao anunciar que Joaquim Levy estava há tempos com a cabeça a prêmio. E as especulações tomaram conta do noticiário. A justificativas preferidas pela mídia foram dadas por Paulo Guedes, ministro da Economia. Disse que Levy foi demitido não só por empregar diretores petistas, mas também porque Bolsonaro apresentara como promessa de campanha “abrir a caixa-preta do BNDES” e Levy não obedeceu.

Ninguém fala em abrir a caixa-preta e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes ao blog do Gerson Camarotti. “O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou uma solução para o futuro”, ressaltou o ministro.

FATOS E VERSÕES – Na política, as aparências enganam e o que geralmente prevalece é a versão, ao invés do fato. Na verdade, a demissão do presidente do BNDES pouco tem a ver com o fato de Marcos Pinto ser petista ou não. Quando ele foi nomeado, seu nome passou pelo crivo da equipe de Bolsonaro, sem problemas. Mas naquele época o ministro Paulo Guedes agia como se fosse mais importante do que o próprio presidente, todos tinham medo dele.

Agora o quadro mudou e Bolsonaro já entendeu que seu “Posto Ipiranga” é altamente limitado. Guedes está em baixa e descendo a ladeira. Ele foi o único responsável pela nomeação de Joaquim Levy e dos diretores petistas, mas agora tenta tirar o corpo fora.

Quanto à “caixa-preta”, a alegação de Guedes também não procede, é uma tremenda conversa fiada. Na realidade, Levy e sua diretoria pouco sabem sobre o BNDES. Além disso, a tal “caixa-preta” já foi arrombada pelas autoridades judiciais, independentemente de Levy e dos petistas, e isso não é versão, mas um fato público e notório.

OPERAÇÃO BULLSHIT– A “caixa-preta” foi aberta em março pela força-tarefa da Operação Bullish, do Ministério Público Federal. A expressão inglesa é derivada de Bull (touro) e significa otimismo financeiro, por isso existe aquela estranha estátua do touro em Wall Street.

A denúncia do MPF envolveu 12 acusados por operações irregulares de 2007 a 2009, que ultrapassaram o valor de R$ 8,1 bilhões. No dia 25 de maio, o juiz Marcus Vinicius Bastos, da 12ª Vara Federal em Brasília, recebeu a denúncia e tornou réus o ex-ministro Guido Mantega, o ex-presidente BNDES, Luciano Coutinho, e mais três envolvidos.

As acusações são pesadíssimas: formação de quadrilha (organização criminosa), corrupção passiva, gestão fraudulenta de instituição financeira e práticas contra o sistema financeiro nacional (prevaricação).

ALA MILITAR – A explicação que não foi dada, talvez até por que ninguém comenta, é que Guedes está em baixa e a ala militar segue em alta no Planalto. Embora tenha demitido o general Santos Cruz, o presidente continua se aconselhando com a ala militar, cujos integrantes abominam a gestão de Levy desde o momento em que ele quis acabar com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), uma demonstração de que não conhece o banco e não sabe a importância do apoio que o BNDES oferece à indústria, às obras públicas e às exportações, além do financiamento a micros, pequenas e médias empresas, entre outras atividades de fomento, a juros baixos.

Levy quis acabar com a TJLP e isso significa enfraquecer o BNDES e fortalecer os bancos privados. Os neoliberais de Chicago (Levy é um deles) já falavam na extinção do BNDES.

A ala militar se revoltoue lembrou a Bolsonaro que Joaquim Levy é um ex-diretor do Grupo Bradesco. Desde então, o chefe do governo, que em assuntos de governo se guia pelos militares, colocou Levy na berlinda.

Agora, o presidente precisa nomear um executivo desenvolvimentista, que prestigie a indústria nacional e crie linhas de crédito que abram empregos qualificados para os brasileiros, como Carlos Lessa e Darc Costa fizeram no BNDES durante o primeiro governo Lula.

MAIOR DO MUNDO – Até recentemente o BNDES era o maior banco de fomento do mundo. Décadas atrás, os chineses vieram ao Brasil para estudar seu funcionamento e criaram um banco semelhante, que hoje já superou o original brasileiro e setornou o maior do mundo.

Quando assumiram a direção do BNDES, em 2003, Carlos Lessa e Darc Costa (presidente e vice) descobriram que o PT não tinha programa de governo e então  implantaram suas próprias ideias. O resultado foi o ressurgimento da indústria naval e de vários outros setores estratégicos. Houve forte apoio às exportações e  o cartão BNDES abriu financiamento baratíssimo a micros, pequenas e médias empresas. Com isso a economia embalou.

Mas aconteceu que Lessa e Darc se indispuseram com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e deixaram o governo. Quando saiu, Lessa avisou: “Se não mudarem a atual política, haverá um voo de galinha e depois a economia entrará em recessão”. Não deu outra. Entrou e parece que não sai mais.

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P.S.
Surgiu outra “versão sobre o afastamento de Levy. Diz-se que o ministro Guedes esperava que o BNDES repassasse ao governo R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. É mentira, pois Levy é incompetente, porém superdisciplinado. Em maio o BNDES já havia devolvido R$ 56 bilhões ao Tesouro e até o final do ano ia devolver o restante dos recursos, através dos repasses bilionários que recebe anualmente do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). (C.N.)

Parte da mídia apoia o esquema para desmoralizar Moro e destruir a Lava Jato

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Charge da Myrria (A Críitica)

Carlos Newton

Em todo o material já divulgado pelo site “The Intercept”, até agora não surgiu nenhuma prova de que o então juiz Sérgio Moro “chefiava” a investigação da Lava Jato, realidade que desmente o que alega no Supremo o intrometido ministro Gilmar Mendes, que é ardoroso amigo e defensor de corruptos notórios, como Michel Temer, Aécio Neves e Lula da Silva. Na verdade, não há qualquer indicação de que houve fraudes ou manipulação de provas, prejuízo às partes ou perseguição política a Lula, conforme alega a defesa do ex-presidente petista, que até à ONU já recorreu.

Nas mensagens do ‘The Intercept”, fica comprovado é que o juiz não se comunicava frequentemente com os procuradores, ao contrário do que é praxe na chamada “fase de instrução”, especialmente em um inquérito de tamanha importância, que  comprovou crimes cometidos pelo político mais importante do país.  O que se constata, sem dúvida alguma, é que Moro fazia raríssimos contatos com o Ministério Público.

ABSOLUTAMENTE NADA – Os diligentes jornalistas do “The Intercept” vasculharam dois anos de gravações de celulares e no entanto somente conseguiram encontrar meia de dúzia de diálogos em que aparece o então juiz Moro, nos quais ele não diz nada, absolutamente nada que indique conluio, fabricação de provas ou perseguição política a Lula.

Até agora, os diálogos exibidos provam justamente o contrário, porque demonstram que Moro nem tinha influência no grupo de procuradores. No caso das mensagens trocadas na fase de instrução, por exemplo, o juiz sugeriu uma nota oficial contra mentiras e manipulações da defesa de Lula, mas os procuradores não aceitaram. Além disso, havia muita discordância entre Moro e a força-tarefa, tanto assim que nos seus julgamentos o juiz inocentou 54 réus denunciados pelo Ministério Público.

DIFICULDADES – Em duas ocasiões, segundo as mensagens divulgadas pelo The Intercept, Moro expressou a Dallagnol preocupação com as dificuldades que o Judiciário teria para investigar e julgar tantos casos, o que se confirmou mais tarde com a lentidão do andamento dos processos no STF.

“Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina […] segundo gravidade e qualidade da prova”, opinou o juiz em junho, diz The Intercept. “(Há) muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e Judiciário”, observou em dezembro de 2016.

Moro tinha razão, porque a grande maioria dos políticos e boa parte da mídia apoiavam Lula e eram contra a Lava Jato. Moro e a força-tarefa lutaram o bom combate, enfrentando boicote dos governos Dilma e Temer, que reduziram as verbas da Polícia Federal. Mesmo assim, a Lava Jato foi em frente.

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P.S. 1 Boa parte da mídia agora dá força às denúncias manipuladas do Intercept. A última falsa acusação foi de que o procurador Dallagnol repassou a Moro  informações sigilosas fornecidas pelos delatores da Odebrecht. Ora, na fase de instrução (investigação), o Ministério Público é obrigado a encaminhar as informações ao juiz, para que decida sobre quebras de sigilo, operações, prisões preventivas e provisórias, buscas e apreensões.

P.S. 2É assim que funciona no Brasil a “instrução” do inquérito. Não se pode culpar Moro e Dallagnol por trabalharem juntos para desbaratar a maior quadrilha do mundo, especializada em corrupção e lavagem de dinheiro. Temos é que agradecer a eles. (C.N.)

Moro e Dallagnol já podem respirar aliviados, mas a Lava Jato continua ameaçada

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Depois do vendaval, não há nada de desabonador contra os dois

Carlos Newton

No final da tarde de domingo, dia 9, quando o site “The Intercept Brasil” lançou a primeira reportagem da prometida série sobre o que se anunciava como grande escândalo da Lava Jato, que se concretizaria por meio da comprovação de que o então juiz Sérgio Moro teria coordenado e comandado ilegalmente a principal força-tarefa da Lava Jato, a “Tribuna da Internet” não embarcou nessa onda. Pelo contrário, na manhã da segunda-feira, dia 10, publicamos o primeiro artigo que saiu na mídia e na internet brasileira defendendo Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

No artigo, fizemos a seguinte recomendação: “Vamos com calma, porque a bancada da corrupção, que é majoritária nas instituições brasileiras, agora vai partir com tudo para destruir a Lava Jato, é preciso resistir”.

NÃO DEU OUTRA – De fato, foi exatamente isso que aconteceu. A mídia inteira embarcou na canoa furada do “The Intercept”, que anunciou que publicara apenas 1% do que havia apurado, e logo sairia “uma série” de matérias sobre o assunto.

Aqui na “TI”, fomos logo desmascarando esses farsantes. Neste primeiro artigo sobre o caso, fizemos a seguinte observação: É claro que os organizadores do já apelidado “Wikileaks de Curitiba” tiveram um trabalho enorme para selecionar os trechos mais censuráveis em dois anos de mensagens. Mas na verdade não conseguiram pinçar afirmações capazes de efetivamente destruir ou invalidar o consistente trabalho da Lava Jato.”

Acrescentamos que nas mensagens selecionadas não se via adulteração nem manipulação de provas. E assinalamos: “Em nenhuma delas se constata a existência de uma “conspiração” para destruir Lula e o PT, como tentam fazer crer determinados jornalistas ligados ao site “The Intercept”. Pelo contrário, o que aparece é a incerteza de que a Lava Jato realmente conseguiria “limpar o Congresso”. 

NADA DE GRAVE Na terça-feira, dia 11, pegava fogo o falso escândalo, porque o Conselho Nacional do Ministério Público já tinha aceitado abrir duas representações simultâneas contra Deltan Dallagnol – uma delas, por ter trocado mensagens com o juiz Moro, e a segunda, por ter atacado a honra do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é um crime impossível, pois honra é atributo que o citado parlamentar decididamente não possui. E falava-se também em demissão de Moro e anulação das sentenças por ele aplicadas.

No meio dessa vendaval, com a mídia atacando implacavelmente Moro e Dallagnol, aqui na TI chamamos atenção para o disparate . “Afinal, o que há de concreto contra o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Nada, absolutamente nada. Como juiz de instrução de todos os processos iniciais da Lava Jato, era Moro quem autorizava todas as complexas operações policiais, algumas desfechadas simultaneamente em vários Estados, e não podia haver vazamentos, que possibilitariam evasões e ocultação de provas”, afirmamos, acrescentando:

“Moro desempenhava a função do chamado juiz de instrução, era ele que recebia as informações para autorizar prisões preventivas e provisórias, assim como quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. Como juiz de instrução, portanto, era natural que Moro se comunicasse com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que liderava a equipe de procuradores, delegados federais e auditores da Receita que estão passando a limpo este país”.

CAINDO NO RIDÍCULO – De terça-feira para cá, aos poucos, as coisas foram se modificando. O vice-presidente Hamilton Aragão saiu em defesa de Moro, alguns jornalistas começaram a entender como funciona o juiz de instrução e seu relacionamento com o Ministério Público,. Além disso, não saiu mais denúncia alguma da série prometida pelo The Intercept, apenas perfumarias, como se dizia antigamente.

O bom senso então começou a suplantar o sensacionalismo ideológico, e importantes jornalistas passaram a apoiar a tese da TI, de que não se tratava de um ataque a Moro e Dallagnol, mas um sofisticado e custoso esquema para destruir a Lava Jato, soltar quem está na cadeia e evitar que os outras corruptos também sejam presos. Especialistas decidiram avaliar o tamanho do “investimento” e chegaram a 15 milhões de dólares.

Agora, já existe consenso de que é preciso resistir e evitar a destruição da Lava Jato, que realmente está sob ameaça.

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P.S. 1 –
Por mera coincidência, é claro, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Segunda Turma do Supremo, marcou para o dia 25 o julgamento do recurso da defesa de Lula da Silva, para libertar o ex-presidente com base na suposta ocorrência de conluio entre Moro e Dallagnol, tese oportunamente reforçada pela falsa denúncia do The Intercept. Mas deve ser apenas coincidência.

P.S. 2 – Dois ministros já votaram – o relator Edson Fachin e Cármen Lúcia, ambos no sentido de manter Lula na cadeia. Faltam Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, dois votos certos para soltar, dando empate de 2 a 2. O julgamento, portanto, será decidido por Celso de Mello. Se ele soltar Lula, a Lava Jato estará praticamente liquidada. Como diria Leonel Brizola, o ministro Celso de Mello está costeando o alambrado. E onde passa um boi, logo passará uma boiada. (C.N.)

Lobby para libertar Lula e inviabilizar a Lava Jato vai dar o golpe fatal no dia 25

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Lewandowski já marcou a data para a Segunda Turma  decidir

Carlos Newton

Há um ditado que diz o seguinte: “Após os 40 anos, somente um idiota pode acreditar em coincidência”. Mas acontece que há certos golpes tão bem produzidos que à primeira vista podem até ser encarados como coincidências. É justamente o que estava acontecendo com o esquema montado para inviabilizar a Lava Jato e soltar Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha, João Vaccari e outros políticos que estão na cadeia, além de evitar que muitos outros sejam presos nos próximos meses, como Michel Temer, Moreira Franco, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, Aécio Neves, Jader Barbalho etc.

A manobra é muito sofisticada e vem sendo desenvolvida em formato de “blitzkrieg”, uma guerra-relâmpago com ataques desfechados em diversas frentes.

NA SEGUNDA TURMA – Parece coincidência, mas já se sabia que o presidente da Segunda Turma do Supremo, Ricardo Lewandowski, amigo pessoal de Lula e com relações familiares, ia marcar para este mês o final do julgamento do habeas corpus para soltar o ex-presidente, cuja defesa mais uma vez acusa o ex-juiz Sergio Moro de agir com parcialidade ao condená-lo no caso do tríplex do Guarujá e depois assumir cargo no primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro.

A decisão da Segunda Turma é invariavelmente previsível e o julgamento deve terminar em 3 a 2 pela libertação de Lula, com os votos favoráveis de Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello, saindo derrotados Edson Fachin e Cármen Lúcia. A única esperança é Celso de Mello ter um ataque de lucidez e mudar a tendência de voto.

O problema para a defesa de Lula é que faltava justificar a alegação de que Moro agiu com parcialidade. Foi aí que entrou em cena – por coincidência, é claro – a equipe do The Intercept Brasil, que tem grande especialização internacional em rapinagem cibernética e vazamento de informações.

AS MENSAGENS – Escandalosamente, para mostrar que as investigações e julgamentos eram combinados, o “Intercept” desencavou quatro pequeninas mensagens entre juiz e procurador, ocorridas esparsamente num período de dois anos (2016 e 2017).  Em nenhuma dessas mensagens há referência à investigação ou ao julgamento de Lula, mas quem se interessa? Para os lobistas, o que importa não é o fato, mas a versão que estão tentando emplacar – por coincidência, é claro,

E assim pode-se alegar ardilosamente a justificativa para soltar Lula no julgamento do próximo dia 25, cumprindo-se um dos objetivos do lobby. Mas o segundo intento, que é a destruição da Lava Jato, continuará inatingível, na visão do relator Edson Fachin.

“A Lava Jato é uma realidade e não acredito que esta realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural”, disse Fachin nesta quarta-feira, acrescentando: “A Operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico, portanto, e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”.

VITORIA PARCIAL – Também a libertação de Lula pode ser uma vitória apenas temporária. Em poucos meses ele será julgado pelo caso do sítio de Atibaia no Tribunal Regional Federal da 4ª Região e sua condenação será confirmada, junto com o advogado e compadre Roberto Teixeira e outros mais, como o amigo Fernando Bittar, suposto dono da propriedade.

Com a reincidência específica em corrupção e lavagem de dinheiro, na segunda instância, o TRF-4 vai mandar prender Lula novamente e começará tudo de novo.

Mas em outro julgamento, desta vez no plenário, a ser realizado no segundo semestre, o Supremo vai enfraquecer muito a Lava Jato, porque já tem votos garantidos (6 a 5) para libertar todos os condenados após segunda instância, para beneficiar o próprio Lula, além de Dirceu, Vaccari, Cunha e tutti quanti, além de evitar a prisão de Aécio Neves, Michel Temer e todos os caciques do MDB, sem falar em políticos do PP, PSDB, PTB, e o céu é o limite.

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P.S. 1
Os seis votos a favor de libertar os corruptos serão de Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello, os seis cavaleiros do Apocalipse que eram quatro.

P.S. 2E ainda havia quem julgasse que Jair Bolsonaro e seus boinas verdes iriam conseguir a moralização da política brasileira…

P.S. 3 – Já se passaram cinco dias e até agora não saiu a segunda reportagem-bomba da série “The Intercept”. Será que o repórter foi interceptado por forças ocultas? Ou o site de rapina nada mais tem a exibir? Façam suas apostas. (C.N.)  

The Intercept ou The Incompetent? Cadê o resto das denúncias contra a Lava Jato?

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Até agora, o “The Intercept” só publicou 1% do material colhido

Carlos Newton

Bem (ou “Well”, como dizia Paulo Francis) já estamos na quinta-feira, quatro dias se passaram e até agora o badalado site “The Intercept Brasil” ainda não conseguiu publicar a segunda parte das denúncias para destruir a Lava Jato, a maior e mais importante operação desfechada contra a corrupção no mundo, com base no Brasil e reflexos em diversos outros países.

No último domingo, dia 9, quando foi divulgada escandalosamente a primeira parte da prometida “série de reportagens”, o site chegou a noticiar que só havia sido divulgado 1% das informações obtidas pela invasão e clonagem dos celulares de pelo menos duas grandes personalidades de renome internacional – o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador-federal Deltan Dallagnol, os dois maiores destaques da Lava Jato.

CADÊ AS DENÚNCIAS? – Ao lançar o que chamaram de “Parte 1 – Série de reportagens mostra comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer”, os jornalistas Glenn Greenwald, Betsy Reed e Leandro Demori deixaram claro que havia muito mais coisa a divulgar do que a meia dúzia de mensagens da matéria de abertura da “série”.

Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso”, escreveram, acrescentando: “O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo”.

CONTANDO AS HORAS… – Well, já se passaram quatro dias, e o respeitável público fica contando as horas, igual ao Kid Abelha: “Quem sabe o fim da história? De mil e uma noites de suspense no meu quarto?…”.

Ora, todo mundo quer saber o fim da história de Moro e Dallagnol, especialmente as tramas diabólicas, que incluem o desbaratamento da maior quadrilha de corrupção da História Universal e o plano maquiavélico para destruir um homem honrado como Lula da Silva, que até então era “O Cara”, na visão irônica de Barack Obama.

O povo está inquieto e quer detalhes. Onde estão os 99% dos textos que ainda não foram divulgados? Alguém os interceptou? Ou será que tudo se resume a esta mensagem?: “Olá, Diante dos últimos  desdobramentos, talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas“, escreveu Moro a Dallagnol. Ou a esta outra pergunta: “Não é muito tempo sem operação?

DEPOIMENTO DE LULA – Ou o escândalo se deve a este desabafo do juiz, ao saber que a Procuradoria pretendia adiar o primeiro depoimento de Lula?: “Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando”, escreveu Moro a Dallagnol. “Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem“.

Por fim, quem sabe este escândalo todo se resume a uma resposta de Moro a Dallagnol, sobre a perda de tempo de ouvir determinadas testemunhas?. “Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão, mas a tendência é indeferir mesmo“, respondeu Moro.

Well, estas quatro mensagens curtas de Moro no celular de Dallagnol, transmitidas em dias e meses diferentes no intervalo de dois anos (2016 e 2017), são as grandes provas de “acerto” entre o procurador e um juiz federal que inocentou, neste mesmo período, 54 réus denunciados por ele. Como diria o racional Bussunda: “Fala sério!!!…”.

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P.S. 1 –
Moro funcionava como juiz de instrução, na época. Era ele quem autorizava as operações da Lava Jato e estava obrigado a tomar conhecimento do andamento das investigações, para quebrar sigilos dos réus e determinar as operações policiais, incluindo prisões preventivas e temporárias, conduções coercitivas e ordens de busca e apreensão, nas sucessivas operações em diversas cidades, espalhadas pelo país. Falar uma vez ou outra com o procurador é natural para o juiz de instrução.

P.S. 2 – Este texto foi escrito às 16 horas desta quarta-feira, dia 12, e até agora, nada… Se não publicar as denúncias adicionais que diz ter contra a Lava Jato, o site “The Intercept” precisará trocar de nome para ser conhecido como “The Incompetent”, um título que fica mais muito mais apropriado.

P.S. 3 – Agora de manhã cedo, soube que divulgaram um diálogo sobre o Supremo, em que Moro faz uma piada e diz “In Fux We Trust”. Outros diálogos também foram divulgados. Mas, sinceramente, cadê a comprovação do conluio, da conspiração, da “perseguição política” a um corrupto vulgar como Lula???? (C.N.)

“Intercept” é parte do esquema para destruir a Lava Jato e “descriminalizar” a política

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Greenwald coloca o site a serviço do esquema contra a Lava Jato

Carlos Newton

O site “The Intercept Brasil” conseguiu fazer um carnaval fora de época à custa da reputação de dois brasileiros que têm prestado extraordinários serviços ao país. Conforme já registramos aqui, a reportagem de denúncia contra o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba, tem o mesmo valor de uma nota de três dólares, mas a grande mídia engoliu a isca e deu seguimento à jogada, colocando Moro e Dallagnol na defensiva, quando deveriam estar na ofensiva, reunindo informações para processar por calúnia os responsáveis pelo blog.

E não há novidade no esquema montado para destruir a Lava Jato, pois é uma imitação grosseira da estratégia usada na Itália para inviabilizar a operação “Mani Pulite” (Mãos Limpas).

“OPERAÇÃO POLÍTICA” –Iniciada em 1992, a Mãos Limpas estava no ápice quando o empresário Silvio Berlusconi, mestre em corrupção, aproveitou a aversão aos políticos e chegou ao poder em 1994. Cinco partidos foram fechados, e a partir daí os restantes começaram a alegar que os juízes da Mãos Limpas faziam uma “operação política” e foram esvaziando a operação, que dois anos depois naufragaria.

Aqui no Brasil o esquema é semelhante e os corruptos reagem contra a “criminalização da política”, bandeira levantada pela quadrilha de Temer, com apoio de PT e muitos outros partidos. Agora, voltam à tese de anistiar o Caixa 2 e endurecer a Lei do Abuso de Autoridade, para emparedar juízes, procuradores e promotores.

Reparem que a reportagem do Intercept veio logo após a reciclagem da denúncia de grampo nos advogados de Lula e os pedidos para libertá-lo por progressão da pena.

CRIMINOSAMENTE – O fato mais grave é que esquema antiLava Jato agiu criminosamente e conseguiu invadir os celulares de Moro e Dallagnol. Houve então houve um grande esforço para selecionar meia dúzia de mensagens entre os dois, trocadas num período de dois anos. Com essa ardilosa montagem, conseguiram forjar uma conspiração que jamais existiu.

A base da denúncia é de que juiz e procurador não poderiam se falar, teriam de se comunicar apenas nos autos. Ora, isso só acontece em países onde há juiz de instrução e de julgamento, como na França, mas não no Brasil, onde o magistrado tem de acumular as duas funções.

Como juiz de instrução, era Moro quem autorizava as operações da Lava Jato e estava obrigado a tomar conhecimento do andamento das investigações, para quebrar sigilos dos réus e determinar as operações policiais, incluindo prisões preventivas e temporárias, conduções coercitivas e ordens de busca e apreensão, nas sucessivas operações s em diversas cidades, espalhadas pelo país.

INTERAÇÃO – Na fase de instrução, o juiz no Brasil tem de interagir com o Ministério Público e só deve deixar de fazê-lo na fase de julgamento. O sistema brasileiro funciona assim.

O site anunciou que a reportagem de domingo continha apenas 1% das denúncias e muito mais “ilegalidades” seriam reveladas. No entanto, já se passaram quase três dias e até agora… nada.  Sem novidades no front.

Mesmo assim, a grande mídia não desconfia de que há algo de errado nisso tudo. Sem aguardar nem cobrar as prometidas denúncias, os jornalistas embarcaram na onda do Intercept e ajudam a sujar a reputação de dois brasileiros que estão entre as personalidades mais importantes do mundo.

DIZ A DEFESA – Em O Globo, a colunista Bela Megale informa que os advogados de Lula planejam usar as mensagens trocadas por Moro e Dallagnol para pedir a anulação de processos, além de preparar um novo habeas corpus para que Lula seja libertado enquanto tramitam os questionamentos sobre o processo.

O fato concreto é que, se o Intercept não exibir mais provas de um relacionamento juridicamente promíscuo, é sinal de que não está agindo de forma jornalística, como seria de se esperar. E ficará claro que o site tornou-se parte do esquema em curso para inviabilizar a Lava Jato, implantado nos mesmos moldes da campanha para destruir a operação Mãos Limpas na Itália.

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P.S. –
Por enquanto, vamos ficar por aqui, na defesa da Lava Jato e desses dois brasileiros que simbolizam a luta contra a corrupção. A Tribuna da Internet funciona assim, lutando o bom combate, sob o signo da liberdade. Há muito mais a falar em favor de Moro e Dallagnol, dois brasileiros que merecem respeito e gratidão. (C.N.)  

Esquema montado para destruir a Lava Jato tem alto nível de profissionalismo

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Charge do Sponholz (sponholz.com.br)

Carlos Newton

Já afirmamos diversas vezes aqui na TI que, na política, as aparências realmente enganam. Por isso, muitas notícias necessitam de tradução simultânea, que somente levem em consideração fatos verdadeiramente concretos, porque não há dúvida de que está em marcha um sofisticado esquema de contrainformação, destinado a inviabilizar a Lava Jato, libertar Lula da Silva, José Dirceu, Michel Temer, Eduardo Cunha e muitos outros envolvidos.

Esse esquema foi montado sob o falso pretexto de evitar a “criminalização da política”.

TENTATIVAS – Já houve várias tentativas para inviabilizar a Lava Jato, a começar pela sessão-surpresa convocada no governo Temer pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), numa segunda-feira à noite, para aprovar um projeto destinado a anistiar todos os políticos envolvidos com Caixa 2. O mais curioso é que se tratava de uma proposta sem autor conhecido, era um projeto antigo que o senador Renan Calheiros (MDB-AL), desencavara no Arquivo do Congresso.

A iniciativa só fracassou porque dois experientes deputados de oposição, Miro Teixeira (Rede-RJ) e Ivan Valente (PSOL-SP), armaram uma revolta em plenário e Maia teve de recuar.

LEI DO ABUSO – A segunda tentativa foi a manipulação do importante projeto dos procuradores federais, que sugeriram Dez Medidas contra a Corrupção, com mais de um milhão de assinaturas de eleitores. Mas o esquema antiLava Jato habilmente introduziu uma emenda para anistiar o Caixa 2 e incluiu também a possibilidade de processar magistrados, procuradores e promotores por crime de responsabilidade (Lei do Abuso da Autoridade).

Houve fortíssima reação popular, as propostas não foram à votação e até hoje as dez medidas estão engavetadas. Agora, já se fala abertamente em ressuscitar a Lei do Abuso de Autoridade.

SOFISTICAÇÃO – Desde então, as tentativas de inviabilizar a Lava Jato foram se sofisticando, através da manipulação de “notícias” frequentemente plantadas contra o juiz Sergio Moro e os principais procuradores, que chegaram até a ser denunciados perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, com acusação de “lawfare”, uso indevido de recursos jurídicos para perseguição política”.

Ao mesmo tempo, foram acionados líderes políticos estrangeiros para denunciar a “perseguição política” contra Lula, como Perez Esquivel, Pepe Mujica, Noam Chomsky, Rafael Correa, Cristina Kirchner, Eduardo Duhalde e Romano Prodi, entre outros, mas todas as iniciativas fracassaram.

ERRO DE MORO – O esquema antiLava Jato somente se fortaleceu devido ao erro estratégico de Sérgio Moro, ao aceitar o Ministério da Justiça. Recebeu muitas críticas e a resistência à “criminalização da política” voltou à moda. Aliás, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não fala em outra coisa.

E de repente, sobrevém essa “blitzkrieg” contra a Lava Jato, uma guerra-relâmpago iniciada com a recauchutagem da denúncia do grampo a advogados de Lula (na verdade, somente o compadre Roberto Teixeira teve sigilo telefônico quebrado, por ser cúmplice no caso do sítio), seguida pelos pedidos de regime aberto para Lula e atingindo o ápice com o ataque do site “The Intercept”, notoriamente ligado ao PSOL.

E na sequência imediatamente surgiram as declarações de “juristas” amestrados e sem medo do ridículo, a insistirem que todos os processos da Lava Jato são anuláveis de pleno direito etc. e tal.

PROFISSIONALISMO – É preciso reconhecer o elevado profissionalismo do esquema montado para destruir a Lava Jato, descriminalizar a política e inocentar os corruptos que dominaram este país e sonham em estar de volta para o futuro.

A articulação dessa investida liderada pelo site The Intercept foi primorosa. O principal objetivo é levantar dúvidas sobre a condenação de Lula, destacando que as mensagens atribuídas a Dallagnol e Moro sugerem dúvidas dos procuradores sobre as provas para pedir a condenação de Lula no caso do tríplex do Guarujá, poucos dias antes da apresentação da denúncia.

Acontece que jamais houve nenhuma mensagem a esse respeito, entre os dois. A mensagem fora dirigida por Dallagnol aos procuradores, para acertar os ponteiros, algo absolutamente normal, porque em poucos dias haveria a célebre apresentação do power point mostrando que Lula era o chefe da organização criminosa.

MANIPULAÇÃO – A minuciosa reportagem do The Intercept  é uma manipulação bem feita, mas facilmente desmontável. Foram vasculhados dois anos de uso do celular de Dallagnol e só conseguiram encontrar meia dúzia de troca de mensagens com Moro, e em nenhuma delas há a menor “ilegalidade”.

As três acusações do site são as seguintes:

1. Em um dos contatos, Moro, responsável por autorizar as operações, sugeriu mudar ordem de fases da Lava Jato. Ora, como juiz de instrução cabia a ele autorizar as operações, era ele quem decidia quando as provas já justificavam a intervenção policial.

2. Moro teria cobrado a realização de novas operações. Bem, quando o juiz de instrução conclui que já há  base para as operações, era preciso fazê-las.

3. Moro antecipou uma decisão judicial. Negativo, o juiz apenas avisou o procurador que não precisava mais enviar um certo documento para arquivar uma denúncia, porque já havia provas suficientes para justificar o arquivamento.

Não há trama nem tramóia nos diálogos selecionados escandalosamente. Portanto,  é assim, através da manipulação de fatos, que está sendo montado o dossiê contra Moro e Dallagnol, e a mídia promove um carnaval fora de época, ao invés de arrancar a máscara dos farsantes do site The Intercept Brasil.

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P.S.
Aqui na TI esse esquema da “descriminalização da política” não vai se criar. O Brasil deve muito aos juízes federais, procuradores, delegados da PF e auditores da Receita que atuam na força-tarefa da Lava Jato.  São pessoas competentes e honradas, que sofrem ataques injuriosos por defenderem o interesse público. Pense nisso. (C.N.)

Moro não deve perdoar os agressores, sob pretexto de que não sabem o que fazem

Dallagnol e Moro, dois grandes brasileiros, acusados sordidamente

Carlos Newton

A citação de Lucas (23:34) é uma das mais famosas da Bíblia, internacionalmente conhecida por cristãos, adeptos de outras religiões, ateus e agnósticos: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. No caso do ministro Sérgio Moro, que no Brasil de hoje personifica a figura da Justiça, quando investem contra ele com tamanha virulência, e o fazem justamente em nome da Justiça, é sinal de que o país virou de cabeça para baixo – ou “ponta cabeça”, como dizem os paulistas.

Todos sabem que a geração que está hoje no poder é um fracasso, que apenas deu seguimento à geração anterior que também fracassara. Moro simboliza uma nova geração que está se transformando num exemplo para todos os brasileiros. E de repente, para a mídia, ele parece estar quase no banco dos réus.

SÓ APARÊNCIAS… – Mas há controvérsias, diria o genial ator e pianista Francisco Milani, que adorava política e foi vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Comunista. Mas acontece que na política as aparências enganam, e não me venham com chorumelas…

Afinal, o que há de concreto contra o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Nada, absolutamente nada. Como juiz de instrução de todos os processos iniciais da Lava Jato, era Moro quem autorizava todas as complexas operações policiais, algumas desfechadas simultaneamente em vários Estados, e não podia haver vazamentos, que possibilitariam evasões e ocultação de provas.

Moro desempenhava a função do chamado juiz de instrução, era ele que recebia as informações para autorizar prisões preventivas e provisórias, assim como quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. 

TUDO NORMAL – Como juiz de instrução, portanto, era natural que Moro se comunicasse com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que liderava a equipe de procuradores, delegados federais e auditores da Receita que estão passando a limpo este país.

A minuciosa reportagem do site Intercept Brasil vasculhou dois anos de uso do celular de Moro e só conseguiu encontrar meia dúzia de troca de mensagens, com as supostas “ilegalidades”: 1. Em um dos contatos, Moro, responsável por autorizar as operações, sugeriu ordem de fases da Lava Jato; 2. Cobrou a realização de novas operações; 3. Antecipou ao menos uma decisão judicial, ao avisar que não precisava mais enviar um certo documento para arquivar uma denúncia, porque já estava convicto de fazê-lo.

UM CARNAVAL – Caramba, amigos! Com base nessas três simples mensagens, interceptadas no decorrer de longos dois anos, a mídia monta um carnaval fora de época para denegrir a imagem de uma das mais importantes personalidades do mundo contemporâneo, como se fosse um pilantra qualquer…

E o tal de Conselho Nacional do Ministério Público, formado por ilustres desconhecidos, imediatamente investe contra o procurador Deltan Dallagnol e abre duas representações simultâneas contra ele. A primeira, por ter trocado mensagens com o juiz de instrução; a segunda, por ter atacado a honra do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é um crime impossível, pois honra é atributo que o parlamentar decididamente não possui.

O tal site “Intercept” anunciou que estava apenas no começo, prometeu novas e explosivas revelações, e até agora, nada. Certamente, ainda estão fabricando as notícias…

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P.S. 1
Aqui na “Tribuna da Internet”, vivemos sob o signo da liberdade. Não embarcamos em aventuras jornalísticas. O que nos interessa são fatos concretos. Para nós, é revoltante a tentativa de denegrir dois brasileiros de grande valor, para montar uma situação destinada a destruir a Lava Jato e inocentar todos os réus e condenados, entre eles o líder da quadrilha, Lula da Silva.

P.S. 2 – Moro e Dallagnol não devem perdoar seus agressores, sob pretexto de que eles não sabem o que fazem. Pelo contrário, devem continua a persegui-los com a mesma garra de sempre, porque criminosos dessa laia não merecem perdão. (C.N.)

Revelações sobre Lava Jato dão margem a ataques exagerados ao ministro Moro

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As reportagens do site The Intercept Brasil sobre a captura de informações nos celulares do então juiz Sérgio Moro e de importantes procuradores da Lava Jato, especialmente o coordenador Deltan Dallagnol, estão tendo, realmente, um efeito devastador. Mas não podem chegar a ponto de tornar anuláveis inquéritos e julgamentos da Lava Jato.

É claro que os organizadores do já apelidado “Wikileaks de Curitiba” tiveram um trabalho enorme para selecionar os trechos mais censuráveis em mais de dois anos de mensagens. E na verdade não conseguiram pinçar afirmações capazes de efetivamente destruir ou invalidar o consistente trabalho da Lava Jato.

FIRME DETERMINAÇÃO – Nas mensagens selecionadas não se vê adulteração nem manipulação de provas – o que se constata é a firme determinação de punir os criminosos de colarinho encardido que desviaram bilhões do povo brasileiro, em benefício próprio.

Em nenhuma delas se constata a existência de uma “conspiração” para destruir Lula e o PT, como tentam fazer crer determinados jornalistas ligados ao site “The Intercept”. Pelo contrário, o que aparece é a incerteza de que a Lava Jato realmente conseguiria “limpar o Congresso”. E há outra mensagem que chega a ser infantil, com troca de “parabéns’ pelos resultados obtidos.

PADRÕES DA JUSTIÇA – Na realidade, juiz e procurador só devem se relacionar nos autos ou no gabinete, onde os magistrados também podem atender diretamente aos advogados, segundo a legislação em vigor (Estatuto da Advocacia).

Nas mensagens interceptadas, não há nada de grave  para os padrões de Justiça brasileira, em especial da Suprema Corte, onde raramente ministros se declaram suspeitos quando têm de julgar pessoas amigas, podendo acontecer inclusive encontro de juiz e réu na calada da noite, sem agenda, como ocorreu entre o ministro Gilmar Mendes e o réu Michel Temer.

Há também o caso emblemático do ministro Dias Tofolli, hoje presidente Supremo e que não se considerou suspeito para libertar o amigo íntimo José Dirceu, concedendo-lhe um habeas corpus “de ofício” que a defesa nem havia pedido. E não aconteceu nada a Mendes nem a Toffoli, rigorosamente nada.

QUESTIONAMENTO – São ministros como eles que certamente irão enfatizar que o conteúdo das revelações do “The Intercept” é muito forte e abre margem até para questionar a atuação de Sergio Moro como juiz. 

Já existe um pedido de suspeição de Moro para julgar Lula que foi rejeitado pelo relator Edson Fachin, mas segue sob análise da Segunda Turma do STF, com pedido de vista de Gilmar Mendes. É aí que mora o perigo.

Espera-se que este país não tenha decaído a ponto de deixar de reconhecer a importância do trabalho dos jovens procuradores, delegados, auditores e juízes que levaram adiante a Operação Lava Jato, enfrentando com destemor os mais organizados e influentes criminosos do país.

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P.S.Vamos com calma, porque a bancada da corrupção, que é majoritária nas instituições brasileiras, agora vai partir com tudo para destruir a Lava Jato, e é preciso resistir. (C.N.)

Bolsonaro e Guedes demonstram uma irresponsabilidade que surpreende o país

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O hoje acadêmico e imortal Edmar Bacha ganhou notoriedade em sua carreira de economista por criar a expressão “Belíndia”, ao descrever a realidade brasileira, quando escreveu um artigo assinalando que o regime militar estava dividindo o país entre os que viviam em condições similares às da Bélgica e aqueles que tinham padrão de vida da Índia. Era e ainda é uma realidade social que não pode ser contestada, porque perdura até hoje e tão cedo não sofrerá transformação.

É evidente que manter uma Belíndia em caráter permanente tem contraindicações, embora possa ser altamente benéfico para as elites empresariais belgas, que enriquecem à custa dos baixos salários pagos aos trabalhadores indianos, e também para a nomenklatura estatal belga, que é generosamente sustentada com altas remunerações e mordomias bancadas pelos contribuintes de dupla nacionalidade, que em sua esmagadora maioria são muito mais indianos do que belgas.

MORAR LÁ FORA – É nessa esculhambação social que vivemos. Quem tem dinheiro, vai “morar lá fora”, como já ameaçou fazer justamente o ministro que deveria melhorar as condições de vida aqui dentro. Aliás, não está no gibi o número de falsos belgas hoje vivendo no exterior, mas sustentados com dinheiro ganho aqui, graças ao trabalho dos falsos indianos. Na verdade, esses elitistas nem são mais brasileiros. Julgam-se cidadãos do mundo, nem reparam o papel ridículo que fazem.

Quem realmente gosta do Brasil tem de encarar essa realidade, cuja primeira contraindicação é a insegurança. Evidentemente, não é possível tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total. Não há possibilidade de coexistência pacífica, abre-se uma guerra civil não-declarada.

Sem haver Polícia nem cadeia para tantos criminosos de colarinho branco ou pé de chinelo, quem acaba encarcerado é o pessoal da classe média, a grande vítima que mora atrás de muros e grades, enquanto as elites e a nomenclatura circulam alegremente, porque têm carros blindados e seguranças privados ou estatais.

FALSA ESPERANÇA – Acreditava-se que Bolsonaro tivesse sido eleito para resolver isso e unificar o país. Cinco meses depois, percebe-se que foi um engano. Ele não tem noção de suas obrigações presidenciais, e o militares que o cercam não demonstram coragem para chamá-lo à razão, simplesmente se adaptaram à situação.  

Ainda há quem acredite em Bolsonaro, mas é ilusão. Ele vive rindo, como se interpretasse o personagem “Cândido”, com o ministro Guedes perfeito no papel do “professor Pangloss”, dizendo que os dois estão no melhor dos mundos, que o genial Voltaire adorava ridicularizar.

Não existe um projeto Brasil – aliás, jamais houve, desde o regime militar. Quando Carlos Lessa assumiu o BNDES no governo Lula, pediu o programa econômico do PT, e não existia. Junto com seu vice Darc Costa, o criativo Lessa criou um projeto e um dos destaques era a indústria naval. A economia reagiu. Ao deixar o governo, Lessa avisou a Lula que seria “um voo de galinha”. Mas Lula era como Bolsonaro e nada entendia de economia.

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P.S. 1
Minha maior esperança é de que o governo não atrapalhe, mas Guedes parece incontrolável. Lembro o exemplo da Bélgica. No início desta década, ficou quase dois anos sem governo. Não houve problema. O país continuou funcionando normalmente, sem choro nem vela, como diria Noel Rosa. Em 5 de dezembro de 2011, após 541 dias sem governo, a Bélgica formou, finalmente, uma coligação, tendo sido nomeado Elio Di Rupo para primeiro-ministro.

P.S. 2O caso do Brasil é diferente. O ministro Guedes não aceita fazer a auditoria na dívida pública, que deveria ser sua maior preocupação. Esta semana, o governo está exigindo do Congresso quase R$ 250 bilhões em verbas extras. Em breve a bomba-relógio explode, levando Bolsonaro e Guedes pelos ares. Será uma tragédia, é claro, mas também pode ser a nossa salvação. Pense nisso. (C.N.)

Mais uma Piada do Ano! Bolsonaro desiste de fazer o pacto com os outros poderes

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Carlos Newton

O presidente Bolsonaro era igual a Martin Luther King Jr. e tinha um sonho. No caso da matriz USA, o líder norte-americano comandava a luta pelas causas sociais, que ele fomentou admiravelmente. Mas aqui na sucursal Brazil o sonho era fazer um pacto dos três poderes e governar numa boa, com uma oposição compreensiva e uma Justiça complacente em relação às leis. Ora, muito antes de surgir o pensador, jurista e boêmio Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, no iluminismo do Século XVII, todos os governantes, sem exceção, tinham o mesmo sonho de Bolsonaro.

PACTO INVIÁVEL – Mas o sonhou acabou, diria John Lennon, porque o presidente brasileiro caiu na real e enfim foi informado de que em regime democrático não existe possibilidade de pacto entre poderes.

Conforme o barão de Montesquieu anteviu, numa época em que nem havia democracia, é fundamental que exista independência entre os três poderes, com o Executivo comandado pelo rei ou imperador, o Legislativo, responsável pelas leis para harmonizar as relações sociais, e o Judiciário, que acompanha o cumprimento das leis e arbitra as pendências.

Desde então, a prática política comprova que só existe pacto entre poderes em regimes ditatoriais. Justamente por isso, citando o genial Montesquieu, imediatamente consideramos aqui na TI a inscrição da ideia (?) de Bolsonaro como concorrente à Piada do Ano.

NOVA DILMA – Curiosamente, Bolsonaro vem se transformando numa nova versão de Dilma Rousseff, que estava sempre surpreendendo o respeitável público com suas tiradas de efeito e sua espontânea criatividade. É preciso reconhecer que Bolsonaro também é bom nisso, tem uma capacidade impressionante de dizer asneiras e pagar micos, como fez ao se referir em público ao tamanho do pênis dos japoneses. E ele mesmo acha uma graça enorme das coisas que diz, ridiculariza a  si mesmo, consegue ser bizarro e hilário, ao mesmo tempo. Pode ser considerado pós-moderno.

Neste sábado, o Planalto divulgou extraoficialmente que decidiu adiar a cerimônia do protocolo de intenções com a assinatura dos chefes dos três Poderes, para segunda-feira, dia 10.

A justificativa foi de que houve divergências, e o Planalto resolveu suspender, por tempo indeterminado, a divulgação do “Pacto pelo Brasil”, como foi batizada a iniciativa.

SINÔNIMOS – “Suspender por tempo indeterminado” é uma maneira transversa de evitar dizer “desistir”. Nenhum governo aceita dizer que “desistiu”. Mas nada disso tem importância. Em tradução simultânea, essa desistência significa que a democracia continua prevalecendo no país.

Ou seja, o Executivo governa, o Legislativo prepara as leis, e o Judiciário decide as pendências. Apenas isso. É o que interessa. Os políticos já perceberam que Bolsonaro e Paulo Guedes não têm agenda. Aliás, Guedes nem acredita em agenda. Em sua ilusão neoliberal, ele pensa (?) que o mercado corrige tudo. Não passa pela cabeça do ministro da Economia que cabe ao governo intervir e regular as relações sociais sempre que houver necessidade ou distorções.

Entre a teoria mal alinhavada de Guedes e a prática consagrada de John Maynard Keynes, quem tem juízo fica com o Lord inglês que tirou o mundo da Grande Depressão.

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P.S.
1 A cada dia, fica cada vez mais evidente o despreparo de Paulo Guedes. O velho “Chicago boy”, que é vaidosíssimo e agora decidiu escurecer os cabelos, não sabe o que fazer. Vai privatizar todas as estatais. Quando não houver mais nada para vender, o que será que ele nos dirá?

P.S. 2O Brasil cometeu um erro ao eleger Bolsonaro. É maluco e não entende de economia. Seria melhor ter elegido Ciro Gomes, que também é maluco, mas conhece a ciência econômica em profundidade. Não se deixaria enganar com tamanha facilidade. (C.N.)

Jorge Ricardo, o maior jóquei do mundo, não poderá correr o Grande Prêmio Brasil

Jóquei no oratório (foto do site do Jóquei Clube Brasileiro)

Carlos Newton

O turfe foi abandonado pela imprensa, como disse aqui na TI o jornalista Pedro do Coutto nesta semana, e hoje pouquíssimos brasileiros sabem que o maior jóquei do mundo é o carioca Jorge Ricardo, recordista mundial com 12.860 triunfos, que não poderá estar na disputa do Grande Prêmio Brasil, neste domingo, porque sofreu um grave acidente durante um páreo no Hipódromo de San Isidro, na Argentina, dia 29 de maio.

O atleta de 57 anos se envolveu em uma queda com outros três jóqueis e teve duas fissuras nas costelas, fraturou o nariz e quatro vértebras, mas não sofreu trauma na medula e está em recuperação.

EM RECUPERAÇÃO – O brasileiro foi levado ao hospital, mas depois de realizar exames, não necessitou de cirurgia, sua recuperação será por repouso e medicação. O jóquei está no Sanatório de la Trindad sob observação médica.

Este não é o primeiro acidente grave da carreira de Jorge Ricardo. Em 2017, o jóquei se desequilibrou, caiu na canaleta entre as pistas, sofreu uma fratura no fêmur da perna esquerda e precisou passar por cirurgia.

Seu estado é bom e sua recuperação completa dependerá de repouso e fisioterapia. Mas ainda não há informação se o recordista mundial voltará a disputar corridas.

EM FAMÍLIA – Jorge é filho de Antônio Ricardo, catarinense de Urussanga, um lendário jóquei que à sua época conquistou o maior número de vitórias em hipódromos sul-americanos em uma só temporada, e depois passou a atuar como treinador, hoje já falecido.

Aos 16 anos Jorge Ricardo começou a montar como aprendiz de jóquei no Hipódromo da Gávea, na cidade do Rio de Janeiro. Logo em sua temporada de estréia conseguiu a primeira vitória, montando o cavalo “Taim”, treinado por seu pai, que muito lhe ensinou a arte da condução.

Entre as quase 13 mil vitórias, Jorge Ricardo venceu cinco vezes o Grande Prêmio Latino Americano, duas vezes o Grande Prêmio Brasil, em um deles montando o craque “Much Better”, duas vezes o Grande Prêmio São Paulo e também duas vezes o Grande Prêmio Internacional Carlos Pelegrini.

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CONHEÇA A ORAÇÃO DE UM JÓQUEI

Antes de montar e entrar na raia para as corridas, a grande maioria dos jóqueis faz uma oração para se proteger de acidentes nas disputas. E poucas pessoas sabem que a “Oração de Um Jóquei”, que fica afixada nos oratórios de todos os hipódromos do país, ao lado da imagem de Nossa Senhora, é da autoria do advogado carioca Jorge Béja, articulista da Tribuna da Internet e um grande aficionado do turfe, que com certeza estará este domingo na Gávea para assistir ao Grande Prêmio Brasil.

“Senhor Deus, meu Pai e Criador. Agora, é momento de silêncio. Esvazio minha mente e dela afasto todas as preocupações para que Deus me ouça e manifestação divina penetre em mim e me cubra de graças.

Sei que minha profissão não é daquelas de longa duração. Ela não admite comodidade nem esmorecimento, mas perseverança e dedicação integral. Meu dia-a-dia, Senhor, é marcado por fortes emoções: alegrias, ansiedades, frustrações, incertezas, sonhos, esperanças e tantos outros sentimentos que me afetam.

Sei que preciso manter sob controle o peso do meu corpo, evitar a mais leve enfermidade e me precaver contra as lesões, porque o menor descuido torna-se empecilho para que eu possa trabalhar.

Nas competições, que o êxito do outro jóquei seja, também, motivo de satisfação para mim, porque, juntos, formamos um só tecido social, comunitário, e materializamos o Corpo Místico do Senhor Nosso Criador. Que o contentamento do vitorioso seja a alegria de todos nós. E que o insucesso dos que não venceram seja, também, o sentimento do vencedor.

Sei que antes do fim da madrugada, preciso estar pronto e apto para o trabalho. Por isso, não posso ir dormir tarde da noite. Sei que devo dedicar aos animais carinho e amizade, tanto quanto espero receber do meu próximo. Deles dependo e eles integram o Reino da Vossa Criação.

Dai-me, Senhor, a bênção celeste. Protegei meu trabalho. Fortalecei a minha saúde. Consolai-me nas minhas aflições. Livrai-me de todos os perigos do corpo e da alma. Muito Vos agradeço Senhor, as graças já alcançadas. Ao meu Anjo da Guarda, que a bondade divina colocou junto a mim para me defender, eu O louvo, invocando a prece que a cristandade consagrou ao longo dos séculos:

“Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, governa e ilumina. Amém”.

O que será que os generais pensam da venda de estatal altamente lucrativa como a TAG?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

Com a liberação da venda das subsidiárias das estatais, em decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, lá se vai uma das joias da coroa – a Transportadora Associada de Gás (TAG). E não mais que de repente, diria o “comunista” Vinicius de Moraes, um lucrativo e valiosíssimo monopólio estatal é transformado num monopólio privado e de capital estrangeiro, cujos lucros serão reinvestidos “lá fora”, onde o ministro Paulo Guedes ameaça ir morar.

Em abril, o consórcio formado pelo grupo francês Engie e o fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) apresentou a melhor proposta e está levando 90% da TAG, com os 10% restantes ficando de consolação para a Petrobras, que teve todo o trabalho de construir os gasodutos.

Foi um péssimo negócio para o Brasil. A transação só devolverá à Petrobras um valor total estimado de US$ 8,6 bilhões, a uma taxa de câmbio de R$ 3,85, o que equivale a R$ 33 bilhões.

LUCRATIVA – Acontece que, além de ser monopolista na área que atende, a TAG é altamente lucrativa. Em 2016, por exemplo, ofereceu aos acionistas um lucro de R$ 7 bilhões, ou seja, quase 20% do total a ser pago agora à Petrobras pelos geniais neoliberalistas, que os portugueses chamariam de “bestiais”.

Com a transação, a estrutura societária da TAG ficará da seguinte forma: Engie, 29,5%; Engie Brasil Energia (EBE), 29,5%; CDPQ, 31,5%; e Petrobras, 9,5%. Detalhe: a Petrobras terá de continuar operando os gasodutos da Transportadora Associada de Gás (TAG) durante três anos. Somente depois desse prazo é que a operação da malha será feita pelo grupo francês.

“É um período suficiente para que nós possamos juntar esforços com a Transpetro e discutir a forma de transferência dessa operação”, disse ao Valor um executivo da estatal. E a Petrobras informou ainda que a conclusão da operação estará sujeita à aprovação pelos órgãos de governança da Petrobras e de defesa da concorrência.

EOLSONARO APLAUDE… – O presidente Jair Bolsonaro, aquele que diz nada entender de economia, parabenizou nesta sexta-feira (dia 7) o Supremo Tribunal Federal por liberar a venda de subsidiárias de estatais sem aval do Congresso.

“As empresas-mãe, segundo o Supremo, passam pelo Parlamento”, lamentou o presidente, ressalvando: “Não deixou de ser um avanço. Meus cumprimentos, parabéns ao Supremo Tribunal, que agiu com patriotismo, contrário à política anterior que havia no Brasil nessas questões econômicas. O viés ideológico para se fazer negócio vai deixando de existir no Brasil. Meus parabéns ao Supremo Tribunal Federal”, disse Bolsonaro.

Em sua ignorância, ao invés de deplorar a venda de uma lucrativa estatal estratégica e a criação de um monopólio estrangeiro, o presidente aplaude a transação e ainda fala em “patriotismo” do Supremo. Sinceramente…

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P.S. –
É claro que um homem despreparado como Bolsonaro não tem alcance para perceber o que realmente significa a venda de uma empresa como a TAG (do Rio ao Ceará) por 30 dinheiros, digo, 33 bilhões de reais. Antes, a Petrobras tinha vendido a NTS (Sudeste) para a canadense Brookfield. Mas e os generais que estão no Planalto e no Ministério de Minas e Energia? Será que também aplaudem a venda de valiosíssimo patrimônio público criado por outros militares que os antecederam no governo? Na dúvida, é preciso relembrar a velha dúvida de Francelino Pereira: “Que país é esse?”. E realmente ninguém sabe. (C.N.)

Banco Central não explica por que remunera diariamente a sobra de caixa dos bancos

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Vamos repetir aqui “ad nauseam”, como dizem os advogados, que o ato de defender uma auditoria na dívida pública não significa, de forma alguma, que se pretenda dar calote ou mesmo pedir uma moratória (atrasar os pagamentos). O objetivo é tirar  dúvidas sobre pagamento ou amortização da dívida, porque especialistas da organização Auditoria Cidadã da Dívida, tem feito algumas denúncias graves, que os sucessivos governos simplesmente se recusam a responder.

Um dos questionamentos diz respeito ao projeto que concede autonomia ao Banco Central” (enviado por Bolsonaro ao Congresso), porque, além de blindar a política do BC, a proposta visa a legalizar mecanismos que geram dívida pública, mudando leis, na tentativa de se proteger contra denúncias da própria Auditoria Cidadã da Dívida.

SOBRA DE CAIXA – A principal denúncia se refere ao fato de o Banco Central estar recolhendo e remunerando diariamente a chamada sobra de caixa dos bancos. O fato é que, devido aos elevados juros cobrados aos clientes e às empresas, há pouca demanda de empréstimos, e acaba sobrando uma montanha de dinheiro no caixa dos bancos – cerca de R$ 1,2 trilhão, que equivalem a quase 20% do PIB.

Os “Chicago boys” nem precisam perguntar a Adam Smith ou Milton Friedman. É obvio que, se o governo não remunerasse essa sobra de caixa dos bancos, eles parariam de cobrar 300% ao ano nos juros de débitos dos cartões de crédito e até reduziram as taxas para financiamentos dos clientes e das empresas de todos os tamanhos, fazendo elevar o consumo e movimentando a economia como um todo, e viva o liberalismo de Smith e Friedman!

Mas acontece que o Banco Central não deixa essa mecânica financeira funcionar. Pelo contrário, aceita toda essa sobra de caixa dos bancos e, em troca, lhes repassa títulos da dívida pública, que são remunerados com juros reais, acima da inflação.

SEM RISCO – É um grande negócio para os bancos, porque não há de inadimplência, como ocorre nas demais operações de crédito que movem a economia. Esse mecanismo à brasileira significa a perfeição do liberalismo de Smith e Friedman – o capitalismo sem risco.

Essa montanha de dinheiro, quase 20% do PIB, que poderia estar financiando a retomada da economia, fica paralisada no Banco Central, gerando uma criativa variação do antigo “overnight”, com remuneração diária aos bancos, e sem risco. E novamente um viva ao liberalismo de Smith e Friedman!

Segundo as estatísticas da Auditoria Cidadã da Dívida, esse tipo de operação superou a marca de R$ 1 trilhão desde 2016, e em apenas quatro anos custou quase meio trilhão de reais aos cofres públicos. Para ser mais preciso, conforme balanços oficiais publicados pelo BC, de 2014 a 2017 essa remuneração da sobra de caixa dos bancos consumiu R$ 449 bilhões.

SEM APOIO LEGAL  – A especialista Maria Lúcia Fattorelli explica que, além de instituir cenário de profunda escassez de recursos financeiros, acirrando a elevação das taxas de juros para patamares indecentes, impedindo o financiamento de atividades produtivas geradoras de emprego e renda, essa mecânica financeira tem custado muito caro para o país.

“O mais grave é que não existe fundamento legal para esse tipo de operação. O Banco Central tem utilizado indevidamente as “Operações Compromissadas”, que foram criadas para controlar o volume de moeda em circulação e, teoricamente, a inflação”, assinala a auditora, cujo trabalho incansável é boicotado implacavelmente pela grande mídia, que jamais está a serviço do país, mas sabe servir à perfeição os interesses dos bancos.

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P.S. 1
Infelizmente, Bolsonaro nada sabe de economia e colocou seu governo nas mãos de Paulo Guedes, aquele ex-banqueiro e dono de corretora que deu um prejuízo de quase R$ 400 milhões a fundos de pensão (leia-se: a trabalhadores brasileiros), em pagamento indevido de ágios, segundo as investigações do Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União.

P.S. 2 – O capitão Bolsonaro nada entende economia. Mas e os generais que o cercam? Será que também não aprenderam economia nos Cursos de Estado Maior e na Escola Superior de Guerra? É difícil acreditar que não saibam de nada… (C.N.)

Na forma da lei, Lula não tem direito a regime semiaberto, por ser reincidente específico

Resultado de imagem para lula preso chargesCarlos Newton

O assunto é jurídica e politicamente delicado, mas deve ser esclarecido. Com a máxima vênia, como dizem o advogados, é preciso contestar o parecer do Ministério Público Federal, enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que praticamente garante o direito de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva progredir para o regime semiaberto, porque já teria cumprido tempo suficiente da pena para fazer jus ao benefício.

Responsável pelo parecer, a subprocuradora Áurea Pierre afirma que o STJ se omitiu ao não discutir o regime de cumprimento da pena. “Assim, data máxima vênia, [a subprocuradora opina] pela complementação do julgado, para que – após procedida detração no âmbito do STJ (tempo que pode ser reduzido), seja fixado o regime semiaberto”, argumenta, pedindo que o tribunal volte a julgar o caso de Lula para lhe garantir o regime semiaberto (trabalhar durante o dia e voltar à prisão todas as noite para dormir e passar os fins de semana e feriados).

LIBERAR GERAL – De olho no lance, a defesa de Lula já pediu que ele salte uma casa no jogo jurídico e conquiste logo o direito de voltar para casa, sem restrições e tornozeleira, recebendo benefícios que extrapolam a lei sob argumento é de que em Curitiba não há prisão dormitório para acolher o condenado.

Sonhar ainda não é proibido, mas é estranhável que a ilustre subprocuradora tenha examinado apenas as circunstâncias atenuantes para defender o regime semiaberto para Lula da Silva, sem em nenhum momento se preocupar em examinar se há circunstâncias agravantes que possam impedir a libertação do ex-presidente.

O fato concreto é que a subprocuradoria Áurea Pierre esqueceu de mencionar que Lula é um preso classificado de “reincidente específico”, por já ter sido condenado duas vezes por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, condição suficiente para impedir a progressão de sua pena para o regime semiaberto.

REINCIDÊNCIA –  Na Ciência do Direito, quanto o crime posterior é diverso do anterior, diz-se que ocorre “reincidência genérica”. No entanto, quando o crime antecedente e o posterior são da mesma natureza, passa a se configurar a “reincidência específica”.

Quanto à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diz o Código Penal: “Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (…) II – o réu não for reincidente em crime doloso.

Portanto, constata-se que, em regra, não haverá progressão para regime semiaberto se o condenado for reincidente em crime doloso. Tanto isso é verdade que o próprio artigo 44, conforme seu inciso II, parágrafo 3º, abre uma exceção que não se aplica a Lula e confirma a impossibilidade do benefício em caso de reincidência específica:

“3º – Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime”.

A DECISÃO – Assim, o  STJ precisa decidir se julga o pedido de Lula para cumprir o restante da pena em regime aberto ou se encaminha o caso para análise da Vara de Execuções Penais do Paraná.

“O embargante peticiona a mais, para aplicação do regime aberto, tendo em vista não existir estabelecimento compatível para seu cumprimento. A matéria – especificamente em se tratando de ex-Presidente da República – não tem disciplinamento legal, ficando a critério do Julgador decidir sobre o cumprimento da pena de ex–presidente em regime compatível”, diz a procuradora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Pedimos desculpas aos leitores, porque o artigo foi publicado ainda em rascunho, devido a um erro de edição. Mas agora está em versão final, e vamos aguardar para ver se a Justiça leva em conta a “reincidência específica” de Lula. (C.N.)

Radicalização domina os comentários da “Tribuna da Internet”, uma chatice

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Ilustração do Duke (Jornal O Tempo)

Carlos Newton

A situação do país está muito difícil. É fácil constatar. Lojas vazias, comerciantes em dificuldades, placas de vende-se ou aluga-se por todo canto, a ponte Rio-Niterói sem engarrafamento nas manhãs de sábado, algo impensável até alguns anos atrás. Nesse clima, o PIB está negativo e a economia depende d resultado do mês de junho. Se não houver reação, ficará tecnicamente caracterizada a estagflação, que ocorre quando há recessão e a inflação continua positiva.

A radicalização político-econômica contamina a “Tribuna da Internet”, um dos espaços na faixa brasileira da internet que não está a serviço de grupos políticos, empresariais ou ideológicos. Há muitos outros, inclusive de participantes da TI, como Wilson Baptista Jr. e Altamir Tojal, cujos excelente blogs retratam a mesma inquietação.

CLIMA TENSO – Ao mesmo tempo, aumenta a temperatura nos blogs e sites atrelados ao governo e à oposição. Uns torcem a favor, os outros contra, como se estivessem numa partida de futebol. Mas há uma faixa, na qual se encaixa a Tribuna, que torce pelo Brasil, independentemente do governo. Assim, se Bolsonaro acerta, é preciso elogiá-lo, mas se erra, pancada nele!

Aqui na TI, acompanhar os comentários está uma chatice. Oposicionistas e governistas em permanente choque, não há quem aguente. Às vezes, passam nos limites e dão trabalho ao editor, que tem de fazer cortes. E eles reclamam da “censura”.

Mas quem já estava na ativa no regime militar sabe que não é censura. Trata-se apenas de educação e critérios civilizados. Não é preciso GRITAR, escrevendo com maiúsculas ou negrito, certamente é melhor exercitar a ironia. O efeito é muito mais devastador.

DEBATER A CRISE – Aqui na TI entendemos que é hora de discutir a crise econômica em profundidade, levando em conta os interesses nacionais. É preciso buscar caminhos, sem antolhos partidários ideológicos.

Sugerimos a quem se interessa a leitura frequente do site “Auditoria Cidadã da Dívida”, criada por Maria Lúcia Fattorelli. A preocupação de seus editores está na falta de transparência dos dados da reforma da Previdência. O custo da “capitalização” (R$ 1 trilhão em dez anos) vazou na semana passada por acaso. Outra preocupação é a quebra da “Regra de Ouro”, para que governantes possam se endividar para pagar salários de servidores e outros gastos correntes.

São essas temas que insistiremos em discutir, sem radicalizações nem xingamentos. Sejamos elegantes e educados; não custa nada, mas vale muito.

BALANÇO DE MAIO – Vamos aproveitar para agradecer aos companheiros que contribuem para manter a Tribuna livre e mostrar nossos recebimentos via contas bancárias. Na Caixa Econômica, os seguintes depósitos foram feitos:

DATA  REGISTRO  OPERAÇÃO           VALOR
06        002915       DP DINH AG            50,00
06        061827       DP DINH LOT         230,00
06        800030       DOC ELET                31,00
13        002915       DP DINH AG             50,00
13        131443       DP DINH LOT            52,00
14        141543       DP DINH LOT            50,00
15        151104       DP DINH LOT            20,00
20        002915       DP DINH AG              50,00
27        002915       DP DINH AG              50,00
30        301600       DP DIN LOT               50,00
31        311510       DP DIN LOT             100,00

Agora, os depósitos no banco na conta do Unibanco/Itaú:

06        TBI 2958.07601 TRIBUNA            60,00
13        TBI 2971.21174-9 C/C                 150,00
15        TED 001.4416 MARIOACRO          250,00
16         CXE TEF 7028.28905.1                200,00
27         TED 033.1593 DAVIDSOUZA        60,00
29         TED O33.3591 ROBERTOSNA      200,00
31         TBI 0406.49194-4 C/C                 100,00

E, finalmente, houve o seguinte depósito na conta do Bradesco:

16          05535723/LUIZ ZANARDI              30,00

Brasil é o país mais difamado do mundo, em matéria de preservação ambiental

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O biólogo Cláudio Martins Ferreira, entrevistado pela RedeTV!

Carlos Newton

Somente nos últimos 50 anos, desde que se constatou o fenômeno das chuvas ácidas, é que a ciência passou a se preocupar para valer com a questão do meio ambiente. Na Europa e na América do Norte, a devastação já era realidade e a contaminação atmosférica passou a ser considerada grave ameaça.

PARA A CHINA – Foi quando as grandes indústrias poluidoras tiveram de ser transferidas para a China, que ao mesmo tempo se tornou uma potência econômica e o país mais poluidor do mundo, a tal ponto que o famoso Rio Amarelo já não faz jus ao nome e mal consegue desaguar no Pacífico, porque na maios parte do ano suas águas secam a meio caminho. E hoje as chuvas ácidas ocorrem com maior intensidade exatamente na China.

Entre os países que ainda têm grandes extensões de florestas naturais destaca-se o Brasil. No entanto, ao invés de ser saudado como o maior preservador ambiental do planeta, há décadas passou a sofrer uma campanha permanente de difamação, inclusive com claras ameaças até de intervenção internacional na Amazônia.

SEM DEFESA – Essa campanha não parou nem vai parar, porque o governo brasileiro jamais soube se defender a respeito, nem externa ou internamente. E hoje os próprios cidadãos brasileiros desconhecem que têm motivos para se orgulhar da política ambiental do país, alguns sequer acreditam que isso exista.

É impressionante que os sucessivos governos brasileiros jamais tenham alegado que o Brasil adota a mais rígida e moderna legislação do mundo, que obriga os produtores agrícolas a preservarem para reserva florestal na Amazônia 80% da área de cada empreendimento, 30% no Cerrado e 20% nas demais regiões.

Por incrível que pareça, essa legislação está sendo obedecida e Estados agrícolas que haviam sofrido brutal desmatamento estão recuperando as percentagens exigidas em lei, tornando o Brasil o país que mais regenera ambientes degradados.

EXEMPLO PAULISTA – Em São Paulo, a extensão de áreas reflorestadas em fazendas já é superior à soma de todas as unidades de conservação existentes no Estado. E essa regeneração está acontecendo em todo país, documentada pela Embrapa em observações por satélite.

Porém, os próprios brasileiros continuam a desconhecer essa auspiciosa realidade. O próprio governo não sabe, podem perguntar ao presidente Jair Bolsonaro ou ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele vão ficar surpresos.

A revista “Science”, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, acaba de divulgar que há uma tendência mundial de retrocessos ambientais, acentuada nas últimas duas décadas e liderada por dois países de proporções continentais: Estados Unidos e Brasil. Esta é a conclusão do mais completo estudo  já realizado, a cargo de um grupo de cientistas de diversas universidades, sob liderança da ONG Conservação Internacional.

QUEM SE INTERESSA? – É preciso que o governo brasileiro reaja e desminta esse relatório de fancaria, mas quem se interessa? Em setembro, o presidente Bolsonaro vai abrir a Assembleia-Geral da ONU, seria importante revelar essas verdades ao mundo, inclusive se referindo aos países que destruíram seu meio ambiente e deveriam se envergonhar disso, ao invés de criticar quem preserva.

O mais importante é que no Brasil existe também a recuperação ambiental voluntária, realizada por ecologistas anônimos, que deveriam ser homenageados com a Ordem do Rio Branco, mas nenhum governo se lembra de fazê-lo.

É preciso exaltar os exemplos desses brasileiros, como o biólogo paulista Cláudio Martins Ferreira, que preserva a reserva ambiental das Fazendas Meandro, em Ibiúna, a apenas 70 km de São Paulo. Quando adquiriu a primeira propriedade, na década de 70, boa parte da área de Mata Atlântica estava preservada.

BIODIVERSIDADE – Empolgado, o biólogo adquiriu mais duas áreas, que foram chamadas de Fazendas Meandros II e Meandros III. Hoje, ao todo, há uma área de 1.200 hectares de Mata Atlântica conservada, que protegem diversas nascentes e um cachoeira que deságua no Rio Laranjeiras, um dos formadores da represa Cachoeira do França.

Na reserva também há uma riquíssima diversidade de animais, com muitas aves, mamíferos, répteis e anfíbios, alguns inclusive, ameaçados de extinção como é o caso da araponga, do sabiá-pimenta e do pavó. A paca e o cachorro-vinagre, de categoria bastante rara, também estão sob proteção, assim como a onça parda e primatas como o sagui, macaco-prego e bugio.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA – Nos campos das fazendas, o biólogo implantou um moderno esquema agrícola, em 24 estufas, onde aproximadamente 60 funcionários trabalham na produção de tomates, pimentões, pimentas, vagem holandesa e francesa.

Em média, segundo o proprietário, 60 toneladas são comercializadas por mês para grandes redes de supermercados,  gerando recursos que ajudam a manter a Unidade de Conservação Ambiental, incluindo a atuação de seis guardas florestais.

Exemplos como o do biólogo Cláudio Martins Ferreira estão prosperando no país. Hoje, Dia do Meio Ambiente, é preciso lembrar que esses heróis anônimos existem e criam reservas florestais que na verdade passam a não mais pertencer a eles, porque acabam por se tornar patrimônio da Humanidade.

Se o FMI diz que a política econômica do Brasil está errada, o que se pode fazer?

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Ainda a propósito do artigo escrito por três especialistas do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional – Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (analista) – torna-se necessário deixar claro que o editor da “Tribuna da Internet” é admirador de Adam Smith, pai do Liberalismo, apenas tem convicção de que suas teorias não podem ser adotadas ao pé da letra, como pretende a equipe dos novos “Chicago boys”. Seria o mesmo erro que seguir hoje em dia as teses de Karl Marx e Friedrich Engels, sem as indispensáveis adaptações. É exatamente o que está acontecendo agora no Brasil, que pretende reviver o antigo sem renová-lo.

Se o próprio FMI reconhece que o neoliberalismo não está dando certo nos países em desenvolvimento, como aceitar essa política suicida do governo Bolsonaro?

IDEIAS ULTRAPASSADAS – Conforme alertamos aqui na “Tribuna da Internet” desde o início do governo, Paulo Guedes é um velho “Chicago boy” que sonha em ressuscitar as ideias ultrapassadas de Adam Smith e Milton Friedman, as quais só podem ser aplicadas com múltiplas adaptações e sob o mais rigoroso controle.

Aproveitando-se do fato de o presidente se orgulhar de nada entender de economia, Guedes resolveu transformar o país numa espécie de laboratório experimental das teorias de Milton Friedman, o pai dos “Chicago boys”, sem levar em conta que Brasil e Chile têm economias totalmente diversas.

A essa altura do campeonato, é melhor respeitar o FMI, até porque não é razoável fazer com que o povo brasileiro seja piloto de provas de fábricas de supositórios econômicos, digamos assim. E nota-se claramente que Guedes está perdido no governo, decididamente não sabe o que fazer, vive a repetir que a reforma da Previdência vai resolver, vem um trilhão de reais daqui, mas um trilhão dali, é uma enganação patética.

DISSE O FMI – Aliás, é bom lembrar que o FMI previu que PIB do Brasil ia cair e o país teria o segundo pior desempenho do mundo em 2016. Depois, mostrou preocupação com ‘ventos frios’ que sopram no Brasil e avisou que o país só poderia voltar a ter superávit primário em 2020, mas essa previsão foi antes de se configurar a atual estagflação, com recessão e inflação ocorrendo simultaneamente.

Conforme temos afirmado aqui na TI, o Brasil tem incomparável potencial de crescimento, pois é o quinto maior país em extensão e habitantes, a oitava economia, tem imensas reservas minerais a explorar, as mais extensas terras agricultáveis do planeta, o maior volume de água doce acima da terra e em aquíferos, e dispõe de uma indústria sofisticada, que é facilmente recuperável, basta o atual governo descobrir para que serve o BNDES.

O CASO NATURA – Como diz nosso amigo Mathias Erdtmann, o Brasil precisa perder o complexo de vira-lata. Ele nos mandou uma excelente reportagem de Alexander Busch na “Deutsche Welle” sobre o sucesso internacional da Natura, citando casos de crescimento relevante ignorados pelos brasileiros.

Por cerca de 2 bilhões de dólares, a Natura incorporou no ano passado a concorrente londrina Avon e ascendeu para se tornar uma das dez maiores empresas mundiais do setor. Embora a empresa que resulta da fusão ainda seja menor do que L’Oreal ou Esteé Lauder, já se aproxima das divisões de cosméticos da Henkel, Chanel ou Beiersdorf.

Diz o jornalista Alexander Busch, que há 25 é correspondente na América do Sul, que essa mistura tipicamente brasileira de liderança de negócios pode ser encontrada em todas as empresas de sucesso do Brasil – desde a fabricante de aeronaves Embraer até as redes varejistas Magazine Luiza e Lojas Renner, ou a Drogaria Raia.

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P.S. 1
Pessoalmente, acredito que o Brasil seja tão promissor que possa seguir adiante independentemente de seus governantes. Basta que eles não atrapalhem,mas esta parece ser a ferrenha disposição de Paulo Guedes, que já ameaça ir “morar lá fora”. Aliás,  deveria fazê-lo com a máxima urgência, e de preferência no Chile.

P.S. 2 – Também estou convicto de que a crise brasileira não se resolverá sem uma auditoria da dívida pública, cujo objetivo não é dar calote em ninguém, mas apenas esclarecer alguns pontos nebulosos, com a remuneração “overnight” da sobra dos depósitos diários dos bancos. (C.N.)

Detalhes sobre as críticas do FMI ao neoliberalismo que voltou à moda no Brasil

Carlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet temos um cuidado enorme com “fake news”. É impressionante a quantidade de informações falsas e manipuladas que nos enviam. Dá um trabalho enorme conferir a veracidade. Neste domingo, dia 2, publicamos uma matéria do site G1 sobre um estudo de três economistas do Fundo Monetário Internacional, a respeito do fracasso na aplicação do neoliberalismo de Milton Friedman em nações subdesenvolvidas.

Como o teor da reportagem do G1 e outros veículos foi anunciada como “mentiroso” pelo site russófilo “Spotniks”, voltamos ao assunto para reafirmar que o estudo dos técnicos do FMI é verdadeiro, publicado na seção “Finance & Development” do site oficial do International Monetary Fund, sob o título “Neoliberalism: Oversold?”, assinado por Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (economista), todos do Departamento de Pesquisa do FMI.

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EM VEZ DE CRESCIMENTO, NEOLIBERALISMO AUMENTOU A DESIGUALDADE, PREJUDICANDO A EXPANSÃO DURADOURA
Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani e Davide Furceri

Milton Friedman, em 1982, aclamou o Chile como um “milagre econômico”. Quase uma década antes, o Chile havia se voltado para políticas que desde então foram amplamente copiadas para todo o mundo. A agenda neoliberal – um rótulo usado mais pelos críticos do que pelos arquitetos das políticas – repousa em duas tábuas principais. A primeira é o aumento da concorrência – alcançada através da desregulamentação e da abertura dos mercados domésticos, incluindo os mercados financeiros, à concorrência estrangeira. O segundo é um papel menor para o estado, alcançado por meio de privatizações e limites à capacidade dos governos de administrar déficits fiscais e acumular dívidas.

Tem havido uma tendência global forte e generalizada em direção ao neoliberalismo desde os anos 80, de acordo com um índice composto que mede o grau em que os países introduziram a concorrência em várias esferas da atividade econômica para promover o crescimento econômico.

PRÓS E CONTRAS – Há muito para animar a agenda neoliberal. A expansão do comércio global resgatou milhões da pobreza extrema. O investimento estrangeiro direto tem sido frequentemente uma forma de transferir tecnologia e know-how para economias em desenvolvimento. A privatização de empresas estatais, em muitos casos, levou a uma prestação de serviços mais eficiente e reduziu a carga fiscal sobre os governos.

No entanto, há aspectos da agenda neoliberal que não foram entregues como esperado. Nossa avaliação da agenda se limita aos efeitos de duas políticas: remover restrições aos movimentos de capital através das fronteiras de um país (a chamada liberalização da conta capital); e consolidação fiscal, às vezes chamada de “austeridade”, que é uma abreviação de políticas para reduzir os déficits fiscais e os níveis de endividamento.

CONCLUSÕES INQUIETANTES – Uma avaliação dessas políticas específicas (e não da ampla agenda neoliberal) chega a três conclusões inquietantes:

  • Os benefícios em termos de aumento do crescimento parecem bastante difíceis de estabelecer quando se olha para um amplo grupo de países.
  • Os custos em termos de aumento da desigualdade são proeminentes. Tais custos resumem o trade-off entre os efeitos de crescimento e equidade de alguns aspectos da agenda neoliberal.
  • O aumento da desigualdade, por sua vez, prejudica o nível e a sustentabilidade do crescimento. Mesmo que o crescimento seja o único ou principal objetivo da agenda neoliberal, os defensores dessa agenda ainda precisam prestar atenção aos efeitos distributivos.

PREJUÍZO À DEMANDA – As políticas de austeridade não apenas geram custos substanciais de bem-estar devido aos canais do lado da oferta, mas também prejudicam a demanda – e, portanto, pioram o emprego e o desemprego. A noção de que as consolidações fiscais podem ser expansionistas (isto é, aumentar a produção e o emprego), em parte aumentando a confiança e o investimento do setor privado, tem sido defendida, entre outros, pelo economista Alberto Alesina, de Harvard, no mundo acadêmico, e pelo ex-presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, na arena política.

No entanto, na prática, episódios de consolidação fiscal foram seguidos, em média, por quedas, e não por expansões na produção. Em média, uma consolidação de 1% do PIB aumenta a taxa de desemprego de longo prazo em 0,6 ponto percentual e aumenta em 1,5% em cinco anos a medida de desigualdade de renda de Gini (Ball e outros, 2013).

Em suma, os benefícios de algumas políticas que são uma parte importante da agenda neoliberal parecem ter sido um pouco exagerados.

CAPITAL DE CURTO PRAZO – No caso da abertura financeira, alguns fluxos de capital, como o investimento estrangeiro direto, parecem conferir os benefícios reivindicados para eles. Mas para outros, particularmente fluxos de capital de curto prazo, os benefícios para o crescimento são difíceis de colher, enquanto os riscos, em termos de maior volatilidade e maior risco de crise, são grandes.

No caso da consolidação fiscal, os custos de curto prazo em termos de menor produção e bem-estar e maior desemprego foram subestimados, assim como também é subestimada a conveniência de países com amplo espaço fiscal de simplesmente viverem com alta dívida e permitir que os índices de dívida caiam organicamente através do crescimento.

UM CICLO ADVERSO – Além disso, uma vez que tanto a abertura quanto a austeridade estão associadas ao aumento da desigualdade de renda, esse efeito distributivo estabelece um ciclo de feedback adverso. O aumento da desigualdade gerado pela abertura financeira e pela austeridade pode por si só minar o crescimento, exatamente aquilo que a agenda neoliberal pretende impulsionar. Há agora fortes evidências de que a desigualdade pode reduzir significativamente tanto o nível quanto a durabilidade do crescimento (Ostry, Berg e Tsangarides, 2014).

A evidência do dano econômico causado pela desigualdade sugere que os formuladores de políticas deveriam estar mais abertos à redistribuição do que eles. É claro que, além da redistribuição, as políticas poderiam ser elaboradas para mitigar antecipadamente alguns dos impactos – por exemplo, através de maiores gastos em educação e treinamento, o que expande a igualdade de oportunidades (as chamadas políticas de pré-distribuição).

E as estratégias de consolidação fiscal – quando necessárias – poderiam ser projetadas para minimizar o impacto adverso nos grupos de baixa renda. Mas, em alguns casos, as conseqüências distributivas adversas terão que ser remediadas depois que elas ocorrerem, usando impostos e gastos do governo para redistribuir renda. Felizmente, o medo de que tais políticas necessariamente prejudiquem o crescimento é infundado (Ostry, 2014).

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO – Essas descobertas sugerem a necessidade de uma visão mais sutil do que a agenda neoliberal é capaz de alcançar. O FMI, que supervisiona o sistema monetário internacional, esteve à frente dessa reconsideração.

Por exemplo, seu então economista-chefe, Olivier Blanchard, disse em 2010 que “o que é necessário em muitas economias avançadas é uma consolidação fiscal de médio prazo credível, não uma corda fiscal hoje”. Três anos depois, Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, disse que A instituição acreditava que o Congresso dos EUA estava certo em aumentar o teto da dívida do país “porque a questão não é contratar a economia cortando brutalmente os gastos agora, já que a recuperação está aumentando”. E em 2015 o FMI avisou que os países da zona do euro ” espaço fiscal deve usá-lo para apoiar o investimento”.

Na liberalização da conta de capital, a visão do FMI também mudou. Considerava os controles de capital quase sempre contraproducentes, mas passou para uma maior aceitação dos controles para lidar com a volatilidade dos fluxos de capital. O FMI também reconhece que a liberalização completa do fluxo de capital nem sempre é um objetivo final apropriado, e que uma maior liberalização é mais benéfica e menos arriscada se os países atingirem certos limites de desenvolvimento financeiro e institucional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo o artigo é muito extenso, tivemos de reduzi-lo e vamos deixar para fazer os comentários amanhã. De toda forma, o ministro Paulo Guedes e seus novos Chicago boys deveriam raciocinar a respeito dessas orientações mais atuais do FMI. (C.N.)