Militares acompanham a deterioração da imagem de Bolsonaro e não pretendem interferir

NINGUÉM MERECE ESSE CANDIDATO – Contra o Vento

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Para o presidente Jair Bolsonaro, a estratégia de agradar os militares é proveitosa em todos os sentidos, inclusive eleitoral, segundo uma pesquisa inédita do Instituto Paraná, que jamais tinha sido feita por qualquer órgão. O levantamento indicou que 50% dos entrevistados consideram positiva a presença de integrantes das Forças Armadas na administração pública, enquanto 36,4% avaliam como negativa. Entre os demais consultados, 7,8% se dizem indiferentes e 5,8% não sabem ou não quiseram opinar.

“Os militares têm uma boa imagem porque são associados à manutenção da ordem pública e à intolerância às práticas de corrupção”, diz Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná, em entrevista à Veja.

REJEIÇÃO AOS POLÍTICOS – Bolsonaro trabalha sua reeleição com base no sentimento popular de rejeição aos políticos, uma classe cada vez mais desmoralizada, como um todo. Assim, o presidente vem aumentando cada vez mais o número de militares da ativa e da reserva incorporados ao governo e já garantiu novo aumento dos soldos este ano, enquanto os salários dos servidores civis continuam congelados.

Essas iniciativas, porém, não são suficientes para garantir a reeleição, que vai depender de muitos outros fatores, inclusive a evolução da pandemia, a manutenção dos auxílios emergenciais, a retomada do crescimento econômico e tudo o mais, além da crescente desmoralização de Jair Bolsonaro, provocada por seus próprios atos e palavras, sem falar na colaboração dos filhos 01, 02 e 03 para destruir-lhe a imagem.

APENAS UM SONHO – Na verdade, Bolsonaro pensa que pode permanecer no governo até mesmo na marra, caso a situação se deteriore e sobrevenha um pedido de impeachment.

Sonhar ainda não é proibido, todos sabem, mas os militares não pretendem prestigiar um governo apodrecido. No momento, eles apenas aturam Bolsonaro, que não os representa.

Para os militares, é muito mais cômodo aguardar que os civis se entendam sobre o impeachment via Congresso, por crime de reponsabilidade, ou via Supremo, por crime comum. Mas nada acontece, eles fazem olhar de paisagem, enquanto Bolsonaro pensa que está arrasando.

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P.S.Em tradução simultânea, por enquanto Bolsonaro é apenas um forte candidato para 2022. Mas sua reeleição está longe de ser considerada garantida. Muito pelo contrário, aliás. (C.N.)

Estratégia de Gilmar Mendes para destruir Sérgio Moro e a Lava Jato é de extrema competência

TRIBUNA DA INTERNET | Gilmar Mendes está isolado no Supremo e o boicote à Lava Jato é um fracasso

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

É preciso reconhecer que o ministro Gilmar Mendes é um dos mais competentes que já integraram o Supremo Tribunal Federal. Não há nenhuma dúvida acerca de sua capacidade. O problema é a falta de caráter, o partidarismo exacerbado quando se trata de julgar tucanos e a parcialidade com que adere a determinadas causas do interesse de governantes, políticos e empresários corruptos.

Para fortalecer seu voto no processo que relata sobre a suposta parcialidade do juiz Sérgio Moro contra o réu Lula da Silva, o ministro Gilmar Mendes está esperando que o pessoal do marketing faça o trabalho sujo, divulgando como se fossem novidades as mensagens gravadas por hackers, que foram contratados para fazê-lo, mas a Justiça não identifica os mandantes.

As gravações foram massivamente divulgadas em março de 2019 pelo site The Intercept, pela Folha de S. Paulo e pela Veja, com cobertura de toda a mídia brasileira.

Na época, apesar do escândalo que se tentou armar, o resultado foi nulo, porque em nenhum trecho das centenas de horas de gravação ficou evidenciado que o juiz Sérgio Moro tivesse participado de conluio para condenar Lula injustamente.

ANULAÇÃO IMPOSSSÍVEL – Nas gravações, além da imaturidade demonstrada por alguns procuradores, a única ilegalidade foi um erro cometido por uma delegada federal, mas não foi grave a ponto de anular a condenação do político que comandou o maior esquema de corrupção do mundo.

A estratégia traçada por Gilmar Mendes e pelos advogados de Lula já vem sendo executada há vários meses. Consiste em ir “plantando” reportagens e artigos em jornais, revistas, portais, sites e blogs, em que trechos dos diálogos são republicados como novidades, enquanto Gilmar Mendes faz o ponteio, com declarações de que a parcialidade de Moro “causa pena” e até  compara a Lava Jato ao Esquadrão da Morte, vejam a que ponto chega a desfaçatez do ministro, que não respeita o impedimento de entrevistas sobre questão que relata, e vai logo dizendo que os processos de Lula podem ser anulados.

“Todos nós de alguma forma sofremos uma manipulação disso que operava em Curitiba. Acho que temos que fazer as correções devidas, tenho dito e enfatizado que Lula é digno de um julgamento justo”, afirmou.

ESQUADRÃO DA MORTE – “Independentemente disso, temos que fazer consertos, reparos, para que isso não mais se repita, não se monte mais esse tipo de esquadrão da morte. Porque o que se instalou em Curitiba era um grupo de esquadrão da morte, totalmente fora dos parâmetros legais”, disse Gilmar Mendes, com se Lula fosse um político ilibado e Moro um juiz corrupto.

As declarações de Gilmar ocorreram dias após a Segunda Turma do Supremo, a qual faz parte, validar por quatro votos a um a liminar do ministro Ricardo Lewandowski que concedeu à defesa do ex-presidente Lula acesso às mensagens hackeadas do ex-coordenador da Lava Jato Deltan Dallagnol, do ex-juiz Sérgio Moro e dos demais integrantes da força-tarefa.

“Já é possível depreender o funcionamento de uma certa combinação institucionalizada e permanente, a serem verdadeiras as mensagens, entre o juiz e os ex-membros da força tarefa da Operação Lava Jato. Isso tudo ressai dessas mensagens. Os fatos são tão graves que estão repercutindo mundo afora”, disse Gilmar Mendes no julgamento, ao apoiar Lewandowski.

TUDO DOMINADO – Em tradução simultânea, antes mesmo da sessão da Segunda Turma do STF, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski já julgaram e condenaram o então juiz Sérgio Moro. Só não marcaram a data, porque ainda têm dúvidas sobre o posicionamento do neoministro Nunes Marques que pode destruir a armação. Se Nunes Marques faltar ou alegar suspeição, Moro será considerado juiz parcial.

O fato concreto é que Lula está confiante e mudou de ideia. Na certeza de que sua condenação será anulada, Lula decidiu afastar Fernando Haddad e acaba de anunciar sua própria candidatura em 2022.

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P.S.
Tudo isso mostra a enorme competência de Gilmar Mendes, que sabe realmente manipular situações. É pena que ele sempre esteja do lado errado e se esqueça de defender o interesse público. (C.N.)

Bolsonaro acha que a imprensa vai acabar, mas está enganado e terá de nos aturar enquanto viver

Bolsonaro usando a imprensa

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

Quando o presidente Jair Bolsonaro diz aos jornalistas que a imprensa está nos estertores, os grandes jornais vão à falência e a profissão vai acabar, realmente não pretende apenas jogar praga, porque ele acredita mesmo nessa possibilidade. Investe contra a profissão de jornalista, na certeza de que todos se opõem a seu governo, esquecido da existência de muitos jornalistas e articulistas importantes que ainda defendem a tumultuada gestão bolsonariana, como Alexandre Garcia, J.R. Guzzo, Políbio Braga, Percival Puggina, Augusto Nunes, Ives Gandra Martins e tantos outros.

Felizmente, a imprensa não vai acabar. Pelo contrário, os adoradores de Bolsonaro e de outros líderes radicais e autoritários ainda vão ter de aturar os jornais per saecula seculorum, como dizem os latinistas e podemos traduzir por até o final dos tempos.

APOCALYPSE NOW – Quando surge alguma novidade no campo da comunicação social, sempre aparecem os profetas do apocalypse now. Foi assim com a invenção da fotografia, quando passaram a dizer que os pintores ficariam em grandes dificuldades, porque ninguém mais lhes contrataria para fazer retratos.

Depois, o cinema ia aniquilar o teatro, o rádio daria grandes prejuízos aos jornais, a televisão acabaria com o cinema, e agora a internet vai liiquidar com tudo, incluindo os livros, e isso é um bocado de exagero.

NINGUÉM VAI MORRER– Na verdade, todos vão sobreviver, cada um no seu tamanho. O que sempre ocorre é sobrevém uma fase de adaptação, que já está em curso, com os grandes jornais dando até um jeito de aumentar o faturamento com faturas cobradas às redes sociais.

É claro que poucos veículos sobreviverão, quando comparamos à situação da imprensa no século passado, quando houve uma fase em que existiam 18 jornais diários no Rio de Janeiro.

A grande diferença hoje entre os jornais e as redes sociais é a questão da credibilidade, porque é raríssimo um jornal publicar fake news, que é uma grande especialidade da internet, com sites, blogs e redes sociais que publicam notícias falsas sem o menor constrangimento. Mas a Justiça está aí mesmo para coibir esses excessos, que custarão caro para os autores.

BALANÇO DE FEVEREIRO – Vamos agora ao balanço do mês passado, para agradecer muitíssimo as contribuições que nos têm permitido manter o blog circulando 365 dias ao ano, com a colaboração do excelente jornalista Marcelo Copelli.

De início, vamos divulgar as contribuições feitas através da conta na Caixa Econômica Federal.

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO             VALOR
01     011439        DP DIN LOT………….50,00
10     101139        DP DIN LOT………….20,00
12     121011        DP DIN LOT………….50,00
17     170957        DP SIN LOT…………100,00
18     181106        DP DIN LOT………..230,00
19     000001        CRED TED…………….35,00
25     251153        DP DIN LOT………..230,00

Agora, os depósitos feitos em nossa conta no Banco Itaú Unibanco:

01     TBI     0406.49194-4 C/C……….100,00
08     TED    001.5977/JOSAPE……….209,43
17     TED    001.4416/MARICRO……250,00
26     TBI     0406.49194-4 C/C……….100,00

Por fim, agradecemos aos amigos que nos apoiam na busca da utopia de manter um espaço verdadeiramente livre na internet. E vamos em frente.

Inquéritos de fake news e atos antidemocráticos incriminam o gabinete do ódio e o próprio Bolsonaro

CPI das Fake News mira grupo que integraria 'gabinete do ódio' no Planalto - Jornal O Globo

Arnaud, do gabinete do ódio, é assessor especial do presidente

Carlos Newton

Aproxima-se o dia 15 de março (cai numa segunda-feira), quando deverão estar concluídos pelo menos dois importantes inquéritos no Supremo, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes – fake news e atos antidemocráticos. Ambos se interligam e envolvem diretamente o Planalto, porque chegaram até o terceiro andar do palácio, onde funciona o chamado “gabinete do ódio”, ao lado da sala onde despachava o presidente Bolsonaro.

Esse “gabinete do ódio” é comandado pelo filho Carlos Bolsonaro,  tendo como principal executivo o especialista em informática Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente e que desde a campanha de 2018 trabalha para a família Bolsonaro.

FINANCIAMENTO INTERNACIONAL – Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, no dia 21, o ministro Dias Toffoli revelou que, por meio da quebra de sigilos bancários, esses inquéritos identificaram financiamento internacional a pessoas que usam as redes sociais para atacar instituições brasileiras, como o próprio STF, responsável pelas investigações.

Segundo o ministro Dias Toffoli, os inquéritos conduzidos pelo relator Alexandre de Moraes aprofundam a investigação desse financiamento vindo do exterior, que é considerado uma prova gravíssima.

“A história do país mostrou ao que isso levou no passado. Financiamento a grupos radicais, seja de extrema direita, seja de extrema esquerda, para criar o caos e desestabilizar a democracia em nosso país”, afirmou o ministro no Canal Livre.

ATAQUES À IMPRENSA – Toffoli disse ainda que a informação sobre financiamento internacional mostra que “há uma organização por trás disso, que ataca inclusive a imprensa tradicional e séria”. E destacou: “Temos que ficar atentos, e o inquérito está em excelentes mãos.”

Como os dois inquéritos chegaram às mesmas pessoas no “gabinete do ódio”, o relator Alexandre de Moraes pode usar a chamada “prova emprestada”, como prevê o Código de Processo Civil.

Em seu artigo 372, o CPC determina que “o juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório”.

SEM RESSALVAS – A possibilidade de uso da “prova emprestada” é total, porque em 2014, no julgamento do Recurso Especial 617.428, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça estabeleceu, por unanimidade,  que a “prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto.

O único requisito é que o uso dessas “provas emprestadas” seja comunicado às partes envolvidas no, para que exerçam amplo direito de defesa.

TERCEIRO INQUÉRITO – O terceiro inquérito que se encontra com o relator Moraes envolve Bolsonaro mais diretamente, porém vai demorar, porque o presidente se recusa a prestar depoimento sobre a acusação de interferência na Polícia Federal, feita pelo ex-juiz Sérgio Moro.

É o mais grave, porque pode ter como “prova emprestada” os gravíssimos relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a tentativa de anular as investigações contra Flávio Bolsonaro.

A escolha é do freguês, como dizem os feirantes. Mas a meu ver, o inquérito mais importante é o terceiro, porque nele Bolsonaro se autoincriminou, ao dizer, na reunião ministerial de 22 de abril de 2020:

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”

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P.S. –
Bem, se esses motivos não justificam o impeachment desse presidente desequilibrado e fanfarrão, é melhor a gente se mudar para um país mais sério, como o Paraguai.
(C.N.)

Bolsonaro não tem dinheiro para vacina, porque desperdiçou R$ 54 bilhões no auxílio emergencial

Sadismo de Bolsonaro com a vacina chega ao limite da loucura | Opinião | EL PAÍS Brasil

Se dependesse de Jair Bolsonaro, nem existiriam as vacinas

Carlos Newton

Jair Bolsonaro foi um dos maiores equívocos eleitorais já cometidos no Brasil, ninguém poderia imaginar que se transformasse nessa figura caricata que nos envergonha interna e externamente, por seus atos irresponsáveis e suas declarações absurdas, que caracterizam um governo de cunho surrealista.

Nesta segunda-feira, republicamos um artigo do Estadão, que merecia ser manchete de todos os jornais, simultaneamente, por mostrar que o governo não tem dinheiro para comprar vacinas, com o presidente e o ministro logístico sempre reclamando dos preços, mas desperdiçou a espantosa quantia de R$ 54 bilhões, ao liberar auxílio emergencial a 13,7 milhões de pessoas que não tinham a menor necessidade.

INCOMPETÊNCIA REINA – Escrito por Edmar Araujo, presidente executivo da Associação das Autoridades de Registro do Brasil, o artigo mostra como o governo é incompetente e despreparado. Nenhum integrante do primeiro, segundo ou terceiro escalão teve o cuidado de consultar a relação dos declarantes do Imposto de Renda antes de liberar o auxilio emergencial.

Os burocratas comandados por esse trêfego enganador Paulo Guedes também não conferiram a lista do Bolsa Família para identificar falsas mães solteiras.

Se os descansados burocratas de Brasília tivessem feito o cotejo, o governo não teria desperdiçado os R$ 54 bilhões e poderia ter comprado vacinas para todos os brasileiros.

GOLPE DO AUXÍLIO – O Tribunal de Contas identificou que o governo distribuiu o auxílio emergencial a 7,3 milhões de pessoas fora dos requisitos legais e a 6,4 milhões de mães solteiras a mais no programa, que ganharam indevidamente uma cota excedente do benefício.

O perfil de quem recebeu indevidamente o auxílio emergencial é assombroso e mostra que país é esse, em termos de conduta moral.

São cerca de 700 mil servidores civis e militares; mais de 600 mil pessoas com vínculo formal de emprego; mais de 60 mil falecidos; mais de 40 mil brasileiros morando no exterior; mais de 40 mil detentos; e mais de 200 mil pessoas com renda acima do limite

Não haverá multa nem punição aos fraudadores, nada, nada. Por quê? Ora, essa doação ilegal de recursos públicos está sendo feita porque Bolsonaro não quer perder votos na eleição de 2022.
APENAS HIPOTETICAMENTE – Quando afirmamos aqui na TI que os R$ 54 bilhões poderiam ser gastos na compra de vacinas, é claro que estávamos falando hipoteticamente, como se o Brasil fosse governado por pessoas normais. Mas isso jamais aconteceria, porque o presidente da República demonstra não ter equilíbrio emocional e moral para conduzir o país. 

Mesmo se não tivesse desperdiçado os R$ 54 bilhões, Bolsonaro jamais teria comprado as vacinas no Dia D e na Hora H, simplesmente porque foi sempre contrário à imunização. Desde a primeira hora defende e continua a defender a teoria do rebanho, que consiste em deixar a pandemia dizimar grande parte da população, para que o restante fique automaticamente imunizado.

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P.S.  – Estamos mal, minha gente, porque não podemos confiar nos três Poderes. Mesmo assim, vamos em frente, porque o Brasil é maior do que o abismo que essas autoridades tentam cavar diante de nós, (C.N.)

Bolsonaro se recusa a depor sobre a PF, e o Supremo demonstra ter medo de enfrentá-lo

Charge do Aroeira (Portal O DIa/RJ)

Carlos Newton

Temos destacado aqui na Tribuna da Internet que na política as aparências geralmente enganam, não é possível confiar em ninguém. É claro que há exceções à regra. De vez em quando é preciso acreditar nas instituições democráticas, na esperança de que, pelo menos ocasionalmente e até furtivamente, algum dos Poderes da República funcione a contento, na defesa dos interesses nacionais.

No momento temos dois Poderes – Executivo e Legislativo – totalmente apodrecidos e combinados entre si. Com toda certeza, sem o menor risco de errar, pode-se dizer que hoje não é possível confiar em nenhum deles. Resta, portanto, apenas o Judiciário, que demonstra não estar mais pactuado com o governo e o Congresso, porém ainda não inspira confiança.

FUX DECEPCIONA – Não há dúvida de que o ministro Luiz Fux representava uma expectativa de renovação na presidência do Supremo e esperava-se que não repetisse o erro de Dias Toffoli, que vez o Judiciário enveredar por um caminho tortuoso de apoio ao governo e de defesa da impunidade de políticos e empresários corruptos.

Fuz assumiu em setembro e com presteza deu uma tremenda demonstração de pretender tirar o Supremo da lama, ao mudar o Regimento para remeter todos os casos penais para o Plenário, evitando que a Segunda Turma continue a libertar criminosos especializados em desviar recursos públicos. Mas ficou nisso.

Até agora não pautou a sessão que definirá a forma de depoimento do presidente Jair Bolsonaro, no inquérito sobre interferência na Polícia Federal. O chefe do governo já se recusou a depor, não há o que decidir e o inquérito termina no próximo dia 15.

RÉU CONFESSO – Nesse inquérito, o presidente Bolsonaro já é uma espécie de réu confesso, porque na reunião ministerial de 22 de abril, ele admitiu que realmente pretendia interferir na Polícia Federal, nos seguintes termos:

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”  

Bolsonaro foi sincero perante os ministros. Depois confirmar a disposição de defender a família, ao promover a reunião no Planalto com a participação da advogada Luciana Pires, do ministro Augusto Heleno (GSI) e do delegado Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, quando a Abin foi encarregada de anular os inquéritos contra o filho 01 Flávio Bolsonaro, acusado de prevaricação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha (associação criminosa). 

NAS MÃOS DE MORAES – Esse inquérito, com abundantes provas que incriminam o presidente da República, está nas mãos do relator Alexandre de Moraes, que até agora não deferiu o pedido de anexar ao inquérito os relatórios da Abin sobre o caso Flávio Bolsonaro, que inclusive sugerem a demissão do ministro da Corregedoria-Geral da União, procurador Waller Júnior, por considerar que ele não aceitaria participar de nenhuma manobra ilegal ou irregular para “inocentar” Flávio Bolsonaro, vejam a que ponto essa República decaiu moralmente.

A própria advogado do filho 01 confirmou tudo, em entrevista a Guilherme Amado, da “Época”, Qualquer estudante de Direito sabe que Bolsonaro, na forma da lei, não tem a menor chance de evitar a abertura de processo contra ele, fato que depende exclusivamente do ministro Alexandre de Morais, que pode se consagrar com jurista ou jogar seu nome na lata do lixo da História, como outros ministros do Supremo têm feito, sem o menor pudor.

Bem, faltam apenas duas semanas para o encerramento do inquérito e o relator terá de apresentar sua decisão. Vamos aguardar seu veredicto.   

Entenda por que a pandemia mata os pobres e a classe média, mas poupa as elites

Veículos estrangeiros retratam postura de Bolsonaro em charges - 10/05/2020 - Poder - Folha

Charge de Luff (jornal alemão Stuttgarter Zeitung)

Carlos Newton

A pandemia da covid-19 parece ser um flagelo de Deus eivado de extrema injustiça, porque atinge preferencialmente os pobres e a classe média baixa. Pode-se alegar que sempre foi assim, as elites sempre estiveram mais protegidas. Realmente é verdade, porque quem tem mais recursos pode se isolar e fazer uma melhor quarentena. Mas desta vez, no caso da covid-19, a desigualdade social ficou ainda mais patente, porque os governantes e as elites podem usar recursos que estão inacessíveis aos pobres e à classe média.   

Por volta do ano 541 d.C., a humanidade enfrentou a peste bubônica,  que foi perdendo a intensidade, porém durou mais de 200 anos. Depois, ressurgiu em 1343, sob o codinome de Peste Negra, durou dez anos até perder a intensidade, matou um terço da população da Europa e resistiu até o começo do século XIX. Pode ter matado até 200 milhões de pessoas. Foi a pior pandemia de todos os tempos.

OUTROS FLAGELOS – Em 1580, surgiu a primeira pandemia de gripe, que se espalhou por Ásia, Europa, África e pela recém- colonizada América.

Séculos depois, em 1889, a Gripe Russa foi a primeira a ser documentada com detalhes, com proliferação inicial de duas semanas sobre o Império Russo e chegando até o Rio de Janeiro. Ao todo, um milhão de pessoas morreram por conta desse subtipo da Influenza A.  Na mesma época, houve na Europa as epidemias de cólera, mas com menos mortes, por serem controladas com melhoria no abastecimento de água.

Em 1918, a Gripe Espanhola causou a morte de até 50 milhões de pessoas, afetando não só idosos e pacientes com sistema imunológico debilitado, como também jovens e adultos. Com possível origem nos Estados Unidos, essa enfermidade quase dizimou as populações indígenas americanas e levou a óbito cerca de 35 mil brasileiros.

PANDEMIA SELETIVA – A grande diferença para a covid-19 é que desta vez a Humanidade tem recursos para enfrentar a pandemia. E não espanta o fato de as mortes ocorram basicamente entre os pobres e a classe média. Mas qual é o verdadeiro motivo dessa situação, além da facilidade de as elites fazerem quarentena?

Na verdade, no Brasil e no mundo a situação é semelhante, porque toda doença é mais facilmente combatida quando descoberta no início. Eureka! Bingo! Bestial! É por isso que em nosso injusto país, a contaminação de alguma autoridade ou figura de elite sempe é divulgada assim pela imprensa: “Fulano testou positivo para coronavirus”.  

Foi assim com o presidente Jair Bolsonaro, com o vice Hamilton Mourão, com muitos outros ministros, integrantes das Forças Armadas e demais membros das classes dominantes, como se dizia antigamente. A diferença entre eles e o resto da população é que sempre estão fazendo testes, que identificam a doença no início, por isso o índice de mortalidade das elites chega a ser ridículo.

EXEMPLO DE BOLSONARO – É por isso que Bolsonaro impediu com tanto empenho a divulgação de seu prontuário médico ou sua cartilha de vacinas, porque neles estão registrados os testes frequentes que fazia.

Assim é fácil tirar tanta onda, dizer que é resistente por ter sido atleta na juventude, já que tem se queixado apenas das hemorroidas e do problema no abdômen (descolamento da tela implantada). É por isso que a covid-19 tem poupado os membros das Forças Armadas. A coisa mais difícil é ver um militar contaminado.

Enquanto o caricato presidente se diz “imbrochável”, os brasileiros e brasileiras estão morrendo em escala industrial, mas nossas autoridades estão protegidas. Lembrem que durante a primeira onda, em 2020, foi um escândalo quando encontraram quase 7 milhões de testes que o Ministério da Saúde estocava  no aeroporto de Guarulhos. 

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P.S. –
O problema é igual no mundo inteiro, como exemplo da desigualdade social que hoje economistas como Arminio Fraga e André Lara Resende tanto combatem. A diferença para outros países é que somente no Brasil tem um governante pregando que todos saiam às ruas, para se contaminarem logo e produzir a chamada imunidade de rebanho, que caracterizou as demais pandemias que a Humanidade enfrentou. Isso significa que Bolsonaro está doente, não tem equilíbrio mental e emocional, deveria fazer reabilitação, pelo menos. (C.N.)    

Justiça brasileira interpreta as leis de acordo com freguês, seguindo o estilo de Gilmar Mendes

Gilmar Mendes e os habeas corpus

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Newton

No final dos anos 50, quando a televisão ainda era primitiva e estava sendo criado o primeiro sistema de vídeo-tape pelos cientistas americanos Charles Ginsberg e Ray Dolby, da empresa Ampex, que desenvolveu um suporte magnético para registrar sons e imagens simultaneamente, a emissora londrina BBC entrevistou o filósofo, matemático e historiador Bertrand Russell.

Naquela época, as reportagens ainda eram gravadas em câmara cinematográfica de 16 mm, acompanhada de um gravador tipo nagra, e o entrevistador foi altamente criativo, pois conseguiu colocar Russell diante de nuvens que passavam lentamente por trás dele.

CHEGA DE MENTIRAS – Entre outros assuntos, o inquietante e revolucionário filósofo, que se posicionava como “liberal, pacifista e socialista, mas sem radicalismos”, previu que a invenção do vídeotape seria um problema para os políticos, que poderiam ser desmentidos sempre que mentissem.

Em 1974, quando o presidente norte-americano Richard Nixon foi obrigado a renunciar, por ter mentido ao dizer que desconhecia a invasão noturna ao comitê democrata no edifício Watergate, recuperamos a profética entrevista de Bertrand Russell e a exibimos na rede nacional da TV Educativa, que o mestre Gilson Amado acabara de criar, como universidade sem paredes.

De lá para cá, foi um festival de governantes, autoridades e políticos apanhados em flagrante de mentiras, dizendo uma coisa hoje e outra amanhã, não porque tivessem evoluído a ideia, mas simplesmente por falta de caráter.

EXEMPLO DO STJ – Agora, no julgamento que anulou a quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro, de seu cúmplice Fabricio Queiroz e de outros 90 picaretas que infestam a política, com mandatos ou não, três ministros do STJ mudaram os votos que deram habitualmente em mais de 90 por cento das questões semelhantes.

A desfaçatez dessa gente é impressionante, parece não saber que já foi inventado o vídeo-tape. E assim entra definitivamente na moda a prática de os magistrados interpretarem a lei, de acordo com a necessidade de inocentar ou libertar os criminosos envolvidos.

Na verdade, nada mais fazem do que seguir o exemplo do ministro Gilmar Dantas. Até 2016, quando a Lava Jato ainda não atingia seus amigos tucanos, era ardoroso defensor da prisão após julgamento em segundo instância. No entanto, quando os barões do PSDB passaram a ser réus, em 2019, o ilustre jurista subitamente mudou de ideia, de tese, de jurisprudência. Assim é a Justiça brasileira. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.

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LEIAM PARTE DO VOTO DE GILMAR MENDES EM 2016

O Supremo, em outubro de 2016, por seis votos a cinco, reafirmou o entendimento de que o parágrafo 57 do artigo 5º da Constituição, que diz que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, não impedia o início da execução da pena após condenação em segunda instância. Ou seja, como o mérito da condenação já fora julgado duas vezes, não havia mais “presunção de inocência”.

Votaram a favor os ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Teori Zavascki, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Votaram contra e ficaram vencidos os ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Nesse julgamento, Gilmar Mendes justificou brilhantemente seu entendimento de que o réu deve ser preso após condenação em segunda instância.

“Não se conhece no mundo civilizado um país que exija o trânsito em julgado. Em princípio se diz que se pode executar a prisão com decisão de segundo grau. Uma coisa é termos alguém como investigado. Outra coisa é termos alguém como denunciado, com denúncia recebida. Outra coisa é ter alguém com condenação e agora com condenação em segundo grau. Quer dizer, o sistema estabelece uma progressiva de ‘ruição’, vamos chamar assim, da ideia de presunção da inocência. E nós sabemos da nossa experiência. Amanhã um sujeito planta um processo qualquer, embargos de declaração, e aquilo passa a ser tratado como rotina a despeito… O processo ainda não transitou em julgado, vamos examinar. E daqui a pouco sobrevém uma prescrição, com todas as consequências e o quadro de impunidade. Eu acho que os presídios brasileiros vão melhorar daqui para a frente, porque se descobriu que se pode ir para a cadeia”.

“Poderá haver erros? Sempre poderá. É possível reverter? Todo dia pode ocorrer isso. Mas também não vamos esquecer que o sistema permite correção. Permite até o impedimento do início da execução da pena com a obtenção de liminar em habeas corpus. Não há nenhuma dúvida de que a realidade mostra que nós precisamos, sim, levar em conta não só o aspecto normativo, que ao meu ver legitima a compreensão da presunção de inocência nos limites aqui estabelecidos a partir do voto do relator, como também, e aqueles que o acompanharam, como também levaram em conta a própria realidade, que permite que exigir o trânsito em julgado formal, transforme o sistema num sistema de impunidade”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Nos outros países, a invenção do gravador fez as autoridades tomarem cuidado com essas mudanças de opinião que podem revelar falta de caráter. Mas no Brasil, considerado o país do futuro, a Justiça insiste em permanecer na Idade Média, onde os nobres e as elites jamais eram punidos. Deitados em berço esplêndido, estamos eternamente acorrentados ao passado, sem um gravador que possa nos libertar. (C.N.) 

Nem tudo está perdido, e o CADE suspende a venda da refinaria da Petrobras na Bahia

Argumentos contra e a favor da privatização nacional

Charge do Vichy (Arquivo Google)

Carlos Newton

Os três Poderes da República estão de tal forma apodrecidos que muitos brasileiros têm vontade de desistir e tentar a vida lá fora, embora não exista paraíso na Terra. Realmente, não tem sido fácil. E quando surge uma fio de esperança, com uma nova geração de juízes, procuradores, delegados federais e auditores da Receita, em trabalho conjunto, mostrando que é possível passar a limpo este país, logo surgem os advogados do diabo e os juristas do inferno dantesco para arguir tecnicalidades e indicar brechas na lei que garantem a impunidade das elites, aí mesmo é que dá vontade de jogar a toalha. Mas é um erro, temos de seguir em frente.

Para levantar o astral desse povo sofrido, em 2004 a Associação Brasileira de Anunciantes lançou a campanha “Eu sou brasileiro e não desisto nunca”. Realmente, é um belíssimo slogan, que deveria ser adotado de forma permanente.

EXEMPLO PETROBRAS – Veja-se o exemplo da Petrobras. Nossa maior empresa, que deveria ser um orgulho dos brasileiros, de repente passa a ser fatiada e vendida de forma bizarra e até infantil, privatizando ativos importantíssimos, como a BR Distribuidora e a os gasodutos TAG, comprado pela empresa francesa Engie, uma estatal disfarçada, cujo maior acionista é a o governo francês como 34% do controle.

Mas nem tudo está perdido, porque nesta terça-feira o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que costuma dormir em berço esplêndido, subitamente despertou do sono eterno e enviou um ar ofício à Petrobras, determinando que a empresa não efetive as vendas de suas refinarias sem o aval do órgão, numa decisão que é fruto de denúncias de uma Ação Popular apresentada na Justiça Federal de Salvador, assinada pela Frente Única dos Petroleiros, pelo Sindipetro BA e pelo governo da Bahia.

PREÇO DE BANANA – Essa Ação Popular, redigida pelo Escritório Advocacia Garcez, foi provocada pelo fato de a Petrobras ter vendido a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) a uma estatal dos Emirados Árabes Unidos, pela metade do seu valor do mercado.

A criminosa gestão do economista Roberto Castello Branco, um dos Chicago Boys a serviço do ministro Paulo Guedes.  negociou a refinaria com o Fundo Mubadala por 1,65 bilhão de dólares (cerca de R$ 8,9 bilhões), quando estudos estimam que a Rlam esteja avaliada entre 3,12 bilhões e 4 bilhões de dólares (entre R$ 17 bilhões e R$ 21 bilhões).

De acordo com notícia divulgada pela imprensa, a proposição da Ação Popular foi citada no ofício do CADE à Petrobrás. O Sindipetro Bahia também protocolou denúncia no Tribunal de Contas da União (TCU) por conta da venda da Rlam pela metade do preço de mercado.

CÁLCULO DO VALOR REAL – Em outra ação, sindicatos filiados à FUP registraram na Embaixada dos Emirados Árabes Unidos um documento ao Fundo Mubadala, que comprou a RLAM.

No documento, apresentam os cálculos do valor real de mercado da refinaria, expondo a ilegalidade dos termos de venda feita pela gestão Castello Branco.

Já a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) deu entrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com uma representação no sentido de resguardar os interesses dos acionistas que representa.

AÇÕES SEMELHANTES – A Anapetro enviou comunicado ao Conselho de Administração da Petrobras sobre a representação. No texto, a Associação destaca que “ações semelhantes já foram objeto de medidas coercitivas de órgãos de controle externos à Petrobras em relação a negócios do passado recente, e na certeza de que tais eventos trariam ventos turbulentos à Companhia, confiamos nesse Conselho de Administração para rejeição desse negócio espúrio”.

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P.S. –
O mais triste é ver a Petrobras ser alienada por um governo que tem a maior participação militar da História. Nem mesmo nos anos de chumbo do regime militar houve cerca de 6 mil militares ocupando cargos da administração pública federal. E o atual ministro de Minas e Energia é um almirante, que deveria preservar o interesse nacional, parece mais dedicado a se comportar da forma mais omissa possível, curvado aos interesses transnacionais na ponte de comando. (C.N.)

Bolsonaro perdeu a maioria no Supremo e daqui para a frente não ganha mais nada

TRIBUNA DA INTERNET | Inquérito do Supremo abala seriamente e até  desequilibra o governo de Jair Bolsonaro

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton 

Muito antes de Jesus Cristo, os principais filósofos da Humanidade questionavam a existência e estudavam o conceito de que tudo muda, o tempo todo, nada é permanente. Essas teorias se consolidaram simultaneamente 500 anos a.C., através da Tese da Impermanência, defendida no Oriente pelo líder nepalês Sidarta Gautama, o Buda, e da Tese do Devir, do pensador grego Heráclito de Éfeso.

Agora no terceiro milênio, tanto tempo depois, essas teorias filosóficas se mostram cada vez mais corretas e atuais. A cada dia, quando acordamos, precisamos estar atentos para as mudanças que podem ocorrer na nossa trajetória individual e também no desenrolar coletivo.

TUDO POR DINHEIRO – Quando usou a caneta e o cofre para conquistar, por 30 dinheiros, uma falsa base aliada no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro pensava que o pais permanecia na mesma conjuntura de 2019, quando podia contar com o apoio carreado pelos ministros Dias Toffoli, que então presidia o Supremo, e Gilmar Mendes, com os quais tinha obtido grandes conquistas, especialmente a proibição de criminoso cumprir pena após condenação em segunda instância, ao contrário do que ocorre nos outros 192 países-membros da ONU.

Para Bolsonaro, na época não importava se Lula da Silva e José Dirceu iam ser soltos – o fundamental era blindar o filho Flávio e sepultar os R$ 89 mil reais que o assessor familiar Fabricio Queiroz depositara em nome da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Vida que segue, diria João Saldanha, e Bolsonaro não percebe que a conjuntura agora lhe é desfavorável no Supremo, apesar de ter nomeado um áulico para a vaga de Celso de Mello.

TOFFOLI MENTIU – O fato concreto é que em novembro de 2019, para soltar Lula e Dirceu, o então presidente Dias Toffoli teve de mentir, ao prometer a dois ministros que a prisão passaria a valer para condenados em terceira instância (STJ), mas no Dia D e na Hora H, como último a votar, mudou a regra do jogo e encerrou abruptamente a sessão.        

O golpe deu certo, mas despertou a Teoria da Impermanência, de Buda, ou a Teoria do Devir, de Heráclito, isso nem interessa, são a mesma coisa. E agora Bolsonaro não tem mais maioria no Supremo. Na verdade, controla apenas um voto, de Nunes Marques, aquele ministro fraudador de currículos.

Os velhos amigos Dias Tofolli e Gilmar Mendes podem até eventualmente apoiar o presidente, mas não existe mais o comprometimento prévio. O mesmo acontece em relação a Marco Aurélio Mello, cujo voto é sempre imprevisível.

BOLSONARO EM MINORIA – Em tradução simultânea, Bolsonaro, na melhor das hipóteses, só consegue quatro votos no Supremo. O ex-parceiro Ricardo Lewandowski, depois de libertar Lula, Dirceu e os outros, agora quer distância do governo, que realmente não merece o menor apoio.

Rosa Weber, enganada por Toffoli na votação da segunda instância, aguarda para saborear o doce gosto da vingança. E os outros cinco são os de sempre, que formam a bancada contra a corrupção – Luiz Fux, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Assim, as questões do interesse de Bolsonaro não terão no Supremo a mesma complacência que estão conseguindo no STJ.

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P.S. –
Vai ser eletrizante assistir a essa reviravolta na política brasileira, confirmando a teoria de que tudo muda e o importante é o devir. Será uma nova versão do Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, briga boa de se ver, diria Glauber Rocha. (C.N.)

O general Pazuello está pagando caro por obedecer a ordens ilegais e estúpidas do presidente

OPINIÃO - Ordem errada não se cumpre - Tribuna da Imprensa Livre

Charge do Pelicano (Arquivo do Google)

Carlos Newton     

“É simples assim: um manda e o outro obedece”, disse em 22 de outubro o general Eduardo Pazuello ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que na véspera desautorizara o ministro da Saúde, ao mandar cancelar o protocolo de intenções de compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, anunciado no dia anterior por Pazuello em uma reunião com governadores.

Ao invés de enfrentar o presidente, que estava propositadamente boicotando a compra da vacina pelo simples fato de ter sido desenvolvida na China, o general curvou-se de tal maneira que dissipou qualquer resquício de esperança que os brasileiros pudessem ter nele. Mostrou ser um falso militar, que indevidamente chegou ao generalato e às três estrelas, seu último patamar.

INQUÉRITO CIVIL – Se tivesse assumido uma atitude digna, como seus antecessores no Ministério da Saúde, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o general Eduardo Pazuello estaria hoje em  situação muito melhor. Mas preferiu se agarrar ao cargo como um rotundo carrapato verde oliva, não é isso que se espera de um militar de verdade.

O resultado é que, além de ter sua imagem pessoal ridicularizada e devastada pela mídia e pelas redes sociais, agora está submetido a inquéritos de muita gravidade, com o que acaba de ser aberto pela Procuradoria da República do Distrito Federal, para apurar se o ministro da Saúde cometeu improbidade administrativa no combate à Covid-19.

O MPF vai investigar se houve ilegalidade para comprar medicamentos sem eficácia comprovada; a baixa execução orçamentária no combate à Covid;  a omissão de providências para suprir a falta de oxigênio em Manaus; e a leniência na compra de vacinas.

DIVERSAS PUNIÇÕES – Esse inquérito civil pode levar sanções como perda da função pública, suspensão de direitos políticos, ressarcimento aos cofres públicos. Em outra frente, a penal, o ministro já é investigado em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, com outras punições.

Assim, de uma hora para outra, um general ilustre e respeitado passa a ser investigado como um fora-da-lei, e tudo isso acontece somente porque obedeceu a ordens estúpidas e ilegais do presidente da República.

Pazuello errou como civil e também como militar, porque estava protegido pelo Código Penal das Forças Armadas, mas não teve coragem de enfrentar um presidente irresponsável a atrabiliário. Preferiu obedecer a ordens flagrantemente ilegais, agora tudo indica que se tornará réu de processos civil e   penal

DIZ O CÓDIGO – A situação é prevista com detalhes no Código Penal Militar, cujo rigor seria mais aplicável ao presidente do que ao ministro:

Art. 38. Não é culpado quem comete o crime: […]

b) em estrita obediência a ordem direta de superior hierárquico, em matéria de serviços.

1° Responde pelo crime o autor da coação ou da ordem.

2° Se a ordem do superior tem por objeto a prática de ato manifestamente criminoso, ou há excesso nos atos ou na forma da execução, é punível também o inferior.

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P.S. – Ao se mirar ao espelho, como no poema de Rubem Braga, o ex-prestigiado general Pazuello certamente passou a se ver “envelhecido e envilecido”. Então, valeu a pena receber esse salário adicional de ministro durante alguns meses? Claro que não. Será esse o preço da dignidade de um oficial-general? Claro que não. Daqui em diante, Eduardo Pazuello jamais será a mesma pessoa de antes? (C.N.)

Além de Daniel Silveira, investigação do STF incrimina Carluxo e assessor de Bolsonaro

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O futuro de Jair Bolsonaro depende de Alexandre de Moraes

Carlos Newton

Há vários inquéritos no Supremo que investigam direta e indiretamente o presidente Jair Bolsonaro. Três deles, relatados pelo ministro Alexandre de Moraes, serão concluídos no próximo dia 15 – atos antidemocráticos, fake news e interferência na Polícia Federal.

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) já vinha sendo investigado em um desses inquéritos, porque a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal comprovaram relações dele com empresários e blogueiros bolsonaristas, assim como sua atuação para incentivar a realização de um ato diante do Forte Apache, Quartel-General do Exército, em Brasília, ocorrido em 19 de abril, marcado por ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal, com a presença de Bolsonaro e alguns ministros.

PAPEL DE DESTAQUE– Segundo reportagem de Aguirre Talento e Bela Megale, em O Globo, as manifestações de Silveira nas redes sociais foram um dos principais exemplos usados pela Procuradoria para solicitar a abertura do inquérito dos atos antidemocráticos.

A investigação descreve que Silveira teve papel de destaque na organização do ato, sempre defendendo o fechamento do Supremo, a intervenção militar e a edição de um novo Ato Institucional nº 5. Comprovou-se também o uso de dinheiro público, da cota parlamentar de Silveira, para a produção e publicação de vídeos atacando as instituições democráticas.

Esses acontecimentos estão sob análise dentro do inquérito dos atos antidemocráticos. Além desses fatos, Silveira foi denunciado pela Procuradoria na semana passada, sob acusação de crimes ao proferir ofensas e ameaças aos ministros do STF, o que também resultou em sua prisão em flagrante.

CARLUXO E ASSESSOR – Esse inquérito dos atos antidemocráticos tem ligações com a investigação das fake news. Em ambos os casos, ficou comprovada a participação do chamado gabinete do ódio, que funciona no terceiro andar do Planalto. As apurações da Polícia Federal incriminam o vereador Carlos Bolsonaro, o Carluxo, e o assessor presidencial Tércio Arnaud Tomaz, que comandam o gabinete do ódio e a produção de falsas notícias.

As investigações sobre fake news, atos antidemocráticos e interferência na Polícia Federal terminam dia 15 de março. As apurações se interligam e exibem o conjunto da obra do presidente Bolsonaro, que chegou ao clímax com a atuação da Agência Brasileira de Inteligência para anular as acusações contra o filho Flávio Bolsonaro, algo jamais visto na História da República.

Se o ministro Alexandre de Moraes concluir pelo envolvimento do presidente, o que é mais do que óbvio, e pedir a abertura de processo, será iniciada a tramitação do impeachment de Bolsonaro, via Supremo. Mas quem se interessa?

É difícil entender que admiradores de Marx e Engels possam ser defensores da democracia

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Como admirador de algumas colocações dos pensadores Karl Marx e Friedrich Engels, tenho me dedicado ao prazeroso esporte do amor à democracia, à liberdade de imprensa e à troca de ideias. Aliás, este é justamente o objetivo da Tribuna da Internet, que infelizmente está infestada de robôs infiltrados pelos partidos e facções políticas, é uma chatice fazer a moderação dos comentários, uma atividade que nem deveria existir num espaço em que todos podem manifestar opinião.

Essa utopia libertária da TI fica prejudicada pela participação desses humanoides, replicantes  e androides políticos, assim considerados porque agem mecanicamente, não raciocinam e repetem afirmações e justificativas que lhes foram impingidas. 

LIBERDADE DE IMPRENSA – Esses robôs são analfabetos políticos. Nenhum deles sabe que Marx e Engels  jamais defenderam censura à imprensa ou ditadura do proletariado, acredite se quiser.

Entre os adeptos da esquerda, Marx é endeusado e Engels fica num segundo plano. A meu ver, porém, essa colocação é absolutamente injusta. Aliás, entre esses dois pensadores alemães, tenho especial admiração por Engels, em função de seu desprendimento pessoal.

Ele nasceu em uma família rica, seu pai comandava uma das primeiras multinacionais da História, com indústrias na Alemanha e na Inglaterra. Assim, ao defender os inexistentes direitos dos trabalhadores, Engels estava atuando contra os interesses da própria família e é interessante notar o altruísmo de seu pai, pois não há notícias de que tenha recriminado o filho por sua rebeldia política.

CHOCADO COM A POBREZA – Enviado pelo pai para dirigir uma indústria têxtil da família em Manchester, na Inglaterra, o jovem Engels ficou chocado com a pobreza dos operários. Em seguida, conheceu Marx em Paris e aliou-se a ele, passando inclusive a ajudar no sustento do amigo.

IDEALISMO DE HEGEL – Os dois eram integrantes de um grupo de jovens que estudavam as teorias de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, um dos mais importantes e influentes filósofos alemães do século 19. Hegel defendia a tese de que “tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito”.

A partir desse idealismo filosófico de Hegel, que tinha um toque espiritual, Marx e Engels então buscaram o verdadeiro na realidade dos problemas econômicos que afetavam as nações e os trabalhadores.

Na capital francesa, a produção intelectual de Marx e Engels tomou grande impulso. Depois de Paris, Marx morou em Bruxelas. Na capital da Bélgica, o economista intensificou os contatos com operários e participou de organizações clandestinas. Até que, em 1848, Marx e Engels publicaram o “Manifesto do Partido Comunista”, o primeiro esboço da teoria revolucionária que, anos mais tarde, seria denominada marxismo.

CONTRA-INFORMAÇÃO – Com toda certeza, Marx e Engels se tornaram os intelectuais mais caluniados de todos os tempos. A contrainformação capitalista difundiu, por exemplo, que Marx e Engels seriam defensores de ditaduras, mas esta tese não existe na doutrina deles, que não é perfeita e precisa ser adaptada aos dias de hoje, pois os dois pensadores viveram na época da moderna exploração do homem pelo homem, quando a escravidão acabara, mas ainda não havia direitos trabalhistas e sociais.

Sem a menor dúvida, Marx e Engels são benfeitores da Humanidade, pois forçaram a humanização do capitalismo. No entanto, quase dois séculos depois do Manifesto Comunista, a defesa que fizeram dos trabalhadores até hoje não foi superada, apenas precisa de adaptações.

SÃO DIVAGAÇÕES – Bem, estou divagando, como sempre. E logo aparecerá um robô que me chamará de esquerdopata e ditatorialista, sem perceber que este espaço da “Tribuna da Internet” é exatamente o contrário – não tem ideologia, é livre e aceita outras opiniões, até porque não existem verdades absolutas e todos precisam apreender com os outros.

Neste contexto do Blog, uma das realidades que mais me despertam interesse é a falta de diálogo. Aqui na TI muitos participantes não entendem o que significa respeitar outras opiniões, é impressionante.

Brigam, trocam ofensas, dizem palavrões, trata-se de um fenômeno social interessante, a ser analisado por psicanalistas e psiquiatras.

DIZIA PAULO FRANCIS – Pessoalmente, eu não me incomodo com esses robôs repetitivos. Trabalhei com Paulo Francis na Tribuna da Imprensa e na Ultima Hora (quando fui para O Pasquim, ele já não estava mais). Com ele aprendi que a gente não deve dar importância nem mesmo ao que escreve, porque mais adiante pode trocar de opinião.

Outro fato concreto, que Francis não me ensinou, mas existe, é o seguinte: quem escreve precisa ter o cuidado de não fazer nenhuma bobagem, porque isso servirá de munição a seus desafetos pelo resto da vida, e não adianta espernear. Portanto, o ideal é tentar fazer sempre a coisa certa, apenas isso, conforme a doutrina budista.

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P.S.
É claro que na vida tudo tem limite, até mesmo minha paixão marxista pela democracia. Minha filha, por exemplo, pede que eu me identifique como socialista, porque o marxismo tem hoje uma imagem muito negativa. Ela tem toda razão. A opção da hora, como se diz em São Paulo, é ser social-democrata, o que não significa se tornar tucano, que Deus me perdoe. (C.N.)

O silêncio constrangedor de Bolsonaro está ferindo o coração solitário do deputado

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Charge do Ze Dassilva (Diário Catarinense)

Carlos Newton

Em reação ao ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, o governo do presidente George W. Bush aprovou no Congresso o pacote do Ato Patriótico, apenas 45 dias após o atentado, para facilitar as operações policiais contra terroristas. O resultado dessa patuscada foi de que passou a valer tudo na nossa matriz USA, em caso de suspeita de organização clandestina ligada a terrorismo, 

Prisões arbitrárias, grampos telefônicos sem autorização judicial, busca e apreensão sem mandato, além de torturas e coisa que o valha, realmente  vale tudo na matriz USA,  jogando na lata do lixo os direitos civis naquela nação que se diz exemplo de democracia.

ATO PATRIÓTICO – Aprovada às pressas em 2001, a lei contra terrorismo é vaga e fere claramente a Constituição dos EUA. Seis anos depois, em dezembro de 2007, quando já eram notórios os excessos do FBI, especialmente contra imigrantes árabes, o tribunal federal de recursos de Los Angeles confirmou a inconstitucionalidade de trechos do Ato Patriótico, porque há dispositivos imprecisos e que não podem ser entendidos pelo cidadão comum.

Ainda em 2007, no segundo mandato do presidente George W. Bush, o próprio governo reconheceu a inconveniência do Ato Patriótico e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou internamente um dossiê em que acusou o FBI, a polícia federal americana, de não informar oficialmente o uso ilegal dessa legislação.

AINDA EM VIGOR – Vieram os governos de Barack Obama, depois Donald Trump, e nada aconteceu. O FBI continuou praticando barbaridades ilegais e o tal Ato Patriótico não foi revogado nem aprimorado.

Enquanto isso, aqui na filial Brazil, as autoridades têm de se socorrer na Lei de Segurança Nacional, um resquício da ditadura militar que às vezes pode quebrar um belo galho patriótico, digamos assim.

No meio da confusão causada pelo ex-corajoso e ex-indomável deputado Daniel Silveira, que só faltou faltou chorar e se ajoelhar nesta sexta-feira, ao pedir desculpas a todo o povo brasileiro, na Câmara o despreparadíssimo rachadista Arthur Lira apresentou a solução – criar um grupo de trabalho parlamentar para mudar as leis patrióticas brasileiras. Bestial”, como dizem nossos irmãos portugueses.

VERGONHA NA CARA – Alguém precisa informar urgentemente ao neopresidente da Câmara que o problema não é de legislação, mas de vergonha na cara, como diria o genial historiador Capistrano de Abreu.

Com um presidente da República completamente desequilibrado, que não diz nada que preste, cria várias crises simultâneas, organiza e participa de atos antidemocráticos, tenta controlar a Polícia Federal para não “foder” (disse ele, em solene reunião ministerial) a família e os amigos, e manda a Abin ajudar na anulação dos inquéritos e processos criminais de seu filho mais velho, bem, com um presidente desse nível, o que esperar dos parlamentares que o apoiam tão apaixonadamente como o ex-tigrão Daniel Silveira, que agora parece que virou tchuca, como estão dizendo aqui na TI.

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P.S. – O presidente Jair Bolsonaro não dedicou uma palavra de consolo ao ex-amigo tigrão, não deu um telefone, não mandou um telegrama, não passou um whatsapp, nada, nada… Aliás, pelo contrário, na tentativa de fazer com que a imprensa mudasse de assunto, Bolsonaro aproveitou a nova alta dos combustíveis e demitiu o presidente da Petrobras, que já vai tarde e jamais deveria ter sido nomeado para um cargo tamanha importância estratégica e econômica. Mas quem se interessa?. (C.N.)

Supremo sinaliza que vai emparedar Jair Bolsonaro para manter a democracia plena

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Charge do Bira Dantas (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em confirmação ao que  venho anunciando aqui na Tribuna da Internet nos últimos meses, sempre com absoluta exclusividade, o Supremo Tribunal Federal começa a surpreender o país e daqui para a frente vai ser um festival. Agora, quando nossas informações enfim se comprovam, há quem proteste e denuncie a “Ditadura do Judiciário”, mas não é assim que a banda toca, como se dizia antigamente.

Reparem que a prisão do deputado ultrabolsonarista foi aprovada por uma unanimidade entusiástica, sem nenhum reparo dos ministros “garantistas”, bem diferente daquela unanimidade recalcitrante que aprovou há seis meses a obrigatoriedade de ações penais serem julgadas pelo plenário e não mais pelas turmas.

GUARDIÃO DA DEMOCRACIA – Ao contrário do que muita gente pensa, não são as Forças Armadas (leia-se: o Alto-Comando do Exército) que funcionam como guardiães da democracia. Isso non ecziste, diria o incisivo padre Quevedo.

O fato concreto é que, em democracia plena, como a hoje existente no Brasil, quem protege a democracia é o Poder Judiciário, representado pelo STF.

Portanto, em tradução simultânea, não está se formando uma “Ditadura do Supremo”. O que ocorre é justamente o contrário, com o STF atuando decididamente para manter a plenitude democrática e evitar que o Brasil se transforme numa falsa democracia de direita, como se fosse uma versão bufa de Cuba ou Venezuela.

INTENÇÕES CLARAS – O maior dogma da democracia é a obrigatoriedade da liberdade de imprensa, que o presidente Bolsonaro tenta desesperadamente derrubar, a propósito de combater o marxismo.

Em sua ignorância patética, Bolsonaro desconhece que Karl Marx e Friedrich Engels jamais defenderam censura à imprensa,  que é coisa de soviéticos e cubanos. Pelo contrário, Marx e Engels lutavam pela imprensa livre, contra a ditadura do imperador alemão Frederico IV.

E defendiam a tese de que a imprensa, em sua capacidade de crítica aos governantes, reflete sempre o nível de desenvolvimento da sociedade.  Assim, quanto mais politizada e crítica a imprensa, melhor para a sociedade.

RISCO À DEMOCRACIA – Qualquer idiota percebe que a democracia está em risco no Brasil. Na vida tudo precisa ter limites, mas Bolsonaro tem clara vocação ditatorial. Já demonstrou com abundância que não tem condições intelectuais e mentais de governar o país, ele próprio o admite (“Não consigo governar”), mas continua sonhando em ser ditador.

Alguém tem de pará-l0, com a máxima urgência. E essa missão cabe ao Supremo, não às Forças Armadas.

Falta pouco. Três inquéritos importantes contra Bolsonaro estarão conclusos em 15 de março e o ministro Alexandre de Moraes vai decidir se processa o presidente ou arquiva as acusações. Façam suas apostas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa revolta do Supremo é o fato político mais importante desde a vitória de Jair Bolsonaro. Realmente, um acontecimento destinado a ficar na História. Amanhã voltamos ao assunto. (C.N.)

É mais fácil a imprensa acabar com Bolsonaro do que ele acabar com os jornais brasileiros

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Bolsonaro atacando a Folha de São Paulo, pela enésima vez

Carlos Newton

Jamais uma quarta-feira de cinzas fez tanto jus à denominação. Sempre foi um dia nostálgico e de poucas notícias na imprensa. Desta vez, porém, as cinzas se justificaram, porque o país parece estar pegando fogo. A esculhambação política chegou a um estágio inacreditável, levando o Supremo a aprovar por unanimidade a prisão de um deputado bolsonarista que tem formação policial, porém não consegue entender que na vida tudo precisa ter limites, até a liberdade de expressão.

É claro que o comportamento desse neoparlamentar é baseado na falta de decoro do presidente da República, que se utiliza de uma linguajar chulo, não respeita ninguém e conduz os encontros ministeriais como se estivesse num botequim pé-sujo, conforme ficou comprovado pela gravação da reunião do dia 22 de abril de 2002 no Planalto.

ATAQUE À IMPRENSA – No rescaldo das cinzas do Carnaval, até então o destaque tinha sido o mais novo ataque de Bolsonaro à imprensa. É algo jamais visto na História do Brasil, um retrocesso verdadeiramente medieval, que demonstra interna e externamente o despreparo do governante brasileiro.

Até então, o mais grave incidente havia sido a censura imposta pela ditadura em 1968, que se somou à tortura e o assassinato de presos políticos como os mais graves erros dos militares que empolgaram o poder em 1964, digamos assim, com a cumplicidade dos civis.

Mais de 50 anos depois, numa conjuntura completamente diferente, é bizarro assistir o presidente e seus áulicos a defenderem práticas nada republicanas. É tudo fruto do despreparo dessa facção política que acaba de chegar ao poder no Brasil por via das circunstâncias.

IGNORÂNCIA E ESTUPIDEZ – Há 500 anos, na Europa, o padre François Rabelais ensinava que “a ignorância é a mãe de todos os males”. Mais recentemente, o pastor Martin Luther King atualizava esse pensamento, ao afirmar que “nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente”.

Bolsonaro é isso aí, por reunir “a ignorância sincera e a estupidez consciente”. Seu maior erro é julgar que as redes sociais já se tornaram mais importantes do que a imprensa tradicional, que estaria destinada à extinção. Diversas vezes já fez afirmações nesse sentido aos jornalistas, especialmente diante dos fanáticos que se aglomeram na portaria do Palácio da Alvorada.

“A profissão de vocês vai acabar”, diz o presidente da República, ao repetir antigas previsões que jamais se concretizaram, e são feitas sempre que surgem novidades na área da mídia, que desde seu surgimento com os arautos dos reis vem incorporando novas tecnologias, para que o serviço básico – a informação – seja cada vez mais acessível.

DESDE GUTENBERG – Depois que o alemão Johannes Gutenberg criou no Século XV a tipologia, invenção que possibilitaria o surgimento de jornais, revistas e livros, causando desemprego de copistas, a imprensa floresceu embelezada pelas fotografias, cuja técnica era desenvolvida simultaneamente em vários países, mas a primeira foto conhecida foi exibida em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce.

Pouco depois, em 1844, o norte-americano Samuel Morse criou o telégrafo com fio e levou à informação à distância, inclusive com cabos submarinos, mudando os rumos da comunicação.

Em seguida, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumiére criaram o cinema em 1895 e depois a foto colorida. Com a popularização do cinema mudo e falado, logo apareceu que dissesse que o teatro ia se acabar…

NAS ONDAS DO RÁDIO – Simultaneamente, o italiano Guglielmo Marconi inventou a telegrafia sem fio e fez a informação cruzar o Canal da Mancha em 1899, e ninguém sabia que dali logo se derivaria o rádio, que até o advento do celular era o mais popular meio de comunicação.

Naquela época, com as rádios já fornecendo informações de graça e em tempo real, disseram que a imprensa ia se exaurir, mas a profecia era uma bobagem.

Mais adiante, em 1918, o escocês John Logie Baird começou a transmitir imagens e surgiu o milagre da televisão, repetindo-se as velhas profecias de que o teatro e o cinema iriam se acabar…

NA ERA DIGITAL – E agora, no novo milênio, a internet traz a informação em tempo real, com textos, fotos, filmagens e tudo o mais, e logo surgem as velhas visões apocalípticas de que desta vez a grande mídia não vai conseguir escapar.

Deslumbrado com o sucesso das redes sociais nas eleições, Bolsonaro embarcou nessa canoa furada e abriu uma guerra contra a imprensa, com apoio de milhões de fanáticos que também acreditam nessa bobajada.

Acontece que não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, surgiu do nada a primeira pandemia deste milênio, assustando para valer a população mundial, que literalmente está se vendo pela famosa hora da morte.

ONDE SE INFORMAR? – E onde as pessoas foram buscar as informações sobre o coronavírus? Nas redes sociais? Ora, ora, isso “non ecziste”, diria padre Quevedo, enfrentando as bruxas da comunicação. As redes sociais são coisas de amadores. Nos momentos cruciais, é preciso consultar os profissionais, que mantêm na grande mídia o comando das informações concretas e confiáveis.

Pouca gente entende que a imprensa é como a medicina e sempre funcionará como uma espécie de “clínica geral” da sociedade, apontando seus males e tratamentos.

É sabido que não se deve falar mal dos médicos, porque a qualquer momento você pode precisar deles. Da mesma forma, é bom respeitar os jornalistas, porque a gente continua precisando desesperadamente deles.

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P.S. –
 A grande diferença entre o noticiário da grande mídia e as informações que circulam nas redes sociais são as chamadas fakes news. É impressionante a irresponsabilidade desses falsos jornalistas, que inundam a internet com bobagens e asneiras. O verdadeiro jornalismo precisa ser respeitado. Pense sobre isso(C.N.)

Manifestações de Gilmar e Lewandowski indicam que o Supremo não pretende poupar Bolsonaro

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Charge do Alpino (Yahoo Notícias)


Carlos Newton

Em maio de 2019, ainda no início da gestão de Jair Bolsonaro, o ministro Dias Toffoli, que presidia o Supremo, propôs um “pacto de governabilidade” ao novo presidente da República e aos dirigentes do Congresso, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Os três se entusiasmaram pela ideia e toparam, porque o entendimento na verdade era apenas um “pacto pela impunidade” dos envolvidos em atos de corrupção, para beneficiar políticos, empresários e até os filhos do presidente da República.

Cada um dos Poderes fez a sua parte. Enquanto durou, esse pacto foi decisivo para o esvaziamento da Lava Jato, apesar do empenho da força-tarefa, já prejudicada pela demissão do juiz Sérgio Moro para assumir o Ministério da Justiça e aprovar suas leis contra a criminalidade.   

PACTO PELA IMPUNIDADE – No segundo semestre de 2019, com tudo dominado, o Congresso rejeitou o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro, engavetou a redução do foro privilegiado e fez questão de criar a Lei do Abuso de Autoridade, para subjugar juízes, membros do Ministério Público e delegados da Lava Jato.

O presidente da República, ao contrário do que se esperava, não moveu uma palha para aprovar o Pacote Anticrime. Pelo contrário, deu repetidas declarações apoiando a “independência do Legislativo”, sem fazer a menor crítica à rejeição do projeto do ministro Moro.

Em 7 de novembro de 2019, o Supremo então consagrou o pacto, ao aprovar a prisão de réus criminais somente após trânsito em julgado na quarta instância, libertando imediatamente Lula da Silva e José Dirceu, entre muitos outros, e transformando o Brasil no único país da ONU que não autoriza prisão após segunda instância, uma vergonha internacional.    

FIM DO PACTO – Qualquer pacto ilegal entre os Poderes tem curto prazo de validade, porque induz o presidente da República a usar a caneta para subordinar o Legislativo e o Judiciário, criando uma ditadura civil, nos moldes da existente na Venezuela.

Bolsonaro investiu alto e conseguiu dominar o Congresso, para manter o pacto e se blindar contra o impeachment. Mas esqueceu de combinar com o Supremo, que agora é presidido por Luiz Fux, um ministro linha dura e defensor da Lava Jato.

Como ensinou Sidarta Gautama (Buda), quase 500 anos antes de Cristo, tudo na vida é impermanente, as coisas mudam. E, de repente, Bolsonaro perdeu a maioria no Supremo, apesar de recentemente ter nomeado o ministro Nunes Marque, o fraudador de currículos.

MAIORIA CONTRA – Agora, a maioria do Supremo está contra Bolsonaro, conforme fica demonstrado pelas decisões de Ricardo Lewandowski, que está cercando pelos sete lados o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, e o próprio Bolsonaro.

Outra boa sinalização veio do ministro Gilmar Mendes, que nesta terça-feira usou as redes sociais para fazer uma defesa da separação entre os Poderes.

“A harmonia institucional e o respeito à separação dos poderes são valores fundamentais da nossa República. Ao deboche daqueles que deveriam dar o exemplo responda-se com firmeza e senso histórico: Ditadura nunca mais!”, escreveu Gilmar Mendes.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – A posição de Lewandowski e Gilmar realmente indica que Bolsonaro não tem mais apoio da maioria do Supremo. E o ministro Dias Toffoli logo mudará de lado. Sobram a ministra Rosa Weber, que é meio lulista, o decano Marco Aurélio Mello, que é meio desligado, e o neoministro Nunes Marques, que é meio nada e não vale uma nota de três dólares.

Apertem os cintos, porque Bolsonaro logo vai perceber que, sem o apoio da maioria do Supremo, seu governo tem um encontro marcado com o fracasso, junto com os três filhos, o filósofo Olavo Carvalho e “tutti quanti”, como dizem os latinistas.

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P.S.E la nave va, cada vez mais fellinianamente, com Alexandre de Moraes mandando prender deputado federal e tudo o mais. (C.N.)

Para blindar Bolsonaro, procurador Aras tenta esconder provas que são públicas e notórias

Charge do MDR (Charge Onlime)

Carlos Newton

É o tipo de notícia que requer tradução simultânea e os jornais publicaram sem maior destaque, porque as redações carecem de repórteres que entendam de leis, engolem tudo, é impressionante. Alguns portais chegaram a errar no título, como o Valor Econômico, a Folha/Uol e o Yahoo Notícias, ao publicar: “Aras nega pedido de Moro para investigar suspeita de que Abin tentou ajudar defesa de Flávio Bolsonaro”.

Com a máxima vênia, no caso o procurador não tem direito de negar coisa alguma, ele apenas está sugerindo ao ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, que não aceite o pedido da defesa de Sérgio Moro para anexar ao inquérito sobre interferências na Polícia Federal as provas sobre ação ilegal da Agência Brasileira de Inteligência para tentar anulação de investigações e processos contra o senador Flávio Bolsonaro, uma missão juridicamente impossível, aliás.

OLHAR DE PAISAGEM – Aras agiu com discrição, fazendo olhar de paisagem, porque é preciso impedir, a qualquer custo, que as provas contra a Abin, que existem e são materiais, robusteçam ainda mais as acusações contra o presidente Jair Bolsonaro, cujas declarações na reunião ministerial de 22 de abril, antes da demissão do ministro Sérgio Moro, realmente o transformam em réu confesso, pois admitiu que era preciso proteger a famílias e os amigos na Polícia Federal.

É claro que o experiente criminalista Rodrigo Sánchez Rios, que defende Moro no inquérito contra Bolsonaro, vai insistir para que o ministro Alexandre de Moraes desconheça o ardil montado por Augusto Aras e permita que as provas contra a Abin sejam adicionadas aos autos.

VÉSPERA DO CARNAVAL – Foi em 18 de dezembro que a defesa de Moro fez o pedido para anexar os relatórios da Abin sobre as acusações contra Flávio Bolsonaro, que incluíram até a sugestão de demitir o ministro Gilberto Waller Filho, da Corregedoria-Geral da União, porque poderia atrapalhar a armação.

Portanto, Aras embromou bastante, já que demorou dois meses até enfim se manifestar, e o fez na véspera do carnaval, para não levantar poeira.

A decisão, repita-se, será de Moraes, que deve seguir um ditado do Direito Romano: “Iura novit curia” (o juiz conhece a lei). E o que Moro pediu? Ora, apenas anexar uma informação da maior relevância para o inquérito e que é pública e notória. Só esse pedido já é suficiente para que Moraes leve em consideração o caso Abin em sua decisão se processa ou não Bolsonaro  

PÚBLICO E NOTÓRIO – Diz o art. 374 do Código de Processo Civil.  “Não dependem de prova os fatos: I – notórios; II – afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III – admitidos no processo como incontroversos; IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade”.

Bem, com absoluta exclusividade, temos publicado aqui na TI essas matérias sobre a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, via Supremo. O fato concreto é que o presidente da República está nas mãos de Alexandre de Moraes, que só precisa seguir a lei para se notabilizar como o ministro que tirou do poder um presidente que representa um estorvo para o país. Será um ato nobilíssimo, com toda certeza.

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P.S. –
Quanto ao prevaricador-geral Augusto Aras, tenho desprezo mortal por esse tipo de gente. Ao se pronunciar contra a anexação de provas públicas e notórias contra Bolsonaro, o lacaio serviçal Aras está descumprindo a lei, pois o artigo 378 do Código de Processo Civil determina: “Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade”. Mas quem se interessa? (C.N.)

No Carnaval, Luciano Huck pode sair ‘vestido’ de candidato, mas por enquanto é apenas fantasia

Resultado de imagem para proxima escandalo charges

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Carlos Newton

Estamos no Carnaval do Isolamento e nada impede que Luciano Huck saia às ruas vestido de candidato. Por enquanto, porém, é só uma fantasia, que poderia até ganhar o Troféu de Originalidade no desfile do Hotel Glória, ao representar um sonho que tem prazo de validade em abril de 2022, quando ele terá (ou teria) de abandonar a telinha da TV Globo.

Não faltam partidos pretendendo mergulhá-lo no caldeirão da política. Se realmente quisesse, Huck poderia formar uma forte coligação, mas ainda vai demorar a se decidir, porque depende de uma delicada e estressante negociação com a TV Globo, que está reduzindo os salários de todas as grandes atrações.

DEMISSÃO EM MASSA – Atores, jornalistas, diretores, roteiristas e apresentadores do primeiro time da emissora estão sendo demitidos, alguns sem prévia negociação, como Maitê Proença. Outra bela atriz, Carolina Ferraz, ficou tão revoltada que entrou na Justiça Trabalhista.

Desta vez, o passaralho é de grande porte e não está livrando os famosos que integram (ou integravam) a Organização Globo, em seus diversos veículos na imprensa escrita, falada e televisada.

O maior a cair (até pelo tamanho e pelo salário) foi Fausto Silva, que não aceitou a redução do valor contratual e só fica até dezembro. Quanto a Luciano Huck, a negociação está demorando, porque inclui também a mulher Angélica, que está encostada por falta de audiência. Além disso, trata-se de um provável suposto possível novo presidente da República, respeito é bom e eu gosto.

PEJOTIZAÇÃO – Não foram a queda no faturamento e o corte de verbas federais que causaram o passaralho, conforme é chamado internamente, desde os tempos de nosso amigo Evandro Carlos de Andrade, que foi uma espécie de consigliere dos irmãos Marinho.

O problema é a ilegalidade do golpe da “pejotização”, a transformação de funcionários em pessoas jurídicas. Com essa prática, a empresa economiza 20% (INSS), mais 8% (FGTS) e reduz a cobrança do Imposto de Renda ao lançar na contabilidade o pagamento do “pejota” como Despesas Operacionais. Além disso, deixa de pagar direitos trabalhistas, como férias, décimo-terceiro salário, plano de saúde, auxílio alimentação, aviso prévio etc.

O funcionário também tira vantagens, com drástico corte do Imposto de Renda a pagar e a possibilidade de lançar múltiplas despesas pessoais na contabilidade da falsa empresa. Assim, patrão e empregado saiam ganhando, que “maravilha viver”, como dizia Vinicius de Moraes. Ou “bestial”, como diriam os portugueses.

CONIVÊNCIA DO TST – Desde o processo da apresentadora Cláudia Cruz, que levou R$ 5 milhões, a Globo conseguiu a conivência do Tribunal Superior do Trabalho, que passou a declarar a “legalidade” dos contratos de pejotização.

Foram três décadas de sonegação, até que a Receita Federal passou a investigar mais intensamente a sonegação de Imposto de Renda. As notícias são de que, até agora, 43 atores e atrizes foram autuados. A Receita Federal está cobrando as dívidas dos artistas, que podem ser pagas por eles mesmos ou pela própria Globo. Em alguns casos, o valor individual supera os R$ 10 milhões, sem falar na sonegação da empresa, que é muito maior.

Segundo o portal do IG Notícias, estão sendo investigados grandes nomes como Deborah Secco, Reynaldo Gianecchini, Malvino Salvador e Maria Fernanda Cândido.

LUCIANO E ANGÉLICA – No próximo capítulo, vem aí a redução salarial de Luciano Huck e Angélica. Pode ser que a Globo até ofereça a ele a vaga do Faustão, que significaria aumento, com a Angélica de penduricalho.

No entanto, se a emissora tentar reduzir o atual contrato e demitir Angélica, aí sim, o apresentador vai vestir e fantasia de candidato, balançar a campanha e pode até se eleger, porque na política brasileira tudo é possível.

Se na matriz USA elegeram o apresentador Donald Trump contra uma candidata forte como Hillary Clinton, por que a filial Brazil não elegeria a versão Luciano Huck? Eis a questão.

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P.S. –
Em qualquer país, o Imposto de Renda precisa ser progressivo, como na matriz USA, onde em 2008 o ator Wesley Snipes foi condenado e cumpriu pena de três anos de cadeia. Aliás, só ganhou direito a prisão domiciliar nos últimos quatro meses, bem diferente do que ocorre na filial Brazil. (C.N.).