Aviso aos navegantes do Blog: CN estará fora de combate por alguns dias

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Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Uma boa notícia para os participantes e frequentadores da Tribuna da Internet: atendendo a ordens médicas, tenho de interromper os artigos e o trabalho na edição do Blog durante alguns dias, até melhorar da labirintite, uma doença que não é de todo ruim, porque parece que estou de porre o tempo todo.

Em consequência, por enquanto vocês estarão livres de mim e das minhas chatices, e nosso amigo Marcelo Copelli ficará cuidando do Blog au grand complet, como dizem os franceses.

Espero voltar a incomodá-los o mais rápido possível, porque não consigo ficar mais de 15 minutos sem falar mal dos políticos.

Receita volta a investigar 134 figurões, entre eles Gilmar Mendes, sua mulher e a mulher de Tofffoli

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Charge de Pataxó (Arquivo Google)

Carlos Newton

É uma comemoração mais do que justa. A direção do Sindifisco Nacional, que congrega os auditores fiscais da Receita Federal, realmente tem bons motivos para festejar o acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre compartilhamento de informações entre os órgãos de controle financeiro e o Ministério Público, para combate à sonegação de impostos, corrupção e lavagem de dinheiro.

O Sindifisco Nacional sente que é parte dessa vitória, porque cumpriu sua obrigação de denunciar a organismos internacionais os recentes e graves retrocessos institucionais no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil, devido à proibição de cumprimento da pena após segunda instância e à suspensão de inquéritos, processos e investigações com base em relatórios da Receita, do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira) e do Banco Central.

DENÚNCIA NO EXTERIOR – Foram procuradas pelo SIndifisco diversas instituições internacionais, como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), o Grupo de de Unidades de Inteligência Financeira, conhecido como Grupo de Egmont, e o Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (GAFI/FATF).

O Sindifisco denunciou os retrocessos e as violações a diversos tratados firmados internacionalmente pelo Brasil, como a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e a Lavagem de Dinheiro, de 2003, conhecida como Convenção de Mérida, e o ato de criação do próprio GAFI, do qual o Brasil é integrante desde 1999.

INVESTIGAÇÕES SUSPENSAS – Nas representações a esses órgãos internacionais, o Sindifisco denunciou as decisões do STF, tomadas no bojo do “inquérito das fake news”, que levaram à suspensão das fiscalizações sobre 134 agentes públicos, inclusive “pessoas politicamente expostas”, e ao afastamento de dois auditores fiscais que compunham a equipe especial de combate a fraudes.

A triagem começou vasculhando 800 mil nomes com patrimônio superior a R$ 5 milhões e foi afunilando até chegar aos 134 contribuintes com movimentações atípicas e inconsistências nas declarações de renda e patrimônio

Foram apanhados Gilmar Mendes, sua mulher, Guiomar Feitosa Mendes, a mulher de Toffoli, Roberta Maria Rangel, a ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal Federal, o empresário Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, o desembargador Luiz Zveiter, do Tribunal do Rio, e Marcelo Ribeiro, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, entre outros sonegadores.

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Toffoli com Roberta, que depositava R$ 100 mil por mês na conta dele

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P.S.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, não está incluído nos 134 nomes da malha fina, mas também vem sendo investigado, devido ao fato de ter recebido mesadas de R$ 100 mil da própria mulher, Roberta Maria Rangel, sem declarar ao Imposto de Renda. É claro que os auditores da Receita, depois de serem indevidamente perseguidos, vão agir com máximo rigor para desmoralizar Toffoli, Gilmar e os demais milionários que não sabem preencher suas declarações de renda. (C.N.)

Gilmar e Toffoli pensavam (?) que derrotariam a Lava Jato, mas aconteceu o contrário

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No final, Toffoli e Gilmar acabaram sendo derrotados pela Lava Jato

Carlos Newton

No início, a Lava Jato só apanhava peixes miúdos – do PT, do PP e do PTB. O ministro Gilmar Mendes dava a maior força. Só começou a mudar de ideia quando os procuradores passaram a mirar importantes políticos do PSDB e do PMDB, entre eles alguns amigos pessoais dele, como Aécio Neves, que ainda era senador, e o presidente Michel Temer, que acabara de assumir o poder e tinha sido gravado no porão do Palácio Jaburu, em tenebrosas conversações com o empresário Joesley Batista.

Foi naquela época que Gilmar Mendes passou a se incomodar com a Lava Jato e colocou em ação sua espantosa criatividade. A pretexto de dar subsídios a uma Reforma Política que jamais foi feita, tornou-se “consiglieri” de Temer e inventou que a Lava Jato precisava ser contida porque visava “a criminalização da política”.

PAR DE ASES – Desde sempre, Gilmar Mendes teve o apoio integral de Dias Toffoli, seu amigo íntimo, com quem costuma fazer viagens ao exterior, e os dois começaram a atuar juntos contra a Lava Jato. Com seu jeito atrevido, Gilmar soltava um preso atrás do outro, e Toffoli o acompanhava.

Conseguiram atingir a perfeição ao soltarem José Dirceu na Segunda Turma, com apoio de Ricardo Lewandowski, sem que a defesa do ex-ministro sequer tivesse impetrado habeas corpus. Foi a primeira libertação “de ofício” da História do Supremo.

Como diria o cantor Johnny Alf, o inesperado então fez uma surpresa e em fevereiro deste ano os nomes de Gilmar, de sua mulher Guiomar Feitosa Mendes, e da mulher de Toffoli, Roberta Maria Rangel, apareceram na lista das 134 personalidades apanhadas na malha fina da Receita, junto com Isabel Gallotti, ministra do Superior Tribunal de Justiça, e com o desembargador Luiz Zveiter, do Tribunal do Rio.

O JOGO MUDOU – Os dois ministros tiveram de agir em causa própria, Toffoli então criou ilegalmente um inquérito interno para apurar ofensas aos ministros do Supremo e suas famílias, vejam que coincidência, e os dois auditores da Receita que estavam à frente da investigação foram afastados.

Em 16 de julho, na calada do recesso do Supremo, Toffoli forçou a barra, aproveitou um recurso do senador Flávio Bolsonaro e suspendeu todos os inquéritos, processos e investigações que tinham origem no antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), na Receita Federal e no Banco Central, sem prévia autorização judicial – ou seja, parou inclusive as investigações de Gilmar e das duas mulheres.

Essa liminar de Toffoli foi o grande erro da dupla, que ainda teve um resto de fôlego para aprovar a prisão somente após trânsito em julgado no Supremo.

ENGANAÇÃO – Toffoli prometera mitigar a proposta, sugerindo prisão após condenação no Superior Tribunal de Justiça, mas na undécima hora encerrou abruptamente o julgamento, sem citar o STJ e sem dar direito de Rosa Weber concluir seu voto, que mudaria o resultado do trânsito em julgado após Supremo.

Daí em diante, o caldo desandou no STF e duas semanas depois a liminar do caso Coaf foi derrubada por 9 a 2, com o próprio Toffoli tendo de trocar seu voto, para não perder vergonhosamente a relatoria e o direito de redigir o acórdão. Como personagens teatrais, Gilmar e Toffoli pareciam estar perdidos numa noite suja. E estavam mesmo.

Na teoria, todo plano parece ser perfeito. Os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli achavam (?) que iriam derrotar a Lava Jato, exatamente como ocorreu na Itália com a operação Mãos Limpas. Mas deu tudo errado para eles.

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P.S. 1
A poeira está assentando, já é certo que o Congresso readmitirá a prisão após segunda instância, e tudo voltará à estaca zero, com a Lava Jato retomando seus dias de glória. E este é o melhor presente de Natal que o Brasil poderia almejar, na situação aflitiva em que nos encontramos.

P.S. 2A Lava Jato é um orgulho nacional. As forças-tarefa no Paraná e no Rio de Janeiro, as mais atuantes, já conseguiram devolver aos cofres públicos cerca de R$ 5,05 bilhões.

P.S. 3No Rio de Janeiro, que teve como principal alvo o ex-governador Sérgio Cabral, R$ 250 milhões foram liberados para o pagamento do 13º atrasado de 146 mil aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro, garantindo a eles um Feliz Natal. (C.N.).

Ao manter em sigilo o cartão corporativo, Bolsonaro imita Lula no caso Rosemary

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Charge do Boopo (Arquivo Google)

Carlos Newton

É muito triste constatar que existem pontos em comum entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva. Por exemplo: a quase totalidade dos eleitores do atual chefe do governo jamais poderia imaginar que Bolsonaro viria se comportar exatamente igual a Lula, mantendo sob segredo absoluto as despesas feitas com cartão corporativo.

Recorde-se que, ao chegar ao poder em 2003, o ex-presidente fez questão de criar um cargo público para abrigar a amante Rosemary Noronha Povoa, uma ex-secretária do Sindicato dos Bancários de São Paulo que o então líder metalúrgico conheceu em 1993, quando se iniciou a tórrida relação extraconjugal.

ROSE NO PODER – Para ter a amante a seu lado , inclusive fizeram juntos 34 viagens internacionais, Lula a nomeou chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo. Como o cargo era inexistente, foi montado um escritório com equipe completa (assessores, secretárias, contínuo, carro oficial e motorista), vejam como o amor é lindo.

Junto com o elevado salário DAS, a segunda-dama da República ganhou também um cartão corporativo de vigência internacional, um excelente emprego para a filha e a garantia de serviços encomendados à empresa do compreensivo marido, que jamais se opôs ao romance presidencial.  

Em sua longa carreira, Lula cometeu muitos, mas o principal foi mesmo o cartão corporativo dado a Rose, porque a gentileza acabou lhe custou uma eleição que teria mudado o curso da História Republicana.

BRIGA COM DILMA – Essa passagem é interessantíssima e na época (2014) somente foi contada em detalhes aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade. E tudo começou em 2010, quando o PT tinha de escolher o candidato à sucessão do segundo mandato de Lula, e ele surpreendeu o país ao indicar Dilma Rousseff. A então ministra da Casa Civil era pouquíssimo conhecida e na campanha Lula teve de carregá-la nas costas para derrotar o tucano José Serra.

Não houve nenhum acordo concreto, mas era óbvio que Lula seria o candidato do PT em 2014, e a convenção nacional estava preparada para aclamar a candidatura dele por unanimidade. Mas aconteceu o que ninguém esperava. A então presidente Dilma Rousseff alegou que tinha direito à reeleição e peitou Lula.

BOMBA FATAL – Lula insistiu na candidatura, e Dilma então lançou uma bomba fatal. Às vésperas da convenção, ameaçou divulgar as despesas do cartão corporativo de Rosemary Noronha, que demonstrariam não apenas os gastos abusivos em compras pessoais no exterior, mas também comprovariam que em certas ocasiões a segunda-dama viajara como clandestina, sem ter seu nome na lista de passageiros do AeroLula, e a divulgação desse escândalo destruiria a imagem do presidente petista, que ainda era um ícone da esquerda internacional.

Lula teve de recuar. Quando todos esperavam sua candidatura, causou espanto e decepção na convenção do PT, ao discursar defendendo a candidatura de Dilma. E o resto da história todos sabem.

SIGILO MANTIDO – Cinco anos depois, agora é Bolsonaro que surpreende a opinião pública, ao ignorar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que eliminou o sigilo dos gastos com cartão corporativo da Presidência.

Desde 1967, no auge de ditadura, um decreto militar amparava a decisão de não divulgar as despesas da Presidência. Mas agora em novembro o Supremo derrubou o artigo 86 do Decreto-Lei 200/67, e assim passou impedir que as despesas reservadas ou confidenciais da Presidência continuem sob sigiloso.

Na interpretação do Planalto, porém, existiria outra legislação, a Lei de Acesso à Informação, que possibilitaria manter em sigilo os gastos dos cartões corporativos.

ULTRASSECRETA – A esse respeito, a nota da Secretaria-Geral da Presidência cita o artigo 24, segundo o qual a informação em poder dos órgãos e entidades públicas, “observado o seu teor, e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada”.

Alega o Planalto que as informações passíveis de pôr em risco a segurança do presidente, do vice-presidente e dos respectivos cônjuges e filhos devem ser carimbadas como reservadas, , ficando sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.

“Feitas as considerações acima, esta Secretaria compreende que a decisão do STF não modifica os procedimentos atualmente adotados, em face da legislação de fundamentação ser norma específica distinta do Decreto-Lei nº 200, de 1967”, afirmou a Secretaria-Geral da Presidência.

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P.S. 1
Esse “parecer” é da lavra do ministro Jorge Oliveira, um ex-major da PM, filho do ex-chefe de gabinete do então deputado Jair Bolsonaro e que desde jovem foi apadrinhado pelo parlamentar e conseguiu se reformar com apenas 38 anos, sem jamais ter saído às ruas para enfrentar criminosos. Por ser formado em Advocacia, o ministro Oliveira se diz “jurista” e tem colocado em má situação o governo, porque nada entende de Direito, confunde decreto-lei com medida provisória e faz com que o Congresso arquive mensagens presidenciais. Esse “parecer” de Jorge Oliveira não tem pé nem cabeça, como se dizia antigamente, e merece ir para a lata do lixo.

P.S. 2Quanto aos cartões de Rosemary, existe uma ação no Supremo, movida pelo repórter Thiago Herdy, que ainda não foi julgada. Mas já se sabe que o sigilo será quebrado e a segunda-dama de Lula voltará a ser manchete dos jornais. Rosemary foi fiel a Lula o tempo todo, recusou ofertas milionárias para escrever suas memórias, mas agora se vê abandonada, porque o ex-presidente vai casar com outra petista, Rosângela da Silva, que já se desligou de Itaipu, onde o partido lhe arranjara um emprego de quase R$ 20 mil mensais. São coisas do amor.  (C.N)

Usar recursos de saúde e educação nos R$ 3,8 bilhões do Fundo Eleitoral é o Vexame do Ano

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Charge do Baggi (Arquivo Google)

Carlos Newton

Quando se pensava que os Três Poderes já tinham esgotado todo o repertório possível e imaginável de trapalhadas e uso abusivo de recursos públicos, no final do ano surge mais um escândalo, com o Congresso tentando encontrar argumentos que justifiquem o astronômico aumento do Fundo Eleitoral para as campanhas municipais do ano que vem, com retirada de importantes verbas de gastos em saúde, educação e infraestrutura.

O espantoso valor aprovado na Comissão Mista de Orçamento é de R$ 3,8 bilhões, ou seja, 120% maior do que os recursos públicos usados nas eleições de 2018, quando os partidos receberam R$ 1,7 bilhão da União para gastar em eleições gerais para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

JUSTIFICATIVA? -O principal argumento é de que será preciso usar mais dinheiro devido ao grande número de candidatos nas eleições para prefeito e vereador. Mas essa justificativa não procede, porque as campanhas de 2020 serão muito mais fáceis e baratas, porque se limitam aos respectivos municípios, e nas cidades pequenas os candidatos conhecem grande parte dos eleitores e prevalece a chamada política “boca a boa”, com gastos mínimos.

Com toda certeza, serão usados muito menos recursos do que nas eleições gerais, em que os pretendentes à Presidência da República têm de fazer campanha em todos os Estados, e os demais candidatos a governador, senador, deputado estadual e federal precisam buscar votos no Estado inteiro ou, pelo menos, em diversos municípios.

A outra justificativa – de que os empresários não podem mais fazer doações milionárias – também não corresponde à verdade. Qualquer empresário pode fazer doações a partidos, comitês e candidatos, até atingir 10% dos rendimentos brutos que obteve no ano anterior. Nada mal, portanto.

APOIO MASSIVO – O fato concreto é que os políticos não tomam vergonha, mesmo. Esse gasto espantoso de quase R$ 4 bilhões é apoiado pela maioria do PSL e tem respaldo de PT, PP, PTB, MDB, PSD, PL, PSB, PSDB, PDT, DEM, Solidariedade e Republicanos. Apenas os partidos Novo, PSol e Cidadania são contra o projeto.

Segundo uma pesquisa da Presidência da Câmara, ao menos 430 dos 513 deputados e 62 dos 81 senadores seriam favoráveis ao aumento do Fundo Eleitoral, vejam a que ponto chegamos.

A confirmação desse valor de R$ 3,8 bilhões agora será votada no relatório final da Comissão Mista de Orçamento e seguirá para o plenário no dia 17. E os recursos para bancar o bilionário Fundo Eleitoral sairão de ministérios, em especial os da Saúde, da Educação e da Infraestrutura.

PARA DISFARÇAR… – Inicialmente, os partidos pediram ao relator Domingos Neto (PSD-CE) o total de R$ 4 bilhões para o Fundo Eleitoral. Para disfarçar, sugeriram o remanejamento de recursos de emendas impositivas de bancada, mas isso não é possível, porque o relator não tem poderes para tanto, cada parlamentar teria de indicar uma de suas emendas para ser arquivada, e podemos esperar sentados.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que é mais um vexame nacional. Tirar dinheiro de gastos com saúde e educação, numa crise como a atual, é crime contra a cidadania. E o pior é que ninguém reclama, como se essa vergonha fizesse parte do pacote de mudanças e da Nova Política que foi prometida aos eleitores em 2018. Aliás, o senador Flávio Bolsonaro votou a favor dessa indignidade na Comissão Mista de Orçamento. O parlamentar foi cobrado pelos jornalistas, disse que se equivocou e prometeu não gastar recursos do Fundo Eleitoral nesta campanha, o que é Piada do Ano, porque os R$ 3,8 bilhões irão para os partidos e não para os candidatos.

E la nave va, cada vez mais fellinianamente, com PIB maquiado e tudo mais.

Acredite se quiser, os comentaristas da Tribuna estão ficando mais civilizados…

charge: Internet

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton 

Após anos de excessivo radicalismo, ao que parece enfim está havendo uma descontração aqui na Tribuna da Internet, com os comentários entrando num clima de menor enfrentamento. Aliás, já não era sem tempo, todo mundo sabe que radicalismo não leva a nada, porém muitos acabam escorregando no calor dos acontecimentos, e as trocas de ideias correm risco e se transformar em combates virtuais, que só não se tornam sangrentos porque os contendores duelam à distância. Fui ler outros blogs e sites, para comparar, e notei que as baixarias por lá são muito piores do que por aqui.

Este clima vinha desde longe e se agravou na Era do PT, quando inventaram a rivalidade entre “nós e eles”, incentivando a luta de classe, o racismo e a rivalidade entre as regiões do país. 

LINHA DE RACIOCÍNIO – Talvez essa redução do radicalismo venha acontecendo porque as pessoas estão caindo na real, já considerando que o presidente Jair Bolsonaro não é tão eficiente quanto propaga nem tão retardado quanto aparenta.

Da mesma forma, sabe-se que Lula da Silva não é flor que se cheire, mas também não parece ser tão imundo quanto os verdadeiros profissionais da corrupção, que têm Sérgio Cabral como mestre-sala e a mulher Adriana Ancelmo de porta-bandeira, desfilando ladeados por empresários do tipo Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, Jacob Barata ou “rei” Arthur Soares, reconhecidos como campeões do suborno.

Seguindo esse raciocínio, constata-se que nem sempre Gilmar Mendes e Marco Aurelio Mello defendem teses negativas no Supremo, pois há situações em que seus votos são impecáveis, devemos reconhecer.

TODOS ERRAM – E na prática todo mundo erra, inclusive Sérgio Moro, com sua exagerada excludência de ilicitude, querendo alterar o Código Penal para “reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la”, caso o excesso em ações de autoridades policiais decorresse “de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”, um argumento que tem pitadas de ridículo, convenhamos.

Esse tipo de favorecimento explícito aos policiais seria altamente negativo, porque na Justiça já está consagrada a práxis de somente condenar policiais que cometam crimes verdadeiramente hediondos, vejam que são raros os condenados, nem era necessário haver excludência de ilicitude.

BALANÇO DE NOVEMBRO – Saldando esse comportamento mais civilizado dos comentaristas,  embora alguns insistam nos palavrões e nas ofensas, dando trabalho ao editor, que faz questão de editá-los, vamos divulgar o balanço do mês de novembro, a começar pelas contribuições ao Blog na conta da Caixa Econômica Federal.

DIA       REGISTRO     OPERAÇÃO        VALOR
04           004775               DP DINH AG             50,00
04           400004              DOC ELET                50,00
06           060815               DP DINH LOT        100,00
11            002915               DP DINH AG             50,00
11            111251                 DP DINH LOT          20,00
18           002915               DP DINH AG            50,00
19           191052                DP DINH LOT       100,00
25           002915               DP DINH AG            50,00
26           261807               CRED TEV              300,00
28          281822               DP DINH LOT        230,00

Agora, as contribuições feitas na conta do Banco Itaú/Unibanco.

04       TED 001.5977 JOSEANTONIO       300,00
05       TBI  2958.07601-6 TRIBUNA            40,00
11        TED 001.4416 MARIOACRO          250,00
27       CXE TEF 9191.01619-6                    50,00
29       TBI 0406.49194-4 C/C                    100,00
29       TED 033.3591 ROBERTOSNA       200,00

Por fim, a contribuição na conta do banco Bradesco.

04      5124626    DEP DINH                         20,00

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P.S. – Agradecendo muito a todos, vamos torcer para os comentaristas abandonarem essa onda de nós contra eles, porque isso não leva rigorosamente a nada. (C.N.)

 

Apesar das limitações, o pacote anticrime foi uma vitória espetacular de Moro

Moro agiu com todo o empenho para aprovar o pacote anticrime

Carlos Newton

Como diz o velho ditado, cada um puxa a brasa para sua sardinha, e os deputados de oposição consideraram a votação do pacote anticrime uma derrota de Sérgio Moro e do governo, porque foram excluídos ou mitigados diversos pontos da proposta inicial. Realmente, o ideal seria a aprovação quase que integral das sugestões do ministro da Justiça, mas o governo não fez nenhuma pressão, deixou que a Câmara ficasse à vontade. Mesmo assim, a maioria das teses do pacote foram aprovadas.

Nesses momentos, é preciso deixar as ilusões de lado e raciocinar sobre a realidade dos fatos, para constatar que Moro não foi derrotado; pelo contrário, deve ser considerado como expressivamente vitorioso com os 408 votos a favor, que significam cerca de 73% dos deputados.

VITÓRIA DIFÍCIL – Na hora da verdade, a aceitação de grande parte das propostas deve ser comemorada como uma surpreendente e difícil vitória de Moro, porque um em cada três deputados é suspeito de ter cometido algum tipo de crime.

Quando assumiram os atuais mandatos, em fevereiro, dos 513 integrantes da Câmara, pelo menos 178 respondiam na Justiça a inquéritos (procedimentos que podem resultar em processos) ou ações penais (processos que podem acabar em condenação), segundo levantamento do excelente site Congresso em Foco.

O PP, o PT e o PSDB são os partidos com mais deputados com pendências criminais. Das 27 legendas com assento na Casa, apenas seis pequenas (PSOL, Rede, PV, PPL, PRP e PRTB) não tinham parlamentares sob investigação ou processo.

MUITOS AVANÇOS – As sugestões de Moro aprovadas pela Câmara estabelecem importantes mudanças no Código Penal, na Lei de Execução Penal e outras legislações. Aumenta o rigor das condenações, elevando a pena máxima de 30 para 40 anos de prisão e prevendo que chefes de organizações criminosas comecem a cumprir pena obrigatoriamente em presídios federais. Ao mesmo tempo, consagra a chamada “transação penal”, que permite a substituição de pena em crimes de menor gravidade.

Outra novidade é a possibilidade de gravação da conversa entre advogados e presos em presídios de segurança máxima, mediante autorização judicial.

Há também a criação do juiz de instrução, sob denominação de “juiz de garantia”, para atuar na fase da investigação criminal até o processo, que será julgado por outro magistrado.

JOGAR O JOGO – O mais importante de tudo é que Sérgio Moro já aprendeu como jogar no tabuleiro da política. Faz seu trabalho com perfeição e independência no Ministério, intervém em apoio às tribos indígenas, quando se faz necessário, sua submissão ao presidente Bolsonaro é relativa.

Está conduzindo bem a retomada da prisão após segunda instância, tem excelentes aliados no Congresso, como os presidentes das Comissões de Justiça, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o deputado Felipe Francischini (PSL-PR). Com apoio deles, Moro está dando um nó em Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, que estão sendo obrigados a não atrapalhar as propostas da prisão após segunda instância.

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P.S. – Na minha opinião, Moro é o grande destaque positivo do governo. Quanto ao ministro Paulo Guedes, tem passado nebuloso e ainda está sob observação. Essas três revisões das estatísticas de comércio exterior, em menos de uma semana, desmoralizam qualquer declaração. Uma das “justificativas” foi de que o Serpro teria deixado de incluir várias parcelas, acredite se quiser, como dizia o ator Jack Palance, ao apresentar a série televisiva de Robert Ripley. (C.N.)

Nomeação de outros “alunos” do guru Olavo de Carvalho leva o governo ao ridículo

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Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

No início do governo, houve as primeiras nomeações de alunos de Olavo de Carvalho, com Ernesto Araújo no Itamaraty e Ricardo Vélez Rodriguez no MEC. Não deram certo, Rodriguez foi defenestrado e substituído por outro colega olavista, Abraham Weintraub, enquanto Araújo conseguia se segurar toscamente, sem nenhum prestigio.

OLAVO DE VOLTA… – E quando se pensava que o núcleo bizarro do governo Bolsonaro havia submergido para sempre, com abandono das teses defendidas pelo bruxo da Virgínia, eis que de repente ocorre a ocupação de importantes cargos do antigo Ministério da Cultura pelas tropas brancaleônicas de Olavo de Carvalho.

Já se sabia que tinha sido uma tremenda idiotice a nomeação do olavista Roberto Alvim para a Secretaria de Cultura (atualmente hospedada no Ministério da Cidadania, pois ele foi logo dando o ar de sua graça e ofendeu Fernanda Montenegro, ícone cultural da arte e da cultura no país. Agora, a falha (como Bolsonaro considera os próprios erros) foi a nomeação de personagens caricatos para a Funarte, a Fundação Palmares e a Biblioteca Nacional.

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – Com essas esdrúxulas contratações, o governo acaba por divulgar as mais curiosas teorias conspiratórias defendidas por Olavo de Carvalho, que levam ao ridículo a administração pública e a imagem do Brasil no exterior.

No caso de Dante Mantovani, que agora ocupa a Funarte, substituindo Miguel Proença, um dos maiores pianistas do mundo, sua fisionomia lombrosiana chega ao êxtase ao defender a tese olavista de que a Terra é plana, afirmando que as fotos feitas pela agência espacial Nasa na verdade seriam desenhos muito bem feitos.       

Já o novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, é o protótipo do chamado “negro de alma branca”. Chega ao ponto de dizer que não existe racismo no Brasil e salienta que a escravidão foi benéfica para os negros. Só faltou dizer que os quilombolas precisam emagrecer para perder alguma arrobas… Por essas e outras, a Justiça Federal já suspendeu sua nomeação.

ANALFABURRICES – No caso da Biblioteca Nacional, a maior do país, o neopresidente Rafael Nogueira faz associações ideológicas ao analfabetismo: “Livros didáticos estão cheios de músicas de Caetano Veloso, Gabriel O Pensador, Legião Urbana. Depois não sabem por que está todo mundo analfabeto”.

O pior disso tudo é tomar conhecimento de que o secretário Roberto Alvim está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, por ter convidado a própria mulher, a atriz Juliana Galdino, para assumir a direção artística do Teatro Plínio Marcos, em Brasília, quando ele era diretor de Artes Cênicas da Funarte.

“PONTA DE LANÇA” – Segundo a revista Veja, a atriz passaria a controlar um orçamento de R$ 3,5 milhões em verbas federais. E a ideia de Alvim, conforme se lê em texto escrito por ele, era transformar o teatro em “ponta de lança da política cultural do governo Bolsonaro”, segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo.

“Estamos vivendo um momento crucial no combate cultural em nosso país. É preciso que o governo do presidente Jair Bolsonaro atue firme e propositivamente na área da arte e cultura, hoje dominada pelo marxismo cultural e pela agenda progressista”, assinala Alvim, que adora citar frases do escritor Olavo de Carvalho e do ator Carlos Vereza, apoiador de Bolsonaro.

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P.S. –
Outra esquisitice é Dante Montavani dizer que o rock é satânico, os Beatles são comunistas etc e tal. O novo presidente da Funarte parece ainda não ter percebido que o rock já era, praticamente ficou na saudade, não toca no rádio nem aparece na televisão. Portanto, o rock não influencia ninguém. Na era do funk e do pancadão, achar que o rock é responsável pelo aborto só pode ser Piada do Ano. Com aliados desse tipo, aliás, Bolsonaro demonstra que não tem medo do ridículo.

P.S. 2  Essas sandices ocorrem justamente quando o PIB voltava a registrar crescimento e a credibilidade do governo até ganhava fôlego.  O pior de tudo isso é constatar que no Planalto não existe nenhum general-ministro capaz de sugerir a Bolsonaro que a submissão do governo a um pensador (?) como Olavo de Carvalho é totalmente negativa e só traz problemas.  (C.N.)

Fracasso! Caso das gravações do The Intercept pode terminar sem descobrir quem pagou aos hackers

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Molição fez delação e disse que Greenwald não pagou aos hackers

Carlos Newton

Com a decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, que homologou a delação premiada de Luiz Henrique Molição, de 19 anos, integrante do grupo de hackers que invadiu celulares de procuradores da Lava Jato e do então juiz federal Sergio Moro antes de assumir como ministro da Justiça, as investigações da Polícia Federal dão mais um passo, mas ainda estão longe de chegarem a bom termo, por que falta descobrir o principal – quem foi o mandante e pagou aos hackers para tentar destruir a Lava Jato.

Molição é um dos presos na Operação Spoofing, da Polícia Federal. Foi apontado como cúmplice de Walter Delgatti Neto, o Vermelho, considerado o mentor do esquema de invasão dos celulares para desestabilizar a Lava Jato.

GREENWALD NÃO PAGOU – Molição é acusado de armazenar parte das mensagens capturadas nas contas do aplicativo Telegram e feito contatos com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.

Em depoimento prestado em setembro, Molição declarou que Delgatti tentou vender as mensagens que gravou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, mas ele se recusou a pagar por elas.

Nos termo da delação, homologada na noite de segunda-feira (dia 2), Molição se comprometeu a identificar mais três pessoas que teriam participado dos ataques virtuais. Além disso, prometeu entregar conversas privadas que estariam armazenadas em servidores fora do país e o celular que usava para vazar dados roubados.

SEM RASTROS – O fato concreto é que a Polícia Federal depende das investigações sobre esses três cúmplices que teriam participado das gravações e que ainda não foram presos.

O material colhido até agora não permitiu identificar o mandante (ou os mandantes) das gravações criminosas, porque o chefe da quadrilha, Walter Delgatti Neto, o Vermelho, é muito ardiloso e não deixou rastros que pudessem identificar os autores dos pagamentos.

O problema é que o tempo está passando, sem que a Polícia Federal possa concluir o inquérito.

PRAZO FATAL – Ao homologar a delação do cúmplice de Vermelho, o juiz da 10ª Vara fixou um prazo de 15 dias, contados da última quinta-feira (28), para que a Polícia Federal conclua o inquérito e o remeta ao Ministério Público Federal, que decidirá se denuncia ou não os envolvidos.

Em tradução simultânea, dificilmente a equipe da PF conseguirá fechar as investigações com o nome do mandante (ou mandantes) da interceptação dos celulares, circunstância que enfraquecerá bastante a denúncia.

E como a legislação brasileira é ainda carente nesse tipo de crime cibernético, isso significa que em breve os envolvidos estão em liberdade, pois as penas são leves e eles até já cumpriram mais de um sexto delas.

Sem reduzir salários da “nomenklatura”, as reformas de Guedes irão fracassar

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O comentarista José Augusto Aranha é daqueles que entendem a importância de abrir debates na Tribuna da Internet, sem viés ideológico. Ao comentar artigos sobre a situação do Chile, que está cortando salários de presidente, ministros, governadores e parlamentares. Aranha desconfia que isso não seria possível no Brasil e destaca que o grande dilema é saber como e quem fará esse corte.

“É preciso lembrar que os indecentes salários dos três Poderes e das estatais resultam de reajustes que ocorreram nos anos do PT. O então presidente Lula ganhava em 2006 apenas R$ 8.885,48. Em 2014, Dilma já recebia R$ 30,9 mil, com aumento de 250%!”, assinalou Aranha.

E O MÍNIMO? – Em seguida, o comentarista disse que o salário mínimo em 2006 era de R$ 350 e em 2014 de R$ 724, ou seja, no mesmo período aumentou pouco mais de 100%. “São dados consolidados, números, ciência exata. É por demais claro que a desigualdade social nunca vai diminuir se continuarmos com salários do serviço público muito maiores do que a mesma função no resto da sociedade”, concluiu Aranha.

Realmente, a redução de salários abusivos é o maior desafio. Para diminuí-los, primeiro é preciso lembrar que a culpa foi do Supremo, ao aceitar descumprir importantíssimos dispositivos da Constituição, especialmente o artigo 17 das Disposições Transitórias, que determina, implacavelmente: Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”.

LIMITAÇÕES – Já o artigo 37, inciso XI, diz que a remuneração e o subsídio dos servidores públicos não pode “exceder o subsídio mensal” dos ministros do Supremo. Nos municípios, não pode ultrapassar o salário do prefeito. Nos estados e no Distrito Federal, o teto é o que ganha o governador, no caso do Poder Executivo, e os desembargadores do Tribunal de Justiça, no caso do Judiciário.

A partir de 1988, a Constituição inicialmente foi cumprida, com redução dos salários e aposentadorias dos chamados marajás. Mas depois o próprio Supremo resolveu bagunçar o coreto, ao romper o teto e conceder gratificação aos cinco ministros (três do próprio STF e dois do STJ) que integram o Tribunal Superior Eleitoral.

Foi o início da Farra do Boi. Os ministros do Supremo abriram a porteira e por lá passou todo tipo de penduricalhos e vantagens.

CRIATIVIDADE – Aliás, os magistrados são muito criativos e até inventaram o duplo salário, quando um juiz cobre férias de colega, mesmo que a produtividade seja baixíssima, despachando-se apenas as decisões de urgência, como geralmente acontece. Essa moda pegou e contaminou o Ministério Público.

Em regime democrático complacente como o brasileiro, José Augusto Aranha tem toda razão, não há com desrespeitar o direito adquirido, reduzir salários e penduricalhos, mesmo que se trate de flagrantes distorções. Isso só poderia ocorrer mediante um acordo entre os Poderes, para ressuscitar os dispositivos constitucionais já existentes e expurgar os penduricalhos, pois o próprio artigo 17 das Disposições Transitórias prevê que não se pode arguir “direito adquirido”.

PACTO POSSÍVEL – Para salvar as finanças do país, o pacto institucional é possível, como está acontecendo no Chile e já ocorreu em outros países em crise. É a única maneira de reduzir os privilégios dos marajás, que além disso deveriam ser obrigados a trabalhar 40 horas por semana, como a maioria dos trabalhadores brasileiros.

Recentemente, os três Poderes até tentaram um pacto, mas foi para inviabilizar a Lava Jato e impedir a investigação dos filhos de Bolsonaro, e a manobra acabou ficando pela metade. Entre os chefões, só conseguiram soltar Lula e José Dirceu. Os outros líderes das quadrilhas, como Michel Temer, Aécio Neves, Paulo Preto, Eliseu Padilha, Jader Barbalho, Fernando Pimentel e “tutti quanti” continuarão a ser processados e o Congresso vai repor a prisão após segunda instância para encarcerá-los.

Como se vê, era um pacto mafioso e acabou fracassando . No entanto, um pacto de verdade, pelo bem do país, até poderia ser viável. Mas quem se interessa?

Entre os planos sinistros de Gilmar e Toffoli, apenas a libertação de Lula foi conseguida

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Charge do Kacio (Site Metropoles)

Carlos Newton

Já explicamos diversas vezes aqui na Tribuna da Internet que o ministro Dias Toffoli não tem vida própria, funciona como boneco de ventríloquo de Gilmar Mendes, que desde o início se aproximou dele e se tornou seu preceptor. Quando Toffoli assumiu a presidência do Supremo, em setembro de 2018, eles se livraram de Cármen Lúcia e passaram a colocar em prática seus planos sinistros de manipulação da política.

E o principal objetivo era inviabilizar a Lava Jato, para libertar Lula da Silva e evitar a prisão de Miche Temer, Aécio Nevesz, Eliseu Padilha, Paulo Preto e muitos outros.

JUSTIFICATIVA – Quando Jair Bolsonaro assumiu, Toffoli habilmente se aproximou dele e em fevereiro, na reabertura do Congresso, apresentou seu surpreendente plano do pacto entre os poderes.

No discurso, Toffoli usou como justificativa a necessidade de promover as reformas necessárias à retomada do desenvolvimento, a isca deu certo, todo mundo adorou. Houve vários encontros com Bolsonaro e os dirigentes do Legislativo, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, tudo ia bem, essa união contra a Lava Jato interessava a todos, inclusive a Bolsonaro, por causa das rachadinhas familiares.  

Gilmar e Toffoli articulavam a proibição ao cumprimento da pena após segunda instância, mas faltava um voto – o de Rosa Weber. Só podiam colocar em discussão quando houvesse certeza absoluta da posição dela, pois Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello já haviam declarado os votos, diversas vezes.

Mas não existe plano perfeito, porque sempre aparecem as cisrcunstâncias, já dizia o grande pensador espanhol Ortega Y Gasset.

MALHA FINA – Havia pedras no caminho. Desde julho de 2018, Toffoli já estava com a imagem emporcalhada, pois os jornalistas Eduardo Barretto e Filipe Coutinho, da revista “Crusoé”, denunciaram que o ministro recebia, mensalmente, transferências no valor de R$ 100 mil de sua esposa, Roberta Maria Rangel, sem pagar imposto, e o Banco Mercantil do Brasil não informava a movimentação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).  

Ainda em fevereiro de 2019, três semanas após Toffoli ir ao Congresso propor o pacto, foi divulgado que o Coaf fizera um pente fino em 800 mil contribuintes “politicamente expostos”, que incluem sócios, parentes, amigos e empregados de autoridades dos três poderes. Houve várias triagens até que sobraram apenas 134 cidadãos na malha fina, entre eles o ex-ministro Blairo Maggi, a ministra Isabel Gallotti, do STJ, o desembargador Luiz Zveiter, do TJ-RJ, o ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, além de… Gilmar Mendes e sua esposa, Guiomar Feitosa Mendes, e a atual mulher de Toffoli, a advogada Roberta Maria Rangel.

INQUÉRITO DO STF – Esse imprevisto mudou os planos originais. O ministro Gilmar partiu para o ataque, armou uma confusão, denunciando estar sendo perseguido pelo Ministério Público, com apoio de auditores do Coaf e da Receita.

Duas semanas depois, em março, sem a menor base legal, Toffoli abriu um inquérito para apurar ofensas a ministros do Supremo e seus familiares, indicando Alexandre de Moraes para relatar. Moraes se deixou levar e fez o serviço sujo. Mandou suspender a investigação da Receita contra os 134 contribuintes apanhados pelo Coaf e determinou o afastamento de dois auditores fiscais: Wilson Nelson da Silva e Luciano Francisco Castro.

Blindados pela suspensão das investigações, Toffoli e Gilmar retomaram o pacto dos três poderes e a luta contra a Lava Jato. Atendendo à defesa de Flávio Bolsonaro, o presidente do STF então assinou uma liminar e mandou parar todas as investigações, inquéritos e processos com base em relatórios do Coaf, que não tivessem prévia autorização judicial – ou seja, todas elas.

SILÊNCIO NO TRIBUNAL – Como não houve forte reação no STF e na opinião pública, Toffoli se sentiu seguro para pautar o julgamento da prisão após segunda instância e o caso Coaf, até porque já contava com o voto de Rosa Weber.

Quando colocou em votação, a ministra nomeada por Lula fez o serviço, mas surpreendeu ao final do voto, dizendo que tinha uma discordância com o relator, a qual esclareceria no decorrer do julgamento.

Ao final, quando desempatou em 6 a 5, Toffoli foi interpelado por Edson Fachin sobre a necessidade de a ministra Rosa Weber concluir o voto dela. Os ministros Luiz Fux e Marco Aurélio apoiaram, e Toffoli entrou no desespero, porque Rosa Weber ia defender o trânsito em julgado após o STJ, o que manteria a prisão de Lula.

TUDO POR LULA – Foi por isso que Toffoli interrompeu abruptamente a fala de Marco Aurélio, resumiu o julgamento em poucas palavras, dizendo que o voto do relator fora apoiado por 6 a 5 e encerrou abruptamente a sessão.

É claro que a maioria dos ministros não concordou com o comportamento faccioso e ditatorial de Toffoli. Três semanas depois, no decisão do caso Coaf, veio a derrocada. Suas teses foram derrotadas por 9 a 2 e 8 a 3. As investigações sobre Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz já estão sendo retomadas, assim como a apuração dos 134 apanhados na malha fina do Coaf/Receita.

Por fim, os auditores fiscais e procuradores, humilhados por Toffoli, Gilmar e Moraes, agora poderão saborear o dose gosto da vingança.    

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P.S.1
Como se constata, daquele plano sinistro apenas a libertação de Lula foi consumada, e de forma ilegal, porque o acórdão ainda nem foi publicado e não tem valor legal. Além do mais, em nenhum momento o julgamento proíbe prisão após segunda instância, o que os ministros vetaram foi apenas a obrigatoriedade do cumprimento antecipado da pena, conforme logo saberemos, quando o acórdão for redigido pelo relator.

P.S. 2Jamais um ministro foi tão humilhado quanto Dias Toffoli, que no julgamento do caso Coaf mudou seu voto na undécima hora e aderiu ao de Alexandre de Moraes, para não perder a relatoria. Ao ser nomeado para o Supremo, em 2009, Toffoli não tinha notório saber. Agora, não tem mais reputação ilibada, porque foi flagrado manipulando seus atos na presidência do STF, algo que jamais ocorrera na História Republicana. (C.N.)  

Bolsonaro tem poucas realizações a exibir, mas é um forte candidato à reeleição

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Ninguém sabe ao certo o que acontecerá ao Brasil. Recorde-se que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com folga, em meio a um clima de renovação e muita esperança, acreditava-se que o país reencontraria o caminho do crescimento socioeconômico. Como se sabe, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Os eleitores sonharam à vontade e agora têm de se deparar com a realidade, que chega a ser incompreensível, é por isso que não existem mais brazilianistas, todos desistiram de entender o Brasil e jogaram a toalha.

O fato concreto é que um ano praticamente já se passou e não houve grandes resultados, salvo o controle da inflação, embora Bolsonaro acredite que seu governo é um espetáculo e que o mundo ainda há de se curvar perante o Brasil, vejam a que ponto de delírio chegamos.

PARADOXO AMBULANTE – Neste primeiro ano, o que se viu foi um governo dividido, em que o Ministério da Economia se encarregou das reformas, enquanto a Presidência se mostrava mais interessada num revertério nos costumes socioculturais, com a intransigente defesa da instituição familiar passando a ser feita por um governante que já está no terceiro casamento e nem quer saber dos graves problemas da família da atual primeira-dama, a bela Michelle, cujo prazo de validade ainda não está vencido.

Bolsonaro é assim mesmo, um paradoxo ambulante. Em 2016, nos preparativos para as eleições, foi batizado no Rio Jordão pelo pastor pentecostal Everaldo Pereira, fundador do PSC, que depois lhe negaria legenda para ser candidato. Ainda hoje, Bolsonaro se diz católico, mas vive em orações nos templos evangélicos, onde se declara um enviado de Deus, que é uma boa forma de garantir eleitores.

E está sempre anunciando a nomeação de um jurista (?) tremendamente evangélico para ao Supremo.

VOCAÇÃO DE DITADOR – Não há a menor dúvida de que Bolsonaro tem uma tendência enorme para ser ditador, pois não aceita a existência da oposição, cultiva a paranoia de enxergar comunistas em todos os cantos, se diz perseguido pela grande imprensa e só dá entrevistas à evangélica TV Record, que o apoia incondicionalmente, e ao SBT, que pertence a um israelita que reza pela cartilha do oportunismo e se oferece prazerosamente a qualquer governo, desde os tempos da ditadura militar.  

No meio dessa confusão, percebe-se que o governo é desastroso, muito mal visto no exterior, porque se orgulha de não acreditar em aquecimento global ou em efeito estufa, está pouco se incomodando com o meio ambiente e os direitos das minorias, além de achar que seu apoio incondicional aos Estados Unidos lhe garantirá ingresso no paraíso político universal, vejam que confusão dos diabos.

E AS REALIZAÇÕES? – De fato, há algumas realizações que merecem elogios, como a extinção de centenas de desnecessários conselhos federais, a derrubada dos juros, o controle da inflação e a tentativa – ainda não concretizada – de garantir posse de arma a cada cidadão decente, além da decisão de não privatizar a Petrobras, entregando apenas as subsidiárias.

E paramos por aqui, porque a reforma da Previdência é uma realização necessária, mas incompleta, pois não incluiu os servidores militares na primeira leva nem a privilegiada nomenklatura civil, especialmente do Judiciário e do Legislativo, todos continuam se aposentando com o supremo teto .

POR OSMOSE – A mínima recuperação do PIB e do emprego este ano foram obtidas por osmose, porque o governo nada fez neste sentido, as coisas se deram normalmente, com a economia batendo no fundo do poço e depois subindo em pouco, conforme já ocorrera no governo Temer, também por osmose, pois em economia não existem crises eternas.

Em tradução simultânea, são poucas as grandes realizações. Mesmo assim o presidente pode se reeleger, devido à aversão a Lula e ao PT, que parece ter aumentado com a libertação do ex-presidente, que tem ficha sujíssima e leglamente não pode se candidatar em 2022.

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P.S.
Esta é a política do Brasil, que os analistas estrangeiros não conseguem entender. Em termos de riquezas econômicas, é o país de maior potencial de crescimento no mundo, mas está dominado e acorrentado por governantes verdadeiramente trapalhões, à exceção de Itamar Franco, o melhor presidente nesta fase pós-Vargas. No dia em que nossos governantes abandonarem essas bobagens de direita e esquerda, passando a seguir o caminho do centro, recomendado pelo ministro Luís Roberto Barroso, as coisas poderão enfim se normalizar. Quanto à sucessão de 2022, o candidato mais forte continua sendo Jair Bolsonaro, porque os rivais são muito fracos e ele é um tremendo demagogo, sabe conquistar votos, precisamos reconhecer.  O lance de conversar todo dia com o povo na portaria do Alvorada é uma jogada de mestre, realmente genial. (C.N.)

Brasil deveria imitar o Chile no corte dos salários, mas fazendo o serviço completo

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

A Câmara dos Deputados do Chile aprovou nesta quarta-feira (dia 27), por unanimidade, a redução de 50% do salário das autoridades mais importantes do país, incluindo presidente, ministros, subsecretários, governadores e os próprios parlamentares. Para entrar em vigor, o projeto deve passar pelo Senado. Um parlamentar chileno ganha cerca de nove milhões de pesos chilenos, equivalente a R$ 48 mil mensais.

Essa diminuição dos salários foi uma das desesperadas promessas do presidente Sebastián Piñera, que tenta conter as manifestações que ocorrem no Chile há mais de um mês.

É SÓ FINGIMENTO – A decisão não é para valer, porque a medida tem caráter transitório e não cortará os benefícios extras dos parlamentares. Além disso, ficou pela metade e não vale para prefeitos, juízes e integrantes do Ministério Público.

Se o Chile caminhasse para uma solução concreta, que atingisse todos os altos salários de autoridades, seria o primeiro país a iniciar a solução do principal problema que causa essa crise – a desigualdade social.

Na visão dos economistas de maior destaque da atualidade, o francês Thomas Piketty e o indiano Raghuram Rajan, o maior desafio é realmente a desigualdade social, que está causando essa onda de protestos em diversos países, simultaneamente.

CURRÍCULOS – Piketty, ex-diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e da Escola de Economia de Paris, é autor de dois importantíssimos livros de análise do Capitalismo Moderno, enquanto Rajan é ex-diretor do Banco Central da Índia, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), escreveu “The Third Pillar: How Markets and the State Leave the Community Behind” (“O Terceiro Pilar: Como os Mercados e o Estado Deixam a Comunidade Para Trás”), em que adverte sobre as deficiências do capitalismo. e atualmente é professor da Universidade de Chicago.

Rajan se tornou famoso ao prever a grande crise de 2008. Desde 2005, o economista indiano vem advertindo para a necessidade de ser reduzida a desigualdade social, que é também a tese de Piketty e aqui no Brasil é partilhada por Armínio Fraga, ex-diretor do Banco Central.

Em recente entrevista de uma hora na GloboNews, Armínio Fraga disse que reduzir a desigualdade social deveria ser a prioridade número um do Brasil, sob argumento de que “a desigualdade impede o crescimento”. Espantada, a jornalista Miriam Leitão lhe perguntou: “O senhor é de esquerda”? Fraga nem respondeu, apenas disse ter estudado a questão e concluído que, sem diminuir a desigualdade, não há como crescer. “E a desigualdade sequer está na pauta do governo”, lamentou.

ESTADO FORTE – Em tradução simultânea, não se trata de enfraquecer o Estado, porque não existe país que tenha se desenvolvido sem uma máquina estatal robusta. O que não se pode admitir – na visão de Piketty, Rajan e Fraga – é que servidores públicos recebam salários superiores aos da iniciativa privada e trabalhem pouco.

Um grande exemplo no Brasil é o funcionamento do Judiciário. Os magistrados, além de terem duas férias anuais, trabalham quando bem entendem e geralmente chegam ao Fórum depois do almoço. A sexta-feira, por exemplo, já virou “day off”, nenhum juiz trabalha nesse dia, e estamos conversados.  Além disso, os juízes não obedecem a prazos processuais, não estão nem aí, quem deve respeitar são os advogados e os integrantes do Ministério, que muitas vezes nem o fazem, e fica tudo por isso mesmo.

O Código do Código de Processo Civil determina que o juiz deve proferir seus despachos no prazo de dois dias e suas decisões em dez dias. Se isso não acontecer, de acordo com a legislação, tanto os juízes como os membros do Ministério Público “perderão tantos dias de vencimentos quantos forem os excedidos”. Além disso, “na contagem do tempo de serviço, para promoção e aposentadoria, a perda será o dobro dos dias excedidos” Mas é claro que se trata de uma “lei vacina”, do tipo que “não pegou”, pois nenhum juiz é punido.

GUEDES ESQUECEU – O fato concreto é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, até agora só abriu seu baú de maldades contra cidadãos da classe média para baixo. Os privilegiados integrantes da nomenklatura cabocla continuam inatingíveis, é como se vivessem em outro país, ou na Ilha da Fantasia, que é o apelido de Brasília.

Guedes merece apoio total por ter levado os juros oficiais da Selic a seu patamar mais baixo, porém não fez o dever de casa direito, excluiu os militares da reforma inicial da Previdência e não tocou nos privilégios da nomenclatura. Ou seja, agiu como os deputados chilenos, que deixaram a solução pela metade.

Desse jeito, nem Chile nem Brasil vão resolver seus problemas políticos e econômicos, porque a desigualdade parece que só vai aumentar.

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P.S. –
Essa situação mal resolvida nos faz lembrar o genial francês Montesquieu, que em “O Espírito das Leis” (1748) afirmou: “O peso dos encargos produz, primeiro o trabalho; o trabalho produz o cansaço; o cansaço produz o espírito de preguiça”. E faz lembrar também o historiador cearense Capistrano de Abreu (1853-1927), que bolou a Constituição de dois artigos: 1) “Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara“; 2) “Revogam-se as disposições em contrário”. (C.N.)

TV Globo usa estatísticas manipuladas em sua campanha contra o governo de Witzel

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Charge do Moa (Arquivo Google)

Carlos Newton

É sabido que a organização Globo fez o possível e o impossível com objetivo de eleger Eduardo Paes para o governo do Rio de Janeiro, em homenagem à alegre e lucrativa parceria celebrada com o então prefeito na realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, que ajudaram a quebrar as finanças da administração municipal e também da estadual (além da corrupção, é claro).

Ao invés de manter um comportamento crítico em relação a Eduardo Paes, o jornalismo da organização Globo jogou todas as suas fichas para elegê-lo. Ao que se vê, até agora não aceitou a vitória do ex-juiz federal, porque o fato concreto é que, desde a posse, o governador Witzel vem sofrendo críticas pesadas do sistema Globo, que controla rádios, jornais e a TV de maior audiência no Estado.

MANIPULAÇÃO – Uma das manobras mais audaciosas é a manipulação das estatísticas sobre criminalidade, que são divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Ao invés de apoiar o sucesso da política de combate à criminalidade, que vem reduzindo de forma expressiva os índices,  especialmente homicídios, estranhamente o ISP vem distorcendo as estatísticas para apresentar a Polícia fluminenses como violenta, cruel e sanguinária.

Dentro dessa estratégia, o ISP e a organização Globo têm dado especial destaque aos números da chamada “letalidade policial”. O último levantamento indica que de janeiro a outubro ocorreram 1.546 mortes por intervenção policial no Estado do Rio, recorde desde o início da contagem, em 1998, e igualando em dez meses o número total de vítimas em 2018, quando a segurança esteve sob intervenção das Forças Armadas.

MANIPULAÇÃO – Esse recorde foi divulgado com estardalhaço pelo ISP e pela organização Globo, que estão flagrantemente manipulando a estatística, pois não levam em conta o aumento do número de operações policiais no governo Witzel.

Na verdade, essa estatística de “vítimas” de atos policiais precisa ser analisada sempre em relação o total das operações policiais, da seguinte forma: digamos que, se em 2018, nas 500 operações realizadas, houve 1.500 mortes, isso significa que o índice de letalidade de 3 mortos a cada operação.

Se em 2019 o número de operações foi aumentado, como está acontecendo, o total de vítimas teria de dobrar na mesma percentagem, pois um dado é diretamente proporcional ao outro. Como o número de operações cresceu mais de 25% em 2019, mas o número de mortos só aumentou 20%, essas estatísticas demonstram que na verdade a letalidade policial está diminuindo.

CONSEQUÊNCIAS – Outro detalhe que não pode ser esquecido é que toda pessoa morta por bala perdida é automaticamente listada como “vítima da letalidade policial”, junto com os criminosos abatidos em enfrentamentos.

O resultado do direcionamento das estatísticas de criminalidade fez com que o PSOL e o PSB ajuizassem no Supremo duas Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs 594 e 635 ),  para questionar a política de segurança pública adotada pelo governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, que, segundo alegam, “estimula” o conflito armado e “expõe os moradores de áreas conflagradas a profundas violações de seus direitos fundamentais”. O relator é o ministro Edson Fachin.

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P.S. – O governador se defende, dizendo que o aumento da letalidade é resultado do maior número de operações, mas a grande mídia não divulga, porque já está interessada em eleger Eduardo Paes em 2020. (C.N.)

Acabou o pacto entre os Poderes e Gilmar, Toffoli e Flávio Bolsonaro serão investigados

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Charge do Luscar (arquivo Google)

Carlos Newton

O grande Abraham Lincoln dizia que “pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”. É exatamente o que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal com seu presidente Dias Toffoli. Atuando como se fosse o boneco do ventríloquo Gilmar Mendes, o mais jovem ministro do STF vinha enganando a muita gente. Mas agora as coisas mudaram e os dois não vão mais enganar ninguém no Supremo.

Para garantir a libertação do amigo Lula da Silva, Lewandowski se deixou enganar no caso da prisão após segunda instância. Outros três ministros seguiram pelo mesmo caminho, ao se julgarem “garantistas” da Constituição e defensores da presunção de inocência até o trânsito em julgado. Estavam momentaneamente cegos pelos faróis de neblina empunhados por Gilmar e Toffoli.

TUDO MUDOU – É claro que o ventríloquo Gilmar e o boneco Toffoli não iriam enganar mais ninguém, depois do quase fracasso do golpe pelo fim da prisão após segunda instância. Recorde-se que ao final da votação as coisas começaram a desandar e Toffoli teve de encerrar a sessão antes da hora, sem deixar Rosa Weber concluir o voto, o que obrigaria a haver uma segunda rodada de votação para saber se o trânsito em julgado se esgotaria logo após condenação no Superior Tribunal de Justiça, circunstância que impediria a libertação de Lula.

Três semanas depois, o Carnaval ainda não chegou, porém o aumento da pressão no Supremo arrancou prematuramente as máscaras de Gilmar e Toffoli, que tentavam concluir com chave de ouro a manobra que asseguraria a impunidade das elites “per secula seculorum”, como dizem os juristas.

ROSA WEBER ACORDOU – No terceiro dia de votação, desabou o castelo de cartas dos ilusionistas Gilmar e Toffoli, porque desta vez a ministra Rosa Weber não se deixou enganar e votou contra a blindagem dos corruptos, lavadores de dinheiro e sonegadores.

A derrota já vinha sendo pressentida e Toffoli até mudou seu voto, deixando de fora da blindagem os investigados pelo antigo Coaf (hoje, Unidade de Inteligência Financeira) e pelo Banco Central.

Ou seja, entregou aos leões o senador Flávio Bolsonaro e o ex-assessor Fabricio Queiroz, passando a se contentar apenas com a blindagem da Receita. O ministro Toffoli agiu assim, porque isso impediria o prosseguimento das investigações sobre ele próprio, seu amigo Gilmar e as respectivas esposas, todos apanhados na malha fina dos auditores fiscais, que selecionaram 134 grandes sonegadores em meio a 800 mil contribuintes.

FALTA UM VOTO – Cinco ministros já votaram contra Toffoli e Gilmar – Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Lui Fux. Falta apenas um voto, de Cármen Lúcia, a próxima a votar, para permitir que Toffoli, Gilmar e as mulheres sejam investigadas.

Depois, já com a partida ganha, enfim votarão Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e o decano Celso de Mello. Desses quatro, Toffoli só conta com o apoio de Gilmar. Os outros três vão votar de acordo com suas consciências e o placar final pode ser 7 a 4, 8 a 3 ou 9 a 2.

Seja qual for o resultado, o mais importante é que Gilmar Mendes e Dias Toffoli estarão desmoralizados para sempre, a ditadura do Supremo será demolida e o imundo pacto entre os três Poderes também irá para o espaço.

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P.S. –
Melhor ainda, a Lava Jato vai reflorescer e o Brasil voltará a ser respeitado no exterior, assim que o Congresso aprovar a volta da prisão após segunda instância. Mas isso só vai ocorrer no ano que vem. (C.N.)

Na Justiça, um dia decisivo para o futuro de Lula, Toffoli, Flávio Bolsonaro e Queiroz

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Nesta quarta-feira, dois julgamentos simultâneos de extrema importância. Um deles será realizado no Supremo Tribunal Federal e envolve a suspensão de todas as investigações, inquéritos e processos com base em relatórios do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Receita Federal e do Banco Central, abertos sem prévia autorização judicial. A decisão liminar foi tomada dia 16 de julho pelo presidente do STF, Dias Tofffoli, em pleno recesso do Judiciário, a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz.

Outro julgamento importantíssimo ocorre nesta quarta-feira no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, onde os desembargadores João Pedro Gebran Neto, Thompson Flores e Leandro Paulsen apreciarão o mérito da apelação dos advogados de Lula no processo do sítio de Atibaia, no qual o petista foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão.

LIMINAR ILEGAL – Em Brasília, o julgamento do Supremo está empatado em 1 a 1, faltando nove votos. Tudo indica que a liminar de Dias Toffoli será derrubada, porque o ministro não se limitou a decidir sobre o pedido original da parte, que se referia apenas a uma investigação da Receita Federal sobre fraude financeira de um posto de gasolina.

Em julho, na calada do recesso, o presidente do Supremo decidiu estender o alcance desse recurso, para incluir o senador Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabricio Queiroz, acusados de usurpar salários de contratados na Assembleia do Rio.

Ao agir assim, ampliando a liminar, que passou a abranger não somente as apurações com base na Receita, mas também as investigações com origem no Banco Central e no antigo Coaf (hoje, Unidade de Inteligência Financeira – UIF), Toffoli praticou uma ilegalidade primária, de caráter desclassificante e vexatório, por assinar uma decisão “ultra petita” – ou seja, além do que fora pedido pelo posto de gasolina, autor do recurso, ao qual Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz aderiram entusiasticamente.

FACHIN NEGOU – Em Porto Alegre, o julgamento do TRF-4 chegou a ser suspenso, foi remarcado e depois mantido por ordem do desembargador convocado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Leopoldo Arruda. A defesa de Lula insistiu na suspensão e recorreu ao Supremo, mas o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, negou o pedido de liminar.

A defesa de Lula está utilizando o recente entendimento do próprio STF de que réus delatados devem falar depois dos delatores, como aconteceu no caso de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, que teve a condenação anulada pelo STF, porque sua defesa apresentou alegações finais antes de outros réus que o delataram. Assim, a sentença de Lula também pode será anulada no TRF-4, para que o processo volte à fase das alegações finais.

No entanto, se os três desembargadores federais forem em frente e decidirem manter a condenação de Lula, ele se transformará em “reincidente específico”, expressão que define o criminoso condenado mais de uma vez pelos mesmos crimes no caso de Lula, por corrupção e lavagem de dinheiro. Detalhe: reincidente específico não tem direito à progressão ao cumprir um sexto da pena. Só ganha direito a regime semiaberto quando cumprir metade da pena. 

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P.S. 1 –
Em Porto Alegre, como Lula está em liberdade por outro motivo, o TRF-4 pode até passar rapidamente por esse quesito e julgar logo a apelação da defesa, para confirmar ou não a sentença de primeiro grau. Se sofrer nova condenação no tribunal, a ficha suja de Lula ficará imunda e ele pode dar adeus às eleições.

P.S. – Em Brasília, há três possibilidades de resultados na derrubada da liminar ilegal de Toffoli: 7 a 4, 8 a 3 ou 9 a 2. Façam suas apostas. Pessoalmente, acho que vai ser 8 a 3, com Lewandowski, a contragosto, dando uma força e Gilmar e Toffoli, mas posso estar errado, como sempre ocorre, aliás. (C.N.)

Julgamento do caso Coaf poderá ser até de 9 a 2, desmoralizando Toffoli e Gilmar

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Toffoli e Gilmar podem ficar “isolados” pelos demais ministros

Carlos Newton

Antes do julgamento do chamado caso Coaf, de fundamental importância na História Republicana, a Tribuna da Internet previu que três ministros que foram favoráveis a proibir prisão após segunda instância agora deveriam votar a favor do compartilhamento de informações financeiras e pelo prosseguimento das investigações, inquéritos e processos, incluindo a apuração das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz, que passa a ter participação também do vereador Carlos Bolsonaro, com seus funcionários fantasmas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Em nossa avaliação, apontamos que Celso de Mello, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello não iriam engolir as falsas justificativas do relator Dias Toffoli, com base na presunção de inocência e no direito à privacidade de cada cidadão.

A NOVIDADE – A se cumprir a análise inicial da TI, o placar do julgamento do caso Coaf poderia ser de 8 a 3, com os três votos “garantistas” (Celso, Rosa e Marco Aurélio) se bandeando para apoiar os cinco “legalistas” – Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Luiz Fux.

Mas a grande novidade viria semana passada, neste início de julgamento, com o “garantista” Ricardo Lewandowski também fazendo aparte a Toffoli para criticá-lo: “Eu confesso a Vossa Excelência que tenho muita dificuldade em enfrentar esse tema quando ele não foi suscitado nesse recurso extraordinário em nenhum momento”.

Lewandowski estava se referindo à decisão ilegal tomada por Toffoli em 16 de julho, quando mandou suspender todas as investigações, inquéritos e processos com base em relatórios do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Receita Federal e do Banco Central, que não tivessem prévia autorização judicial. Ou seja, o presidente do Supremo deu uma decisão ilegal do tipo “ultra petita”, muito além da petição inicial.

TERCEIROS INTERESSADOS – O pedido da parte (um posto de gasolina envolvido em fraude) se referia apenas a relatório da Receita Federal, nada tinha a ver com Coaf ou Banco Central, que Toffoli incluiu na liminar, para favorecer Flávio Bolsonaro e Fabricio Queiroz, que entraram na ação alheia com recurso de “terceiros interessados”, vejam a que ponto de esculhambação institucional o Supremo chegou.

Aproveitando o lance do posto de gasolina, Toffoli foi tão criativo que conseguiu brecar as investigações da Receita que colocaram na malha fina sua própria mulher, Roberta Maria Rangel, além de Gilmar Mendes e da mulher Guiomar Feitosa Mendes. A investigação começou com 800 mil nomes, foram feitas várias triagens, e acabou com apenas 134 contribuintes, demonstração que não houve perseguição a ninguém, quem caiu na malha fina é porque tem culpa no cartório, como se dizia antigamente.

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P.S.
1Nesta quarta-feira, dia 27, recomeça o julgamento do caso Coaf. E o placar pode ser de 7 a 4, 8 a 3 ou 9 a 2, e este último  resultado seria a completa desmoralização dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que formam uma dupla mais preocupada com interesses próprios, ao invés de se dedicarem à defesa do interesse público. Façam suas apostas.

P.S. 2 Quanto a esse mimimi de fanáticos ideológicos que criticam a TI, estão perdendo tempo, porque nossa liberdade ideológica jamais será revertida para apoiar A ou B, aqui seguimos o caminho do meio, apoiando as medidas que forem acertadas e criticando os equívocos.   (C.N.)

Em busca de um site sem ofensas, palavrões e comentários longos, que nada têm a ver

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Mais uma vez, fazemos um apelo aos comentaristas para que evitem palavrões, ofensas e expressões chulas, assim como escrever em letras maiúsculas, como se GRITAR adiantasse alguma coisa… Esses procedimentos indevidos não dão uma trabalheira adicional e desnecessária, pois nos levam a uma atividade incessante de “limpeza” de comentários, na esperança de que os participantes se adaptem a essas regras de civilidade, mas há muitos comentaristas que insistem nessas baixarias.

Outros se dedicam a reproduzir textos enormes, que nada têm a ver com a reportagem ou artigo em questão. Fazem-no para propagar as teses que defendem, achando (?) que alguém será “convencido” por esse tipo de texto entediante, que incluem propagandas de partidos políticos e até teorias conspiratórias.

REELEIÇÃO DE OBAMA – Há alguns dias, um participante chegou a postar um artigo enorme sobre uma conspiração para evitar a reeleição da Barack Obama, algo que aconteceu há quase oito anos. Outro comentarista publicou um artigo gigantesco sobre o nazismo ser uma vertente do comunismo, uma teoria maluca que nem mesmo os alemães aceitam, e basta lembrar que na Segunda Guerra os comunistas não foram aliados aos nazistas, que inclusive tentaram conquistar a União Soviética.

Quem pretende defender estas teses escalafobéticas e transcendentais deve fazê-lo no lugar certo, pois há um número enorme de sites e blogs dedicados a esse tipo de discussão. Aqui na TI vamos procurar a depuração dos debates, para não enfastiar nossos leitores. Por isso, estamos parando hoje de limpar esses comentários indevidos e passaremos a simplesmente deletá-los, inclusive os escritos com letras maiúsculas. E agradecemos a compreensão.

Lava Jato avança e apura o maior escândalo da Petrobras, a importação de combustíveis

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Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Carlos Newton

A importantíssima notícia passou despercebida pela grande imprensa.  Apenas o site G1 registrou que o Ministério Público da Suíça cumpriu na quarta-feira passada (dia 20) mandados de busca e apreensão em Genebra pela 68ª fase da operação Lava Jato. A informação foi divulgada na quinta-feira pelo Ministério Público Federal e o os alvos foram endereços ligados às empresas Vitol e Trafigura, que atuam no mercado de commodities de petróleo e derivados.

Diz o G1 que, de acordo com o Procuradoria-Geral da República, a ação foi realizada partir de um pedido de cooperação internacional feito pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná. 

DUAS EMPRESAS – As investigações revelaram envolvimento de integrantes das empresas Vitol e Trafigura em um esquema de pagamento de propinas a funcionários da Petrobras, em troca de facilidades na estatal brasileira, como contratos e preços mais vantajosos.

De acordo com as investigações da Lava Jato, a Vitol realizou negócios com a Petrobras, sobretudo operações de compra e venda de petróleo e derivados, em valor total superior a US$ 14 bilhões entre 2004 e 2015.

Já a Trafigura, ainda conforme o G1, realizou negócios com a Petrobras em valor superior a US$ 9 bilhões, também em operações de compra e venda de petróleo e derivados e no mesmo período.

FALTOU DIZER – Em tradução simultânea, faltou dizer na reportagem do G1 que enfim a Lava Jato está chegando ao maior escândalo da Petrobras, que envolve a compra de combustíveis no exterior.

É um gigantesco foco de corrupção, que existe praticamente desde a criação da empresa e tem feito a fortuna de grande número de dirigentes, com destaque para o advogado Shigeaki Ueki, que deixou de ser ministro de Minas e Energia e preferiu assumir a presidência da Petrobras, onde reinou soberano de março de 1979 até o final de agosto de 1984, no governo João Figueiredo.

Com os recursos desviados da Petrobras, Ueki se instalou no Texas, comprou grandes extensões de terra e se tornou produtor rural e explorador de petróleo, acumulando uma fortuna de fazer inveja à família Bush.

ESQUEMA DE CORRUPÇÃO – Ueki foi o primeiro presidente civil da Petrobras. Na época, o esquema de corrupção era simples – bastava cobrar alguns cents por barril, a fortuna estava garantida, porque o Brasil era grande importador de petróleo e derivados.

O “japonezinho do Geisel”, como era conhecido, fugiu para os Estados Unidos, mas deixou seguidores dentro da Petrobras, que tiveram de ir aperfeiçoando o esquema, à medida em que o país aumentava a produção até se tornar autossuficiente.

Sem dúvida, o maior crime que se comete contra o Brasil. O que é mais incrível é que se trata de um esquema feito às claras e que exige cumplicidade de diversos setores da empresa – como as áreas de comercio internacional, abastecimento e refino.

PRODUTIVIDADE – Para manter a necessidade das importações de óleo diesel, por exemplo, as refinarias brasileiras só trabalham em apenas 75% de sua capacidade, um percentual que não é praticado na indústria do petróleo.

A justificativa é que o Brasil tem de importar petróleo leve para misturar ao pesado e produzir diesel, o que é verdadeiro, embora seja inexplicável o fato das refinarias jamais terem sido adaptadas ao petróleo pesado, como ocorre na Venezuela e no Canadá.

O falso argumento dos seguidores de Ueki também se desfaz pelo fato de o país ter passado a importar altas quantidades de diesel, ao invés de adquirir petróleo leve para fazer a mistura e aproveitar a capacidade ociosa das refinarias.

SEM EXPLICAÇÃO – O fato concreto é que a política da Petrobras se tornou inexplicável. Com o Brasil se tornando superprodutor de grão, não se explica a falta de incentivo ao biodiesel.

Da mesma forma, o programa do Proálcool, foi abandonado, nossas usinas estão sendo desnacionalizadas e o Brasil passou a ser importador de etanol dos Estados Unidos, que se tornou o maior produtor mundial devido aos altos subsídios que o governo garante.

Em resumo, a atual política energética do Brail é uma piada de mau gosto. O atual ministro, almirante Bento Albuquerque, se mostra inteiramente omisso, nem se ouve falar nele, enquanto a Petrobras segue dominada por falsos brasileiros, que sonham em morar em Miami e esquecer o Brasil, esta é a verdade.   

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P.S. 1 –
Desse jeito, é melhor chamar novamente Shigeaki Ueki e lhe devolver o Ministério de Minas e Energia. Ele é ladrão, mas sua política na pasta foi absolutamente nacionalista e criou o Proálcool. Sem dúvida, é preferível um ladrão nacionalista do que um almirante entreguista.

P.S. 2 – Outra maluquice é o preço dos combustíveis. Ao invés de ter como partida o custo da produção do petróleo brasileiro, que no Pré-Sal é um dos menores do mundo (8 dólares o barril), o preço cobrado nas refinarias da Petrobras é o resultado da soma do preço de venda nas refinarias no Golfo do México, adicionado ao custo do transporte do Golfo do México até o Brasil, mais os gastos portuários, além do custo de seguro para cobrir eventuais gastos com oscilações de câmbio e preços. Você sabia? Pois essa é a política energética do governo de Jair Bolsonaro, um presidente que nada entende de energia e é embromado de todo jeito. (C.N.)

Flamengo venceu, graças aos dois Diegos, a Gabigol, a Bruno Henrique e a Jesus

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A entrada de Diego conseguiu despertar a equipe do Flamengo

Carlos Newton

Um jogo histórico, de arrebentar corações e mentes. Dois times espetaculares garantiam que o resultado poderia favorecer qualquer um dos dois. No primeiro tempo, os jogadores desenvolveram uma velocidade estonteante, e o River Plate jogou melhor, porque não abriu espaço para os atacantes brasileiros, especialmente Gabigol e Bruno Henrique, que estavam neutralizados, digamos a verdade.

O Flamengo ficou nitidamente assustado, a criatividade foi para o espaço, não conseguiam cobrar direito nem mesmo as laterais. O time apenas seguia o exemplo do River Plate e marcava na pressão, sem levar perigo ao grande goleiro argentino Armani, que tentava seu terceiro título na Libertadores.

BOA ESTRATÉGIA – Deu certo a estratégia do técnico Marcelo Gallardo, que jogou na seleção argentina e sabe tudo de futebol. Conseguiu estancar o ímpeto inicial dos rubro-negros e o River Plate forçava o erro nos passes. Nesse tipo de jogo, qualquer descuido pode ser fatal. Numa indecisão da defesa rubro-negra, a bola sobrou para o excelente atacante colombiano Borré, que é matador e chutou com incrível perfeição, num momento em que o goleiraço Diego Alves não tinha visão da jogada.

O resto do primeiro transcorreu sem que o Flamengo se arrumasse em campo, continuava apenas marcando sob pressão e Gabigol e Bruno Henrique não conseguiam chutar em gol.

A continuar esse esquema de jogo, o River Plate poderia ter vencido e não lhe faltaram oportunidades de fazer o segundo gol, mas Diego Alves está sempre inspirado.

ENTRA DIEGO – Os deuses do futebol intervieram, com a contusão de Gérson, que não estava em dia inspirado, como o próprio time, aliás.

O jogo mudou com a entrada de Diego, que estava descansado e soube fazer a diferença, mostrando ao Flamengo como superar a muralha River Plate. Assim, de repente começou um novo jogo, o time rubro-negro acordou e partiu para cima, como faz em todas as partidas, decisivas ou não.

O ataque do Flamengo acompanhou a onda de Diego e as oportunidades de gol foram surgindo, mas a bola não entrava, o goleiro Armani pareceu insuperável. Até que Bruno Henrique fez um daquelas suas jogadas de driblar dentro da área. Poderia ter chutado, mas não foi “fominha”, passou para Arrascaeta, que fez a assistência a Gabigol, que só empurrou a bola empatando o jogo.

A essa altura o River Plate estava extenuado pela correria e o Flamengo mandava em campo, Diego dominou na defesa e fez o lançamento logo e preciso, Gabigol então usou sua preciosa perna esquerda para decidir e partida, consagrando-se como artilheiro da Libertadores, enquanto Bruno Henrique ganhava o anel de melhor jogador da competição.

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P.S. –
Nesta sexta-feira, trocando e-mails com Mário Assis Causanilhas, eu lhe mandei a seguinte mensagem sobre o jogo de hoje: “Estou tranquilo, amigo, peguei o Flamengo do final dos anos 50, com um timaço tricampeão, depois na era de Zico e agora com Bruno Henrique. É o melhor time do mundo. Para mim, isso vale mais do que títulos, mas a conquista deles será natural. Temos dois times completos, só de craques. É algo espantoso, e os torcedores dos outros clubes estão reconhecendo o futebol de verdade que o Mengão está jogando. E ele veio assim, em viés de alta, desde a contratação dos dois Diegos, é preciso reconhecer. Não acho que o uruguaio seja melhor do que o Diego. Mas é apenas uma opinião”. Mário Assis respondeu, completando meu raciocínio: “E, ao mesmo tempo, reconhecer o excelente trabalho da equipe do Bandeira de Mello que, em seis anos, saneou as finanças do Clube, propiciando as condições para a contratação desses jogadores”. Exatamente, foi por tudo isso que o Flamengo venceu novamente a Libertadores. Quanto ao técnico, é daqueles que não atrapalham e sabem fazer substituições. E haja coração! (C.N.)