Para blindar Lula, PT tenta desesperadamente impedir a formação da CPI da Petrobras

Pagamentos para nora, filho, reforma em triplex: as vezes em que Lula foi  citado na Lava Jato

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Já era esperado. No Congresso, tudo o que se faz – ou não se faz – depende diretamente da sucessão presidencial. Em momento algum o interesse público é levado em consideração, os parlamentares se preocupam apenas com o efeito eleitoral. Um bom exemplo são as comissões parlamentares de inquérito. São cogitadas, simultaneamente, as criações de duas CPIs. Uma delas seria sobre a Petrobras e o alto preço dos combustíveis e a outra devassaria as propinas evangélicas no Ministério da Educação.

As duas comissões são consideradas absolutamente necessárias, mas apenas a CPI do MEC tem condições de ser criada no Senado, mas na Câmara a CPI da Petrobras parou nas 140 assinaturas e não vai adiante, de jeito algum.  

LULA BLINDADO – A cúpula do PT e dos partidos satélites (Rede, Solidariedade, PSOL e PCdoB) chegou à conclusão de que a CPI da Petrobras tem enorme potencial para atingir a candidatura do presidente Lula, porque a implantação da PPI (Política de Paridade Internacional) foi feita para aumentar os lucros e indenizar os investidores americanos que sofreram prejuízos devido à corrupção dos governos do PT, fato que levou a estatal a ser punida nos EUA.

Para o prejuízo não ir longe demais, a Petrobras se comprometeu a pagar US$ 933 milhões a título de indenização aos investidores norte-americanos pelas perdas provocadas pela rapina do PT, além de uma multa de US$ 853 milhões à SEC, entidade que regula o mercado de capitais nos EUA.

Tentando evitar que Lula seja culpado pelos altos preços dos combustíveis, revivendo os escândalos da Lava Jato, o quartel-general do PT agora luta desesperadamente para abortar a CPI da Petrobras, enquanto a base aliada de Bolsonaro não consegue as 179 assinaturas necessárias 

ALEGAÇÕES DE LULA – Na quinta-feira, dia 23, Lula criticou a iniciativa da base de Bolsonaro para instaurar a CPI da Petrobras no Congresso. “Eu não sei o que eles querem com essa CPI. Veja que engraçado. Estão tentando destruir a Petrobras a cada passo (…) e agora querem fazer CPI pra quê? Pra jogar a culpa em cima da Petrobras?”, declarou, em entrevista à Rádio Difusora do Amazonas.

“O que Bolsonaro quer é confusão. A culpa é do governo e somente do governo. Deveriam fazer uma CPI sobre o Bolsonaro e sobre as mentiras do governo”, acrescentou.

O ex-presidente criticou a política de paridade da importação, mas não mencionou que isso ocorreu devido aos prejuízos tidos pela Petrobras com a corrupção.

BOLSONARO ZOMBA – O presidente Jair Bolsonaro aproveita para ironizar o rival Lula e diz que assinaria a CPI da Petrobras se fosse deputado, mas não consegue mobilizar sua base aliada para conseguir criar a CPI que acabaria por investigar Lula. 

A incompetência política de Bolsonaro é acompanhada pelos candidatos da terceira via.  Ciro Gomes, do PDT, e Simone Tebet, do MDB, deveriam estar na linha de frente para a criação da CPI contra Lula, mas estão fazendo olhar de paisagem, parecem não entender o que está acontecendo de importante nos bastidores da política.

As duas Comissões Parlamentares de Inquérito são importantíssimas. No Senado, a oposição afirma já ter as 27 assinaturas para a CPI do MEC, mas na Câmara, continua marasmo da base aliada de Bolsonaro.

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P.S. – Como costuma dizer nosso amigo Pedro do Coutto, são coisas da política. (C.N.)

Escândalo do MEC comprova que Bolsonaro interfere nas investigações da Polícia Federal

Ribeiro contou a filha que "presidente ligou" alertando sobre buscas

Ribeiro contou à sua filha que foi avisado pelo presidente

Carlos Newton

Esse escândalo do Ministério da Educação mostra a que ponto chega a desfaçatez dessas autoridades no “novo normal” brasileiro. Mesmo depois da confusão armada em abril de 2020, quando o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu demissão e denunciou a interferência do presidente da República em investigações da Polícia Federal, nem mesmo assim Jair Bolsonaro resolveu mudar de atitude.

Após negar infantilmente que as reuniões do Ministério fossem gravadas, o chefe do governo foi obrigado a divulgar o video em que, ao palavrões, afirmava ser inaceitável haver investigações “para foder a família e os amigos”. Foi uma vergonha para o governo e o país, mas Bolsonaro não liga para essas formalidades, seu único objetivo é continuar no poder.

TUDO ÀS CLARAS – Seria de se esperar que o presidente da República mudasse de atitude, mas aconteceu exatamente o contrário. Além de continuar interferindo na Polícia Federal, ampliou esse comportamento ilegal para usar – em benefício próprio, da família e dos amigos – também a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Gabinete de Segurança Institucional e a Agência Brasileira de Inteligência, inclusive com reuniões deliberativas realizadas acintosamente no Planalto.

Portanto, tudo o que está escrito neste artigo é rigorosamente verdadeiro e inquestionável. Essa atividade ilegal do presidente e do governo está inteiramente documentada, foram atos praticados em agenda oficial e se tornaram públicos e notórios, sujando a imagem do chefe do governo e da alta burocracia civil e militar.

Em qualquer país civilizado, haveria impeachment, processos e prisões. Mas no Brasil? Quem realmente se interessa, nesses três apodrecidos Poderes? É como se nada tivesse acontecido.

DISSE O EX-MINISTRO – Agora, mais um capítulo da novela sobre interferência do presidente na Polícia Federal e em outros órgãos de investigação e controle. Um grampo telefônico do Ministério Público Federal, instalado para desvendar o escândalo das propinas dos pastores no MEC, acabou por apontar mais provas da interferência do presidente Jair Bolsonaro nas investigações federais, conforme o então ministro Sérgio Moro denunciara em 2020,

A gravação mostra o ex-ministro Milton Ribeiro contando a uma filha que o presidente Bolsonaro lhe alertara sobre a possibilidade de uma operação de busca e apreensão.

“Hoje o presidente me ligou. Ele está com um pressentimento, novamente, de que podem querer atingi-lo através de mim”, disse Ribeiro a uma filha, no último dia 9 de junho. “Ele acha que podem querer fazer uma busca e apreensão em casa. É muito triste”, declarou o ex-ministro.

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P.S.
– Aqui na filial Brazil, essa ocorrência nada significa. Mas se algo semelhante acontecesse na matriz U.S.A. ou em qualquer país importante, o mundo poderia vir abaixo. Mas aqui nos trópicos nada vai acontecer. Bolsonaro não é atingido e pode até ser reeleito, pois o principal adversário consegue ser ainda mais sujo do que ele e também é inatingível. A explicação deve estar naquela velha música de Chico Buarque e Ruy Guerra, que explicava não existir pecado do lado debaixo do Equador. (C.N.) 

Tradução simultânea da pesquisa Datafolha: Lula cai para 38% e Bolsonaro sobe para 25%

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

É intrigante o faniquito que sacode a imprensa, sempre que vai ser divulgada uma pesquisa Datafolha, justamente aquele Instituto que previu, na eleição de 2018, vitória fácil da petista Dilma Rousseff para o Senado em Minas, mas a ex-presidente acabou amargando um quarto lugar. E até hoje Dilma não se recuperou do choque, sente-se traída pelos mineiros e tem problemas para conciliar o sono.

Desde segunda-feira, os jornais estavam alardeando que ia sair mais um resultado Datafolha, divulgado nesta quinta-feira à noite. A imprensa logo alardeou que Lula da Silva vai vencer no primeiro turno, porque tem mais votos do que os demais concorrentes, somados.

VENCE NO 1º TURNO – Segundo o levantamento, Lula venceria a eleição no primeiro turno com 53% dos votos válidos, se o pleito fosse hoje, levando os petistas ao delírio. Teria 47% das intenções de voto, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece na segunda colocação com 28%. Em terceiro lugar vem Ciro Gomes (PDT) com 8%, seguido por André Janones (Avante) com 2%, e Simone Tebet (MDB), com 1%.

Mas seria conveniente que Lula, antes de comemorar com umas e outras, lembrasse do exemplo de Dilma, desconfiasse desses números e conferisse a pesquisa espontânea, aquela que é bem mais próxima da verdade.

Quando o entrevistador pergunta “em quem você vai votar”, sem mostrar a lista de candidatos, o resultado muda inteiramente. Lula, que tinha 38%, nessa pesquisa cai para 37%, enquanto Bolsonaro, que estava em 22%, sobe para 25%. Assim, a diferença, que era de 16%, caiu para 12%

MANCHETE ERRADA – Diante dos números, os jornais deveriam ter destacada que Lula cai e Bolsonaro sobe na pesquisa, mas a imprensa inteira resolveu noticiar a vitória em primeiro turno, que ainda é uma peça de ficção.

Deve-se registrar também que os 10% de Sérgio Moro sumiram, talvez tenham sido tragados pelas enchentes na China, pois Ciro Gomes continua com 8% e Simone Tebet permanece em 1%, perdendo para André Janones, que teria 2%. Mas quem é que pode acreditar numa maluquice dessas? Afinal, seria Janones um fenômeno eleitoral tipo Tiririca? Claro que não. É apenas mais um desconhecido atrás de 15 minutos de fama, diria o artista plástico Andy Warhol.

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P.S. –
Outro índice importante é de rejeição, liderado por Bolsonaro, com 55%, seguido pelo ex-presidente Lula, com 35%, e depois Ciro Gomes, 24%, Santos Cruz, 16% etc. e tal. E o resto é folclore. (C.N.)

Fachin deve entender que não haverá golpe e os militares não podem ser confundidos com Bolsonaro

Relembre três momentos do Padre Quevedo no Fantástico

Padre Quevedo teria bons conselhos para passar a Fachin

Carlos Newton

O ministro Edson Fachin, que até 16 de agosto continuará a ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral, está fazendo uma tempestade em copo d’água e possibilitando o agravamento da crise institucional que atinge o país desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Irritado pelos ataques diários do presidente Jair Bolsonaro à Justiça Eleitoral, Fachin passou a se comportar como se Forças Armadas estivessem apoiando um golpe de Estado, para impedir a vitória do petista Lula da Silva.

PADRE QUEVEDO – Se ainda estivesse entre nós, o padre Óscar Quevedo já teria invadido aquele imenso elefante branco onde está sediado o TSE, que tem cerca de três mil pessoas a bordo, entre servidores e terceirizados, algo que nenhum país do Primeiro Mundo jamais pensou em construir.

Quevedo entraria no gabinete do presidente do TSE e lhe diria, cheio de convicção: “Isso non ecziste!”. E o piedoso padre estaria corretíssimo, porque as Forças Armadas não se confundem com Jair Bolsonaro.

Apenas o apoiaram em 2018, lideradas pelo então comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e depois integraram o governo do irrequieto capitão, embora soubessem que  ele era “um mau militar”, no dizer do general-presidente Ernesto Geisel, que falava pouco e não fazia avaliações impróprias e sem fundamento concreto.

NÃO DEU CERTO – Apoiar Bolsonato foi uma bela tentativa, mas não deu certo. O capitão já  mostrou que não tem preparo nem talento para governar, é melhor deixar esse abacaxi para a sociedade civil e voltar para os quartéis, onde reina a paz e a tranquilidade, especialmente depois daqueles generosos reajustes salariais e da manutenção dos privilégios previdenciários.

O padre Quevedo também aconselharia Fachin a parar de provocar as Forças Armadas, é aceitar a colaboração delas para garantir a maior segurança possível às eleições.

Afinal, foram os ministros do TSE que pediram aos militares para colaborar. Agora, fica feio dizer que não precisam mais deles. Afinal, ninguém sabe o dia de amanhã, como se dizia antigamente. 

Chegou a hora! Ciro e Simone precisam se entender, antes que seja tarde demais

Simone Tebet | FacebookCarlos Newton

Papo reto, vamos falar francamente. Esta eleição para a Presidência da República está mais do que indefinida. Desde o início ficou clara a possibilidade de uma terceira via chegar ao segundo turno, e de lá para cá essa tendência não se alterou. A chamada pesquisa espontânea é a mais importante e a primeira pergunta traça o quadro real da intenção de voto: “Em quem você vai votar?”. Apenas isso.

A pesquisa estimulada é muito diferente, porque o entrevistador exibe a lista de candidatos, para que o eleitor escolha um dos nomes. E a ordem de listá-los pode induzir as respostas. Se você colocar José Maria Eymael ou André Janones como primeiro nome, é uma coisa; se indicar Lula da Silva ou Jair Bolsonaro, é outra coisa bem diferente, porque fortalece a tendência à polarização.

PRINCIPAIS DADOS – Nessa fase inicial da campanha, portanto, os quesitos mais importantes são a pesquisa espontânea e os índices de rejeição. Mas outros importantes indicadores também devem influir nas análises. O principal é o retrospecto eleitoral.

Por exemplo: sabe-se que o Lula tem um eleitorado firme, porém jamais conseguiu se eleger no primeiro turno, apesar de ter disputado contra candidatos sem carisma, como José Serra e Geraldo Alckmin. Assim, o retrospecto indica que Lula vencerá o primeiro turno, novamente será o mais votado.

A segunda vaga então será disputada entre Jair Bolsonaro e o candidato da terceira via, Ciro Gomes ou Simone Tebet, e a ordem dos fatores não muda nada, pois o concorrente alternativo terá os votos de quem não admite eleger Lula ou Bolsonaro, de forma alguma, e não são poucos eleitores nesta situação, muito pelo contrário.

UOL - Ciro Gomes: Exceto Simone Tebet, candidatos da chamada 3ª via são 'viúvas de Bolsonaro' | Facebook | By UOL | Ciro Gomes: Exceto Simone Tebet, candidatos da chamada 3ª viaSEGUNDO TURNO – Partindo-se dessas premissas, chega-se à equação final. No segundo turno, o favorito é Lula, que facilmente voltará ao poder se a terceira via o apoiar ou ficar dividida entre ele e Bolsonaro.

No entanto, se o candidato da terceira via derrotar Bolsonaro e chegar ao segundo turno, o quadro muda de figura, porque não há hipótese de os bolsonaristas votarem em Lula, que passa correr grande risco de derrota.

Mas essa análise não vale nada, absolutamente nada, se Ciro Gomes e Simone Tebet não chegarem logo ao um acordo, Se bobearem, o segundo turno logo estará garantido entre Lula e Bolsonaro, destruindo as esperanças da maioria silenciosa.

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P.S.
Bem, o tempo passa e conspira contra a terceira via. Faltam apenas 100 dias para a eleição. É conveniente que Ciro Gomes e Simone Tebet comecem logo a se entender, antes que seja tarde demais. (C.N.)

A quem interessam as provocações que Edson Fachin tem feito às Forças Armadas?

Fachin busca salvar Lava Jato abrindo mão dos processos contra Lula - Opinião - InfoMoney

Ao provocar os militares, Fachin faz o jogo de Bolsonaro

Carlos Newton

Quando o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, decidiu convidar as Forças Armadas para participar da Comissão de Transparência Eleitoral, saudamos essa iniciativa aqui na Tribuna da Internet, por se tratar de uma maneira inteligente e civilizada de esvaziar os ataques do presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas.

E a Comissão iniciou os trabalhos. Como os especialistas militares não tinham conhecimento dos programas de informática usados na votação e apuração, era natural que apresentassem grande número de indagações, até que se familiarizassem com a sistemática empregada.

FACHIN ASSUME – Substituto de Barroso na presidência do TSE, esperava-se que Edson Fachin simplesmente tocasse o barco e fortalecesse a parceria com os militares, para eliminar qualquer dúvida sobre a eficácia das urnas eletrônicos.

Mas aconteceu exatamente o contrário. Irritado com as críticas diárias de Bolsonaro ao sistema de votação, Fachin perdeu o rumo e cometeu um erro verdadeiramente infantil.

Sem a menor justificativa, colocou Bolsonaro e as Forças Armadas num mesmo saco, ao divulgar simultaneamente críticas duras a Bolsonaro e comentários depreciativos sobre a atuação dos militares na Comissão, chegando ao cúmulo de declarar que as eleições brasileiras seriam feitas pelas “forças desarmadas”, uma clara provocação.

OFÍCIO DA DEFESA – O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, então enviou um ofício ao TSE, para lembrar que as Forças Armadas tinham sido convidadas a participar, mas passaram a se sentir “desprestigiadas”.

E o que fez Fachin? Em sua ruinosa vaidade, ao invés de diplomaticamente responder que as Forças Armadas jamais deveriam se considerar desprestigiadas, o presidente do TSE emitiu uma nota evasiva, minimizando a reclamação clara da Defesa.

Pegou mal, e no dia seguinte Fachin emitiu outra nota, também meramente protocolar. E somente no terceiro dia é que ele avançou mais um pouco, ao admitir que as Forças Armadas tinham enviado 15 propostas procedentes, das quais dez foram aceitas, uma recusada por sugerir transparência exagerada, e as outras quatro continuavam em análise.

PEDIDO DE REUNIÃO – O ministro da Defesa então pediu que fosse marcada uma reunião da trabalho entre os especialistas militares e do TSE.

Fachin, em seu delírio de grandeza, mais uma vez esnobou as Forças Armadas. Respondeu informando que as propostas restantes dos militares só seriam analisadas para 2024, e, como nesta segunda-feira, dia 19, a Comissão de Transparência iria se reunir, disse que esperava contar com a presença do representante da Defesa, general Héber Portella. Ou seja, Fachin desprezou solenemente o pedido de reunião feito pelo general Paulo Sérgio Nogueira, sequer o mencionou.

inda na segunda-feira, o ministro da Defesa  enviou novo ofício, reiterando o pedido de reunião, enquanto o general Héber Portella manifestava seu desagrado à Comissão, ao sequer ligar a câmara de seu computador, ficando em silêncio durante toda a reunião.

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P.S. –
Bem, a situação está nesse pé, por conta das indelicadezas de Fachin. O bom senso manda que ele marque logo a reunião requerida pelo ministério da Defesa. Mas quem sabe o que se passa na cabeça do presidente do TSE? Afinal, por que ele insiste tanto em provocar as Forças Armadas? Essa perspectiva só interessa a Bolsonaro, a mais ninguém. Portanto, o ministro Fachin está se comportando como uma besta quadrada – ou besta ao quadrado, como se dizia originalmente. (C.N.)

Moro enfim quebra o silêncio sobre “erro judiciário” que anulou condenações de Lula

No início de junho, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) anulou a transferência de domicílio eleitoral de Moro de Curitiba para a capital paulista. Com a decisão, ele não poderá sair candidato pelo Estado. Ao Estadão, Moro afirmou que respeita a decisão do tribunal, mas discorda.

Moro não ataca o Supremo, mas identifica o erro judiciário

Carlos Newton

Demorou, mas acabou acontecendo. Era de se estranhar o silêncio do ex-juiz federal Sérgio Moro sobre a série de erros judiciários cometidos pelo Supremo Tribunal Federal para beneficiar o ex-presidente Lula da Silva, ao libertá-lo e depois anular as condenações dele em três instâncias, sem a devida fundamentação legal.

Neste domingo, dia 19, entrevistado por Pedro Venceslau e Eduardo Kattah, o magistrado da Lava Jato quebrou o silêncio, ao ser indagado sobre a liderança de Lula nas pesquisas. E respondeu: “Um grande erro. Um grande risco colocar alguém que foi condenado por corrupção em três instâncias e foi beneficiado por um erro judiciário numa posição dessa e com perspectiva de poder”.

FUX E GILMAR – Em seguida, os repórteres do Estadão disseram que o ministro Luiz Fux afirmou que a anulação das condenações de Lula foi apenas “formal”, porque ficara provado ter havido corrupção. E acrescentaram que o ministro Gilmar Mendes, por sua vez, concordara que a ocorrência da corrupção é indiscutível, mas “não se combate crime praticando crime”. E Moro então respondeu:

“Ninguém praticou nenhum crime para condenar ninguém. Nós (13ª Vara Criminal de Curitiba) éramos competentes para julgar aquele caso”.

E salientou que o Supremo mudou sua jurisprudência para anular as condenações: “Culpar os procuradores e juízes que fizeram seu trabalho é um absurdo. É fazer o jogo dos que querem a impunidade dos poderosos. Existe essa mudança de discurso porque os poderosos que cometeram crimes não têm como justificá-los”.

SILÊNCIO – Era de se estranhar não somente o silêncio de Moro, mas sobretudo a conivência de Luiz Fux. Ele participou do julgamento, votou a favor da competência da 13ª Vara Criminal de Curitiba, mas na condição de presidente do Supremo, em nenhum momento, nem mesmo ao ler seu voto, o consagrado processualista usou da palavra para esclarecer aos outros ministros que o tribunal estava cometendo um gravíssimo erro judiciário e iria interferir na própria sucessão presidencial.

Fux se calou e o relator Edson Fachin conseguiu passar a boiada e aprovar a incompetência territorial absoluta da 13ª Vara Criminal de Curitiba, com oito votos a favor, no julgamento mais vergonhoso da História Republicana.

A “tese” de Fachin era tão absurda que nem mesmo ele, ao conduzir a votação, conseguiu indicar qual seria a competência territorial válida. Ninguém sabia, nenhum dos oito votos favoráveis conseguiu apontá-la, vejam a que ponto chega a desfaçatez desses juristas.

MUITOS ERROS – Por fim, é ardiloso falar em apenas um erro judiciário. Na verdade foram vários, a começar na gestão anterior, de Dias Toffoli, que em 7 de novembro de 2019 conseguiu tirar da cadeia seu grande amigo Lula, com apenas um voto de diferença (6 a 5), concretizando um retrocesso jurídico brutal, que repôs o Brasil na Idade Média, ao ser transformado no único país da ONU que não prende criminoso após condenação em segunda instância.

Toffoli jamais se arrependeu dessa armação política. Mas Fux agora põe a mão na consciência para admitir que as condenações de Lula estava corretas, não deveriam ter sido anuladas.

Na prática, a iniciativa de Fux não muda nada, rigorosamente nada. Mas abre a cortina e mostra que é preciso alterar a sistemática de nomear ministros para os tribunais superiores.

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P.S. –
Enquanto não acabar esse rito promíscuo de nomear ministros sem notório saber e ilibada reputação, os cidadãos brasileiros jamais poderão parodiar o provérbio alemão e dizer que ainda há juízes em Brasília. (C.N.)

Desempenho da terceira via na França e Colômbia anima as candidaturas de Ciro e de Simone

TRIBUNA DA INTERNET | Campanhas de Tebet e Ciro enfim articulam um pacto de não agressão e agenda comum

Reprodução do site My News, Arquivo Google)

Carlos Newton

Na França, a polarização foi para o espaço há cinco anos, quando aurgiu um político pouco conhecido do eleitorado, que jamais disputara eleições e tinha sido ministro da Economia nos últimos três anos de governo socialista de François Hollande. O consultor financeiro Emanuel Macron, com apenas 39 anos, concorreu pelo movimento alternativo “República em Marcha”, que se definia como não sendo de esquerda nem de direita.

Havia dois candidatos de direita – o ex-primeiro-ministro François Fillon, pelo partido “Os Republicanos” e a extremista Marine Le Pen pelo “Reagrupamento Nacional”. E mais dois de esquerda – Benoît Hamon, pelo “Partido Socialista”, e Jean-Luc Mélenchon, pelo movimento “França Insubmissa”.  

DOIS EXEMPLOS – O resultado foi surpreendente e consagrador. Macron, como terceira via, passou ao segundo turno e teve vitória consagradora, com 65,8% dos votos, contra a reacionária Marine Le Pen. Agora em 2002, derrotou novamente Le Pen, com 58,54% e 41,46%.

Neste domingo, a Colômbia também foi às urnas após ter rejeitado no primeiro turno a eterna polarização, formada pelos partidos tradicionais de direita ou de centro-direita, que governaram o país por décadas.

A eleição foi vencida pelo esquerdista Gustavo Petrou, que teve 50,51%, com o empresário Rodolpho Hernández recebendo 47,22%.

AQUI NO BRASIL – Os exemplos da França e da Colômbia são eloquentes e reforçam a teoria da “maioria silenciosa”, criada pelo ex-presidente americano Richard Nixon para explicar mudanças nas expectativas das eleições.  E aqui no Brasil ainda há possibilidades de crescimento para uma candidatura de terceira via, favorecendo Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB).

Em recente artigo no Estadão, o cientista político Carlos Pereira fez uma importante análise das pesquisas. Destacou que, segundo a último levantamento do Ipespe, o potencial de voto de Simone Tebet seria de 32%, resultado da soma dos 7% dos eleitores que indicaram que votariam nela com certeza e 25% que sinalizaram que poderiam votar na senadora.

Além do mais, a sua rejeição é bem menor (31%) quando comparada com os 43%, 59% e 40% que não votariam de jeito nenhum em Lula, Bolsonaro e Ciro, respectivamente.

MUITOS INDECISOS – O cientista político Carlos Pereira acentuou que a pesquisa do Ipespe também indicou que há muitos indecisos e 36% dos eleitores nem conhecem Simone Tebet o suficiente, o que sugere um potencial de crescimento.

Outra pesquisa qualitativa Genial/Quaest, também de junho, confirmou que 42% dos eleitores ainda estão indecisos, sem saber em quem votar, e 35% de eleitores podem ainda mudar seu voto (dos quais, 23% em Lula, 71% nem Lula nem Bolsonaro e 28% em Bolsonaro).

As pesquisas indicam, ainda, que Ciro Gomes e Simone Tebet também são lembrados como segunda opção de votos entre eleitores de Lula e Bolsonaro, o que significa viés positivo no primeiro e no segundo turnos.

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P.S.
É preciso lembrar que tanto Ciro Gomes quanto Simone Tebet somente têm chances de chegar ao segundo turno se fizerem uma chapa conjunta, unindo forças para vencer a polarização. A própria senadora Simone Tebet está consciente desta necessidade e declarou ao Estadão que os dois – ela e Ciro – inevitavelmente chegarão a um acordo. É justamente isso que a maioria silenciosa está esperando, para virar essa eleição de cabeça para baixo – ou ponta-cabeça, como dizem os paulistas. (C.N.)

Boletim de Urna que TSE alega exibir em cada Seção não serve para auditar a votação

Boletim de Urna com QR Code - Eleições 2016

Esta é a foto do Boletim de Urna, que o TSE exibe na Seção

Carlos Newton

Nesta quinta-feira, dia 16, o jurista Jorge Béja escreveu mais um importante artigo na Tribuna da Internet, desta vez sobre a falta de transparência no sistema de votação eletrônica adotado pelo Brasil, circunstância que motiva a gravíssima crise entre o presidente Jair Bolsonaro e os ministros do Tribunal Superior Eleitoral.

Esse inquietante embate institucional se arrasta desde o início do governo, quando Bolsonaro começou a denunciar que teria vencido a eleição de 2018 no primeiro turno. E certamente a crise se arrastará após a eleição deste ano, sem que se chegue a uma solução. E, afinal, o que falta para um entendimento?

GRANDE PERGUNTA – Bem, o que basicamente falta é informação transparente e detalhada, conforme o Dr. Béja afirmou em seu artigo.

Aqui na TI, ele questionou o ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por te declarado, repetidamente, que na eleição de 2 de outubro qualquer eleitor, logo após o término da votação, poderá comparecer à seção eleitoral e conferir o boletim da urna eletrônica, que estará apregoado na porta da Seção, com a totalização dos votos nela depositados.

“Entende-se, portanto, que o eleitor saberá quantos votos tiveram os candidatos na urna daquela Seção na qual foi fazer a verificação”, assinalou o Dr. Béja, dizendo que Fachin também apontou outra alternativa – a do eleitor acessar a página do TSE na internet e conferir o mesmo boletim que a sessão eleitoral afixou para dar-lhe publicidade. Tudo isso no mesmo dia, tão logo a votação termine e a urna seja lacrada.

TUDO RESOLVIDO? – O jurista carioca percebeu que a declaração de Fachin resolve tudo, desmonta completamente as suspeitas de Bolsonaro e de qualquer outro cidadão-contribuinte-eleitor, como dizia Helio Fernandes. E justamente por isso, desafiou Fachin a provar que esta explicação é de fato verdadeira.

Bem, até agora o ministro não se manifestou e certamente jamais responderá a esse repto do jurista, porque suas repetidas declarações como presidente do TSE não correspondem à verdade. Pelo contrário, são enganadoras e ardilosas.

Diz, oficialmente, o TSE que “o Boletim de Urna traz o total de votos por partido; total de votos por candidato; total de votos nominais; total de votos de legenda, quando for cargo proporcional; total de votos nulos e em branco; total de votos apurados”. Ou seja, tudo resolvido, todas as informações estão lá impressas e a eleição poderia ser auditada por qualquer um, assim que encerrada a votação.

APARÊNCIAS ENGANAM – Na realidade, porém, as coisas não funcionam bem assim. Esse sistema de auditagem somente é possível em eleições municipais e apenas nas cidades pequeninas, com poucas zonas eleitorais. Funciona também no segundo turno, quando há apenas dois candidatos.

Mas as eleições gerais são diferentes, têm milhares de candidatos e cada urna traz votos para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, além dos votos na legenda, em branco e nulo.

Assim, numa seção comum, com 200 eleitores, se o Boletim de Urna tiver todas as informações elencadas pelo TSE, voto a voto, sua lista impressa ficaria do tamanho de um rolo de papel higiênico, digamos assim, pendurado na porta da Seção Eleitoral, como um monumento à imundície política em que vivemos.

RACIOCÍNIO CARTESIANO – Esta é a realidade das eleições gerais, e o raciocínio do Dr. Jorge Béja é cartesiano e inquestionável. Portanto, o presidente do TSE deveria vir a público e responder ao questionamento, inclusive exibindo um exemplar da impressão do boletim de urna, que mostre a votação em cada candidato a presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, além dos votos nos números dos partidos, os brancos e os nulos.

É claro que logo surgirão aqui na TI algum protestos veementes dos adoradores do ministro Fachin e de suas decisões nada democráticas e pouco republicanas, como o cancelamento das condenações de Lula da primeira à terceira instância, porque o ilustre ministro repentinamente chegou à conclusão de que os crimes poderiam ter sido julgados no endereço errado, embora no julgamento nem soubesse indicar qual seria o endereço certo…

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P.S. –
E vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta ao país. (C.N.)

PT arma uma manobra para Lula escapar dos debates e Bolsonaro segue o exemplo

Lula x Bolsonaro: 3 leituras da nova pesquisa sobre a eleição 2022 - PCdoB

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde 26 de setembro de 1960, quando a rede CBS levou ao ar o primeiro confronto ao vivo entre presidenciáveis norte-americanos (o democrata John Kennedy, senador de Massachusetts, e o republicano Richard Nixon, vice-presidente em exercício), a política mudou e os debates passaram a ser fundamentais para as eleições. Houve três outros programas e um deles, pela ABC News, foi virtual, porque Kennedy estava em Nova York e Nixon em Los Angeles, e os dois foram mostrados em uma tela dividida, enquanto o moderador Bill Shadel estava em Chicago.

No primeiro debate, Nixon bobeou. Confiante nas pesquisas, que lhe davam seis pontos de vantagem em relação a Kennedy, que era menos famoso, Nixon nem quis raspar novamente a barba e recusou maquiagem. Resultado, uma imagem ruim em relação ao visual privilegiado do adversário.

DEBATES, SEMPRE – Foi uma eleição duríssima na matriz U.S.A., pois Kennedy venceu com vantagem de 112.827 votos, ou seja, apenas 0,1% do voto popular, mas conseguiu 303 votos contra 219 no Colégio Eleitoral. E desde então nunca mais houve disputas presidenciais em países democráticos sem a realização de debates.

Aqui na filial Brazil, o PT agora arma uma jogada para tirar Lula dos debates. O partido sabe que os adversários vão explorar os fatos negativos da vida pregressa de Lula, como a atuação de informante do regime militar, o enriquecimento ilícito, o mensalão, o petrolão, a contratação da amante, as românticas viagens pagas pelo poder público e tudo o mais.

Sabendo que jamais haverá entendimento entre as emissoras, o PT pediu à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão que os veículos de comunicação se organizem em formato de pool para realizar apenas três debates nos 45 dias de campanha .

BOLSONARO, IDEM – O presidente Jair Bolsonaro também sabe que não se sairá bem nos debates. Na eleição passada, faltou aos todos eles, alegando estar se recuperando da facada desferida pelo doente mental Adélio Bispo, circunstância que não o impediu de dar longas entrevistas às TVs.

Agora, sabendo da resistência de Lula em comparecer aos debates, Bolsonaro aproveita a deixa e anuncia que somente participará se o candidato petista estiver presente. Assim, como Lula não irá a nenhum deles, Bolsonaro também estará de fora, fazendo olhar de paisagem.

Já estão marcados cinco debates, programados pelas emissoras CNN, SBT, Band, Record e Globo, em parceria com jornais, rádios e revistas, através de transmissão em várias plataformas e duração aproximada de duas horas. Mas dificilmente serão realizados.

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P.S. –
Como se vê, em matéria de respeito às práticas da democracia pleno, a filial Brazil continua muito aquém em relação à matriz U.S.A. Aqui, nem Lula nem Bolsonaro aceitam participar de debates. Se isso ocorresse nos EUA, os dois estariam eliminados da política, porque seriam considerados covardes e ninguém jamais votaria neles. (C.N.)

Anote aí! Se houver um golpe, o principal responsável chama-se Luiz Edson Fachin

Fachin busca salvar Lava Jato abrindo mão dos processos contra Lula -  Opinião - InfoMoney

Fachin levou uma pancada tão forte que foi a nocaute

Carlos Newton

Não é de se estranhar que o presidente Jair Bolsonaro tenha declarado guerra ao Judiciário, após perceber que o tal pacto de governabilidade, sugerido por Dias Toffoli quando presidia o Supremo, era apenas uma peça de ficção. A essa altura, já se sabia que Bolsonaro não tem limites, é um rebelde sem causa, que não tem traquejo nem qualificação para exercer a Presidência. Tinha sido eleito por simples exclusão, pois a maioria não aguentava mais o lulopetismo e suas enganações.

Portanto, já era mais do que esperado que Bolsonaro ameaçasse a democracia, com ataques cada vez mais ensandecidos ao Supremo, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao sistema de votação eletrônica.

O INESPERADO – O que ninguém podia prever é que ministros do STF e do TSE caíssem na armadilha de Bolsonaro e também passassem a agredir o regime democrático, como tem acontecido tão espantosamente. Como dizia o cantor Johnny Alf, é o inesperado a nos fazer uma surpresa.

Se ministros como Edson Fachin e Alexandre de Moraes não se intrometessem em política e se comportassem com tamanha insensatez, hoje Bolsonaro estaria falando sozinho e cada vez mais isolado, sem a menor chance de reeleição.

Mas acontece exatamente o contrário, pois Moraes e Fachin não perdem oportunidade de radicalizar o clima, com decisões e declarações que incentivam um extremismo político que não interessa ao país e põe em risco a própria democracia.

FACHIN PROVOCADOR – Todos notam que o ministro Fachin está se achando, como se diz hoje em dia. Desde que inventou a anulação das condenações de Lula, a pretexto de que haveria uma dúvida sobre o local onde foram cometidos os crimes, e com essa justificativa imoral conseguiu devolver à política o chefe do maior esquema de corrupção do mundo, depois disso Fachin entrou em delírio e achou que nada poderia contê-lo. Mas estava enganado.

Seu maior erro foi subestimar as Forças Armadas. Sem o menor motivo, fez provocações gratuitas à participação dos militares na Comissão de Transparência das Eleições, a convite de Luís Roberto Barroso, que então presidia o TSE.

Fachin chegou a criticar publicamente a falta de conhecimento dos especialistas militares, considerou infantis os questionamentos deles e depois os desafiou, ao afirmar que eleições seria conduzidas por “forças desarmadas”.

EM ÊXTASE – Em seu delírio de poder, Fachin estava em êxtase até sexta-feira, quando recebeu o ofício do Ministério da Defesa, colocando as coisas em seu devido lugar, com palavras duras e precisas.

Fachin ainda tentou uma jogada de seu “jus embromandi”, dizendo que ia “analisar” o pedido do general Paulo Sérgio Nogueira, mas já estava acabado,  tinha sofrido nocaute no primeiro round. Acovardou-se e fez uma segunda nota em pleno sábado, reconhecendo que, entre as 15 propostas (infantis) dos militares, dez tinham sido aceitas, quatro estavam em análise e um delas fora rejeitada por oferecer transparência excessiva, vejam que desfaçatez.

E pior! Essa espantosa afirmação foi feita pelo trêfego Fachin vários dias após ter comunicado oficialmente à Defesa que já estava encerrada a fase de propostas.    

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P.S. 1 –
Bem, como jornalista e como brasileiro, fico envergonhado de constatar que temos no Supremo ministros tão nefastos quanto o presidente da República. Pois tanto Fachin quanto Bolsonaro e Moraes, os três se comportam como inimigos da democracia. É muito triste chegar a essa conclusão.

P.S. 2Ao tomar conhecimento do ofício do ministro da Defesa, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu a convocação do general, para ouvi-lo numa das comissões. E o que espera que o ministro Paulo Sérgio Nóbrega diga? Que Fachin é um farsante, mentiroso e charlatão? Que o presidente do TSE ridicularizou a contribuição dos militares, mesmo sabendo que os questionamentos deles eram procedentes? Será que é exatamente isso que o senador lulista Randolfe quer ouvir? (C.N.)

Ao festejar 200 anos da Independência, o Brasil precisa novamente lutar por sua soberania

Sociedade civil sai em socorro da Soberania Nacional - PDT

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Estamos comemorando, simultaneamente, 200 anos da independência do país e da fundação do Grande Oriente do Brasil. São dois fatos interligados, em razão da participação direta e ostensiva dos maçons na política brasileira. Portanto, não pertencem ao acaso as datas de fundação do Grande Oriente (17 de junho de 1822) e da proclamação da Independência (7 de setembro de 1822), com poucos meses de diferença. O Grande Oriente do Brasil foi criado com o objetivo determinado de realizar a Independência política do Brasil.  É o que prova a sua história.

Antes disso, havia sido fundada a pioneira Loja Comércio e Artes, em 15 de novembro de 1815, também com o objetivo de trabalhar pela Independência do Brasil, embora fosse subordinada ao Grande Oriente Lusitano. Essa subordinação era incompatível, pois só eram admitidos na Loja homens que jurassem lutar pela Independência do Brasil.

PROIBIÇÃO TOTAL – Incomodado com a autonomia dos maçons, o príncipe regente D. João, em 30 de março de 1818, proibiu a existência de toda e qualquer sociedade secreta em Portugal e em todos os territórios ultramarinos.  Essa proibição atingiu a Loja Comércio e Artes no Brasil, que teve de suspender seus trabalhos.

Cerca de três anos depois, em 24 de junho de 1821, após o retorno de D. João VI para Portugal, foi reinstalada a Loja, com a denominação Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, continuando a ter como principal objetivo a emancipação política do Brasil.

No início de 1822 a Loja Comércio e Artes já contava com grande número de integrantes. Porém, para a formação de uma entidade de âmbito nacional, que congregasse todos os maçons do Brasil, era necessário um conjunto de três Lojas.

DIVISÃO DAS LOJAS – Para atingir o objetivo, os Irmãos da Loja Comércio e Artes dividiram por sorteio seus participantes e formaram três Lojas: a Comércio e Artes, que simbolizava a idade do Ouro; a União e Tranquilidade, que representava as palavras de D. Pedro, na varanda do Paço, em 9 de janeiro de 1822, Dia do Fico; e a Loja Esperança de Nictheroy que simbolizava o objetivo da emancipação do Brasil.

Considerando que o Grande Oriente completa nesta sexta-feira 200 anos de fundação e grandes serviços prestados ao Brasil, lembramos que na sua primeira administração estavam presentes José Bonifácio de Andrada e Silva (Grão-Mestre) e Joaquim Gonçalves Ledo (1º Vigilante).

O Grande Oriente e os maçons sempre estiveram presentes em todos os momentos que o Brasil necessitou e foram as principais forças atuantes na independência do Brasil, nas leis de emancipação dos escravos – Lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos africanos para o Brasil, Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários e, por fim, a Lei Áurea.

PAPEL DECISIVO – A Maçonaria também cumpriu um papel decisivo na proclamação da República. Esse fato histórico teve como líderes e idealizadores o Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamim Constant, Silva Jardim, Campos Salles, Prudente de Moraes, Aristides Lobo e outros maçons.

A Maçonaria esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos do Brasil e que culminaram no país que hoje vivemos, inclusive na defesa da soberania do Brasil sobre seu espaço territorial, defendendo-o em sua integridade, como fizeram o Duque de Caxias, Deodoro da Fonseca e outros.

Hoje, a soberania do Brasil sobre seu espaço territorial está novamente correndo grande risco, por ter aprovado a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, que facilita a independência política, territorial e econômica dos povos indígenas.

SÓ O BRASIL… – Os países que corriam maior risco de violação das soberanias eram os de grande extensão territorial. Nenhum deles assinou a Convenção. Mas o Brasil, no final de gestão de Fernando Henrique Cardoso, curvou-se à pressão. Bastava não ter assinado, acompanhando a atitude dos Estados Unidos, e teria se livrado de grandes problemas futuros. Porém, no dia 20 de junho de 2002 a Convenção 169 da OIT foi aprovada pelo Congresso, dando origem ao Decreto Legislativo 143.

A Convenção 169 da OIT só pode ser denunciada (revogada) pelos países signatários a cada dez anos decorridos. O Brasil já perdeu o primeiro prazo para a denúncia, durante o governo do PT. O segundo prazo vence agora, em 4 de setembro, ou seja, um mês antes das eleições. 

Cabe ao Congresso Nacional a iniciativa de denunciar a Convenção 169 da OIT, evitando o mal que pode causar ao país, justamente quando são comemorados os 200 anos da Independência.

O QUE FAZER? – O Congresso Nacional precisa denunciar a Convenção 169 da OIT, por se tratar de um tema de segurança nacional. Pode também passar a responsabilidade ao presidente da República, outorgando-lhe poderes para o ato. Ou pode permanecer inerte, simplesmente se omitindo, ao colocar em risco a soberania do país sobre seu território.

A Maçonaria, por atitudes firmes do Grande Oriente, jamais se omitiu quando a situação exigiu ação imediata em defesa do país. Teve coragem e força para fazer a independência, a abolição da escravatura e a proclamação da República.

Será que agora o Grande Oriente apenas realizará festejos comemorativos de seus 200 anos de fundação e irá se omitir com relação a lutar para que o governo denuncie a Convenção 169 da OIT, que viola gravemente a soberania nacional? Eis uma dúvida que jamais poderia existir.

Nesta briga inglória, o ministro da Defesa está correto e Fachin completamente errado

Defesa pede que Fachin divulgue propostas das Forças Armadas para as  eleições

Fachin menosprezou os militares e levou o troco do general

Carlos Newton

É grave a crise, mas o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, está sinalizando claramente um posicionamento firme em defesa da democracia. Em audiência na Câmara dos Deputados, na quinta-feira, dia 9, leu o inteiro teor do artigo 142 da Constituição, para mostrar que as Forças Armadas não se afastarão das determinações legais.

No dia seguinte, sexta-feira, aproveitou o embalo e enviou um ofício curto e grosso ao Tribunal Superior Eleitoral, enquadrando o melífluo ministro Edson Fachin, que sofreu o vexame de ser advertido formalmente e colocado em seu devido lugar, como se dizia nos bons tempos.

DISSE O GENERAL – Sem meias palavras, o ministro militar lembrou ao presidente do TSE que as Forças Armadas foram convidadas para participar da Comissão de Transparência Eleitoral, aceitaram, começaram a trabalhar e encaminharam vários questionamentos à Justiça Eleitoral

Nogueira destacou que, no entanto, a Justiça Eleitoral parece não querer levar adiante a análise da Comissão sobre a segurança das urnas eletrônicas. “Até o momento, não houve a discussão técnica mencionada, não por parte das Forças Armadas, mas pelo TSE ter sinalizado que não pretende aprofundar a discussão”, afirmou.

“Até o momento, reitero, as Forças Armadas não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE”, afirmou Nogueira no ofício, certamente se referindo ao fato de o TSE ter vazado informações de que as dúvidas dos militares eram primárias e até infantis.

CERTO E ERRADO – Nessa briga que não acontecerá, porque já tem vencedor por antecipação, o ministro da Defesa está certo e o presidente do TSE totalmente errado.

Foi o Tribunal que convidou as Forças Armadas para fiscalizar as eleições. E os militares enviaram seus questionamentos. Ao invés de simplesmente respondê-los tecnicamente, como seria sua obrigação funcional, o Tribunal demonstrou menosprezar a colaboração das Forças Armadas, fazendo com que o ministro da Defesa obrigue Fachin a engolir tudo a seco e a rever seu comportamento inadequado.

“Por fim, encerro afirmando que a todos nós não interessa concluir o pleito eleitoral sob a sombra da desconfiança dos eleitores. Eleições transparentes são questões de soberania nacional e de respeito aos eleitores”, foi o recado final do ministro da Defesa.

CAPÍTULO FINAL – Bem, espera-se que o manhoso Fachin tenha aprendido a lição e passe a tratar as Forças Armadas com o respeito que merecem.

A resposta que Fachin deu ao ofício do ministro da Defesa, com um trecho em que elogiava a si mesmo, foi mais uma peça do “jus embromandi” que caracteriza algumas de suas decisões jurídicas, como a anulação das condenações de Lula, a pretexto de que o endereço do local do crime estaria errado, digamos assim, ao definir o que significa incompetência territorial absoluta. Uma tese tão frágil que em seu voto Fachin nem conseguiu dizer qual seria a competência correta…

Bem, na História Universal, sempre que o mais fraco falta com o respeito ao mais forte, acaba levando pancada. E o ilustrado Fachin parecia não entender quem é o mais forte. Agora, talvez, enfim tenha percebido.

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P.S.
Mas a briga está apenas começando. Fachin fez a Bolsonaro o grande favor de provocar os militares. Espera-se que agora abra as portas da Comissão de Transparência Eleitoral, antes que os militares as derrubem. (C.N.)

Ingresso de Sério Moro na política registra três derrotas sucessivas antes das eleições

Moro assume cargo de diretor em empresa norte-americana de consultoria

Com eleição garantida, Sérgio Moro será um superdeputado

Carlos Newton

Sérgio Moro é um brasileiro notável e deve contar com a solidariedade dos cidadãos de bem. Conseguiu vitórias sensacionais, ao julgar os processos da Operação Lava Jato, conduzidos pela tríplice força-tarefa da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita, que encurralaram e desfizeram o maior esquema de corrupção já identificado no mundo.

Seus julgamentos foram realizados com bases em provas concretas que comprovaram delações judiciais sobre as relações espúrias entre políticos e empresários. As sentenças foram confirmadas nas duas instâncias superiores, sempre por unanimidade. Um trabalho extraordinário, que o Brasil deve a Moro e mais nove magistrados, incluindo a juíza Gabriela Hardt, que condenou Lula no sítio de Atibaia.

RELAÇÕES NEFASTAS – Não importa que as nefastas relações de ministros do Supremo com políticos e empresários tenham contribuído para anular parte do trabalho do então juiz Sérgio Moro, seriamente prejudicado pela infantilidade de procuradores da Lava Jato, que se divertiam em conversas fiadas por celulares.

Não importa também que, nesses telefonemas, não exista uma só indicação de conluio ou parcialidade do juiz. O fato é que as supostas “provas” obtidas por hackers a soldo foram consideradas “legais” pelo ministro Ricardo Lewandowski, e de cambulhada sete dos ministros do Supremo consideram Moro “parcial”.

Nada disso importa, porque os cidadãos de bem sabem que Moro jamais foi “parcial”, ao contrário da grande maioria dos integrantes desta Suprema Corte, a mais desmoralizada da era republicana. E a História há de fazer justiça a Moro, ninguém se iluda a respeito.

NA POLÍTICA – Bem sucedido como consultor jurídico, Moro desprezou um altíssimo salário, jamais pago a nenhum outro jurista brasileiro, largou tudo para entrar na política e voltar a servir ao país.

Optou pelo partido Podemos, do amigo Alvaro Dias, sem perceber que sua candidatura presidencial só interessaria à legenda se mostrasse condições de vitória logo de saída, devido aos altos custos da campanha.

Na undécima hora, caiu numa armadilha e filiou-se ao União Brasil, braço auxiliar do Centrão, cujo interesse era justamente afastar Moro da disputa. Agora, barrado em São Paulo, só poderá ser candidato no Paraná.

MAIS PROBLEMAS – O União Brasil não tem candidato a governador, mas no Paraná o partido é dominado por Fernando Francischini, deputado bolsonarista que acaba de ser novamente cassado pela Segunda Turma do Supremo.

Além disso, Moro não pode ser disputar o Senado, pois estará prejudicando o velho amigo Alvaro Dias, que sempre lhe deu apoio e o convenceu a entrar na política.

Portanto, só lhe resta a candidatura a deputado federal, cargo também almejado por sua mulher Rosângela e pelo amigo Deltan Dalagnol, filiado ao Podemos.

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P.S.
O destino quis assim, conduzindo Moro e Rosangela pelas linhas tortas das escrituras da Bíblia. E não se deve confrontar o destino, especialmente quando ele mostra que está do nosso lado. E vai ser uma beleza ver Sérgio e Rosângela Moro, Deltan Dallagnol e Alvaro Dias fazendo campanha juntos. (C.N.)

Bolsonaro prepara novas megamanifestações contra STF e TSE em Sete de Setembro

Veja a íntegra do discurso de Bolsonaro no 7 de setembro, em São Paulo

No ano passado, Bolsonaro chamou Moraes de “canalha”

Carlos Newton

Em Brasília, não se fala em outra coisa. A colunista Denise Rothenburg, do Correio Braziliense, revela que os bolsonaristas pretendem fazer novas megamanifestações no Sete de Setembro deste ano eleitoral, para demonstrar a força do presidente da República e, de quebra, mandar recados ao Supremo e ao Tribunal Superior Eleitoral.

“Desta vez, não terá Michel Temer para intermediar a paz entre o ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro”, destaca a jornalista, acrescentando que a desconfiança do presidente em relação às urnas eletrônicas não mudará até a eleição ou depois do pleito, caso seja derrotado. Ele está convencido de que as pesquisas não refletem o que ele encontra nas ruas pelo país afora…

VISÃO ERRADA – É natural que Bolsonaro se deixe impressionar pelo povo que o assedia nas ruas, porque ele realmente sabe conquistar eleitores. É um tremendo populista, que faz lembrar Jânio Quadros nos bons tempos. A diferença é que Bolsonaro é da extrema direita e conseguiu colocá-la nas ruas, com grande competência política, é preciso reconhecer.

O problema é que Bolsonaro está desenvolvendo uma visão errada. Se continuar nessa radicalização, perderá muitos votos de centro, que compõe a “maioria silenciosa”, identificada pelo presidente americano Richard Nixon e que termina decidindo as eleições.

Como não demonstra a menor intenção de alterar os rumos da campanha, Bolsonaro tornou-se refém de si mesmo. Portanto, tem de provar a possibilidade de fraude no sistema eleitoral eletrônica. Sua reeleição depende diretamente disso.

ARAPONGAS ISRAELENSES – Sua bala de prata é a empresa de cibersegurança CySource, criada por especialistas do Mossad, serviço secreto de Israel. A contratação ocorreu em 25 de março, com a presença do coronel Jaques Flório Simplício, adido de Defesa do Brasil em Israel, o embaixador brasileiro Gerson Garcia de Freitas, e Shai Alfasi, diretor-executivo da CySource.

Com a assessoria israelense, os especialistas do Comando de Defesa Cibernética do Exército estão preparando um documento técnico para apontar a possibilidade de falhas no sistema eleitoral.

Com base nesses questionamentos, a serem respondidos pelo TSE, é que Bolsonaro pretende repetir a dose no Sete de Setembro.

FIM DE JOGO – Para a democracia brasileira, o jogo caminha para o final. Se o trabalho dos israelense for consistente, Bolsonaro terá caminho aberto para o golpe. No entanto, se for um questionamento sem base concreta, apenas para justificar a contratação, Bolsonaro perderá muitos eleitores da “maioria silenciosa” e isso fortalecerá a terceira via.

Tanto o Comando de Defesa Cibernética do Exército quanto a empresa CySource divulgaram notas oficiais informando que a contratação refere-se apenas a serviços de treinamento de especialistas, sem nada a ver com as eleições.

Portanto, se houver avanço no trabalho investigativo do Exército no TSE, há duas possibilidades, no chamado “modo ironia”: 1) a participação dos arapongas israelenses terá sido mera coincidência; 2) os arapongas do Exército brasileiro assimilam transferência de tecnologia em velocidade espantosa.

Uma coisa é certa – esses Três Poderes sabem como envergonhar o Brasil diante do mundo

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Nani (Nanihumor.com)

Carlos Newton

É muito triste saber que o Brasil, entre os 193 membros da Organização das Nações Unidas, é o único país do mundo a sofrer monitoramento permanente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), devido aos retrocessos ocorridos no combate à corrupção, a partir de 2019, com participação direta dos Três Poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário.

Também é decepcionante saber que, também entre os 193 membros da ONU, o Brasil se tornou o único país que deixa em liberdade presos condenados em segunda instância, após ser esgotado o exame do mérito, como é o caso de Lula da Silva, José Dirceu, Geddel Vieira Lima e tantos outros enriquecidos ilicitamente com desvio de recursos públicos (leia-se: do povo).

PROCURAM-SE INOCENTES – É ainda mais desanimador quando se sabe que uma pesquisa da Gestão da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revela que apenas 0,62% desses réus foram absolvidos na terceira instância. Ou seja, o impressionante total de 99,38% desses criminosos – como Lula, Dirceu e Geddel –tiveram confirmadas suas sentenças e seus acórdãos de condenação.

Repetindo: o Brasil é o único país do mundo que deixa em liberdade 99,38% dos criminosos já julgados, a pretexto de existir “presunção de inocência” daqueles 0,62% restantes. Caramba amigo! Esses “supostos inocentes” não chegam nem a 1%…

Quem decidiu isso foi o STF, que em 2019, para libertar Lula, chutou a condenação para a última instância, embora na maioria dos países nem exista quarta instância, pois neles a Suprema Corte é justamente a terceira instância.

CULPA DO MACRON – O ministro da Economia, Paulo Guedes, que até hoje não prestou depoimento sobre os prejuízos que deu a fundos de pensão, como o Postalis, culpa o presidente francês Emmanuel Macron pelo boicote ao ingresso do Brasil na OCDE, embora saiba muito bem que o problema é a impunidade das elites. Aliás, o próprio Guedes é um grande exemplo dessa situação.

E a responsabilidade não é apenas do Judiciário, pois está dividida entre os Poderes. O Executivo encarregou o ex-juiz Sérgio Moro de aprovar um pacote anticorrupção, mas a base aliada transformou em leis a favor da impunidade, e ficou tudo por isso mesmo.

Sem esquecer que, se o Brasil vive hoje essa fase das trevas, deve-se também à Imprensa, classificada de Quarto Poder pelos historiadores escoceses Thomas Macaulay e Thomas Carlyle, no século XIX. A imprensa brasileira simplesmente deixou rolar a impunidade. Em nenhum momento tentou se opor a esse clamoroso retrocesso institucional, que tantos prejuízos traz à nação.

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P.S.
1 – Tudo o que está escrito aqui é rigorosamente verdadeiro, ao exibir essas vergonhas nacionais, que nos diminuem perante o mundo. O presidente agora está participando da Cúpula das Américas, em situação vexaminosa. No início do governo, aceitou o acordo entre os Três Poderes, proposto por Dias Toffoli, que então presidia o Supremo. Bolsonaro achou que ia se beneficiar. O resultado aí está.

P.S. 2Sei que surgirão aqui comentaristas a defender a “impunidade democrática” desses criminosos e a “presunção de inocência” deles, pois Lula é a alma mais honesta sobre a face da Terra, Dirceu sempre foi perseguido político, Geddel passou a vida inteira economizando real, euros e dólares, e Bolsonaro pedia dinheiro vivo emprestado a Geddel, para comprar suas mansões. Prometo que vou acreditar nisso. (C.N.)

Pedro Simon se torna o maior defensor da chapa unindo Ciro Gomes e Simone Tebet

Simon deu uma entrevista importante no canal MyNews

Carlos Newton

O jornalista gaúcho Paulo Egídio, da Gaúcha/Zero Hora, mostra que o ex-senador Pedro Simon (MDB), aos 92 anos, tornou-se o maior entusiasta da pré-candidatura da correligionária Simone Tebet à Presidência da República, defende uma aproximação entre a senadora e o presidenciável do PDT, Ciro Gomes.

Simon diz que considera “muito triste” a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). “Devemos abrir um debate, para que cada um inclua suas ideias e o seu pensamento. São duas candidaturas que representam mais do que Lula e Bolsonaro” — avalia Simon.

FUTURO DO PAÍS – O ex-senador adverte, entretanto, que o propósito é estimular a discussão sobre o futuro do país, e não necessariamente formar uma chapa entre Ciro e Simone. “Não faço conchavos. Só me uno por um projeto de país”, assinalou em entrevista ao podcast do canal MyNews, no YouTube.

Com 70 anos de vida pública no currículo, o ex-ministro, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-senador Pedro Simon (MDB) não economiza elogios para a pré-candidata Simone Tebet e para Ciro Gomes.

“Eu não falei em a Simone ser vice de Ciro, nem em Ciro ser vice da Simone”, disse Simon, ao responder a uma pergunta de um expectador que interagiu durante a live. E complementou: “Eu estou propondo um entendimento dos dois para fazerem a campanha, para debaterem, exporem suas ideias, livre e abertamente. São duas pessoas sensíveis, que têm o espírito democrático, que têm diálogo, verdade, moralidade e seriedade.

LÁ PELAS TANTAS… – Simon disse que, ao contrário de Lula e Bolsonaro, que não vão expor as suas ideias, Ciro Gomes e Simone Tebet poderão ser candidatos até o fim. “Agora, se lá pelas tantas se fizer um levantamento para ver quem fica de presidente e quem fica de vice, poderá assim ser. Mas ninguém vai tirar o direito do Ciro ser candidato a presidente e também o direito da Simone ser candidata a presidente”.

O ex-senador também falou sobre o ex-juiz Sergio Moro, que era sua aposta como candidato alternativo à polarização Lula-Bolsonaro: “Quando ele esteve aqui em casa, eu disse ‘olha, você é um grande nome, você é um bom candidato’. Mas houve muitas complicações”, disse, acrescentando:

“Moro ele cometeu o equívoco de aceitar o ministério da Justiça, convidado pelo presidente da República. Hoje eu acho que ele não deveria ter aceito, mas na época eu era senador e achei que ele fez bem em aceitar. Mas eu ainda defendo a possibilidade do Moro vir compor o governo, para pegar essa área da corrupção.”

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P.S.
Na entrevista ao MyNews,  o ex-senador Simon comentou que o ex-governador tucano Eduardo Leite é um bom nome para a chapa de Simone Tebet, porém tudo indica que vá disputar novamente o governo gaúcho. (C.N.)

Somente Augusto Aras pode pedir que Supremo anule a decisão que “inocentou” Lula

Aras diz que indulto é constitucional, mas Daniel Silveira fica inelegível

Augusto Aras se omitiu e deixou de usar a Constituição

Carlos Newton

A respeito do erro judiciário do Supremo que permitiu a volta de Lula da Silva à política, o sempre atento comentarista José Guilherme Schossland indaga como encontrar (definir) um apelativo fórum mediador para essas tidas e aceitas “controvérsias” jurídicas. A resposta é que, na verdade, o fórum mediador seria o Supremo, porque somente o plenário pode reavaliar erros judiciários cometidos pelo próprio STF.

O problema é que, no caso da anulação das condenações de Lula pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, decidida pelo relator Edson Fachin e confirmada em plenário, não há possibilidade de recurso pelo ex-juiz Sérgio Moro nem de ação popular por qualquer eleitor. Somente o procurador-geral da República tem poderes de recorrer contra decisão do Supremo.

CONTORCIONISMO– O fato concreto é que o procurador-geral Augusto Aras se omitiu e não quis interferir numa decisão equivocada que atinge toda a população brasileira.

E para devolver à política um criminoso como Lula, o Supremo teve de fazer um contorcionismo jurídico de alto grau de dificuldade. Não adiantava aprovar apenas a “parcialidade” do juiz Sérgio Moro, porque Lula havia sido condenado também pela juíza Gabriela Hardt, com sentença confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e continuaria inelegível.

Portanto, era necessário anular também a decisão da juíza Hardt. E o relator Edson Fachin cumpriu essa tarefa à perfeição, ao decretar a incompetência da 13ª Vara Criminal.

MISSÃO IMPOSSÍVEL – Era uma missão quase impossível, porque não havia precedentes na História do Supremo nem qualquer jurisprudência, por se tratar de questão infraconstitucional, como ensina Jorge Béja, um jurista de verdade. Além do mais, o pedido de incompetência já havia sido rechaçado não somente por Moro e Hardt, como também pelo TRF-4 e pelo STJ, sempre por unanimidade.

Mas o relator Fachin preferiu desconhecer o voto unânime dos dez magistrados e inventou a incompetência territorial absoluta em questão criminal, algo jamais visto na Justiça brasileira.

Como ressaltaram os votos discordantes de Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Nunes Marques, a competência da 13ª Vara estava mais do que garantida por conexão, pois se tratava de questões relacionadas com a corrupção na Petrobras, no esquema chefiado pelo próprio Lula.

ARAS SE OMITIU – A espantosa decisão do Supremo deixou claro que a 13ª Vara Criminal de Curitiba tinha competência para julgar todos os casos da Lava Jato, com centenas de réus, mas não tinha competência para julgar exatamente Lula, o chefe da quadrilha.

Uma contradição tão clara é percebida facilmente por qualquer estudante de Direito, mas sete ministros apoiaram a esdrúxula tese de Fachin, devolvendo os direitos políticos a Lula por 8 a 3 e jogando no lixo o trabalho de dez magistrados.

Somente o procurador-geral Augusto Aras poderia recorrer e apontar o clamoroso erro judiciário. Na Hora H do Dia D, porém, o representante do Ministério Público Federal se omitiu. Mas nada impede que a qualquer tempo decida recorrer, porque erro judiciário não prescreve nem tem prazo para ser corrigido. Mas quem se interessa?

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P.S. –
Esperamos que esta explicação desfaça a dúvida do comentarista José Guilherme Schossland. (C.N.)

Terceira via começa a decolar e os robôs da polarização passam a “trabalhar” dobrado

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

É da maior importância a reportagem de Pedro Venceslau, no Estadão, revelando que aliados da senadora Simone Tebet (MDB) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) estão operando uma aproximação dos dois pré-candidatos à Presidência, através de um pacto de não agressão, em resposta ao esforço da polarização entre o ex-presidente Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nem era preciso falar em pacto de não-agressão, porque a convivência e o respeito entre Simone Tebet e Ciro Gomes sempre foram marcantes, sem jamais ter havido nenhuma rusga entre os dois. Pelo contrário, sempre trocaram elogios. E agora a terceira via enfim pode decolar. 

À MODA ANTIGA – Interessante notar que as campanhas de Ciro Gomes e de Simone Tebel estão sendo feitas à moda antiga, sem esse alvoroço que caracteriza a presença do apoiadores da polarização, que há meses travam disputas nas redes sociais e nos portais, sites e blogs de informação na web.

Aqui na Tribuna da Internet já estamos acostumados. Em todo ano eleitoral, é a mesma coisa. O espaço dos comentários fica invadido por robôs de todas as espécies e tecnologias. 

No caso de candidatos como Ciro Gomes e Simone Tebet, eles tem sido apoiados na web por comentaristas normais, não parece que existam robôs profissionais entre eles, mas é provável que também passem a usar essa prática robótica já consagrada em outras legendas.

SÃO IRRITANTES– A diferença entre o comentário normal e o robotizado é a repetição de argumentos, sempre na tentativa de vencer no grito, como se dizia antigamente. Chegam a ser tão irritantes que até desanimam os comentaristas de verdade.

Esta semana o gaúcho Duarte Bertolini fez um desabafo contundente. ”O que existe é o desencanto com este lixo político, estas manadas enlouquecidas de gado fanatizado que impedem qualquer debate minimamente civilizado. Sempre gostei de conversar, escrever e trocar ideias. Também gosto de uma boa polêmica, mas com algum embasamento. No entanto, percebo que fica cada vez mais difícil trocar ideias na Tribuna, devido à invasão dos robôs. É briga de bugios, como se diz aqui no Sul. Somente em novembro é que saberemos o que vai sobrar desta carnificina de bestas apocalípticas. Isso, é claro, se ainda houver mundo civilizado aqui no Brasil, após a calamidade eleitoral”, disse Duarte Bertolini.

Concordando com essa reflexão, podemos sugerir que os robôs passem a ser fabricados com um botão de “simancol” na testa, para que defendam suas teses sem desrespeitar o pensamento dos outros.

BALANÇO DE MAIO – Como sempre fazemos, vamos publicar agora as contribuições feitas ao blog em maio, agradecendo muitíssimo o apoio dos amigos.

De início, os depósitos na Caixa Econômica Federal:

DIA  OPERAÇÃO  REGISTRO            VALOR
05     051144         DP DIN LOT……..230,00

06     061603         DP DIN LOT……….60,00
10     101155         DP DIN LOT……..100,00
12     121243         DP DIN LOT……..230,00
24     241241         DP DIN LOT……..100,00
27     272004         CRED TEV………….30,00
27     700001         DOC ELET………….35,00

Agora, as contribuições feitas através do Itaú/Unibanco:

09  TBI 8624.18877-0/500……….. 100,29
16  TED 001.4416MARACRO…….. 250,00
16   PIX TRANSF ANTONIO ………..50,00
31   TED 033.3591ROBESNA…….. 200,00

E, por fim, as contribuições na conta do Bradesco:

04   0535621 LROBESORD…………….50,00
11   0241040 LCBPAIM………………..200,00
25   0535815 LROBESORD…………….30,00
30   0241492 LCBPAIM………………..200,00

Agradecendo muitíssimo aos amigos que nos apoiam nesta utopia de manter um espaço independente na internet, vamos em frente, sempre juntos, em busca de um futuro melhor.

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P.S. – A relação do Itaú sai errada, agora corrigi. A publicada anteriormente era de maio do ano passado. Desculpem a nossa falha. (C.N.)

PT abandona Capiberibe, o aliado histórico, e prefere apoiar a reeleição de Alcolumbre 

Comitê de Direitos Humanos da ONU diz que Brasil deve garantir direitos políticos de Lula | Brasil | EL PAÍS Brasil

Lula deu o sinal verde para o PT apoiar Davi Alcolumbre

Carlos Newton

Parece inacreditável, mas é verdade. O colunista Lauro Jardim, de O Globo, revela a espantosa notícia de que o PT decidiu apoiar no Amapá o candidato do Solidariedade ao governo do estado, Clécio Luis. “Beleza. Só que Clécio é o candidato da chapa de Davi Alcolumbre (União Brasil) à reeleição”, esclarece Jardim, assinalando que o PT local, portanto, descartou o apoio a João Capiberibe, candidato do PSB ao Senado, aliado histórico de Lula, e a Lucas Abraão, candidato da Rede ao Governo.

Esse fato mostra o nível de degradação da política brasileira, que está numa fase verdadeiramente sinistra, como se comprova na primeira pesquisa eleitoral Ipespe de junho.

O MAIS HONESTO – No levantamento, divulgado nesta sexta-feira (dia 3), o eleitorado é questionado sobre qual candidato é associado à qualidade “honestidade”.

Por incrível que pareça, Lula (PT) é considerado o pré-candidato mais honesto para 35% dos entrevistados, e Jair Bolsonaro (PL) aparece com 30%, enquanto Ciro Gomes (PDT) é assim considerado por 11% e Simone Tebet (MDB), por sua vez, é associada à “honestidade” por apenas 6%.

O mais espantoso é que a honestidade parece ser a característica mais valorizada pelo eleitorado brasileiro, segundo a pesquisa eleitoral Ipespe, pois 81% dos entrevistados classificam essa qualidade como muito importante para o próximo presidente da República.

IGUAL A ALCOLUMBRE – Em termos do critério honestidade, realmente Lula da Silva corre na mesma faixa de Davi Alcolumbre, o que deve explicar o apoio do PT ao ex-presidente do Senado nesta eleição.

A família Alcolumbre se destaca pelo sucesso nos ramos do narcotráfico, da grilagem de terras públicas e da especulação imobiliária no Amapá. Os processos judiciais se acumulam, sem que haja conclusão. Há desde a usurpação de terras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, até a “compra” de áreas já griladas por multinacionais e agora em disputa na justiça.

O caso mais flagrante é o do primo do senador, Salomão Alcolumbre. Entre as propriedades que declarou à Justiça Eleitoral, destaca-se um imóvel na margem esquerda do rio Pacuí, na zona rural de Macapá. Mas não é um imóvel qualquer: a área, na verdade, pertence à União, mais precisamente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra.

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P.S. –
Em tradução simultânea, a família Alcolumbre separa para si e acrescenta à sua fortuna ilicitamente formada essas terras que seriam destinadas à alojar famílias de agricultores carentes. E as autoridades não dizem nada, não tomam providências, ninguém vai para a cadeia. (C.N.)