Moraes e Toffoli comportam-se como se o inquérito não fosse nulo de pleno direito

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Toffoli prorroga as investigações, que Moraes mantém sob sigilo

Carlos Newton

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que abriu o inquérito sobre as “fake news” e ofensas ao STF e a seus ministros, comporta-se como se não estivesse havendo fortíssima reação contrária, comandada oficialmente pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e concedeu mais 90 dias para as apurações serem concluídas. O ministro Alexandre de Moraes, que é relator do inquérito, comporta-se da mesma maneira e ignorou a determinação dada pela procuradora-geral para arquivar o inquérito, e decidiu manter as investigações sob sigilo.

Em tradução simultânea, o que está ocorrendo é uma gravíssima crise institucional, porque, segundo a procuradora Raquel Dodge, o inquérito aberto pelo presidente do Supremo é absolutamente ilegal e não poderá surtir efeitos jurídicos, pois todos os seus atos são nulos.

DIZ BÉJA – O jurista Jorge Béja já revelou, aqui na Tribuna da Internet, que de nada adiantará esse esforço da Polícia Federal para atender as ordens de Moraes/Toffoli.

“Ora, se a autoridade maior do Ministério Público Federal — no caso, a doutora Raquel Dodge — já peticionou determinando o arquivamento de um inquérito que o STF ordenou fosse instaurado, que adianta seguir com ele? O MPF já disse que não o quer, que dele não vai se servir para oferecer denúncia e iniciar ação penal contra quem quer que seja”, afirmou Béja, acrescentando:

“O MPF já escreveu que as provas colhidos são inservíveis, são nulas de pleno direito. Então, por que seguir com investigações, diligências, oitivas de testemunhas, buscas e apreensões, se quando tudo acabar e for enviado a quem de Direito, que é o procurador-geral da República, este não oferecerá denúncia e voltará a pedir o arquivamento do inquérito?”

Moraes, Toffoli e Gilmar têm um encontro marcado com o fracasso, acredite se quiser

Raquel Dodge vai reduzir a cinzas o inquérito de Toffoli e Moraes

Carlos Newton

Já afirmamos aqui na Tribuna da Internet que o maior erro de Gilmar Mendes e Dias Toffoli foi se deixarem levar pela raiva. Os dois ministros são amicíssimos e costumam viajar juntos para o exterior.

NA RECEITA – Ambos foram atingidos pela Receita Federal, que flagrou suas respectivas mulheres em movimentações bancárias atípicas. Toda vez que é atingido por alguma denúncia, Toffoli usa a estratégia de se recolher. Foi assim com a notícia de seu relacionamento com o presidente da OAS, Léo Pinheiro, e também quando foi descoberta a mesada de R$ 100 mil que ele recebia da mulher, a advogada Roberta Rangel.

A tática de se recolher dá resultado, porque o tempo passa, surgem outras notícias e Toffoli vai levando a vida à sua maneira. Como se sabe, é fiel aos velhos amigos e foi ele quem soltou José Dirceu, concedendo-lhe (de ofício) um habeas corpus que a defesa nem havia solicitado.

EXPLOSIVO – Gilmar Mendes adota tática diferente. É explosivo e parte para a briga. Sentiu-se particularmente ofendido quando saiu a notícia de que sua mulher, a advogada Guiomar Mendes, do Escritório Sérgio Bermudes, tinha sido flagrada em movimentação bancária atípica.

Desde então, Gilmar Mendes não sossegou. Convocou a seu gabinete o secretário da Receita, Marcos Cintra, que é um estranho no ninho fiscal. Na reunião, Gilmar falou grosso e Cintra se acovardou, saiu dizendo que iria punir os culpados. Mas depois recuou, viu que os fiscais estavam apenas fazendo o trabalho deles.

Gilmar então pediu a Toffoli que mandasse abrir um inquérito interno, com alcance mais amplo, para incluir a investigação de quem vazou os problemas contábeis de suas esposas. Toffoli topou.

MÁ CONSELHEIRA – Todos sabem que a raiva é má conselheira, nos coloca em grandes frias. Gilmar e Toffoli não pensaram nisso e se deixaram levar pela emoção. O presidente do Supremo então usou seus superpoderes e abriu o inquérito interno das “fake news”, indicando Alexandre de Moraes para relator.

Inexperiente e com pouco tempo no Supremo, Moraes não percebeu que estava sendo colocado numa tremenda gelada. Quando saiu a reportagem na Crusoé, o ministro-relator entrou na conversa de Toffoli, mandou censurar a reportagem, saiu tomando uma série de medidas pouco democráticas e tudo virou um turbilhão.

A reação foi muito forte e não houve apoio no Supremo a seus atos totalitários. Os outros três mosqueteiros que deveriam defendê-lo (Gilmar, Toffoli e Lewandowski), ficaram em silêncio.

RAQUEL EM CENA – Nesta terça-feira, a procuradora-geral Raquel Dodge perdeu a paciência e mandou arquivar o inquérito, devido às gritantes falhas processuais. Mas o ministro Moraes não poderia passar por essa vergonha e derrubou o arquivamento. Com isso, se expôs ainda mais. Já foram apresentados três recursos contra o inquérito, que terão de ser julgados no plenário. E Raquel também irá recorrer, com argumentos irrecusáveis.

Vai ser um vexame para os mosqueteiros Moraes, Toffoli, Gilmar e Lewandowski, porque os outros sete ministros – Cármen Lúcia, Luiz Fux, Edson Fachin, Marco Aurélio, Rosa Weber, Luis Roberto Barroso e Celso de Mello – vão voltar contra.

Desta vez, os mosqueteiros não poderão contar com a compreensão de Celso de Mello, que não quer manchar o que resta de sua biografia, nem de Marco Aurélio, cuja opinião é altamente negativa em relação a Gilmar Mendes, os dois são inimigos pessoais, e ele acha que Toffoli e Moraes estão sendo usados por Gilmar.

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P.S
– Em tradução simultânea, pode-se dizer o seguinte: Gilmar Mendes parecia inatingível, mas já está fazendo água, como se diz na Marinha. Ele se deixou levar pela raiva, abriu a guarda pela primeira vez, e agora o nocaute é inevitável. Acredite se quiser. Como dizia o genial Billy Blanco, a raiva é igual à vaidade: coloca o homem no alto e retira a escada, mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão. (C.N.)

Moraes se recusa a arquivar o inquérito das”fake news” e a crise está se agravando

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Moraes insiste no inquérito sem o “devido processo legal”

Carlos Newton

O Ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre “fake news”, solicitado pelo presidente do Supremo Dias Toffoli,  negou-se nesta terça-feira a cumprir a determinação de arquivamento feita também hoje pela procuradora-geral Raquel Dodge. Moraes considerou que o STF pode conduzir investigações com a Polícia Federal, independentemente da participação do Ministério Público, possibilidade que não é prevista em nenhuma legislação, pois a Constituição Federal é bastante clara a respeito da importância da atuação do Ministério Público em todos os processos criminais.

O relator Moraes também determinou que as ações ligadas ao processo do inquérito das “fake news” também não sejam suspensas.

DIZ MORAES – “Na presente hipótese, não se configura constitucional e legalmente lícito o pedido genérico de arquivamento da Procuradoria Geral da República, sob o argumento da titularidade da ação penal pública impedir qualquer investigação que não seja requisitada pelo Ministério Público”, afirmou o ministro.

“Diante do exposto, indefiro integralmente o pedido da Procuradoria Geral da República”, escreveu Moraes em seu despacho, segundo o G1.

A briga está apenas começando, porque a procuradora Raquel Dodge vai recorrer do despacho dele, até porque há controvérsias se ele pode atuar como julgador da decisão dela.

NOVO RELATOR? – Também há controvérsias em saber se o recurso de Raquel Dodge será encaminhado ao ministro Edson Fachin, que já relata os pedidos de suspensão do inquérito, apresentados pelo partido Rede Sustentabilidade e pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

Há, ainda, mais um pedido (mandado de segurança), apresentado ao Supremo nesta terça-feira pela Associação Nacional dos Procuradores da República.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que o tumulto é geral e ninguém se entende na Praça dos Três Poderes, até porque o presidente Bolsonaro e o vice Mourão também já entraram na briga para defender a liberdade de expressão e combater a censura. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Guedes ainda tenta esconder a dívida pública, mas terá de apresentar uma solução

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, não faz o menor comentário e se comporta como se a dívida pública nem existisse. A equipe econômica inteira age como se fosse possível ocultar o maior problema brasileiro, de cuja resolução depende o futuro do país, sua independência econômica e a qualidade de vida da população. Para quem lê os jornais, escuta rádio, assiste televisão e acessa a internet, parece que está tudo sob controle, mas não é exatamente isso que está acontecendo. A dívida é uma bomba-relógio, que vai explodir.

Guedes está voltando da matriz USA, onde tentou vender a ilusão de que aqui na filial Brazil a reforma da Previdência, a privatização das estatais e a abertura econômica serão as soluções mágicas que recolocarão o Brasil no rumo do desenvolvimento. Belas palavras, mas o vento leva e o exemplo fica, diz o ditado latino.

SEM CREDIBILIDADE – Guedes ainda não percebeu que não convence mais ninguém. O próprio Instituto Von Mises, principal defensor do ultraliberalismo, ao qual Guedes é intimamente ligado, já dá mostras de impaciência. Os economistas do Mises sabem que a omissão do governo não pode se prolongar.

Não adianta Guedes tenta embromar, porque é uma questão aritmética. Os números de março ainda não saíram. Mas em fevereiro, que teve apenas 28 dias, o estoque da dívida pública federal cresceu 1,71% em fevereiro, muito maior do que a inflação de 0,48%, que já se mostra em alta e muito ameaçadora.

E o que faz Paulo Guedes? Nada, absolutamente nada. Até agora, não apresentou nenhuma proposta, é como se o maior problema do país “non eczistisse”, diria padre Quevedo, observando o ministro pecador.

MUITAS DÍVIDAS – O problema é assustador, porque não existe apenas a dívida pública federal. Há também as dívidas dos estados e municípios, incluindo estatais, além da velha e desdenhada dívida externa, que está cada vez mais viva.

Se a dívida tivesse aumento de 0,48% em fevereiro, estaria estacionária, apenas acompanhando a inflação. Mas subiu 1,71, ou seja, cresceu 1,23% em termos reais, que é um verdadeiro suicídio. E estamos falando apenas da dívida federal.

A previsão da Secretaria do Tesouro Nacional é que a dívida pública vai continuar crescendo este ano, sem interrupção, e o governo não toma decisões radicais, sem seguir as sugestões do próprio Instituto Von Mises, e se limita a cortar postos na administração, sem atentar para a gravidade dos fatos.

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P.S.
 1O momento é decisivo, não há como tergiversar, não dá mais pra segurar, diria Gonzaguinha. O país precisa de um freio de arrumação. Vamos discutir, de forma madura, essa questão de dívida pública, antes que seja tarde demais, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente.

P.S. 2 – Guedes se reúne hoje com Bolsonaro, para acertar o preço do diesel, depois de ter dito que o presidente errou e terá de recuar. Esta reunião é decisiva, porque um dos dois sairá dela totalmente desmoralizado. Espera-se que seja Guedes. Se for Bolsonaro, o futuro deste país não valerá uma nota de três dólares. (C.N.)

Após a censura, documento de Marcelo Odebrecht foi imediatamente extraído dos autos

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No documento, Toffoli está identificado com “o amigo do amigo”

Carlos Newton

No mesmo dia que a reportagem da revista Crusoé sobre o empresário Marcelo Odebrecht e o ministro Dias Toffoli foi censurada pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, o documento com a explicação do dono da empreiteira sobre a expressão “amigo do amigo de meu pai” foi retirado do processo. A documentação foi extraída dos autos após um despacho do novo juiz da 13ª Vara Federal em Curitiba, Luiz Bonat, que substitui em definitivo o agora ministro Sérgio Moro.

Como o inquérito está sob sigilo, não estão claros os motivos nem de que autoridade superior partiu a determinação ao juiz de primeira instância, mas causa muita estranheza que isso tenha acontecido no mesmo dia da censura.

REPERCUSSÃO – Tem sido intensa a repercussão do ato do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que atendeu a um pedido do presidente Dias Toffoli, para censurar a reportagem. Sites e portais denunciam a arbitrariedade, que foi registrada também em blogs e nas redes sociais.

A medida extrema é muito negativa para Toffoli, porque fica parecendo que não tem como se defender da acusação. Essa sensação fica ainda maior, porque o ministro se recusou a responder às perguntas encaminhadas pela revista Crusoé. Se tivessem respondido, com apresentação de argumentos sólidos, a reportagem poderia até ter sido cancelada, por falta de propósito.

DIZ O PROCURADOR – Em Curitiba, um dos principais coordenadores da Lava Jato, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que recentemente se aposentou, mas permanece atuante nas redes sociais, bateu pesado no Supremo Tribunal Federal (STF) e na absurda censura imposta a Revista Crusoé.

Santos Lima postou duas frases, apenas isso, mas ambas de fortíssimo conteúdo. A primeira dizia o seguinte, com palavras em maiúsculas: “A reportagem da Crusoé foi censurada ADMINISTRATIVAMENTE, ao estilo DOPS, pois não foi sequer feito em um processo regular.”

E o complemento veio a seguir: “O STF viola o estado de direito ao conduzir um inquérito para investigar o que não é crime e para censurar a imprensa.

DIZ O SENADOR – No Senado também houve repercussão. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que é jornalista profissional, ocupou a tribuna nesta segunda-feira (15) para exigir um posicionamento da casa contra o Supremo Tribunal Federal.

 Mesmo sabendo que o chefe do governo não pode interferir, Kajuru lhe fez um apelo: “Presidente Bolsonaro, se for possível, impeça isso!”. Em seguida, sempre em tom indignado, o parlamentar do PSB criticou a atitude absolutamente inconstitucional do ministro Alexandre de Moraes, que no uso exclusivo de seu mandato no Supremo, sem ouvir o plenário, atentou gravemente contra a liberdade de imprensa, ao mandar ‘lacrar’ dois veículos de comunicação.

Para atacar os comunistas, novo ministro plagia a tática de Hitler na década de 30

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Abraham Weintraub é mais um ministro do tipo “idiota completo”

Carlos Newton

O jornalista Gerd Wenzel, nascido na Alemanha, colunista da Deutsche Welle, rádio estatal alemã, e ex-comentarista da ESPN Brasil, denuncia que o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, está repetindo o discurso dos nazistas liderados por Adolf Hitler na década de 1930, ao afirmar que “os comunistas” são donos dos bancos, das grandes empresas e da imprensa no país”. Diz o jornalista que o discurso é “plágio dos anos 30 na Alemanha: é só trocar ‘comunistas’ por ‘judeus'”.

Afirma Ger Wenzel, no site 247, que na Alemanha de Hitler, ao invés dos comunistas, o alvo do mesmo discurso usado hoje pelo ministro Weintraub eram os judeus, que por acaso também é judeu.

COMPARE – O jornalista sugere que se compare o que disse o novo ministro, em palestra concedida em 2018, e o que diziam os nazistas, na década de 30.

Segundo o novo ministro Abraham Weintraub: “Os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios.”

O que diziam os nazistas em 1930: “Os judeus são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios.”

MALES DA ALEMANHA – Segundo o ex-comentarista da ESPN, Hitler atribuía os males da Alemanha ao suposto fato de os judeus controlarem os meios de comunicação e o sistema financeiro. Com isso, escolheu um bode expiatório, os judeus, que se tornaram alvo preferencial da perseguição nazista.

Na essência, o ministro Weintraub faz exatamente o mesmo, ao fazer a falsa denúncia de que as famílias Marinho, Mesquita, Frias, Safra, Setúbal, Moreira Salles, Lemann, Ermírio de Moraes e tantas outras, seriam todas comunistas e têm o mesmo objetivo de assumir o poder, da mesma forma que os nazistas lançaram acusação similar aos judeus na Alemanha, diz o site 247, ao reproduzir as afirmações do jornalista Gerd Wenzel.

“Em 1930, criou-se na Alemanha uma onda de antipatia e repulsa que deu condições políticas à perseguição brutal, cujo ápice foi o holocausto ou shoá, na qual morreram mais de 6 milhões de judeus. É o mesmo método, que o novo ministro agora usa contra os comunistas”, diz o jornalista.

Devagar, devagarinho, Bolsonaro vai podando as asas do superministro Paulo Guedes

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Guedes vai ter de engolir em seco nessa reunião de terça-feira

Carlos Newton

Paulo Guedes chegou a ser um economista medianamente famoso, mas nunca foi uma estrela, ficou sempre nos bastidores e conseguiu ganhar um bocado de dinheiro depois que voltou do Chile, durante a ditadura de Pinochet, quando foi convidado para dar aulas na Universidade do Chile. De repente, ressurgiu na crista da onda, como homem-forte do candidato Bolsonaro, que bem-humoradamente o apelidou de “Posto Ipiranga”, por viver respondendo a perguntas que lhe fazia. Ao montar o governo, o novo presidente deu carta-branca a Guedes, entregando-lhe o livre comando da economia, com o direito de nomear todo o segundo escalão do setor.

Assim, o ministro da Economia teve total liberdade de ação e, desde o início, sempre se julgou mais importante do que o presidente, conforme o jornalista Pedro do Coutto percebeu, ao analisar uma entrevista de Guedes, em que ele se comportava como se fosse o verdadeiro chefe do governo.

SEM LIMITES – Neste sábado, dia 13, em Washington, o ministro passou todos os limites, ao dar uma nova entrevista em que menospreza o chefe do governo. Disse Guedes, literalmente:

“Acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito economia. Então se ele, eventualmente, fizer alguma coisa que não seja muito razoável, tenho certeza que conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo”.

Ficou claro que Guedes considerou errada a decisão do presidente e vai agora revertê-la, no encontro da próxima terça-feira, no Planalto, quando Bolsonaro estará reunido com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e também os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), além do próprio Guedes, que inicialmente nem foi convidado pelo Planalto. Há possibilidade de participação de outros ministros para acalmar os ânimos e apagar a fogueira das vaidades, é claro.

A HORA DECISIVA – Esta será a mais importante reunião desde a posse do atual governo. O clima na Esplanada dos Ministérios está sinistro. Todos sabem que o presidente já jogou no lixo a carta-branca de Guedes, e o fez sem lhe dar maiores satisfações.

Na última entrevista coletiva, em que pela primeira vez o Planalto convocou Folha, Estadão e O Globo, Bolsonaro surpreendeu ao descartar o sistema de capitalização que Guedes quer impor na reforma da Previdência. “Pode ficar para depois”, afirmou, para desespero do ministro, que não foi previamente comunicado.

Na sexta-feira, Bolsonaro deu outro coice em Guedes, ao vetar o aumento de 5,7% no óleo diesel, sem consultar o ministro, que ficou surpreso e aborrecido ao saber da notícia pelos jornalistas.

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P.S. 1
Guedes pensou que seria o presidente “de fato”, conforme a Veja colocou na capa, com o retrato dele, restando a Bolsonaro ser apenas o presidente “de direito”. Três meses depois, Guedes está totalmente enganado e desprestigiado. Mesmo assim, engolirá em seco nessa reunião de terça-feira, junto com o importuno e pretensioso presidente da Petrobras, que também fez questão de “corrigir” a decisão do presidente, anunciando que só iria durar “alguns dias”. 

P.S 2 – Bolsonaro pode humilhar Guedes à vontade, e ele não pedirá demissão. O ministro precisa da proteção do foro privilegiado, porque é igual ao “Charles Anjo 45” de Jorge Benjor. Se marcar bobeira, vai tirar férias numa colônia penal, porque o Ministério Público já reuniu as provas contra ele. (C.N.)

Bolsonaro precisa demitir o presidente da Petrobras, que não gosta de receber ordens

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Castello Branco pensa (?) que manda na Petrobras, mas está enganado

Carlos Newton

É um situação delicada, porque causa apreensão e mexe com a Bolsa de Valores, mas o presidente Jair Bolsonaro precisa tomar uma decisão enérgica na reunião com ministros e dirigentes da Petrobras, para discutir a política de preços dos combustíveis. O encontro está marcado para a próxima terça-feira (dia 16), com a participação do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e dos ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

O fato concreto é que o dirigente da Petrobras quase causou uma crise gravíssima; a greve dos caminhoneiros só não foi deflagrada devido à pronta intervenção do presidente Bolsonaro, que foi alertado pelo ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

ESTRANHO NO NINHO – Roberto Castello Branco é um executivo prepotente e insensível, colocado na presidência da Petrobras por escolha direta do ministro Paulo Guedes, chefe da equipe econômica. Comporta-se como um estranho ninho, dá insistentes declarações à imprensa defendendo a privatização de todas as estatais brasileiras, sem se preocupar se a orientação do governo é realmente nesse sentido.

Julga-se independente e está pouco ligando para sua subordinação ao ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e ao presidente Bolsonaro. Embora nas últimas semanas os jornais venham divulgando os preparativos dos caminhoneiros para mais uma greve, que pode parar novamente o país, o presidente da Petrobras decidiu aumentar o preço do óleo diesel, e o chefe do governo teve de intervir pessoalmente.

NOTA OFICIAL – Sobre o problema, a nota oficial do presidente da Petrobras é um primor de desfaçatez, ao reafirmar que o preço do diesel será mesmo majorado.

“Recebi ontem (quinta-feira, 11), no fim do dia, uma ligação telefônica do presidente Bolsonaro me alertando sobre os riscos do aumento do preço do diesel divulgado pela Petrobrás. Considerei legítima a preocupação do presidente. A Petrobrás decidiu, então, suspender, por alguns poucos dias, o reajuste do preço do diesel com base em cálculos técnicos e na posição de instrumentos de hedge para sua proteção contra prejuízos. Reitero que a Petrobrás é uma empresa completamente autônoma para a tomada de decisões, coerente com seus fins institucionais e que sempre buscará a defesa do interesse dos seus acionistas e do Brasil.”

Empresa completamente autônoma? Esse sujeito é um idiota, Nenhuma estatal em que o governo seja majoritário é completamente autônoma. Nem aqui na filial Brazil nem na matriz USA. É uma ilusão delirante, ele devia procurar tratamento.

ENQUADRAR – Quer dizer que o presidente da República manda sustar um aumento e o executivo faz questão de anunciar que é só “por alguns dias”, como se a decisão final não fosse do chefe do governo?

Diante dessa flagrante rebeldia, só resta uma posição para o presidente Bolsonaro, na reunião desta terça-feira. Tem de enquadrar esse tal Castello Branco, que não é parente do marechal-presidente, mostrar-lhe que no governo existe hierarquia e membros do segundo escalão não podem se comportar como se fossem ocupantes do Palácio do Planalto.

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P.S. Na verdade, a solução mais adequada seria demitir imediatamente esse trapalhão e nomear para o lugar dele um brasileiro que realmente ame este país.

P.S 2 – Não poderia deixar de abordar a dolorosa reportagem de Nonato Viegas, na Veja, sobre o abandono da família da primeira-dama Michele Bolsonaro. Isso significa que caridade, bondade e solidariedade nada significam o casal locatário do Palácio Alvorada. Ora, Bolsonaro ganha mais de R$ 60 mil por mês, como presidente, aposentado da Câmara e capitão reformado. Se tivesse um mínimo de discernimento e caráter, alugaria uma casa para a sogra por R$ 4 mil, gastaria mais R$ 4 mil com alimentação e gastos diversos, a família inteira de Michele estaria assistida e o país jamais constataria que Bolsonaro realmente não é mito coisa alguma. Pelo contrário,  se comporta com uma insensibilidade e um egoísmo que depõem contra ele.  (C.N.)

Reportagem da Veja sobre a avó e a mãe de Michelle é rigorosamente verdadeira

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

É inacreditável, inaceitável e intolerável, mas rigorosamente verdadeira a reportagem de Nonato Viegas na revista Veja, sobre as condições de vida da avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Quando a matéria foi enviada à Tribuna da Internet pela comentarista Carmen Lins, sempre atenta, perguntando se era mais uma “fake news”, fiquei tão decepcionado que cheguei a pensar em não publicar. Mas acabei postando a dolorosa reportagem.

É TUDO FALSO – O descaso da primeira-dama com a mãe, a avó e os tios é algo que clama aos céus, enquanto ela tenta seguir o exemplo de D. Darcy Vargas e posa de defensora dos pobres e deficientes. Na verdade, Michele Bolsonaro se revela um ser humano deplorável, e o marido não fica atrás.

Tudo neles é falso. Enquanto Bolsonaro ainda finge ser um paladino da família, embora já esteja em seu terceiro casamento, Michele se apresenta como protetora dos deficientes e fez até discurso em Libras na posse do marido, dirigindo-se aos surdos. Agora fica-se sabendo que ela domina a linguagem dos sinais porque um dos tios abandonado por ela é deficiente auditivo.

SILÊNCIO ABSURDO – Escrevo este texto-desabafo às 16h30m deste sábado, após esperar até agora uma resposta do Planalto-Alvorada, uma mínima tentativa de explicação. Mas ninguém diz nada, nada, nada. Nem mesmo o porta-voz da Presidência, o general Rego Barros, veio a público para contestar a reportagem de Nonato Viegas.

E o mais incrível nisso tudo é que o casal Bolsonaro sempre se comportou assim em relação à família de Michele. Os dois jamais se interessaram pela pobreza em que os parentes dela vivem, mesmo sendo Jair Bolsonaro um homem de posses, dono de vultoso patrimônio imobiliário e excelente renda mensal.

Quando Bolsonaro foi eleito, os repórteres Paulo Silva Pinto e Roberta Belyse, do Correio Braziliense, insistiram durante três dias até serem recebidos por Angela Maria, tia de Michelle, que ainda mora na modesta casa em Ceilândia Norte onde a hoje primeira-dama vivia com seus pais, Maria das Graças e Paulo Reinaldo, motorista de ônibus. “Havia outro barraco ali”, disse Angela Maria, apontando aos jornalistas um espaço agora vazio nos fundos do lote, onde ela mesma esteve instalada na época.

TRÊS DIAS – A equipe de reportagem do jornal, junto com a TV Brasília, só foi atendida no terceiro dia, porque a tia de Michelle antes preparou a família para dar as entrevistas e até trouxe dona Maria Aparecida, avó da primeira dama e que há seis anos não vê a neta e nem foi convidada para o casamento dela com Bolsonaro.

A reportagem do jornal saiu no dia 26 de novembro e o bom senso determinava que Bolsonaro e Michele deveriam fazer alguma coisa para melhorar a vida da família dela, especialmente amparar a avó que está doente, anda com duas muletas e tem de se deslocar para buscar medicamentos no posto de saúde da favela Sol Nascente, a segunda maior do país, somente superada pela Rocinha, no Rio de Janeiro.

Se Bolsonaro e Michelle têm coração de pedra e não se preocupam com próprios familiares, mesmo assim deveriam assisti-los, até porque algum dia a imprensa constataria o abandono deles e isso viria a público. Mas nada fizeram. A mãe e a avô, que moram a apenas 40 minutos do Alvorada, jamais foram convidadas para tomar um café com Michele, que vive num paraíso pago pelo povo e abandonou sua família num inferno comunitário.

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P.S.
Bolsonaro e Michele se dizem religiosos – ele, católico batizado evangélico para ganhar votos; e ela, evangélica para ganhar a vida. Se as pessoas religiosas costumam proceder assim como o casal número 1, precisamos pedir a Deus que abençoe os ateus, porque os que se dizem fiéis estão deixando muito a desejar. (C.N.)

Reflexões sobre erros e acertos de Bolsonaro ao comemorar os 100 dias de governo

O presidente Jair Bolsonaro na cerimônia dos 100 dias de governo Foto: Adriano Machado / Reuters

Bolsonaro parece bipolar, erra e acerta, não existe muita coerência

Carlos Newton

Em meio a esse pacotaço que extingue e baixa decretos, há iniciativas sem grande relevância ou alcance maior, que nem cabe discutir. Mas é altamente louvável o decreto que estipula a extinção de colegiados criados antes de 1º de janeiro deste ano, desde que a proposta de recriação não seja apresentada de “imediato” pelos órgãos públicos responsáveis. É uma medida louvável, que deveria ser seguida por governos estaduais e prefeituras, que precisam desesperadamente cortar custos e não se animam a fazê-lo. O fato concreto é que o poder público não consegue mais sustentar a máquina, especialmente em relação aos elevados salários de Legislativo e Judiciário.

Espera-se que a decisão de Bolsonaro seja para valer. Por exemplo, para que serve, a prática, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa?

INUTILIDADES – Aliás, para que serve o próprio Ministério da Mulher da Família e dos Direitos Humanos? Por Deus, que alguém leia o organograma da pasta e relate para que servem tantas diretorias, colegiados e secretarias! É uma inutilidade que clama aos céus. Será que o governo vai mesmo acabar com essas brincadeiras de manter órgãos e cargos públicos absolutamente inúteis?

O texto também revogou a Política Nacional de Participação Social, instituída em 2014. O objetivo do decreto, publicado no governo de Dilma Rousseff, era fornecer novos meios à sociedade civil para acompanhar as políticas públicas. Ou seja, uma dissertação sobre o nada.

O governo – nos níveis federal, estadual e municipal – está exaurido por esses penduricalhos. São órgãos e colegiados que têm estrutura funcional que custam caro– têm sedes, automóveis, servidores fixos e terceirizados. No entanto, nada produzem. Se forem extintos, ninguém notará.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL – Outra decisão acertada do governo foi a Medida Provisória 873, que reforçou o caráter facultativo da contribuição sindical descontada da folha de pagamento, acabando com a farra do boi.

Mas há compromissos oficiais de campanha que não foram cumpridos, como a liberação da venda de armas de fogo para cidadãos sem antecedentes criminais. Esta promessa antiga o governo ficou devendo, porque a burocracia e o custo adicional permanecem os mesmos, o decreto foi uma tremenda embromação.

Nesse pacotaço, foi acertado o projeto de lei prevê que os dirigentes de bancos públicos sejam aprovados pelo Banco Central, de acordo com critérios estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional.  Mas merece repulsa o projeto que propõe a autonomia do Banco Central. Justamente agora, quando fica evidente a necessidade de o governo se livrar da submissão ao mercado financeiro para ter o mínimo de condição de reduzir a dívida pública, não é cabível conceder tamanha autonomia. Bolsonaro precisa voltar atrás.

TEMAS PRINCIPAIS – Para o governo, os temas principais do momento são o pacote anticrime, iniciativa mais do que acertada do ministro Sérgio Moro, e a reforma da Previdência, cujo projeto será totalmente mudado pelo Congresso e o próprio presidente Bolsonaro, num momento de rara felicidade, fez questão de esvaziar o modelo chileno de capitalização, que fracassou no Chile, Argentina, Bolívia, Hungria e Polônia, mas o ministro da Economia ainda insiste em defender, tem bobo para tudo, como se dizia antigamente.

O mais importante desafio ao governo está encanteado pela equipe econômica. É o descontrole da dívida pública, que o ministro Guedes evita discutir, mas um dia terá de ir a debate.

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P.S. –
Voltando à extinção dos colegiados, pois ainda há dúvidas se vai mesmo ocorrer, a ideia é do Instituto Von Mises, bastião do ultraliberalismo brasileiro, que está a exigir de Guedes a redução dos gastos de custeio do poder público, medida mais do que acertada. E a Tribuna da Internet dá maior força a esse tipo de iniciativa, não importa se é de direita ou de esquerda. (C.N.)

É preciso discutir a dívida pública, antes que seja tarde demais. Mas quem se interessa?

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Não é propósito da Tribuna da Internet fazer campanha contra o governo de Jair Bolsonaro. Muitos apoiadores do presidente, porém, julgam que estamos em oposição, não percebem que isso “non ecziste”, diria o saudoso padre Quevedo. A função do jornalismo político é exercer um juízo de valor sobre os atos do governo, apoiando as decisões acertadas e criticando os equívocos que ocorrerem. É ilusão achar que o governo não erra, é uma maluquice entender que tudo o que o governo faz está correto. É preciso analisar os fatos com equilíbrio, sem esses ridículos partidarismos ideológicos e sem esse fanatismo por ocasionais líderes que se julgam mitos, como Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Aqui na Tribuna da Internet, nosso objetivo é a imparcialidade. Quando o governo acerta, elogiamos incondicionalmente, como ocorreu na apresentação do pacote anticrime e na proibição de que sindicatos emitam boletos de contribuição sem concordância do trabalhador. Mas quando erra, como está acontecendo na gestão econômica, estamos sempre prontos a criticar e apontar caminhos.

A MAIOR CRISE – O fato concreto e indesmentível é que o Brasil vive a maior crise de sua história. Não há dinheiro para nada, nem mesmo para socorrer calamidades como a queda da barragem de Brumadinho, onde os exemplares bombeiros de Minas trabalharam sem receber salários, ou como a tragédia do Rio de Janeiro, em que o prefeito agora sonha em receber recursos recuperados pela Lava Jato.

Os brasileiros – especialmente os que formam a opinião pública – precisam entender que o maior problema do país é a dívida pública (interna e externa), totalmente descontrolada. E não é culpa do atual governo, que herdou o caos. O problema é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao invés de admitir a gravidade da situação e tomar providências, simplesmente se comporta como se a reforma da Previdência tivesse o condão mágico de resolver os problemas brasileiros.

VON MISES – Conforme já registramos aqui, o próprio Instituto Von Mises, que apoia incondicionalmente o ultraliberalismo proposto por Guedes, já se mostra alarmado com o agravamento da dívida. Basta buscar na internet a reportagem “A explosiva situação fiscal do governo brasileiro”, publicada dia 4 no site “Mises Brasil”, com números oficiais do Banco Central.

Os adeptos do “Mises Brasil” são os membros da mais radical extrema-direita do país, jamais poderão ser tidos como comunistas. Na reportagem sobre a dívida, em nenhum momento os economistas Ubiratan Jorge Iorio (diretor do Mises) e Leandro Roque aceitam a tese de Guedes de que a reforma da Previdência pode resolver a crise econômica, nem que vá rapidamente abrir “milhões de empregos”.

Na verdade, não há base científica nas promessas do ministro, são apenas suposições, e os especialistas do Mises não se deixaram iludir.

FRACASSO CHILENO – Na década de 80, Guedes era professor da Universidade do Chile e foi um dos criadores do sistema de capitalização que agora tenta impor no Brasil. O modelo da ditadura do general Pinochet foi adotado em vários países, que tiveram de recuar. Devido às grandes perdas dos trabalhadores, a Hungria e a Argentina foram os primeiros a voltar à Previdência estatal, a Bolívia trilhou o mesmo caminho em 2010 e a Polônia reestatizou seu sistema em 2014.  

Para maior esclarecimento, daqui a pouco vamos publicar importantes declarações do especialista Andras Uthoff, professor da Universidade do Chile e consultor do Instituto Igualdad, em entrevista concedida ao portal Barão de Itararé, que pesquisa manipulações de notícias no Brasil.

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P.S.Sem partidarismos ideológicos nem fanatismo, é preciso que os brasileiros resolvam seus próprios problemas, discutindo-os com a necessária profundidade, conforme propomos aqui na TI. (C.N.)

Até o Instituto Von Mises está alarmado com a dívida pública que Guedes tenta esconder

Instituto Von Mises denuncia a dívida que Guedes está ocultando

Carlos Newton

O site do Instituto Ludwig Von Mises não é minha leitura predileta, por defender uma versão econômica superliberalizante que ultrapassa as teses originais do economista austríaco (1881-1973), radicado nos Estados Unidos. Mal comparando, seria como se uma entidade criada para desenvolver as teses de Karl Marx acabasse se tornando ainda mais comunista do que ele.

PARADOXO – Neste século XXI, enquanto o mundo luta para aprimorar a justiça social, o Instituto Von Mises insiste em defender a teoria nada cristã de que “as desigualdades naturais são inevitáveis”. Ao mesmo tempo, abomina as teses intervencionistas do genial John Maynard Keynes, preferindo idolatrar o que há de pior na criatividade de Adam Smith, que é  justamente o “laisser faire”, teoria jamais testada em nenhum país do mundo e que acredita ter o mercado poderes absolutamente mágicos e ilusórios, para resolver todos os problemas sociais.

Paulo Guedes tornou-se um mito no Instituto Von Mises, onde é verdadeiramente idolatrado, exatamente porque pretende transformar o Brasil num centro experimental dessas teorias totalmente enlouquecidas, que importantes economistas conservadores como Delfim Netto e Roberto Campos jamais levaram a sério.

CAIU NA RISADA – Durante a Constituinte (1987/88) e nos anos seguintes, quando Delfim era deputado, eu frequentava muito o gabinete dele, inicialmente para discutir as teses econômicas da futura Constituição. Delfim era assessorado pelo jornalista Gustavo Silveira, que o acompanhava desde os tempos do Ministério da Fazenda e às vezes assistia às frequentes entrevistas que Delfim me concedia.

Certa vez, quando indaguei sobre o “laisser faire”, ele caiu na risada e me perguntou se eu conhecia algum país que tivesse se desenvolvido sem ter um Estado forte e capaz de corrigir as distorções do mercado. Realmente, isso “non ecziste”, como diria o padre Quevedo. Mas o Instituto Von Mises e economistas como Paulo acreditam na tese do enfraquecimento do Estado e do “laisser faire”, que hoje em dia poderíamos traduzir como “deixa rolar”.

DÍVIDA-BOMBA – No Brasil, o Instituto Mises está animadíssimo com Guedes e minha surpresa foi ler no site um alarmante artigo, escrito por Ubiratan Jorge Iorio e Leandro Roque, sob o título “A explosiva situação fiscal do governo brasileiro”, em que relata o descontrole da dívida pública, com dados do Banco Central e ilustração de um homem-bomba na tribuna na Câmara.

Quer dizer que o Instituto Von Mises está alarmado com dívida, mas Guedes pouco se importa? Aliás, o ministro jamais toca no assunto da dívida, é como se a reforma da Previdência tivesse o condão de resolver os graves problemas do país.

A verdade é que Guedes está agindo irresponsavelmente em relação à dívida, que é assunto-tabu para a imprensa, devido ao interesse dos banqueiros.

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P.S.Daqui a pouco vamos publicar artigo de Maria Lucia Fattorelli e Rodrigo Dávila sobre a “maquiagem” dessa dívida descomunal que o Instituto Mises tanto teme e o ministro Guedes tanto desdenha. Vocês vão ficar espantados com a desfaçatez da forma de o governo calcular a dívida. (C.N.)

Afinal, por que Guedes não aceita discutir os déficits na Previdência e na Dívida Pública?

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Ministro Guedes se comporta como se a dívida pública nem existisse

Carlos Newton

A famosa frase do almirante Francisco Barroso foi atirada no lixo da História. Já faz tempo que o Brasil deixou de esperar que cada um cumpra se dever. Hoje, vivemos uma nova Era, na qual o impressionante desenvolvimento tecnológico nos remete a uma ânsia de consumismo desenfreado e suicida, que ameaça pôr fim aos recursos naturais que nos foram oferecidos. Nessa situação, é impressionante que ainda haja quem discuta ideologias, uma prática antiga e totalmente anacrônica, que há tempos já deveria ter sido substituída pelo debate do futuro da Humanidade.

Justamente por isso, é desanimadora essa nova caça aos comunistas que o atual governo promove, ao invés de se dedicar  exclusivamente em  gerir os interesses públicos, que deveria ser sua principal função.

OPINIÃO DE LEITOR – Sobre a linha editorial da Tribuna da Internet, vamos publicar a opinião expressada por um leitor infelizmente anônimo, em comentário sobre essas sandices à brasileira.

Ninguém aqui, nunca defendeu a implantação do comunismo no Brasil, nem mesmo o editor do Blog, que é o único comunista declarado deste espaço. Depois da derrubada do “Muro de Berlim”, depois da queda da “Cortina de Ferro”, depois de vencidas as “Muralhas da China”, os gigantes do comunismo se converteram ao social-capitalismo, que é o capitalismo sabiamente cabresteado a serviço do bem-estar social, conduzido por rédeas curtas porque trata-se de um bicho que não pode ser criado solto, sob penas de genocídios (vide Brumadinho, Mariana, Boate Kiss…). Ninguém mais quer saber de comunismo, mas também não se aceita o capitalismo selvagem. O “Rei do Muro” agora é o dono do dólar, que impõe a todos o capitalismo selvagem, para o qual o resto do mundo é lixo, ao que parece”.

A MAIOR CRISE – O Brasil vive hoje a maior crise de sua História, com problemas sociais se agravando, em meio a uma alucinação coletiva que faz um grupo de soldados desfechar 80 tiros num automóvel que conduzia uma pacata família, com o Exército a emitir notas oficiais de que se tratava de um confronto com criminosos armados.  Vejam a que ponto chegamos.

Em meio ao surrealismo brasileiro, o mais incrível é que não se trave uma discussão séria sobre a gravíssima crise econômica, que provoca o desemprego, o imobilismo estatal, o agravamento dos problemas sociais e todas as demais mazelas. A União, os estados e os municípios estão em pré-falência, não há dinheiro para nada, a situação do Rio de Janeiro é só um exemplo.

A única discussão hoje é sobre a reforma da Previdência, como se fosse solucionar os demais problemas e pôr fim ao endividamento da República em seus três níveis – federal, estadual e municipal.

QUESTÕES INÚTEIS – Enquanto são discutidos temas como o marxismo cultural, a escola sem partido e outras bobagens ideológicas, na esperança de que a reforma “Tabajara” da Previdência resolva todo o resto (“Seus problema acabaram!”), o governo está amordaçado, porque o ministro Paulo Guedes não admite debater a relação direta entre a dívida pública e a Previdência, e a mídia se mantém alheia à gravidade da situação e submissa aos interesses dos banqueiros, que sempre dão um jeito de sair no lucro e totalmente imunes a qualquer crise.

Para preencher esta lacuna da mídia, a partir de amanhã vamos publicar alguns artigos demonstrando por que é fundamental auditar as contas da Previdência e da dívida pública, como propõem os especialistas Maria Lucia Fattorelli e Rodrigo Ávila, do site Auditoria Cidadã.

BALANÇO DE MARÇO – Como fazemos todos os meses, vamos publicar o balanço da contribuições feitas em março à TI, para possibilitar a manutenção deste espaço livre na internet. De início, os depósitos feitos na Caixa Econômica Federal.

DATA   REGISTRO    OPERAÇÃO          VALOR
07           002915         DP DIN AG            100,00

07           071333         DP DIN LOT             50,00
11          002915          DP DIN AG             100,00

18          002915          DP DIN AG             100,00
20          201124         DP DIN LOT              20,00
25          002915         DP DIN AG              100,00
25          251204         DP DIN LOT             230,00
28          280917         DP DIN LOT             100,00
28          281748         DP DIN LOT             230,00

Agora, os depósitos na conta do Banco Itaú/Unibanco:

06    TBI 2971.21174-9 C/C                       150,00
11    TBI 2958.07601-6 TRIB                       30,00
20    TED 033 1593 DAVID                         100,00
29    TED 001 4416 MARIO ACRO               250,00

Agradecendo muito as contribuições, vamos em frente nessa utopia da liberdade de expressão.

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LEIA AMANHÃ: Falsa “amortização” da dívida pública é uma fraude para mascarar as contas

Faz sucesso na internet o novo artigo assinado por Lula se dizendo “inocente”

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Campanha ‘LuLa Livre’ iniciou sábado a nova fase em todo o país

Carlos Newton

O ex-presidente Lula da Silva já foi um personagem muito famoso na política internacional, chamado de “O Cara!” pelo presidente Barack Obama, da matriz USA, onde escrevia artigos no The New York Times, não é para qualquer um. Mas na vida tudo muda, Lula tinha potencial para se tornar tão importante quanto o sul-africano Nelson Mandela, que é um nome na História da Humanidade. Mas havia diferenças fundamentais entre os dois.

Nelson Mandela era um intelectual, formado em Direito e que aproveitou seus 27 anos de prisão para se instruir cada vez mais, enquanto Lula da Silva sempre se orgulhou de jamais ter lido um só livro. Mandela não aceitou se reeleger e se afastou da política após seu primeiro mandato, com uma reputação inatacável. Lula se reelegeu e queria perpetuar-se no poder. Além disso, não somente se deixou corromper, como também corrompeu a própria família, e hoje o filho mais novo é réu a seu lado em processo criminal. Sua mulher, se não tivesse morrido, também poderia estar presa.

Mas Lula da Silva se comporta como se nada tivesse feito de errado. Por isso, faz sucesso na internet este artigo supostamente escrito por ele, publicado pela “Folha” neste domingo, dia 7, quando o ex-presidente completou um ano na prisão.

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POR QUE TÊM TANTO MEDO DE LULA LIVRE?
Luiz Inácio Lula da Silva     /     
 Folha

Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHá alguns anos, Lula resolveu dizer que passara a ler livros e estava adorando. Citou a biografia de Abraham Lincoln, escrita por Doris Kearns Goodwin, que retrata os últimos quatro meses da vida dele. Para mostrar que havia lido a obra, Lula citou o trecho em que Lincoln estava esperando um “telex” . Na verdade, era uma mensagem por telégrafo, e a cena não existe na biografia. Foi idealizada pelo roteirista Tony Kusnher e só existiu no filme de Spielberg. Ou seja, Lula assistiu ao DVD e mentiu, dizendo ter lido a biografia. E Lula não aprendeu a lição de Lincoln e ainda pensa que pode enganar todo mundo o tempo inteiro. (C.N.)

Ao descartar a capitalização, Bolsonaro colocou Paulo Guedes no seu devido lugar

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Com habilidade, Bolsonaro mostrou a Guedes que tudo tem limites

Carlos Newton

Na juventude, Paulo Guedes chegou a ser conhecido como um dos economistas da chamada turma de Chicago, ingressou pesado no mercado financeiro e em 1983 foi um dos criadores da distribuidora BTG Pactual, junto com André Jacurski e Luiz Cezar Fernandes. Foi fundador também do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e do Instituto Millenium, que defende o ultraliberalismo no Brasil.

POSTO IPIRANGA – Quando se aproximou de Bolsonaro para colaborar no programa do então candidato (que até hoje reconhece nada entender de economia), Guedes encontrou campo fértil para semear suas teses, na condição de “Posto Ipiranga”, assim definida à imprensa pelo próprio Bolsonaro.

O candidato foi eleito e Guedes entronizado no cargo de ministro da Economia, com poderes jamais concedidos a nenhum outro antecessor. Nomeou quem bem quis, Bolsonaro não indicou um só nome, deixou tudo por conta do “Posto Ipiranga”, um atitude cômoda para o presidente, porém arriscada em termos governamentais.

ESPÍRITO PÚBLICO – Como todos sabem, o poder embriaga e faz com que aflorem os sete pecados capitais. E a “Veja” até colocou Guedes na capa com o título “Este homem pode presidir o Brasil”. Nesse clima, é preciso estar muito preparado para deixar a vaidade de lado, resistir e entender que o espírito público deve estar sempre em primeiro lugar.

Mas acontece que Paulo Guedes é um profissional do mercado financeiro, do ramo monetarista. Para exercer o cargo de ministro da Economia, era necessário que se despojasse do passado de investidor, para passar a defender as finanças públicas num momento de gravíssima crise nacional. Mas isso não aconteceu e Guedes continua o mesmo.

Não foi surpresa quando sua reforma da Previdência incluiu a capitalização, uma solução bancária absolutamente inaceitável. Ao defender essa proposta nos eventos a que comparece, Guedes tem “inventado” que o modelo “pode criar milhões de empregos rápidos, por causa da desoneração dramática dos encargos trabalhistas”, tudo uma tremenda conversa fiada. Se isso fosse verdade, não precisava dizer mais nada, seria aclamado em praça pública.

FALTOU DIZER – Na verdade, Guedes deveria ter revelado que trabalhava no Chile quando foi criado a capitalização e foi  responsável por incluir no esquema uma desconhecida corretora brasileira, a BTG, que ainda hoje continua a ser uma das seis administradoras das aposentadorias chilenas.

Detalhe importantíssimo: o sistema de capitalização só começou a ser implantado com sentido  obrigatório no Chile em 1982 e no ano seguinte Guedes criava a BTG no Brasil. Terá sido coincidência?

O fato é que Guedes vinha se comportando como se estivesse no poder e suas ordens fossem incontestáveis. Ilusão à toa, diria Johnny Alf. O presidente Bolsonaro pode não entender nada de economia, mas tem alguns assessores de nível. Nesta sexta-feira, quando descartou a obrigatoriedade de adoção da sistema chileno, o chefe do governo mandou um recado ao Congresso e colocou Guedes em seu devido lugar.

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P.S.
 1 – Se tivesse um mínimo de dignidade, Guedes pediria demissão, para ficar em casa, guardado por Deus e contando o vil metal, como dizia Belchior. É um homem riquíssimo, não necessita de cargo nem função. Mas precisa desesperadamente permanecer como ministro, para manter o foro privilegiado e não cair nas mãos da Lava Jato. Essa é a realidade surrealista da política brasileira, versão 2019.

P.S. 2 – Quanto ao novo ministro da Educação, que defende a adoção do estilo Olavo de Carvalho de se comunicar aos palavrões, sua nomeação merece ser a Piada do Ano. A não ser que Bolsonaro esteja de sacanagem, como se dizia antigamente. (C.N.)

Para Bolsonaro, o resultado desta pesquisa Datafolha foi melhor do que se esperava

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Carlos Newton

O resultado da última pesquisa Datafolha é bipolar e ambivalente, merece ser comemorado pela oposição e pela situação. Este é um dos fenômenos da Estatística, apresentada como uma ciência exata, como a Matemática, mas na verdade apresenta características de ciência social, cheia de pontos fora da curva.

PIOR AVALIAÇÃO – Por exemplo, quando o levantamento demonstra que, entre os presidentes eleitos para um primeiro mandato desde a redemocratização de 1985, Bolsonaro tem a pior avaliação após três meses de governo, fica parecendo uma tragédia. Mas na política as aparências geralmente enganam.

Diz o Datafolha que 30% dos brasileiros consideram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32%) ou regular (33%) e não souberam opinar 4% dos entrevistados. Então, foi ruim ou bom para o governo?

DESCENDO A LADEIRA? – Os oposicionistas comemoram, dizendo que o governo já está descendo a ladeira. “Modus in rebus”, como dizem os juristas, em tudo deve haver um meio termo, há um limite para todas as coisas. Por enquanto, os petistas & Cia. não podem festejar nada, até porque, segundo o Datafolha, 59% ainda acreditam que ele fará uma gestão ótima ou boa.

Ou seja, entre esses 59% se incluem os 32% (“ótimo” ou “bom”) e mais 27% dos que estão considerando o governo como “regular”, mase acham que pode melhorar. Nada mal, indicando que, ao todo, apenas 36% desaprovam o governo – os 30% de “ruim” ou “péssimo”, com mais 6% dos que consideram regular, mas acham que pode piorar.

BOM RESULTADO – O chamado Princípio da Razoabilidade, que deve reger as relações humanas e costuma ser chamado de bom senso, indica que a popularidades de Bolsonaro não está nada mal. O placar de 59% a 36% pode até ser considerado extraordinário, levando-se em conta as bobagens que o presidente tem feito, com a colaboração insensata dos três filhos e de ministros como Paulo Guedes, Ernesto Araújo, Vélez Rodriguez, Damares Alves e Marcelo Álvaro Antônio, que realmente têm gabarito para derrubar qualquer popularidade.

Em função do permanente “fogo amigo” dessa entourage que  cerca Bolsonaro, deve-se considerar que o resultado da pesquisa Datafolha foi positivo, neste início de governo. Posso estar enganado, mas…

Crivella culpa Eduardo Paes, que faliu o Rio com o legado da Copa e da Olimpíada

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fala com a imprensa no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade.

Marcelo Crivella afirma que Eduardo Paes faliu a prefeitura do Rio

Carlos Newton

No Rio de Janeiro, a comissão especial  instituída pela Câmara de Vereadores para analisar o pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (PRB) já fez a notificação, na tarde desta sexta-feira. Agora, o prefeito tem 10 dias para apresentar defesa.

A abertura do processo de impeachment foi aceita pelos vereadores na terça-feira (dia 2), com 35 votos favoráveis à admissibilidade do processo e 14 contra.

DENÚNCIA – A denúncia contra Crivella foi apresentada por Fernando Lyra Reys, fiscal da Secretaria Municipal de Fazenda, arguindo  irregularidades em contratos de exploração publicitária de pontos de ônibus e relógios digitais, prorrogados através de aditivos, sem licitação. Se fosse um julgamento em tribunal, o prefeito teria muitas dificuldades para recorrer, a sorte dele é que se trata de um julgamento político, com argumentos igualmente políticos.

Na defesa, o prefeito vai culpar seu antecessor, Eduardo Paes (MDB), por ter falido o Rio de Janeiro, como legado da Copa do Mundo e da Olimpíada, e esta informação é rigorosamente verdadeira.

Quando César Maia (DEM) entregou a prefeitura a Paes, em 2009, deixou R$ 1,3 bilhão em caixa, com R$ 600 mil em superávit. Oito anos depois, ao transmitir o cargo a Crivella, o então prefeito Eduardo Paes deixou em caixa apenas R$ 80 milhões e uma confusa contabilidade, em que havia R$ 1,3 bilhão em empenhos cancelados, apesar de os serviços terem sido prestados ou os produtos  fornecidos ao município.

NO VERMELHO – No desespero para pagar os salários dos servidores, Crivella procurou o BNDES e foi informado pela então presidente Maria Silva Bastos que a prefeitura estava devendo um empréstimo de R$ 800 milhões, por conta da Olimpíada.

Desde então, Crivella se equilibra na corda bamba do déficit. Em sua defesa, argumenta que a Procuradoria do Município tinha autorizado um aditivo aos contratos com agências de publicidade, prática que começou na gestão anterior, com Eduardo Paes.

“A iniciativa para fazer esse aditivo não foi minha, veio do governo anterior e demorou muito para ser processada. E esse parecer foi acatado por mim. Há sempre algumas ressalvas, mas não tocava no âmago, naquilo que era importante. Eu disse: autorizo, pode ser feito, não há prejuízo para o erário. Aliás, esse é o parecer da Controladoria: que não havia prejuízo para o erário”, disse ao repórter Douglas Corrêa, da Agência Brasil.

CRISE TERRÍVEL – “Há uma dívida imensa. Naquele momento, nós precisávamos muito desse aditivo para pagar a folha de pagamento, para pagar os aposentados. Todo mundo cobra mais investimento na saúde, as pessoas no hospital, os aposentados – ninguém pensa neles? Não é justo, então, a gente ter obtido aqueles recursos para cumprir [as obrigações], num momento em que a prefeitura estava rigorosamente sem recursos?”, questionou.

Por incrível que parece, Crivella está com a razão, porque Eduardo Paes realmente deixou o Rio de Janeiro falido, como legado da Copa e da Olimpíada.

Desde que assumiu, por ser um dos sócios da TV Record, Crivella sofre campanha implacável da Organização Globo, que sempre defendeu ardorosamente Eduardo Paes e tentou elegê-lo governador no ano passado.

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P.S.Desculpem, mas Jornalismo não pode ser assim. A ordem na Organização Globo é para destruir Crivella, que é um político sem ficha suja e não pode ser comparado a Eduardo Paes, que continua a ser protegido pela Vênus Platinada. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Aleluia, irmão! Bolsonaro enfim começou a governar e foi logo desautorizando Guedes

Jair Bolsonaro ofereceu café da manhã a jornalistas na manhã desta sexta-feira (5) no Palácio do Planalto — Foto: Marcos Corrêa/PR

A alegria de Bolsonaro ao receber os jornalistas era contagiante

Carlos Newton

Recentemente, morreu Domingos de Oliveira, um personagem verdadeiramente notável pela vida e pela obra de cineasta, ator, diretor de teatro e escritor. Certa vez, conversamos durante horas em seu apartamento no Leme, numa entrevista para “Ultima Hora”, quando ficamos amigos de infância. E o título da matéria foi “A Ciência tem um encontro marcado com a Magia”, que era a tese que partilhávamos.

Realmente, para aqueles que têm fé, nada é impossível. Aqui na “Tribuna da Internet”, respeitamos todas as religiões e não discriminamos nenhuma delas, mas desde sempre somos editorialmente ecumênicos, respeitamos e defendemos o direito de existirem pessoas que prefiram o ateísmo, embora para nós seja Deus sobre todas as coisas, não importa a concepção que você tenha de Deus.

UM MILAGRE – Esta semana, como no “Soneto da Separação”, de Vinicius de Moraes, não mais que de repente houve um milagre na política brasileira e o presidente Jair Bolsonaro resolveu começar a efetivamente governar.

Já estávamos jogando a toalha, por julgar que iriam continuar prevalecendo a arrogância, a soberba e a presunção dos criadores da chamada “Nova Política”, que vivem a olhar para trás, pelo retrovisor, ao invés de perceberem o que vem pela frente, para conseguir percorrer um caminho seguro.

Eis que de repente Bolsonaro não somente começou a dialogar com o Congresso, sem aquela empáfia de “a bola está com eles”, como também decidiu restaurar a democracia interna no Planalto, ao convocar a primeira entrevista com a presença de todos os principais órgãos de imprensa do país.

NÃO DOEU NADA – Foi uma surpresa a presença de jornalistas do grupo Globo, da Folha/UOL, do Estadão, Valor e todos os demais pesos pesados da comunicação. Não doeu nada. Pelo contrário, a alegria do presidente era contagiante. Abandonou o triste papel de “perseguido pela imprensa”, que jamais poderia ter assumido, porque é um vitorioso que se tornou presidente de todos os brasileiros. Portanto, está acima de todos, ninguém pode persegui-lo. Ao mesmo tempo, é igual a qualquer outro cidadão e não pode perseguir ninguém.

E Bolsonaro assumiu a Presidência em toda a sua plenitude. Mostrou que não está subjugado a ninguém. Embora tenha insistido que não entende de economia, jogou no lixo a carta branca do ministro Paulo Guedes e mandou um recado direto a ele.

“O mais importante são o teto e o tempo de contribuição. Capitalização pode ficar para um segundo turno. Pode ter reação (do Congresso). A Câmara é quem vai decidir. Se tiver reação forte contra a proposta … uma coisa ou outra vai desidratar” — disse o presidente, segundo o relato de Alan Gripp e Paulo Celso Pereira, de O Globo.

PERGUNTE AO MAIA – O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) ainda tentou minimizar a possibilidade de retirada, dizendo que a capitalização era “muito importante”. Mas Bolsonaro reafirmou sua posição: “Não estou sugerindo mexer nisso ou naquilo. Estou ouvindo líderes. Não tenho o poder de dizer deixa isso ou aquilo” — afirmou, sinalizando que caberá à Câmara a definição do texto final: “Reforma vai ser boa se passar. O que vai passar tem que perguntar para o Rodrigo Maia e o pessoal lá”.

No desespero com a declaração de Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes voltou a afirmar que a capitalização tem capacidade de reduzir o desemprego. “Vamos criar empregos e podem ser milhões de empregos rápidos se formos para a Previdência nova por causa da desoneração dramática dos encargos trabalhistas”, disse ele, num evento em Campos do Jordão.

O fato é que Guedes alega que, ao deixar de contribuir para a Previdência via folha de pagamento, os empresários usariam esses recursos para contratar milhões de trabalhadores, ao invés de aumentar seus lucros.

PEIXE PODRE – Como Piada do Ano, é até aceitável, mas Guedes fala sério e quer vender esse peixe podre ao governo e ao Congresso, mas Bolsonaro acaba de lhe dizer não.

Para quem acha que Guedes pode se aborrecer e sair do governo, conforme já ameaçou, podem esquecer. Ele vai se agarrar desesperadamente ao cargo, para garantir o foro privilegiado, caso contrário será processado e condenado na primeira instância da Lava Jato, que está colecionando provas concretas contra ele, pelos prejuízos que deu aos fundos de pensão, fazendo aplicações em suas próprias empresas (dele, Guedes), vejam a que ponto chega a desfaçatez desses “operadores financeiros”. E la nave va, cada vez mais bolsonariamente.

Guedes mentiu na Câmara, ao dizer que a proposta não beneficiará banqueiros

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Paulo Guedes é um personagem ardiloso e controverso, para dizer o mínimo. Jamais poderia ter sido convocado pelo presidente da República para gerir a economia, com todos os poderes, recebendo carta-branca com apenas uma restrição – ao reformar a Previdência, poupar ao máximo os militares. O resto  – todo o resto  – ficou por conta dele, como se fosse um homem perfeito, um São Francisco de Assis em versão econômico-financeira. Mas não é nada disso, Guedes é um pecador inveterado, que não pode ver dinheiro.

CURRÍCULO – Tem um passado nebuloso, que inclui os inquéritos a que está respondendo pelas aplicações que fez para fundos de pensão que beneficiaram suas próprias empresas, a ponto de a direção do Funcex, da Caixa Econômica Federal, ter denunciado a gestão temerária dele à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que constatou os prejuízos e encaminhou a denúncia ao Ministério Público.

O prejuízo que deu aos fundos está mais do que está comprovado. Se suas aplicações tivessem dado lucro, por óbvio nem haveria a investigação. Justamente por isso, o pecador Guedes tenta escapar dessa denúncia como o diabo foge da cruz. Primeiro, recusou-se a depor ao Ministério Público e agora se esconde sob o manto sagrado do foro privilegiado no Supremo.

PRÓ-BANQUEIROS – É inacreditável que Bolsonaro tenha colocado um economista desse tipo para cuidar dos cofres públicos. Em sua santa ingenuidade, o presidente da República não percebe que Guedes é um ferrenho defensor dos banqueiros, está pouco se preocupando com o interesse público.

Nesta quarta-feira, o ministro mentiu abertamente na Comissão de Constituição e Justiça, ao afirmar que não vai entregar a capitalização para os bancos. Vai entregar a quem, então? Ora, ele admite que pretende seguir o modelo do Chile, com o sistema sendo operado pelas AFPs [Administradoras de Fundos de Pensão], controladas por bancos ou seguradoras, que são irmãos xifópagos.

Para os trabalhadores, o sistema não deu certo no Chile, mas tem sido altamente lucrativo para os bancos e seguradoras. Os fundos de pensão que fazem a capitalização no Chile são geridos por seis AFPs, das quais cinco são estrangeiras, e uma delas é do banco BTG Pactual, do qual Guedes foi um dos fundadores. Mas é claro que isso é apenas coincidência.

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P.S. 
 – O modelo previdenciário foi criado na sangrenta ditadura de Pinochet, que hoje Bolsonaro tanto exalta, espantando e até horrorizando os chilenos. No inicio, o sistema fez sucesso internacional, mas hoje está absolutamente  fracassado. Já foi abolido ou modificado em todos os países que o adotaram. No Chile, desde o governo de Michelle Bachelet estão sendo estudadas modificações e discute-se até a estatização do sistema. O assunto é inquietante, apaixonante e intrigante. Vamos voltar a ele, até porque há detalhes que são coisas muito grandes para esquecer, como diz Roberto Carlos. (C.N.) 

Jair Bolsonaro precisa começar logo a governar, antes que seja tarde demais

Bolsonaro está levando o país a uma radicalismo muito perigoso

Carlos Newton

Aquele estranho vídeo que está circulando para enaltecer a ditadura militar tem tudo a ver com os tempos que vivemos agora. De repente, parece que o país retornou a uma era de trevas, de incertezas e de inseguranças. Jamais me passou pela cabeça que isso pudesse estar acontecendo, 55 anos depois. É como um sonho ruim, um pesadelo ao vivo e a cores, do qual a gente sabe que não consegue se desvencilhar. Não é à toa que a aprovação do governo Bolsonaro tenha caído 15%. Podem xingar o Ibope à vontade, mas os números são verdadeiros e a decepção se aprofunda.

Muitos eleitores votaram em Bolsonaro por não aceitarem mais o desgoverno do PT e a tentativa de impor uma república sindicalista. O arrependimento desses eleitores de Bolsonaro só não é maior, porque a opção petista se tornara algo completamente abominável. Mas agora, depois dos primeiros 100 dias de governo, a situação se mostra sinistra.

RADICALIZAÇÃO – Da mesma maneira que ocorria durante os governos petistas, continuamos a viver um tempo de radicalismo. A diferença é que antigamente tínhamos de aguentar os fanáticos petistas, que adoravam – e ainda adoram – a figura abjeta de Lula da Silva. E agora somos obrigados a conviver com os fanáticos bolsonaristas, que nada ficam a dever aos seus antecessores.

De repente, o país se envolve numa discussão ideológica totalmente ultrapassada, com o chanceler e o presidente defendendo a tese exótica e surreal de que Hitler era de esquerda, sem perceberem que estão desmoralizando o país no exterior, sem a menor noção do ridículo.

É um governo se move em termos de teoria conspiratória e enxerga inimigos em toda parte, como se vivêssemos no Teatro do Absurdo, em docudramas de caráter altamente surrealista.

PARANÓIA – O presidente da República demonstra desvios de personalidade, deveria ser submetido a uma junta médica, pois se julga perseguido pelos principais órgãos de imprensa. Continua dando “entrevistas coletivas” em que proíbe a participação de jornalistas do grupo Globo, Folha, Estadão, Valor, UOL, CBN etc., algo jamais visto em qualquer democracia minimamente organizada.

E o pior é que esse comportamento paranóico tem apoio de  milhares de fanáticos que saem em defesa de Bolsonaro nas redes sociais e na mídia em geral, inclusive em blog e sites. Dividem o mundo entre bolsonaristas e petistas, esquecidos de que a imensa maioria dos brasileiros pode não se encaixar nessas duas denominações, fazendo parte da maioria silenciosa que prefere trilhar o caminho do meio.

HAY GOBIERNO? – Em lembrança ao slogan anarquista espanhol “Hay gobierno? Yo soy contra”, pode-se dizer que no Brasil a situação está pior ainda, porque aqui “no hay gobierno”. O presidente se abstém de governar, reina a inércia no país, enquanto o suposto chefe do governo faz seguidas viagens ao exterior, acompanhado do filho 03, que é uma espécie de “chanceler informal”, vejam a que ponto chegamos.

Pensava-se que um governo militar eleito democraticamente significasse uma luz no fim do túnel, mas era só aparência. Os militares do Planalto não conseguem conter Bolsonaro e os três filhos, que se comportam como príncipes-regentes.  A omissão e o caos rondam o governo que recentemente tomou posse, mas não governa nem a si mesmo.

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P.S. –
Desculpem o desabafo, mas não posso evitar o pessimismo. Tínhamos muita esperança em Bolsonaro. A crise é grave, a dívida pública se avoluma e o governo se comporta como se nada estivesse acontecendo e a reforma da Previdência pudesse resolver tudo, como alega Paulo Guedes  Seria tão bom se fosse verdade, mas é uma tremenda empulhação. Bolsonaro precisa começar logo a governar, antes que seja tarde demais. É só o que eu sei. (C.N.)