Marco Aurélio deixa claro: Se Bolsonaro não mudar de posição, será incriminado pelo STF

Subprocurador Humberto Medeiros vai preparar o parecer

Carlos Newton

Conforme temos noticiado com absoluta exclusividade, está tramitando no Supremo Tribunal Federal o primeiro pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A grande imprensa está noticiando a ação judicial sem estardalhaço, para não tumultuar ainda mais o país, nesta fase de pandemia.

Mas o fato concreto é que o ministro-relator Marco Aurélio Mello aceitou a denúncia-crime contra o presidente, acusado de incentivar a população a descumprir as recomendações de isolamento, feitas pela Organização Mundial de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pela Vigilância Sanitária, além dos governadores e prefeitos.

AÇÃO ESTÁ ANDANDO – O relator poderia simplesmente ter recusado a ação, mas decidiu seguir em frente e pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República. Caberá ao subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros dar o parecer sobre essa notícia-crime do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) movida no STF, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar quer enquadrar o presidente no artigo 268 do Código Penal, que consiste em infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. O crime tem pena de um mês a um ano. A ação tem como base encontros do presidente com populares e declarações que contradizem sua equipe de Saúde em relação ao combate ao coronavírus.

LEVARAM NA BRINCADEIRA – Quando publicamos essa possibilidade de um pedido de impeachment ser originário do Supremo, aqui no blog houve comentaristas que levaram na brincadeira, sem acreditar no que está à sua frente.

Mas a hipótese é concreta. Além de infringir o artigo 268 do Código Penal, fatalmente o presidente Bolsonaro estará incurso em dois crimes de responsabilidade, tipificados na Lei 1.079, de 10 de abril de 1950, conforme já explicamos aqui:

*“Intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos Municípios com desobediência às normas constitucionais” (Artigo 6º, inciso VIII).

*“Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” (artigo 9º, inciso VII).

Mesmo que o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros entenda que não há fundamento de infringência do Código Penal e da Lei dos Crimes de Responsabilidade, a decisão será do relator, que pode colocar o processo em julgamento com parecer contrário do Ministério Público Federal.

SUPREMO APROVARÁ – Caso o ministro Marco Aurélio Mello não arquive o processo e leve a ação a julgamento, é muito provável que o Supremo condene o presidente, e isso significa que  o pedido de impeachment será encaminhado à presidência da Câmara com muito mais robustez, a tramitação será rápida para decisão de dois terços da Câmara,  antes de seguir ao Senado.

O relator Marco Aurélio Mello já foi claro e fez uma ostensiva crítica ao comportamento do presidente da República. “Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo” destacou, em entrevista ao repórter Rafael Moraes Moura, do Estadão, na qual afirmou estar “pasmo’ e “muito triste” com as atitudes de Bolsonaro.

O ministro, no entanto, deixou uma chance em aberto para Bolsonaro, dizendo que, se o presidente mudar sua postura e passar a cumprir as regras da OMS e do Ministério da Saúde, não será incriminado. “Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima. Sempre há tempo para evoluir”, afirmou Marco Aurélio Mello.

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P.S.
1Em tradução simultânea, se Bolsonaro não “evoluir”, mudando seu comportamento, o relator vai defender a incriminação dele, abrindo caminho ao impeachment.

P.S. 2–
Existe um site aí que é recordista em fake news e processos de injúria, calúnia e difamação, chamado Jornal da Cidade, que tem mania de desmentir notícias da TI. Ontem, publicou que o procurador Aras tinha “arquivado o processo”, coisa que juridicamente ele nem pode fazer, pois quem arquiva é o juiz. Tive frouxos de riso, como diz o Francisco Bendl.  (C.N.)

Impeachment com aval do Supremo será uma novidade na História Republicana

Charge do Lando Jotta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Explodiu como uma bomba em Brasília a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro sofrer um processo de impeachment originário do Supremo Tribunal Federal, conforme publicou a “Tribuna da Internet” nesta terça-feira, dia 31, com absoluta exclusividade. Até então, julgava-se que o pedido teria de ser apresentado à Câmara dos Deputados, como aconteceu no afastamento da presidente Dilma Rousseff, ou partir de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, conforme ocorreu com o presidente Fernando Collor.

Nesta semana, porém, surgiu a terceira via, com apresentação de uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Jair Bolsonaro, encaminhada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foi distribuída ao ministro Marco Aurélio Mello.

PETIÇÃO FOI ACEITA – Já existem diversos pedidos de impeachment apresentados à Presidência da Câmara, mas o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) deixou claro que não pretende examiná-los agora, porque somente colocará em pauta projetos ligados diretamente a combater o coronavírus e a inevitável crise econômico-financeira que será provocada pela pandemia.

A notícia-crime, portanto, foi uma nova vertente para iniciar processo de impeachment. E a grande surpresa foi o relator Marco Aurélio Mello ter imediatamente aceitado abrir a ação contra o presidente da República, com um despacho em que encaminha a petição ao Ministério Público Federal: “Deem vista à Procuradoria-Geral da República”, diz trecho da decisão do ministro.

Em tradução simultânea, isso significa que foi iniciado formalmente no Supremo o processo de impeachment do atual presidente da República.

PARECER DE ARAS – Na manhã desta terça-feira, o procurador-geral Augusto Aras ainda não tinha conhecimento da notícia-crime. Entrevistado pela repórter Andréia Sadi, da TV Globo, sobre a decisão que tomará caso o presidente Bolsonaro cumpra o que anunciou e baixe um decreto pelo isolamento vertical, no qual somente pessoas de grupos de risco devem ficar isoladas, Aras respondeu:

“Vou ouvir o ministro Mandetta. Quem determina política de saúde no Brasil é o ministro Mandetta”.

À tarde, a petição da notícia-crime já estava sobre a mesa do procurador-geral da República, para se manifestar em resposta ao relator do Supremo. E as justificativas da notícia-crime são procedentes e irrefutáveis, porque os atos irregulares de Bolsonaro foram públicos e notórios.

NAS MÃOS DO MINISTRO – Num surto de “corporativismo”, o procurador-geral Aras pode até se manifestar contrário à ação e pedir arquivamento, mas tudo indica que, mesmo assim, o relator Marco Aurélio Mello pretende colocar a notícia-crime em julgamento, seja na Primeira Turma ou em Plenário.

Em entrevista a Rafael Moraes Moura, do Estadão, o ministro disse que ficou “pasmo” com a atitude do presidente Jair Bolsonaro de sair às ruas e cumprimentar populares mesmo diante do avanço da pandemia do novo coronavírus.

“Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo. Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima”, disse Marco Aurélio, dizendo estar “muito triste” com o comportamento do presidente da República.

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P.S.
Bem, a bola está em jogo. Salvo engano, o procurador Aras tem cinco dias para se manifestar, nos termos do artigo 120, inciso 2 do Regimento Interno do Supremo. Em seguida, o relator decide se arquiva a ação ou se convoca julgamento na Primeira Turma ou em Plenário.

P.S. – Se a notícia-crime for aceita pela maioria, esta será a primeira vez na História Republicana que um pedido de impeachment terá aval da Suprema Corte. Como dizia o grande compositor Miguel Gustavo, nosso vizinho aqui no bunker do Edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”. (C.N.)

Bolsonaro brinca com a verdade e pode sofrer impeachment com apoio do Supremo

STF recomenda soltar presos idosos, grávidas e doentes por conta ...

Mandato de Bolsonaro está nas mãos de Marco Aurélio

Carlos Newton

Embora não tenha tido a ampla repercussão que merecia, é muito grave a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, ao pedir que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre a notícia-crime apresentada contra o presidente Jair Bolsonaro, por colocar em risco a saúde dos brasileiros em seu pronunciamento da semana passada sobre a pandemia de coronavírus.

A situação é delicada, porque o ministro Marco Aurélio Mello já demonstrou a intenção de aceitar a denúncia-crime. Em entrevista ao Estadão nesta segunda-feira, dia 30, ele disse que ficou “pasmo” com a atitude do presidente Jair Bolsonaro de sair às ruas e cumprimentar populares mesmo diante do avanço da pandemia do novo coronavírus.

EXEMPLO VEM DE CIMA – “Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo. Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima. Sempre há tempo para evoluir”, afirmou Marco Aurélio Mello, que reprovou o passeio de Jair Bolsonaro pelas ruas do Distrito Federal no último domingo (dia 29).

“Eu espero a evolução por parte do presidente quanto a encarar a crise como muito grave. E as medidas devem ser um pouco mais profundas. Eu fiquei pasmo quando vi que ele visitou cidades satélites, confraternizou com o povo, é algo que nos deixa tristes. Muito tristes”, criticou o ministro, na entrevista a Rafael Moraes Moura.

NOTÍCIA-CRIME – No caso da aceitação da notícia-crime pelo Supremo, o presidente da República será processado e estará aberta a porta para seu impeachment, que ele mesmo já antevê, pois tem consciência da irregularidade de seus atos e até chegou ironicamente a indagar neste domingo: “Se mudar o presidente, resolve?”.

O detalhe importante é que a aceitação da notícia-crime independe de apoio da Ministério Público. Mesmo que a Procuradoria-Geral da República peça o arquivamento do caso, o ministro-relator Marco Aurelio Mello pode entender que há comprovação de dois crimes de responsabilidade, pelo menos:

  • “Intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos Municípios com desobediência às normas constitucionais” (Artigo 6º, inciso 8).
  • “Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” (artigo 9º, inciso 7º).

APELO A VILLAS BÔAS – Os generais do núcleo duro do Planalto estão preocupadíssimos com a insanidade de Bolsonaro, a ponto de terem pedido apoio ao general Eduardo Villas Bôas, que está em gravíssimo estado de saúde, mas aceitou distribuir no Twitter uma nota de solidariedade.

Na mensagem, compartilhada nas redes sociais por Bolsonaro, Villas Bôas elogia o presidente e fala que o Brasil pode encarar “consequências imprevisíveis”, que seriam fruto de “ações extremadas”.

Em meio a mais essa encenação, Marco Aurélio Mello diz que, “sem dúvida” o isolamento social é a melhor forma, neste momento, de frear a propagação da covid-19. “Temos de guardar a quarentena, para não inviabilizar o atendimento médico no campo da saúde, porque se houver um número excessivo de contagiados, a nossa saúde não atenderá a todos. Isso que preocupa”, frisou o ministro.

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P.S. 1
Nota-se que há claramente um embate no Planalto. De um lado, Bolsonaro e os filhos, em seu eterno envolvimento com “teorias conspiratórias” e sua luta precoce pela reeleição; do outro lado, o núcleo duro do governo, que tenta se socorrer usando indevidamente o prestígio dos militares, através de Villas Bôas..

P.S. 2O grupo que detém o poder pensa (?) que as Forças Armadas avalizarão suas sandices, que estão prejudicando seriamente a imagem do país. Mas isso não acontecerá. Os militares não se desviarão da legalidade e saberão distinguir entre um impeachment legal e um golpe de estado ilegal. (C.N.)

Cientistas ganharam o primeiro round, mas Bolsonaro continua inconformado e vai reagir

Jorge Braga

Charge do Jorge Braga (O Popular)

Carlos Newton

O crescimento da pandemia em Nova York e a mudança de atitude do presidente Donald Trump ajudaram muito o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, a convencer Jair Bolsonaro na reunião realizada na manhã de sábado no Palácio da Alvorada, que durou quase duas horas e acabou sem nenhum dos presentes dar entrevista aos jornalistas após o encontro.

A reunião contou também com a presença de diversos ministros, como Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), além do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres.

CONVERSA DIFÍCIL – Foi uma reunião delicada, em que o ministro da Saúde teve de ser absolutamente franco para mostrar que o Brasil precisa conter a covid-19 a qualquer custo, até que a curva da contaminação comece a cair.

As informações da China, cujo governo anunciou ter contido a pandemia de uma hora para outra, não são confiáveis. Pelo contrário, o país é conhecido por manipular estatísticas, a começar pelo número de mortos pela poluição, que seriam de apenas 400 mil/ano, mas na realidade devem chegar a mais de 4 milhões/ano, no mínimo.

Os outros ministros deram apoio a Mandetta, que saiu fortalecido da reunião e ganhou de Bolsonaro mais 15 dias para isolamento. À tarde, Mandetta voltou a comparecer à entrevista coletiva dos técnicos do Ministério da Saúde e manteve sua posição de sempre, a favor do isolamento.

CONSTRANGIMENTO – À noite, Bolsonaro nem conseguiu assistir aos telejornais, onde Mandetta pontificou, deixando claro que jamais se submeterá a critérios políticos ou econômicos. E o ministro foi mais longe, levando Bolsonaro ao desespero, quando disse que poderia ser demitido, mas não saíra do Ministério enquanto não tiver solucionado a crise da pandemia.

Em tradução simultânea, Mandetta e os governadores bateram Bolsonaro no primeiro round, com mais 15 dias de isolamento, em que a equipe econômica terá de se virar para garantir a sobrevivência da população mais carentes.

Mas vai ser muito difícil derrotar Bolsonaro no segundo round, que deve ocorrer dia 10 ou 11 de abril, quando haverá outra reunião do comitê da pandemia.

BOLSONARO INSISTE –  Foi tenebroso o tour que Bolsonaro fez no domingo pelo comércio de Brasília, anunciando que pode baixar um decreto mandando reabrir todos o comércio e derrubar o isolamento, deixando em casa só os idosos e os jovens que estão na faixa de risco.

O ministro Mandetta é claro que não vai concordar e pedirá demissão. A responsabilidade então recairá inteiramente sobre Bolsonaro. Se a pandemia refluir, ele será reeleito. Mas se continuar em expansão, ele não consegue ser eleito nem mesmo síndico do condomínio Vivendas da Barra, onde morava aquele famoso miliciano.

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P.S. 1 – Ainda acredito que Bolsonaro não vai continuar bancando o maluco, e o fim do iosolamente vai depender não somente da evolução da pandemia nos países mais atingidos, como Itália e Espanha, mas também na situação aqui na filial Brazil e na matriz USA. Vamos aguardar.

P.S. 2Como dizia o chanceler Juracy Magalhães no tempo da ditadura, “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Quase 55 anos depois, nada mudou aqui do lado debaixo do Equador. Mas sabe-se que os militares da ativa não concordam com a submissão do Brasil aos EUA, fato que não ocorreu nem mesmo nos tempos do regime militar. (C.N.)

Sem medo do ridículo, Olavo de Carvalho muda de opinião três vezes sobre a pandemia

O escritor Olavo de Carvalho. Foto: Reprodução

Sobre o coronavírus, o guru não consegue se entender

Carlos Newton 

Reportagens de Fabíola Testi e Lourenço Flores, do site Metrópoles, indicam que o professor on-line de filosofia Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo está usando as redes sociais para fazer piadas com o avanço do novo coronavírus no Brasil e no mundo. Em postagem no dia 19 de março, ele afirmou ter contraído a doença há dois meses e ter escapado com vida.

“Já peguei o coronavírus, ele quase me matou e eu já escapei vivo”, afirmou o guru bolsonarista em post no Facebook, acrescentando: “Não tenho outra explicação para a merda toda que me aconteceu uns dois meses atrás”.

VIRUS NÃO EXISTE – Quatro dias depois, a 23 de março, Olavo de Carvalho gravou um novo vídeo dizendo que o coronavírus simplesmente não existe. “É a mais vasta manipulação da opinião pública que já aconteceu na história. Parece coisa de ficção científica”, afirmou, esquecido da declaração anterior.

Ainda não-satisfeito, disse que nunca houve um só caso confirmado de morte por coronavírus. “O número de mortes dessa suposta epidemia não aumentou em nem um único caso o número habitual de mortos por gripe no mundo. É o mesmo que dizer que essa endemia simplesmente não existe. Na verdade, você não tem um único caso confirmado de morte por coronavírus. Para confirmar, você precisaria fazer o exame de cada órgão do falecido. Onde fizeram isso? Nunca fizeram nenhum”, argumentou Olavo de Carvalho aos seus mais de 821 mil inscritos no YouTube.

YOUTUBE RETIRA O VÍDEO –  A mensagem havia sido compartilhada pelo próprio Olavo de Carvalho em sua conta no Twitter. Mas a direção do Youtube decidiu retirá-la do ar no próprio dia 23, alegando que “o vídeo foi removido por violar as diretrizes” da plataforma de comunicação.

O YouTube informou que está combatendo informações falsas sobre o coronavírus, destacando fontes oficiais na pesquisa nas recomendações e exibindo painéis de informações que direcionam usuários a fontes locais relevantes, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

CULPA DO GOVERNO CHINÊS – Em outra publicação, Olavo postou um vídeo no qual endossa a opinião do deputado Eduardo Bolsonaro de que a responsabilidade pelo vírus é do governo chinês. “Só quem não gosta de chineses é o governo chinês”, disse.

Apontado como uma espécie de guru do presidente Jair Bolsonaro e de muitos de seus auxiliares no governo, Olavo de Carvalho foi ao Facebook após a série de panelaços contra o presidente, registrados em todo o Brasil e, no meio de críticas ao que chamou de “generais isentistas”, fez um alerta aos bolsonaristas: “Agora talvez seja tarde para reagir”.

Olavo disse, no post, que aconselhou Bolsonaro desde o início do mandato que “desarmasse” os inimigos “antes de tentar resolver qualquer problema nacional”. Ele não chegou a explicitar quem seriam os inimigos a serem desarmados, nem de que forma isso deveria ter ocorrido. Mas reservou até uma crítica ácida ao presidente, a quem disse que se desgastou com “lacrações teatrais”.

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P.S.
Primeiro, Olavo de Carvalho disse ter contraído o coronavírus, que quase o matou não existia. Em seguida, desmentiu a si próprio e afirmou que a pandemia era uma das maiores farsas da História da Humanidade. Depois, para agradar o discípulo Eduardo Bolsonaro, culpou o governo da China pela transmissão da doença. Só falta agora Olavo de Carvalho acreditar que a Terra é redonda e que comunista não come criancinha… (C.N.)

Se a Constituição fosse obedecida, não haveria juros abusivos nem penduricalhos salariais

Bernardo Cabral: "Nova Constituição soterrou o obscurantismo ...

Bernardo Cabral e Ulysses foram gigantes da democracia

Carlos Newton

Neste sábado, liguei para o ex-senador Bernardo Cabral, para cumprimentá-lo pela passagem de mais um aniversário. Demos boas risadas quando ele lembrou os tempos da Constituinte, quando ele foi eleito relator-geral do projeto da nova Constituição, derrotando o senador Fernando Henrique Cardoso e o deputado Pimenta da Veiga.

Como Brasília estava infestada de lobistas e os parlamentares recebiam pressões de todos os lados, Bernardo Cabral criou a relatoria ambulante – a cada dia a equipe trabalhava em algum refúgio fora do Congresso.   

Nessa época, eu trabalhava na Manchete e fazia a cobertura da Constituinte. Recebi um telefonema da Funai, me convidando para entrevistar 18 caciques que haviam chegado a Brasília para apresentar suas reivindicações à Constituinte. A maioria era de índios aculturados, mas havia também alguns sem o menor traquejo, como Davi Yanomami.

REIVINDICAÇÕES – No dia seguinte, pela manhã, foi uma coletiva ao contrário, porque eu era o único repórter e havia 19 entrevistados na sala de reuniões da Funai – os 18 caciques e um dos dirigentes da Funai. As reivindicações eram muitas – demarcação das reservas, respeito a seu limites, combate ao desmatamento, fim dos garimpos clandestinos, liberação da exploração mineral com autorização das tribos etc.

Ao final, quando eu e o fotógrafo Walter Carvalho arrumávamos as coisas para ir embora, o dirigente da Funai nos disse que estava tendo dificuldades para marcar uma audiência com Dr. Ulysses, e a Funai não podia manter os caciques em Brasília indefinidamente.

De lá mesmo telefonamos para o gabinete do Dr. Ulysses e o secretário dele, Oswaldo Manicardi, disse que a agenda estava lotada, mas ia dar um jeito.

TERNO E GRAVATA – Os índios ficaram entusiasmados e fizeram a maior bagunça, exigindo que os funcionários da Funai lhes arranjassem ternos e gravatas, porque queriam ir vestidos à caráter. Marquei o encontro com eles às 15 horas no salão do cafezinho da Câmara, e fui almoçar com o fotógrafo.

Eles chegaram no horário e a maioria realmente estava de terno e gravata. foi muito engraçado, chamavam muita atenção. Na mesma hora chegaram outros repórteres e fotógrafos que cercaram os índios e nos acompanharam até o gabinete da presidência da Câmara.

Quando entrei com os 18 índios e mais os jornalistas que nos seguiam, o secretário Manicardi ficou apavorado. Levantou da cadeira, colocou os braços para o alto e implorou: “Às seis horas, às seis horas…”.

ONDE ESTÁ O RELATOR – Como ainda faltavam quase três horas, cheguei perto do secretário e perguntei, baixinho: “Onde o Bernardo Cabral está escondido?”. Ele respondeu: “Não posso dizer…”. E eu insisti: “Pode sim, se não os índios vão ficar amontoados aqui, esperando”. E ele logo revelou que o relator estava na Gráfica do Senado.

Rumei para lá com os caciques e o relator Bernardo Cabral nos recebeu grandiosamente. Mandou servir café e biscoitos ao índios, conversou bastante com eles, que encaminharam a reivindicações e o relator-geral aceitou todas elas.

Voltamos para a Câmara e a audiência com Dr. Ulysses foi uma grande festa, um encontro de caciques. A maioria dos índios tinha câmaras de fotografia e todos queriam fazer selfies com ele. Como já tinham se entendido com o relator Bernardo Cabral, nada tinham a solicitar, apenas o apoio ao relator, que já era incondicional.

CONSTITUIÇÃO CIDADÃ – Nesse sábado, ao telefonar para o ex-senador, eu lhe disse: “O senhor teve a grandeza de aceitar todos os pedidos dos índios”. E ele comentou: “Tudo o que eles pediram estava correto, tínhamos de aceitar”.

Em seguida, conversamos sobre o fato de a Constituinte até hoje receber críticas por ser muito extensa. Comentei que poucos entendem que o país saíra de uma ditadura de 21 anos e os parlamentares se empenharam em criar empecilhos para evitar que houvesse retrocesso institucional.

Na verdade, é pena que a “Constituinte Cidadã” de Bernardo Cabral e Ulysses Guimarães tenha sido tão desvirtuada. Se tivesse sido obedecida, os bancos jamais poderiam nos cobrar juros de 500% ao ano no cartão de crédito, os tetos salariais teriam sido respeitados, não haveria penduricalhos nem cartão corporativo e ninguém receberia salários e aposentadorias em valores abusivos. Mas quem se interessa?

No jogo da política, Jair Bolsonaro se desespera e aposta todas as fichas numa só cartada

Giuseppe Sala: chiesto un anno e un mese di reclusione - Corriere.it

O prefeito de Milão, Beppe Sala, apostou alto e perdeu tudo

Carlos Newton

A paciência não é seu forte e ele não tem a capacidade de raciocínio dos grandes mestres, mas sabe que sempre deu sorte e confia em sua intuição. Por isso, decidiu apostar tudo de uma vez só, como nas rodadas de fogo do carteado no clássico “Hienas do Pano Verde”, filme de Blake Edwards. Assim é Jair Bolsonaro, que não sabe esperar a hora certa e quer garantir a reeleição dois anos e meio antes do primeiro turno da sucessão.

Jair Bolsonaro está nesse desespero porque pensa (?) que sua vitória em 2022 dependerá exclusivamente da retomada do desenvolvimento. Algum filho deve ter-lhe passado aquela frase célebre de James Carville (“É a economia, estúpido!”), e o presidente brasileiro acreditou no desabafo do velho marqueteiro de Bill Clinton.

FALTA DE CULTURA – Se a família Bolsonaro tivesse maior cultura política, saberia que não existe receita nem garantia de vitória eleitoral, tudo depende das circunstâncias, como ensinava o genial pensador espanhol Ortega y Gasset.

O mais curioso é que pai e filhos não perceberam que a coronavírus lhes dera um habeas corpus preventivo, que de certa forma retirava do governo a obrigação de dar certo. Com a pandemia, o presidente passara a ter mil e uma justificativas de um possível fracasso na política econômico, e a oposição nada poderia cobrar de um governo açoitado pela maior calamidade pública dos últimos cem anos.     

Assim, para garantir seu passaporte carimbado para a reeleição, Bolsonaro precisava apenas cuidar do apoio financeiro e logístiico a governadores e prefeitos, porque é a eles que cabe a responsabilidade pela saúde da população. Mas deu tudo errado.

JOGA FORA NO LIXO – A impaciência e o despreparo falaram mais alto. O presidente e os filhos acham (?) que o agravamento da crise econômica lhes roubará a reeleição. Por isso, jogaram no lixo a situação política privilegiada em que se encontravam. Assim, ao invés de respeitar as medidas de prevenção tomadas por governadores e prefeitos, Bolsonaro passou a cobrar-lhes justamente o contrário, exigindo um isolamento apenas vertical, ou seja, reabrindo as cidades e mantendoi em casa somente a faixa de maior risco – idosos e pessoas com diabetes, problemas cardíacos, asma etc.

Com essa atitude arriscada e perigosa, a família Bolsonaro meteu-se numa arriscadíssima situação. Se a contaminação e as mortes continuarem aumentando, os responsáveis não serão mais os governadores e prefeitos. A culpa recairá totalmente sobre o clã Bolsonaro, em função dos decretos presidenciais, da campanha publicitária e da minimização da pandemia, tratada como “gripezinha” e “resfriadozinho”.

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P.S.
Os fanáticos podem alardear que Bolsonaro tem razão e o isolamento precisa acabar, porque o coronavirus é fraco, a pandemia vai refluir naturalmente etc. e tal. Foi exatamente o que pensou (?) o prefeito de Milão, que lançou uma campanha para não haver isolamento na cidade industrial. Hoje a atividade mais rentável na cidade é a fabricação de caixões funerários, e o prefeito Beppe Sala já sabe que sua carreira política está encerrada. (C.N.)

Previsões sinistras de Mandetta estão levando Bolsonaro e os filhos à loucura

Mandetta muda discurso, diz que fica no cargo e critica quarentena ...

Mandetta tenta se adaptar a Bolsonaro, mas está difícil

Carlos Newton

Muitas vezes, nas contradições da vida, o que parece ser uma solução pode se tornar um problema. Justamente por isso, na política, existe o ditado de que nunca se deve nomear uma pessoa tão importante que depois não possa ser demitida. É o caso, por exemplo, do ministro da Justiça e Segurança Pública,  Sérgio Moro. No embalo da Lava Jato e da luta contra a corrupção, Bolsonaro atraiu o então juiz, fez-lhe algumas promessas que esperava cumprir e conseguiu convencê-lo.

Como ocorre no Serviço de Meteorologia, houve mudanças no decorrer do período, o Congresso resistiu ao Pacote Anticrime e aprovou a Lei do Abuso de Autoridade, nitidamente do interesse dos criminosos, sem que Bolsonaro se manifestasse, porque a essa altura do campeonato estava tolhido pelas raspadinhas dos filhos.

PROBLEMA REPETIDO – Vida que segue, diria João Saldanha, e mais adiante Bolsonaro teve de tirar de Moro o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, para proteger não só os filhos, mas também ministros do Supremo, políticos e autoridades diversas, vejam como a vida é muito mais criativa do que as promessas de governantes.

Moro se encrespou, é claro, Bolsonaro queria demiti-lo, mas como fazê-lo? Imediatamente ganharia um adversário da pesada na eleição de 2022, melhor esquecer o assunto e cuidar de sua complicada família.

Agora, repete-se o problema, com o súbito alumbramento do ministro Henrique Mandetta, que se revelou um astro de primeira grandeza na condução do combate ao coronavírus. Além do brilho invulgar, as previsões do ministro são catastróficas e estão levando Bolsonaro e os filhos à loucura.

DEMISSÃO INVIÁVEL – O presidente queria se livrar do ministro, mas não consegue, porque ele se tornou uma espécie de Moro em versão hospitalar. Mandetta dá entrevistas coletivas diariamente e tem repetido a previsão científica, baseada no exemplo da China, o primeiro país a superar a pandemia. Diz que o número de contaminados subirá aceleradamente em abril e maio e só deve começar a cair em agosto, com “queda brusca” a partir de setembro.

O pior é o ministro prever que o sistema global de saúde do país deve entrar em “colapso” em abril, como ocorreu na Itália, que superou a China em número de mortos.

O que é significa o colapso do sistema? É quando nem mesmo os protegidos por planos de saúde conseguem atendimento, explica Mandetta, para desespero de Bolsonaro e dos filhos, que não acreditam nessa calamitosa hipótese.

OTIMISMO x REALISMO – A troupe bolsonariano é otimista, conforme ficou claro no pronunciamento à nação, na terça-feira, quando parecia que estávamos no melhor dos mundos. Para o respeitável público, surgiu, então, o problema crucial. Em quem acreditar: Bolsonaro ou Mandetta?

O pior é que o presidente sabe que não pode acusar o ministro de ser pessimista, porque ele se baseia exclusivamente nos dados científicos trabalhados pelo comitê governamental da crise, que é comandado pelo ministro Braga Netto, general da ativa.

Ou seja, não se trata de pessimismo, mas apenas de realismo, que é sempre a melhor forma de resolver problemas de qualquer gravidade.

INVERSÃO DE PAPÉIS – Ao invés de respeitar os dados científicos e trabalhar nas formas de enfrentar a crise econômica, Bolsonaro se comporta como um Dom Quixote do terceiro milênio e investe contra moinhos do vento que nem existem, obrigando Mandetta a fazer um contorcionismo para criticar a quarentena.

Como diria Cazuza, a visão otimista do presidente não corresponde aos fatos, conforme se constatou com o agravamento da situação de um dos chefes da segurança do Planalto, o capitão Ari Celso Rocha de Lima Barros. Embora esteja fora do grupo de risco, com 39 anos, e seja atleta, ele teve de ser internado no Hospital de Base do DF, na noite desta quarta-feira (dia 25).

Agora, a estratégia de Bolsonaro é negar verbas a governadores e prefeitos, para forçá-los a pôr fim ao confinamento, como se já estivesse tudo normal.

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P.S.
Com apoio dos fanáticos de sempre, Bolsonaro joga uma cartada arriscadíssima, que pode encerrar precocemente seu mandato, caso sua visão diminutiva (gripezinha ou resfriadozinho) não venha a se concretizar. E isso logo saberemos. (C.N.)

Piada do Ano! Ainda há quem pense que os militares apoiam Bolsonaro incondicionalmente

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Bolsonaro coloca o ministro da Saúde em péssima situação

Carlos Newton

Devido às ridículas polêmicas no combate ao coronavírus, o apoio incondicional ao presidente Jair Bolsonaro continua caindo e só restam os fanáticos, que podemos estimar entre 25% e 30% dos eleitores, praticamente igual ao índice dos  fanáticos adoradores de Lula da Silva, aclamado por ter sido um pai dos pobres que fazia hora extra para proteger também os banqueiros e empresários.

Desde o início de seu estranho “governo compartilhado”, Bolsonaro e os filhos têm sido acometidos de sucessivos surtos de teorias conspiratórias, e qualquer um, inclusive os amigos mais chegados, pode ser suspeito de conspiração, como aconteceu com Gustavo Bebianno, Paulo Marinho, Santos Cruz, Hamilton Mourão, Joice Hasselmann, Major Olímpio e tantos outros.

MAIS UM NA MIRA – Agora, a bola da vez é o ministro Luiz Henrique Mandetta, ex-deputado federal e ex-secretário de Saúde de Campo Grande, que vem fazendo excelente atuação à frente do Ministério nesse combate ao coronavírus.   

Bolsonaro está se segurando, porque já percebeu que os generais da ativa não estão gostando nada de sua atuação no caso da pandemia. Portanto, não pode mais continuar afrontando as recomendações da Organização Mundial de Saúde e do próprio Ministério da Saúde.

Nesse sentido, nesta terça-feira, dia 24, o pronunciamento do comandante do Exército, general Edson Pujol, não deixou margem a dúvidas.

CHOQUE DE PROPOSTAS – Todos sabem que existe um choque entre as determinações do Ministério da Saúde e as recomendações da Presidência da República. O ministro Mandetta estabelece as regras junto com o comitê governamental chefiado pelo ministro Braga Netto, que é general da ativa. E o presidente Bolsonaro defende publicamente que se faça o contrário, mas seu posicionamento rebelde não conta com a solidariedade dos militares.

Ao invés de apoiar o fim do confinamento, conforme propõe o presidente, que é comandante-em-chefe das Forças Armadas, o Exército faz exatamente o contrário. Nesta quarta-feira (dia 25, apesar do pronunciamento presidencial pedido no fim do confinamento, o Comando Militar do Leste colocou tropas nas ruas da Vitória, para ajudar a manter a população em isolamento.

Mesmo assim, ainda há quem pense que os comandos militares continuam estão apoiando Bolsonaro incondicionalmente… Pelo contrário, muitos chefes militares já acham que Bolsonaro está manchando a imagem das Forças Armadas e precisa agir com maior responsabilidade.

GOVERNO MILITAR – No momento não existe governo militar, mas é como se fosse, porque nunca houve tantos militares no Ministério e nos escalões inferiores, nem mesmo nos tempos da ditadura. Parte da população até confunde as bolas – acha que estamos num governo militar, que deveria intervir mais duramente, como se não estivéssemos em democracia plena.

Bolsonaro, seus filhos e até o general Augusto Heleno já demonstraram acreditar que o as Forças Armadas podem dar um golpe para mantê-los no poder, certamente por terem poupado a Previdência dos militares e reajustado suas remunerações. Tanto assim que Bolsonaro encerrou o pronunciamento dizendo que  crise pode levar o país a sair da “normalidade democrática”.

TROPA DE ELITE – O raciocínio é rasteiro. Os militares brasileiros são uma elite de alto nível, que não se vende por 30 dinheiros nem por milhões. Se tiverem de intervir, será para afastar Bolsonaro e seus patéticos terraplanistas, com objetivo de entregar o poder ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, que já mostrou ser mais competente, parece imune a teorias conspiratórias e jamais será submisso aos EUA ou país algum.    

É claro que ainda não há clima para impeachment, especialmente devido à pandemia. Mas a proposta já se tornou uma possibilidade concreta, pois os pedidos começam a se avolumar sobre a mesa do presidente da Câmara.

P.S. – É só uma questão de tempo. Se Bolsonaro não despertar para a realidade, o impeachment será mais facilmente concedido do que aquele que defenestrou Dilma Rousseff, uma espécie de Viúva Porcina da política nacional – “aquela que foi, em ter sido”. (C.N.)

Efeito coronavíirus: as pessoas precisam morar juntas e aprender a se suportarem

Charge O TEMPO 23/03/2020

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Naquela onda de que até nas tragédias sempre se pode extrair algo de positivo, é certo que essa pandemia do coronavirus está obrigando uma mudança de hábitos que pode melhorar as relações entre as pessoas, como sempre acontece nas economias de guerra, quando aumenta o índice de solidariedade humana.

A primeira fase é o pânico da morte, com a espera do abraço da eterna companheira, que nos aguarda desde o momento que nascemos. Porém, daqui a mais alguns dias desembarcaremos na segunda etapa a sinistra crise financeira que o presidente Jair Bolsonaro tanto procura evitar, na esperança de que o astrólogo terraplanista Olavo de Carvalho esteja certo na teoria de que se tratava apenas de mais uma “gripezinha”.

QUEM SABE? –  Nem tudo está perdido. Sabe-se que o coronavírus não  representa ameaça à sobrevivência da Humanidade. Não foi nem será a última pandemia, a não ser que os orientais e africanos abandonem o costume de frequentar mercados imundos, na ânsia de comprar animais vivos para transformá-los em requintes de estranhas gastronomias.

Não por mera coincidência, os quatro vírus mais recentes (Ebola, Sars, H1N1 e Covid 19) surgiram desses infectos mercados, que os turistas ocidentais adoram frequentar, por curiosidade mórbida.

O fato mais concreto é que  os efeitos econômicos serão arrasadores e o governo alemão já prevê uma recessão de 5% este ano.

SOFRIMENTO BRUTAL – Aqui na sucursal Brazil, que não receberá um cent de ajuda da matriz USA, o sofrimento será brutal, com pesada recessão e aumento do desemprego, o que pode significar novo crescimento da criminalidade, que vinha caindo progressivamente.

A pobreza se alastrará com maior velocidade do que a pandemia. Por isso, nessa economia de guerra, as pessoas terão de ser mais solidárias entre si, como já ocorre nas comunidades pobres. Muitos filhos terão de voltar a morar com os pais, abandonando os sonhos da casa própria e do carro novo. As famílias terão de se recompor.

Planos de saúde serão abandonados, os serviços do SUS ficarão ainda mais sobrecarregados e o mesmo fenômeno ocorrerá com o ensino particular.

SURREALISMO PURO – Diante desse quadro dantesco, será surrealista e revoltante que o Estado continue a remunerar generosamente as elites dos três podres Poderes, beneficiando-as com salários de Primeiro Mundo e extravagantes penduricalhos, com os auxílios moradia, alimentação, creche, educação, paletó, carros oficiais, combustível liberado, motoristas, planos de saúde extensivos a filhos até 33 anos, cartão corporativo, jatinhos da FAB e o tradicional “sabe com quem você está falando?”.

O exemplo tem de partir do presidente da República, que foi eleito para consertar essa bagunça institucional, mas faz olhar de paisagem, porque recebe duas aposentadorias como capitão reformado e ex-deputado, além do salário de presidente, e o total passa de R$ 70 mil, e ainda tem todas as despesas pagas e um cartão corporativo sem limites.

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P.S. 1 Na reforma da Previdência, essa desigualdade social deveria ter começado a ser discutida, mas o presidente preferiu deixar de fora a nomenklatura civil e militar, punindo apenas os servidores subalternos. Agora, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) enfim apresenta um projeto reduzindo salários, mas somente na fase da covid 19.   

P.S. 2 Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, surge uma pandemia para lembrar aos governantes que eles têm obrigação de serem justos. É para isso que são eleitos. Mas quem se interessa? (C.N.)

Generais já desistiram de aconselhar Bolsonaro, que ainda se julga “enviado de Deus”

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Cada vez mais isolado,  Jair Bolsonaro não aceita conselhos

Carlos Newton

O inglês John Donne (1572–1631) foi um dos mais interessantes, inquietantes e intrigantes pensadores da Idade Média. Na juventude, era muito animado e dedicava-se a poesias amorosas e sátiras, mas na maturidade tornou-se pastor anglicano. Passou então a escrever pensamentos e sermões religiosos, tendo vivido na pobreza por muitos anos, até a morte. De sua primorosa obra, pelo menos uma reflexão ficará para sempre na História da Humanidade, como marco de sua visão humanística.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti” – escreveu o genial Donne, em sua fase religiosa.

MOMENTO BOLSONAROLembrei esse pensamento de Donne ao ler uma oportuna análise de Tânia Monteiro e Felipe Frazão, no Estadão, sobre as dificuldades de entrosamento do presidente Jair Bolsonaro com os ministros do núcleo duro do governo, hoje formado por três generais e um major da PM do Distrito Federal, sem contar o porta-voz e o vice-presidente, que também são generais e habitam o Planalto.

O fato preocupante é que o presidente da República vive numa espécie de isolamento forçado, porque até mesmo os ministros-militares passaram a evitar conversas francas com o “capitão”.

Dizem os jornalistas do Estadão que, no manual de sobrevivência do poder, é risco máximo apontar exageros nas teorias de conspiração que entram no Palácio do Planalto. Por isso, todos se calaram quando o presidente começou a escrever, em conversas num grupo de WhatsApp, que a China tinha interesses na pandemia por razões comerciais.

FALTA UM AMIGO – Outro fato concreto é que ninguém tem coragem de falar abertamente com Bolsonaro, indicar deslizes em seu comportamento público e enxergar futuros problemas políticos.

Tânia Monteiro e Felipe Frazão explicam que “a dificuldade dos amigos em abrir o jogo com o presidente costuma esbarrar na questão da crença”, acrescentando que Bolsonaro já deixou claro que sua “missão divina” o protege da solidão comum dos governantes.

Realmente, desde o início do governo, Bolsonaro tem se definido como “um enviado de Deus”. E quem se considera assim não deve ter motivos para ouvir a opinião alheia, o que até explica o comportamento omisso dos generais do Planalto.

NÃO É UMA ILHA – Se tivesse mais discernimento, Bolsonaro saberia que nenhum homem é uma ilha, por mais capacitado e admirado que ele seja, como ensinava John Donne. Aliás, no caso dos líderes políticos, se não forem bem assessorados por conselheiros de altíssimo nível, nenhum governante jamais terá futuro grandioso.

É triste saber que os ministros-generais nem tentam mais aconselhar Bolsonaro. Não é preciso ser superdotado para constatar que, sem ter conselheiros que o auxiliem, o capitão Jair Bolsonaro não demonstra capacidade intelectual nem equilíbrio emocional para exercer o cargo de presidente da República, especialmente numa fase de crise como a do coronavírus.

Se Bolsonaro fizesse como o genial Ernest Hemingway e perguntasse por quem os sinos dobram, poderíamos fazer como John Donne e responder: “Eles dobram por ti”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO isolamento do presidente da República é o maior problema do país, bem mais grave do que o coronavírus, porque já se vislumbra solução para a pandemia, porém, quanto a Bolsonaro e os filhos, parecem mesmo ser um caso perdido. (C.N.)

Entenda por que a família Bolsonaro precisa aprender a respeitar o trabalho dos jornalistas

Resultado de imagem para bolsonaro e a imprensa chargesCarlos Newton

O maior erro da família Bolsonaro é julgar que as redes sociais já se tornaram mais importantes do que a imprensa tradicional, que estaria destinada à extinção. Diversas vezes o próprio Bolsonaro já fez afirmações nesse sentido aos jornalistas que aguardam suas performances diárias diante dos fanáticos que se aglomeram na portaria do Palácio da Alvorada.

“A profissão de vocês vai acabar”, diz o presidente da República, ao repetir antigas previsões que jamais se concretizaram, e são feitas sempre que surgem novidades na área da mídia, que desde seu surgimento com os arautos dos reis vem incorporando novas tecnologias, para que o serviço básico – a informação – seja cada vez acessível.

COMEÇOU COM GUTENBERG -Depois que o alemão Johannes Gutenberg criou no Século XV a tipologia, invenção que possibilitaria o surgimento de jornais, revistas e livros, causando desemprego de copistas, a imprensa floresceu embelezada pelas fotografias, cuja técnica era desenvolvida simultaneamente em vários países, mas a primeira foto conhecida foi exibida em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce.

Pouco depois, em 1844, o norte-americano Samuel Morse criou o telégrafo com fio e levou à informação à distância, inclusive com cabos submarinos, mudando os rumos da comunicação.

Em seguida, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumiére criaram o cinema em 1895 e depois a foto colorida. Com a popularização do cinema mudo e falado, logo apareceu que dissesse que o teatro ia se acabar…

NAS ONDAS DO RÁDIO – Simultaneamente, o italiano Guglielmo Marconi inventou a telegrafia sem fio e fez a informação cruzar o Canal da Mancha em 1899, e ninguém sabia que dali logo se derivaria o rádio, que até o advento do celular era o mais popular meio de comunicação.

Naquela época, com as rádios fornecendo informações de graça e em tempo real, disseram que a imprensa ia se exaurir, mas a profecia era uma bobagem.

Mais adiante, em 1918, o escocês John Logie Baird começou a transmitir imagens e surgiu o milagre da televisão, repetindo-se as velhas profecias de que o teatro iria se acabar…

NA ERA DIGITAL – E agora, no novo milênio, a internet traz a informação em tempo real, com textos, fotos, filmagens e tudo mais, e logo surgem as velhas visões apocalípticas de que desta vez a grande mídia não vai conseguir escapar.

Deslumbrada com o sucesso das redes sociais nas eleições, a família Bolsonaro embarcou nessa canoa furada e abriu uma guerra contra a imprensa, com apoio de milhões de fanáticos que também acreditam nessa bobajada.

Acontece que não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, surgiu do nada a primeira pandemia deste milênio, assustando para valer a população mundial, que literalmente está se vendo pela famosa hora da morte.

ONDE SE INFORMAR? – E onde as pessoas foram buscar as informações sobre o coronavírus? Nas redes sociais? Ora, ora, isso “non ecziste”, diria padre Quevedo, enfrentando as bruxas da comunicação. As redes sociais são coisas de amadores. Nos momentos cruciais, é preciso consultar os profissionais, que mantêm na grande mídia o comando das informações concretas e confiáveis.

Pouca gente entende que a imprensa é como a medicina e sempre funcionará como uma espécie de “clínica geral” da sociedade, apontando seus males e tratamentos.

É sabido que não se deve falar mal dos médicos, porque a qualquer momento você pode precisar deles. Da mesma forma, é bom respeitar os jornalistas, porque a gente continua precisando desesperadamente deles.

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P.S.A grande diferença entre o noticiário da grande mídia e as informações que circulam nas redes sociais são as chamadas fakes news. É impressionante a irresponsabilidade desses falsos jornalistas, que inundam a internet com bobagens e asneiras. O jornalismo precisa ser respeitado. Pense sobre isso. (C.N.)

Jair Bolsonaro está preocupado em evitar uma crise econômica que já aconteceu

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No meio da crise, Paulo Guedes parece completamente perdido

Carlos Newton

As ideologias estão mortas? Claro que não, embora não se possa continuar discutindo como se estivéssemos nos tempos de David Ricardo, Karl Marx, Friedrich Engels, Adam Smith ou Edmund Burke. Precisamos avançar, até nos defrontar com pensadores mais modernos, como John Maynard Keynes, Paul Samuelson, Kenneth Galbraith e Thomas Piketty, entre tantos outros. Pois a questão mais importante no mundo contemporâneo não é o debate político, mas a discussão essencialmente econômica.

As ideias de Mark e Engels foram decisivas para o aperfeiçoamento do capitalismo, que se viu obrigado a assimilar importantes conquistas sociais, aprimorando a qualidade de vida dos trabalhadores, que na verdade somos todos nós, pois nesta vida todos trabalham, de uma forma ou outra, exceto os que sejam muito idosos ou totalmente deficientes físicos ou mentais, como a juventude “nem-nem”, dos que nem trabalham nem estudam, ficam encostados na família.

EFEITO CORONAVÍRUS – Não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, o mundo inteiro deu uma meia trava, para enfrentar uma nova pandemia, exatamente 100 anos depois de ter se livrado da devastadora gripe espanhola.

Enquanto os governos lutam contra o novo vírus, cada um a seu jeito, é preciso discutir economia, para descobrir como superar a terrível crise econômica que se abate sobre praticamente todos os países, em consequência do problema sanitário.

Há um século atrás, quando a população mundial era sete vezes menor, a devastadora gripe espanhola contaminou cerca de 30% e matou 5% dos habitantes da nossa Mãe Terra, que tanto tem sofrido nas mãos de seus filhos.

MERA COINCIDÊNCIA – Além do novo coronavírus, a China recentemente deu origem aos surtos de gripe aviária e de SARS, doenças que se relacionam com vírus que acometem animais e foram transmitidas a seres humanos. Hoje, o cenário é muito mais grave do que a epidemia de SARS em 2003, mas só teve cerca de mil vítimas fatais.

As causas prováveis são o gosto chinês pela compra de animais vivos para alimentação, o que facilita a contaminação por esse tipo de vírus. Dizem que o coronavírus surgiu no imundo mercado de animais vivos em Wuhan. Mas há os que culpam também o fato de a China ter se tornado o país mais poluído do mundo, devido à importação das obsoletas fábricas multinacionais que tinham sido proibidas em seus países de origem.

Para se ter uma ideia, o governo afirma que a cada ano morrem 400 mil chineses, vítimas de poluição. É muito pouco. Convém multiplicar esse número por vinte, pelo menos. Na verdade, seriam 8 milhões de mortos/ano, mas quem se interessa? No interior da China, a maior causa é intoxicação pelo uso de carvão para aquecer as casas no inverno; nas cidades, doenças respiratórias.

O CASO DO BRASIL – Para nós, realmente, o que importa é resolver o problema do Brasil, cuja economia está soçobrando. Não dá para manter o povo fora das ruas por muito tempo, milhares e milhares de empresas vão falir, o desemprego vai para as alturas, muitas famílias vão passar sacrifícios terríveis, caso o governo não estenda sobre os desassistidos o braço amigo do Estado, pois desta vez a “mão invisível do mercado” de Adam Smith não conseguirá assisti-los, podem perguntar até mesmo a esses tolos economistas de Chicago.

É melhor ouvir Armínio Fraga e André Lara Resende, que defendem a intervenção estatal preconizada por John Maynard Keynes, que é indubitavelmente o grande inovador do capitalismo moderno.

Lembrem que a tese keynesiana de que nenhum país consegue se desenvolver ser ter um Estado forte continua de pé, inexpugnável, quase um século depois, e jamais houve uma só exceção.

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P.S.
Bolsonaro está desesperado em evitar a derrocada da economia, sem perceber que isso já aconteceu, Seria interessante que o ministro Paulo Guedes encarasse Keynes com menos preconceito e se livrasse das bobajadas da Escola de Chicago. Se agir assim, poderá enfrentar a crise com menos desespero.  O problema é a exacerbada vaidade de Guedes, que está visivelmente perdido no meio da confusão e não sabe o que fazer. Amanhã, voltaremos ao assunto, com mais detalhes. (C.N.)  

Coronavírus vai salvar Paulo Guedes do fracasso do neoliberalismo à brasileira

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Guedes, o ilusionista, agora tem uma boa desculpa para tudo

Carlos Newton

Sempre que publicamos aqui na Tribuna da Internet algum artigo ou entrevista de Delfim Netto, logo surgem aqueles comentários infantis sobre o caráter do veterano economista, as propinas que recebeu ou teria recebido na sua passagem pela Embaixada da França, quando foi denunciado em 1976 pelo adido militar, coronel Raymundo Saraiva Martins, que fez um relatório contra o embaixador e teve sua carreira interrompida, não chegou a general.

Esses críticos irascíveis de Delfim Neto deveriam ler essas matérias, ao invés de desprezá-las, porque tudo o que ele diz é sempre importante.

NA ERA DA CONSTITUINTE –Durante a Constituinte de 87/88, Delfim tinha sido eleito por São Paulo e se tornou um dos meus entrevistados favoritos, junto com o consultor da República Saulo Ramos, os senadores Mário Covas e Roberto Campos, e os deputados Bernardo Cabral (relator), José Serra, Francisco Dornelles e Miguel Arraes, sem falar no Dr. Ulysses Guimarães, que presidia simultaneamente a Câmara, a Constituinte e o PMDB. Bons tempos, eu era feliz e não sabia…

Saulo Ramos, Bernardo Cabral e Ulysses Guimarães eram grandes constitucionalistas. Com os demais eu conversava sobre os temas econômicos. Fiquei amigo mesmo de Saulo Ramos, realmente genial. Eu ia quase todo dia visitá-lo na Consultoria-Geral da República, e depois nos reencontrávamos  no happy hour do restaurante Fiorentino.

SEMPRE BEM-HUMORADO – Eu também ia muito ao gabinete de Delfim Netto, que desde os tempos de ministro era assessorado pelo jornalista Gustavo Silveira. Ao contrário de Roberto Campos, Delfim estava sempre bem humorado. Nenhum dos dois ostentava riqueza. Na era do predomínio do Opala e do Corcel Del Rey, Delfim ainda andava num Galaxie antigo, muito rodado, que lhe lembrava os áureos tempos de ministro.

Cheguei a ir ao apartamento de Roberto Campos em Brasília, às vésperas da votação da reserva de mercado para a informática, que ele defendia, e eu tinha sido contratado para escrever o discurso a favor dos industriais brasileiros. Mas isso já é outro assunto.

ECONOMISTAS GENIAIS – Sempre considerei Delfim Netto e Roberto Campos como economistas geniais. Quando perguntei a Delfim sobre o neoliberalismo e o laisser-faire, ele deu uma gargalhada. Roberto Campos também achava inviável crescimento sem um Estado forte, que possa fazer intervenções keynesianas.

Três décadas depois, vejo o Brasil comandado por um economista laisser-faire, que tenta transformar o Brasil num Chile que não deu certo. Jamais me incomodei com o fato de Delfim e Campos serem de direita. O fato concreto é que eles foram responsáveis pelo milagre brasileiros com o PIB crescendo média de 11% entre 1968 e 1973. O Brasil era o país que mais crescia no mundo.

Infelizmente, Roberto Campos já pediu as contas, mas continuo lendo tudo o que Delfim Netto diz. Ele adverte que Guedes não deveria ser isento do limite de despesas públicas e eu também acho que isso não vai dar certo. “Derrubar o teto de gastos não é a salvação nacional”, afirma Delfim. Realmente, precisamos pensar sobre isso.

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P.S. 1 –
O coronavírus vai salvar do fracasso o neoliberalismo à brasileira inventado por Paulo Guedes. A partir de agora, todos os problemas econômicos e sociais serão atribuídos à pandemia.

P.S.  2 –Se você chegar em qualquer país desenvolvido e defender o neoliberalismo, vão achar que você está de brincadeira. Mas Guedes já mostrou que não tem medo do ridículo. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Prazo de validade de Lula está vencido e o de Bolsonaro já está perto de se esgotar

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Charge do Aroeira (Jornal O Dia / RJ)

Carlos Newton

Já comentamos aqui na Tribuna da Internet que Jair Bolsonaro é um paciente cujos atos nem mesmo Sigmund Freud conseguiria explicar, mesmo se tivesse ajuda de outros grandes nomes da Psicanálise e da Psiquiatria, como Carl Jung, Jacques Lacan, Philippe Pinel e Nise da Silveira. Num dia ele aparece na TV dizendo que há pouco risco de contaminação do Brasil, dois dias depois aparece usando uma máscara de proteção. Parece brincadeira, mas não tem graça.

Com o coronavírus entrando pela porta principal do Planalto, as coisas pareciam ter mudado de figura, pois Bolsonaro  adotara uma postura mais  séria e condizente, apesar do ridículo da máscara cirúrgica, ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique, que tem dado entrevistas normalmente, de cara limpa, mas sempre com conteúdo adequado.

BOA JUSTIFICATIVA – Na vida tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo. A contaminação de Fábio Wajngarten (que  há meses já deveria ter sido  afastado do Planalto, devido ao claríssimo conflito de interesses), serviu de justificativa para Bolsonaro pedir o cancelamento das manifestações deste domingo, que saíam como um tiro pela culatra, porque a primeira reação dos parlamentares foi derrotar o governo em três votações seguidas, na Comissão Mista de Orçamento e no plenário da Câmara.a

Mas no último domingo, lá estava Bolsonaro no meio da rua, sem máscara, interagindo com mais de 270 pessoas, quando já se sabia que 12 companheiros de voo estão contaminados. 

Não foram realizadas manifestações massivas, mas ficou claro que os protestos foram contra um suposto “boicote” do Congresso e do Supremo às reformas pretendidas pelo governo, uma alegação que era e ainda é uma grotesca fake news, pois até agora a única reforma encaminhada ao Legislativo foi a previdenciária, que era muito ruim e foi aperfeiçoada e aprovada pelos parlamentares.

MAIS UMA  MANCADA – O fato é que Bolsonaro adora os holofotes da imprensa, procura por eles, raramente se contém e sempre acaba dando alguma declaração inconveniente. Por exemplo: ao pedir o adiamento das manifestações, ao invés de procurar reduzir o enfrentamento e possibilitar um novo acordo com o Congresso, ele fez o contrário, dizendo que a simples movimentação para os atos públicos já tinha dado um “tremendo recado para o Parlamento”.

Ainda não satisfeito, no próprio domingo voltou a provocar os dirigentes do Congresso, ao desafiar Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre a “sair às ruas.

DEMONIZAÇÃO – É óbvio que o objetivo de Bolsonaro é enaltecer seu governo e demonizar os outros poderes da República, e isso já foi até alcançado. Parte considerável da população já estaria convencida de que Congresso e Supremo querem boicotar os programas de recuperação da economia que o governo ainda nem redigiu em fase final.

O texto da reforma administrativa foi concluído por Paulo Guedes no dia 27 de fevereiro. Mas o presidente e os ministros generais  acharam tão ruim que até hoje estão sentados em cima, sem coragem de enviar a proposta ao Congresso – esta é a realidade, distorcida e falseada pelas fake news do Planalto e agora encoberta pelo coronavírus.

PACOTE ANTICRIME – Quem saiu prejudicado no Congresso e no Supremo foi o pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro. Acabou sendo esvaziado pelos parlamentares, que aprovaram uma legislação às avessas, a favor do crime, denominada Lei do Abuso de Autoridade, para imobilizar juízes, delegados e procuradores da Lava Jato etc. E Bolsonaro não disse uma palavra a respeito, fez olhar de paisagem, porque ele próprio e os filhos são beneficiados pela manutenção da impunidade.

Da mesma forma, o Supremo também esvaziou o Pacote Anticrime, ao mudar a jurisprudência sobre segunda instância, soltar Lula e Dirceu, e depois remeter para a Justiça Federal os crimes cometidos por parlamentares com uso de dinheiro em Caixa 2. E o presidente, mais uma vez não deu uma palavra e voltou a fazer olhar de paisagem.

Agora o coronavírus encobre essa disputa institucional, porque outro valor mais alto se alevanta, como dizia Camões, mas debaixo das cobertas dos hospitais improvisados a crise política, econômica e social se agiganta. 

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P.S. 1
Bolsonaro plagia Lula descaradamente, ao culpar a Imprensa pelos erros do governo e ao se dizer perseguido político (ele e os filhos). Assim como Lula, o atual presidente também não sabe direito quem foi Abraham Lincoln. Até agora Lula e Bolsonaro conseguiram enganar muita gente. Mas não será possível enganar a todos, durante o tempo inteiro. O prazo de validade de Lula terminou, não mais enganará os eleitores. E o prazo de Bolsonaro já está quase vencido. (C.N.)

Portaria de Moro e Mandetta impõe prisão a quem agir como Bolsonaro fez no domingo

Resultado de imagem para moro e mandettaCarlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro queixa-se de estar sendo isolado pelos Poderes Legislativo e Judiciário, que a seu ver estariam tramando um golpe contra ele. O que na verdade vem acontecendo é que a ameaça do coronavírus é tão grave que os responsáveis pelo combate à pandemia decidiram trabalhar à revelia do presidente da República, sob a justificativa de que Bolsonaro, além de não colaborar, na verdade está atrapalhando a ação do governo.

Enquadra-se nessa insólita situação a reunião ocorrida nesta segunda-feira, dia 16, entre os presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Acolumbre, e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, para tratar do coronavirus. Adiantava alguma coisa ter convidado Bolsonaro, que está em isolamento?

PORTARIA CONJUNTA – Mas o pior viria a ocorrer na terça-feira, dia 17, com a portaria conjunta, assinada pelos ministros da Justiça e Segurança Pública e da Saúde, Sérgio Moro e Henrique Mandetta, que estabelece o caráter compulsório do cumprimento das medidas de combate ao coronavírus (Covid-19) e a responsabilização por seu descumprimento.

Isso significa que qualquer autoridade ou funcionário público que proceder como Bolsonaro fez neste domingo está sujeito a ser punido ou até preso.

As medidas que se tornam compulsórias estão definidas no art. 3º da Lei 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que se baseia nos crimes de ‘desobediência a ordem legal de funcionário público’ e ‘infração de determinação do poder público’.

MEDIDAS COMPULSÓRIAS – Segundo a portaria interministerial, as medidas que se tornam compulsórias precisam ser solicitadas pelo Ministério da Saúde ou por gestores locais da saúde e devem ser notificadas à pessoa previamente. São elas: isolamento; quarentena; realização de exames; restrição excepcional e temporária de entrada e saída do país; exumação de corpos; requisição de bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, com pagamento posterior de indenização.

No caso de Bolsonaro, ele está submetido a isolamento por ter participado da viagem a Miami, que já tem 15 contaminados, entre membros da comitiva presidencial e da equipe de bordo.

RESPONSABILIZAÇÃO – “O descumprimento das medidas acarretará a responsabilização civil, administrativa e penal dos agentes infratores”, estabelece o ato dos ministros, acrescentando que em caso de servidor público que concorrer para o descumprimento das determinações, caberá também punição administrativa disciplinar.

A portaria prevê detenção de 15 dias a 2 anos em caso de descumprimento da quarentena. O documento cita dois dispositivos do Código Penal para justificar a prisão: o artigo 268, que trata da “infração de determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”, e o artigo 330, que define a “desobediência a ordem legal de funcionário público”.

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P.S. –
No caso de Bolsanaro, principal servidor público do país, ele simplesmente descumpriu a ordem de permanecer em isolamento durante 14 dias, que foi uma determinação dos médicos da Presidência, que também são servidores públicos e não podem ser desobedecidos em situação de tamanha gravidade. Mas Bolsonaro não está nem aí para a lei a ordem e já avisou que vai dar duas festas no Alvorada, nos aniversários dele e da mulher, dias 21 e 22. Como se vê, trata-se de um caso perdido. Bolsonaro é um irresponsável que não avalia seus atos. (C.N.)

Bolsonaro devia seguir o conselho de Bebianno e arranjar tratamento para o filho Carlos

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Bolsonaro tenta desconhecer a doença de seu filho Carlos

Carlos Newton

O advogado Gustavo Bebianno não era um pessoa qualquer. Receber a faixa preta da Academia Gracie, ter oportunidade de conviver com essa família muito especial, que impõe a seu entorno os valores da ética, da moral, da coragem e da disciplina, a ponto de se tornar sócio de um dos filhos do patriarca Helio Gracie, realmente isso não é para qualquer um.

Seu melhor amigo, o empresário Paulo Marinho, disse que Bebianno morreu de tristeza, e essas coisas realmente acontecem. Lembro de Carlos Drummond de Andrade, ao perder a filha Julieta, sua maior poesia. Doze dias depois, ele era sepultado junto a ela, no mesmo jazigo, e isso não foi mera coincidência.

GRIFE GRACIE – A carta a Bolsonaro traz a grife do clã Gracie, escrita com tanta nobreza e altivez que nem se refere à maneira torpe como foi excluído do governo, acusado de um crime que não cometeu (as candidatas laranjas de Minas Gerais), enquanto o verdadeiro culpado continua protegido pelo foro privilegiado de ministro do Turismo e Cultura.

A carta é de um homem religioso, iniciado em Espiritismo, que se limita a apontar a Bolsonaro os caminhos para recuperar o equilíbrio espiritual, pois Bebianno relata que o presidente está obsidiado pelo filho Carlos, que abandonou a Câmara do Rio e hoje vive em Brasília, perturbando o governo com suas redes sociais.

O texto mostra que Bolsonaro reluta em internar o filho para recuperação. E Bebianno sugere que essa omissão do presidente, que também toma medicamentos psiquiátricos, é causada por sentimento de culpa, por ter emancipado Carlos aos 17 anos, para lançá-lo candidato a vereador em 2000 e evitar a reeleição da própria mãe, Rosângela Bolsonaro, que era vereadora desde 1992 e tinha sido abandonada pelo marido, que não admitia que ela continuasse a usar o sobrenome na política.

FAMÍLIA POUCO FAMÍLIA – Antes de emancipar Carlos, Bolsonaro tentara convencer Flávio, porém o filho mais velho não aceitou trair a própria mãe e preferiu se candidatar depois a deputado estadual, usando o sobrenome do pai. Sobre esses fatos, Nélson Rodrigues diria que se trata de um plágio de “Família Pouco Família”, do dramaturgo Gerald Savory. Aliás, o patriarca Bolsonaro já está na terceira mulher e se proclama “defensor da Família”.

Carlos aprendeu a ser assim com o senhor. Foi o senhor que o ensinou, desde pequeno, a viver em confronto. Vide o que assumiu contra a própria mãe, ainda quando jovem. Essas experiências deixam marcas, Capitão. A mente humana é muito profunda e complicada. É bom estar preparado para confrontos. Viver em permanente estado de beligerância nubla a mente e a existência”, diz Bebianno na carta póstuma, assinalando:

“Ainda que o senhor bata a cabeça, tome remédios, se encha de raivas criadas por fantasias exóticas e curiosas, o FATO, a VERDADE, continuará lá no fundo da SUA consciência, impressa na SUA alma”.

TRATAR O FILHOA mensagem de Bebianno é clara. Diz que, por não levar o filho a tratamento, Bolsonaro “se mantém preso, mantém o seu filho preso, e gera um rastro terrível de destruição à sua volta. O senhor destrói os seus principais amigos e aliados. O senhor se torna uma pessoa injusta com os outros. Além disso, alimenta e incentiva o comportamento viciado do filho, impedindo-o de se libertar do ódio”.

Em seguida, Bebianno diz ter certeza de que, daqui a pouco tempo, o problema envolverá outra pessoa, e depois outra, e depois mais outra, num rastro interminável de ódio e destruição.

“Leia a Bíblia e veja as consequências invariáveis decorrentes do ódio. O ódio é uma energia terrível e incontrolável que tudo destrói. O ódio abre o canal de sintonia com o que há de pior no mundo espiritual”, recomenda Bebianno.

CICLO DE ÓDIO – “O senhor precisa romper esse ciclo de ódio. Do fundo do seu coração, do fundo da sua alma, com toda a sua força. O senhor é um homem bom, justo, permita que isso venha à tona. Quebre os padrões negativos. Só o AMOR pode fazer isso. Só o amor tem o poder de salvar o Brasil e livrá-lo das influências negativas que o prejudicam”, acentua o ex-ministro Gustavo Bebianno, que era pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB.

Conforme eu disse no início, trata-se da manifestação de um homem de respeito, que diz a verdade sem meias palavras e sem ofender. Em toda a longa mensagem, não há uma só ofensa a Bolsonaro.

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P.S. –
Talvez a razão esteja com o ex-ministro Miguel Reale Júnior, ao defender a tese de que Bolsonaro precisa ser examinado por uma junta médica. (C.N.)

Instituições da sociedade civil defendem democracia e pedem respeito à Constituição

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Em comunicado à nação, os dirigentes de quatro importantes instituições da sociedade civil (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa e Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns) pedem que se garanta “equilíbrio entre os Poderes da República, considerados, especialmente, o papel institucional do Poder Executivo, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, sem os quais a democracia mergulhará na escuridão e se pagará um preço ainda mais alto. Os Poderes exercem funções diferentes, mas nenhum é maior que outro. Sem eles, não há democracia”.

A mensagem é assinada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB; Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, José Carlos Dias, presidente da Comissão Arns, e Paulo Jeronimo de Souza, presidente da ABI.

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EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Constitui objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, entre outros, “construir uma sociedade livre, justa e solidária, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Isto está escrito com todas as letras na nossa Constituição Federal de 1988 e é aspiração do povo brasileiro. É preciso reafirmar, no momento atual do país, com todas as nossas forças, que a democracia é o único regime político capaz de implementar a sociedade prevista na Carta Cidadã.

A democracia, considerados seus próprios limites, é um dom a ser desdobrado em valores e dinâmicas que garantam a participação, a liberdade e o incondicional respeito aos princípios de defesa da vida e da dignidade de toda pessoa humana. Por isso, é incontestável e merece defesa a democracia no Brasil, fruto sofrido e amadurecido da redemocratização inspirada na ação de destacados atores políticos, aos quais reverenciamos; entre eles, um povo que soube reconquistar a liberdade e os direitos confiscados.

Foi esse povo que também legitimou, por lutas sociais, os direitos cidadãos registrados na Carta Magna de 1988, comprometendo a todos na sua obediência irrestrita e práticas transformadoras, pelo dever cidadão da edificação de nossa sociedade sobre os alicerces da igualdade e da solidariedade, garantindo o tratamento de todos como iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

O Brasil, por seus Três Poderes, segmentos e cidadãos todos, no horizonte e nos parâmetros sacramentados pela Constituição Federal, sobre os alicerces do Estado democrático de Direito, não pode permitir o enfraquecimento de suas instituições democráticas de poder-serviço, garantindo equilíbrio entre os Poderes da República, considerados, especialmente, o papel institucional do Poder Executivo, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, sem os quais a democracia mergulhará na escuridão e se pagará um preço ainda mais alto. Os Poderes exercem funções diferentes, mas nenhum é maior que outro. Sem eles, não há democracia.

É necessário e urgente, por uma lúcida compreensão e práticas democráticas, neutralizar e vencer as ameaças a essas instituições, pela obrigação moral de todos de defendê-las e fortalecê-las. Não se pode, absolutamente, fomentar o risco de levar os brasileiros ao caos do enfraquecimento e até à destruição da nossa democracia.

É no Estado democrático de Direito que se vai avançar na urgente busca do indispensável equilíbrio para a sociedade brasileira, detentora de todos os recursos para a superação dos vergonhosos cenários de misérias, com tanta pobreza, corrupção, privilégios, milhões de desempregados, com situações de crises humanitárias, exigindo velocidade e lucidez em respostas novas na economia, na educação e na saúde; avançar por meio de posturas adequadas no tratamento do meio ambiente, já tão pressionado pelos interesses econômicos; e avançar no cuidado prioritário dos pobres e pela exemplaridade responsável no exercício da política.

Por isso, preocupados com os riscos do clima de afrontas e de fomento à intolerância, juntamos forças em nossas entidades para levar esta mensagem ao povo brasileiro.

Marcados pelo sentido da solidariedade, sintam-se todos convocados a gestos e compromissos com a vida, superando bravamente as crises humanitárias, efetivando ações que façam o conjunto da sociedade brasileira trilhar os caminhos da Justiça, com lógicas e dinâmicas novas, na verdade e pela paz!”

Bolsonaro pensa (?) que os militares querem mantê-lo no poder a qualquer custo

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Por ser militar, Bolsonaro acha que pode fazer o que bem entende

Carlos Newton

Nada como o dia seguinte às calamidades, que a genialidade de Hollywood celebrizou com a grife “Day After”. No caso das badaladas manifestações do dia 15, elas acabaram não acontecendo e os jornalistas não tiverem condições de analisar o dia seguinte, que sempre define importantes rumos. Se os atos públicos tivessem acontecido, a meu ver seriam sucesso, por representarem um protesto contra tudo, mas curiosamente não significariam apoio incondicional ao governo de Jair Bolsonaro.

Como todos sabem, Bolsonaro é um fenômeno decorrente da aversão acumulada contra o PT nos últimos anos, devido aos erros cometidos nos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff.

FRACASSO PETISTA – Oferecimento excessivo de crédito, para incentivar o consumo, somado à generosa isenção de impostos às grandes empresas e ao acúmulo de déficit público a partir de 2013, com elevação da dívida de forma irresponsável, tudo isso resultou no fracasso petista, no impeachment de Dilma Rousseff e na eleição de Jair Bolsonaro.

A posse do novo governo foi cercada de uma extraordinária esperança em novos tempos de redenção econômica, com o sepultamento do projeto da primeira república sindicalista do mundo, que Michel Temer fez a gentileza de detonar em sua gestão.

No caso de Bolsonaro, com um ano e quase três meses de governo, o que se vê um presidente já em campanha para a reeleição, deixando o governo nas mãos de Paulo Guedes, que não tem realizações a apresentar. A própria reforma da Previdência, da qual o ministro tanto se orgulha, teve de ser aprimorada pelo Congresso, e a ansiada reforma administrativa, entregue por Guedes a Bolsonaro em 27 de fevereiro, está tão ruim que o presidente ainda não teve coragem de encaminhá-la ao Legislativo.

DUPLO FANATISMO – Nesse clima eternamente eleitoral, os fanáticos por Bolsonaro são muito ativos, mas devem compor apenas 25% da população, com Lula detendo outros 25% de também fanáticos. Sobram 50% de brasileiros perplexos, que não sabem em quem acreditar.

A atuação econômica de Guedes é um fracasso, porque no governo Michel Temer o ministro Henrique Meirelles pegou o Brasil numa baita recessão (– 3,5% em 2015 e – 3,,3% em 2016), passando para 1,3% positivos em 2017 e mais uma vez 1,3% positivos em 2018. E o ministro Paulo Guedes, com toda a pirotecnia, boom da Bolsa e tudo o mais, caiu o PIB para 1,1% positivos.

Tanto Bolsonaro quanto Lula têm vocações autoritárias. O líder petista está neutralizado, porque é ficha suja e não pode ser candidato em 2022, terá de lançar um de seus postes, que estão em flagrante escassez. E Bolsonaro é candidato desde sempre e até abdicou de governar, para se dedicar inteiramente à reeleição.

SALVADOR DA PÁTRIA? – Bolsonaro, ao invés de governar, quer se aclamado como salvador da Pátria, mas não é tão simples assim. Ninguém salva a Pátria sem expansão da economia, do emprego e da distribuição de renda. Foi por isso que o marqueteiro James Carville, que trabalhava para Bill Clinton, inventou a expressão “é a economia, estúpido”, que ficará para sempre na História da Política.

Bolsonaro hostiliza a Imprensa diariamente, o que é uma espécie de suicídio político, e pretende que o Congresso e o Supremo sejam submissos a ele. É claro que isso jamais irá acontecer, porque são dois Poderes independentes.

Mas Bolsonaro se julga o máximo. Ao pedir o adiamento das manifestações do dia 15, ao invés de reduzir o enfrentamento e facilitar um novo acordo com o Congresso, ele fez o contrário, dizendo que a simples movimentação para os atos públicos já tinha dado um “tremendo recado para o Parlamento”.

“REGRA DE OURO” – Em sua embriaguez de poder, Bolsonaro esquece que precisará desesperadamente do Congresso para não cair na armadilha de Dilma e cometer pedaladas e maquiagens fiscais, que configuram crime de responsabilidade e possibilidade de impeachment. Este ano, a equipe econômica já sabe que será descumprida a chamada “regra de ouro” e Bolsonaro precisará da aprovação do Congresso para não sofrer impeachment.

Bolsonaro não liga para nada, não está nem aí, acha que no final do ano bastará convocar o povo para defendê-lo do descumprimento da lei. Procede assim, porque pensa (?) que os militares vão bancar sua presepadas e entronizá-lo no poder com novo AI-5, como seu filho Eduardo preconiza.

Mas não é assim que a banda toca.

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P.S.
Os militares estão decepcionados com Bolsonaro. Agradecem o aumento salarial e os privilégios da Previdência, mas nada farão em favor dele. Sabem que podem confiar no vice-presidente Hamilton Mourão, que é muito mais qualificado do que Bolsonaro e sabe como tratar o Legislativo e o Judiciário, em busca da harmonia institucional que o país tanto necessita. (C.N.)

Elite dos três Poderes pode ficar tranquila, seus privilégios serão preservados pelo governo

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Charge do Lane (Arquivo Gloogle)

Carlos Newton

É constrangedor constatar que muitos brasileiros e brasileiras pretendiam sair às ruas neste domingo, para protestar contra os privilégios das nomenktaturas dos três Poderes, pensando que o governo pretende mesmo acabar com essa farra do boi , porém o Congresso e o Supremo estariam boicotando a iniciativa.

UMA ILUSÃO À TOA – Na verdade, esses bem-intencionados manifestantes estão iludidos em sua boa fé, porque em momento algum a equipe econômica demonstrou intenção de acabar com as regalias no serviço público.

Embora a eliminação desses privilégios seja considerado imprescindível para a recuperação da economia nacional, como demonstração de todos precisam dar sua cota de sacrifícios, o ministro Paulo Guedes se dedica a fazer cortes que só atingem os servidores de escalões baixo e médio, preferindo preservar as vantagens concedidas à elite do serviço público, após a Constituição de 1988, e que foram confirmadas pelo Supremo.

COISA MUITO ANTIGA– Esses privilégios não foram criados no passado recente. Pelo contrário, são características da vida nacional.  É bom lembrar que na Constituinte um dos objetivos dos parlamentares era acabar com os privilégios de algumas categorias, como os estivadores, que tinham aposentadorias e pensões altíssimas, muito superiores à remuneração do presidente da República, vejam se é possível uma maluquice dessas.

Justiça seja feita ao Dr. Ulysses Guimarães e aos constituintes. Eles tentaram acabar com essas distorções salariais e incluíram dois dispositivos muito claros na Constituição, para que houvesse limites salariais nos três Poderes. Um deles, o artigo 17 das Disposições Transitórias, é o instrumento que precisa ser recriado hoje. Seu texto é impecável e não deixa margem a dúvidas, porque impede que haja recursos ao chamado direito adquirido:

Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título.

RESPEITO AO TETO FEDERAL – Devido a esse dispositivo constitucional, os estivadores e outros privilegiados passaram a receber o teto federal (que hoje é de R$ 39.293,32). Mas aos poucos o Supremo foi abrindo as comportas, aceitando auxílios de toda sorte (bebê, educação, alimentação, moradia, paletó) e penduricalhos variados, além de carros oficiais com, combustível liberado, apartamentos e casa funcionais, planos de saúde e tudo o mais, esculhambando os tetos dos salários previsto na Constituição.

Aliás, antes da ditadura militar esse privilégios eram denunciados incansavelmente pelo então deputado Carlos Lacerda (UDN-DF), que inclusive criou a expressão “chapa-branca” para criticar a prática dos carros oficiais e outras regalias. Mais de 60 anos depois, nada mudou.

CARTÃO CORPORATIVO – A situação é tão nauseante que não se consegue acabar nem mesmo com o sigilo dos gastos com cartãocorporativo, uma espécie de cartão de credito sem limite que o então presidente Lula da Silva teve a ousadia de presentear à sua amante Rosemary Noronha.

O fato é que logo que assumiu o governo, em 2003, Lula criou um cargo elevadíssimo para nomear a segunda-dama, que então se tornou chefe do inexistente Gabinete da Presidência da República em São Paulo. No pacote, Rosemary Noronha, ex-secretária do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ganhou um escritório luxuoso, cartão corporativo, assessores, secretárias, motoristas e carro oficial com combustível liberado, além de um emprego federal muito bem remunerado para a filha, que ainda era estudante.

LUA-DE-MEL PERMANENTE – A amante Rosemary Noronha acompanhou Lula em mais de 30 viagens internacionais, com passaporte diplomático e cartão corporativo. O jornal O Globo entrou na Justiça para quebrar o sigilo do cartão da segunda-dama, que fazia altas compras no exterior, mas até hoje o Supremo não liberou.

Essas regalias, os penduricalhos salariais e as mordomais têm de acabar, mas não será neste governo, pois o primeiro a ser privilegiado é o próprio Jair Bolsonaro. Ele recebe R$ 30.934,70 como presidente, R$ 29.301,45 como aposentado da Câmara e algo em torno de R$ 12 mil como capitão reformado. Ou seja, mais de R$72 mensais, e não gasta um tostão, porque todas as suas despesas são pagas pela Presidência da República.

Esta é a realidade brasileira. Aqui do lado de baixo do Equador, privilégio é considerado direito adquirido.

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P.S.Sem entender o que está acontecendo, muitos brasileiros e brasileiras iam sair às ruas neste domingo para defender as reformas, pensando que o governo pretende cortar os privilégios e regalias da nomenklatura dos três Poderes, mas isso “non eczistirá”, porque a equipe econômica ainda não fez nem fará nenhum projeto com esse objetivo. A proposta que já foi enviada ao Congresso permite reduzir até 25% da jornada de trabalho e do salário do servidor, mas as elites estão poupadas. Aliás, nem mesmo o sigilo dos cartões corporativos será quebrado, acredite se quiser. (C.N.)