“De hoje não passa”, diz o vice Mourão sobre definição do caso Bebianno

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Mourão não está participando das negociações sobre o caso

Roniara Castilhos e Guilherme Mazui
TV Globo e G1

O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (dia 18) no Palácio do Planalto que uma definição do caso do ministro Gustavo Bebianno “de hoje não passa”. O vice-presidente afirmou ainda que ‘acha’ que ministro da Secretaria-Geral da Presidência vai ser exonerado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Quanta indecisão para demitir o ministro… Conforme já afirmamos aqui na TI, se Bebianno fosse realmente corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. Mas ficam dizendo que a demora é porque ele sabe todos os podres do governo… Ora, esse governo nem começou e já teria tantos podres assim? Claro que não. A demora significa consciência e falta de segurança para tomar a decisão injusta, apenas isso. Quanto à Mourão, está sendo escanteado por Bolsonaro, que o mantém na geladeira, por motivos óbvios. (C.N.)

 

Orçamento de 2019 indica que o rombo está na dívida pública e não na Previdência

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Charge do Cicero (ciceroart.blogspot.com)

Maria Lucia Fattorelli e Rodrigo Ávila
Monitor Mercantil

O novo governo acabou de sancionar o Orçamento Federal para 2019, no montante de R$ 3,262 trilhões. Dentre as despesas, sobressai o gasto financeiro com a chamada dívida pública, que consumirá quase 44% de todo o orçamento, ou seja, R$ 1,425 trilhão!

O gasto com servidores públicos – ativos e aposentados – consumirá R$ 350,4 bilhões, evidenciando que não são os servidores ou os aposentados do serviço público que estariam pesando nas contas públicas. As despesas com a Previdência Social (INSS) estão previstas para R$ 625 bilhões, bem menos da metade do que será gasto com a dívida.

SEM INVESTIMENTOS –  O valor destinado a investimentos efetivos é insignificante para um país do porte do Brasil e com tantas necessidades: apenas R$ 36 bilhões.

Portanto, o rombo das contas públicas está claramente localizado nos gastos financeiros com a chamada dívida pública – que nunca foi auditada, como manda a Constituição – e não nas despesas com pessoal ou Previdência. Além disso, diversas receitas da Previdência estão sendo omitidas, o que transformaria o déficit em superávit.

O governo anunciou ainda a existência de um “déficit primário” de R$ 139 bilhões no Orçamento 2019, ou seja, o montante de receitas primárias estaria inferior às despesas primárias, o que justificaria a necessidade de cortar gastos com pessoal e Previdência… Entretanto, verificamos que diversas receitas estão sendo omitidas nesse cálculo primário.

RECEITAS OMITIDAS – Neste “déficit primário”, o governo está omitindo as seguintes receitas:

– Remuneração da Conta Única do Tesouro pelo BC: R$ 91,239 bilhões

– Resultado do Banco Central: R$ 26,365 bilhões

– Recebimento de juros e amortizações das dívidas dos estados e municípios com a União: R$ 22,498 bilhões.

Só essas três fontes já alcançam R$ 140 bilhões, ou seja, se fossem devidamente consideradas, haveria superávit, e não déficit.

COFRE DO GOVERNO – O elevado valor da remuneração da Conta Única mostra também que há um enorme estoque de recursos no cofre do governo – atualmente de R$ 1,25 trilhão, o que desmente completamente o discurso de que “o Estado está quebrado” e que “a reforma da previdência é urgente”.

Outra montanha de recursos, da ordem de R$ 1,2 trilhão, está esterilizada no Banco Central, nas “Operações Compromissadas”, gerando um rombo com a sua remuneração diária aos bancos que somou quase meio trilhão de 2014 a 2017.

Ainda que utilizássemos a metodologia do governo, isto é, a de “déficit primário”, o argumento por ele apresentado está completamente equivocado, pois tal “déficit” não decorre de um suposto exagero nos gastos sociais, mas sim da queda das receitas, em decorrência da crise provocada pela política monetária suicida do Banco Central, que afetou gravemente a economia brasileira, com queda de 7% no PIB em 2015 e 2016 e desemprego recorde.

DÍVIDA PÚBLICA – O gasto com a dívida no Orçamento/2019 compreende um gasto com “Amortizações da Dívida” de R$ 1,046 trilhão e um gasto com “Juros e Encargos da Dívida” de R$ 379 bilhões, somando R$ 1,425 trilhão!

Convidamos nossos leitores a refletir: se estivéssemos de fato “amortizando” a dívida, o seu estoque estaria reduzindo, certo? Como explicar, então, o fato de que o seu estoque tem se elevado exponencialmente?

A justificativa do governo para esse paradoxo – que se repete todo ano – tem sido a alegação de que parte desse valor seria mera “rolagem”, ou seja, substituição de títulos antigos, que estão vencendo, por novos títulos. Ora, mais uma reflexão: se estivesse ocorrendo apenas essa substituição, o estoque da dívida se manteria constante, certo? Mas na verdade o seu estoque continua aumentando, e de forma acelerada! É evidente que há algo errado aí.

FALSA AMORTIZAÇÃO – Na realidade, boa parte do valor indicado como “Amortização” corresponde a uma parcela dos juros nominais que estão sendo pagos mediante a emissão de novos títulos da dívida, embora o Art. 167, inciso III, proíba o pagamento de despesas correntes (dentre elas os juros) com recursos obtidos com a emissão de novos títulos.

Desde a CPI da Dívida Pública concluída na Câmara dos Deputados em 2010, foi enviada denúncia ao Ministério Público sobre a equivocada contabilização de grande parte dos juros como se fosse amortização, pelo simples fato de que a amortização é classificada como uma despesa de capital, burlando-se assim a norma constitucional.

Apesar desse grave problema ter sido detectado e denunciado desde 2010, até hoje nada foi feito sobre esse grave erro, que tem sobrecarregado as contas públicas de forma inconstitucional.

ERRO CONTÁBIL – A consequência desse erro contábil é a seguinte:

– Se faltam recursos para a Educação ou Saúde (despesa Corrente), por exemplo, resta comprometido o funcionamento de universidades, institutos federais, hospitais etc.; são interrompidos diversos projetos de pesquisa; fechados laboratórios e cancelados diversos programas nessas áreas, e a população fica prejudicada em seu direito constitucional;

– Se faltam recursos para o pagamento de juros (despesa Corrente), os rentistas não ficam prejudicados, pois estão sendo emitidos e vendidos novos títulos da dívida e, para driblar a proibição constitucional (Art. 167, III), grande parte dos juros é contabilizada como se fosse amortização.

A auditoria é a ferramenta hábil para revisar essa e outras ilegalidades que estão impedindo o desenvolvimento socioeconômico do nosso rico Brasil, por isso é urgente a sua realização, e com participação cidadã.

Há algo no ar!  Já passa das 13 horas e Bebianno ainda não foi demitido

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Se Bebianno fosse corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. O assunto começou a ser examinado às 7h30 da manhã, no Palácio da Alvorada, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro já está no Planalto desde as 9h30m. Já passa das 13 hotas, o editor da Tribuna está impaciente. Precisa sair para cumprir um compromisso, mas a curiosidade fala mais alto e é preciso aguardar a definição do presidente.

Manter Bebianno, como é propósito dos integrantes do núcleo duro do Planalto, seria uma medida justa e que demonstraria maturidade e equilíbrio. Confirmar a demissão será um desestímulo a todos aqueles que confiaram em Bolsonaro e querem ajudá-lo a fazer um bom governo.

“Se o presidente quisesse Carlos no Planalto, teria nomeado ele lá”, diz Mourão

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Mourão acha que Bolsonaro ainda vai conseguir conter os filhos

Andréia Sadi
G1 Política

Para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, se o presidente Jair Bolsonaro quisesse que o filho Carlos Bolsonaro atuasse no Palácio do Planalto, teria o nomeado para um cargo no governo. Carlos é vereador no Rio de Janeiro e, nesta semana, protagonizou uma crise com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Carlos Bebianno. O episódio desgastou a relação de Bebianno com o presidente e deve lhe custar o cargo.

“Eu acho que se o presidente quisesse o Carlos no Palácio do Planalto, ele teria nomeado ele lá”, afirmou Mourão.

VAI RESOLVER… – O vice disse ainda que Jair Bolsonaro vai saber resolver a questão da influência dos filhos no governo. Além de Carlos, Bolsonaro tem outros dois filhos na política: Eduardo (deputado federal) e Flávio (senador). “Acho que o presidente está dando um tempo para organizar isso aí”, disse Mourão.

Na sexta-feira (15), Carlos publicou numa rede social que apoia uma homenagem a Mourão que será feita pela Câmara de Vereadores do Rio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A família Bolsonaro é chegada a uma teoria conspiratória. O pais e os filhos veem inimigos por todo canto, acham que eles estão infiltrados no Planalto, é um horror. O próprio vice Mourão está sendo considerado “inimigo”, e por isso preferiram deixar o governo parado durante a recuperação de Bolsonaro no Hospital Albert Einstein, sem permitir que o vice assumisse por mais de dois dias. Parece brincadeira, mas é verdade. (C.N.)  

Se estava sendo falso, Bebianno é melhor ator que Tony Ramos, diz Janaina Paschoal

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Janaina diz que não há provas contra Bebiano na gestão do PSL

Deu no Estadão

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) declarou que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, não pode ser considerado automaticamente culpado por supostos desvios de recursos do Fundo Partidário para candidaturas laranjas do PSL. A parlamentar o classificou como uma “pessoa controversa”, mas afirmou que não adianta o governo “cortar cabeças” sem uma apuração.

Reforçando que não estava defendendo Bebianno, a deputada  afirmou que o ministro tinha “devoção” por Bolsonaro, mas ponderou: “Estaria ele sendo falso? Talvez. Mas digo, se estava, ele é melhor ator que Tony Ramos. E Tony Ramos é muito bom.”

FALTA O MOTIVO – “Até onde foi noticiado, as situações suspeitas ocorreram em Minas Gerais e em Pernambuco, Bebbiano é do Rio de Janeiro. Vejam, Bebbiano pode ou não ficar no governo, insisto que a situação não me compete. Mas se sair, que seja porque não o desejam por lá”, afirmou nas redes sociais”, acrescentando:

“O fato de Bebianno ter assinado a liberação do dinheiro, na condição de presidente do Partido, não o torna automaticamente culpado, pois ele era a pessoa competente para assinar a documentação. Temos que saber quem, eventualmente, ficou com o dinheiro”, escreveu.

OFERECIMENTO – Na sequência de mensagens na rede social, a deputada relatou ter sido procurada por Bebianno durante a campanha e recusado dinheiro do fundo. “Em meio a tantas acusações, eu fiquei pensando: se ele tinha um esquema de desvio, iria oferecer mandar dinheiro justo para mim? Iria insistir? Entendo que não”, escreveu.

Janaina classificou o ministro como “uma pessoa controversa” e que “muita gente não gosta dele”. “Eu mesma tenho minhas mágoas. Mas não acho justo usar uma denúncia que, a princípio, não o envolve, para vingar outras questões”, afirmou.

Bebianno diz que Bolsonaro está consciente de que a demissão é uma injustiça

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Bebianno insiste em que nada fez de errado na gestão do PSL

Lucas Valença
Correio Braziliense

Era um homem abatido. Gustavo Bebianno deixou, no começo da tarde de domingo, o hotel onde reside e se isolou desde o início da crise política para almoçar. Ele passou uma hora e meia com amigos próximos numa mesa do Tejo, restaurante de comida portuguesa na 404 Sul. Na saída, Bebianno relatou à reportagem que ainda tenta “equalizar” todo o processo que deverá resultar na sua exoneração do cargo. Cortês, tirou selfie com um eleitor e disse que não era hora de comentar o assunto.

Quais os próximos passos do senhor?
O tempo é o senhor da razão. Vou falar depois. Por ora, vou ficar quieto, acalmar minha cabeça. Quem sofre uma injustiça dessas não fica com a cabeça boa. Antes dos meus interesses, pode parecer clichê, mas não é, estavam os interesses do país. Trabalhei, fiz o que fiz por garra, não foi por emprego ou para ganhar dinheiro.

O senhor trabalhou nos últimos dois anos para eleger o presidente…
Não sou perfeito, mas (abaixa a cabeça)…

O senhor fez alguma coisa que tenha levado o presidente a optar pela sua saída?
Absolutamente nada. Zero.

Há uma injustiça?
100%. O presidente sabe.

Sabe?
Sabe, não é maluco.

Qual a posição do senhor em relação ao vereador Carlos Bolsonaro? Ele passou dos limites?
Vou falar depois que sair. Na hora certinha eu falo. Estou equalizando minha cabeça.

Bebianno nega ter dito que Bolsonaro é louco e se tornou um perigo para o país

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Bebiano deve concentrar seus ataques em Carlos Bolsonaro

Camila Turtelli e Anne Warth
Estadão

Magoado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, se sente traído e abandonado e não deve poupar o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, caso se concretize sua exoneração nesta segunda-feira, dia 18. A interlocutores, Bebianno tem deixado clara sua mágoa com a atitude do vereador do Rio de Janeiro que tentou lhe cunhar a pecha de mentiroso.

Em conversas, o ministro diz que o “ciúme exacerbado” que Carlos tem do pai foi posto acima do projeto de melhorar o País, ao qual ele se empenhou nos últimos anos, como coordenador e incentivador da campanha de Bolsonaro desde os primórdios.

CARTAS NA MANGA – Ao conquistar a empatia de Jair Bolsonaro, Bebianno virou automaticamente um alvo de Carlos, avaliam o ministro e seus interlocutores.

O ministro, por sua vez, enxerga no vereador uma pedra no sapato do presidente, e só se refere a Carlos com adjetivos que desqualificam sua capacidade intelectual. O ministro pode guardar cartas na manga com o potencial de expor Carlos, inclusive com consequências para o pai.

Pessoas próximas dizem que ele não terá receio em fazer isso. “Ele vai atirar”, aposta um interlocutor diário. Mas o alvo não é o presidente, embora a artilharia possa respingar nele.

DESMENTIDO – O ministro nega que tenha qualificado o presidente como “louco, um perigo para o Brasil”, como relata o colunista Lauro Jardim, no Globo. “Não, não disse isso”, afirmou Bebianno, quebrando o silêncio que se impôs neste domingo, 17, em conversa com o Estado.

Por enquanto, no entanto, Bebianno está se resguardando. Ele quer aguardar o desfecho oficial de seu papel no governo, com a publicação de sua saída no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira. “Preciso esfriar a cabeça”, disse Bebianno neste domingo a interlocutores.

Sem citar o ministro, o presidente Jair Bolsonaro publicou em sua conta do Twitter neste domingo, 17, que o governo está determinado a mudar os rumos do País. Essa foi a primeira declaração pública dele desde sexta-feira, quando começaram os rumores de que Bebianno seria exonerado nesta segunda-feira.

Bebianno sai do governo de cabeça erguida e Bolsonaro não sabe explicar a demissão

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Bolsonaro permite que os filhos tenham até “olheiro” no Planalto

Carlos Newton

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) está correta, ao indagar nas redes sociais qual a razão de o ministro Gustavo Bebiano estar sendo demitido? Ninguém sabe, até porque o presidente da República não se preocupou em dar à opinião pública uma explicação minimamente aceitável. O Planalto e a família Bolsonaro liberaram quatro versões diferentes, mas nenhuma delas se sustenta em fatos reais. Todas as tentativas de justificar a exoneração foram destruídas pelo chamado Princípio da Razoabilidade – a denominação que os juristas dão à lógica e ao bom senso.

Durante a campanha, da qual foi coordenador nacional, Bebianno era muito ligado aos filhos de Bolsonaro. Depois da posse, ele foi uma das vozes que defenderam que os filhos do presidente se afastassem dos assuntos do governo, e foi assim que seus problemas começaram.

OLHEIRO NO PLANALTO – Como secretário-geral da Presidência, cabia a Bebiano a responsabilidade pelo Planalto e ele era contra a presença de Léo Índio no palácio. Mesmo sem ter função no governo, o sobrinho de Bolsonaro tem crachá amarelo e circula livremente no terceiro e no quarto andar, onde funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo. Há restrições à entrada nesses andares, mas Léo Índio circula à vontade e até confere as agendas dos ministros.

Foi Léo Índio quem avisou a Carlos Bolsonaro que Bebianno iria receber o vice-presidente institucional da Rede Globo, que pedira audiência. A família Bolsonaro encarou isso como traição, embora não passasse de uma atribuição normal do ministro, que à contragosto teve de cancelar a reunião.

Depois, na terça-feira (12), o olheiro Léo Índio viu na agenda de Bebianno que ele iria ao Pará, para lançar o pacote de obras na Amazônia, e levaria jornalistas na equipe, junto com os ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). Furioso, Bolsonaro mandou cancelar a viagem e decidiu demitir o ministro, a pedido dos filhos, que estavam loucos para se livrar dele e queriam aproveitar as denúncias sobre candidatas laranjas no PSL, embora Bebianno não fosse responsável por isso.

PRIMEIRA VERSÃO – No dia seguinte, quarta-feira (13) Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro, que dissera ter conversado com o presidente sobre a crise do PSL, e começou a confusão. Bolsonaro apoiou o filho e convocou a reportagem da  TV Record, para dar a primeira versão, dizendo ter mandado a Polícia federal investigar o PSL, e adirmou que, se Bebianno fosse culpado, deveria “voltar às origens”.

Em sua ingenuidade, Bolsonaro e os filhos pensaram que Bebianno ia pedir demissão, mas isso não aconteceu. E os ministros militares do Planalto, junto com o vice Mourão e Onyx Lorenzoni, manifestaram-se a favor de Bebianno.

OUTRAS VERSÕES – Surgiram então as outras versões, vazadas pela família Bolsonaro. Uma delas alegava que o presidente ficara aborrecido porque Bebianno teria convidado a equipe de jornalistas a ir à Amazônia com ele. Mas essa justificativa era tão fraca que foi logo abandonada.

Foi também exibida a versão de que a causa seria a audiência que Bebianno aceitara dar ao vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, mas essa justificativa também foi sepultada, porque se trata de função inerente ao cargo do ministro, não havia irregularidade alguma.

A ÚLTIMA VERSÃO – Surgiu, então, a última versão, dando conta de que o chefe da Secretaria-Geral quebrara a relação de confiança com Bolsonaro “ao vazar áudios de diálogos entre os dois”.

Mas a versão era falsa. Bebianno não vazou nada a nenhum veículo de comunicação. Apenas mostrou as gravações a outros ministros, para provar que não havia mentido e realmente tinha conversado com o presidente pelo WahtsApp, na terça-feira.

Neste sábado, como não havia mais justificativa para atacar Bebianno, o filho Eduardo Bolsonaro entrou nas redes sociais para dizer que o ministro é “corrupto” e foi culpado pela “candidaturas laranjas”. Além disso, chamou de “jumento e “idiota” quem faz críticas a seu irmão Carlos, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. 1Eduardo  deu o fecho no festival de mentiras da família Bolsonaro e isso pegou muito mal no PSL  pois todos sabem que Bebianno não se envolveu em corrupção nem patrocinou candidaturas fantasmas, a responsabilidade era dos diretórios estaduais.

P.S. 2Como se constata, a falta de caráter é mal de família. E Bebiano definiu bem a questão, ao dizer que o capitão, para salvar a pele do filho, “deu um tiro na nuca do soldado que lhe era leal”. (C.N.)

O milho, os bichos da terra e os pássaros do céu, na poesia de Cora Coralina

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Site Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, como este “Poema do Milho”.

POEMA DO MILHO
Cora Coralina

Milho…
Punhado plantado nos quintais.
Talhões fechados pelas roças.
Entremeado nas lavouras,
Baliza marcante nas divisas.
Milho verde. Milho seco.
Bem granado, cor de ouro.
Alvo. Às vezes, vareia,
– espiga roxa, vermelha, salpintada.

Milho virado, maduro, onde o feijão enrama
Milho quebrado, debulhado
na festa das colheitas anuais.

Bandeira de milho levada para os montes,
largada pelas roças:
Bandeiras esquecidas na fartura.
Respiga descuidada
dos pássaros e dos bichos.

Milho empaiolado,
abastança tranquila
do rato,
do caruncho,
do cupim.

Palha de milho para o colchão.
Jogada pelos pastos.
Mascada pelo gado.
Trançada em fundos de cadeiras.

Queimada nas coivaras.
Leve mortalha de cigarros.
Balaio de milho trocado com o vizinho
no tempo da planta.
” – Não se planta, nos sítios, semente da mesma terra”.

Ventos rondando, redemoinhando.
Ventos de outubro.

Tempo mudado. Revôo de saúva.
Trovão surdo, tropeiro.
Na vazante do brejo, no lameiro,
o sapo-fole, o sapo-ferreiro, o sapo-cachorro.
Acauã de madrugada
marcando o tempo, chamando chuva.
Roça nova encoivarada,,
começo de brotação.
Roça velha destocada.
Palhada batida, riscada de arado.
Barrufo de chuva.
Cheiro de terra: cheiro de mato,
Terra molhada, Terra saroia.
Noite chuvada, relampeada.
Dia sombrio. Tempo mudado, dando sinais,
Observatório: lua virada. Lua pendida…
Circo amarelo, distanciado,
marcando chuva.
Calendário, Astronomia do lavrador.

Planta de milho na lua-nova.
Sistema velho colonial.
Planta de enxada.
Seis grãos na cova,
quatro na regra, dois de quebra.
Terra arrastada com o pé,
pisada, incalcada, mode os bichos.

Lanceado certo-cabo-da-enxada…
Vai, vem, …sobe, desce…
terra molhada, terra saroia…
– Seis grãos na cova; quatro na regra, dois de quebra.
Sobe. Desce…
Camisa de riscado, calça de mescla
Vai, vem…
golpeando a terra, o plantador.

Na sombra da moita,
na volta do toco – o ancorote d’água:
Cavador de milho, que está fazendo?
Há que milênios vem você plantando.
Capanga de grãos dourados a tiracolo.
Crente da Terra, Sacerdote da terra.
Pai da terra.
Filho da terra.
Ascendente da terra.
Descendente da terra.
Ele; mesmo; terra.

Planta com fé religiosa.
Planta sozinho, silencioso.
Cava e planta.
Gestos pretéritos, imemoriais…
Oferta remota; patriarcal.
Liturgia milenária.
Ritual de paz.

Em qualquer parte da Terra
um homem estará sempre plantando,
recriando a Vida.
Recomeçando o mundo.

Milho plantado, dormindo no chão, aconchegados
seis grãos na cova.
Quatro na regra, dois de quebra.
Vida inerte que a terra vai multiplicar.

E vem a perseguição:
o bichinho anônimo que espia, pressente.
A formiga-cortadeira – quenquém.
A ratinha do chão, exploradeira.
A rosca vigilante na rodilha,
O passo-preto vagabundo, galhofeiro,
vaiando, sorrindo…
aos gritos arrancando, mal aponta.
O cupim clandestino
roendo, minando,
só de ruindade.

E o milho realiza o milagre genético de nascer:
Germina. Vence os inimigos,
Aponta aos milhares.
– Seis grãos na cova.
– Quatro na regra, dois de quebra,
Um canudinho enrolado.
Amarelo-pálido,
frágil, dourado, se levanta.
Cria substância.
Passa a verde.
Liberta-se. Enraíza.
Abre folhas espaldeiradas.
Encorpa. Encana. Disciplina,
com os poderes de Deus.

Jesus e São João
desceram de noite na roça,
botaram a benção no milho.
E veio com eles
uma chuva maneira, criadeira, fininha,
uma chuva velhinha,
de cabelos brancos,
abençoando
a infância do milho.

O mato vem vindo junto.
Sementeira.

As pragas todas, conluiadas.
Carrapicho. Amargoso. Picão.
Marianinha. Caruru-de-espinho.
Pé-de-galinha. Colchão.
Alcança, não alcança.
Competição.
Pac…Pac…Pac…
a enxada canta.
Bota o mato abaixo.
Arrasta uma terrinha para o pé da planta.
“- Carpa bem feita vale por duas…”
quando pode. Quando não…sarobeia.
Chega terra. O milho avoa.

Cresce na vista dos olhos.
Aumenta de dia. Pula de noite.
Verde Entonado, disciplinado, sadio.

Agora…
A lagarta da folha,
lagarta rendeira…
Quem é que vê?
Faz a renda da folha no quieto da noite.
Dorme de dia no olho da planta.
Gorda. Barriguda. Cheia.
Expurgo: nada…força da lua…,
Chovendo acaba – a Deus querê.

” – O mio tá bonito…”.
” – Vai sê bão o tempo pras lavoras todas”.
” –  O mio tá marcando…”.
Condicionando o futuro:
” – O roçado de seu Féli tá qui fais gosto…
Um refrigério”.
” – O mio lá tá verde qui chega a s’tar azur…”.
Conversam vizinhos e compadres.

Milho crescendo, garfando,
esporando nas defesas…

Milho embandeirado.
Embalado pelo vento.

“Do chão ao pendão, 60 dias vão”.
Passou aguaceiro, pé-de-vento.
” – O milho acamou…” ” – Perdido?”…Nada…
Ele arriba com os poderes de Deus…”
E arribou mesmo; garboso, empertigado, vertical.

No cenário vegetal
um engraçado boneco de frangalhos,
sobreleva, vigilante.
Alegria verde dos periquitos gritadores…
Bandos em sequência…Evolução…
Pouso…Retrocesso…

Manobras em conjunto.
Desfeita formação.
Roedores grazinando, se fartando,
foliando, vaiando
os ingênuos espantalhos.

“Jesus e São João
andaram de noite passeando na lavoura
e botaram a benção no milho”.
Fala assim gente de roça e fala certo.
Pois não está na taipa do rancho
o quadro deles, passeando dentro dos trigais?
Analogias…Coerências.

Milho embandeirado
bonecando em gestação.
– Senhor!… Como a roça cheira bem!
Flor de milho, travessa e festiva.
Flor feminina, esvoaçante, faceira.
Flor masculina – lúbrica, desgraciosa.

Bonecas de milho túrgidas.
negaceando, se mostrando vaidosas.
Túnicas, sobretúnicas…
saias, sobre-saias…
Anáguas…camisas verdes…
Cabelos verdes…
– Cabeleiras soltas, lavadas, despenteadas…
– O milharal é desfile de beleza vegetal.

Cabeleiras vermelhas, bastas, onduladas.
Cabelos prateados, verde-gaio.
Cabelos roxos, lisos, encrespados.
Destrançados.
Cabelos compridos, curtos,
queimados, despenteados…
Xampu de chuvas…
Flagrâncias novas no milharal
– Senhor, como a roça cheira bem!…

As bandeiras altaneiras
vão-se abrindo em formação.
Pendões ao vento.
Extravasão da libido vegetal.
Procissão fálica, pagã.
Um sentido genésico domina o milharal.
Flor masculina erótica, libidinosa,
polinizando, fecundando
a florada adolescente das bonecas.

Boneca de milho, vestida de palha…
Sete cenários defendem o grão.
Gordas, esguias, delgadas, alongadas.
Cheias, fecundadas.
Cabelos soltos excitantes.
Vestidos de palha.
Sete cenários defendem o grão.
Bonecas verdes, vestidas de noiva.
Afrodisíacas, nupciais…

De permeio algumas virgens loucas…
Descuidadas. Desprovidas.
Espigas falhadas. Fanadas. Macheadas.

Cabelos verdes. Cabelos brancos.
Vermelho-amarelo-roxo, requeimado…
E o pólen dos pendões fertilizando…
Uma fragrância quente, sexual
invade num espasmo o milharal.

A boneca fecundada vira espiga.
Acontece a grande exaltação.
Já não importam as verdes cabeleiras rebeladas
A espiga cheia salta da haste.
O pendão fálico vira ressecado, esmorecido,
No sagrado rito da fecundação.

Tons maduros de amarelo.
Tudo se volta para a terra-mãe.
O tronco seco é um suporte, agora,
onde o feijão verde trança, enrama, enflora.

Montes de milho novo, esquecidos,
marcando claros no verde que domina a roça.
Bandeiras perdidas na fartura das colheitas.
Bandeiras largas, restolhadas.
E os bandos de passo-pretos galhofeiros
gritam e cantam na respiga das palhadas.

“Não andeis a respigar” – diz o preceito bíblico
O grão que cai é o direito da terra.
A espiga perdida – pertence às aves
que têm seus ninhos e filhotes a cuidar.
Basta para ti, lavrador,
o monte alto e a tulha cheia.
Deixa a respiga  para os que não plantam nem colhem
– O pobrezinho que passa.
– Os bichos da terra e os pássaros do céu.

Brizola e Ciro, dois líderes que poderiam ter chegado à Presidência da República

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Leonel Brizola e Ciro Gomes foram vencidos pelas circunstâncias

Antonio Santos Aquino

O delegado federal e ex-deputado Romeu Tuma Junior sabe que Lula foi preparado pelos militares (general Golbery do Coutto e Silva) para impedir o líder trabalhista Leonel Brizola de chegar à Presidência da República depois de 15 anos de exílio. Tuma Jr, já falou isso nas redes sociais e nos livros que escreveu. Os militares tinham medo de Brizola em razão de suas mãos limpas e de sua coragem cívica.

Em agosto de 1961, quando da renúncia do presidente Jânio Quadros, o governador Brizola bradou do Rio Grande do Sul: “Se os militares rasgarem a Constituição, eu levantarei o povo gaúcho em armas. E assim fez. Vieram tomando Santa Catarina e Paraná. Foi quando alguns chefes militares, que viajaram para São Paulo na tentativa de impedir o avanço das tropas gaúchas, refletiram: “Nós viemos combater Brizola, mas ele está com a razão. A Constituição foi desrespeitada. Então houve um acordo para empossar o vice Jango Goulart, com criação do parlamentarismo. E assim se fez a História.

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CIRO DESPERDIÇOU SUAS CHANCES
Pedro Meira

Ciro Gomes desperdiçou as chances que tinha de chegar à Presidência, que nunca foram muitas, porque ficou esperando apoio do PT para vencer a eleição, gastou uma enormidade de tempo falando de “dream team” de governo com Manuela d’Ávila, Marina Silva e Fernando Haddad, oferecendo vaga de vice-presidente para cada um deles.

Além disso, Ciro ainda se queimou totalmente com a opinião pública atacando a Lava Jato e querendo se vender como herdeiro de Lula, porque acreditou na falsa sabedoria de analistas políticos fora de sintonia com o sentimento do povo, que enchiam colunas na imprensa com o argumento de que o eleitorado tinha uma devoção religiosa a Lula e o vingaria na eleição de 2018, o que não ocorreu.

A decantada competência política de Ciro não lhe serviu para perceber o rumo que as coisas estavam tomando.

Bebianno diz que deve desculpas ao país por ter viabilizado candidatura de Bolsonaro

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Bebianno afirma que jamais pensou que Bolsonaro fosse tão fraco

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Diante da crise política em que virou protagonista, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, fez um desabafo para interlocutores próximos e demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro.

“Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco”, disse Bebianno para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente no rumos do governo, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro.

PREOCUPAÇÃO – Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo.

Para aliados de Bebianno, também causou contrariedade o movimento da família Bolsonaro para sacramentar a saída do ministro do governo. No momento em que vários aliados trabalhavam na sexta-feira (15) para baixar a temperatura, contornar a crise e manter Bebianno, integrantes da família do presidente vazaram para a imprensa que o pai havia demitido o ministro, para tornar a queda um fato consumado, sem chance de mudança no fim de semana.

Estratégia “brilhante” de Trump pode abalar a hegemonia mundial do dólar

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Europa já criou seu próprio sistema de compensação financeira

Michael Hudson
Hudson Website

O fim da dominação econômica norte-americana não contestada chegou antes do esperado, graças aos mesmos neoconservadores que deram ao mundo a guerra do Iraque, da Síria e as sujas guerras na América Latina. Assim como a Guerra do Vietnã arrancou os EUA do padrão ouro em 1971, o patrocínio e o financiamento que estão garantindo as violentas guerras para mudança de regime contra a Venezuela e a Síria – e as ameaças de sanções contra outros países que não se unam na mesma cruzada – estão hoje levando países europeus e outros a ter de criar suas próprias instituições financeiras alternativas, para desmantelar a hegemonia do EUA-dólar, do FMI ao sistema SWIFT de compensações.

O país que os diplomatas norte-americanos mais odeiam é o Irã. O fim decidido pelo presidente Trump dos acordos nucleares de 2015 negociados por europeus e o governo Obama escalou a ponto de Alemanha e outros países europeus já estarem ameaçados de sanções se não se retirarem dos acordos que assinaram.

AUTOPRESERVAÇÃO – Como se não bastasse a oposição a que Alemanha e outros países europeus importem gás russo, as ameaças dos EUA sobre o Irã acabaram por empurrar a Europa a buscar algum modo de se autopreservar.

As ameaças imperiais já não são militares. Nenhum país (nem Rússia ou China) tem meios para montar invasão militar a outro grande país. Desde os dias do Vietnã, o único tipo de guerra possível para países ainda democráticos é a guerra atômica, ou pelo menos guerra de bombardeios pesados como os que EUA infligiram ao Iraque, Líbia e Síria. Mas agora a ciberguerra tornou-se meio eficaz para quebrar as conexões de qualquer economia. E as principais ciberconexões hoje são ordens financeiras de transferência de dinheiro – compensações bancárias mundiais –, coordenadas pela SWIFT, sigla em inglês da Sociedade Mundial para Telecomunicações Financeiras Interbancárias, que tem sede na Bélgica.

MOVIMENTAÇÃO – Rússia e China já se movimentaram para criar um sistema alternativo de compensações bancárias, para o caso de os EUA desconectarem os dois países, tirando-os do sistema SWIFT. Mas agora países europeus já entenderam que as ameaças feitas pelo governo Trump podem gerar multas pesadas e confisco de patrimônio, se tentarem insistir em manter o comércio com o Irã, como determinado nos acordos que todos firmaram.

Dia 31 de janeiro, o bloqueio ao Irã foi rompido, com o anúncio de que a Europa criou seu próprio sistema de compensação de pagamentos para usar com o Irã e outros países que sejam alvo dos ataques ‘diplomáticos’ dos norte-americanos.

Alemanha, França e até a Grã-Bretanha, poodle dos EUA, uniram-se para criar o INSTEX — Instrumento para Apoio de Compensações Interbancárias [em inglês, Instrument in Support of Trade Exchanges].

AJUDA HUMANITÁRIA? – A promessa é que será usado só para ajuda “humanitária” para salvar o Irã de uma devastação provocada pelos EUA semelhante à que a Venezuela sofreu. Mas, é considerada também a crescente e cada dia mais furiosa oposição que os EUA fazem à ideia de que o gasoduto Ramo Norte transporte gás russo, essa via alternativa para compensações bancárias está pronta e capacitada para se tornar plenamente operante, caso os EUA tentem um ataque com sanções contra a Europa.

Acabo de voltar da Alemanha e vi impressionante divisão entre empresários e industriais e o governo político. Durante anos, as grandes empresas viram a Rússia como mercado natural, como economia complementar que precisava modernizar a própria base manufatureira e capaz de abastecer a Europa com gás natural e outras matérias-primas. A posição dos EUA nessa Nova Guerra Fria tenta bloquear essa complementaridade comercial.

GÁS RUSSO – EUA alertaram a Europa contra o risco de se tornar ‘dependente’ do gás russo de baixo preço, para vender o gás natural liquefeito caríssimo que os EUA oferecem (prometendo instalações portuárias que ainda não existem em lugar algum, sequer próximas do volume exigido). O presidente Trump também tem insistido em que membros da OTAN gastem na compra de armas no mínimo 2% dos respectivos PIB – e armas a serem compradas, claro, dos mercadores de morte norte-americanos, não franceses nem alemães.

O modo como os EUA fazem pesar a mão está levando a aproximar Rússia e China. A diplomacia norte-americana está ‘unindo’ a Europa ao “pivô geográfico” bem conhecido dos norte-americanos, operando contra, até, o mesmo tal estado de dependência, para cuja criação a diplomacia norte-americana trabalha desde 1945.

FÚRIA DOS EUA – A Europa já se deu conta de que seu próprio sistema monetário de trocas internacionais e suas conexões financeiras podem a qualquer momento atrair a fúria dos EUA. Foi o que ficou muito claro no outono passado, nos funerais de George H. W. Bush, quando o diplomata representante da União Europeia foi deixado para o fim da lista de autoridades chamadas para assumir seu lugar na cerimônia. Foi informado de que os EUA já não consideram a União Europeia entidade muito importante.

Em dezembro, o secretário de Estado Mike Pompeo fez um discurso em Bruxelas sobre a Europa – seu primeiro discurso, ansiosamente aguardado – no qual exortou as virtudes do nacionalismo, criticou o multilateralismo e a União Europeia e disse que “corpos internacionais” que limitam a soberania nacional “devem ser reformados ou eliminados.”

A maior parte desses eventos apareceram na mídia num só dia, 31/1/2019. A conjunção de tantos movimentos dos EUA em tantos fronts, contra Venezuela, Irã e Europa (para nem falar da China e das ameaças de retaliação comercial e ações contra a Huawei, que também emergiram hoje) faz crer que esse será um ano de tensões e rupturas no mundo.

Pesquisa mostra que “cota” de mulheres propicia corrupção e candidatas laranjas

Kadija Foto: Reprodução/Facebook

Candidata Kadija “pagou” a cabos eleitorais que nem a conhecem

Natália Portinari e Daniel Gullino
O Globo

Levantamento feito por O Globo revela que, na última eleição, partidos se valeram de candidaturas de mulheres com desempenho eleitoral inexpressivo para cumprir a cota de 30% do uso do fundo eleitoral. Muitas nem sequer chegaram a fazer campanha. Dos 79 candidatos que registram gastos de mais de R$ 1.000 para cada voto obtido, 76 são do sexo feminino. São R$ 13,8 milhões em fundo partidário e fundo eleitoral, verbas públicas, gastos com essas candidaturas. Nenhuma dessas mulheres foi eleita.

Para efeito de comparação, o gasto médio dos candidatos que disputaram a última eleição pelo país foi de R$ 41 por voto.

EM 21 PARTIDOS – Os casos de candidaturas de mulheres com votação inexpressiva e altos custos envolvem 21 partidos. A sigla que mais se valeu do expediente é do PRB, com 12 mulheres que receberam R$ 4,3 milhões em dinheiro público e, juntas, tiveram pouco menos de 3 mil votos.

As histórias se repetem em todo o país. Tamires Vasconcelos, candidata a deputada estadual do PR do Piauí, declarou um gasto de R$ 370 mil e acabou com 41 votos. No PRB do Maranhão, Maria Regina Duarte Teixeira declarou gastos de R$ 585 mil de verba pública, apesar de ter obtido só 161 votos para deputada estadual. As campanhas não deixaram rastros nas redes sociais e as mulheres não foram encontradas para comentar.

DESMENTIDO – A candidata a deputada distrital Kadija (MDB-DF) declarou gastos de R$ 454,5 mil, mas obteve só 403 votos. Sua principal despesa foi com militantes de rua (93%), mas três pessoas contratadas como cabos eleitorais relataram ao Globo que não fizeram campanha para ela.

Ilka Quinhões Azevedo diz que trabalhou apenas na campanha do candidato do MDB ao governo, Ibaneis, que foi eleito, e que nunca ouviu falar em Kadija. Ela ainda perguntou se o nome do seu genro, Anderson Ferreira de Souza, estava na prestação de contas, o que foi confirmado pela reportagem, e disse que ele também não trabalhou para a deputada.

— Meu nome está na prestação de contas de uma deputada que eu nunca ouvi falar? Eu não trabalhei para ela. Vou atrás dela pedir meu dinheiro

CONFUSÃO – Thiago Neves Braz está em situação semelhante. Ele foi contratado pelo MDB, e ressalta que avisado que o trabalho poderia envolver outros candidatos, mas afirma que não conhece Kadija e não sabia que seu nome estava na prestação de contas dela. Felipe Souza Lopes também conta que não conhece a candidata, mas preferiu não revelar para qual candidato trabalhou.

Outro cabo eleitoral foi Henrique Nelson da Cunha Mesquita. Ele conta que foi um dos coordenadores da campanha de Kadija e que chefiou um grupo de 50 pessoas, grupo em que deu prioridade a Ibaneis. O nome de Henrique, porém, está somente na prestação de contas de Kadija, e não na de Ibaneis. “Eu tinha uma equipe de 50 pessoas. Coloquei 20 para trabalhar para ela e para o Ibaneis e 30 somente para o Ibaneis”.

ESTRANHEZA – Kadija se disse surpresa com a informação e afirmou que todos os seus gastos foram devidamente apresentados à Justiça Eleitoral. Ela afirma não saber qual foi o critério do partido na distribuição do dinheiro, mas admite que a cota de 30% dos recursos para mulheres pode ter influenciado.

— Me causa estranheza quem falou isso. São pessoas que receberam cheques nominais. Não posso dizer que conhecia todas as pessoas, os coordenadores da campanha tinham liberdade para arregimentar. É uma questão que eu tenho que ver na próxima gestão de campanha. Não sei quais foram os critérios do partido. Deve ter tido algo relacionado aos 30%, acho que o partido deve ter feito seus critérios. Mas foi bem tranquilo, me senti até privilegiada.

APENAS UM  VOTO – Teresa Cavalcante Queiroz, candidata a deputada estadual no Ceará, recebeu um voto. Ela disse ao GLOBO que desistiu de fazer campanha porque é funcionária pública e temeu haver incompatibilidade. Na sua prestação de contas, porém, aparece um gasto de R$ 5 mil. Deste valor, R$ 3 mil foi gasto com uma gráfica, no Ceará, no nome de Gustavo Silveira Alves.

— Não sei quem é. Com certeza é com eles (o partido), porque não recebi nada e não gastei nada. Tive um único voto, de uma professora que não estava sabendo que eu desisti — contou.

Por sua assessoria, o partido Democracia Cristã (DC) disse que distribuiu R$ 50 mil do fundo eleitoral para mulheres no Ceará e que coube ao diretório estadual decidir como distribuir o dinheiro. Ely Aguiar, presidente do diretório do Ceará, negou que conheça a candidata a deputada que desistiu de concorrer. “Tem que ver se as contas delas estão pendentes ou não. Que tipo de gasto foi feito. Existe pendência. Não conheço a candidata e nem sei de que forma ela fez a prestação. Ela que tem que responder o tipo de despesa. Ao partido compete liberar o que a justiça manda. Isso foi feito” — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O levantamento de O Globo mostra que o problema é a cota de candidatas mulheres. Isso está gerando aberração e corrupção. Mas a matéria comprova que Gustavo Bebianno nada tina a ver com candidatas laranjas, esse problema é de cada diretório estadual. (C.N.)

 

Nos tuítes, 72,2% do que Carlos Bolsonaro escreve são ataques, sobretudo à mídia

Carlos Bolsonaro tem um perfil cheio de ataques no Twitter
Foto: Divulgação/Sergio Lima/AFP

Carlos Bolsonaro tem um comportamento agressivo no Twitter

Igor Mello e Juliana Castro

Filho mais próximo do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro deflagrou a primeira crise no coração do Palácio do Planalto ao usar o Twitter para atacar Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. O comportamento, porém, não é exceção. O “pitbull” da família usa a rede social como uma metralhadora giratória.E não é repreendido pelo presidente por isso.

O Globo analisou 500 tuítes feitos por Carlos entre 15 de dezembro e 15 de fevereiro e constatou que 72,2% das postagens feitas pelo parlamentar são ataques. O alvo preferencial é a imprensa, mas também sobram bordoadas para a esquerda e até mesmo para aliados, como Bebianno.

Das 500 postagens — que incluem também publicações de outras pessoas compartilhadas por ele — 211 (ou 42,4%) criticam a cobertura da imprensa sobre o governo Bolsonaro. Ataques à esquerda (19,8%), a aliados (5,2%) e outros (4,8%) completam a lista.

ESQUERDA NA MIRA – Outro alvo preferencial de Carlos é a esquerda. Chamados de “bandidos”, “retardados” e “idiotas”, os opositores são ligados frequentemente à corrupção e ao atentado praticando contra Jair Bolsonaro por Adélio Bispo de Oliveira, em setembro. O maior alvo é o PSOL, mencionado por ele 21 vezes no período — o PSL, partido da família, só mereceu três citações.

Embora os ataques predominem, sobra espaço na rede social para que Carlos divulgue conteúdo institucional do governo ou elogie aliados. Os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Damares Alves (Direitos Humanos) e Santos Cruz (Governo) são alvos de menções elogiosas, assim como o guru da direita Olavo de Carvalho. Ele, aliás, provocou um dos poucos momentos de descontração de Carlos no período. O vereador postou uma foto ao lado de seu cachorro poodle na frente do computador, onde assistia uma das aulas de Carvalho.

FLÁVIO IGNORADO – As interações com o perfil do pai e do irmão mais novo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), são frequentes — além de citá-los, o vereador costuma reproduzir seus tuítes em seu próprio perfil. Porém, o irmão mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), fica de fora de suas manifestações no período analisado.

Mesmo vendo o irmão em meio às denúncias envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz e tendo suspeitas sobre sua movimentação bancária, Carlos Bolsonaro não fez nenhuma defesa de Flávio nos últimos dois meses. A única menção a ele foi lateral: o vereador compartilhou um vídeo no qual Eduardo bate boca com petistas que cobravam investigações contra Flávio no plenário da Câmara.

RUSGAS COM O IRMÃO – Carlos e Flávio cultivam rusgas desde 2016, quando o irmão mais velho teve um mal-estar durante um debate à Prefeitura do Rio e decidiu agradecer à rival Jandira Feghali (PCdoB), que é médica o socorreu. Agradeceu por meio de uma nota oficial e a atitude foi motivo de críticas de Carlos e do pai.

Os dois travaram um novo round no ano passado, quando disputaram quem seria o candidato da família ao Senado. Após perder a disputa, Carlos desistiu de tentar outro cargo.

O Globo procurou o vereador para comentar os dados do levantamento, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.

Bebianno diz que ministros não aceitam mais intervenções dos filhos de Bolsonaro

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Bebiano espera ser comunicado da demissão para se posicionar

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, disse que “quando acabar” sua participação no governo, “se sentir vontade”, vai “dar satisfações”. A frase foi dita em resposta ao ser questionado sobre seu desafeto, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro, que deve ser demitido nesta segunda-feira, 18, passou o dia num hotel de Brasília. Bebianno não recebeu visitas ao longo do dia, mas, em conversas com pessoas próximas, deixou claras a frustração e a mágoa com Carlos Bolsonaro.

R$ 1 MILHÃO/ANO – O ministro desabafou que considerou uma covardia o fato de Jair Bolsonaro não ter tido coragem para demiti-lo e considerou inaceitável assumir um cargo em Itaipu, apesar do salário três vezes maior – pouco mais de R$ 1 milhão por ano. A amigos disse que não veio para o governo para ganhar dinheiro e que será leal até o último minuto em que permanecer ministro.

Nas conversas, Bebianno tem avisado que não cai sozinho, pois tanto a ala política, quanto a ala militar do governo, estão decididas a afastar Carlos Bolsonaro da Presidência. Nos últimos dias o vereador tem sido mais comedido nas redes sociais, compartilhando mensagens institucionais do governo e assuntos do Rio, como a venda da bebida em blocos de carnaval.

O ministro soube de parte das informações sobre sua demissão pela imprensa, na noite de sexta, o que o deixou revoltado. Na madrugada deste sábado, publicou nas redes sociais um texto sobre lealdade e amizade. A jornalistas, afirmou que compartilhou porque “teve vontade” e que foi algo “conceitual”.

Bolsonaro é uma máquina de assassinar reputações com requintes de crueldade

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Tuma Junior está impressionado com a frieza de Bolsonaro

Deu em O Antagonista

O ex-deputado Romeu Tuma Jr está surpreso com a atuação de Jair Bolsonaro no episódio envolvendo a demissão de Gustavo Bebianno. Ele vê um paralelo com o “método” usado por Lula para rifar aliados que perderam a serventia, mas com “requintes de crueldade”.

“O Lula era um covarde e terceirizava o trabalho sujo. O Bolsonaro está fazendo isso com as próprias mãos. Quem tem a caneta não precisa de subterfúgios para demitir ninguém, não precisa humilhar um ministro publicamente”, diz Tuma

ACUSAÇÕES FORJADAS – Ex-secretário nacional de Justiça, Tuma Jr foi demitido por suspeita de envolvimento com um contrabandista. Em seu livro “Assassinato de Reputações – Um crime de Estado”, ele alega que as acusações, nunca provadas, foram forjadas a mando do ex-presidente Lula.

“Acho muito triste e extremamente estranho que a máquina de assassinar reputações, que o PT sempre usou contra adversários e aliados descartáveis, esteja se repetindo nesse governo. Pior, com requintes de crueldade.”

CRISE DE CONFIANÇA – Tuma Jr alerta para o rompimento prematuro da relação de confiança que começava a ser costurada no Congresso Nacional, “fundamental para uma base de apoio sólida”.

“Todo mundo agora está com medo até de conversar com o presidente, pois sabe que ele é capaz de vazar uma conversa privada, como ele fez com o áudio que o filho publicou. E ainda acusa o Bebianno de vazar diálogos depois, mas o cara precisa se defender de alguma forma.”

O ex-deputado ressalta ainda o uso das redes sociais na potencialização do dano. “A rede social não tem limites.”

Eduardo Bolsonaro chama de “jumento” quem faz críticas à atuação do irmão

Eduardo Bolsonaro compartilhou postagem em sua rede social Foto: Jorge William 12-12-2018 / Agência O Globo

Eduardo atacou Bebianno este sábado, através das redes sociais

Renata Mariz
O Globo

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) entrou, neste sábado, na briga na travada entre o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, e seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Eduardo compartilhou em seu perfil numa rede social uma postagem na qual Bebianno é criticado e em que chama de “jumento” quem diz que Carlos atrapalha o pai. Esta é a primeira vez que Eduardo se manifesta sobre o assunto, que provocou uma crise política no entorno do presidente Jair Bolsonaro e que deve acabar com a demissão de Bebianno.

Na postagem compartilhada, Bebianno é apontado como envolvido na sabotagem da escolha de Luiz Philipe de Orleans e Bragança para vice-presidente e num esquema de utilização de laranjas durante as eleições de 2018. E o texto conclui: “Se fosse qualquer outro ministro e Bolsonaro o defendesse, a mídia e membros do establishment iriam dizer que o presidente estaria passando pano pra corrupto, mas como grande parte está defendendo Bebianno, somos levados a concluir que ministro tem amigos no establishment e que o buraco é mais embaixo. E ainda tem jumento que diz que o Carlos atrapalha o pai. Vocês são idiotas ou o quê?”.

CRISE AMPLIFICADA – Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo justamente supostas irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro.

A crise foi amplificada pelo vereador Carlos Bolsonaro, que foi às redes sociais dizer que Bebianno mentiu ao falar ao Globo que havia conversado três vezes com o presidente na última terça-feira. A declaração foi dada para negar que ele não estava protagonizando a crise.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bebianno falou com Bolsonaro através do WhatsApp. Quando pediu para falar direto no telefone, Bolsonaro negou. Quanto aos filhos de Bolsonaro, vão levar esse governo a uma situação de crise permanente. Aliás, um dos focos da crise é a atuação do “olheiro” de Carlos Bolsonaro no Planalto. Léo Índio confere diariamente as agendas dos ministros, para fazer fuxico. Foi ele quem avisou que Bebianno ia levar uma equipe de jornalistas à Amazônia, para divulgar o pacote do governo para a região. (C.N.)

Exército está irritado com Bolsonaro filho, mas foi Bolsonaro pai que gerou a crise

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Troca de guarda na Comunicação do Exército tem “cheiro de poder”

Eliane Cantanhêde
Estadão

Nunca antes neste País se viu uma mera troca de chefia do Centro de Comunicação do Exército (Cecomsex) se transformar num superevento, não apenas pela grande presença de militares e civis como também pela duração. O papo foi longe. O general que entra é Richard Nunes e o que sai é Otávio do Rêgo Barros, que virou porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um chamariz para a solenidade e pesou também a eficiência e a gentileza no trato de Rêgo Barros com a mídia, mas o fator principal para o sucesso foi a força do Exército neste momento. Todo mundo sente o cheiro do poder.

Atenção: está-se falando especificamente do Exército, não genericamente dos militares ou das Forças Armadas. Aliás, uma curiosidade da transmissão de cargo é que, naquela selva verde, só havia uma farda azul da FAB e uma branca da Marinha. Eram os dois oficiais da imprensa nas duas Forças, que riam quando alguém brincava que pareciam “peixes fora d’água”.

VERDE OLIVA – O Exército está em alta. Ocupa quase todos os postos do Planalto e, além de não criar problemas, tem de resolver problemas criados pelos outros. Inclusive, ou principalmente, pelo próprio presidente e seus três filhos, o 01, o 02 e o 03. Numa fase da ditadura, quando cutucavam o presidente Figueiredo, ele ameaçava acionar o ministro do Exército, linha dura: “Chama o Pires!”. Agora, quando é preciso segurar os filhos do presidente, os generais gritam por um moderado: “Chama o Heleno!”.

No centro da festa, estavam justamente os generais Augusto Heleno, chefe do GSI e apagador-geral de incêndios da República, e Eduardo Villas Bôas, que o assessora no GSI. Ambos têm enorme responsabilidade para salvar o barco, que está sacudindo depois que o PSL foi flagrado fazendo peraltices e o filho 02 do presidente, Carlos Bolsonaro, desmentiu pelo twitter o ministro Gustavo Bebianno, presidente do partido nas eleições e agora sob risco de cair da Secretaria-Geral da Presidência e “voltar às origens”.

A ÚNICA VOZ – Todos ali sabiam que, num clima como esses, só uma pessoa tem coragem, legitimidade, respeito e jeito para alertar o presidente contra o excesso de poder dos filhos e para o excesso de problemas que eles estão jogando no colo do pai. Esta pessoa é Heleno. Os militares recorrem a ele, a quem cabe dizer verdades difíceis a Bolsonaro.

Na crise de Bebianno, porém, quem matou a charada foi o Estado, ao recompor a cronologia da quarta-feira, que deveria ser de comemoração da alta de Bolsonaro e virou uma guerra entre o filho do presidente e um dos únicos civis com algum poder no Planalto.

E qual foi a charada? Os mundos político, militar e econômico passaram o dia crucificando Carlos Bolsonaro por ter tido a audácia e o voluntarismo de atacar um ministro. Mas a história é diferente. Primeiro, o presidente desmentiu Bebianno ao gravar a entrevista para a TV Record ainda no Hospital Albert Einstein. Só depois, enquanto o presidente voava para Brasília, Carlos divulgou o desmentido do pai pelo twitter, inclusive com o áudio em que ele se recusa a falar com Bebianno. Por fim, Bolsonaro retuitou o ataque de Carlos.

FOI O PAI – Ou seja: todo mundo incomodado, aflito e preocupado com o ato de Carlos, mas o problema era outro: não foi o filho quem gerou o problema, nem foi o pai quem tomou partido dele a posteriori. Foi o presidente quem atacou o ministro, Carlos só amplificou a posição do pai. Logo, Carlos não age da própria cabeça, ele é a voz do presidente.

Conclusões: 1) desta vez, o problema não foi Carlos, foi Jair; 2) Bebianno está frito, mas ele também tem muito óleo na frigideira; 3) Se é assim com Bebianno, o que será com os demais? 4) Heleno pode fazer queixa de Carlos para Jair, mas pode dar uma bronca no presidente?

Bebianno aparenta tranquilidade, mas diz que Bolsonaro é um perigo para o Brasil

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Em entrevista a O Globo, Bebianno não atacou Jair Bolsonaro

José Antonio Perez

Neste sábado, já tarde da noite o ainda ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, estava no bar do hotel Golden Tulip Brasília Alvorada, conversando com três pessoas. Dois certamente eram jornalistas e a terceira pessoa parecia um assessor.

Os repórteres ouviam e anotavam tudo o que Bebianno dizia, enquanto o assessor se comunicava agitadíssimo no celular, o tempo todo com expressão tensa. Já Bebianno estava sorrindo e totalmente tranquilo.

Muito me impressionou a tranquilidade do ministro diante das circunstâncias. Ou ele tem um extraordinário equilíbrio emocional ou sabe coisas demais. Provavelmente as duas coisas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante a observação de nosso amigo José Antonio Perez, sempre atento aos acontecimentos de Brasília. Realmente, é impressionante o equilíbrio emocional de Bebianno. Ao que parece, a conversa com os jornalistas está relatada hoje no Globo, sem ataques a Carlos Bolsonaro nem ao presidente, que até é poupado por Bebianno, ao ressalvar que ele pode ter recebido informações distorcidas quando estava no hospital. Mas o colunista Lauro Jardim vai além e afirma que Bebianno confidenciou que Bolsonaro “é uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”. Vamos aguardar esta segunda-feira. (C.N.)