Saiba o que Jair Bolsonaro precisar fazer logo no início do seu mandato

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Bolsonaro vai ter muita dor de cabeça pela frente

Jorge Béja

Se for eleito presidente da República – e as pesquisas dizem que sim – Jair Bolsonaro, logo nos primeiros dias de Janeiro de 2019, vai  agir com firmeza, determinação e sempre de acordo com a Constituição Federal. O começo da limpeza nacional exige atitudes de força e poder, no limite do que é justo, perfeito e necessário para o bem do país e do povo brasileiro. Temos aqui três antecipadas medidas cujas possibilidades de virem acontecer – caso não todas, pelo menos uma ou duas – são de 95%, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

1) A ruptura das relações diplomáticas com o governo de Nicolás Maduro, da Venezuela. Bolsonaro expulsa o embaixador venezuelano em Brasília, fecha a embaixada e os consulados brasileiros naquele país e chama de volta o embaixador e todo o corpo diplomático. Tudo isso sem prejuízo do acolhimento dos venezuelanos que buscam refúgio no Brasil, tanto os que entre nós já se encontram quanto os que ainda decidam vir para o cá. Seria incoerente Bolsonaro presidente e o Brasil com relações diplomáticas mantidas com a Venezuela. Se tanto acontecer, ou seja, se o rompimento das relações não se der, Bolsonaro dá seu primeiro passo em falso como presidente do Brasil.

2) A determinação à Advocacia-Geral da União (AGU) para que ingresse na Justiça com as ações indenizatórias contra os ex-presidentes Lula e Dilma, cobrando a restituição aos cofres públicos federais dos bilhões (fala-se em mais de 400 bilhões) que os dois autorizaram o BNDES a entregar a governos ditatoriais para a construção de obras em seus países, tudo com o dinheiro do povo brasileiro, sem que até hoje os valores tenham sido devolvidos pelos países beneficiários.

EIS AS OBRAS – Porto de Mariel (Cuba); Hidrorelétrica de San Francisco (Equador); Hidroelétrica de Manduriacu (Equador);  Hidroelétrica de Chaglia (Peru); Metrô da Cidade do Panamá (Panamá); Autopista Madden-Colón (Panamá); Aqueduto de Chaco (Argentina); Soterramento do Ferrocarril Sarmiento (Argentina); Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela); Segunda ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela); Barragem de Maamba (Moçambique); Aeroporto de Nacala (Moçambique); BRT da capital Maputo (Moçambique); Hidroelétrica de Tumarín (Nicarágua); Projeto Hacia el Norte-Rurrenabsque-El-Chorro (Bolívia); Exportação de 127 ônibus (Colômbia); Exportação de 20 aviões (Argentina); Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar (Peru); Renovação da rede de gasoduto em Montevidéu (Uruguai); Via Expressa Luanda/Kifangondo. E ainda existem mais de 3.000 empréstimos concedidos pelo BNDES no período de 2009-2014….

TEMER, TAMBÉM – E não seria exagero de Bolonaro presidente ordenar que seja incluído também, como réu co-responsável, Michel Temer, por ter ocupado a presidência e não ter agido. A responsabilidade civil administrativa inclui também os atos omissivo (não praticados, mas lesivos, “culpa in omittendo”) e não apenas os comissivos (praticados, lesivos, “culpa in faciendo ou in cutodiendo”).

3) A cassação da licença que o governo concedeu à Samarco. Nem é preciso escrever e relembrar aqui as razões. Todos sabem. O mundo viu o que aconteceu. Dilma e Temer cruzaram os braços. E nada fizeram, quando deveriam tudo fazer.

“As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra” (Constituição Federal, artigo 176).

Pronto, todo aquele subsolo explorado pela Samarco (leia-se Vale S/A e BHP Biliton Brasil Limitada) é da União. É do povo brasileiro. Apenas o produto da lavra passa a ser de propriedade, no caso da concessionária Samarco, única responsável pelo desastre.

A Samarco explorou e ficou com a fabuloso lucro e por sua culpa, cobriu parte do território brasileiro de lama, matando, ferindo e destruindo histórias de vidas de pessoas, povos e cidades! E mais: “A propriedade mineral submete-se ao regime de domínio público, ficando a mineradora concessionária com o produto da lavra e jamais proprietária da jazida” conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal no Agravo de Instrumento no Recurso Extraordinário n. 140.254, julgado em 5.12.1995, Relator Min. Celso de Mello, Diário da Justiça de 06.06.1997. 

Para esconder a bolsa de colostomia, Bolsonaro teve de mudar seu figurino

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Bolsonaro passou a só vestir jaquetas largas e escuras

Deu na Folha

Desde que deixou o hospital Albert Einstein no dia 29 de setembro, o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) adotou um novo figurino. As camisas sociais claras foram trocadas por camisetas e jaquetas esportivas, preferencialmente de cores escuras. Essas opções são adotadas especialmente para os momentos em que o capitão reformado do Exército tem atividades fora de sua casa, no Rio de Janeiro.

A decisão está relacionada ao fato de ele ainda estar com uma bolsa de colostomia. Para disfarçar o objeto, que fica colado ao corpo e faz a coleta de fezes e gases, ele passou a vestir peças com cores escuras, como preto e azul marinho.

INCÔMODO – Como a bolsa gera desconforto e incômodo, o candidato adotou modelos mais confortáveis, preferindo tecidos mais grossos e menos colados ao corpo.

Bolsonaro tem demonstrado desconforto em alguns momentos ao se deslocar e ter contato com o público. Ao sentar-se no carro ou deixar o veículo, ele faz cara de dor em alguns momentos.

Ele se queixou de dor ao ser esbarrado no domingo (dia 7), quando saiu de casa pela primeira vez para votar, no Rio. Aliados contam que um esbarrão na bolsa provocou dor.

FIM DO REPOUSO – São frequentes as vezes que amigos e políticos chegam em sua casa e, mesmo com horário marcado para visita, são informados pelos porteiros de que precisam aguardar o fim do repouso de Bolsonaro.

Ele passará por nova avaliação médica na quinta-feira (dia 18), quando a equipe do Albert Einstein vem ao Rio para realização de exames. A expectativa é de que, mesmo com a bolsa, ele seja liberado para algumas atividades de campanha.

Inicialmente, o plano era de que ele mesmo fosse a São Paulo. Contudo, a necessidade de escolta da Polícia Federal e o estado frágil de saúde do candidato, mudou os planos.

NOVA AVALIAÇÃO – Ele deve fazer exames de imagem com uso de aparelhos portáteis que serão trazidos pelos médicos.  Uma nova avaliação de seu peso e do ganho de massa magra também deve ser feita.

Segundo os profissionais de saúde, ele precisa recuperar a estrutura muscular. Desde que sofreu o atentado, Bolsonaro perdeu 15 kg.

Há uma terceira cirurgia programada para o presidenciável para a retirada da bolsa de colostomia. Segundo os médicos, isso só poderá ser feito a partir de 12 de dezembro, quando são completados três meses desde a última operação à qual foi submetido.

Helio Fernandes completa 98 anos e continua escrevendo como nunca

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Helio Fernandes, um fenômeno de lucidez aos 98 anos

Carlos Newton

Helio Fernandes, decano dos jornalistas mundiais, completa hoje 98 anos e continua em plena forma, escrevendo artigos diários, que são publicados em seu blog e no site Tribuna da Imprensa Sindical, de Daniel Mazola. Com o vigor de sempre, na coluna de hoje Helio Fernandes aborda determinadas características da vida de Jair Bolsonaro que passam despercebidos pela imprensa.

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BOLSONARO TEM TUDO PARA FAZER UM GOVERNO
DESALINHADO, COMO SUA ESTRANHA VIDA FAMILIAR

Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa Sindical

A comparação é obrigatória e nada surpreendente. Nos dois casos, a vida particular e o exercício da vida pública, ele é o personagem principal. E pela personalidade violenta, sem controle e totalmente inusitada, está sempre em contradição.

Está no terceiro casamento. Não mantém relacionamento com as duas primeiras mulheres, apesar de ter tido 4 filhos com elas. Com eles, confessou, o comportamento é fácil e maravilhoso. “Podemos até falar palavrões”, que deve ser o máximo da intimidade, para um homem com a sua educação e formação.

VASECTOMIA – Aí, tomou uma providência, que eu não conhecia ninguém que tivesse feito: vasectomia. E para completar e complementar a contradição em que vive, revelou: “Fui ao HCE (Hospital Central do Exercito, excelente, já estive preso lá, não estava doente, só queriam me tirar da circulação), fiz outra cirurgia que anulou a vasectomia”.

Motivo: se apaixonou por uma moça que já tinha uma filha, casou com ela, queria ter um filho com ela. Em suas próprias palavras, “deu uma fraquejada” e teve uma filha.  Como tudo o que está aqui, foi revelado por ele, contou: “Isso mudou minha vida, tenho uma filha e uma enteada”. Imaginem o que um homem que faz tudo isso apenas em casa mudando espantosamente a própria família, pode fazer, modificando milhões de famílias, se for presidente.

A eleição está quase no fim e o PT ainda não entende por que está perdendo

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Charge do Miguel (O Povo-CE)

Percival Puggina

Haddad está atrapalhadíssimo. Os marqueteiros do partido fizeram desabar sobre Bolsonaro três adjetivos que deveriam condená-lo à morte política por inanição de votos. Verdadeiro corte da fonte de suprimentos. Nos últimos meses, multidão de militantes, comunicadores, professores, intelectuais foi orientada a etiquetá-lo como machista, racista e homofóbico. A previsão era de que isso o fizesse definhar mais do que facada no ventre e sopa de canudinho no hospital. Pois apesar da carga cerrada, a mais recente pesquisa do Ibope mostrou que o candidato do PSL o supera em votos entre as mulheres (46% a 40%), entre os negros (47% a 41%) e provavelmente também entre os gays, mas isso não dá para saber. É informação difícil de buscar.

Ventríloquo – Haddad, então, não conhece seu adversário nem seus eleitores e já não sabe quem é. Por tanto tempo foi boneco de ventríloquo do Lula presidiário que quis continuar a usar a máscara com a face do chefe mesmo depois de ungido candidato a presidente.

Aceitou ser chamado de “Poste” e – é claro – passou a ser tratado como tal. Haddad topava todas as postergações e humilhações porque ali adiante havia uma porta da felicidade que franqueava para os palácios presidenciais de Brasília. E tudo vale a pena, também quando a alma é pequena.

E AS PESQUISAS… – Ademais, as pesquisas, enganosas como são, vinham dando ao petismo a impressão de que o páreo estava corrido. Elas atribuíam a Bolsonaro um índice de rejeição incompatível com vitória eleitoral. Num segundo turno perderia para todos, incluído ele, Haddad. Bastava levar o adversário a um novo round e o PT voltaria às delícias do sítio de Atibaia da Praça dos Três Poderes.

O eleitor brasileiro, no entanto, “problematizou” a situação e “desconstruiu” essa narrativa, como diria um petista treinado nos ardis da novilíngua. O PT ficou reduzido a um único grande eleitor, o Lula. Nestes últimos dias, então, o atrapalhado Haddad descalçou o Lula; suprimiu a estrela, o PT e o PCdoB; fez desaparecer o vermelho.

Adotou as cores da bandeira e ficou com jeito de “coxinha”. E quer porque quer debater com Bolsonaro. Valem, aqui, dois conselhos quase seculares: Não se atrapalha adversário que está errando e não se ajuda adversário que está atrapalhado.

FOI UM PARAÍSO? – Para que conceder ao adversário algo que ele tanto quer? Num debate, Haddad usará as piores estratégias. Estatísticas e calendários, desempenhos de gestão e atos de corrupção irão para o moedor das conveniências e das versões. Não vem o PT repetindo que sua gestão foi um paraíso de bem estar e prosperidade? Não alega que foi Temer quem arrastou o Brasil para o precipício? Oportunizar esse tipo de discurso? É muito difícil debater quando a honestidade intelectual fica fora do recinto.

Só para lembrar: em 1989, no primeiro turno, Collor faltou a todos os debates e no segundo foi a apenas dois; FHC, que venceu dois pleitos no primeiro turno, compareceu a apenas um evento em 1994 e em 1998 sequer houve debates; Lula não compareceu a nenhum debate no primeiro turno de 2006. Comparecer ou não é juízo de conveniência.

A campanha eleitoral vai terminar sem que o PT entenda que está perdendo esta eleição para o antipetismo em todos os segmentos da vida nacional. O petismo vive uma situação como a do samba de Vinícius e Toquinho em que o sujeito tantas fez que agora tanto faz.

Onyx anuncia que não haverá debates, devido à colostomia de Bolsonaro

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS)

“O mais importante é a saúde de Bolsonaro”, diz Onyx

Mariana Haubert e Camila Turtelli
Estadão 

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos principais aliados do candidato Jair Bolsonaro (PSL) e cotado para assumir a Casa Civil em eventual vitória, reafirmou que o presidenciável não participará de debates no segundo turno das eleições 2018 com o presidenciável Fernando Haddad, do PT, e atribuiu a decisão às suas condições de saúde do deputado.

Sem meias palavras, Lorenzoni disse que uma pessoa que passa por uma colostomia “peida e fede”. Bolsonaro passou pelo procedimento cirúrgico após ter levado uma facada em um evento de campanha em setembro. Nesse caso, o paciente tem o seu intestino grosso exteriorizado e é acoplada ao paciente uma bolsa coletora de fezes.

JÁ DISSE TUDO – “Ele não deve ir. Alguém que está há três anos e meio dizendo suas ideias, suas propostas, caminhando pelo Brasil, indo a lugares que vocês (em referência aos jornalistas) não vão, mas ele foi, conquistou tudo que ele conquistou, ele tem que dizer mais o quê?”, afirmou Lorenzoni.

Questionado sobre o fato de Bolsonaro ter feito uma visita ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro nesta segunda, 15, o deputado respondeu: “Uma coisa é 20 minutos, outra coisa são duas horas”.

CUIDAR DA SAÚDE – Sobre a proposta feita pelo PT para que as regras dos debates fossem adaptadas para que Bolsonaro pudesse participar, o deputado afirmou que a discussão sobre a questão é “desumana” e que os debates televisivos atualmente não “resolvem nada”. “Acabou. O jeito normal de se fazer política no Brasil acabou. A saúde deles é prioridade para nós”.

Lorenzoni reafirmou também que o candidato não fará um governo de “toma lá, dá cá”. “É só não deixar ninguém trocar voto por lugar no governo. Não vamos aparelhar o governo. Isso todo mundo sabe”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ importante essa notícia, enviada pelo grande amigo Fallavena. A meu ver, Haddad deu sorte com o cancelamento dos debates, porque Bolsonaro não tem meias palavras e iria tratá-lo como fez  com os apresentadores da TV Globo e da GloboNews. No caso de Haddad, iria esculhambá-lo por estar num partido que montou a maior máquina de corrupção do mundo. Se Hadda não é corrupto, o que está fazendo no PT? (C.N.)

Haddad entrega hoje a carta aos evangélicos, para conter avanço de Bolsonaro

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Haddad mandou fazer o “kit gay”, mas não distribuiu

Andréia Sadi
G1 Brasília

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, escreveu uma carta nesta terça-feira (16), com a ajuda de Gilberto Carvalho, ex-ministro e ex-chefe de gabinete de Lula, dirigida a religiosos para tentar conter o avanço do adversário Jair Bolsonaro entre evangélicos. A campanha discute o melhor momento de divulgar a carta.

Ao blog, um aliado de Haddad disse que a carta “é um recado aos cristãos contra mentiras veiculadas”, além de abordar a “trajetória do candidato em respeito a todas as religiões”.

FAKE NEWS – Haddad tem dito ser alvo de fake news nas redes sociais e pela campanha de Jair Bolsonaro, que atribui ao petista a divulgação do que ficou conhecido como “kit gay”. Nesta terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral mandou o candidato do PSL retirar esses vídeos da internet.

Segundo as últimas pesquisas, Bolsonaro tem ampla vantagem entre os religiosos, principalmente com evangélicos. Haddad tem seu melhor desempenho entre católicos mas, mesmo assim, perde para Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em O Globo, o repórter Sérgio Roxo informa que, nesta quarta-feira, Haddad terá um encontro em um hotel de São Paulo com lideranças evangélicas. A carta, em que o candidato também se comprometerá em não propor a legalização das drogas, deve ser lida no encontro. Sérgio Roxo revela também que a campanha petista se queixa que adversários têm espalhado fake news para esse segmento de eleitores. Uma delas seria a apresentação de  Haddad como responsável por distribuir nas escolas o chamado “kit gay” quando ministro da Educação. Mas acontece que ele realmente mandou fazer o tal “kit gay” e o editor da TI chegar a manusear o folheto, que foi impresso, mas nunca chegou às escolas, porque foi vetado pela Presidência, devido à reação altamente negativa. Era destinado aos alunos do ensino médio e tinha como objetivo combater a homofobia. (C.N.)

Amélia é que era a mulher de verdade, na visão de Mário Lago e Ataulfo Alves

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Lago e Ataulfo, dois grandes compositores

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, ator, radialista, poeta e letrista carioca Mário Lago (1911-2002) é autor de alguns clássicos da MPB, entre ele, “Ai Que Saudade da Amélia”, samba gravado por Ataulfo Alves, em 1941, pela Odeon, que popularizou o mito da Amélia: idealização da mulher que aceita tudo por amor, que é conformada com o destino. O samba de clima enfadonho, depressivo, melodia triste, traz um conteúdo polêmico que mobiliza os modos de comportamento ditados pela solidariedade e pelo afeto. Alguns afirmam que a intenção dos autores era fazer de Amélia um símbolo da mulher compreensiva, amiga, solidária.

AI, QUE SAUDADE DA AMÉLIA
Ataulfo Alves e Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: “meu filho, o que se há de fazer!”
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade

Bolsonaro vai governar com uma base aliada amplamente majoritária

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Charge do Angeli (Folha)

Carlos Newton

É impressionante a mudança de rumos da política brasileira. O candidato Jair Bolsonaro (PSL), que tinha o maior índice de rejeição, não somente vai ganhar a eleição para presidente da República como também conseguirá formar uma base aliada amplamente majoritária, tanto na Câmara quanto no Senado. Portanto, terá condições ideais de governabilidade e facilmente conseguirá suportar a carga da oposição, que terá dificuldades até para formar Comissões Parlamentares de Inquérito.

O mais curioso é que Bolsonaro, que apoia o prosseguimento da Lava Jato e não aceita envolvimento com a corrupção, será apoiado pelos legendas mais comprometidas do Congresso, como PP, PSD, PMDB e PTB, vejam como é difícil que os analistas políticos estrangeiros entendam a política brasileira.

A OPOSIÇÃO – Agora, a grande dificuldade é identificar quem fará oposição ao novo governo. Além dos partidos de sempre (PT, PSOL e PCdoB), quem mais pretende enfrentar Bolsonaro?

O PROS, que apoiou o candidato do PT desde o primeiro turno, está mudando de lado. O deputado federal Eros Biondini (PROS-MG), eleito para o seu terceiro mandato, já gravou um vídeo declarando voto em Jair Bolsonaro no segundo turno da corrida presidencial. Biondini é líder católico da chamada Igreja Carismática.

Dois dias depois do primeiro turno, o PTB de Roberto Jefferson anunciou apoio a Bolsonaro. Outros partidos liberaram as bancada. O DEM está se acertando, discretamente, e o PSD já declarou apoio ao candidato favorito, pois sua característica é aderir a quem estiver no poder, não importa o partido ou a ideologia, o presidente Gilberto Kassab se mostra altamente pragmático, digamos assim.

APTO A GOVERNAR – Desde o fim da ditadura, nenhum outro presidente teve tão ampla base parlamentar. Isso significa que Bolsonaro terá facilidade para aprovar importantes mudanças. Mas nem tudo serão flores, porque haverá resistência a determinadas propostas de Paulo Guedes, que pretende transformar a Previdência num simples plano de capitalização, em que o segurado receberá frutos do que depositar.

Não será uma Previdência como a atual, que ampara o segurado e sua família em caso de doença com incapacidade temporária ou permanente. Funcionará como uma previdência privada bancária, que nada mais é do que uma aplicação financeira. Quando a pessoa se aposenta e começa a usar o dinheiro poupado, paga Imposto de Renda a cada retirada, e a poupança vai diminuindo. Se a pessoa viver muitos anos, como é moda hoje em dia, o dinheiro pode terminar antes da hora, que Deus proteja nossos velhinhos desamparados.

P.S.A reforma da previdência precisa começar pelo fim da pejotização e das falsas empresas criadas por empregados de altos salários, que assim sonegam pagamento de Imposto de Renda, INSS e FGTS e ajudam as empresas empregadoras a também sonegar. Bolsonaro já mostrou que conhece esse golpe, vamos ver como se comportará a respeito na hora da verdade. (C.N.)

Cid Gomes diz que Lula é o culpado pela derrota de Haddad e do próprio PT

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Cid Gomes desfez o sonho de Haddad ter apoio do PDT

Pedro do Coutto     

Ao participar de ato público em Fortaleza para apoiar Fernando Haddad, o senador eleito Cid Gomes atacou o ex-presidente Lula e disse que, na realidade ele tornou-se o grande culpado pela derrota do candidato a que apoia e pela derrota do próprio PT nas urnas de outubro. As afirmações de Cid Gomes dividiram os presentes ao ato, uma parte aplaudindo outra vaiando. Mas ele foi em frente. A matéria está publicada em O Globo, edição de ontem, assinada por Dimitrius Dantas.

O PT, disse Cid, devia ter pedido desculpas ao seus eleitores pelas besteiras que suas lideranças fizeram. “Ao contrário do que normalmente se espera, o ex-presidente Lula da Silva não assumiu seus próprios erros”, acrescentou. O motivo principal da revolta de Cid Gomes foi a não aceitação de qualquer acordo político em torno da candidatura de seu irmão, Ciro Gomes, porque Lula julga-se dono da legenda partidária.

RUMO AO DESASTRE – Não reconhecer os próprios erros é algo que só pode conduzir ao desastre. As críticas de Cid Gomes, a meu ver, são procedentes. O ex-presidente da República, contraditoriamente, demonstrou medo de perder o comando do Partido dos Trabalhadores. Isso de um lado. De outro, foi superestimar sua força política e não perceber a rejeição do eleitorado contra ele. Tal situação conduziu ao equívoco e ao desastre eleitoral.

As pesquisas demonstravam que o candidato mais forte para disputar o Palácio do Planalto com Jair Bolsonaro era mesmo Ciro. Porém, Lula considera-se proprietário da legenda e acha que mesmo preso, podia comandar o eleitorado petista.

O eleitorado petista sozinho não garante o êxito eleitoral da candidatura que adotou. É indispensável reunir forças sociais para que o projeto de poder alcance a vitória e assegure a democracia no Brasil. Até certo ponto, a atitude de Lula ajudou a criar e fortalecer a candidatura de Bolsonaro. O candidato do PSL ocupou a faixa contrária abertamente ao projeto tanto de Lula quanto do próprio PT.

LULA PERDE TUDO – Temendo perder seus correligionários e sua legenda, Lula acabou perdendo tudo isso e também as eleições.  Na minha opinião uma frente de 18 pontos a duas semanas das urnas torna-se praticamente impossível de ter seus rumos alterados.

Lula não levou em consideração as reações da sociedade brasileira ao escândalo do Petrolão. Ainda por cima antes houve o mensalão.

O projeto político, não só do PT mas de todos os demais partidos, com a vitória de Bolsonaro foi transferido para 2022.

Kassab procura equipe de Bolsonaro e anuncia o apoio do PSD ao candidato

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Kassab é um profissional que adere a qualquer governo

Andréia Sadi
G1 Brasília

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), comunicou à equipe de Jair Bolsonaro que seu partido apoia no segundo turno o candidato do PSL para a Presidência da República. Ministro de Michel Temer (MDB), Kassab também foi do primeiro escalão de Dilma Rousseff (PT).

No primeiro turno, o partido – que tem Kassab como principal cacique – apoiou oficialmente Geraldo Alckmin (PSDB). Mas lideranças do PSD já vinham manifestando ainda no primeiro turno apoio a Bolsonaro, como em Minas Gerais e Rio de Janeiro.

INTERLOCUTOR – Na semana passada, Kassab procurou Paulo Guedes – economista da campanha de Bolsonaro e de quem ele é amigo desde os tempos da campanha de Guilherme Afif. Kassab perguntou ao amigo economista quem era o melhor interlocutor político da campanha para comunicar a decisão.

Guedes respondeu: “Onyx Lorenzoni”. Deputado do DEM, Onyx é apontando como futuro ministro da Casa Civil, se Bolsonaro se eleger.

Na última terça-feira (dia 9), Kassab, Afif e Onyx jantaram em Brasília. Kassab explicou que o PSD só não poderia anunciar formalmente o apoio a Bolsonaro porque os diretórios da Bahia e Sergipe apoiavam o PT. Mas, na prática, o partido fará campanha para Bolsonaro no segundo turno.

JUSTIFICATIVA – A aliados, Kassab explicou que o apoio a Bolsonaro nada tem a ver com a perspectiva de poder do candidato do PSL – 18 pontos à frente de Haddad de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada nesta segunda-feira (dia 15).

A justificativa de Kassab é que não poderia apoiar Fernando Haddad por “questões locais” e porque, na sua avaliação, “o PT não está maduro para voltar ao poder”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGKassab é um profissional da política. Quando criou o PSD, fez questão de anunciar que o partido não era de direita ou esquerda, muito pelo contrário. Sempre em cima do muro, em sua carreira Kassab apoiou FHC, Lula, Dilma, Temer e agora… Bolsonaro.  Parodiando Shakespeare, pode-se dizer que “adesão, teu nome é Kassab!”. (C.N.) 

PF indicia Temer e uma filha por corrupção e pede a prisão do coronel Lima

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Temer lavou dinheiro da corrupção  na casa de sua filha

Aguirre Talento, Bela Megale e Carolina Brígido
O Globo

Após 13 meses de investigação, a Polícia Federal ( PF ) finalizou o inquérito que apurava se o presidente Michel Temer e seu grupo político receberam propina em troca de beneficiar indevidamente empresas do setor portuário. No relatório final, a PF indiciou o atual presidente e sua filha Maristela por corrupção passiva , lavagem de dinheiro e organização criminosa , além de outros acusados.

O relatório final afirma que Temer usou empresas do coronel reformado da PM João Baptista Lima, amigo do presidente de longa data, para receber propina da empresa Rodrimar por meio de uma complexa engenharia financeira envolvendo repasses a empresa de fachada ligada ao coronel. A PF aponta ainda crimes em pagamentos feitos pelo grupo Libra. Ambas as empresas são concessionárias de áreas do porto de Santos, reduto de influência política do emedebista.

NO SUPREMO – O relatório final, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, foi enviado nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal — prazo máximo estabelecido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Agora, o material será encaminhado à procuradora-geral da República Raquel Dodge, que deverá decidir se oferece denúncia contra o presidente com base nesses fatos.

Temer já havia sido denunciado duas vezes por Rodrigo Janot, antecessor de Raquel Dodge, em casos envolvendo a delação do grupo J&F (dono da JBS), mas o Congresso Nacional barrou a abertura de ação penal contra o presidente. Caso Dodge ofereça nova denúncia, será a terceira contra o emedebista no exercício do cargo de presidente.

OUTROS ENVOLVIDOS – Além de Temer e Maristela, a PF apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o coronel João Baptista Lima e sua mulher Maria Rita Fratezi, além do seu sócio Carlos Alberto Costa e o filho dele, Carlos Alberto Costa Filho. A PF também aponta corrupção ativa do empresário Antônio Celso Grecco e seu subordinado Ricardo Mesquita, da Rodrimar, e de Gonçalo Torrealba, do grupo Libra, citados como responsáveis por pagamentos de propina em troca de benefícios na administração pública. A PF pediu o bloqueio de bens de todos eles, inclusive Temer e sua filha.

A PF ainda solicitou a prisão preventiva do coronel Lima, seu sócio Carlos Alberto Costa, sua mulher Maria Rita e o contador Almir Martins Ferreira, que também foi indiciado — Almir é suspeito de operar a empresa de fachada que receberia propina para Temer. No despacho, Barroso proíbe os quatro de saírem do país e pede a manifestação da PGR sobre o pedido de prisão.

DECRETO DOS PORTOS – A investigação tem como base um decreto assinado por Temer no ano passado que prorrogou e estendeu os prazos de concessão de áreas públicas às empresas portuárias. A PF suspeita que Temer tenha recebido propina para favorecer as empresas nesse decreto.

Aberta em setembro de 2017, a investigação envolveu medidas incisivas, como a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente da República. Segundo o relatório, as empresas do coronel Lima teriam servido de captadoras da propina junto às empresas. Parte dessa propina teria sido repassada a Temer por meio do pagamento de reformas imobiliárias — o coronel Lima atuou na reforma de uma casa de 350 m² de Maristela Temer em 2014.

Em depoimento prestado por escrito à PF, Temer afirmou que o decreto portuário não favoreceu indevidamente empresas do setor, disse que jamais recebeu pagamentos indevidos e que o coronel não recebia dinheiro em seu nome. O Globo procurou a assessoria do presidente para comentar o teor do relatório final, mas ainda não obteve resposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É bom Temer seguir o exemplo de José Genoíno, Paulo Maluf, Jorge Picciani e do coronel Lima, que simulam doenças para permanecer em prisão domiciliar. Aqui na filial Brasil os criminosos velhos são cheios de regalias, é só arranjar uma fralda geriátrica que a liberdade está garantida. Lá na matriz EUA é diferente, os idosos são os primeiros a ir em cana, para dar exemplo aos mais jovens. (C.N.)

Eu, medo do Bolsonaro? Depois de Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer???

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Dos sete, o único presidente de verdade foi Itamar Franco

Francisco Vieira

Primeiro tivemos o José Sarney, o homem que queria congelar a “lei da oferta e da procura”, que se dispôs a mandar a Polícia Federal caçar bois no Pantanal de helicóptero e que introduziu o PMDB na vida da prostituição e os brasileiros na superinflação… Depois, tivemos o Fernando Collor, o caçador de maracujás, usurpador do patrimônio privado que estava nos bancos e único dono da razão, assessorado por quadrilhas de coronéis intelectuais e que colocou a nossa economia nas mãos da primeira “Dilma” da nossa Nova República…

Aí veio o outro Fernando, que queria que a moeda brasileira valesse o mesmo que o dólar pelos restos dos tempos e que, ao contrário do seu sucessor, comprou o Congresso e pagou à vista, na hora, em dinheiro vivo e que não só foi preso porque estava blindado pelo Brindeiro e por um Supremo corrupto…

LULA E DILMA – Depois apareceu o Lula, irmão gêmeo ideológico do último Fernando, que emprestou muito dinheiro e tirou milhões de pessoas da pobreza e do Terceiro Mundo, sem que nenhum dos novos ricos precisasse estudar ou ter aprendido alguma nova profissão e, por fim, resolver imitar o seu antecessor e comprar o mesmo Congresso, as mesmas prostitutas do PMDB que já tinham sido compradas antes. A diferença foi que desta vez preferiu pagar “mensalmente”. Como queria fazer a mesma coisa que o seu irmão, achou que ainda não tinha aparecido nenhum juiz nesta Zorra e acabou na cadeia…

A seguir, tivemos a “gerentona” Dilma Rousseff, sempre de topete erguido como o de uma gansa choca em um quintal de patos; quando os seus serviçais eram indagados sobre esse rabujo, diziam que a sua arrogância e pouco tato com pessoas eram originários do fato dela ser uma “administradora” eficiente, uma “intelectual” que sacrificara a simpatia humana em prol da impessoalidade da máquina para bem gerir a Petrobrás…

ME PREOCUPAR? – Finalmente, veio o Michel Temer, acompanhado da quadrilha do MDB.  Portanto, repito o que o cartunista Alfred. E. Newman sempre dizia: “Eu, me preocupar?”

Eu, me preocupar com o Bolsonaro, depois de passar trinta anos tendo a vida, a economia, a saúde, a segurança, o transporte, controlados pelos governantes acima mencionados – até o país chegar aonde chegou?

País perde com segundo turno sem debates nem discussão das propostas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Colon
Folha

Instituído pela Constituição de 1988, o sistema de votação em dois turnos faz com que o vencedor assuma o poder legitimado por mais de 50% dos votos válidos. Assim fosse lá atrás, teríamos em 1955 um segundo turno entre Juscelino Kubitschek e Juarez Távora. Na ocasião, JK foi eleito com 35,68% dos válidos, cinco pontos a mais que o segundo colocado e dez à frente do terceiro lugar, Adhemar de Barros.

Cinco anos depois, Jânio Quadros chegou à Presidência com 48%, uma vitória de 16 pontos sobre o marechal Lott, o candidato do governo JK.

E SE NÃO? – E se houvesse segundo turno naquele período? JK poderia ter sido derrotado e Brasília nem existido (para alegria de muitos). O Rio seria a capital até hoje. Talvez o país não tivesse vivido a tempestade dos sete meses de Jânio e quem sabe os anos seguintes, que levaram à derrubada de João Goulart e ao golpe militar de 1964, teriam sido diferentes.

Em meados dos anos 90, setores do Congresso flertaram com a revogação do modelo então recém-criado.

Passados 30 anos da Constituição, parece não haver dúvidas de que o sistema é justo. Não só porque evita a eleição de um presidente sem a maioria. A regra permite ao eleitor comparar dois projetos de poder e mergulhar com profundidade em questões tantas vezes desprezadas em uma disputa muito pulverizada.

DEBATER – O segundo turno oferece a oportunidade de debate entre os finalistas —seja para analisar melhor o que pensam, seja para verificar o comportamento diante de um adversário.

As eleições de 2018 caminham para um desfecho com pouca discussão sobre propostas e chances enormes de não haver encontro entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Perde o país, perde o eleitor.

O segundo turno já está arranhado pela neutralidade de partidos do porte de MDB, PSDB e DEM, como se não fossem responsáveis pelo Brasil recente. Só não foram piores que o PDT, que inventou um “apoio crítico” a Haddad, tendo seu candidato e terceiro colocado, Ciro Gomes, rumado para a Europa logo depois.

Na corrida ao Planalto, a rejeição a Haddad vira novo obstáculo para o PT

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Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Bernardo Mello Franco
O Globo

O favoritismo de Jair Bolsonaro não é mais o único problema do PT. A pesquisa divulgada ontem pelo Ibope mostra que Fernando Haddad passou a enfrentar um novo obstáculo. Pela primeira vez na campanha, seu índice de rejeição ultrapassou o do adversário.

De acordo com o levantamento, 47% dos eleitores descartam votar no petista. Isso significa que a rejeição a Haddad disparou nos últimos dias. Na véspera do primeiro turno, o índice era de 36%.

No caso de Bolsonaro, deu-se o inverso. Pelos números do Ibope, 35% dos eleitores não admitem votar nele “de jeito nenhum”. Na pesquisa anterior, o capitão era rejeitado por 43%.

FAKE NEWS??? – Os petistas associam a maré contra Haddad ao bombardeio de fake news nas redes. O petista tem sido alvo de uma onda de ataques abaixo da cintura. Já foi acusado até de defender o incesto, em postagem do bolsonarista Olavo de Carvalho.

A artilharia produziu efeito, e o petista teve que ir para a defensiva. Ontem ele levou a mulher e os filhos para a TV, num esforço para rebater a ideia de que seria um inimigo da família tradicional.

OFENSIVA VIRTUAL – Com o TSE de braços cruzados, Bolsonaro colhe os frutos da ofensiva virtual. Segundo o Ibope, ele abriu uma vantagem de 42 pontos entre os evangélicos. No contingente, sua vitória sobre Haddad seria um massacre: 66% a 24%.

A esta altura, reconquistar estes eleitores parece uma missão quase impossível para Haddad. Ainda mais com as máquinas das maiores igrejas neopentecostais, como a Universal de Edir Macedo, atuando abertamente para o capitão.

TEMER NÃO SE EMENDA – A menos de 80 dias de passar a faixa ao sucessor, Michel Temer não muda. Nem os hábitos, nem as companhias.

Logo mais, às 18h, o presidente abrirá o Palácio do Planalto para receber a visita de Valdemar Costa Neto. Ele mesmo, o ex-deputado condenado e preso no mensalão.

Campanha de Haddad chega a uma encruzilhada para tentar alcançar Bolsonaro

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Charge do Pataxó (Arquivo Google)

Leonardo Cavalcanti e Lucas Valença
Correio Braziliense

Diante dos números das pesquisas de intenção de votos francamente favoráveis a Jair Bolsonaro (PSL), os aliados de Fernando Haddad (PT) cobram uma mudança na campanha, principalmente em relação ao roteiro e à programação do presidenciável, que centrou as atividades em São Paulo nos últimos dias, desde o final do primeiro turno, em 7 de outubro. “Ele tem de sair da capital paulista. Com a possibilidade dos debates, até fazia sentido ficar mais tempo por lá, mas Bolsonaro tem evitado os confrontos, deixando Haddad parado, sem se movimentar na campanha”, disse um petista, reeleito com votação expressiva para o Congresso.

A agenda de Haddad mostra que um dia depois da votação, o ex-prefeito de São Paulo viajou para Curitiba, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Nos bastidores, petistas adiantaram que seria o último encontro com o padrinho político até o fim do segundo turno, para evitar desgastes entre uma parte do eleitorado que, mesmo capaz de apoiar Haddad, se incomoda com a proximidade com o comandante do partido.

EM SÃO PAULO  – Na quinta-feira da semana passada, o presidenciável petista esteve em Brasília, onde se encontrou com o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Porém, nos outros seis dias, Haddad permaneceu em São Paulo, em entrevistas e encontros com apoiadores.

Ontem, a pesquisa Ibope trouxe Bolsonaro na frente, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad. A intenção total de voto também traz o candidato do PSL na dianteira com 52%. Já o do professor registrou 37%. Por outro lado, o petista lidera a rejeição com 47%, enquanto o ex-militar possui 35% .

“Considerando que a campanha entre o primeiro e segundo tem apenas 20 dias, é muito tempo dedicado a São Paulo. Contra fatos não há argumentos”, afirmou outro parlamentar petista.

SEM DEBATES – Haddad até se encontrou com governadores, como Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB) e falou com jornais e rádios. O problema é que a estratégia de permanecer em São Paulo tinha como ponto central a participação nos debates, por causa do tempo de deslocamento e a própria preparação para os confrontos.

Diante da pesquisa Ibope, que mostrou uma diferença de 18 pontos percentuais de Bolsonaro com relação a Haddad, uma fonte do alto comando petista informou que há um desânimo causado pela baixa capacidade de reação do petista frente ao capitão reformado.

“É uma corrida presidencial complexa, quase impossível, onde o imponderável é visto como a única salvação”, disse um petista, que se refere a um eventual deslize de Bolsonaro para a retomada de fôlego por parte do ex-prefeito de São Paulo.

FAZ SENTIDO – Apesar das críticas dos próprios petistas, analistas consideram que a campanha neste momento é mais voltada para os programas eleitorais e a internet. Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Carlos Ranulfo, a intenção de Haddad em permanecer em São Paulo, neste segundo turno, faz sentido pelo pouco tempo de campanha. “A campanha é muito curta para que ele possa cobrir o país inteiro. Então, ele está investindo no tempo eleitoral e tentando diminuir a rejeição em São Paulo”, entende o pesquisador.

Questionado se esse foco no Sudeste não poderia diminuir os votos nas outras regiões, em especial o Nordeste, o professor diz acreditar que Bolsonaro não terá um crescimento tão diferente do que no primeiro turno nesses locais.

POLARIZAÇÃO – Carlos Ranulfo esclarece que, mesmo que o capitão reformado tenha “entrado” mais facilmente no Nordeste do que o PSDB em outras eleições — alcançando até 30% dos votos em alguns estados —, Bolsonaro tende a continuar com os números da primeira etapa. “Bolsonaro também não vai para o Nordeste.

Agora, ele entrou na região porque a campanha, no fim, ficou polarizada em duas candidaturas”, afirma.

Haddad amacia críticas de Cid Gomes: ‘Coisa meio acalorada, ele é meu amigo’

Haddad

Haddad tenta manter o apoio do PDT, mas está difícil

Daniel Weterman
Estadão

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas feitas pelo senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT). “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad a jornalistas na manhã desta terça-feira, 16. Em uma discussão, Cid Gomes disse que o PT perderá eleição se não fizer mea culpa e chamou a militância petista de ‘babaca’

O petista declarou que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma. Haddad disputa o segundo turno da eleição presidencial com o candidato Jair Bolsonaro, do PSL. Levantamento feito por Ibope/Estado/TV Globo divulgado pouco antes do discurso de Cid Gomes aponta que Bolsonaro lidera a pesquisa com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad.

DISCUSSÃO – Cid Gomes se envolveu em uma discussão com apoiadores do PT durante ato a favor ao candidato da sigla à Presidência, Fernando Haddad, na noite de segunda-feira, 15, em Fortaleza. Em vídeo que circula nas redes sociais, Cid faz elogios a Haddad, mas cobra que o PT faça um mea culpa para conquistar o apoio do eleitorado.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse o senador eleito, sendo interrompido por pessoas da plateia. “É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou durante o ato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cid Gomes tocou num ponto fraco do PT. Quando o partido foi criado, havia a prática salutar da autocrítica, com reuniões frequentes. Depois que o PT chegou ao poder em 2003, a vaidade falou mais alto e nunca mais houve esse tipo de reunião. O PT virou um partido igual aos outros, quer dizer, pior do que os outros, porque traiu suas origens e se tornou uma fábrica de corrupção. (C.N.)

Mourão afirma que “o telhado de Haddad não é de vidro, é de porcelana…”

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Mourão acha que Bolsonaro pode se dar bem no debate

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), disse ao Blog do Camarotti avaliar que o debate entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) não seria um problema. “Depois da liberação médica, será preciso fazer um estudo de situação. Um debate é o que a gente chama na linguagem militar de um confronto direto”, disse Mourão.

“Nesse cenário, Bolsonaro enfrentaria Haddad com calma e serenidade. Até porque o telhado do Haddad não é de vidro. O telhado de Haddad é de porcelana”, disparou o general.

NÃO ERRAR – Agora, todo o cuidado na campanha é não errar. Ao blog, Mourão usou uma expressão militar para resumir a estratégia das duas últimas semanas antes da eleição: “Temos que manter a fisionomia da frente”. Segundo ele, pelo cenário atual, a expectativa na campanha é que Bolsonaro chegue a 60% dos votos e Haddad, a 40%.

Ele também disse que há uma demanda grande de políticos para conseguir uma agenda com Bolsonaro. “Tem muita gente querendo um encontro com Bolsonaro. O difícil tem sido encaixar essa agenda”, acrescentou.

BOLSA FAMÍLIA – De todo jeito, há um esforço para tentar alcançar o eleitor tradicional do PT, principalmente entre os que têm renda mais baixa e na região Nordeste. Para isso, Bolsonaro já propôs uma espécie de 13º do Bolsa Família. “Para a região do Nordeste, a proposta será de romper a lógica da indústria da seca”, disse Mourão.

Sobre a reforma da Previdência, ele voltou a defender a análise do tema logo depois da eleição. A área política da campanha de Bolsonaro quer tratar do tema apenas no próximo ano. “O ótimo é inimigo do bom. Bolsonaro terá seis meses com capacidade de aprovar matérias no Congresso. Mas se puder resolver isso antes, melhor!”, reforçou.