Militares que assessoram Bolsonaro repreendem Mourão pelas declarações

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O Globo

O general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), foi repreendido nesta terça-feira por militares de seu entorno em razão de declarações dadas nos últimos dias. O entendimento de generais que participam da campanha é de que as falas de Mourão prejudicam a candidatura.

Bolsonaro está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, depois de sofrer um atentado em Juiz Fora (MG) no último dia 6. O presidenciável está fora da campanha nas ruas e deixou de participar até mesmo da mobilização nas redes sociais, em razão do grave estado de saúde. Neste contexto, Mourão ganhou mais protagonismo e deu declarações que acenderam o sinal amarelo em grupos de suporte à candidatura.

MULAMBADA – Em uma palestra ontem em São Paulo, para integrantes do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, Mourão usou o termo “mulambada” para se referir a parceiros do Brasil na política externa com países do Hemisfério Sul, empreendida nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o vice de Bolsonaro, “nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”.

No mesmo discurso, Mourão disse que famílias em que mães e avós criam os filhos, em áreas carentes, acabam virando “fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”. As declarações provocaram uma forte reação contra o vice de Bolsonaro, inclusive em seu próprio entorno.

LIGAÇÕES – Logo após as declarações e a imediata repercussão negativa das falas, Mourão recebeu ligações de generais que integram grupos de suporte à campanha de Bolsonaro. Ouviu que a fala com referência à “mulambada” foi “totalmente desnecessária”. O vice reclamou que “hoje não se pode dizer mais nada”.

– As declarações não agregam valor a uma campanha. São brincadeiras que não fazem bem. Se seguir assim, vai prejudicar toda essa gente envolvida na campanha – disse um militar aliado de Mourão, muito próximo a ele.

O entendimento desses generais aliados é que só uma “catástrofe” tira Bolsonaro do segundo turno. Mas, na visão deles, é preciso ter “equilíbrio” nesses menos de 20 dias de campanha até o primeiro turno, em 7 de outubro. “Será que vamos perder para nós mesmos?” – afirmou um aliado do general.

MÃES E AVÓS – A frase sobre “mães e avós” acabarem proporcionando “fábrica de elementos desajustados” precisa ser mais bem analisada, na visão dos aliados de Mourão, mas também é alvo de críticas, pois deveria ter sido melhor pensada, segundo seus aliados na campanha.

– Ele falou bobagem. Se ele tem um diagnóstico sobre isso (sobre como a ausência paterna pode influenciar na formação e no destino do filho), tem de apresentar também uma solução para isso – disse o mesmo aliado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro não pode falar demais, o que é ótimo para a campanha dele. Quanto menos falar, melhor. Já o general Mourão precisa usar uma mordaça. É a única maneira de evitar que fale bobagens. (C.N.)

Campanha petista muda versão e diz não ter pago os advogados de Lula

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Afinal, quem paga e quanto paga a Cristiano Zanin?

Josette Goulart
Folha

Após informar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) gastos de R$ 1,5 milhão para o escritório que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a campanha petista mudou a versão e disse que pretende retificar a informação à Justiça Eleitoral. Segundo a campanha “Lula Presidente” — que depois foi substituída pela de Fernando Haddad —, não houve gastos eleitorais relativos a serviços do escritório Teixeira, Martins, como informado anteriormente.

O escritório comandado por Cristiano Zanin defende o ex-presidente Lula na esfera criminal, inclusive no âmbito da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que, em decisão provisória, pediu que o ex-presidente fosse autorizado a concorrer na eleição —a decisão não foi acatada pela Justiça brasileira.

CONSULTORIA – A primeira informação prestada pela assessoria da campanha Lula à Folha dava conta de que os serviços advocatícios haviam sido prestados como consultoria para o registro da chapa de Lula e Haddad no TSE.

Nesta terça (19), após contestação feita pelo escritório, que afirmou não ter recebido recursos da campanha, a versão petista mudou. De acordo com nota da campanha, o lançamento do gasto junto ao TSE foi feito de forma equivocada e era referente a “uma proposta de contrato que não chegou a ser assinado nem gerou qualquer pagamento”.

Segundo a resolução do TSE 23.553/2017, serviços de consultoria jurídica prestados durante as campanhas eleitorais devem ser pagos com recursos da conta de campanha. Já os honorários advocatícios relacionados à defesa de candidato ou de partido político em processo judicial não caracterizam gastos eleitorais.

FECHAMENTO – As contas de campanha de Lula estão em fase de encerramento, segundo a assessoria. O partido tem direito a R$ 212 milhões do novo fundo eleitoral criado especialmente para o pleito, e destinou à campanha presidencial R$ 20 milhões destes recursos.

As campanhas presidenciais neste ano estão bem mais baratas do que as anteriores. Em 2014, a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) informou ter gasto no total R$ 318 milhões. Neste ano, o teto para candidaturas presidenciais é de R$ 70 milhões.

Amigo de Lula divulgou no Twitter a pesquisa Ibope com antecedência

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Almeida, amigo de Lula, tem informações privilegiadas

José Carlos Werneck

Vocês viram isso? Dizem que essas pesquisas do Ibope para o Jornal Nacional são cercadas de sigilo absoluto, para evitar vazamentos. Mesmo assim, o cientista político Alberto Carlos Almeida, intimamente ligado a Lula, sabia o resultado com bastante antecedência, a ponto de divulgá-lo no Twitter muito antes do que a própria TV Globo.

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EX-CONSELHEIRO DE LULA DIVULGOU RESULTADO DE PESQUISA IBOPE COM 1 HORA DE ANTECEDÊNCIA
Marcelo Faria
/ Site Ilisp

O cientista político Alberto Carlos Almeida, que em 2016 aconselhou Lula a assumir um ministério para evitar ser preso, divulgou com mais de uma hora de antecedência em seu Twitter o resultado da pesquisa Ibope desta terça-feira (18).

Postada às 19:37, a mensagem informava: “Parece que o Ibope vem assim – B28, H19, C11, G7, M6”. Divulgado oficialmente pela Rede Globo às 20:57 – uma hora e 20 minutos depois do tweet – o resultado da pesquisa Ibope foi exatamente o mesmo do divulgado por Alberto: Bolsonaro com 28%, Haddad com 19%, Ciro com 11%, Geraldo Alckmin com 7% e Marina Silva com 6%.

CONSELHEIRO ANTI-PRISÃO – Numa ligação de cinco minutos e quinze segundos no dia 08 de março de 2016, Alberto Carlos Almeida defende que Lula assuma um ministério para fugir da cadeia. “Eles já te condenaram. Não tem defesa jurídica que salve. É uma decisão individual do cara de Curitiba (Sérgio Moro)… Quando toma a decisão, acabou. É uma guerra política. O cara lá, o juiz, é um tucano. Formação, Opus Dei… Está na mão dele, da cabeça dele. Vai que ele é maluco o suficiente para tomar uma decisão nessa direção. (…) Você tem uma coisa na sua mão hoje. É ministério. Usa, caralho. Vai ter porrada? Vão criticar? E daí? Ai você resolve um outro problema. Que é o da governabilidade. Você e Dilma dependem um do outro, cacete”. 

Voto feminino, que deve decidir a eleição, ainda tem maioria de indecisas

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Alessandra Azevedo e Marília Sena
Correio Braziliense

Mais da metade do eleitorado brasileiro, as mulheres têm nas mãos a capacidade de mudar os rumos das eleições de 2018 e, cada vez mais, assumem essa posição de destaque. Em um cenário em que 52,2% dos votos partem delas, a rejeição ou a união feminina em direção a uma candidatura pode fazer muita diferença nos resultados do pleito, avaliam especialistas consultadas pelo Correio. A opinião dos 77,3 milhões de mulheres aptas a votar terá um papel fundamental no desenrolar de uma situação totalmente indefinida nas urnas brasileiras.

Essa mobilização leva a outro fato inédito: nunca houve tanta diferença entre votos femininos e masculinos em um candidato. Pelos dados mais recentes do Datafolha, divulgados ontem, a intenção de votos do líder dos levantamentos, Jair Bolsonaro (PSL), chegou a 26%. No universo feminino, ele chega a 18% dos votos. Entre os homens, o percentual é de 35%.

AVERSÃO – “Ele (Bolsonaro) faz declarações preconceituosas em relação a mulheres, não em relação aos homens. Ofende esse eleitorado, que, portanto, não gosta tanto dele”, resume a cientista política Lara Mesquita, pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (Cepesp/FGV).

Maria Aparecida, 45 anos, que trabalha com serviços gerais no Distrito Federal, é um exemplo disso. Para ela, “um candidato com ideias extremistas e respostas simples é inviável”, porque não se propõe a resolver os problemas na base. Mãe de três filhas, Maria contou que gosta de acompanhar a propaganda eleitoral para discutir a escolha com a família, mas ainda está indecisa quanto ao voto.

 “O que a gente observa é que essas mulheres são contra a ideia de resolver os problemas na força, por meio da violência ou do armamento”, afirmou a cientista política Flávia Millena Biroli Tokarski, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol-UnB).

ANTIBOLSONARO – Além do crescimento do debate público em torno de pautas feministas nos últimos anos, que fez com que grupos de mulheres se unissem contra uma candidatura de extrema direita, outros fatores levam à mobilização contra Bolsonaro.

A percepção das especialistas é de que o movimento não é apenas de feministas, esquerdistas ou com o objetivo de eleger mulheres — tanto que não se nota um número grande do voto feminino em Marina Silva (Rede), uma das duas candidatas na corrida eleitoral (a outra é Vera Lúcia, do PSTU).

Na verdade, entre a pesquisa Datafolha de 22 de agosto e a divulgada ontem, nos votos estimulados, a preferência da ex-ministra do Meio Ambiente caiu de 19% para 9% entre elas.

VOTO ÚTIL – Segundo a cientista política Hannah Maruci Aflalo, da Universidade de São Paulo (USP), a explicação para que grupos organizados femininos não escolham alguém do próprio sexo seria o voto útil.

A estudante Alyssa Volpini, 27 anos, apesar de defender mais votos femininos, considera o cenário para a Presidência inviável e mais delicado. “No caso do presidente, acho que o fundamental é analisar as alianças que o candidato ou candidata tem, por mais que eu ache muito importante a representatividade. Para os outros cargos, faço questão de votar em mulheres”, explicou. Ela não votará em Marina, apesar de ser mulher, por considerar o plano de governo menos atraente que os de outros candidatos.

Por isso, os votos dessas mulheres se dividem entre vários candidatos. O que, inclusive, explica por que Alckmin (10% x 9%) e João Amoêdo (4% x 3%) têm mais voto femininos, de acordo com a pesquisa Datafolha. Como não há nenhuma mulher declaradamente direitista no pleito e as políticas econômicas de Alckmin e Amoêdo atraem mais o público de centro, eles são a opção de muitas delas.

A Canção do Bêbado, na visão lúgubre do poeta Cruz e Sousa

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Cruz e Souza em Desterro (Florianópolis) em 1882

Paulo Peres
Site Poemas & Canções


O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social. No poema “Canção do Bêbado”, Cruz e Souza relata a degradação de um homem em decorrência do alcoolismo, do pessimismo, da tragédia afetiva, da opção pela vida fantasiosa, da depressão associada a bebida e da dúvida que, consequentemente, o levará à morte.

CANÇÃO DO BÊBADO
Cruz e Sousa

Na lama e na noite triste
aquele bêbado vil
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
quem sabe do teu – jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
foi tão cedo depressa enterrar?

Que flores de graça doente
tua fronte vem florir
que ficas amargamente
bêbado, bêbado a vir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
e o teu palácio de fadas
meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma
toda essa névoa glacial
de flor de lânguida espuma
regada de óleo mortal

Que soluço extravagante
que negro, soturno fel
põe no teu doudejante
a confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
que ao vinho misturas bem
que de visões sobre-humanas
tua alma e teus olhos têm!

Boca abismada de vinho
Olhos de pranto a correr
bendito seja o carinho
que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
mais larga que o mundo vão
que possa conter direta
a noite do teu caixão!         

Alckmin ataca extremismo de Bolsonaro e peronismo de Lula que sustenta Haddad

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Alckmin vai mudar o eixo de sua campanha na TV

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Vandison Lima, o ex-governador Geraldo Alckmin anunciou uma revisão de sua estratégia nas três semanas que faltam para o primeiro turno nas eleições presidenciais. Alckmin destacou que um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad representa um risco para o Brasil. Acentuou que Bolsonaro é inexperiente e que Haddad representaria de forma indireta Lula no poder. Por isso ele vai refazer sua presença no horário gratuito da televisão e do rádio, período em que se esgota à meia-noite de 4 de outubro.

Alckmin de acordo com reportagem de Vera Rosa e Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de ontem, enfocou o resultado de uma pesquisa do MDA que ressaltou um avanço na posição do candidato do PT.

PERONISMO – A candidatura Fernando Haddad – digo eu – é sustentada por uma versão que se pode chamar de peronismo através do qual Lula sustenta a candidatura do ex-prefeito da cidade de São Paulo. Por que, na minha opinião a transmissão de votos de Lula para Haddad baseia-se muito mais no populismo do ex-presidente do que em manifestação da extrema esquerda? Simplesmente porque, da mesma forma que no caso de Juan Domingo Perón, a força do PT baseia-se na imagem de um só homem.

A ideologia, para Lula, fica em segundo plano. Ele deseja vencer através da vitória de seu candidato, que aliás custou a aceitar. Não há maior conotação ideológica ou filosófica na sombra de Lula sobre Haddad. Há apenas um desejo de tornar possível a revisão do processo que o condenou. Essa revisão me parece impossível, mas parece factível aos olhos lulistas impulsionando a candidatura Haddad.

DEBANDADA – Alckmin está enfrentando uma debandada da sua base alicerçada no Centrão, com transferências para Haddad e para Bolsonaro. Alckmin completa o vértice do triângulo. Mas esse vértice pode afastá-lo do segundo turno. Alguns leitores poderão até dizer ou se surpreender com a referência que faço ao peronismo. O peronismo, como o varguismo, sempre atacou a esquerda depois de ter flertado com a direita.

No Brasil Vargas elegeu Dutra, na Argentina Perón elegeu a si próprio, Frondizi em 58, elegeu Arturo Illia em 63, Hector Campora em 72 e tornou-se vitorioso nas urnas de 73 com quase 2/3 dos votos. Por isso é que se verifica que o populismo é mais forte do que a esquerda e de maneira indireta pode servir de base para a direita. Encontra-se aí a explicação dos fenômenos Bolsonaro e Haddad.

Nesse quadro Ciro Gomes aguarda o sentido da maré. Ele não tem subido nem caído nas pesquisas. Por falar em pesquisa, vamos comentar depois o levantamento concluído ontem, terça-feira.

Extraindo petróleo a 7 dólares, a Petrobras será uma superempresa

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Na segunda e na terça-feira, a TI publicou  um importantíssimo estudo feito pelo economista Cláudio da Costa Oliveira para a Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras). O ensaio denuncia a campanha de difamação movida pela grande mídia contra a Petrobras em caráter permanente, para defender a privatização e esconder que a estatal é hoje a empresa petrolífera com maior potencial de crescimento no mundo, que está extraindo petróleo com o menor custo, apenas US$ 7 dólares o barril, valor mínimo alcançado no Oriente Médio.

Além disso, em 2014, no ano da pior crise que o Brasil já enfrentou, a Petrobras tinha uma liquidez corrente de 1,6. Significa dizer que, para cada R$ 1 que a empresa tinha de pagar, ela dispunha de R$ 1,6. Naquele mesmo ano, a liquidez corrente da Chevron era de 1,3 e da Exxon de 0,8. Portanto, no auge da crise a situação financeira da Petrobrás era muito mais confortável do que a das duas maiores petroleiras americanas.

SALDO DE CAIXA – Cláudio da Costa Oliveira aponta que a Petrobrás terminou 2014 com um saldo de caixa de US$ 16,66 bilhões, ao passo que a Chevron fechou com um caixa de US$ 12,79 e a Exxon com US$ 4,65. Onde estava a crise? – indaga o economista, considerado um dos maiores especialistas em Política do Petróleo. 

“Em 2014 a Petrobrás alcançou uma Geração Operacional de Caixa de US$ 26,6 bilhões, o que representava 0,15 de sua Receita Bruta. Esta mesma relação na Exxon era de 0,11, na Shell era também de 0,11 e na BP (British Petroleum) de 0,09. Como sempre, a Petrobras apresentava uma capacidade de geração de caixa superior a todas as outras. Que crise é esta?”, continua a indagar o economista.

PASSOU RECIBO – A denúncia de Oliveira sobre o boicote da mídia foi tão grave que O Globo passou recibo e publicou no último domingo uma matéria de página inteira sobre o sucesso do pré-sal, reconhecendo que a Petrobras está extraindo petróleo a apenas US$ 7 dólares o barril, o menor custo do mundo.

O fato concreto é que a grande mídia, capitaneada pela Globo, realmente estava escondendo dos brasileiros a realidade sobre a Petrobras, cuja capacidade de crescimento da produção é hoje a maior no mundo. A previsão é de que em 2026 a produção brasileira de petróleo já seja superior a 5 milhões de barris/dia. Só o supercampo gigante de Búzios estará produzindo mais de 2,4 milhões de barris/dia. O Brasil então passará a ser grande exportador, podendo vender mais de 2 milhões de barris/dia em petróleo cru ou em derivados, se o próximo governo tiver juízo e investir em refinarias.

NOVA REALIDADE –Com esta performance campeã, a Petrobras abre nova perspectiva para o futuro governo. Com os recursos que ganhará com o aumento das exportações, poderá enfim praticar preços menores internamente e ajudar o crescimento da economia, através da reativação da indústria naval, um setor que cria empregos e distribui rendas, que o economista Carlos Lessa incentivou quando esteve no BNDES e depois foi abandonado pelo governo, hoje está em processo de desindustrialização.

Se o governo planejar a política a partir da nova realidade da Petrobras, poderá ampliar a produção do biodiesel e do álcool combustível, também criando empregos e distribuindo renda internamente, podendo então  reservar mais petróleo e derivados para exportação.

GRANDES NÚMEROS – É certo que em poucos anos a Petrobras estará exportando 2 milhões de barris/dia. A míseros US$ 50 o barril (hoje, está a US$ 70), isso significaria faturamento adicional de R$ 146,5 bilhões/ano, uma quantia que pode ser muito aumentada se a Petrobras exportar derivados de petróleo e de nafta, ao invés do óleo cru.

E agora, quem terá coragem de defender a privatização da Petrobras?

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P.S. 1
Quando saiu a primeira parte do ensaio, segunda-feira, houve comentários desairosos, defendendo a privatização, porque a Petrobras vende combustíveis muito caros no Brasil, como se a privatização significasse que iriam baixar.  

P.S. 2O mais infantil, porém, foi criticar a Petrobras por ter mais funcionários do que as outras petroleiras, desconhecendo-se que a maior parte dos empregados delas é de terceirizados…  E assim fica difícil o debate, a troca de ideias sobre um assunto de máxima importância. (C.N.)

Toffoli esquece Segunda Turma e diz que STF sempre deu suporte à Lava Jato

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Toffoli não lembra que era da Segunda Turma

José Carlos Werneck

Em longa entrevista concedida nesta segunda-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, colocou uma “pá de cal” no sonho dos opositores da Operação Lava Jato e também sepultou de vez as intrigas e os boatos de seus opositores, que acham que ele é contrário às investigações provenientes de Curitiba.

Toffoli foi taxativo ao falar que o STF “sempre deu suporte” para a Operação Lava Jato: “Vamos parar com essa lenda urbana, com esse folclore. O STF nunca deu uma decisão que parasse a Lava Jato ou as investigações”.

COMPETÊNCIA – No entender do ministro o que o Supremo fez “muitas vezes” foi, “dentro de parâmetros constitucionais, legais e processuais”, mudar a competência de um juiz para o outro nos casos de primeira instância.

Ele explicou que essas situações envolveram o ex-presidente Lula e o ex-ministro Guido Mantega, cujos processos migraram da alçada do juiz Sérgio Moro, em Curitiba, para a Justiça Federal  do Distrito Federal e de São Paulo, respectivamente

“O Brasil não tem um único juiz ou dois únicos juízos. As decisões sempre foram pautadas e tomadas no sentido de permitir as investigações. E quando as investigações se mostram abusivas elas devem ser tolhidas pelo Judiciário, que é o garante dos direitos de garantias individuais e fundamentais”, declarou Dias Toffoli.

SEM POLÊMICAS – O presidente do STF disse que adotará a mesma linha de conduta, de não pautar matérias polêmicas neste ano, no Conselho Nacional de Justiça, onde encontram-se em tramitação ações consideradas delicadas, como as que questionam as atuações do juiz Sérgio Moro e do desembargador Rogério Favreto, que mandou libertar o ex-presidente Lula durante um plantão judicial.

“Não é o caso de pautar esses casos este ano. Até porque houve mudança do corregedor agora há pouco tempo, o corregedor precisa tomar pé desses casos, alguns deles estão em instrução ainda”.

O ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, foi quem assumiu a corregedoria do CNJ no final de agosto.

OUTROS PODERES – Toffoli disse também que pretende montar uma agenda comum com os outros dois Poderes, Independentemente de quais forem os eleitos este ano.

“Eu sempre sigo a máxima do Nelson Jobim. Ele sempre disse e repete. Interlocutor não se escolhe. Seja quem for o futuro presidente da República, o futuro Congresso Nacional e seu presidente, a futura Câmara dos Deputados e seu presidente, os poderes têm de ter o dever, o dever constitucional da harmonia, e procurar uma pauta conjunta. Isso eu procurarei fazer sejam quais forem os futuros presidentes dos demais poderes”.

TETO SALARIAL – Dentre os temas que devem figurar nesta agenda comum, ele citou a discussão da reestruturação do teto constitucional referente aos salários do funcionalismo público.

“Em relação ao teto é uma discussão entre os poderes. Em relação ao novo sistema de remuneração para magistratura em relação aos juízes que passarem a ingressar no sistema judiciário, o que vai implicar também outras funções essenciais na Justiça, especialmente o Ministério Público, isso é uma discussão que nós temos de fazer internamente com as carreiras”, disse Toffoli.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
De memória curta, Toffoli esqueceu as peripécias da Segunda Turma, que vem fazendo o possível e o impossível para enfraquecer a Lava Jato, libertando criminosos da pesada como José Dirceu, Jacob Barata, Sérgio Cortês e outros protegidos do trio Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Esta realidade o ministro dos R$ 100 mil mensais esqueceu rapidinho. (C.N.)

Pesquisa Ibope confirma que só restaram esses três: escolha o seu candidato

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Bolsonaro tem 28%; Haddad, 19%;  e Ciro, 11%

Carlos Newton

O site do Ibope e o Jornal Nacional divulgam que Fernando Haddad (PT) cresceu 11 pontos percentuais e assume o segundo lugar na disputa pela Presidência da República. Jair Bolsonaro (PSL)oscilou positivamente e se mantém na liderança com 28%, nove pontos à frente do segundo colocado. E Ciro Gomes (PDT) vem bem atrásm com apenas 11 pontos.

Realizada pelo Ibope Inteligência, a nova apuração sobre as intenções de voto para Presidente da República foi encomendada pela TV Globo e as entrevistas foram feitas entre os dias 16 e 18 de setembro

A CORRIDA – A disputa traz Bolsonaro (PSL) na liderança oscilando de 26% para 28%, ao passo que Fernando Haddad, do PT, cresce 11% em relação à última pesquisa, indo de 8% para 19% e assumindo a vice-liderança.

O pedetista Ciro Gomes, por sua vez, manteve os 11% de menções registradas anteriormente, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 9% para 7% e Marina Silva, da REDE, que tinha 9%, desceu para 6% nesta rodada. Os demais candidatos (João Amoêdo, do Novo, Alvaro Dias, do Podemos, Henrique Meirelles, do MDB, Guilherme Boulos, do PSOL, Vera, do PSTU, João Goulart Filho, PPL, Eymael, da DC e Cabo Daciolo, do PATRIOTAS) variam dentro da margem de erro e têm até 2% das intenções de voto. Indecisos se mantém em 7% e votos em branco ou nulo caem de 19% para 14%.

PESQUISA ESPONTÂNEA – Infelizmente, o Ibope ainda não divulgou os  números da pesquisa espontânea, que dá um retrato mais preciso sobre as intenções de voto, com entrevistador perguntando diretamente: “Em quem você vai votar para presidente?”.

Os resultados mostrados pelo Jornal Nacional na noite desta terça-feira exibem apenas a pesquisa incentivada, em que o entrevistador mostra ao eleitor quais são os candidatos e ele aponta um.

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P.S.
Bolsonaro está tranquilo no segundo turno, embora a campanha esteja prejudicada pela sua ausência, pois o vice Mourão fala muita bobagem. Eu continuo com a expectativa de que Haddad subiu muito e atingiu seu teto, que é o mesmo de Lula, com 20% dos votos. Em todas as pesquisas divulgadas até agora, quem vem na frente são os Indecisos, Brancos e Nulos, que estavam com mais de 50% (maioria absoluta) e caíram para 45,2% nesta semana, na pesquisa espontânea da CNT/MDA. Vamos aguardar para ver se Haddad vai estacionar e Ciro subir como terceira opção. (C.N.)

Petistas calculam que Haddad terá até 80% dos votos que iriam para Lula

João Domingos
Estadão

Há um bom tempo, antes mesmo de Lula ser preso, o PT chegou à conclusão de que o adversário mais vulnerável no segundo turno seria o deputado Jair Bolsonaro (PSL). Portanto, todas as ações do partido deveriam ser feitas de forma a desconstruir candidatos como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), até que sobrassem apenas o PT e o candidato do PSL.

Só para se ter uma ideia de como os petistas trabalharam para que esse cenário ocorresse, reproduz-se a orientação de um estrategista da campanha do PT à militância do partido, feita há cerca de dois meses: “O ex-capitão Jair Bolsonaro é o candidato mais execrável, mas não o nosso inimigo principal. Há uma operação em curso para criar uma onda de ‘unidade nacional’ contra o neofascista, tentando viabilizar a recuperação de uma candidatura da centro-direita, do partido golpista. Nosso inimigo principal chama-se Geraldo Alckmin. O neofascista Jair Bolsonaro é o candidato que preferimos enfrentar em eventual segundo turno, até porque deixa as elites do Brasil sem máscara nem maquiagem.”

ALCKMIN COMPETITIVO – Àquela altura, havia na direção do PT a certeza de que Geraldo Alckmin conseguiria unir os partidos de centro em torno de sua candidatura, o que poderia torná-lo muito competitivo, a ponto de ultrapassar Bolsonaro. E um segundo turno entre o candidato petista e o tucano levaria, inevitavelmente, à vitória de Alckmin, que receberia os votos dos eleitores do capitão reformado e dos eleitores de centro que rejeitam o PT. Então, o melhor caminho seria derrubar Alckmin ainda no primeiro turno. Depois, esperar a chegada do capitão reformado.

Do lado de Jair Bolsonaro, a estratégia traçada foi a mesma. Não interessava a ele enfrentar Alckmin, Ciro ou Marina, porque quem sobrasse poderia receber os votos dos eleitores do PT no segundo turno. Nessas condições desfavoráveis, o favorito de Bolsonaro passou a ser o PT. Com a torcida para que os eleitores de Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos), que rejeitam o PT, votassem nele.

ELEIÇÃO CONFUSA – É possível que o confronto Bolsonaro x Fernando Haddad venha a ocorrer, embora não se possa assegurar que ocorrerá, porque nessa confusa eleição é impossível fazer qualquer tipo de previsão. Trata-se apenas de uma possibilidade. Ciro Gomes, Alckmin e Marina mostram-se competitivos e têm condições de crescer. Os petistas, no entanto, acreditam que terão chances até de ultrapassar Bolsonaro agora que Haddad iniciou a campanha.

Pesquisas internas do PT apontam para a possibilidade de o candidato receber até 80% dos votos que iriam para Lula. Nesse clima de confiança, eles acham que vão contar até com a ajuda do PSDB que, por questões ideológicas, não estaria disposto a ver Bolsonaro chegar ao poder.

REJEIÇÃO -É preciso observar, porém, que mesmo que a cúpula do PSDB faça um acordo institucional com o PT, não há nenhuma garantia de que o eleitor tucano vá votar em Haddad. A rejeição entre tucanos e petistas é muito grande. E a antipatia mútua só tem se agravado. A divisão que se verificou na campanha de 2014 continua a mesma, senão pior. Também não há garantia de que o voto do eleitor do PSDB venha a ser direcionado para Bolsonaro.

No Brasil alguns partidos, como o PT e o PSL, podem até ter algum viés ideológico. Mas o grosso do eleitor não tem. À exceção de um porcentual pequeno, o eleitor vota em que lhe transmite a mensagem mais compreensível, que se aproxima de suas necessidades, ou, por exclusão, naquele que pode ser o oposto do que detesta e rejeita. Esse é o drama tanto de Haddad quanto de Bolsonaro, caso venham a duelar no segundo turno.

O perigo é que Bolsonaro, Mourão e a direita acreditam no que dizem

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Parecem não entender o que é “democracia”

José Casado
O Globo

“Eu sou baixo clero, e sou de direita”, repetiu na Câmara nos últimos 27 anos. Encarnou um personagem que, sem farda, exala a rusticidade da caserna. Se tornou um missionário da ruptura com a democracia, em negação permanente da catástrofe dos 21 anos de ditadura militar.

Foi ignorado até 2015 quando se anunciou candidato de uma nova tribo à direita: a sociedade anônima dos que têm medo do PT com os ressentidos da liquefação política. Líder nas intenções de voto — e na rejeição eleitoral, sobretudo entre as mulheres —, Jair Bolsonaro, 63 anos, ventaneja há décadas a “refundação” do Brasil por uma nova direita, essencialmente antiliberal.

PERÍODO DE EXCEÇÃO – O projeto prevê intervenção militar, “para manutenção da lei e da ordem, conforme o artigo 142 da Constituição”, repetiu pelo país. Ele não conspira, fala em público, e não renega a tosca antipolítica: “Um curto período de exceção, que incluiria o fechamento temporário do Congresso e a suspensão das prerrogativas do Legislativo”, disse no Sul.

A última ditadura durou 21 anos. No epílogo da anarquia fardada, ele figurou com um plano para explodir bombas em quartéis no Rio.

Da tribuna da Câmara ecoou seu fascínio pelo autoritarismo: “Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”. Desenhou-o como saída aos problemas nacionais.

MAIS IDEIAS – “O que o gaúcho quer? Que dos impostos que paga, parte não continue sendo desviada para a indústria da seca no Nordeste.” E ainda: “Quando é que vamos conseguir aprovar uma emenda que diminua a bancada de Roraima? Não acredito nisto.”

Nesse roteiro, primeiro, se decreta a “falência” do Legislativo. “Quem decide?” — perguntou dias atrás o repórter Merval Pereira a Hamilton Mourão, parceiro de chapa de Bolsonaro. O general candidato a vice do capitão retrucou: “O próprio presidente. Ele pode decidir empregar as Forças Armadas. Aí, você pode dizer: ‘Mas isso é um autogolpe’”.

Bolsonaro, Mourão e a nova tribo à direita acreditam no que dizem — e, talvez, esse seja o problema.

Alckmin tenta impedir debandada do Centrão, mas não poderá evitar

Alckmin

Alckmin já era, mas esqueceram de avisá-lo

Vera Rosa e Pedro Venceslau
Estadão

A campanha do ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB nas eleições 2018, tenta evitar uma debandada de aliados e quer reforçar a visibilidade do tucano em São Paulo nas três semanas que restam antes do primeiro turno. Ainda sem contar com o engajamento dos partidos do Centrão, Alckmin pretende investir no próprio quintal para evitar o triunfo do voto casado no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e no nome tucano para o Palácio dos Bandeirantes, João Doria. A ideia é impedir a consolidação do chamado voto “bolsodoria” no maior colégio eleitoral do País.

Apesar de ter o maior tempo no horário eleitoral no rádio e na TV, Alckmin continua estagnado nas pesquisas. Oficialmente, integrantes do bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade pedem mudanças no tom da campanha, mas, nos bastidores, já procuram candidatos que consideram mais viáveis para o segundo turno.

EMERGÊNCIA – Os líderes do Centrão foram convocados pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), coordenador político da campanha, para uma reunião de emergência hoje na capital paulista. Porém, já há sinais de abandono na aliança tucana. O coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado Major Olímpio (PSL-SP), disse nesta segunda-feira, 17, que líderes do Centrão estão se aproximando do presidenciável do PSL.

No Solidariedade, partido ligado à Força Sindical, a preferência é pelo candidato do PDT, Ciro Gomes. Já o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que concorre à reeleição, não esconde o apoio ao PT. Sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no páreo por causa da Lei da Ficha Limpa, o senador pretende se juntar à campanha do petista Fernando Haddad. Alega, para tanto, questões regionais.

CRISTIANIZADO – Um dos integrantes do bloco disse ao Estado que, na prática, não há como desfazer a coligação com Alckmin. Mas observou que, mesmo nas fileiras do PSDB, o tucano está sendo “cristianizado”, termo usado na política para se referir a candidato abandonado por seus pares.

Embora considere “dificílima” a hipótese de o tucano deslanchar, a maior parte do Centrão acha que é preciso concentrar o ataque em Bolsonaro e pregar o voto útil com mais vigor, deixando a artilharia pesada contra Haddad para o final. Há, no entanto, quem defenda críticas já ao petista.

Na avaliação de integrantes do bloco ouvidos pelo Estado, além de desconstruir Bolsonaro, o ex-governador de São Paulo precisa destacar os riscos da volta do PT ao poder e se descolar do presidente Michel Temer, bastante impopular.

DORIA E FRANÇA – Em outra frente, a campanha vai tentar promover uma aproximação entre o governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição, e Doria. “Esse litígio entre o Doria e o França nos prejudica muito. Um dos nossos esforços será para reduzir as agressões entre eles e para que a campanha do Geraldo esteja mais presente em São Paulo”, disse o ex-secretário de Energia de São Paulo João Carlos Meirelles, conselheiro próximo de Alckmin.

Até o momento, as campanhas de França e Doria têm ignorado Alckmin na propaganda de rádio e TV. O ex-prefeito tem feito agendas pontuais com o ex-governador, mas sua campanha adotou um discurso com forte enfoque na segurança pública para atrair o eleitorado de Bolsonaro. Doria também tem poupado Bolsonaro em entrevistas e sabatinas.

LEIS MAIS DURAS – No comercial exibido nesta segunda-feira, o ex-prefeito defendeu a redução da maioridade penal e “leis mais duras”, além de blindar veículos da Polícia Militar. Na mais recente pesquisa Ibope sobre o cenário em São Paulo, Bolsonaro e Alckmin aparecem, em empate técnico na primeira colocação, com 23% e 18%, respectivamente, no limite da margem de erro.

No campo da estratégia, a avaliação da campanha de Alckmin é de que uma vaga no segundo turno será de Haddad e que é inevitável manter o foco em Bolsonaro. “A nossa percepção é que Haddad vai para o segundo turno. Já o voto em Bolsonaro não está cristalizado. É na última semana que isso ocorre”, disse Meirelles.

APOIO AO PT – Em Pernambuco, o PSDB compõe a aliança do senador e candidato ao governo Armando Monteiro (PTB), principal chapa de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB), mas o petebista declarou voto em Lula, quando o ex-presidente, preso e condenado na Lava Jato, ainda figurava como presidenciável do PT. Monteiro reúne em sua chapa os deputados Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), ambos de partidos que compõem o Centrão.

O coordenador da campanha presidencial de Geraldo Alckmin no Estado, Joaquim Neto, reconhece que falta apoio dos candidatos coligados ao partido para fazer campanha para o presidenciável tucano em nível regional. Ele atribui o movimento para “esconder Alckmin” à força do lulismo no Estado. “Por causa de Lula, o PT tem 60% das intenções de voto, o cara não quer atrelar o nome dele a nossa campanha. É uma luta desigual, mas no segundo turno todo mundo vai querer nos apoiar”, disse.

RACHA NO PP – No Rio Grande do Sul, a candidatura do presidenciável tucano enfrenta um racha no PP, partido da senadora Ana Amélia, que integra a chapa como candidata a vice-presidente. O candidato ao Senado pela sigla, deputado federal Luis Carlos Heinze, anunciou que irá apoiar o presidenciável Jair Bolsonaro. Heinze também afirmou que não subirá em palanques com Alckmin e que usará seu tempo de TV para apresentar seu voto e fazer campanha para Bolsonaro.

O tucano, no entanto, recebe apoio explícito dos candidatos aos governos do Paraná, Bahia e Minas. Na Bahia, o material de campanha do candidato ao governo José Ronaldo (DEM), cuja candidatura é coordenada por ACM Neto, um dos principais articuladores da aliança do tucano com o Centrão, tem utilizado com destaque a imagem do presidenciável tucano. Ronaldo tem 8% das intenções de votos, segundo pesquisa Ibope publicada em agosto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Este tipo de movimento é irreversível. Quando começa, não acaba mais. Abriu a porteira, passa um boi, passa a boiada. A candidatura de Geraldo Alckmin já era. (C.N.)

Bolívar e Martí eram libertadores e não aprisionadores de seus povos

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Bolívar e Martí, tiveram suas imagens usurpadas

Percival Puggina

Durante quase 30 anos, período em que algumas emissoras de rádio e TV mantiveram, aqui em Porto Alegre, programas de debates do tipo dois para lá, dois para cá, me contrapus incontáveis vezes com entusiasmados defensores dos regimes cubano e, mais recentemente, venezuelano.

A cada degrau descido por esses países na escada da perdição, era inevitável subir os morros onde se situam as emissoras para participar de rodadas de debate com o singelo encargo de afirmar o óbvio ante o contorcionismo retórico posto em prática por antagonistas cujo único intuito era o de dissimular o que todos viam. Cuba, diziam, era a coisa mais parecida com o paraíso terrestre, sob um regime que encarnava a beleza dos versos de José Martí tanto quanto o “socialismo bolivariano” evocava o eminente papel histórico de Simón Bolívar.

MISTIFICAÇÃO – Aí já começavam a incongruência e a mistificação. Nenhum dos dois –Martí e Bolívar – se respeitados fossem, se consultados pudessem ser, aceitaria qualquer associação com os tiranos que se apossaram de suas imagens. Ambos eram libertadores e não aprisionadores de seus povos. Ambos lutaram contra o inimigo estrangeiro e não contra seus próprios conterrâneos. Mas tudo servia e serve para quem assume a fraudulenta tarefa de vender submissão como sendo autonomia, miséria como sendo abundância, perda de direitos como liberdade, atraso como progresso.

Aconteça o que acontecer por lá jamais se ouvirá dos incongruentes qualquer palavra que não seja de justificação e exaltação. Os argumentos são comuns aos dois regimes. Contra os fatos, a versão; contra a história, a narrativa; e, sobretudo, a culpa dos Estados Unidos.

ANTIAMERICANOS – Nessa fraudulenta perspectiva, qualquer país do mundo que mantenha relações comerciais e diplomáticas amistosas com os Estados Unidos empobrecerá por causa dessas relações e qualquer país sobre o qual pesem embargos comerciais norte-americanos, será pobre por causa disso. Apanha pelo sim e apanha pelo não. A coerência que se dane. A história, porém, ensina a quem a estuda: no comunismo, quando o capitalismo joga a toalha, a vida vira uma droga (para usar termo brando).

Se alguém tinha dúvida sobre o tipo de estrago que o chavismo, o socialismo, o bolivarianismo, o comunismo, o castrismo – o que seja, dessa gororoba ideológica – podem fazer num país, creio que a vida dos venezuelanos, sua acelerada degradação social, política e econômica, ajudam a dissipar.

A tirania, agora, proíbe a oposição de participar da eleição presidencial venezuelana. Ausentes os partidos oposicionistas, as chances de uma vitória do governo são, digamos, bem razoáveis. Mas até para isso há fã clube no Brasil. E querendo voltar ao poder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMuito importante essa tese do Percival Puggina. Concordo plenamente. E tenho a impressão de que aconteceu a mesma coisa com Marx e Engels. (C.N.)

“Esse Mourão está escalando o golpe”, diz Ciro sobre o vice de Bolsonaro

Ciro disse ter se reunido com general Villas Bôas

Deu em Globo

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, acusou na noite desta segunda-feira o general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), de pretender dar um golpe de Estado no Brasil. A afirmação foi feita durante entrevista do pedetista ao “Jornal da Globo”. Na mesma entrevista, Ciro afirmou duvidar de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nada soubesse sobre os desvios na Petrobras, no escândalo conhecido como “petrolão”.

Ciro foi questionado sobre uma frase dita durante a sabatina do Globo, na semana passada. Ele afirmou que o comandante do Exército, general Villas Bôas, tem feito comentários políticos para “tentar calar a voz das cadelas no cio que embaixo dele estão se animando”.

COM VILLAS BÔAS – Ao explicar a frase, revelou um encontro com Villas-Bôas e acusou o vice de Bolsonaro de tentar um golpe no país.

– O General Villas Bôas me convidou a conversar lá no quartel-general, durante esse processo eleitoral, eu respondi que não achava próprio. Ele perguntou se aceitaria conversar na casa dele. Aceitei. Tivemos uma conversa muito franca em que eu claramente anunciei para ele que esse general Mourão está escalando o golpe no Brasil e que eu ia enfrentá-lo. E o general Mourão considera o general Villas Bôas amigo-irmão.

Também na sabatina do Globo, Ciro afirmou que Villas-Boas poderia “pegar uma cana” num governo seu por dar declarações políticas, e manteve a opiniião.

– Eu sou um brasileiro que conhece a lei. Está proibido comandante militar dar opinião sobre política. Simples assim, está na lei. No dia seguinte, o presidente do Uruguai mandou prender o comandante do Exército, que deu opinião sobre assunto político. É próprio, num país que tem a tradição que nós temos, que um comandante militar fique tutelando um processo eleitoral, coagindo as pessoas a votar por medo? Medo de quê? Eu não tenho medo deles, não.

AMIGO LULA – O presidenciável também foi questionado sobre o ex-presidente Lula, a quem tem poupado dos ataques mais diretos que reserva ao candidato Fernando Haddad e ao PT. Ciro declarou duvidar que Lula não soubesse dos esquemas de corrupção na Petrobras e que ele próprio alertou o líder petista sobre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

– No mensalão eu estava lá. Ele (Lula) de fato não sabia. Acredito que ele falou a verdade quando disse que não sabia. No petrolão não dá. Simplesmente nao dá. Nao é que ele sabia que as pessoas estavam roubando, mas sabia que as pessoas estavam procurando essas indicações (de cargos na Petrobras) para roubar. Falei para ele, por exemplo, de Sérgio Machado.

Ainda sobre Lula, Ciro disse que evita atacá-lo porque se sentiria “um covarde”, pelo fato de o petista estar preso. “Ataco o PT porque o PT e o Haddad estão soltos e podem reagir. E o Lula está na cadeia. Eu me sinto um covarde. Gostaria que o Lula estivesse solto, e eu pudesse debater e refletir com ele. Sou amigo do Lula há 30 anos. Ele não é satanás como querem os coxinhas nem Deus como parte do PT quer”.

Quando o general Mourão discursa, quem perde votos é Bolsonaro

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Mourão só abre a boca para falar bobagens

Igor Gielow
Folha

O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência, afirmou nesta segunda (17) que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico. Ele desfiava uma teoria correlacionando o que considera dissolução da família nuclear por defensores de “agendas particulares que tentam impor ao conjunto da sociedade”. Não foi explícito, mas seu argumento é análogo ao utilizado pelos críticos da união homossexual.

Segundo o general da reserva, a sociedade no mundo todo vive uma crise de costumes. Particularizou então o caso brasileiro. “A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, é mãe e avó. E, por isso, torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”.

INVESTIMENTOS – Mourão pregou então investimentos em saúde, segurança e infraestrutura do Estado, para combater a presença do crime nas favelas. Ele fez as considerações para uma plateia francamente simpática, a julgar pelas perguntas e manifestações da plateia, na seção paulista do Secovi, o sindicado do mercado imobiliário.

“Se polícia age como polícia, é criticada. Direitos humanos são para os humanos direitos”, disse, sendo aplaudido. Ele defendeu o controle eletrônico de pontos de fronteira para tentar deter o tráfico, além do investimento em tecnologia.

Transitando pelo politicamente incorreto, criticou a política externa dos anos Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 2003-10). “Nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”, disse.

ÁFRICA E A. LATINA – Citou então os casos de suspeitas de corrupção em financiamentos brasileiros a projetos na África e na América Latina, um dos eixos da política Sul-Sul apregoada pelo então chanceler Celso Amorim, que buscava alternativas políticas e econômicas às parcerias tradicionais com EUA e Europa.

Questionado posteriormente sobre o termo usado, disse que só havia dito “para o auditório ficar satisfeito”.

Tocando violino para a audiência, fez uma defesa do livre mercado, da redução ou simplificação da carga tributária, da necessidade da reforma previdenciária e da “implementação da trabalhista, que tem gente que é contra”. “Compete ao governo ser indutor, dar marcos regulatórios”, afirmou.

TODO AMARRADO – Para ele, o Brasil é um “cavalo para saltar 1,80 m”, mas está “todo amarrado, só consegue saltar 0,70m”. Defendeu o ajuste fiscal baseado no corte de gastos e regulação. “Agências reguladoras são boas. Mas a macacada vai lá e faz cabide de emprego. Vamos pôr gente com mandato.”

“É preciso projeto para dar segurança ao investidor. Haverá então lucro, reinvestimento e empregos”, disse, pregando investimento em infraestrutura. “Querermos estradas alemãs, não com o padrão da República Centro-Africana, me desculpem os irmãos de lá. Temos de priorizar as áreas mais importantes”, afirmou.

No comércio exterior, defendeu a redução da Tarifa Externa Comum do Mercosul. “Vamos aproveitar que a Venezuela [Estado associado ao bloco] já foi pro saco e discutir isso com os membros efetivos”, disse.

PRIVATIZAÇÃO – Para Mourão, o refino e a distribuição da Petrobras podem ser vendidos, mas relativizou a demanda privatista. “Tem de privatizar o que tem de ser privatizado”, disse, afirmando que o problema maior da petroleira é a corrupção.

“Quando contei para meu comandante, general Eduardo Villas-Bôas, meu amigo de fé e irmão camarada, que seria o vice do Bolsonaro, ele disse ‘Eu quero a diretoria que fura poço’”, afirmou, fazendo piada com a expressão criada pelo então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, a respeito da área da Petrobras que desejava dominar no governo Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão sei bem por quê, de repente me lembrei do outro general Mourão, que detonou o golpe civil e militar de 64, que depois virou persona não grata do regime militar e disse que era “uma vaca fardada”. Este segundo Mourão, ao dar estas declarações, deve ter tirado alguns milhares (ou milhões) de votos de Bolsonaro. (C.N.)

PF mira filho de ministro de TCU e assessor de Paulinho da Força

Tiago Cedraz é filho de um ministro do TCU

Deu em O Globo

A Polícia Federal (PF) deflagrou a quarta fase da Operação Registro Espúrio na manhã desta terça-feira. O objetivo desta vez é investigar desvios de valores da Conta Especial Emprego e Salário (CEES). Autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação tem como principais alvos um filho de ministro do Tribunal de Contas da União e o chefe de gabinete do deputado Paulinho da Força (SD-SP). O advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, e Marcelo de Lima Cavalcanti são alvos de busca e apreensão.

Os agentes federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão e nove ordens judiciais de prisão temporária em Brasília, Goiânia, Anápolis, São Paulo e Londrina. As informações são do G1.

BUSCA E APREENSÃO – Os agentes fazem buscas no apartamento e no escritório de Tiago, que já havia sido alvo da 45ª fase da Operação Lava-Jato, em agosto do ano passado. Ele foi intimado a depor e compareceu à superintendência da PF em Brasília, na ocasião. O lobista Jorge Luz contou que o advogado intermediou conversas entre a companhia Sargeant Marine e a Petrobras. Em contrapartida, teria recebido US$ 20 mil dólares em propina. Tiago nega qualquer conduta ilícita.

A ação indicava ainda que Tiago e outro advogado mantinham US$ 50 mil em comissões em contas na Suíça. O sócio dele Bruno Galeano é alvo de mandado de prisão temporária nesta terça-feira, segundo o G1. A PF chegou a pedir a prisão do filho do ministro do TCU, mas Fachin negou. O advogado é intimado a depor.

ESQUEMA – Em junho, O  Globo mostrou que a Força Sindical indicou Cedraz para representá-la no grupo de trabalho montado dentro do Ministério do Trabalho para tentar efetivar de vez os repasses das contribuições sindicais retidas na Caixa. Ele é secretário de Assuntos Jurídicos do Solidariedade. Outro sócio de Tiago no escritório mantido em Brasília, o advogado Bruno de Carvalho Galiano, também passou a contribuir formalmente com o grupo que deve decidir os rumos do bolo de R$ 500 milhões que pode engordar o caixa das centrais. Ele foi nomeado como representante da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Bruno é filiado ao Solidariedade na Bahia desde fevereiro de 2016.

Na ação de hoje, a PF apura uma suposta organização criminosa que atuaria em restituições de contribuições sindicais recolhidas a maior ou indevidamente da CEES. Os agentes investigam crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro.

FRAUDES SINDICAIS – A Operação Registro Espúrio, cuja primeira fase fora deflagrada em maio deste ano, apura uma série de fraudes na concessão de registros sindicais por parte do Ministério do Trabalho. Desde então, Helton Yomuna foi afastado da chefia do ministério em julho. A concessão de registros também foi suspensa.

Em agosto, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou 26 pessoas por organização criminosa numa suposta atuação no Ministério do Trabalho. Entre eles estão o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura; o presidente do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson; e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ), Jovair Arantes (PTB-GO), Nelson Marquezelli (PTB-SP), Paulinho da Força (SD-SP) e Wilson Filho (PTB-PB).

A acusação utiliza informações da delação premiada de Renato Araújo Júnior, ex-coordenador de Registro Sindical, revelada pelo Globo. Araújo relatou que atendia aos interesses de Cristiane Brasil e Roberto Jefferson dentro da pasta. Ainda foram utilizadas informações obtidas por meio de medidas cautelares, como quebras de sigilo e buscas e apreensões.

PAI E FILHA – Roberto Jefferson e Cristiane Brasil orientaram uma ONG que prestava serviços à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) a fraudar os requisitos necessários para conseguir o registro sindical no Ministério do Trabalho, segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado do Rio (Sindaperj), Wilson Antônio Camilo Ribeiro. Ele denunciou o caso em 2016/2017 ao Ministério Público Federal (MPF) e ao próprio Ministério do Trabalho.

No começo deste mês, Fachin determinou a abertura de inquérito para investigar o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e sua chefe de gabinete, Vivianne Lorenna Vieira, por suspeita de corrupção e associação criminosa no âmbito da Operação Registro Espúrio. Marun nega ter recebido qualquer vantagem, devida ou indevida.

O ministro do STF também mandou instaurar outros dois inquéritos: um envolvendo os senadores Cidinho Santos (PR-MT) e Dalírio Beber (PSDB-SC) e outro envolvendo os deputados federais Wilson Santiago Filho (MDB-PB), Jovair Arantes (PTB-GO), Nelson Marquezelli (PTB-SP), Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Paulinho da Força (SD-SP).

Propaganda de Haddad na TV “inventa” até suspensão do Bolsa Família

Cleide mentiu ao dizer que não recebeu

Bruno Góes

Desde que se tornou o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad tem utilizado o Bolsa Família como uma das suas principais bandeiras de campanha. Na TV, o petista tem repetido o bordão de que “até o Bolsa Família já está sendo cortado” pelo governo do presidente Michel Temer. Há duas semanas, para dar um rosto a esse discurso, Haddad exibiu no horário eleitoral o depoimento de uma dona de casa que mostrava o cartão do Bolsa Família enquanto dizia: “quando Lula entrou, tinha esse benefício; agora, na gestão do Michel Temer, eu não estou tendo”.

O Globo localizou em Guaribas, no interior do Piauí, a mulher do vídeo. Ao contrário do que sugere a gravação, a dona de casa Cleide da Rocha, 43 anos, recebeu o Bolsa Família até agosto, como comprova o extrato do seu cartão.

ERA MENTIRA – Questionada sobre os pagamentos, ela primeiro disse que estava sem receber “há seis meses”. Depois, diante dos dados, admitiu ter recebido em agosto e deu explicações confusas para o suposto bloqueio do benefício nos meses anteriores.

Neste mês, a reclamação da dona de casa deve mesmo virar realidade. Ela deve deixar o quadro de beneficiários, mas por uma razão técnica, que já existia desde os governos do PT: a renda dela é superior ao limite de acesso ao programa. Pelas regra do Bolsa Família, só pode receber o benefício quem tem renda mensal familiar per capita de até 178 reais por pessoa. Cleide da Rocha, na mais recente atualização do seu cadastro, no dia 5 deste mês, declarou ter renda per capita de 468 reais, “ultrapassando a linha de pobreza, critério para recebimento do benefício”, informou o Ministério do Desenvolvimento Social, por meio de nota.

CONFIRMAÇÃO – O Ministério do Desenvolvimento Social confirmou os pagamentos à dona de casa até agosto deste ano. O sistema do governo mostra os pagamentos no cartão de Cleide. Em janeiro, o valor foi de 85 reais. Entre fevereiro e junho, foram 257 reais por mês. Em julho, 89 reais e, em agosto, mais 269 reais.

O governo Temer tem feito uma revisão nos cadastros do programa, justamente para garantir que apenas famílias que se enquadrem nos critérios técnicos, que são os mesmos desde o lançamento, recebam o benefício. Entre maio de 2016 e este mês, já foram retiradas do cadastro 7,3 milhões de famílias que caíram no pente fino do governo ou por fraude ou porque deixaram de preencher os requisitos para o pagamento, como ter renda superior ao estipulado pelo programa.

Nesse mesmo período, entraram no programa 6,5 milhões de famílias. Segundo o governo, a fila de espera do programa está zerada há um ano. Dados de janeiro mostram que o Bolsa Família atende atualmente cerca de 13 milhões de famílias.

BOA FÉ – A campanha do PT informou que “o depoimento da moradora de Guaribas foi tomado de boa fé e retrata a situação de milhares de famílias que já foram ou serão excluídas do Bolsa Família pela política de cortes em investimentos sociais do governo Temer”.

A nota diz que “enquanto a pobreza vem aumentando no país, a proposta de orçamento para 2019 reduz à metade os investimentos no Bolsa Família”.

Ao Globo, Cleide contou que estava na sua casa em Guaribas, em meados de maio, quando viu um alvoroço na rua e avistou uma equipe de filmagem da campanha do PT. Com 4,6 mil habitantes e um dos menores índices de desenvolvimento humano do país, o lugar tornou-se símbolo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter sido o marco inicial do programa Fome Zero, que fracassou e depois foi relançado como Bolsa Família. Ao se aproximar, Cleide acabou sendo convidada para ser personagem da propaganda eleitoral petista. Questionada sobre a gravação, a dona de casa repetiu o que disse na TV e acrescentou que não recebia o benefício há seis meses.

— Vou te falar. A Bolsa Família aqui tá cortada. Como tá cortando o cartão do povo. Como o meu mesmo está cortado. No tempo do Lula não cortava, não. No tempo que o Lula administrava não tinha essa malandragem — disse Cleide ao Globo.

Depois de dizer que estava sem o benefício há seis meses, Cleide foi confrontada pelos dados do extrato do seu próprio benefício — um dado público disponibilizado pelo governo — que listava uma série de saques. Cleide então admitiu que havia recebido o valor de 269 reais em agosto, último mês em que fez o saque. Sobre os outros valores listados no extrato, ela negou que tenha recebido.

PROBLEMAS – Apesar de o extrato do programa mostrar os pagamentos, Cleide disse que teve problemas para sacar o benefício em diferentes momentos neste ano. Segundo ela, depois de um período com problemas para receber, ela conseguiu sacar seu último auxílio em agosto.

Questionada sobre os valores recebidos em julho e nos outros meses do primeiro semestre, ela mostrou-se confusa e chegou a questionar se o marido havia recebido outros pagamentos.

— Você recebeu no mês de julho? (pergunta para o marido). Não, eu não recebi no mês de julho. Só foi esse mês aí. Não recebeu mais não — disse Cleide.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sem comentários(C.N.)

Campanha petista gastou R$ 2,55 mi com advogados que defendem Lula

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PT pagou R$ 900 mil a Eugênio Aragão

Josette Goulart
Folha

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou R$ 1,5 milhão em gastos eleitorais com o escritório de advocacia Teixeira, Martins Advogados, que defende o petista nos processos criminais da Lava Jato. A prestação de contas da candidatura, que acabou barrada na Justiça Eleitoral e substituída desde terça (11) pela de Fernando Haddad, aponta que este é o maior gasto com advogados registrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até agora, segundo dados preliminares dos candidatos que disputam algum cargo nas eleições deste ano.

A despesa é descrita como “consultoria jurídica em processo eleitoral”. Em nota oficial, a assessoria de imprensa da campanha afirmou que o escritório Teixeira, Martins Advogados “prestou consultoria ao registro da chapa do Partido dos Trabalhadores”.

Além dos gastos com o escritório Texeira, Martins, a campanha do PT registra ainda despesas de R$ 900 mil com o escritório Aragão e Ferraro Advogados e R$ 150 mil com o escritório de Edilene Lobo, ambos especializados em direito eleitoral. Não há registros de pagamentos diretos ao advogado Luiz Fernando Pereira, que liderou a defesa do registro de Lula no TSE.

COMITÊ DA ONU – Segundo a Folha apurou, parte da consultoria abordou a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que defendeu o direito da candidatura de Lula e que foi a tese central da defesa para que o petista disputasse a Presidência.

Os advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira Zanin Martins, sócios do escritório Teixeira Martins, defendem o ex-presidente nos processos da Lava Jato e também no processo que tramita na ONU.

Em agosto, o comitê da entidade publicou entendimento provisório no qual apontava o direito de Lula de participar das eleições e de fazer campanha de dentro da prisão.

OBRIGATORIEDADE – A defesa de Lula alega que esta é uma decisão que teria quer ser cumprida pelo Brasil, em função de tratados internacionais. Ao barrar a candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, o TSE entendeu que a Justiça eleitoral brasileira não está obrigada a se submeter a esse braço da ONU.

Ao todo, a campanha já gastou R$ 26 milhões, e o site do TSE registra a transferência de toda a prestação de contas feitas por Lula para o registro de Fernando Haddad.

Alguns advogados especialistas em direito eleitoral avaliam que a assessoria jurídica no caso da ONU não pode ser computada como gasto de campanha, por se tratar de uma defesa individual de Lula. Mas, segundo a assessoria da campanha, o caso se refere à consultoria para o registro do ex-presidente no TSE.

“CONSULTORIA” – Segundo a resolução do TSE 23.553/2017, serviços de consultoria jurídica prestados durante as campanhas devem ser pagos com recursos da conta de campanha. Já os honorários advocatícios relacionados à defesa de candidato ou de partido político em processo judicial não caracterizam gastos eleitorais.

As regras do TSE foram estabelecidas na esteira da criação do Fundo Especial de Financiamento, conhecido como fundão, em que R$ 1,7 bilhão do Tesouro Nacional foram destinados aos partidos para financiar as campanhas neste ano. O PT recebeu R$ 212 milhões deste fundo, e o diretório nacional repassou R$ 20 milhões para a campanha presidencial até agora.

Neste ano, os gastos eleitorais para a campanha a presidente estão restritos a R$ 70 milhões. Isso significa que só o escritório de Teixeira, Martins vai representar pelo menos 2,1% dos gastos totais da campanha presidencial do PT.

ELEIÇÃO ANTERIOR – Em 2014, a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) informou ter gasto no total R$ 318 milhões. De acordo com o Jota, site especializado em assuntos jurídicos, apenas 1,5% das despesas foram registradas como gastos com advogados.

O escritório Teixeira, Martins não se manifestou até a conclusão desta edição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estiver cobrando R$ 1,5 milhão por todo o trabalho, incluindo as diversas ações penais respondidas por Lula, o escritório Teixeira está trabalhando barato. Quem meteu a mão foi o escritório do ex-ministro Eugênio Aragão, que levou R$ 900 mil numa defesa conduzida por outro advogado, chamado Luiz Fernando Pereira, cujo pagamento deve estar embutido no escritório de Edilene Lobo, que nem opera em Brasília… E fica faltando saber quanto está cobrando o ex-ministro Sepulveda Pertence, que nem apareceu citado nesta reportagem... (C.N.)

O passado foi duro mas deixou seu legado, dizia em versos Cora Coralina

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A poeta Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Assim eu vejo a vida”, no qual aceitou as contradições como lições para aprender a viver.

ASSIM EU VEJO A VIDA
Cora Coralina

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa.
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes.
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo.
Aprendi a viver.