Em depoimento, Dilma diz que “nunca ouviu falar” de conta aberta no exterior para ela por Joesley

Aguirre Talento
O Globo

Em depoimento à Polícia Federal, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que “nunca ouviu falar” da conta no exterior supostamente aberta para ela pelo empresário Joesley Batista, relatada por ele em sua delação premiada, e negou as acusações de compra do apoio político de senadores do então PMDB pelo grupo J&F.

O caso é investigado pela PF a partir da delação de Joesley. No início de novembro, a PF deflagrou a Operação Alaska, com base nessa investigação, e chegou a solicitar a prisão temporária da ex-presidente, que foi negada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Semanas depois, no dia 20 daquele mês, Dilma foi ouvida por um delegado da PF em Porto Alegre, acompanhada de seu advogado.

CONTAS BANCÁRIAS – “Nunca teve conhecimento dessas contas e somente soube da suposta existência há pouco, quando foram divulgadas as declarações de Joesley Batista”, afirmou a ex-presidente. Dilma disse ainda que “não determinou a abertura de contas bancárias e jamais teve conversas relacionadas a esse tema”.

“Nunca ouviu falar nas contas denominadas Mustique e Fermenteira, alegadamente mantidas por Joesley Batista no Banco JP Morgan”, disse no depoimento.

Em sua delação premiada, Joesley afirmou que acertou com o então ministro da Fazenda Guido Mantega a abertura de contas no exterior para periodicamente depositar valores de propina destinados ao ex-presidente Lula e à ex-presidente Dilma, referentes a recursos obtidos pela JBS do BNDES na gestão petista. No seu depoimento à PF, Dilma classificou o relato de “ficção”.

PROTOCOLO – A ex-presidente afirmou que nunca conversou com Joesley sobre contribuições eleitorais e disse que todas as reuniões mantidas com o empresário, para tratar de assuntos institucionais, foram acompanhadas de assessores, “como recomenda o protocolo presidencial”.

Sobre o relato de que o grupo J&F acertou doações eleitorais com os caciques do então PMDB do Senado em troca de apoiar sua candidatura presidencial em 2014, a ex-presidente afirma que o relato não faria sentido, porque as pesquisas de intenção de voto a colocavam em primeiro lugar e isso era o principal motivo para atrair o apoio dos peemedebistas.

HEGEMONIA ELEITORAL – “Os sete senadores mencionados como destinatários de valores mantidos por Joesley Batista, supostamente no interesse do PT, são originários de Estados do Norte e Nordeste, nos quais o PT historicamente detinha hegemonia eleitoral; que, portanto, a eleição dos citados senadores seria mais viável a partir de uma coligação com o PT do que com qualquer outro partido, principalmente com o PSDB”, afirmou Dilma.

Ao final do seu depoimento, a ex-presidente pediu a palavra para criticar a delação de Joesley e também do ex-ministro petista Antonio Palocci, a quem classificou de “sistemático mentiroso”.

“Deseja esclarecer inicialmente que sancionou a lei que tipificou em parte a delação premiada e, por esta razão, sente-se no dever de fazer algumas constatações a respeito das contas que Joesley teria aberto no exterior. Em 2017, o Ministério Público, por meio de um procurador (Ivan Marx, da Procuradoria da República no DF) disse que as contas representavam pura e simplesmente a palavra de Joesley; primeiro porque nenhuma delas tinha sido a fonte de qualquer um dos supostos pagamentos feitos no Brasil; portanto, não tinha como rastrear os valores a bem de evidenciar que os pagamentos tenham sido feitos com o propósito que ele diz ter tido”, afirmou Dilma.

CONTRADIÇÕES – A ex-presidente também criticou o fato de a delação de Joesley sobre as contas no exterior ter sido confirmada na delação de Palocci e disse que há contradições entre os relatos deles. “Já é errado usar uma delação como prova da outra, mas passa dos limites quando uma contradiz a outra”, afirmou.

Secretário do Tesouro diz que não faltarão recursos para a Saúde durante a pandemia

Mansueto Almeida disse que gastos extras precisam ser temporários

João Sorima Neto
O Globo

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, diz que não vão faltar recursos para a Saúde e para o socorro às pessoas mais vulneráveis durante a pandemia, mas advertiu que não se pode exagerar na ‘dose do remédio’ sob o risco de comprometer o orçamento do país nos próximos anos. Mansueto afirmou que é importante que as despesas extras sejam de caráter temporário.

“Não pode faltar dinheiro para Saúde independentemente da questão fiscal e também para proteger as pessoas mais vulneráveis. Mas não se pode exagerar na dose do remédio, comprometendo os próximos anos. Haverá uma conta a ser paga”, afirmou o secretário durante uma live organizada pelo banco BTG Pactual, que contou ainda com os sócios do banco, o ex-ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o economista Eduardo Loyo.

INDEVIDA COMPARAÇÃO – O secretário afirmou que é indevida a comparação entre o pacote de socorro brasileiro e de outros países. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou US$ 2 trilhões para ajudar pequenas empresas, cidadãos que ficaram sem renda e para investimentos em Saúde. Segundo ele, o Brasil tem uma rede social muito mais desenvolvida que a americana, por exemplo.

“O Brasil tem uma rede social maior que a dos EUA. Gasta 14% do PIB com previdência, enquanto os EUA gastam 6% ou 7%. Temos a aposentadoria rural, que protege os trabalhadores neste momentos, diferente dos EUA. Então com estes mecanismos, o país não precisa gastar tanto. E a transferência de renda que vamos fazer, de R$ 600,  considerando o PIB per capita, é semelhante a dos EUA”, disse. Nos Estados Unidos, o governo vai enviar US$ 1,2 mil a famílias que ficaram sem renda e mais US$ 500 por filho.

DÉFICIT PRIMÁRIO –  Ele afirmou que independentemente da economia brasileira ficar estagnada, como mostrou a última estimativa do governo, ou ter retração, o governo segue em frente buscando a consolidação fiscal, embora não seja possível pensar em medidas estruturais “em duas ou três semanas”.

Mas esse objetivo tem que estar no radar permitindo que o Brasil continue tendo juros baixos por um prazo mais prolongado. “Independentemente de economia estagnada ou se o PIB retrair 1%, 2% ou 3% o governo segue em frente e não muda a rota. O que não pode é criar despesas permanentes que afetem a trajetória do gasto em 2021. A previsão de PIB zero é de duas semanas atrás. Essas projeções mudam toda semana e possivelmente o PIB pode vir negativo, já que estamos num cenário muito incerto”,afirmou.

COMBATE À PANDEMIA – Este ano, afirmou o secretário, o déficit primário do país, que era estimado em R$ 124 bilhões, deve saltar para cerca de R$ 300 bilhões com as despesas extras do governo para combater a pandemia do coronavírus.

Mansueto disse se chegar a essa cifra, o déficit vai ficar entre 3% e 4% do PIB, a maior alta desde 2015, quando o déficit primário foi equivalente a 2,5% do PIB. O secretário disse que com a retração esperada da economia o país também vai ter perda de receita.

Mansueto afirmou que novas medidas estão sendo estudadas. Uma delas seria a compra de títulos privados pelo Banco Central. Mas o secretário, entretanto, afirmou que não poderia dar detalhes do programa porque se trata de uma estratégia do BC.

Bolsonaro diz que falta humildade ao ministro da Saúde, que nem dá resposta

Governo Bolsonaro se rende às indicações políticas para aumentar ...

Bolsonaro afirma que ele e o ministro estão se bicando…

Raphael Veleda
Site
Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não está satisfeito com o trabalho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na condução da crise do coronavírus e cobrou dele adesão à tese de que é preciso fazer a economia voltar a andar.

“O Mandetta já sabe que a gente tá se bicando há algum tempo”, disparou Bolsonaro. “Eu não vou demitir no meio da guerra, mas ele sabe que em algum momento ele extrapolou”, completou, para depois amenizar um pouco: “Não é ameaça. Se ele se sair bem, sem problema”.

“FALTOU HUMILDADE” – As declarações foram dadas em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, do jornalista Augusto Nunes na rádio Jovem Pan, na noite desta quinta-feira (02/04).

Para Bolsonaro, Mandetta “em alguns momentos faltou humildade, ele deveria ouvir um pouco mais o presidente da República”, referindo-se à resistência do ministro em concordar com a volta dos brasileiros fora de grupos de risco ao trabalho.

“Aquela histeria que eu critico contagiou alguns lá”, disse ainda o presidente, se referindo à equipe do ministro da Saúde.

CRÍTICAS A DÓRIA – Ao longo do dia, Bolsonaro voltou a subir o tom contra governadores como João Doria (PSDB), de São Paulo, por causa das medidas de isolamento social impostas por eles para conter o contágio da população pelo coronavírus.

Para Bolsonaro, o impacto econômico da quarentena trará uma “segunda onda” que ele considera pior do que a crise de saúde pública provocada pela pandemia.

O presidente tem defendido que pessoas que não estão nos grupos de risco de morte pela Covid-19, como idosos e hipertensos, voltem às suas atividades laborais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É aquele velho ditado lá do interior… “Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto…”. Quando se esperava uma atitude mais comedida de Bolsonaro, lá vem o velho Dom Quixote atacando se próprio ministro da Saúde, um profissional que já ganhou o respeito desta nação.  É uma pena que Bolsonaro jogue fora tudo o que conquistou. (C.N.)

Bolsonaro modera na TV, mas continua atacando nas redes o isolamento social

Sem cargo, Carlos Bolsonaro ganha sala ao lado do pai

Carlos Bolsonaro está comandando os ataques nas redes sociais

Ricardo Corrêa
O Tempo

O presidente Jair Bolsonaro fez um discurso bem mais ameno e moderado na televisão, no pronunciamento da noite da última terça-feira. Trazia um bom sinal de que deixaria de lado a insistência em forçar uma mudança nas orientações apresentadas por especialistas e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda que, mais cedo, em entrevista, tivesse distorcido o que disse o diretor geral da organização, de modo a convencer as pessoas de seu posicionamento controverso.

Ocorre que horas depois do pronunciamento, o presidente voltou à tática do confronto e à estratégia antiga. Por meio de um vídeo de um cidadão anônimo na Ceasa de Contagem – depois desmentido pelos fatos – passou a mensagem de crise de desabastecimento e atacou governadores e prefeitos. Só apagou o vídeo quando a mentira já estava escancarada por imagens atuais do centro de distribuição.

SUICÍDIO POLÍTICO – No caso do discurso na TV, Bolsonaro foi orientado pelos ministros militares, ala hoje mais moderada do governo, que perceberam que o presidente caminhava para um suicídio político. Nas redes, porém, continua prevalecendo a estratégia traçada pelos filhos do chefe do Executivo brasileiro. Em especial, Carlos Bolsonaro, que cuidou da estratégia bem sucedida do presidente durante campanha eleitoral.

O discurso do governo também é dúbio na questão econômica. O governo exalta a decisão de conceder um voucher de R$ 600 aos mais vulneráveis a essa pandemia, mas atrasou as decisões que podem efetivamente implementar a medida. Vale lembrar que a proposta do governo era de R$ 200, foi ampliada para R$ 500 no Congresso e depois, em um acordo com a equipe econômica, foi confirmado o valor de R$ 600.

ALEGAÇÃO FALSA – O governo agiu como se tivesse o dinheiro mas passou a alegar que precisa da aprovação da PEC Emergencial para ter subsídio jurídico para uso do recurso para pagar todo mundo. Assim, mais uma vez, joga para o Congresso a decisão.

A reação no Congresso, no Tribunal de Contas, no Ministério Público e no Judiciário foi imediata. É quase unânime a opinião de que não é preciso aprovar a PEC Emergencial para que a medida seja implementada.

Diante disso, Bolsonaro enfim sancionou o projeto, com alguns vetos, mas conseguiu criar uma nova crise em cima de um fato que deveria ser positivo.

Pronunciamento sereno de Bolsonaro foi feito para preservar o próprio emprego

Pronunciamento do Excelentíssimo Senhor Presidente da República ...José Carlos Werneck

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, a respeito da pandemia do coronavírus, foi recebido com alívio por seus ministros e aliados e é fruto de “conselhos” da ala moderada do Governo, principalmente dos integrantes do Exército. Todos os seus aliados temiam que Bolsonaro se isolasse cada vez mais ao contradizer publicamente os apelos de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e trabalharam no sentido de convencê-lo de que era preciso mostrar à população mais equilíbrio e união.

O discurso anterior em cadeia nacional de rádio e televisão, que foi ao ar há uma semana, redigido com a participação de um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, foi classificado como um total “desastre” por muitos membros do governo, quando o presidente disse que a covid-19 era uma “gripezinha” e pediu que todos retornassem à normalidade.

MANDETTA FORTALECIDO – Embora nesta noite Bolsonaro tenha defendido a preservação dos empregos, não insistiu no fim do isolamento social. Por isso, integrantes do governo avaliaram que ele adotou uma postura mais serena.

Nesta terça feira, na reunião do Planalto, o presidente ouviu seus ministros defenderem a posição do ministro Mandetta, com quem vinha se confrontando ao contrariar orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde.

O presidente concordou com as sugestões referentes aos assuntos que geraram desentendimentos, no próprio governo, tais como o isolamento vertical, onde as medidas restritivas são aplicadas apenas a idosos e pessoas portadoras de doenças pré-existentes, e se convenceu que deveria mudar seu

discurso sobre o vírus. Assim, ao invés de pôr em risco a saúde de todos, o que se viu foi um Bolsonaro mais tranquilo que nos pronunciamentos anteriores

SEM GOVERNO PARALELO – O discurso também foi considerado um resultado de uma mudança no sistema de Comunicação Social do Governo, chefiado pela Casa Civil. Um comunicado interno determinou que todas as notícias saiam do Palácio do Planalto. Desde segunda-feira, inclusive as entrevistas coletivas do Ministério da Saúde, com dados diários sobre a pandemia no Brasil, também passaram a ser realizadas no Palácio do Planalto.

A mudança objetiva coordenar os esforços para que a população não tivesse a impressão que havia governos paralelos: o do presidente Jair Bolsonaro e outro do ministro da Saúde.

PEDRA NO CAMINHO – A liderança do ministro da Saúde é uma realidade que se torna a cada dia mais visível e embora Mandetta seja visto como uma pedra no caminho de Bolsonaro há consenso no Governo que não é a hora de se pensar em demitir o ministro que é muito bem visto pela população.

Enfim, o que se viu nesta terça-feira à noite foi um presidente lutando para preservar o próprio emprego…

Especialistas apontam falta de clareza e morosidade em ações contra o impacto econômico da pandemia

“A crise exige medidas mais ágeis”, diz ex-presidente do BNDES

Marina Barbosa e Rosana Hessel
Correio Braziliense

Enquanto o governo vem batendo cabeça para traçar um plano mais claro, a fim de responder à altura os impactos econômicos da Covid-19, analistas ouvidos pelo Correio avaliam que as propostas apresentadas a conta-gotas e com velocidade lenta de implementação geram preocupação.

A pandemia está colocando o mundo em uma recessão profunda, e a falta de um plano mais detalhado é o principal problema da equipe econômica, na avaliação da economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PII).

IMPLEMENTAÇÃO – Na opinião dela, o texto da medida provisória da manutenção de empregos precisa estar muito bem amarrado para evitar, ao máximo, demissões ou redução de salários. Ela espera que seja cumprida a promessa feita pelo secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, de que a implementação será fácil para as empresas.

“O Congresso precisa ficar muito atento a isso, porque é preciso evitar o desemprego em massa, que poderá ocorrer no meio dessa crise. E tudo o que não pode acontecer agora é redução de salário do trabalhador, porque isso vai afundar ainda mais a economia do país”, ressaltou, prevendo uma retração de 6% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que poderá ser maior se não houver essa garantia.

MEDIDAS MAIS ÁGEIS – O economista e consultor Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acredita que o plano de até R$ 700 bilhões que Guedes vem prometendo, mas sem detalhar o verdadeiro impacto fiscal, poderá ser insuficiente na atual conjuntura. “A crise é única e exige medidas mais ágeis e mais estruturadas do que estamos vendo”, disse. Para ele, que prevê retração de 4,5% no PIB deste ano, é provável que seja necessário o dobro desse valor.

Apesar da demora, empresários viram com bons olhos as MP com regras para a manutenção de empregos, porque permitirá várias possibilidades de suspensão de salários em até 70%, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Paulo Solmucci.

GARANTIAS – “O governo entendeu que a situação demandava essa flexibilidade, porque, no caso dos restaurantes, quando tivermos que retomar as atividades respeitando as limitações de espaço, haverá a necessidade de redução do quadro”, destacou. “O importante é que essa medida garante o emprego ao trabalhador formal.”

Diretor da CBPI Produtividade Institucional, Emerson Casali admitiu que o “ideal seria que essa medida tivesse vindo uma semana atrás”, porque as empresas que foram mais afetadas pela crise do coronavírus já começaram a demitir. Ele garantiu que, ainda assim, a MP vai evitar novas dispensas.

É que, segundo destacou, muitas delas vinham se virando como podiam, com as possibilidades regulamentadas pela MP 927, como a antecipação de férias e o home office, para aguardar a publicação da nova MP.

EXPEDIENTES  – “Houve algumas demissões nas empresas que não podiam esperar e não viam perspectiva, mas a espera e a ansiedade de todo mundo era grande para poder tomar qualquer decisão. O que as empresas fizeram, dentro do possível, foi usar expedientes como banco de horas, férias e home office para aguardar a MP. Então, a medida ainda vai conseguir evitar o fechamento de milhões de postos de trabalho”, avaliou.

Segundo Casali, a redução da carga horária, com a redução proporcional do salário, dos trabalhadores deve ser implementada pelas empresas que tiveram a atividade reduzida pela pandemia da Covid-19. Já a suspensão temporária do contrato de trabalho deve ser adotada, sobretudo, por aquela que precisaram fechar as portas em virtude das medidas de isolamento social.

ADEQUAÇÃO – “É uma forma de adequar os custos para sobreviver a esse período e manter a estrutura razoavelmente pronta para a retomada”, frisou Casali, dizendo que manter os vínculos empregatícios vai ajudar as empresas a retomarem suas atividades com mais celeridade depois desse momento.

Na avaliação de José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, a forma como o governo vem anunciando as medidas é muito confusa e está deixando até os mais experientes desconfiados sobre os dados e os impactos de cada anúncio. “É preciso darmos uma revisada nos números e ver o que tem exatamente impacto fiscal. Ainda não vejo isso com clareza nas medidas do governo”, lamentou.

TRANSPARÊNCIA – Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, também considera pouco claros os anúncios do governo. “Mas o momento é complicado, porque é preciso cobrir uma carência do mercado sem saber qual é a carência”, pontuou. Na avaliação dele, as medidas que o governo está tomando têm sido responsáveis do ponto de vista fiscal.

“Mas ainda não temos noção do tamanho do buraco que precisará ser coberto, e isso é que preocupa”, emendou o economista, que prevê retração de 2,7% no PIB deste ano.

MOROSIDADE – Secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco também avaliou que a implementação das medidas tem sido muito lenta. Um exemplo, segundo ele, é o fato de que, mesmo após ser sancionado por Bolsonaro ontem, o auxílio de R$ 600 aos trabalhadores informais só deve começar a ser pago depois do dia 10.

“O governo demorou para desenhar essas medidas, demorou a sentir que tinha amparo legal para implementar essas medidas e vai demorar para operacionalizá-las”, criticou.

Na opinião de Castello Branco, houve demora na elaboração dessas medidas, porque o governo parece ter subestimado os impactos do coronavírus; houve demora na publicação delas porque os técnicos do governo têm receio de serem acusados de novas pedaladas fiscais; e haverá demora na implementação porque o governo vai precisar localizar os trabalhadores informais e porque os bancos vão precisar oferecer a linha de crédito do financiamento da folha às empresas. Para ele, contudo, foi esse segundo fator que mais pesou nisso tudo.

Bolsonaro publica vídeo de professora pedindo por “militares na rua” e o fim do isolamento social

Bolsonaro apoiou a crítica às medidas adotadas por governadores

Ricardo Della Coletta
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou em suas redes sociais depoimento em que uma apoiadora ataca governadores e a imprensa. Bolsonaro publicou vídeo captado na manhã desta quinta-feira, dia 2, quando parou para saudar simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada.”Professora em comovente depoimento para o presidente da República. Peço compartilhar”, escreveu o mandatário.

No vídeo, uma mulher que se apresentou como professora particular apela para que o mandatário ponha “militares na rua” para encerrar medidas restritivas adotadas por governadores, que determinaram a suspensão de aulas e o fechamento do comércio para tentar conter a disseminação do Covid-19.

MILITARES NA RUA – “Não tem condições de a gente viver nessa situação. Vai faltar coisa para os meus filhos dentro da minha casa. Estou aqui pedindo para o senhor: põe esses militares na rua, põe para esse governador [do Distrito Federal], [que] já decretou de novo mais um mês sem aula, sem nada.”

“Não tem condições de a gente viver desse jeito. Eu vim aqui pedir não por mim, mas por milhões de pessoas, que estão sentindo, que estão na necessidade de ter condições de trabalho. Eu não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho, voltar minha vida normal”, diz a apoiadora.

Ela se referiu ao governador Ibaneis Rocha (MDB), que, nesta segunda-feira, dia 1º, prorrogou medidas de isolamento social no DF. Em seu depoimento, a mulher também criticou os governadores que adotaram ações restritivas.

“Esses governadores querem o quê? Todo mundo tem a casa deles, o dinheiro deles. E eu não tenho nada. A gente tem o senhor. É isso que a gente tem. Acordo cedo, não durmo, preocupada com a minha vida. E milhares de pessoas estão assim”.

ATAQUES À IMPRENSA – Ela também atacou a imprensa: “Eu sou mãe de família, sou separada, tenho meus filhos. Vim ontem [quarta], estou aqui hoje e venho pedir para o sr. Porque a imprensa não ajuda a gente, a imprensa faz é acabar com a nossa vida. Eles não passam necessidade, estão aí só para falar mentira, para acabar com a vida do povo. Não sabem a necessidade de cada um”, declarou.

Ao final da declaração da simpatizante, Bolsonaro disse que ela fala “por milhões de pessoas”. Bolsonaro é um crítico das medidas de isolamento social e de fechamento de comércio adotadas por governadores e prefeitos. O argumento do mandatário é que essas ações criam mais prejuízos do que os benefícios com a contenção do Covid-19, causando desemprego e acentuando pobreza.

PACTO – Embora mantenha suas críticas, Bolsonaro moderou o tom em seu pronunciamento em rádio e televisão na terça-feira, dia 31. Nele, o presidente pediu um pacto envolvendo o Judiciário, Congresso, governadores e sociedade.

No entanto, como mostrou a Folha, o histórico de radicalização de Bolsonaro e publicações feitas por ele em suas redes com ataques a governadores fizeram com que líderes políticos nos estados e no Legislativo encarassem com ceticismo o chamado por união feito pelo presidente da República.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais inquietante e que acaba por fazer Bolsonaro perder a credibilidade é o antagonismo das suas ações. Ao mesmo tempo em que baixa o tom e pede um “grande pacto” para que todos juntos encontrem a luz no fim do túnel, incita pelas redes sociais que é preciso voltar à normalidade das atividades, sem garantias, contrapondo-se às recomendações do seu ministro da Saúde e da OMS. (Marcelo Copelli)

Janaina diz que se Bolsonaro não parar de fazer “graça”, Forças Armadas podem derrubá-lo

Janaina Paschoal: novo AI-5 é "absolutamente inapropriado", mas ...

Ex-aliada, Janaina diz que Bolsonaro precisa respeitar as normas  

Bruno Nomura
Estadão

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro faz “graça” com a pandemia do coronavírus e sugeriu que as Forças Armadas podem derrubá-lo caso continue a dar declarações controversas sobre a disseminação da doença.

Na manhã desta quinta-feira, dia 2, Bolsonaro disse que uma apoiadora, que pedia a retomada da atividade comercial, falava por “milhões de pessoas”. Bolsonaro compartilhou o momento no Twitter.

AMADURECIMENTO – A deputada respondeu à postagem do presidente. “Se o Sr não parar com essas postagens, os militares vão para a rua para retirar o Sr, com base no artigo 142 da Constituição Federal. Meu povo sofrendo e o Sr fazendo graça! Pelo amor de Deus, amadureça!”, escreveu.


O artigo 142 da Constituição, ao qual a deputada faz referência, dispõe sobre a função das Forças Armadas. “Destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, afirma o trecho.

COMPARTILHAMENTO – O presidente ouviu pedidos de apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. “Não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho”, disse uma mulher, que se identificou como professora. “Esses governadores querem o quê? Eles têm o dinheiro deles”, questionou. “Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas”, respondeu o presidente, que logo depois compartilhou o vídeo nas redes sociais.

Cotada para ser candidata à vice na chapa do então deputado federal nas eleições presidenciais de 2018, Janaina fez duras críticas ao presidente em uma sessão plenária da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no mês passado. Na ocasião, a deputada disse que se arrependia de ter votado em Bolsonaro e defendeu sua renúncia.

“O que ele fez ontem é inadmissível, é injustificável, é indefensável! Crime contra a saúde pública”, discursou Janaina à época, citando a aproximação do presidente a centenas de manifestantes no Palácio do Planalto, contrariando orientações do próprio Ministério da Saúde.

Mais do que nunca, é preciso ajudar os carentes e combater a miséria exterior e interior

Shvetashvatara Upanishad – Advaita Ashrama

Nas “Revelações”, a sabedoria religiosa da Índia

Antonio Rocha

“A menos que o homem tenha atingido o conhecimento de Deus, só haverá fim para a miséria quando for possível enrolar o céu em uma rede de pescar” – é um dos escritos nos Upanishads Svetasvata, que já circulavam 1.500 anos antes de Cristo, segundo o livro “A Sabedoria da Índia”, Lin Yutang, pág. 38, Irmãos Pongetti Editores, 1945.

Até parece que Jesus Cristo leu os Upanishads, textos sagrados da Literatura Indiana: “Os pobres sempre os tereis” (Evangelho de João 12:8).

É PRECISO AJUDAR – Que estas assertivas não justifiquem a inércia social. É preciso de alguma forma ajudarmos os necessitados nessa crise que o país e o mundo atravessam.

Mas lembremos que existe miséria no sentido interior e exterior, assim como no sentido social, econômico, público e privado. Assim, podemos e devemos ajudar os pobres sem revoluções sangrentas.

Que as autoridades e os parlamentares reflitam sobre esses milenares ensinamentos. E não abusem tanto da paciência dos eleitores. Não enganem tanto.

TEXTOS MILENARES – Uns chamam no singular Upanishad outros no plural Upanishads. São textos milenares e o catedrático argentino Francisco Kastberger, em seu “Léxico de Filosofia Hindu – Sânscrito, Páli e Tâmil”, define Upanishads como “Revelações Divinas”. Ele é um especialista nestas três línguas faladas no chamado subcontinente indiano.

Tais revelações nos falam de um monismo (conceito único) entre o ser humano e o Criador, que tem vários nomes.

Lin Yutang, no livro citado, diz: “Acredita-se que Schopenhauer tenha lido uma versão latina dos Upanishads, e essa leitura tenha influído muito sobre sua concepção do mundo como vontade e representação”.

 SEMELHANÇAS – Algumas passagens dos Upanishads parecem ter inspirado trechos do Velho e o Novo Testamento da Bíblia, vejamos:

“No princípio só havia o Ser na forma de uma pessoa. Olhando em torno nada mais viu senão a sua pessoa. E disse: Isto sou Eu. Seu nome ficou sendo Eu. Por isso, ainda agora, quando interrogado, o homem antes responde “isto sou Eu” e só depois pronuncia o outro nome que lhe deram ao nascer.”

 “Mas não sentia prazer. Por isso não sente prazer todo aquele que é só. Desejou que houvesse um segundo, fez com que seu Ser se partisse em dois e o Homem e a Mulher se ergueram um diante do outro: “Nós dois somos cada um como como a metade de uma concha. O vazio que ali estava encheu-se com a presença da Mulher e quando Ele a abraçou nasceram os demais homens”. 

A QUEM ME DARÁS? – “E, (sabendo que seu pai havia prometido sacrificar tudo o que possuía, inclusive seu filho) perguntou-lhe: “Pai, bem-amado, a quem me darás?” perguntou uma segunda e uma terceira vez. Então o pai respondeu: “Eu te darei à Morte”.

 “Uma vez pronunciadas essas palavras, ainda que apressadamente, o pai precisou ser fiel à sua promessa e teve de sacrificar o filho”.

 “O filho disse: Irei o primeiro, à testa de muitos (que ainda morrerão); entre muitos (que ainda estão morrendo)”.

CRIADOR/MESTRE – Interessante que os Upanishads consideram o Criador como um Professor/Preceptor, Guru/Mestre na língua sânscrita.

As Revelações Divinas são dez textos de grande significado e terminam com estas palavras:

 “Mas se estas verdades forem ditas a um homem de alta compreensão, que consagre a Deus sua devoção e venere o seu professor, então brilharão para sempre. Em verdade, brilharão para todo o sempre”.

Doutor Tedros Adhanom, as nações e a Humanidade pedem “SOS” e a OMS responde só com retórica?

Mortos por covid-19 dobram em uma semana e OMS teme "rápida ...

Tedros Adhanom,, da OMS, ainda não deu ajuda concreta

Jorge Béja

Ex-ministro da Saúde e de Relações Exteriores da Etiópia, o atual diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, todos os dias entra nos lares do mundo inteiro, através da televisão, para dar notícia sobre o flagelo que atinge a Humanidade com o Coronavírus-19. O homem é firme. É austero. E bem desempenha seu ofício, noticiando ao mundo o que precisa ser divulgado e dando orientações aos governantes.

Sempre acompanhado de outros dois médicos, que integram a alta direção da OMS, o doutor Tedros é sereno e de fala pousada.

ESQUECERAM O PRINCIPAL – Mas o essencial está sendo esquecido. Ou deixado de lado. Isto porque só retórica não adianta.  A Organização Mundial da Saúde teve seu Estatuto aprovado em 22.7.1946 e começou a atuar em 7.4.1948, depois que 26 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) ratificaram o Estatuto. Tem ele (o Estatuto) 82 artigos. No preâmbulo está escrito:

“Os Estados Membros desta Constituição declaram, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, que os seguintes princípios são basilares para a felicidade dos povos, para as suas relações harmoniosas e para a sua segurança”.

E seguem 8 princípios que integram o preâmbulo do Estatuto. O 8º princípio é uma imposição a todas as Nações e a todos os governos. Diz:

CADÊ A COOPERAÇÃO? – “Aceitando estes princípios com o fim de cooperar entre si e com os outros para promover e proteger a saúde de todos os povos, as partes contratantes concordam com a presente Constituição e estabelecem a Organização Mundial da Saúde como um organismo especializado, nos termos do artigo 57 da Carta das Nações Unidas”.

É uma cláusula cogente, pétrea, imperiosa e que a todos alcança. Portanto, todas as Nações ficam obrigadas e cooperar entre si para proteger a saúde de todos os povos. É uma ordem de peso universal. Mas vai aqui uma indagação: e quais são as obrigações e deveres da própria OMS?

OBRIGAÇÕES E DEVERES –  A resposta está no artigo 2º, que enumera 22 deveres e obrigações, elencadas da letra “a” à letra “v”. Chamam a atenção dois deveres e obrigações da OMS. Estão elas previstas nas letra “c” e “d”. E os verbos que iniciam cada um dos deveres são verbos que não deixam dúvida quanto à sua imperiosidade. São eles “Auxiliar” e “Fornecer”. A conferir:

“c) Auxiliar os Governos, a seu pedido, a melhorar os serviços de saúde”.

“d) Fornecer a assistência técnica apropriada e, em caso de urgência, a ajuda necessária, a pedido dos Governos ou com o seu consentimento”.

Segundo a letra do Estatuto, para que a OMS intervenha e atue com seu pessoal e equipamentos, é preciso que os governos peçam.

UM DEVER DA OMS – Mas a ausência de pedido não dispensa a OMS de se prontificar a prestá-los, seja qual for a necessidade. Logo, é dever da OMS socorrer Nações e seus nacionais, mormente nesta quadra dolorosa que o mundo inteiro vive. “Fornecer a assistência técnica apropriada e, em caso de urgência, a ajuda necessária, a pedido dos Governos ou com o seu consentimento”. É o que está escrito na letra “e” do artigo 2º do Estatuto.

Mas, salvo engano, a realidade é outra. Não se tem notícia de que o simpático, severo e sereno doutor Tedros Adhanom tenha colocado (ou venha colocando) à disposição dos países “assistência técnica apropriada”. E “em caso de urgência, a ajuda necessária”.

E se colocar, não é crível que este ou aqueles países não consentirão, não aceitarão. É óbvio que aceitarão. Todos os países e toda a Humanidade pedem, implicitamente, um “SOS” á “OMS”.

PUNIÇÃO AOS MEMBROS – Vamos ao artigo nº 7 do Estatuto. Cuida de punição ao Estado membro que não pagar à OMS sua mensalidade, ou anualidade. Confira-se:

“Se um Estado membro não cumprir as suas obrigações financeiras para com a Organização, ou em outras circunstâncias excepcionais, a Assembleia da Saúde pode, em condições que ela julgue apropriadas suspender os privilégios de voto e os serviços a que um Estado membro tem direito. A Assembleia da Saúde terá autoridade para restabelecer tais privilégios de voto e serviços”.

Não. A “felicidade dos povos, suas relações harmoniosas, sua segurança e saúde”, tal como está escrito no preâmbulo do Estatuto, não podem aceitar, neste momento de flagelo universal que atinge a Humanidade, que a OMS, espontaneamente, não cumpra com o seu dever de “auxiliar” e “fornecer” aos Governos, oferecendo-lhes tudo o preciso for em defesa da vida dos humanos.

SILÊNCIO REVELADOR – É curial e intuitivo que o Contrato Social Universal, que se sobrepõe ao Estatuto da OMS, não aceita o silêncio da instituição quanto ao cumprimento de seus deveres.

Sim, porque se os governos que não cumprirem com “as suas obrigações financeiras para com a Organização”, os governos perdem “os privilégios de voto e os serviços”, o que dizer, então, quando é a Organização que não cumpre com suas obrigações?

Onde estão sendo prestados os tais “serviços” da OMS.

“Trabalho com disciplina e Ciência”, diz Mandetta após ficar de fora de reunião na Presidência da República

Mandetta ratificou sobre isolamento que foca em questões técnicas

Julia Lindner e André Borges
Estadão

Após ficar de fora de reunião do presidente Jair Bolsonaro com um grupo de médicos para tratar de cloroquina, nesta quarta-feira, dia 1º, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que só trabalha com Ciência, enquanto “outros trabalham com critérios políticos”.

“Só trabalho com a academia, só trabalho com a Ciência. Existem pessoas que trabalham com critérios políticos, que são importantes também, deixem que eles trabalhem. Não me ofendem em nada. Eu trabalho com foco, disciplina  e Ciência”, disse Mandetta ao ser questionado por jornalistas sobre o encontro, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

PAUTA CIENTÍFICA – Pressionado a alinhar o discurso ao de Bolsonaro, que critica medidas de isolamento social, Mandetta disse que vai se pautar pela Ciência “até o limite de tudo o que estiver na nossa frente”.

“Se isso dá um barulho aqui ou ali, é secundário, terciário. Querem trazer sugestão de quem quer que seja? Tragam com Ciência, pesquisa referendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que é quem vê questão de medicamento”, afirmou. “Eu trabalho com critérios técnicos. O resto não analiso.”

SEM COMPROVAÇÃO – Nos últimos dias, Mandetta reafirmou diversas vezes que o uso da cloroquina para tratamento do novo coronavírus ainda não tem comprovação científica e que o medicamento só deve ser usado em casos graves com a devida orientação médica. Do contrário, pode ter consequências.

Bolsonaro, por sua vez, já chegou a dizer recentemente que o fármaco, usado para malária e outras doenças, tem tido eficácia de “100%” para tratar a covid-19.

ISOLAMENTO – Com quase 7 mil casos de covid-19 registrados no Brasil até esta quarta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, estima que o número seja ainda maior. De acordo com ele, com o aumento da realização de testes, a quantidade de pessoas contaminadas deve aumentar na próxima semana. Considerando esse cenário e a falta de equipamentos para profissionais da saúde, Mandetta voltou a defender o isolamento social.

“Não é hora de relaxar, não é hora de fraquejar, a hora é de redobrar o cuidado”, defendeu durante balanço do novo coronavírus no Palácio do Planalto. De acordo com ele, com o aumento no número de casos, a taxa de mortalidade, atualmente em 3,5%, deve cair. No País, há registros de 240 mortes por covid-19.

ESTRUTURA –  “O número de casos confirmados está menor do que os que estão circulando, o que aumenta muito mais os cuidados”, disse o ministro. De acordo com ele, se o Brasil não tivesse adotado o isolamento social, a situação seria muito pior, já que o País não teria estrutura para atender a todos.

“Já estaríamos em espiral de casos se não estivéssemos em isolamento. Lembrando, o Brasil não fez lockdown, o que fez foi diminuição da circulação. Agora precisa redobrar o esforço, senão vamos ter problema de EPI (equipamentos de proteção individual).”

A que ponto chegamos! Ministros são instados a divulgar vídeos que desmentem Bolsonaro

Notícias sobre Tereza Cristina | EXAME

Ministra ainda tentou “justificar” a mancada de Bolsonaro

Camila Turtelli e André Borges
Estadão

Após o presidente Jair Bolsonaro divulgar vídeo falso que apontava desabastecimento na Central de Abastecimento (Ceasa) em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, compartilhou fotos e vídeos pelo WhatsApp que mostravam que a situação estava absolutamente normal no mercado.

Em nota, o governo de Minas também negou a informação de falta de alimentos. Após os desmentidos, Bolsonaro apagou a publicação feita nas redes sociais nesta manhã de 1º de abril.

CINCO VÍDEOS – A ministra Tereza Cristina compartilhou cinco vídeos no grupo da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), uma das principais forças do Congresso.

As imagens mostravam uma situação completamente oposta àquela divulgada pela publicação presidencial, onde uma pessoa dizia que o mercado não estava mais funcionando por causa da quarentena.

Em um dos vídeos, Noé Xavier, presidente da Associação Comercial da Ceasa de Contagem, afirma que o abastecimento está normal no entreposto. “Ontem, quando se realizava a limpeza do mercado livre, circulou pela internet um vídeo indicando o desabastecimento em nosso entreposto, esse fato não é verdade”, diz Xavier. Em outra imagem, um locutor não identificado mostra a movimentação no Ceasa. “Tá faltando é consumo, mas o abastecimento está garantido”, diz.

APAGAR A POSTAGEM – Tereza foi aplaudida pelos parlamentares no grupo. Uma deputada do PSL pediu ajuda à ministra para convencer Bolsonaro a apagar a publicação feita no Twitter mais cedo. “Já pedi para Eduardo e Flávio (deputado e senador, filhos do presidente), mas a senhora pode ajudar também”, escreve a parlamentar.

“A ministra foi feliz em trazer tranquilidade para o setor do agronegócio, mostrando a realidade que não é aquilo que o presidente estava mostrando”, afirmou o deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) que respondeu a postagem da ministra com palmas.

UMA BOA DESCULPA – Questionada sobre a publicação pela reportagem, a ministra Tereza Cristina buscou atenuar a situação. “O presidente recebe 500 mil vídeos, áudios, enfim… Ele postou. Quando me passou, eu mostrei a ele imediatamente que o local estava funcionando. Então, ele retirou”, disse a ministra.

“Ele está preocupado com isso, por que é pequeno produtor ali. Ele está muito preocupado. Mas já respirou e isso é página virada. O que nós estamos fazendo é trabalhar para fazer o dinheiro lá na ponta. É isso o que o presidente nos pediu e que estamos buscando fazer.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Houve outros fake vídeos, que tiveram de ser desmentidos pelo ministro Onyx Lorenzoni. Com o filho Carlos Bolsonaro instalado no terceiro andar do Planalto e comandando a Secretaria de Comunicação, o presidente da República nem precisa de inimigos. O próprio Carluxo se encarrega de destruir a imagem do pai, que está cada vez mais desgastada. (C.N.)

Bolsonaro enviará MP para o Congresso antes de publicar a sanção do auxílio para informais

Bolsonaro diz não pode dar uma “canetada errada” 

Guilherme Mazui
G1

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, dia 2, que vai enviar uma medida provisória para o Congresso antes de publicar a sanção do auxílio de R$ 600 mensais para trabalhadores informais. O auxílio é uma medida para amenizar os efeitos da pandemia de coronavírus na economia.

Bolsonaro disse que sancionou o projeto, aprovado pelo Congresso, nesta quarta-feira, dia 1º, mas o texto ainda não foi publicado no “Diário Oficial da União”. Por isso, na prática, ainda não está valendo.

LEGALIDADE DE GASTO – De acordo com o presidente, ele quer que a MP garanta a legalidade do gasto extra, já que o auxílio sairá dos cofres do governo. O presidente argumentou que o Congresso tem que avalizar a criação de novas despesas e apontar as fontes de onde sairá o dinheiro.

“Assinei ontem [quarta], estava aguardando outra medida provisória, porque não adianta dar um cheque sem fundo. Tem que ter o crédito também”, afirmou. Segundo o presidente, a MP deve sair nesta quinta-feira.

CANETADA ERRADA – “Uma canetada minha errada é crime de responsabilidade, dá para vocês entenderem isso? Vocês querem que eu cave minha própria sepultura? Não vou dar esse prazer para vocês”, completou o presidente, se dirigindo a jornalistas.

Mesmo sem ter oficializado a sanção e a MP, Bolsonaro disse que o operação para pagar o benefício está a “todo o vapor”, com previsão de início dos repasses na próxima semana. “Está a todo o vapor, semana que vem começa a pagar”, afirmou o presidente.

Segundo o governo, o auxílio de R$ 600, que será pago por três meses, beneficiará 54 milhões de pessoas com um custo de R$ 98 bilhões. A MP que o presidente precisa publicar no ‘Diário Oficial’ deverá abrir o crédito extraordinário destes R$ 98 bilhões.

Lula critica atuação de Bolsonaro diante da pandemia e diz que falta “voz de comando” em meio à crise

Lula diz que Bolsonaro está enfraquecido aos olhos da sociedade

Carolina Linhares
Folha

O ex-presidente Lula (PT) criticou, nesta quarta-feira, dia 1º, o presidente Jair Bolsonaro por, segundo o petista, não ter dado orientações à população sobre como agir na pandemia do novo coronavírus em seu pronunciamento na noite desta terça-feira, dia 31.

“O presidente utiliza não sei quanto tempo na TV e não tem uma orientação para as pessoas”, disse, em entrevista virtual a blogs e veículos de imprensa de esquerda. Para o petista, falta “voz de comando” da Presidência nesta crise.

DA BOCA PARA FORA – O ex-presidente disse ainda que a preocupação que Bolsonaro demonstrou com os pobres é da boca para fora e cobrou que o presidente faça a verba da União chegar até os trabalhadores, para que eles possam cumprir o isolamento social.

“Tentar defender os mais pobres, o camelô, o cara do Uber, do pequeno comércio… Além de estar defendendo esses caras da língua pra fora. As medidas concretas beneficiaram os banqueiros, porque ele liberou R$ 200 bilhões para os banqueiros”, disse Lula. “E para as pessoas pobres que estão precisando dos R$ 600, a gente ouviu o Guedes [ministro da Economia] dizer que só vai ser dia 16 de abril”, completou.

URGÊNCIA – Lula afirmou que não há problema em descumprir as regras fiscais e que Guedes deve liberar ajuda aos mais carentes já, pois eles não aguentarão 15 dias.

O petista também exaltou iniciativas dos parlamentares e da sociedade civil para tecer medidas contra a pandemia. “Há uma preocupação da sociedade em dar resposta àquilo que o governo não consegue fazer. Estamos percebendo que governo não se preparou para uma crise desse dessa magnitude.”

SAÍDA – Lula cobrou que Bolsonaro coordene uma saída à crise com os entes federados e afirmou que “quem está fazendo o trabalho mais sério são os governadores e prefeitos”. “Ele que cumpra com seu papel de ser coordenador e libere o dinheiro logo, porque o povo está precisando do recurso”, disse. Segundo o petista, só o Estado forte pode combater o vírus.

Apesar de afirmar que “Bolsonaro é o grande problema que estamos vivendo hoje” e que “o governo neste instante mais atrapalha do que ajuda”, Lula evitou fazer defesa explícita de impeachment, seguindo a linha de cautela adotada pelo PT até agora.

AVALIAÇÃO – O ex-presidente disse que, para defender o impeachment, é preciso crime de responsabilidade e contou que pediu à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e ao ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão que fizessem um estudo para verificar se Bolsonaro já cometeu crime de responsabilidade.

“Não quero ser irresponsável como eles foram com a Dilma, sem ter crime de responsabilidade. Mas se tiver, temos que pressionar a Câmara”, disse.

RENÚNCIA – Ao mesmo tempo, Lula incentivou a saída de Bolsonaro do governo e falou em renúncia ou, voltando, mesmo impeachment. Afirmou que o presidente “no fundo sabe que está enfraquecido aos olhos da sociedade”.

“Ou esse cidadão renuncia ou se faz o impeachment dele com base nos crimes de responsabilidade que ele já cometeu”, afirmou. “Eu estou convencido de que Bolsonaro, ou ele muda, ou ele não tem condição de continuar”, pontuou em outro momento.

ESTRUTURA PSICOLÓGICA – “Eu estou convencido que o Bolsonaro não tem estrutura psicológica de continuar governando o país. Acho que ele é um desequilibrado, não fala coisa com coisa, está preocupado em atender ao público fanático dele, mas não em dar uma resposta concreta que o povo está precisando. O povo está precisando de uma orientação e receber o dinheiro aprovado pelo Congresso”, disse também.

Lula deu a entender que o manifesto que pede a renúncia de Bolsonaro, assinado por Fernando Haddad (PT), Flávio Dino (PC do B), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), é um começo para que o “fora, Bolsonaro” passe a ser palavra de ordem no PT.

“FORA, BOLSONARO” – “Da renúncia para o impeachment, é um pouco. Da renúncia para o ‘fora, Bolosnaro’, é um pouco. Na hora que tiver manifestação de rua, o ‘fora, Bolsonaro’ ganha força”, disse. Ele disse ainda que “não era necessário” que também tivesse assinado o manifesto. Para o petista, era importante que os candidatos a presidente na eleição passada e os presidentes de partidos de esquerda assinassem.

O ex-presidente afirmou que há uma discussão sobre construir o próximo passo caso Bolsonaro saia, se levaria a um governo do vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), ou se a novas eleições.

PRIORIDADE – Lula ressalvou, contudo, que para traçar esses cenários é preciso força política e que a prioridade agora é combater o vírus, e não travar disputa política ou buscar alterar a correlação de forças do Congresso para viabilizar a saída de Bolsonaro. “Para tudo isso tem que construir força política. E nesse instante a gente não tem que se preocupar com isso”, afirmou.

Lula também afirmou que está disposto a conversar com Ciro, “que é uma figura importante e deve ser levado em conta”. Disse, porém, que o pedetista queria que o ex-presidente “deixasse de convencer as pessoas a apoiar o PT para apoiar ele” e que isso não era possível. No entanto, Lula recusou qualquer conversa com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Michel Temer (MDB).

ACENO – “O que eu tenho para conversar com Fernando Henrique nos dias de hoje? Ele não fez um único gesto para tentar evitar o impeachment da Dilma. Ele sabe que eu sou honesto, mas não fez um único gesto para me defender. […] O que eu teria para conversar com Temer? Estive com ele uma semana antes [e pediu que não levasse o impeachment adiante]. […] São pessoas que eu não me vejo conversando.”

A respeito da eleição municipal deste ano, Lula disse não ver problema no adiamento se a crise do coronavírus ainda estiver muito forte. O petista voltou a criticar o ministro Sergio Moro, atual ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato que o condenou, afirmando que ele mentiu, fomentado pela Rede Globo. “Moro é a pessoa mais falsa que o país já produziu. Como ministro, não diz a que veio e não está preparado para isso.”

O ex-presidente também criticou a imprensa em geral, incluindo a Folha, e afirmou que, na Presidência, deveria ter consolidado a imprensa alternativa no país.

“Quero me desculpar. Não houve a devida checagem”, diz Bolsonaro após divulgação de fake news

Publicação nas redes sociais pode ter as digitais de Carluxo

Gustavo Maia
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas nesta quarta-feira, dia 1º, por ter divulgado um vídeo com informações falsas sobre um suposto desabastecimento causado por medidas de contenção ao novo coronavírus. O vídeo, que tinha críticas a governadores, foi publicado por Bolsonaro na manhã desta quarta em redes sociais e deletado horas depois após a informação ter sido desmentida.

Na gravação, um homem dizia estar na Central de Abastecimento (Ceasa) de Belo Horizonte e criticava a suposta falta de produtos, que, segundo ele, teria sido causada por medidas tomadas pelos governadores.

DESMENTIDO – Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, no fim da tarde, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que não há risco de desabastecimento e afirmou que o vídeo foi filmado durante a limpeza do Ceasa.

Por telefone, Bolsonaro disse ao jornalista José Luiz Datena, do Brasil Urgente, da Band, que não houve a “checagem” dos fatos antes da publicação: “Quero me desculpar, não houve a devida checagem do evento. Pelo que parece aquela central de abastecimento estava em manutenção. Então, quero me desculpar publicamente, foi retirado o vídeo. A gente erra na notícia e eu tenho a humildade em me desculpar”.

QUEDA DE FLUXO – O presidente afirmou, contudo, que há uma queda no fluxo de entrada de alimentos em São Paulo: “Agora, aquilo, em parte, tivemos contato com o Ceasa, com o Ceagesp em São Paulo, tem caído realmente o fluxo de entrada de alimentos. Tem caído esse fluxo aí. Espera que não caia mais do que já caiu, porque, o desabastecimento… Quando se fala em hortifrutti, até conversei com a Tereza Cristina sobre isso hoje, se chegar a um ponto de haver a interrupção da produção, você leva de 60 a 90 dias para voltar à normalidade”.

Bolsonaro também pediu desculpas pela sua conta pessoal no Facebook. “Foi publicado em minhas redes sociais um vídeo que não condiz com a realidade para com o Ceasa/MG. Minhas sinceras desculpas pelo erro”, disse, junto a um vídeo que mostra a Ceasa cheia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro teve que vir pedir desculpas publicamente por falta de “checagem”. Uma ação que em minutos teria evitado a desinformação. Pelo passado recente, a publicação teve as digitais de Carluxo que, em plena época de fake news, queria mais ver o circo pegar fogo. Perdeu a oportunidade de “brincar” e dizer que era pegadinha de 1º de abril. (Marcelo Copelli)

Clube Militar critica Marco Aurélio e chama Bolsonaro de “um grande chefe de estado”

Presidente do Clube Militar diz que projeto de Previdência é ...

General apoia o comportamento desregrado de Bolsonaro

General Eduardo José Barbosa
Do site do Clube Militar

O Clube Militar repudia a atitude do Ministro Marco Aurélio Mello de dar prosseguimento a uma notícia crime política, cujo único objetivo é causar constrangimento ao Chefe do Poder Executivo.

Ao verdadeiro chefe cabe tomar decisões, que não necessariamente irão agradar a todos. Elas são baseadas em convicções elaboradas a partir do assessoramento de seus auxiliares.

SEM JUSTIFICATIVA – O fato de um Deputado, cuja vida parlamentar se resume a atacar aquele que derrotou o sistema que estava destruindo o país, não concordar com um posicionamento do Presidente não justifica por si só ficar apresentando queixas-crime.

 A motivação chega a ser ridícula por citar que o Presidente cumprimentou pessoas e visitou trabalhadores na rua.

Diferente de outras autoridades que nesse momento de crise se enclausuram em suas luxuosas residências, se alimentando de lagosta e vinho francês, o Presidente permanece ouvindo o povo para buscar as melhores soluções para resolver suas angústias.

NÃO É CRIME – Defender o fim do isolamento total também não é crime, pois trata-se de medida legítima do cargo que ocupa para enfrentar a crise vigente, mesmo que muitos discordem desse posicionamento.

O próprio Ministro Marco Aurélio, que deve ser especialista no assunto, liberou geral para Governadores e Prefeitos tomarem suas decisões.

Alegar que orientações de especialistas recomendam o isolamento total também não prospera visto que muitos já se pronunciaram a favor de isolamento só do “grupo de risco’: para que não venham a surgir outras doenças que igualmente matam também os jovens, como a fome e a depressão.

CONFORTO ESPIRITUAL – Esse mesmo Deputado, cujo partido não sabe o que é religião e em consequência não entende a necessidade das pessoas que, em momentos de desespero, buscam conforto espiritual, questiona o culto religioso como atividade essencial.

Talvez esse Deputado e aqueles que pensam como ele devessem entender porque, até na Guerra, a figura do capelão é tão importante.

Surpreende-nos que, ao invés de dar celeridade aos processos contra políticos corruptos, com seus foros privilegiados, que apodrecem à espera da prescrição, o Ilustre Ministro prefira dar continuidade a um pedido que não mereceria nem a lata de lixo da justiça. Querer criminalizar a coragem de um grande chefe de estado e governo chega a ser patético.

Brasil acima de tudo!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cá entre nós, considerar Bolsonaro “um grande chefe de estado” é um bocado de exagero. É melhor o capitão demonstrar logo essa sensacional vocação cívica, porque até agora ainda não o fez. (C.N.)

Cantigas, apelos, pregões e risadas no mercado de peixe, na poesia de Ribeiro Couto

Frases de Rui Ribeiro Couto no Facebook - Todas as viagens são ...Paulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), no poema “Cais Matutino”, relembra uma noite de chuva nas docas do mundo.

CAIS MATUTINO
Ribeiro Couto

Mercado de peixe, mercado de aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.

Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendida, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.

Pureza do largo, pureza da aurora.
Há visgos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.

O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.

Bolsonaro hoje depende de seus ministros, e alguns já não dependem mais dele

Charge do Sid (site Charge Online)

Pedro do Coutto

O panorama que está no título deste artigo reflete, acredito, a situação política em torno do governo, já que a atuação do presidente da República está sendo marcada por uma série de avanços e recuos que demonstram a forte dependência dos titulares das pastas para manter um equilíbrio mais instável do que estável.

Reportagem de Thais Arbex, Gustavo Maia, Vinicius Sassine e Manoel Ventura, O Globo desta quarta-feira, reflete bem a série de divergências entre o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios. Especialmente os ministros Sérgio Moro e Paulo Guedes, que manifestaram seu apoio ao ministro da Saúde na terça-feira durante a entrevista coordenada pelo General Braga Neto, Chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

FALTA DE RUMO – Não fosse esse fato o governo enfrentaria dificuldades ainda maiores daquelas com que hoje se depara. O episódio envolvendo o Diretor-Geral da OMS e o presidente da República reflete nitidamente a falta de rumo que envolve o Palácio do Planalto. Melhor dizendo, entre o Ministro da Saúde e a esfera mais oculta do que aparente, que se manifesta sobre temas que escapam à realidade dos fatos.

Pode se consultar inclusive que colocou na internet uma fala do Ministro Mandetta que não ocorreu. Deve inclusive dizer quais os autores, tarefa do Ministro da Justiça e Segurança Pública. Porque prevalece uma razão lógica, a partir dessa fake news. Se o Ministro da Justiça não agir prontamente, claro, outras fake news poderão surgir no horizonte.

FALSAS MATÉRIAS – O que está acontecendo no quadro político dá margem à preocupação necessária com uma corrente de falsas matérias poderá trilhar outros caminhos criando problemas e bloqueando as soluções.

As redes sociais encontram-se sempre ao alcance de qualquer um e ao mesmo tempo, transforma quem postou os textos num editor de si mesmo, produzindo situações que muitas vezes 24 horas depois podem ser respondidas pela realidade dos fatos. Mas geram dúvidas no início da postagem e tais dúvidas podem promover atritos pessoais e até o descrédito do personagem a quem tais notícias desejam atingir.

MATÉRIA FAKE – Assim surge mais uma preocupação para o governo e para a sociedade brasileira como por exemplo matéria editada no mesmo contexto, atribuida a Paulo Guedes, insinuando a existência de desabastecimento capaz de promover ondas de saques nos supermercados.

Coube, neste caso, ao Ministro Onyx Lorenzoni negar tal risco duplo e mostrar em um vídeo a situação dos supermercados. O Ministro Sérgio Moro, em O Globo, também negou o risco e afastou a imagem de saques em busca de alimentos.

Portanto está se travando uma nova frente de luta. Uma delas, claro, contra o corona vírus. A outra nas sombras do Planalto.

Marco Aurélio deixa claro: Se Bolsonaro não mudar de posição, será incriminado pelo STF

Subprocurador Humberto Medeiros vai preparar o parecer

Carlos Newton

Conforme temos noticiado com absoluta exclusividade, está tramitando no Supremo Tribunal Federal o primeiro pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A grande imprensa está noticiando a ação judicial sem estardalhaço, para não tumultuar ainda mais o país, nesta fase de pandemia.

Mas o fato concreto é que o ministro-relator Marco Aurélio Mello aceitou a denúncia-crime contra o presidente, acusado de incentivar a população a descumprir as recomendações de isolamento, feitas pela Organização Mundial de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pela Vigilância Sanitária, além dos governadores e prefeitos.

AÇÃO ESTÁ ANDANDO – O relator poderia simplesmente ter recusado a ação, mas decidiu seguir em frente e pedir manifestação da Procuradoria-Geral da República. Caberá ao subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros dar o parecer sobre essa notícia-crime do deputado federal Reginaldo Lopes (PT) movida no STF, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar quer enquadrar o presidente no artigo 268 do Código Penal, que consiste em infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. O crime tem pena de um mês a um ano. A ação tem como base encontros do presidente com populares e declarações que contradizem sua equipe de Saúde em relação ao combate ao coronavírus.

LEVARAM NA BRINCADEIRA – Quando publicamos essa possibilidade de um pedido de impeachment ser originário do Supremo, aqui no blog houve comentaristas que levaram na brincadeira, sem acreditar no que está à sua frente.

Mas a hipótese é concreta. Além de infringir o artigo 268 do Código Penal, fatalmente o presidente Bolsonaro estará incurso em dois crimes de responsabilidade, tipificados na Lei 1.079, de 10 de abril de 1950, conforme já explicamos aqui:

*“Intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos Municípios com desobediência às normas constitucionais” (Artigo 6º, inciso VIII).

*“Proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” (artigo 9º, inciso VII).

Mesmo que o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros entenda que não há fundamento de infringência do Código Penal e da Lei dos Crimes de Responsabilidade, a decisão será do relator, que pode colocar o processo em julgamento com parecer contrário do Ministério Público Federal.

SUPREMO APROVARÁ – Caso o ministro Marco Aurélio Mello não arquive o processo e leve a ação a julgamento, é muito provável que o Supremo condene o presidente, e isso significa que  o pedido de impeachment será encaminhado à presidência da Câmara com muito mais robustez, a tramitação será rápida para decisão de dois terços da Câmara,  antes de seguir ao Senado.

O relator Marco Aurélio Mello já foi claro e fez uma ostensiva crítica ao comportamento do presidente da República. “Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo” destacou, em entrevista ao repórter Rafael Moraes Moura, do Estadão, na qual afirmou estar “pasmo’ e “muito triste” com as atitudes de Bolsonaro.

O ministro, no entanto, deixou uma chance em aberto para Bolsonaro, dizendo que, se o presidente mudar sua postura e passar a cumprir as regras da OMS e do Ministério da Saúde, não será incriminado. “Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima. Sempre há tempo para evoluir”, afirmou Marco Aurélio Mello.

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P.S.
1Em tradução simultânea, se Bolsonaro não “evoluir”, mudando seu comportamento, o relator vai defender a incriminação dele, abrindo caminho ao impeachment.

P.S. 2–
Existe um site aí que é recordista em fake news e processos de injúria, calúnia e difamação, chamado Jornal da Cidade, que tem mania de desmentir notícias da TI. Ontem, publicou que o procurador Aras tinha “arquivado o processo”, coisa que juridicamente ele nem pode fazer, pois quem arquiva é o juiz. Tive frouxos de riso, como diz o Francisco Bendl.  (C.N.)