Nem Jânio (de porre…) conseguiu fazer um governo mais maluco do que Bolsonaro

Resultado de imagem para bolsonaro e janio charges

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

No Brasil, ser repórter de política virou, ao mesmo tempo, diversão e escravidão. Os jornalistas realmente se divertem com as maluquices da família Bolsonaro e de seu governo, que é o mais enlouquecido da história, pois nem mesmo Jânio Quadros, eternamente de porre, conseguiu mais trapalhadas do que o atual presidente. Mas fazer a cobertura do governo virou também uma escravidão, porque o show é permanente, inclui fins de semana, feriados e viagens ao exterior.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL – Os repórteres não têm sossego, porque o espetáculo é apimentado pelas participações dos filhos Flávio (o Zero Um), senador pelo PSL-RJ; Carlos (o Zero Dois), que comanda à distância a Comunicação Social do Planalto; e Eduardo (o Zero Três), que se autoproclamou “chanceler informal” e dá ordens ao ministro do Exterior, que é uma espécie de Rainha da Inglaterra e não manda nada.

Além disso, há as sensacionais intervenções do escritor Olavo de Carvalho, o Rasputin virginiano, que saiu de cena, mas ainda manobra nos bastidores.

PRESIDENTE BIPOLAR – Analisado com atenção, o chefe do governo demonstra um comportamento bipolar. Muda de opinião com facilidade, é um vaivém incessante. Faria sucesso em qualquer divã, porque nem mesmo Freud explicaria o proceder de Bolsonaro, mesmo ajudado por Jung, Lacan, Pavlov, Pinel etc.

O fato é que Bolsonaro e os três mosqueteiros que eram quatro (seus filhos e o guru virginiano) não têm a menor ideia do que seja democracia. Se comportam como se tivessem inventado um reinado psicodélico, em que Legislativo e Judiciário ficam em segundo plano, mas Padre Quevedo esqueceu de dizer a eles que “isso non ecziste”.

Bolsonaro tenta reagir à influência dos filhos e de Olavo, mas tem recaídas. Às vezes, percebe que errou, como no caso do ministro Gustavo Bebianno. Arrependeu-se e ofereceu-lhe a diretoria de Itaipu ou as embaixadas da Itália e Portugal, a escolher, mas Bebianno recusou. Na semana passada, demitiu Santos Cruz e lhe ofereceu outro cargo no governo, mas o general não aceitou e saiu de fininho, sem dar entrevista.

ESCULHAMBAÇÃO – Os atos administrativos são uma bagunça. O decreto das armas é um exemplo. Teria de ser uma medida provisória. Baixado como decreto, é ilegal, apenas uma peça de ficção. Em sentido inverso, o mesmo fenômeno se registra em relação à medida provisória para acabar com a contribuição sindical obrigatória. Poderia ser um simples decreto e já estaria em vigor, mas como medida provisória corre o risco de rejeição ou alteração pelo Congresso.

O certo é que Bolsonaro seguiu Raul Seixas e se transformou numa metamorfose ambulante. Ninguém sabe qual será a tendência do governo, porque o privatista Guedes está em baixa e as desonrosas demissões de Marcos Pinto e Joaquim Levy demonstram que Guedes não manda mais nada. Os dois eram da sua cota.

Se Guedes tivesse hombridade, seria solidário aos auxiliares e pediria o boné antes deles. Mas esse tipo de comportamento digno parece fora de moda e o ministro fez questão de dar entrevista tentando justificar a grosseria de Bolsonaro, que é injustificável.

###
P.S.Como na canção de Moraes Moreira e Pepeu Gomes, lá vai o Brasil descendo a ladeira. E ninguém sabe para que lado o governo Bolsonaro irá pender – se vai adotar uma linha nacionalista, seguindo a tradicional visão do militares, ou se vai mergulhar no neoliberalismo mais vulgar, nas mãos dos Guedes da vida. Na realidade, tudo é possível, até porque, na era Bolsonaro, nada é previsível. (C.N.)    

No dia da greve geral, o Brasil trabalhou, mas os grevistas “furaram” o trabalho

Resultado de imagem para greve  charges

Charge do Jota A (jornal O Dia /PI)

Percival Puggina

O Brasil não parou. A presidente do PT sonhava com cidades fantasmas e praças tomadas por candentes manifestações “contra tudo isso que está aí”. E “Lula livre!”, claro. Que modo melhor de exibir força, do que parando o país? Para mostrar musculatura, uma greve geral é mais eficiente do que camiseta cavada.

Quando uma paralisação é anunciada, o trabalhador que insiste em ir trabalhar é acusado de “furar” a greve. Pois a greve do PT e seus satélites foi um fracasso que inverteu a situação. O que se viu foram grevistas “furando” um dia normal de trabalho. Dado da realidade: o Brasil não parou.

MATURIDADE – Foi uma lição de maturidade proporcionada aos imaturos, que não apenas desprezam as lições do passado e nada aprendem com o que acontece diante de seus olhos no momento presente, como ainda almejam uma volta ao passado. Querem cometer todos os erros uma vez mais.

É a política, dirão alguns. A vida é assim, há governo e há oposição, dirão outros. Sim, é verdade. Mas a ideia da greve geral, desde que a esquerda se organizou no país, acrescenta um ingrediente abusivo e totalitário com o intuito de impedir o acesso das pessoas aos locais de trabalho. Isso se obtém com a instrumentalização, o aparelhamento dos sindicatos que respondem pela mobilidade no meio urbano. Mobilidade de pessoas, mercadorias e dinheiro.

DEU TUDO ERRADO – O que se viu no dia 14 foi que nem isso deu certo. A greve obteve uma adesão pífia e onde algum reflexo foi sentido, ele esteve longe de expressar adesão política. Foi mero produto do constrangimento. Deveria ser desnecessário dizer, mas, em todo caso, vá lá: quem não conseguiu chegar a seu posto de trabalho porque tal ou qual sindicato impediu a saída dos ônibus ou dos trens, ou porque alguns brutamontes se postaram diante da porta da agência ou da repartição, estava em oposição à greve geral. Provavelmente foi chamado de fascista e seu olhar de reprovação deve ter sido interpretado como discurso de ódio.

Num país que precisa trabalhar para, com esse trabalho, gerar poupança necessária à abertura de novos postos de trabalho, parar o Brasil é irresponsabilidade em grau máximo. Por incrível que pareça, há forças políticas que ainda acreditam em sua capacidade de vender ilusões a um mercado onde perderam o crédito. E para isso se valem de grupos sociais com muito amor à remuneração e aos direitos, mas pouco amor ao trabalho e aos deveres.

Carlos Bolsonaro se nega a homenagear Mourão na Câmara de Vereadores do Rio

Resultado de imagem para mourao na camara do rio

Emocionado, Mourão recebeu o título de cidadão honorário do Rio

Deu em O Globo

O vice-presidente Antônio Hamilton Martins Mourão recebeu nesta segunda-feira (17) a medalha Pedro Ernesto e o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro na Câmara de Vereadores da capital. A homenagem ocorreu sem a presença do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro.

Ele saiu no meio da tarde antes mesmo do vice chegar e não falou com a imprensa. A homenagem foi solicitada por Jimmy Pereira, integrante do mesmo partido de Mourão, o PRTB. Ele é suplente do vereador Paulo Messina (PROS). Em fevereiro deste ano, Carlos chegou a assinar a moção de homenagem. No entanto, meses depois ele fez duras críticas públicas ao vice. Em especial, após a viagem de Mourão aos EUA.

ELOGIOS AO RIO – Ao lado da mulher, Paula, o vice-presidente discursou e fez elogios ao Rio. “Venho trazer a grande mensagem do governo do presidente Bolsonaro. A mensagem de fé, de que não temos que estar em depressão, que vamos superar as dificuldades” – disse o vice.

“Considero desde muito tempo essa cidade como minha segunda terra” – disse Mourão, ao falar do carinho que possui pela cidade.  “ Quem anda pelo Centro respira história”.

Mourão lembrou que veio morar na cidade em 1961. Lembrou de vitórias e derrotas do Flamengo e de sua experiência no Maracanã. “Torcedor é torcedor” – disse. “Nossa família foi muito feliz aqui”.

Há poucos dias, Mourão também recebeu o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre.

IMPRENSA BARRADA – A imprensa teve diversas restrições para acompanhar o evento na Câmara de Vereadores e, segundo a assessoria da vice-presidência, apenas oito cinegrafistas e fotógrafos puderam acompanhar a cerimônia pública no plenário. Alguns jornalistas que tentaram credenciamento para o evento tiveram o pedido negado com a justificativa de que só iriam ser autorizados cinegrafistas ou fotógrafos.

O repórter do jornal “Folha de S. Paulo” foi o único autorizado a entrar no plenário. Mesmo os pedidos para acompanhar a cerimônia da galeria foram negados. A assessoria alegou que faltava espaço para que outros jornalistas pudessem acompanhar o evento. No entanto, as imagens feitas durante a homenagem mostraram espaços vazios no plenário.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma descortesia (ou grosseria) de Carlos Bolsonaro. Na primeira vez que Mourão assumiu a Presidência, quando o presidente viajou, o vereador Zero Dois assumiu uma sala no Planalto e começou a “despachar” com deputados federais do PSL, para provocar Mourão. O fato é que Zero Dois é infantil, patético e nada republicano, parece julgar que voltamos à monarquia e ele se tornou príncipe-regente. (C.N.)

Paulo Guedes escolhe um jovem privatista para assumir a presidência do BNDES

Aos 38 anos, Montezano é um jovem com ideias bem antigas

Talita Fernandes
Folha

O executivo Gustavo Montezano, de 38 anos, será o novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em substituição ao economista Joaquim Levy. A escolha foi do ministro da Economia, Paulo Guedes. Montezano já atua no governo federal. Ele ocupa o cargo de secretário especial adjunto da Secretaria de Desestatização e Desinvestimento, do Ministério da Economia.

Ele é graduado em engenharia pelo IME (Instituto Militar de Engenharia) e mestre em economia pelo Ibmec-RJ. Atuou no mercado financeiro e foi sócio-diretor do BTG Pactual, responsável pela Divisão de Crédito Corporativo e Estruturados, em São Paulo.

Montezano vai suceder Levy, que pediu demissão neste domingo (17) após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que ele estava “com a cabeça a prêmio”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a Tribuna da Internet anunciou aqui, realmente o ministro da Economia escolheu um defensor da privatização para presidir o BNDES, ao invés de indicar um executivo que esteja capacitado a incentivar o desenvolvimento econômico e a abertura de novos empregos.

Na verdade, Paulo Guedes é um ministro altamente previsível, tem ideias fixas, não vê a economia como um todo. Se o presidente Bolsonaro não se livrar dele, tão cedo este país não sai da recessão.

Os “Chicago Boys” hoje são “Chicago Oldies”, envelheceram sem ver o neoliberalismo de Milton Friedman dar certo em nenhum país. E não adianta citar o Chile e os Estados Unidos, porque nenhum desses países seguiu à risca as teorias monetaristas de Chicago. (C.N.)

CPI do BNDES convoca Joaquim Levy para depor como testemunha no dia 26

Resultado de imagem para joaquim levy

Levy não tem o que dizer, porque não sabe nada sobre o BNDES

Deu em O Tempo
(Folha Press)

O ex-presidente do BNDES Joaquim Levy será ouvido pela CPI que investiga supostos desvios no banco na próxima semana, no dia 26 de junho.  Levy pediu demissão neste domingo (16), depois de ser publicamente criticado pelo presidente Jair Bolsonaro, que no sábado disse que ele estava “com a cabeça a prêmio”.

O requerimento de convocação do então presidente havia sido aprovado na comissão em abril, mas a data da audiência foi definida apenas nesta segunda-feira (17).

DESVIOS NO BANCO – A CPI do BNDES, presidida por Vanderlei Macris (PSDB-SP), investiga possíveis desvios no banco entre os anos de 2003 e 2015.

O ex-presidente do banco, que foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e depois foi trabalhar como diretor do Banco Mundial, será ouvido pelos deputados na condição de testemunha.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As operação do BNDES estão sob investigação da Operação Bullish, do Ministério Público Federal há dois anos e foram concluídas em março, quando houve apresentação da denúncia contra 12 envolvidos.

A denúncia foi aceita pela Justiça Federal de São Paulo e os principais réus são o ex-ministro Guido Mantega, da Fazenda, e o economista Luciano Coutinho, ambos ex-presidentes do BNDES. As acusações são gravíssimas – formação de quadrilha (organização criminosa), corrupção passiva, gestão fraudulenta de instituição financeira e práticas contra o sistema financeiro nacional (prevaricação). Ou seja, a caixa-preta do BNDES já foi aberta há tempos, a demissão de Levy nada tem a ver com esse assunto.

Quanto ao depoimento na CPI, será um fracasso. NA verdade, Levy não tem o que dizer, porque nada sabe acerca do BNDES. É um estranho no nicho. (C.N.)

Sempre falei com juiz, o primeiro que eu deveria convencer”, revela procuradora

Ana Lúcia Amaral defende conduta de Moro e Dallagnol

Frederico Vasconcelos
Folha

O comentário a seguir é de Ana Lúcia Amaral, procuradora regional da República de São Paulo aposentada. Ela contesta opinião da juíza criminal Cynthia Torres Cristofaro, do Tribunal de Justiça de São Paulo, publicada em post sob o título “Violação pelo juiz do dever de imparcialidade é grave, diz juíza”.

###
CHEGA DE HIPOCRISIA E INVEJA DO TALENTO ALHEIO
Ana Lúcia Amaral

Lamentável o pretenso esclarecimento da magistrada. Ela pode ser juíza há décadas, mas não consegue ver a diferença entre crimes, sua forma de execução, entre outras coisas. Bem possivelmente, a magistrada deve entender que pode julgar sem olhar para os lados.

Por outro lado, dada a competência da Justiça Estadual, deve ter enfrentado a menor criminalidade, menor pelos efeitos que lançam sobre a sociedade.

Em seus 25 anos de magistratura, não deve ter passado nem perto de uma Lava Jato.

Não me venha dizer que as normas processuais são as mesmas. Todavia a sua aplicação, visando eficácia, exige outras técnicas investigativas, expertise que não surge da noite para o dia.

Dos meus 21 anos de Ministério Público Federal, sempre falei com juiz, pois ele é o primeiro que deveria convencer para a causa que propunha. Seja cível ou criminal.

Muitas conversas foram bem duras, mas tinha que obter o resultado buscado na ação.

Chega de hipocrisia e inveja do talento alheio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente colocação da procuradora Ana Lúcia Amaral, que mostra bem como funciona o relacionamento entre juiz e Ministério Público no Brasil, na inexistência do juiz de instrução. (C.N.)

“Tenho profundo respeito pelo magistrado”, diz Fux, ao ser indagado sobre as mensagens

Resultado de imagem para fux

Luiz Fux não aceita as críticas e acusações ao ex-juiz Sérgio Moro

Bernardo Mello
O Globo

Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, em seminário na Escola de Magistratura do Rio (Emerj) nesta segunda-feira, que uma das qualidades que devem ser mantidas por juízes é a de serem “olimpicamente independentes”. A fala ocorreu durante a abertura do evento “A Magistratura que Queremos”, que teve como um de seus coordenadores o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão.

Após o evento, Fux evitou comentar o conteúdo vazado dos diálogos entre o atual ministro da Justiça Sergio Moro e o coordenador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, publicados pelo site “The Intercept Brasil”.

INDEPENDÊNCIA – Em um dos diálogos, Dallagnol afirmou a Moro que havia ouvido de Fux um apoio à Operação Lava-Jato. Moro, então, responde com a frase em inglês “In Fux We Trust” (“Em Fux nós confiamos”).

– Esse caso não quero comentar, até porque tenho profundo respeito pelo magistrado (Moro). Não quero me imiscuir na independência dele, assim como não gostaria que ele se imiscuísse na minha – disse Fux aos jornalistas.

Fux também defendeu, em sua participação no seminário, que juízes tenham “conhecimento enciclopédico”, “nobreza de caráter” e “a arte de fazer uma justiça caridosa se tornar uma caridade justa”.

VALORES DA SOCIEDADE – O ministro do STF argumentou ainda que há casos em que juízes precisam levar em conta “valores morais da sociedade” e “razões públicas” na hora de proferir decisões. Em julgamento na última quinta-feira, Fux foi um dos oito ministros da Corte a votar a favor da criminalização da homofobia.

– Em alguns casos, o magistrado julga de acordo com sua consciência. Em outros, estão em jogo valores morais da sociedade, razões públicas – afirmou Fux.

– No meu modo de ver, nesses casos, como descriminalização das drogas, homoafetividade e a idade em que crianças entram na escola, o juiz deve levar em conta como pensa moralmente a sociedade, para verificar se a decisão condiz com o sentimento constitucional do povo – argumentou o ministro.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sem a menor dúvida, Fux é um dos melhores ministros do Supremo e merece confiança. Além de juiz, é faixa-preta de Jiu-Jitsu. Certa vez, Gilmar Mendes tentou ridicularizá-lo no Supremo, Fux ameaçou “finalizá-lo” e ele botou o galho dentro, como se dizia antigamente. (C.N.)

Não existe juiz neutro para julgar acusados de cometer crimes de lesa-pátria

Resultado de imagem para la vai o brasil descendo a ladeira charges

Charge do Duke (dukechargisra.com.br)

Jorge Béja

Nesta Terra de Santa Cruz chamada Brasil, nenhum juiz federal criminal é neutro, rigorosamente neutro, isento e equidistante  para julgar réus denunciados por terem se apropriado, roubado, furtado, desviado, se apoderado do dinheiro da Nação Brasileira, dinheiro que ao povo pertence. Isto porque ele, o juiz, também é povo. Ele, o juiz, também é vitimado. Ele, o juiz, é gente como a gente. Ele, o juiz, também é parte no processo. Ele, o juiz, tem convicções, sentimentos e reações que são perfeitamente humanas.

O magistrado não é um robô. Não é um Super Homem. Não é um ser extraterrestre.  Não é uma máquina. Não é um estranho, um estrangeiro que veio de fora para decidir essas causas horrorosas. Ele tem corpo, alma e sentimentos como todos temos.

TENDÊNCIAS – Da mesma forma que a Justiça do Trabalho é tida e vista como paternalista, porque a parte pedinte é, via de regra,  o empregado, parte mais fraca… Da mesma forma que o Código de Proteção e Defesa do Consumidor considera todos nós, adquirentes e compradores de produtos e serviços como sendo a parte hipossuficiente (no sentido financeiro, social e literal), a parte sempre mais frágil e fraca, em tudo e por tudo, também no foro federal criminal e nos crimes de lesa-pátria, de assalto aos cofres nacionais, os ladrões dos dinheiros do povo são gatunos de uma população imensa e inteira de hipossuficientes, de coitados, de enganados, de pungados, de sem vez, de sem voz e de sem nada.

Diante deste quadro, verdadeiro e geral, como exigir do magistrado que tape a vista, que venda os olhos e não intervenha, ele próprio, para buscar a verdade e, de acordo com as provas produzidas, condenar ou absolver aquele ou aqueles que foram denunciados por terem roubado o dinheiro do povo?

LIBERDADE DE AGIR – A intervenção pessoal do magistrado é sempre útil e legalíssima. Pode o juiz, de per si, ordenar a intimação de pessoa cujo nome nem aparece no processo, para depor na sua presença e dela colher informações que o magistrado, de ciência própria, sabe que vão contribuir e, quiçá, decidir a questão. E se o próprio juiz da causa não intimar para depor, pode e deve o magistrado fornecer a informação ao Promotor de Justiça para que requeira, uma vez que o Ministério Público em tais processos é sempre o dono da ação (dominus litis).

Ora, ora, que pecado o brasileiro e também vitimado Sérgio Moro cometeu ao repassar ao Promotor Federal o nome de uma testemunha? Que outro pecado o mesmo juiz cometeu ao indagar se estaria por vir “outra operação”?

LADO A LADO – Sim, no processo penal, o promotor de justiça é a parte acusadora e o réu a parte acusada. Mas por que nos juízos de primeira instância e mesmo nos tribunais os promotores sentam-se ao lado direito do juiz (na primeira instância) e também ao lado direito dos presidentes (nos tribunais), enquanto que os advogados ficam distantes, ora em pé ora sentados, sempre num plano inferior ao da autoridade judicial?.

Se constata, portanto, que até mesmo pelas disposições das salas de audiência e julgamento nos fóruns e nas turmas, câmaras e plenários dos tribunais, a proximidade e a intimidade entre quem julga e quem acusa existem, e isso não está fora da ética e, sim, dentro da tradição. E não compromete a distribuição de justiça.

E OS HACKERS? – O gângster  (ou gângsteres) que criminosamente invadiu os celulares do então juiz Moro e dos procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato  e que estão disseminando e divulgando, por etapas e capítulos, o que é atribuído ao que seriam  mensagens daquelas autoridades, precisam ser identificados e processados e rigorosamente punidos.

A pretensão deles é desmoralizar o então juiz e promotores públicos, esquecendo-se que até 17.3.2017, quando a Lava Jato completou três anos, dos duzentos investigados que foram denunciados pelos promotores federais, o juiz Sérgio Moro condenou noventa e dois e absolveu vinte e nove. Foram decisões calcadas nas provas existentes do processo.  

Conheça os nomes mais cotados na mídia para substituir Joaquim Levy no BNDES

Resultado de imagem para bndes charges

Charge do Iotti (Zero Hora)

Deu na Exame

Integrantes da área econômica já falam reservadamente sobre quem são os mais cotados para substituir o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, após seu pedido para deixar o cargo.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, largam na frente Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central que assumiu a presidência do conselho do BNDES neste ano, e Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia.

Também estão no páreo Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, funcionária de carreira do BNDES e atual presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Deu no Globo

Integrantes da equipe econômica enfrentam dificuldades para encontrar um nome para assumir a presidência do BNDES no lugar de Joaquim Levy, que entregou sua carta de demissão na manhã deste domingo.

Entre os nomes mais cotados estão o de Solange Vieira, atual superintendente da Susep, Salim Mattar, secretário de Privatizações, Carlos da Costa, secretário de Produtividade e Emprego, e Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho de Administração do BNDES.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Guedes quer indicar alguém que facilite as privatizações, às custas de recursos do BNDES, que agora está ameaçado de deixar de ser o vetor do desenvolvimento, para se tornar novamente indutor da entrega das estatais ao capital estrangeiros, como era o grande sonho de FHC, que o concretizou apenas pela metade. (C.N.)

Maia diz que saídas de Levy e diretor do BNDES são ‘uma covardia sem precedentes’

Resultado de imagem para rodrigo maia

Maia ficou perplexo com tratamento que Guedes deu a Joaquim Levy

Tahiane Stochero
G1 SP

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na manhã desta segunda-feira (17) que as saídas de Joaquim Levy da presidência do BNDES e do advogado Marcos Barbosa Pinto da diretoria de Mercado de Capitais do banco são “uma covardia sem precedentes”.

Levy pediu demissão neste domingo (16), um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter dito em entrevista coletiva que ele estava com a “cabeça a prêmio”. Bolsonaro cobrava de Levy a demissão de Marcos Pinto, que renunciou no sábado após a fala do presidente.

CARGOS DE CONFIANÇA – “Uma pena o Brasil ter perdido dois nomes como os do advogado e do Levy. Acho uma covardia sem precedentes”, disse Maia, acrescentando: “Levy veio de Washington [onde ocupava cargo de diretor do Banco Mundial] para trabalhar no governo. Está errado [sair assim], não pode tratar as pessoas deste jeito. Se é para demitir, chama e demite. Ninguém é obrigado a ficar com um servidor de confiança se deixou de ser de confiança. Agora, tratar da qualidade dos dois desta forma, eu achei muito ruim”, disse Maia.

Em evento promovido pela BandNews, Maia afirmou que, com a saída de Levy da presidência do BNDES, cabe ao ministro da Economia, Paulo Guedes, controlar a situação. “Quem tem que segurar firme é quem nomeou, e foi o ministro”, disse Maia.

FICOU PERPLEXO – Ao blog da colunista Andreia Sadi, Maia afirmou ter ficado “perplexo” com o tratamento dado por Paulo Guedes a Joaquim Levy.

Bolsonaro, segundo Paulo Guedes, tinha “angústia” por Levy ter escolhido para o banco “nomes ligados ao PT”. Marcos Pinto é respeitado entre economistas e técnicos. Segundo o jornal “Valor Econômico”, ele é mestre em direito pela Universidade de Yale (EUA) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

Segundo integrantes da equipe econômica, o substituto de Levy será indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e deve ser da iniciativa privada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Rodrigo Maia virou oposição ao governo. O presidente da Câmara sabe identificar os erros de Bolsonaro, Guedes & Cia., e bate pesado em todos eles. Maia tem razão, porque nesse caso Bolsonaro está certo em demitir executivos que não considera acima de qualquer suspeita, mas a maneira de fazê-lo foi primária, infantil, teatral e contraproducente. O resultado é que o governo inteiro está inseguro. (C.N.)

Polícia Federal extrai dados do celular de Moro para investigar ataques de hacker

Resultado de imagem para raquel dodge

Raquel Dodge se omitiu e ainda não apreendeu as gravações

Aguirre Talento
O Globo

Para dar início ao inquérito sobre os ataques de hacker contra o ministro da Justiça, Sergio Moro  peritos da Polícia Federal foram à sede do ministério para realizar a extração de dados do celular dele. Esse processo permite obter o histórico de ligações e da utilização dos aplicativos, com o objetivo de tentar rastrear a origem dos ataques. O ministro seguiu o conselho do presidenye do Senado, Davi Alcolumbre, e vai comparecer espontaneamente ao Senado nesta quarta-feira (dia 19) para prestar esclarecimentos.

A tentativa de invasão foi informada por Moro à PF na terça-feira passada. Após suspeitar dos ataques, o ministro trocou de aparelho celular. É este aparelho antigo que teve seus dados extraídos para permitir o avanço da investigação, que foi aberta na semana passada pela PF.

HACKER LIGOU – Depois de invadir o celular de Moro, o hacker ligou para o próprio ministro. Moro achou estranho mas, mesmo assim, atendeu. Momentos após essa ligação, o invasor acessou o Telegram de Moro. Há pelo menos dois anos o ministro não usava ao aplicativo. A partir daí, o ministro não teve dúvidas de que poderia estar sendo vítima de um golpe. Moro repassou a informação para a PF investigar o caso e trocou de linha.

De acordo com peritos da PF, só depois da análise dos dados do aparelho celular é que será possível saber se o hacker conseguiu ou não copiar o conteúdo das conversas do ministro.

Com o rastreamento das origens do telefonema e dos acessos ao aplicativo Telegram do celular de Moro, cujos dados ficam armazenados no sistema e nas operadoras de telefonia, seria possível chegar ao autor dos ataques, avalia a PF.

PROCURADORES – A PF também investiga casos de ataques hacker contra procuradores da Lava-Jato, como o coordenador da força-tarefa de Curitiba Deltan Dallagnol, e também tentativas contra procuradores do Rio de Janeiro.

Após a onda de ataques, o site “Intercept Brasil” divulgou uma série de diálogos entre Moro e Dallagnol. Nas reportagens, o site ressalta que obteve o material de uma fonte anônima antes dos relatos de ataques hacker.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A atitude de Moro, ao entregar seu celular à Polícia Federal na última terça-feira (dia 11), demonstra o caráter do ministro e mostra que ele nada tem a temer a respeito das acusações de ter fraudado provas, manipulado procedimentos do Ministério Público Federal e exercido perseguição política contra Lula. O Brasil deve muito a Moro e devia respeitá-lo.

E como indaga o jurista Jorge Béja, por que a Procuradoria-Geral da República está omissa diante dessas agressões ao ministro Moro? Por que ainda não pediu a expedição de mandado de busca e apreensão do material utilizado pelo The Intercept?

Causa muita estranheza esse comportamento da procuradora-geral Raquel Dodge, que é paga pelo povo para trabalhar em defesa do interesse público e não para se omitir. E ainda quer ser reconduzida ao comando da Procuradoria, sem ter se candidatado… Era só o que faltava, diria o Barão de Itararé. (C.N.)

“São nulas as provas obtidas com ilicitude”, afirma Carlos Velloso sobre diálogos de Moro

O ex-ministro do STF Carlos Velloso Foto: Michel Filho / Agência O Globo

Ex-presidente do STF, Velloso como as coisas no seu devido lugar

Bernardo Mello
O Globo

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 1990 e 2006, o jurista Carlos Velloso declara que os vazamentos de conversas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro , e o procurador da República Deltan Dallagnol não devem virar trunfos jurídicos para acusados pela Lava-Jato , tampouco enfraquecer as investigações contra corrupção, já que as provas “são ilícitas”. Velloso acredita que a opinião pública está “contra a impunidade”, mas enxerga riscos maiores no exercício da magistratura.

Que tipo de impacto os vazamentos de conversas entre Moro, Dallagnol e procuradores podem ter para a Lava-Jato?
Esse tema deve ser tratado com muita cautela, porque nasce de uma ilegalidade, que foi a invasão dos telefones por hackers. É um meio de comunicação em que prevalece a privacidade. Então há um caso surgido de provas ilícitas, algo que a Constituição não admite. A lei diz que são nulas as provas obtidas com ilicitude, e esta é a primeira questão que tem que ser posta em mesa para debate.

A opinião pública reage às informações contidas nos vazamentos, independentemente de serem legais ou ilegais. O senhor imagina uma reação contrária à Lava-Jato?
A opinião pública, de modo geral, está apoiando a Lava-Jato. Pessoas leigas chegam a afirmar que, se provas ilícitas puderem influenciar um caso no sentido de inocentar, absolver pessoas condenadas depois de um longo processo, em que a matéria foi longamente discutida e examinada, então daria para dizer que o crime compensa. Tenho visto esse tipo de reação. A opinião pública de modo geral está contra a corrupção, contra a impunidade.

A preocupação com vazamentos de mensagens privadas pode contaminar ou modificar o trabalho de juízes e procuradores daqui em diante, especialmente da Lava-Jato?
Hoje, o exercício da função pública é cada vez mais uma profissão de risco. A cada ano a privacidade vai se tornando mais vulnerável. (O escritor britânico) George Orwell escreveu o livro 1984, falando sobre o “Big Brother”. O 1984 é hoje, com outros meios muito mais aperfeiçoados de se vigiar as pessoas, de se romper com a privacidade das pessoas. O que é lamentável, mas é algo do nosso tempo.

O conteúdo dos diálogos pode levar a opinião pública a questionar atuações individuais de ministros do STF, ou até a atuação do Supremo como um todo?
Primeiro, uma frase isolada não pode servir de base para julgamento de coisa alguma. Segundo, é frase obtida ilicitamente. Terceiro, não vejo nenhum problema em falar que se confia no ministro. Bom mesmo é que confie.

Nos diálogos, Moro fala em “limpar o Congresso”. O senhor vê alguma possibilidade de que os vazamentos incitem um contra-ataque do Legislativo ao ministro, ao Judiciário ou à própria Lava-Jato?
Eu acho que não. A democracia brasileira está muito amadurecida. As instituições estão respeitando umas às outras. Os Poderes são independentes mas devem ser harmônicos. Isso é um mandamento constitucional. Penso que não há nenhum perigo a essa altura de invasões de competência. Cada um no seu papel.

Uma crítica feita a Moro e Dallagnol é de que extrapolavam suas funções como juiz e procurador. Na sua avaliação, o apoio da opinião pública já considerava implicitamente essa atuação mais proativa de ambos?
A Lava-Jato, na verdade, se constituiu em um trabalho sincronizado entre juiz, procuradores, Policia Federal, agentes da Receita Federal, agentes da administração fazendária, e por aí vai. O sucesso dessa operação se deve a isso, a esse trabalho harmônico entre autoridades judiciais e investigativas. Eu acho que a população reconhece isso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente entrevista. O repórter agiu acertadamente, procurou abordar todos os pontos possíveis e imagináveis contra Moro, os procuradores e a Lava Jato, mas o resultado permaneceu o mesmo – nada, rigorosamente nada. (C.N.)

Paulo Guedes anuncia que o novo presidente do BNDES virá da iniciativa privada

Resultado de imagem para guedes charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Delis Ortiz e Filipe Matoso
TV Globo e G1

O substituto de Joaquim Levy no comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e deve ser da iniciativa privada, informaram integrantes da equipe econômica.

Levy pediu demissão do cargo neste domingo (dia 16), após o presidente Jair Bolsonaro ter dito no sábado que ele estava com a “cabeça a prêmio”.

ULTIMATO – Bolsonaro disse na tarde deste sábado (15) que, se Levy não demitisse o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Marcos Barbosa Pinto, ele, Bolsonaro, demitiria Levy, sem consultar o ministro Paulo Guedes. Poucas horas depois, Marcos Pinto renunciou ao cargo. No domingo de manhã, Joaquim Levy também pediu demissão.

Segundo apurou a TV Globo, o próximo presidente do BNDES terá de focar os trabalhos nas seguintes áreas: programas de saneamento; infraestrutura; privatizações; e reestruturação de estados e municípios.

Ainda de acordo com integrantes do governo, o substituto de Joaquim Levy também deverá ter como objetivos devolver à União parte dos recursos emprestados ao BNDES, além de buscar investimentos no exterior.

INSATISFAÇÃO – Embora a nomeação de Marcos Pinto tenha sido a “gota d´água’ para Bolsonaro, integrantes da equipe econômica afirmam que o presidente estava insatisfeito com Joaquim Levy havia três meses.

Isso porque, na avaliação desses integrantes, Levy não havia cumprido a promessa de campanha de Bolsonaro de “abrir a caixa-preta” do BNDES em relação a empréstimos para Venezuela e Cuba nem havia buscado investimento no exterior.

Ao colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, Paulo Guedes disse que Bolsonaro estava “angustiado”. Acrescentou que entendia a “angústia” em razão de Levy ter escolhido “nomes ligados ao PT” para o banco.

LIGADO AO PT – Marcos Pinto, cuja demissão foi cobrada por Bolsonaro, foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“Ninguém fala em ‘abrir a caixa-preta’ e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes ao Blog do Camarotti.

Segundo o colunista João Borges, Guedes e Bolsonaro conversaram neste sábado logo após o presidente ter dito que Levy estava com a “cabeça prêmio”. A declaração fez os integrantes da equipe econômica considerarem “insustentável” a situação do agora ex-presidente do BNDES.

CRÍTICAS INTERNAS – O ex-presidente recebeu uma saraivada de críticas de funcionários quando disse, numa palestra em março, que só em 2016 o BNDES criou uma área de verificação do cumprimento de normas e leis (compliance) e que, por isso, não se surpreendia com o fato de terem acontecido “coisas esquisitas”.

O episódio mais recente, em maio, foi o afastamento da então chefe do Departamento de Meio Ambiente do banco após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciar uma análise que teria apontado má aplicação dos recursos do Fundo Amazônia.

ASSOCIAÇÃO DEFENDE – Com as críticas de Bolsonaro, até mesmo a AFBNDES, associação que representa os funcionários da instituição de fomento, disse em nota que, “apesar de divergências sob alguns pontos da atual gestão, como o afastamento da chefe de departamento do Fundo Amazônia e declarações infelizes sobre operações de comércio exterior”, reconhecia que Levy “nunca apoiou ou defendeu fantasias e calúnias que o presidente da República, sempre saudoso da campanha eleitoral, insiste em declarar sobre o BNDES”.

Mesmo com a pressão dos funcionários, a gestão de Levy fez algumas de atender a demanda da promessa de campanha de Bolsonaro. Ainda em janeiro, divulgou no site do banco uma lista com 50 maiores clientes do banco. Compartilhado com entusiasmo nas redes sociais por Bolsonaro, o ranking já havia sido publicado no governo Michel Temer, dentro do “Livro Verde”, lançado em julho 2017, na gestão de Paulo Rabello de Castro à frente do banco.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPaulo Guedes faz um esforço danado para fingir que não foi responsável pela indicação de Joaquim Levy e dos diretores ligados ao PT. Vamos aguardar o nome do novo gênio que ele irá indicar. (C.N.)

Dias Toffoli diz que Supremo terá de decidir sobre legalidade da reforma da Previdência

UAV_20190614_205.jpg

Dias Toffoli reclama que o Supremo tem excesso de demandas

Sávio Gabriel
O Tempo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, diz não ter dúvidas de que a reforma da Previdência será judicializada tão logo seja aprovada, com diversas ações sendo impetradas na Corte. Em palestra realizada no Conexão Empresarial, na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, o magistrado defendeu a desconstitucionalização do país e argumentou que o Judiciário recebe muitas demandas que poderiam ser solucionadas em outras instâncias

“Alguém tem dúvida aqui que no dia seguinte da promulgação de uma emenda constitucional de reforma da Previdência, terão ações no STF? Alguém tem dúvida? Ninguém tem”, disse, afirmando que havia sugerido aos principais atores do processo a desconstitucionalização do tema.

DESCONSTITUCIONALIZA – “Por isso, quando conversei com o Paulo Guedes (ministro da Economia), com o Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados), com o Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e com o presidente Jair Bolsonaro, disse: Desconstitucionaliza”.

Sua sugestão, segundo Toffoli, foi de que a reforma da Previdência ocorresse via lei ordinária e que a reforma tributária seja feita por lei complementar. “Se não fizerem isso, depois não reclamem do Judiciário”, afirmou.

Apesar de a sugestão não ter sido acatada em relação às mudanças na previdência, o magistrado se mostrou confiante com relação ao sistema tributário. “Penso que será muito bom para o futuro do país”, disse.

SEM INTROMISSÃO – O presidente do STF deixou claro que a Corte só julga temas para os quais é demandada. “E depois se diz que o Judiciário está se intrometendo nos temas que não seriam dele”. Ele disse ainda que muitas dessas demandas são levadas por “partidos políticos que perdem no Congresso a sua posição e levam seus questionamentos”.

Toffoli afirmou ainda que “não há Suprema Corte no mundo que julgue tanto quanto o STF”. Ele citou que foram realizadas 126.753 decisões pelos 11 juízes (entre monocráticas e colegiadas) no ano passado.

O ministro ainda afirmou que “quando tudo vai parar no Judiciário, é o fracasso da sociedade e dos outros meios de resolução dos conflitos”. Toffoli estava se referindo ao fato de o STF ter sido acionado para discutir a tabela do frete.

AÇÃO DO FRETE – No ano passado, a Associação do Transporte de Carga do Brasil (ATR) entrou com uma ação na Corte contra a política a medida, que foi tomada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para acabar com a greve dos caminhoneiros.

No evento desta sexta-feira, ele voltou a criticar o fato de o tema estar em discussão no STF. “Se a sociedade joga ao Supremo a tabela do frete, nós vamos ter que julgar. Agora, pergunto às senhoras e aos senhores: uma agência reguladora, que está ali para regular o mercado, o transporte, ela edita uma tabela do frete e no dia seguinte uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (tipo de ação) é apresentado no STF. Não foi nem na primeira instância. Será que o local é apropriado para discutir a tabela do frete?”, questionou.

 DEMOCRACIA – Aos empresários, Toffoli disse que o STF foi o responsável pela manutenção da democracia nos últimos quatro anos, quando, segundo o ministro, o país passou por uma série de crises institucionais. Ele referiu-se especificamente ao fato de o STF ter atuado em episódios como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (a Corte definiu o rito a ser seguido no processo) e da decisão de afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Pode-se criticar o STF por essa ou aquela decisão, mas o que não pode deixar de se reconhecer que é a Corte garantiu, entre todas essas crises, exatamente a possibilidade de manutenção do estado democrático de direito”, disse, destacando que o Supremo tem função de “pacificadora da sociedade brasileira”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Supremo brasileiro é uma esculhambação. Julga ações sem a menor importância, tipo furto de desodorantes, e depois reclama do excesso de trabalho. O Supremo precisa reorganizar o Judiciário, mas sob comando de presidentes como Dias Toffoli, não se pode esperar grande coisa. Não adianta reclamar, cabe ao presidente do Supremo agir e aprimorar o Judiciário. Apenas isso. (C.N.)

A hora de separar as coisas, na visão poética de Affonso Romano de Sant’Anna

Resultado de imagem para affonso romano de sant'anna chargesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna descreve no poema “Separação”, tudo quanto acontece quando se desmonta a casa e o amor: sentimentos, momentos, conversas, filhos, vizinhos, perplexidade, futturo, indecisão, etc.

SEPARAÇÃO
A
ffonso Romano de Sant’Anna

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juízo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
– pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

Demissão de Levy revela a fraqueza de Guedes e o fortalecimento da ala militar

Resultado de imagem para guedes e levy

Levy e Guedes se tornaram dois perdidos numa economia suja

Carlos Newton

Conforme explicamos aqui na “Tribuna da Internet’ neste domingo, a demissão de Marcos Barbosa Pinto foi apenas o motivo aparente, a chamada gota d’água, da canção de Chico Buarque e Paulo Pontes. O presidente Bolsonaro foi sincero ao anunciar que Joaquim Levy estava há tempos com a cabeça a prêmio. E as especulações tomaram conta do noticiário. A justificativas preferidas pela mídia foram dadas por Paulo Guedes, ministro da Economia. Disse que Levy foi demitido não só por empregar diretores petistas, mas também porque Bolsonaro apresentara como promessa de campanha “abrir a caixa-preta do BNDES” e Levy não obedeceu.

Ninguém fala em abrir a caixa-preta e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes ao blog do Gerson Camarotti. “O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou uma solução para o futuro”, ressaltou o ministro.

FATOS E VERSÕES – Na política, as aparências enganam e o que geralmente prevalece é a versão, ao invés do fato. Na verdade, a demissão do presidente do BNDES pouco tem a ver com o fato de Marcos Pinto ser petista ou não. Quando ele foi nomeado, seu nome passou pelo crivo da equipe de Bolsonaro, sem problemas. Mas naquele época o ministro Paulo Guedes agia como se fosse mais importante do que o próprio presidente, todos tinham medo dele.

Agora o quadro mudou e Bolsonaro já entendeu que seu “Posto Ipiranga” é altamente limitado. Guedes está em baixa e descendo a ladeira. Ele foi o único responsável pela nomeação de Joaquim Levy e dos diretores petistas, mas agora tenta tirar o corpo fora.

Quanto à “caixa-preta”, a alegação de Guedes também não procede, é uma tremenda conversa fiada. Na realidade, Levy e sua diretoria pouco sabem sobre o BNDES. Além disso, a tal “caixa-preta” já foi arrombada pelas autoridades judiciais, independentemente de Levy e dos petistas, e isso não é versão, mas um fato público e notório.

OPERAÇÃO BULLSHIT– A “caixa-preta” foi aberta em março pela força-tarefa da Operação Bullish, do Ministério Público Federal. A expressão inglesa é derivada de Bull (touro) e significa otimismo financeiro, por isso existe aquela estranha estátua do touro em Wall Street.

A denúncia do MPF envolveu 12 acusados por operações irregulares de 2007 a 2009, que ultrapassaram o valor de R$ 8,1 bilhões. No dia 25 de maio, o juiz Marcus Vinicius Bastos, da 12ª Vara Federal em Brasília, recebeu a denúncia e tornou réus o ex-ministro Guido Mantega, o ex-presidente BNDES, Luciano Coutinho, e mais três envolvidos.

As acusações são pesadíssimas: formação de quadrilha (organização criminosa), corrupção passiva, gestão fraudulenta de instituição financeira e práticas contra o sistema financeiro nacional (prevaricação).

ALA MILITAR – A explicação que não foi dada, talvez até por que ninguém comenta, é que Guedes está em baixa e a ala militar segue em alta no Planalto. Embora tenha demitido o general Santos Cruz, o presidente continua se aconselhando com a ala militar, cujos integrantes abominam a gestão de Levy desde o momento em que ele quis acabar com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), uma demonstração de que não conhece o banco e não sabe a importância do apoio que o BNDES oferece à indústria, às obras públicas e às exportações, além do financiamento a micros, pequenas e médias empresas, entre outras atividades de fomento, a juros baixos.

Levy quis acabar com a TJLP e isso significa enfraquecer o BNDES e fortalecer os bancos privados. Os neoliberais de Chicago (Levy é um deles) já falavam na extinção do BNDES.

A ala militar se revoltoue lembrou a Bolsonaro que Joaquim Levy é um ex-diretor do Grupo Bradesco. Desde então, o chefe do governo, que em assuntos de governo se guia pelos militares, colocou Levy na berlinda.

Agora, o presidente precisa nomear um executivo desenvolvimentista, que prestigie a indústria nacional e crie linhas de crédito que abram empregos qualificados para os brasileiros, como Carlos Lessa e Darc Costa fizeram no BNDES durante o primeiro governo Lula.

MAIOR DO MUNDO – Até recentemente o BNDES era o maior banco de fomento do mundo. Décadas atrás, os chineses vieram ao Brasil para estudar seu funcionamento e criaram um banco semelhante, que hoje já superou o original brasileiro e setornou o maior do mundo.

Quando assumiram a direção do BNDES, em 2003, Carlos Lessa e Darc Costa (presidente e vice) descobriram que o PT não tinha programa de governo e então  implantaram suas próprias ideias. O resultado foi o ressurgimento da indústria naval e de vários outros setores estratégicos. Houve forte apoio às exportações e  o cartão BNDES abriu financiamento baratíssimo a micros, pequenas e médias empresas. Com isso a economia embalou.

Mas aconteceu que Lessa e Darc se indispuseram com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e deixaram o governo. Quando saiu, Lessa avisou: “Se não mudarem a atual política, haverá um voo de galinha e depois a economia entrará em recessão”. Não deu outra. Entrou e parece que não sai mais.

###
P.S.
Surgiu outra “versão sobre o afastamento de Levy. Diz-se que o ministro Guedes esperava que o BNDES repassasse ao governo R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. É mentira, pois Levy é incompetente, porém superdisciplinado. Em maio o BNDES já havia devolvido R$ 56 bilhões ao Tesouro e até o final do ano ia devolver o restante dos recursos, através dos repasses bilionários que recebe anualmente do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). (C.N.)

Demissão de Joaquim Levy abala seriamente prestígio do ministro Paulo Guedes

Resultado de imagem para guedes charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Analisando-se atentamente os fatos que culminaram com a demissão de Joaquim Levy  da presidência do BNDES – excelente reportagem de Amanda Almeida, Geralda Doca, Bruno Goes e Renan Setti , edição de domingo de O Globo – verificamos que o principal reflexo político foi o enfraquecimento do Ministro Paulo Guedes, autor da indicação de Levy junto ao presidente Jair Bolsonaro. Apesar dos esforços de Paulo Guedes para se livrar do fantasma que envolveu a demissão, o Ministro da Economia não consegue sair da chuva sem se molhar.

Tanto assim que, falsamente, tratou de dizer aos repórteres de O Globo que compreende a angústia do presidente da República. E, de forma surpreendente, acrescentou: “É algo natural que ele se sentisse agredido quando o presidente do BNDES colocou na diretoria Marcos Barbosa Pinto, ligado ao PT.”

RESUMINDO – O que concretamente aconteceu? Jair Bolsonaro já havia decidido demitir Marcos Barbosa Pinto. Entretanto, Joaquim Levy protelou o cumprimento da ordem e não estava sozinho na postergação. Ao contrário, a iniciativa do esquecimento, que as vezes ocorre na administração, no caso significava que Guedes colocava uma sombra para ocultar os fatos.

Na verdade, tem que se reconhecer que o cargo de Ministro de Estado é essencialmente político. E Paulo Guedes não entende nada de política. Palavra que também é sinônimo de polidez e sensibilidade. A cadeia de fatos foi objeto de magistral comentário de Miriam Leitão na GloboNews, edição das 12 horas de domingo.

Miriam Leitão destacou a justificativa de Guedes como chave central do suposto impasse que vinha se prolongando na esfera do Banco. O ministro disse que Bolsonaro havia determinado a abertura da caixa preta para trazer à superfície diversos financiamentos e empréstimos a juros negativos para execução de obras em Cuba, Angola e Venezuela, além do empréstimo de 8 bilhões de reais destinado a JBS de Joesley Batista.

HAVIA A ORDEM? – A suposta ordem de Bolsonaro estava dada, porém seu cumprimento não saia do andar térreo do Planalto em Brasília.  Paulo Guedes, portanto, não pode dizer que não sabia da decisão de Bolsonaro. No entanto, nada fez para que a ordem deixasse o papel e fosse prosseguir no capítulo seguinte. Se é que houve a tal ordem…

Disfarçadamente, quando o episódio explodiu Paulo Guedes disse ao Globo: “O grande problema foi que Joaquim Levy não resolveu o passado, nem encaminhou uma solução para o futuro.”

Para mim o texto de Paulo Guedes exige uma tradução. A verdade, com tradução ou sem ela, é que Paulo Guedes de umas semanas para cá está perdendo todos os cotejos políticos, como foi o caso da derrota de seu projeto de reforma da Previdência.

GUEDES E MAIA – Também, o que se pode esperar de um administrador que se propõe isentar as empresas de suas contribuições para com o INSS, numa fase em que a Previdência precisa de aumentar as receitas? Não se pode esperar nada.

E nesse ponto a repórter Amanda Almeida destaca o conflito entre Paulo Guedes e Rodrigo maia. O presidente da Câmara afirmou que a atuação no governo era uma usina de crises.

Nesse clima, a próxima exoneração do governo talvez seja a do próprio Paulo Guedes.

Gestão de Levy no BNDES foi marcada por atritos com governo e com funcionários

Resultado de imagem para bndes charges

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vinicius Neder
Estadão

Os seis meses de gestão de Joaquim Levy à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram marcados por atritos tanto com o governo federal quanto com os funcionários da instituição de fomento. Desde que Levy foi indicado para o cargo, em novembro do ano passado, ainda na transição de governo, estava sinalizado que sua missão seria reduzir ainda mais o tamanho do banco. Diante da pressão nos dois lados, o banco ficou em compasso de espera, sinalizando que daria prioridade para infraestrutura, mas com o anúncio de poucas medidas concretas.

Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha elevado o tom no sábado, declarando que já estava “por aqui” com Levy e ameaçando o presidente do BNDES com a demissão, o principal atrito com o governo era mesmo com a equipe econômica.

DEVOLUÇÃO – A tensão veio à tona no início de março, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou explicitamente, em entrevista ao Estado, que o BNDES teria que devolver R$ 126 bilhões dos recursos tomados com o Tesouro Nacional e disse, sobre Levy: “Não sei se ele quer, mas vai ter de devolver”.

Com a declaração, Guedes trazia a público o atrito que já vinha de antes, sempre em torno da questão das devoluções do BNDES ao Tesouro. De 2008 a 2014, o BNDES recebeu R$ 416 bilhões em aportes do Tesouro Nacional. Inicialmente, os aportes foram parte da ação “contracíclica” do governo Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a crise internacional de 2008, mas acabaram como estratégia do governo Dilma Rousseff para turbinar o crescimento econômico.

A medida sempre esteve entre as mais criticadas, especialmente por economistas de perfil mais liberal, no cardápio da política econômica dos governos do PT.

UMA FREADA – Quando o próprio Levy assumiu como ministro da Fazenda, no segundo governo Dilma, determinou uma freada na instituição de fomento. O último aporte, autorizado no fim de 2014, ainda na gestão de Guido Mantega no ministério, seria devolvido ainda em 2015. Com a chegada de Michel Temer ao Planalto, em maio de 2016, após o afastamento de Dilma, as devoluções seriam aceleradas. Ainda naquele ano, a então presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, devolveria R$ 100 bilhões a pedido do ministro Henrique Meirelles.

As devoluções seguiram no governo Temer. De 2015 a 2018, o banco já devolveu R$ 309 bilhões ao Tesouro Nacional. Em julho do ano passado, Fazenda e BNDES firmaram uma reestruturação da dívida com a União, antecipando o prazo final para devolução dos aportes de 2060 para 2040 e estabelecendo um cronograma anual de devoluções – entre 2019 e 2022, a devolução média era de R$ 25 bilhões ao ano. Para 2019, estavam previstos R$ 26,6 bilhões.

RITMO LENTO – Ainda na transição, a equipe de Guedes vinha sinalizando que achava o ritmo lento. Antes mesmo da indicação de Levy, o então diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, hoje conselheiro do banco, estimava que seria possível devolver mais R$ 40 bilhões este ano, além dos R$ 26,6 bilhões já previstos na reestruturação. Em dezembro, o Estado revelou que a equipe de transição de Guedes queria pelo menos R$ 100 bilhões este ano.

Para a ala mais liberal dos “Chicago oldies” de Guedes, o BNDES poderia se dedicar apenas às privatizações de estatais e estruturação de projetos de concessões de infraestrutura. Vendidas as estatais e concedidos os principais projetos de infraestrutura em carteira, o BNDES poderia até mesmo ser extinto.

EXATO VALOR – Levy participou dessas discussões no período de transição, mas assumiu o BNDES em janeiro sinalizando que as devoluções ao Tesouro poderiam não ser tão aceleradas assim. Na primeira entrevista coletiva, após cerimônia de transmissão de cargo no Rio, na primeira semana de janeiro, Levy evitou responder quando foi perguntado quanto o banco poderia devolver este ano: “O exato valor da devolução vai ser função tanto de perspectivas de retomada da economia quanto do melhor uso do nosso balanço”, afirmou Levy na ocasião.

Dias após a entrevista de Guedes ao Estado em março, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, assinou ofício pedindo mais R$ 100 bilhões, além dos R$ 26,6 bilhões já acordados. Ainda em março, em entrevista ao Estadão/Broadcast, Levy disse que o ritmo de devoluções dependeria do ritmo de retorno de crédito dos empréstimos já feitos pelo banco. Em maio, o BNDES devolveu R$ 30 bilhões do pedido adicional.

CAIXA PRETA – Apesar das suspeitas de Guedes, o principal atrito de Levy com a burocracia do banco não girava em torno da questão das devoluções, embora passasse por isso. O problema estava na tal “caixa preta” que, conforme promessa de campanha de Bolsonaro, teria que ser aberta logo no início do governo.

Para os funcionários, não há “caixa preta”, e Levy era pouco enfático na defesa pública do trabalho técnico do BNDES.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As justificativas são as mesmas: 1) nomeação de diretores petistas; 2) resistência de abrir a “caixa-preta”; 3) valor da devolução de dinheiro ao governo. Mas há algumas outras coisas por trás disso, que a Tribuna da Internet vai explicar nesta segunda-feira. (C.N.)