No céu gelado, este vento macho é um batismo de orgulho, diz o poeta Augusto Meyer.

GAITA» por Augusto Meyer | VAGNER BONIPaulo Peres
Poemas & Canções
O jornalista, folclorista, ensaísta e poeta gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), descreve  no poema “Minuano” este vento vem de longe e traz todas as vozes, todas as dores e todas as raivas, em uma única voz, em uma única dor e em uma única raiva.
 
MINUANO
Augusto Meyer
Este vento faz pensar no campo, meus amigos,
Este vento vem de longe, vem do pampa e do céu.
Olá compadre, levante a poeira em corrupios,
Assobia e zune encanado na aba do chapéu.
Curvo, o chorão arrepia a grenha fofa,
Giram na dança de roda as folhas mortas
Chaminés botam fumaça horizontal ao sopro louro
E a vaia fina fura a frincha das portas.
Olá compadre, mais alto, mais alto!
As ondas roxas do rio rolando a espuma
Batem nas pedras da praia o tapa claro…
Esfarrapadas, nuvens nuvens galopeiam
No céu gelado, altura azul.
Este vento macho é um batismo de orgulho.
Quando passa lava a cara, enfuna o peito,
Varre a cidade onde eu nasci sobre a coxilha.
Não sou daqui, sou lá de fora…
Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
– Mano Poeta, se enganche na minha garupa!
Comedor de horizontes,
Meu compadre andarengo, entra!
Que bem me fez o teu galope de três dias
Quando se atufa zunindo na noite gelada…
Ó mano
Minuano
Upa upa
Na garupa!
Casuarinas cinamonos pinhais
Largo lamento gemido intenso, vento!
Minha infância tem a voz do vento virgem:
Ele ventava sobre o rancho onde morei.
Todas as vozes numa voz, todas as dores numa dor,
Todas as raivas na raiva do meu vento!
Que bem me faz! Mais alto, compadre!
Derrube a casa!Me leva junto! Eu quero o longe!
Não sou daqui, sou lá de fora, ouve o meu grito!
Eu sou o irmão das solidões sem sentido…
Upa upa sobre o pampa e sobre o mar….

“Calma, violência, calma!”, pediam Fagner e Fausto Nilo, no auge do regime militar

RAIMUNDO FAGNER & FAUSTO NILO - BAR SEREIA - YouTube

Fagner e Fausto eram parceiros nos anos de chumbo

Paulo Peres

Poemas & Canções
O arquiteto, poeta e compositor cearense Fausto Nilo Costa Júnior pede “Calma Violência”, referindo-se não apenas à violência causada pela ditadura militar vigente no Brasil desde 1964, mas à violência rural e urbana cujos índices começavam a crescer assustadoramente por diversos fatores. A música faz parte do LP Raimundo Fagner, gravado em 1976, pela CBS.
CALMA VIOLÊNCIA
Fagner e Fausto Nilo

Calma violência, violência calma
E a pureza da minha alma
E a minha inocência
Calma violência, violência calma

Minha mão não tem mais palma
Dói a irreverência
Violência, calma
Brasileira é minha alma

A experiência, violência
Calma violência
A experiência, violência
Calma violência

Um desesperado poema de amor que busca compreensão, na visão de Augusto Frederico Schmidt

Homenagem do dia: Augusto Frederico Schmidt - Best Homenagens

Schmidt era bem humorado e um tremendo gozador

Paulo Peres
Poemas & Canções


O jornalista, conselheiro político, editor, empresário e poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), no poema “Compreensão”, usa palavras conjugadas às verdades para falar com o seu amor.


COMPREENSÃO
Augusto Frederico Schmidt

Eu te direi as grandes palavras,
As que parecem sopradas de cima.
Eu te direi as grandes palavras,
As que conjugam com as grandes verdades,
E saem do sentimento mais fundo,
Como os animais marinhos das águas lúcidas.
Eu te direi a minha compreensão do teu ser,
E sentirei que te transfiguras a ti mesmo revelada.
E sentirei que te libertei da solidão
Porque desci ao teu ser múltiplo e sensível.
Quero descer às tuas regiões mais desconhecidas
Porque és minha Pátria
As tuas paisagens são as da minha saudade.
Quero descer ao teu coração como se descesse ao mar,
Quero chegar à tua verdade que está sobre as águas.
Quero olhar o teu pensamento que está sobre as águas
E é azul
Como este céu cortado pelas aves,
Como este céu limpo e mais fundo que o mar.
Quero descer a ti e ouvir
As tuas manhãs acordadas pelos galos.
Quero ver a tua tarde banhada de róseo como nuvens frágeis
tangidas pelo ventos
Quero assistir à tua noite e ao sacrifício dos teus martírios.
Oh! estrela, oh! música,
Oh! tempo, espaço meu!

Eu te direi as grandes palavras,
As que parecem sopradas de cima.
Eu te direi as grandes palavras,
As que conjugam com as grandes verdades,
E saem do sentimento mais fundo,
Como os animais marinhos das águas lúcidas.
Eu te direi a minha compreensão do teu ser,
E sentirei que te transfiguras a ti mesmo revelada.
E sentirei que te libertei da solidão
Porque desci ao teu ser múltiplo e sensível.
Quero descer às tuas regiões mais desconhecidas
Porque és minha Pátria
As tuas paisagens são as da minha saudade.

Quero descer ao teu coração como se descesse ao mar,
Quero chegar à tua verdade que está sobre as águas.
Quero olhar o teu pensamento que está sobre as águas
E é azul
Como este céu cortado pelas aves,
Como este céu limpo e mais fundo que o mar.
Quero descer a ti e ouvir
As tuas manhãs acordadas pelos galos.
Quero ver a tua tarde banhada de róseo como nuvens frágeis
tangidas pelo ventos
Quero assistir à tua noite e ao sacrifício dos teus martírios.
Oh! estrela, oh! música,
Oh! tempo, espaço meu!

E o trem foi danado pra Catende, levando Ascenso Ferreira, Villa-Lobos e Alceu Valença…

DCP CELEBRA ASCENSO FERREIRA - Domingo com Poesia

Ascenso ficou famoso também como radialista no Recife

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965) conta em versos uma viagem para Catende no “Trem das Alagoas”  e o grande desejo de chegar. O poeta passeia pelo som do sino, do apito, da paisagem que o trem atravessa. Fala de quem fica, do que fica, e segue viagem através da cultura nordestina. Esse belíssimo poema foi musicado pelo maestro Villa-Lobos e depois inspirou Alceu Valença.

 

TREM DE ALAGOAS
Ascenso Ferreira

O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar.
Adeus !
– Adeus !
Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar…
– Adeus morena do cabelo cacheado!
Mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos,
que amostram molengos
as mamas macias
pra a gente mamar
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:
– Ali dorme o Pai-da-Mata
– Ali é a casa das caiporas
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Meu Deus ! Já deixamos
a praia tão longe…
No entanto avistamos
bem perto outro mar…
Danou-se ! Se move,
se arqueia, faz onda…
Que nada ! É um partido
já bom de cortar…
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Cana caiana,
cana rôxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar…
– Adeus morena do cabelo cacheado !
– Ali dorme o Pai-da-Matta !
– Ali é a casa das caiporas
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

A desigualdade social e a dor da mulher abandonada, na visão de Fátima Guedes

Roberto Azevedo conta como foi o show histórico de Fátima Guedes e Cristóvão Bastos, na quinta, 09/05, no Teatro Rival – PortalB!Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, captou e traduziu com sensibilidade profunda uma triste realidade de nosso país, visto que a letra nos leva a uma triste reflexão sobre a dor, o desamparo e as injustiças sociais praticadas contra milhões de brasileiros. A canção “Mais uma Boca” faz parte do LP Fátima Guedes, lançado em 1980, pela EMI.

MAIS UMA BOCA
Fátima Guedes


Quem de vocês se chama João?
Eu vim avisar, a mulher dele deu a luz
sozinha no barracão.
E bem antes que a dona adormecesse
o cansaço do seu menino
pediu que avisasse a um João
que bebe nesse bar,
me disse que aqui toda noite
é que ele se embriaga.

Quem de vocês se chama esse pai
que faz que não me escuta?
É o pai de mais uma boca,
o pai de mais uma boca.
Vai correndo ver como ela está feia,
vai ver como está cansada
e teve o seu filho sozinha sem chorar, porque
a dor maior o futuro é quem vai dar.
A dor maior o futuro é quem vai dar.

E pode tratar de ir subindo o morro
que se ela não teve socorro
quem sabe a sua presença
devolve a dona uma ponta de esperança.
Reze a Deus pelo bem dessa criança
pra que ela não acabe como os outros
pra que ela não acabe como todos
pra que ela não acabe como os meus.

“A mulher é a chama infinita do amor clareando o dia”, diz o poeta Vicente Limongi Netto, que completa 76 anos hoje.

Blog do Saïd Dïb: Aniversário do nosso querido Vicente Limongi Netto. Parabéns!

Maria e Limongi estão casados há 48 anos

Paulo Peres
Poemas e Canções

Nascido em Manaus, Vicente Limongi Netto foi morar em Brasília há mais de 40 anos e se tornou um dos jornalistas e poetas mais queridos da cidade, famoso peladeiro e autor de “Brasília, parceira amorosa do vento”. Nesta sexta-feira, dia 20, Limongi completou 48 anos de casado com a cearense Maria Wrilene, e hoje, dia 21, comemora seus 76 anos, junto com a família e os amigos. Sobre esses aniversários seguidos, o jornalista diz que são momentos em que recorda Adélia Prado: “Não tenho tempo para mais nada/ ser feliz me consome”. Em homenagem ao amigo, publicamos o mais recente poema que fez para sua doce Maria.

MULHER, A RAZÃO DE VIVER
Vicente Limongi Netto

A mulher é o céu,
a nuvem, o vento,
o sol que não se apaga.
É o fogo brilhando,
o encantamento,
o sublime nos olhos.

É a luz eterna,
o fôlego que ensina,
o perfume da alma.
É a flor valorosa,
o estalo da vida,
o prazer do convívio.

É o sonho acalentado,
a pureza da vida,
o sentimento do amor.
É o culto da ternura,
o bálsamo que alivia,
o sorriso que comove.

É a paz que nos vence,
o sopro que fascina,
o castelo da fé.
É o berço da ternura,
o porto divino do amor,
é conviver no paraíso.

É a chama infinita do amor
clareando o dia.

No Dia da Consciência Negra, uma homenagem a Zumbi, por Paulo Peres e Jorge Laurindo

TRIBUNA DA INTERNET | No Dia dos Namorados, um poema de Paulo Peres em louvor da bela Cristina

Paulo Roberto Peres caprichou na letra

Carlos Newton

Símbolo da luta negra contra a escravidão e pela liberdade de seu povo, Zumbi dos Palmares foi morto no dia 20 de novembro de 1695. A data de seu falecimento é lembrada nacionalmente como o Dia da Consciência Negra, um momento de reflexão sobre a relevância da população africana e seu impacto nos mais diversos campos da sociedade brasileira, como política, cultura e religião, entre outras.
Neste sentido, o advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres fez a letra de “Atabaque”, que lembra o tempo da escravidão. A letra foi musicada por Jorge Laurindo.

 

ATABAQUE
Jorge Laurindo e Paulo Peres

Este bocejo da noite é banzo
Engasgando profecias na senzala
Como as mãos da África, África,
Silenciou no adeus

“Atabaqueia” atabaque distante:
Axé, agô-iê, axé com fé….

Esta força, raça, canta e luta
Como Zumbi nos Palmares lutou.
Este gemido do açoite na alma
Qual sentinela de preço vil
Moldurou o libertar futuro

Era rei virou escravo
Quão errante terra branca
Soluçou-lhe cativeiro

O poema pode existir antes mesmo de ter sido criado, na visão do poeta Artur da Távola

Afinidade é retomar a relação no... Artur da TávolaPaulo Peres
Poemas & Canções
Artur da Távola era o pseudônimo do carioca Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros (1936-2008) que, além de advogado, jornalista, radialista, professor e político, era um excelente poeta, como podemos perceber neste soneto, em que ele aborda os estados e os sentidos que fazem o poema existir antes de ter sido criado.

SONETO INASCIDO
Artur da Távola

O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.

O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.

O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.

O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser

Elomar, o arquiteto violeiro que encantou Vinicius de Moraes com seu cancioneiro do Nordeste

Elomar – Wikipédia, a enciclopédia livre

Elomar cultiva as raízes do NordestePaulo Peres

Poemas & Canções

O arquiteto, cantor, compositor e violeiro baiano Elomar Figueira Mello, na letra “Retirada”, retrata o sonho de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores de vida. A música foi gravada, em 1972, no LP “Das barrancas do Rio Gavião”, produção independente, gravada no estúdio J.S. Gravações Bahia.

O disco vinha com apresentação de Vinícius de Moraes, na qual o poeta declarava fazer Elomar “uma sábia mistura do romanceiro medieval e do cancioneiro do Nordeste”, definindo-o como “um príncipe da caatinga”, tendo em vista que seu trabalho é fiel às suas raízes, guardando os jeitos, falares e sonoridades do povo do semiárido e também as influências medievais europeias tão presentes no interior do Nordeste.

RETIRADA
Elomar

Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Levando só necessidade
Saudades do seu lugar

Esse povo muito longe
Sem trabalho, vem prá cá
Vai na estrada enluarada
Tanta gente a retirar

Um ano para a cidade
Sem vontade de chegar
Passa dia, passa tempo
Passa o mundo devagar
Lembrança passa com o vento
Pedindo não retirar

Tudo passa nesse mundo
Só não passa o sofrimento
Na estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Sem saber que mais adiante
Um retirante vai ficar

Se eu tivesse algum querer
Nesse mundo de ilusão
Não deixava que a saudade
Associada com penar
Vivesse pelas estradas
Do sofrer a mendigar
Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Levando nos ombros a cruz
Que Jesus deixou ficar

Eu não canto por saber
Nem tanto por reclamar
Tenho minha vida de labuta
Canto o prazer, canto a dor

Que às vezes até labuto
O que Deus do céu não mandou
Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Passando com traça e vento
Bebendo fel e luar 

Uma discreta folha de parreira, para cobrir o olhar da amada do poeta Artur Azevedo

Projeto Cultural Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida - Artur de  Azevedo

Artur Azevedo, um grande dramaturgo e poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

O dramaturgo, jornalista, contista e poeta maranhense Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (1855-1908) sustenta que “Por Decoro”, os olhos do seu amor, quando expostos publicamente, deveriam estar cobertos por uma discreta folha de parreira.

POR DECORO
Artur Azevedo

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranquilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.

“Meu foguete some queimando espaço” – e lá se foi Egberto Gismonti, para conquistar o mundo

Encontro com Egberto Gismonti – Fratermusic

Morando em Paris, Gismonti faz bela carreira no exterior

Paulo Peres
Poemas & Canções

O produtor musical, arranjador, instrumentista e compositor Egberto Amin Gismonti, natural de Carmo (RJ), na letra de “O Sonho”, viajou pelas maravilhas existentes no espaço até acordar para a realidade. A música, primeiro grande sucesso de Gismonti, foi gravada por Elis Regina no LP Elis – Como e Porque, em 1969, pela Philips.

 

O SONHO
Egberto Gismonti

Sinto que ora salto
Meu foguete some
Queimando espaço
Tudo vejo e abraço
A vaidade
Estou morando em pleno céu
Namorando o azul

Ando no espaço rouco
Meu foguete some
Deixando traços
Entre estrelas vejo
A liberdade
Fotografo todo céu
E revelo paz

Busco cores e imagens
Faltam pássaros e flores
Coração na mão
Corpo solto estou
Entre estrelas
Vou deitar neste luar
Indo de encontro ao riso
Do quarto minguante
E o sol queimando
A pele branca
Despertando, vejo a cama e meu amor
Acordado estou
Choro, choro, choro….

“Precisamos de políticos que sejam simples e façam caridade”, diz o poeta Antonio Rocha

Cecilia Beraba - Pois então... | Facebook

Charge reproduzida do Arquivo Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

O professor, teólogo, escritor e poeta carioca Antonio Carlos Rocha, Doutor e Mestre em Ciência da Literatura, escreveu o poema “Uma Política de Simplicidade” como contraponto ao livro “Uma Política de Bondade”, escrito pelo Dalai Lama em publicado em Portugal, pela Editorial Estampa, 1991. O poema de Antonio Rocha é uma lição de vida e se adapta com perfeição à conjuntura atual da política brasileira.


UMA POLÍTICA DE SIMPLICIDADE
Antonio  Rocha

Precisamos de políticos
Que sejam simples
E tenham simplicidade
E façam caridade.

Queremos parlamentares
Que não pensem em si,
Nem no partido
Nem se preocupem
Com o próprio
Conforto.

Queremos pessoas públicas
Homens e mulheres
Abnegados, abnegadas
Determinados, dedicadas
Ao estrito bem comum.

Se tiverem carro
Que seja uma só unidade.
Simples.
Que seja só um carrinho
Sem muito luxo.

Se tiverem casa,
Ou ganharem uma,
Que seja uma só, uma só
Nada de ostentação.
Uma casinha de campo, pode
Um sitiozinho simples, pode
Uma fazendinha pode
Tudo bem simplinho.

Queremos que o
Fundo Partidário
Seja transformado
Em Fundo Operário
E cada trabalhador
Receba o 14º salário
No dia do seu
Aniversário.
E o excedente
Vá para a Saúde
Para a Educação.

Queremos presidentes,
Governadores, ministros,
Secretários, vereadores,
Prefeitos, deputados,
Senadores
Sem auxílio-paletó
E sem nenhum auxílio.

Vistam-se e calcem
De forma simples.

Mas o que é ser simples?
É quando todos, todas
Têm o suficiente
Para viver feliz e
A felicidade é
Compartilhada
Igualitariamente.

Com o samba da minha terra do mestre Dorival Caymmi, quando se canta todo mundo bole…

Paulo Peres
Poemas & Canções

O violonista, cantor, pintor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008), construiu sua obra inspirado pelos hábitos, costumes e tradições do povo baiano. Teve como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica. Estas características aparecem no “Samba da Minha Terra”, cuja letra explica a magia que o samba acarreta sobre todas as pessoas. Este samba foi gravado pelo Bando da Lua, em 1940, pela Columbia.

SAMBA DA MINHA TERRA
Dorival Caymmi

O samba da minha terra
Deixa a gente mole
Quando se canta todo mundo bole,
Quando se canta todo mundo bole

Eu nasci com o samba
E no samba me criei
Do danado do samba
Nunca me separei

Quem não gosta do samba
Bom sujeito não é
Ou é ruim da cabeça
Ou doente do pé

 

Uma desesperada declaração de amor, bafejada pela morte, na visão poética de Ariano Suassuna

Pin em Frases interessantesPaulo Peres
Poemas & Canções
 
O dramaturgo, romancista e poeta paraibano Ariano Vilar Suassuna, questiona-se sobre a ligação que faz entre amor e morte.
NOTURNO
Ariano Suassuna
Tem para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha.
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, em mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mãos…

Mas não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

“Só o desejo não passa e só deseja o que passa”, filosofa o poeta e compositor Antonio Cícero

10 fatos sobre o mais novo imortal do Brasil - Listas - BOL

Antonio Cicero, grande poeta e compositor carioca

Paulo Peres

Poemas & Canções
O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima, da Academia Brasileira de Letras, tenta agarrar um “Desejo” passageiro.
DESEJO
Antonio Cícero

Só o desejo não passa
e só deseja o que passa
e passo meu tempo inteiro
a enfrentar um só problema
ao menos no meu poema
agarrar o passageiro.

A importância de ter um grande amigo, na visão de Dominguinhos e Renato Teixeira

Batizado por Gonzaga,  levou adiante legado do Rei do Baião |  Música em Pernambuco | G1

Dominguinhos, uma sanfona que faz falta na MPB

Paulo Peres

Poemas & Canções
 

O instrumentista, cantor e compositor pernambucano José Domingos de Morais (1941-2013), o saudoso Dominguinhos, em parceria com o grande compositor Renato Teixeira, retrata nesta letra o que significa uma “Amizade Sincera”. A música faz parte do CD Renato Teixeira no Auditório Ibirapuera, gravado em 2007.

AMIZADE SINCERA
Renato Teixeira e Dominguinhos

Amizade sincera é um santo remédio
É um abrigo seguro
É natural da amizade
O abraço, o aperto de mão, o sorriso
Por isso se for preciso
Conte comigo, amigo. disponha
Lembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua

Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo, apesar de tão raro,
Não há nada melhor do que um grande amigo

Uma tarde chuvosa no corpo e na alma, na poesia dramática de Ana Cristina Cesar

TRIBUNA DA INTERNET | O beijo, num doce momento de amor, na visão poética  de Ana Cristina CesarPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. O poema “Chove” descreve uma tarde chuvosa e, enquanto a chuva caía, no coração da poeta chovia a chuva dos olhares que a seguiram.

CHOVE
Ana Cristina Cesar

A chuva cai.
Os telhados estão molhados,
Os pingos escorrem pelas vidraças.
O céu está branco,
O tempo está novo.
A cidade lavada.
A tarde entardece,
Sem o ciciar das cigarras,
Sem o jubilar dos pássaros,
Sem o sol, sem o céu.
Chove.
A chuva chove molhada,
No teto dos guarda-chuvas.
Chove.
A chuva chove ligeira,
Nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventado,
Nos vidros que se embalançam,
Nas plantas que se desdobram.
Chove nas praias desertas,
Chove no mar que está cinza,
Chove no asfalto negro,
Chove nos corações.
Chove em cada alma,
Em cada refúgio chove;
E quando me olhaste em mim,
Com os olhos que me seguiam,
Enquanto a chuva caía
No meu coração chovia
A chuva do teu olhar.

Uma desesperada mensagem de amor, por um poeta desgraçado pela falta de dinheiro

Deixo a vida como deixo o tédio. Álvares de AzevedoPaulo Peres
Poemas & Canções 

O dramaturgo, ensaísta, contista e poeta paulista Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século), que morreu aos 21 anos. O poema “Minha desgraça” fala de alguém que apesar de ser poeta é vítima do desamor da cândida donzela devido a sua indulgência que, consequentemente, acarreta solidão, indiferença e desesperança pela vida.

MINHA DESGRAÇA
Álvares de Azevedo

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco….

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro….
Eu sei…. O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro….

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
E’ ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

“A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer”, cantava Dolores Duran, a rainha da fossa

Projeto Cultural Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida - Dolores  Duran

Ninguém cantava o amor como Dolores Duran

Paulo Peres
Poemas & C
anções


A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), conhecida como Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50, conforme a letra de “Castigo”, que expõe o arrependimento pela perda de um amor. O samba-canção “Castigo” foi gravado por Roberto Luna no LP “Luna Canta para Você”, lançado em 1958, pela RGE.


CASTIGO

Dolores Duran

A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer
Briga pensando que não vai sofrer
Que não faz mal se tudo terminar

Um belo dia a gente entende que ficou sozinha
Vem a vontade de chorar baixinho
Vem o desejo triste de voltar
Você se lembra, foi isso mesmo que se deu comigo
Eu tive orgulho e tenho por castigo
A vida inteira pra me arrepender

Se eu soubesse
Naquele dia o que sei agora
Eu não seria esse ser que chora
Eu não teria perdido você

Se eu soubesse
Naquele dia o que sei agora
Eu não seria essa mulher que chora
Eu não teria perdido você

“Como se moço e não bem velho eu fosse”, dizia o poeta, em busca da felicidade

TRIBUNA DA INTERNET | Quando o poeta se sente uma bússola sem norte  (Alphonsus de Guimaraens)Paulo Peres
Poemas & Canções
 

O poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães (1870-1921), no soneto “Como Se Moço e Não Bem Velho Eu Fosse”, sente que algo novo aconteceu para alegrar a sua vida, mas, infelizmente, não passou de um sonho.

COMO SE MOÇO E NÃO BEM VELHO EU FOSSE
Alphonsus de Guimaraens

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios, que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto…