Hugo Motta escala aliado para supervisionar emendas após servidora ser alvo da PF

Líderes políticos e autoridades podem estar envolvidos com o Banco Master

Charge do JCaesar: 29 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (VEJA)

Adriana Fernandes e Bruno Boghossian
Folha

As investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master chegaram a elementos que apontam para o envolvimento de políticos com foro especial, e as apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF (Supremo Tribunal Federal).

Provas coletadas pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contêm referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos feitos à Folha, sob anonimato, por investigadores do caso.

VÁRIOS ACHADOS – Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro. Os investigadores afirmam que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras

No entanto, as referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília).

Essas fraudes sustentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação da PF, em 18 de novembro do ano passado, mesmo dia em que o Master foi liquidado.

REDE DE ALIADOS – Vorcaro ganhou notoriedade em Brasília por ter construído uma rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão na capital.

As conhecidas relações do banqueiro provocam tensão entre autoridades desde que o dono do Master foi alvo da PF. Alguns políticos temem que sejam desvendadas suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro.

As conexões do banqueiro são consideradas tão amplas que provocaram a leitura de que uma investigação profunda seria comparável à operação Lava Jato, que provocou abalos em diversos partidos e levou a uma série de tentativas de abafar as apurações.

APROFUNDAMENTO – A verificação desses indícios será agora aprofundada pelos investigadores para determinar se houve participação de autoridades no esquema de fraudes de Vorcaro. Eles se somarão aos dados já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).

A segunda fase da operação Compliance Zero, realizada em janeiro, ocorreu já por ordem do ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso após provocação da defesa de Vorcaro, que alegou ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que tem foro especial.

A referência a Bacelar, no entanto, não é o alvo das apurações da PF neste novo momento. Mas o material encontrado na operação cita outros políticos, incluindo nomes do Congresso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O vazamento dessas informações para a Folha desperta suspeitas. Os repórteres podem estar sendo usados para justificar a manutenção do inquérito no Supremo, apesar de nenhum detentor de foro privilegiado estar sob investigação. Vamos aguardar para saber que políticos são esses, que, mesmo investigados, não podem ser citados. É muito estranho. (C.N.)

Lula dribla Congresso e remaneja R$ 6,4 bilhões em emendas no Orçamento de 2026

Presidenciáveis do PSD pregam fim da polarização e defendem indulto a Bolsonaro

Caso Master: STF expõe blindagem inédita em ação sob comando de Toffoli

Simone Tebet diz que deixará ministério até março para disputar as eleiçõe

Um sonho de poeta, em meio ao amor desiludido, na inspiração de Alice Ruiz

Alice Ruiz

A própria Alice Ruiz personifica um sonho de poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

A pubicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz queria que fosse seu um sonho poético, mas acaba levado pelo vento num amor que não se mostra possível.

SONHO DO POETA
Alice Ruiz

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo.
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia,
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino.

Mas vem o vento e leva
as palavras que digo,
minha canção de amigo.
Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.

Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu,
antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.        

Segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais virou dor de cabeça para Lula

Pacheco e Kalil resistem a disputar governo do Estado

Vera Magalhães
O Globo

O presidente Lula continua sem palanque em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país e Estado decisivo nas mais recentes disputas presidenciais. Enquanto a direita fecha as últimas vagas de uma chapa que vai unir aliados do governador Romeu Zema e o bolsonarismo, a centro-esquerda tem dificuldade de encontrar candidatos tanto ao governo quanto ao Senado, atrasando a definição da estratégia de Lula.

O senador Rodrigo Pacheco, depois de ter passado a considerar a hipótese de disputar o governo, teria recuado novamente nos últimos dias. Aliados do ex-presidente do Senado lembram que ele há meses vem manifestando desinteresse em continuar na política partidária, mesmo com a frustração de não ter sido o nome escolhido por Lula para o STF.

BRECHA – Observadores da política mineira viram nas últimas movimentações de Lula no caso Master uma brecha para, caso o ministro Dias Toffoli deixe a corte prematuramente, nova chance se abrir para Pacheco. Mas o mineiro não inclui essa possibilidade na equação quando avalia a possibilidade de seguir disputando eleições.

Outro que chegou a ser cogitado como possível candidato lulista ao governo é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas as últimas sondagens a ele também resultaram em negativas.

CHAPA – Enquanto isso, o vice-governador Mateus Simões, recém-filiado ao PSD para disputar o governo com o apoio de Zema, está prestes a anunciar uma chapa com o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que vem a ser irmão gêmeo do senador Cleitinho e é do Partido Novo, como vice.

Uma das vagas ao Senado na chapa deve ficar para o PL, que deve indicar o deputado Domingos Sávio, e a outra para a federação União-PP, que deve indicar o secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, como candidato.

Perdido em suas contradições, agora o Supremo não sabe o que deve fazer

Supersalários do poder Judiciário custam 12 bilhões ao País. | ASMETRO-SI

Charge reproduzida do Arquivo Google

William Waack
Estadão

O caminho da crise envolvendo o STF é sem volta, mas o problema é que não se tem muita ideia neste momento até onde vai chegar. Em termos políticos foi ultrapassado o ponto no qual uma “gestão de crise reputacional” poderia conter os danos causados à imagem e legitimidade da instituição.

Não custa lembrar os clássicos da sociologia: instituições existem não por terem uma placa com o nome delas pendurada na fachada de um prédio. Existem por se acreditar nelas. E por serem entendidas como impessoais.

SEM CREDIBILIDADE – Aqui está a essência do problemão imediato do STF: sofre com falta de credibilidade por parecer defender os interesses (políticos e financeiros) de alguns de seus integrantes.

A situação não se deve apenas ao escândalo do Master. Simplificando brutalmente, o STF caiu na política e a política tomou conta dele.

Ironicamente, o Supremo virou mais um retrato do contexto político atual: o da falta de lideranças, em todas as esferas, com capacidade efetiva de controle. Não parece haver no momento quem seja capaz de estabelecer consensos dentro do STF sobre como seguir adiante nessa turbulência severa.

DESCONEXÃO TOTAL – Notas oficiais e desmentidos vindos do Supremo nos últimos dias evidenciam desconexão com um aspecto relevante da realidade política. Querem alguns dos ministros e o presidente da casa acreditar que são vítimas de ataques vindos de prejudicados por suas decisões (e o que chamam de “intervenções de ofício”).

A saber: golpistas, bancos descontentes com decisões de ordem tributária, reacionários que não toleram decisões em favor de minorias, jornalistas pagos por algum interesse escuso.

De fato, seria mais “elegante” encarar um embate sobre aborto, marco temporal, regulação de redes sociais, legislação tributária, para citar alguns assuntos. São grandes temas, de alta complexidade e fortes repercussões sociais e econômicas, cujo tratamento por parte do STF em si levanta questões sobre equilíbrio entre os poderes e as normas constitucionais, mas em boa medida estamos num campo de ideias.

CAUSAS REAIS – Mas não são os grandes temas que estão em debate. No foco da presente crise estão contratos de assessoria jurídicas de valores astronômicos firmados por integrantes da corte com instituições acusadas de fraude pelo Banco Central e pela Polícia Federal (os investigadores que uma parte do Supremo tentou transformar em investigados).

No mesmo foco também estão os favores pessoais recebidos por teias de relacionamento perigosas e promíscuas com diversos segmentos da economia.

E há a arrogância trazida pelo exercício de um poder sem controle. Em nome do quê, afinal? De salvar a democracia, dizem, sem medo do ridículo.

Toffoli e Master: entre a controvérsia e a possibilidade de remessa à 1ª instância

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

No âmago do sistema judiciário brasileiro, o caso Master — que investiga irregularidades na tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília — se transformou em um dos episódios mais controversos do início de 2026. O ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota pública em que rebate as críticas à sua condução e acena com a possibilidade de que, ao fim das investigações, o caso possa ser remetido à primeira instância da Justiça Federal.

Toffoli começou por reafirmar que sua participação foi definida por sorteio, uma prática padrão para a distribuição de casos dentro do STF. Ele destacou que determinou, em caráter liminar, a remessa do inquérito à Corte em dezembro de 2025, mantendo sigilo e medidas cautelares que já haviam sido decretados pelo juízo de origem. A justificativa oficial é sempre a preservação da integridade das apurações e a proteção do sistema financeiro nacional — um argumento que ressoa fortemente em tempos de incertezas econômicas.

JUSTIÇA DE 1º GRAU – O ponto mais sensível da nota, no entanto, foi justamente a abertura — ainda que cautelosa — para que o processo possa, no futuro, retornar à Justiça de primeiro grau. Conforme o próprio ministro pontuou, “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal.”

Esse trecho é revelador por dois motivos: primeiro, porque reflete a preocupação institucional com possíveis críticas sobre foro privilegiado — um tema permanente na jurisprudência brasileira; segundo, porque indica que Toffoli enxerga na transferência para a primeira instância não uma renúncia, mas uma etapa posterior natural, após o fim formal das diligências da Polícia Federal.

Até aqui, todos os pedidos de nulidade apresentados pelas defesas foram rejeitados, e uma tentativa de acordo com um dos investigados também foi indeferida. Além disso, diligências importantes já foram realizadas, incluindo oitiva de dirigentes do Banco Central e a acareação de depoimentos entre figuras-chave — como o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

TENSÕES – Ainda que a nota seja uma defesa técnica e jurídica, o pano de fundo político é inescapável. O caso Master expôs tensões sobre competência, sigilo e influência institucional em um momento em que a confiança pública nas instituições permanece sob escrutínio, seja por debates recentes sobre prerrogativa de foro, seja por pressões externas que cercam as investigações.

A indicação de que o processo pode, em algum momento, voltar à primeira instância tem o efeito prático de diluir parte da controvérsia — e, ao mesmo tempo, adiar um eventual julgamento final por um prazo considerável, caso a estratégia de investigar profundamente antes de remeter o caso seja mantida.

Aumenta cada vez mais a possibilidade de impeachment dos ministros do STF

Moraes e Toffoli são alvo de 7 novos pedidos de impeachment

Moraes e Toffoli já estão na alça de mira dos senadores

Deu na Veja

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou em entrevista ao Ponto de Vista, programa de VEJA, , que existem “problemas na conduta” de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master. Relator da CPI do Crime Organizado, o parlamentar citou especificamente os ministros Dias Toffoli, relator do processo na Corte, e Alexandre de Moraes.

“Você tem claramente problemas na conduta dos ministros Alexandre e Dias Toffoli – contratos, valores e relações que precisam ser explicadas. E é muito natural que, se for necessário, a gente demande (explicações) do Poder Judiciário e o Poder Judiciário atenda, seguindo a lei”, afirmou.

IMPEACHMENT – Segundo Vieira, caso não haja colaboração por parte da Corte, uma das respostas seria o impeachment de magistrados.

“Se (o Judiciário) não fizer isso, você vai ter um agravamento dessa crise institucional e uma demonstração cabal de que o caminho restante será o impeachment. O que não pode numa democracia de verdade é você ter pessoas que estão acima da lei, que não podem ser investigadas.”

Alessandro Vieira afirmou também que a CPI do Crime Organizado pode investigar os familiares de ministros do STF que mantinham negócios com o banco de Daniel Vorcaro.

INVESTIGAR TUDO – “É muito claro que precisamos de mais informações sobre essa situação onde você tem, aparentemente, uma organização criminosa que comprava acesso privilegiado ao poder – Executivo, Legislativo e Judiciário – usando, entre outras estratégias, contratos com escritórios de advocacia. Então a gente tem que fazer essa investigação com todo o alcance possível”, disse o senador, sem citar a mulher de Alexandre de Moraes e seu contrato de R$ 129 milhões.

Também a CPI do INSS pretende convocar o banqueiro Daniel Vorcaro para prestar depoimento, assim com os demais envolvidos no escândalo do Banco Master.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alessandro Vieira é hoje um dos parlamentares mais influentes e respeitados do Congresso. Com sua formação em Delegado da Polícia Civil, ele não dá moleza para a criminalidade e a corrupção. Quando ele fala em impeachment, é que hoje a possibilidade já existe, não é nenhum sonho. Por isso, Toffoli e Moraes têm tanta dificuldade para conciliar o sono. (C.N.)

Sem herdeiro, sem projeto: Tarcísio, Bolsonaro e o colapso da sucessão

Caso do resort tornou-se um festival de mentiras envolvendo a família Toffoli

Tribuna da Internet | Pressionado, Toffoli empurra decisão sobre caso Master e amplia desgaste no Supremo

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Carlos Newton

O caso do luxuoso resort Tayayá, que pertencia a José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo, saiu do noticiário por causa da gravidade do escândalo do grupo Master, embora também esteja cada vez mais enrolado. Toffoli pensa (?) que não sofrerá danos à sua imagem, mas o assunto será investigado pelo Congresso e tudo pode acontecer.

Os repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, da Folha, fizeram uma reportagem definitiva sobre o caso, e até se hospedaram no hotel, que fica no Paraná, fronteira com São Paulo.

LIGAÇÃO AO MASTER – Eles relataram que durante quatro anos (entre 2021 e 2025), os irmãos de Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master.

As cotas do Arleen eram de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Os dois foram alvos de uma operação da PF (Polícia Federal) quando tentavam embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A defesa de Zettel não quis se pronunciar. Toffoli e seus irmãos também não aceitam falar a respeito, o que aumenta as suspeitas sobre o comportamento da família, já que há muitas coisas que eles precisam explicar ao respeitável público.

SÃO FREQUENTADORES – O fato concreto é que o ministro Dias Toffoli e seus irmãos, José Eugênio e José Carlos, continuaram a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha. 

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, sempre de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à luxuosa casa que mantém numa área próxima ao resort. Ele usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, era quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma residência fixa no resort, embora continue morando numa pequena casa a em Marília, interior de São Paulo.

MUITAS MENTIRAS – Sua esposa, entrevistada pelo Estadão, disse que José Eugênio nunca foi sócio do resort e não tem dinheiro para nada. Portanto, ou a mulher está mentindo ou o marido tem uma vida dupla, que é modesta em Marilia e luxuosa no resort…

O atual dono do empreendimento é Paulo Humberto Barbosa e também está mentindo. Aos repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, ele informou que é o  único proprietário do resort. Disse que conheceu o local no fim de 2024 e desde então foi adquirindo participações no empreendimento até se tornar dono.

“Eu tenho grandes amigos de Londrina [PR] que são investidores aqui. Então eu vim para conhecer o complexo. Tentei comprar uma parte, não consegui. Depois fui negociando até que eu consegui comprar a participação”, completou.

CONTRADIÇÕES – Barbosa, porém, diz não ter relação com o fundo de investimentos Arleen nem com o caso Master. “Eu não tenho nada com o Master. Eu não conheço ninguém de Master, eu não conheço nada. Eu nunca, na minha vida, investi em nada. Acho que a única vez que eu investi em alguma coisa, e que eu me arrependi, foi em um consórcio”, disse à reportagem.

Está claro que ele também está mentindo. Como nunca investiu em nada, se agora é dono do resort? Mas logo terá de contar a verdade, porque os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram requerimentos nesta quarta-feira (28) convocando um depoimento de Barbosa, que é advogado do  grupo JBS, dos irmãos Batista (Friboi).

Os parlamentares também pedem a convocação de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, ambos irmãos do ministro. E querem ouvir, ainda, o depoimento de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, também enrolado no resort.

###
P.S.
O Brasil é mesmo um país surpreendente. Nenhum outro consegue produzir tantos escândalos simultâneos de corrupção. A quantidade é tamanha e tão variada que a gente acaba se perdendo.

P.S. 2 – Antes que eu me esqueça, José Carlos Toffoli é padre e costuma rezar missas no resort em datas festivas. Cabe, então, a pergunta: O que o piedoso cônego está fazendo no meio desses pilantras, como ex-sócio do resort? (C.N.)

Mercado tenta fazer sucessor de Marina, mas Lula sinaliza pela continuidade

Tarcísio reage a Kassab, rejeita rótulo de submissão e reafirma lealdade a Bolsonaro

Tarcsio diz que ficar em São Paulo não é submissão

Samuel Lima
O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu, nesta sexta-feira (30), declarações do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de que ele deveria demonstrar gratidão a Jair Bolsonaro, mas sem se mostrar submisso. Ele sustentou que a decisão de concorrer à reeleição, e não à Presidência, este ano é um desejo próprio e que tem seu estilo de governar de forma técnica e mais moderada em comparação com o padrinho político, de quem foi ministro.

“Sou uma pessoa de valores, então sempre vou ser grato a quem me estendeu a mão e me abriu as portas”, disse Tarcísio, durante a entrega da reforma da estação ferroviária Júlio Prestes, na capital paulista. “É fácil você estar do lado quando a pessoa está bem. Difícil, e não vemos muito isso na política, é estender a mão quando a pessoa está na pior, precisa da sua ajuda, perdeu o poder e está privada da sua liberdade. Nesse momento os amigos aparecem para dizer “estou contigo”. Isso não tem absolutamente nada a ver com submissão”, afirmou.

FAVORITISMO – O governador de São Paulo era o nome preferido de setores antipetistas moderados e líderes do Centrão para tentar unificar a direita no enfrentamento ao presidente Lula (PT) nas urnas, mas foi preterido por Bolsonaro, que optou por ungir candidato o filho Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (29), Tarcísio visitou o ex-presidente em sua cela no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como “Papudinha”. Ao sair do local, Tarcísio voltou a descartar uma candidatura presidencial e disse que “sem dúvidas” apoiará Flávio.

No mesmo dia, em entrevista ao site UOL, Kassab defendeu que Tarcísio seja grato a Jair Bolsonaro, mas não submisso. A declaração circulou entre deputados da base aliada e gabinetes da administração estadual. Aliados avaliaram, sob reserva, que o dirigente do PSD aparentou uma certa irritação com os rumos eleitorais do chefe no Palácio dos Bandeirantes e o tom adotado foi de “desabafo”, considerando que ele foi um dos principais entusiastas da ascensão do governador à disputa contra Lula.

“Eu tenho o meu estilo, a minha característica. Sou um cara mais técnico, mais centrado e mais ponderado, continuo sendo, e isso não vai mudar. A decisão de ficar em São Paulo não tem nada a ver com submissão. É algo que estou dizendo desde 2023, não é nenhuma novidade. Desde que eu cheguei aqui eu tenho dito que o meu projeto é de longo prazo”, disse Tarcísio.

INCÔMODO – O governador negou incômodo com a fala de Kassab, sustentando que ele alia o papel de “dirigente importante” do PSD com o cargo de secretário de Governo, responsável pelas relações institucionais com as prefeituras e outros órgãos públicos e privados.

“Aí ele fala como dirigente nacional dentro daquilo que ele acredita. Obviamente, dentro da atuação de governo, vou exigir que ele esteja sempre aderente àquilo que é a diretriz de governo. E isso ele tem feito na sua relação, por exemplo, com os municípios, no seu dia a dia. Ele tem suas opiniões próprias e acho que não tem nenhum problema”, afirmou.

O governador prometeu, novamente, ajudar a campanha de Flávio, mas sem detalhar exatamente qual será o seu papel nas articulações. “Vou ajudar fazendo tudo o que se faz numa campanha. Na verdade, passa por convencer que temos hoje um modelo petista absolutamente esgotado, que não tem nada para oferecer ao Brasil, e que existe uma alternativa de projeto muito mais conectado com a modernidade, com esperança, com prosperidade, e que vai atacar os pontos chaves, os pontos estruturais”, finalizou.

Recuo de Toffoli no Master é para salvar o pescoço, o STF ou ambos?

STF discute saídas para conter desgaste com Toffoli no caso Banco Master # charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Francisco Leali
Estadão

Sete dias separam duas notas oficiais. A primeira foi do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Data de 22 de janeiro. A segunda, de Dias Toffoli, divulgada na quinta-feira, 29. Ambas tratam do mesmo caso: a crise provocada pelas investigações do Banco Master. No meio delas, Fachin falou ao Estadão.

Seu tom tradicionalmente catedrático deu lugar ao discurso de quem precisa expor na esfera pública o que uns e outros colegas não querem ver.

LIMITES DO ÓBVIO – Andar de jatinho com advogado de investigado ou ter a mulher contratada pelo Master, seja pelo valor que for, ultrapassa os limites do óbvio e não caberia no código de ética que ainda está por vir.

Ao Estadão, Fachin deixou transparente: há ministros do STF que não querem tratar de código em ano eleitoral. O presidente do STF foi ao limite da ironia ao falar desse argumento, lembrando que de dois em dois anos há campanha no Brasil. Ou seja, se isso é trava para o Supremo aprovar um código, é o mesmo que dizer que não aprovará nunca.

A entrevista do presidente do STF serve para corrigir a interpretação de quem viu a primeira nota como blindagem a eventuais deslizes de Toffoli no caso Master. Fachin indicou que não é isso. Os erros, advoga, podem ser sempre corrigidos pelo plenário.

UM POR TODOS… – Na semana passa, um leitor desta coluna comentou que há um problema estrutural no STF a ser resolvido: a falta de colegialidade. De fato, por décadas o Supremo foi conhecido por decisões tomadas no plenário. Mais recentemente, fala-se mais de despachos monocráticos do que de entendimentos consensuados na Corte.

Na quinta-feira, 29, o ministro Dias Toffoli saiu da toca. Divulgou uma nota sobre o Master. Na noite do mesmo dia, foi um pouco mais adiante e tirou o sigilo de vídeos de depoimentos feitos em dezembro sob sua ordem.

Recheado de trechos em negrito, o texto divulgado pelo ministro conclui com indicação de que o caso pode vir a baixar para a primeira instância do Judiciário. A questão do foro de um banqueiro que não é autoridade política já vinha sendo levantada no mundo jurídico. Agora, o próprio Toffoli admite a probabilidade de o assunto deixar os escaninhos do Supremo.

TOFFOLI E MORAES – Se isso de fato ocorrer, estará dado o primeiro passo para a Corte se livrar do ônus de ter que lidar com processo que põe em questão as condutas de Toffoli e Alexandre de Moraes.

O primeiro, como relator, teve irmãos negociando com fundo ligado ao banco investigado. Abrir mão do caso, vai na direção de quem prefere preservar o pescoço. O segundo tem a mulher remunerada por Vorcaro e até aqui não viu problemas nisso.

Agora, se o gesto vai servir para livrar ambos de novos desdobramentos por conta dos vínculos pretéritos, são outros quinhentos.

Com aval dos líderes, Câmara prepara votação da PEC da Segurança após o carnaval

Motta sinaliza que PL Antifacção deve levar mais tempo

Luísa Marzullo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou a reunião com líderes partidários nesta quarta-feira para organizar a largada do ano legislativo e definir um calendário mínimo para as primeiras votações relevantes da Casa. O principal encaminhamento do encontro foi a previsão de que a PEC da Segurança Pública seja analisada logo após o carnaval, além da sinalização de que o projeto Antifacção deve ficar para um segundo momento.

O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que Motta deu prioridade ao tema e que o texto seguirá um rito previamente combinado com os líderes. Nas próximas duas semanas, o relatório apresentado por ele em dezembro será debatido com as bancadas, que poderão sugerir ajustes antes da deliberação formal.

— O presidente Hugo reafirmou a prioridade para a pauta da Segurança Pública. Vamos fazer uma apresentação do substitutivo às bancadas na primeira e na segunda semana de fevereiro, para que tragam contribuições antes da decisão final na comissão especial e depois no plenário.

REUNIÃO – Segundo Mendonça, a previsão é que, concluída essa etapa, a proposta seja apreciada na comissão especial na semana de 23 de fevereiro, já depois do feriado. O relator informou ainda que terá uma reunião de trabalho com o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, nos próximos dias, antes do início da rodada de apresentações às bancadas.

A PEC chega a essa fase após semanas de tensão entre o governo e o relator. Integrantes do Executivo vinham defendendo mudanças para reforçar a coordenação nacional no combate ao crime organizado, preservar instrumentos do Ministério da Justiça na gestão do Fundo Nacional de Segurança e deixar mais explícito o papel da Polícia Federal.

ANTIFACÇÃO – Outro ponto de incômodo no Planalto era a avaliação de que o texto relatado no Congresso vinha suavizando o eixo de coordenação federal para evitar resistência de governadores. Durante a reunião, Mendonça também defendeu que o projeto Antifacção, que trata do enfrentamento às organizações criminosas e sofreu alterações no Senado, seja votado apenas depois da definição do texto constitucional. A sugestão foi acolhida na discussão.

Enquanto a segurança entra no trilho para fevereiro, a pauta imediata ficará concentrada em medidas provisórias e matérias de consenso. Motta informou que a Câmara deve votar já na próxima semana duas medidas provisórias — a do Gás do Povo e a que trata do alívio financeiro e da renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos — além do projeto que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano e outras propostas de consenso entre os partidos.

As duas MPs atendem a agendas defendidas pelo governo federal, enquanto a criação do instituto é uma pauta de interesse direto de Motta. Também está prevista a instalação e eleição das comissões permanentes, etapa considerada essencial para o funcionamento regular da Casa.

DIREITO ÀS CADEIRAS – O acordo é preservar o desenho partidário do ano passado, com as mesmas siglas à frente dos colegiados, evitando reabrir uma disputa ampla por espaços neste início de sessão legislativa. Pelo regimento, os presidentes não podem ser reconduzidos, mas os partidos mantêm o direito às cadeiras, indicando novos nomes. As exceções serão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão Mista de Orçamento (CMO), que têm regras próprias de alternância entre os partidos, já definidas no início da legislatura. CCJ ficará com União e CMO, com o PSD.

— Cada bancada terá a próxima semana para discutir os nomes e fechar a composição antes do Carnaval. Essa é a prioridade das prioridades — afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE).

PRIORIDADE – Temas defendidos pela oposição, como a CPMI do Banco Master, não avançaram no encontro. O deputado governista Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) chegou a pedir que seu requerimento fosse pautado, com apoio de integrantes da base, mas Motta deu a entender que não passaria o assunto à frente. Hoje, 17 colegiados já aguardam a instalação. Já o acordo Mercosul–União Europeia foi citado como prioridade política, mas ainda aguarda o envio da mensagem do Executivo ao Congresso.

— Queremos votar antes do carnaval, mas depende do envio, e estamos tratando para que chegue o mais rápido possível. Depois ainda tem que passar pela comissão do PARLASUL — afirmou Lindbergh Farias (PT).

Nove procuradores têm supersalários e cada um ganhou R$ 240 mil num só mês

Quem falhou no caso Master? Críticas reacendem debate sobre o papel do BC

A poesia de Adalgisa Nery, num abrir e piscar de olhos, pode até mudar o mundo

Adalgisa Nery, pintada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, por ter-se casado com o pintor Ismael Nery, revela no “Poema Natural” como o mundo pode ser diferente quando você fecha os olhos.

POEMA NATURAL
Adalgisa Nery

Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece. 
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar.
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Cansei do fundo do mar,
subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tornarei.

Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo,
Parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva,
Desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.