
Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google)
Merval Pereira
O Globo
Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada.
Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.
A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril.
TARCÍSIO É OPÇÃO – Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.
O que é preciso saber é se a teimosia do ex-presidente Bolsonaro o impedirá de mudar de ideia, mesmo com uma derrota provável prevista pelas pesquisas. Perder com Flávio seria melhor que vencer com Tarcísio, como ele parece pensar agora, ou a vontade de ser libertado falará mais alto?
Com Lula reeleito, não haverá indulto, ou graça, ou outra medida qualquer que o beneficie. Com Tarcísio, mesmo com toda a desconfiança, é provável que saia alguma coisa, embora a liderança da direita no Brasil passe de mãos.
EM DECLÍNIO – Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político. Prosseguindo candidato, Flávio poderá unir a centro-direita num segundo turno contra Lula?
Primeiro, tem de chegar ao segundo turno, o que pode ser dificultado por uma candidatura do PSD como a do governador Ratinho Junior, do Paraná. Se o candidato for Tarcísio, a direita estará unida desde o primeiro turno. Se for Flávio, estará dividida. A divisão dos dois ajudará Lula, mas dificilmente o presidente atual venceria no primeiro turno.
Qualquer dos dois que chegue ao segundo turno unirá a direita, mas um sobrenome desses não levará o apoio do centro. Podem aumentar os votos nulos e em branco, mas pode ocorrer novamente o mesmo que na eleição mais recente: os votos do centro elegerão Lula, ainda que com pequena vantagem. Talvez a vantagem se amplie, depois do que aconteceu no governo Bolsonaro.
HAVERÁ MUDANÇAS – As placas tectônicas da política estão se movimentando, alguns dos governadores que se lançaram candidato não se apresentarão. Ronaldo Caiado, de Goiás, deverá disputar o Senado; Romeu Zema deverá ser candidato a vice de Ratinho, enquanto o Centrão tenta emplacar a vice de Flávio Bolsonaro.
Para garantir um Bolsonaro na chapa, Tarcísio se aproxima da ex-primeira-dama Michelle, que aparentemente tem mais votos que Flávio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não disputará contra Tarcísio nem Ratinho, que é de seu partido.
A esquerda, aparentemente hegemônica na eleição presidencial, tem dificuldades para montar seus palanques nos principais estados. Tirando o Rio, onde apoiará o prefeito Eduardo Paes, o PT não tem candidaturas fortes em São Paulo ou em Minas — são os três estados que costumam indicar a vitória presidencial. Especialmente em Minas. Nunca nos tempos recentes foi eleito um presidente que perdeu lá.
DESESPERO DO PT – A invenção de uma candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para o governo de São Paulo não passa de desespero político do PT, num estado em que o atual governador é candidato favorito à reeleição e pode ainda ser o candidato da direita à Presidência.
Em Minas, Zema é a maior força política, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco não parece ter fôlego político suficiente para alavancar Lula.
As peças começam a ser movidas no tabuleiro. A partir de 4 de abril começa o jogo para valer.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Belíssima análise de Merval Pereira, que aborda as diversas hipóteses de candidaturas. Se Flávio Bolsonaro insistir na pretensão, as chances de Lula ser reeleito aumentam bastante. (C.N.)
Clã bolsonarista ameaça Tarcínico e acena com Derrite ao governo paulista
O clima beligerante entre os Bolsonaro e Tarcínico, que é acusado de não se engajar na campanha de Flávio Rachadinha, pode ser traduzido por essa ameaça feita recentemente por um integrante do clã:
“Se Tarcísio mijar fora do penico, vamos lançar o (deputado e ex-secretário de Segurança Guilherme) Derrite ao governo de São Paulo”.
O Globo, Política, 25/01/2026 06h20 Por Lauro Jardim
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Filhos do ex-mito se distanciam de Micheque, na disputa política de 2026
Fonte: O Globo, Política, 25/01/2026 03h30 Por Luísa Marzullo — Brasília
EXCETO a gastança, a comilança, a impostança e a enxurrada de boletos e contas a pagar que não param de chegar, sob as penas da lei, o resto continua tudo parado com o país, a política e a vida da população girando apenas em torno de eleições, golpes, ditaduras e estelionatos eleitorais, que não levam o país, a política e nem a vida da população a lugar novo e alvissareiro nenhum… https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/01/25/manifestacao-direita.htm
Há “dendos”, em:
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