/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/2/6/WlY8xMTVGa2pxmzBG7jA/caiado-ratinho-leite-2.jpeg)
Escolha do candidato ficará nas mãos de Kassab
Thiago Prado
Vera Magalhães
O Globo
Pré-candidatos à Presidência pelo PSD, os governadores Ratinho Jr., do Paraná, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, afirmam em entrevista ao O Globo que a definição do escolhido entre os três caberá ao presidente da sigla, Gilberto Kassab, e que não há “critérios objetivos” para se chegar a um único nome.
Embora se coloquem na oposição ao governo Lula (PT), eles avaliaram que o partido não precisa entregar os ministérios que ocupa na gestão petista — Minas e Energia, Pesca e Agricultura. O trio também fez críticas veladas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ao defender fim da polarização, mas sem deixar de fazer acenos ao eleitor bolsonarista, como na defesa de um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tramar um golpe.
Ratinho Jr. terá prioridade para concorrer à Presidência no PSD? Ou o partido tomará essa decisão baseado em quem estiver pontuando mais nas pesquisas?
Ratinho Jr.: A prioridade não existe, porque se existisse teria sido uma exigência minha não trazer ninguém que pudesse ser candidato a presidente. Todos nós três estamos desarmados e queremos apresentar um projeto de país acima de tudo, mais do que um nome. O Brasil precisa de um programa de governo que não pense apenas em um mandato, mas sim em 10, 15, 20 anos. E precisa tirar o peso do governo das costas do brasileiro, que não aguenta mais pagar tanto imposto por ineficiência da máquina pública.
Eduardo Leite: Não é uma conta matemática. Não haverá critérios objetivos de votação ou de pesquisa, embora as pesquisas possam ajudar a entender o contexto. Elas mostram que o humor do eleitor é de não satisfação com esses dois polos mais conhecidos. Tem muita gente indicando um voto pela manutenção do atual governo sem estar feliz com isso, mas com o objetivo de evitar que volte um outro grupo. A mesma coisa no lado contrário: gente que indica um voto em outro polo por ser naquilo que hoje se conhece como oposição.
Ronaldo Caiado: Acreditamos na presidência do (Gilberto) Kassab e que ele saberá, junto a estruturas políticas que ele consegue aglutinar, definir qual é o medicamento correto, qual é a dose correta que precisa ter um candidato do PSD nessas eleições. Qualquer um aqui deseja mais do que ninguém ser presidente da República, mas nós cumpriremos aquilo que foi acordado: o indicado receberá o apoio dos outros dois.
Existe espaço para quebrar a polarização entre petismo e bolsonarismo, que está estabelecida desde 2018?
Leite: As pesquisas estão indicando que cerca de 15% se consideram lulistas, outros 15% se consideram bolsonaristas, e há outros que se dizem esquerdistas mas não lulistas, ou de direita mas não bolsonaristas. Temos que conversar com essas pessoas todas. Para a pessoa que talvez se identifique mais com políticas públicas apropriadas pela esquerda, vamos mostrar ações na área social, sobre diversidade, inclusão. Também sabemos falar sobre segurança pública, e talvez alguns brasileiros se indiquem à direita porque estão preocupados com a criminalidade.
Caiado: Existe uma polarização, e o sentimento do brasileiro é ter alguém que governe para pacificar. Quando Lula pega o 8 de Janeiro e governa com isso até hoje, onde é que estão as ações (para pacificar)? Quando formos para um comparativo do que se construiu nesse período, sob o comando de um partido que já chega a quase 20 anos no poder, terá ele a condição de sensibilizar as pessoas? Elas continuarão sonhando com aquilo que é prometido e nunca acontece?
Ratinho: Vou dar um exemplo de 2012, quando havia uma polarização na eleição para prefeito de Curitiba. Comecei com 4%, e consegui derrotar um dos polos e ir para o segundo turno. Acabei perdendo, terminei a eleição com 40% dos votos, mas derrotamos à época o candidato do governador, que era o então prefeito. Isso mostrou que a polarização existia porque as pessoas ainda não conheciam todos os nomes.
O PSD deve entregar os três ministérios que ocupa no governo Lula, já que assumiu o papel de oposição?
Caiado: Não. Kassab já deixou muito claro que o assunto dos ministérios foi tratado na eleição de 2022, portanto diz respeito à participação do partido naquela eleição.
Entre os três, o senhor é o que tem o discurso mais forte de opositor a Lula, e no passado criticou Kassab por sempre aderir a qualquer governo. Pretende ajustar seu discurso agora no PSD?
Caiado: Não vou discutir nota de rodapé na minha longa trajetória política ao lado do Kassab. Acho que o importante neste momento é saber o que o Brasil deseja, que não é o modelo que está aí instalado. O candidato do PSD precisará ter coragem para enfrentar esses temas. Não pode ser híbrido. Cada um tem um estilo. O estilo de um e de outro será respeitado, isso não é defeito. Eu continuarei (com minha posição), tive oportunidade de conversar isso com o presidente Kassab. E essa posição eu tenho deixado clara.
Em entrevista à CNN Brasil, o governador Ratinho Jr. defendeu indulto a Bolsonaro e aos condenados do 8 de Janeiro. O senhor acha que não houve tentativa de golpe?
Ratinho: Eu defendo pacificar o Brasil. Se for para a gente voltar à normalidade e focar naquilo que é essencial, que é a vida do trabalhador brasileiro e da dona de casa, se for necessária qualquer medida política que se enquadre juridicamente, eu sou um instrumento que vai querer construir pontes. Estamos gastando muita energia discutindo passado e pouca energia discutindo futuro. Estamos aqui discutindo a mulher do batom, o pipoqueiro que estava na manifestação.
Seu pai, o empresário e apresentador de TV Carlos Massa, já falou que, se dependesse dele, o senhor não seria candidato ao Planalto. Qual será o peso da opinião dele na sua decisão?
Ratinho: Se eu fosse depender da vontade do meu pai, não tinha sido nem deputado estadual em 2002. Ele queria que eu ficasse no setor privado. Mas entrei na política por muita gratidão ao Paraná, que acreditou muito no meu pai antes de ele também ficar famoso no Brasil. Ele sempre teve papel de pai na minha vida pública, os depoimentos dele sempre mostraram a educação que ele e minha mãe deram para os três filhos. É uma pessoa conhecida, querida por boa parcela da população brasileira, e obviamente não vou negar o apoio dele. E espero que ele me dê, se eu for candidato.
O governador Eduardo Leite já disputou prévias no PSDB, perdeu, depois ensaiou sair candidato e desistiu. O que diferencia a situação de hoje da vivida pelo PSDB em 2022?
Leite: O processo de prévias não é o caminho que se está apresentando agora no PSD. Até porque no PSDB havia, à época, o governador de São Paulo (João Doria) como pré-candidato. Não é à toa que o governador Tarcísio (de Freitas, do Republicanos) é um nome sempre lembrado para a Presidência, porque São Paulo é o estado mais populoso do Brasil. Naquela vez, me apresentei candidato porque o contexto exigia uma renovação do PSDB, depois de o próprio Doria ter abraçado Bolsonaro em 2018, depois rompido, o que gerou um desgaste que de fato dificultou o caminho para ele. Tanto que acabou nem sendo candidato. Aqui no PSD o caminho é outro, há um sentimento comum que nos une aqui.
A ideia do PSD é atrair outros nomes, como o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), para uma candidatura contra Lula e Flávio Bolsonaro?
Leite: É legítimo que o governador Zema se apresente, dentro de uma estratégia do seu partido. No primeiro turno, é natural haver mais candidaturas. O problema é que uma dispersão tão grande pode acabar levando para o segundo turno candidaturas com alta rejeição, e acabar fazendo com que o resultado seja ainda mais distante daquilo que gostaríamos. Não é reduzir a ponto de ter uma antecipação do segundo turno no primeiro, mas tampouco dispersar tanto a ponto de repetir a polarização que já estamos observando.
Com a dinheirama oriunda dos fundos partidários e eleitorais, os partidos políticos se transformaram em empresas bilionárias. E seus donos passaram a ter nas mãos um poder extraordinário.
O poder do presidente do PSD Gilberto Kassab, que também é secretário no governo de SP e tem ministros no governo Barba, por exemplo, chega a extrapolar limites antes inimagináveis.
A influência de Kassab é tamanha, que passou a se dar ao luxo de ‘colecionar’ presidenciais, como Caiado, Leite e Ratinho. E ainda manter sob seu guarda-chuvas o ora ex-presidenciável Tarcínico.
É aonde chegou o país.
Kassab e o hobby de colecionar presidenciáveis
Com a dinheirama oriunda dos fundos partidário e eleitoral, os partidos políticos se transformaram em empresas bilionárias. E seus donos passaram a ter nas mãos um poder extraordinário.
O poder do presidente do PSD Gilberto Kassab, que também é secretário no governo de SP e tem ministros no governo Barba, por exemplo, chega a extrapolar limites antes inimagináveis na política brasileira.
A influência de Kassab hoje é tamanha, que passou a se dar ao luxo de ‘colecionar’ presidenciais, como Caiado, Leite e Ratinho. E ainda manter sob seu guarda-chuvas o ora ex-presidenciável Tarcínico.
É aonde chegou o país.
A polarização nefasta que tanto inferniza e infelicita o conjunto da sociedade não está no lulismo versus bolsonarismo sem estar antes no militarismo versus partidarismo, ou, no caso, militarismo versus sindicalismo, posto que inerente à república dos me$mo$ proclamada há 136 anos, via golpe, pelos me$mo$, de modo que falar em resolver a polarização nefasta que gera ódio e coisas ruins entre irmãos, sem apresentar projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, cheira a apenas mais narrativa sofista entre os me$mo$, enquanto representantes da 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª… vias dos me$mo$, conservadores da mesma mentalidade e do mesmo e velho estado de coisa$ e coiso$ que aí estão há 136 anos, não obstante o prazo de validade vencido há muito tempo.