Contrato de R$ 250 mil/mês expõe relação do Master com Lewandowski e seu filho

Contrato do Master com Lewandowski passou para filho

Malu Gaspar
O Globo

O contrato do Banco Master com a Lewandowski Advocacia começou em agosto de 2023, com uma “consultoria institucional” do próprio Ricardo Lewandowski e, depois da ida dele para o Ministério da Justiça, em 2024, foi transferido para o filho, Enrique Lewandowski, que passou a dar consultoria sobre assuntos fiscais e tributários.

Essa é a explicação da assessoria de imprensa do escritório sobre o escopo do contrato revelado pelo portal Metrópoles, que previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e rendeu aos Lewandowski R$ 6,5 milhões ao todo entre agosto de 2023 e setembro de 2025. A assinatura do contrato com o então ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorreu na mesma época em que o próprio Master informou que ele tinha passado a integrar um “comitê estratégico” do banco.

CONTRATO – Mas, de acordo com a assessoria, Lewandowski nunca teve remuneração ou funções de conselheiro, só o contrato de consultoria para temas de natureza “institucional”, sem detalhar quais temas eram tratados.

De acordo com a assessoria, ao aceitar virar ministro da Justiça de Lula, em janeiro de 2024, Lewandowski teria comunicado a direção do banco, que transferiu a consultoria para o filho, Enrique, que é especialista em temas fiscais. Três meses depois, o Master informou ter substituído Lewandowski por Henrique Meirelles no comitê estratégico.

Nos 21 meses seguintes à saída do ministro do Master, o escritório de advocacia ainda faturou R$ 5 milhões com o banco. Os pagamentos só deixaram de ser feitos em setembro de 2025, quando o Banco Central (BC) vetou a compra do Master pelo BRB.

Os contatos de Enrique Lewandowski no banco se davam com o diretor jurídico, Luiz Rennó, para discutir questões fiscais e relacionadas à reforma tributária. Seriam reuniões mensais, telefonemas e trocas de e-mails. A assessoria informou ainda que não houve elaboração de pareceres ou defesa em causas específicas.

Advogados experientes da área tributária ouvidos pela equipe da coluna disseram que nesse ramo o serviço de consultoria costuma ser pago por hora/homem e não por mês, para atender demandas relacionadas a dúvidas ou temas específicos.

Pelos valores praticados no mercado, um advogado tributário de alto nível, sócio de um escritório, cobra em média R$ 2.500,00 a hora de trabalho. Por essa métrica, o contrato do Master com o filho do ministro pagaria o equivalente a 100 horas/homem por mês — ou 4,5 horas de trabalho por dia, em todos os dias úteis do mês.

Marcha fortalece Nikolas e reposiciona forças na pré-campanha de Flávio

Pressionado, Toffoli empurra decisão sobre caso Master e amplia desgaste no Supremo

Charge do Spacca (Arquivo do Google)

Rafael Moraes Moura
O Globo

Apesar das críticas no Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional, governo Lula e de setores da opinião pública à sua atuação no caso, marcada por decisões esdrúxulas, o ministro Dias Toffoli pretende aguardar o relatório da Polícia Federal e um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de deliberar se mantém ou não no seu gabinete as investigações relacionadas ao Banco Master.

No entorno de Toffoli, a avaliação é que só depois que a PGR disser se considera que o inquérito fica ou não no STF e decidir se vai oferecer denúncia contra os alvos da apuração é que ele vai tomar alguma decisão. Isso, porém, só deve ocorrer após a PF elaborar seu relatório sobre o caso.

PRORROGAÇÃO – Por ora, essa tem sido a postura de Toffoli nos bastidores. Na prática, isso empurra a decisão do ministro sobre enviar ou não o processo de volta para a Justiça Federal para março, já que, há duas semanas, o ministro decidiu prorrogar por mais 60 dias as investigações, atendendo a um pedido da PF.

O envio do caso de volta para a primeira instância tem sido defendido dentro do próprio Supremo como “saída honrosa” para superar a crise instalada na Corte e reduzir os desgastes desde que as investigações foram remetidas ao gabinete de Toffoli no mês passado.

As investigações que miram uma fraude bilionária no Master, em tramitação na Justiça Federal de Brasília e de São Paulo, “subiram” para o STF após Toffoli concordar com o argumento da defesa do dono do Master, Daniel Vorcaro, de que a primeira instância não era o foro competente para cuidar do caso por conta de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).

CAUTELA – Em parecer enviado ao STF no mês passado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção do caso com Toffoli “por cautela”, em um esforço para evitar nulidades e manter a validade das provas colhidas. Mas Gonet frisou que a questão da competência poderia ser revista “mais adiante”, em virtude de “fatos significativos que venham a ser revelados”. O próprio Gonet, portanto, “deixou” a brecha para tirar as investigações do Supremo em um outro momento.

“Uma vez que o documento [o contrato imobiliário] se refere a agente político com foro especial, justifica-se, por cautela, que o Supremo Tribunal Federal entenda oportuno seguir desenvolvendo as atividades investigativas, até, pelo menos, que, eventualmente, fique afastada a repercussão da investigação sobre detentor de foro privilegiado”, observou Gonet.

RESORT –  Agora, Toffoli pretende esperar “baixar a temperatura” e espera arrefecer o desgaste provocado pelas recentes revelações da imprensa sobre as suas ligações e de seus familiares com o resort Tayayá – alvo de um pedido de investigação protocolado na PGR pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) na semana passada. Mas o plano está sujeito a alterações, dependendo dos próximos desdobramentos.

Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, é o dono de fundos de investimento que compraram parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort, localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Zettel foi alvo de operação da PF na semana passada.

Segundo um levantamento do O Globo, o pagamento de diárias para seguranças que atendem o Supremo revela 128 dias de viagens em feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário para a região onde fica o resort, a um custo de R$ 460 mil. Conforme informou a colunista Andreza Matais, no site Metrópoles, o local é chamado de “resort do Toffoli” – e o ministro dispõe de uma casa em uma área reservada para hóspedes de alto padrão.

PRIVILÉGIO – Um frequentador do resort relatou na plataforma Google Maps que os funcionários do hotel não zelam pelos clientes e deixam claro que o tratamento privilegiado é reservado ao “proprietário”. As diárias do Tayayá começam em R$ 1,8 mil, de acordo com a plataforma de reservas Booking.

Integrantes do Supremo e do Ministério Público Federal (MPF) avaliam que a devolução do caso Master à primeira instância ou o seu desmembramento seria a melhor saída para diminuir a deterioração da imagem do Supremo – e de Toffoli em particular – após a sucessão de decisões controversas tomadas pelo ministro desde que assumiu a relatoria do caso Master, em novembro do ano passado.

Em 28 de novembro, o ministro decretou sigilo sobre o caso, no mesmo dia em que pegou carona em um jatinho com um dos advogados que atuam no caso. Cinco dias depois, decidiu concentrar em si mesmo o poder de autorizar qualquer nova medida em torno das investigações, acatando o argumento da defesa de Vorcaro de que o caso deveria ficar no STF.

TENSÃO – Em plena véspera de Natal, determinou a realização de uma acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central Ailton de Aquino, mesmo sem que houvesse depoimentos colhidos previamente para que fossem confrontadas as versões do caso. Os depoimentos foram marcados por tensão e constrangimento entre o gabinete de Toffoli e representantes da PF e da PGR, após o gabinete de Toffoli insistir para que a delegada Janaína Palazzo colhesse os depoimentos antes da acareação, mesmo sem uma determinação formal do ministro nesse sentido.

Após a autorização “oral” de Toffoli, assim foi feito, mas o climão prosseguiu quando o gabinete do ministro insistiu que a delegada fizesse aos investigados as perguntas elaboradas pelo gabinete do ministro do STF. E não parou por aí. No último dia 14, Toffoli determinou que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero fosse remetido diretamente para o seu gabinete, ao invés de ser submetido para perícia técnica da Polícia Federal, escancarando a queda de braço entre o ministro e a corporação, a quem ele chegou a acusar de “inércia”.

Sob fortes críticas, Toffoli acabou recuando depois, determinando que o material fosse enviado à PGR para a análise dos dados. Até março, as controvérsias em torno do caso só devem aumentar.

Caiado muda de partido e pressiona o PSD a definir seu nome para o Planalto

Uma canção de amor, criada sob medida para Oswaldo Montenegro interpretar

Mongol, compositor de 'Agonia', deixa obra que foi além da parceria com Oswaldo Montenegro

Mongol, grande compositor carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O autor teatral, ator, cantor e compositor carioca Arlindo Paixão (1957/2021), conhecido como Mongol, na letra de “Agonia”, enveredou pelo lirismo para mostrar e para disfarçar o sofrimento que uma paixão acarreta. A música, vencedora do Festival Shell de MPB, promovido pela Rede Globo em 1980, foi defendida por Oswaldo Montenegro e consta do LP Festival 80, gravado pela Som Livre.

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AGONIA
Mongol

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia   

Confirmado! Moraes era íntimo do dono do Master e fumava charutos com ele

Caso Banco Master / STF: Quando a exceção ameaça virar regra | ASMETRO-SI

Charge do Latuff (Frente Brasil Popular)

Andreza Matais e Andre Shalders
Metrópoles

Confirmado! O ministro Alexandre de Moraes esteve na mansão do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, em Brasília, ao menos duas vezes. Foi na casa do banqueiro que o ministro conheceu o então presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O encontro ocorreu em um fim de semana do primeiro semestre de 2025. Vorcaro pediu que Paulo Henrique fosse ao seu endereço, no Lago Sul, área nobre de Brasília, porque “o homem estava lá”.

HÁ TESTEMUNHAS – Pelo menos, quatro pessoas presenciaram a cena relatada à coluna. Moraes estava acompanhado de um assessor. Ao chegar, o então presidente do BRB foi apresentado a Moraes, que estava em um ambiente reservado da mansão.

Naquele momento, o Master buscava no BRB sua tábua de salvação para evitar fechar as portas. Durante o encontro, Moraes e Paulo Henrique Costa trocaram impressões sobre o assunto. A cena foi narrada à coluna com detalhes por testemunhas.

A compra do Master pelo BRB chegou a ser anunciada, mas teve repercussão negativa no mercado e acabou barrada pelo Banco Central, diante da constatação de inconsistências nos ativos do Master e de suspeitas sobre as transações de vendas de carteiras feitas ao BRB.

TAMBÉM EM 2024 – Aquele fim de semana com Paulo Henrique Costa não foi a única vez que Alexandre de Moraes esteve na casa de Vorcaro. O ministro do STF já era íntimo e acompanhou, na mansão do banqueiro, o resultado da eleição norte-americana que, em 6 de novembro de 2024, elegeu Donald Trump para o segundo mandato. Trump viria a ser o algoz de Moraes, com a Lei Magnitsky.

Na ocasião, segundo relatos feitos à coluna, Moraes estava na mesma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos caros e raros.

O espaço é descrito como uma espécie de bunker, localizado no subsolo, com acesso restrito, quatro poltronas e estrutura própria para o consumo de charutos.

O Metrópoles informou o ministro, nesta segunda-feira (26/1), sobre o teor desta reportagem e perguntou se Moraes desejava comentar. Ele não respondeu. Vorcaro e Paulo Henrique também foram procurados e disseram que não iriam comentar o assunto. O espaço segue aberto.

FORTE RECADO – A presença do ministro mais poderoso da história do Supremo na mansão do banqueiro funcionava como um recado à classe político-administrativa sobre o alcance da influência do empresário mineiro.

Segundo relatos obtidos pela coluna, quem circulava pela residência já sabia que o Banco Master havia contratado o escritório de advocacia da esposa do ministro.

O que não se conhecia, à época, era o valor do contrato, firmado em 16 de janeiro de 2024, no total de R$ 129,6 milhões — cifra que, segundo interlocutores, altera completamente a percepção de que a relação entre os dois se limitava a uma amizade.

SEM COMENTÁRIOS – Moraes não comenta suas relações com Daniel Vorcaro nem confirma se frequentava a casa do banqueiro. Em nota, já afirmou que nem ele nem o escritório de sua esposa atuaram para reverter a liquidação do banco por meio da compra pelo BRB.

O banqueiro também não se manifesta a respeito do tema. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro foi questionado sobre quem frequentava sua residência em Brasília e citou apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os jornalistas Andreza Matais e Andre Shalders estão dando show no caso Master. E acabam de fechar o caixão do impeachment de Moraes, se os senadores tiverem um mínimo de vergonha na cara. E viva a imprensa livre!!! (C.N.)

Flávio confunde herança política com poder e empurra a direita para o racha

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Atenção! Escândalo do Master está envolvendo “diretamente” até Lula

VÍDEO: Lula ‘detona’ caso Master e diz quem vai ‘pagar golpe de mais de R$ 40 bilhões’

Lula recebeu Vorcaro e Galípolo fora da agenda palaciana

Deu no Estadão

Em seu comentário nesta terça-feira, 27, o colunista Fernando Schüler fala da aproximação do escândalo do Banco Master do governo federal. Ele questiona, por exemplo, a razão pela qual seria necessário que o presidente Luiz da Silva fizesse uma reunião com Daniel Vorcaro e Gabriel Galípolo para determinar que o Banco Central simplesmente cumprisse sua função.

“Uma reunião, aliás, articulada pelo Guido Mantega, que foi ministro da Fazenda de governos do PT, que tem uma relação histórica com o presidente Lula, que foi contratado pelo Banco Master como economista ou como articulador ou, enfim, não se sabe bem como, por indicação do líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner, que funcionou como uma espécie de headhunter de economistas para o Banco Master”, disse Schüler.

FORA DE AGENDA – “O fato é que o caso Master vai se aproximando perigosamente, delicadamente no ano eleitoral da esfera de poder do governo federal, não é?”, afirmou o comentarista do Estadão, assinalando que o estranhíssimo encontro articulado por Mantega, que recebia “salário” mensal de R$ 1 milhão, ocorreu fora da agenda oficial da Presidência da República.

Além disso, Schüler cita a revelação do portal Metrópoles de que o escritório do ministro Ricardo Lewandowski também era pago pelo banco.

“O ministro Lewandowski, manteve durante todo o seu mandato (no ministério da Justiça), praticamente todo o seu mandato, até setembro do ano passado, um contrato, seu escritório de assessoria jurídica institucional estratégica com o próprio Banco Master. O que que significa exatamente isso? Assessoria jurídica e institucional estratégica seria uma assessoria de relacionamento?”, indaga o comentarista do Estadão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não existe como limpar tanta sujeira. No caso, todos têm batom na cueca, inclusive o presidente Lula da Silva e o ex-herói nacional Alexandre de Moraes, que se tornaram figuras verdadeiramente execráveis. Ah, Brasil… (C.N.)

Melhor código de ética para o STF é apenas “tomar vergonha na cara”

STF PERDEU A CONFIANÇA DO POVO BRASILEIRO E NECESSITA FAZER UMA AUTOCRÍTICA  - Cariri é Isso

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Tenho especial admiração por historiadores. São importantíssimos, porque nos ensinam a olhar para trás e depois enxergar para frente. Um dos destaques é o britânico Kenneth Clark (1903-1983), cuja cultura e dedicação à arte encantaram o rei George V e depois a rainha Elizabeth II, que o transformou em lorde e, depois, em barão.

Clark atravessou as duas guerras mundiais e  ajudou a salvar dos bombardeios nazistas a coleção de arte britânica, escondendo as obras em cavernas nas montanhas galesas. Escreveu dezenas de livros influentes, entre eles, “Civilização”, que a BBC transformou em magnifica série na TV, apresentada pelo próprio historiador, exibida no Brasil pela TV Educativa criada por Gilson Amado.

CIVILIZAÇÃO? – Kenneth Clark foi um ácido crítico do atrasado estágio de desenvolvimento cultural e social que a humanidade atravessava em sua época e ainda atravessa hoje.

“Civilização? Nunca conheci nenhuma, mas sei bem o que significa. Tenho certeza de que, se algum encontrar uma verdadeira civilização, saberei reconhecê-la” – dizia Clark, explorando seu humor britânico.

O grande historiador tinha razão. No mundo inteiro, ainda não existe uma adequada civilização. Vejam o caso do Brasil. Não é de hoje que os três poderes da República precisam de uma faxina rigorosa. As sem-vergonhices vêm de longe, desde nosso passado colonial existe uma carência crônica de espirito público, eficiência e honestidade. O país ainda está longe, mais muito longe mesmo, de ser considerado uma civilização.

CÓDIGO DE ÉTICA – Em meio ao fragoroso desmoronamento do Supremo, que supostamente seria o grande guardião da conduta, da moral e do espírito público do país, surge a Ordem dos Advogados do Brasil, pela Seccional de São Paulo, e propõe um código de ética ao STF.

É mais uma Piada do Ano, que poderia até ser considerada Piada do Século, porque todas as restrições que a OAB-SP propõe, podem acreditar, já estão em vigor e algumas delas são até repetitivas, pois constam em mais de uma lei.

Um exemplo é a suspeição e o impedimento de magistrados e outros operadores da lei, medidas que são previstas em diferentes normas legais, mas foram “reinterpretadas” pelos criativos ministros do STF

PARECE COMÉDIA – Ao assistir a essa comédia, somos obrigados a lembrar um grande historiador brasileiro, Capistrano de Abreu (1853-1927), considerado o maior especialista em época colonial.

Era um intelectual muito influente, com grandes obras e ensaios publicados, mas não aceitava homenagens, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras contra sua vontade, e se recusou a tomar posse.

Nascido em Maranguape, no Ceará, que ficou conhecida como a terra natal de Chico Anysio, também Capistrano de Abreu tinha uma veia humorística e ficou famoso pela proposta de uma Constituição de apenas dois dispositivos: “Artigo 1º – Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara”; e “Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário”.

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P.S.– Quase 100 anos após a morte do historiador, nada mudou no Brasil. Por isso, continua a ser recomendável que o Supremo Tribunal Federal, ao invés de adotar um falso código de ética, simplesmente obedeça aos ditames da Constituição proposta por Capistrano de Abreu, que se mantém cada vez mais atual. (C.N.)

Disputa por sucessão de Bolsonaro aprofunda rachas entre líderes evangélicos

Briga entre Malafaia, Damares e Valadão escancara divisões

Anna Virginia Balloussier
Folha

O pastor Silas Malafaia acusou Damares Alves (Republicanos-DF) de ser “leviana linguaruda” ao falar em “grandes igrejas” envolvidas nas “falcatruas” investigadas pela CPMI do INSS, sem dar nome aos bois.

Ato contínuo, a senadora divulgou igrejas e pastores na mira da comissão e retrucou que faria bem a Malafaia “orar um pouco”. O pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, foi citado por Damares e não deixou barato. Em vídeo, maldiz “a fofoca nessa língua do capeta” e afirma ser “inadmissível você falar da igreja do outro”.

DIVERGÊNCIAS – A troca de farpas pública entre o trio evangélico extrapolou a rixa pessoal e virou sintoma de algo maior. Divergências se repetem em outros flancos, da indicação do batista Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) às articulações para este ano eleitoral.

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dá pistas de uma cúpula menos alinhada do que em ciclos eleitorais passados. É verdade que, em 2018, a disputa começou com muitos desses pastores de peso nacional endossando Geraldo Alckmin, então no PSDB e tido como alternativa à direita.

Mas, conforme o primeiro turno ia chegando, mais e mais líderes pularam na canoa bolsonarista. O segundo turno com Fernando Haddad (PT) selou de vez a predileção por Jair Bolsonaro (PL). O apoio da maioria dos pastores se repetiu em 2022.

PREFERÊNCIA – O primogênito de Jair ainda não entusiasmou peixões do evangelicalismo brasileiro. A maior parte prefere o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na chapa, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de vice. Malafaia já declarou achar Flávio fraco eleitoralmente. “Eu disse a ele: não sou covarde, você não tem musculatura.” Damares pegou a outra via: declarou apoio ao 01 de Bolsonaro e prometeu se empenhar para levar evangélicos à campanha.

O deputado Marco Feliciano (PL-SP) postou um conselho a Flávio: “Sente com o pastor Silas”, a “voz política mais relevante da nação”, e escute o que ele tem a dizer. À Folha ele diz ver “pontos isolados de discussão”, mas uma trupe “mais unida do que nunca”.

Pastores com trânsito político admitem que, se Bolsonaro insistir no filho, Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo, e aí restará o “se não tem tu, vai tu mesmo”. O bispo Robson Rodovalho, que dará “assistência religiosa” para o ex-presidente aprisionado, diz que conversará com Flávio nos próximos dias. “Não podemos nos dividir. A direita tem que entrar junta.”

DESUNIÃO – Não tem andado junta, no entanto, em muitos assuntos que devem atravessar a corrida eleitoral. A escolha do presidente Lula (PT) por seu advogado-geral da União para o Supremo provocou cizânia nesse núcleo evangélico.

O senador Magno Malta (PL-ES) é um que repele a hipótese. Ele escreveu um artigo no Pleno News, portal evangélico, desancando a nomeação. “E agora começou essa história de ‘ah, mas o Messias é evangélico’. Ora, por favor. Identidade religiosa não é salvo-conduto ético. O povo de fé tem discernimento. Sabe distinguir convicção de conveniência. Em Messias, tudo cheira a conveniência.”

O posicionamento contrasta com o de outros líderes que foram a público defender o AGU. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, chegou a publicar foto entre Lula e seu indicado. Na legenda: “Jorge Messias, Deus é contigo”.

EX-BOLSONARISTA – Outro pastor que se aproximou do governo foi Otoni de Paula (MDB-RJ). Ex-bolsonarista e de direita, segundo o próprio, o deputado federal orou em mais de uma ocasião por Lula e, em debate na terça (20), definiu Malafaia como um camarada “com poucos amigos e muitos reféns”. Sugeria que o pastor intimidava colegas, acuados para contrariá-lo abertamente.

Desavenças entre aliados evangélicos sempre aconteceram, mas sem tanto ruído. O que 2026 vem mostrando é uma turma menos unida. Eles apostam que, na hora do vamos ver, todos estarão juntos, mas por ora os atritos têm se tridimensionalizado. E pior: de forma bem pública.

Pegou particularmente mal o bate-boca entre Damares, Malafaia e Valadão, na esteira do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, arrastados para a CPMI do INSS. Damares começou, dizendo haver igrejas e pastores, sem nomeá-los, implicados no esquema. Malafaia a cobrou por jogar uma névoa jogada sobre todo o segmento.

REAÇÃO – Valadão, por sua vez, reagiu após a senadora esclarecer de quem estava falando —no caso, dele e de Fabiano Zettel, entre outros. Zettel é cunhado de Vorcaro e atuava como pastor na Lagoinha. Foi afastado. Nas coxias evangélicas, há quem veja a denúncia de Damares como um “saneamento” do campo. Outros acusam os personagens da trama de fomentar um fogo amigo que divide a igreja e enfraquece a direita.

André Ítalo Rocha, autor de “A Bancada da Bíblia: Uma História de Conversões Políticas”, lembra que a briga entre Damares e Malafaia é antiga. “O atrito começou em 2018, depois da eleição de Bolsonaro.”

O pastor apoiou Magno Malta para liderar o recém-criado Ministério da Família, mas a vaga acabou ficando com Damares, uma ex-assessora de Malta. “O movimento foi interpretado como uma traição.”

Caiado avalia sair do União após veto velado à sua candidatura ao Planalto

Toffoli deu “presente” a Moraes, mas também ganhou “presente” de Gonet

Tá esquisito isso, hein, Toffoli? Hein, Xandão?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Andreazza
Estadão

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo.

A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

FUTURAS NULIDADES – Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master.

As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

A operação teve como objeto a atividade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e outrora sócio dos irmãos de Dias Toffoli no hotel. Sócio por meio de fundos que compunham a rede fraudulenta forjadora de liquidez para o Master.

AMIGO DO AMIGO – O sigiloso Dias Toffoli deu um presente ao confrade Moraes. Não terá sido a primeira vez: o Direito Xandônico é produto do inquérito censor criado pelo “amigo do amigo do meu pai” em 2019.

O presente da vez, involuntário, consiste num tal protagonismo – protagonismo da família-empresa Toffoli – capaz de fazer desaparecer o contrato milionário do Master com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre.

Xandão, diga-se, nada fez para sair de cena. Ao contrário, abriu inquérito (de ofício e sigiloso, conforme seu padrão) em que manda apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros. Claro – você sabe – que não pretendeu intimidar.

PARENTE ADVOGANDO… – Tampouco pretendeu intimidar o ministro do Supremo plantador no noticiário de que o presidente do tribunal tem parente advogando em corte superior. A intenção – claro – não foi constranger; antes evidenciar a complexidade própria à Constituição do tal código de conduta. A filha de Fachin atua no STJ.

O distribuidor Dias Toffoli não ficaria sem presente para si. Deu-lhe um o próprio Fachin, segundo o qual há quem queira “desmoralizar o STF” e “destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder”.

O agente é indeterminado, entre os suspeitos estando a imprensa. Jamais o colega viajante em jatinhos privados. Tudo regular.

UM PRESENTAÇO – A PGR, agência ratificadora do Supremo, que chancela até as providências que os ministros tomam contra as prerrogativas do Ministério Público Federal, também presenteou Dias Toffoli. O procurador Paulo Gonet, em defesa sempre da democracia, deu um vale – vale tudo – para o relator do caso Master, assim como já dera a Xandão. Tudo regular.

Presenteado e presenteador, Vorcaro declarou em depoimento que o erguimento de sua pirâmide fiada no Fundo Garantidor de Crédito obedeceu “a regra do jogo”. Todos esses jogam com a regra debaixo do braço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Após Carlos Andreazza escrever esta verdade aula de ironia, apareceu Gilmar Mendes (ele, sempre ele…) e também deu um belo “presente” a Toffoli, ao destacar que o relator do Caso Master “respeita o devido processo legal”. Como já estava na minha hora de vomitar, mandei busca o barril. (C.N.)

Crise do Banco Master antecipou saída de Lewandowski do governo Lula

Caso Master: Fachin fala em agir “doa a quem doer” e defende resposta institucional do STF

Tarcísio descarta candidatura presidencial e reforça aposta de Bolsonaro em Flávio

Tarcísio diz que terá ‘papo de amigo’ com Bolsonaro

Samuel Lima
O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que terá um “papo de amigo” com Jair Bolsonaro daqui a dois dias, em visita marcada em sua cela na chamada “Papudinha”, em Brasília, e que recusaria um convite para concorrer a presidente, mesmo diante de um apelo do padrinho político.

“Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim”, declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.

FICAR EM SÃO PAULO – “Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro, quando ele ainda estava em prisão domiciliar, antes do regime fechado, ele me disse: ‘E aí, Tarcísio, eleição presidencial, qual é a sua posição?’. Eu disse: ‘A minha posição é ficar em São Paulo’. Eu fui muito contundente, muito claro com ele em relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de coerência”, relatou o governador.

Tarcísio alegou ainda que não teve uma discussão acalorada com Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro escolhido pelo pai para representá-lo nas urnas contra o presidente Lula (PT), frustrando parte do empresariado e líderes do Centrão. Demonstrou incômodo nesse ponto, atribuindo as informações a mentiras que circulam nos bastidores.

PROJETO – “Não estou frustrado, não. Nem vou falar isso na quinta-feira para o Bolsonaro, até porque isso não existe”, afirmou ele, em outro trecho da entrevista. “Eu sempre disse que o meu projeto para São Paulo é de longo prazo. Alguns que passaram e pensaram logo na candidatura presidencial deixaram cicatrizes, feridas abertas. Não quero decepcionar ninguém”, afirmou.

Tarcísio falou também sobre os motivos que levaram Bolsonaro a optar pelo filho no pleito: “Uma pessoa da família traz para ele uma confiança, e eu vou estar com ele nessa caminhada. Na visita que eu vou fazer, o meu papo vai ser um papo de amigo. Vou falar de amenidades, perguntar se ele está precisando de alguma coisa, falar da solidariedade e do carinho que eu tenho por ele e do que a gente está fazendo aqui fora para tentar ajudá-lo. Sem entrar muito nessa questão. Não costumo falar de eleição, de política com ele. Procuro sempre mostrar que estou do seu lado”, finalizou.

Relembre “Modinha”, uma inesquecível canção de amor de Sérgio Bittencourt

Sérgio Bittencourt - LETRAS.MUS.BR

Sérgio Bittencourt, grande compositor

Paulo Peres
Poemas& Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) revela, na letra de “Modinha”, o seu lírico e belíssimo sonho. Esta música foi vencedora do festival “O Brasil Canta no Rio”, em 1968, interpretada e, posteriormente, gravada por Taiguara.

MODINHA
Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela,
sonho um sonho pequenino…
Se eu pudesse ser menino
eu roubava essa rosa
e ofertava, todo prosa,
à primeira namorada,
e nesse pouco ou quase nada
eu dizia o meu amor,
o meu amor…

Olho o sol findando lento,
sonho um sonho de adulto…
Minha voz, na voz do vento,
indo em busca do teu vulto,
e o meu verso em pedaços,
só querendo o teu perdão…
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção…

Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
(Eu vou morrer de muito amor)

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