Bolsonaro, a Lei da Ficha Limpa e os viciosos malefícios da polarização

As brechas na Lei da Ficha Limpa Folha1 - BlogdoBastos

Charge do Lute (Arquivo Google)

Marcus André Melo
Folha

Há uma dinâmica curiosa em relação à corrupção e abuso de poder. Quando um grupo político é hegemônico e está no poder, e sua hegemonia é avassaladora, não há registro de denúncias por duas razões. Esse grupo tipicamente controlará meios de comunicação e instituições de controle, aqui incluídas as congressuais; a oposição legislativa terá assim baixa capacidade de incidir sobre a corrupção.

As denúncias, portanto, terão pouca visibilidade. Ações individuais e coletivas da sociedade civil terão a mesma sorte: há poucos incentivos para as denúncias. Afinal, por que agir se as chances dessas ações prosperarem são baixas?

DISPUTA IDEOLÓGICA – Quando não há grupo hegemônico, mas dois competitivos, os incentivos são outros. Quanto mais competitivo o sistema, mais incentivos para a criação de um escândalo que afete o incumbente.

Quando se alternam no poder, surge um conflito que leva à mudança institucional: arranjos e legislação anteriores passam a ser atacados. A dinâmica é fundamentalmente incumbente-oposição, mas se traveste de disputa ideológica direita-esquerda.

É o que estamos assistindo no momento em relação aos ataques de Bolsonaro e outros em relação à Lei de Ficha Limpa.

LEI POPULAR – A lei foi aprovada em 2010 na esteira do Mensalão. Produto de uma aliança do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil e do TSE, ela foi a segunda lei de iniciativa popular do país.

Na campanha da fraternidade daquele ano as dioceses mobilizaram-se para a obtenção de 1,6 milhão de assinaturas e para a aprovação pelo Congresso por unanimidade. As 1.500 audiências públicas sobre a lei foram realizadas em todo o Brasil pelo TSE.

Mas o mesmo vale para outros atores e instituições. O STF, a Polícia Federal, e o Ministério Público, que eram vilipendiados pelo PT, quando era incumbente, passaram a ser defendidos pelo partido.

UDN DE MACACÃO – Por ter defendido no passado a bandeira anticorrupção, para Brizola, “o PT era a UDN de macacão”. Sim, a UDN que era o partido que denunciava a corrupção e o abuso getulista. E vice versa, em relação ao bolsonarismo.

Há dois cenários hipotéticos que podem resultar de uma nova configuração política competitiva. O primeiro é um ciclo virtuoso que é marcado por um certo aprendizado coletivo, em que desaparecem supostos monopólios da virtude.

O eleitorado aprende a distinguir entre retórica e realidade. Os atores internalizam a mudança. Excessos são mitigados. Arranjos institucionais e legislação são aperfeiçoados.

CONLUIO GENERALIZADO – O segundo cenário é vicioso: uma combinação de brutal retrocesso e conluio generalizado. O equilíbrio resultante é perverso: “Você não denuncia minha emenda e eu não denuncio a sua”. Ele produz malaise institucional e cinismo cívico generalizado: “são todos farinha do mesmo saco”. Mas o equilíbrio só quebra por ações disruptivas, antissistema. Cria-se assim incentivos a outsiders.

O primeiro cenário representa a trajetória histórica das democracias avançadas (que analisei aqui). O segundo é a armadilha da democracia de baixa qualidade que mantem dinâmicas predatórias.

Na nossa trajetória recente há dinâmicas virtuosas mas elas se inviabilizam em contextos de alta polarização. É uma explosiva combinação de ultra reação ao combate à corrupção (como vimos em relação à Lava Jato) e persistência de um equilíbrio predatório.

Judiciário se destaca com aumentos salariais expressivos há quatro décadas

Servidores da Justiça tiveram ganhos reais acima da inflação

Pedro do Coutto

Uma pesquisa realizada pelo IPEA revelou que, nas últimas décadas, os funcionários do Judiciário federal e estadual lideraram os ganhos salariais entre todas as carreiras do serviço público. Considerando a remuneração mediana, os servidores da Justiça federal tiveram um aumento real de 130,1% desde 1985, enquanto nos estados a alta foi ainda maior, alcançando 213,6%. Atualmente, os servidores do Judiciário federal recebem uma média de R$ 15.856 por mês, podendo chegar a R$ 27.223 entre os 10% mais bem pagos. Nos estados, esses valores são de R$ 10.197 e R$ 24.243, respectivamente.

Entretanto, a elite do funcionalismo pode receber ainda mais devido aos chamados “penduricalhos” – verbas indenizatórias concedidas por atos administrativos dos tribunais, leis do Legislativo e decisões do Conselho Nacional de Justiça. Os dados foram extraídos da Relação Anual de Informações Sociais e analisados pela equipe do Atlas do Estado Brasileiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento.

REAJUSTES – Um estudo do Tesouro Nacional revelou que o Brasil destina 1,6% do PIB ao Judiciário – cerca de R$ 160 bilhões –, um valor três vezes superior à média de outros países emergentes. Desse total, quase 83% são destinados a salários. Os reajustes salariais de 130,1% e 213,6% para servidores dos judiciários federal e estadual superam com folga o aumento real de 45,5% na remuneração média dos rendimentos do funcionalismo público como um todo, considerando os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas esferas federal, estadual e municipal.

Isso significa que, ao longo de quase 40 anos, os membros do Judiciário foram os que mais tiveram aumentos superiores à inflação. No setor privado, poucas carreiras conseguiram reajustes muito acima da variação dos preços, especialmente em períodos de crise econômica. O levantamento também indica que os servidores mais bem pagos do funcionalismo (desconsiderando os penduricalhos) pertencem ao Poder Legislativo federal, que inclui funcionários da Câmara dos Deputados e do Senado.

A média salarial dos 10% do topo chega a R$ 36.704, enquanto a média geral é de R$ 6.903. Já deputados federais e senadores recebem um salário bruto de R$ 46.336,10 – o teto constitucional para 2025 – além de contar com diversas verbas adicionais para seus gabinetes.

DIFERENÇA – A realidade dos servidores municipais é diferente: em muitos casos, seus rendimentos são inferiores aos de cargos similares na iniciativa privada. Já nos estados, os salários públicos e privados tendem a se equiparar, com algumas exceções. Curiosamente, são justamente os servidores com menores salários – nos estados e municípios – que lidam diretamente com a população.

Segundo uma pesquisa Datafolha de 2024, apenas 41% dos brasileiros avaliam o atendimento do setor público como ótimo ou bom, e 80% defendem demissões por mau desempenho. No Brasil, porém, 65% dos servidores são estatutários, ou seja, possuem estabilidade e raramente podem ser demitidos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pretende apresentar um projeto de lei para eliminar ou limitar pagamentos acima do teto constitucional no biênio 2025-2026. O Congresso já discute o PL 6.726/2016 com esse objetivo, mas o governo prefere reiniciar as negociações, pois o projeto atual inclui exceções que permitem remunerações superiores ao teto.

Ives Gandra descarta Bolsonaro em 2026 e diz que Lula passou da idade

Um homem idoso está sentado em uma cadeira em um escritório, gesticulando com a mão direita. Ao fundo, há uma estante repleta de livros organizados. A mesa à sua frente tem um objeto não identificado e um celular. A iluminação destaca o homem e cria um contraste com o ambiente ao redor.

Supremo vetará candidatura de Bolsonaro, diz Gandra

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

O advogado Ives Gandra Martins pede um paletó ao entrar na sala de reunião ligada ao gabinete pessoal localizado em um edifício na região central de São Paulo. É quarta-feira (dia 5), uma semana antes do aniversário de 90 anos.

Referência entre aliados de Jair Bolsonaro (PL), Ives Gandra descarta em entrevista à Folha a possibilidade de o ex-presidente concorrer de novo em 2026. Mesmo com uma reviravolta no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não acredita em um respaldo do STF (Supremo Tribunal Federal). Também disse ver no presidente Lula (PT) a dificuldade da idade, sem que haja um sucessor para ele na esquerda.

O sr. tem sido crítico do STF nos últimos anos. Na sua opinião, qual é o principal excesso cometido pelo tribunal?
Sou crítico da interpretação que eles dão ao direito constitucional. Qual é a opinião deles? Que quando há um princípio constitucional de múltipla interpretação —dignidade da pessoa humana— o Supremo entende que cabe a eles a interpretação. Assim eles fizeram com o marco temporal, a relação entre pessoas do mesmo sexo, agora o marco da internet. Essa é a divergência. Acho que eles nunca podem ser senão legisladores negativos, dizer se uma lei é constitucional ou não, enquanto eles entendem que, se são provocados e o Congresso não fez a lei, podem interpretar o princípio geral.

Como resolver o problema das emendas parlamentares, que é motivo de embate não só entre Supremo e Congresso, mas também governo federal?
Pessoalmente, acho um absurdo as emendas parlamentares. Acho que isso fragiliza os orçamentos, mas não é competência do Supremo interferir em algo que é da típica relação política entre o Executivo e o Legislativo. Eles têm que conversar. Se um governo é fraco, o governo cai, entra um outro grupo, recaptura os orçamentos. A única solução é nas próximas eleições mudar. É um risco da democracia. Mas são competências dos representantes do povo. A solução não é dizer que, como Executivo e Legislativo não se entendem, então o Judiciário vai começar a fazer política.

O sr. acredita que este Executivo é fraco?
A verdade é a seguinte: ele não está conseguindo. Tem uma parte dos ministérios com partidos que vão ter concorrentes nas eleições, partidos que nas eleições municipais foram contra o partido do presidente. Tenho a impressão que, enquanto o presidente da República fizer questão de manter uma polarização, passamos a ter dificuldade de governo, porque há necessidade de manter a radicalização, ele deixa de dedicar-se exclusivamente a governar. A manutenção da radicalização dificulta, a meu ver, uma administração mais coerente. É o que nós estamos vendo: a dificuldade dele no Congresso, a inflação retornando.

Como o sr. avalia a situação jurídica do país?
Com essa polarização, o Supremo vai assumindo funções políticas. Essa função de ser uma espécie de vigilante do Poder Executivo e do Legislativo, fazendo as leis, interferindo na administração pública, faz com que o Supremo seja tratado também como um agente político. Quem concorda bate palmas. Quem não concorda xinga. Nós não temos mais aquela imagem quase que sacrossanta do Supremo até a aposentadoria de Moreira Alves, Sydney Sanches, Ilmar Galvão. Passamos a ter um Supremo que decide juridicamente muito bem, mas que intervém em questões políticas.

Como o sr. avalia a condução dos inquéritos relativos aos atos antidemocráticos e à trama golpista?
Aquilo não foi trama. Fui professor das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército. Tinha absoluta convicção que os militares jamais entrariam num golpe de Estado. Em 2022, fiz uma declaração dizendo que o risco era zero, multiplicado por zero, dividido por zero, somado a zero. Conhecia os militares. Tanto é verdade que, enquanto havia multidões em frente aos quartéis, nenhum deles tomou alguma medida. Quando, no dia 8 de janeiro, houve aquela baderna, nenhuma das pessoas estava com uma arma. Havia um contingente pequeno de militares sem ter dado um tiro sequer.

Como o sr. analisa as revelações da Polícia Federal a respeito de uma trama para assassinar o presidente, o vice e o ministro Alexandre de Moraes?
Mas como trama? Uma decisão dessas teria que ser tomada pelo Alto Comando das Forças Armadas. A impressão que tenho é que aquilo que um grupo pequeno de militares pode ter trocado de ideias era, no máximo, um plano tão absurdo que nem poderia ser posto em execução e não foi. Tanto é verdade que não houve nada, nem início. Estou convencido de que aquele plano absolutamente absurdo, se é que foi um plano ou coisas assim colocadas, jamais, jamais, jamais teriam possibilidade de êxito, porque dependeriam do apoio do Exército, Alto Comando; da Marinha, Alto Comando; e da Aeronáutica.

Têm ocorrido articulações no Congresso a respeito de um projeto de anistia e de redução do prazo da inelegibilidade de oito para dois anos. Qual a avaliação do sr.?
Para mim, esse movimento, no dia 8, de protesto, não poderia ser um golpe de Estado, porque desarmado ninguém dá golpe de Estado. Como eu não vejo nisso um atentado violento ao Estado de Direito, mas uma baderna, sou favorável à anistia. Sobre a redução de inelegibilidade, a minha visão é a de que a função da Justiça Eleitoral é respeitar ao máximo a vontade do eleitor, só se houver alguma coisa extremamente violenta, que represente um ato violento, não uma manifestação boba. Acho que poderia ser reduzido perfeitamente, até.

Qual é o candidato mais competitivo para 2026 na opinião do sr.?
Vejo Lula com dificuldade da própria idade. Você está falando com um sujeito de 90 anos…

Mas o sr. está ótimo, não?
Não, estou péssimo, com andador, tudo. A cabeça ainda funciona um pouquinho, mas o resto não. Todas as palestras, sustentações orais, eu faço online. Eu não tenho mais condições nem de subir escada de avião. É bem verdade, são 90 anos, não são 79, mas ele vai estar com 81. Já teve câncer, uma série de problemas. Ou vai ter condições físicas, ou não. Se tiver, vai ser candidato. Se não, vai ter que escolher um. E não vejo ninguém na esquerda com o carisma do Lula.

E Bolsonaro?
Do outro lado, mesmo que o TSE dê a possibilidade de o presidente Bolsonaro concorrer, não acho que o Supremo mantenha. Dificilmente nós teremos Bolsonaro. Vejo cinco candidatos: [Romeu] Zema, [Eduardo] Leite, Ratinho [Jr.], Tarcísio [de Freitas] e [Ronaldo] Caiado. Se eles conseguirem ter um candidato único ou uma campanha em que não se agridam mutuamente e se não houver a mudança da política econômica do presidente, acho que os conservadores terão chance.

Há 60 anos, Roberto Marinho aplicou o golpe da usurpação da TV Paulista

Roberto Marinho comprou a TV Globo de São Paulo por 35 dólares. Com  documentação falsa. E o STJ confirmou a transação

Marinho dizia ter comprado a TV Paulista por 35 dólares

Carlos Newton

Em 10 de fevereiro de 1965, há exatamente 60 anos, o jornalista/empresário Roberto Marinho deslocou-se do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, com objetivo de assumir o controle da Rádio Televisão Paulista S/A (canal 5 de São Paulo), que afirmava ter adquirido de Victor Costa Júnior, de apenas 24 anos, herdeiro do empresário de radiodifusão Victor Costa, falecido em dezembro de 1959.

O jovem empresário convocou para esta data uma suposta Assembleia Geral Extraordinária, para atender Roberto Marinho, a quem, três meses antes, a 9 de novembro de 1964, ele tinha vendido 52% das ações da TV Paulista pelo equivalente a US$ 2 milhões, apesar de não possuir uma só das ações.

APENAS UM SÓCIO – A empresa Rádio Televisão Paulista tinha mais de 650 acionistas, que deveriam concordar ou discordar do ingresso de Roberto Marinho na sociedade, mas na pequena sala onde se realizou a Assembleia havia apenas um acionista, Armando Piovesan, titular de apenas duas das 30 mil ações da sociedade anônima e empregado de Victor Costa Júnior.

Na verdade, o controle acionário estava em mãos da família Ortiz Monteiro. Por isso, Piovesan se apresentou como procurador dos sócios majoritários Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Manoel Vicente da Costa, Manoel Bento da Costa e de Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro. Juntos, os quatro eram proprietários de 52% das ações e controlavam a empresa.

Mas as mencionadas procurações não existiam, até porque dois dos sócios majoritários já tinham morrido – Hernani Junqueira Ortiz Monteiro e Manoel Vicente da Costa.

ILEGALIDADE TOTAL – Era tudo ilegal e irregular. A pretensa venda da emissora e a realização da falsa Assembleia tinham de ser comunicadas e autorizadas pelo Ministério concedente, como previsto na Lei das Telecomunicações. Mas isso não ocorreu.

Roberto Marinho nem se importou, porque um ano antes, em 1964, ele tinha sido um dos líderes civis do golpe militar e não se preocupava mais com as leis em vigor, devido ao estado de exceção ditatorial que o país vivia.

Foi assim que o Marinho falsamente passou a ser titular de 370.000 novas ações, além das 15.100 que supostamente teria comprado do não-acionista Victor Costa Júnior, três meses antes.

DECRETO DE CASTELO – Atendendo ao pedido de Marinho, três meses depois, a 27 de maio de 1965, o presidente Castelo Branco, pela Portaria 163/65, aprovou o decidido na nebulosa AGE de 10 de fevereiro de 1965.

Mas impôs uma condição, obrigando que o novo sócio controlador da Rádio Televisão Paulista S/A regularizasse em 180 dias o quadro societário da emissora, sob pena de nulidade do ato deferido.

Marinho fez pouco da exigência e as autoridades não ousaram importuná-lo. Somente passados 11 anos é que o empresário global, mais poderoso do que nunca e certo de que não seria incomodado, presidiu uma nova Assembleia-Geral Extraordinária, em 30 de junho de 1976, para cumprir de vez essa obrigatória regularização do quadro societário.

APAGANDO RASTOS – Para não deixar rastos, Marinho transferiu de novo para seu nome aqueles 52% do capital social inicial que lhe teriam sido vendidos em 1964 por Victor Costa Júnior, que nem era acionista da Rádio Televisão Paulista S/A.

Nessa nova AGE, sem a ajuda do falsário Armando Piovesan (que se passou por procurador da família Ortiz Monteiro no ato de 10 de fevereiro de 1965), audaciosamente Roberto Marinho registrou em ata que Hernani Junqueira, falecido no distante 1962, Manoel Vicente da Costa, morto em 1964, e outros sócios da família Ortiz Monteiro compareceram ao ato societário ou se fizeram representar por meio de procurações.

O governo militar não desconfiou de nada e engoliu toda essa xaropada.

TRANSFERÊNCIAS DE AÇÕES – Para finalizar a cronologia das simulações e fraudes, em 11 de fevereiro de 1977, o ex-diretor da Televisão Globo, Luiz Eduardo Borgerth, produziu centenas de termos de transferência das ações dos mais de 650 sócios fundadores da Rádio Televisão Paulista S/A, hoje, TV Globo de São Paulo Ltda.

Transferiu todo o capital social inicial da emissora para Roberto Marinho, sem contrapartida alguma, incluindo os 52% que pertenciam aos quatro membros da família Ortiz Monteiro.

Tudo isso com a concordância do governo Geisel, que, em seguida, editou a descabida Portaria 430/77, dando ares de legalidade a esses documentos grotescamente falsificados.

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P.S. 1 –
Walter Clark, ex-diretor-geral da Globo, conta em livro que foi o incêndio das precárias instalações da TV Paulista, em 1969, que ajudou a alavancar a Rede Globo, enrolada com um empréstimo ilegal de 6 milhões de dólares, fornecido pelo grupo americano “Time Life”. O seguro tinha uma cláusula de lucros cessantes e rendeu a Roberto Marinho 7 milhões de dólares, uma fortuna em 1970.

P.S. 2A pedido dos herdeiros dos antigos acionistas majoritários da emissora, esses documentos considerados fraudulentos podem e devem ser reanalisados, agora, pelo Ministério das Comunicações., quando já se sabe tudo sobre as fraudes.

P.S. 3Alias, esse golpe monumental deveria ser levado às Comissões de Defesa de Direitos Humanos da OEA e da ONU, porque a versão que ridiculamente prevaleceu no Supremo brasileiro é de que Marinho teria comprado o controle da TV Paulista por exatos Cr$ 60.396,00, que na época equivaliam a 35 dólares, tipo Piada do Ano. (C.N.)

Trump taxa aço e Brasil será um dos mais afetados (US$ 6 bilhões/ano)

Presidente Trump diz que colisão de avião no ar com helicóptero 'deveria  ter sido evitada'

No avião, Trump diz que vai sobretaxar todos os países

Jamil Chade
do UOL

O presidente Donald Trump anunciou neste domingo que vai elevar as tarifas para o aço e alumínio de todos os países. A decisão será assinada nesta segunda-feira e vai colocar uma taxa de 25% sobre os produtos.

O Brasil será um dos países mais afetados, com taxas que podem impactar US$ 6 bilhões em vendas. Procurado, o Itamaraty indicou que não iria comentar por enquanto a declaração de Trump.

SEM DISTINÇÃO – “Qualquer aço que entrar nos Estados Unidos terá uma tarifa de 25%”, disse o presidente a jornalistas que voavam com ele no Air Force One, para assistir ao Super Bowl em Nova Orleans. Questionado se a taxa valeria para alumínio, ele confirmou.

Durante seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio. Ao longo dos anos, acabou negociando cotas para Canadá, México e Brasil.

Os Estados Unidos são destino importante das exportações brasileiras dos setores de ferro e aço e alumínio. Em 2024, o Brasil vendeu US$ 11,4 bilhões no setor de ferro e aço para o mundo, sendo que 48,0% (US$ 5,7 bilhões) foram direcionadas para os Estados Unidos, e US$ 1,6 bilhão no setor de alumínio, sendo 16,8% (US$ 267,1 milhões) aos Estados Unidos, segundo um recente informe da Câmara de Comércio Brasil EUA.

SOBRETAXA E COTA – “Investigações sobre ameaça à segurança nacional relacionadas às importações foram levadas a cabo no primeiro mandato do governo Trump para determinados produtos de aço e alumínio e resultaram em uma sobretaxa de 10% para alumínio e quota com limitação de exportação para o aço”, lembrou o documento.

“O Brasil, um dos maiores fornecedores aos Estados Unidos, foi afetado principalmente em bens semimanufaturados de aço”, revela a Câmara de Comércio.

Produtos semi-acabados de ferro ou aço ocupam o segundo lugar entre os itens mais exportados do Brasil para os EUA. Em 2024, o volume chegou a US$ 3,5 bilhões.

SOBRETAXA GERAL – O presidente americano não explicou quando as tarifas entrariam em vigor. Mas garantiu que todos os países serão afetados. O setor é um dos grandes responsáveis por sua vitória em estados considerados como estratégicos. O gesto de Trump, portanto, está sendo visto como uma retribuição.

Conforme o UOL havia revelado com exclusividade, o setor do aço era considerado como um potencial alvo de Trump.

O presidente ainda confirmou que, entre terça-feira e quarta-feira, irá anunciar sua política comercial na qual vai estabelecer o princípio da reciprocidade. Na prática, os EUA irão taxar países que aplicam tarifas contra seus produtos. “Se eles estão nos cobrando 130% e nós não estamos cobrando nada deles, isso não vai continuar assim”, disse.

RETALIAÇÕES – A reportagem do UOL antecipou como o setor privado brasileiro e o governo Lula se preparam para o que poderia ser a primeira onda de tarifas de Donald Trump contra o país, já a partir dos próximos dias.

A preocupação é de que as taxas ou barreiras possam ser aplicadas em setores como o aço, ou como retaliação numa pressão para que o mercado de etanol do Brasil seja aberto ao produto americano.

Como resposta, o governo já começa a preparar uma lista de produtos americanos que poderiam ser retaliados, caso as exportações nacionais sejam afetadas, assim como começa a ser feito um mapeamento de como as cadeias de fornecimentos e de produção seriam afetadas.

BRASIL É CITADO – A percepção se acentuou na sexta-feira, quando o presidente americano informou que, no começo da próxima semana, anunciaria “tarifas reciprocas” contra diferentes economias em todo o mundo.

Trump já citou em duas ocasiões o Brasil como exemplo de locais onde as tarifas contra produtos americanos são elevadas e onde os EUA não seriam tratados de forma “justa”.

Um levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham) indicou que o saldo positivo para os EUA já dura uma década. Em 2024, as exportações brasileiras para os EUA atingiram um volume recorde de US$ 40,3 bilhões em 2024. Mas as importações brasileiras provenientes dos EUA totalizaram US$ 40,6 bilhões, aumento de 6,9% em relação a 2023.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ninguém é bonzinho no comércio. No governo de Ronald Reagan, os EUA enfraqueceram o Proálcool, ao sobretaxarem o etanol brasileiro. Nossos produtores tinham de vender a intermediários no Caribe, que revendiam aos Estados Unidos, sem nada produzir. Agora, os Estados Unidos usam o etanol como combustível flex. Plantaram cana adoidado na Califórnia e outros Estados, são os maiores produtores do mundo, querem exportar para o Brasil. E vida que segue, como dizia João Saldanha. (C.N.)

Rotulada de fascista, a direita vence eleições e desestabiliza a esquerda

Quais as relações entre democracia burguesa brasileira e fascismo: Perigo fascista? – Emancipação Socialista

Charge do Jota Camelo (Arquivo Google)

J.R. Guzzo
Estadão

Há três coisas, em especial, que deixam a esquerda fora de si diante do “fascismo” e dos “fascistas”, e de quem mais eles excomungam como sendo de “extrema direita”. A primeira é que todos os valores denunciados como direitistas fazem muito sentido, do ponto de vista lógico, para o cidadão comum.

A segunda é o seu desejo de sair da pobreza, algo que as facções intelectuais acham irritante ao extremo – manifestam um desprezo colérico contra a classe trabalhadora quando ela se imagina capaz de empreender, construir uma vida própria e sair do lugar que lhe foi reservado pelos sociólogos. A terceira, e de longe a pior de todas, é a tendência da “extrema direita”, ou do “fascismo”, a ganhar eleições.

BASE DA DEMOCRACIA – Eleições limpas, com escrutínio público e nas quais o papel do Estado se limita a contar os votos, são um alicerce fundamental das democracias.

Hoje, para o “campo progressista” e para os intelectuais, as eleições transformaram-se numa ameaça. É um contrassenso.

Eleições, a menos que sejam roubadas como as da Venezuela, não podem jamais colocar em risco à democracia, pois expressam a vontade da maioria – e a vontade da maioria é que decide quem tem de governar.

LIVRE ESCOLHA  – É isso, exatamente isso, que está dizendo a religião oficial antifascista. Os adversários podem ganhar, porque são eles que formam a maior parte do eleitorado – mas eleição que a maioria ganha é um perigo mortal para a democracia, tal como ela é definida por Lula, o STF e a direção do PT.

Donald Trump ganhou a eleição nos Estados Unidos. Antes, Javier Milei tinha ganho na Argentina. Antes dos dois, Giorgia Meloni ganhou na Itália. Teme-se, agora, pela próxima grande eleição – a da Alemanha.

Em nenhum dos casos ocorreu aos analistas internacionais que o povo de cada um desses países escolheu com liberdade os seus novos governos. Foi um “retrocesso”. Foi um atentado contra a “civilização”. Foi essa e mais aquela desgraça.

POPULISMO – O sujeito oculto da frase é que a vontade do povo, quando favorece a direita, não é mais vontade do povo. É “populismo” – e “populismo” não pode ser admitido hoje no livro de regras, sobretudo quando os populistas são populares.

Eleição livre? E se um “fascista” ganhar? A coisa é cada vez mais viável, quando se leva em conta a multiplicação cada vez mais rápida de fascistas que estão por aí e têm título de eleitor. Como faz, então? Acabam as eleições ou acabam os fascistas?

O Supremo ainda não formou maioria a respeito.

Viagem com Janja a Roma retira ministro petista da lista de demissão

Imagem

Janja aceitou o pedido do ministro quase demitido

Josias de Souza
do UOL

Com Janja em sua comitiva, o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) representará o Brasil na 48ª sessão do conselho de governança do Fida, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, sediado em Roma. A utilidade da presença da mulher de Lula só poderá ser avaliada na próxima sexta-feira, último dia do encontro.

Mas a viagem da primeira-dama, custeada pelo contribuinte, teve serventia imediata para Dias. Retirou momentaneamente o ministro petista da corda bamba da reforma ministerial.

PERTO DA DEMISSÃO – Wellington Dias virou xepa de feira na Esplanada. Fala-se em trocar ministros, e seu nome escorrega por gravidade para a beirada do tabuleiro. Para complicar, dois contratos atravessaram o caminho do ministro. Envolvem cifras graúdas: R$ 5,6 milhões e R$ 5,2 milhões.

 Numa ponta, está a pasta gerida pelo companheiro de viagem de Janja. Noutra, ONGs ligadas à família Tatto, de DNA petista. No meio, há uma requisição à PF para apurar suspeitas de desvios de verbas que deveriam financiar programas voltados à alimentação e capacitação de brasileiros pobres.

Como se fosse pouco, surgiu na última sexta-feira uma entrevista com potencial para transferir Wellington Dias da frigideira para o micro-ondas. Nela, o ministro insinuou que o governo estudava reajustar o Bolsa Família para atenuar os efeitos da alta do custo de vida. Era lorota.

DESMENTIDO OFICIAL – Numa semana marcada por um comentário tóxico de Lula —”Se está caro, não compra”—, a Casa Civil da Presidência viu-se compelida a divulgar nota oficial para esclarecer que o governo não cogita dar mais dinheiro aos pobres para compensar a carestia.

Jurado de morte pelas circunstâncias, Wellington Dias foi às redes sociais como se estivesse cheio de vida: “Temos o privilégio, desde o primeiro dia de mandato, de contar com nossa querida Janja e toda sua energia. Fiz o convite e ela aceitou”, escreveu o ministro sobre a incorporação da primeira-dama à caravana que foi para Roma.

Não se pode dizer que Dias está no rumo certo. Mas a parceria com Janja coloca na contramão quem aposta na demissão do ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A que ponto chegamos… Chega ser deprimente. E com a mordomia da alegre comitiva de Janja em Roma, é assim que la nave va, cada vez mais fellinianamente. Basta pegar o trem, que a Cinecittá é logo ali. (C.N.)

Trump quer atordoar até obter submissão, nem que seja por cansaço

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Café da Manhã Nacional de Oração no Capitólio, em Washington

Para obter submissão, Donald Trump se finge de louco

Dorrit Harazim
O Globo

Estão equivocados os analistas que, à falta de ferramenta mais adequada para explicar o método de poder performático usado por Donald Trump, recorrem à conhecida “teoria do louco”. Ela foi adotada por Richard Nixon em meados do século passado, quando os Estados Unidos já não conseguiam mais extricar-se do atoleiro militar no Vietnã. Nixon fora eleito presidente em 1968 e queria fazer chegar aos ouvidos dos comunistas de Hanoi e apoiadores no Kremlin que sua paciência tinha limites.

Segundo o livro de memórias de H.R. Haldeman, então chefe da Casa Civil, Nixon usou agentes e diplomatas para disseminar a ideia de ser irascível, homem de rompantes irracionais.

PEDIDO DE NIXON – Segundo o relato do próprio Haldeman, Nixon lhe disse: “Quero que os norte-vietnamitas pensem que farei qualquer coisa para acabar com a guerra, que tenho obsessão por comunistas, que ninguém pode me conter e que tenho uma mão no botão nuclear”.

Como se soube depois, os norte-vietnamitas realmente consideravam Nixon o líder capitalista mais perigoso do mundo, mas nem por isso aceitaram uma paz qualquer. Combateram até a vitória final.

Diferentemente de Trump, Nixon conhecia e respeitava a Constituição de seu país — por isso tentou esconder seus muitos malfeitos até ser obrigado a renunciar ao mandato. Como a maioria dos políticos americanos da época, Nixon também conhecia História e temia ser por ela condenado. Seus operadores agiam nas sombras.

ATROPELAR TUDO – O estilo Trump é outro: arrostar bem alto e de público. Se preciso, atropelando normas consolidadas ou algum artigo da mais antiga e codificada Constituição do mundo. Se preciso for, ele também recua meia quadra e dá dois saltos erráticos no dia seguinte. A ideia é atordoar até obter submissão, nem que seja por cansaço.

A Presidência dos Estados Unidos é um cargo de poder imenso, porém limitado.

— Trump nunca quis ser presidente, pelo menos não nos termos definidos no Artigo II da Constituição americana. Sempre quis ser rei — argumenta em podcast o jornalista Ezra Klein, do New York Times. E alerta: — Ele atua como rei porque é fraco demais para governar como presidente. Pretende substituir a realidade pela percepção e espera que a percepção se converta em realidade. Isso só pode acontecer se passarmos a acreditar.

MAIS ADEPTOS – Não faltam executores para esse reinado que prioriza propriedade sobre povo. Na semana passada, a confirmação pelo Senado de Russell Vought como chefe do Escritório de Planejamento e Orçamento (OMB) veio reforçar o elenco. Embora o OMB não seja percebido como decisivo nem cobiçado, é tudo isso e muito mais — quase um centro nervoso para a Presidência. Seu novo diretor é um dos arquitetos do famoso

“Projeto 2025”, cartilha ultraconservadora elaborada durante a campanha de Trump para a expansão do poder presidencial e a remodelagem das instituições federais.

Vought define o OMB como uma espécie de “sistema de controle aéreo da Presidência”. Deverá atuar com poder suficiente para se impor às burocracias existentes.

NACIONALISMO CRISTÃO – Também é de Vought, umbilicalmente ligado à Heritage Foundation, a convicção de ser preciso promover o “nacionalismo cristão” nos Estados Unidos. A separação de Estado e Igreja, argumenta ele, não deveria separar o cristianismo de sua influência no governo e na sociedade americana. Escancarada está, assim, uma vasta e perigosa porteira.

O que é um país?, indaga o historiador Timothy Snyder, intérprete essencial para estes tempos obscuros. Em 2017, pouco depois da primeira eleição de Trump, ele publicou às pressas um livrinho de 125 páginas que cabia em qualquer bolso — “Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente”. Virou best-seller.

No ano passado, pouco antes de o mesmo Trump reeleger-se, publicou uma extensa meditação sobre o significado da liberdade (“On Freedom”, ainda sem tradução) para o ser humano.

DIZ SNYDER – “Um país”, responde o próprio Snyder em sua página digital, “é a forma pela qual o povo se governa. E os Estados Unidos existem como país porque o povo elege quem faz e executa as leis”.

Ele anda alarmado com a lógica da destruição já impressa por Washington desde o 20 de janeiro.

“Os oligarcas não têm plano de governo. Tomarão o que podem e inutilizarão o resto. Não querem controlar a ordem existente. É da desordem que seu poder relativo se alimenta”, afirma Timothy Snider.

DEFORMAÇÕES – Não estão preocupados com o fato de os Estados Unidos terem expectativa de vida mais baixa entre os países desenvolvidos, o mais alto índice de assassinatos, a maior mortandade por overdose, a maior disparidade de renda num universo ampliado na pesquisa da Universidade Tulane — abaixo apenas de El Salvador, República Dominicana e Lituânia.

O que é um país? É a forma pela qual o povo se governa. Às vezes, eleições bastam para colocar o país em marcha. Outras, é preciso repensar o próprio significado de povo, de sociedade. “E isso significa falar, agir, combater”, escreve Snyder.

Por ora, os sinais vitais dessa resistência ainda não se recuperaram do choque. Talvez a capa da revista Time com Elon Musk em pose presidencial acorde os interessados

Bolsonaro elogia Hugo Motta e defende “uma anistia humanitária”

O ex-presidente Jair Bolsonaro no aeroporto de Brasília em janeiro passado

Bolsonaro pede que Deus continue iluminando Hugo Motta

Jeniffer Gularte
O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro enviou uma mensagem a aliados neste sábado elogiando a postura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pedindo que Deus “continue o iluminando”. Na sexta-feira, Motta afirmou que os atos de 8 de janeiro não foram uma tentativa de golpe e defendeu que não haja “exagero” na punição aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Que Deus continue iluminando o nosso presidente Hugo Motta, bem como pais e mães voltem a abraçar seus filhos brevemente. Essa anistia não é política, é humanitária”, escreveu o ex-presidente. A mensagem foi revelada pela “Folha de S. Paulo” e confirmada por O Globo.

DISSE MOTTA – Em entrevista à rádio Arapuan FM, de João Pessoa, o parlamentar afirmou que 8 de janeiro não teve um líder nem apoio de instituições interessadas para que pudesse chamar de golpe.

— Foi uma agressão às instituições, uma agressão inimaginável, ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer. Querer dizer que foi um golpe? Golpe tem que ter um líder, golpe tem que ter uma pessoa estimulando, apoio de outras instituições interessadas, como as Forças Armadas. E não teve isso. Ali foram vândalos, baderneiros, que queriam demonstrar sua revolta achando que aquilo ali poderia resolver talvez com o não prosseguimento do mandato do presidente Lula— disse Motta.

SEM EXAGERO – O presidente da Câmara também defendeu que não haja “exagero” nas punições contra os condenados do 8 de janeiro, em relação a pessoas que não cometeram “atos de tanta gravidade”.

—Você não pode penalizar uma senhora que passou na frente lá do Palácio, não fez nada, não jogou uma pedra e recebe 17 anos de pena para regime fechado. Há um certo desequilíbrio nisso. Nós temos de punir as pessoas que foram lá que quebraram que depredaram, essas pessoas sim, precisam e devem ser punidas para que isso não aconteça novamente. Mas entendo que não dá para exagerar no sentido das penalidades com quem não cometeu atos de tanta gravidade” — complementou Motta.

SOBRE ANISTIA – Em entrevista ao Globo, Motta afirmou que a proposta que trata sobre a anistia dos condenados, em tramitação no Congresso, é de difícil consenso e que o tema cria tensão com o STF e Executivo.

—Não podemos inaugurar o ano legislativo gerando mais instabilidade. Teremos de, em algum momento, em diálogo com o Senado, combinar como faremos com esse tema. Vamos sentindo o ambiente na Casa. Não faremos uma gestão omissa. Enfrentaremos os temas, mas com responsabilidade e sem tocar fogo no país—disse.

Ele afirmou ainda que pautar o projeto não foi condição imposta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para que o seu partido, o PL, apoiasse sua eleição para a presidência da Câmara, mas ele pediu que não houvesse empecilho para sua tramitação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada de novo no front ocidental. Como os leitores da Tribuna estão cansados de saber, a anistia está sendo preparada para entrar no forno. No Congresso, a grande maioria é a favor. Somente o PT, o PCdoB e o PSOL são radicalmente contra, embora Lula seja ardoroso defensor (nos bastidores, claro). Mas isso vai durar pouco, porque Lula logo sairá do armário. E como diz Marta Suplicy, se o estupro é inevitável, relaxa e goza. Comprem pipocas, a política brasileira é cada vez mais divertida. (C.N.)

Nova oportunidade para regular as redes sociais será desperdiçada

Charge do Duke: redes sociais são terra de ninguém? - Rádio Itatiaia

Charge do Duke (Rádio Itatiaia)

Demétrio Magnoli
Folha

As ditaduras buscam o controle dos grandes meios de comunicação. Trump resolveu imitá-las, estabelecendo uma aliança entre a Casa Branca e as plataformas globais de Musk e Zuckerberg. O evento reativa, no Brasil, o debate sobre a regulação das redes (anti)sociais. Na nova legislatura, o governo Lula tentará avançar algum projeto regulatório.

Do ponto de vista puramente intelectual, é fácil delinear os princípios de uma regulação democrática das redes:

CRIME E OPINIÃO – Só é crime nas redes o que é crime fora das redes. Liberdade de expressão não é um direito absoluto.

Seu limite são os crimes de palavra definidos em lei: incitação direta à violência contra instituições, grupos sociais ou indivíduos, difusão da pedofilia, práticas de calúnia, injúria e difamação.

Opinião —boa, ruim ou deplorável— não é crime. As vozes “progressistas” (PT, PSOL, sacerdotes identitários, até juízes e jornalistas!) almejam proibir o “discurso de ódio”, o “discurso antidemocrático” e a “desinformação”, expressões subjetivas cujas traduções oscilam de acordo com posições ideológicas. É desejo de censurar o rival.

SEM ANONIMATO – Responsabilidade do usuário precisa ser total. Na democracia, não há anonimato. rEstá lá, no artigo 5º da Constituição: “É livre a expressão do pensamento, vedado o anonimato”.

As redes devem fornecer nome e RG de usuários acusados de crimes. São eles —os usuários— os primeiros responsáveis por crimes cometidos em suas postagens.

Sobre a responsabilidade das plataformas, vale a regra geral dos veículos de imprensa, nos casos de postagens impulsionadas ou monetizadas.

CORRESPONSÁVEIS – Jornais, impressos ou eletrônicos, são corresponsáveis por crimes de palavra que disseminam. As plataformas, porém, ao contrário dos jornais, não escolhem os autores de seus textos.

Só devem ser judicialmente responsabilizadas por aquilo que seus algoritmos decidem impulsionar ou por postagens monetizadas. Tais “exceções” abrangem a maior parte do tráfego nas redes —e os crimes de extenso impacto social.

E deve haver checagem factual. A mentira precisa ser identificada. “Trump venceu Biden em 2020” (Trump) —isto é falso, factualmente. “A Venezuela é uma democracia” (Lula) —isto é falso, politicamente. Nenhuma das duas afirmações deve ser censurada, mas só cabe assinalar a primeira como inverdade, pois a segunda é uma (reveladora) opinião.

SEM POSSIBILIDADE – As plataformas não têm meios para checar dezenas de milhões de postagens. Basta checar as que alcançam ampla circulação, em magnitude definida por especialistas. “A Terra é plana e Elvis Presley não morreu” —quem se importa com a mentira que embala apenas seitas de idiotas?

O dilema não é intelectual, mas exclusivamente político. O governo, com seu cortejo de “progressistas”, acalenta o sonho autoritário de disciplinar o discurso —ou seja, moldar as mentes.

Na ponta oposta, o extremismo de direita enxerga as redes como ferramentas para quebrar as mediações institucionais da democracia —e opera em aliança com “libertários” fanatizados e políticos cujo horizonte não ultrapassa a próxima campanha eleitoral. O projeto foi congelador porque o governo não desiste da censura e uma parcela decisiva do Congresso não abre mão do faroeste. Agora, surge uma nova oportunidade, que será desperdiçada.

Vasculhando os escombros da alma, o poeta consegue a transformação

Tribuna da Internet | Bom de briga, o poema de Limongi vai em busca do afago do infinito

Limongi escreve poemas arrebatados

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta amazonense Vicente Limongi Netto, radicado há anos em Brasília, poetizou as transformações que acontecem sendo ele “Parceiro da Solidão”. 

PARCEIRO DA SOLIDÃO
Vicente Limongi Netto
 

Os escombros da alma
transformei em argila
para abrigar pássaros carente. 

O medo do coração
no corpo rude
transformei em silêncio noturno.           

O eco do desamor
transformei em lâminas floridas
E os trapos da imaginação
transformei em comovidos
gritos de pirilampos,
que ninguém consegue ouvi

Lula está vendendo vento, não há novas medidas para cortar gastos

Em entrevista, Lula afirma que vai dialogar com produtores sobre inflação dos alimentos — Agência Gov

Lula continua a ser um excelente vendedor de ilusões

Adriana Fernandes
Folha

Vende vento no governo quem fala de um revival de medidas de contenção de gastos para diminuir o tamanho do congelamento de despesas no Orçamento. Medidas de corte de gastos são mais do que bem-vindas, mas requentar o que já foi discutido não agrega credibilidade.

É falsa a ideia de que há novas medidas para ajudar no primeiro bloqueio de gastos a ser feito no início do ano. Não há tempo.

FALSAS PROMESSAS – O mais incrível é vender velhas medidas como se fossem novas, quando nem se materializou o pacote fiscal de dezembro passado. A regulamentação do pacote não saiu. Esse deveria ser o foco, não afiançar falsas promessas.

Uma regulamentação robusta das medidas aprovadas pode dar uma sinalização positiva. Quanto mais dura ela for, mais efeito terá ao longo do ano.

É o caso do aperto nas normas já anunciadas do BPC, benefício para idosos e pessoas com deficiência. Não há medida nova, mas a sua regulamentação.

REVISÃO CADASTRAL – Há um longo trabalho de revisão cadastral a ser feito no BPC. A situação é complicada e o problema está fora de controle, como reconhecem os técnicos que trabalham na regulamentação.

A gestão do programa tem dificuldades e pouca vontade política de fazer os ajustes necessários.

É natural que tenha gente na área econômica que queira mostrar que está tentando novas medidas, fazendo a sua parte. Mas só expõe o governo e irrita o presidente Lula, desgastando o ambiente para uma discussão futura. Tem que resolver primeiro em casa e não ficar alimentando expectativa.

CORTE DE DESPESAS – Lideranças do Congresso também vendem vento quando cobram corte de despesas. Politicamente, uma nova rodada de discussão de medidas fiscais é uma arapuca para o ministro Fernando Haddad. É caminho para desgaste.

Os líderes parlamentares poderiam começar o ano aprovando a regulamentação dos supersalários sem desidratação.

O escândalo dos casos de penduricalhos incorporados aos salários, divulgados nas últimas semanas e que passam por cima do teto do funcionalismo, causa indignação na população sem sensibilizar o Congresso.

Hugo Motta acena com discurso de bolsonarista, enquanto a anistia avança

Motta anuncia que a Câmara pode analisar anistia

Pedro do Coutto

Não podiam ser mais absurdas as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, negando a balbúrdia e o atentado contra a democracia no dia 8 de janeiro de 2023 , afirmando que os atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes não configuraram uma tentativa de golpe de Estado.

Em entrevista à rádio Arapuan, de João Pessoa, ele reconheceu a gravidade da depredação, mas disse que os atos foram “uma agressão às instituições” promovida por “vândalos e baderneiros”, sem coordenação política suficiente para caracterizar um golpe.

AGRESSÃO – “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Agora, querer dizer que foi um golpe… Golpe tem que ter um líder, uma pessoa estimulando, tem que ter apoio de outras instituições interessadas, e não teve isso”, declarou.

A declaração ocorre em meio à pressão de parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para que a Câmara avance na proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A medida perdoaria todos os envolvidos em “manifestações” de caráter político e eleitoral entre 8 de janeiro de 2023 e a entrada em vigor da eventual lei, restringindo punições apenas a crimes de depredação de patrimônio público.

Motta não assumiu compromisso em pautar o projeto de anistia e disse que a decisão será tomada em conjunto com os líderes partidários da Casa. “Não posso chegar aqui e dizer que vou pautar a anistia semana que vem, ou não vamos pautar. Será um tema que vamos analisar, digerir”, afirmou. A anistia aos condenados do 8 de janeiro foi uma das principais pautas debatidas nos bastidores da eleição de Motta para a Presidência da Câmara. O tema foi discutido tanto com bancadas governistas quanto com a oposição.

DISPARATE – As afirmações de Hugo Mota configuram-se como um verdadeiro disparate, uma vez que o que se desenrola em Brasília é o julgamento dos acusados por subversão. Os réus tiveram chance de defesa e as investigações comprovam a culpabilidade dos mesmos que montaram verdadeiras residências nas calçadas em frente aos quartéis pedindo a intervenção militar. Está evidente a tentativa de golpe de Estado,somada às depredações e aos distúrbios em Brasília. Tudo gravado, constando como a maior da prova da participação dos réus.

As ações tentaram subverter a ordem e só não tiveram êxito pela não participação de grande parte da cúpula do Comando das Forças Armadas. Os golpistas deixaram o seu rastro sinistro, destruindo o patrimônio público e provocando a desordem. Milhares de pessoas foram à Brasilia para promover atentados contra a democracia em um ato brutal. As prisões em massa conseguiram conter os atos que tinham um objetivo claro.

O atentado foi frustrado, mas a intenção ficou e por isso dezenas de pessoas foram julgadas. Ao negar a gravidade da questão, Hugo Motta mostra, desde já, a sua intenção em resgatar a possibilidade de Jair Bolsonaro se candidatar no próximo ano, demonstrando que no cenário político, tudo é possível.

Os homens mais ricos abandonam as crianças mais pobres do mundo

Americanos protestam contra desmantelamento da agência de desenvolvimento internacional

É inconcebível que Trump e Musk desconheçam a USAID

Nicholas Kristof
The New York Times

O homem mais rico do mundo está se gabando de destruir a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que salva a vida das crianças mais pobres do mundo, dizendo que a jogou “no triturador de madeira”.

Pelos meus cálculos, Elon Musk provavelmente tem um patrimônio líquido maior do que o dos bilhões de pessoas mais pobres da Terra. Desde a eleição de Donald Trump, a fortuna pessoal de Musk cresceu muito mais do que todo o orçamento anual da USAID – que, de qualquer forma, representa menos de 1% do orçamento federal.

ATITUDE MÍOPE – É insensível que bilionários como Musk e o presidente Trump cortem o acesso de crianças a medicamentos; mas, como destacou o presidente John F. Kennedy ao propor a criação da agência em 1961, essa também é uma atitude míope.

Cortar a ajuda, observou Kennedy, “seria desastroso e, a longo prazo, mais caro”. Ele acrescentou: “Nossa própria segurança estaria em perigo e nossa prosperidade ameaçada”.

Talvez seja por isso que a Rússia elogiou a decisão de Trump.Ao contrário de Kennedy, o governo Trump combina crueldade, ignorância e visão de curto prazo, e essa mistura parece particularmente evidente em seu ataque à assistência humanitária americana.

SURTO DE EBOLA – Uma pessoa já morreu de gripe aviária nos Estados Unidos, e cresce a preocupação com uma pandemia – no entanto, a suspensão da ajuda externa por Trump interrompeu a vigilância da gripe aviária em 49 países, de acordo com o Global Health Council, uma organização sem fins lucrativos dos EUA.

Lembra do pânico americano com o surto de Ebola na África Ocidental em 2014? (Trump foi particularmente histérico na época.) No fim, uma pandemia de Ebola foi evitada – em parte graças ao trabalho da USAID na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Acontece que outro surto de Ebola foi relatado recentemente em Uganda, com 234 casos identificados até agora. Normalmente, a USAID ajudaria a conter a doença – mas agora Trump e Musk desativaram a agência.

VÍRUS MARBURG – Outra febre hemorrágica, chamada vírus Marburg, surgiu na Tanzânia no mês passado. Trabalhadores humanitários estão correndo para conter o vírus; mas Trump fez com que os Estados Unidos se ausentassem, tornando o mundo um pouco mais vulnerável.

Uma informação: em 2012, a USAID criou alguns jogos educativos para a Índia e a África com base em um livro que minha esposa e eu escrevemos, “Half the Sky”. A USAID não nos pagou nada por isso, e os jogos fizeram um bom trabalho ao promover a desparasitação, a educação de meninas e a gravidez segura.

Já vi a USAID operar em todo o mundo, e há um quadro misto. É justo criticar a agência por ser excessivamente burocrática e pelo fato de que grande parte da ajuda vai para empresas americanas contratadas, em vez de diretamente para os necessitados no exterior.

PURA INVENÇÃO! – No entanto, não há base para o mito da Casa Branca de que a USAID é um reduto de desperdício “woke”, refletido na alegação de Trump de que a agência gastou cerca de “US$ 100 milhões em preservativos para o Hamas” (ele dobrou sua alegação anterior de US$ 50 milhões).

Cada preservativo masculino custa ao governo dos EUA US$ 0,33, o que daria três bilhões de preservativos. Pelos meus cálculos, para o Hamas usar tantos preservativos em um ano, cada combatente teria de fazer sexo 325 vezes por dia, todos os dias.

Isso talvez eliminasse o Hamas como força de combate de forma mais eficaz do que os bombardeios israelenses. De qualquer forma, o valor real da assistência dos EUA gasta em preservativos para Gaza nos últimos anos parece ter sido não US$ 100 milhões, mas zero.

IMPRUDÊNCIA TOTAL – As políticas de Trump são tão imprudentes quanto sua retórica. Eu apoiaria uma reestruturação da USAID, mas isso não é uma reestruturação, e sim uma demolição – um golpe contra nossos valores e interesses.

Musk atacou a USAID, chamando-a de “uma organização criminosa”. Na realidade, muitos de seus funcionários arriscaram suas vidas na melhor tradição do serviço público. O Memorial Wall da USAID homenageia 99 pessoas mortas enquanto trabalhavam para a agência em locais como Sudão, Haiti, Afeganistão e Etiópia.

Ao longo dos anos, vi melhorias genuínas na USAID. Sua parceria público-privada para combater o envenenamento por chumbo, anunciada no ano passado, foi um exemplo de liderança americana. E, a partir das minhas viagens, isso é o que a USAID passou a significar para mim:

VI MUITA COISA – Vi mulheres e meninas com fístula obstétrica, uma lesão horrível causada pelo parto, receberem uma cirurgia de US$ 600 que lhes devolve a vida — algo que a USAID apoia.

Vi homens humilhados pela elefantíase, com escrotos grotescamente aumentados, às vezes precisando de um carrinho de mão para sustentar seus órgãos enquanto andam. E a USAID combateu essa doença e a tornou menos comum.

Vi crianças morrendo de malária (e eu mesmo tive malária), e também vi a USAID ajudar a alcançar grandes avanços contra a doença nas últimas duas décadas.

E VI TAMBÉM… – Vi o sul da África devastado pela AIDS. E então, o programa histórico do presidente George W. Bush contra a AIDS, chamado PEPFAR e implementado em parte por meio da USAID, transformou a realidade.

Vi fabricantes de caixões no Lesoto e no Malaui reclamarem que seus negócios estavam em declínio porque muito menos pessoas estavam morrendo. O PEPFAR já salvou 26 milhões de vidas até agora.

Vi o sofrimento de comunidades onde pessoas de meia-idade frequentemente ficam cegas devido ao tracoma, à cegueira dos rios ou às cataratas — e a transformação quando a USAID ajuda a prevenir essa cegueira.

ZOMBAR DA USAID – Trump zombou da USAID, dizendo que ela era “administrada por lunáticos radicais”. É loucura radical tentar salvar a vida de crianças? Promover a alfabetização de meninas? Combater a cegueira?

Se isso é ser “woke”, e quanto aos cristãos evangélicos da International Justice Mission, que, com o apoio da USAID, fizeram um trabalho excepcional no combate ao tráfico sexual de crianças no Camboja e nas Filipinas?

Trump acredita que resgatar crianças do estupro é uma causa de lunáticos radicais?

ILEGALIDADE – As medidas de Trump têm legalidade incerta, principalmente porque a USAID foi criada pelo Congresso, mas seus impactos são indiscutíveis. Para bilionários na Casa Branca, isso pode parecer um jogo. Mas, para qualquer pessoa com um coração, trata-se da vida de crianças e da nossa própria segurança — e o que está acontecendo é revoltante.

Em todo o mundo, crianças já estão ficando sem assistência médica e alimentos por causa do ataque à agência que Kennedy fundou para defender nossos valores e proteger nossos interesses.

Em breve, tentarei calcular quantas vidas serão perdidas devido aos cortes impostos por Trump.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O pior são as pessoas que desconhecem os trabalhos da USAID, acreditam que se trata de uma rede de espionagem do capitalismo e aplaudem a diabólica perversidade de figuras nefastas como Musk e Trump, que nasceram um para o outro. (C.N.)

Derrapada de Lula sobre inflação não é apenas problema de marketing

Alta dos preços: Lula diz que inflação de alimentos deve ser solucionada em  breve

Como não sabe o que fazer, Lula então começa a embromar

Fabiano Lana
Estadão

A gestão de Sidônio Palmeira como ministro da propaganda do governo Lula 3 parece ter o vício da frivolidade cibernética que marca o espírito de nossos tempos. Aparentemente haverá mais atenção a vídeos tiktokers com o presidente, bonés com slogans edificantes, descontração e até mesmo trilhas sonoras de fundo.

Mas está longe de tocar nas feridas que têm como consequência os problemas de popularidade da gestão.

ENORMES DESAFIOS – Sidônio tem alguns desafios que talvez nem as mais modernas técnicas de comunicação do mundo conseguirão enfrentar a contento. O primeiro é que o País está cindido.

Há uma torcida apaixonada e muitas vezes irracional a favor ou contra líderes políticos com traços populistas. O amor a um é exatamente proporcional à repulsa ao outro. Traduzindo: quem gosta de Lula não gosta de Bolsonaro e vice-versa.

É algo que tem a ver com afetos, com necessidade de ter um líder a seguir (quase) cegamente, e outras coisas das profundezas da alma humana que é de difícil tratamento superficial. Enfim, como falar para todo mundo e não apenas com a turma que pensa igual?

DURA REALIDADE – O outro desafio é algo chamado realidade. Termos como real, verdade, ou correlatos são de difícil definição. Mas podemos provisoriamente chamar de real como a barreira que impede de realizar nossas fantasias – pessoais, profissionais, amorosas, e, no caso, políticas.

Que comunicação pode dar conta de um problema que incomoda tanto como a inflação de alimentos? Talvez nenhuma. A não ser que os preços voltem a se tornar estáveis.

Mas aí temos outra questão que Sidônio está lidando agora. O conceito de economia do PT mistura certo negacionismo quanto às limitações da economia com propostas que são intrinsecamente inflacionistas – como por exemplo o crescimento econômico a partir da expansão do Estado, mesmo que por meio de déficits públicos.

SEM PRIORIDADE – Quando há mais de 30 anos o PT votou contra o Plano Real foi mais do que picuinha de oposição. Combater inflação, o que exige contas equilibradas, de certa maneira nunca foi uma prioridade do petismo.

Não é à toa que o maior inimigo do Brasil para tantos é o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que aumentava os juros com o intuito oficial de derrubar os preços.

Talvez por conhecer bem sua turma que Lula – sempre às voltas com contradições e ambiguidades – colocou como presidente do Banco Central em seus dois primeiros governos um banqueiro internacional tucano.

LEMBREM DILMA – No governo Dilma Rousseff, quando, pela primeira e única vez, houve consonância entre ministro da Fazenda e presidente do Banco Central com o pensamento tradicional do petismo sobre economia, a consequência foi uma das maiores crises de todos os tempos.

A fala de Lula em que traz uma visão cândida sobre inflação – em que pede para nós escolhermos os produtos mais baratos, o que aliás sempre fazemos, foi apenas uma recaída da visão tradicional do petismo sobre economia.

O problema – muito mais do que ter-se tornado uma estratégia de comunicação – é que, quando a tese do PT sobressai, a história nunca acaba bem.

O que esperar de Hugo Motta, que não considera ter havido golpe?

O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, afirmou que 8 de Janeiro ‘não foi tentativa de golpe’. Declaração reforça duas perguntas: quem é o verdadeiro Hugo Motta? E o que esperar dele?

“Não há golpe sem tanques nas ruas”, diz Hugo Motta

Eliane Cantanhêde
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes errou no julgamento dos primeiros réus, quando disse que, ao contrário do que “o terraplanismo e o negacionismo obscuro” propagam, o 8 de janeiro não foi um “domingo no parque”, como se aquelas pessoas “tivessem comprado ingresso para o Hopi Hari ou a Disney”. Erradíssimo, pelo menos para o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta. “Não foi golpe!”, declarou ele. Logo, foi o quê? Um domingo no parque, ou melhor, um sábado no parque?

O presidente da Câmara decretou que o ministro do STF está equivocado e o ministro do STF pode incluir o presidente da Câmara entre os terraplanistas e negacionistas obscuros.

PERTO DO JULGAMENTO – Durma-se com um barulho desses, enquanto o Supremo, Moraes à frente, se prepara para o julgamento, não mais de quem estava lá, mas dos donos e funcionários do parquinho. Perto disso, Hopi Hari e Disney não têm graça nenhuma.

A declaração do deputado, que tem 35 anos e obteve apoio do PT ao PL, reforça duas perguntas que não querem calar: afinal, quem é o verdadeiro Hugo Motta e o que esperar dele, que agora tem até a caneta do impeachment de presidentes da República à mão? (Ninguém acha que ele tocaria a cassação de Lula, mas a informação é apenas para exemplificar a dimensão do cargo.)

Ao visitar Lula no Planalto com Davi Alcolumbre, depois das posses de ambos no Congresso, Motta levou junto a avó, Francisca, que foi prefeita de Patos (PB) e, assim como o atual prefeito, pai do deputado, teve um vice petista. Francisca foi logo dizendo: “Lula, eu sempre votei em você, desde 1989!”. Roubou a cena, foi uma festa.

SÃO LULISTAS? – Então, os Motta são de esquerda e lulistas? E Hugo, o menino prodígio? Escolhido a dedo para a presidência da Câmara por Arthur Lira, ele é do Republicanos de Tarcísio Gomes de Freitas e enveredou pela política nacional pelas mãos de Eduardo Cunha, que deflagrou e comandou o impeachment da petista Dilma Rousseff, com apoio cotidiano e entusiasmado do jovem deputado paraibano.

A pergunta seguinte é: quem vai se decepcionar primeiro com o novo presidente da Câmara, Lula e o PT ou Jair Bolsonaro e a oposição?

Agradar aos dois lados parece missão impossível. No início, tudo são flores. Depois, a corda bamba, ora para um lado, ora para o outro, até que a corda arrebenta. Esse momento tende a ser no debate sobre a anistia para os do parquinho, ou durante o próprio julgamento dos seus donos e funcionários.

ANISTIA PREVENTIVA – Como “advogado e jurista”, o presidente do Republicanos disse à Rádio Eldorado que não existe anistia preventiva, mas para condenados. Assim, a intenção é empurrar com a barriga e ver como é que fica.

Aí, entra a segunda parte da declaração de Hugo Motta sobre o 8 de janeiro: as penas que ele considera excessivas e sem gradação. Citou até as senhoras no parquinho naquele sábado. (Coitadas, passaram dias nos quartéis pedindo golpe e contavam com tanques nas ruas, mas no 8/1 só estavam cuidando dos netinhos levados…)

REVISÃO DAS PENAS – Ironias à parte, hoje, a anistia é improvável, pela avalanche de provas e o acesso da população a elas, mas alguma revisão das penas é possível, como já diziam desde o início ministros do STF de lados opostos.

Ou seja, como tudo na política e nas delicadas fronteiras entre política e justiça, há muita negociação e diferentes gradações, mas uma coisa é certa: os rumos dependem da força de Lula e da recuperação do governo.

Até para que possamos saber quem, afinal, é Hugo Motta. Alcolumbre, todos já conhecemos muito bem.

Lula erra na comunicação ao transferir ao consumidor a culpa pela inflação

Charge da Semana – Inflação no leite

Charge do Babu (Estância de Guarujá)

Dora Kramer
Folha

Não há boné que dê jeito na comunicação do governo se o presidente da República é o primeiro a contrariar o preceito básico do bom diálogo: fazer do interlocutor um aliado.

Pois Lula (PT) foi na contramão da regra ao transferir ao consumidor a responsabilidade de controlar os preços dos alimentos mediante a troca de produtos e/ou recusa de comprar os mais caros. Como se não andassem todos pela hora da morte.

DEU ERRADO – Caso a ideia tenha sido atrair a sociedade para um combate conjunto à inflação, a execução saiu torta. De duas, uma: falhou o conselheiro e novo mago da Esplanada, Sidônio Palmeira, ou falhou o presidente em sua confiança nos improvisos.

A fala soou mal, por insensível. A culpa pode ser do dólar alto, das enchentes, da seca, dos juros, do desprezo aos avisos sobre o risco inflacionário do desapreço ao controle de gastos, mas da população é que não é.

Considerando que o povo não é bobo, como dizia o velho slogan de protestos, as pessoas hão de perceber a jogada e rejeitar a parceria numa situação que cabe ao poder por elas constituído resolver. Lá atrás, quando da edição do Plano Real, houve a convocação geral à colaboração, mas a partir de uma solução objetivamente apresentada pelo governo.

PALAVRAS E FATOS – Aqui, a impressão é oposta, a de que o governo quer tirar o corpo fora. O presidente vem a público compartilhar indignação com a carestia (termo usado pelo PT quando era oposição) e diz que “assim não é possível”, acreditando que suas palavras têm o dom de se sobrepor aos fatos.

O truque é gasto. No entanto, o presidente insiste na fórmula vencida também quando traz de volta a figura de Roberto Campos Neto para responsabilizá-lo pela inflação que o então titular do Banco Central buscou conter, com a anuência do sucessor indicado por Lula, na alta dos juros.

Se quiser mesmo recuperar a confiança dos brasileiros, e daí a popularidade, convém ao mandatário fazer jus à delegação recebida nas urnas e começar por assumir suas responsabilidades. Sem falácias, transferências ou maquiagens.

Mudanças climáticas indicam: o homem é um bicho pequeno destruindo a Terra

Charge: Mudanças Climáticas - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Ailton Krenak
Folha

Avista-se daqui, neste início do século 21, um horizonte que nos interroga acerca da curta, mas acidentada viagem da nave humana no planeta, que avança feito cabra-cega sobre o ecossistema terrestre, feito astronauta perdido em Marte que ainda não encontrou água.

Apesar dos anúncios cheios de expectativa, água assim, na superfície, somente no planeta azul. Água que brota das fontes e abraça as águas que descem do céu em pura simbiose criadora de vida alimentando o organismo Terra, essa sim, nave-mãe de incontáveis organismos vivos: só aqui.

QUANTO AINDA TEMOS? – Nossos biólogos contemporâneos estão se debruçando no horizonte tomados pela seguinte pergunta: quanto planeta ainda temos? Pois a biologia é uma ciência da vida, que não poderia seguir refém do pensamento utilitário (que andou sequestrando o campo das ciências). Ela ocupa-se do organismo vivo, que nós humanos também integramos dentro da teia da vida.

Menos de três décadas nos elevaram à marca de 1,5 ºC sobre o limite do clima viável no planeta. Lembremos que, até década de 1990, ou seja, anteontem, ainda havia a possibilidade de manobrarmos as nossas escolhas, como humanidade, para contar com o clima necessário à manutenção da diversidade biológica dessa nave-mãe, mas perdemos a chance.

PASSOU DA HORA – Perdemos a ocasião de trabalhar a favor da teia da vida, com as condições necessárias para restaurar os ecossistemas danificados.

Com a perda da diversidade e da base resiliente dos muitos organismos da Gaia, chegamos rápido à condição de mitigação de danos. Essa é a nossa realidade global hoje, alcançando todos os continentes e tornando a base natural de reprodução da vida insustentável.

Sustentabilidade tornou-se um lema corporativo, descolado da condição material necessária à produção da vida em abundância.

É fato que a base de resiliência dos sistemas da vida para todos os seres mudou, mesmo que o animal sapiens insista em progredir em sua fúria cartesiana, prospectando futuros.

DIZIA NIEMEYER – Como menciona o mestre Oscar Niemeyer: “A força da inteligência do ser humano, que nasceu animal, outro animal qualquer, hoje pensa e, daqui a pouco, está andando entre as estrelas, está conversando com os outros seres que estão por essas galáxias. […] Sou otimista que o mundo pode melhorar, mas o ser humano, não.”

O mestre que fez da vida um labor incessante de criar mundos possíveis nada esperava desse animal que teve origem com todos os outros e que, dentro do ciclo evolutivo, “deu de pensar”.

Esse humano, que se divorciou da teia da vida, precisa escapar da ilusão do ego narcisista e experimentar, no dizer do poeta Carlos Drummond de Andrade, “a viagem de si a si mesmo” ao “pôr o pé no chão do seu coração”. Somos enfim, bicho pequeno da Terra.

Governistas atacam Hugo Motta, por não achar que chegou a haver golpe

8 de Janeiro: Um ano depois, o que pensam os brasileiros sobre o ataque e o  papel de Bolsonaro – Política – CartaCapital

Os manifestantes realmente queriam intervenção federal

Leonardo Ribbeiro
da CNN

O novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em entrevista a uma rádio da Paraíba, disse que “um golpe tem que ter um líder, tem que ter uma pessoa estimulando”, assinalando que não houve isso. Por isso, acredita que não foi uma tentativa de golpe o que ocorreu no Brasil no início de 2023.

Reclamou também do rigor das penas aplicadas a pessoas que estavam na Praça dos Três Poderes, sem evidências de que tenham tomado atitudes agressivas.

SENADORA REAGE – A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) usou as redes sociais para rebater a afirmação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que não houve tentativa de golpe.

“Como relatora da CPMI posso atestar categoricamente: após 5 meses de investigação, de receber centenas de documentos e de ouvir dezenas de testemunhas, houve tentativa de golpe e o responsável por liderar esses ataques tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro”, escreveu.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), fez coro ao que disse a senadora: “O 8 de janeiro foi a última tentativa deles. Os comandantes do Exército e da Aeronáutica não aceitaram entrar naquela trama. O que eles queriam no dia 8 de janeiro? Aquilo foi organizado e planejado, porque eles queriam que o Lula decretasse uma GLO”, afirmou.

NEGACIONISMO – O deputado Rogério Correia (PT-MG) também reagiu aos comentários de Hugo. “Dizer que o bolsonarismo não tentou um golpe contra a democracia é de um negacionismo inaceitável”, afirmou o petista.

“Para ganhar uma eleição pode-se fazer promessas, mas nunca atos que coloquem em risco a democracia. Só podemos discuti-la hoje porque o golpe de Jair Messias Bolsonaro fracassou perante ao poder das nossas Instituições. Esse discurso não combina com lideranças que emergiram na democracia e que só exercem seu poder graças ao povo. Ainda estamos aqui, vigilantes”, escreveu no X.

Hugo Motta, porém, disse que no 8 de Janeiro o que havia eram “vândalos e baderneiros que, com inconformidade com o resultado das eleições, queriam demonstrar a sua revolta achando que aquilo ali poderia resolver”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro de que lado está o novo presidente da Câmara. As condenações foram excessivas e muitas delas até não tiveram base legal, mas é óbvio que os manifestantes tentaram provocar o golpe. Moraes exagerou na dose, foi um erro, porque juiz não pode ser revanchista. Sob esse ponto de vista, Hugo Motta está correto. O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele. (C.N.)

Em meio à crise econômica, eis que surge o famoso cantor Gusttavo Lima

Empresa cobra R$ 30 milhões de Gusttavo Lima na Justiça | Metrópoles

Gusttavo Lima acha que poderá dar um jeito no Brasil

Vinicius Torres Freire
Folha

A política politiqueira do Brasil volta devagar das férias, além do mais ofuscada pela reestreia do circo sinistro de Donald Trump. A propaganda de Lula 3 está sob nova administração. O acontecimento mais importante se deu na política virtual ou memeológica, a revolta do Pix.

As redes sociais de Lula agora são mais animadinhas e gente do governo usa a cabeça para vestir uma versão do bonezinho trumpista. O presidente tenta não criar caso com o Banco Central. Diz que a Petrobras faz o que quiser com os preços. Fala de “responsabilidade fiscal”. Não é bem assim, mas é melhor do que causar sururu contraproducente gritando o contrário. Afinal, como diz o próprio Lula, 2026, a campanha eleitoral, já começou. Tem até pesquisa.

PESQUISA BOA – Dado o nível menos do que medíocre de aprovação do governo, o resultado da pesquisa Quaest foi bom para o lulismo. Lula tem em torno de um terço dos votos. Seus adversários têm algo em torno de 12% em quase todas as situações.

No segundo turno, Lula tem de 41% a 45%. Derrotaria Gusttavo Lima (35%) e Eduardo Bolsonaro (PL), Pablo Marçal (PRTB) e Tarcísio de Freiras (Republicanos), todos com 34%, entre os mais cotados.

Mais de um terço vota em quase qualquer nome da direita sociomidiática ou bolsonarista a fim de derrotar Lula (são quase 43% dos “votos válidos”). Lima e Marçal valem quase quanto pesam Eduardo e Tarcísio.

JOGOS HABITUAIS – A revolução cultural e política continua, pois. Pode ter mais impulso a depender do destino de Trump, de direitas em ascensão no mundo e até de Javier Milei.

O que vai ser desse cenário depende mais dos jogos habituais da política nacional. O que será de Jair Bolsonaro? Em tese, deve haver o julgamento do processo da tentativa de golpe de 2022-23 e a concomitante ação da bancada da anistia.

 A política politiqueira e a elite econômica ainda estão desorientadas. Ao longo de 2023, houve tentativa de ricos de colocar Tarcísio na ribalta. O plano não embalou pela dificuldade de calcular o risco que ainda é enfrentar Lula e até pela indefinição do que será dos Bolsonaro.

MAIS DÚVIDAS – Como Lula vai acomodar o centrão no governo (e como vai fazer para pagar emendas, pelas novas regras e com menos dinheiro)? Com qual resultado? Vai apenas evitar danos ou conseguirá um mínimo de articulação com vistas a 2026?

Há a “economia”, o que quer dizer várias coisas. Será muito difícil reduzir o desgosto com a inflação. Em cinco anos, o preço dos alimentos subiu mais (pouco mais de 60%) do que o salário (pouco mais de 40%), achatando o restante do poder de compra, em especial o dos mais pobres (metade do país).

Sob Lula, até o início de 2024, essa distância começava a diminuir (a inflação anual da comida caía então a 0, o salário médio aumentava perto de 4% ao ano). A coisa desandou ao longo do ano passado.

ECONOMIA LERDA – Para 2025, a previsão é de que a inflação de alimentos desacelere pouco; o salário médio vai crescer mais devagar, com economia mais lerda. Hum.

Lula pode conseguir aprovar a isenção de IR de quem ganha até R$ 5mil por mês sem causar tumulto fiscal e seus efeitos colaterais graves, mas é incerto até se tal sucesso vai conseguir virar muitos votos naquela classe média majoritariamente direitista.

São assuntos que devem ter efeito no prestígio de Lula, em sua candidatura e na organização da direita da política politiqueira. Mas Gusttavo Lima vem aí, seja como for.