É preciso haver interesses em comum, para que maiorias não subjuguem minorias

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Charge do Guabiras (Arquivo Google)

Eduardo Aquino
O Tempo

Existe uma desenfreada busca pelas diferenças entre nós, seres humanos. Aliás, sejamos óbvios desde sempre. Cor de pele sempre foi motivo de discriminação, opressão, humilhação e uma série de preconceitos indizíveis. Assim vale para raça, crença ou gênero. Maiorias subjugam minorias, diferenças que, extremadas, dizimaram nosso pequeno e turbulento planeta em ferozes e inconsequentes conflitos.

Temos um olho clínico crítico e certeiro para apontar e atirar contra os que são diferentes de nós. Estranho, pois, ao mesmo tempo, achamos determinados aspectos diferentes, exóticos bem atraentes. Mas, no geral, formamos grupos que combatem outros que consideramos uma ameaça a nosso estilo, cor, crença, status social ou coisa que valha.

SUBDIVISÕES – O problema é que fomos criando uma série de subdivisões no normal, tal qual a medicina foi inventando especialidade dentro de especialidade, e, muitas vezes, perdemos a noção do todo. Ou seja, somos todos seres humanos. Mas, dependendo do lugar a que se vai, parece mais o filme “Guerra nas Estrelas”, cheio de ETs.

A globalização, o universo internáutico, as redes, os multimeios interligaram tribos impensáveis décadas atrás: supremacistas, coprofílicos, fazedores de explosivos, clubes de leitores de línguas mortas e outras excentricidades que, incrivelmente, são universais.

Mas, nestes tempos em que cada um cuida de si e ninguém por todos, respeitando sem entender a hipnose das telas e as cavernas dos quartos, vejo-me observando um artigo raro e que dará muito Ibope lá na frente. Eu me refiro à capacidade de ser comum. É um dom incrível conseguir sê-lo em tempos de tanto tribalismo e de tanta radicalização. Sem esquecer a especialização, é lógico.

COISAS EM COMUM – Por exemplo: ter coisas em comum com filhos adolescentes, com pessoas de todas as idades, conseguir conversar animadamente com qualquer tipo de pessoa, contar um caso numa festa familiar e ser ouvido pelo avô, pela filha, pelo neto e pelos convidados sem ninguém usar o smartphone, conviver bem com todas as pessoas do trabalho, independentemente da função, da idade, da formação.

Esses desafios só podem ser superados por pessoas incrivelmente comuns! Vejam: comunicação, comunhão de ideias, vida comunitária têm exatamente a palavra comum em sua composição. A receita é tão óbvia que chega a ser constrangedora: respeitar as diferenças e buscar o que temos em comum são o que mais precisamos para resgatar um mínimo de convívio humano. Pois a doença mais comum é afetiva. Somos carentes de alegria, afago, relaxamento, carinho, compreensão, escuta, prazer. Desperte e pratique o jeito comum de ser. O extraordinário deixe para sonhar ou aplaudir.

Teixeira diz que não tem medo de ser preso, mas não vai aos EUA de jeito algum…

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Se sair do Brasil, Teixeira será preso pela Interpol

Sérgio Rangel
Folha

Presidente da CBF por duas décadas até 2012, Ricardo Teixeira foi acusado por delatores na Justiça dos Estados Unidos de ter recebido propina na venda de direitos comerciais da entidade. Investigado em pelo menos quatro países (EUA, Espanha, Uruguai e na Suíça), o cartola de 70 anos se diz inocente e nega ter recebido dinheiro irregularmente.

Desde 2015, quando o FBI tornou público a investigação por corrupção no futebol, Ricardo Teixeira nunca mais deixou o Brasil.

O ex-comandante da CBF afirma que o empresário J.Hawilla, seu ex-amigo e principal delator nos EUA, disse, na segunda-feira (4), que pagou ao ex-presidente da entidade pelo menos US$ 10 milhões em propina.

Hawilla também acusa o cartola de receber propina pela venda da Copa do Brasil em 2013. Segundo o empresário, Teixeira, José Maria Marin, presidente da CBF na época, e Marco Polo Del Nero, atual comandante da entidade, dividiam R$ 1,5 milhão em propina por edição até 2022.

Hawilla apresentou áudios no julgamento de Marin em que negocia com o dono da Klefer, o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite, supostas propinas para o ex-presidente da CBF.

PERGUNTA – Hawilla disse que pagava propina ao senhor para a seleção disputar os torneios com o time titular.

RICARDO TEIXEIRA – Isso não existe. Tenho o contrato aqui [mostra os documentos]. Ele deve estar falando disso [mostrando o contrato da Copa América de 2004, disputada no Peru]. Aqui tem um aditivo, que mostra que a Traffic pagou a CBF uma cota suplementar de US$ 1,5 milhão para a seleção disputar “os jogos do evento com os melhores jogadores profissionais disponíveis”. No dia 28 de julho daquele ano, o dinheiro foi parar na conta da CBF no Banco Rural. Foi depositado R$ 4,527 milhões na conta da CBF. Naquele ano, a seleção ainda disputou o torneio com alguns reservas [Roberto Carlos e Cafu foram poupados por Parreira e Ronaldo cortado].

P – Hawilla diz que o senhor era beneficiário de propina para a compra de direitos econômicos da Copa do Brasil e que continuou ganhando mesmo depois de sair da CBF.

RT – Isso começa na Copa América de 2011, quando a Traffic perde o contrato do torneio e decide entrar na Justiça contra todas as dez federações do continente. Quando eles fizeram isso, a Conmebol exigiu que todos as confederações rompessem com a Traffic. A empresa tinha com a CBF o contrato da Copa do Brasil e o televisionamento da seleção. Chamei o Kleber [Leite, dono da Klefer e ex-presidente do Flamengo], e ele me deu 20% acima do que a Traffic me pagava em dólar pela Copa do Brasil. Não consigo entender essa lógica. Eu rescindo o contrato e a Traffic continua me pagando comissão por contrato. Isso tem lógica?

P – A lógica dele é que o senhor manteve a estrutura de poder. Colocou o José Maria Marin no seu lugar [pelo estatuto da CBF, o vice mais velho assume o poder em caso de renúncia]. Tem também a gravação de conversa do Hawilla e do Kleber Leite discutindo o valor da propina ao senhor.

RT – Isso é o que ele justifica. Eu rescindi o contrato com ele e passei o negócio para a Klefer. Mais na frente, a Klefer acertou com a Traffic uma parceira no contrato. Não tenho nada com isso. Já estava fora da CBF desde 2012. Como vou romper o contrato e ganhar comissão? Isso não existe. É ridículo.

P – Como encara o depoimento da Hawilla, parceiro da CBF por anos, dizendo que o senhor recebeu milhões em propina?

RT – Ele está completamente descompensado e quer solucionar o problema dele. Olha a carta que a Traffic mandou para a Klefer em 2015 [após as prisões na Suíça]. Nela [mostrando o documento], a Traffic diz que o senhor J.Hawilla está fora da empresa. Fala que a empresa desconhece o teor da delação nos EUA e diz que quer retomar a parceria com a Klefer. A carta é assinada pelo filho dele, o Stefano de Menezes Hawilla.

P – O senhor é acusado por outros depoentes de receber. Quanto o senhor ganhou em propina?

RT – Nunca recebi propina.

P – A Justiça do Rio está apreciando um recurso do senhor contra o Banco do Brasil. O pedido é para que o banco aceite receber cerca de US$ 22 milhões que estavam na conta de um banco em Mônaco.

RT – Foi um dinheiro que fiz no Brasil, declarado no meu Imposto de Renda. Essa quantia foi transferida oficialmente para o exterior, quando fui morar fora [após renunciar em 2012]. Tenho a entrada dele também na CBF. Eu mandei esse dinheiro para [o banco em Mônaco] quando fui morar nos EUA. Estou de volta ao Brasil e quero de volta.

P – Por que o Banco do Brasil não quer receber?

RT – Não é isso. Eu já trouxe um monte [de dinheiro]e vou trazer mais esse restante. É minha única conta no exterior.

P – E a origem do dinheiro dessa conta?

RT – Era o dinheiro que ganhava aqui. Eu recebia também da Fifa no Brasil [o cartola foi presidente do Comitê Organizador da Copa e integrante do Comitê Executivo da Fifa]. Eu trazia esse dinheiro para o Brasil, colocava no Imposto de Renda e botava no caixa. Foi dinheiro também da venda de casa nos EUA.

P – O senhor já recebeu dinheiro da TV Globo para facilitar na venda dos direitos?

RT – Nunca. Não acredito nisso. Isso é mais uma mentira. Não tenho procuração da Globo, mas isso não existe. Digo mais. Todas vez que participei de reuniões da Globo na Fifa, eles nunca nem me pagaram passagem. Ia com a passagem paga pela CBF.

P – Del Nero diz que nunca recebeu propina e alega que os contratos suspeitos foram assinados pelo senhor ou pelo Marin.

RT – Esses contratos foram realmente feitos na minha gestão e foram reformados por ele. Não sei como foi feito, nunca voltei à sede da CBF.

P – Vários dirigentes do continente admitiram que receberam propina. Apenas o senhor, o Del Nero e o Marin seguem negando.

RT – Chega um momento que você se cansa de falar as coisas. Teve um argentino [Alejandro Buzarco, da Torneos y Competencias] que disse que me pagava propina. Nunca vi esse cara. Isso não existe. E depois tem outra. Me deu a comissão? Mostra. Diz o banco. Diz a data. Manda o governo americano mostrar o papel. Agora, o Hawilla disse que mandou dinheiro em meu nome para contas bancárias em Hong Kong e Jerusalém. Nunca tive nada nesses países. Me mostre esse dinheiro.

P – O senhor pensa em fazer uma delação nos EUA?

RT – Delação de que?

P – Mas não pretende nem esclarecer essa situação com os promotores? O senhor nunca mais deixou o Brasil, assim como Marco Polo Del Nero, presidente da CBF.

RT – O meu caso é um pouco diferente. Se der um ziquizira com o meu transplante [renal], vou ter problema para resolver. Por isso, prefiro ficar aqui. E também não quero me aborrecer [nos EUA]. Mas não vejo problema, tenho duas filhas que moram nos EUA.

P – Em junho, o senhor disse que tudo que o “acusam no exterior não é crime no Brasil”. Qual crime o senhor acredita que cometeu?

RT – Me expressei mal. Eu digo que comissão privada não é crime. Pergunta a qualquer advogado brasileiro.

P – Mas o senhor recebeu?

RT – Não. Isso é irrelevante.

E meio a pedidos de intervenção militar, onde está a nossa “Casa dos Espíritos”?

Resultado de imagem para a casa dos espiritosAntonio Rocha

O ótimo filme “A Casa dos Espíritos”, inspirado no romance de mesmo nome da escritora chilena Isabel Allende (dizem que era prima do então presidente Salvador Allende e se refugiou nos EUA), é muito bom e me vem à mente, quando tanto se fala em intervenção militar.

O filme narra, em parte, a vida de um senador de direita que apóia a intervenção militar no governo do socialista Allende. Vem o golpe e Pinochet instala-se nos Poderes. A filha do senador é presa pelos militares, pois era esposa de um esquerdista que, o próprio senador ajuda a refugiáa-lo na Embaixada do Canadá, pois já havia um neto que encantava o parlamentar.

SEU TEMPO ACABOU – O senador vai ao Ministério da Defesa tentar libertar a filha, que após apanhar muito é solta na periferia da cidade. Mas significativo mesmo é o diálogo quando o senador é recebido na recepção do Ministério por um subalterno que, entre outras coisas, mais ou menos diz assim:

– O Ministro sou eu, somos nós os militares. Por enquanto, nós ainda aturamos vocês, civis, mas isso passa logo. Nós chegamos para ficar, o seu tempo acabou, pode sair.

O duplo sentido da expressão “o seu tempo acabou” é muito importante. Claro que eu sei que os tempos são outros. Mas também sei que a História pode se repetir, parecidamente. E a “Casa dos Espíritos” era a mansão do senador.

E AQUI NO BRASIL? – Então, eu fico pensando, no caso atual do Brasil. Onde está a “Casa dos Espíritos” na atual fase de nosso país. Como o nosso território é muito grande, temos mais de uma “Casa dos Espíritos”?

E o senador? Quem será?  A Nação, pelas suas dimensões geográficas será a futura “Mansão dos Espíritos”? Fantasmas a esmo, perambulando na residência vazia?

Os eleitores que nos respondam.

Supremo reservou julgamentos mais polêmicos para a semana antes do recesso

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Renan Ramalho
G1, Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) deixou para a última semana antes do início do recesso julgamentos polêmicos e relacionados ao combate à corrupção. Na próxima quarta-feira (13), a sessão de plenário, reunindo os 11 ministros, começará pela manhã, podendo se estender durante a tarde, para analisar ao menos três casos.

O primeiro deles é um recurso apresentado pela defesa do senador Ivo Cassol (PP-RO) contra condenação que sofreu em 2013 por fraude a licitações. O resultado do julgamento poderá obrigar o parlamentar a começar a cumprir pena, provavelmente em regime semiaberto, de 4 anos e 8 meses de prisão.

DELAÇÕES PREMIADAS – Na mesma sessão, o plenário analisa ação da Procuradoria Geral da República (PGR) para proibir a Polícia Federal de negociar delações premiadas. Se a permissão for confirmada, como já prevê a lei, deverão começar a andar os acordos de colaboração do marqueteiro Duda Mendonça e a de Marcos Valério, operador do mensalão do PT.

A pauta ainda prevê análise de pedidos de políticos do PMDB para suspender o andamento da denúncia na qual foram acusados com o presidente Michel Temer por organização criminosa e obstrução de Justiça. As acusações contra o ex-deputado Eduardo Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima foram enviadas para o juiz Sérgio Moro.

O STF também pode analisar na semana pré-recesso pedidos de liberdade do empresário Joesley Batista, dono da J&F, e de Ricardo Saud, executivo do grupo. No mesmo julgamento, os ministros poderão discutir a suspensão da delação premiada que fizeram com a PGR, pela suposta omissão de ajuda do ex-procurador Marcello Miller.

ADIAMENTO – O mais provável é que parte desses julgamentos fique para a sessão de quinta-feira (14) ou mesmo para o dia 19, última sessão do ano no plenário para encerramento dos trabalhos. O recesso começa no dia seguinte e vai até o início de fevereiro. Nesse período, questões urgentes passam a ser decididas pela presidente da Corte, Cármen Lúcia.

Provavelmente ficará para o ano que vem a decisão sobre a possibilidade de assembleias legislativas derrubarem prisões de deputados estaduais ordenadas pela Justiça. Já existem 5 votos para limitar esse poder, mas o julgamento, iniciado na última quarta (6), foi suspenso para aguardar a volta dos ministros Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, em viagem e licença médica, respectivamente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGColocando os temas mais importantes às vésperas do recesso, é claro que fica mais fácil adiá-los. Apenas isso. (C.N.)

Nessa obscura reforma da Previdência, perguntar não ofende…

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Charge do Mariano (Charge Online)

Aldemario Araújo Castro
Diário do Poder 

O governo Temer-Meireles-Padilha, mergulhado em corrupção, transpirando fisiologismo e completamente entregue aos mais mesquinhos interesses do mercado, notadamente financeiro, insiste na aprovação de uma draconiana Reforma da Previdência.

Ninguém em sã consciência rejeita de forma absoluta e apriorística a realização de ajustes e mudanças na Previdência Social. O aumento da expectativa de vida da população, algo muito salutar, diga-se de passagem, e distorções nos vários regimes previdenciários indicam a conveniência, ou mesmo a necessidade, de alterações nessa seara.

HÁ DÚVIDAS – Duas questões, entretanto, são fundamentais num processo de alteração das regras previdenciárias (numa visão mais restrita) ou das regras da Seguridade Social (num enfoque mais amplo): a) até que ponto as mudanças são necessárias e b) a partir de que ponto as reformas são excessivas e representativas de desnecessárias fragilizações de direitos (abrindo espaço para a atuação de poderosos interesses da previdência privada).

Impõe-se, portanto, um debate profundo, responsável, plural e sereno em torno dessas questões tão sensíveis. A postura governamental, particularmente na sua propaganda institucional, passa longe, muito longe, daquele padrão adequado, democrático e republicano de tratamento do assunto. Aposta, o discurso oficial, na construção artificial de um cenário apocalíptico para as contas públicas e na imputação indiscriminada, irresponsável e injusta de privilégios para o conjunto do servidores públicos (pintados como verdadeiros demônios aproveitadores na forma de gente).

AS PERGUNTAS – Esse quadro sugere uma série de questionamentos de extrema importância. Entre outras indagações, as seguintes perguntas devem ser postas:

a) cerca de 500 bilhões de reais, entre 2006 e 2015, foram desviados da Seguridade Social em função da Desvinculação de Receitas da União – DRU. Se a Seguridade Social era (e é) deficitária por que valores bilionários, a princípio destinados exclusivamente a ela, foram (e são) desviados para outras finalidades?;

b) se a Seguridade Social era (e é) deficitária por que desonerações e perdões tributários se sucedem com benefícios cada vez maiores (as renúncias de receitas tributárias realizadas e projetadas, entre os anos de 2010 e 2018, alcançarão o montante de aproximadamente 500 bilhões de reais)? Não seriam esses os verdadeiros privilégios a serem combatidos e revertidos?;

c) se a Seguridade Social era (e é) deficitária por que não são adotadas medidas enérgicas de gestão voltadas para o combate à sonegação (no patamar de 500 bilhões de reais por ano), ao planejamento fiscal, às fraudes previdenciárias, à informalidade no mercado de trabalho e para recuperação, em patamares mais efetivos, da Dívida Ativa da União (atingiu a cifra de 1,84 trilhão de reais ao final de 2016)?;

d) se o objetivo da Reforma da Previdência é combater um suposto déficit, privilégios inaceitáveis e implantar a “igualdade previdenciária”, por que os militares não são alcançados pelas medidas?;

e) o governo, a grande mídia e o mercado estão alinhados na defesa da implementação dessa Reforma da Previdência. Os interesses perseguidos por esses setores são os mesmos da grande maioria da população brasileira?;

f) temos, infelizmente, quase 13 (treze) milhões de brasileiros desempregados, com fortíssimo impacto na arrecadação previdenciária. Por que esse dado não é tratado como uma das principais razões para as dificuldades previdenciárias? Por que esse dado não é indicativo de uma dificuldade momentânea ou conjuntural das contas previdenciárias?;

g) por que a propaganda oficial e da grande imprensa não aponta os tetos das contribuições quando compara os tetos dos benefícios previdenciários do regime geral e do regime próprio de previdência social (o atual teto mensal de contribuição de 608 reais do regime geral não existe para o servidor público mais antigo)? Por que não se divulga que o servidor público inativo e seu pensionista pagam contribuição para a previdência e esse recolhimento não existe no regime geral (para o trabalhador do setor privado)?;

h) por que a propaganda oficial e da grande imprensa não informa que as últimas reformas previdenciárias promoveram a convergência dos regimes geral (do trabalhador do setor privado) e próprio (do trabalhador do setor público federal)? Afinal, o teto para pagamento de benefícios já é o mesmo. As regras de cálculo da aposentadoria também são as mesmas. Os direitos à paridade e integralidade dos servidores públicos deixaram de existir;

i) por que a União não criou os fundos para assegurar recursos para o pagamento de proventos de aposentadorias e pensões dos setores público e privado, conforme estabelecido na Emenda Constitucional n. 20, de 1998?;

j) por que não se divulga que o regime próprio dos servidores públicos, em função das mudanças realizadas nas últimas reformas, ingressou num quadro de equilíbrio, consoante aponta relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), produzido no Processo TC-001.040/2017-0?;

k) por que não existem explicações claras e convincentes para as idades mínimas de 65 e 62 anos? Por que as mais variadas realidades regionais e laborais são “escondidas” em idades mínimas únicas?;

l) por que a propaganda oficial e da grande imprensa insistem em apontar, erroneamente, os gastos com a Previdência Social como maiores nas contas públicas e “esquecem” do pagamento de juros da trilionária dívida pública (cerca de 511 bilhões de reais em 2016)?;

m) por que o debate acerca da situação financeira da Previdência Social, e mesmo da Seguridade Social, está limitado aos aspectos estritamente fiscais da economia e desconsidera aspectos monetários, cambiais e creditícios até mais relevantes, como formação de reservas monetárias (atingiu a marca de 380 bilhões de dólares ou 1,2 trilhão de reais), operações compromissadas (ultrapassou, em dezembro de 2016, a impressionante cifra de 1 trilhão de reais), operações de swap cambial e serviço da dívida pública (cerca de 511 bilhões de reais de juros em 2016)?;

n) por que a Constituição é desconsiderada quando aponta, em seu artigo sétimo, que a melhoria da condição social dos trabalhadores urbanos e rurais deve ser efetivada com a consolidação e ampliação de direitos sociais, e não, com a limitação ou eliminação desses?;

o) por que o governo insiste em tratar a Previdência Social (e a Seguridade Social) de forma isolada? Por que não merecem a devida atenção as profundas relações desse setor com os gravíssimos problemas de segurança pública, a violência no trânsito, as condições de trabalho que resultam em acidentes, invalidez e afastamentos por doença, a precariedade do sistema de saúde, o sistema educacional (como fator de prevenção de ocorrências gravosas), as crônicas deficiências em políticas públicas, notadamente no campo do transporte coletivo, esporte, cultura e lazer e a efetiva adoção de políticas econômicas promotoras do desenvolvimento nacional, da erradicação da pobreza e do fim da marginalização social?

SEM RESPOSTAS – A ausência de respostas, respostas parciais ou nitidamente equivocadas para esses e outros questionamentos relacionados com a Reforma da Previdência demonstram o seu caráter elitista (contrários aos interesses populares) e os escusos interesses socioeconômicos que pretende realizar.

Os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, em especial a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, onde a melhoria contínua das condições de vida da imensa maioria da população decorra da consolidação e da ampliação de direitos sociais, não são compatíveis com o deletério movimento patrocinado por Temer, Meireles e Padilha em torno da atual Reforma da Previdência. (artigo enviado por João Amaury Belem)

Reforma da Previdência já se transformou no maior argumento eleitoral

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Providencialmente para o governo Temer, a reforma da Previdência se transformou no tema central da campanha presidencial que já começou, mesmo que indiretamente. Depois de tempos patinando sem encontrar argumentos políticos convincentes de mobilização de sua base para a aprovação do projeto, o governo ganhou inesperadamente o argumento que faltava: PT e PSDB, cada qual à sua maneira, se colocam contra a reforma, aquele escancaradamente, este subrepticiamente, porque receiam que a reforma alavanque a economia, levando água para o moinho governista.

Essas atitudes partidárias de potenciais adversários estão convencendo a base governista na Câmara de que talvez o risco imediato de desagradar eleitores se transforme em trunfo de médio prazo, fazendo com que governistas disputem a eleição em condições econômicas favoráveis, com desemprego em baixa e investimentos em alta.

PRIVILÉGIOS – O discurso do combate aos privilégios está ganhando apoio na opinião pública, informam pesquisas internas, e as corporações de servidores públicos que se colocam contrárias à reforma não são, em sua maioria, eleitores dos partidos do centrão, e sim do PT, que deu continuidade à reforma previdenciária iniciada no governo de Fernando Henrique e engavetou-a para não trombar com os sindicatos.

O PSDB, que tem historicamente compromisso com as reformas e as privatizações, está correndo o risco de cometer o mesmo erro de 2006, quando o então candidato presidencial Geraldo Alckmin se abraçou às estatais para se livrar da pecha de privatista lançada pelo PT.

ÂNSIA DE VOTOS – Agora, parte do partido já não representa um setor modernizador homogêneo da sociedade, contra os privilégios, mas busca o apoio desses mesmos privilegiados, numa equivocada ânsia de votos onde não é bem visto, pelas suas virtudes, das quais abre mão para cultivar defeitos.

Verdade seja dita, o governador Geraldo Alckmin mantém o discurso a favor da reforma da Previdência. Só não tem força para fechar questão, diante da reação de um grupo minoritário. Dependendo do tamanho dessa dissidência, pode ser que o partido se reencontre com seus valores.

O governo, enfim, encontrou uma linguagem efetiva para reunificar sua base partidária, colocando na mente de seus apoiadores a dúvida cruel: se não aprovarem a reforma, quem ganhará é o PT, que a combate, e não necessariamente os governistas. E a conseqüência será a piora da economia, fazendo com que a oposição chegue à eleição reforçada.

APERTAR O CINTO – O governo terá que apertar o cinto mais fortemente para compensar a repercussão negativa da derrota. Se a reforma da Previdência for aprovada, e a economia pegar ritmo de crescimento, os beneficiados serão os governistas. Não votar, portanto, não é uma opção para quem está no barco do governo, incluindo nesses até mesmo os que votaram a favor da continuação das investigações contra Temer.

Tratados em conseqüência como inimigos a serem destruídos, estão sendo aceitos de volta ao ninho governista, mesmo que com ressalvas.Voltaram a receber benesses, mesmo que em medida menor que os fiéis. Neste fim de semana está sendo decidido se é possível votar a reforma na semana de 18, ou se a dificuldade persistente obrigará a adiar o esforço.

Nesse caso, a decisão é marcar a votação para o dia 2 de fevereiro, na volta do recesso. Assim o governo teria mais de um mês para trabalhar as dissidências que ainda resistem. A volta do recesso pode ser benéfica, se o deputado constatar na sua base que o bicho não é tão feio quanto parece. Mas há o risco de muitos desistirem, se sentirem de perto a rejeição à reforma da Previdência.

Biografia mostra que Frank Sinatra foi chefão em tudo o que fez na vida

Hildeberto Aleluia

“Sinatra – o chefão” é o título do segundo volume da última biografia do cantor Frank Sinatra. Escrita pelo jornalista americano James Kaplan e com 1.211 páginas. trata-se de uma obra-prima em matéria de biografias. Lançada no Brasil pela Editora Cia das Letras em 2015. é leitura obrigatória para quem deseja entender com profundidade o que foi os Estados Unidos no Século XX. Não que o autor se arvore em sociólogo. Mas explica e prova com fatos e versões como Sinatra foi o mais significativo filho das contradições americanas do século passado. O livro mostra que ele passou por todas. Venceu todas. Mostra também como ele se tornou o maior ícone americano até nossos dias.

Como diz a orelha do livro: “Quando James Kaplan publicou “Frank: a voz”, o primeiro volume de seu ambicioso projeto sobre um dos personagens centrais da cultura popular do século XX, só admiradores do artista norte-americano sabiam que estavam diante de um empreendimento majestoso”.

OUTROS ENREDOS – A história da ascensão de Frank Sinatra (1915-1998) no primeiro volume apresenta uma série de outros enredos: o nascimento da cultura de massas, a vida boemia nos cassinos e nigthclubs, o apogeu e o lento declínio do rádio, a explosão da TV e o culto à celebridade.  Nesse volume segundo, Kaplan se dedica ao mito em pleno processo de entronização em “chefão” tendo como ponto de partido sua ressurreição após o Oscar ganho por seu desempenho no filme A Um Passo da Eternidade.

“Uma vida movimentada como poucas no showbiz de qualquer época: gravações de inúmeros álbuns e singles, quatro ou cinco filmes por ano, shows na TV, a fundação da própria gravadora e negócios dos mais diversificados. Surge um Sinatra cada vez implacável em suas decisões e insaciável em seus muitos apetites“, lembra o autor.

PARA DAR ERRADO – Frank Sinatra nasceu com tudo para dar errado na vida. Mesmo depois que deu certo e venceu, sua carga pesada de origem pobre e humilhante se refletiria em sua carreira e o deixaria arruinado ao final dos 40 anos de vida. Obstinado e dotado de um senso agudo para sua vida profissional, consegue reerguer-se dar a volta por cima e se tornar o maior mito do showbiz mundial.

Juntou num único caldeirão todo o seu talento de cantor, ator, improvisador e com muita sagacidade soube captar em que medida, onde e quando poderia usar seu talento para embevecer o publico. Aprendeu apanhando. Ao perder tudo, lhe restou a voz, a possibilidade de fazer de novo e corrigir sua imensidão de erros. E assim foi.

Toda essa trajetória está muita clara e muito bem descrita no final do primeiro volume da obra de Kaplan e no começo no segundo volume.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Na página 596 ficamos tendo a real importância de sua influência. O Secretario de Imprensa da Casa Branca, Pierre Salinger, ligou para ele em Palms Springs, na Califórnia, e lhe deu em primeira mão o anúncio do bloqueio a Cuba. Um gesto que impressiona para quem havia se afastado do governo Kennedy. E é digna de atenção toda a parte do livro em que o autor narra o assassinato do Presidente Kennedy.

Nada indica que Sinatra esteve envolvido com o assassinato em si. Mas quanto às manobras e razões que levam ao desfecho da carreira do jovem presidente americano, a narração é límpida, os fatos incontestáveis e a conclusão lógica pela leitura é digna de uma astúcia de literatura ficcionista. Os fatos estão expostos com uma propriedade assustadora. Mas Sinatra se sai bem do episódio.

Quem leu ou viveu o período encontrará a resposta para aquilo que a polícia americana, por décadas, não forneceu. No livro não resta nenhuma dúvida que foi a máfia a autora do assassinato. Toda a trama está descrita em minúcias.

MUDOU DE LADO – A incursão de Sinatra pela política, primeiro foi para eleger políticos do Partido Democrata, inclusive o Presidente Kennedy. Mais tarde mudou de lado e abraçou a causa republicana, ajudando a eleger seus políticos inclusive o presidente Ronald Reagan. Se meteu novamente com a máfia não por interesses políticos, mas para colocar o pé no milionário negócio dos cassinos. Mas isso é outra história.

Ao final da leitura desse segundo volume, fica-se com a convicção que o talento do Sinatra foi muito além de cantar e representar. Triunfou nos negócios e na política, criando e moldando seu próprio nome, que nunca foi Francis Albert Sinatra. Mas morreu como tal.

Ao longo da vida foi escolhendo o que mais lhe convinha para seu êxito. A partir do soerguimento de sua carreira passou a escolher seu próprio repertório, ditar como queria os arranjos musicais e quem seriam os arranjadores. Ouvia os clássicos de Bellini, Debussy, Donizeth e muitos outros de onde extraia inspirações para acrescentar nos arranjos. Criou suas empresas para distribuir seus produtos e depois vendeu-as faturando milhões de dólares.

P.S. – Trata- de uma vida tão rica que merecerá mais um artigo.

Na cultura Guarani, o bispo seria um pobre, e o papa, um mendigo

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O Tempo

Há uma crise generalizada acerca do poder e de seu exercício, uma crise sistêmica, vale dizer, a percepção de que o modo como entendemos o poder e seu exercício, em todos os âmbitos da realidade, não nos faz melhores. Vivemos quase sempre sob formas degeneradas, burocráticas, patriarcais, autoritárias, senão ditatoriais. Max Weber, um dos grandes teóricos do poder, deu-lhe uma definição que tomou como referencia seu lado patológico, e não seu lado sadio. Para ele, poder é fazer com que o outro faça aquilo que eu quero.

Por que não entender o poder como expressão jurídica da soberania popular, poder compartido e servicial? O ético desse poder consiste em reforçar o poder do outro para que ninguém se sinta sem poder, mas participante das decisões que afetam a todos.

CHEFE DA TRIBO – Em tempos de crise, convém revisitar outras formas de exercício de poder que nos ajudem a superar o pensamento único. Penso aqui na forma como os Guarani entendiam o poder e seu portador, o chefe da tribo.

Um pesquisador francês, Louis Necker, nos traz um relato impressionante acerca desse tema: “Índios Guaranies y Chamanes Franciscanos: las Primeras Reducciones del Paraguay”. Permito-me transcrever alguns tópicos ilustrativos de outro tipo de exercício de poder.

O chefe não tinha poder de coerção. Seus ‘súditos’ aceitavam sua autoridade e sua preeminência só na medida das contraprestações que recebiam dele. O chefe dirigia os empreendimentos comunais…. Tinha um privilégio: a poligamia (para ajudá-lo nas muitas tarefas). Mas, por sua vez, tinha obrigações bem precisas, cuja não execução podia significar-lhe o abandono de seus súditos: conduzir a política exterior do grupo, tomar decisões em matéria econômica, repartir com justiça entre as famílias os lotes de terreno, manter a paz no grupo e muitas vezes ter qualidades de xamã, úteis ao grupo, como o poder de curar ou o controle das forças sobrenaturais. Era muito importante que o chefe fosse eloquente. E, sobretudo, devia ser generoso. Para conservar o poder, o chefe devia fazer presentes de bens, de serviços, de festas… Na selva, essa obrigação podia ser tão pesada que o chefe se via obrigado a trabalhar mais que os outros e a renunciar quase a toda posse para si mesmo. É papel do chefe dar tudo o que se lhe pedissem: em algumas tribos se pode reconhecer o chefe na pessoa que possui menos que os outros e leva os ornamentos mais miseráveis”.

O poder da Igreja – O cristianismo não escolhe a cultura na qual vai se encarnar. Encarna-se naquela que encontra. Assim fez com a cultura do judaísmo da diáspora (judeus que viviam fora da Palestina), com o judaísmo palestinense, com a cultura grega da Ásia Menor e com a cultura imperial romana. Desta encarnação nos veio o atual cristianismo com suas positividades e limitações.

A Igreja romano-católica assumiu um estilo de poder, não pregado por Jesus, mas dos imperadores, um poder absoluto carregado de símbolos que subsistiram nos papas até Francisco. Ele se despojou deles, renunciando especialmente à famosa “mozetta”, aquela capinha nos ombros carregada de ouro e prata.

EXEMPLO DE FRANCISCO – O papa seguiu os passos do “poverello” de Assis e foi morar onde vão se hospedar os bispos e padres que chegam a Roma.

Que tal se o cristianismo, em vez de lançar raízes na cultura ocidental greco-latina e depois germânica, tivesse assumido a forma Guarani de exercício de poder?

Então, encontraríamos os padres, paupérrimos, os bispos, miseráveis, e o papa, um mendigo. Trabalhariam incansavelmente a serviço dos fiéis. Sua marca registrada seria a generosidade sem limites.

Bolsonaro se tornou ‘ideia poderosa’, dizem aliados de Lula, muito preocupados

PT faz pesquisas sobre o eleitorado de Bolsonaro

Deu no Painel da Folha

No mapa da guerra sucessória, a consolidação de Jair Bolsonaro na segunda colocação das pesquisas sobre a disputa de 2018 fez com que o PT encomendasse uma série de levantamentos para decifrar o potencial daquele que, ao menos por enquanto, desponta como o principal rival de Lula. Os petistas admitem que “a ideia que ele representa” tornou-se poderosa com a agudização da crise: uma pauta moral, com apelo entre evangélicos e cuja bandeira do combate à violência a qualquer custo é o abre-alas.

O mapeamento encomendado pelo PT inclui pesquisas qualitativas, quantitativas e análises de redes sociais. Os dados mostraram Bolsonaro com força no Rio e em Estados com tradição no agronegócio. Seu eleitor é engajado e está alheio a qualquer estrutura partidária.

RADICAIS LIVRES – Bolsonaro conta com uma rede de divulgadores que se dispõe a tirar dinheiro do próprio bolso para organizar atos e fazer propaganda das plataformas dele. O estudo indica que a base do deputado tem capilaridade em diversos setores vinculados à segurança.

Para se contrapor a Bolsonaro, que colocou o pé na estrada e vai ao Amazonas nos dias 12 e 13 de dezembro, a direção petista está à procura de um projeto para a redução da violência que tenha efetividade, mas não esbarre no autoritarismo.

Algumas propostas de Lula para a área econômica estão praticamente fechadas. Ele defenderá a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000. Para aliados do ex-presidente o impacto na arrecadação será pequeno e a medida ampliará o poder de compra de fatia expressiva da população.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já assinalamos aqui diversas vezes aqui na “Tribuna da Internet”, a candidatura de Bolsonaro é fortíssima, porque estará no segundo turno com Lula ou sem Lula. A grande dúvida da eleição é saber quem vai para o segundo turno contra Bolsonaro. Apenas isso. (C.N.)

Este será mais um Natal da Fome para o servidores públicos do Estado do Rio

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Rebeca Letieri
Jornal do Brasil

O trabalhador de carteira assinada, a esta altura, já deve ter recebido, ou tem até o dia 20 deste mês para receber, o 13º salário de 2017. Já os 227 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro não receberam nem o 13º do ano passado. São mais 350 dias sem o benefício e quase dois anos vivendo de atrasos no pagamento. Além disso, muitos ainda estão sem receber os salários de outubro e novembro.

O governo do estado depositou, na última quinta-feira (7), os salários de quem recebe até R$ 4.428 líquidos, correspondentes a setembro. O total é de R$ 249,9 milhões, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda. Entretanto, a situação ainda parece estar longe de ser normalizada.

DÍVIDAS COM JUROS – “Temos pleiteado junto ao governo um pagamento de juros desse valor, porque todas as nossas dívidas, que acumulamos ao longo desse tempo, foram pagas com juros. Tem servidor sendo despejado, com a luz cortada, e até doente”, disse Mesac Eflain, presidente da Associação dos Bombeiros e um dos Coordenadores do Muspe (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais).

Depois do pagamento desta quinta-feira, ainda falta depositar os salários de 25 mil servidores. Até o momento, foram pagos integralmente os vencimentos de 438.070 vínculos, que totalizam R$ 1,504 bilhão. A parte ainda em dívida soma um total de R$ 103,6 milhões.

De acordo com a Secretaria da Fazenda do Estado, só o resultado da arrecadação vai determinar quando ocorrerá um novo pagamento. O governo do Rio tentou um empréstimo de R$ 2,9 bilhões, mas a verba emperrou e ainda não tem calendário para liberação. Em nota, a Secretaria informou que “a Fazenda está concentrando todos os esforços para que o pagamento seja efetuado dentro do prazo regular”.

“Na época dos Jogos Olímpicos, a União enviou R$ 2,9 bi para reforçar a segurança na capital carioca, sem pedir nada em troca. E agora, para socorrer a família dos servidores, ele não só não enviou nada até o momento, como ainda fica jogando com incertezas e exigências de contrapartidas”, criticou Mesac.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria enviada por Paulo Peres mostra a que ponto chegou a penúria do Rio de Janeiro, como legado da Copa, da Olimpíada e da corrupção generalizada. Serpa realmente um Natal da Fome para os servidores públicos estaduais, que estão sendo massacrados. (C.N.)

Meirelles mira eleitorado de Alckmin e quer ganhar votos na região Nordeste

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Meirelles frequenta templos da Assembléia de Deus

Deu no Painel da Folha

Frio e calculado, Henrique Meirelles (PSD) não está disposto a fazer um voo cego. Embora repita que só definirá a candidatura ao Planalto em 2018, o ministro da Fazenda tem consultado especialistas para construir desde já sua estratégia eleitoral. Trabalha com os seguintes dados: para crescer, precisará buscar votos no chamado “campo azul” e disputar o público de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Em outra frente, deve montar plataforma para o Nordeste, região para a qual vai falar com mais intensidade.

Os analistas consultados por Meirelles dizem que, se o ex-presidente Lula (PT) for impedido pela Justiça de concorrer, o Nordeste ficará “viúvo”.

HÁ ESPAÇO – O ministro foi convencido de que há espaço para crescer entre os que já votaram no PSDB. Ouviu que, diante do patamar de conhecimento do governador Geraldo Alckmin (85%, segundo o Datafolha), o ponto de partida do tucano está baixo –entre 6% e 12%.

O ministro da Fazenda esteve na quinta (7) em um culto da Assembleia de Deus, em Manaus. Falou como candidato e até testou um possível slogan de campanha: “Vamos gerar um Brasil de oportunidades”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A campanha de Meirelles é na base da grana, com base em sua experiência vitoriosa em 2002, quando foi o deputado federal mais votado em Goiás, sem fazer um discurso e sem visitar um só eleitor. Está investindo em igrejas evangélicas que se vendem por 30 dinheiros. Faz sentido, no ponto de vista de um candidato banqueiro multinacional. (C.N.)

Alta taxa de desemprego atrapalha o sonho de reeleição de Temer

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Temer ainda acha que a reeleição é possível

Nonato Viegas
Época

O presidente Michel Temer está empolgado com a redução dos juros e o controle da inflação. Mas sabe que só poderá continuar sonhando com a reeleição se a taxa de desemprego ceder significativamente nos próximos meses. São 12,7 milhões de pessoas à espera de uma oportunidade. Temer acha que estará em condições de tentar a reeleição em 2018 se a economia melhorar de maneira espetacular. Se não, pedirá ao sucessor para indicá-lo como embaixador em alguma capital europeia. A situação lembra a de Itamar Franco, que ficou à frente da embaixada de Lisboa após deixar o Planalto.

O presidente Michel Temer lamenta que realizações de seu governo – como a queda dos juros e da inflação – não sejam associadas a ele. Atribui sua baixíssima popularidade às denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e ao bombardeio de notícias negativas decorrentes da delação premiada de Joesley Batista e Ricardo Saud, do J&F.

CONVITE – De toda forma, o presidente aguarda um momento raro de satisfação. Ele recebeu convite do prestigiado jornal americano Washington Post para participar de um almoço no dia 25 de janeiro de 2018 em meio ao Fórum Econômico Mundial, realizado todos os anos na cidade de Davos.

De acordo com o convite, feito por uma editora do jornal, o almoço, que será oferecido no hotel Seehof entre 12h15 e 14 horas, atrairá líderes da política, finanças, mídia e tecnologia de todos os lugares do mundo. “Alguns dizem ser o ponto alto de Davos”, afirma a editora. E ela prossegue: “Espero que o senhor aceite o convite”.

No Mucuripe, aquela estrela é dela. E vida, vento, vela, leva-me daqui…

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Belchior e Fagner, grandes amigos e parceiros

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O produtor, instrumentista, cantor e compositor cearense Raimundo Fagner Cândido Lopes, compôs em parceria com Belchior a belíssima “Mucuripe”, inspirada na paisagem pesqueira daquela enseada, no Ceará, cuja letra reflete o sofrimento pelo abandono de um grande amor.

Para curar o coração, nada como sair bem vestido (chamando atenção) para a noitada, em busca de um novo amor: “Calça nova de riscado, paletó de linho branco, que até o mês passado, lá no campo inda era flor”. Embora o “Ouro Branco do Ceará” seja o algodão mocó, usou-se o linho branco, proveniente dos campos europeus, algo mais sofisticado e caro.

A música Mucuripe foi um grande sucesso com Elis Regina, embora tenha sido gravada, anteriormente, pelo Fagner no Disco de Bolso do Pasquim, em 1972, pela Phonogram,  e também foi sucesso com Roberto Carlos, em 1975.

MUCURIPE
Belchior e Fagner

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Prás águas fundas do mar

Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
O sorrido ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com 20 anos de amor

Auditores fiscais denunciam mais um furo na concepção da “MP do Trilhão”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Eduardo Militão
UOL Brasília

A Câmara aprovou uma medida provisória (MP 795, chamada de “MP do Trilhão”) que perdoa R$ 54 bilhões devidos por gigantes do petróleo. O cálculo foi feito pela Unafisco (Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal), após analisar documentos da Recei ta. O valor se refere a tributos cobrados das companhias entre 1997 e 2014, cujo pagamento elas questionavam.

Estudos feitos por consultores do Congresso apontaram que, graças à mesma Medida Provisória, o país deixará de arrecadar R$ 1 trilhão em tributos em 25 anos. Essa informação foi divulgada com exclusividade pelo UOL em outubro.

NOTA EXECUTIVA – Depois da publicação da reportagem, a Receita e o Ministério da Fazenda produziram uma “Nota Executiva” contestando um dos estudos. Nessa nota, afirmam que as petroleiras têm R$ 38 bilhões em dívidas tributárias decorrentes do envio de dinheiro ao exterior. “A Receita Federal passou a contestar esse tipo de contrato e a autuar as empresas. Acumularam-se autos de infração da ordem de R$ 38 bilhões”, diz a nota, datada de 24 de novembro.

Esse valor, porém, não havia sido divulgado até então. A exposição de motivos [justificativa] da MP 795 falava apenas que haveria uma perda de arrecadação de R$ 11,14 bilhões. O débito das empresas de petróleo se refere ao período de 2012 a 2014.

DÍVIDAS NÃO PAGAS – Em entrevista ao UOL, o presidente da Unafisco, Kléber Cabral, disse que é preciso somar: as dívidas não pagas e que estão sendo perdoadas, no total de R$ 38 bilhões; o que as empresas pagaram e deveria ser devolvi do, no total de R$ 11,14 bilhões; além de R$ 5 bilhões que o grupo Schahin foi condenado a pagar, mas ainda não pagou. A soma dos três dá R$ 54,14 bilhões, o valor total perdoado pelo governo, segundo a Unafisco.

“Por que a Receita não informou esses R$ 38 bilhões na sua primeira nota?”, disse Cabral. “Ela levou a erro os deputados. Disse que tinha R$ 11 bilhões e não falou dos R$ 38 bilhões. E também não informou que a Receita está ganhando [esses recursos contra as empresas]”. A reportagem questionou a Receita sobre o motivo de não dizer, já em agosto, que havia R$ 38 bilhões de autos de infração contra as empresas de petróleo. A assessoria não respondeu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs auditores da Receita mostram que a cada dia fica mais absurdo o prejuízo ao erário, num momento de grave crise para o país. Os senadores estão na obrigação moral de estudar o assunto profundamente, levando em conta os pareceres do Sindifisco e da Unafisco. Este governo não tem credibilidade, especialmente quando lida com números na casa dos bilhões. (C.N.)

Era só o que faltava! General Mourão deve ser o vice na chapa de Bolsonaro

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Mourão e Bolsonaro mantêm relações de amizade

Carlos Newton

A palestra feita pelo general Hamilton Mourão no Clube do Exército, em Brasília, na última quinta-feira, reforça a especulação de que o chefe militar pretende disputar a eleição de 2018 como candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, pelo partido Patriotas (ex-PEN). Ao responder perguntas da platéia, com pedidos para se candidatar, o oficial admitiu essa possibilidade, ao afirmar: “Eu apenas digo uma coisa: não há portas fechadas na minha vida”. O general acrescentou que seu domicílio eleitoral é em Brasília e que passará para a reserva em 31 de março do ano que vem. Depois disso, deverá morar no Rio de Janeiro.

Juridicamente, não há impedimento para que o chefe militar seja candidato. Somente militares da ativa são impedidos de participar de atividades político-partidárias. Para Mourão, a obrigação de o militar se afastar para concorrer a cargo eletivo é “saudável”. No seu caso, basta se filiar ao partido no início de abril, dentro do prazo de seis meses antes da realização das eleições.

APOIO A BOLSONARO – Segundo o jornal Gazeta do Povo, ao ser questionado sobre o presidenciável Jair Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, Mourão afirmou que o deputado federal “é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido nessas falcatruas e confusões”. E acrescentou: “Ele terá que se cercar de uma equipe competente. […] Obviamente, nós, seus companheiros, dentro das Forças, olhamos com muito bons olhos a candidatura do deputado Bolsonaro.”

Os dois são amigos pessoais. Quando Mourão estava no Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, Bolsonaro foi visitá-lo e trocar ideias com ele. Logo depois, o general  foi removido da chefia do Comando Militar do Sul por prestar homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, o primeiro oficial a ser identificado como torturador. Neste episódio, Bolsonaro ficou solidário com Mourão.

“DR. TIBIRIÇÁ” – A tortura a presos políticos é crime previsto pela Convenção de Genebra. O coronel Ustra, que usava o codinome de “Dr. Tibiriçá” e era chefe de operações do DOI-CODI de São Paulo, foi reconhecido nua solenidade por Bete Mendes, então deputada federal do PT paulista. Depois, vários outros ex-presos políticos reconheceram Ustra, entre eles o economista Persio Arida, e o coronel foi condenado pela Justiça como torturador, mas não cumpriu pena devido à Lei da Anistia.

As Forças Armadas brasileira condenam a prática de tortura, mas ainda há uma pequena facção que tenta justificar os excessos cometidos no regime militar, quando houve não somente supliciamento de presos políticos, mas também bárbaros assassinatos e ocultação de cadáveres. O general Hamilton Mourão e o deputado Jair Bolsonato integram essa ala minoritária das Forças Armadas brasileiras.

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P.S.
Uma coisa é defender intervenção militar para reorganizar o país nesta fase de esculhambação institucional que afeta os três Poderes, indistintamente. Outra coisa muito diferente é apoiar militares de tendência ditatorial que continuam a defender a prática de torturas em pleno Século XXI. Pensem nisso. (C.N.)

Reforma da Previdência está dividindo até a base parlamentar do governo

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Pedro do Coutto

Levantamento de O Estado de São Paulo, reportagem de Vera Rosa, manchete principal da edição de sábado, revela que 124 deputados dos partidos que formam a chamada base aliada do presidente Michel Temer estão dispostos, até o momento, a votar contra o projeto de reforma da Previdência. Se o governo está dividido na Câmara, consequentemente a oposição se fortalece em seu movimento contra a emenda constitucional. E não só a oposição se fortalece. Mas a reportagem de Vera Rosa provavelmente influirá no desfecho da convenção de hoje do PSDB na cidade de São Paulo. Torna ainda mais distante a remota possibilidade de os tucanos fecharem a questão ao longo de seu voo rumo ao Palácio do Planalto.

Voo este que conduz a candidatura de Geraldo Alckmin à sucessão presidencial de 2018. Ele agora obteve o apoio do prefeito João Dória que, por sua vez, sustenta a opinião de que Michel Temer não deve marcar presença no palanque do governador de São Paulo. Um caso nítido de impopularidade.

SEM APOIO – E foi sem dúvida a falta de apoio popular o principal motivo que levou o governo a adiar por mais uma semana o início da tentativa de votação da emenda constitucional que amplia os limites de idade para aposentadoria.

Michel Temer excluiu os militares das restrições propostas, porém esqueceu que elas atingem a magistratura do país de modo total. E não só a Magistratura: o Ministério Público, a Procuradoria da República, o funcionalismo de modo geral.

O vice líder do governo na Câmara, Lúcio Moschini, do PMDB, situa-se entre os opositores da matéria, enquanto Michel Temer em encontro realizado em São Paulo na sexta-feira, formulou um incrível pedido aos empresários e executivos para que pressionem deputados no sentido de que votem a favor da reforma.

FALTA DE ÉTICA – No momento em que um presidente da República faz apelo público a empresários para que pressionem parlamentares, Temer rompe de forma total com a ética política. Pois se o projeto é de sua responsabilidade, qual o motivo que o leva a pedir suporte da classe de maior renda da sociedade? Uma classe que necessita muito menos do INSS do que os 104 milhões de trabalhadores brasileiros. É o fim de um cínico episódio que a partir de hoje deve ser anexado à história politica do Brasil.

O governo fala em déficits seguidos na previdência social pública, mas nada diz em relação às dívidas de empresas para com o sistema e quanto à resistência parlamentar voltada para não aprovar o projeto que acaba com as desonerações em série concedidas pelo governo Dilma Rousseff. A equipe econômica, chefiada pelo ministro Henrique Meirelles, contava com uma receita de 8 bilhões de reais por mês se tais desonerações fossem canceladas. Porém, os empresários alegam direitos adquiridos – reportagem de Marli Prado, Folha de São Paulo de ontem – e anunciam uma avalanche de ações judiciais.

DIREITOS ADQUIRIDOS – Eu pensei, francamente, que a tese de direitos adquiridos pertencesse ao funcionalismo público, da mesma forma que aos celetistas. Agora vejo que não. Funcionários públicos e os regidos pela CLT têm a companhia dos empresários brasileiros. O tema, assim, abrange todas as classes socioeconômicas.

Tenho dúvidas quanto a adesão do empresário Geddel Vieira Lima a esta tese.

Com a desistência da candidatura de Luciano Huck, quem ganha é Bolsonaro

A dúvida é saber quem será apoiado por Huck

Mauro Santayana

Não há nada a comemorar na renúncia do apresentador Luciano Huck à sua pré-candidatura à Presidência da República. Queira ou não, eventualmente um produto neoliberal com a marca da Globo escrita, pelo tempo e estilo, na testa, e com grande potencial de penetração no “mercado” e na faixa sócio econômica que apoia Lula, ele teria muito mais votos a tirar de Bolsonaro do que daqueles que, contra a maré, o senso “comum”  e o discurso único, dizem que votariam no ex-presidente para ocupar a principal cadeira do Palácio do Planalto.

Caso a justiça brasileira, mais especificamente o TRF-4, insista na temeridade de alterar o curso da história, impedindo que Lula se candidate nas próximas eleições, muita gente vai sentir falta do homem do Caldeirão para dividir os votos da direita e servir de contraponto minimamente “civilizado” ao furioso avanço do fascismo full, duro e puro, sobre o país, nas eleições de 2018.

O QUE FARÁ HUCK? – Afinal, ficar fora do páreo dará a Huck a possibilidade de fazer qualquer coisa. Até mesmo, se quiser – embora não aposte minhas moedas de 100 reis nessa hipótese – apoiar publicamente Bolsonaro.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: a Globo pressionou Huck a pular fora do barco, apenas para fingir que não tem um lado – o próprio – e que é “imparcial” e por “bom-mocismo”, ou existe algo mais denso – sombrio e soturno – por trás dessa atitude?

Opção antipetista é lógica, mas vai esbarrar no estilo do próprio Alckmin

O governador Geraldo Alckmin concede a primeira entrevista coletiva após ter sido eleito presidente do PSDB (Foto: Bernardo Caram / G1)

Alckmin ataca Lula para se posicionar na campanha

Igor Gielow
Folha

Ao optar por um antipetismo com tempero vários graus de ardência acima da faixa na qual costuma operar, Geraldo Alckmin faz uma opção lógica, ainda que arriscada, enquanto se consolida como o candidato tucano ao Planalto. Consolida é o termo, porque Arthur Virgílio, o resiliente prefeito manauara, decidiu levar até o fim sua postulação por prévias, mesmo sob risco de virar o Eduardo Suplicy do PSDB. Mas a chance de Alckmin não ser o presidenciável do partido em 2018 é igual a zero hoje.

Ao dizer que as “urnas condenarão o PT, que jogou pela janela nossa autoestima” e falar na “audácia dessa turma”, Alckmin se dirige ao eleitor que protagonizou as eleições municipais de 2016, quando a onda anti-PT varreu o país na esteira do petrolão e do impeachment de Dilma Rousseff.

MIGRAÇÃO – Como todas as pesquisas indicam, esse eleitorado que rejeita Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido migrou em boa parte para a pré-candidatura de Jair Bolsonaro (PSC, em breve Patriotas).

Então, os tucanos precisam recuperar seu lugar nesse polo. A equação fica complicada porque Bolsonaro não cresceu apenas no antipetismo, mas sim na onda de indignação geral contra a classe política — o fato de ele ser um político por profissão é apenas uma das ironias do processo. E, para esse eleitorado, o PSDB de Alckmin e, principalmente, do enrolado Aécio Neves não se diferencia do PT, do PMDB, PP ou qualquer outra “sopa de letras”, como define o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Alckmin, aliás, seguiu o conselho dado por FHC em entrevista recente à Folha, de evitar a demonização de adversários cuja base eleitoral pode ser atraída, nem que seja apenas no segundo turno.

EXEMPLO DOS EUA – A lição de Hillary Clinton praticamente chamando os eleitores de Donald Trump de toscos em 2016 é eloquente. A crença em que Bolsonaro desidratará naturalmente hoje é menos consensual entre políticos, mas ainda majoritária e também entra nessa conta.

O discurso do governador paulista também mirou franjas do eleitorado mais pobre que é lulista, mas não necessariamente petista. O apelo à inclusão social e pelo combate das desigualdade hoje é monopólio quase exclusivo de Lula no imaginário popular, mas o fato de que o tucano é mais popular entre mais pobres do que mais ricos dá esperanças a seus aliados. Mas não é casual o discurso neste sábado de FHC pedindo para o partido se “reconectar com as ruas”.

Há riscos para a tática alckmista. Político conciliador, com imagem de comedimento e recato pessoal segundo pesquisas internas do PSDB, ele terá de apostar na ideia de que é um nome de união nacional em contraposição ao radicalismo que Lula tirou da prateleira desde que foi colocado nas cordas por sucessivos problemas com a Justiça.

FALANDO GROSSO – Com Bolsonaro mordendo pedaços do eleitorado antipetista, o governador teve de falar mais grosso, algo que não lhe é natural em público.

Como disse FHC, “o marqueteiro não pode mudar muito a pessoa, porque dá errado”, numa referência indireta à Dilma de 2014. O desafio dos tucanos é encontrar um ponto de equilíbrio ao condimentar o proverbial chuchu a ser servido à população na campanha. O recente episódio no qual gritou com um político que o atacava durante evento acendeu luzes amarelas entre seus estrategistas: Alckmin berrando impropérios em palanques não soa, digamos, natural.

Além disso, os discursos da convenção deixaram clara a dificuldade que o partido terá para explicar sua associação com o governo Temer, ainda que caciques como FHC minimizem o problema. O que não dá é criar narrativas alternativas, para usar um eufemismo, como fez Alberto Goldman ao dizer que o PSDB nunca embarcou no governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Realmente, colocar pimenta em picolé de chuchu é uma combinação estranhíssima, que os eleitores vão rejeitar, com toda certeza. (C.N.)

A pedido do Exército, o ministro da Defesa afasta o general Mourão do atual cargo

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Comandante Villas Bôas decidiu pedir a punição

Tânia Monteiro
Estadão

O Exército pediu e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, determinou a destituição do general Antonio Hamilton Mourão do cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército depois que ele afirmou que o presidente Michel Temer faz do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder.

Mourão vai ficar sem função, como adido à Secretaria do Exército, à espera do tempo de ir para reserva, em março de 2018. Para o lugar dele, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, indicou o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira.

INTERVENÇÃO – Em palestra a convite do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), no Clube do Exército, em Brasília, na quinta-feira, o general Mourão elogiou a pré-candidatura presidencial do deputado e capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Também voltou a fazer uma defesa da intervenção militar como solução para a crise política no Brasil.

“Não há dúvida que atualmente nós estamos vivendo a famosa Sarneyzação (em referência ao ex-presidente José Sarney). O nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos buscando se equilibrar e mediante o balcão de negócios chegar ao final de seu mandato”, disse o general.

Em setembro, Mourão falou três vezes na intervenção militar enquanto proferia uma palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, também em Brasília: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”.

SEM PUNIÇÃO – Apesar da repercussão negativa, o ministro da Defesa e o comandante do Exército acertaram que não haveria punição ao oficial. No governo Dilma Rousseff, ele fez críticas à então presidente e perdeu o comando direto sobre tropas do Sul, passando a ocupar o cargo atual de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, de ordem administrativa.

O militar foi questionado sobre o que e o alto generalato pensavam sobre a pré-candidatura do deputado Bolsonaro. Mourão respondeu em sinal de apoio ao parlamentar, que saiu em sua defesa quando ele proferiu a palestra em setembro e escapou de punição.

“O deputado Bolsonaro já é um homem testado, é um político com 30 anos de estrada, conhece a política. E é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido aí nessas falcatruas e confusões. Agora, é uma realidade, já conversamos a esse respeito, ele tem uma posição muito boa nessas primeiras pesquisas que estão sendo feitas, ele terá que se cercar de uma equipe competente, ele terá que atacar esses problemas todos, não pode fazer as coisas de orelhada, e obviamente, nós seus companheiros dentro das Forças olharmos com muito bons olhos a candidatura”, declarou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ claro que o general Mourão teria de ser afastado. Ganhou férias remuneradas de quatro meses e meio. Nada mal. Resta saber qual é o real objetivo do chefe militar. Este será o assunto de nosso artigo de amanhã sobre este estranho general Hamilton Mourão, um oficial durão  e radical, que tira uma onda, diz que faz e acontece, mas nada realmente ocorre e a país fica da vez mais bagunçado.  (C.N.)