Flávio e Queiroz são denunciados e passam a ser réus por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Flávio Bolsonaro, Queiroz e a metamorfose | BLOG DO AMARILDO . CHARGE  CARICATURA

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Juliana Dal Piva, Bela Megale e Chico Otávio
O Globo

A partir dos dados das quebras de sigilo bancário e fiscal, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) aponta que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) usou, pelo menos, R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo do esquema da rachadinhas. Os valores somam os três métodos pelo qual o filho do presidente Jair Bolsonaro “lavou” o dinheiro em espécie.

O senador e o ex-assessor Fabrício Queiroz foram denunciados nesta segunda-feira por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

“RECURSOS ILÍCITOS” – De acordo com os dados da investigação, foi verificado que a loja de chocolates da qual Flávio é sócio recebeu R$ 1,6 milhão em espécie e de “recursos ilícitos inseridos artificialmente no patrimônio da empresa”.

Além disso, outros R$ 261,6 mil foram usados para pagamentos que cobriram despesas do então deputado estadual e de sua mulher, Fernanda Bolsonaro. Já o dinheiro em espécie usado nas transações imobiliárias dá um total de, pelo menos, R$ 892,6 mil.

Nas transações imobiliárias, o MP-RJ descobriu que o casal Flávio e Fernanda Bolsonaro declarou em cartório ter pago R$ 310 mil por dois apartamentos em Copacabana, em 2012. No entanto, o procurador dos proprietários, Glenn Dillard, depositou no mesmo dia da venda outros R$ 638,4 mil em dinheiro vivo na própria conta.

12 SALAS COMERCIAIS – Flávio admitiu ainda, em depoimento aos promotores, que pagou R$ 86,7 mil com dinheiro em espécie, para duas construtoras durante a aquisição de 12 salas comerciais na Barra da Tijuca, em 2008.

Já na compra de um apartamento em Laranjeiras, em 2011, o Ministério Público aponta duas situações de lavagem de dinheiro. Uma delas é um depósito de R$ 25 mil feito pelo ex-assessor Fabrício Queiroz no dia 15 de agosto de 2011 na conta de Fernanda Bolsonaro para ajudar a bancar a entrada de R$ 110,5 mil do apartamento.

Um boleto de R$ 16,5 mil, das parcelas do financiamento do imóvel, foi quitado pelo PM Diego Ambrósio, que disse ter sido ressarcido em dinheiro vivo por Flávio. No período da venda desse imóvel, em 2017, o Coaf detectou 48 depósitos de R$ 2 mil. Flávio recebeu R$ 100 mil em dinheiro vivo, mas o vendedor alega que nunca fez pagamento de R$ 2 mil e que foram valores superiores a R$ 10 mil.

DESPESAS PESSOAIS – Flávio comprou ainda um outro apartamento em 2014, na Barra da Tijuca, e pagou R$ 30 mil em espécie por móveis que estavam dentro da unidade. Questionado pelo MP sobre o assunto, ele disse que pagou em espécie porque “tinha uma coisinha guardada em casa, preferi fazer desse jeito”.

No caso das despesas pessoais, o MP-RJ achou imagens de Queiroz pagando as mensalidades escolares das duas filhas de Flávio e Fernanda no dia 1º de outubro de 2018, no valor total de R$ 6,9 mil. O pagamento foi feito em espécie. Além disso, outros 114 boletos também foram pagos com dinheiro vivo totalizando R$ 261,6 mil também pagos em dinheiro vivo.

Os promotores assinalam ainda que no mesmo período dos pagamentos não ocorreram saques correspondentes nas contas do casal e que apontassem a origem do dinheiro.

LOJA DE CHOCOLATES – Ao fazer um cruzamento dos dados entre os créditos declarados pela loja com o faturamento auditado pelo shopping onde ela funciona, o MP-RJ verificou uma diferença de R$ 1,6 milhão entre 2015 e 2018.

Ao mesmo tempo, a própria loja informou que teve uma entrada de valores em dinheiro vivo no seu caixa totalizando R$ 1,7 milhão, cerca de 37% do total arrecadado pela franquia. Para o MP, essa diferença entre o total auditado e o declarado é a soma desviada por meio do esquema das rachadinhas da Alerj e inserido na loja ilegalmente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Entre a abertura da investigação e a denúncia formal do Ministério Público, lá se foram dois anos. Nesse ritmo, Flávio Bolsonaro e seu operador Fábricio Queiroz, que eram investigados e agora passaram a ser réus, só irão a julgamento no dia de São Nunca, como se dizia antigamente. (C.N.)

MIchelle Bolsonaro já depôs à Polícia paulista sobre as ofensas que sofre nas redes sociais

Três perguntas sobre os depósitos de Fabrício Queiroz na conta de Michelle  Bolsonaro - 07/08/2020 - UOL Notícias

Michelle denuncia uma reportagem sobre sua relação conjugal

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A primeira-dama Michelle Bolsonaro compareceu ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo na quinta-feira, dia 24, para ratificar uma queixa-crime apresentada em razão de supostas ‘ofensas e piadas infames em redes sociais’, que teriam colocado ‘em xeque sua fidelidade, integridade, correção e decoro’.

“Que conquanto as aleivosias sejam obviamente mentirosas, o dano reputacional à imagem e à honra é indiscutível e irreparável, tendo a declarante, por tais motivos, ficado extremamente abalada, assim permanecendo até os dias que correm, justamente porque esses comentários são acessados em fácil pesquisa nas redes sociais? Que quer ver processados e responsabilizados penalmente os seus ofensores tão logo sejam identificados e informa que representará contra cada qual assim que suas qualificações estiverem devidamente delineadas nos autos”, registra o termo de oitiva de Michelle.

Segundo a mulher do presidente Jair Bolsonaro, tais ofensas seriam repercussão de um texto publicado sobre sua relação conjugal. 

Eleição, economia, covid-19 e o novo ministro terrivelmente evangélico e amigo no Supremo

Bolsonaro deve indicar Jorge Oliveira para o Ministério da Justiça -  26/04/2020 - Mônica Bergamo - Folha

Jorge Oliveira pode ser o primeiro ex-PM no Supremo

Eliane Cantanhêde
Estadão

Outubro será agitado, com as campanhas eleitorais aprendendo a contornar a pandemia (que ainda mata mais de “dois Boeings” por dia), o governo e o Congresso convergindo para desoneração da folha de pagamentos compensada por um novo imposto e o presidente Jair Bolsonaro se divertindo com a aflição dos muitos candidatos à vaga de Celso de Mello no Supremo, porque ele já tem dois nomes no colete: Jorge Oliveira e André Mendonça.

Bolsonaro está no centro de toda essa efervescência, mexendo as peças sem se queimar e entrando no jogo apenas em caso, e na hora, da vitória. Só apoiará candidato para ganhar, só apoiará o novo imposto depois de Paulo Guedes e o Centrão garantirem o resultado, e só vai anunciar o novo ministro do STF depois de ter sugado o possível dos candidatos frustrados.

E A ELEIÇÃO MUNICIPAL?– Até aqui, ninguém deu bola para a eleição municipal e o interesse do eleitor continua caindo a cada pleito, mas a tendência é esquentar, com foco óbvio em São Paulo, pelo seu peso político e econômico, no Rio, pela chocante situação de governador e prefeito, e nos neófitos, como o próprio Wilson Witzel, que caíram de paraquedas pelo sopro do bolsonarismo. Elegerão seus candidatos?

Em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) conta com Bolsonaro para fugir da sina de sair na liderança e acabar fora até do segundo turno. O prefeito Bruno Covas (PSDB) precisa driblar a frustração pelo segundo lugar e evitar perda de votos para Márcio França (PSB). Jilmar Tatto empurra o PT para o balaio dos nanicos e para o apoio a Guilherme Boulos (PSOL), a novidade de 2020. No Rio, o prefeito Marcello Crivella (Republicanos) está inelegível. Conseguirá reverter a decisão no TSE e manter o apoio de Bolsonaro?

GUEDES QUE SE VIRE… – Na economia, Bolsonaro lavou as mãos: Paulo Guedes que se vire. Se articular apoio para a “nova CPMF”, não vai atrapalhar. Guedes recupera liderança e força, o governo comemora a troca dos novatos do PSL pelo trator Centrão e a pergunta que não quer calar é: como desonerar a folha, como Guedes quer, e encorpar o novo Bolsa Família, como Bolsonaro exige, sem furar o teto de gastos nem aumentar a carga tributária? A conta fecha?

Enquanto isso, Bolsonaro acompanha com prazer o rebuliço em torno da indicação para o Supremo, com as decisões do procurador-geral Augusto Aras sempre sob suspeita por algo que ele jura que não quer e que não vai acontecer, o juiz do Rio Marcelo Bretas repreendido por participar de atos políticos e o plenário do STJ em alvoroço, como sempre, diante de uma vaga na alta Corte.

UM EX-PM NO SUPREMO? – O ministro “terrivelmente evangélico”, porém, afunila para Jorge Oliveira, advogado e policial militar sem credenciais jurídicas compatíveis com o Supremo, mas secretário-geral da Presidência e filho de grande amigo de Bolsonaro. E para André Mendonça, advogado, pastor presbiteriano, ex-advogado-geral da União e atual ministro da Justiça. Transformou a Justiça em órgão de defesa do presidente, mas ainda é bem aceito no STF.

Celso de Mello deixa a Corte em 13 de outubro, após 31 anos, à frente da investigação do presidente por intervenção na Polícia Federal. Celso, decano que sai, determinou depoimento presencial para Bolsonaro. Marco Aurélio, o novo decano, jogou para o plenário virtual e defendeu depoimento por escrito. O lance seguinte pode ser tirar do virtual (votos por escrito) para o plenário real (ao vivo).

RESUMINDO – Logo, Bolsonaro vai trocar um ministro ostensivamente crítico por outro terrivelmente amigo e um decano adversário por outro nem tanto e, na presidência, entrou Luiz Fux com a expectativa de maior independência em relação ao Planalto do que Dias Toffoli.

O que se sabia de Supremo não se sabe mais. Exemplo: e a prisão após segunda instância, que caiu por um único voto?

Em meio à crise, um em cada quatro servidores receberá promoção salarial em 2020

TRIBUNA DA INTERNET | Governo finge que tenta reduzir salários de marajás,  e a gente finge que acredita

Charge do A. Torres (Arquivo Google)

Deu no Jornal Hoje

Brechas na lei que congelou os salários do funcionalismo público até o fim do ano que vem têm permitido reajustes salariais para algumas categorias. Em meio à pandemia e à crise econômica, um em cada quatro funcionários públicos vai receber promoção salarial ainda neste ano.

Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, 100 mil servidores ascenderam na carreira entre janeiro e agosto. Outros 62 mil devem ser beneficiados até dezembro.

CUSTO ELEVADÍSSIMO – Um em cada quatro servidores do governo federal conseguirá elevar o salário neste ano. O custo anual com promoções e progressões, segundo o jornal, chega a R$ 500 milhões.

Promoções para categorias específicas provocaram reações esta semana em Brasília. A Advocacia Geral da União (AGU) promoveu 607 procuradores federais para o topo da carreira, concedendo a eles reajuste nos salários.

Mas o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, considerou a promoção “inoportuna e indecorosa” e entrou com um pedido de liminar para suspender o ato. A AGU voltou atrás na decisão.

TAMBÉM NO TCU – Mas o próprio TCU, responsável por fiscalizar as contas públicas, concedeu promoção funcional para 39 auditores de controle externo e técnicos do tribunal.

Ao saber da decisão do TCU, Lucas Furtado também fez uma representação ao tribunal, pedindo que o ato seja declarado nulo.

Como a AGU, o TCU informou que “as promoções dos servidores foram realizadas obedecendo a legislação”, com parecer favorável da consultoria jurídica do tribunal.

DESPESAS PERMANENTES – Para Gil Castello Branco, da Contas Abertas, as promoções seletivas trazem dois prejuízos: criam despesas permanentes, que não podem mais ser cortadas, e ainda tratam os servidores de forma diferenciada, num momento de crise econômica.

“Enquanto alguns vão ficar até 2 anos sem reajustes, sujeitos até a outras medidas que o governo está negociando para conter a expansão das despesas com pessoal, determinadas categorias, ou pelo poder de pressão que possuem ou porque estão ali próximos ao poder, acabam recebendo privilégios completamente distintos daqueles que o cidadão comum tem, sobretudo os 70 milhões de brasileiros que estão vivendo as custas de um auxilio emergencial cada vez menor”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quem votou em Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, pensando que iriam enfrentar a nomenklatura e cortar gastos do governo e pagar a dívida pública, agora sabe que estava completamente enganado. Na verdade, as coisas pioraram, porque Bolsonaro abriu as burras para os militares. Como dizia Johnny Alf, foi ilusão à toa. (C.N.)

Epidemiologista da Fiocruz confirma segunda onda em Manaus e propõe um novo lockdown

Fiocruz afirma que Manaus vive segunda onda da Covid-19 e propõe lockdown  para conter avanço do vírus | Amazonas | G1

Jsem Orellana afirma que os indicam a segunda onda

Deu no G1 AM

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que Manaus vive uma segunda onda de casos da Covid-19. O epidemiologista e autor do estudo, Jesem Orellana, propõe a adoção de lockdown para conter a circulação do vírus. O Governo do Estado determinou, desde a sexta-feira (25), o fechamento de bares e casas noturnas após constatação de aumento de infecções.

Manaus tem 49.237 pessoas infectadas e 2.487 mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia e começou a flexibilizar o isolamento social em junho, quando houve uma redução dos casos. A capital foi a primeira capital a registrar colapso no sistema de saúde e funerário, entre abril e maio.

NOVAS RESTRIÇÕES – Quatro meses após flexibilização, o governo do Amazonas volta a adotar restrições contra Covid-19. Em entrevista à Globonews, neste sábado (26), o pesquisador cita um “aumento sustentável da incidência ou de casos novos de síndromes respiratória aguda grave em Manaus há mais de quatro semanas”.

“É indubitável que estamos em uma segunda onda em Manaus, que estamos tendo um elevando número de hospitalizações por casos graves de síndromes respiratória aguda grave. Esse tipo de cenário epidemiológico em que se tem a Prefeitura aumentando os atendimentos nas unidades básicas de saúde, você tem o governo do estado aumentando o número de leitos para internação por casos suspeitos e confirmados de covid-19, é completamente incompatível com a tese de que temos imunidade de rebanho”, disse.

AUMENTO CONFIRMADO – De acordo com o governo, a Vigilância Epidemiológica do estado confirma tendência de aumento de casos de Covid-19 nas últimas semanas devido, principalmente, a aglomerações e a realização de festas clandestinas.

Em média, o Amazonas confirmou 7 novas mortes por dia na última semana – uma variação de 6% em relação à média de 14 dias antes.

Em razão da situação, o Governo voltou a decretar o fechamento de bares e balneários, que haviam sido autorizados a reabrir em julho. Entre outras medidas determinadas está a redução no horário de funcionamento de restaurantes e lojas de conveniência, até as 22h. As restrições valem por 30 dias.

MAIS LEITOS ABERTOS – Também foi anunciado aumento do número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ofertados no Hospital Delphina Aziz, referência no tratamento de Covid-19 e outras Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs). O Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam) foi definido como referência para o atendimento infantil da doença.

Para o pesquisador, as restrições anunciadas são insuficientes para conter a circulação do vírus na cidade. Ele defende lockdown em toda a cidade pelo período de 14 dias.

“Para você conseguir conter a circulação do vírus não há outra solução que não seja o lockdown e o lockdown rigoroso em que você consiga fazer você consiga fazer uma fiscalização efetiva da mobilidade intermunicipal, tanto da parte de transporte transporte coletivo quanto do transporte privado das pessoas. reduzir os horários de restaurantes, de bares e proibir eventos públicos você não consegue reduzir com esse tipo de estratégia significativa a circulação viral, na verdade o que se faz é desacelerar a propagação”, afirmou.

VEJA AS ESTATÍSTICAS – Até a última sexta-feira (25), 323 pacientes estavam internados em Manaus, sendo 212 em leitos clínicos (86 na rede privada e 126 na rede pública), 107 em UTI (47 na rede privada e 60 na rede pública).

A taxa de ocupação na rede privada é de 70,93% em leitos de UTI e 42,81% em leitos clínicos. Já na rede pública, a ocupação de leitos UTI chega 72,53% e 68,49% em leitos clínicos.

A primeira onda de casos da Covid-19 ocorreu nos meses de abril e maio, quando o sistema público de saúde entrou em colapso, com quase 100% de ocupação. A capital amazonense acabou sofrendo colapso, também, no sistema funerário e o número de mortes ficou 108% acima da média histórica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O governo do estado nega que o Amazonas já esteja vivendo uma segunda onda da doença. Mas admite informou que os dados apontam uma alta na média móvel de internações pela doença após meses de queda, notem a contradição oficial. (C.N.)

Polícia Federal vai intimar Boulos, do PSOL, por ataques ao presidente Jair Bolsonaro

Lideranças comunitárias trocam PT por Boulos em SP | A Gazeta

Guilherme Boulos é candidato à Prefeitura de São Paulo

Mônica Bergamo e Joelmir Tavares
Folha

A Polícia Federal procurou os advogados do pré-candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos para intimá-lo a prestar esclarecimentos sobre postagens feitas por ele em que criticava o presidente Jair Bolsonaro.

A investigação acontece no âmbito de um inquérito aberto no Departamento de Inteligência Policial (DIP). O advogado Alexandre Pacheco Martins, que representa Boulos, vai à PF em Brasília, nesta segunda (28), para entender do que se trata. “Vamos verificar o conteúdo da investigação para então nos manifestarmos nos autos”, diz Martins.

Boulos e Tatto se embolam em propostas e discursos na briga por voto da esquerda em SP

PSOL CONTRA PT – Em guerra pelo voto da esquerda na eleição municipal de São Paulo, as campanhas de Guilherme Boulos (PSOL) e Jilmar Tatto (PT) têm propostas coincidentes em várias áreas, repetem a estratégia de mirar a periferia e já enfrentaram nos bastidores até suspeita de plágio.

Temas como tarifa zero no transporte coletivo, desapropriação de imóveis para programas de moradia e renda básica são ouvidos frequentemente nos discursos de ambos. Neste domingo, por exemplo, os dois candidatos escolheram o mesmo bairro da zona leste de São Paulo para o início de suas campanhas.

O risco de o psolista ficar à frente do petista durante a corrida eleitoral, como indicam as pesquisas mais recentes, preocupa setores do PT. À margem disso, Boulos e Tatto têm mantido um clima de cordialidade e descartam por ora atiçar a batalha que agita a militância esquerdista.

RIXA VELADA – Em um dos episódios dessa rixa velada, apoiadores de Boulos levantaram a hipótese de que o PT tivesse copiado a campanha do PSOL ao realizar a convenção que oficializou o candidato petista na laje de uma casa em uma comunidade da zona sul.

Uma semana antes, o oponente havia sido confirmado como postulante em um evento semelhante, em um campo de futebol também em um bairro da zona sul. A legenda propagandeou a iniciativa como a primeira convenção partidária da capital sediada na periferia.

Mais do que uma questão meramente geográfica, a ida às franjas da cidade tinha por trás, nos dois casos, a estratégia de colocar os bairros periféricos como centro da campanha e de um eventual governo na prefeitura.

CENÁRIO DE GRAVAÇÕES – A equipe de Tatto nega ter imitado a ideia do adversário, diz que ele já vinha usando uma laje como cenário para gravações e fotos e que o evento estava sendo preparado antes da convenção do PSOL.

Líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), Boulos ganhou concorrência nesse terreno nos últimos meses com a disposição do oponente em debater o uso de imóveis abandonados na região central para atender à demanda por habitação.

A “reabilitação de edifícios vazios ou subutilizados nas áreas centrais da cidade para as famílias de baixa renda” foi listada no site de Tatto como uma de suas principais propostas para o tópico.

FUNÇÃO SOCIAL DO IMÓVEL – Assim como o oponente, o candidato do PT tem feito a defesa da função social da propriedade para justificar a destinação de prédios já existentes para os sem-teto.

Associado pejorativamente à figura do invasor, Boulos fala em aproveitar a campanha para desmistificar a atuação do movimento de moradia e defender que “o MTST nunca invadiu a casa de ninguém”.

Em 2013, Tatto e Boulos já faziam um enfrentamento indireto, em diferentes lados da catraca, sobre uma política de passe livre. O petista era secretário municipal de Transportes da gestão Fernando Haddad (PT) quando eclodiram os protestos pela redução das tarifas. Agora, os dois se sobrepõem nessa pauta, com argumentos semelhantes para justificar o benefício —ambos defendem uma implementação por etapas, até se universalizar a tarifa zero.

Um ano à frente da PGR, Aras marca a sua gestão pela forte sintonia com governo Bolsonaro

Procuradoria se alinhou ao governo em mais de 30 vezes

Matheus Teixeira e Marcelo Rocha
Folha

O procurador-geral da República, Augusto Aras, completou neste sábado, dia 26 um ano à frente da PGR (Procuradoria-Geral da República) com uma gestão marcada pelo alinhamento ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Indicado fora da lista tríplice eleita pelos integrantes do MPF (Ministério Público Federal), Aras fez jus à desconfiança em torno da escolha de seu nome pelo chefe do Executivo e demonstrou sintonia com o Palácio do Planalto em diversos momentos.

O procurador-geral tem mantido boa relação com o presidente da República, o que pavimenta o caminho para ser reconduzido ao cargo daqui um ano. Por outro lado, ele tem se mantido afastado da categoria. Bolsonaro já chegou a afirmar que Aras “entra fortemente” na disputa por uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal), caso ele possa indicar um terceiro nome à Corte em um eventual segundo mandato no Palácio do Planalto (2023-2026).

ALINHAMENTO – Entre manifestações encaminhadas ao STF e medidas adotadas pela própria PGR, a Procuradoria se alinhou ao governo em mais de 30 vezes. Na contramão desse número, em apenas uma oportunidade Aras apresentou uma ação constitucional contra ato do presidente Jair Bolsonaro.

Isso ocorreu quando o Executivo editou a medida provisória que instituiu o contrato de trabalho Verde e Amarelo e a PGR pediu a invalidação de dois trechos do texto assinado por Bolsonaro. Essa foi a única iniciativa do procurador de provocar o Supremo contra uma decisão do presidente da República.

A PGR, porém, é obrigada a se manifestar na maioria dos ações que chegam ao STF, independentemente de quem é o autor do processo. Nesses casos, o procurador-geral se manifestou algumas vezes contra a atuação do Executivo. Isso ocorreu, por exemplo, na ação em que o governo da Bahia pediu para o STF fixar a competência do estado em adotar medidas complementares às da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para controlar o coronavírus em aeroportos.

APROXIMAÇÃO – Aras chegou ao topo da estrutura do Ministério Público pelas mãos do ex-deputado federal Alberto Fraga, que é amigo de Bolsonaro e fez a aproximação entre os dois. Embora reconheçam resultados, como a retomada dos acordos de delação premiada, integrantes da PGR consultados pela Folha criticaram os métodos de Aras, seja pelo alinhamento ao Palácio do Planalto ou pelos ataques à Lava Jato.

A atuação do procurador-geral o isolou internamente, mas lhe garantiu apoio do governo, da cúpula do Congresso e da ala do STF crítica à Operação Lava Jato. Apesar do alinhamento em momentos importantes, Aras conteve parte das críticas ao promover uma ofensiva contra a parcela da militância bolsonarista que mobilizou manifestações que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo.

O procurador-geral pediu abertura de inquérito para investigar os responsáveis pelos atos antidemocráticos e desencadeou, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, operação policial contra o núcleo da estrutura organizacional do Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – Outro ponto de alinhamento entre Aras e o Supremo, e que desagradou setores do bolsonarismo, ocorreu na defesa do inquérito das fake news, que apura a disseminação de notícias falsas e ameaças contra integrantes da corte. Sua antecessora, Raquel Dodge, havia defendido o arquivamento do caso.

A apuração foi instaurada de ofício pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, sem pedido da PGR. A medida irritou integrantes do Ministério Público, que viram na decisão uma violação às regras processuais de que a Justiça só pode atuar quando provocada. Aras, no entanto, mudou a posição da Procuradoria sobre o tema. Ele exigiu que a investigação siga uma série de parâmetros, mas se posicionou favorável à continuidade das apurações. No fim, a tese prevaleceu e, um ano e dois meses depois de ser instaurado, o plenário do STF validou a instauração do inquérito.

Em outro movimento que incomodou Bolsonaro, Aras solicitou a abertura de inquérito para apurar a veracidade das acusações feitas por Sergio Moro contra o chefe do Executivo ao pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

VÍDEO DE REUNIÃO – Apesar da impressão inicial negativa, a atuação dele no caso tem agradado o Palácio do Planalto. Nos principais capítulos da briga entre Moro e Bolsonaro desencadeada após o ex-juiz da Lava Jato deixar o governo, Aras se posicionou em favor da visão do governo. O procurador-geral defendeu que o levantamento do sigilo do vídeo de reunião ministerial fosse restrito às partes que interessavam à investigação do STF. O ex-ministro Sergio Moro afirmou que durante este encontro, ocorrido no final de abril, Bolsonaro ameaçou interferir na polícia.

O procurador-geral da República alertou para o risco de as investigações servirem, “de forma oportunista, como palanque eleitoral precoce das eleições de 2022”, caso todo o conteúdo da reunião fosse divulgado. E surpreendeu ao colocar Moro como investigado. O relator do caso, ministro Celso de Mello, determinou que fosse liberada a maior parte da reunião, exceto trechos que tratavam de outros países.

Quanto ao formato do depoimento de Bolsonaro neste inquérito, ocorreu o mesmo: Aras defendeu que o presidente possa optar por ser interrogado por escrito, mesma linha da defesa de Bolsonaro. Celso de Mello determinou que fosse presencial —o Supremo decidirá o formato agora de forma colegiada.

PARENTES E ALIADOS – Aras também tomou decisões e emitiu pareceres em benefícios de parentes e aliados de Bolsonaro. A PGR opinou, por exemplo, pelo não cabimento de uma reclamação ajuizada no STF pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que investiga o esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A Promotoria recorreu de decisão do Tribunal de Justiça que deu foro privilegiado ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ).

O tribunal fluminense decidiu enviar ao Órgão Especial da Corte o inquérito contra o filho do presidente Bolsonaro porque as irregularidades teriam ocorrido durante o exercício do mandato dele como deputado estadual. Na manifestação da PGR enviada ao STF, a PGR explorou aspectos formais para defender sua rejeição, como o entendimento de que a reclamação constitucional, meio utilizado pelo MP do Rio, não é o instrumento adequado para a contestação.

Além disso, a PGR mirou governadores que foram eleitos com a ajuda de Bolsonaro, mas que passaram a divergir dele após assumirem os mandatos. O que mais sofreu com a atuação da Procuradoria foi Wilson Witzel (PSC), que se afastou do governo após Bolsonaro se irritar com declarações do chefe do Executivo fluminense de que desejava disputar a presidência da República em 2022.

LAVA JATO –  Em outro ponto de alinhamento a Bolsonaro, Aras intensificou a ação para enfraquecer a Lava Jato após Moro deixar o governo. Em julho deste ano, ele pediu ao STF para ter acesso a todos os arquivos da operação e afirmou que a força-tarefa era uma “caixa de segredos”. Adversários de Aras na PGR também criticam o método usado por Aras para responder às cobranças internas sobre como agir contra os exageros de integrantes e familiares do governo.

Contra o ministro Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Aras abriu um procedimento preliminar para apurar sua conduta após o auxiliar do presidente declarar que eventual ordem de apreensão do celular de Bolsonaro poderia ter “consequências imprevisíveis”.

CRÍTICAS –  Ele fez o mesmo com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), após o filho do presidente afirmar em uma transmissão na internet que não era mais uma questão “de se, mas sim de quando isso vai ocorrer” uma ruptura institucional. As críticas ocorrem porque o procedimento preliminar, geralmente, não tem grandes consequências nem dispõe das mesmas ferramentas de investigação do que a instauração de um inquérito.

A PGR afirma que Augusto Aras buscou se pautar por uma “gestão descentralizada e sem personalismos, com apreço pela independência de atuação e pela serenidade no exercício do cargo, e com o respeito devido às instituições da República”.

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POSIÇÕES DE ARAS QUE AGRADARAM O GOVERNO

Em entrevista em junho, Aras afirmou que a Constituição autoriza a atuação dos militares para garantir a independência entre os Poderes. Após reação negativa, rechaçou a possibilidade de um golpe militar;

Em um dos episódios que causou maior tensão entre governo e STF, Aras se alinhou ao Planalto ao se manifestar contra a apreensão do celular de Bolsonaro para investigação;

Assim como a AGU (Advocacia-Geral da União), o procurador-geral defendeu perante o STF que a reeleição para o comando da Câmara e do Senado é uma questão interna das Casas. A atuação do órgão que faz a defesa judicial do governo no caso ajudou na relação do governo com o Congresso;

O procurador-geral se manifestou no inquérito das fake news contra operação policial que atingiu empresários, políticos e ativistas bolsonaristas

Deputada bolsonarista é acusada de racismo após fazer ‘piada’ com com Moro e Mandetta pintados de negros

Sem noção, deputada ainda tentou justificar a piada de mau gosto

André Borges
Estadão

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) publicou, em suas redes sociais, uma montagem com os rostos dos ex-ministros Sérgio Moro (Justiça) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde) pintados de negro, sugerindo que ambos poderão buscar vagas de emprego na rede Magazine Luiza, em referência ao programa de trainee apenas para negros anunciado pela empresa.

A montagem, de tom agressivo, mostra o rosto de Moro pintado, com uma peruca e a mensagem: “Desempregado, blogueiro Sérgio Moro faz mudança no visual para tentar emprego no Magazine Luiza”. Ao lado, traz o rosto de Mandetta, também com peruca e a mensagem: “Sem emprego e cansado de errar o pico, Mandetta mudou de cor e manda currículo para Magazine Luiza”. Ao divulgar a mensagem que traz o título “Não tá fácil pra ninguém!”, Bia Kicis escreveu em sua publicação: “Não tá fácil mesmo!”.

REAÇÃO – A reação nas redes sociais foi imediata, com milhares de acusações de preconceito. “Que ridículo isso. Parece mais coisa de criança. Total falta de respeito com as pessoas. Total falta de respeito com os negros”, escreveu uma internauta na página de Bia Kicis no Facebook. “Essa deputada racista desceu o nível”, afirmou outro.

Bia Kicis usou as redes para se defender e acusar a rede de varejo. “O povo não consegue mais entender um meme. Sabe quem é racista? A Magazine Luiza e quem mais achar que os negros precisam de favor e ter vaga exclusiva para emprego porque não têm capacidade intelectual. Nem falem quem é falta de oportunidade porque pobre branco tem as mesmas dificuldades”, escreveu, em seu perfil no Twitter.

A deputada também disparou contra o Ministério Público do Trabalho. “O MPT inclusive vem falar de reparação histórica. Não entendem nada sobre mérito, dedicação e superação. Nem sobre o Brasil ser o povo da miscigenação. Meu único preconceito é com a má-fé esquerdista. Aliás, é pós conceito diante dos fatos”, afirmou.

“PIADA” – Em mensagens de voz enviadas a seus contatos por WhatsApp, Bia Kicis também tem afirmado que fez uma “piada”, que o País está em uma guerra, mas que, apesar disso, não perdeu o seu “bom humor”. “Eu acredito que nós precisamos lutar nessa guerra, e unidos. E eu não sou uma pessoa que quer separar. Eu sou uma pessoa que quer unir. Mas eu não perdi o bom humor e acho que, de vez em quando, uma chargezinha (sic) cai bem, embora eu seja uma pessoa que fuja de treta nas redes. Mas eu acho que, de vez em quando, uma chargezinha cai bem.”

Bia Kicis é uma das investigadas no inquérito dos atos antidemocráticos aberto em abril, a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, depois que manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do País.

Não se chega a lugar algum com a estratégia de colocar no presidente Bolsonaro a culpa de tudo

Tribuna do Norte - Comportamento de Bolsonaro perante a mídia é tema da  charge de Brum

Charge do Brum (Tribuna do Norte)

J. R. Guzzo
Estadão

É um dos fenômenos mais curiosos que a vida pública brasileira tem para apresentar no presente momento. A vida passa, o mundo gira, o homem trabalha para montar uma colônia em Marte – e o Brasil, com seus 220 milhões de habitantes, 33 partidos diferentes e cerca de 65 mil cargos públicos preenchidos por meio de eleições livres, tem hoje um político só: o presidente Jair Bolsonaro.

Não é que esteja isolado – é que não se fala de ninguém mais, e com isso ele acabou ficando sem concorrentes, ou sem concorrentes realmente capazes de concorrer a alguma coisa.

É ATENÇÃO DEMAIS – Nenhum presidente da República, por mais importante que seja, e por mais pecados que cometa ou méritos que possa ter, merece tanta atenção desse jeito. Mas aí é que está: é o que temos no momento. Bolsonaro, mais Bolsonaro e só Bolsonaro.

O presidente deve a sua posição de Rei da Cocada Preta exclusivamente ao conjunto da obra de seus adversários políticos de todas as naturezas; foram eles, e ninguém mais, que o colocaram lá. É simples. Há mais de dois anos, antes mesmo de Bolsonaro entrar no Palácio do Planalto, concentram toda a sua energia, a sua atividade mental e o seu tempo em falar mal dele; não mudam de ideia e não mudam de assunto.

É algo parecido ao que os clínicos de psiquiatria chamariam de “comportamento obsessivo”. Tudo bem, mas o resultado desse estilo de ação política é que não existe no momento ninguém dizendo à população o que, na prática, iria fazer de diferente do que o governo Bolsonaro tem feito desde a sua posse.

SEM CONCORRENTES – Há um candidato de verdade para substituí-lo nas próximas eleições presidenciais? Isso aí, então, nem pensar. Se os adversários colocam 100% dos seus esforços em dizer que o presidente é um horror, mas não têm nenhuma sugestão coerente sobre o que fazer a respeito, o que sobra, na vida política real, é Bolsonaro.

Não adianta nada, como a oposição faz o tempo todo, ficar dizendo: “Qualquer um, menos Bolsonaro”. É indispensável que esse “um” apareça; se não aparecer, ele continua jogando a partida sem a presença do outro time no campo.

Também não se chega a lugar nenhum com a estratégia de colocar no presidente a culpa de tudo. Os 170 mil mortos da covid-19? Foi Bolsonaro quem matou. Incêndio no Pantanal? Desmatamento da Amazônia? Desemprego? Agrotóxicos? Culpa dele.

ANTES ERA O MALUF – É como nos tempos em que tudo, do ovo frito ao sistema solar, era “obra de Maluf” – quanto mais se fala, menos as pessoas realmente acreditam no que está sendo falado. O fato é que nunca o presidente apanhou tanto como hoje, e nunca a sua aprovação popular esteve tão alta – 40% dos brasileiros acham que o seu governo é ótimo ou bom, segundo a última pesquisa do Ibope. Pesquisas de opinião, como as salsichas, são coisas de conteúdo duvidoso; mas se são levadas a sério quando falam mal, a mesma regra deve valer quando falam bem.

Algo deve estar errado com o Brasil quando os grandes personagens do noticiário político são o senador Alcolumbre, o ministro Dias Toffoli e o apresentador de tevê Luciano Huck – ou quando a maior esperança dos adversários de Bolsonaro é que o STF invente uma gambiarra qualquer para resolver a sua vida.

HÁ ALGO DE ERRADO – Não pode ser normal, ao mesmo tempo, que o nome mais citado como alternativa para o País seja um ex-presidente que foi condenado, e cumpriu pena de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro – em três instâncias e por nove magistrados diferentes, fora que tem outra condenação no lombo, já em segunda instância, e mais uma penca de processos pela frente.

Quem quer um Brasil sem Bolsonaro tem de fazer melhor do que isso. Se não fizerem, as coisas vão continuar como estão.

Clã Bolsonaro tenta recuperar espaço na disputa por prefeituras de olho em 2022

Filhos atuam nos estados de maneira direta representando o pai

Sarah Teófilo e Luiz Calcagno
Correio Braziliense

Se, antes, o discurso do presidente Jair Bolsonaro era o de não se envolver, de forma alguma, nas eleições municipais, ele fala, agora, que poderá atuar em São Paulo, Manaus e Santos. “Se chegar a um ponto tal e eu achar que posso influenciar nessas três cidades, eu vou me manifestar”, disse.

Sabe-se bem que o mandatário, ainda que não tenha citado o Rio de Janeiro, tem grandes interesses e se movimenta por meio dos filhos, principalmente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), para eleger um prefeito na unidade federativa — ação que se complicou após a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, que tornou o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) inelegível até 2026.

RACHA NO PSL – A família havia perdido espaço no estado fluminense, principalmente na capital depois de Bolsonaro provocar um racha no partido que o acolheu para concorrer à Presidência da República, o PSL. A ala fiel à legenda ganhou força em todos os diretórios após uma curta disputa, e os bolsonaristas acabaram escanteados — o que se repetiu em São Paulo.

Flávio e o irmão, o vereador Carlos (Republicanos-RJ), em menor intensidade, trabalham nos bastidores para recuperar esse espaço, facilitado, agora, com a derrocada do governador afastado, Wilson Witzel. Fontes ouvidas pelo Correio afirmam que, para o clã, as prefeituras dos dois maiores estados do Sudeste brasileiro são mais importantes do que garantir um grande número de prefeitos e vereadores Brasil afora, o que, por outro lado, mostraria a verdadeira face da governabilidade de Jair Bolsonaro como chefe do Executivo.

Um adversário que preferiu não se identificar fala da retomada dos Bolsonaro. “Eles perderam um pouco de espaço quando brigaram com o grupo que assumiu o PSL do Rio, mas, agora, estão retomando. Para eles, o Rio é simbólico. Se eles ganham no Rio as prefeituras que apoiam, é um simbolismo para o Brasil. A artilharia vai ser pesada. No Rio e em São Paulo, eles não podem perder.”

PREPARAÇÃO PARA 2022 – Para alguns, o resultado de 2020 nada mais é do que a preparação para 2022. “Eles têm que ganhar a maioria das prefeituras para dar exemplo no Brasil, dizer que não perderam a força”, afirma outro político da região. O 01 (Flávio), dizem adversários, é habilidoso, fazendo acordos nos bastidores sem, no entanto, deixar sobressair seu nome. A arma secreta, claro, é o sobrenome.

A prefeitura mais desejada pela família, a da capital, depende do recurso da defesa de Crivella para que ele concorra — e, ainda assim, correndo o risco de ter o pedido negado pela instância superior às vésperas das eleições. Depois da definição do TRE, a situação é vista como muito indefinida. Uma coisa é clara: a decisão do apoio dos Bolsonaro caberá a Flávio.

Há, na cidade, um “pesselista” bolsonarista na disputa, o deputado federal Luiz Lima, que seria a única outra opção. O cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Geraldo Tadeu avalia que o candidato do PSL cultiva relações com os Bolsonaro. No entanto, tal situação seria muito complicada: Flávio e Carlos são do Republicanos e deixar o prefeito implicaria em romper acordos políticos já firmados.

IDEOLOGIA –  “É difícil dizer qual seria a melhor opção”, afirma Tadeu, frisando que não haveria outro cenário para o grupo na capital, que tem no páreo Eduardo Paes (DEM), a deputada estadual Martha Rocha (PDT) e a deputada federal Benedita Silva (PT). “O bolsonarismo é um movimento político altamente ideológico. Então, não dá para apoiar qualquer candidato. É uma decisão difícil, mas eles não têm opção de compor com outro candidato”, avalia.

Em São Paulo, Bolsonaro resolveu apoiar Celso Russomanno (Republicanos) — ainda que não seja explícito, o aval ficou evidente, principalmente, depois da candidatura ser lançada com um vice do PTB, partido de Roberto Jef ferson, aliado do presidente. Nesta semana, Bolsonaro ainda publicou na sua conta no Twitter um vídeo de Russomanno rebatendo críticas do deputado federal Kim Kataguiri (DEM).

AVALIAÇÃO –  Para o cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marco Antônio Carvalho Teixeira, a última pesquisa Datafolha deve fazer o candidato do Republicanos repensar o apoio. O levantamento mostrou que 46% dos paulistanos rejeitam o trabalho do presidente.

De acordo com Teixeira, é possível que, havendo apoio declarado, a disputa seja entre Bolsonaro e João Doria — cujo candidato é Bruno Covas (PSDB). “Se Bolsonaro intervir em São Paulo, ele pode criar uma polarização e, em um eventual segundo turno, Covas vire antibolsonarista — que é o que o Covas quer”, avalia. Segundo o especialista, Russomanno tem chance de garantir o segundo turno ao lado de Bolsonaro, “mas vencer é outra história”.

FORÇA ELEITORAL – Professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Urizzi Cervi afirma que, apesar das declarações de não participar do pleito, é impossível — e não faria sentido algum — que o presidente da República fique de fora. “Ele pode até dizer que não participará publicamente, mas os filhos estão atuando nos estados de maneira direta, representando o pai nas negociações”, opina.

Cervi acredita que o pleito será usado como “eleição de meio termo”, para medir a força eleitoral que Bolsonaro possui, vislumbrando 2022. Conforme o professor, os candidatos com nomes ligados ao presidente assim continuarão, para o bem ou para o mal, ainda que Bolsonaro não fale abertamente. “Pesquisas mostram que a avaliação positiva do Bolsonaro tem crescido no interior por causa do auxílio emergencial, mas não nas grandes cidades. Esses candidatos ligados a ele nesses lugares podem ter problema”, diz.

ENTORNO COBIÇADO – A disputa pelas prefeituras do Entorno do Distrito Federal será acirrada. E, como no quadro nacional, partidos mais tradicionais devem perder espaço. Dos 100 candidatos a prefeito registrados, conforme o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até ontem, 10 são do DEM; oito, do Podemos; sete, do MDB; e sete, também, do PT. Já o PSDB tem apenas cinco candidatos.

Nas quatro maiores cidades da região — Águas Lindas, Luziânia, Valparaíso e Formosa —, só uma apresenta candidato tucano: a deputada estadual Lêda Borges, que disputa a cadeira em Valparaíso, município de 168 mil habitantes. Borges tem o prefeito Pábio Mossoró, do MDB, como opositor.

AMPLA DISPUTA –  A região do Entorno, com 1,3 milhão de habitantes — Goiás tem 7 milhões —, é muito cobiçada e tem ampla disputa de deputados federais. Um dos parlamentares que se movimentam na região é Célio Silveira (PSDB), de Luziânia.

Apesar de ser tucano, em Valparaíso, ele apoia o nome do MDB. Silveira admite a perda de espaço do PSDB no estado e na região. “O partido está dificuldade nacionalmente, e não é diferente no Entorno”, afirma. Ao todo no estado, a legenda está em terceiro lugar no ranking de número de candidatos, enquanto o DEM, do governador Ronaldo Caiado, lidera.

ENFRAQUECIDO –  Doutor em ciências políticas e especialista em comportamento eleitoral, Robert Bonifácio avalia que o PSDB deve perder ainda mais força nestas eleições, e a lógica deve se repetir especificamente na região do Entorno. O DEM, por outro lado, deve ganhar terreno. O cientista aponta que há um interesse de Caiado em se estabelecer politicamente na região.

Ele explica que o interesse eleitoral dá-se pela pouca representação política local, além do contingente populacional. Conforme Bonifácio, há ainda o fator social: a região fica distante da capital e próxima de Brasília, e vive uma realidade de alto índice de violência, o que eleva a estatística do estado goiano. Por isso, há sempre interesse dos políticos de levar benfeitorias e estruturas de Goiás à região. (ST e LC)

Candidatos com patrimônios milionários receberam auxílio emergencial de R$ 600

Charge do Bira Dantas (humorpolitico.com.br)

Natália Portinari
O Globo

 Ao menos 298 candidatos a vereador e prefeito que declararam à Justiça Eleitoral mais de R$ 1 milhão em bens receberam auxílio emergencial do governo, segundo levantamento do O Globo. Ter patrimônio alto não é necessariamente um impeditivo para receber o benefício, mas é um indício de irregularidade.

Tem direito a receber o auxílio quem for autônomo, informal ou estiver desempregado, pertencer a uma família com renda familiar mensal de até três salários mínimos (ou meio salário mínimo por pessoa) e não tiver recebido, em 2018, rendimentos tributáveis acima de R$ 28,5 mil.

DONO DE SHOPPING – O advogado João Ricardo Baracho Navas, candidato a vereador em Itapetininga (SP) pelo PP, declarou um patrimônio de R$ 6,4 milhões. Ele é dono de um shopping e de um escritório de advocacia, além de um barco e alguns carros. Anunciou, recentemente, que está investindo em um novo prédio comercial e, neste mês, pediu indicação de faxineira para trabalhar duas vezes por semana.

Contatado, diz que requisitou o auxílio porque está “tudo parado”: “Não tenho renda nenhuma. Meus imóveis, que são de locação, não estão funcionando, e meu escritório está parado. Tenho quatro filhos para criar. Não é fácil. Nessas épocas de crise, o patrimônio gera até despesas, porque tem que mandar funcionário embora. Demitimos todo mundo”.

Na sua página do Facebook, nos últimos meses, João Navas tirou dúvidas de moradores da cidade sobre o auxílio emergencial. Questionado sobre se seu rendimento em 2018 foi menor do que R$ 28,5 mil, critério para receber o auxílio, Navas disse não ter essa informação.”Desde 2015 que eu estou cada dia mais endividado, não tenho renda fixa”, afirma.

“DESEMPREGADO” – Marcelo Barros, candidato a vereador pelo PSC em Varginha (MG), tem um patrimônio declarado de R$ 3 milhões, sendo um terço do valor referente ao terreno onde fica o motel de seu irmão que, segundo ele, está sem receber visitantes. “Eu fui gerente da Peugeot, mas hoje eu tenho 70 anos e ninguém me dá um emprego. São coisas que vão acontecendo na vida da gente. Eu não ganho nada, infelizmente”, diz Marcelo.

Entre os candidatos com patrimônio milionário que receberam auxílio emergencial identificados pelo GLOBO, há 15 pessoas com patrimônio acima de R$ 5 milhões; 254 são candidatos a vereador, 25 a vice-prefeito e 19, a prefeito.

Dilonzinho Miranda, candidato a vereador em Virginópolis (MG) pelo PL, declarou um patrimônio de R$ 5,8 milhões. Ele tem três fazendas, dois caminhões, uma caminhonete e um carro. Ainda assim, recebeu o auxílio. Procurado, ele não respondeu por que pediu o benefício.

FRAUDE – Alguns dos milionários podem ter sido alvos de fraude, como ocorreu com o candidato a prefeito Beto Francisco Machado, de Pirajuba (MG). Com um patrimônio de R$ 7,8 milhões, ele afirma que seu nome foi usado indevidamente. Ele já devolveu o dinheiro à União e enviou os comprovantes ao O Globo.

O fazendeiro Geso Evangelista Nerys, com patrimônio de R$ 2,9 milhões, alega que, apesar de ser dono da fazenda (com plantação de milho e 55 cabeças de gado), ter dois tratores e caminhonete, está praticamente sem renda. Ele vai concorrer a vereador em Vila Propício (GO) pelo PDT. “Sou dono, mas sou dono fraco. Não estou dando conta nem de tocar a terra. Pode ter patrimônio, mas sem investimento, não dá conta, o mato toma conta (do terreno). Tive muito prejuízo no milho neste ano”, diz.

Para as parcelas futuras de R$ 300 do auxílio emergencial, o governo endureceu as regras, excluindo quem tinha a posse ou propriedade de bens ou direitos de valor superior a R$ 300 mil em 31 de dezembro de 2019. O critério não existia nos pagamentos anteriores, analisados pelo O Globo.

INDÍCIO DE CRIME – Para o advogado especializado em direito penal Pedro Luís de Almeida Camargo, a declaração falsa para obter o auxílio pode configurar crime: “Se for constatado que a pessoa inseriu informações falsas na declaração para receber o auxílio, ela pode ser investigada e processada pelo crime de estelionato, que prevê pena de um a cinco anos, aumentada em um terço pelo fato de a fraude ter sido cometida em detrimento da União”.

José Moroni, membro do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos de Brasília, diz ser possível investigar os casos apontados. “O que justifica que alguém que tenha um patrimônio acima de R$ 1 milhão não tenha tido uma renda de, no caso de 2018, até R$ 28 mil? É possível que ela não tenha declarado a renda no Imposto de Renda. Ou seja, esse pode ser um indício de uma outra irregularidade, que é a sonegação”, afirma.

DEVOLUÇÃO – O Ministério da Cidadania afirmou que “tem atuado em conjunto com Polícia Federal e Ministério Público Federal para garantir a persecução penal de crimes praticados contra o auxílio emergencial”. A pasta disse ainda que, além “das sanções civis e penais cabíveis”, quem recebeu o benefício indevidamente terá de devolver o valor.

O ministério diz já ter recebido de volta R$ 166,19 milhões pagos a quem não teria direito e que o índice de desconformidade no auxílio é de apenas 0,44%, segundo uma análise da Controladoria-Geral da União.

Itamaraty faz chantagem tola com a União Europeia e exibe a derrocada da diplomacia

Ernesto Araújo afirma que o Brasil pode sair do Mercosul | bloglimpinhoecheiroso

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Deu em O Globo

O Itamaraty já foi referência mundial de diplomacia. Sob o comando do bolsonarista Ernesto Araújo, dominado por uma visão estreita, não consegue contornar as resistências europeias a ratificar o acordo do Mercosul com a União Europeia (UE). O presidente Bolsonaro não ajuda, é certo, mas o Brasil não jogar o jogo diplomático que sempre soube jogar torna tudo pior. O governo e o chanceler são exímios em fazer gols contra.

O alcance do acordo para o Brasil não é percebido em Brasília. O ex-embaixador em Washington Rubens Barbosa, especialista em comércio internacional, chama a atenção para a amplitude do tratado. Não é apenas um conjunto de regras comerciais. Entre as vantagens está o aumento na integração industrial do país ao mundo, permitindo acesso a tecnologias avançadas.

QUESTÃO DE ESTADO – O acordo precisa ser encarado como questão de Estado, não de governo. Afinal, foram vinte anos de negociações. Seria o cúmulo que, depois de assinado, tudo viesse por água abaixo.

Pois é o que parece vir acontecendo. Pressionado por agricultores que temem competir com exportações do Brasil e da Argentina, o governo francês está à frente das resistências ao acordo. Resultados de um estudo passaram a dar ao presidente Emmanuel Macron argumentos para pregar que os parlamentos da UE não homologuem o tratado.

Por algum método a que o Itamaraty precisaria ter acesso, calculou-se o desmatamento que as exportações de alimentos permitidas pelo acordo causariam. Foi estimado, também não se sabe como, o “custo climático” do fluxo de comércio: “entre 4,7 milhões e 6,8 milhões de toneladas equivalentes de CO2”.

UMA NOTA BUROCRÁTICA – Para responder ao estudo francês, a diplomacia de Ernesto Araújo redigiu uma burocrática nota conjunta com o Ministério da Agricultura e caiu na esparrela de ensaiar uma chantagem com a UE:

“A não entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE (…) estabeleceria claro desincentivo aos esforços do país para fortalecer ainda mais sua legislação ambiental”. Aquela que o próprio governo descumpre. A reação envergonha o Itamaraty secular, aquele que, na Guerra das Malvinas, não rompeu com a Inglaterra e ajudou a Argentina. Uma proposta de fazer da Amazônia refém, para pressionar pela homologação do acordo, nem sequer chegaria a ser posta sobre a mesa de qualquer reunião no velho ministério.

DIPLOMATAS “ESPERTOS” – A diplomacia bolsonarista deve se achar esperta, mas abrir a Amazônia a garimpeiros e madeireiros ilegais só ajuda o protecionismo europeu, cujos argumentos se fortalecem a cada faísca nos biomas brasileiros. Escapa ao Itamaraty de Araújo que o país não tem aquilo que o jargão diplomático chama de “excedente de poder” — economia desenvolvida, força militar etc. — para tentar tal chantagem.

Por si só, ela seria indefensável. É essencial cuidar do meio ambiente, não só para não dar argumentos aos europeus, mas sobretudo em benefício próprio, já que a floresta é a garantia das nossas condições climáticas e da maior produtividade agrícola. O risco do Brasil é ficar sem acordo e sem floresta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de O Globo esqueceu de mencionar que os Estados Unidos serão o país que mais se beneficiará com o malogro do acordo entre o Mercosul e a União Europeu. O governo do “muy amigo” Trump torce desesperadamente para que o governo brasileiro se incompatibilize com os países europeus. Mas o presidente Bolsonaro e o “chanceler” Ernesto Araújo não são capazes de entender o que está acontecendo. A ala militar do Planalto até entende, mas se omite porque Bolsonaro aumentou os salários dos militares e os ministros estão ganhando mais do que o dobro do que recebiam antes. E o poder embriaga os ministros, sejam civis ou militares. (C.N.)   

As supremas vaidades do STF protegem criminosos e impedem que se possa fazer justiça

Injustiça Brasileira: Charges sobre a Justiça Brasileira | Imagens de  humor, Juiz, Controle de constitucionalidade

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

José Paulo Cavalcanti Filho
Folha

Tudo começou com Prudente de Moraes e Ruy Barbosa, ao redigir a Constituição de 1891. Preocupados com o fim caótico do Império, e o início também caótico da República, decidiram recriar o Poder Moderador, até então exercido por Pedro II – que, com seu bom senso, garantiu estabilidade ao país naquela quadra histórica.

Esse papel foi atribuído ao Supremo. Que, além de decidir questões da Constituição, passou, também, a ser instância revisora do Judiciário.

É MUITA INSENSATEZ – O resultado é que a Suprema Corte dos Estados Unidos julga, por ano, 80 casos. Em 2019, França julgou 80. Alemanha, 82. Inglaterra, 90. Enquanto no ano passado, em nosso Supremo, havia 93.197 processos para julgar. É insensato.

Uma das consequências péssimas desse acúmulo de processos é o excesso de decisões monocráticas. O ministro Fachin, no último censo disponível, julgou sozinho 8.820 casos em um ano. O ministro Moraes implantou a censura, reproduzindo a Ditadura, sem ouvir ninguém.

Outros ministros soltam todos os que caiam em suas mãos – amigos, empresários, políticos, traficantes, Deus e o Diabo. Uma compulsão a ser estudada.

PRISÃO APÓS SUPREMO? – Em resumo temos, hoje, 11 Supremos. Fosse pouco, no Brasil, só se vai preso depois de quatro instâncias (agora cinco, com o Juiz de Instrução). O que não ocorre com nenhum dos 193 países da ONU, quando se dá em Primeira ou, no máximo, Segunda Instância.

Um paraíso da impunidade que responde pelas montanhas de réus que deixam de cumprir penas pela prescrição. Especialmente nossa elite política – entre eles, mais recentes, Aécio, Gleisi, Jucá, Lindenberg, Renan.

Para brilhar, na Globo, ministros fazem até projetos de implantar o Parlamentarismo. E falam sobre qualquer assunto. “Tudo é vaidade”, ensina o Eclesiastes (1.2.).

É TAMBÉM LEGISLATIVO – Fosse pouco, o Supremo se auto-outorgou, também, o papel de Poder Legislativo. E de Executivo. Proibindo, inclusive, nomeação de ministros e agentes administrativos, redução de salários, emprego da Força Nacional, entrar em favelas, usar helicópteros nos morros.

Em resumo, o STJ deve, mesmo, ser última instância do Judiciário. Já é tempo de fazer como todos os demais países do planeta, senhores. Cabendo, ao Supremo, julgar tão somente ofensas à Constituição.

Abandonando as decisões monocráticas e passando a ser, em palavras de Fux (novo presidente do Supremo), só “uma Corte eminentemente constitucional”. Por que não?, eis a questão.

No noturno de Chopin, o poeta e escritor Pedro Nava descreve cenas de seu grande amor

BH Nostalgia:

Nava cruza o Viaduto Santa Teresa, em Belo Horizonte

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico, escritor, memorialista e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Noturno de Chopin”, descortina o sentimento pelo  seu grande amor.

NOTURNO DE CHOPIN
Pedro Nava

Eu fico todo bestificado olhando a lua
enquanto as mãos brasileiras de você
fazem fandango no Chopin

Tem uma voz gritando lá na rua:
Amendoim torrado
tá cabano tá no fim…
Coitado do Chopin! Tá acabando tá no fim…

Amor: a lua tá doce lá fora
o vento tá doce bulindo nas bananeiras
tá doce esse aroma das noites mineiras:
cheiro de gigilim manga-rosa jasmim.

Os olhos de você, amor…
O Chopin derretido tá maxixe
meloso
gostoso
(os olhos de você, amor…)
correndo que nem caldo
na calma da noite belo horizonte.

Bolsonaro dá o exemplo, as pessoas começam a abandonar o uso de máscaras e a covid se fortalece

Sem máscara de proteção: Ibaneis vai multar Bolsonaro? - Poder no quadrado

Jair Bolsonaro sai do palácio com a filha. sem usar máscara

Carlos Newton

Em todo o país, a Justiça Eleitoral recomenda que os candidatos façam campanha sem promover aglomerações e existe uma preocupação muito grande com o processo de votação, que costuma causar longas filas e concentração de pessoas em ambientes fechados, como escolas e outros locais onde são instaladas as urnas.

Essas recomendações são superválidas, porque só existe uma maneira de dominar a covid-19, que é mantendo o isolamento, evitando o máximo de contato entre as pessoas, seguindo os hábitos de higiene e usando permanentemente a máscara.

REGRAS UNIVERSAIS – As regras para controle da pandemia são universais, precisam ser seguidas em todos os países. Mas aqui no Brasil, temos um presidente da República que simplesmente não aceita essas normas e até desdenha delas sempre que há oportunidade.

Desde o início, Bolsonaro incentivou que se formassem aglomerações em torno de si, fazendo questão de não usar a máscara e cumprimentando as pessoas como se não existisse pandemia. Ou seja, não dá a menor importância à necessidade de uso da máscara, comprovadamente capaz de reduzir a contaminação e salvar vidas.

Na semana passada, Bolsonaro passou todos os limites, ao ironizar as autoridades dos três poderes que recentemente se contaminaram.

DISSE O PRESIDENTE – Nessa quinta-feira, dia 24, declarou o presidente da República: “Fico vendo Brasília. A alta cúpula do poder em Brasília, alguns do Executivo, do Judiciário bastante, do Legislativo também. Máscaras 24 horas. Dormiam com máscaras, cumprimentam assim” — disse, simulando um toque com o cotovelo. E prosseguiu:

“Pegaram o vírus agora, não adianta. O que eu ficava falando lá atrás: toma cuidado quem tem comorbidades, esperando vacina, um remédio comprovado cientificamente, mas não adianta, vai acabar pegando. E ficando em casa, não resolve nada. Um dia vai ter que sair da toca, sair de casa e vai acabar pegando o vírus”.

BOLSONARO VENCEU – Foram meses e meses de insistência titânica, mas agora podemos reconhecer que o presidente venceu mais essa batalha.

Neste sábado, eu saí às ruas com minha mulher, para encher o tanque do carro, fazer compras no supermercado. na farmácia e na padaria. Ficamos impressionados. Em nossos cálculos, entre 30% e 40% das pessoas nas ruas já não usam máscaras ou ficam com o nariz a descoberto.  E os bares cheios, em clima de confraternização. Mas o pior foi notar que não somente as pessoas entravam nas lojas sem máscaras, mas em alguns estabelecimentos eram atendidas por vendedores que também não as usavam.

Bolsonaro venceu. Seu exemplo deu frutos. O Rio de Janeiro, Manaus e outras cidades brasileiras já estão enfrentando nova onda de contaminações, enquanto a China, apesar de já ter controlado a situação há dois meses, continua determinando que as regras sejam seguidas, e lá ninguém deixa de usar máscara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa França, na Inglaterra e em outros países que relaxaram as normas, a covid-19 não dá trégua, mas na Itália, que mantém o rigor preventivo, o número de contaminações tende a diminuir. Enquanto isso, aqui na Terra de Santa Cruz, la nave va, cada vez mais fellinianamente, em direção ao iceberg da pandemia. (C.N.)  

Celso de Mello se despede do Supremo ao estilo de Quixote, o cavaleiro da triste figura

Celsinho x Joaquinzão | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Paixão (Cazeta do Povo)

Percival Puggina

Não há como observar os derradeiros movimentos do ministro Celso de Mello desde sua cadeira no Supremo Tribunal Federal sem evocar o Cavaleiro da Triste Figura, apelido com que Sancho Pança definiu seu líder e senhor, D. Quixote de La Mancha, em combate sem trégua aos exércitos de Alifanfarrão.

O ministro assistiu ao vídeo de certa reunião do ministério e julgou ver campos de concentração, experiências genéticas, sangrentas ditaduras e conspirações articuladas na misteriosa língua de bruxaria da Escola de Hogwarts, que ele provavelmente aprendeu de Harry Potter. Começou ali e não parou mais.

VESTIU A COURAÇA  – Pacíficas manifestações de rua eram ações da Schutzstaffel (tropa paramilitar de proteção a Hitler); a Polícia Federal, a própria Gestapo… O ministro, coração cívico em chamas, vestiu a couraça de D. Quixote, brandiu a caneta como se fosse uma lança das antigas liças medievais e avançou. A cada dia, sua estocada.

Simetricamente, começava ali, também, sua retirada de cena no Poder Judiciário brasileiro, onde entrou ainda jovem pelas mãos de seu amigo José Ribamar, da nobre estirpe maranhense dos Sarney, que recebera a presidência da República por herança na morte do titular Tancredo Neves, de cuja chapa figurava como vice-presidente.

DESLUMBRAMENTO – Tudo indica que o ápice de deslumbramento para os derradeiros embates veio, mesmo, da reunião ministerial do dia 22 de abril. Ali, à semelhança do fidalgo espanhol, quis o ministro que todos vissem o que ele vira, do modo como vira e iniciassem uma guerra sem tréguas. Desde então, enquanto o apoio popular ao presidente andava no sentido oposto e crescia na bolsa política, subia de tom a indignação do ministro.

Diante dele, envoltos em togas e disponíveis ao loquaz fidalgo, dito decano, dez versões togadas de Sancho Pança eram instadas a salvar a humanidade e a vida no planeta das ameaças representadas pelas perigosas hostes de Alifanfarrão.

O capítulo se encerrará antecipadamente numa noite de outubto, ante algum ignoto seguidor que, entre bocejos, implorará por silêncio ao arrojado amo, pois sua eloquência se perde na praça entre pirilampos que prenunciam o verão.

Brasil bate recorde de candidatos inscritos em eleições e registra mais de 517 mil solicitações

Charge da Myrria (Arquivo Google)

Deu no G1

O número de candidatos inscritos na Justiça Eleitoral bateu neste ano o recorde visto em 2016: são mais de 517.786 solicitações, segundo atualização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 14h28. É a maior quantidade de candidatos em eleições no Brasil.

Desse número, porém, nem todos foram deferidos. O registro de candidatura termina às 19h deste sábado (26). O TSE ainda levará alguns dias para registrar todas as candidaturas aprovadas ou rejeitadas. Em 2016, o tribunal recusou 5,62% dos pedidos. Há quatro anos, o motivo mais frequente da cassação ou de indeferimento dos pedidos era justamente a falta de um dos requisitos de registro (77,21% das recusas). Em 2012, houve 482.868 candidatos nas eleições municipais.

RECORDE NAS CAPITAISO recorde era previsto uma vez que, considerando a atas das convenções partidárias, as capitais registravam 24.133 candidatos a vereador aprovados pelos partidos. O número de candidatos ainda pode mudar, já que a Justiça Eleitoral precisa aprovar o registro das candidaturas e pode haver desistências.

O número mais alto de candidaturas até então tinha sido registrado em 2016, com 18.934 candidatos a vereador nas 26 capitais. Se confirmados todos os candidatos de 2020, o aumento será de 27% e estas eleições terão o maior número dos últimos 20 anos. As informações das eleições municipais anteriores são do repositório de dados do TSE.

JUSTIFICATIVAPara Bruno Carazza, autor do livro “Dinheiro, Eleições e Poder”, esse aumento se deve, principalmente, ao fim das coligações para eleições proporcionais (vereador, deputado estadual e deputado federal). Esta é a primeira eleição em que tal mudança passa a valer, apesar de a emenda da reforma política que fez a alteração ter sido promulgada em 2017. Ele lembra, porém, que as coligações ainda são permitidas nas eleições majoritárias (prefeito, presidente, governador e senador).

“Os partidos vão ter que lançar muita gente para tentar ganhar o maior número de votos possível e tentar emplacar alguém na Câmara Municipal. Isso acabou gerando uma pulverização de candidaturas, e cada partido tende a ter um incentivo de lançar muitos candidatos porque assim tem mais chances de conseguir os votos para o quociente eleitoral”, diz o professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.

O quociente eleitoral define quantos votos cada partido precisa alcançar para conseguir uma cadeira no Legislativo (exceto no Senado, que faz parte da eleição majoritária). Para chegar a esse número, a Justiça Eleitoral calcula o total de votos válidos (excluindo votos brancos e nulos) e verifica o número de vagas em disputa. Se forem 100 mil votos e dez cadeiras, por exemplo, o quociente eleitoral é 10 mil.

BARREIRA – Carazza destaca, porém, que não houve redução do limite de candidaturas lançadas por cada partido (atualmente 150% do número de vagas de cada Câmara Municipal). Para ele, isso permite o registro de muitos candidatos, o que deve ocorrer neste ano. “O candidato é apenas uma pessoa em uma multidão. Isso cria uma barreira para o candidato que não é uma celebridade, não é religioso, não é militar, não é rico, não é próximo das cúpulas partidárias.”

“A mudança facilitou o processo eleitoral porque o eleitor não vota em uma coligação, só vota em um partido. Por outro lado, com muitos candidatos, é muito difícil para o eleitor conseguir filtrar e identificar um candidato bom. O ideal teria sido acabar com a coligação e abaixar o limite de candidatos que o partido poderia lançar. Isso iria forçar o partido a ter um processo de seleção, de triagem, debate interno, talvez até uma prévia”, destaca.

ESTRATÉGIA – Carazza afirma ainda que os partidos devem manter essa estratégia nas eleições de 2022, já que as siglas também precisam de votos para cumprir os requisitos mínimos da cláusula de desempenho. A cláusula de desempenho também foi aprovada na reforma eleitoral de 2017 e restringe o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. As exigências ficam mais rígidas a cada eleição até 2030 e têm como objetivo diminuir a fragmentação partidária no Brasil – considerada uma das maiores do mundo.

“Em 2022, isso é mais forte ainda porque conjuga dois efeitos dessa reforma: o fim das coligações [em eleições proporcionais] e a cláusula de desempenho. Os partidos vão precisar atingir um patamar mínimo de votos ainda mais elevado do que foi em 2018. Se agora vai crescer, então é esperável que em 2022 vá crescer ainda mais.”

Pesquisa Ibope confirma que realidade e racionalidade não definem popularidade dos políticos

Bolsonaro perdeu: maioria é a favor do isolamento social, diz pesquisa

Charge reproduzida do Arquivo Google

Eliane Cantanhêde
Estadão

O que o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente Lula e o presidente americano, Donald Trump, têm em comum? Chova ou faça sol, seus seguidores se mantêm firmes e fortes e, quanto mais eles erram, mais bobagens falam, mais consolidam e ampliam sua popularidade. É um fenômeno político que resvala para a seara religiosa, de crença, de dogmas.

Quando a paciência do então ministro Sérgio Moro se esgotou, a deputada bolsonarista Carla Zambelli, sua afilhada de casamento, ficou apavorada: “Bolsonaro vai cair se o senhor sair”. Pois é. Bolsonaro não caiu e, muito pelo contrário, não para de crescer nas pesquisas. Se nem a queda de Moro o afetou, o que poderia afetar?

DIZ A PESQUISA – Pelo CNI/Ibope, a aprovação de Bolsonaro deu um salto de 29% para 40% e a desaprovação caiu de 38% para 29%, entre dezembro de 2019 e agora. E o que marcou esse período?

A pandemia, que já matou perto de 170 mil brasileiros e milhões de empregos, e as queimadas, que devoram a Amazônia, o Pantanal e a confiança do mundo no Brasil. Os fatos, que seriam contra qualquer governante, não atingiram Bolsonaro e ele até saiu lucrando. Seria simplista atribuir isso só aos R$ 600.

Daí a comparação com Lula, que passou incólume pelo mensalão, esquema engendrado e operado no Planalto, e pelo petrolão, que resultou até em prisão, e levou Fernando Haddad ao segundo turno em 2018. Daí, também, a comparação com Trump, que mente, tripudia, se lixa para direitos humanos, afugenta todos os principais assessores, inclusive os militares mais graduados, mas dividiu a potência em torno dele. Em 3 de novembro, os americanos não estarão votando entre Trump e Joe Biden, mas a favor ou contra Trump.

REALIDADE E FANTASIA – É o que ocorre neste momento no Brasil, com o mundo e boa parte da opinião pública nacional aterrorizados com a ojeriza ou descaso de Bolsonaro com educação, saúde, meio ambiente, cultura, política externa, direitos humanos. A ponto de os opostos – agronegócio e ambientalistas, bancos e cientistas, ex-ministros tucanos e petistas – se unirem para defender a Amazônia. De quem? De Bolsonaro. Mas, apesar disso tudo, ele não só mantém como amplia apoios.

Além do auxílio emergencial, Bolsonaro cresce nas pesquisas porque deixou de ser o presidente que lidera manifestações golpistas e faz tudo errado na pandemia e no meio ambiente para voltar a ser o candidato que viaja pelo País, sobe no palanque e é fotografo sorrindo para pequenas multidões. Só entra na boa.

A REALIDADE NÃO INTERESSA – O que a população vê? Os governadores e prefeitos correndo para lá e para cá, com as pessoas morrendo, as indústrias com a corda no pescoço, as lojas fechando, shoppings e ruas populares às moscas e milhões na escuridão do desemprego. E o presidente? Não está nem aí, não é com ele.

Ao atingir o melhor índice de aprovação de todo o mandato, Bolsonaro ensina que o importante é não fazer nada, não assumir responsabilidades, recuar o máximo possível da linha de frente – e do desgaste. Os governadores, o Centrão, os ministros que se virem. A internet faz o resto.

E OS FILHOS DE BOLSONARO? – Bem… com o governador do Rio afastado, o prefeito do Rio inelegível, as denúncias de corrupção correndo soltas, até no combate ao coronavírus, quem está preocupado com o 01, o 02, o 03, Queiroz, rachadinhas, fantasmas, dinheiro vivo, dezenas de imóveis? Ou com interferência política na PF?

O recado da pesquisa é claro: Bolsonaro se salvou de Bolsonaro. Vai continuar perambulando de aglomeração em aglomeração e colhendo os louros de não fazer nada. É um efeito religioso, de fé, de crença, de dogma. A inteligência, a racionalidade e a realidade não movem moinhos, não definem popularidade, muito menos eleições. Ele é um exemplo vivo disso.

Secom distorce informações e manipula dados sobre a área total queimada no Brasil em 2020

Charge do Jota A.(portalodia.com)

Deu no O Tempo

A Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais para divulgar informações distorcidas sobre a área total queimada no Brasil em 2020 e indicou erroneamente que seria a menor dos últimos 18 anos.

Em seu canal oficial no Twitter, a Secom declarou: “Mesmo com os focos de incêndio que acometem o Pantanal e outros biomas brasileiros, a área queimada em todo o território nacional é a menor dos últimos 18 anos. Dados do Inpe revelam que 2007 foi o ano em que o Brasil mais sofreu com as queimadas”.

DISTORÇÃO – Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do governo federal, a área total queimada no país, incluindo todos os biomas, foi de 121,3 km² entre os meses de janeiro e agosto. No post, a Secom compara esse dado parcial – de 8 meses – com o resultado dos 12 meses completos dos anos anteriores.


O dado de janeiro a agosto deste ano ficou abaixo do verificado no mesmo intervalo de 2019, quando 131 km² de matas em todos os biomas foram queimadas no país, mas supera o ocorrido em 2018 (76 km²) e 2017 (96 km²), por exemplo. Além disso, o segundo semestre de todo ano é, historicamente, o período de maior concentração de queimadas em todo o Brasil.

O DRAMA DO PANTANAL  – A publicação não cita os dados do Pantanal, que enfrenta a sua situação mais dramática. Entre janeiro e agosto deste ano, mais de 18,6 mil km² deste bioma queimaram. Para se ter uma ideia, no mesmo intervalo do ano passado, o Pantanal perdeu 6,4 mi km² de área. Á área que queimou na região entre janeiro e agosto de 2020 é maior do que tudo o que foi destruído no bioma entre 2014 e 2019, somados. A fonte dessas informações é o Inpe.

Os 18,6 mil km² de área do Pantanal consumidos pelo fogo nos oito primeiros meses deste ano já aproximam do total verificado durante os 12 meses do ano passado, quando 20,8 mil km² foram destruídos. Como historicamente o mês de setembro é o pior do ano em relação às queimadas, o número anual deve ser superado.