Ataque à imprensa no Brasil e nos EUA ocorre de maneira inédita, afirma Paul Farhi

O analista Paul Farhi é crítico de mídia no The Wahington Post

Deu na Folha

Ataques diários à imprensa por meio de pronunciamentos no Twitter é estratégia comum usada pelos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil. A acusação de que o jornalismo é injusto, tendencioso, disseminador de notícias falas e antinacionalista é o modo que os chefes de Estado têm usado para desacreditar a imprensa.

Esse é o diagnóstico feito por Paul Farhi, repórter e crítico de mídia do jornal norte-americano Washington Post, que se disse surpreso com as semelhanças entre o quadro político brasileiro e americano. “Sempre pensei no Brasil como um local exótico, diferente na história, no povo e nas tradições, mas estamos na mesma situação”, afirmou.

MODELO TRUMP – Para o jornalista, que esteve no auditório da Folha na terça-feira (dia 21) em palestra para a Redação, é perceptível que Jair Bolsonaro vê em Donald Trump um modelo a ser seguido.

“Acredito que nenhum político goste da imprensa a não ser que ela seja útil para ele, mas nunca vivemos o que estamos passando com o atual presidente. São ataques diários, tentando nos pregar a pecha de antiamericanos, e criando pequenas dificuldades para evitar que estejamos nos lugares certos na hora necessária.”

Flavia Lima, ombudsman da Folha, perguntou como Farhi lida com a cobrança dos leitores pró-Trump, que acham que o jornal tem um viés contra o governo. “Não somos obrigados a balancear uma notícia considerada negativa com outra positiva. Não é assim que funciona. O problema é que as pessoas não entendem a dinâmica do jornalismo”, disse.

NOVA DIREÇÃO – Sobre a situação do Washington Post desde que o jornal foi comprado pelo bilionário Jeff Bezos, Farhi só fez elogios. Ele destacou o prédio novo, o aumento de equipe e a contratação de engenheiros. “Enquanto as redações no mundo todo estão encolhendo, podemos expandir. E sem interferência na área editorial.”

Questionado sobre como ter uma postura profissional adequada ao Twitter, rede social que Farhi definiu como “a grande invenção para demitir jornalistas”, ele recomendou “muita reflexão” antes de apertar a tecla de postar. “O problema é que ali não tem um editor para dizer não faça isso.”

Farhi está no Washington Post desde 1988 e já passou pelas editorias de finanças e política. Foi três vezes ganhador do prêmio National Press Club por sua cobertura e crítica da mídia e também recebeu o prêmio Bart Richards Award em 2018 pelo reconhecimento de reportagens como a que fez sobre o uso de trabalhadores temporários da NPR, rede de rádio pública dos EUA, e também a que relata a relação conflituosa entre a Casa Branca e a imprensa norte-americana.

JESSICA PARKER – Em sua última coluna, o crítico analisou de Sarah Jessica Parker com o National Enquirer no qual a atriz expôs, em seu Instagram, o e-mail do veículo solicitando um pronunciamento sobre uma suposta discussão entre ela e o marido. No post, ela demonstra sua indignação e considera o contato do jornal como assédio.

Farhi argumentou que, embora o National Enquirer seja conhecido por publicar matérias comprometedoras sobre celebridades e chantageá-las de acordo com seus interesses, nesse caso, o objetivo teria sido, de fato, a apuração da informação recebida e que essa é a principal função de repórteres.

O amor pode ser uma cilada, na criatividade poética de Tanussi Cardoso

Resultado de imagem para tanussi cardoso poetaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, jornalista, escrivão aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), crítico literário, contista, letrista e poeta carioca Tanussi Cardoso, no poema “Cilada”, expõe a sua metafórica definição sobre o amor.

CILADA
Tanussi Cardoso

O amor não é a lua
iluminando o arco-íris
nem a estrela-guia
mirando o oceano

O amor não é o vinho
embebedando lençóis
nem o beijo louco
na boca úmida do dia

O amor não é a vitória
dos navios e dos barcos
nem a paz cavalgando
cavalos alados

O amor é, sobretudo
a faca no laço do laçador
O amor é, exatamente
o tiro no peito do matador

Ninguém governa sozinho’, diz líder do DEM sobre manifestações pró-Bolsonaro

Elmar Nascimento

Nascimento diz que é preciso respeitar opiniões divergentes

Deu no Estadão

Um dos principais nomes do Centrão, o líder do DEM, deputado Elmar Nascimento (BA), defendeu o “diálogo” e o respeito às “opiniões divergentes” após o Congresso ser um dos principais alvos de manifestantes nas ruas neste domingo, dia 26. Em nota, Elmar mandou um recado aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro: “Ninguém governa sozinho”.

Os atos deste domingo tiveram como mote a aprovação de propostas do governo, como a reforma da Previdência e o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, mas também houve muitas críticas ao Congresso e à classe política, apontados como responsáveis por impedir que Bolsonaro consiga levar adiante suas promessas de campanha.  Ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) também estiveram presentes em faixas e cartazes de manifestantes neste domingo.

OBJETIVO REAL – “O radicalismo e a beligerância nunca levaram a lugar algum e, neste momento, é preciso unir esforços para atingir a um objetivo comum, real e urgente: a recuperação da economia nacional, com a geração de empregos e renda, assim como a melhoria da saúde, da educação e o enfrentamento da violência”, afirma o parlamentar.

Leia abaixo a nota completa do líder do Democratas na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA):

Como defensor da democracia, das opiniões divergentes e do diálogo, respeito os manifestantes que saíram às ruas neste domingo. Ressalto que a maioria deles manifestou-se a favor da reforma da Previdência e do pacote anticrime, ambos em tramitação no Legislativo. Desta forma, a Câmara e o Senado são fundamentais no processo de aprovação das duas pautas. O STF também é pilar da democracia e, tenho certeza, contribuirá para o fortalecimento das instituições. Ninguém governa sozinho.

Com diálogo e respeito é possível avançar nestas e em outras pautas, como tem feito a Câmara dos Deputados nos debates recentes sobre a reforma tributária, o barateamento das passagens aéreas, o fim da restrição para acesso a dados sigilosos e a autonomia para aplicação de recursos para estados e municípios, entre outros temas.

O radicalismo e a beligerância nunca levaram a lugar algum e, neste momento, é preciso unir esforços para atingir a um objetivo comum, real e urgente: a recuperação da economia nacional, com a geração de empregos e renda, assim como a melhoria da saúde, da educação e o enfrentamento da violência”, conclui a nota do líder do DEM.

Bolsonaro está manipulando Paulo Guedes, mas o ministro ainda nem percebeu…

Resultado de imagem para bolsonaro e guedesCarlos Newton

Não interessa saber se a manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro foi sucesso ou fracasso, se atraiu mais militantes do que o protesto universitário do dia 15, que aconteceu numa quarta-feira, nada disso é importante.

PROTESTO A FAVOR – A realização desse “protesto a favor”, digamos assim, deixou no ar um clima de fim de festa, porque o resultado positivo só existe na mente dos bolsonaristas fanáticos, que achavam que a simples realização do ato público teria o poder de emparedar o Congresso e intimidar o Supremo, para que daqui para frente, tudo fosse diferente, no estilo Roberto Carlos, e deputados e senadores passariam a fazer tudo o que seu mestre mandar.

Mas não é bem assim que a política funciona. A convocação do ato a favor do governo tinha contraindicações que não foram respeitadas, porque os organizadores – com Carlos Bolsonaro à frente das redes sociais – esqueceram de ler a bula do falso remédio.

AMADORISMO – O problema é que Bolsonaro tem 28 anos de Câmara Federal, mas não pode ser considerado um político experiente, em sentido amplo, e agora está cercado de amadores, especialmente os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três.

Como o presidente é individualista e impulsivo, não tem um “consigliere” a quem costume consultar antes de fazer/falar bobagens. O que chega mais perto dessa função é o ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Mas ele e os demais componentes do núcleo duro só têm conseguido corrigir Bolsonaro à posteriori.

Infelizmente, o presidente continua a aceitar a priori as ideias dos filhos, sem analisar as contraindicações. E o resultado tem sido altamente negativo.

PALPITE INFELIZ – A manifestação deste domingo tinha como principal contraindicação o fato de que – atraindo multidões ou não – o resultado seria o mesmo, porque a iniciativa, desde que foi anunciada, logo começou a despertar contrariedade no Supremo e no Congresso, e isso não interessa ao Planalto.

Fica patente que a entourage familiar de Bolsonaro não entende o que é democracia, e o próprio presidente se deixa contaminar, embora esteja cansado de saber que cada Poder da República faz a sua parte.

Assim, independentemente do resultado da manifestação, já se sabia que tudo continuaria na mesma, porque o Congresso vai aprovar a reforma da Previdência que considerar mais adequada ao povo brasileiro, pois não aceita engolir a proposta original de Paulo Guedes, que interessa mais aos banqueiros do que aos trabalhadores.

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P.S. 1 –
Bolsonaro não é nada bobo. O ministro Guedes pensa que pode usá-lo, porém jamais conseguirá. É Bolsonaro que está manipulando o chefe da equipe econômica, e não o contrário. Lembrem que há dois meses o presidente já sinalizou que o sistema de capitalização não é fundamental. Desde então Guedes tenta forçar a aprovação, chegou agora a ameaçar se demitir e ir morar lá fora, mas os deputados e senadores estão pouco ligando. A reforma vai sair do jeito que Bolsonaro quer, sem capitalização.

P.S. 2 – Guedes vai enlouquecer de raiva, mas terá de engolir, porque precisa do foro privilegiado. O Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União estão investigando as aplicações negativas que Guedes fez na farra dos fundos de pensão, na Era do PT. Aliás, o relatório da Superintendência Nacional de Previdência Complementar contra Guedes é impressionante. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Povo foi às ruas por Jair Bolsonaro, e não por Paulo Guedes, que está voando na fantasia

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Os eleitores e eleitoras de Jair Bolsonaro foram às ruas ontem para reforçar seu apoio ao presidente da República independentemente da concordância ou não, total ou parcialmente, com seus projetos. Com essa atitude, grande parcela da população praticamente lançou uma campanha para fortalecê-lo à frente do governo, inclusive porque, sem dúvida alguma, Bolsonaro tornou-se um dos maiores fenômenos eleitorais da história moderna do país.

Basta destacar sua vitória nas urnas para a presidência da República. Com tal performance, pode ser incluído num grupo restrito de grandes eleitos e também pelo fato de ter arrastado consigo governadores de estados, deputados e senadores.

NO ARRASTÃO – Pode se ressaltar a eleição de Wilson Witzel no Rio de Janeiro, Romeu Zuma em Minas Gerais, entre outros estados da Federação.

Senadores e deputados foram eleitos como integrantes de sua campanha. Dois de seus filhos foram eleitos para a Câmara e Senado Federal. Influência semelhante só as de Vargas em 1945, Jânio Quadros e Lula. No caso de Fernando Henrique Cardoso, o tucano venceu duas disputas no primeiro turno. Isso é fato. No entanto, não pode ser considerado um grande eleitor em matéria de transferência de votos. Mas essa é outra questão.

DELÍRIO DE GUEDES – Vamos agora falar do voo de Paulo Guedes para a fantasia. Para isso basta ler sua entrevista a Tiago Bronzatto na revista Veja que se encontra nas bancas. Vou destacar suas próprias palavras. Após sustentar que a reforma da Previdência resolverá os problemas das contas internas, da dívida do governo, além de atrair investimentos para a poupança interna, disse que irá também melhorar o nível de emprego.

Falando em fantasia, tipo reino encantado de OZ, transcrevo agora texto integral de sua entrevista à Veja. Disse Paulo Guedes: “o que estamos propondo é fechar esta fábrica de privilégios. Lá na frente a empregada doméstica e a patroa vão se aposentar no mesmo regime”.  Os leitores deste artigo devem fazer uma reflexão. Paulo Guedes revelou que logo após a vitória de Bolsonaro ele sugeriu ai presidente eleito que anunciasse a reforma da Previdência para que ela fosse iniciada ainda no final do governo Michel Temer. Incrível. 

ALARMANTE – “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. A velha Previdência quebrou. Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários”. E acentuou:” a Previdência hoje é um buraco negro que engole tudo ao redor”.

Na entrevista disse que a curto prazo podemos nos tornar uma Argentina com inflação entre 30 a 40%. A médio prazo, antes de o governo acabar, o Brasil pode virar uma Venezuela. Finalmente, como todos os jornais publicaram nas edições de ontem, Paulo Guedes afirmou enfaticamente que se a reforma não for aprovada sairá do governo, pegará um avião e vai residir no exterior.

Os leitores deste artigo, penso eu, devem julgar se a posição do Ministro da Economia voa como sua fantasia.

 

 

Bolsonaro diz que a “população foi às ruas com pautas legítimas e democráticas”

Manifestações pró-Bolsonaro

Jair Bolsonaro chegou a postar videos de algumas manifestações

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Em sua conta oficial no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (26) que a maioria da população “foi às ruas com pautas legítimas e democráticas”, se referindo às manifestações de apoio ao seu governo, que ocorrem neste domingo pelo país.

“Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada. A população mostrou isso”, escreveu. “Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, completou.

POSTOU VÍDEOS – O presidente não participou das manifestações e também orientou ministros a não aderirem. Mais cedo, Bolsonaro havia postado vídeos de atos que aconteceram nas cidades do Rio de Janeiro, São Luís e Juiz de Fora (MG).

Apesar das afirmações do presidente, ao menos em Brasília e no Rio foram observados manifestantes pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Faixas e cartazes também pediam a instauração da CPI da Lava Toga, uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o “ativismo judicial” em tribunais superiores.

SATISFAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro demonstrou satisfação com as manifestações em defesa do governo neste domingo. Ao chegar ao Palácio da Alvorada após viagem ao Rio, Bolsonaro desceu do carro e cumprimentou apoiadores.

“Não houve nenhum incidente. Foram pedir aquilo que todos querem: paz, democracia, liberdade, responsabilidade. Vamos negociar o futuro dessas crianças”, disse o presidente. No local, algumas crianças estavam acompanhadas dos pais.

SEM PROTESTOS – Bolsonaro rejeitou classificar os atos como “protestos”. “Não teve protesto nenhum”, disse. Quando perguntado sobre as “manifestações”, mandou um recado à imprensa dizendo que os jornalistas estavam “aprendendo” a falar com ele.

Perguntado sobre a quantidade de pessoas nas ruas, Bolsonaro declarou que as “imagens valem mais do que mil palavras”, e ainda foi questionado se sua fala anterior sobre “velhas práticas” era um recado ao Congresso. “Pergunta para o povo”, comentou.

Código de Ética do PSDB dá um jeito de isentar Aécio Neves de punição imediata

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Aécio Neves se tornou um estranho no ninho dos tucanos

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Com a imagem arranhada por escândalos de corrupção que atingiram dirigentes da sigla, o PSDB vai lançar na semana que vem um Código de Ética que prevê punição para filiados que se envolverem em ilegalidades. Desde sua fundação, é a primeira vez que o partido elabora um documento específico para essa finalidade que vai permitir, até mesmo, a expulsão de filiados.

As normas, entretanto, não atingem de imediato tucanos graúdos como o deputado federal Aécio Neves (MG), que é réu por corrupção passiva e obstrução da Justiça, acusado de receber ilicitamente R$ 2 milhões de Joesley Batista, da J&F. Ele nega.

SÓ DEPOIS – Como as denúncias contra o Aécio ocorreram antes da elaboração do Código de Ética, ele só poderá ser punido pelo partido caso condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, afirmou que o regulamento não foi feito para punir A ou B. “Não estamos analisando casos, mas estabelecendo regras”, disse. “Não há nada parecido no Brasil em termos de rigor e elaboração com o Código de Ética do PSDB”, complementou Alckmin.

Para o ex-governador de São Paulo, esse instrumento vai “aproximar o partido da sua militância e dos anseios da sociedade”. “Será um partido moderno, que terá instrumentos ágeis de autocorreção e não apenas punição”, afirmou o tucano. O fortalecimento dos partidos, segundo Alckmin, é uma forma de acabar com a crise política. “Muda o governo, mas a crise continua, porque o sistema político está equivocado”, observou.

DEFINE SANÇÕES – Em sete páginas, o Código de Ética do PSDB define sanções para casos de infidelidade, indisciplina e ferimento da ética partidária. O artigo 19 permite que a Comissão Executiva instaure um “procedimento sumaríssimo” contra filiados que cometerem atos com potencial de “causar dano irreparável ao partido”. O texto não exemplifica quais atos.

A redação do Código de Ética foi apresentada pelo deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP) aos membros da Executiva Nacional da sigla, na quarta-feira passada, em Brasília. O texto estava previsto para ser aprovado na mesma reunião, mas não houve consenso. A previsão é de que seja analisado na próxima quinta-feira, um dia antes da convenção que pode eleger o ex-deputado Bruno Araújo presidente do PSDB no lugar de Geraldo Alckmin.

LULA POUPADO – Uma das preocupações externadas na reunião era de que o PSDB, ao aprovar um código de ética rigoroso, estivesse cedendo a pressões das redes sociais para “fritar” seus filiados. Um tucano citou o exemplo do PT, que sempre poupou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje preso.

Mesmo assim, o PT elegeu em 2018 a maior bancada da Câmara, enquanto o PSDB perdeu quase metade dos seus quadros. A bancada tucana tinha 54 deputados em 2014 e elegeu apenas 29 no ano passado. O PT elegeu 55 deputados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ Código de Ética tipo Piada do Ano. (C.N.)

Em diferentes cidades do país, atos defenderam as medidas do governo Bolsonaro

Vista área da manifestação em apoio ao governo de Jair Bolsonaro que acontece na Avenida Paulista, São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Na Avenida Paulista os trios elétricos animaram a manifestação

Bernardo Mello, Renan Rodrigues, Patrik Camporez e Sérgio Roxo
O Globo, com G1

Atos em favor do governo do presidente Jair Bolsonaro foram registrados em ao menos 17 estados e no Distrito Federal neste domingo. Os manifestantes defenderam projetos da gestão do presidente, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime e anticorrupção, apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Havia ainda cartazes contra o “Centrão” e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o G1, por volta de 14h, 55 cidades em 12 estados e no Distrito Federal tinham tido atos pró-governo. No dia 15, quando houve manifestações contra os cortes na educação, às 13h07m 146 cidades de todos os 26 estados e do Distrito Federal tinham registrado manifestações.

NO RIO – O presidente estava no Rio, onde no sábado assistiu ao casamento do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), mas não participou dos atos. Ele foi à igreja Batista Atitude, na Barra, da Tijuca, frequentada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Depois da visita ao templo, o presidente afirmou que o “povo está indo às ruas defender o futuro dessa nação” e que atos são recados contra velhas práticas. Mais cedo, pelo Twitter, Bolsonaro já havia apoiado o comparecimento nos atos.

Durante as convocações para este domingo, que ganharam força depois dos protestos em defesa da educação no último dia 15, o governo evitou envolvimento, embora deputados do PSL tenham apoiado desde o início a organização dos atos.

PELO PAÍS

No Rio, o ato começou às 9h na Orla de Copacabana. Um boneco de 3,5 metros de altura em alusão ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi levado elos manifestantes. O boneco tinha uma camisa em que, na parte de trás, vinha escrito “Judas”.

Maia já fez críticas ao presidente e, recentemente, rompeu com o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL)-GO), mas depois reataram. Alvo de críticas de apoiadores de Bolsonaro, o presidente da Câmara trabalha desde o ínicio da gestão de Bolsonaro pelo andamento das reformas e para mediar a relação entre o Executivo e os deputados do centrão.

Em Brasília, a manifestação se concentrou em frente ao Congresso Nacional. Os manifestantes defendiam projetos da gestão do presidente, como a reforma da Previdência e o pacote anticrime e anticorrupção, apresentado pelo ministro da Justica, Sergio Moro.

OUTROS ALVOS – O Supremo Tribunal Federal (STF) também foi alvo das críticas dos manifestantes. Entre as bandeiras defendidas na manifestação estava a “CPI da Lava Toga”, que tem o propósito de investigar, entre outros temas, a atuação de ministros do STF.

Os simpatizantes do governo estão vestidos de verde e amarelo. Movimentos que apoiam o presidente e parlamentares do PSL, partido de Bolsonaro, trouxeram carros de som para a orla de Copacabana, que recebeu também um mastro de 45 metros de altura com a bandeira do Brasil. Em Salvador (BA), manifestantes se reuniram no Farol da Barra em ato a favor do governo, com direito a trio elétrico.

MP 870 – Davy Albuquerque, de 19 anos, coordenador do Movimento Brasil Conservador, afirmou que a última derrota do governo no Congresso, que retirou o Coaf do Ministério da Justiça ao votar a MP 870 nesta semana, apenas reforçou o ato deste domingo. Muitos seguravam cartazes em favor da MP.

— Isso fortaleceu mais ainda o ato. As pessoas que vieram aqui são totalmente contrárias ao centrão e à retirada do Coaf do ministro Sergio Moro. Está claro que o centrão não representa nada da população — afirmou.

Foram registrados atos em Rio, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso, Paraná, Acre, Santa Catarina, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

AVENIDA PAULISTA – Em São Paulo, nove carros de som de diferentes movimentos foram estacionados ao longo de nove quarteirões da avenida. Vestidos de camisa amarela e enrolados em bandeiras do Brasil, os manifestantes se misturam às pessoas que usam a avenida como área de lazer aos domingos. Os manifestantes também pediam a reforma da Previdência e a CPI da Lava-Toga. A presença do líder do PSL no Senado, Major Olímpio, que estava no meio do público, foi anunciada.

No Distrito Federal, manifestantes iniciaram, às 10h40m deste domingo, uma passeata na Esplanada dos Ministérios. Seguidos por três trios-elétricos, os simpatizantes de Bolsonaro se concentraram no entorno da rodoviária de Brasília e caminharam em direção ao Supremo Tribunal Federal para fazer um “almoço de lagosta”, ironizando um episódio recente em que a Corte foi pressionada a cancelar a compra de itens gastronômicos de alto valor.

VEM PRA RUA – Depois de declarar que não apoiava os atos deste domingo, o Vem Pra Rua agora considera que as pautas reivindicadas estão de acordo com as posições do movimento.

– Está sendo um marco. É a primeira vez, desde a redemocratização, que o povo não vai para a rua contra ninguém, mas a favor. Estão nas ruas a favor do presidente, torcendo a favor – disse ao Globo a coordenadora nacional do movimento, Adelaide Oliveira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bem, acabou o suspense e no final do filme ninguém morreu. As manifestações não aumentaram nem diminuíram o prestígio de Bolsonaro. Nada de novo no front ocidental, diria o escritor Erich Maria Remarque, o que significa que nada mudou. (C.N.)

Nos primórdios da literatura no Irã, o rei Menandro e assim falava Zaratustra…

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Nietzsche foi buscar Zaratustra para raciocinar sobre a humanidade

Antonio Rocha

Os persas são uma das civilizações mais antigas da humanidade, no segundo milênio antes de Cristo, na parte setentrional do Irã já se conhecia uma forma rudimentar de escrita cuneiforme. E na parte oriental já havia literatura oral: profana e religiosa.

O Império Persa dos Aquemênidas (600-300 antes de Cristo) estendeu-se desde a antiga Mesopotâmia até a Índia, do Mar Cáspio ao Golfo Pérsico. Abrangia grande parte do continente asiático.

A literatura profana constitui-se de registros dos reis aquemênidas e seus feitos. É nessa época que surge o profeta e reformador religioso Zaratustra.

ZEND-AVESTA – Suas pregações depois são compiladas no famoso livro Zend-Avesta, e o estilo lembra um pouco os Rig-Vedas, os mais antigos Vedas da Índia.

A dinastia dos aquemênidas termina com a chegada de Alexandre, o Grande, trazendo a cultura grega. Mas, curiosamente, ao sair da Índia, Alexandre deixa nessa vasta região o “governador” Menandro, que gostava de filosofia.

Culturalmente falando, o Budismo já era uma forte presença nessa região, desde o século dois antes de Cristo, e surge então um famoso livro: “As perguntas do Rei Milinda”, que retrata o diálogo entre este “governador” Menandro e o monge budista Nagasena (Milinda é a pronúncia indiana para o nome grego Menandro).

ASSIM FALAVA… – Ou seja, a literatura iraniana contemporânea tem como base o Zend-Avesta de Zaratustra e As Perguntas do Rei Milinda, um clássico do budismo.

Quem popularizou o nome do escritor persa foi o filósofo alemão Friedrich Nietszche com “Assim Falou Zaratustra”, considerado um dos livros mais importantes do Ocidente.

(fontes: “História das Literaturas Universais”, em 6 volumes, Editorial Estampa, Lisboa, 1974; e “Milinda Panha – As Perguntas do Rei Milinda”, Livros do Mundo Inteiro, Rio de Janeiro, 1973.

Nem Igreja Católica nem governo é dono da verdade, diz novo presidente da CNBB

, novo presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), durante entrevista à Folha em Belo Horizonte

Dom Walmor Azevedo buscará um maior diálogo com Bolsonaro

Joelmir Tavares
Folha

Novo presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Walmor Oliveira de Azevedo, 65, se define como “genuinamente baiano e autenticamente mineiro”. Na opinião dele, a alma sertaneja que traz de sua terra natal, Cocos (BA), se somou à serenidade que aprendeu em Minas, estado onde vive há 47 anos.

A combinação de capacidade de diálogo com firmeza de atitudes foi uma característica apontada por observadores da eleição na entidade mais importante da Igreja Católica no país, no início deste mês.

Em entrevista à Folha na quinta-feira (23) na sede da Arquidiocese de Belo Horizonte, instituição que dirige desde 2004, dom Walmor reiterou a aversão a rótulos como esquerdista e progressista atribuídos à gestão que ele comanda.

Após ser eleito, o sr. foi chamado em redes sociais de petista, comunista, apoiador da chamada ideologia de gênero, defensor do lobby gay. Por que acredita que essas expressões são associadas ao sr.? 
O que eu diria é que são interpretações completamente equivocadas e talvez de pessoas que não veem a verdade. Sinto-me muito tranquilo e consciente de que estou na perspectiva daquilo que é a doutrina social da igreja, a luz da palavra santa de Deus.

Uma das razões para as críticas foi a criação de uma Pastoral da Diversidade Sexual em uma paróquia de Belo Horizonte, para acolher gays e lésbicas, em 2017. O sr. deu aval a isso? 
Foi uma iniciativa sem o meu conhecimento por parte de dois padres, que foram oportunamente notificados, advertidos, inclusive de maneira muito forte, para dizer que não é esse o caminho. Por isso eu disse claramente que não existe Pastoral da Diversidade Sexual na Arquidiocese de Belo Horizonte.

Mas existiu durante um período. 
Existiu, sem o meu conhecimento. Quando soube, chamei os padres e disse: “Vocês fizeram um caminho equivocado”.

Por que equivocado? 
Porque o nosso caminho, no que estamos investindo, são os centros de acolhida e escuta das famílias. Quando nós pensamos as pessoas, pensamos nelas na sua condição. Precisam ser ajudadas, ouvidas, na sua dor e na vivência da espiritualidade, sem discriminação. A igreja é o lugar de todos os filhos e filhas de Deus. Mas isso não se trata de algo que possa ser confundido com outros tipos de bandeira, que estariam na contramão daquilo que é a verdade do Evangelho e da nossa orientação.

Como a igreja deve se portar diante de pessoas homossexuais? 
A igreja tem um horizonte da sua moralidade e dos princípios que regem a busca de uma vida santa e de uma vida adequada. Mas nós todos estamos a caminho [dessa vida]. As pessoas precisam ser ajudadas. Umas estão mais avançadas nesse processo de santificação, de viver uma vida cristã mais autêntica. A igreja tem um horizonte intocável, e que portanto não se muda, não se adapta e não pode ser relativizado. Não trabalhamos com nenhum tipo de preconceito, mas não podemos botar a mão em outras bandeiras. Exemplifico: o matrimônio é entre um homem e uma mulher. Não admitimos se chamar matrimônio [a união entre pessoas do mesmo sexo].

A fala do sr. na época do impeachment de Dilma Rousseff defendendo que a responsabilidade da crise deveria ser distribuída entre os cidadãos e os políticos, em vez de “colocar um peso sobre as costas de uma pessoa”, foi interpretada como uma opinião favorável à petista. Foi isso? 
Não. Nunca me coloquei na perspectiva de fazer uma análise para defender qualquer partido ou figura no contexto do governo federal. Disse que era o desabrochamento de todo um contexto mais amplo e historicamente mais longo.

O sr. foi criticado também porque a Catedral Cristo Rei, que a arquidiocese está construindo em Belo Horizonte, teve o projeto feito por Oscar Niemeyer, um arquiteto comunista e ateu. Católicos conservadores classificam a edificação como “horrenda e feiosa”. 
Niemeyer foi escolhido porque começou sua trajetória profissional em Belo Horizonte, na Pampulha. Se para aqueles que não têm visão o projeto pode parecer isto ou aquilo, para a grande maioria das pessoas remete ao transcendente, pelo seu formato e por sua arquitetura. Niemeyer me pediu para nunca desistir da obra. Falou: “Nunca fui praticante da religião, mas, sem a experiência de fé, o nosso mundo, que já está difícil, seria muito pior”.

A CNBB diz querer dialogar com o presidente e pedirá um encontro com Jair Bolsonaro, que vem sendo criticado justamente pela inabilidade para negociar. Que mensagem o sr. levará para ele? 
Com muita simplicidade, de coração aberto, estaremos com o presidente e com outras autoridades. A CNBB busca o diálogo com governos a partir daquilo que ela tem de melhor, que é o evangelho de Jesus. Num contexto mais amplo, todos nós estamos desafiados a nos tornar competentes para o diálogo e o entendimento. Ninguém de nós tem qual é realmente o caminho. Assim é na igreja, nos governos, nas instituições educativas, na vida familiar. Estamos num tempo que exige de nós muita humildade, para ninguém se colocar como dono da verdade.

O sr. espera abertura do governo federal mesmo depois dos comunicados emitidos pela CNBB com críticas duras a projetos de Bolsonaro? 
Nossa igreja sempre procurará fazer essa aproximação, de qualquer maneira. Tudo que nós colocamos, como igreja, não é por razão partidária, política. Na igreja não tem partido, a igreja não é um partido e também não pode, não deve e nunca será movida por ideologias. Quando nós dizemos, não dizemos para atacar um partido, uma pessoa. Não é nossa tarefa. Nós fazemos uma leitura daquilo que confronta o Evangelho para alertar: há um outro caminho.

O que é a tolerância zero a abusos sexuais que o sr. prega à frente da CNBB? 
Nós estamos com uma tarefa de urgência urgentíssima na CNBB, que é o trabalho da Comissão para a Proteção dos Menores, que fará um guia para a tutela de menores. Esperamos que isso possa ser concluído o mais rápido possível. Esse guia será um passo importante, sobretudo depois da recente orientação do papa [que obriga bispos e padres a denunciar casos], mostrando passos, responsabilidades e ações que precisam ser feitas.

Recentemente o papa aceitou a renúncia do bispo de Limeira (SP), suspeito de acobertar abusos. Há denúncias, hoje, envolvendo pelo menos outros dois bispos brasileiros, que inclusive participaram da assembleia da CNBB. Casos que já são públicos também seriam contemplados por esse manual?
Quando se fala de tolerância zero na igreja quanto a abusos de menores ou acobertamento, é para todos. Igualmente para todos. Por isso mesmo essas ações que o papa tem feito em vários lugares do mundo em relação a quem tem responsabilidades nesse âmbito.

O papa já pediu desculpas às vítimas de abusos na igreja. O sr. se sente constrangido por esses fatos acontecerem na instituição? 
Eu me sinto entristecido, porque, embora seja uma porcentagem muito pequena em relação ao que acontece nos âmbitos outros, como familiar, quem se consagra da igreja se propõe a servir, ajudar, apoiar —e não a derrubar, maltratar, machucar.

O sr. tem frisado a necessidade de busca do diálogo, em um momento em que a sociedade está polarizada, ainda sob efeito das eleições. Como a igreja pode fazer isso? 
É, de fato, um enorme desafio. As eleições devem nos fazer verificar que o clima de divisão não vale a pena, só trará prejuízos, quando temos urgência de grandes respostas. E a igreja —mesmo quando ela não é compreendida, é atacada nos seus membros, nas suas escolhas— tem uma autoridade moral, herdada da riqueza do Evangelho. Nunca se constrói nada sem diálogo. A escuta é fundamental para que a gente possa se recuperar, ao invés de se ferir e de machucar a civilidade. Porque nós estamos vendo muitas coisas abomináveis, que estão passando por cima de civilidade mínima.

Por exemplo? 
As pessoas afirmam coisas sobre os outros ou sobre instituições que são inverdades e dizem como se fossem verdades. Não se lembram até que há um caminho de criminalização nessa perspectiva de desmoralização.

A igreja é vítima disso?  A igreja tem sofrido esses ataques.
Mas ela não se abate exatamente porque tem uma força moral que vem de um fundamento, que é Cristo.

O percentual de católicos no Brasil está em queda. Caiu de 63% da população em 2010 para 50% em 2019, segundo o Datafolha. Por que católicos têm deixado de ser católicos?
Há diferença por regiões. Por exemplo, Minas Gerais tem mais de 70%, segundo pesquisas. A igreja tem o grande desafio de crescer na proximidade com as pessoas, na oferta da experiência bonita da espiritualidade. Com a força da palavra de Deus, a igreja tem condições de reverter essa situação.

Então a igreja tem falhado nesses pontos?  Considero que o desafio vem da avalanche de mudanças antropológicas e culturais. Por isso nós trabalhamos em novas metodologias, diretrizes, formação e qualificação de pessoas. O papa Francisco nos pede uma igreja mais próxima, solidária e dialogal com o contexto do mundo.

O sr. e a CNBB têm alertado para a grave desigualdade de renda no país. Qual a parcela de culpa da elite brasileira, que concentra tanto recursos quanto poder? 
Temos uma história longa [de desigualdade], e por isso a dificuldade de reverter esse quadro. Todos nós devíamos ter vergonha dessa desigualdade social e pensar que é algo na contramão da civilidade; um ter tudo e o outro, nada. Por isso, é uma vergonha para a elite, para quem dirige, para quem tem poder de decisão, para quem pode fazer as escolhas de rumos novos. E é uma vergonha para nós, como cristãos.

No início da assembleia da CNBB, o nome do sr. já era considerado forte para ocupar a presidência. A que fatores o sr. credita sua escolha? 
Muitos colegas, antes da eleição, me disseram que seria bom que eu me tornasse o presidente. E eu fiz uma prece a Deus: que eu não desejasse isso. Exatamente para que não acontecesse de eu encher o coração de vaidade. Creio que o meu nome tenha sido lembrado em razão do caminho que eu tenho. Venho buscando uma maneira aberta, articulada, procurando ser contemporâneo, buscando respostas na evangelização e na gestão. Meu jeito de ser é procurar sempre o diálogo.

Na opinião do sr., qual é o mandamento mais importante? 
O dito por Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. É o maior mandamento. E esse, vivido, faz o mundo ser melhor.

FMI faz alerta sobre crise econômica, especialmente o crescimento da dívida pública

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Rosana Hessel
Blog do Vicente Nunes

O Fundo Monetário Internacional (FMI) soltou um relatório nesta sexta-feira (24/05) fazendo um alerta para o risco de baixo crescimento da economia brasileira. O documento reforçou o alerta para o crescimento da dívida pública bruta em 88% do PIB, “uma das maiores entre os mercados emergentes”, devendo atingir o pico em 2024, dependendo da administração fiscal.

O relatório sinalizou que o órgão deverá realizar um novo corte nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para algo entre 1% e 1,5% “ou menos”. O Fundo demonstrou preocupação com a crise doméstica e sugeriu uma “ação política decisiva” para evitar uma desaceleração na economia.

EXPECTATIVA – “O investimento permanece moderado, retido pela grande capacidade ociosa e a persistente incerteza sobre as perspectivas de reformas fiscais e estruturais. Fraco crescimento global e a recessão na Argentina estão atrasando as exportações. O crescimento em 2019 é projetado entre 1 e 1,5%, com riscos significativos de queda”, destacou o documento.

Atualmente, a previsão de expansão do PIB brasileiro deste ano ainda é otimista, de 2,1%, bem acima do projetado pelo governo, de 1,6%, revisado nesta semana pela segunda vez no ano. O Fundo costuma revisar suas estimativas a cada três meses e, na última, em abril, reduziu de 2,5% para 2,1%.

“Uma lenta recuperação está em andamento, limitada pela demanda agregada moderada e baixa produtividade. Uma reforma robusta da seguridade social e medidas fiscais adicionais são necessárias para colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável, aumentando, assim, a confiança do investidor”, escreveram os técnicos do FMI no relatório que indica que haverá uma reavaliação dos dados do país. 

NOVA AVALIAÇÃO – Esse diagnóstico é resultado da avaliação da missão de técnicos do organismo multilateral ao Brasil realizada entre os dias 13 a 17 de maio.  O documento do FMI destacou que, depois de encolher 7% entre 2015 e 2016, e “de crescer apenas” 1,1% entre 2017 e 2018, “os indicadores de curto prazo mostram que a fraqueza persistiu no primeiro trimestre”.  “O crescimento historicamente baixo, a alta dívida pública e a desigualdade generalizada exigem uma agenda de reformas arrojada”, reforçou o Fundo lembrando que, desde 1980, o crescimento médio da economia brasileira tem sido de 2,5%, “bem abaixo de seus pares”.

Na avaliação dos técnicos do Fundo, a crise interna pode inviabilizar a recuperação da economia e eles recomendam uma “ação política decisiva”.

“O principal risco doméstico é a incapacidade de aprovar uma reforma previdenciária robusta. Além disso, outras medidas fiscais são necessárias para cumprir o teto de despesas e colocar a dívida em uma trajetória sustentável”, alertou. “A falta de consolidação fiscal pode minar a confiança e impedir o investimento. Os riscos externos incluem o aprofundamento da recessão na Argentina e as tensões comerciais globais”, completou.

PREVIDÊNCIA – “A proposta ambiciosa de reforma previdenciária, que está sendo analisada pelo Congresso, estabilizaria os gastos com aposentadorias na próxima década e tornaria o sistema mais eqüitativo. Para entregar o ajuste fiscal necessário, o Congresso deve preservar o aumento proposto nas idades de aposentadoria e diminuir os benefícios relativamente altos, particularmente para funcionários públicos”, recomendou o relatório.

A expectativa do Fundo é que, com a aprovação de uma reforma da Previdência robusta e condições financeiras favoráveis, “espera-se que o crescimento acelere em 2020, apoiado por uma recuperação do investimento privado”. Entre as recomendações do Fundo, estão medidas para melhorar a supervisão do setor bancário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O FMI está clamando no deserto, porque a atual equipe econômica não se preocupa com o crescimento da dívida pública. E chega a ser Piada do Ano o Fundo recomendar medidas para melhorar a supervisão do setor bancário. Aqui na filial Brazil não existe “supervisão” do setor bancários, porque são os bancos que mandam no país. (C.N.)

Não adianta delirar e ficar imaginando coisas, porque Bolsonaro é apenas Bolsonaro

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Antonio Fallavena

Acabo de ler um texto do amigo Puggina. Fiquei a pensar e resolvi escrever algo, mesmo que distante da qualidade do artigo dele, em que cobrava atitude da deputada Janaína.

Nas eleições de 2018, fomos levados ao “corner” como dizem no box. Na verdade, não tínhamos outra opção. No entanto, bem antes do início da propaganda eleitoral, chamei a atenção dos amigos sobre o despreparado de Bolsonaro. Pavio curto, raciocínio lento e algumas manias que se aprofundaram pós eleições. Dos filhos, quase nada a falar: juntos e misturados. Mas fazer o quê?

A outra opção era eleger o segundo poste, onde o cachorro continuaria mijando? Eu fora! E o Brasil também assim respondeu.

PISANDO NA BOA – Lembrei-me de Alceu de Deus Collares e sua expressão mais usada quando governador: “o companheiro pisou na bola!” Pois Bolsonaro tem pisado, sapateado e tenta furar a bola!

O “bom” é que o pessoal está se acostumando com suas “pisadas”. Mas é um terror. Abriu a boca, cuidado que lá vem coisa! Parece que ninguém o orienta, chama a atenção. Será que o pessoal tem medo dele ou ele ouve e faz o contrário?

A verdade é que a Deputada Janaína, embora com muito mais preparado e conhecimento, também tem pisado na bola. E outros tantos, do mesmo lado, também. Poucos são os que se salvam. Sinal dos tempos ou será “final dos tempos”?

UMA TÔNICA – O destempero, o despreparo, o desconhecimento dos cargos e das funções é geral e tem sido uma tônica nos últimos anos. E ai daqueles que tentam levar os “desgarrados” para o lugar de direito.

Liturgia de cargos, só na igreja e olha lá. E o pessoal, dos dois ou três lados, vibra! Por que será? Ora, quem elege não é melhor do que os que são eleitos…

Parece que teremos de atravessar a ponte correndo, mas com este pessoal mesmo. Os anteriores estragaram as estradas, derrubaram a mata e tocaram fogos nos princípios e valores morais e éticos que ainda sobravam.

E VAI PIORAR? – Endireitando o restos dos cabelos que sobraram, me veio a pergunta fatal: ainda poderemos cair mais? Segundo meu amigo João Jorge, “sempre tem espaço para piorar”.

Queria ter algo a dizer, algo para iluminar e ajudar a vencer este terrível período de obscurantismo geral. Mas tenho de deixar para mais adiante. Tenho de me preparar, receber indicações e novas energias.

O domingo promete muitas emoções. Acho que vou ler Maquiavel e Zygmunt Bauman, uma dobradinha que explica as coisas inexplicáveis. Talvez me dê um pouquinho de paz.

Se a manifestação for um sucesso, Bolsonaro ganha força para peitar o Congresso

Imagem relacionadaAngela Afonso
Folha

Grandes manifestações são colchaS de retalhos de várias pequenas simultâneas. Foi assim em 2013, quando havia muitos movimentos, mas apartados em campos diferentes: o autonomista, focalizando novas identidades, o socialista, em torno de direitos sociais, e o patriota, com a anticorrupção. Distintos, mas lado a lado.

A história foi outra em março de 2015. O campo patriota tomou a rua sozinho e vertentes começaram a assomar. A diferenciação ficou suspensa durante a campanha “Fora Dilma”, respondida pela contrária, “Não vai ter golpe”. Esse ciclo de protestos polarizou a rua entre defesa e ataque ao impeachment, ambos os lados massudos, mas separados. Em 2013, os contrários se suportavam; em 2015, não.

NA ELEIÇÃO – A intolerância cresceu em 2018, em atos sucessivos de sentido oposto (“Ele não”, “Ele sim”) nas vésperas da eleição. Um lado levou na urna, o outro sobreviveu na rua e se reaglutinou no “Lula livre”. Mas o foco no ex-presidente limitava a adesão.

A esquerda se reinflou na rua por obra do governo, que pôs na mesa pautas transversais com capacidade de tração: educação e Previdência. O ato de 15 de maio foi vigoroso porque incidiu sobre categorias muito articuladas: professores universitários e estudantes. Nacional e coordenado, tomou 222 cidades, em todos os estados. A envergadura, contudo, variou da dúzia às centenas de milhares.

Ao contrário do prometido na hashtag “tsunami”, não repetiu a casa do milhão de 2013 e 2015. O maior evento, o paulistano, congregou 250 mil. Isso na conta da UNE, que — cabe desconto — somou 1,5 milhão no país todo. Não é pouco, mas um único ato do campo patriota em São Paulo, em 2015, reuniu perto de 1 milhão —a PM estimou, reaplique-se o desconto.

SEM NOVIDADES – A esquerda voltou sem as novidades — formas horizontais de organização, tática black bloc— que impactaram em 2013. Trouxe o estilo de protesto usual do campo socialista, com seu arsenal vermelho. Idem para os atores. Além das esperadas associações de professores, funcionários e estudantes, lá estavam os sindicatos, movimentos e partidos de esquerda.

Já o campo patriota atravessou o espelho. Queira ou não, virou governo. Sua unidade vinha do alvo comum. Com o inimigo na cadeia e o amigo no Planalto, a coesão desmanchou. Os subcampos liberal, conservador e autoritário abriram diferenciação entre si. O que o antipetismo uniu, o poder separa.

Quem chama o ato deste domingo (26) são vários movimentos conservadores, o NasRuas à frente, todo o subcampo autoritário (Direita São Paulo, Despertar Patriótico, Avança Brasil, Patriotas Lobos Brasil, São Paulo Conservador etc), mais o Clube Militar, de amplo poder de convocação, e o MC Reaça, o preferido dos Bolsonaros. Movimentos liberais, como o Vem Pra Rua e o MBL, protagonistas no “Fora Dilma”, abandonaram o evento.

A DEFINIÇÃO – Até o fim do domingo se saberá a natureza da relação governo-rua. Se o apoio pender para o subcampo liberal, que recomendou faltar, a mobilização será um fiasco e o presidente (mesmo se ausente, a simpatia é óbvia) queimará pontes.

Mas se o ato dos subcampos conservador e autoritário for expressivo, Bolsonaro se cacifará para peitar o Congresso e obrigará a oposição, para seguir viável, a levar tanto ou mais gente a sua próxima manifestação.

Ao contrário do que dizia o cronista João do Rio, a rua não tem uma só alma. Tem várias. Cedo ou tarde, uma delas tomará o corpo governamental. Seja qual for, não encantará a todos.

Ameaça de Paulo Guedes se demitir, no fundo, obrigou Bolsonaro a se pronunciar

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Com Guedes ou sem Guedes, Bolsonaro terá de tocar as reformas

Pedro do Coutto

Teve muita repercussão a ameaça do Ministro Paulo Guedes de que, se a reforma não for aprovada nos moldes que o governo deseja, ele deixará o Ministério da Economia. A declaração primeiro foi veiculada na edição da revista Veja, e em seguida pelo O Globo, edição de ontem. A matéria completa está na Veja que está nas bancas esta semana.

A impressão que se tem é que a reportagem de O Globo, como o jornal acentua, partiu do acesso a edição online da revista, o que mostra a ampliação do episódio. No Globo, assinam a matéria Gustavo Maia, Marcelo Correa, Daniel Gullino e Bárbara Nóbrega.

FUNÇÃO LEGISLATIVA – Os deputados e senadores, por seu turno, estão na obrigação de rebater a ameaça do Ministro Paulo Guedes, pois, se ficarem em silêncio, terminam concordando com o Ministro e abrindo mão da própria tarefa do Legislativo. Se o Legislativo não assumir seu papel de poder emendar a proposição, terá se conformado apenas como órgão carimbador das mensagens do Executivo. Isso de um lado.

De outro, o episódio abrange declarações do presidente Bolsonaro, que nelas incluem a perspectiva de considerar a saída de Paulo Guedes na equipe do governo. Disse o presidente da República que ninguém é obrigado a ser ministro, mas depois amaciou, afirmando que representará uma catástrofe para a economia brasileira a não aprovação da reforma da Previdência.

RESULTADO INÓCUO – A reportagem de O Globo acrescentou que Paulo Guedes está no seu direito se deixar o Ministério, é verdade se não aprovarmos a reforma realmente próxima ao texto original, e se o texto original sofrer muitas alterações, terá se transformado num resultado inócuo.

Jair Bolsonaro ainda fez referência as manifestações de rua projetadas por seus eleitores, mas disse que não participará de nenhuma delas.

Assim, a crise tornou-se mais densa e mais difícil de se administrar. Na minha opinião não há nenhuma possibilidade de a reforma da Previdência poder proporcionar uma receita de 1 trilhão de reais em 10 anos ou 100 bilhões por ano. Esses 100 bilhões neste ano seria decorrentes de que cortes? Só pode ser, o que é impossível, reduzindo aposentadorias e pensões. Porque o adiamento de aposentadorias com exigência maior de idade de contribuição para o INSS somente poderia começar a fazer efeito daqui a pelo menos três anos. Para mim o Ministro Paulo Guedes está viajando a bordo de uma ilusão.

ADEUS A FUAD ATALA – O grande jornalista Fuad Atala faleceu sexta-feira. Excelente profissional. Integrava a turma do Correio da Manhã, cujos integrantes encontravam-se sempre para lembrar o passado. Depois do Correio da Manhã Fuad Atala trabalhou por mais de vinte anos em O Globo e depois na Ultima Hora.

Na eternidade, acredito que seu amor pelo velho Correio da Manhã não acabará nunca. Ele jamais faltava às reuniões semestrais da velha guarda do lendário jornal carioca.

Fanatismo político é uma doença degenerativa da mente e da alma. Pense nisso.

Resultado de imagem para fanatismo político frasesCarlos Newton

Os brasileiros estão sofrendo mais uma epidemia de fanatismo, esta estranha doença degenerativa da mente e da alma. Até recentemente, era Deus no céu e Lula da Silva na terra. E o líder petista incentivava esse culto à personalidade, chegando a dizer que nem era mais uma pessoa, porque já havia se transformado numa “entidade”.

“ENVIADO DE DEUS” – Agora, Jair Bolsonaro vai pelo mesmo caminho e na semana passada ele próprio divulgou a entrevista de um pastor franco-congolês, anunciando que o capitão havia sido “escolhido por Deus” para salvar o Brasil.

Já tínhamos ouvido falar que Deus é brasileiro, mas não sabíamos que se dividia em dois para atender às preferências dos eleitores locais.

Hoje vai haver a grande manifestação doS admiradores de Bolsonaro, em mais de 300 cidades. Será uma espécie de terceiro turno, como diz o jornalista e advogado José Carlos Werneck, que conhece como poucos os bastidores do poder.

CONTRA E A FAVOR – Werneck chegou a escrever uma convocação para que as pessoas saiam às ruas e manifestem seu inconformismo em relação ao Supremo e ao Congresso, embora ele próprio faça restrições ao governo Bolsonaro, especialmente no tocante à atuação dos ministros Paulo Guedes, Damares Alves e Abraham Weintraub, que a seu ver são mais indigestos.

Ninguém sabe o que vai acontecer. Pode ser que haja uma supermanifestação nacional, que politicamente seria consagradora para o presidente da República e seu filho Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que tem o condão de manejar as redes sociais.

Mas há possibilidade de ser um evento de porte médio, tipo as passeatas universitárias do último dia 15, sem maiores repercussões. Ou até mesmo ser um fracasso monumental, que balance o coreto de Bolsonaro e faça com que desista definitivamente de sofrer influência dos filhos e do guru virginiano Olavo de Carvalho, que formam uma nova versão dos três mosqueteiros que eram quatro.

THE DAY AFTER – Como ocorre no cinema, às vezes o importante é o dia seguinte. No caso desta manifestação pró-Bolsonaro, já se sabe que – seja sucesso ou fracasso – a iniciativa não terá resultado algum, porque o Supremo não está nem aí e o Congresso continuará na dele, buscando uma versão menos traumática e ensandecida da reforma da Previdência, uma alternativa ansiada pelo próprio Bolsonaro, que já percebeu que o ministro Paulo Guedes não é totalmente confiável, muito pelo contrário.

Para quem sabe ler nas entrelinhas, a entrevista concedida à Veja diz tudo, é uma prato feito de vaidades. Ao tomar conhecimento das declarações, Bolsonaro deu-lhe uma resposta à altura, ao dizer que no governo dele ninguém é obrigado a ser ministro.

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P.S.
Pensando bem, se Guedes pedisse o boné e fosse logo morar “lá fora”, como está ameaçando ridiculamente, com toda certeza ele se transformaria numa ausência que preencheria uma lacuna. Infelizmente, porém, o ministro não pode se demitir, porque perderá o foro especial no Supremo.

P.S. 2Como se sabe, Guedes está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio e pelo Tribunal de Contas da União, devido aos golpes que deu ao aplicar recursos dos fundos de pensão em ativos criados por ele próprio, antes de ser nomeado ministro. Portanto, Guedes jamais pedirá demissão. É tudo conversa fiada. Desse jeito, pode até ganhar o Oscar de Ator Coadjuvante.  (C.N.)

“Volta! Vem viver outra vez ao meu lado!”, cantava Lupicínio, apaixonadamente

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Lupicínio Rodrigues era o rei da dor de cotovelo

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, sempre foi um mestre no emprego do lugar-comum, tal qual ele capta nos versos de “Volta” o imenso vazio das noites que a saudade as torna insones.  A música foi gravada por muitos intérpretes, inclusive Gal Costa, no LP Índia, em 1973, pela Phonogram.

VOLTA
Lupicínio Rodrigues

Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama,
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama.

O calor das cobertas
Não me aquece direito…
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.

Volta!
Vem viver outra vez ao meu lado!
Não consigo dormir sem teu braço,
Pois meu corpo está acostumado…

Domingos Meirelles manipula a Justiça e volta a dirigir a ABI (apenas por enquanto)

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Eleição na ABI está “sub judice”, mas Domingos Meirelles vai sair

Arnaldo César

Em seus 111 anos de existência, a ABI nunca presenciou um processo eleitoral marcado por tantos golpes baixos, deslealdades, mentiras, mandonismos e bizarrices jurídicas. No final da tarde da sexta-feira passada (24/05), iludido por argumentos ardilosos e falaciosos, o desembargador Marcelo Lima Buhatem, da 22ª Câmara Cível do TJ-RJ, decidiu manter temporariamente o ex-presidente Domingos Meirelles no comando da instituição.

O desembargador Buhatem, na quinta-feira (16/05), já havia impedido que fossem apurados os votos da eleição da nova direção da ABI, que desde o início do ano o então presidente Domingos Meirelles tentou boicotar, por saber que estava previamente derrotado. E desde então resolveu tentar se manter à frente da ABI através de recursos jurídicos que usam argumentos aparentemente verdadeiros, mas que estão marcados pela chamada litigância de má fé.

SEM PRESIDENTE – Ao despachar provisoriamente a favor de manter Domingos Meirelles à frente da ABI, o desembargador Buhatem foi levado a erro, por julgar que a entidade estava acéfala. E realmente até chegou a estar acéfala, porque antes da eleição Domingos Meirelles abandonara a presidência, sem transmitir o cargo ao vice-presidente, e seu mandato já estava terminado desde 13 de maio.

O desembargador desconhece também que, para evitar a acefalia, foi então realizada uma Assembleia-Geral dos Associados, que decidiu nomear o conselheiro Fichel Davit como presidente interino, até serem apuradas as urnas.

Além disso, o desembargar Buhatem também não sabia que, para garantir a realização de eleições, as chapas oposicionistas tiveram de recorrer à Justiça, para obrigar o então presidente Meirelles a fornecer os nomes, endereços e e-mails dos associados, solicitação que ele se recusava a atender, para impedir que outras chapas pudessem fazer campanha.

NO TRIBUNAL – A situação atual está surrealista, porque a ação movida para obrigar Meirelles a realizar eleições livres foi aceita em primeira e segunda instâncias, e ele foi obrigado pelo Tribunal de Justiça a fornecer a lista de associados às duas chapas oposicionistas.

Portanto, a eleição foi convocada e marcada por decisão judicial. Só estava faltando apurar as urnas, mas Domingos Meirelles conseguiu atravessar uma petição ao desembargador Buhatem, que até então não havia participado da disputa judicial. Sem maiores informações, deferiu a liminar, julgando que a tradicional ABI pudesse estar sendo submetida a um golpe. O magistrado jamais poderia supor que pudesse estar sendo usado em litigância de má-fé, mas é exatamente isso que está acontecendo.

SOLUÇÃO AMIGÁVEL – O fato concreto é que o desembargador Buhatem se apiedou de Meirelles e decidiu que ele retornasse ao comando da ABI. No entanto, mesmo sem conhecer realmente o que está acontecendo na instituição, o magistrado desconfiou que há algo de errado na argumentação de Meirelles e o aconselhou que tentasse uma “solução amigável” com os seus adversários na eleição.

A classe jornalística está acompanhando, estarrecida, a desfaçatez de Meirelles, que usa o status de presidente da ABI para induzir o Judiciário a erro. Mas é só uma questão de tempo até que o próprio desembargador Buhatem tome conhecimento do que está realmente acontecendo na ABI.

Não vou à manifestação pró-Bolsonaro, porque o presidente não merece nosso apoio

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Bolsonaro é obsessivo com a Previdência, mas esquece o resto

Francisco Bendl

Não vou a esta passeata ou sair de casa para apoiar o governo de Bolsonaro, mas não, mesmo. E de forma alguma condeno quem for, longe disso, pois respeito a decisão de cada pessoa – assim, se você entender que deve comparecer, que atenda à sua vontade.

Deixarei de me juntar aos apoiadores do atual governo porque a essência desta manifestação é o protesto contra o Supremo e o Congresso, que merecem as críticas, porém o movimento não é do povo, para o povo e pelo povo, que continuará de fora das decisões palacianas, mesmo sendo solidário ao Executivo.

EU ATÉ IRIA… – Fosse a reação dessas pessoas em favor do pobre, do miserável, do necessitado, por uma outra educação e de nível, como protesto pela saúde pública deteriorada … confesso que eu iria, e de bandeira em punho.

Porém esta manifestação, exclusivamente para auxiliar Bolsonaro a mostrar que ainda tem a confiança do povo, estou fora. Na verdade, quem deveria fazer uma passeata imensa, com extrema sinceridade e verdade, são os Três Poderes, implorando para que o cidadão brasileiro volte a confiar nas autoridades constituídas!

Apoiar um dos poderes, o mais incompetente, sem criatividade, que apenas aumenta impostos ou inventa novos, foge completamente às minhas intenções de solidariedade aos que hoje ainda não se alimentaram, e não sabem se vão conseguir algum resto de comida!

POR QUE NÃO FEZ – Eu sairia às ruas berrando pelo nome de Bolsonaro, se ele tivesse apresentado medidas imediatamente à sua posse, no sentido de incentivar o emprego, se tivesse criado frentes de trabalho, se abrisse o Brasil para licitações à construção de ferrovias, rodovias, pontes, elevados, viadutos, túneis, escolas, hospitais … até mesmo pedisse ao inútil e corrupto Congresso que liberasse a instalação de cassinos, meio excelente de empregar centenas de pessoas diretamente e milhares indiretamente!

A ideia do presidente era uma só, e continua, uma espécie de obsessão: a reforma da Previdência!

ESTÃO MENTINDO – Se dizem que não vai prejudicar o pobre, mentem desbragadamente, incluindo alguns comentaristas que tentam negar a realidade, pois se alguém me provar que o pobre não terá de trabalhar bem mais para ter a sua aposentadoria completa, logo, mais tempo para ter o que é seu, que antes poderia ser quando completasse 35 anos de semiescravidão, o engodo, enganar o povo é a intenção!

A tal reforma poderia ser feita após a metade do tempo governamental, quando o emprego tivesse reagido, a economia mais forte, uma auditoria da Previdência, a caça aos sonegadores, outra auditoria sobre a dívida pública, incluindo reformas fiscais, políticas, educacionais…

Nada disso Bolsonaro levou adiante.

É POR ISSO… – Logo, o meu apoio ao seu governo, Bolsonaro não o terá. Não que eu seja contrário à passeata, às manifestações populares, claro que não.

Eu apenas gostaria que o povo que sairá às ruas hoje se lembrasse dos que não têm voz, representatividade, solidariedade e respeito de nossos governantes. Além disso, os mais carentes são sistematicamente esquecidos pelas faixas mais privilegiadas da população. É como se eles não existissem.