Paulo Peres
Poemas & Canções
O engenheiro, publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano Manoel Bastos Tigre (1882-1957), no soneto “Argumento de Defesa”, ao ser acusado de caluniar uma senhora, apresenta o seu melhor argumento de defesa, embora altamente preconceituoso, ou seja, ele sempre achou-a feia demais para não ser honesta.
ARGUMENTO DE DEFESA
Bastos Tigre
Disse alguém, por maldade ou por intriga,
que eu de Vossa Excelência mal dissera:
que tinha amantes, que era “fácil”, que era
da virtude doméstica, inimiga.
Maldito seja o cérebro que gera
infâmias tais que, em cólera, maldigo!
Se eu disser tal, que tenha por castigo
o beijo de uma sogra ou de outra fera!
Ponho a mão espalmada na consciência
e ela, senhora, impávida, protesta
contra essa intriga da maledicência!
Indague a amigos meus: qualquer atesta
que eu acho e sempre achei Vossa Excelência
feia demais para não ser honesta…
Conheço um que foi chamado de estuprador – a acusadora atribuiu a este sujeito a feitura de um tipo penal – e ele revidou , afirmando que ela não deveria se preocupar com a possibilidade de estupro, “pois ela nao fazia o seu tipo”. Pous bem, ele foi condenado pelo Supremo Tayayá por “fazer apologia de crime”, como se tivesse falado que ė uma delícia estuprar alguém. É ela ? Bem, ela, que cometeu o crime de calúnia, não foi condenada.
“Vossa Excelência é um ladrão !”
“Vossa Excelência me chama de ladrão. Mas ladrão de quê ?”
“Ladrão da honra alheia !!!”
“Então, V. Excelência não precisa ficar preocupado comigo.”
Carlos F W de Lacerda seria, certamente, punido por este STF atual.