Apesar da Lava jato, combate à corrupção ainda segue a passos lentos no país

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“Foro privilegiado gera impunidade”, diz Santos Lima 

Mateus Castanha
O Tempo

Há exatos 15 anos, o Brasil assinava na cidade de Mérida, no México, juntamente com outros 101 países, a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, o mais abrangente tratado já feito sobre o tema. A histórica data passou a ser lembrada – e celebrada – como o Dia Internacional contra a Corrupção, apesar de muitos dos signatários do acordo não terem o que comemorar. No caso do Brasil, especialistas apontam que medidas importantes já foram tomadas, mas que o Estado ainda caminha a passos lentos no combate a um dos seus principais flagelos.

“A luta contra a corrupção é como uma corrida de obstáculos. Você vai pulando um, pulando outro, mas eles surgem de novo, e mais e mais barreiras. Eles se reproduzem como pragas. Então, é muito difícil realmente lutar contra a corrupção num país como o nosso, em que você tem uma histórica cultura do compadrio”, disse Roberto Livianu, promotor de Justiça em São Paulo, idealizador e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

LAVA JATO – Entre as ações mais destacadas está a criação de leis como a da Ficha Limpa, Anticorrupção, de Responsabilidade Fiscal e das Estatais, além da regulamentação da delação premiada, instrumento que acabou catapultando a operação Lava Jato, inegavelmente o maior símbolo do combate à corrupção no Brasil.

Ainda de acordo com o promotor paulista, além dos efeitos práticos, a Lava Jato desempenhou papel importante ao mostrar para os brasileiros que a lei poderia ser aplicada a todos. “No Brasil, isso nunca foi algo normal. Poderosos sempre se safaram. A partir do mensalão e, depois, com a Lava Jato, os poderosos sentiram o peso da lei. Pela primeira vez, tivemos uma sensação mais nítida de que a lei alcança a todos”, disse.

Já para o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integrou a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba durante quatro anos e meio, ainda que a aprovação de diversas leis anticorrupção tenha mostrado eficácia, o país segue deixando muito a desejar no que diz respeito à parte processual.

FORO PRIVILEGIADO – “Nós precisamos acabar com o foro privilegiado, porque é um sistema que privilegia a casta política, que é justamente a responsável pela maior parte dessas falcatruas descobertas na Lava Jato”, ponderou o procurador da República.

Na verdade, a opção por Sérgio Moro no Ministério da Justiça é bom indicativo das intenções do governo. Maior símbolo da operação Lava Jato, o ex-juiz federal Sergio Moro assume em janeiro e entre suas muitas atribuições, estará a intensificação das medidas de combate à corrupção.

Para o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que trabalhou ao lado de Moro na força-tarefa da Lava Jato, a opção do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) é uma clara sinalização de que a agenda anticorrupção estará presente na nova gestão.

OUTROS DESAFIOS – “É claro que a pasta do Ministério da Justiça, ainda mais agora com a segurança pública, tem outros grandes desafios, além da corrupção. Mas tenho certeza de que, pelo menos nesse assunto, o empenho do doutor Sergio Moro será total”, afirmou.

Opinião semelhante tem o promotor de Justiça em São Paulo, idealizador e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu. Segundo ele, além dos predicados técnicos, o futuro ministro já demonstrou a importância que dá ao tema da corrupção.

“Trata-se de um homem que colaborou decisivamente para a construção de uma página melhor no combate à corrupção no Brasil. A escolha de Sergio Moro, a meu ver, é um ‘gol de placa do meio de campo’ que o presidente Bolsonaro marca, porque Moro entende como ninguém do tema ‘combate à corrupção’ e é sabido e ressabido, até pelo seu posicionamento público, que ele aceitou esse convite para se dedicar com extrema força a essa agenda”, pontuou Livianu.

Ao voltar a falar do motorista, Bolsonaro confunde “depósitos” com “repasses”

9.dez.2018 - Bolsonaro foi a banco na zona oeste do Rio

Mesmo sem tempo, Bolsonaro foi hoje ao banco

Por G1

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou neste domingo (9) que Fabrício José de Carlos Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, vai explicar as movimentações bancárias consideradas suspeitas citadas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o órgão, Queiroz movimentou mais de R$ 1,23 milhão, entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Ainda de acordo com o Coaf, Queiroz depositou R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Bolsonaro conversou com a imprensa na porta de casa, depois de ir ao banco e tomar água de coco na praia, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. “Ele [Queiroz] vai dar as explicações”, afirmou Bolsonaro ao ser questionado sobre o assunto.

CONTA DA MULHER – Bolsonaro foi ao caixa eletrônico um dia depois de explicar o depósito na conta da mulher, Michelle. O presidente eleito disse que o dinheiro quitou uma dívida de Queiroz com o próprio Bolsonaro e foi depositado na conta da futura primeira-dama por “questão de mobilidade”, pois ele tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

“Tenho dificuldade para ir em banco, andar na rua. Deixei para minha esposa. Lamento o constrangimento que ela está passando no tocante a isso, mas ninguém recebe ou dá dinheiro sujo com cheque nominal, meu Deus do céu”, disse o presidente durante entrevista neste sábado (dia 8).

REPASSES – O relatório do Coaf também revela que oito servidores que trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), fizeram transferências bancárias para uma conta do ex-assessor Fabrício de Queiroz.

Entre os nomes citados estão o da filha de Fabrício, Nathalia Melo de Queiroz, a dele, mulher Márcia Oliveira Aguiar, e também: Agostinho Moraes da Silva, Jorge Luís de Souza, Luíza Souza Paes, Raimunda Veras Magalhães e Wellington Servulo Rômulo da Silva.

“Das três pessoas que repassaram mais de R$ 4 mil ao longo de ano é duas filhas e uma esposa. Os outros cinco, um repassou R$ 800. Não repassou, botou na conta dele. R$ 800 é repasse ao longo de um ano? Ah, pelo amor de Deus”, comentou Bolsonaro neste domingo.

SISTEMA ELEITORAL – Jair Bolsonaro voltou a defender neste domingo um sistema eleitoral que possa ser auditado. “Não é mudança no sistema eleitoral. Nós queremos ter um sistema que possa ser auditado. Nós queremos uma urna eletrônica que tenha uma maneira de, ao havendo qualquer desconfiança, você ter uma comprovação”, disse.

Neste sábado (8), Bolsonaro afirmou, durante teleconferência na Cúpula Conservadora das Américas, que pretende levar ao Congresso uma proposta de mudança no sistema de votação no Brasil já no primeiro semestre de 2019. A cúpula foi organizada por seu filho, Eduardo Bolsonaro, em Foz do Iguaçu (PR).

Bolsonaro disse que a ideia é apresentar um projeto de lei que modifique a forma de votação. “Como se fosse em voto impresso, mas vai ter uma forma mais atualizada do que essa”, explicou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica o registro: Bolsonaro afirmou que é o motorista que tem de dar explicações sobre a conta. E, num ato falho, o presidente eleito confundiu “repasse” com “depósito”, como se as palavras tivessem o mesmo significado.  (C.N.)

Temer segura novo decreto de indulto à espera de definição do Supremo

Temer espera que o STF seja pressionado a decidir de imediato

Daniela Lima
Painel/Folha

A ordem no Palácio do Planalto é não tratar do decreto de indulto natalino deste ano antes que o Supremo Tribunal Federal encerre a discussão sobre o de 2017, que afrouxou as regras para concessão de perdão a condenados. Ao julgar ação que levou à suspensão dos efeitos da medida, a maioria dos ministros da corte defendeu as prerrogativas do chefe do Executivo e votou pela manutenção do texto original, mas um pedido de vista de Luiz Fux interrompeu o julgamento há uma semana.

O texto do novo decreto ainda está sob análise da consultoria jurídica do Ministério da Segurança Pública. Se Fux não devolver o processo e o STF não concluir o julgamento antes do Natal, é possível que o presidente Michel Temer nem sequer conceda indulto neste ano.

NO LIMBO – Temer acha que um novo decreto pode ser alvo de questionamento se o Supremo deixar o caso em aberto. Com a virada do ano, diz a Defensoria Pública da União, a medida de 2017 expiraria e a ação contra ela perderia objeto sem fixar o entendimento da corte sobre o tema.

Um ministro do STF teme que esse desfecho alimente pressões sobre a corte. Segundo ele, advogados de presos que contam com os benefícios do indulto poderiam entrar com habeas corpus para que a vontade da maioria dos ministros prevaleça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, a hesitação de Temer é explicável. Se ele baixar o novo decreto, cumulativamente com o anterior, o número de beneficiados vai aumentar expressivamente, em meio à esculhambação jurídica existente e coonestada pelo Supremo, sempre pronto a apoiar criminosos de elite, estejam de colarinho branco ou imundo. (C.N.)

O supremo desgaste da Suprema Corte já chegou a um ponto de paroxismo

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Charge do Aroeira (Portal O Dia-RJ)

Ruy Fabiano
Blog do Noblat, Veja 

A atual composição do Supremo Tribunal Federal, em que parte de seus membros passou a ser hostilizada de maneira recorrente pelo público, nos mais distintos ambientes, é a maior aliada dos que propõem mudanças no modo de nomeação de seus ministros. Há diversas propostas nesse sentido, que vão do concurso público à fixação de um mandato para seus integrantes.

Não se trata apenas de a nomeação ser política. Também o é nos Estados Unidos, mas com algumas diferenças básicas. Lá, os indicados submetem-se a uma sabatina rigorosa no Senado (que já barrou alguns postulantes), têm seu passado e atividade acadêmica virados do avesso e, a partir da nomeação, assumem estilo de vida quase celibatário.

CONVESCOTES – Não frequentam, por exemplo, convescotes com políticos e advogados, como é comum por aqui. Os grandes nomes da advocacia em Brasília adquiriram reputação menos por razões de ordem técnica e mais pelos relacionamentos que mantêm com os ministros.

As sabatinas no Senado são meras formalidades. Nenhum postulante jamais foi barrado. E não há coincidência.

Os senadores são julgados pelo STF e os ministros do STF são, em tese (jamais houve um caso), julgados pelo Senado, instância que pode decretar o impeachment de um ministro. O que se tem é uma espécie de acordo tácito entre as Casas, jamais descumprido.

IMPEACHMENT – Há, neste momento, alguns pedidos de impeachment no Senado, todos devidamente engavetados. Gilmar Mendes é o alvo preferencial, mas Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski também são demandados. Lewandowski, inclusive, acaba de ter novo pedido encaminhado ao Senado pelo jurista Modesto Carvalhosa, que o acusa de abuso de poder, por ter mandado prender um advogado que lhe disse, a bordo um avião, se envergonhar do STF. Não é seguramente uma opinião solitária.

A Constituição exige, dos postulantes a uma vaga no Supremo, reputação ilibada e “notório saber jurídico”. Ou seja, não basta saber; é preciso que esse saber seja notório, de conhecimento público, o que pressupõe obras publicadas.

CASO DE TOFFOLI – O atual presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, ao ser nomeado por Lula, não tinha (como ainda não tem) um só livro publicado e havia sido reprovado em dois concursos para juiz. Detalhes, achou o Senado.

Graças ao quinto constitucional – dispositivo previsto no artigo 94 da Constituição, que determina que 20% das vagas dos tribunais sejam preenchidos por advogados e promotores, e não por juízes de carreira -, a Corte Suprema tem um único juiz: Rosa Weber. Os demais são egressos da advocacia ou do Ministério Público. Uma Corte sem juízes.

Seu atual presidente era advogado do PT e ex-chefe de gabinete de José Dirceu. No STF, mostrou-se leal a suas origens, ao liberar da prisão seu ex-chefe, não obstante sobre ele pesar uma condenação, em segunda instância, de 30 anos de prisão.

PAROXISMO – A impopularidade, decorrente do descrédito, chegou ao paroxismo em face da notória resistência à Operação Lava Jato.  O ex-ministro Ayres Brito, que presidiu a Corte ao tempo do Mensalão, costuma dizer que “o STF é uma porta que só se abre por dentro”. Ou seja, deve ser seletiva em relação ao que lhe mandam.

No entanto, Lula já o mobilizou sucessivas vezes com pleitos idênticos – alguns despropositados – e a fez rever sua própria jurisprudência diversas vezes, em prazos inusitados. Uma jurisprudência se estabelece para durar indefinidamente.

Mas, não obstante o STF ter decidido por três vezes, nos últimos três anos, em favor da prisão em segundo grau, o tema voltará ao exame no início de 2019. Não por acaso, o postulante é, mais uma vez, Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Mais um excelente artigo de nosso amigo Ruy Fabiano, irmão do grande violonista Rafael Rabelo. O conteúdo é precioso, mas cabe um reparo: Luiz Fux também é juiz e fez carreira na magistratura. Quer dizer, dos onze ministros, apenas dois são realmente juízes. (C.N.)

Vamos torcer para que o presidente Bolsonaro nada tenha feito de irregular

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Assessor Fabricio precisa ser investigado

Jorge Béja

“Ninguém recebe ou dá dinheiro sujo em cheque nominal”. A afirmação é de Jair Bolsonaro, neste sábado, 8 de dezembro. Bolsonaro ainda esclareceu que emprestou dinheiro ao assessor parlamentar de seu filho e que Queiroz, beneficiário do empréstimo, estava devolvendo o dinheiro emprestado através da emissão de cheques no valor de 4 mil reais cada um. A explicação pode ser verdadeira, mas vai depender de provas, porque a movimentação na conta do assessor Queiroz foi além dos R$ 1,2 milhão, muito expressivo e fora do alcance de quem recebia por mês salário de pouco mais de R$ 20 mil.

Mas a afirmação de Bolsonaro de que ninguém recebe ou dá dinheiro sujo em cheque nominal não basta. É determinação antiga do Banco Central de que cheques acima de R$ 100,00 só podem ser pagos se forem cheques nominais. Se não forem, os cheques são devolvidos pelo motivo (alínea) 48 – “emitido sem a identificação do beneficiário acima o valor estabelecido”.

OBRIGATORIEDADE –  afirmação de Bolsonaro (“ninguém recebe ou dá dinheiro sujo em cheque nominal”) deixa entender que se o cheque não for nominal, aí se pode receber ou dar dinheiro sujo através de cheque, desde que não seja cheque nominal. Bolsonaro se esqueceu da determinação do Banco Central sobre a obrigatoriedade da identificação do beneficiário dos cheques acima de R$100,00.

Ao rigor da lei, não tem escapatória, A promotoria pública, federal e/ou estadual, que tomar conhecimento de tamanhas extravagâncias (movimentação de elevada quantia transitando na conta bancária de Queiroz, incompatível com seus ganhos, e a destinação de parte dela a terceiros, incluindo a esposa de Jair Bolsonaro) obrigatoriamente cumpre-lhes abrir investigação e até mesmo inquérito para a elucidação dos fatos.

PODER MORAL – Vamos torcer para que tudo seja esclarecido e ao final chegue-se à conclusão de que nada de irregular ou criminoso aconteceu. Porque se a conclusão não for esta, a decepção para o povo brasileiro será enorme, porque a figura do “mito” Bolsonaro cairá por terra e o presidente eleito deterá o poder temporal do cargo, mas sem o poder moral que lhe é sempre indispensável. E sem poder moral não será respeitado.

Governo francês anuncia que houve 135 feridos em protestos de Paris no sábado

Coletes amarelos

O novo governo francês decididamente não está agradando

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ministro do Interior da França disse neste sábado (dia 8) que a violência dos protestos em Paris está “sob controle” apesar do clima ainda tenso, mas classifica essa violência como “totalmente inaceitável”.

Christophe Castaner disse que 135 pessoas ficaram feridas nos protestos deste sábado, incluindo 17 policiais. Ele diz que medidas de segurança “excepcionais” permitiram que policiais prendessem quase mil pessoas.

Casataner estimou que havia 10.000 manifestantes de coletes amarelos em Paris, e cerca de 125 mil manifestantes em todo o país. Manifestantes quebraram vitrines e incendiaram as ruas da capital francesa e entraram em confronto com a polícia, que atirou bombas de gás lacrimogêneo.    

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A França parece imitar o Brasil. Os protestos exigem mais respeito aos direitos dos pobres e menos privilégios aos rico. A diferença é aqui abaixo do Equador quem toca fogo em veículos nas ruas são criminosos de verdade, que dão preferência aos ônibus. Na França, os manifestantes não são criminosos de verdade e só incendeiam veículos particulares, para não prejudicar o transporte popular. A crise é gravíssima e parece ser de difícil solução. O turismo vai começar a ser prejudicado e ninguém mais poderá proclamar que Paris é uma festa móvel, como dizia Ernest Hemingway. (C.N.)            

Jamais pensei que Jair Bolsonaro fosse a alma mais honesta, mas votei nele

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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Pedro Meira

Nunca me passou pela cabeça que Jair Bolsonaro fosse a alma mais honesta do Congresso. Já durante a campanha faziam insinuações sobre seu patrimônio imobiliário, sobre seus funcionários, e por aí vai. Votei nele mesmo assim, porque o mais importante era derrotar o PT e sua nêmeses e alma gêmea, o PSDB, que não só praticaram a corrupção em muito maior grau, como corromperam a alma nacional.

Tucanos e petistas são corruptos, mas agem como se tivessem algum mandato divino para governar o país pra sempre, e além disso investir na eterna quimera de toda esquerda, a de fabricar um “homem novo”.

LULA E FHC – O “homem novo” petista-tucano idolatrará Lula e FHC, votará em seus candidatos, aceitará os abusos de seus governos, e se preocupará apenas com demandas politicamente corretas, enquanto o país vai pro brejo, se orgulhará dos gastos bilionários para enriquecer empreiteiros e pseudo-empreendedores do glorioso novo Maracanã, “modernizado” para ficar mais caro e com menos assentos.

Ao mesmo tempo, aceitará a criminalidade crescente e a deterioração dos serviços públicos básicos como fardos da “modernidade”, e acreditará que os problemas do país se resolverão espalhando por aí clínicas de aborto para que os pobres não tenham taxas de natalidade ‘subsaarianas’, como pretendia aquele ícone “progressista”, o Sérgio Cabral, um dos nossos futuros presidentes.

QUALQUER OUTRO – Eu preferia que o Brasil tivesse tido qualquer outro governo que não dos tucanos ou dos petistas, mesmo que fosse tão corrupto quanto. Um Maluf ou ACM na presidência não teriam feito tanto mal ao Brasil quanto FHC e Lula, eram menos pretensiosos.

Teria votado em qualquer um contra PT e PSDB, até em alguém tão corrupto quanto o Maluf. Pelo menos para que alguma coisa na aparência. Basta da sinalização de virtude petista-tucana. Também teria votado num Olavo de Carvalho, a quem acho um maluco completo.

Um governo um pouco menos corrupto já seria um progresso. Mas a desintoxicação da propaganda conjunta tucano-petista já seria uma vantagem. Mesmo que todos sejam corruptos, pra que manter o PT pra sempre no poder? Por um assistencialismo que o país nem vai conseguir sustentar por muito tempo, do jeito que as coisas vão?

“Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois…”

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Ronaldo Bastos, um compositor genial

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, produtor musical e compositor Ronaldo Bastos Ribeiro, nascido em Niterói (RJ), mostra no título da música “Sal da terra” uma passagem bíblica, quando Jesus diz aos homens “vós sois o sal da terra”, ou seja, aquilo que dá sentido, sabor ao mundo. Logo, a letra retrata um mundo que pede socorro, pois está sendo maltratado pela má administração do homem. É um chamado para melhorar a Terra, “vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois”. O que precisamos fazer para mudar a situação, é conscientizar a população de que a natureza é a nossa casa, nossa mãe, se ela morrer, morreremos com ela.

“O Sal da Terra” é uma obra tão genial que precisa ser tocada e cantada pelo país inteiro em todas as épocas que virão à nossa frente, porque representa um “louvor ao nosso chão e teto naturais, a percorrer o espaço vazio”. A música “Sal da Terra” foi gravada por Beto Guedes no LP Contos da Lua Vaga, em 1981, pela EMI-Odeon.

O SAL DA TERRA
Beto Guedes e Ronaldo Bastos

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar…

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver…

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da…

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã…

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois…

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

“Correio da Manhã”, a história de um grande jornal, contada pelas fotografias

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Foto de Osmar Gallo, destaque na exposição do “Correio”

Pedro do Coutto

Ontem, com um almoço no tradicional Bar Brasil, na Lapa, realizou-se mais um encontro dos que trabalharam no “Correio da Manhã”, jornal que marcou época no país, por sua independência e qualidade. São dois almoços por ano organizados por Luis Carlos de Souza e Bertoldo Monteiro.

Na sequência desses encontros que se prolongam no tempo, o de ontem incluiu a apresentação de fotografias da equipe liderada por Erno Schneider e integrada por Osmar Gallo, Luiz Pinto, Fernando Pimentel, Milton Santos e muitos outros, que retrataram acontecimentos que tiveram palco na cidade do Rio de janeiro. A edição da memória fotográfica foi dirigida pela pesquisadora Maria do Carmo Rainho.

CENTRO CULTURAL – A exposição encontra-se instalada no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal. Importante o trabalho que percorre episódios que tiveram palco ao longo dos anos.

O Correio da Manhã nasceu em 1901 e morreu em 1974. Ao longo do tempo, documentou acontecimentos especialmente durante a ditadura militar. As imagens, assim, incorporam-se à história daquele que foi, no passado, o jornal de maior peso político no país.

No almoço estiveram presentes, Ruy Castro, Fuad Atala, Bertoldo Monteiro, Luis Carlos Souza, Idalício Oliveira Filho, além de muitos outros jornalistas e fotógrafos que produziram as fotos que se encontram expostas na Caixa, como Erno Schneider e Alcyr Cavalcanti. Participou também um dos editores do jornal, Pery Cotta.  Estiveram presentes também do almoço o editor aqui da TI, Carlos Newton e sua mulher, Jussara Martins, que trabalhou no antigo prédio da rua Gomes Freire.

HERÓI DA RESISTÊNCIA – O Correio da Manhã se foi, o prédio continua testemunhando as épocas que se sucedem e ocupado por setores da Justiça estadual. O Correio da Manhã é o único jornal que reúne em almoços semestrais os que lá trabalharam e testemunharam sua presença marcante na imprensa e sua queda provocada por administrações que não tinham nenhum afeto pelo que ele representou e testemunhou.

Enfrentou duras lutas e seus editoriais escritos por homens como Otto Maria Carpeaux, Franklin de Oliveira e o embaixador Alvaro Lins. Ruy Castro comentou que pelo que produzia no Correio da Manhã, a casa de José Lino Grunewald reuniu importantes personagens da vida cultural. Ruy Castro sugeriu que o apartamento da Avenida Henrique Dodsworth seja objeto de um registro histórico.

EDITORIALISTAS –  Vale a pena percorrer as imagens que, além de otimamente feitas, refletem bem o passado que se torna cada vez mais remoto, sustentado pelo vento que amplia distâncias entre os acontecimentos. Assim, muitos jornalistas que lá trabalharam se foram com o vento e deixaram suas contribuições tanto para a cultura quanto para a política.

Os editorialistas, de todos os jornais, para serem enaltecidos eram personagens de Dumas pai. Espadachins da cultura, prontos sempre para confrontar com o poder e com os poderosos.

Esses espadachins, creio, ficam para sempre na história não só do jornal mas de todo o país.

Adivinhe o que a família Bolsonaro tem em comum com a família Vieira Lima

Wilson Dias / Agência Brasil

As evidências do caso complicam Flávio e Jair Bolsonaro

Carlos Newton

Na França, os investigadores da antiga “Sûreté Nationale”, que depois passou a se chamar Polícia Nacional, costumam recomendar “chercher la femme” (procurar a mulher), para se chegar ao criminoso. Nos Estados Unidos, os agentes federais do FBI sugerem “follow the money” (siga o dinheiro), método usado pelos repórteres do The Washington Post para desvendar a trama de “All the President Men”, o famoso escândalo do Edifício Watergate, que causou a renúncia do presidente Richard Nixon.

Para se saber a verdade sobre o emocionante caso do PM da ativa, que trabalhava como motorista e assessor parlamentar do deputado Flávio Bolsonaro acumulando salários em R$ 23 mil mensais, o exemplo da nossa Matriz norte-americana pode ser usado proveitosamente aqui na Sucursal brasileira. Basta seguir o dinheiro.

INVESTIGAÇÃO – A confusão já é enorme e a credibilidade do “mito” Bolsonaro está sendo enfraquecida sem que a investigação sequer tenha sido iniciada. Ainda não há inquérito sobre o assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz nem sobre o deputado estadual Flávio Bolsonaro. Mas o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não deixa margem a dúvidas quanto à “movimentação financeira atípica” de R$ 1,2 milhão que envolve até a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

São depósitos em dinheiro vivo e em valores abaixo de R$ 10 mil, na esperança de não deixarem rastro, mas não adianta, porque a fraude fica caracterizada pelo conjunto da obra. É exatamente no conjunto da obra que chama atenção o surgimento do cheque de R$ 24 mil em nome da futura primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o marido alega ter sido o pagamento parcial de um empréstimo que fizera a Queiroz, cujo valor total nem lembra, poderia ser R$ 40 mil.

SEM NOVIDADE – Somente se houver investigação com quebra de sigilo bancário é que saberemos o que aconteceu e quem está mentindo. Mas já se sabe, antecipadamente, que oito nomes que constam do relatório trabalhavam na equipe do deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Posso estar equivocado, mas tudo indica que se trata de uma prática bastante comum na política brasileira – contratação de assessor que recebe apenas parte do salário. No caso da família Vieira Lima, por exemplo, alguns funcionários dos gabinetes de Geddel e Lúcio devolviam aos deputados empregadores 80% de suas remunerações. No caso da família Bolsonaro, é o mesmo modus operandi, não se sabe a percentagem, mas fica claro que o operador do esquema era Fabrício Queiroz, que controlava a contabilidade (pagamentos e redistribuição) e colocou sua mulher e as duas filhas na jogada.

Posso estar apressado, ao condenar sem julgamento etc. e tal, mas me parece evidente o que está acontecendo, circunstância que até explicaria o enriquecimento imobiliário do clã Bolsonaro.

COINCIDÊNCIA – A meu ver, não foi por mera coincidência que a família Queiroz pediu demissão conjunta dos empregos nos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro no dia 15 de outubro, uma semana após o primeiro turno, quando já se configurava a vitória do candidato presidencial do PSL no segundo turno.

As apressadas demissões da família Queiroz não se justificavam, porque em mais um mês e meio todos seriam demitidos automaticamente, quando terminassem os mandatos de deputado estadual e de deputado federal, exercidos por Flávio e pelo pai Jair Bolsonaro.

Da mesma forma, também não teria sido por mera coincidência a demissão de Walderice Santos da Conceição em agosto, quando se descobriu que era funcionária-fantasma do gabinete do Bolsonaro pai, ganhando cerca R$ 2,5 mil, com o marido trabalhando de caseiro na casa do deputado em Angra dos Reis.

Posso estar equivocado, mas essas demissões parecem queima de arquivo.

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P.S. 1 – 
Só falta agora os filhos de Bolsonaro acusarem o general Hamilton Mourão de estar tramando para derrubar o presidente eleito e assumir o poder. Na verdade, é a própria família Bolsonaro que está se autocarburando, porque é daquele tipo que pega fogo sozinho.

P. S. 2 – E que ninguém se desespere, porque Bolsonaro vai assumir o cargo e tocar seu governo. Como se sabe, ele só pode ser processado por crimes ocorridos durante o mandato e com autorização da Câmara, e isso jamais acontecerá, porque os políticos têm pavor do general Mourão.  (C.N.)

Fala de Bolsonaro não exime motorista de explicar o R$ 1,2 milhão, diz Mourão

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Mourão diz que as explicações têm de ser convincentes

Deu na Rádio GaúchaZH

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, afirmou neste sábado (dia 8) que precisa ser explicado imediatamente o caso do ex-motorista do senador eleito e deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, que foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele teria movimentado cerca de R$ 1,2 milhão no período de um ano para contas da família Bolsonaro.

“O ex-motorista, que conheço como Queiroz, precisa dizer de onde saiu esse dinheiro. O Coaf rastreia tudo. Algo tem, aí precisa explicar a transação, tem que dizer” – afirmou Mourão, em entrevista à colunista Andréia Sadi, publicada em seu blog no portal G1.

EXCELENTE SOLDADO – Queiroz foi soldado do general Mourão em 1987, ano em que deixou as Forças Armadas. Quando perguntado sobre o desempenho dele no Exército, o general o definiu como um “excelente soldado”.

Mourão também se manifestou sobre a explicação de Jair Bolsonaro, que afirmou que as transações foram parte de um empréstimo. Segundo o general, a justificativa do presidente eleito não exime Queiroz de prestar esclarecimento “agora”. Ele também defendeu que o governo dê explicações sempre à sociedade, “senão fica parecendo que está escondendo algo”.

A afirmação foi feita após ser questionado sobre a postura do futuro ministro Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que se irritou com jornalistas na última sexta-feira (7) ao ser perguntado sobre o assunto.

ONYX ESTRESSADO – “Ele está estressado. Quando responde daquele jeito, parece que tem culpa no cartório. Quando me perguntam, eu respondo claramente, com tranquilidade. Temos que falar”- disse.

Sobre a diferença do desgaste e da necessidade de explicações por parte do governo em relação aos casos de Onyx Lorezoni – que já admitiu ter recebido caixa 2 – e o caso envolvendo o ex-motorista, que depositou R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Mourão respondeu que são casos diferentes:

“No caso do Onyx, o dinheiro foi na conta dele. Bolsonaro já explicou o motivo pelo qual foi para a conta de Michelle” — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste é o Mourão que o Bolsonaro proibiu de dar entrevistas, segundo O Globo, que ainda não se retratou da “fake news”. (C.N.)

Jornal chinês diz que problema do Brasil é que brasileiro não gosta de trabalhar

Editorial do 'Global Times' compara o desenvolvimento industrial chinês com o brasileiro. — Foto: Reprodução/Global Times

“Global Times” diz que a China não se compara ao Brasil

Duarte Bertolini

O jornalista Fernando Albrecht, que tem blog e coluna no Jornal do Comércio, reproduz parcialmente um artigo do “The New York Times” sobre Brasil e China. Não tive tempo de procurar o original, mas o resumo achei no mínimo desafiador para um artigo ou debate aqui na “Tribuna da Internet”. A princípio, pensei em simplesmente incluir nos comentários, mas depois cheguei à conclusão de que seria melhor repassar ao Editor da TI, para analisar e verificar se não merece uma discussão maior, porque provavelmente o texto ficaria esquecido em meio ao grande número de comentários.

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PARA CHINÊS VER
Fernando Albrecht
   (Jornal do Comércio)

Resumo da ópera. O New York Times publicou uma matéria comparando o Brasil com os Estados Unidos, mas não no bom sentido. Os chineses, segundo o NYT, têm os mesmos problemas que nós e ambos correm o risco de “não chegar lá”, no popular. No texto do NYT, o artigo diz que os deuses, antes de destruir um país, o qualificam como “país do futuro”.

Com os brios feridos, o editorialista Ding Gang, no Global Times, um dos produtos internacionais do People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um arrazoado negando o mérito da comparação. E na briga entre mar e rochedo, sobrou para o Brasil. Leia abaixo trechos do editorial do jornal do PCC. Dang morou três anos no Brasil.

“A cultura brasileira faz o País ser inapto para a manufatura, e a população brasileira não está disposta a ser trabalhadora como a chinesa”, escreveu Dang, que diz ter “entendido bem” os motivos da perda de força da economia nacional.

“De fato, o Brasil nunca teve uma indústria manufatureira forte e sofisticada. Mas a questão básica é por qual motivo a China atingiu sua industrialização, enquanto o Brasil a abandonou e foi para a direção oposta? Isso não é apenas uma questão de economia ou instituição, mas de cultura”, argumenta o chinês.

“A cultura é o fator mais importante para atingir a industrialização. Isso inclui como as pessoas encaram seu trabalho, família, educação das crianças e acúmulo de riqueza”, disse. “Pode soar racista diferenciar o desenvolvimento baseado em cultura”, escreveu. “Mas, depois de ter morado no Brasil, você descobre a resposta. Os brasileiros não estão dispostos a ser tão diligentes e trabalhadores como os chineses. Nem valorizam a poupança para as próximas gerações, como fazem os chineses”, indicou. “Ainda assim, eles exigem os mesmos benefícios e bem-estar dos países desenvolvidos”, disse.

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P.S.
– Alguém aí na TI, que conheça a nossa realidade e esteja vacinado contra o nacionalismo mórbido, discordaria do editorialista chinês? (D.B.)

Notícia de Mourão proibido de dar entrevista foi uma “fake news” de O Globo

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Mourão está pouco ligando para os filhos de Bolsonaro

Deu em O Globo
Agência Reuters

O vice-presidente eleito general Hamilton Mourão disse à agência de notícias Reuters que o presidente eleito Jair Bolsonaro vai interceder para amenizar o clima tenso que se formou no PSL após bate-boca entre integrantes do partido nos últimos dias, que o general chamou “de pequenos problemas”.

Na próxima semana, Bolsonaro deve participar de uma reunião dos parlamentares eleitos do PSL, seu partido, em que pregará a unidade dos integrantes da legenda que terá uma das maiores bancadas do futuro Congresso. “Jair Bolsonaro fará o papel de líder (nessa situação)” – disse Mourão.

TROCA DE MENSAGENS – As disputas ficaram mais acaloradas nos últimos dias, com direito a duras trocas de mensagens por redes sociais e públicas entre membros do PSL.

Os protagonistas do mal-estar foram a deputada federal eleita Joice Hasselman (SP) e o filho do presidente eleito Eduardo (SP), deputado federal reeleito, além do deputado federal e senador eleito Major Olímpio (SP).

Por trás dos ataques, estaria uma disputa por posições de liderança e protagonismo dentro do PSL e do futuro governo. Mourão minimizou o clima quente no partido. “São pequenos problemas. São fáceis de resolver com liderança hábil. O Jair Bolsonaro fará” – disse ele à Reuters.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a “Tribuna da Internet” afirmou na última quarta-feira e confirmou na quinta-feira, Bolsonaro não proibiu o general-vice Mourão de dar entrevista. A notícia exclusiva de O Globo sobre a suposta ordem de Bolsonaro, reafirmada na quinta-feira pelo jornal carioca sob o título “Cala a boca, Mourão”, simplesmente nunca existiu. A informação falsa foi “plantada” pelos filhos de Bolsonaro, que tentam desestabilizar Mourão, que não está nem aí para eles e não pode ver jornalista que vai logo dando declarações. Neste sábado, Mourão deu mais outra entrevista, mais apimentada, sobre os problemas de Onyx Lorenzoni e do assessor que movimentou R$ 1,2 milhão. Em sociedade tudo se sabe, diria Ibrahim Sued.
(C.N.)

“Ninguém recebe ou dá dinheiro sujo em cheque nominal”, assinala Bolsonaro

Bolsonaro em entrevista aos jornalistas neste sábado Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto

Bolsonaro voltou ao assunto repetindo as explicações

Miguel Caballero
O Globo

O presidente eleito Jair Bolsonaro se defendeu na manhã deste sábado de eventuais suspeitas no caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL). Queiroz apareceu em um relatório do Coaf anexado à Operação Furna da Onça por ter movimentado R$ 1,2 milhão em um ano. Deste total, R$ 24 mil foram em cheques destinados a Michelle Bolsonaro , mulher do presidente eleito.

Bolsonaro reafirmou a explicação dada na sexta-feira, de que se tratava do pagamento de empréstimos feitos por ele a Queiroz . E disse que pediu para o cheque ser destinado a sua mulher por ter dificuldade de ir ao banco com frequência.

SEM ILEGALIDADE – Ele lamentou o “constrangimento” que o caso trouxe a Michelle e se defendeu de qualquer ilegalidade. “Lamento o constrangimento por que ela está passando. Não botei na minha conta porque tenho dificuldade de ir ao banco, andar na rua. Foi por questão de mobilidade, ando atarefado o tempo todo para ir em banco. Pode considerar (como sendo) na minha conta. Deixei para minha esposa. Ninguém recebe ou dá dinheiro sujo por cheque nominal”.

Sobre o fato de não ter declarado o recebimento dos valores no imposto de renda, o presidente eleito disse que se dispõe a reconhecer e corrigir a questão.

“Se errei, arco com minha responsabilidade perante o Fisco, não tem problema nenhum” – afirmou Bolsonaro, após acompanhar, na manhã deste sábado, na Escola Naval, no Rio, a cerimônia de formatura de novos oficiais da Marinha.

EMPRÉSTIMOS – Bolsonaro afirmou que é amigo de Queiroz desde 1984 e que já o havia “socorrido financeiramente” em outras oportunidades. Ele disse que os empréstimos recentes somaram R$ 40 mil, e que Queiroz o pagou com dez cheques de R$ 4 mil, cada. 

Bolsonaro disse que não conversou com Queiroz desde que o caso foi noticiado, e atribuiu o vazamento da informação de que o ex-assessor de seu filho fora citado pelo Coaf a advogados de deputados estaduais do Rio investigados na Furna da Onça:

– Espero que ele (Queiroz) se explique. Não conversei com ele. Falei com meu filho. Meu filho não é investigado nessa operação. Quem vazou foram advogados de deputados investigados, ou até presos, para tentar desviar o foco da tensão deles para meu filho.

TUDO NORMAL – Sobre o fato de outros oito assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro terem feito depósitos na conta de Queiroz, Bolsonaro disse achar normal.

– Se você pegar o seu círculo, na imprensa, no quartel, no hospital. É normal, entre os funcionários, um ajudar o outro. Você se socorre de quem está do seu lado, é próximo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro devia fazer como Dias Toffoli, que ficou calado sobre a vergonhosa “mesada” de R$ 100 mil que recebia da ex-mulher sem declarar ao Imposto de Renda e sem pagar Imposto de Transmissão Inter Vivos. Rapidamente as pessoas esquecem. Se ficar dando desculpas deste nível, a coisa tende a se complicar. (C.N.)

Atuação de Lewandowski no avião certamente envergonhou muitos brasileiros

O ministro Ricardo Lewandowski ao ser filmado e interpelado em voo pelo advogado Cristiano Caiado de Acioli

Ricardo Bolsonaro, na primeira fila do voo da discórdia

Hélio Schwartsman
Folha

É perfeitamente razoável sentir vergonha de ser brasileiro. Motivos para isso não faltam, e eles são inteiramente subjetivos. Pode ser o 7 a 1 para a Alemanha em 2014, a eleição de Lula em 2002 ou a de Bolsonaro em 2018. Pode ser a performance da cantora Anitta ou a atuação do STF. Comunicar o sentimento de embaraço a quem quer que seja não é nem pode ser um crime.

Não há muita dúvida de que o advogado Cristiano Caiado de Acioli foi grosseiro e inoportuno ao abordar o ministro Ricardo Lewandowski dizendo sentir vergonha de ser brasileiro por causa do STF. Pode-se vislumbrar na atitude do causídico até um animus provocandi, já que ele cuidou de registrar imagens e áudio de sua discussão com o ministro. Ainda assim, se o vídeo do incidente não contém omissões nem edições, tudo o que houve foi apenas falta de educação.

Afirmar sentir vergonha de alguém ou de alguma coisa não constitui ofensa à honra objetiva, excluindo desde logo a ocorrência dos crimes de calúnia e difamação. Poderia ser um caso de injúria, que lida com a honra subjetiva. Mas, como o objeto da crítica foi a corte, que por não ser pessoa natural não tem honra subjetiva a ser preservada, fica difícil classificar a conduta do advogado como delituosa.

QUESTIÚNCULA – Se alguém extrapolou nesse episódio, parece-me ter sido Lewandowski, ao mobilizar a Polícia Federal para tratar de uma questiúncula que dizia respeito mais a seu ego ferido do que ao interesse público.

Eu preferiria viver num mundo onde todos se comportassem como lordes ingleses, deixando fleugmaticamente os outros em paz. Mas vivemos num planeta em que as pessoas são inurbanas, inconvenientes e se provocam por razões ideológicas. Tudo isso precisa ser tolerado num regime que valoriza as liberdades, como é o nosso.

Não dá para o STF pontificar sobre a liberdade de expressão, se seus ministros não aguentam uma crítica mais veemente ou ardilosa.

Sob influência de Bolsonaro, o Brasil apoiou Israel na ONU, mas foi derrotado

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A votação destinava-se a condenar o Hamas palestino

Jamil Chade
Estadão

Abandonando a tradicional posição do Brasil em votações sobre o conflito israelo-palestino, o Itamaraty votou ao lado de Israel e dos Estados Unidos em uma resolução na ONU.  O voto ocorreu na noite de quinta-feira e era uma iniciativa americana para condenar o Hamas por disparar mísseis contra Israel. A resolução não passou na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Para que fosse aprovada, ela precisaria de dois terços dos votos. Mas conseguiu 87 apoios, contra 57 países que rejeitaram a resolução, além de 33 abstenções. Nikki Haley, a embaixadora americana, era a principal promotora do texto que seria o primeiro a condenar o Hamas, se fosse aprovado.

TRUMP DERROTADO – Sua derrota, porém, foi considerada pelo Hamas como um “golpe” contra o governo de Donald Trump. Nas redes sociais, seu porta-voz, Sami Zahri, indicou que o resultado “confirma a legitimidade nossa resistência”. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, ainda assim comemorou, indicando que essa havia sido a primeira vez que tantos países saíram ao apoio de seus interesses.

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que a resolução apenas foi derrotada por conta de uma mudança no processo de votação. Momentos antes do voto, foi estabelecido que seriam necessários dois terços de apoio para que o texto fosse aprovado.

Haley não poupou críticas à manobra, acusou governos de estarem apoiando o terrorismo e alertou que a mudança no voto tinha “como única finalidade impedir a aprovação da resolução”.

EDUARDO BOLSONARO – Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro insinuou que a mudança no voto brasileiro já era o resultado da visão do novo governo e do chanceler Ernesto Araújo. “Foi a primeira vez que o Brasil votou a favor de Israel contra grupos terroristas”, escreveu o filho do presidente eleito. Na mensagem, ele manda seus “parabéns” para Haley, ao Itamaraty e a Araujo. “O Brasil vai deixar de ser um anão diplomático”, escreveu, numa referência a uma crítica que o governo israelense havia lançado contra o Brasil há poucos anos. Argentina, Uruguai e Chile também votaram a favor do texto.

Tradicionalmente, o Brasil optava por um apoio aos palestinos ou, em alguns casos, pela abstenção. O argumento era de que o governo agia conforme o “direito internacional”. A postura prevaleceu nos governos de José Sarney, Fernando Collor de Melo, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e, até ontem, na gestão de Michel Temer.

JERUSÁLEM – Mesmo em dezembro de 2017, o governo Temer foi um dos 128 países que apoiou uma resolução na ONU condenando a decisão de Donald Trump de transladar sua capital em Israel para Jerusalém. Segundo o texto aprovado, uma decisão de qualquer governo questionando o status da cidade deve ser considera como “nula e inválida”.

Já em outras resoluções apresentadas por Israel sobre outros assuntos como tecnologia e desenvolvimento, porém, o Brasil já havia apoiado o governo de Tel Aviv na ONU. Considerado como uma entidade terrorista por europeus e americanos, o Hamas emitiu um alerta ao governo brasileiro quando foi anunciado que o Bolsonaro pretende mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

PASSO HOSTIL – Nas redes sociais, o grupo Hamas, que está no poder em Gaza e é acusado de radicalismo, deixou claro que não vê com bons olhos a decisão do Brasil. “Rejeitamos a decisão do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, de mover a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e pedimos que ele abandone sua decisão”, declarou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri.

Para ele, a iniciativa é um “passo hostil ao povo palestino”.

Ex-motorista de Flávio Bolsonaro chegou a fazer cinco saques num só dia

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz em foto ao lado de Jair Bolsonaro. A imagem foi publicada no Instagram do ex-auxiliar em 21 de janeiro de 2013

Ex-motorista era amigo intimo de toda a família Bolsonaro

Italo Nogueira
Folha

O ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016. A movimentação dá uma média de uma retirada a cada dois dias. No dia 10 de agosto de 2016, por exemplo, Queiroz fez cinco retiradas que, somadas, dão R$ 18.450. Todos os saques foram em valores abaixo de R$ 10 mil, a partir do qual o Coaf alerta automaticamente as autoridades fiscais.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz naquele ano. Esse valor inclui tanto saques como transferências, créditos em suas contas, entre outras operações.

RETIRADAS – Cerca de um quarto do valor suspeito (R$ 324,8 mil) foi movimentado por meio de saques. Foram retiradas que variavam de R$ 100 a R$ 14.000.

Houve ainda 59 depósitos em dinheiro vivo na conta do policial militar. As entradas variam de R$ 400 a R$ 12.700.

Procuradores afirmam que o uso de dinheiro vivo em transações bancárias costuma ter como objetivo ocultar o destinatário ou remetente dos recursos. A prática dificulta a identificação dos responsáveis pelas transações.

RELATÓRIO – As informações fazem parte do relatório do Coaf da Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados estaduais do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal solicitou ao órgão de controle financeiro os casos de movimentação atípica envolvendo funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Os dados sobre o policial militar chamaram a atenção por, entre outros motivos, registrar “movimentações em espécie realizadas por clientes cujas atividades possuam como característica a utilização de outros instrumentos de transferência de recursos”.

Queiroz também apresentou, para o Coaf, “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira”. De acordo com o órgão financeiro, ele tinha uma renda de R$ 23 mil mensais e um patrimônio de cerca de R$ 700 mil.

POR ENQUANTO – Nem Flávio Bolsonaro, deputado estadual, nem Queiroz são alvo de investigações. A Procuradoria ressaltou que a identificação de movimentação atípica não configura um ilícito por si só.

Boa parte das movimentações financeiras em que a outra parte é identificada se refere a transações com membros do próprio gabinete de Flávio Bolsonaro. Sete nomes que constam do relatório fizeram parte da equipe do deputado estadual.

Três são parentes de Queiroz. Estão na lista Marcia Oliveira de Aguiar (mulher), Nathalia Melo de Queiroz e Evelyn Melo de Queiroz (filhas). Todas também integraram em algum momento o gabinete de Flávio Bolsonaro.

PERSONAL TRAINER – A partir de dezembro de 2016, Nathalia saiu da Alerj para integrar a equipe do hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro, na Câmara dos Deputados. Ela se desligou do cargo em outubro deste ano, na mesma data em que o pai deixou o gabinete do senador eleito.

Conhecida como personal trainer de famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, Nathalia repassou quase todo o salário que recebeu naquele ano para o pai. Foram R$ 84,1 mil repassados para o policial militar.

Uma das movimentações registradas também se refere à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela foi a favorecida de um cheque de R$ 24 mil do ex-assessor parlamentar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Cada vez a coisa fica mais enrolada. Esse motorista e assessor oriundo da PM está se revelando um tremendo 171, que desfrutava da confiança total do clã Bolsonaro, inclusive da primeira-dama Michelle. As explicações são infantis. É tudo muito desagradável e decepcionante, quando se descobre que na política brasileira praticamente não há exceções, até o “mito” está sendo desmitificado. É muito triste chegar a essa conclusão óbvia. (C.N.)

E sem Sérgio Moro no governo federal, o navio afundará mais uma vez…

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Sérgio Moro está passando o pior momento de sua vida

Jorge Béja

Sérgio Moro, ao que tudo indica, não tem dormido. Passou a viver intranquilo. Talvez até arrependido de ter pedido exoneração da magistratura. Tudo para servir ao governo Bolsonaro que convidou Moro para integrar sua equipe de governo. Ou melhor, para servir à pátria, visto que na condição de juiz federal seu serviço à Nação era limitado a decidir os processos que, por sorteio, caíssem em suas mãos na 13ª Vara Federal de Curitiba. O próprio Moro reconheceu que no cargo de ministro da Justiça poderia ser muito mais útil ao país do que como juiz federal.

Até esta última sexta-feira as coisas vinham correndo razoavelmente bem. Foi quando surgiram dois episódios. Um, nada tem a ver com Moro. Foi a explosão de incivilidade que Onyx Lorenzoni teve com um jornalista que lhe fez uma pergunta que incomodou o futuro ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Já o outro episódio tem tudo a ver com Sérgio Moro. Se não tem a ver agora, terá a partir de 1º de janeiro de 2019.

FAMÍLIA BOLSONARO – É, tem sim tudo a ver. Por azar (ou sorte) Moro terá que investigar a família Bolsonaro. O presidente eleito já antecipou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), criado pela Lei nº 9613 de 3.3.1998 e subordinado ao Ministério da Fazenda passará a ser subordinado ao Ministério da Justiça, com Sérgio Moro ministro. E para que o COAF passe de um ministério para outro, Bolsonaro, já no dia 1º de Janeiro de 2019, após tomar posse na presidência da República, se verá obrigado a editar Medida Provisória para alterar a lei que criou o COAF a fim de submeter o órgão ao Ministério da Justiça.

O COAF destina-se a disciplinar, aplicar penas administrativas, receber, examinar ocorrências suspeitas de atividades ilícitas relacionadas à origem de dinheiro e, constatando a possibilidade de crime, oficiar ao Ministério Público para a adoção das providências que à promotoria pública compete.

NAS MÃOS DE MORO – Ora, este caso da movimentação milionária na conta-corrente de um ex-assessor do filho de Bolsonaro, além da distribuição de dinheiro para os filhos dele (do ex-servidor) e para a própria esposa do presidente eleito, tudo incompatível com o salário do ex-servidor parlamentar, já está sendo investigado pelo COAF, por ora subordinado ao Ministério da Fazenda.

No entanto, a partir da posse de Bolsonaro, a investigação permanece no COAF já integrante do Ministério da Justiça, tendo como sua autoridade mais alta o ministro da Justiça. E quem será ele? Sérgio Fernando Moro, o homem reto, incorruptível, sereno, justo, imparcial, severo, que deixou a magistratura federal para melhor servir ao Brasil.

ALGO IMPREVISÍVEL – Então, teremos o COAF de Sérgio Moro investigando o caso que envolve a família presidencial! Em outras palavras ou numa frase: Sérgio Moro investiga a família Bolsonaro. Que azar, hein doutor Moro? O senhor não previa uma situação dessa, tão constrangedora. Capitular o senhor não vai, porque é homem de bem, de fibra, forte e justo.

Deixar o governo talvez seja a saída, porque o senhor, um ídolo nacional imaculado, não vai se sentir bem nem à vontade no seio de gente desonesta, mentirosa, trapaceira…Voltar à magistratura o senhor não poderá mais, a não ser se prestar novo concurso público. Depois que o senhor pediu exoneração e o ato exonerativo foi publicado, torna-se juridicamente impossível a reintegração ao cargo.

DECEPÇÕES – Sobreviver, o senhor e sua família, com o dinheiro gerado com a aplicação de suas economias também não vai será suficiente. E nem o senhor tem fortuna para produzir a renda necessária a levar uma vida suficientemente mediana. Ir trabalhar em escritório de advocacia parece que o senhor não leva jeito para isso. É inimaginável Sérgio Moro defendendo criminosos, visto que sua área na magistratura sempre foi a penal.

É, doutor Sérgio Moro, o senhor e sua família devem estar muito apreensivos. O senhor desceu dos céus e ingressou no inferno. O senhor terá muitas decepções à frente do Ministério da Justiça. Talvez contra bandidos comuns, contrabandistas, milicianos, policiais corruptos, tráfico de entorpecentes e de armas e algo um pouco mais, o senhor encontre o meio de combate eficaz.

BARREIRAS – Mas….mas quando chegar nos políticos, nos deputados, senadores, para citar apenas duas corporações, aí o senhor vai encontrar barreiras intransponíveis. Veja só que o governo Bolsonaro ainda não começou e já explode este caso do ex-assessor do filho do presidente eleito, caso que competirá ao senhor, como ministro da Justiça comandar a investigação, constrangedora investigação.

Se fosse como juiz, o senhor poderia se declarar impedido ou suspeito, sem a necessidade de dizer o motivo. Mas como ministro não tem saída. Ou melhor, tem saída sim. Ou o senhor encara o que vem pela frente e, sem constrangimento, faz valer sua autoridade — e foi por causa dessa vocação de servir à Pátria que o senhor deixou a magistratura — e toma as providências contra quem seja, não importando o cargo, ou o senhor, pela segunda vez na vida, pede exoneração. E sem Sérgio Moro no governo federal, o navio afunda mais uma vez.

Feliz Natal, doutor Sérgio Moro e próspero Ano Novo.

Carta do senador Públio Lentulus, descrevendo Jesus ao Imperador Tibério

Era costume os senadores escreverem ao Imperador

Antonio Rocha

Este documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesarini, em Roma. Trata-se de uma carta do senador Públio Lentulus, em que ele traça o retrato físico e moral de Jesus Cristo, e foi mandada de Jerusalém ao imperador Tibério César, em Roma, quando Jesus ainda estava vivo, segundo o site da Rádio Rio de Janeiro 1400 AM.

“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e rave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó Cézar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei deTua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo…

Públio Lentulus, presidente da Judéia, Lindizione sétima, luna seconda.”