Prazo para Joaquim Barbosa e João Dória se filiarem termina no dia 7 de outubro

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Doria só tem três semanas para trocar de partido

Pedro do Coutto

Enquanto o Congresso Nacional não vota a reforma política, o prazo para as inscrições partidárias que habilitem as candidaturas às urnas de 2018 termina exatamente no próximo dia 7 de outubro. Isso porque a legislação eleitoral em vigor estabelece o mínimo de 12 meses de filiação partidária para os que decidirem concorrer às eleições. Reportagem de Cristiane Jungblut e Carolina Brígido, em O Globo deste domingo, destaca muito bem a existência de impasses envolvendo o projeto apresentado como voltado para a reforma política.

Um impasse marcante é o que se refere às coligações nos pleitos proporcionais, como é o caso da Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Para o ministro Luis Roberto Barroso, as coligações nas disputas proporcionais violam um dos princípios básicos da Constituição Federal. Por isso, as repórteres colocam em destaque a perspectiva de a reforma política terminar sendo fixada pelo Supremo Tribunal Federal.

PRAZO DE FILIAÇÃO – Mas o prazo de filiação partidária exigido não se encontra em discussão, é matéria pacífica. Assim, por exemplo, se o ministro aposentado Joaquim Barbosa desejar concorrer ao próximo pleito, terá que ingressar numa legenda partidária até 7 de outubro. Isso de um lado. De outro, se o Prefeito João Dória desejar ser candidato à Presidência da República, terá que fazer o mesmo.

Relativamente a João Dória, ele pode não trocar de legenda, permanecendo no PSDB. Porém, neste caso corre o risco de não ser escolhido candidato pelos tucanos e assim, após 7 de outubro perde a perspectiva de 2018, adiando-a para 2022. O prefeito João Dória, entretanto, pode concorrer no ano que vem ao governo de São Paulo pelo PSDB, ou tentar sua reeleição em 2020. Mas esta é outra questão.

O problema essencial está basicamente voltado para 7 de outubro, não só para Joaquim Barbosa ou João Dória, mas para todos os que se julgarem em condições de concorrer ao pleito. Novos candidatos que surgirem terão pela frente esse mesmo prazo. O limite serve também para os que possuem mandato e desejarem trocar de legendas.

UMA RESSALVA – O prazo de 7 de outubro, portanto, é fundamental. Não existe hipótese de vir a ser reduzido, até a Atal legislação é inflexível. Há apenas uma ressalva: a que se refere aos magistrados, que poderão se inscrever partidariamente até 6 meses antes das eleições. Mas para isso terão que se aposentar ou se afastar dos quadros judiciais. Seria o caso aplicado ao Juiz Sérgio Moro, que, se fosse candidato a deputado, teria sua eleição assegurada por grande quantidade de votos. Mas não parece ser esta a sua vontade.

Joaquim Barbosa, se concorrer a Câmara Federal, recebera uma votação consagradora das urnas. Afinal de contas, a prisão/condenação de ladrões de casaca começou com ele. Sua presença nas eleições fortaleceria qualquer legenda que homologasse sua candidatura.  Esse rumo será totalmente decidido daqui a três semanas.

CONTAS NO VERMELHO – Por falar em rumo, não é nada favorável o rumo verdadeiro das contas orçamentárias do governo federal. Reportagem de Flávia Lima, na Folha de São Paulo de domingo, destaca pesquisa do Instituto Fiscal Independente, órgão do Senado Federal, apontando que as renúncias fiscais concedidas pelos governos Dilma Rousseff e Michel Temer alcançam 284,8 bilhões de reais em 2017. Esse montante corresponde a 4,3% do Produto Interno Bruto. O mais grave é que apenas a fração de 16% dos incentivos têm prazo para acabar este ano. Os 84% restantes possuem prazo mais longo, o que bloqueia sua suspensão.

A perspectiva para 2018, portanto, permanece no patamar de 284 bilhões relativo às desonerações. Detalhe: não há desonerações para pessoas físicas. Aliás, desoneração é sempre restrita às empresas, entre elas os bancos.

General que admitiu intervenção foi irresponsável, mas seu recado está dado

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Mourão deu um susto nos líderes da Operação Abafa

Deu em O Globo

Um general da ativa do Exército falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar, nesta sexta-feira, após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda-vez o presidente Michel Temer por participação criminosa e obstrução da justiça. Antonio Hamilton Mourão, secretário de economia e finanças do Exército, afirmou que “ou as instituições solucionam o problema político”, retirando da vida pública políticos envolvidos em corrupção, ou então o Exército terá que impor isso.

“Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso”, disse o general Mourão.

TRIPÉ – O general afirmou no início da palestra que o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, definiu um tripé para a atuação do Exército diante da crise pela que passa o país.

“Primeira coisa, o nosso comandante, desde o começo da crise, ele definiu um tripé pra atuação do Exército. Então eu estou falando aqui da forma como o Exército pensa. Ele se baseou, número um, na legalidade, número dois, na legitimidade que é dada pela característica da instituição e pelo reconhecimento que a instituição tem perante a sociedade. E número três, não ser o Exército um fator de instabilidade, ele manter a estabilidade do país”, contou.

A palestra, de cerca de duas horas, foi promovida por uma loja maçônica de Brasília. O general falou sobre uma possível intervenção militar ao responder uma questão formulada pela organização do evento, que dizia que “a Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas”.

“Excelente pergunta. É óbvio, né, que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: ‘Pô, por que que não vamo derrubar esse troço todo?’ Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, ‘aproximações sucessivas’.”

E O MOMENTO? – De acordo com o Mourão não há uma “fórmula do bolo” ou momento específico para uma possível intervenção militar. “Agora, qual é o momento para isso? Não existe fórmula de bolo. Nós temos uma terminologia militar que se chama ‘o Cabral’. Uma vez que Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobrirá alguma coisa. Então não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção. Nós temos planejamentos, muito bem feitos. Então no presente momento, o que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí”, disse o general.

O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, informou por meio de nota à imprensa que o Exército está reafirmando constantemente seu compromisso de pautar suas ações na legalidade, estabilidade e legitimidade.

Ao jornal “O Estado de São Paulo”, Mourão afirmou que “não está insuflando nada” e que “não defendeu, apenas respondeu a uma pergunta”. Ainda de acordo com a publicação, o general diz que “não é uma tomada de poder. Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: atenção, minha gente. Vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O golpe militar de 64 foi liderado por um general chamado Mourão. Por incrível que pareça, mais de 50 anos depois aparece outro general Mourão para falar em intervenção militar. Não disse nenhuma novidade, mas foi irresponsável ao acreditar que suas palavras não vazariam, porque estava na Maçonaria. O importante é que o recado foi dado e agora o Judiciário e o Legislativo vão colocar as barbas de molho, como se dizia antigamente. Se a Operação Abafa inviabilizar a Lava Jato, os militares realmente vão intervir. Mas acontece que isso não acontecerá. Haverá eleição em 2018, podem ter certeza. De toda forma, os políticos de oposição vão fazer um festival e tentar capitalizar a bobeada do novo general Mourão. (C.N.)

Entre o trágico e o cômico, a família ainda é fundamental

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Eduardo Aquino
O Tempo

Quem não tem um drama ou um caso hilário para contar quando o assunto é família? Nas melhores ou piores, a vida se molda, transforma-se, apoia-se nos alicerces familiares. Para o bem ou para o mal. Afinal, a sociedade começa nas células familiares. O afeto reunia um grupo de seres humanos, criando vínculos fundamentais para a sobrevivência da espécie. De família para bando, de bando para comunidade. Quanto mais indivíduos, mais fortes os laços sociais, mais estruturada a civilização.

No entanto, família significa muitas coisas. Cultura é uma delas. Há famílias tão unidas que coitado daquele que se agregar, seja nora, seja genro. Viajam juntos, frequentam a mesma religião, têm suas manias e rituais, como, por exemplo, a obrigação de almoçar todo domingo na casa do patriarca ou da matriarca.

DE VÁRIOS TIPOS – Organizadas ou bagunceiras, silenciosas ou barulhentas, essas famílias “grudadas” têm vantagens e desvantagens. Empobrecem socialmente, enriquecem na solidez dos laços familiares. Vivem coletivamente, mas sacrificam o individual.

Há famílias briguentas, cheias de rivalidade, em que um não conversa com o outro, e competitivas, muitas vezes por conta de brigas por heranças. São também carentes de afeto, com pais secos ou distantes. Encontros são esporádicos, ocorrendo em velórios ou em casamentos. Gente emburrada, atritos constantes. Famílias doentes e que adoecem. Triste, mas costumam gerar exemplos contrários, e a segunda ou a terceira geração geralmente propõe novas formas, muito mais saudáveis e maduras, de formar família.

DESAGREGAÇÃO – Tem também a família “cada um cuida de si e Deus de todos”. Por falta de um elemento agregador, uma referência forte, costuma gerar um ambiente frio, individualista, em que cada um fica na sua. Cedo, filhos buscam seus destinos, e muito raramente se reúnem; em geral, em ocasiões formais. Normalmente, ligam-se à família de seus parceiros, carentes de um vínculo que sempre é forte e necessário. Isso é muito comum no norte europeu, onde o sistema de bem-estar social cumpre tão bem o papel de proteção que compete com o papel familiar.

Da mesma forma, as famílias de origens italiana, espanhola, portuguesa ou árabe são naturalmente muito apegadas, com fortes vínculos afetivos e muita passionalidade, dramas, ciúmes, brigas e conciliações, respeito aos pais e avós, a ponto de morarem próximo, em vilas ou “tendas”.

Algumas famílias que antes eram grandes, rurais e mexiam com a lavoura se urbanizaram, diminuíram de tamanho. Tornaram-se eletrônicas, são intermediadas por telas, redes sociais. Distantes, menos afetivas, quase não se falam.

NOVA FAMÍLIA – Em crise de identidade, a “nova família” ainda não se identifica. Não cabe no modelo tradicional, após séculos de culturas e normas que hoje nada representam. Valores, moral e ética não são temas discutidos em casa. Exemplos não servem no dia a dia.

Casais separados conflitam não apenas seus egos, ressentimentos mal resolvidos, mas transferem aos filhos os estilhaços de uma munição triste e dolorosa, que é falar mal da metade genética familiar, a qual, inexoravelmente, habitará coração, mente e alma dos filhos de casais separados. E o inevitável: “Igual ao pai (ou mãe ), a mesma praga!”

Enfim, família. Essa célula civilizatória. Aquele ninho onde, creia, se tudo der errado em sua vida, te acolherá, pois, acima dos desamores e das diferenças de personalidades, seremos sempre pais, mães, irmãos, filhos, netos. Abençoemos, perdoemos, agradeçamos por termos uma família!

Apesar da corrupção e da crise, Temer consegue ser menos pior do que Dilma

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Willy Sandoval

Os petistas não tem motivos para reclamar. Antes de mais nada, não podem esquecer que foram eles mesmos que colocaram os golpistas no poder . O bigodudo Olivio Dutra, ex-prefeito de Porto Alegre, definiu muito bem o acumpliciamento do PT com partidos fisiológicos, principalmente o PMDB: “Quem com os porcos se junta, também se chafurda na lama!“. Como era de se esperar, até mesmo porque colocaram uma governanta incompetente no poder, acabaram tomando uma bela de uma rasteira – ou, como queiram chamar, um golpe jurídico-parlamentar. Mas isso só acontece com incompetentes-arrogantes que não sabem fazer politica, porque é precisa mesmo ser muito ruim para acabar derrubado do poder.

Independente de julgar se Temer é corrupto ou não, culpado ou não, acho que provavelmente é. Mas há que se seguir o que diz a Constituição, e por ela, pelas vias constitucionais-legais, é praticamente impossível tirar Temer do poder.

LADO POSITIVO – Vamos ver o lado positivo das coisas e, por incrível que pareça, há alguns. Temer não tem medo do trabalho, sabe e gosta de fazer política, não se omite na tomada de decisões, em suma, está muito longe de ser ideal, mas é o presidente que temos e consegue ser claramente melhor (ou menos ruim) do que a antecessora.

Vai aqui mais uma vez uma crítica construtiva que poderia ajudar ainda mais a economia do país e também o governo dele. Com relação ao Refis (Refinanciamento Fiscal), ou se cancele imediatamente a possibilidade de fazê-lo neste governo (seria o ideal) ou então que se defina o mais rapidamente possível (no máximo, um mês), pois boa parte do empresariado simplesmente está deixando de recolher tributos e/ou não tem o mínimo interesse no parcelamento de tributos atrasados, pois o tempo dos trouxas acabou e ninguém está disposto a aceitar condições que os mais espertos (muitos políticos e empresários) vão tirar proveito num futuro Refis.

Contraditoriamente, o fato de muitos empresários estarem deixando de recolher tributos tem seu lado positivo, pois o dinheiro circula e está ajudando na recuperação econômica. Mas tem o lado nefasto, pois não ajuda em nada no combate ao desequilíbrio fiscal. E o principal motivo, no meu modo de ver, é principalmente a expectativa desse imoral Refis.

Delação da OAS, que atinge Temer, Lula, Dilma, Aécio e Serra, fica em sigilo

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Léo Pinheiro fez muitos amigos nos tribunais

Deu em O Tempo

Acabou um pedaço da novela da delação da OAS, iniciada há dois anos. O acordo de colaboração firmado por oito executivos da empresa foi enviado na última sexta-feira pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo. A delação da OAS relataria pagamento de suborno e contribuições via caixa 2 aos ex-presidentes Lula (PT) e Dilma (PT), aos senadores Aécio Neves e José Serra, ambos do PSDB, e a aliados próximos ao presidente Michel Temer (PMDB). Os documentos estão sob sigilo.

O acordo do principal delator da OAS, Léo Pinheiro, não faz parte desse pacote enviado ao Supremo. Também não foram enviados os documentos de dois acionistas que controlam o grupo, César Mata Pires Filho e Antônio Carlos Mata Pires.

CAIXA DOIS – Os executivos cujos acordos serão analisados por Fachin cuidavam de pagamento de caixa dois. São considerados personagens menores na trama de corrupção da OAS.

A delação da empresa é considerada comprometedora para o ex-presidente Lula. Pinheiro disse em depoimento ao juiz Sergio Moro, num gesto para que seu acordo de delação fosse aceito, que o triplex de Guarujá (SP) era para o ex-presidente e que os recursos gastos na obra (cerca de R$ 2 milhões) saíram de um centro de custo que contabilizava propinas pagas em contratos com a Petrobras.

A declaração de Pinheiro supriu uma das principais lacunas da força-tarefa de Curitiba no caso do triplex: a ligação da obra no apartamento com os recursos desviados da Petrobras. Não havia essa prova na apuração. Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão no caso do triplex e recorre da decisão. A defesa do ex-presidente alega que Pinheiro fez a acusação contra Lula, de quem era amigo, para escapar da prisão.

TUCANOS ACUSADOS – Há nas delações de Pinheiro e integrantes da cúpula da OAS uma série de acusações contra os tucanos. Pinheiro relata que Aécio Neves formou um cartel para as obras da Cidade Administrativa. Aécio nega que tenha recebido propina da OAS.

Os executivos contam que pagaram suborno a Serra e a outros tucanos quando ele era governador de São Paulo em obras do Rodoanel e do metrô, o que Serra nega enfaticamente. Há também relatos de formação de cartel para obras do metrô.

Fachin vai analisar a legalidade dos acordos, sobretudo a espontaneidade dos delatores, para decidir se irá homologá-los. O acordo da OAS, que deve contar com a assinatura de 20 delatores, é mais enxuto do que o da Odebrecht (77 executivos) e não foi enviado ao Supremo em sua integralidade por falta de tempo da Procuradoria Geral da República para analisar todos os documentos em razão da confusão em torno da JBS.

SIGILO MANTIDO – Se for homologada, a delação volta para a Procuradoria Geral da República para que os investigadores apontem quantos inquéritos querem abrir no Supremo. Isso ficará a cargo de Raquel Dodge.

Até a delação da JBS, o Supremo costumava manter o sigilo dos acordos de delação até que fossem abertos os inquéritos decorrentes das provas apresentadas. Em seguida, a delação se tornava pública.

Na delação da OAS, o tratamento deve ser diferente. Isso porque, em junho, três dos cinco ministros da Segunda Turma, que julga processos da Lava Jato, mostraram-se inclinados a deixar futuras delações premiadas em sigilo por mais tempo. A tendência é que as delações permaneçam secretas até a Corte receber a denúncia do Ministério Público e transformar o inquérito em ação penal. Se houver mudança na regra pelos ministros, os inquéritos a partir da delação da OAS serão abertos no tribunal sem a divulgação do assunto tratado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O rigor com o sigilo tem explicação. Léo Pinheiro deixou de fechar a delação porque vazaram informações de suas relações com ministros dos tribunais superior, especialmente Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que é amigo de todo mundo em Brasília. (C.N.)

No Planalto, já se sabe que Geddel vai se tornar o novo homem-bomba

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Andréia Sadi
GloboNews

Sob a ótica de amigos do presidente Michel Temer – que hoje dividem com ele a acusação de integrar uma organização criminosa – Geddel Vieira Lima vai delatar. Mas, se falar, vai delatar o quê? E quem? Geddel Vieira Lima é descrito por aliados como um político que aponta o dedo sempre que está encurralado em alguma situação delicada, no melhor estilo “eu posso até ter feito, mas ele também fez”. Estratégia parecida com a de outro ex-político encrencado – e hoje preso – Eduardo Cunha.

Quando Cunha estava na iminência de perder o mandato, encontrou-se com Michel Temer, então presidente em exercício, para pedir ajuda. O encontro era secreto, no escurinho do Palácio do Jaburu.

ERA SIGILO… – Procurado, Cunha negou à época que tivesse ido ao encontro do presidente. Mas o Palácio do Planalto foi obrigado a confirmar após os questionamentos da imprensa.

Temer não queria que viesse a público que havia se encontrado com Cunha naquele momento. Estavam em etapas diferentes de carreira: Cunha, em decadência, prestes a ser cassado. Temer se organizando com a sua base aliada para confirmar o impeachment de Dilma Rousseff.

Mas, ali, o histórico de Cunha com Temer falara mais alto: Cunha queria ajuda do presidente para salvar seu mandato. Temer repetia a aliados que nada poderia fazer. E Cunha ameaçava o Planalto: dizia ter munição para “explodir” o quarto andar do palácio.

SEMPRE QUE POSSÍVEL – O “quarto andar” era formado por Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima. Cunha sempre negou ter dito essa frase ao presidente, mas os interlocutores de Temer confirmavam que haviam recebido a mensagem. Por isso, explicavam, cediam aos pleitos de Cunha sempre que possível.

Geddel e Cunha se aproximaram no PMDB nos últimos anos. Mas a primeira linhagem de Geddel é ao lado de Temer. São amigos há mais de três décadas. Geddel trata Temer por “Michel”, assim como Padilha e Moreira Franco, mesmo após Temer virar presidente.

Geddel, quando abatido pelo primeiro apartamento polêmico de sua trajetória no governo Temer, negou-se a deixar o cargo.  Diferentemente do que se viu em outros governos, aqui, nenhum ministro do PMDB coloca o cargo à disposição do presidente. Pelo contrário: comunica que não sai (Geddel) ou que vai se licenciar (Eliseu Padilha) sempre que enrolado em algum escândalo. Uma relação de iguais.

APONTOU O DEDO – No episódio do apartamento embargado, Geddel argumentava que não sairia do governo porque não havia sido o único a pressionar o ex-ministro Marcelo Calero a derrubar junto ao Iphan o empreendimento imobiliário de alto luxo em Salvador no qual ele adquirira um apartamento.

À Polícia Federal, Calero havia afirmado que fora “enquadrado” pelo presidente Michel Temer e se sentiu pressionado a “construir uma saída” ao pedido de Geddel sobre a obra na Bahia.

No relato de um peemedebista, Geddel apontou o dedo aos aliados e dizia que, “se fosse assim, então todo mundo tinha que renunciar”. E o episódio foi resgatado por integrantes do governo após o novo apartamento polêmico de Geddel, este com R$ 51 milhões em dinheiro vivo dentro.

E OS OUTROS? – Nos bastidores do Planalto, poucos demonstram surpresa com o fato de Geddel “estar operando”. Mas sim com o valor encontrado. E agora o principal temor do Planalto é que Geddel explique que aquele valor tinha mais donos.

De olho nisso, palacianos já adotaram um discurso-vacina para afastar qualquer ligação com peemedebistas na ativa. Afirmam que, se Geddel for explicar o dinheiro, pode ser que o ligue a Cunha, de quem tinha se aproximado nos últimos tempos.

Do lado de Geddel, silêncio sobre seus próximos passos incomodam o governo. Lembram aliados do presidente que, no dia seguinte da primeira prisão, em julho, apareceu no Palácio do Planalto o irmão do ex-ministro, o deputado Lucio Vieira Lima, diferentemente do que ocorreu na prisão após apartamento.

Para palacianos, o silêncio da família Vieira Lima é ensurdecedor: Geddel não é Joesley Batista, e, se falar, tem potencial para se transformar no verdadeiro homem-bomba do Planalto de Temer.

A organização criminosa balançou a democracia no Brasil

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Charge do Amorim (amorimcartoons.com.br)

Percival Puggina

O funcionamento da Orcrim está descrito nesta parte da nova denúncia encaminhada no último dia 14 pelo Procurador Geral da República contra o presidente Temer:

A organização criminosa objeto da investigação no âmbito da Operação Lava Jato foi constituída em 2002 para a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula Da Silva — Lula à presidência da República, quando integrantes do PT uniram-se a grupos econômicos com o objetivo de financiar a campanha de Lula em troca do compromisso assumido pelo então candidato e outros integrantes da organização criminosa do PT de atender interesses privados lícitos e ilícitos daqueles conglomerados.

Com isso, Lula foi eleito e a organização criminosa passou a ganhar corpo após a sua posse, quando então se estruturou um modus operandi que consistia em cobrar propina em diversos órgãos, empresas públicas, sociedades de economia mista controladas pela União e Casas do Congresso Nacional, a partir de negociações espúrias com as empresas que tinham interesse em firmar negócios no âmbito do governo federal e na aprovação de determinadas medidas legislativas (…) 

Todo este estratagema não foi desenvolvido para beneficiar indevidamente apenas os integrantes do PT que constituíram a organização criminosa, serviu também para atender interesses escusos de integrantes de outras agremiações partidárias que, ao longo do governo Lula, aderiram ao núcleo político desta organização criminosa com o objetivo de comandar, por meio da nomeação de cargos ou empregos públicos chaves, órgãos e entes da Administração, um verdadeiro sistema de arrecadação de vantagens indevidas em proveito, especialmente, dos integrantes da organização criminosa. Em contrapartida aos cargos públicos obtidos junto aos integrantes do PT envolvidos no esquema ilícito, os integrantes do PMDB e do PP que ingressaram na organização criminosa ofereceram apoio aos interesses daqueles no âmbito do Congresso Nacional.

SEM NOVIDADE – Como se vê, nada que até o semanário de Burundi já não tenha noticiado. No entanto, a organização descrita passou ao largo e o TSE fez que não viu algo muito relevante sob o ponto de vista político e institucional. Refiro-me à propagação sobre o baixo clero dos efeitos políticos e éticos da atividade criminosa desenvolvida pelas cúpulas das organizações partidárias.

Os caciques que comandavam os negócios da tribo supriam suas tropas de recursos para custeio das respectivas campanhas eleitorais. O motivo é evidente: quanto maior o número de fieis seguidores, mais valiosa se tornava sua posição política e mais bem remunerada a participação nos negócios. Sabe-se, hoje, que o topo da cadeia alimentar, o ápice da carreira consistia em ter apelido e arquivo próprio no departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

EFEITO DEVASTADOR – O tipo de ganância que essa organização permitiu prosperar gerou e ainda preserva um efeito político devastador. Não fossem as coisas assim, a representação da sociedade brasileira, a proporcionalidade entre as diferentes bancadas e muitos daqueles a quem hoje chamamos deputado e senador estariam em outras atividades, longe dos centros de poder. Devem seus mandatos aos caciques em cuja cisterna beberam água e, hoje, se empenham, juntos, em encontrar uma regra de jogo eleitoral que os agasalhe da rejeição do eleitorado.

A distorção causada pelo crime virou o país pelo avesso, influenciou o Direito e a Justiça, a economia, a moral nacional e a doutrinação nas salas de aula. A próxima legislatura, porém, não pode ser uma cópia carbonada da atual; a Orcrim não pode continuar reproduzindo seus efeitos na representação política. A democracia é muito mais do que um conjunto de normas e formalidades; o que lhe dá vida é a adesão da sociedade política a elevados princípios e valores.

É comovente o esforço dos países ricos para salvar o meio ambiente no Brasil

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O jornal Libération ataca a política ambiente do Brasil

Francisco Vieira

A desculpa que os países ricos usam para nos manter no atraso como fornecedores de produtos primários é a mesma: salvar-nos! E para isso, financiam regiamente as milhares de ONGs que infestam o Brasil. Querem nos salvar, da mesma forma que salvaram os iraquianos, afegãos, líbios e sírios, só que de uma maneira mais sutil, mais lenta, mais elaborada, haja vista a imensidão e a diversidade do nosso país.

Eles querem, simultaneamente, nos salvar da devastação da natureza; do aumento do buraco de ozônio; do sufocamento resultante da destruição do “pulmão do mundo”; da poluição causada pela exploração das enormes jazidas minerais do nosso subsolo; da perda da nossa biodiversidade; da falta de água global; do desmatamento causado pela agricultura e pela pecuária; dos alagamentos, das cheias e das tempestades resultantes do desequilíbrio ecológico causado pela construção de hidrelétricas; do genocídio de nossas tribos indígenas e do desmatamento para a construção de ferrovias.

MAIS SALVAMENTOS… – Também querem nos salvar da produção de armas atômicas; do perigo das usinas nucleares; do risco de produzirmos lixo nuclear; do consumo dos poluidores combustíveis fósseis; e do monóxido de carbono que sai do escapamento dos veículos.

Além disso, insistem em salvar nossos animais silvestres de atropelamentos em estradas pavimentadas, assim como querem evitar o desmatamento desenfreado da Amazônia e das reservas ecológicas do país, para nos salvar do aquecimento global antropogênico…

Cada motivo para nos salvar tem seu tempo e seu prazo de validade. Quando as pessoas começam a perceber que o motivo divulgado pela imprensa era uma fraude, passa-se para o próximo motivo, elencados desde os anos 60 em uma infinita lista politicamente correta.

ENQUANTO ISSO…  – A situação ambiental do Brasil brasileira é conhecida por todos, vive sendo noticiada de forma alarmante na imprensa internacional, mas os países ricos se negam a discutir o desmatamento das florestas no mundo, em milhares de quilômetros quadrados, conforme está divulgado no Almanaque Abril 2014 (pág. 205), com dados até 2005:

ÁFRICA: Cobertura original 6.799 mil km². Restam 7,8%.
ÁSIA: Cobertura original 15.132. Restam 5,6%.
AMÉRICA DO NORTE: Cobertura original: 10.877. Restam 34,4%.
AMÉRICA CENTRAL: Cobertura original: 1.779. Restam 9,7%.
AMÉRICA DO SUL: Cobertura original 11.709. Restam 54,8%.
EUROPA: Cobertura original: 4.690. Restam 0,3%.
RÚSSIA: Cobertura original 11.759. Restam 29,3%.
OCEANIA: Cobertura original 1.431. Restam 22,3%.

Como se vê, na América do Sul ainda há 54,8% da cobertura original. Na América do Norte este número cai para 34,4%, mas são estatísticas enganosas, porque incluem a vegetação das extensas regiões frígidas e desabitadas do Canadá, mascarando a brutal devastação ocorrida no México e nos Estados Unidos. Quanto à Europa, só restam míseros 0,3% da cobertura original.

CADÊ AS ONGs? – Agora, me responda a algumas perguntas. Quantas ONGs brasileiras estão na Europa e nos EUA ensinando-os a preservar a natureza como nós preservamos até os dias de hoje? Quantas ONGs estão na Justiça americana pleiteando indenização aos descendentes dos massacres perpetrados pelo General Custer e outros heróis?

E quantas ONGs defensoras dos direitos dos “povos indígenas” estão na ONU denunciando o genocídio dos aborígenes australianos? Quantas ONGs estão na França protestando pela poluição do meio-ambiente com a radiação proveniente de mais de 210 testes nucleares, 17 dos quais realizados no Saara argelino e os outros 193 no Pacífico Sul? Onde estavam esses ecologistas quando milhões de animais e plantas foram dizimados pela radiação dos testes nucleares franceses?

Pois é, eles querem nos salvar, mesmo que seja contra a nossa vontade… Mas, curiosamente, parece que não querem ser salvos, pois continuam a fazer tudo que tentam nos proibir!!!

Economista do BNDES denuncia desmonte e avisa que “haverá muita quebradeira”

Imagem relacionadaDeu no site Nocaute

A economista Beatriz Meirelles, da Associação dos Funcionários do BNDES, analisa os impactos do fim da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), principal ferramenta de atuação do banco de desenvolvimento. Em sua opinião, as micros, pequenas e médias empresas serão as mais prejudicadas com a medida. E adverte que “o parque industrial de máquinas e equipamentos brasileiro vai acabar”.

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INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS SOB AMEAÇA
Beatriz Meirelles

A extinção da TJLP (taxa de juros de longo prazo) acaba com qualquer instrumento que o BNDES possa usar para fazer fomento. Havia uma emenda à medida provisória incluindo isenção tributária ou algum outro instrumento e foi tudo rejeitado pelo Congresso.

O argumento deles é que qualquer tipo de subsídio ou de instrumento de fomento vai ter que passar pelo Congresso via Orçamento Geral da União. Eles gostam de usar a ideia de que seria um instrumento mais democrático, porque passa pelo Congresso, mas a gente sabe que o gasto primário está congelado por 20 anos, então dificilmente vai haver espaço fiscal orçamentário para esse tipo de subvenção.

O estado perde o controle, abre mão de um instrumento de política econômica, que passa a ser uma taxa arbitrada pelo mercado. E é uma taxa muito mais alta e volátil. Então para as decisões de investimento a gente considera que vai ser bastante problemática, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas.

ABIMAQ ALARMADA – Certamente o parque industrial de máquinas e equipamentos brasileiro vai acabar. A associação Abimaq já fez essa conta mostrando os preços dos bens de capital com TJLP e com TLP, mostrando que fica mais caro que o importado, então vai ser mesmo uma substituição de importações às avessas. A gente vai estar regredindo a substituição de importações que se fez ao longo desses 60 anos de história.

Costuma-se acusar o BNDES de ser bolsa-empresário para grandes empresas, já é um argumento complicado porque nenhum país, nenhuma economia sobrevive só de micro, pequena e média empresa, a gente precisa incentivar setores grandes.

Nenhum país do mundo que se industrializou de fato fez isso sem apoio estatal. Você tem diversos bancos desenvolvimento no mundo tão grandes quanto o BNDES. O KFW, banco alemão, ele tem mais ou menos a mesma participação, os desembolsos da KFW sobre o PIB alemão é mais ou menos o mesmo tamanho do BNDES; o Japão, a Coreia, China, Canadá.

DESMONTE DO BNDES – Abrir mão desse instrumento de política econômica é o que faz a gente imaginar que é um projeto de desmonte do BNDES mesmo. Qualquer governo que venha depois vai ter que desfazer essa lei para recuperar esse instrumento importantíssimo.

Eu acho que vai ter muita quebradeira. A gente perde o último instrumento de política industrial que ainda existia, em um ambiente macroeconômico adverso para industrialização. Com taxa de juros alta, taxa de câmbio valorizada, carga tributária que incide sobre consumo, diversas disfunções, o BNDES era o último instrumento para fomentar desenvolvimento. Havia também o Ministério da Ciência e Tecnologia, que também foi desmontado por esse governo, então é muito assustador o que nos espera em termos de política industrial.

O mais intuitivo é que o demonte do BNDES interessa aos bancos privados, também bancos internacionais, mas de forma tão draconiana… O próprio congelamento do gasto público da PEC 55 também é uma medida exagerada que não interessa nem ao capital, isso que me causa surpresa.

RENTISMO – Ver agora a FIESP rachada com o governo, rachada com o Ministério da Fazenda, que estaria em tese representando o capital financeiro, algo que a gente achava que já tinha saído de moda – essa separação entre capital produtivo e o financeiro, a gente vê que não: que existe a ofensiva mesmo do rentismo.

Mas nenhum país vive só de rentismo, então parece que ou está associado ao interesse internacional mesmo, tanto o mercado financeiro internacional quanto empresas que concorrem com empresas brasileiras, como parece também uma coisa mais básica, que é uma espécie de fundamentalismo liberal, ideológico. E esse discurso neoliberal de estado mínimo está passando do limite do razoável, inclusive para o próprio capital. Por isso que é quase um enigma.

VENDER O PAÍS – E agora está surgindo um novo movimento que é o “Não vendo o meu país”, articulação de vários sindicatos associados estatais que estão na mira do desmonte ou da privatização: a Eletrobras, a Cedae, a Casa da Moeda, a Petrobras e diversos sindicatos também de empresas de setor privado preocupados com essa ofensiva de desmonte do estado.

A opinião pública no Brasil tem uma consciência de bem estar social, não é à toa que esse desmonte está sendo feito em um governo que não foi eleito. A gente tem a convicção de que se fosse passar por um debate eleitoral, isso não seria chancelado pela população.

Se você pensar que nos anos 90, por mais que tenha sido uma primeira ofensiva de desmonte, ainda era um movimento tímido, não se vendia como liberal explicitamente. Era o PSDB, um partido social democrata, então acho que ainda havia ali algum tipo de pudor em se autodenominar um neoliberal. Era disfarçado. E tinha também programas sociais, vários programas sociais foram criados nos anos 90. Mas a gente acha que realmente agora parece o Chile de Pinochet: o que eles não conseguiram destruir nos anos 90, agora é para acabar de vez.

É urgente voltar a Marx para entender nova fase da economia, diz professor

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Charge do Allan Sieber (Arquivo \Google)

Luís Costa
Folha

Um século e meio depois de Karl Marx lançar o primeiro volume de “O Capital”, a sua análise da economia capitalista ainda hoje é a ferramenta teórica mais importante para compreender o mundo do trabalho, avalia F. Nick Nesbitt, 52 anos, professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Nesbitt organizou “The Concept in Crisis: Reading Capital Today” (“O conceito em crise: ler O Capital hoje”), livro que acaba de ser lançado nos EUA e rediscute o clássico “Ler o Capital” (1965), escrito pelo marxista francês Louis Althusser (1918-90).

Em entrevista à Folha por e-mail, Nesbitt, que leciona no Departamento de Literatura omparada, afirma que Marx antecipou o que ele chama de “capitalismo pós-humano”, isto é, uma dupla tendência à eliminação gradual do trabalho humano das cadeias produtivas e à precarização da força de trabalho.

A economia global não é mais industrial como aquela de que Marx falava. Por que retornar a “O Capital” hoje?
Marx não gastou toda a energia intelectual das últimas três décadas de vida para descrever apenas as condições da classe trabalhadora no século 19. “O Capital” transcende a especificidade histórica de seu lugar e momento de escrita. Como o subtítulo diz, é uma crítica sistemática da economia política do capitalismo, com a proeza e a influência da ordem de “Princípios da Filosofia do Direito”, de Hegel [livro publicado em 1820], ou mesmo de “A República”, de Platão [datada do século 4º a.C.].

Marx trabalhou para desenvolver uma compreensão conceitual do sistema capitalista. Ao contrário das incontáveis descrições superficiais do capitalismo (preços e lucros, as perdas e os luxos dos capitalistas e das nações, as condições dos trabalhadores, a política de produção, distribuição, consumo e redistribuição da riqueza), “O Capital” é, sobretudo, um trabalho de filosofia conceitual e crítica.

Diante das enormes transformações potencialmente catastróficas do capitalismo hoje –que apenas se aceleraram neste século–, se quisermos compreender as forças que conduzem a globalização, não aprenderemos nada olhando para estatísticas e análises neoliberais sobre PIB, emprego, lucro, crescimento e outras categorias do cálculo econômico, que são apenas descritivas. Em vez disso, devemos voltar à análise conceitual de Marx.

Que debates o sr. procura criar ou revisitar no livro?
Quis chamar a atenção para a leitura filosófica e conceitual iniciada por Althusser e seus alunos [o livro de Nesbitt tem capítulos escritos por frequentadores dos seminários que deram origem a “Ler o Capital”, como o filósofo Étienne Balibar].

Trato “Ler o Capital” como a maior realização filosófica de Althusser para entender as crises, transformações e potencialidades do capitalismo tardio. O livro argumenta que Marx construiu em “O Capital” uma filosofia da forma-valor que é surpreendentemente atual e nos ajuda a entender o capitalismo contemporâneo.

Na contramão do revisionismo e das rupturas pós-marxistas dos anos 1960, Althusser se manteve fiel a uma leitura marxista-leninista tradicional. Essa ainda é uma perspectiva teórica e política viável?
Penso que não. A virtude contemporânea de “Ler o Capital” é ter deixado de lado as inclinações políticas datadas de Althusser, concentrando-se unicamente na crítica teórica do capitalismo.

Althusser afirmava que “O Capital” era mais bem compreendido entre operários do que entre intelectuais, porque estes não experimentavam a exploração de que fala o livro. O sr. concorda com essa afirmação?
Acho que essas afirmações de Althusser não são mais do que atormentada má-fé de um brilhante pensador iconoclasta em sua recusa a deixar o Partido Comunista francês, tentando encaixar-se em seu próprio círculo existencial. Embora qualquer um possa potencialmente compreender “O Capital”, esse trabalho filosófico-crítico é de ordem de complexidade totalmente diferente de algo como o “Manifesto Comunista”. Com um livro tão complexo e exigente, qualquer um que fizer o esforço de entender seus volumes interpretará seus argumentos de acordo com posições subjetivas. Ao mesmo tempo, podemos alcançar uma compreensão mais aguda da lógica objetiva do texto, como ocorreu, acredito, nas últimas décadas de pesquisa.

O que havia no século 19 e ainda há de equivocado sobre a visão econômica de Marx entre estudiosos?
A economia dominante continua ignorando o poder de muitos dos conceitos-chave de Marx: força de trabalho, valor excedente absoluto e relativo, tempo de trabalho socialmente necessário, tendência à queda da taxa de lucro. No entanto, o conceito fundamental para a crítica de Marx é sua teoria do valor-trabalho [relação entre o valor da mercadoria e o tempo dedicado à sua produção]. Ao abandonar qualquer forma da teoria do valor-trabalho, de Adam Smith a Marx, a economia neoliberal ganhou na habilidade de quantificar e analisar lucros e os vários movimentos internos ao capitalismo, mas perdeu a capacidade de entendê-lo como uma prática social, para não falar dos meios para construir qualquer crítica viável a suas crises, danos e limites.

É possível verificar empiricamente a ideia de que o desenvolvimento do capitalismo resultaria em maior prejuízo para os trabalhadores?
A leitura atenta de “O Capital” aponta para uma grande transformação na estrutura e na operação do capitalismo na atual conjuntura. É um desenvolvimento que eu chamaria de capitalismo pós-humano, tendência recém-dominante no capitalismo do século 21 para a força de trabalho humana tornar-se o que Marx chamou de “infinitesimal e em extinção”. Essa tendência não é contrariada pelo fato de que, desde a década de 1980, sempre mais pessoas no mundo “trabalham” em condições sempre mais precarizadas. Pelo contrário, são duas consequências da mesma tendência.

Esse aumento numérico é a forma visível da tendência de que a humanidade continua a depender do trabalho assalariado para a sobrevivência. A desvalorização da força de trabalho é, por outro lado, a forma conceitual da tendência, em que a automação reduz constantemente o valor da força de trabalho aos níveis “infinitesimais”.

No passado, novas commodities e novos setores de serviços reempregavam força de trabalho dispensada devido à automatização de outros segmentos. Hoje, as novas áreas e processos criados já são automatizados.

Pode-se argumentar que o capitalismo entrou nessa nova fase nos últimos dez ou 20 anos. Sua característica é a automatização generalizada dos processos produtivos, com a tendência de eliminação de postos de trabalho não só no Norte mas também no Sul, de forma ainda mais devastadora.

Os sinais dessa transformação estão em toda parte, mas sua natureza e as forças que a dirigem mal foram compreendidas, a meu ver, tanto pela esquerda quanto pelos economistas neoliberais.

A automatização avança…
Por volta do ano 2000, estudiosos da tecnologia ainda diziam que seria impossível fabricar um carro de forma totalmente automatizada; hoje não só vemos tais carros nas estradas como temos previsões de que 85% de toda a produção global possa estar automatizada dentro de uns 20 anos.

No entanto, esse processo ainda não foi devidamente compreendido como um momento no desenvolvimento histórico e estrutural do capitalismo. Nos artigos sobre o assunto, encontramos meras descrições desses novos processos de automatização e seus efeitos sobre PIB, trabalhadores, salários e empregos, mas nunca uma explicação que vá além de referências vagas e superficiais a “competição” global e “forças do mercado”.

É por isso que a análise de Marx sobre a estrutura do capitalismo é mais urgente do que nunca. Embora as transformações que têm ocorrido desde o ano 2000 não pudessem ser fenomenologicamente percebidas por Althusser em 1965, elas eram bem compreendidas por Marx, que claramente delineou a lógica estrutural desse processo em “Fragmento sobre as Máquinas”, texto de 1858.

Para formular o que pode ser uma política pós-capitalista, acredito que seja necessário atingir uma compreensão clara e adequada sobre a natureza e os limites dessa nova forma do capitalismo. O lugar para começar e desenvolver esse entendimento contemporâneo, com toda complexidade e rigor, tenho certeza de que continua sendo a obra-prima de Marx.

O que é ser marxista hoje?
Há mais de 150 anos, os escritos políticos e filosóficos de Marx são a referência mais penetrante para a crítica sistemática do capitalismo e a luta militante para derrubar seu reinado de iniquidade sobre uma parcela cada vez maior da humanidade. Ao mesmo tempo, ao longo do século passado, “marxismo” e “marxista” designaram uma sistemática incompreensão e simplificação de sua teoria.

Não me consideraria um “marxista”. Sou um estudioso da monumental crítica conceitual de Marx ao capitalismo, tentando compreendê-la para desenvolver o mais rigorosamente possível sua implicação para o capitalismo contemporâneo e o imperialismo tardio. Talvez, então, ser marxista hoje significaria, no mínimo, a recusa firme em abandonar o pensamento de Marx e orientar a própria crítica e ação na luz que ele lança sobre os obscuros desastres da era atual do capitalismo pós-humano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA própria Folha fez a tradução simultânea, nos seguintes termos: “Nick Nesbitt afirma que nem a esquerda nem os neoliberais têm explicação adequada para a atual transformação do capitalismo, com a automatização da produção e a substituição quase completa da mão de obra humana”. 

Como defensor de um neomarxismo, eu peço licença para acrescentar que é preciso encontrar uma terceira via. A situação é de tal gravidade que os bancos brasileiros, mesmo explodindo de lucros, querem diminuir o número de funcionários e estão proibindo os caixas de lidar com dinheiro. A ganância parece ser o sentimento predominante no mundo de hoje. Que Deus proteja os jovens e os ajude a mudarem este mundo sinistro que estamos legando a eles, conscientemente. (C.N.)

Sem participação de Lula, a sucessão de 2018 vira uma corrida maluca

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Merval Pereira

A provável barração na Justiça eleitoral da candidatura presidencial do ex-presidente Lula devido à Lei da Ficha Limpa, caso venha a ser confirmada sua condenação no Tribunal Regional Federal-4, está alterando a corrida presidencial, na quantidade de potenciais candidatos, e no alinhamento ideológico.

Ciro Gomes, o candidato escolhido pelo PDT, já abriu mão de um acordo com o PT e, sobretudo, do apoio de Lula, a quem vem criticando cada vez com mais desembaraço. As acusações de Palocci a Lula, que deverão se transformar em uma delação premiada com mais detalhes e, sobretudo, provas, acabaram com as esperanças da esquerda de ter Lula como candidato.

HADDAD OU WAGNER – Já não é mais segredo que o PT, confirmada a inviabilidade de Lula, deve lançar o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad ou o ex-governador da Bahia Jacques Wagner, como maneira de não virar um partido do segunda linha, apoiando candidato alheio do grupo da esquerda, cujo preferido já foi Ciro Gomes.

Mas o PT já não é uma aliança bem vista em parte da esquerda, e Lula a cada revelação perde a força de seu apoio, o que está levando Ciro Gomes a esconjurá-lo publicamente. Sem Lula na disputa, a corrida ficará aberta a todo tipo de candidato, enfraquecendo apenas um, o prefeito de São Paulo João Doria, que se organizou desde o início de seu projeto para ser conhecido pelo eleitorado como o antilula, embora ainda lhe reste uma identificação de gestor não-político, que tem boa acolhida em parte do público que busca o novo pelo novo.

O DEM já lhe ofereceu legenda, mas, como diria Johnny Alf, o inesperado pode fazer uma surpresa. Mesmo às voltas com uma segunda denúncia contra si, que deve ser derrubada novamente pela Câmara, o presidente Michel Temer voltou a aspirar uma improvável reeleição pelo PMDB caso a economia confirme a recuperação. Nada mais antigo, mas a força da economia não pode ser desconsiderada.

EXEMPLO DE LULA – Lula, aliás, quando se elegeu presidente pela primeira vez em 2002, ganhou muitos eleitores centristas, ou mesmo de direita, por ter assumido publicamente na Carta aos Brasileiros um compromisso de não radicalizar à esquerda na economia.

Mas boa parte desse eleitorado também o escolheu por ser um candidato diferente de todos os que já haviam estado na presidência da República. Não era um candidato novo, depois de disputar e perder três vezes a presidência, sendo duas para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. Mas era o representante de uma novidade política, sobretudo no que se referia ao combate à corrupção. Deu no que deu.

Ao contrário, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, um político de antiga estirpe, pode ter a seu favor justamente sua experiência, e, sobretudo, o equilíbrio com que conduz sua atividade política. Com tanta radicalização, talvez o eleitorado encontre nesse equilíbrio a segurança de que o país reencontrará seu caminho sem grandes choques. Não ter sido denunciado pelo Procurador-Geral Rodrigo Janot pelas acusações da Odebrecht foi um passo importante para firmar sua candidatura.

MUITAS OPÇÕES – Assim como em 1989, na primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar, muitos candidatos, de várias tendências políticas, se apresentarão ao eleitor. Uns pela primeira vez na política, outros antigos políticos querendo representar a parte boa da política, como Marina Silva pela Rede, Álvaro Dias pelo Podemos, os ex-ministros do Supremo Joaquim Barbosa e Ayres Brito. Também podem aparecer no páreo o atual presidente do BNDES, o economista Paulo Rabello de Castro, que nunca teve cargo eletivo, e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, deputado federal eleito que nunca exerceu o mandato, pois renunciou para assumir a presidência do Banco Central no governo Lula.

Há ainda o deputado federal Jair Bolsonaro, que para alguns representa essa parte boa da política, mas para muitos é justamente o representante de uma atitude política regressiva, mesmo não havendo até agora nada que o comprometa em termos de corrupção.

O combate à corrupção, como se vê, por si só não pode ser a base de uma candidatura. Inclusive porque já tivemos exemplos de caçadores que acabaram cassados. O eleitorado estará confrontado em 2018 com uma diversidade de candidaturas que precisam apresentar muito mais do que uma vida pregressa sem deslizes éticos. Essa é uma condição essencial, mas não suficiente.

Piada do Ano: PT abre processo Palocci por denunciar crimes de Lula

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Charge do Jota A (Portal O Dia/PI)

Catia Seabra
Folha

O diretório do PT de Ribeirão Preto se reunirá nesta segunda-feira (dia 18) para abertura de processo contra o ex-ministro Antonio Palocci no conselho de ética do partido. O ex-ministro terá prazo para apresentação de defesa caso pretenda manter-se filiado ao partido. A situação de Palocci ainda será objeto de debate, informal, na quinta e sexta-feira, durante reunião do diretório nacional do partido. O ex-ministro dos governos Lula e Dilma negocia um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, Palocci disse que Lula e o empresário Emílio Odebrecht, dono da Odebrecht, firmaram um “pacto de sangue” após a saída do petista da Presidência da República. Disse também que o empresário fez um caixa de R$ 300 milhões para Lula e o PT e entre a propina ao ex-presidente estavam no acordo o sítio de Atibaia, um terreno para o Instituto Lula e a remuneração por palestras.

CALCULISTA – Na quarta-feira (13) Lula prestou depoimento ao juiz Sergio Moro e disse que Palocci é “calculista, frio e simulador” e negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht.

“Conheço o Palocci bem. Se ele não fosse um ser humano, ele seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, é calculista, é frio.”

 

Tanto Lula quanto Palocci depuseram na ação em que o ex-presidente é acusado de se beneficiar de vantagens indevidas pagas pela empreiteira Odebrecht – incluindo a compra de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula, e cuja negociação teria sido intermediada por Palocci, assim como o apartamento vizinho em São Bernardo e o sítio em Atibaia.

DINHEIRO VIVO – A revista “Veja” deste final de semana afirmou que na delação premiada de Palocci o ex-ministro afirma que fez entregas de dinheiro vivo ao ex-presidente Lula em pelo menos cinco ocasiões.

O dinheiro teria sido entregue pessoalmente por Palocci a Lula, em pacotes de R$ 30 mil, R$ 40 mil ou R$ 50 mil. A informação foi confirmada pela Folha.

O relato sobre as entregas a Lula está nos anexos do acordo —uma espécie de sumário do que o delator irá contar, caso o acordo seja fechado. Não há prazo para o compromisso ser fechado nem certeza se a informação será mantida na versão final do acordo. As quantias entregues a Lula eram destinadas a despesas pessoais do ex-presidente, segundo o relato do ex-ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já se sabe como vai terminar o processo contra Palocci no PT. O ex-ministro terá veredicto de culpado por graves atos de corrupção e o ex-presidente Lula será considerado inocente e vítima de perseguição política. (C.N.)

Ataques a Janot demonstram apenas o desespero da “Operação Abafa”

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, tem razão quando afirma que o procurador-geral Rodrigo Janot nada fez de errado ao aceitar a delação da JBS. Aliás, Barroso vem surpreendendo com suas posições da mais alta relevância, sempre em favor da justiça para todos, nesta luta contra a corrupção. Seus votos são irrepreensíveis e sua conduta nas votações demonstra notável saber jurídico e ilibada reputação.

Sua defesa do procurador-geral, atingido por ataques e flechadas desferidas por gregos e troianos, principalmente dos execráveis réus da Lava Jato, é uma postura que engrandece o Supremo. Afinal, se um membro da equipe de Janot costeou o alambrado e passou para o outro lado, o lado do crime, esse fato não pode ser imputado ao procurador-geral da República.

STF TAMBÉM ERRA – Errar é uma condição humana, afeita a todos. Quantos criminosos soltos através de habeas corpus por ministros do STF, depois fugiram para o exterior, como Cacciola, Pizzolato, Abdelmassih e companhia limitada. Então, se é para julgar Janot, vamos abrir a porteira dos erros do próprio Supremo, que não foram poucos.

Acusar Janot equivale a destruir a limpeza que o Procurador vem fazendo nessa lama que envolve os três podres Poderes da República. É muito roubo em todas as esferas de poder, que a Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita vêm desvendando e impedindo que continue. Logo, os ataques d “Operação Abafa” a Janot, aos federais e aos procuradores têm um único objetivo: interromper a sangria das delações, para continuar a roubalheira que empobrece a nação, mergulhando-nos no caos e no desemprego e propiciando a desintegração da nação, como ocorre atualmente na Síria e na Venezuela.

As cartas estão dadas e impedir a decadência do país depende dos cidadãos brasileiros, que não participaram dessa roubalheira ampla, geral e irrestrita.

Uma casa escancarada, onde todos são bem-vindos, na visão de Walter Queiroz

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Queiroz abre as portas para o mundo

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O advogado, publicitário, cantor e compositor baiano Walter Pinheiro de Queiroz Júnior usa várias figuras de linguagem, tornando mais bonito o conteúdo poético da letra de “Pode Entrar”, na qual ele fala da sua casa. Walter Queiroz gravou a música “Pode Entrar” no LP “Filho do Povo”, em 1975, pela Phonogram.

PODE ENTRAR
Walter Queiroz

A casa escancarada a lua alí
Meu cachorro nunca morde
Meu quintal tem sapotí
tem um roseiral crescendo lindo
Quem for louco ou for poeta
Pode entra e seja bem vindo

Aqui passa o bonde da Lapinha
Passa a filha da rainha
Passa um disco voador
As vezes ele gira para e pisca
Como quem quase se arrisca
A parar pra conversar

Mas não me sinto só tenho um vizinho
Que é um bêbado velhinho que acredita no destino
Ele mora em cima do arvoredo
Ele tem muitos brinquedos
Ele sempre foi menino

Agora se vocês me dão licença
Eu vou ver um passarinho
Que me chama no quintal
Depois vou me deitar para sonhar
E dançar com a cigana
Que eu perdi no carnaval

A cidadania e o projeto de deixar de ser massa e passar a ser povo

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Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Entendemos por cidadania o processo histórico-social que capacita a massa humana a forjar condições de consciência, de organização e de elaboração de um projeto no sentido de deixar de ser massa e de passar a ser povo. O grande desafio histórico é certamente este: como fazer das massas anônimas, deserdadas e manipuláveis, um povo brasileiro de cidadãos conscientes e organizados. E como situar-se hoje diante do projeto dos golpistas de 2016? Vejo seis dimensões de uma cidadania plena.

1) A dimensão econômico-produtiva: a pobreza material e política é produzida e cultivada pelas oligarquias, pois assim podem explorar melhor as massas. Isso é profundamente injusto. O pobre que não tiver consciência das causas de sua pobreza pela exploração não terá condições de realizar sua emancipação.

2) A dimensão político-participativa: se as pessoas não lutarem por sua autonomia e participação social, nunca serão cidadãos plenos.

3) A dimensão popular: o tipo de cidadania vigente é de corte liberal-burguês, por isso inclui os que têm uma inserção no sistema produtivo e marginaliza os demais. É uma cidadania reduzida. Não se reconhece ainda o caráter incondicional dos direitos. A construção da cidadania deve começar lá embaixo e estar aberta a todos. Ela já é exercida nos inúmeros movimentos sociais e associações comunitárias nas quais os excluídos constroem um novo tipo de cidadania.

4) A dimensão de concidadania: a cidadania não define apenas a posição do cidadão face ao Estado, como sujeito de direitos. A concidadania define o cidadão face a outro cidadão pela solidariedade e pela cooperação, como foi mostrado na Campanha contra a Fome, a Miséria e em favor da Vida, herança imorredoura de Betinho.

5) A cidadania ecológica: cada cidadão tem o direito de gozar de qualidade de vida. Isso só será possível se houver uma relação de cuidado e de respeito com a natureza. E se mostra pelo cuidado com o ar, as águas, os solos. Cada cidadão deve se conscientizar para garantir um futuro à Casa Comum e deixá-la habitável para as gerações futuras.

6) A cidadania terrenal: a concidadania se abre hoje à dimensão planetária, incorporando cuidados com a única Casa Comum e com bens e serviços limitados. Importa viver os vários erres do pensamento ecológico: reduzir, reusar, reciclar, rearborizar, rejeitar a propaganda enganosa, respeitar todos os seres etc.

PROJETOS ANTAGÔNICOS – Após o golpe jurídico-parlamentar de 2016, a cidadania é desafiada a confrontar-se com dois projetos antagônicos, disputando a hegemonia. O primeiro é o projeto dos endinheirados, articulados com as corporações transnacionais, que querem um Brasil menor, de no máximo 120 milhões de pessoas, pois assim acreditam que daria para administrá-lo sem preocupações.

O outro projeto quer construir um Brasil para todos, pujante, autônomo e soberano face às pressões das potências militaristas, que visam estabelecer um império e viver da rapinagem das riquezas de outros países. Estes se associam com as elites nacionais, que estão por trás do golpe de 2016.

FORÇAS DESIGUAIS – A correlação de forças é muito desigual e corre em favor das oligarquias. Mas estas não têm nada a oferecer para os milhões de brasileiros, especialmente para os pobres, senão mais empobrecimento. Essas elites não são portadoras de esperança e, por isso, estão condenadas a viver sob o medo permanente de que, um dia, a situação possa se reverter e acabar com sua opulência e privilégio. Esse dia chegará.

O futuro pertence especialmente aos humilhados e ofendidos de nossa história, que herdarão as bondades que a Mãe Terra Brasil reservou a todos. Valeram a pena sua resistência, a indignação e a coragem de mudar em direção a um Brasil do qual possamos nos orgulhar.

Torquato teve de manter Daiello, que acusou Temer de ser o chefe da corrupção

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Daiello deu impressionante demonstração de força

Pedro do Coutto

Enquanto Rodrigo Janot se despedia da Procuradoria Geral da República, o ministro Torquato Jardim anunciava que Leandro Daiello estava mantido no cargo de Diretor Geral da Polícia Federal, por coincidência na semana em que Daielo acusou o presidente Michel Temer de ser o chefe do bando da corrupção. Os repórteres Fábio Serapião e Vera Roda,  em O Estado de São Paulo de sábado, destacaram a iniciativa do titular da Justiça de assegurar a continuidade de Daiello. “Não me pareceu adequado que o diretor Geral da PF se afastasse agora” – ressaltou Torquato Jardim.

O Ministro da Justiça, se desejasse, poderia não dizer nada e assim manter Daielo no cargo. Mas no momento em que, com base no trabalho investigativo da PF, Rodrigo Janot encaminha a segunda denúncia de corrupção contra o presidente da República, seja qual for a interpretação do ato, ele inevitavelmente surpreende e se revela como mais um fator contrário ao governo.

UMA QUADRILHA – As acusações preparadas pela Polícia Federal não se restringem ao Presidente da República, na verdade estendem-se aos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, além de incluírem Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, o advogado José Yunes e outros personagens próximos a Michel Temer e que, de acordo com a Revista Veja que está nas bancas, formariam a Rede organizada da quadrilha.

A semana que se inicia terá grande reflexo político no destino do Palácio do Planalto. Quarta-feira o Supremo Tribunal Federal incluiu em sua pauta o julgamento de duas questões de alta importância: a primeira refere-se à petição do advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, voltada para impedir que possa tramitar a denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente da República. O advogado Mariz de Oliveira não recorre contra o conteúdo da matéria e sim para impedir liminarmente sua apresentação. E o segundo julgamento é relativo à validade das provas decorrentes das delações de Joesley e Ricardo Saud, independentemente da manutenção ou não da impunidade dos executivos da JBS.

TEMAS POLÊMICOS – São matérias de alta sensibilidade, na medida em que reduzem o poder do procurador-geral da República e separam as delações dos delatores. Os delatores podem perder as vantagens obtidas por suas delações, porém as delações podem permanecer como provas materialmente válidas para o curso das ações criminais contra os corruptos e os corruptores.

O que o STF decidir marcará passo importante para o desdobramento da crise política que se apresenta cada vez mais intensa aos olhos e à consciência da população brasileira. Vale lembrar que, em matéria de delação, já ocupa espaço considerável a apresentada pelo ex-ministro Antonio Palocci contra o ex-presidente Lula. Este capítulo é mais um da série de crimes de corrupção que inundaram o país principalmente a partir de 2003, quando Luiz Inácio da Silva assumiu o Planalto em seu primeiro mandato.

RAPINA OFICIAL – A partir de Lula, foi instituído um profundo sistema de assalto ao patrimônio da União, causando imensos prejuízos ao povo brasileiro, que pagou muito caro pelos rumos adotados para roubar o dinheiro público. Porque as vultosas comissões pagas como suborno não saíram dos bolsos dos empresários. Pelo contrário. Estes elevaram os preços de seus contratos em valores várias vezes maiores que as comissões pagas.

O prejuízo, como sempre, foi do povo. O maior destes prejuízos encontra-se indiretamente no desemprego que atinge mais de treze milhões de brasileiros. Quanto custa o desemprego? Custa mais do que todas as propinas somadas.

Na vida real, o jornalista Marcelo Rezende era muito alegre e vivia rindo

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Marcelo, ao vivo e a cores, era a felicidade em pessoa

Carlos Newton

Mais um amigo que se vai. Desta vez, o jornalista Marcelo Rezende, que vinha lutando contra um câncer no pâncreas nos últimos meses. Como apresentador de TV, a partir do programa “Linha Direta”, da Globo, ao fim da década de 1990, Marcelo exibia uma postura rígida no combate ao crime e à corrupção, era um defensor do interesse público. Se quisesse, com facilidade poderia ter entrado na política, seu trabalho no jornalismo o credenciava para a função, por estar sempre envolvido nas causas populares.

Na vida real, ele era muito diferente. Sempre alegre, fazendo piadas, suas gargalhadas enchiam a Redação de O Globo, onde nos conhecemos. Era repórter esportivo, apaixonado por futebol, começou a trabalhar no Jornal dos Sports, nada indicava que fosse se tornar apresentador de programas populares na TV.

SUCESSO NA TV – Quem levou o jovem Marcelo Rezende para O Globo foi o jornalista Merival Júlio Lopes, que era seu parente. Em 1987, ele saiu do jornal e foi trabalhar na TV Globo, também como repórter esportivo.

Em 1995, nosso amigo Evandro Carlos de Andrade, diretor de Redação de O Globo, foi dirigir a Central Globo de Jornalismo na TV. Ele já conhecia Marcelo Rezende da época do jornal. Evandro tinha grande percepção e olho clínico, era um descobridor de talentos. Foi ele quem percebeu o potencial de Marcelo Rezende e o transformou naquele apresentador sério e destemido, que nada tinha a ver com a alegria que ele transmitia na vida pessoal. Fez um sucesso extraordinário e se transformou num dos profissionais mais famosos da TV brasileira.

Ficamos muito amigos na redação de O Globo. Depois, nos tornamos também vizinhos e  passávamos os fins de semana juntos, na belíssima Praia das Amendoeiras, em Maricá. Bons tempos. Marcelo sempre foi a animação em pessoa e vai nos fazer muita falta.