Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, que despertaram a paixão de Gonçalves Dias

A vida é combate, Que os fracos abate,... Gonçalves DiasPaulo Peres
Poemas & Canções 

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta maranhense, Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), revela sua paixão ao descrever os olhos da amada.

SEUS  OLHOS
Gonçalves Dias

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a flauta quebrando a solidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.

Deus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar. 

Até os generais do Planalto estão prontos para abandonar Bolsonaro, no dia D e hora H

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro e os generais pensam (?) que podem governar sem apoio do Congresso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O genial escritor Fernando Sabino criou um personagem muito interessante. Era um velho que refletia muito sobre o mundo e classifica os dias pelas cores que significam. Por exemplo, sexta-feira é sempre azul, porque vai fechando a semana de trabalho; mesmo quando chove, o sábado é sempre amarelo e alegre: o domingo se torna vermelho quando dá praia e tem clássico de futebol: mas a segunda-feira, por mais radiante e ensolarada que seja, como aconteceu ontem, é sempre cinzenta.

Realmente, esta segunda-feira, dia 18, confirmou as observações do velho personagem de Sabino – para o governo, foi um dia absolutamente cinzento, fechado e sufocante, verdadeiramente ameaçador.

A MAIOR DERROTA – No domingo, para desespero do ministro-general Eduardo Pazuello e do presidente-capitão Jair Bolsonaro, a vacinação começou em São Paulo, configurando a maior derrota político-administrativa desse governo.

Durante a semana inteira, o general Pazuello, autoritariamente, repetiu suas sinistras entrevistas do eu sozinho, nas quais apenas ele fala e os jornalistas são mantidos em silêncio. E o general  logístico insistiu nas ameaças, dizendo que o Instituto Butantan tinha de retomar as vacinas compradas pelo governo paulista, entregá-las ao ministério da Saúde e “Ponto!”, com o oficial intendente gosta de finalizar suas ameaças.

Mas ele bateu na porta errada. Vivemos numa democracia e ninguém está ligando para as estrelas cadentes que Pazuello leva ilusoriamente nos ombros. Por isso, as vacinas não foram retomadas e a imunização começou em São Paulo, a contragosto de governo.

NA PORTA ERRADA – O caricato Pazuello, que é da Intendência e nem tem o “physique du rôle” de chefe militar, por cultivar uma obesidade que merece cirurgia bariátrica, bateu na porta errada. Ponto. O Instituto Butantan foi criado pelo célebre imunologista Vital Brazil, um dos mais importantes do mundo e que era brasileiro duas vezes no seu nome, pois se chamava Vital Brazil Mineiro da Campanha, porque nascera na cidade de Campanha, em Minas, perto de Três Corações.

Pretender aprisionar e tiranizar uma instituição como o Butantan, só pode ser iniciativa de uma pessoa que não gira bem da cabeça, uma espécie de general tantan, fantasiado de ministro da Saúde e agindo como Napoleão de hospício.

E o Instituto de Vital Brazil honrou seu cientista fundador e simplesmente desconheceu as ordens, não tomou a menor iniciativa para reaver as vacinas e deixou o general tantan falando sozinho, que é como ele gosta de dar “entrevistas”.

O GOVERNO ACABOU – A segunda-feira cinzenta mostrou que esse governo acabou e ninguém mais está disposto a bater palmas para maluco dançar, como se dizia antigamente.  

O silêncio dos militares que ocupam o Planalto é bastante revelador. Nesses dois anos eles até tentaram ajudar Bolsonaro, mas acabaram se contaminando com as maluquices dele. Hoje, estão entrincheirados no palácio, sem saber o que acontecerá em seguida. E no fim de semana o vice Hamilton Mourão, para disfarçar, deu uma entrevista cabotina tentando apoiar Bolsonaro, quando todos sabem que os dois se odeiam.

A estratégia é errada. Fazer o papel de bom moço, num momento dessa gravidade, pode soar como um comportamento indigno e subalterno, que só depõe contra o caráter de Mourão, que é um general de verdade.

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P.S. –
Hoje é terceira-feira, o dia raiou esverdeado pelas esperanças dos brasileiros, que se animaram com o início da vacinação, já estão pouco ligando para esse governo, sabem que na vida tudo muda e ainda sonham com um futuro melhor, sem presidentes desmiolados nem generais de fancaria. (C.N.)

Um desastre completo, com MEC e INEP reprovados pela “desorganização” do ENEM

Estudantes relatam que não puderam fazer o Enem após salas 'excederem capacidade máxima' no RS | Rio Grande do Sul | G1

Metade dos inscritos não conseguiram fazer a prova

Pedro do Coutto

 Em matéria de organização, tanto o MEC quanto o INEP foram reprovados pela realização do ENEM neste domingo, quando estudantes foram barrados em vários pontos do pais porque as salas destinadas aos alunos já se encontravam lotadas e o planejamento para manter a distância entre um aluno e outro não se realizou ou a omissão representou uma agressão aos que foram prestar a prova.

Na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, reportagem de Isabela Palhares e Paulo Saldanha destaca a relação dos erros de logística (palavra que está na moda) que foi incapaz de prever o impasse e se traduziu na desinformação a respeito da mistura do horário com a superlotação das salas.

TUDO ERRADO – Os estudantes foram avisados de que o acesso às provas deveria ser condicionado ao número de lugares disponíveis. Por isso, os estudantes chegaram sem precipitação e formaram filas. Na hora de ingressarem nas salas, foram surpreendidos com a informação de que não havia mais vagas uma vez que a lotação das salas estava condicionada à distância social. O

 INEP recebeu a instrução de organizar o ENEM mas não previu ou informou que a realização da prova dependia de haver lugar. O pior é que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, considerou a organização um sucesso.

Esqueceu, entretanto, que com isso, a abstenção chegou a 51% dos inscritos.

SEM COMPROVANTE – Como os inscritos totalizaram 5,7 milhões de pretendentes, o índice de ausência atingiu 2,8 milhões. Os que não puderam ingressar por excesso de lotação não receberam nenhum comprovante de que a ausência teve por motivo o sistema de organização. Ficaram sem saber o que fazer.

Nesta segunda-feira o MEC revelou que a nova chamada será realizada em fevereiro. Mas o fato absurdo ficou caracterizado. MEC e INEP saíram reprovados no episódio.

DUELO NA VACINAÇÃO – O governador paulista João Doria e o ministro Eduardo Pazuello protagonizaram um choque político.            O início da vacinação contra a Covid-19, no domingo, levou a um enfrentamento direto entre o Doria e o ministro da Saúde.

Havia uma disputa para saber quem deveria vacinar primeiro. O governador de São Paulo atacou duramente o titular da Saúde acusando-o de faltar a verdade em torno do assunto e de não ter previsto as mortes ocorridas em Manaus por falta de oxigênio.

A esse respeito foi excelente o comentário da jornalista Natuza Nery na tarde de ontem na Globo News. O general da Logística não conhece Lógica.

Ayres Britto diz que Bolsonaro vive de “costas para a Constituição” e que tal postura é digna de impeachment

Para o ex-ministro, ‘conjunto da obra’ sinaliza crime de responsabilidade

Anna Virginia Balloussier
Folha

Ao dar reiteradas amostras de que “tem o pé atrás” com a Carta Magna de 1988, o presidente Jair Bolsonaro se credenciou para o impeachment, uma sanção tão severa que “somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição”, diz Carlos Ayres Britto, 78, ministro aposentado do STF.

“Respostas [para a crise sanitária] como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, questiona. “Tudo do ponto de vista jurídico, porque cabe ao Congresso decidir o destino do chefe do Executivo, e é bom que seja assim”, afirma.

NÃO É GOLPE – Ministro do Supremo Tribunal Federal de 2003 a 2012, nomeado por Lula no primeiro ano de governo do petista, em 2016 ele disse à Folha que impeachment não é golpe. Comentava, então, a possibilidade de Dilma Rousseff ser destituída, o que acabou acontecendo naquele ano.

“Ortodoxamente quarentenado”, saindo apenas uma vez por mês, “de carro e máscara, só pra espairecer”, Britto espera a vacina contra a Covid-19 chegar. De casa, concede esta entrevista, em que sugere “menos incontinência verbal e mais continência à Constituição” para o Brasil.

Boa tarde, ministro.
Queria, antes, falar uma coisa. Não se pode tapar sol com peneira: há uma crise que é múltipla. Os Poderes não se entendem devidamente. Definição antiga de Antonio Gramsci: crise é aquele estado de coisas em que o velho demora a morrer, e o novo não consegue nascer. No caso brasileiro, o velho que não larga o osso é uma espécie de visceral pé atrás com a Constituição. Há um boicote a ela. As forças mais reacionárias temem que, de tão humanizada que é, ela vai dar jeito no país.

O governante central é assim, tem o pé atrás com essa Constituição, consciente ou inconscientemente. Quanto ao impeachment, essa mais severa sanção tem explicação. Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente”. E a opção só pode ser pela Constituição.

Então o sr. crê que a conduta de Bolsonaro na crise sanitária o credenciou ao impeachment?
Diria que o conjunto da obra sinaliza o cometimento de crime de responsabilidade. Porém, o processo é de ordem parlamentar.

Do ponto de vista jurídico, quais seriam esses crimes de responsabilidade?
Pelo artigo 78, o presidente assume o compromisso de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro. Ou seja, não é representante dos que votaram nele, dos ideólogos que pensam igual a ele. É de todo o povo. Menos incontinência verbal e mais continência à Constituição.

A sociedade civil vai entendendo que regime democrático é para impedir que um governante subjetivamente autoritário possa emplacar um governo objetivamente autoritário. Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente.

E no contexto da pandemia?
O povo diz “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como “e daí?” ou “não sou coveiro” não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?

A atuação da Anvisa é independente?
A agência deve dançar conforme a música da ciência, atuando sempre tecnicamente. Por isso e para isso é que ela foi criada por lei, sob a forma de autarquia. E autarquia é pessoa jurídica. Não órgão de uma outra pessoa jurídica —no caso, a União. Sua fidelidade não a esse ou aquele partido, essa ou aquela ideologia, esse ou aquele governo.

Acredita que haverá vontade política para remover Bolsonaro?
Esse tipo de análise é mais da ciência política.

Muita gente diz que o impeachment é um trauma forte demais para um país, sobretudo no meio de uma pandemia. Concorda?
Trata-se de uma avaliação que incumbe às duas casas do Congresso. Pondero o seguinte: o ideal, em qualquer democracia, é que todo presidente popularmente eleito inicie e conclua o seu mandato. Foi eleito democraticamente para isso. Agora, à luz da Constituição, há intercorrências que podem caracterizar crimes de responsabilidade com suficiente gravidade para a decretação do impeachment.

Outra crítica comum: o Congresso pode sentar em cima do impeachment por razões pouco republicanas, como conchavos políticos, e que não é bom que só ele possa decidir se o presidente sai.
É uma opção constitucional. Muitas vezes você não tem a melhor saída, salvo todas as outras. Como Winston Churchill dizia sobre a democracia ser o pior regime, exceto todos os outros. Olha, entendo que não há saída que supere em qualidade essa de entregar ao Congresso a avaliação do crime de responsabilidade. Agora, os parlamentares vão responder pelos seus votos eleitoralmente.

Bolsonaro mais de uma vez usou tom de ameaça contra o STF. A corte está a perigo ou as instituições estão funcionando?
Sim, elas estão. Já internalizamos a ideia fundamental de que a democracia não é regime de força, mas tem que ser suficientemente forte para não se deixar matar nunca. Por exemplo, já há compreensão de que as próprias Forças Armadas estão regradas num título constitucional para defender as instituições democráticas.

Descarta um novo 1964?
Internalizaram o sucesso civilizatório e não embarcarão em nenhuma canoa furada do autoritarismo.

Não teria como fechar o Supremo com um cabo e um soldado, como disse Eduardo Bolsonaro?
Não prosperaria de jeito nenhum.

O líder do governo Bolsonaro [na Câmara, Ricardo Barros, do PP] advoga por um plebiscito para nova Constituinte.
Uma Assembleia Nacional Constituinte a gente sabe como começa, mas não como termina. O pressuposto da convocação de uma é a falência múltipla da Constituição em vigor, uma que já deu o que tinha que dar. Não é o caso do Brasil, pois a nossa precisa é de tempo para dizer a que veio. E veio, reconheçamos, como um projeto de vida nacional tão democrático quanto humanista e civilizado.

Quando Bolsonaro diz que o STF o proibiu de “qualquer ação” contra a Covid, que pelo tribunal ele tinha que “estar na praia, tomando cerveja”, ele mente. Atitudes assim exigem um enfrentamento aberto pelos ministros ou uma postura de contenção de danos, de não enervar mais uma relação já tensa entre Poderes?
É muito subjetivo e passa muito por quem estiver na presidência, que exerce uma orientação institucional. Mas a autocontenção depende das circunstâncias. Há momentos em que é preciso uma reação mais pronta, mais enérgica até, e há momentos em que se faz uma avaliação de que não é motivo para uma interpelação.

E nesse caso?
Diria: por exemplo, quando o presidente reiteradamente coloca dúvida sobre a precisa quantidade de votos que obteve na última eleição, e vai além para questionar a eficácia da urna eletrônica, pode sim vir a ser interpelado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Porque esse tipo de afirmação coloca em xeque a qualidade da Justiça Eleitoral e aturde o próprio eleitor soberano.

Como avalia a indicação de Kássio Nunes ao STF?
Não conheço mais de perto o ministro. Mas o que sei dele é de que, tecnicamente, dá conta do recado.

Bolsonaro garantiu a pastores que sua segunda nomeação seria terrivelmente evangélica.
Tão difícil às vezes qualificar esses pronunciamentos do Bolsonaro. Requisito de investidura do cargo não é a embocadura religiosa de ninguém. Até porque a Constituição instituiu o Estado laico. Diz o artigo 19: é vedado ao Estado “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”. Não sei por que essa referência à qualidade evangélica de um dos futuros nomeados. É um indiferente jurídico a formação religiosa da pessoa, mas dizer como se fosse condição de investidura é estranhável.

O Supremo deve atuar em pautas de costumes que não prosperam no Legislativo?
A Constituição enuncia, didaticamente: as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Aí você diz, “mas se tais direitos e garantias padecerem da falta de norma regulamentadora, não é preciso esperar o Congresso editar essa lei”?

A Constituição é um posto Ipiranga, dá resposta para tudo: “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais”. Isso ao lado da ação direta de inconstitucionalidade por omissão legislativa. Por isso que o STF, diante da mora do Legislativo, fez incidir sobre os atos de homotransfobia a lei criminalizadora do racismo.

O apreço da população pelo STF já foi mais alto. A rejeição é agravada com, por exemplo, o pedido de reserva de vacinas. A autocrítica da corte é válida?
Sempre válida. No caso da vacina, parece que houve mal entendido. O Supremo não reivindicou, apenas se inscreveu por antecipação. Não é, segundo me pareceu, reivindicar para si a primazia. Hoje nós temos essa universal circunstância da internet. A Internet empoderou as pessoas. As redes sociais estão se tornando antissociais. Então é isso, você trouxe à baila outra variável. Nós ainda vamos ralar para administrar com sensatez as plataformas.

Nossa democracia corre perigo?
Toda democracia vive sob risco de morte, porque todas as que morreram foi de “morte matada”, não de “morte morrida”. O que varia é o tamanho do risco. Dois poderosos antídotos contra os democraticidas já existem no país: é que ninguém pode impedir que a imprensa fale primeiro sobre as coisas, nem que o Judiciário fale por último. Assim como já existe aquela parelha de antídotos que se lê no pensamento de Thomas Jefferson, o segundo presidente dos EUA: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”; “a arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”.

E o caso Trump?
É que a democracia não está a salvo de acidentes eleitorais de percurso. Daí que, ante extrema sectarizacão, surjam eleitos de extrema esquerda, ou de extrema direita, e até mesmo os de extrema ignorância, no sentido negacionista da própria ciência. É quando essa democracia mesma aciona mecanismos aptos a fazer a ficha cair: a sociedade se apercebe de que não pode continuar a pagar um mico civilizatório. E na primeira oportunidade eleitoral, o povo se decide a apear tais governantes.

Fica a lição de que um povo que elege mal os seus governantes se torna tão vítima quanto cúmplice de sua própria desgraça.

Solidariedade muda de lado, abandona candidatura de Arthur Lira e declara apoio a Baleia Rossi

Argumento é a defesa da democracia sem se submeter ao Executivo

Bruno Góes
O Globo

O Solidariedade anunciou nesta segunda-feira, dia 18, que apoiará a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara dos Deputados. A legenda chegou a negociar e fechar uma acordo com Arthur Lira (PP-AL), deputado apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Porém, após nova rodada de conversas com Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Rossi, houve uma mudança de posição. Também nesta segunda, a Mesa da Câmara decidiu que a eleição ocorrerá de forma presencial para todos os parlamentares e no dia 1º de fevereiro.

FRENTE DE DEFESA – Em nota, o presidente do partido, Paulinho da Força (SP), diz que é indispensável montar uma frente de defesa à democracia, sem se submeter ao Executivo. “O enfrentamento da maior crise sanitária e de um dos mais graves índices de desemprego na história do país devem ser enfrentados com soluções bem negociadas pelos poderes Executivo e Legislativo, sem subordinação de qualquer espécie”, diz a trecho da nota.

O Solidariedade tem 14 deputados federais. A adesão ao bloco de Rossi, porém, não significa que o emedebista terá todos os votos da legenda. A votação é secreta e parte da bancada tem boa relação com Lira.

“O conjunto político-partidário formado em torno da candidatura e os compromissos assumidos por ele para esse equilíbrio e independência indispensáveis entre os poderes da República são as razões que fazem o Solidariedade se empenhar também pela adesão de outras forças sociais e políticas no apoio à candidatura de Baleia Rossi à presidência da Câmara Federal”, diz a carta assinada por Paulinho. Até o momento, o bloco de Rossi conta com o apoio de DEM, MDB, PSDB, Cidadania, PSL, Solidariedade, PT, PSB, PDT, PCdoB, Rede e PV. Já Lira conquistou o apoio de PP, PSD, Republicanos, PL, PROS, PSC, Avante e Patriota.

AGU alega que colapso no oxigênio foi informado de maneira tardia ao governo federal

Saúde foi informada da crítica situação no dia 8 de janeiro, por email

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

A Advocacia-Geral da União afirmou neste domingo, dia 17, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o “colapso no estoque de oxigênio hospitalar” em Manaus “foi informado de maneira tardia aos órgãos federais, que empregaram toda a diligência possível para contornar a situação”.

A resposta da AGU à Corte atende a uma determinação do ministro Ricardo Lewandowski, que na última sexta-feira, dia 15, determinou que o governo apresentasse um plano para o enfrentamento da crise na saúde em Manaus

RESPOSTA – “A União repassou um volume extremamente significativo de insumos estratégicos e de recursos financeiros aos estados brasileiros, como um todo, e ao estado do Amazonas, em especial. O colapso do estoque de oxigênio hospitalar na cidade de Manaus foi informado de maneira tardia aos órgãos federais, que empregaram toda a diligência possível para contornar a situação, sobretudo mediante a mobilização da Força Nacional de Saúde do SUS”, disse a AGU ao tribunal.

No início da semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi a Manaus. Na ocasião, o Amazonas já tinha hospitais lotados e aumento nos casos de Covid-19. Durante a visita, o governo do estado informou que não tinha oxigênio suficiente para suportar o aumento das internações. Na quinta-feira, dia 14, em reunião com mais de 100 prefeitos, Pazuello disse que não havia aeronaves da Força Aérea Brasileira para levar oxigênio para o Amazonas.

Ainda na quinta, no início da noite, Pazuello mudou o discurso. Em uma transmissão ao vivo ao lado do presidente Bolsonaro, Pazuello afirmou que aviões da FAB transportando oxigênio já estavam a caminho de Manaus. Ele reconheceu o colapso do sistema de saúde de Manaus, mas atribuiu o aumento do número de casos ao período de chuvas e a falta de tratamento precoce. O tratamento precoce que o ministro se refere não tem eficácia comprovada pela comunidade científica.

POR EMAIL – Na comunicação ao STF, a AGU declarou que o Ministério da Saúde foi informado “da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio em Manaus” no dia 8 de janeiro, por meio de um e-mail enviado pela empresa que fornece o insumo. O documento cita, no entanto, que “na última semana de dezembro de 2020, o acompanhamento da situação sanitária relativa à cidade de Manaus revelou aumento significativo no número de hospitalizações”.

A AGU também afirmou que “jamais deixou de oferecer canais de interação” para a cooperação com o estado e o município. Defendeu ainda que repassou “um volume extremamente significativo de insumos estratégicos e de recursos financeiros” ao estado do Amazonas.

Assinado pelo ministro José Levi Mello do Amaral Júnior, o relatório lista ainda dados como a quantidade de cilindros de oxigênio fornecidos, envio de equipamentos de proteção individual, transferência de pacientes a outros estados e a montagem de hospital de campanha. E cita, ainda, o envio de 120.000 comprimidos de hidroxicloroquina – estudos mostram que não há medicamentos eficazes para prevenir ou curar a Covid-19.

Desgaste no Exército: Militares do governo defendem saída de Pazuello após derrota em vacina

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.com.br)

Gustavo Uribe e Daniel Carvalho
Folha

A derrota do governo federal na queda de braço pelo início da vacinação contra o coronavírus aumentou o apoio de militares da atual gestão para que o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, se afaste do comando da pasta responsável pelo combate à pandemia.

Para integrantes das Forças Armadas de alta patente, a vitória do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que conseguiu sair na frente do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na imunização da população, vinculou ao general da ativa uma imagem de negligência com a saúde da população, colocando em risco a aprovação das Forças Armadas.

NEGACIONISMO – O diagnóstico feito à Folha, em caráter reservado, é de que, ao ter começado a encampar, desde o final do ano passado, o discurso negacionista do presidente, o militar compromete a postura institucional de independência do Exército.

A avaliação no Exército e de militares que integram o Executivo é de que o ministro resolveria a questão passando para a reserva, como os demais militares do primeiro escalão da gestão federal. Ele, assim, teria mais liberdade para defender posições políticas.

Desde o ano passado, quando era pressionado por não conseguir conter o crescente número de infectados e mortos com a Covid-19, no entanto, Pazuello tem resistido a essa alternativa e, de acordo com assessores do presidente, já disse que prefere deixar o governo a passar para a reserva. A postura resoluta tem feito com que parte do núcleo verde-oliva considere que a única alternativa se tornou realmente a sua saída da pasta.

DESGASTE – O desgaste na imagem do Pazuello também levou integrantes do centrão a retomarem pressão para uma mudança no comando da Saúde. O bloco de partidos aliado à atual gestão tem interesse no comando da pasta.

Desde o ano passado, porém, ministros palacianos já avaliavam o timing ideal para que Pazuello deixasse a pasta. Segundo relato feito à Folha, em dezembro, em uma reunião no Palácio do Planalto, o nome do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), foi defendido para substituir o general no final do primeiro semestre deste ano.

A incapacidade do Ministério da Saúde em adquirir doses da vacina e o fracasso da pasta na negociação com a Índia, porém, foram episódios considerados pelo braço militar a gota d’água para que a mudança no comando da pasta seja antecipada.

TRAPALHADAS – A insatisfação com Pazuello entre os militares do governo não se deve apenas às trapalhadas do ministro relacionadas à imunização. A avaliação é também de que ele não tem feito uma defesa enfática das Forças Armadas no transporte de insumos a cidades em situação de emergência por causa da doença.

O último mal-estar ocorreu na crise recente em Manaus. No dia 8, o Ministério da Defesa iniciou operação de transporte de cilindros de oxigênio para o Amazonas. No dia 11, Pazuello visitou Manaus e, na opinião de militares do governo, não deu o devido destaque à operação iniciada quatro dias antes.

O incômodo é tamanho que militares palacianos costumam se contrariar com matérias jornalísticas que lembrem da patente militar do ministro da Saúde. Para evitar uma vinculação com o Exército, preferem que jornalistas se refiram a ele apenas como ministro, não como general.

EXPLICAÇÕES – No domingo, dia 17, outro episódio gerou mais desgate na imagem de Pazuello. A PGR (Procuradoria-Geral da República) deu 15 dias para o ministro explicar por que não agiu para garantir o fornecimento de oxigênio aos hospitais de Manaus. O pedido foi feito com base em reportagem publicada pela Folha no sábado (16).

Na semana passada, com o aumento das críticas a Pazuello, Bolsonaro fez uma defesa enfática do ministro e disse que não tem motivos de ele deixar o governo. “Pazuello está fazendo um trabalho excepcional. Não vai sair de lá. Não tem motivo de sair de lá”, disse.

Com a derrota do domingo que, segundo aliados do presidente, o deixou irritado, a aposta é de que, em busca de culpados, Bolsonaro possa ser convencido a rifar o general da ativa, deslocando-o para outro cargo no governo.

PONDERAÇÃO – Auxiliares civis do presidente e parlamentares do centrão, contudo, não acreditam em uma troca agora. Eles ponderam que os militares sempre reclamam, mas que Bolsonaro gosta do perfil “cumpridor de ordens” de Pazuello.

Além disso, apesar da pressão de alguns integrantes do centrão, a cúpula do bloco diz ser preferível assumir a pasta depois que o desgaste com o início da campanha de imunização tenha sido superado. Para o comando do bloco, é mais viável que a troca seja efetuada durante a reforma ministerial aguardada para fevereiro.

Além de Pazuello, Bolsonaro avalia outras mudanças em sua equipe ministerial após a eleição da presidência da Câmara dos Deputados. São discutidas alterações em pastas como Turismo, Educação, Minas e Energia e a Secretaria de Governo.

REPUBLICANOS –  Para o lugar do ministro Onyx Lorenzoni, por exemplo, que hoje comanda a Cidadania, a ideia é nomear um indicado do Republicanos, sigla a qual se filiaram dois filhos do presidente: o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro, do Rio de Janeiro.

Em entrevista no domingo, Pazuello mentiu ao afirmar que o governo federal tinha em mãos vacinas do Butantan e da AstraZeneca, e criticou o governador de São Paulo, que iniciou a vacinação no estado.

Até o início da manhã desta segunda-feira, dia 18, Bolsonaro ignorou nas redes sociais o início da campanha de vacinação em São Paulo. Desde domingo, ele, seus filhos e auxiliares ligados ao gabinete do ódio têm se empenhado em compartilhar publicações que confrontem a letargia do governo federal no enfrentamento à pandemia.

Pesquisa: Moro vence no segundo turno e sobe para 40% quem acha Bolsonaro ‘ruim ou péssimo’

Bolsonaro x Moro - Renato Aroeira - Brasil 247Marlla Sabino Estadão  / Charge do Aroeira (site 247)

A parcela da população que reprova o governo de Jair Bolsonaro aumentou pela primeira vez desde março de 2020, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (18) pela XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).

O levantamento de janeiro aponta que subiu de 35% para 40% a fatia que considera a gestão como ‘ruim ou péssima’. O porcentual é semelhante ao do início da pandemia do novo coronavírus no País, em abril de 2020.

AVALIAÇÃO NEGATIVA – Já a parcela que avalia a administração do governo como ‘ótima ou boa’ caiu de 38% para 32%. É a primeira vez desde julho em que a avaliação negativa supera a positiva. De acordo com a pesquisa da XP Investimentos, o movimento coincide com uma piora na percepção da atuação do presidente para enfrentar a covid-19. São 52% os que consideram ‘ruim ou péssima’, 4 pontos percentuais a mais que em dezembro de 2020.

A pesquisa também aponta que 50% dos entrevistados defendem que o governo recrie um benefício semelhante ao auxílio emergencial por mais alguns meses. Contudo, apenas 27% dizem acreditar que o governo tomará essa decisão.

O benefício foi adotado pelo governo federal ao longo de 2020 para mitigar os efeitos econômicos causados pela pandemia. Bolsonaro, no entanto, vem descartando uma nova rodada de pagamentos.

IMUNIZAÇÃO – Questionados sobre a disposição de tomar uma vacina contra o coronavírus, 69% dizem que com certeza irão se imunizar. Entre os eleitores declarados que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições, 58% afirmaram que irão se vacinar com certeza, enquanto 78% dos demais eleitores afirmaram tal intenção.

Os dados apontam que Bolsonaro segue à frente na disputa presidencial de 2022, tanto na pesquisa espontânea como na estimulada, quando são mencionados nomes dos candidatos. O presidente atinge 28% das intenções de voto, à frente de Sergio Moro, seu ex-ministro da Justiça e Segurança (12%), Ciro Gomes (11%) e Fernando Haddad (11%).

Já na pesquisa espontânea, quando não há apresentação de candidatos, Bolsonaro se mantém na liderança com 22% – abaixo do registrado em dezembro, quando tinha 24% das intenções de voto.

PERDE PARA MORO – A pesquisa de janeiro indica que Bolsonaro perderia para Moro no segundo turno, que bateria o atual presidente por 36% a 33%. No último levantamento, os dados apontavam que o presidente derrotaria seu ex-ministro. Bolsonaro, no entanto, ganha numericamente de todos os outros cenários de segundo turno em que é testado.

Foram realizadas 1.000 entrevistas com abrangência nacional, no período de 11 a 14 de janeiro. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Delirante, Bolsonaro continua tentando desmentir a mais célebre afirmação de Abraham Lincoln, que até hoje se manteve imbatível: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”. E como diz Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo será diferente, o seu orgulho não vale nada, nada!”. (C.N.)

Saúde altera voos, deixa autoridades na mão nos aeroportos e atrasa vacinação nos estados

Autoridades estaduais já estavam aguardando quando foram surpreendidas

Camila Mattoso
Folha

O Ministério da Saúde mudou horários dos voos de entregas de vacinas para os estados. A pasta fez mais de uma vez alterações entre a madrugada e o início da tarde desta segunda-feira, dia 18. Pela programação mais atualizada, diversos estados só receberão os pacotes de noite, atrasando o início da imunização.

Em alguns casos, autoridades estaduais já estavam aguardando nos aeroportos, quando foram surpreendidas pelas mudanças. Ao menos seis locais que receberiam antes das 16h, agora só vão receber na parte da noite.

ATRASO – “Todo mundo foi esperar no aeroporto, e nada. A previsão era meio-dia, depois mudou para 16h. Agora já deve ser 18h. Até que descarregue, não tem como iniciar hoje. Impossível. Só devo começar amanhã”, disse o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), ao Painel.

“Não explicaram nada. Simplesmente avisaram em cima da hora. Problema de logística. Eu não fui a Guarulhos [para o evento com Pazuello]. Mas se tivesse ido, teria voltado e a vacina ainda não teria chegado”, completou.

PRESSÃO – O início mais cedo da vacinação foi combinado na manhã desta segunda, no evento em Guarulhos, com a presença do ministro Eduardo Pazuello (Saúde). Após pressão dos governadores, o começo da imunização seria adiantado. Pela nova tabela, três estados estão sem previsão de horários, por ora: Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraná.

O Rio de Janeiro, que fica a menos de uma hora de voo de São Paulo, onde estão as vacinas, está na tabela para receber na madrugada de terça-feira, dia 19. A previsão anterior era de receber 13h desta segunda.

Os estados afetados: Maranhão chegaria 12h40 e passou pra perto de 22h. Paraíba era 12h15 e passou para depois das 19h. Sergipe receberia 12h e agora apenas após 18h. Rio Grande do Sul passou de 16h para perto das 20h. Minas Gerais passou de 15h para 18h. Bahia passou das 9h para quase 22h. Pará era 15h40 e mudou para 21h. Pernambuco das 15h20 para após 17h.

Sob pressão, Bolsonaro ameaça: “Quem decide se um povo vai viver democracia ou ditadura são as Forças Armadas”

Bolsonaro está acuado pelo fracasso no enfrentamento da pandemia

Daniel Carvalho
Folha

Pressionado pelo fracasso de seu governo no enfrentamento da pandemia de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou ao discurso mais ideológico ao falar com apoiadores na manhã desta segunda-feira, dia 18. Além de orar, reforçar diferenças entre homens e mulheres e criticar o socialismo, Bolsonaro enalteceu as Forças Armadas e disse que delas depende a democracia ou a ditadura em um país.

“Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam”, disse Bolsonaro no jardim do Palácio da Alvorada.

AMEAÇA – A conversa com apoiadores foi publicada, em um vídeo cheio de cortes, por um canal bolsonarista na internet. “No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?”, indagou Bolsonaro referindo-se a seu adversário na eleição de 2018, Fernando Haddad (PT).

Como foco no socialismo, Bolsonaro ironizou o ditador Nicolás Maduro e o envio de cilindros de oxigênio pela Venezuela para Manaus. “Agora se fala que a Venezuela está fornecendo oxigênio para Manaus. É White Martins, é uma empresa multinacional que está lá também. Agora, se o Maduro quiser fornecer oxigênio para nós, vamos receber, sem problema nenhum. Agora, ele poderia dar auxílio emergencial para o seu povo também. O salário mínimo lá não compra meio quilo de arroz”, disse Bolsonaro, que também falou em tom de ironia sobre o corpo de Maduro.

SOCIALISMO – “Vem uns idiotas, eu vejo aí, elogiando ‘olha o Maduro, que coração grande ele tem’. Realmente, daquele tamanho, 200 kg, 2 metros de altura, o coração dele deve ser muito grande. Nada mais além disso”, afirmou Bolsonaro. Ainda na pauta do socialismo, o presidente da República aproveitou que um apoiador falou sobre aborto para atacar a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara. Ele não citou nominalmente o candidato, mas o padrinho político de Rossi, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Acho que o Parlamento nosso ainda não aprovaria isso não. A configuração, né… Acho que não vingaria um projeto neste sentido. Poderia vingar com a Mesa sendo de esquerda. Tem uma parte da esquerda com o Rodrigo Maia. Rodrigo Maia tem um grande apoio da esquerda aqui no Brasil. PT, PC do B e PSOL estão com ele. Se crescesse essa quantidade de pessoas na Mesa, poderia entrar em pauta”, afirmou Bolsonaro. Até o momento, o PSOL não declarou apoio a Baleia Rossi. Bolsonaro patrocina a candidatura de Arthur Lira (PP-AL).

Procuradoria investiga má conduta do ministro Pazuello na crise da saúde no Amazonas

Pazuello e a Covid - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Bruno Motta (Arquivo Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração preliminar para analisar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Amazonas, especialmente sobre a falta de oxigênio que vitimou pessoas e agravou a crise local.

A PGR quer saber se o ministro foi informado com antecedência sobre os problemas para o fornecimento de oxigênio no estado. Em documento obtido pela TV Globo, a Procuradoria pede que Pazuello preste informações em 15 dias.

ESCASSEZ DE OXIGÊNIO – “Solicito ao representado [ministro] que envie, em até quinze dias, informações sobre o cumprimento, ou não, de medidas que são de competência do Ministério da Saúde, ante a notícia de que teria sido previamente avisado, na condição de titular da pasta, “sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa que fornece o produto e até mesmo por uma cunhada […] mas não agiu”, diz a PGR.

Pazuello ainda não é formalmente investigado, mas, se a Procuradoria avaliar que há elementos, pode requisitar ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o ministro.

CHEGOU A RECONHECER – Na semana passada, o ministro esteve no Amazonas e chegou a reconhecer publicamente a crise do oxigênio.

“Quando cheguei na minha casa ontem, estava a minha cunhada. O irmão não tinha oxigênio nem para passar o dia. ‘Ah, acho que chega amanhã. O que você vai fazer?’ Nada. Você e todo mundo vai esperar chegar o oxigênio para ser distribuído”, afirmou.

Em outra frente, a PGR pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ampliar um inquérito que investiga suspeita de desvios para o combate à Covid-19 no Amazonas com fatos relacionados à crise de oxigênio.

MENOS RECURSOS – O que já se sabe, com precisão, é que Manaus (AM), que enfrenta um colapso do sistema de saúde, foi a segunda entre as 27 capitais do país que menos recebeu recursos federais por habitante em 2020.

A capital do Amazonas recebeu R$ 2,36 bilhões no ano passado, o que equivale a um valor médio de R$ 1.063,26. Esse valor só não é mais baixo que o da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu o equivalente a R$ 946 por habitante em 2020.

No topo aparecem Vitória (R$ 4.017 por habitante), Palmas (R$ 4.015) e Porto Alegre (R$ 3.473). Os valores consideram todos os repasses federais, inclusive verba para ações de combate à pandemia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro-general-logístico Eduardo Pazuello não deveria ser investigado sobre suas “realizações”. O mais certo seria condená-lo sumariamente pelo conjunto da obra. (C.N.)

Está tudo dominado! Baleia Rossi também não prioriza prisão após segunda instância…

STF: “Dois pesos e duas medidas” | Asmetro-SN

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Bruno Góes
O Globo

Parada há quase um ano na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a prisão após a condenação em segunda instância deverá seguir a passos lentos sob o comando da próxima Mesa Diretora, que tomará posse no mês que vem.

A tendência é que os dois principais candidatos à presidência da Casa, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), não tratem a aprovação do texto como prioridade. Os dois deputados já se pronunciaram sobre temas como o auxílio emergencial e reformas econômicas, mas, até o momento, ignoram a proposta que antecipa a execução da pena.

OBSTÁCULOS POLÍTICOS – Parlamentares ligados à pauta entendem que haverá obstáculos políticos para que o assunto seja deliberado ao longo do ano, independentemente de qual dos dois seja o vencedor. Há, tanto no arco de alianças de Lira quanto no de Baleia, partidos e deputados que são contra a mudança.

O tema ganhou impulso na Câmara no fim de 2019, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reverteu o entendimento anterior e condicionou a prisão ao trânsito em julgado dos processos, ou seja, o esgotamento de todos os recursos. A admissibilidade da proposta — o reconhecimento de que não fere o texto constitucional — já foi aprovada, por 50 votos a 12, na Comissão de Constituição e Justiça, e o projeto foi em seguida para análise de uma comissão especial. O relatório final já foi apresentado, mas as reuniões do colegiado foram interrompidas com o início da pandemia.

DECISÃO COLETIVA – Autor da PEC, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP) procurou Baleia e Lira para cobrar a votação da proposta. Ambos responderam que não há objeção contra a pauta, mas condicionaram o andamento a uma decisão coletiva dos líderes partidários.

— Os dois disseram que pautarão, desde que seja uma demanda do colégio de líderes. Mais do que esperar compromisso de campanha, temos que tornar o tema uma mobilização da população. É óbvio que a pandemia tomou conta da pauta, mas só com mobilização da sociedade conseguiremos efetivamente pautar a PEC — diz Manente.

O partido de Manente, o Cidadania, apoia a candidatura de Baleia Rossi. Entretanto, o parlamentar não esconde a simpatia pela candidatura de Marcel Van Hattem (Novo-RS), que trabalha pela aprovação da matéria.

SEM CONSENSO – Em 2020, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a prometer a votação para dezembro. Sem consenso, no entanto, o texto não avançou.

Relator da PEC, Fábio Trad (PSD-MS) diz que o projeto está pronto. O texto estende a possibilidade de cumprimento da condenação em segunda instância a todas as esferas do direto. Além do processo criminal, valerá, por exemplo, para causas trabalhistas, cíveis e tributárias.

— Não vou mudar o relatório, porque ele está pronto, acabado, fruto de um amplo entendimento da comissão.

Em fevereiro do ano passado, o ex-ministro Sergio Moro foi à comissão e defendeu que a mudança se aplicasse, inclusive, para processos já em andamento, mas o relatório prevê que a nova regra seja válida para ações protocoladas após a promulgação da PEC.

LIRA É SUSPEITO – Réu em duas ações penais derivadas de investigações da Operação Lava-Jato, Lira se empenhou no ano passado em costurar entendimentos contra trechos do pacote anticrime apresentado por Moro.

O assunto integrava o conjunto de propostas que o então ministro levou à Câmara, mas a comissão que analisou as sugestões entendeu que a execução da pena após a condenação em segunda instância precisaria ser tema de uma PEC, não de um projeto de lei.

Em seu discurso de campanha, Lira costuma dizer que não fará avaliações sobre o mérito de propostas específicas. Afirma que pautará projetos com maioria entre líderes.

SEM RESPOSTA – Ex-líder do Podemos, José Nelto (GO) tentou condicionar o apoio do partido a um candidato que fosse a favor da pauta. Até agora, no entanto, não obteve resposta.

— Estamos querendo o compromisso dos candidatos Arthur Lira e Baleia Rossi a favor da PEC da segunda instância e do fim do foro privilegiado. Mas, até agora, ninguém me respondeu — disse Nelto ao GLOBO.

A tendência do Podemos é anunciar apoio a Lira no fim de janeiro. A presidente do partido, Renata Abreu, centraliza as negociações. As condições sugeridas por Nelto, no entanto, não devem influenciar na decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Estamos mal na foto. O mais importante projeto do momento está engavetado na Câmara, por conta da pandemia, e não vai mesmo avançar, deixando o Brasil na vergonhosa posição de único país do mundo a só mandar criminoso para a cadeia após a quarta instância. Detalhe importante: a maioria do países nem tem quarta instância. (C.N.)

Após a vacinação, vamos voltar as ruas para tirar do país o vírus da incompetência e da corrupção

Charge 23/09/2019 | Um Brasil

Charge do Adão (Arquivo Google)

Antonio Fallavena

Reli o que escrevi em 2019 sobre Bolsonaro. Acho que não vence 2021! Mourão fará um governo para preparar o país para o próximo presidente. Os antigos (puxa, antigo sou eu hoje), usavam uma expressão que cabe ainda hoje: “é uma besta quadrada!”

Não mudo uma vírgula no que escrevi. Bolsonaro não pode/não deve ficar mais tempo a frente do país! Ser ignorante, boçal, sem noção, isso estaria nos níveis de Lula/Dilma. Mas ele é pior que os dois juntos, quando se trata de dizer/fazer bobagens. Seu ministério está restrito a poucos de qualidade e muitos de coisa nenhuma!

“DONO DA BOLA” – Bolsonaro é pior do que pensávamos! Sua desonestidade mental está acima de qualquer limite. É o “dono da bola”, mas não joga nada. Se escala primeiro, escolhe o resto do time e, se alguém jogar melhor do que ele – o que não é difícil – é logo substituído!

Por fim e ao cabo, ser chamado a atenção e cobrado pelo governador paulista João Doria é uma vergonha que poucos aceitariam. E ele, o “Minto”, tem de aceitar. Doria, certamente pode ser um quase zero, mas Bolsonaro é zero total!

Agora, precisamos entender como fazer para nos livrar dele. E convenhamos, para quem tirou o do poder o PT e seus quadrilheiros, usando um tosco assim, tenho a crença de que podemos começar a pensar em coisas melhores e usar nossas energias para construir coisas boas.

PRECISAMOS NOS PREPARAR – Os brasileiros de verdade precisam estar unidos e solidários. Após sermos vacinados, vamos voltar às ruas para vacinar o país contra o vírus da corrupção, dos desmandos e das impunidades!

Vamos mostrar aos falsos brasileiros (aqueles que seguem seus “ídolos de barro”) que existem ainda milhões que farão a diferença. Acreditem que o Brasil tem jeito, mas nós temos de lhe dar uma chance de se tornar uma nação!

Nas panelas batem brasileiros. Espero que o pessoal da esquerdalha não entre no panelaço. Se com eles foi golpe, como praticarão golpe contra outro? Assim perderiam a moral que nem possuem mais!

Mourão diz que Anvisa fez um excelente trabalho e que briga entre Bolsonaro e Doria é “tudo politicagem”

Mourão pediu que a população siga protocolo de higiene após a vacinação

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na manhã desta segunda-feira, dia 18, que a briga entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, em torno das vacinas contra a covid-19 é “tudo politicagem”. Ele não quis entrar em maiores detalhes sobre o assunto.

No domingo, dia 17, se antecipando ao plano nacional de imunização, o tucano iniciou a vacinação em São Paulo em um evento simbólico e saiu na frente do mandatário em meio à guerra de imunizantes.

“POLITICAGEM” – “Eu não vou entrar nesse detalhe. Isso aí tudo é politicagem. Eu não entro na politicagem. O meu caso aqui, você sabe que eu lido com as coisas de forma objetiva. Isso aí eu deixo de lado”, disse esta manhã a jornalistas no Palácio do Planalto.

O general defendeu ainda que as doses da vacina sejam aplicadas na população o mais rápido possível. “Ah, é lógico. Estão sendo distribuídas as vacinas hoje. A ideia é que, a partir de quarta-feira, diferentes estados comecem a vacinar. É óbvio que este primeiro lote, ele vai permitir 15%, 20% daquele grupo 1, mas a partir daí começam a chegar aqueles outros lotes. Eu julgo, aí, pelos cálculos que estão sendo feitos, que em abril a gente entra em um outro modo contínuo de vacinação e, consequentemente, né, numa situação melhor para o Brasil como um todo”, apontou.

ANVISA – O vice-presidente ressaltou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um “excelente” trabalho ao aprovar o uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford.

“Gente, há 3 meses, vocês são testemunhas. O que que eu falei? Que nós íamos ter vacina, que a vacina seria aprovada, a Anvisa fez um excelente trabalho. Tem duas vacinas aprovadas, tem vacina contratada para até o final do ano vacinar 70% da população brasileira. Consequentemente, a gente chegaria numa situação, ao fim deste ano, com liberdade de manobra em relação a esta pandemia”, disse.

PROTOCOLO – Por fim, ele pediu que a população continue seguindo o protocolo de higiene após a vacinação. “Faço minhas as palavras do Almirante Barra Torres [presidente da Anvisa], ontem, quando ele disse que não é porque a pessoa tomou a vacina hoje que amanhã pode estar na rua, aí, sem as medidas de proteção. O próprio ministro [Eduardo] Pazuello falou isso na semana passada, leva um tempo para a vacina fazer seus efeitos, e consequentemente é seguir dentro das regras que foram estabelecidas, os diferentes grupos”, destacou, emendando que o próximo passo do governo é melhorar a economia do Brasil.

“E o principal, que vem depois, é a gente resolver a situação econômica do país, de modo que a gente consiga retomar uma situação melhor de emprego para o nosso povo. E o país entre num ciclo de crescimento. É isso que a gente tá esperando”, concluiu.

Presidência da Câmara já tem 61 pedidos de impeachment contra o presidente Bolsonaro

POLÍCIA FEDERAL JÁ TEM PROVAS MATERIAIS QUE JUSTIFICAM IMPEACHMENT DE  BOLSONARO – Cariri é Isso

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Rosana Hessel

Enquanto o Brasil continua atrasado para o início de um programa de vacinação e o estado do Amazonas sofre novo colapso no sistema de saúde, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que criticou nas redes sociais o “negacionismo de líderes partidários” como motivo para o caos em Manaus, segue engavetando pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

Até esta sexta-feira (15/01), conforme dados da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara acessados pelo Blog, foram protocolados 61 pedidos desde fevereiro de 2019. Quatro deles foram arquivados e duas novas denúncias foram realizadas neste ano e estão sob análise junto com outras 55.

NEGACIONISMO – Maia não comenta o assunto, mas criticou o governo nas redes sociais sobre a crise no Amazonas. “A falta de oxigênio em Manaus, o atraso na vacina, a falta de coordenação com estados e municípios, é resultado da agenda negacionista que muitas lideranças promovem”, escreveu o Maia, ontem à noite, nas redes sociais. Em outra postagem, defendeu a volta dos trabalhos do Legislativo “na semana que vem”.

Apesar de Bolsonaro tentar se isentar da responsabilidade do colapso da saúde no Amazonas, esse episódio é a “cereja do bolo” para coroar os motivos, que não faltam, para que o presidente sofra um processo de impeachment, na avaliação do advogado e especialista em direito constitucional Ricardo Pantin, que critica a falta de coordenação do Ministério da Saúde na condução da crise provocada pela pandemia.

MORTE POR SUFOCAÇÃO – “A situação em Manaus é dramática. Leitos de hospitais lotados e os que vagam não tem oxigênio. Pessoas morrem sufocadas aos montes. A ausência dessa coordenação gerou um caos nos estados e municípios, daí que é acertado sustentar, não bastasse os inúmeros pedidos de impeachment protocolados na Câmara contra Bolsonaro por diversos crimes de responsabilidade que ameaçam as instituições, a democracia e a soberania”, afirmou.

Para ele, mais do que legítimo, “é urgente seja o presidente impedido, sob pena de multiplicarem-se exponencialmente o número de mortes, com evidente prejuízo do direito à vida, constitucionalmente assegurado e que está o Presidente a violar de forma sistemática e deliberada”.

VAZIO NA SAÚDE – O advogado Ricardo Pantin lembrou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também criticou, recentemente, falta de coordenação do Ministério da Saúde e a presença de militares na pasta.

“Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a Estados e Municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa. Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”, apontou Mendes em uma videoconferência.

Na avaliação do especialista, Bolsonaro, além de afastado, precisa ser investigado “por crimes contra a humanidade” tanto tanto pelo Tribunal Penal Internacional quanto pela Justiça Brasileira, considerando o que prevê o art. 7º, “b” do Estatuto de Roma. “Estamos diante do crime de extermínio que se configura pela sujeição intencional a condições de vida que podem causar a destruição de uma parte da população”, afirmou. “Digno de nota é que não se trata de incompetência do governo, como muitos têm afirmado, mas de uma política deliberada de extermínio de parte da população, o que deixa os outros pedidos de impeachment protocolados junto à Câmara na “soleira”, adicionou.

VIDAS HUMANAS – De acordo com Pantin, os crimes cometidos pelo presidente da República “alcançaram patamares antes não imaginados por qualquer governo, independente de sua linha ideológica ou plataforma político-partidária”.

“A crise sanitária pela qual passa o Brasil não é uma pauta nem de direita nem de esquerda. Não se trata de política e sim de vidas humanas”, complementou.

Das 61 denúncias contra Bolsonaro por crimes de responsabilidade protocoladas na Câmara, duas foram realizadas neste ano. A primeira, feita em 11 de janeiro, foi assinada pelos deputados  Gleisi Hoffmann (PT-PR),  Enio Verri (PT-SP), Rogério  Correia (PT-SP) e Dep. Rui Falcão (PT-SP). E a outra é de autoria do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP).

Jair Bolsonaro interrompe a trégua e retoma suas críticas a decisões do Supremo

Mandamos ontem o nosso ministro da Saúde para lá. Estava um caos. Não faziam o tratamento precoce, afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro agora reclama de ter sido castrado pelo Supremo

Gustavo Maia, Carolina Brígido e Daniel Gullino
O Globo

Após um período de trégua, decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) voltaram a entrar na mira do presidente Jair Bolsonaro. Nas últimas semanas, ele reclamou de “interferências” em questões relacionadasà tributação sobre a importação de armase ao combate à Covid-19.

As manifestações públicas apontam para o fim de um “cessar-fogo” iniciado em meados do ano passado, quando a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e amigo da família, forçou o presidente a selar um armistício com o Poder Judiciário.

CASTRADO PELO STF – Na sexta-feira, em meio ao colapso do sistema de saúde de Manaus, Bolsonaro disse que foi “castrado” pelo Supremo e que estava “desobedecendo” a Corte ao ajudar a capital amazonense. Mas, na verdade, o que o tribunal decidiu, em abril de 2020, foi que estados e municípios teriam autonomia para tomar decisões locais.

Ou seja, o governo federal segue podendo realizar ações, mas de abrangência nacional. No mesmo dia, declarou que não fica satisfeito com muitas decisões do tribunal. Disse ainda que há pautas no STF que, caso sejam aprovadas no futuro, vão representar uma “catástrofe” para o Brasil.

O presidente acrescentou ainda que, se dependesse da Corte, ele tinha que “estar na praia agora, tomando uma cerveja”, além de ter chamado os ministros de “velhinhos” que ficaram “apavorados” após uma visita do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

IMPORTAÇÃO DE ARMAS – No fim do ano passado, outro tema gerou reclamações do presidente: a decisão do ministro Edson Fachin de suspender a alíquota zero para a importação de revólveres e pistolas, que havia sido determinada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia.

Na ocasião, Bolsonaro disse que o assunto “não tem nada a ver com o Supremo” e que Fachin estava decidindo sobre legislação tributária. Na quinta-feira, voltou ao assunto e classificou a decisão como uma “sentença esfarrapada”.

Embora as ofensivas de Bolsonaro contra o STF tenham voltado a acontecer, ainda não houve reação da Corte — quando o presidente voltou a levantar, sem provas, a hipótese de fraudes nas urnas eletrônicas, Fachin e o ministro Luís Roberto Barroso retrucaram, mas sob as condições, respectivamente, de vice e presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

SEM BATE-BOCA – O presidente do Supremo, Luiz Fux, não considerou necessário dar uma resposta, para evitar bate-boca entre os Poderes. Na visão dele, essa necessidade existiria apenas se houvesse algum excesso.

— A relação do STF com o Palácio do Planalto é hoje de independência e harmonia — resumiu Fux.

Desde que tomou posse na presidência do STF, ele tem mantido mais distância em relação a Bolsonaro, em comparação com a relação que Dias Toffoli tinha com o presidente. Fux se limitou a fazer uma visita de cortesia, no dia 23 de dezembro, e a cumprimentar Bolsonaro em eventos públicos. Já Toffoli chegou a receber o presidente da República para uma pizza em casa e costumava frequentar o Palácio da Alvorada.

“DIÁLOGO SAUDÁVEL” – Um auxiliar próximo a Bolsonaro, ligado à área jurídica do governo, disse ao GLOBO, em reservado, que hoje existe “um natural e saudável diálogo institucional”. Segundo ele, o tom pode variar, mas, o que importa, é que os canais de diálogos prossigam sempre abertos.

Até mesmo uma “vitória” rendeu críticas do presidente ao STF. Nas últimas semanas, Bolsonaro comentou mais de uma vez o resultado de julgamento sobre o direito de amantes a pensão e partilha de bens após a morte de um cônjuge, o que foi vetado pela Corte por 6 votos a 5. Ele aproveitou para criticar Celso de Mello, seu desafeto. Para o presidente, o ex-ministro “com toda a certeza” teria votado do outro lado, “contra a família”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma matéria interessante, mas a gente fica em dúvida se o pacto entre os três Poderes acabou ou não, porque já se sabe que tanto Arthur Lira quanto Baleia Rossi não pretendem pautar a volta da prisão após segunda instância. E certamente também não pretendem pautar as restrições ao foro privilegiado, já aprovadas no Senado. (C.N.)

Internet não pode veicular textos voltados para chantagem, pedofilia e consumo de drogas

Resultado de imagem para censura na internet charges

Charge do Rice (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Na edição de domingo, reportagem de Bernardo Melo Franco e Pedro Capetti, em página inteira do Globo, destacou que através de fake news uma rede propõe extorsões contra políticos do Rio de Janeiro. Assim, as chantagens digitais vêm se juntar a inúmeros casos de blogs e sites que se voltam para outros crimes, como pedofilia, prostituição infantil, consumo de drogas e outras iniciativas incompatíveis com qualquer noção básica de bom senso.

As rede sociais não podem, claro, exercer censura, mas têm que se distinguir censura, que é inconstitucional, com o veto a outros conteúdos que promoverem a prática de crimes. A responsabilidade pela edição de quaisquer matérias depende de quem assume essa atribuição de editar.

DECISÃO DOS EDITORES – Os sites jornalísticos das emissoras de televisão, jornais e revistas apresentam em suas plataformas o nome dos autores dos artigos e notícias. No espaço que preenche na Folha, o jornalista Hélio Schwartsman definiu a questão: as matérias dependem da decisão dos editores.

Este ponto de vista é fundamental pois qualquer empresa de comunicação possui uma equipe que decide se a matéria pode e deve ser publicada. Mas na Internet não existe editor que decida sobre a veiculação do que está narrado. Esse o grande problema.

Até porque, em assuntos penais, alguém tem de quer responsabilidade pela liberação do que foi enviado, porque na Internet cada um transforma-se em editor de si mesmo. Isso dá margem a todo tipo de violação.

Os leitores deste artigo devem perceber que na TV Globo e na GloboNews, por exemplo, aparece em sequência de cada programa o nome do diretor responsável, Ali Kamel.

DIREITO DE RESPOSTA – A legislação brasileira permite que os atingidos possam pedir direito de resposta, o que não implica em processos que apontem a ocorrência de injúrias, difamações e calúnias. Os atingidos pelo que estiver nas páginas eletrônicas podem inclusive, pela lei de imprensa, exigir o direito de resposta com o mesmo destaque.

Além disso, quem for vítima da acusações sem base pode responsabilizar o jornal ou a emissora de TV e até reivindicar indenizações financeiras. Pode ser contra o jornal, o repórter ou a emissora e a própria rede da Internet.

Não se trata de censura,, que é inconstitucional. Trata-se de bloquear absurdos. Este aspecto tem de ser levado em conta porque sobretudo existem centenas de casos no Brasil em que as regras éticas são desprezadas. Se você, leitor ou leitora for responsável por publicações aceitaria matérias ilegais e repugnantes? Claro que não. Direito é uma questão de bom senso.

Bolsonaro imita Chávez, que desgraçou a Venezuela distribuindo cargos a oficiais da ativa

Nova dupla sertaneja na praça | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Sid (Humor Político)

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Treze anos de poder petista não fizeram estragos nas Forças Armadas semelhantes ao que o capitão Bolsonaro conseguiu em dois anos. Durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff nenhum general foi demitido de forma constrangedora e sem motivo razoável. Os oficiais-generais nomeados pelos presidentes petistas para funções civis tiveram desempenhos discretos. Bolsonaro jogou militares em torvelinhos, associando a disciplina da carreira às suas fantasias. O que sucede ao general Eduardo Pazuello é prova disso.

As cerejas desse bolo anárquico, reveladas pelo repórter Felipe Frazão, são os projetos de parlamentares bolsonaristas que tramitam no Congresso. Teriam jogado meia dúzia de jabutis em cima da ideia de reorganizar as polícias Civil e Militar. Olhando-se os detalhes, nem jabutis são. Transformaram a ideia num terreno baldio, onde cada um que passa joga o que quer.

SIMPATIA MÚTUA – É conhecida a admiração de Bolsonaro pelas PMs, apimentada pela simpatia de oficiais do pelotão palaciano diante de alguns motins.

Pelos projetos, os comandantes das PMs deveriam ser escolhidos a partir de listas tríplices saídas da corporação. (Os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica são de livre escolha do presidente, dentro do quadro de quatro-estrelas.)

Esses comandantes teriam mandatos de dois anos. Vale ouvir o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro: “Dentro da estrutura militar ninguém pode ter mandato”.

GENERAIS NA PM – As PMs e os Corpos de Bombeiros teriam generais. É o caso de se perguntar por que os Corpos Marítimos de Salvamento não devem ter almirantes.

A fiscalização das empresas de segurança privada sairia da alçada da Polícia Federal, passando para a jurisdição das Polícias Militares. O perigo embutido nesse sofá velho jogado no terreno é simples: basta lembrar a carreira do capitão Adriano da Nóbrega, o miliciano foragido morto na Bahia. Ou o caso do PM Ronnie Lessa, acusado de ter matado a vereadora Marielle Franco. Nenhum dos dois era um bandido iniciante. Ronnie havia sido guarda-costas de um bicheiro e perdeu uma perna numa briga de quadrilhas. O ex-capitão Adriano comandava a milícia batizada de Escritório do Crime.

TORCENDO A FAVOR – Projetos de Legislativos de deputados governistas não têm necessariamente o apoio do governo, mas Bolsonaro, que é tão rápido no gatilho, jamais disse uma palavra contra os pneus velhos e colchões sujos jogados nesse terreno baldio.

O comandante Hugo Chávez desgraçou a Venezuela distribuindo boquinhas para militares da ativa e criando uma milícia. Bolsonaro falava em fluxo de hermanos; agora, brasileiros gostariam de ir para a Argentina

Poeticamente, o sociólogo Gilberto Freyre acreditava num outro Brasil que vem aí…

Sem um fim social o saber será a maior... Gilberto FreyrePaulo Peres
Poemas & Canções

O sociólogo, antropólogo, historiador, pintor, escritor e poeta pernambucano Gilberto de Mello Freyre (1900-1987), além de se consagrar como um estudioso da história e da cultura brasileiras, também dedicou-se à poesia. É bem verdade que aquele que se delicia com seus livros pode perceber o dom literário do sociólogo, cuja habilidade na escrita torna atraentes os temas que aborda em seus estudos.

“O outro Brasil que vem aí “ é um poema que traz a defesa das singularidades nacionais que estão presentes em seus textos sobre a formação da sociedade brasileira. É uma amostra do dom literário que o sociólogo possuía. Iniciando-se com os versos “Eu ouço as vozes / eu vejo as cores / eu sinto os passos / de outro Brasil que vem aí”, Freyre projeta para sua nação o desejo de ver seu pleno desenvolvimento social, de estar numa terra onde pessoas de todas as origens sociais possam ser donas de seus próprios destinos. O poema, além de ser uma aula sobre a brasilidade, é um fragmento de esperança lançado pela pena de Gilberto Freyre.

O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ
Gilberto Freyre

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí