Um futuro incerto, com Trump avisando que não reconhecerá a  vitória do democrata Joe Biden

CRISE À VISTA – Contra o Vento

Charge de Claudio Aleixo (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Ninguém sabe o que virá pela frente, se houver outro mandato de Donald Trump nos Estados Unidos. Como se sabe, as redes sociais ajudaram a eleger Trump e também Jair Bolsonaro no Brasil. Foi Stevan Bannon, o número um da empresa americana Analityca, que pesquisou nas redes o perfil do eleitor, para manipular as consciências e, consequentemente, o voto.

Surgiu uma rede de fakes news e destruição de reputações jamais vista, desvirtuando o processo democrático.

DE NOVO, A GUERRA FRIA – Essa é a razão do retrocesso medieval, liderado pela extrema direita americana. O negacionismo, a perseguição desumana aos imigrantes, a volta da guerra fria, agora contra a China, tudo isso significa uma nova ameaça global.

No que isso vai dar, não se sabe, mas boa coisa não será. Os ataques à liberdade cultural já são uma realidade. A tentativa de aprisionamento do Judiciário também é uma constante. Trump indicou uma ultradireitista para a Suprema Corte, para obter a maioria dos votos, caso o nome escolhido seja aprovado pelo Senado. Tudo isso – e muito mais – se insere na manipulação das consciências através das mídias digitais.

AMEAÇA SINISTRA – Trump já avisou que não reconhecerá a provável vitória de Joe Biden. Se der certo, será copiado e ninguém mais largará o poder, uma vez conquistado através de mentiras e promessas mirabolantes, que nunca serão cumpridas. Nos Estados Unidos já se fala em possibilitar um terceiro mandato para Trump, e o que será o amanhã?

Aqui no Brasil nem havia reeleição presidencial. O grande culpado chama-se Fernando Henrique Cardoso. Recentemente,  ele fez sua tardia mea culpa. Porém, não adianta mais. Davi Alcolumbre, em defesa da continuidade, agora alega que, se o presidente, os governadores e os prefeitos podem, porque os dirigentes do Legislativo não poderiam?

ALTERNÂNCIA DO PODER – Esquecem de que a base da democracia é a alternância do poder. Quem está no cargo e pleiteia se reeleger, sem exceção, sempre usa a máquina pública em seu benefício. Portanto, tem mais chances de vencer. As condições do pleito já começam viciadas.

Assim, quando o candidato vence a disputa e se empossa, logo no primeiro ano já começa a trabalhar para continuar uma jornada de mais quatro anos.

OUTRA EXIBIÇÃO NA ONU – Quanto ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, foi ainda pior, em comparação a 2019. Realmente um fiasco.

No mais, concordo plenamente com o jornalista Vicente Limongi Netto sobre a relevância do ex-reitor José Carlos Azevedo na condução da Universidade de Brasília (UnB), em relação a Cristovam Buarque.

Mas meu preferido, com vários corpos a frente, é o insuperável Darcy Ribeiro, o idealizador dos CIEPs, as 500 escolas construídas no Rio de Janeiro. Ninguém fez mais em termos educacionais do que o antropólogo e educador Darcy Ribeiro, infelizmente quase esquecido.

Ministro da Educação se desculpa e afirma que fala sobre homossexuais foi descontextualizada

PGR mandou investigar Ribeiro por suposto crime de homofobia

Ana Krüger
G1

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, divulgou uma nota na noite deste sábado, dia 26, afirmando que suas declarações sobre homossexuais foram tiradas de contexto e pedindo desculpas. A nota de esclarecimento foi divulgada após a Procuradoria Geral da República (PGR) pedir, na sexta-feira, dia 25, que o Supremo Tribunal Federal (STF) apure se o ministro cometeu crime de homofobia.

As declarações a serem apuradas foram feitas em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” divulgada na última quinta-feira, dia 24. De acordo com a PGR, o ministro “fez afirmações ofensivas à dignidade do apontado grupo social”. Na entrevista, o ministro da Educação foi questionado sobre educação sexual na sala de aula. Disse que era um tema importante para evitar gravidez precoce, mas que não era necessário discutir questões de gênero e homossexualidade.

“DESAJUSTE” – “Acho que o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic), tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas, falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato, e caminhar por aí. São questões de valores e princípios.”

Na nota deste sábado, Ribeiro disse que jamais pretendeu discriminar ou incentivar a discriminação e registrou suas “sinceras desculpas”.

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ÍNTEGRA DA NOTA

Quanto à reportagem veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”, venho esclarecer que minha fala foi interpretada de modo descontextualizado.

Jamais pretendi discriminar ou incentivar qualquer forma de discriminação em razão de orientação sexual.

Ademais, trechos da fala, retirados de seu contexto e com omissões parciais, passaram a ser reproduzidos nas mídias sociais, agravando interpretação equivocada e modificando o real sentido daquilo que se pretendeu expressar.

Por fim, nesta oportunidade, diante de meus valores cristãos, registro minhas sinceras desculpas àqueles que se sentiram ofendidos e afirmo meu respeito a todo cidadão brasileiro, qual seja sua orientação sexual, posição política ou religiosa.

Milton Ribeiro
Ministro de Estado da Educação

Alvo de inquéritos no STF, empresário bolsonarista quer montar rede de comunicação de direita

Projeto nclui o controle sobre emissoras de rádio e uma rede de TV

Deu no Correio Braziliense

Investigado em dois inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre propagação de notícias falsas e financiamento de atos antidemocráticos, o empresário Otávio Fakhoury, apoiador de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, quer montar uma rede de comunicação conservadora de direita no Brasil. O projeto inclui o controle sobre emissoras de rádio e uma rede de TV.

“Tenho em papel ainda o projeto de estação de rádio e de rede de televisão que é algo que eu não tinha estudado mas me foi oferecida uma participação. Não foi adiante, mas sei que existem interessados. Está no meu radar”, disse ele ao Estadão na tarde de quinta-feira, 24.

INTERESSES EMPRESARIAIS – O projeto, segundo Fakhoury, alia suas posições políticas pessoais e interesses empresariais. Para ele, o Brasil não tem hoje um veículo de comunicação de direita fora da mídia alternativa. “O mercado hoje não tem isso. É vantajoso porque não vejo no mercado hoje uma rede de rádio ou televisão com viés de direita. Se algum anunciante quiser, não tem”, afirmou.

Para viabilizar o projeto, Fakhoury conta com parcerias de empresários amigos e diz que, se necessário, vai buscar financiamento no sistema bancário, inclusive o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), controlado por Bolsonaro.

“Conversei pelo menos com dois ou três (possíveis sócios). Nenhum deles está alinhado ainda. Precisa aparecer a oportunidade para chamar todo mundo. Eu também poderia entrar sozinho. Se precisar a gente vai ao mercado buscar (empréstimo). A gente tem como oferecer garantias se faltar dinheiro. Tem as linhas do BNDES”, disse ele.

BUSCA E APREENSÃO – Fakhoury foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no dia 16 de junho a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em seu celular a PF encontrou uma conversa, revelada pelo jornal O Globo, na qual o empresário fala com Fabio Wajngarten, responsável pela comunicação social do governo, sobre a necessidade de comprar uma rádio FM e diz que já teria outros empresários interessados em financiar o negócio.

Um deles seria Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, que negou à PF estar disposto a financiar a transação.
Em outro depoimento do mesmo inquérito, o pastor RR Soares disse ter sido procurado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que pediu ajuda para encontrar uma rádio FM em São Paulo. Eduardo nunca escondeu o projeto.

Na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC Brasil), em outubro do ano passado, o filho do presidente defendeu publicamente a criação de uma rede de meios de comunicação conservadores no País.

INDICAÇÕES – Ao Estadão, nesta quinta-feira, dia 24, Fakhoury confirmou ter falado com Wajngarten sobre o assunto, mas negou ter pedido ajuda do governo para o negócio. Segundo ele, Wajngarten foi procurado porque antes de ir para o governo trabalhava na área de mídia em São Paulo e, portanto, conhece bem o setor e poderia fazer indicações.

“Não vejo problema nenhum em ir atrás (do BNDES). Não quero ser favorecido em nada. Jamais pedi e jamais pediria favorecimento em nada. Vou pedir o que todo mundo tem direito como cidadão”, disse Fakhoury.

O empresário afirmou estar surpreso pelo fato de a tentativa de montar uma rede de comunicação ter ido parar em um inquérito policial. Segundo ele, não existe ilegalidade no projeto. “É um projeto empresarial, porque não pode dar prejuízo, e neste caso coincide com minha visão política. Tenho uma visão liberal conservadora”, disse.

VIABILIDADE – Indagado sobre a viabilidade comercial do negócio, tendo em vista que veículos de comunicação do mundo inteiro atravessam crises financeiras, Fakhoury insistiu que a ideia pode ser lucrativa. “O que falta aqui é uma Fox News (canal de TV alinhado ao governo Donald Trump nos EUA). Se a Fox decide vir para cá já teremos tudo pronto.”

Fakhoury já admitiu em entrevistas que ajudou a financiar o site Crítica Nacional, que apoia Bolsonaro, além de manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015, e a favor da reforma da Previdência, em 2019, mas nega envolvimento com fake news ou protestos antidemocráticos. Além disso, é um dos idealizadores do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente pretende criar, mas ainda não saiu do papel.

INVESTIMENTO – Enquanto espera a oportunidade para comprar sua própria rede de comunicação, Fakhoury já investe no setor. Ele pretende inaugurar até março do ano que vem um espaço de coworking (trabalho compartilhado) para jornalistas na Avenida Faria Lima, centro do capital financeiro em São Paulo.

O espaço de 450 m2 terá estúdio de TV, ilhas de edição, auditório, estações de trabalho compartilhado, salas de reuniões, cafeteria, terraço e espaços privativos. Além do espaço, serão oferecidos serviços como edição de vídeos e conexão com internet. Os interessados vão pagar aluguel por mês, dia ou horas. Segundo Fakhoury, serão aceitos profissionais de qualquer matiz político ou ideológico.

Um imenso Portugal ou uma pequena Índia? Estamos mais perto da Índia do que de Portugal…       

BLOG DO VINÍCIUS ASSUMPÇÃO: PIADA DE BRASILEIRO

Charge do Tacho (Site Charge Online)

João Gabriel de Lima
Estadão

Em seu “Fado Tropical”, Chico Buarque rimou que nosso ideal seria virar um imenso Portugal. Havia ironia nos versos do poeta, escritos em parceria com o cineasta Ruy Guerra. A música é de 1973, e nem Brasil nem Portugal viviam grande fase, oprimidos por ditaduras. Olhando em retrospectiva, seria ótimo se tal profecia tivesse se realizado.

Portugal se livrou de seu regime de força em 1974, com a Revolução dos Cravos. O Brasil restabeleceu a liberdade em 1985. Hoje Portugal é uma das democracias mais consolidadas do mundo, com 96 pontos em 100 possíveis na classificação da Freedom House. O Brasil alcança 75. Em 2019, Portugal cravou a 40ª posição no ranking de desenvolvimento humano, formando no pelotão de frente. O Brasil está em 79º, no segundo bloco.

MUITAS DIFERENÇAS – Enquanto o Brasil peleja para arrumar suas contas públicas, passo essencial para investir na área social, Portugal fez seu ajuste no início da década, o que permitiu preservar o estado de bem-estar. Veio o coronavírus, e Portugal se tornou referência positiva dentro do padrão europeu. O Brasil é a tragédia que conhecemos. O terceiro país com mais mortos no mundo, recentemente superado pela Índia.

Talvez seja injusto comparar os dois países, dado que a população brasileira é a portuguesa multiplicada por 20, e as circunstâncias – com exceção da língua – são consideravelmente diferentes.

Como talvez fosse despropositado comparar o Brasil com a Índia, que tem seis vezes a nossa população. Se continuarmos o exercício, no entanto, veremos que em muitas coisas estamos mais perto da Índia do que de Portugal. Para o bem e para o mal.

DESIGUALDADE SOCIAL – Para o bem, Índia e Brasil têm democracias vibrantes, sociedade civil engajada, universidades de excelência, cultura riquíssima e plural. Para o mal, além de referências negativas no combate ao coronavírus, Índia e Brasil estão entre os países mais desiguais do mundo. A pandemia expôs tais desigualdades de forma dramática.

A Índia pré-independência era um país de príncipes e plebeus divididos em castas. No Brasil, os príncipes estão na classe média. São os que podem trabalhar de casa, usando seus laptops, e se proteger da doença que chegou a ceifar mais de mil vidas por dia.

DIRETO DE LISBOA – Nesta semana inicio um período de estudos em Política Comparada na Universidade de Lisboa. Para esta coluna, nada muda. Com a tecnologia, é possível acompanhar as notícias do mundo todo em tempo real, e redação e entrevistados estão ao alcance de um zoom.

A ideia é continuar dando uma visão moderna da política. A atividade, hoje, não se desenrola apenas nos parlamentos, mas também nas redes e ruas, universidades e organizações cívicas – a tal sociedade civil.

DESAFIOS DO PRESENTE – Tudo mudou muito e em muito pouco tempo. A economia mundial cresceu. A distribuição de renda melhorou, embora a concentração tenha aumentado em alguns países. As democracias passaram a dialogar com instituições do mundo globalizado. Surgiram os populismos. Entender como os diferentes países lidam com os desafios do presente é mais esclarecedor, muitas vezes, do que mergulhar nas lições do passado. Num planeta cada vez mais integrado, é válido comparar-se tanto com a Índia quanto com Portugal.

O mote desta coluna é: nas democracias, não se melhora a vida dos cidadãos sem recorrer ao conhecimento. Quem ignora a ciência acaba como o prefeito do filme Tubarão: um político sem votos numa cidade sem banhistas.

Estudar é preciso. Bora estudar.

‘Justiça Eleitoral’ toma do contribuinte um gasto de R$ 7,5 bilhões, mesmo quando não há eleição

TRIBUNA DA INTERNET | Ganha corpo e forma a ação no TSE para cassar Dilma e  Temer

Charge do Dule (dukechargista.com.br)

J.R.Guzzo
Estadão

Todas as vezes que você ouvir alguma dessas peças de propaganda pró-virtude da “Justiça Eleitoral”, dando aulas de moral e cívica e ensinando como o eleitor deve votar nas eleições para prefeito que vêm ai, lembre-se que isso não está apenas enchendo a sua paciência – também está custando dinheiro, e esse dinheiro sai todinho do seu bolso.

Os gestores da excelência eleitoral brasileira já devem ter tentado lhe demonstrar, em outras ocasiões, que o custo das eleições no Brasil é pouca coisa, levando-se em conta os ganhos extraordinários que elas trazem para a sociedade. O que se ganha, na vida real, são esses políticos que estão aí – e cada cidadão que faça o juízo que quiser sobre a sua qualidade. Mas na questão do dinheiro não há dúvida nenhuma: é mentira o que estão dizendo. Eleição custa uma fortuna.

INVENÇÃO BRASILEIRA – A “Justiça Eleitoral”, coisa que não existe em nenhuma democracia séria do mundo – simplesmente por que se considera, ali, que um negócio desses não tem a menor utilidade – transformou-se, no Brasil, num mamute burocrático cada vez mais caro.

Sua influência na melhoria do nível dos políticos eleitos é igual a três vezes zero. Em compensação, joga para cima do contribuinte uma despesa exorbitante: R$ 20 milhões por dia, ou perto de R$ 7,5 bilhões por ano, mesmo em anos em que não há eleição alguma. (Estas são as últimas cifras disponíveis; pode ser mais, é claro.)

O mais curioso é que, embora haja uma quantidade fixa de eleições – uma a cada dois anos – as despesas não param de crescer. Em 2017, por exemplo, quando não foi feita nenhuma eleição, o custo do aparato eleitoral foi 50% maior que o de 2016, quando o País teve suas últimas eleições municipais – essas que vão se repetir agora em novembro de 2020.

O RUMO DOS BILHÕES – E onde eles conseguem gastar tanto dinheiro? Acertou: 90% de tudo vai para pagar a folha de funcionários.

A organização das eleições poderia, é claro, ficar nos limites de uma repartição pública modesta (sobretudo numa realidade cada vez mais digital), encarregada de expedir títulos de eleitor, convocar mesários, registrar candidatos e realizar outras tarefas de baixa complexidade. Nem pensar.

Deram um jeito de criar uma estrutura XXXX-L, incluindo nela até mesmo um “Tribunal Superior Eleitoral”, uma espécie de Supremo Tribunal Federal do setor; naturalmente o TSE dispõe do seu próprio palácio-sede (aliás, já está no segundo prédio desde a construção de Brasília) e custa cerca de R$ 2 bilhões por ano para o público pagante. É claro que arrumaram também 27 “tribunais regionais”, um para cada estado – cada um com a sua sede, etc. etc.

GRANDES PLANOS – A “Justiça Eleitoral” tem grandes planos para você. Foram autorizados, neste 2020 de covid-19 e de economia em processo de destruição, concursos para contratar mais de 1.000 novos funcionários (1.002, mais exatamente) para diversos dos “Tribunais Regionais”.

Salários? Estamos, aí, em pleno Brasil-Suécia. O salário inicial para “técnico”, o cargo mais modesto, é de R$ 8.500. Para funções de “segurança” a remuneração mínima é R$ 9.600. Já um “analista” começa a vida com R$ 13.500. Conseguiram inventar, acredite se quiser, nada menos que um “oficial de justiça”, como os que a justiça comum utiliza para servir notificações de despejo, etc. Salário inicial: cerca de R$ 15.000.

Entende-se perfeitamente, aí, o medo-pânico de todo esse mundo quando ouve falar no fim do voto obrigatório.

Más notícias! Banco Central piora a previsão para entrada de investimento estrangeiro no país

Prejuízo mundial com paraísos fiscais chega a US$ 800 bilhões - Economia -  Estado de Minas

Charge de Maure (arquivo Google)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Em meio à forte queda nos investimentos estrangeiros no país, o Banco Central reduziu novamente a previsão para o fluxo do indicador de entrada de capital externo produtivo no país no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira (24/09).

A nova projeção para a entrada de Investimento Direto no País (IDP) passou de US$ 55 bilhões, em junho, para US$ 50 bilhões, em setembro.  No documento, o BC também revisou a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano para uma queda de 5%. Para 2021, a estimativa do BC é de crescimento de 3,9%, com o fluxo de IDP ficando em US$ 65,2 bilhões.

ESTIMATIVA DO BC – No primeiro trimestre do ano, a estimativa do BC estava em US$ 60 bilhões, abaixo dos US$ 78,6 bilhões registrados em 2019. Em agosto, a entrada de Investimento Direto no País no país desabou 85,3%, para US$ 1,4 bilhões, na comparação com o mesmo mês de 2019, refletindo o aumento da desconfiança de investidores no país que mostrou uma saída recorde de capital estrangeiro do país no ano, de US$ 15,2 bilhões.

No acumulado em 12 meses, a entrada de IDP somou US$ 54,5 bilhões, o menor patamar desde agosto de 2010, quando o BC registrou o fluxo de US$ 50,8 bilhões.

ACIMA DO MÍNIMO – Apesar da queda na previsão do IDP, o volume ainda supera as estimativas para a necessidade de financiamento do país com o setor externo. De acordo com o BC, as novas projeções para o deficit em transações correntes do país com o resto do mundo foi reduzida de US$ 13,9 bilhões para US$ 10,2 bilhões (0,7% do PIB). Em março, o saldo negativo previsto estava em US$ 41 bilhões.

Essa melhora no resultado do balanço de pagamentos reflete a recessão global em que as trocas comerciais estão caindo, mas, no caso do Brasil, as importações desabam em ritmo mais acelerado do que as exportações, ajudando a melhorar o superavit da balança comercial.

MAIS EXPORTAÇÕES – “O principal fator para a revisão é a melhora nos valores esperados para as exportações, que apresentaram nos últimos meses resultado acima do anteriormente projetado.

Projetam-se, assim, reduções de 11,1% nas exportações e de 16,2% nas importações em relação a 2019, resultando em saldo da balança comercial de US$ 45,3 bilhões e recuo de 13,4% na corrente de comércio”, destacou o documento.  A previsão anterior para o superavit da balança comercial era de US$ 39 bilhões.

MENOS TURISMO – O BC ainda projeta queda significativa do deficit da conta de serviços em relação ao fechamento de 2019, de 41,8%, para US$ 20,4 bilhões. A previsão de junho era de saldo negativo de US$ 21,5 bilhões.

“A maior retração deve vir da conta de viagens, com redução de 74,3% nas despesas líquidas em comparação a 2019, refletindo as restrições a viagens geradas pelas medidas de contenção à Covid-19. Do lado da renda primária, espera-se recuo das despesas líquidas em 2020 em relação ao ano anterior, atingindo déficit de US$ 37,4 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Como dizia o pequeno príncipe, genial criação de Saint-Exupéry, “gente grande gosta de números”. Em tradução simultânea, o Brasil precisa receber mais investimentos estrangeiros e gastar menos com custeio do Estado e refinanciamento da dívida pública, que é igual àquela bomba do RioCentro, que explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário. A diferença é que a bomba da dívida pública está no colo de todos os brasileiros. (C.N.)

Com Cristiane Brasil presa, PTB abre mão de candidatura à Prefeitura do Rio

Membros do partido dizem que definição é um “gesto de solidariedade”

Aline Macedo e João Paulo Saconi
O Globo

O PTB definiu neste sábado, dia 26,  que não irá lançar candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro na eleição municipal deste ano. A decisão acontece após a ex-deputada Cristiane Brasil, pré-candidata pelo partido, ter sido presa no início do mês na Operação Catarata, sob acusação de se beneficiar de um esquema de pagamento de propinas de prestadoras de serviço na área social da prefeitura e do Estado.

O substituto dela, o produtor cultural Fernando Bicudo, também ficou fora da disputa após perder o prazo para se desincompatibilizar da administração fluminense. O PTB pretende concentrar esforços para eleger seus candidatos à Câmara de Vereadores do Rio. A intenção, a princípio, é não apoiar candidato de outra legenda à Prefeitura do Rio.

“SOLIDARIEDADE”  – Membros do partido dizem que essa definição é um gesto de solidariedade a Cristiane Brasil, cuja prisão consideram injusta. Ela é filha do presidente nacional do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson.

Cristiane foi presa em 11 de setembro após ter sido alvo da operação, baseada em uma delação  que a coloca como integrante de um suposto esquema de corrupção — a ex-deputada classifica a narrativa como “mentirosa”. Onze dias depois, na última terça-feira, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Joel Irlan Paciornik a manteve na prisão.

Após Cristiane ter sido detida, o PTB resolveu indicar Fernando Bicudo, que é assessor especial da secretaria estadual de Cultura e Economia Criativa. Ele, no entanto, perdeu o prazo para deixar o cargo a tempo de concorrer: a exoneração, que precisaria ter acontecido até 15 de agosto, só foi publicada na última quarta-feira. A expectativa era que ele liderasse a chapa e tivesse Cristiane como vice, o que não se confirmou.

O dilema das redes sociais, com suas teorias conspiratórias que acabam viciando os usuários

VICIADOS EM INTERNET | Mensagens engraçadas, Engraçado, Piadas joãozinho

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fernando Gabeira
O Globo

Acabo de assistir ao documentário sobre as redes “The Social Dilemma”. É assustador mesmo para mim, que tenho tratado do tema, sobretudo pelo ângulo das fake news e teorias conspiratórias que impulsionam o tecnopopulismo de direita.

Uma das razões para ampliar minha abordagem do tema é contar com depoimentos de insiders, pessoas de dentro do universo tecnológico que trabalharam e ajudaram a construir plataformas como Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.

LIMITAÇÕES – A maior parte da crítica disponível até então era de observadores de fora desse universo. Outra limitação de meu enfoque era observar apenas as consequências negativas das redes sociais no universo político, gerando uma atmosfera de ódio e mentiras.

Ao ver o documentário, fica claro para mim que as consequências políticas foram apenas um subproduto diante da tarefa central: usar a insegurança e a ansiedade das pessoas para torná-las dependentes do uso das redes e, com o acúmulo dos seus dados, impulsionar vendas.

Isso não chega a ser uma descoberta. O interessante é ouvir de alguém que encontrou o Facebook nos seus primórdios e teve como tarefa descobrir uma forma de fazer dinheiro com aquilo.

HÁ QUALIDADES – Quase todos os talentos contratados no início viam nas redes sociais algumas de suas inegáveis qualidades: unir famílias, ampliar o conhecimento coletivo, facilitar a solidariedade.

O caminho para financiar era a publicidade. Ela seria mais eficaz quanto maior o tempo de permanência do usuário, e muito mais eficaz também, na medida em que, conhecendo sua personalidade, às vezes mais profundamente do que ele próprio, fosse possível ampliar seu consumo.

Essa é a matriz que acabou produzindo as aberrações político-sociais que vivemos hoje. A radicalização política é necessária para prender a atenção das pessoas. As fake news são atraentes diante de uma realidade tediosa.

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – Isolado em sua bolha, o indivíduo tem a sensação de tudo compreender pelas teorias conspiratórias. Se alguém diz que pedófilos se reúnem no porão de uma pizzaria, ele tenta invadi-la armado de um fuzil, apesar de a pizzaria nem ter porão.

Se alguém acredita que a Terra é plana, será alimentado com inúmeras interpretações que fortalecem essa ilusão. Na busca do Google, dependendo da região, o aquecimento global aparece como uma fraude ou uma tese científica.

O problema central é que, ao contrário da TV ou do cinema, a inteligência artificial tende a se modificar num ritmo cada vez mais alucinante. Alguns dos participantes do documentário preveem que o processo deve acentuar polarizações e produzir guerras civis. Mas é evidente que algo pode ser feito para atenuar esses imensos efeitos negativos do avanço tecnológico.

COMISSÕES DA VERDADE – Certamente não é criando comissão da verdade, como queriam alguns parlamentares brasileiros. Apesar de assustador, ou por causa disso, o documentário nos estimula a buscar soluções.

Às vezes invejamos a intimidade das crianças com essas novas linguagens, um mundo fantástico se desenrolando com o simples toque de seus dedinhos. Mas nossa geração intermediária talvez possa contribuir com suas lembranças do mundo real. Outro dia, falando sobre o tema, lembrei-me de que muitos de nós foram influenciados pela filosofia do Pós-Guerra, o existencialismo. Uma de suas frases lapidares, de Jean-Paul Sartre, talvez fosse de utilidade para os jovens: o inferno são os outros.

Assim como é preciso estimular o estudo de ideias conflitantes, talvez compense retirar do armário o antigo conceito de autenticidade, que estimula a pessoa ser ela mesma, independente de likes, dislikes e ofensas grosseiras.

ACÚMULO DE INFORMAÇÕES – Voltando ao plano político, uma das questões básicas é achar o caminho para limitar o acúmulo de informações sobre as pessoas. Um dos entrevistados chegou a falar de impostos para reduzir o intenso consumo de dados pessoais pelas empresas. Não sei se é por aí.

Alguém no documentário lembrou que essas gigantes tecnológicas e a indústria das drogas são as únicas que chamam seus clientes de usuários. É um pouco exagerado, mas depois de ver “The Social Dilemma”, creio que todo mundo vai se perguntar até que ponto está viciado nas redes sociais e quais os caminhos da libertação.

STJ rejeita recurso de Crivella para anular busca e apreensão em sua casa e em seu gabinete

Crivella foi alvo de operação que investiga suposto ‘QG da Propina’

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

O ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou nesta sexta-feira (25) a ação do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), que queria anular as buscas e apreensões feitas na casa dele e no gabinete dele.

Marcelo Crivella foi alvo de uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Civil no último dia 10. A ação foi um desdobramento da Operação Hades, de março deste ano, que investiga um suposto ‘QG da Propina’ na Prefeitura do Rio.

ARGUMENTO – Ao acionar o STJ, os advogados do prefeito argumentaram que a medida foi ilegal. Segundo a defesa, não foram listados os bens apreendidos no local; não foi feito auto de busca e apreensão; membros do MP e policiais circularam sozinhos em cômodos.

“A ilegalidade e demais ferimentos fatais à ordem constitucional que foram perpetrados pela busca e apreensão que, nem de longe, atendeu aos requisitos legais, como ora aventado, por si só, representa grave lesão não apenas ao sistema normativo, como incalculável violação à dignidade humana”, afirmaram os advogados.

“CARÁTER ELEITORAL” – A defesa também disse que a ação tem caráter eleitoral, com objetivo de influenciar na eleição municipal. “Não há como admitir que agentes públicos tentem influenciar no pleito eleitoral, levando de forma clara e com o intuito de prejudicar o Paciente. Tal prática, aliás, é expressamente vedada pela Lei das Eleições. Não se pode admitir, num Estado Democrático de Direito, que os órgãos públicos se submetam a jogos de interesse político, vindo a impedir a igualdade do pleito”.

Ao analisar o caso, o ministro do STJ negou um pedido de liminar, ou seja, de uma decisão provisória sobre o tema. Saldanha Palheiro determinou que a Justiça do Rio preste informações sobre o caso. O mérito deverá ser analisado pela Sexta Turma do tribunal.

Presidente do Senado responde a inquéritos envolvendo fraudes e crimes eleitorais

Alcolumbre é aconselhado a liquidar indicação de Eduardo à embaixada

Procurador eleitoral já pediu a cassação de Davi Alcolumbre

Deu no Correio do Povo
(Agência Estado)

Alvo de três ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo supostas fraudes na campanha de 2014, o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), usou empresas da família e do contador e presidente do comitê financeiro do partido para justificar gastos de R$ 763 mil que estão sob suspeita, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

Em novembro passado, a ministra Rosa Weber, do STF, negou pedido de arquivamento da investigação feito pelo senador e autorizou a quebra de sigilo bancário do contador da campanha de Davi, Rynaldo Gomes, e de sua empresa, a R.A.M. Gomes. Gomes recebeu R$ 478 mil da candidatura do senador e do comitê do DEM – as contabilidades de ambos são controladas por ele. Os inquéritos estão em segredo de Justiça.

ABUSO E FALSIDADE – Gomes é peça central tanto nas ações no TSE, que pedem a cassação de mandato de Davi por abuso de poder econômico, quanto nos inquéritos no STF, que investigam suposto crime de falsidade ideológica. Ele é acusado de ter usado cinco notas frias no valor de R$ 157 mil em nome da empresa L.L.S. Morais-ME na prestação de contas da campanha de Davi e de ter falsificado documento da Prefeitura de Macapá para tentar regularizar a contabilidade.

Uma quebra de sigilo parcial feita ainda durante investigação no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) constatou que R$ 34 mil referentes a serviços prestados pela L.L.S. foram transferidos para a conta bancária de Gomes. A apuração teve origem em três ações eleitorais movidas pelo ex-senador Gilvam Borges (MDB-AP) – aliado de José Sarney, derrotado por Davi -, pela coligação e partido dele.

O TRE-AP indeferiu o pedido de cassação de mandato em 2016 entendendo que a participação ou ciência de Davi sobre a fraude não foi comprovada e determinou que o crime de falsidade ideológica fosse apurado em uma ação penal, aberta naquele ano. Três recursos foram apresentados ao TSE e estão desde agosto do ano passado no gabinete do ministro Edson Fachin.

CASSAÇÃO DO MANDATO – Em abril do ano passado, o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, defendeu em três pareceres a cassação do mandato de Davi e dos dois suplentes – um deles, Josiel Alcolumbre, é irmão do senador.

O procurador afirmou que “restou comprovada a contaminação da campanha eleitoral” de Davi pelas “ações ilícitas em tratativa”. E, segundo ele, é “impossível desvincular” dos candidatos a figura de Gomes, contador responsável pela prestação de contas, fornecedor de campanha e presidente do comitê financeiro do DEM.

Além das ações envolvendo o contador, também são alvo de questionamento no TSE pagamentos de R$ 285 mil com “combustíveis e lubrificantes” feitos pela campanha de Davi e pelo comitê do DEM para a Salomão Alcolumbre & Cia Ltda., que pertence a uma tia e primos do senador.

FRAUDE NAS CONTAS – Só a campanha de Davi em 2014 declarou ter gasto R$ 135 mil com gasolina em postos da família para 20 veículos. O valor é maior do que os gastos com combustível de todos os outros nove candidatos ao Senado juntos. Com a quantia seria possível encher o tanque de 1 mil carros, fazer 140 viagens de ida e volta entre Macapá e Brasília ou completar quase 17 voltas na Terra.

Dona de uma rede de postos em Macapá, a empresa Salomão Alcolumbre aparece como fornecedora de campanha em 2014 de outros 40 candidatos e três comitês ou diretórios partidários. Os gastos de Davi e de outros dois parentes candidatos naquele pleito, porém, representam mais da metade dos R$ 551,5 mil que a empresa da família recebeu naquela eleição.

O jornal tentou por quatro dias falar com Marina Alcolumbre, uma das proprietárias da rede de postos. Davi emprega em seu escritório político em Macapá a mulher de um dos primos herdeiros da empresa. Na sexta-feira, a reportagem não localizou Vânia Alcolumbre por telefone em seu local de trabalho.

SEM COMENTÁRIOS – A assessoria do presidente do Senado não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem até a conclusão desta edição. Davi tem afirmado que a prestação de contas foi aprovada pelo TRE do Amapá e que “está convicto de que, ao final das apurações, restarão todas as alegações esclarecidas e devidamente dirimidas”.

Na disputa pela presidência da Casa, ele usou o discurso da renovação na política, se contrapondo ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). Rynaldo Gomes não foi localizado. A R.A.M. Gomes e a L.L.S. Morais estão inativas, segundo a Receita Federal.

A ilusão da vida do boêmio, na visão de Paulinho da Viola e Candeia, uma dupla da pesada

CBN - A rádio que toca notícia - 'A obra de Candeia continua completamente  atual'

Candeia morreu cedo, mas deixou uma grande obra

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Antônio Candeia Filho (1935-1978), na letra de “Minhas Madrugadas”, em parceria com Paulinho da Viola, afirma que canta pela noites para esquecer o passado, do qual só restou a saudade de uma vida de ilusões. Esse samba foi gravado por Candeia no LP Raiz, em 1971, pela Equipe.

MINHAS MADRUGADAS
Paulinho da Viola e Candeia

Vou pelas minhas madrugadas a cantar
Esquecer o que passou
Trago a face marcada
Cada ruga no meu rosto
Simboliza um desgosto

Quero encontrar em vão o que perdi
Só resta saudade
Não tenho paz
E a mocidade
Que não volta mais

Quantos lábios beijei
Quantas mãos afaguei
Só restou saudade no meu coração
Hoje fitando o espelho
Eu vi meus olhos vermelhos
Compreendi que a vida
Que eu vivi foi ilusão

Lavagem de dinheiro! Carluxo comprou imóvel por preço 70% abaixo do fixado pela prefeitura

Carlos Bolsonaro comprou imóvel com dinheiro vivo

Carluxo foge da imprensa, porque não tem como explicar

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Um dos três imóveis comprados pelo vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) durante sua vida pública foi adquirido por preço 70% abaixo do avaliado pela Prefeitura. Localizado em Copacabana, na zona sul do Rio, o apartamento em um apart-hotel custou ao filho “zero dois” do presidente Jair Bolsonaro R$ 70 mil, quando tinha valor de R$ 236 mil estipulado pela prefeitura para cobrança de imposto.

A prática não é ilegal, mas costuma despertar suspeitas – por possibilitar, em tese, pagamentos “por fora”, sem registros oficiais. É considerada, por órgãos de controle, uma forma conhecida de lavagem de dinheiro. Carlos não se pronunciou, mas os Bolsonaro costumam repudiar as suspeitas e dizer que sofrem ataques políticos.

NO MESMO CARTÓRIO – O negócio foi fechado em março de 2009. A escritura foi obtida no mesmo cartório que registrou a compra de outro por R$ 150 mil, adquirido por Carlos em dinheiro vivo quando tinha 20 anos – o que foi revelado pelo Estadão na quarta-feira, 23. Nesse caso anterior, o apartamento fica na Tijuca, zona norte da cidade, e também teve “desconto”. Custou 30% menos que o estipulado pelo município: R$ 213.499,00.

No imóvel de Copacabana, o pagamento registrado foi feito por transferência eletrônica.

Carlos é investigado pelo Ministério Público do Rio por suspeitas de ter empregado funcionários “fantasmas” e se apropriado de parte dos rendimentos deles por meio da chamada “rachadinha”. A prática, se confirmada, configura peculato – desvio de dinheiro público.

MUITO ABAIXO DO VALOR – O montante pago pelo apartamento de Copacabana, em valores corrigidos pelo IPCA, corresponderia hoje a R$ 127,6 mil. Se o vereador tivesse desembolsado o valor de R$ 236 mil, o preço atualizado saltaria para R$ 430,6 mil. Ninguém, porém, é obrigado a seguir os valores fixados pela prefeitura. Os preços são fechados entre comprador e vendedor com base no mercado imobiliário.

Na parte da escritura em que se explica a situação legal do imóvel, a escrivã aponta que o bem se encontrava “completamente livre e desembaraçado de todo e qualquer ônus judicial ou extrajudicial, hipoteca legal ou convencional, foro ou pensão e isento de dívidas, bem quite com impostos e taxas, exceto a taxa de incêndio, que se encontra em débito no exercício de 2007, o que é de pleno conhecimento e aceitação por parte do outorgado comprador”. Ou seja, não havia débito expressivo nem pendência que justificasse a discrepância de valores.

OS DOIS IRMÃOS – Um dos irmãos de Carlos, o senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), está prestes a ser denunciado pelo MP por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Como os dois irmãos tiveram funcionários coincidentes em seus gabinetes, a Promotoria, ao investigar um, encontrou também movimentações financeiras que auxiliam na apuração sobre o outro. A apuração sobre Carlos ainda está no início.

Na investigação sobre o senador, a compra de imóveis por preços supostamente subfaturados é, para o Ministério Público, um dos pontos fundamentais. Dois apartamentos, também em Copacabana, foram adquiridos por Flávio e sua mulher, Fernanda, com preço declarado de R$ 310 mil. O valor pago em cheques, contudo, estaria, na opinião da Promotoria, abaixo do real. Os promotores suspeitam que Flávio tenha dado R$ 638 mil em espécie, por fora, para concluir a aquisição.

LUCRO ABSURDO – O negócio foi fechado em novembro de 2012. Pouco mais de um ano depois, o casal vendeu os apartamentos e declarou lucro de R$ 813 mil – quando, na verdade, o lucro real teria sido de R$ 176,6 mil, segundo cálculo do MP. Com as vendas, o dinheiro pago “por fora”, ilegalmente, na compra, voltaria “por dentro”, com aparência legal, na venda, acreditam promotores. A explicação para o aumento de preços seria a suposta valorização dos imóveis.

Como noticiou nesta quarta, 23, o jornal O Globo, com base em escrituras às quais o Estadão também teve acesso, também o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pagou em dinheiro vivo parte dos preços de dois imóveis. Os desembolsos somaram R$ 150 mil, de um total de R$ 1,6 milhão dos preços dos apartamentos.

Em valores corrigidos, seriam R$ 196 mil em espécie. Além disso, ao pagar R$ 160 mil – sendo R$ 50 mil em dinheiro vivo -, por um imóvel em Copacabana, o parlamentar desembolsou 30% menos do que o valor de R$ 228,2 mil, estipulado pela prefeitura. Diferentemente dos irmãos, Eduardo não é investigado oficialmente. Também não é suspeito de crime.

SEM COMENTÁRIOS – Procurado para se pronunciar, Carlos Bolsonaro não respondeu. O casal que lhe vendeu o imóvel em Copacabana não foi localizado pela reportagem. O senador Flávio tem reiteradamente negado as acusações e afirmado que todas as transações dele e da família foram feitos de modo lícito.

O parlamentar costuma dizer que as acusações de que é alvo são perseguição política, com o objetivo de atingir o governo do presidente Jair Bolsonaro. O Estadão não conseguiu contato com Eduardo Bolsonaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A reportagem é importante, porém está mal estruturada. No Rio de Janeiro, como a alíquota do IPTU é alta (3%), a Prefeitura avalia por baixo os imóveis, para reduzir a inadimplência, que é elevadíssima, uma das maiores do país. Isso significa que o “valor venal” fixado pela prefeitura chega a ser ridículo em relação ao valor de mercado, bem menos do que 50%. Portanto, se a família Bolsonaro, especialista no ramo imobiliário, compra imóveis abaixo do valor venal, o verdadeiro nome dessas negociações é lavagem de dinheiro, porque depois vende-se pelo valor real e aparentemente fica tudo legalizado. É por isso que os três irmãos não respondem aos jornalistas. Eles não têm como se explicar. (C.N.)

Por não entender o que acontece no exterior, o governo Bolsonaro perde guerra da comunicação

DE VOLTA À ESCURIDÃO DA CAVERNA – Contra o Vento

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

William Waack
Estadão

A situação internacional que o Brasil enfrenta em relação às políticas ambientais de Jair Bolsonaro é séria e perigosa. Vamos olhar o que acontece do ponto de vista da comunicação, deixando para especialistas dos vários outros setores o mérito de questões específicas.

Existe desinformação no que se diz e se publica sobre o que acontece na Amazônia e no Pantanal? Sim. Existem interesses de competidores comerciais incomodados com a capacidade brasileira de produzir grãos e proteínas? Sim. Existem organizações (partidos, ONGs, instituições religiosas) com agenda político-ideológica atacando um governo (o brasileiro) por considerá-lo seu adversário? Sim.

DESASTRE DE COMUNICAÇÃO – Nada disso é novidade nem começou com Bolsonaro. Mas o governo está sabendo enfrentar essa batalha da comunicação? Não. Faltam aos que tomam esse tipo de decisões em Brasília dois elementos fundamentais que ajudam a entender a natureza deste que é um dos maiores desastres de comunicação em escala internacional.

O primeiro elemento é a falta de compreensão do fenômeno lá fora, mas não só. Por incrível que pareça, o governo brasileiro não entendeu a abrangência, a profundidade e o peso da questão climática e ambiental na sua escala planetária.

Se isto era, nos idos da Rio 92 (quando o Brasil se preparou muito bem para o que viria), uma agenda de instituições multilaterais e de governos, empurrados em parte por ONGs, hoje a questão ambiental molda nosso “Zeitgeist”, o espírito de uma época, e condiciona a percepção da realidade de gerações inteiras de atores políticos, instituições, governos, consumidores, empresários, grandes corporações no mundo inteiro.

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – Há um notável apego de ocupantes de gabinetes no Planalto, especialmente generais estrelados, em enxergar no tsunami negativo lá fora em relação ao Brasil articulações contra a nossa soberania em geral e nosso governo em particular – um esquema mental diretamente transferido dos anos setenta para uma realidade muito mais complexa do que conspirações geopolíticas para negar ao Brasil seu direito manifesto de ser uma grande potência. Em outras palavras, embarcaram na guerra de ontem.

O segundo elemento que ajuda a entender o desastre de comunicação é o apego a táticas político-eleitorais – como a negação de fatos, o “deixa que eu chuto”, o xingamento do adversário, a efervescência nas redes sociais – que funcionam no ambiente polarizado de eleições. Mas que tem se mostrado inócuas em escala internacional.

NENHUMA ESTRATÉGIA – O “enfrentamento” duro do adversário, real ou percebido, até aqui não avançou os interesses do Brasil. Ao contrário, se há algo que o “altivo” discurso de Bolsonaro evidencia quanto à “estratégia” de lidar com a crise internacional de imagem brasileira é a de que ele não tem nenhuma – além de satisfazer seus seguidores domésticos.

E não estamos falando de danos subjetivos ou de “percepções” deste ou daquele dirigente ou personagem do debate ambiente versus economia (totalmente superado até na China): estamos falando de danos concretos à capacidade do Brasil de competir nos mercados que interessam.

E HÁ LIÇÕES A DAR… – O extraordinário de tudo isso é que o Brasil tem, de fato, lições a dar em matéria de meio ambiente e de como aumentar a produção de grãos e proteínas de forma sustentável e socialmente responsável. Tem lições a dar em matéria de matrizes energéticas. Dispõe de sólida tradição diplomática (hoje abandonada) na busca de decisões por consenso e cooperação multilaterais. E uma imagem (ainda que cada vez mais distante da realidade social) de um país aberto, simpático, tolerante e bonito.

São ativos desprezados na batalha da comunicação. Enfrentar o que estamos enfrentando lá fora em termos de imagem não é culpa dos outros, dos insidiosos adversários. É nossa, mesmo.

Ministério Público Federal pede que o TCU suspenda as promoções de 39 de seus servidores 

Dilma nas garras do TCU

Charge do Nani (nanihumor.com)

Deu no G1

O subprocurador Lucas Furtado enviou nesta sexta-feira (25) ao Tribunal de Contas da União (TCU) representação na qual pede que seja avaliada a legalidade e a eventual suspensão de portaria que concedeu progressão funcional a 35 auditores federais de controle externo do próprio tribunal e promoção funcional a outros dois auditores e dois técnicos federais de controle externo.

Na progressão funcional, o servidor muda de faixa salarial, mas se mantém no mesmo nível hierárquico. Na promoção funcional, o servidor tem reajuste salarial e passa de um nível hierárquico a outro superior. A portaria, de 11 de setembro, assinada pela secretária de Gestão de Pessoas do TCU, Cláudia Gonçalves Mancebo, foi publicada quatro dias depois em edição do “Boletim do Tribunal de Contas da União”.

EXEMPLO DA AGU – Furtado, que representa o Ministério Público junto ao TCU, havia feito pedido semelhante ao próprio tribunal nesta quinta-feira (24), quando questionou a promoção em massa ao topo da carreira, pela Advocacia-Geral da União (AGU), de mais de 600 procuradores federais, com salários de R$ 27 mil. Após a repercussão negativa da medida, a AGU suspendeu as promoções.

O subprocurador afirma que, além da AGU, também já fez representações contestando a concessão de benefícios à diretoria da Embratur e aumento de remuneração à Polícia Militar, ao Corpo de Bombeiros Militar e à Polícia Civil do Distrito Federal.

“Entendo que a movimentação na carreira acima aludida é nula de pleno direito, tendo em vista a legislação excepcional atualmente vigente em momento de calamidade pública decorrente da pandemia de covid-19”, escreveu Furtado na representação.

PROMOÇÃO FORA DA LEI – Segundo ele, o aumento de remuneração “colide frontalmente” com a lei complementar 173/2020, que estabelece o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus.

O artigo 8º da lei proíbe, até 31 de dezembro de 2021, a concessão de “qualquer título, vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a membros de Poder ou de órgão, servidores e empregados públicos e militares, exceto quando derivado de sentença judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior à calamidade pública”.

Em nota, o TCU afirmou que, segundo parecer da consultoria jurídica do tribunal, as promoções e progressões “possuem natureza jurídica e requisitos distintos dos expressamente vedados na citada lei (anuênios, triênios e quinquênios) e, portanto, não estavam abrangidos na proibição”.

AUMENTO DE 0,01 – De acordo com a nota do tribunal, nenhum dos servidores beneficiados ascendeu ao topo da carreira, e as progressões e promoções representam aumento de 0,01% na folha de pagamento do TCU

Na representação, o subprocurador Lucas Furtado também propõe ao TCU uma ação de controle nos demais órgãos públicos.

O objetivo, segundo ele, seria verificar se há outros casos de concessão de progressões e promoções funcionais, “considerando, ainda, que a prática de movimentações de carreira pode estar acontecendo em toda a Administração Pública, de forma contrária às disposições da legislação em vigor durante a pandemia do novo coronavirus”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É pena que a reportagem não tenha revelado o montagem da folha salarial do TCU, para mostrar que o Brasil existe para enriquecer a nomenclatura. O tribunal tem mais de 1,6 mil auditores. “Para quê?”, perguntaria o escritor Miguel de Cervantes. “Para nada…”, responderia o poeta Ascenso Ferreira, que nele gostava de se inspirar. (C.N.)

Fake news é ‘vírus capaz de comprometer a democracia’, afirma o ministro Barroso

Charge do Duke (domtotal.com)

Carolina Brígido
O Globo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, fez neste sábado, dia 26,  um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV alertando para o perigo da desinformação e da difamação nas campanhas eleitorais, que começam neste domingo, dia 27. No discurso, ele também recomendou que, durante a campanha e as eleições, sejam evitadas aglomerações, para impedir a disseminação do coronavírus.

“Há um outro vírus que ronda as eleições, capaz de comprometer, não a saúde pública, mas a própria democracia. Trata-se das notícias falsas, das campanhas de desinformação e de difamação. Uma causa que precise de mentiras, de ódio ou de agressões não pode ser boa. Pense nisso. Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. O mal faz mal mesmo é a quem o pratica”, disse o ministro, completando:

DEBATE PÚBLICO – “Vamos fazer uma campanha com debate público de qualidade, franco e robusto, mas com respeito e consideração pelas pessoas e por suas ideias, mesmo que diferentes das nossas”, acrescentou. Barroso explicou que a pandemia impõe cuidados especiais nas campanhas, para a proteção de eleitores e candidatos.

Ele lembrou que o TSE ouviu especialistas médicos e fez uma série de recomendações: evitar aglomerações, manter distância mínima de um metro das outras pessoas e sempre utilizar máscara. O ministro também alertou para a necessidade de realizar reuniões em locais abertos e para evitar a distribuição de panfletos. “Com esses cuidados, fica minimizado o risco de contaminação”, declarou.

O ministro lembrou que 148 milhões de eleitores estão habilitados a votar para prefeitos e vereadores em mais de cinco mil e quinhentas cidades. Ele ressaltou a importância do voto na democracia: “O Brasil é a quarta maior democracia do mundo. Na democracia, somos todos livres e iguais. Ou, pelo menos, devemos lutar para que seja assim. Não abra mão da sua chance de fazer diferença”.

Governo federal economizou R$ 1 bilhão com trabalho remoto no serviço público em cinco meses

Alexandro Martello G1    /    Charge do Nani (nanihumor.com)

O Ministério da Economia informou nesta sexta-feira (25) que o governo federal economizou cerca de R$ 1,02 bilhão com o trabalho remoto de servidores públicos de abril a agosto. O chamado teletrabalho, ou home office, foi estimulado diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). De acordo com o levantamento, o valor considera a redução de R$ 859 milhões nos gastos de custeio e de R$ 161 milhões nos pagamentos de auxílios aos servidores.

“Parte dos servidores está em teletrabalho desde o início da pandemia. Fizemos o acompanhamento mensal dos gastos de custeio e verificamos a diminuição em itens como diárias, passagens e despesas com locomoção e também com energia elétrica, água e esgoto”, afirmou o secretário de Gestão da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Cristiano Heckert. Segundo ele, os recursos economizados em gastos administrativos podem ser destinados ao atendimento direto da população.

ITENS –  Veja abaixo a economia, item por item, nos últimos cinco meses: Diárias, Passagens e Despesas com Locomoção: R$ 471,251 milhões; Serviços de Energia Elétrica: R$ 255,547 milhões; Serviços de Cópias e Reproduções de Documentos: R$ 9,732 milhões; Serviços de Comunicação em Geral: R$ 89,565 milhões; Serviços de Água e Esgoto: R$ 32,942 milhões; Auxílios para os Servidores: R$ 161 milhões.

Em julho, o Ministério da Economia anunciou novas orientações para a adoção do regime de teletrabalho nos órgãos e entidades do governo federal. Caberá ao dirigente máximo de cada órgão autorizar a implementação do programa.

“Não estamos impondo que seja adotado com regra geral, estamos apenas padronizando a atividade de algo que poderá ser adotado por cada órgão a partir de suas particularidades”, afirmou o o secretário-adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Gleisson Rubin, na ocasião.

ATIVIDADE PRESENCIAL – Naquele momento, Rubin explicou que, após o fim da pandemia, boa parte dos servidores, atualmente em teletrabalho, devem retomar as atividades presenciais – é o caso dos professores e pesquisadores universitários. Com isso, a economia de recursos tende a diminuir.

De acordo com o governo, a norma estabelece orientações para a adoção do regime de teletrabalho nos órgãos e entidades integrantes do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal “focando na entrega de resultados e reduzindo despesas administrativas”. Atualmente, cerca de 200 órgãos fazem parte deste sistema.

Nesta semana, o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia, Wagner Lenhart, explicou que o governo federal está tornando o processo de solicitação do teletrabalho mais simples e menos burocrático. “Com isso, ganharemos eficiência, transparência e controle da sociedade”, acrescentou.

Fachin homologa delação de executivos da Hypermarcas e um deles pagará multa de R$ 1 bilhão

0960 - Confira | Exame

João Alves era considerado um fenômeno como empresário

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

O ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou as delações premiadas de executivos que atuaram na antiga companhia Hypermarcas (atual Hypera Pharma).

Os acordos de delação foram firmados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Das quatro colaborações, três foram homologadas pelo ministro do STF.

MULTA RECORDE – Na delação de um dos acionistas do grupo, João Alves de Queiroz Filho, as negociações envolveram a multa mais alta da história da Procuradoria-Geral  da República aplicada a um único delator, que é de R$ 1 bilhão.

As outras delações são de ex-funcionários do grupo – o ex-CEO Cláudio Bergamo e Carlos Roberto Scorsi.

A homologação é uma espécie de validação, pela Justiça, dos acertos entre o Ministério Público e os delatores. O caso está sob sigilo e não há detalhes do que os colaboradores declararam aos investigadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Com um dos envolvidos devolvendo R$ 1 bilhão individualmente, pode-se ter uma ideia de quanto foi o botim. E ainda há quem defenda a extinção da Lava Jato, alegando “parcialidade”. Se o Brazil quiser ser uma boa filial dos United States, deveria começar copiando o rigor aplicado na matriz aos crimes financeiros, especialmente sonegação, corrupção e lavagem de dinheiro. Lá é cana dura, e não adianta alegar que usa fralda geriátrica. Enquanto isso, aqui na filial… (C.N.)

Fake news! Foto de indígena em queima controlada é de 2014 e não tem relação com o Pantanal

Foto de indígena em queima controlada é de 2014 e não tem relação com incêndios no Pantanal

Mais uma informação manipulada por falsos jornalistas

Tiago Aguiar
Estadão

Uma postagem viral no Facebook usa uma foto de 2014 para acusar “ONGs e militantes de esquerda” de serem os responsáveis pelos incêndios no Pantanal. Na realidade, a fotografia que mostra um indígena com um galho em chamas foi publicada originalmente na revista “Ciência Hoje”, em uma reportagem sobre o uso de fogo controlado no cerrado.

Além disso, ao contrário do que alega a peça de desinformação, não há denúncias sobre queimadas criminosas iniciadas por ativistas no Mato Grosso, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

REVISTA CIÊNCIA HOJE – O primeiro registro da foto encontrado por mecanismos de busca reversa de imagem é de junho de 2014, na revista “Ciência Hoje, que não está mais em circulação.

Apesar de não haver informação sobre a autoria da fotografia, é possível saber que a imagem ilustra uma reportagem sobre queimas controladas utilizadas pelos índios xavantes de Mato Grosso. Na técnica, indígenas ateiam um círculo de fogo para tratar a terra de plantio.

A postagem ainda cita uma lei que classifica como crime a prática de incêndios “com o fim de atentar contra a segurança do Estado”. Ao contrário do que o texto menciona, a pena é de 3 a 8 anos de reclusão, e não de 15 a 30 anos.

INSTITUTO CHICO MENDES – Em meio à repercussão sobre os incêndios que consomem o Pantanal, o Estadão Verifica checou vários conteúdos enganosos sobre as queimadas. Por exemplo, um vídeo que mostrava uma queima controlada com o objetivo de combater o fogo foi tirado de contexto para responsabilizar o Instituto Chico Mendes (ICMBio) pelo desastre ecológico. Fotos de animais feridos e outras imagens antigas também foram compartilhadas fora de seu contexto original.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social.

APOIO DO FACEBOOK – Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ muito importante esse trabalho da grande mídia na identificação de fake news, que abundam na internet brasileira. Porém, enquanto não houver severa punição , esses criminosos continuarão agindo e influenciando os eleitores. (C.N.)

Justiça determina que Coaf e Receita sejam notificados sobre transferência milionária de Romário

Romário é suspeito de ocultar patrimônio para evitar credores

Marco Grillo e Thiago Prado
O Globo

A Justiça do Rio determinou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal sejam notificados sobre a transferência de R$ 22 milhões em recebíveis feita pelo senador Romário (Pode-RJ) ao seu advogado e ex-assessor parlamentar Luiz Sérgio de Vasconcelos Júnior. A transação financeira do ex-jogador, suspeito de ocultar patrimônio para evitar o pagamento a credores, foi revelada pelo O Globo em agosto.

Além disso, uma cópia dos autos será enviada para a Procuradoria da República no Distrito Federal, para que seja apurada a suposta prática de improbidade administrativa. Há a suspeita de que o senador tenha usado verba do gabinete para pagar serviços particulares de advocacia, já que Vasconcelos, que o representa em dezenas de processos, foi seu assessor entre 2017 e 2019.

PEDIDO DO MP – Caso haja desdobramentos na esfera penal, a juíza indica que poderá ser necessária a participação da Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso. O repasse das informações foi efetivado a partir de um pedido do Ministério Público do Rio (MP-RJ).

“Acolho a promoção do MP e determino que sejam extraídas cópias dos autos, devendo as mesmas serem encaminhadas para: o Ministério Público Federal do Distrito Federal, a fim de apurar suposta prática de improbidade administrativa, o qual, após diligências e análise mais acurada, poderá desmembrar a investigação para seara criminal, remetendo, então, à PGR; Considerando as informações trazidas acerca da transferência de direito sobre vultuosa quantia monetária, encaminhem-se cópias ao Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf) e à Secretária Especial da Receita Federal para que tomem ciência do ocorrido e adotem as medidas cabíveis”, escreveu a juíza Simone Cavalieri Frota no despacho.

FRAUDE – A transferência milionária de créditos para o advogado está sendo discutida em um processo na Justiça do Rio, em que uma construtora que vive um embate jurídico com Romário há quase duas décadas acusa o senador de fraude processual. Os R$ 22 milhões repassados pelo senador ao advogado são divididos em duas partes.

A primeira delas, referente a R$ 15,1 milhões, diz respeito a um acordo com o Vasco para o pagamento de uma dívida antiga do clube com Romário. A construtora, em 2018, havia conseguido penhorar os pagamentos, feitos em parcelas mensais. Os repasses foram interrompidos e, em outro processo, o advogado acionou o clube alegando ser dono do saldo da dívida – a transferência dos créditos foi formalizada em cartório.

A segunda parte diz respeito a um imbróglio com a própria construtora, a quem Romário deve cerca de R$ 24 milhões, em valores já reconhecidos pela Justiça. O senador, por outro lado, alega que, do montante da dívida que trata de multas (a soma total inclui valores decorrentes de perdas e danos e rompimento unilateral do contrato), ele já pagou R$ 6,9 milhões a mais – crédito exato que foi transferido ao advogado, que, em outro processo, acionou a empresa cobrando o pagamento. Para a construtora, o excedente deve ser subtraído da dívida total. Em resposta, a empresa entrou com uma queixa-crime por fraude processual contra Romário e Vasconcelos.

TRANSFERÊNCIA – Há dois anos, O Globo revelou que Romário havia transferido para a própria irmã, Zoraidi Faria, bens como uma lancha, um Porsche e uma casa na Barra da Tijuca – como O GLOBO mostrou, o prefeito Marcelo Crivella contrariou a área técnica da prefeitura e impediu a demolição do imóvel, cuja construção teve irregularidades constatadas pela Secretaria Municipal de Urbanismo.

Procurado, o senador não se manifestou. Em outra ocasião, quando questionado sobre a transação financeira, o advogado afirmou que não “deve satisfação” aos repórteres.