Gestão de Levy no BNDES foi marcada por atritos com governo e com funcionários

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vinicius Neder
Estadão

Os seis meses de gestão de Joaquim Levy à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram marcados por atritos tanto com o governo federal quanto com os funcionários da instituição de fomento. Desde que Levy foi indicado para o cargo, em novembro do ano passado, ainda na transição de governo, estava sinalizado que sua missão seria reduzir ainda mais o tamanho do banco. Diante da pressão nos dois lados, o banco ficou em compasso de espera, sinalizando que daria prioridade para infraestrutura, mas com o anúncio de poucas medidas concretas.

Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha elevado o tom no sábado, declarando que já estava “por aqui” com Levy e ameaçando o presidente do BNDES com a demissão, o principal atrito com o governo era mesmo com a equipe econômica.

DEVOLUÇÃO – A tensão veio à tona no início de março, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou explicitamente, em entrevista ao Estado, que o BNDES teria que devolver R$ 126 bilhões dos recursos tomados com o Tesouro Nacional e disse, sobre Levy: “Não sei se ele quer, mas vai ter de devolver”.

Com a declaração, Guedes trazia a público o atrito que já vinha de antes, sempre em torno da questão das devoluções do BNDES ao Tesouro. De 2008 a 2014, o BNDES recebeu R$ 416 bilhões em aportes do Tesouro Nacional. Inicialmente, os aportes foram parte da ação “contracíclica” do governo Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a crise internacional de 2008, mas acabaram como estratégia do governo Dilma Rousseff para turbinar o crescimento econômico.

A medida sempre esteve entre as mais criticadas, especialmente por economistas de perfil mais liberal, no cardápio da política econômica dos governos do PT.

UMA FREADA – Quando o próprio Levy assumiu como ministro da Fazenda, no segundo governo Dilma, determinou uma freada na instituição de fomento. O último aporte, autorizado no fim de 2014, ainda na gestão de Guido Mantega no ministério, seria devolvido ainda em 2015. Com a chegada de Michel Temer ao Planalto, em maio de 2016, após o afastamento de Dilma, as devoluções seriam aceleradas. Ainda naquele ano, a então presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, devolveria R$ 100 bilhões a pedido do ministro Henrique Meirelles.

As devoluções seguiram no governo Temer. De 2015 a 2018, o banco já devolveu R$ 309 bilhões ao Tesouro Nacional. Em julho do ano passado, Fazenda e BNDES firmaram uma reestruturação da dívida com a União, antecipando o prazo final para devolução dos aportes de 2060 para 2040 e estabelecendo um cronograma anual de devoluções – entre 2019 e 2022, a devolução média era de R$ 25 bilhões ao ano. Para 2019, estavam previstos R$ 26,6 bilhões.

RITMO LENTO – Ainda na transição, a equipe de Guedes vinha sinalizando que achava o ritmo lento. Antes mesmo da indicação de Levy, o então diretor financeiro do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, hoje conselheiro do banco, estimava que seria possível devolver mais R$ 40 bilhões este ano, além dos R$ 26,6 bilhões já previstos na reestruturação. Em dezembro, o Estado revelou que a equipe de transição de Guedes queria pelo menos R$ 100 bilhões este ano.

Para a ala mais liberal dos “Chicago oldies” de Guedes, o BNDES poderia se dedicar apenas às privatizações de estatais e estruturação de projetos de concessões de infraestrutura. Vendidas as estatais e concedidos os principais projetos de infraestrutura em carteira, o BNDES poderia até mesmo ser extinto.

EXATO VALOR – Levy participou dessas discussões no período de transição, mas assumiu o BNDES em janeiro sinalizando que as devoluções ao Tesouro poderiam não ser tão aceleradas assim. Na primeira entrevista coletiva, após cerimônia de transmissão de cargo no Rio, na primeira semana de janeiro, Levy evitou responder quando foi perguntado quanto o banco poderia devolver este ano: “O exato valor da devolução vai ser função tanto de perspectivas de retomada da economia quanto do melhor uso do nosso balanço”, afirmou Levy na ocasião.

Dias após a entrevista de Guedes ao Estado em março, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, assinou ofício pedindo mais R$ 100 bilhões, além dos R$ 26,6 bilhões já acordados. Ainda em março, em entrevista ao Estadão/Broadcast, Levy disse que o ritmo de devoluções dependeria do ritmo de retorno de crédito dos empréstimos já feitos pelo banco. Em maio, o BNDES devolveu R$ 30 bilhões do pedido adicional.

CAIXA PRETA – Apesar das suspeitas de Guedes, o principal atrito de Levy com a burocracia do banco não girava em torno da questão das devoluções, embora passasse por isso. O problema estava na tal “caixa preta” que, conforme promessa de campanha de Bolsonaro, teria que ser aberta logo no início do governo.

Para os funcionários, não há “caixa preta”, e Levy era pouco enfático na defesa pública do trabalho técnico do BNDES.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As justificativas são as mesmas: 1) nomeação de diretores petistas; 2) resistência de abrir a “caixa-preta”; 3) valor da devolução de dinheiro ao governo. Mas há algumas outras coisas por trás disso, que a Tribuna da Internet vai explicar nesta segunda-feira. (C.N.)

O melhor de nós acaba de ir aos 80 anos, em Salvador – o padre Carlos Formigli

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Padre Carlos Formigli era muito conhecido na Bahia

Sebastião Nery

Éramos onze. Hoje já somos dois. Morreu em Salvador o melhor de todos nós: Padre Carlos Formigli. Estudou Filosofia em Salvador, 1950/52; na Pontifícia Academia Romana de Santo Tomas de Aquino e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, 1953/55. Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma – Itália, 1952/56. Pos-Graduação em Ciências Humanas e Sociais – Monografia: Le Tiers-Monde Sous le Signe de la Transformation – Faculdades Católicas de Lilli – França – 1970/72. Professor de latim e grego, presidente da Fundação da Criança e do Adolescente, FUNDAC, 1991/2007 – Salvador.

Estávamos entre os primeiros alunos do Seminário da Imaculada Conceição de Amargosa, na Bahia. A prefeitura ia inaugurar a “Biblioteca Pedro Calmon”, filho mais ilustre da cidade. Estavam lá o homenageado, professor, escritor, acadêmico e orgulho da terra. O prefeito, vereadores, o bispo Dom Florêncio Sisínio Vieira, os professores do seminário e os locais, e um jovem estudante de Direito também nascido lá, Waldir Pires.

DIÁLOGO EM LATIM – Padre Correia escreveu um texto em latim, um diálogo, como se fosse teatro, para Carlos Formigli e eu dizermos. Lembro bem de duas coisas: o medo de começar e a alegria de terminar debaixo de palmas, Não erramos nada. Carlos aparecia de repente, de surpresa e eu, ali ao lado, o interrogava em latim:

“Eus, Carole, quo vadis”? (Alô, Carlos, para onde vais?)

E Carlos respondia que ia para a inauguração da biblioteca. Falávamos sobre a importância da biblioteca, a justa homenagem a Pedro Calmon e uma saudação à cidade.

Tudo em latim. Em um latim perfeito, clássico, claro, que pronunciamos com segurança, até porque o autor estava ali e, se errássemos, era capaz de nos matar. E foi o primeiro a aplaudir.

CARTA DE CARLOS

Tenho aqui em mãos, a carta que o Carlos me fez quando completei 80 anos:

“Caro Sebastião, eis que estamos chegando aos oitenta anos. Uma longa caminhada pontilhada de muitas coisas boas. Basta um olhar para o passado e certamente nos surpreenderemos com as vitórias conquistadas, as dificuldades vencidas, os serviços prestados. Com certeza, não fomos inúteis e, nem tão pouco, mais um na história do mundo, caminhando ao sabor dos ventos. Conheço sua história (a NUVEM não deixa dúvidas) e você sabe por onde andei, tentando realizar a minha missão de sacerdote e educador. Aos oitenta anos, se não optamos pelo repouso, já sentimos que a idade nos alerta para a necessidade de desacelerar e caminhar com mais prudência.

Você, meu caro, tem uma história rica de momentos empolgantes e não duvido em afirmar que os dias de “prisão” contribuíram, e muito, para fazer do Nery, o cara destemido, o jornalista polêmico, o cidadão consciente dos direitos e dos deveres decorrentes de sua cidadania.

Parabéns, Sebastião, pelo seu aniversário, pela sua vida, pela sua história, pelo que você fez em defesa dos direitos da pessoa humana e da democracia.

Com você, agradeço a Deus o dom de nossas vidas e as oportunidades que tivemos de semear a boa semente.”

Área econômica culpa ‘lobby de servidores’ e sonha em reintroduzir itens na reforma

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Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Gerson Camarotti
G1 Política

A equipe econômica do governo avalia uma ofensiva contra o que chama de “lobby de servidores” na reforma da Previdência. O objetivo é reintroduzir na proposta itens retirados ou modificados pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), entre os quais, o trecho sobre a regra de transição.

O governo avalia que, se retomar a regra proposta, gerará de economia algo em torno de R$ 100 bilhões para os cofres públicos, fazendo com que a reforma gere uma economia total de R$ 960 bilhões. O valor inicial previsto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, era de R$ 1,2 trilhão, em dez anos.

GUEDES X MAIA – Segundo relatos, quando foi informado sobre a mudança na regra de transição, Paulo Guedes enviou uma mensagem ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Disse que teria de atacar a mudança. E recebeu uma resposta de Maia. O deputado disse que, se Guedes atacasse, iria defender o Congresso.

Nesta sexta-feira (14), Guedes disse em uma entrevista que, se os deputados aprovarem o relatório de Samuel Moreira, irão “abortar a nova Previdência”.

Em resposta, Maia afirmou que o governo se transformou em uma “usina de crises permanente” e que a Câmara irá aprovar a reforma da Previdência (relembre no vídeo abaixo).

HAVIA RECUO – Conforme relatos de integrantes da equipe econômica, Paulo Guedes já havia aceitado recuar nos trechos que previam mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural.

Mas a retirada de estados e de municípios, além do “lobby de servidores”, fizeram com que Guedes considerasse isso negativo para a Previdência.

“Fizeram a reforma do Temer, mas com a popularidade do Bolsonaro”, resumiu ao blog um integrante do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Paulo Guedes é um pobre menino rico, cheio de vontades. Achou que ia mandar uma proposta ao Congresso e seria aplaudido de pé. Não é assim que a coisa funciona. Os parlamentares são representantes do povo e têm de escolher a proposta que melhor atenda ao interesse público. Mas Guedes se recusa a entender essa realidade.

Se é assim, vamos dar uma dica ao ministro – Bolsonaro odeia quando Guedes critica o Congresso. (C.N.)

Ex-presidente do Clube Militar diz que a política é corrompida pela própria natureza

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General Pimentel pede que Bolsonaro prestigie pessoal da reserva

Antonio Santos Aquino

O General da reserva Gilberto Pimentel, presidente do Clube Militar até junho do ano passado, manifestou-se de maneira enfática sobre a demissão do ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, também general da reserva e que até a semana passada titular da Secretaria de Governo da Presidência.

Escreveu o general Pimentel em uma rede de WhatsAPP e também pelo Facebook: “A propósito da demissão do general Santos Crus, é praticamente impossível para um verdadeiro militar conviver por muito tempo nesse meio torpe, podre e corrompido pela própria natureza. Isso está mais do que provado”.

BAIXARIA – Na sequência, assinalou o ex-presidente do Clube Militar: “Ao general Santos Cruz, o meu abraço, e aos demais companheiros, que ainda acreditam, meus respeitos e que se cuidem para que nossa instituição não se veja comprometida nessa baixaria”, escreveu, acrescentando:

“Preservem nosso pessoal no serviço ativo, deixem-no nos quartéis, não é bom caminho envolvê-los. Esse filme é muito antigo. Quem viveu viu.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O general Gilberto Pimentel, que é muito ativo nas redes sociais, estava se referindo à nomeação do atual comandante militar do Sudeste, general de Exército Luiz Eduardo Ramos, que substituirá Santos Cruz na Secretaria de Governo da Presidência, com status de ministro.

O general Ramos é o primeiro militar da ativa nomeado por Bolsonaro. Pessoalmente, não faço diferença entre ativa e reserva. Espera-se que seja um executivo de primeira, capaz de contribuir para que o país retome o desenvolvimento. Se o general Ramos defender o interesse público sem faniquitos neoliberais e caminhar pelo centro, já estará de bom tamanho, a meu ver.

Posso estar enganado, mas os militares parece que são o melhor nesse governo, ao lado dos ministros Sérgio Moro (Justiça) e Tarcisio Vieira (Infraestrura), os destaques civis do primeiro escalão. (C.N.)

Ao demitir Joaquim Levy do BNDES, Bolsonaro demonstra intolerância política

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Levy se recusou a demitir o diretor do BNDES ligado ao PT

Merval Pereira
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro deu várias mostras nos últimos dias daquilo que já havia sido evidenciado desde o início do governo: o que considera lealdade é mais importante para ele do que competência. E de que não admite diversidade de pensamentos em qualquer instância do governo.

O que ele fez com o presidente do BNDES, Joaquim Levy, foi demiti-lo publicamente ontem, ao anunciar que ele está “com a cabeça a prêmio” há muito tempo, e que já está “por aqui” com ele, que não estaria cumprindo o que combinara ao ser nomeado.

DIRETOR PETISTA – Isso porque Levy indicou para uma diretoria do BNDES Marcos Pinto, que trabalhou na gestão de Lula como chefe de gabinete de Demian Fiocca na Presidência do BNDES, de quem era assessor quando Fiocca foi vice-presidente.

Fiocca encaminhou a indicação de Marcos Pinto para a diretoria da CVM em 2012, na gestão de Guido Mantega. Essa relação de Marcos Pinto com a gestão petista irritou Bolsonaro, que exigiu publicamente sua demissão, ameaçando demitir Levy amanhã se não cumprisse sua ordem.

Por trás da confusão com Marcos Pinto está a irritação de Bolsonaro com o próprio Levy, a quem aceitou no BNDES por insistência do ministro da Economia Paulo Guedes. A desconfiança do presidente recai até sobre pessoas que o auxiliaram muito de perto, como os ex-ministros Gustavo Bebiano e o general Santos Cruz, de quem era amigo há 40 anos. Faz jus a um conselho que recebeu de seu pai, que dizia para confiar apenas nele e na sua mãe.  Foram vítimas de intrigas do mesmo grupo, comandado pelo filho Carlos e pelo guru esotérico Olavo de Carvalho.

CARTA-BRANCA? – O ministro da Justiça Sérgio Moro também passou pelo mesmo problema que atinge agora o ministro da Economia Paulo Guedes. Os dois supostamente tiveram carta branca de Jair Bolsonaro para escolher seus assessores, e foram desautorizados pelo presidente.

O caso de Moro foi menos grave do que o de Guedes agora, mas exemplar de uma intolerância incomum nos governos recentes, com exceção de uma atitude pontual de Michel Temer, que demitiu um garçom nos primeiros dias de presidente por considerá-lo um espião petista.

Moro foi obrigado a cancelar a nomeação da cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Presidente do Instituto Igarapé que estuda violência urbana e propõe medidas como desarmamento e descriminalização das drogas, a ideia da nomeação era justamente colocar uma voz divergente no Conselho, para que ele exercesse seu papel em plenitude, isto é, debater teses e sugerir opções ao ministro.

OUTRAS GESTÕES – Nos governos anteriores, Francisco Weffort, fundador do PT, foi ministro da Cultura de Fernando Henrique por 8 anos; os economistas Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram assessores importantes de Palocci quando era ministro, e o próprio Joaquim Levy foi ministro da Fazenda de Dilma.

Os petistas boicotaram os economistas que consideravam tucanos, mas só Levy foi demitido. Dilma era mais próxima de Bolsonaro em termos de intolerância política do que Lula, que sabia aceitar assessores que não fossem petistas de carteirinha.
Com a crescente autonomia do Congresso em relação ao Palácio do Planalto, Bolsonaro parece estar retomando uma política de contato direto com o eleitor, que tentara no início de sua gestão. Radicalizando posições para contentar seu núcleo principal de eleitores

CRÍTICAS DE GUEDES – O próprio ministro Paulo Guedes, que no início do governo disse que daria “uma prensa” no Congresso e teve que recuar, voltou a tentar pressionar os parlamentares com críticas duras contra a proposta da Comissão Especial da Previdência. O mais provável é que queira passar a ideia de que não gostou da proposta, para que os deputados tenham a sensação de vitória sobre o governo e não façam novas alterações.   

Também ontem, Bolsonaro usou o Twitter para pedir que a população pressione os senadores para manterem seu decreto que flexibiliza o porte de armas. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado decidiu revogar os decretos que permitem o porte de armas de fogo a cidadãos e colecionadores, atiradores desportivos e caçadores.

O presidente, que já dissera que não acreditava que os senadores fossem votar “contra o povo”, agora pede que os eleitores os pressionem.

Moro tenta fazer da crise um “plebiscito” da Lava Jato, que tem apoio popular garantido

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Moro enfrenta os ataques à Lava Jato, com apoio de Bolsonaro

Vera Rosa
Estadão

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, traçou uma estratégia para transformar o vazamento da troca de mensagens atribuídas a ele, quando juiz, e a procuradores da força-tarefa em Curitiba em uma espécie de plebiscito dos que são contra e a favor da Lava Jato. A contraofensiva tem o aval do Palácio do Planalto e foi discutida com o próprio presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, após a análise de pesquisas encomendadas pelo governo sobre o episódio, além do monitoramento das redes sociais.

Os resultados indicaram que o apoio à Lava Jato – operação sempre associada ao combate à corrupção – supera a desconfiança em relação ao conteúdo de conversas pelo celular, no aplicativo Telegram, entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Foi somente após essa avaliação reservada que Bolsonaro quebrou o silêncio e saiu em defesa do ministro da Justiça, um dos pilares de sustentação de seu governo.

CONFIANÇA – Apesar de destacar o legado do ministro, o presidente disse ontem que não existe confiança 100%. “Eu não sei das particularidades da vida do Moro. Eu não frequento a casa dele. Ele não frequenta a minha casa por questão até de local onde moram nossas famílias. Mas, mesmo assim, meu pai dizia para mim: ‘Confie 100% só em mim e minha mãe’”, afirmou Bolsonaro.

A declaração foi feita um dia após novas conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil indicarem que Moro teria pedido aos procuradores da Lava Jato a produção de uma nota à imprensa para responder o que chamou de “showzinho” da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois do depoimento do petista no caso do triplex do Guarujá. O ministro não reconheceu a autenticidade da mensagem.

Com idas e vindas, a tática para blindar Moro e afastar a crise do Planalto consiste em jogar a opinião pública contra deputados, senadores e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que tentarem vincular os diálogos vazados a ilegalidades em julgamentos, como o de Lula, preso desde abril do ano passado. O argumento usado contra os críticos é o de que existe uma “orquestração” para esvaziar a Lava Jato.

ABATIMENTO – Quem conversou com Moro, nos últimos dias, encontrou um homem abatido. Apesar de dizer que não cometeu conduta imprópria à época em que era o superpoderoso juiz de Curitiba, ele pareceu constrangido de ter o nome envolvido em um escândalo. De julgador, passou a ser julgado.

“Fui vítima de um ataque criminoso de hackers”, afirmou Moro ao Estado. “A Operação Lava Jato foi um trabalho muito sério, profissional e difícil, feito a um grande custo pessoal de todos os envolvidos no caso. Sempre me pautei pela legalidade.”

Sob pressão do Congresso e até do Judiciário, Moro virou uma espécie de curinga para Bolsonaro. Se o cenário não levar a uma reviravolta, o titular da Justiça poderá ocupar uma vaga de ministro do Supremo, segundo o presidente. Antes dos vazamentos, Moro também era citado como possível candidato ao Planalto, em uma disputa sem Bolsonaro na corrida à reeleição, em 2022. Ou mesmo em uma dobradinha como vice. “Eu aceitei o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública. Não há outro projeto na minha vida”, garantiu o ministro.

NO SUPREMO… – Todos esses planos, no entanto, podem ruir dependendo da próxima temporada política. No dia 25, a Segunda Turma do Supremo vai retomar o julgamento em que Lula acusa Moro de ter sido parcial ao condená-lo no caso do triplex e, depois, entrar para a equipe de Bolsonaro. Para reforçar a acusação, os advogados do ex-presidente encaminharam à Corte as conversas atribuídas a Moro, nas quais ele daria dicas aos procuradores.

“Tenho receio de que isso venha a tomar um vulto que possa prejudicar o País”, admitiu o general Eduardo Villas Bôas, assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

No Congresso, o movimento da oposição e de partidos do Centrão ainda não é para abrir a “CPI da Vaza Jato”, mas, sim, para deixar Moro “sangrar” em praça pública. Quando juiz, ele foi algoz de vários parlamentares e até hoje enfrenta resistências para a tramitação de seu pacote anticrime, que prevê o combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta.

SEM VIDA FÁCIL – “Acho que Moro já sabia que não teria vida fácil na política”, comentou o deputado Capitão Augusto (PL-SP), presidente da Frente Parlamentar de Segurança e relator do grupo de trabalho que analisa a proposta. “Agora, querem aproveitar a turbulência para emplacar no Senado o projeto que coíbe o abuso de autoridade, mas não é momento de resgatar isso. Fica parecendo jus sperniandi”, emendou, em referência à expressão usada no meio jurídico para o direito de “espernear”.

Nem mesmo no PT de Lula, porém, há acordo sobre o melhor caminho a seguir para enfrentar Moro. Na quarta-feira, a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do partido, subiu à tribuna para defender a CPI. “Moro, o grande orientador do Ministério Público Federal, montou, armou, produziu testemunhas. Para quê? Para condenar e prender o Lula”.

Para o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), no entanto, seu partido erra ao adotar essa tática. “Eu, por exemplo, não quero CPI para Moro. Quero sua demissão. E também sou contra convocá-lo para vir aqui, porque a gente fala dez minutos e ele, três horas. É um palanque”, argumentou o petista.

DEPOIMENTO – Moro prestará depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira. Na tentativa de evitar mais desgaste, ele próprio se ofereceu para falar em um território no qual a oposição não faz tanto barulho.

“A imagem do ministro está em jogo e essa é a Casa da moderação”, observou a senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da CCJ. Logo depois, porém, a Câmara aprovou convite para que Moro também explique as mensagens atribuídas a ele em uma sessão de duas comissões, marcada para o dia 26.

O Congresso está dividido sobre como tratar o “caso Moro”. O ministro da Justiça e Segurança Pública ainda conta com apoio popular, como mostrou na quarta-feira, quando foi aplaudido no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, ele vestiu a camisa do Flamengo, na partida contra o CSA, apesar de ser torcedor do Athletico Paranaense.

“Atendi a um pedido do presidente e da torcida que ali estava. Em Roma, faça como os romanos”, disse Moro ao Estado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chega a ser comovente o esforço do The Intercept Brasil para inocentar Lula da Silva e transformar Sérgio Moro num criminoso vulgar, capaz de adulterar provas, combinar procedimentos indevidos de busca e apreensão, decretar prisões preventivas desnecessárias, assinar sentenças manipuladas e fazer perseguição política a um dos mais importantes ex-presidentes do mundo, figura absolutamente ímpar e acima de qualquer suspeita, que jamais seria capaz de comandar o maior esquema de corrupção do mundo.

Sem dúvida, é comovente esse esforço desenvolvido pelo The Intercept e pelos jornalistas que ainda dão força a esse tipo manipulado de denúncia, sem demonstrar medo do ridículo. (C.N.)

Procuradoria-Geral da República precisa agir contra os crimes que atingem Moro e membros do MPF

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Raquel Dodge se omite diante dos crimes e não toma providências

Jorge Béja

É dever da Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir à Justiça Federal que expeça ordem determinando que todo o material, em poder do site “Intercept Brasil” e referente à invasão e captação de mensagens atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e a membros do Ministério Público que atuam no combate à corrupção, que todo o material seja imediatamente apreendido e entregue à Polícia Federal.

Para tanto, que a procuradora-geral Raquel Dodge peça Mandado de Busca e Apreensão, com ordem de prisão, se o material não for encontrado ou se houver resistência, ocultamento ou obstaculização ao êxito da diligência. Mas a PGR está de braços cruzados. Nada faz. E a procuradora-geral sonha em ser reconduzida…

PROCURADORIA OMISSA – Diz a PGR que foi aberto inquérito policial. A ser verdade, o que já foi feito de concreto no inquérito? Por que o recolhimento (busca e apreensão) do material não foi solicitado à Justiça Federal?

Enquanto isso, a inércia ministerial permite que partes, pedaços e porções de um corpo de delito inteiro venham sendo expostos, em capítulos, à curiosidade pública, denegrindo a imagem daqueles que atuaram e conseguiram penetrar na engenhosa trama que saqueou o dinheiro do povo brasileiro, identificando-os, submetendo-os ao devido processo legal e levando-os à prisão.

Tudo é gravíssimo. Tudo é inconcebível. Tudo é barbárie e contrário à civilidade, à civilização e à vontade soberana do povo brasileiro que, ao eleger Jair Bolsonaro presidente, externou sua repulsa aos governos passados, mentirosos, impatrióticos e corruptos.

MONSTRUOSIDADES – Tudo é literalmente hediondo. Seja aquele monstro que matou com 7 tiros o jovem ator, com 4 tiros seu pai e com 2 tiros sua mãe, quando a família foi à casa da namorada do filho para se apresentar e conversar com os pais da moça e o pai dela matou todos eles, ou seja o invasor ou invasores dos celulares do juiz e dos promotores e se apoderaram dos conteúdos a eles atribuídos.  Não faz diferença. Tudo é crime.

Mas no caso do monstro, a polícia de São Paulo e do país inteiro está à procura do matador para levá-lo ao cárcere. E os corpos das inocentes vítimas, perfuradas de tiros, não foram exibidos. Já no caso das interceptações ocorridas contra o juiz e os procuradores da República, as autoridades judiciárias e judiciais não estão caçando quem cometeu o crime.

Enquanto isso,  pedaços, porções e partes do corpo de delito veem sendo exibido pela mídia, em etapas ou capítulos.

SIGILOS PÉTREOS – Tanto é inviolável o direito à vida, como também são invioláveis o sigilo de correspondência e de comunicações telegráficas, de dados, de mensagens, por que meio forem. São preceitos que nem precisariam constar (como constam) da Constituição Federal, por serem comezinhos, naturais, primaríssimos. Desrespeitar um ou outro, ou desrespeitar um e outro, é crime.

Vê-se como altamente suspeito, a gerar desconfiança e fundada dúvida, que um grave crime cometido, não apenas contra a privacidade de um juiz e de determinados promotores públicos, mas contra toda a magistratura nacional e contra toda a promotoria pública nacional, não receba a reprimenda pronta e imediata da parte dos próprios poderes da República atingidos: o Judiciário e o Executivo. Perdão, mas democracia não é isso. Nem isso é o denominado Estado Democrático de Direito, a permitir perversões, violências e destruições de vidas e reputações.

Guedes diz que Levy não quis abrir a “caixa-preta” das irregularidades no BNDES

O presidente do BNDES, Joaquim Levy (esq.), e o ministro da Economia, Paulo Guedes (dir.) — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Guedes se comporta como se não tivesse nada a ver com Joaquim Levy

Gerson Camarotti
G1 Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou neste sábado (15) ao blog que entende a “angústia” do presidente Jair Bolsonaro com o presidente do BNDES, Joaquim Levy. Para Guedes, é natural Bolsonaro se sentir “agredido”, uma vez que Levy escolheu para o banco “nomes ligados ao PT”.

Mais cedo, no sábado, Bolsonaro disse que Levy está com a “cabeça a prêmio”. Acrescentou que, se Levy não demitir o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Marcos Barbosa Pinto, ele, Bolsonaro, demitirá Levy “sem passar pelo Paulo Guedes”.

EXISTE SINTONIA? – Questionado se houve falta de sintonia com Bolsonaro no episódio, Guedes negou: “Pelo contrário, existe sintonia. Eu entendo a angústia do presidente. É algo natural ele se sentir agredido quando o presidente do BNDES coloca na diretoria do banco nomes ligados ao PT”.

Marcos Pinto foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Guedes lembrou ao blog que Bolsonaro apresentava como promessa de campanha “abrir a caixa-preta” do BNDES. O governo, ressaltou, já tem seis meses e isso ainda não aconteceu.

IRREGULARIDADES – Bolsonaro costuma dizer que houve problemas em empréstimos do BNDES para Cuba, Venezuela e os chamados “campeões nacionais”, como Joesley Batista.

“Ninguém fala em ‘abrir a caixa-preta’ e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes ao blog. “O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou uma solução para o futuro”, ressaltou.

O “passado”, segundo Guedes, seria abrir a “caixa-preta”. Em relação ao “futuro”, conforme o ministro, seria tratar de temas como privatizações, infraestrutura, saneamento e ajudar a reestruturação de estados e de municípios. Até agora, na avaliação da equipe econômica, o BNDES não tem cumprido esses objetivos.

RESISTÊNCIA – Desde o primeiro momento, havia resistência de Bolsonaro a Levy por ele ter sido ministro de Dilma Rousseff e secretário de Sérgio Cabral. Para Guedes, em atenção, Bolsonaro decidiu bancar a nomeação de Levy.

Segundo o blog apurou, Bolsonaro está incomodado há muito tempo com o fato de Levy não ter feito o que considera uma “mudança significativa” em cargos importantes do BNDES, além de nomear Marcos Pinto.

Ainda segundo o blog apurou, Bolsonaro recebeu uma mensagem de um amigo dizendo o seguinte: ‘Quem diria ver no governo Bolsonaro o BNDES comandado por petistas?”.

TELEFONEMAS – Isso irritou profundamente o presidente, que chegou a ligar neste sábado (15) para Guedes antes de dar a entrevista na qual falou sobre Levy. Depois da entrevista, ligou de novo para relatar o que havia dito.

Guedes chegou a falar a pessoas próximas que havia indicado três nomes para ajudar Levy, mas o presidente do BNDES não aceitou. Os três técnicos, então, passaram a trabalhar com o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar. “Além de não satisfazer o presidente, não atendeu ao ministro”, afirmou ao blog um integrante do governo. Segundo integrantes do Poder Executivo, Bolsonaro já havia pedido a cabeça de Levy há três meses.

Na avaliação da equipe econômica, diferentemente de outras instituições, como Banco Central, Caixa e Petrobras, quem têm tido “bom desempenho”, o BNDES “não está conseguindo decolar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelentes informações do Gerson Camarotti, mostrando que a insatisfação com Joaquim Levy não se resume ao caso do diretor Marcos Pinto.

Porém, o mais importante e curioso na matéria é o ver ministro Paulo Guedes dar declarações como se não tivesse nada a ver com o assunto, embora o problema tenha sido criado exatamente por ele. Parece Piada do Ano. (C.N.)

Para pedir a soltura de Lula, a defesa usa as mensagens entre Moro e Dallagnol

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Cristiano Zanin, advogado de Lula, está animado com o recurso

José Marques
Folha

A divulgação de trocas de mensagens entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, abriu um novo flanco para a defesa de Lula tentar reverter um histórico de derrotas em tentativas de anulação de processos contra o ex-presidente.

As conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil, no último domingo (9), fizeram a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) desengavetar um pedido dos advogados de Lula pela anulação do processo do tríplex em Guarujá (SP), que levou o petista à prisão.

IMPARCIALIDADE – A solicitação da defesa foi feita sob o argumento de suspeitas na isenção de Moro após ele ter se tornado ministro do governo Jair Bolsonaro. Em dezembro passado, o ministro Gilmar Mendes (STF) havia pedido vista da ação, mas recolocou em pauta na última semana. A análise do caso está marcada para dia 25.

Esse pedido no STF foi reforçado por petição apresentada na quinta-feira (13) pela defesa de Lula. Eles dizem que as conversas de Moro e Deltan revelam “completo rompimento da imparcialidade” do ex-juiz da Lava Jato.

O objetivo dos advogados do petista é conseguir a anulação da condenação do tríplex, sob o argumento de que Moro não foi imparcial na análise do caso, que aparece nas conversas que vieram à tona e no qual o petista é acusado de receber propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

SUSPEIÇÃO??? – Ele foi condenado por Moro no processo do tríplex pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A pena foi aumentada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e Lula foi preso e impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado. Esse ano, a acusação foi chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Até agora, nesse tipo de estratégia de apontar a suspeição de juízes, o grupo de advogados comandado por Cristiano Zanin Martins tem sofrido não só recusas em seus pedidos de suspeição de magistrados, como também broncas pela insistência em judicializar o tema.

Uma dessas críticas foi feita no último dia 4 pelo juiz João Pedro Gebran Neto, relator da operação Lava Jato no TRF-4, quando os advogados de Lula pediram que ele se declarasse suspeito para julgar o petista no processo do sítio de Atibaia (SP).

SÍTIO DE ATIBAIA – Na primeira instância, no caso do sítio, a juíza Gabriela Hardt condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, que ele nega e recorre.

“[Há uma] visão bastante peculiar, conveniente e criativa da defesa a respeito de questões de índole jurisdicional”, disse Gebran, ao negar o pedido de suspeição. “Há tentativa de transformar todos os magistrados que decidem contrariamente às postulações da defesa técnica em algozes e suspeitos.”

No processo do tríplex, a equipe de advogados também havia questionado a imparcialidade de Gebran em julgar processos da Lava Jato. Eles argumentavam que o juiz de segunda instância tinha amizade “estreita e íntima” com Moro, um “inimigo capital” de Lula. O pedido de suspeição foi analisado em um colegiado de seis magistrados e rejeitado por unanimidade.

OUTROS PEDIDOS – O próprio Moro foi alvo de diferentes pedidos de suspeição feitos pela defesa de Lula, inclusive pela divulgação de escutas telefônicas entre o ex-presidente e sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2016. A medida foi questionada legalmente porque Dilma, então presidente, tinha foro especial.

O questionamento da defesa foi julgado pelo TRF-4. À época, o juiz Rogério Favreto foi o único da corte a pedir a abertura de um processo disciplinar contra Moro, mas acabou derrotado.

Ano passado, Favreto motivou novos pedidos de suspeição contra Moro e Gebran ao conceder um habeas corpus a Lula durante o fim de semana em que era o plantonista do tribunal. Moro não obedeceu a determinação. Gebran e o presidente do TRF-4, Thompson Flores, intervieram para reverter a decisão de Favreto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No julgamento da Segunda Turma, dia 25, pode acontecer de tudo. Já foram dados dois votos (Edson Fachin, relator, e Cármen Lúcia, revisora) contra o recurso de Lula. Faltam os votos de Gilmar Mendes e Celso de Mello. O presidente da Turma, Ricardo Lewandowski é o último a votar. Façam suas apostas. (C.N.)

Joaquim Levy pediu demissão neste domingo, para não ser demitido na segunda-feira

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Levy foi demitido “pelos jornais” e teve de sair

Alexa Salomão, William Castanho e Bernardo Caram
Folha

O economista Joaquim Levy renunciou à presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16). A saída de Levy do banco de fomento é mais uma crise do governo Jair Bolsonaro.  “Solicitei ao ministro da Economia, Paulo Guedes, meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda”, disse Levy, citando mensagem enviada a Guedes.

O economista afirmou que agradece a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. “Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas.”

“POR AQUI…” – No sábado (15), o presidente disse estar “por aqui” com o economista. Ele afirmou que Levy estava “com a cabeça a prêmio” havia algum tempo. O estopim, segundo Bolsonaro, foi a indicação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele integrou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Levy chegou ao comando do banco a convite de Guedes. Assim como o ministro, ele fez doutorado na Universidade de Chicago —reduto do pensamento econômico liberal.

Ele trabalhou em dois governos petistas. Primeiro foi secretário do Tesouro Nacional de Lula. Depois, como ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT), no primeiro ano do segundo mandato, enfrentou obstáculos para ajustar as contas públicas e saiu do governo.

GUEDES NOMEOU – A resistência de Bolsonaro a Levy vem desde o governo de transição. Presidente eleito, em novembro de 2018, ele disse que, ao aceitar a indicação, precisava “acreditar em Guedes”.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que “houve reação” ao nome de Levy por ele ter “servido à Dilma e ao [ex-governador do Rio do Janeiro Sérgio] Cabral”. Ele foi secretário de Finanças.

Antes de assumir o cargo de presidente do BNDES, Levy foi diretor financeiro do Banco Mundial, em Washington. Também trabalhou como técnico do FMI (Fundo Monetário Internacional). No setor privado, o economista foi diretor do Bradesco.

DIRETOR SE DEMITE – O diretor Marcos Barbosa Pinto, neste sábado, enviou uma carta a Levy, à qual a Folha teve acesso, para renunciar ao cargo. Bolsonaro havia dito pouco antes que o presidente do BNDES tinha de demitir o advogado ou seria demitido até esta segunda-feira (17).

O advogado, que foi assessor e chefe de gabinete da presidência do BNDES em 2005 e 2006, afirmou ter “muito orgulho” da própria carreira.

Ele, informalmente, ajudou o governo petista na elaboração de projetos de PPPs (Parcerias Público-Privadas). Em entrevista à revista Capital Aberto, Barbosa Pinto disse que colaborou na criação do Prouni, programa que concede bolsas a alunos carentes, com então ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), em 2008.

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NOTA DA REDAÇÃO
Outro motivo para demitir Levy: o ministro Guedes esperava que o BNDES repasse ao governo R$ 126 bilhões neste ano, mas Levy não se comprometeu com a cifra. Os recursos são considerados indispensáveis para o ajuste fiscal do governo. Houve outros motivos, que depois a gente conta. (C.N.)

Diretor do BNDES renuncia após Bolsonaro dizer que Levy está com ‘cabeça a prêmio’

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Marcos Pinto havia trabalhado no BNDES no governo de Lula

Por G1 Brasília

O diretor de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Barbosa Pinto, enviou neste sábado (15) uma carta de renúncia ao presidente da instituição, Joaquim Levy. Na carta, Marcos Pinto afirmou que decidiu deixar o cargo em razão do “descontentamento manifestado” pelo presidente Jair Bolsonaro.

Neste sábado (15), o presidente deu rápida entrevista ao sair do Palácio da Alvorada e afirmou que Joaquim Levy estava com a “cabeça a prêmio” e que, se não demitisse o diretor, ele seria demitido.

A CARTA – “Escrevo para apresentar minha renúncia ao cargo de diretor do BNDES. É com pesar que entrego essa carta, logo após ter tomado posse, mas não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo presidente da República com minha nomeação”, escreveu Marcos Pinto, ao se demitir, acrescentando:

“Tenho muito orgulho da carreira que construí ao longo dos anos, seja na academia, no governo ou no mercado financeiro. Dada minha experiência, achei que poderia contribuir para implementar as reformas econômicas de que o país precisa”, acrescentou.

DIZ GUEDES – Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Bolsonaro ficou “angustiado” porque Levy optou por “nomes ligados ao PT” para cargos no banco.

De acordo com o jornal “Valor Econômico”, Marcos Pinto é mestre em direito pela Universidade de Yale (EUA) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP). Marcos Pinto foi também diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Marcos Pinto foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A demissão de Marcos Pinto foi apenas o motivo aparente, a chamada “gota d’água” da canção de Chico Buarque e Paulo Pontes. Na verdade, Bolsonaro tem muitos outros motivos, de maior gravidade, para colocar a cabeça de Joaquim Levy a prêmio. O assunto é importantíssimo, e vamos voltar a ele, com informações absolutamente exclusivas sobre a inesperada e surpreendente demissão do presidente do BNDES. (C.N.)

Parte da mídia apoia o esquema para desmoralizar Moro e destruir a Lava Jato

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Charge da Myrria (A Críitica)

Carlos Newton

Em todo o material já divulgado pelo site “The Intercept”, até agora não surgiu nenhuma prova de que o então juiz Sérgio Moro “chefiava” a investigação da Lava Jato, realidade que desmente o que alega no Supremo o intrometido ministro Gilmar Mendes, que é ardoroso amigo e defensor de corruptos notórios, como Michel Temer, Aécio Neves e Lula da Silva. Na verdade, não há qualquer indicação de que houve fraudes ou manipulação de provas, prejuízo às partes ou perseguição política a Lula, conforme alega a defesa do ex-presidente petista, que até à ONU já recorreu.

Nas mensagens do ‘The Intercept”, fica comprovado é que o juiz não se comunicava frequentemente com os procuradores, ao contrário do que é praxe na chamada “fase de instrução”, especialmente em um inquérito de tamanha importância, que  comprovou crimes cometidos pelo político mais importante do país.  O que se constata, sem dúvida alguma, é que Moro fazia raríssimos contatos com o Ministério Público.

ABSOLUTAMENTE NADA – Os diligentes jornalistas do “The Intercept” vasculharam dois anos de gravações de celulares e no entanto somente conseguiram encontrar meia de dúzia de diálogos em que aparece o então juiz Moro, nos quais ele não diz nada, absolutamente nada que indique conluio, fabricação de provas ou perseguição política a Lula.

Até agora, os diálogos exibidos provam justamente o contrário, porque demonstram que Moro nem tinha influência no grupo de procuradores. No caso das mensagens trocadas na fase de instrução, por exemplo, o juiz sugeriu uma nota oficial contra mentiras e manipulações da defesa de Lula, mas os procuradores não aceitaram. Além disso, havia muita discordância entre Moro e a força-tarefa, tanto assim que nos seus julgamentos o juiz inocentou 54 réus denunciados pelo Ministério Público.

DIFICULDADES – Em duas ocasiões, segundo as mensagens divulgadas pelo The Intercept, Moro expressou a Dallagnol preocupação com as dificuldades que o Judiciário teria para investigar e julgar tantos casos, o que se confirmou mais tarde com a lentidão do andamento dos processos no STF.

“Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina […] segundo gravidade e qualidade da prova”, opinou o juiz em junho, diz The Intercept. “(Há) muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e Judiciário”, observou em dezembro de 2016.

Moro tinha razão, porque a grande maioria dos políticos e boa parte da mídia apoiavam Lula e eram contra a Lava Jato. Moro e a força-tarefa lutaram o bom combate, enfrentando boicote dos governos Dilma e Temer, que reduziram as verbas da Polícia Federal. Mesmo assim, a Lava Jato foi em frente.

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P.S. 1 Boa parte da mídia agora dá força às denúncias manipuladas do Intercept. A última falsa acusação foi de que o procurador Dallagnol repassou a Moro  informações sigilosas fornecidas pelos delatores da Odebrecht. Ora, na fase de instrução (investigação), o Ministério Público é obrigado a encaminhar as informações ao juiz, para que decida sobre quebras de sigilo, operações, prisões preventivas e provisórias, buscas e apreensões.

P.S. 2É assim que funciona no Brasil a “instrução” do inquérito. Não se pode culpar Moro e Dallagnol por trabalharem juntos para desbaratar a maior quadrilha do mundo, especializada em corrupção e lavagem de dinheiro. Temos é que agradecer a eles. (C.N.)

“De Onde Vens”, uma inesquecível canção de amor de Dori Caymmi e Nelson Motta

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Dori Caymmi e Nelso Motta têm parcerias geniais

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, escritor, roteirista, produtor musical, compositor e letrista paulista Nelson Cândido Motta Filho, em “De Onde Vens”, parceira com Dori Caymmi, fala sobre o validade benéfica que a dor do amor possibilita. A música faz parte do LP “Dori Caymmi” lançado, em 1972, pela Odeon.
 
DE ONDE VENS
Dori Caymmi e Nelson Motta
Ah, quanta dor vejo em teus olhos
tanto pranto em teu sorriso
tão vazias as tuas mãos
de onde vens assim cansada
de que dor, de qual distância
de que terras, de que mar.

Só quem partiu pode voltar
e eu voltei prá te contar
dos caminhos onde andei
fiz do riso amargo pranto
no olhar sempre teus olhos
no peito aberto uma canção.

Se eu pudesse de repente
te mostrar meu coração
saberias num momento
quanta dor há dentro dele
dor de amor quando não passa
é porque o amor valeu

As perguntas que estão sem respostas sobre o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Caio Sartori, Fabio Leite, Marcelo Godoy e Matheus Lara
Estadão

O cientista político Carlos Melo, do Insper, afirma que eleitores de Jair Bolsonaro se ressentem de explicação sobre as movimentações atípicas de ex-assessor do filho Flávio Bolsonaro, ao tempo em que era deputado estadual na Assembleia do Rio, antes de ser eleito senador em 2018, pelo PSL.

“Enquanto as respostas não vêm a público de maneira satisfatória, o caso Queiroz representa uma mácula na imagem de Jair Bolsonaro e para o contexto que o ascendeu à Presidência”, assinala Melo.

SEM EXPLICAÇÃO – “Isso desgasta. Os eleitores de Bolsonaro no segundo turno se ressentem de uma boa explicação”, afirma o cientista político do Insper, acrescentando: “Bolsonaro falava contra o PT e o PSDB quando essas questões apareciam. Agora é a vez demonstrar que aquele discurso é crível e sério. São seis meses, poucas respostas”:

Nesta reportagem, vamos lembrar os importantes fatos deste caso e as principais perguntas ainda sem respostas consistentes, a principal delas é “Cadê o Queiroz?”.

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz já esteve na mídia, já apareceu dançando feliz em um quarto de hospital, já falou com a Justiça por carta, e depois sumiu.

TRATAMENTO? – O advogado Paulo Klein afirma que Fabrício Queiroz está em São Paulo com a família fazendo tratamento de recuperação em decorrência da cirurgia para retirada de um tumor maligno no intestino, realizada no dia 1º de janeiro deste ano no Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Segundo registro da unidade, ele deu entrada no dia 30 de dezembro de 2018 e teve alta no dia 8 de janeiro. A reportagem pediu uma entrevista com Queiroz, mas Klein disse que ele ainda está em recuperação e que assim que tiver condições vai falar antes com o Ministério Público do Rio.

POR QUE SÓ UM ASSESSOR ATÉ HOJE FOI OUVIDO? – Além de Queiroz, outros nove ex-assessores de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativo do Rio foram chamados para prestar depoimento no Ministério Público fluminense, entre eles as filhas e a mulher do pivô da crise envolvendo a família Bolsonaro. Todos aparecem no relatório do Coaf depositando dinheiro na conta de Queiroz. Porém, apenas o policial militar Agostinho Moraes da Silva compareceu, no dia 11 de janeiro.

Aos promotores, ele afirmou que dava cerca de dois terços do salário para Queiroz investir em compra e venda de veículos e que Queiroz devolvia um valor, em média, 12% maior, referente ao lucro da transação. Em seu depoimento, Agostinho Silva não menciona a devolução de parte do salário para pagamento de assessores externos, versão apresentada por Queiroz aos promotores no dia 28 de fevereiro.

Os demais assessores ignoraram as intimações do Ministério Público do Rio.

O QUE QUEIROZ PRECISA ESCLARECER? – Os promotores afirmam que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro admitiu que recolhia parte do salário dos demais funcionários do gabinete na Assembleia Legislativa do Rio na manifestação encaminhada por escrito, mas não apresentou a relação dos tais assessores informais que teriam sido contratados por fora, sem vínculo com a Alerj, para ajudar a alavancar o desempenho eleitoral do ex-deputado e atual senador.

Queiroz também não apresentou documentos que comprovem as transações de compra e venda de veículos e outros produtos que ele também diz ter feito com o dinheiro arrecadado de outros assessores.

E AS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS ATÍPICAS? – Para os promotores, até agora Queiroz não conseguiu esclarecer as movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão detectadas pelo Coaf entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017 na conta bancária dele e existem indícios robustos de que o ex-assessor tenha participado de uma organização criminosa montada no gabinete de Flávio na Alerj para desviar recursos públicos por meio da prática conhecida como “rachadinha”, que consiste na devolução de parte do salário de um assessor ao parlamentar.

Segundo o MP do Rio, Queiroz fez saques em dinheiro no valor de R$ 661 mil em apenas 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018

O QUE FLÁVIO BOLSONARO TEM DE ESCLARECER? – Os promotores querem que o ex-deputado e atual senador explique as nomeações de funcionários suspeitos de serem fantasmas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, como policiais militares e parentes de Queiroz, os 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil feitos no período de um mês em sua conta bancária, totalizando R$ 96 mil, e as transações imobiliárias com alto valor de lucro declarado em certidões de imóveis, como a compra de um apartamento em Copacabana por R$ 140 mil em novembro de 2012 e a venda da unidade por R$ 550 mil em fevereiro de 2014 – lucro de 292% ante uma valorização imobiliária média de 11% na mesma região.

Os investigadores sustentam que não tinha como Flávio Bolsonaro não saber da captação de recursos feita por Queiroz dentro de seu gabinete e apontam o ex-deputado como líder da suposta organização criminosa.

QUEM ESCOLHIA OS SERVIDORES DO GABINETE DE FLÁVIO? – Tanto Flávio Bolsonaro quanto Fabrício Queiroz afirmam que o ex-assessor tinha autonomia para nomear os assessores do gabinete do ex-deputado na Alerj, incluindo sua mulher, duas filhas, uma enteada e até o marido da ex-mulher.

Mas oito servidores empregados no gabinete de Flávio que também tiveram seus sigilos bancário e fiscal levantados pela Justiça do Rio também foram lotados no gabinete de Jair Bolsonaro quando ele era deputado federal e outros dois no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) na Câmara Municipal do Rio.

Para os promotores, as nomeações de servidores considerados fantasmas, porque não davam expediente no gabinete ou tinham outras ocupações simultâneas, eram feitas com o conhecimento de Flávio com o objetivo de desviar o salário dos servidores.

POR QUE BOLSONARO EMPRESTARIA DINHEIRO A QUEIROZ? – Se ele movimentava tanto dinheiro, por que o então deputado lhe emprestou dinheiro? Uma das movimentações na conta de Queiroz citadas como atípicas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Após a revelação do fato pelo Estadão, em dezembro, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou dizendo que a transação se referia ao pagamento de uma parte de um empréstimo de R$ 40 mil que ele próprio havia feito a Queiroz.

Na única vez em que falou sobre o assunto, em entrevista ao SBT, o ex-assessor confirmou a versão de Bolsonaro, de quem era amigo, e disse ter quitado o empréstimo em dez parcelas de R$ 4 mil. E o relatório do Coaf mostrou que Queiroz movimentou no período de um ano, R$ 1,2 milhão em sua conta, entre créditos e débitos. Não precisaria pedir R$ 24 mil a ninguém.

Clima de suspense, com Sérgio Moro, o homem que sabia demais sobre a corrupção

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Sérgio Moro tornou-se uma espécie de personagem de Hitchcock

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Fausto Macedo e Ricardo Brandt, manchete principal da edição de quarta-feira de O Estado de São Paulo, o Ministro Sérgio Moro desafiou frontalmente os que pesquisaram suas conversas pelo celular e publicaram os diálogos com o procurador Deltan Dallagnol. O desafio que Moro dirigiu foi para que os autores publiquem logo todo o material constante das gravações, não deixando nada de fora. A entrevista ocupou duas páginas do jornal.

Moro afirmou que a equipe que invadiu o espaço dos celulares terá que apresentar o conteúdo divulgado à Polícia Federal. Um dos aspectos do desafio, na minha impressão, é aquele que todo o material gravado possui espaço muito além do que tornaram públicos. As quais, certamente trazem à tona episódios submersos aos que todo o país já conhece.

CLIMA DE SUSPENSE – Na verdade, Sérgio Moro situa-se como personagem de Hitchcock, pois é o homem que sabia demais. Mas certamente o teor completo dos diálogos deixará ainda em pior situação alguns envolvidos nas sombras do anonimato. Tornar-se-á ainda pior o peso da lei sobre os que realizaram e pagaram pelo trabalho feito.

As verdadeiras faces, hoje ocultas, serão publicadas amanhã. Uma delas já se sabe qual é: a vinculação com o ex-presidente Lula, uma vez que em seguidas às publicações iniciou-se um movimento para tornar nula a sentença de Curitiba.

Entretanto, o Ministro Edson Fachin, relator do Supremo, declarou que a Lava Jato já constitui um fato, não dando margem a qualquer mudança de rumo ou retrocesso.

RAPINA NA PETROBRAS – A tormenta que atingiu a Petrobrás constitui uma prova absoluta. O gerente Pedro Barusco devolveu 95 milhões de dólares que estavam depositados do exterior. As diretorias da estatal foram divididas em várias partes, cada uma delas liderada pelas direções de diversos partidos. Além disso, existem as delações de empresários. E como se não bastasse, lembremos que Marcelo Odebrecht passou dois anos na prisão.  No plano internacional, houve financiamentos do BNDES a juros negativos para obras em Cuba, Angola e outros países.

O mais importante agora é que os que mergulharam no universo da Internet, o que possibilitou as gravações, aceitem o desafio. Vale acentuar que a Polícia Federal é vinculada ao Ministério da Justiça.

INCOMPETÊNCIA – Mudando de assunto, Paulo Guedes revela ser incompetente absoluto no campo político. O ministro mostra não possuir a menor habilidade. Rejeitada a figura da capitalização, e também a isenção de empresas para o INSS, partiu para um ataque frontal contra a Câmara dos Deputados e especialmente contra Rodrigo Maia. Este, por sua vez, rebateu ressaltando que o governo transformou-se em uma usina de crises.

Mas no reflexo que a derrubada do projeto de reforma causou junto à opinião pública e ao eleitorado brasileiro, Rodrigo Maia ficou bem na fotografia, ao rechaçar os ataques de Paulo Guedes. Diante do ataque e do contra-ataque, o Congresso não poderá fazer uma ressurreição quando a matéria estiver no Plenário, primeiro da própria Câmara, e, segundo, no Senado Federal.

Pensando bem, Paulo Guedes só tem criado problemas, um atrás do outro, para o governo Bolsonaro.

Em uma semana, Bolsonaro demitiu três generais e anunciou mais dois civis

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“Joaquim Levy está com a cabeça a prêmio”, revelou Bolsonaro

Renata Agostini
Estadão

Em apenas uma semana, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a demissão de três generais e dois civis que integravam o primeiro e o segundo escalão do seu governo. Após serem afastados Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo e Franklimberg Freitas, da presidência da Funai, ele decidiu exonerar do comando dos Correios o general Juarez de Paula Cunha, assim como o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Marcos Barbosa Pinto, e afirmou que o presidente do BNDES, Joaquim Levy, também está com a cabeça a prêmio.

Segundo o presidente, Cunha “foi ao Congresso e agiu como sindicalista” ao criticar a privatização da estatal e tirar fotos com parlamentares da oposição. “Aí complica”, disse Bolsonaro em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto. O Estadão participou da entrevista.

DESDE TEMER – O general assumiu a presidência dos Correios ainda no governo de Michel Temer. Ele chegou ao posto por indicação de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.  Bolsonaro decidiu mantê-lo no cargo, mas Cunha era, na verdade, mais ligado ao vice-presidente, o general Hamilton Mourão.

O chefe dos Correios foi à Câmara na semana passada para uma audiência na Comissão de Participação Legislativa e adotou um discurso contrário à ideia do governo Bolsonaro de privatizar a estatal. Em sua fala, disse que se trata de uma empresa “estratégica” e “autossustentável” e que os economistas não têm condições de calcular o “custo social” dos serviços por ela prestados.

“Eu não queria falar de privatização, até porque não é problema meu, mas tenho de dizer: se privatizarem uma parte dos Correios, que acredito que será do lado bom (que dá lucro), o que tirar daqui vai faltar lá (nos demais municípios), vai faltar do outro lado”, disse Cunha durante a audiência.

PELAS REDES SOCIAIS – Parte do recado foi publicada pela conta oficial dos Correios no Twitter e compartilhada pelo ministro. Dois dias depois, o próprio presidente foi à rede social defender a venda da estatal.

“Serviços melhores e mais baratos só podem existir com menos Estado e mais concorrência, via iniciativa privada. Entre as estatais, a privatização dos Correios ganha força em nosso governo”, publicou.

Segundo um integrante do governo, já havia descontentamento com a postura de Cunha. Causava desconforto, por exemplo, o fato de o presidente dos Correios evitar se reportar ao seu chefe, o ministro de Ciência e Tecnologia. Isso acontecia, segundo essa fonte, porque Cunha é general do Exército, enquanto o astronauta Marcos Pontes, que comanda a pasta, é tenente-coronel da Aeronáutica – que seria o equivalente a uma patente inferior a sua.

FOI SURPRESA – Cunha não esperava a demissão, que foi anunciada pelo presidente já no final do encontro com os jornalistas quando as perguntas já haviam sido encerradas. O presidente havia tirado uma foto e decidiu conversar mais um pouco. Sem ser questionado diretamente sobre o assunto, falou da decisão.

Cunha tinha, por exemplo, uma audiência marcada para a semana que vem no Senado para debater justamente a privatização dos Correios.

Não está definido ainda quem será o próximo chefe da estatal. Bolsonaro disse que chegou a oferecer o posto ao general Santos Cruz, mas que ainda não há definição.

EXCEPCIONAL – Segundo o presidente, o general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo é “excepcional” e, por isso, gostaria que ele permanecesse no governo em outro posto.

Ele disse ainda que a saída de Santos Cruz, a quem conhece desde a década de 1980 e se refere como amigo, foi uma “separação amigável”. “Não adianta querer esconder, problemas acontecem. Mas ele continua no meu coração”, afirmou.

O general foi avisado de sua demissão na quinta-feira em conversa com Bolsonaro no Planalto. Apesar de ter sido substituído por outro militar, o general Luiz Eduardo Ramos, seu afastamento foi resultado de pressão da chamada ala ideológica do governo. O grupo já havia conseguido demitir um civil, Gustavo Bebianno, que foi o primeiro ministro a cair. Bolsonaro destacou a experiência de Ramos como assessor parlamentar e disse que, por isso, ele vai “ajudar muito” na articulação política.

E OS ALIADOS? – No encontro com jornalistas, o presidente foi questionado sobre a razão de aliados que o acompanharam na campanha estarem fora do governo. Foram citados os nomes do ex-senador Magno Malta, que não chegou a ser nomeado para cargos, de Bebianno e de Leticia Catelani, que ocupava cargo na Apex, agência de promoção das exportações do País e foi demitida.

O presidente disse que a todos foram dadas oportunidades. Segundo ele, sua admiração por Malta continua. Mas Bebianno é “página virada” e Letícia tinha “autoridade exagerada”. “Cada um no seu quadrado”, disse o presidente. “Não posso sacrificar o governo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em matéria de demissões, Bolsonaro é um craque. Os jornalistas nem precisam perguntar que ele vai logo anunciando. Falta demitir o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, envolvido até o pescoço nas candidaturas laranjas do PSL de Minas Gerais. O presidente diz  preferir que os ministros caiam espontaneamente, mas o cultivador de laranjas eleitorais está difícil de ser defenestrado. (C.N.)

“Vamos seguir fazendo o que o governo não faz”, diz o presidente da Comissão

Deputado Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da comissão especial da Previdência — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Marcelo Ramos não aceita as críticas de Guedes e elogia o parecer

Por G1 — Brasília

O presidente da comissão especial da Câmara que discute a reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM), divulgou uma nota na qual afirmou que os parlamentares continuarão “fazendo o que o governo não faz”. E acrescentou que a reforma precisa estar “blindada” da mais nova “crise” criada pelo Poder Executivo.

Mais cedo, na sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que os deputados da comissão podem “abortar a nova Previdência” se aprovarem o relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que retirou trechos propostos pelo governo.

BOM MOMENTO – “Não nos deixaremos contaminar pela fala do ministro Paulo Guedes num momento bom da reforma da Previdência. Sob liderança do nosso presidente Rodrigo Maia, seguiremos blindando a reforma de mais essa crise gerada pelo governo. […] Vamos seguir fazendo o que o governo não faz. Seguiremos dando centralidade a pauta econômica e blindando a reforma da Previdência”, afirmou Marcelo Ramos na nota.

Na opinião do presidente da comissão especial, quem tem de gostar da reforma são os investidores “ávidos por estabilidade fiscal”, os empresários “preocupados com seus negócios”, os trabalhadores “preocupados com seus empregos” e os desempregados “na esperança de dias melhores”.

REPERCUSSÃO – Também nesta sexta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que trabalha para a Casa aprovar a reforma ainda no primeiro semestre. Acrescentou que o governo de Jair Bolsonaro se transformou em uma “usina de crises permanente”.

“A vida inteira o ministro da Economia sempre foi o bombeiro das crises. Agora o bombeiro vai ser a Câmara. Nós não vamos dar bola para o ministro Paulo Guedes com as agressões que ele fez agora ao Parlamento”, acrescentou Rodrigo Maia.

Além disso, o relator Samuel Moreira publicou a seguinte mensagem em uma rede social: “Meu papel como relator é construir consensos, e não alimentar intrigas. Tenho responsabilidade com o Brasil e compromisso com a reforma da Previdência”.

“Por enquanto, é só espuma…”, diz Janaina sobre as revelações do The Intercept

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As mensagens secretas da Lava Jato ainda continuam secretas

Janaina Paschoal

Vocês me conhecem, sabem que eu não sou do tipo que se apega a teses formalistas, gosto de olhar (bem de perto) o mérito das várias situações. Justamente por isso pergunto: Onde estão as tantas mensagens anunciadas pelo site Intercept? Notem bem o nome do site!!!

Sim, quando o dramalhão começou, as manchetes diziam que o site Intercept iria publicar altas revelações a cada hora. Segundo anunciado, o enorme volume de material estava sendo analisado para tanto… OK, cadê?

INDAGAÇÕES – Jornalistas me ligaram e enviaram mensagens, indagando o que eu estava achando de tudo isso. Eu só respondi que estava aguardando o material bombástico, para poder me manifestar. E sigo aguardando!

Hilário ler que o Conselho Nacional do Ministério Público está discutindo em grupo de whatsapp o que fazer com os Procuradores que se falaram em grupo de whatsapp. Será que ninguém percebe o pitoresco da situação? Pena eu não ser uma escritora, se fosse, não faltaria material.

Em um país em que parentes de Ministros advogam nos Tribunais Superiores; em que a nata da advocacia criminal faz jantar homenagem ao Presidente da Corte que julgará suas causas; em que o magistrado da causa oferece jantar de aniversário para a parte; em que um ex-Ministro de Estado se refere a um Ministro do STF como “nosso advogado” e ninguém se considera suspeito, DATA VENIA, parece piada querer fazer um carnaval por causa de três frases em um grupo de whatsapp. Faz-me rir!

LIBERDADE DE EXPRESSÃO – Vejam, não estou pedindo para impedirem a divulgação do tal material. Sou uma defensora radical da liberdade de manifestação, expressão e do trânsito livre de informação. Só estou dizendo que o site dos psolistas não tem nada. Se tivesse, já teria publicado.

Se algo significativo for publicado, eu volto a avaliar e não tenho medo nenhum de mudar de opinião. Por enquanto, é só espuma! E digo mais, não acredito que esse carnaval tenha o objetivo de livrar Lula (muito embora possam querer usar para tanto).

Na melhor das hipóteses, querem prejudicar a reforma da previdência, que só ajudará o país e as camadas mais desfavorecidas da população.  Mas PT e PSOL não se preocupam com o povo, preocupam-se com os sindicatos, com as Associações, com aqueles que têm representação e força.

Bora parar de firula e mostrar logo o que tem aí. O país precisa caminhar, não temos tempo para ficar esperando o show dos psolistas, que não deixam de ser petistas arrependidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O advogado João Amaury Belem nos manda essa excelente colocação de Janaina Paschoal, que é professora de Direito Penal e deputada estadual pelo PSL de São Paulo. Até agora, realmente, só espuma. (C.N.)

Bolsonaro anuncia que Joaquim Levy, presidente do BNDES, também será demitido

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Sem que ninguém perguntasse, Bolsonaro fez duras críticas a Levy

Laís Lis
G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (dia 15) que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, está com a “cabeça a prêmio”. Bolsonaro deu a declaração no momento em que deixava o Palácio da Alvorada, em Brasília, e se dirigia à Base Aérea para viajar para o Rio Grande do Sul. O presidente desceu do carro, conversou com algumas pessoas e concedeu entrevista a jornalistas.

Na entrevista, Bolsonaro, sem ser questionado, disse que mandou Joaquim Levy demitir o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Marcos Barbosa Pinto. Acrescentou que, se Barbosa Pinto não for demitido, ele, Bolsonaro, demitirá Levy.

GENTE SUSPEITA – “Eu já estou por aqui com o Levy. Falei para ele: ‘Demita esse cara na segunda-feira ou demito você sem passar pelo Paulo Guedes'”, disse Bolsonaro.

Em seguida, o presidente disse que “governo é assim”. Acrescentou, sem dar informações, que “gente suspeita” não pode ocupar “cargos importantes”.

Na opinião de Bolsonaro, Joaquim Levy e o diretor Marcos Barbosa Pinto não têm sido “leais” a ele. “Essa pessoa, como o Levy, já vem há um tempo não sendo leal àquilo que foi combinado e àquilo que ele conhece a meu respeito. Ele está com a cabeça a prêmio já tem algum tempo”, acrescentou.

GUEDES INDICOU -Ainda no ano passado, quando Levy foi escolhido para o cargo, Bolsonaro disse que quem havia “bancado” a indicação dele era Paulo Guedes, atual ministro da Economia.

Levy comandou o Ministério da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff e deixou o cargo após 11 meses.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Joaquim Levy tinha sido também secretário do Tesouro do governo Lula e depois secretário da Fazenda do governador Sérgio Cabral no Estado do Rio de Janeiro, e acompanhou o chefe na famosa viagem a Paris, nos festejos da Turma do Guardanapo. Antes de ser ministro da Dilma, era diretor do Bradesco.

Bolsonaro está certo em demiti-lo. Levy não tem ideia da importância do BNDES para a industrialização e o desenvolvimento do país. Até recentemente era o maior banco de fomento do mundo. Os chineses vieram ao Brasil para estudar seu funcionamento e criaram um semelhante, que hoje é o maior do mundo.

Depois de assumir o BNDES, uma das propostas de Levy foi a de acabar com a Taxa de Juros de Longo Prazo, demonstração de que não conhece o banco e não pretende ajudar o desenvolvimento do país. Quando Guedes indicou Levy e o presidente Bolsonaro aceitou, cantamos a pedra aqui, advertindo que ele estava cometendo um grave erro. Foi o BNDES, dirigido por Carlos Lessa e Darc Costa, que incentivou áreas estratégicas da economia e possibilitou o êxito da gestão de Lula. (C.N.)