Negociação fracassada está deixando sequelas na campanha de Ciro Gomes

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Explosões verbais prejudicam a campanha de Ciro

Bruno Boghossian
Folha

A turbulenta etapa de negociações partidárias para a eleição deixará sequelas na campanha de Ciro Gomes (PDT). O contorcionismo do presidenciável para se adequar à pauta do centrão fracassou, enquanto suas contradições e explosões verbais foram amplificadas.

Ciro foi colocado sob uma lente de aumento quando aceitou discutir uma aliança com siglas que carregam agendas bem diferentes da sua. Sentado à mesa com DEM e PP, o candidato deu sinais de que estaria disposto a flexibilizar suas posições para absorver uma plataforma mais amigável ao mercado.

TUDO CONFUSOO movimento confundiu setores à esquerda que enxergavam em seu nome uma alternativa ao ausente ex-presidente Lula. Para agradar à direita, por exemplo, Ciro precisou dizer que sua proposta de revogar a reforma trabalhista era só um jeito de falar, e que tudo seria discutido em harmonia com os partidos do centrão que ele adorava fustigar.

No período de namoro com DEM, PP e companhia, cada passo dado fora da cartilha do liberalismo fazia mais barulho do que o normal. A carta que enviou para sugerir a paralisação das negociações entre a Embraer e a Boeing provocou um estrondo no grupo de partidos que é abertamente pró-privatizações.

No fim das contas, o pedetista perdeu também a direita. Recebeu um veto de economistas de viés liberal, reforçou as antipatias do mercado a sua candidatura e terminou sem o apoio do bloco que daria musculatura política a sua campanha.

VOLTA À ESQUERDAO deslocamento errático pode ter queimado terrenos que Ciro pretendia percorrer no eleitorado de centro. Ele terá poucas alternativas a não ser recuar à esquerda, ainda que precise enfrentar o congestionamento que será causado pelo futuro apoio de Lula a um candidato do PT.

Bem encaminhada, uma aliança com o PSB daria a Ciro a “hegemonia moral e intelectual” que desejava conferir a sua chapa. Será difícil, porém, fingir que não esteve prestes a assinar uma carta de boas intenções com o DEM e o Centrão.

Lojas Americanas é condenada a indenizar consumidora por danos morais

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Segurança da loja em Brasília agiu de forma truculenta

José Carlos Werneck

A rede Lojas Americanas foi condenada a pagar indenização de 3.000 reais por obrigar uma cliente a limpar o xixi de uma criança do chão de sua loja do bairro de Santa Maria, no Distrito Federal.  A sentença foi divulgada pela Justiça do Distrito Federal.

De acordo com a decisão, ainda em primeira instância, a criança de cinco anos de idade não conseguiu controlar o xixi e molhou o chão da loja. Sua avó chegou a pedir um pano para um dos funcionários, mas foi avisada de que não precisaria se preocupar.

“SEGURANÇA” – Após pagar suas compras, ela foi abordada pelo segurança do estabelecimento, que exigiu que o chão fosse limpo. Ele entregou um rodo e um pano para outra senhora, que acompanhava a criança e avó. A avó tentou filmar o que estava ocorrendo e levou um tapa no braço, desfechado pelo segurança.

Ela ingressou na Justiça pedindo indenização de 7.000 reais por danos morais. A juíza responsável pela ação entendeu que “o funcionário apresentou um comportamento agressivo e desarrazoado, levando em conta que o infortúnio se deu por ação involuntária de uma criança de cinco anos, ainda sem condições fisiológicas de conter suas necessidades”. Ainda cabe recurso da decisão.

Estevão e Geddel transferidos para ala de segurança máxima da Papuda

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Luiz Estevão é considerado o “dono” da Papuda

Mateus Coutinho e Daniel Gullino
O Globo

A juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penas do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), determinou nesta quinta-feira a transferência do ex-ministro Geddel Vieira Lima, do ex-senador Luiz Estevão e do ex-deputado Márcio Junqueira para o Pavilhão de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. De acordo com a magistrada, a medida foi tomada para “resguardar suas respectivas integridades físicas e também primar pela manutenção da segurança e da estabilidade carcerárias”.

A decisão cita a suspeita de que Luiz Estevão atua como “dono” da Papuda, levantada na Operação Bastilha, que investigou supostas regalias ao ex-senador e a Geddel. Segundo a juíza, a suspeita é exagerada, mas isso não quer dizer que Luiz Estevão não tenha benefícios na cadeia.

LIDERANÇA – “Se por um lado não se pode afirmar que Luiz Estevão seja ‘o dono da cadeia’, porque não há prova do descontrole total do Estado ou vácuo de poder, por outro, há indícios de que ele vem exercendo liderança negativa no ambiente em que atualmente está recolhido, pois, através de alguma das hipóteses acima elencadas (ou eventualmente de qualquer outra sequer imaginada) ele já foi flagrado, pelo menos duas vezes, na posse de objetos proibidos, tudo estando a indicar que, se não for imediatamente realocado em outro local, além de dificultar a efetiva apuração dos fatos, pode vir a conseguir novamente outros privilégios”, escreveu.

Após a operação, o governo do Distrito Federal afastou, preventivamente, o diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP), José Mundim Júnior, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, Osmar Mendonça de Souza.

TIPO ESCOBAR – Estevão já se envolveu em outros polêmicas na prisão. Em 2016, ele foi denunciado pelo Ministério Público por ter financiado a reforma do local onde estava preso. O prédio abriga a chamada ala de vulneráveis, destinada a ex-policiais, presos federais e outros detentos que correm riscos se colocados em meio à massa carcerária. Nas celas, havia itens considerados luxuosos para cadeias, tais como sanitário e pia de louça, chuveiro e cerâmica no chão, segundo a denúncia.

Os promotores afirmam que o caso lembrava “um marco histórico da criminalidade, quando Pablo Escobar construiu La Catedral, sua própria prisão na Colômbia”. Também foram denunciados gestores do sistema prisional que teriam agido em conluio com Estevão entre 2013 e 2014, quando as obras começaram.

ISOLAMENTO – No início de 2017, o ex-senador foi colocado em isolamento, por dez dias, por falta disciplinar. Foram encontrados cafeteira, cápsulas de café, chocolate e macarrão importado, entre outros itens proibidos no presídio, na sua cela e na cantina.

Em junho deste ano, Geddel também foi colado no isolamento, após ter se desentendido com um agente penitenciário. Estevão foi condenado em 2006 por desvio de recursos públicos destinados à construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

51 MILHÕES – Geddel Vieira Lima é réu, no STF, por lavagem de dinheiro e associação criminosa, no caso dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador que seria utilizado pelo ex-ministro. Márcio Junqueira foi preso em abril, suspeito de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato.

Advogado de Luiz Estevão, Marcelo Bessa, disse que a transferência é “absurda” e as condições da cela, degradantes. Segunda a defesa de Geddel, a decisão é contraditória com resultado semelhante ao regime disciplinar diferenciado em desacordo com a lei. Para os advogados de Junqueira, a transferência busca fragilizá-lo em busca de delação.

Corregedor de Justiça intima Favreto, Gebran e Moro sobre o habeas de Lula

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Tavreto, Gebran e Moro têm 15 dias para responder

Adriana Mendes
O Globo

O ministro João Otávio de Noronha, da Corregedoria Nacional de Justiça, órgão ligado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), intimou os desembargadores Rogério Favreto e João Pedro Gebran Neto, ambos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), e o juiz Sergio Moro a prestarem informações sobre a batalha jurídica em torno da liberdade do ex-presidente Lula.

Eles têm 15 dias corridos, contados a partir de 1º de agosto (por causa das férias do Judiciário), a enviarem as informações por escrito.

VAIVÉMNo início do mês, Favreto, desembargador plantonista do TRF-4, determinou a soltura de Lula. O juiz Sergio Moro, responsável pela primeira condenação do ex-presidente, foi contra e consultou o relator do caso no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, que, pouco depois, determinou a continuidade da prisão. Mas Favreto deu nova decisão pela liberdade. Em seguida, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, determinou que valeria a decisão de Gebran, e não a de Favreto.

O CNJ recebeu 12 representações contra Favreto e quatro contra Moro. Em uma dessas contra o juiz da Lava-Jato, também aparece o nome de Gebran. Os pedidos visam apuração sobre possível infração disciplinar no episódio. As representações foram sobrestadas e apensadas ao pedido de providências aberto pelo corregedor. O procedimento está em segredo de Justiça.

SEM PRAZOApós receber as manifestações dos magistrados, se achar necessário o corregedor pode pedir mais informações até que esclareçam todos os fatos. Não há um prazo determinado para análise.

Essa é uma fase preliminar e os processos serão analisados de maneira conjunta. Se o corregedor achar que houve falta disciplinar pode pedir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que depende de decisão do plenário do CNJ.

Se vingar, acordo com Alckmin pode dar ao Centrão um poder de tutela inédito

ACM Neto e Ciro Nogueiro, após a reunião do bloco

Daniela Lima
Folha/Painel

Se confirmado, o acordo do bloco capitaneado por DEM e PP com Geraldo Alckmin (PSDB) abre brecha para o Centrão exercer um poder de tutela inédito na história recente sobre um mandatário do país. A manutenção do comando da Câmara nas mãos desse grupo está afiançada desde o início das negociações. Mas, no desenho atual, o consórcio indicaria também o vice do tucano e teria número suficiente para eleger o novo presidente do Senado. Aposta-se que caberá ao PP apontar o nome.

Por todos os lados A união dos partidos que compõem o Centrão foi forjada em cima da tese da repartição do poder. Somados, eles praticamente garantem a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e, a números de hoje, chegam a 32 senadores. “Ninguém terá isso”, reconheceu um tucano.

ANTIGAMENTE – PT e MDB se alternaram no comando das duas casas Legislativas de 2003 a 2016. Na Câmara, só houve duas exceções: Aldo Rebelo, à época no PCdoB, chefiou a Casa de 2005 a 2007. Foi sucedido por Severino Cavalcanti (PE) que, no PP, segurou-se pouquíssimo tempo no cargo.

O MDB controla o Senado desde 2001. Só houve um intervalo, em 2007, quando Tião Viana (PT-AC) assumiu a Casa após renúncia de Renan Calheiros (MDB-AL).

PADRINHO MÁGICO – O aceno de Valdemar Costa Neto, o comandante do PR, a Alckmin foi fundamental para mudar o rumo do centrão. Como mostrou o Painel nesta quinta (19), ele mudou a correlação de forças no grupo ao dizer que preferia apoiar o tucano a Ciro Gomes (PDT).

Políticos que torciam o nariz para uma aliança com Ciro no PSDB e no DEM capricharam nas ironias após a guinada do centrão. Arthur Maia (DEM-BA) brincou: “Ciro me lembra aquele piloto de Fórmula 1 dos anos 1990, o Nigel Mansell. Largava sempre bem, mas invariavelmente rodava”.

TEMPO ENSINA – No MDB, que deve lançar Henrique Meirelles ao Planalto, há quem recorra a 1989 para dizer que propaganda na TV – o que Alckmin terá de sobra com o centrão – não elege ninguém. Na ocasião, Ulysses Guimarães tinha larga vantagem nesse quesito, mas Fernando Collor venceu.

Por sua vez, Jair Bolsonaro (PSL) disse a aliados que vai sondar o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) para a vaga de vice. Se a tese vingar, a proposta será levada a Levy Fidelix, presidente do PRTB. O militar será o terceiro vice que o presidenciável tenta atrair.

Mourão já negou uma proposta do PSL. Convidado a se filiar para disputar o governo do Rio, recusou.

CHAPA MILICO – A formação da chapa com dois egressos das Forças Armadas enfrenta resistências na campanha de Bolsonaro. Auxiliares do deputado preferiam alguém com perfil empresarial. Depois de Mourão, aparecem como opções Janaina Paschoal e Luciano Bivar, ambos do PSL.

No PT, o convite para que Manuela D’Ávila (PC do B) assuma a vaga de vice do PT só não foi formalmente apresentado nesta quinta-feira (19) porque a direção petista quer o aval de Lula. O ex-presidente foi informado da negociação.

SER OU NÃO SER – O senador Aécio Neves (PSDB) passou parte desta quinta (19) reunido com cerca de 50 prefeitos que o apoiam em Minas para debater seu futuro político. O grupo está dividido.

Há uma ala que prega que ele dispute a reeleição ao Senado para livrar o aliado Antonio Anastasia, candidato tucano ao governo, do embate com Dilma Rousseff (PT), chamando “pancadaria da campanha” para si. Outra ala vê a eleição para a Câmara como o caminho mais fácil.

Aécio disse que bateria o martelo após falar com Anastasia neste fim de semana.

Isolado, Jair Bolsonaro afirma que ‘jamais’ se comprometeu com partidos

Bolsonaro tem votos, mas não consegue fechar alianças

Leticia Fernandes
O Globo

Com dificuldade de formar alianças, o pré-candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, criticou pelo Twitter, nesta quinta-feira, as notícias de que teria sido “descartado por fulano e cicrano (sic)”, chamadas por ele de “falsa narrativa”. Ele faz referência à relutância de legendas, como PR e PRP, que negociavam a vaga de vice na chapa de Bolsonaro, de se juntarem ao pré-candidato, líder nas pesquisas de intenções de votos.

O PRP rejeitou a aliança com Bolsonaro nesta quarta-feira, após o PSL ter praticamente fechado que o vice do candidato seria o general da reserva Augusto Heleno. Antes, o PR já havia interrompido as negociações. O senador Magno Malta (PR-ES) era preferência de Bolsonaro para compor a chapa, mas o partido também não aceitou.

FAZER DIFERENTE – Apesar disso, o pré-candidato disse nesta quinta que “jamais” se comprometeu com esses partidos ou candidatos. “Queremos fazer diferente. Se for para fazer igual a todos estamos fora sem problema algum. A escolha é dos eleitores”, escreveu.

A maioria da imprensa cria falsa narrativa como se tivesse sido descartado por fulano e cicrano. Jamais me comprometi com nenhum dos citados. Sempre deixei claro que meu partido é o povo e agora tentam desonestamente inverter a situação para mais uma vez nos descredibilizar!

Com o naufrágio aparente de suas duas principais apostas, o pré-candidato corre em busca de uma alternativa. Uma delas é a advogada Janaína Paschoal, filiada ao mesmo PSL de Bolsonaro. O nome dela vinha sendo cotado para a disputa do governo de São Paulo, embora pessoas ligadas ao partido no Estado acreditem que a advogada prefira concorrer à vaga de deputada.

Uma música de Milton e Brant, para se guardar do lado esquerdo do peito

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Milton e Brant, uma amizade eterna, desde sempre

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, compositor e poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Canção da América”, lembra o desejo de frátria, devido aos laços histórico/afetivos que unem os países americanos, em especial, os latino-americanos. Pelo potencial confraternizador que carrega, a canção tornou-se o hino de celebração das amizades, mormente, para retratar os encontros e as despedidas existentes em nossa vida. Esta música foi gravada por Milton Nascimento, em 1980, no LP Sentinela, pela Ariola. E deve ser cantada sempre, como se fosse um hino do Dia do Amigo, que se comemora hoje, 20 de julho.


CANÇÃO DA AMÉRICA

Milton Nascimento e Fernando Brant

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar. 

Sem defender ideologia alguma, os partidos revelam ser balcões de negócio

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Charge do Jorge Braga (Charge Online)

Pedro do Coutto

Reportagem de Cristiane Jungblut, edição de ontem de O Globo, destaca a movimentação desenvolvida por diversos partidos políticos em torno de alianças vinculadas às eleições de outubro. Incrível, as direções partidárias agem como se estivessem disputando leilões comerciais. O mentor do PR, por exemplo, Valdemar da Costa Neto, depois de receber apelos de Jais Bolsonaro e de Geraldo Alckmin, disse que a legenda prefere alinhar-se com o chamado Blocão integrado pelo DEM, PP, SD e PRB, porque assim o candidato escolhido possuirá maior tempo de acesso ao programa gratuito que a lei condiciona às representações das coligações na televisão e no rádio.

Esse bloco de partido encontrava-se dividido, com uma corrente defendendo aliança com Ciro Gomes, outra corrente com o apoio a Geraldo Ackmin.

APOIO DO PTB – Por falar em Geraldo Alckmin, recebeu ele o apoio do PTB de Roberto Jeferson, que tantos problemas criou no Ministério do Trabalho. Neste caso surge a indagação se as letras do PTB, em vez de somar, diminuem os votos do ex-governador de São Paulo. O PTB, aliás, de trabalhista não tem nada. Dedica-se integralmente ao fisiologismo e seu êxito depende do acesso às verbas do governo.

No meio da confusão, o blocão decidiu apoiar Alckmin, embora o deputado Rodrigo Maia considerasse melhor não se envolver na campanha do PSDB. Maia já é ex-candidato a Presidência da República, vai optar pela disputa à Câmara Federal, não tentando assim uma reeleição ao Senado, que ficar com seu pai, Cesar Maia.

Enquanto isso verifica-se no PSB um movimento voltado para o apoio à Ciro Gomes.

MUITA CONFUSÃO – A situação do PSB está confusa, depois que Joaquim Barbosa desistiu de candidatar-se. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PSB oscila entre a defesa da candidatura Marcio França ao governo estadual e o apoio eventual a um candidato à presidência, principalmente Alckmin.

Porém, o mais importante de toda essa confusão, na qual acentua-se um vai e vem de promessas de apoio, é que legenda alguma condiciona sua participação eleitoral dentro de um critério de princípio e programa. Princípios e programas para quê?

QUEM DÁ MAIS – Nada mais interessa, a prioridade é para o quem dá mais aqui ou ali. Tal processo absolutamente negativo predomina cada vez mais no cenário político brasileiro. Na verdade a honestidade, que era uma qualidade, passou a ser defeito. Pois os desonestos flutuam ao sabor das ondas, dirigidas para o lucro pessoal e que consagram o império atual do fisiologismo na política brasileira.

Já vai longe o tempo em que os candidatos à presidência da República condicionavam a realização de alianças na base de programas comuns de governo. Isso ficou no passado.

No presente não existe nenhuma preocupação com o povo do país, tampouco com a vida dos cidadãos e cidadãs. Todos querem saber de si. O poder transformou-se numa grande empresa nacional. Isso é um desastre.

Para ter apoio, Alckmin aceitou até recriar o imposto sindical obrigatório

Charge do Xavi (Arquivo Google)

Carlos Newton

De uma hora para a outra, o quadro político mudou totalmente, imitando a imagem da nuvem, eternizada pela criatividade do político mineiro Magalhães Pinto. Os partido do Centrão, que dispõem de aproximadamente 40% do horário gratuito, preferiam apoiar Ciro Gomes, tese defendida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal líder do bloco e pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, amigo particular do candidato do PDT. Mas acontece que Ciro Gomes é do tipo autocarburante, que pega fogo sozinho.

Ao chamar de “filha da puta” a promotora que vai processá-lo, ele abriu a guarda, mais uma vez, e fortaleceu os defensores da candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que vive em cima do muro e de bico calado.

PAUTA DE EXIGÊNCIAS – Na reunião mantida nesta quinta-feira com Alckmin, o partidos do Centrão apresentaram uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança. Os partidos querem garantias antes de oficializar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações.

Uma das exigências foi apresentada na reunião pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP) – a criação de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com sindicatos, federações e centrais, a fonte secou. Extinguir a contribuição obrigatória foi um dos raros acertos do governo Temer, e agora Alckmin aceitou negociar a sinistra reivindicação, capaz de fazê-lo perder votos ao invés de ganhar.

CIRO À ESQUERDA – A escolha feita pelo Centrão fez Ciro Gomes virar imediatamente à esquerda. Vai aumentar a pressão sobre o PCdoB e o PSB, tentando isolar o candidato do PT, que deverá ser Fernando Haddad. O primeiro passou foi defender a libertação do ex-presidente Lula da Silva, preso desde abril, e criticar o Poder Judiciário e o Ministério Público.

“O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso”, disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

E a eleição fica ainda mais dividida entre os principais candidatos – com Jair Bolsonaro, na extrema-esquerda; Ciro Gomes e Fernando Haddad, na esquerda; e Marina Silva, Geraldo Alcmin e Alvaro Dias, no centro.

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P. S. –
A divisão dos votos será impressionante e já não dá mais para saber quem deve ir para o segundo turno. (C.N.)  

Ciro Gomes vira à esquerda, defende a libertação de Lula e reconhece erros

Ciro Gomes

Rejeitado pelo Centrão, Ciro busca PSB e PCdoB

Gustavo Uribe
Folha

No dia em que o bloco do Centrão desistiu de apoiar a sua candidatura, o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, fez nesta quinta-feira (dia 19) um aceno enfático aos partidos de esquerda e reconheceu que comete erros. Na tentativa de garantir os apoios do PSB e do PCdoB, ele defendeu a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril, e criticou o Poder Judiciário e o Ministério Público.

“O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso”, disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

SEM O CENTRÃO – Nesta quinta-feira (dia 19), partidos como DEM, PP e PR, que negociavam apoio ao PDT, preferiram fechar aliança com o PSDB, de Geraldo Alckmin. Com o receio de ficar isolado na disputa eleitoral, Ciro decidiu aumentar a ofensiva sobre o PSB e o PCdoB, que, nas últimas semanas, passaram a cogitar como mais provável um apoio ao PT.

No discurso, Ciro fez uma autocritica. Ele disse não ser “dono da verdade” e que não lhe custa nada “reconhecer erros”. Desde o início de junho, dirigentes do centrão vinham criticando o estilo verborrágico do pedetista.

“Eu não sou o dono da verdade, não sou poupado do erro, eu cometo erros. Eu cometo erros e não me custa nada reconhecer erros. Mas nenhum deles foi por deserção do que me trouxe à vida pública de volta, que é compromisso e o amor a essa terra e esse povo”, afirmou.

PRISÃO DE LULA – Sem citar nomes, ainda no discurso, Ciro criticou procuradores que fazem críticas e magistrados que fazem políticas, “invadindo as atribuições uns aos outros dos poderes”.

Para ele, o vaivém sobre a prisão do ex-presidente petista, em um final de semana, foi uma “aberração”.

“Como é que pode tanta aberração lidando com coisas graves como a liberdade do maior líder popular do país ou o próprio direito, regra de convivência que substitui a lei do mais forte, a prepotência da violência e o caos”, disse.

DOCE ESTRAGADO – Também presente no evento, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que Ciro não ficará isolado e que não há como perder algo que não se tem.

“Esse doce podia estar estragado”, respondeu ao ser perguntado se o bloco do Centrão tirou o doce da boca do PDT.

Ciro perdeu o apoio do Centrão porque chamou a promotora de “filha da puta”

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Ciro perdeu a linha novamente, e isso lhe custou caro

Cristiane Jungblut , Bruno Góes,  Silvia Amorim e Gustavo Schmitt
O Globo

Antes do encontro com o candidato tucano Geraldo Alckmin, os partidos do Centrão se reuniram e avaliaram que não era possível confiar em Ciro Gomes, do PDT. Segundo um dos dirigentes, o comportamento de Ciro, sua verborragia foram cruciais para que o pêndulo voltasse a balançar para o lado de Alckmin. Os tucanos e parte do DEM armaram uma força-tarefa para reforçar esse entendimento de que Ciro Gomes não era confiável e que não tinha “filtro”. Segundo um parlamentar experiente, “prevaleceu o bom senso”.

Eles não gostaram das declarações de Ciro sobre um promotor, que na verdade era uma promotora, chamando-a de “filha da puta” e avaliaram que ele é “incontrolável”.

“Revertemos o jogo. Se fosse hoje, o anúncio seria de apoio a Alckmin” — disse um integrante do DEM, admitindo que a tendência era apoiar Ciro.

ARTICULAÇÃO – O chamado “blocão” foi uma articulação de Rodrigo Maia para reunir os partidos de centro e fazê-los ter um único candidato na eleição presidencial de 2018.

Nesta quinta-feira, em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, o blocão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou um acordo para apoiar o tucano para a Presidência da República. Dirigentes saíram do encontro afirmando que aliança está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana. “Já está fechado” — disse o presidente de um dos partidos.

EXIGÊNCIAS – Na reunião, o blocão levou uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança, segundo fontes ouvidas pelo Globo. Dirigentes das siglas discutiram a possível formação de um governo e saíram do encontro afirmando que agora apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.

Os partidos querem algumas garantias para anunciar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações. Alguns parlamentares já foram até mesmo avisados de que se chegou a um entendimento.

Centrão escolhe Alckmin, mas exige garantias para fechar o apoio ao tucano

Alckmin terá de aceitar as reivindicações  do blocão

Cristiane Jungblut , Bruno Góes,  Silvia Amorim e Gustavo Schmitt
O Globo

 Em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, o blocão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou um acordo para apoiar o tucano para a Presidência da República. Dirigentes saíram do encontro afirmando que aliança está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana. “Já está fechado” — disse o presidente de um dos partidos.

Na reunião, o blocão levou uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança, segundo fontes ouvidas pelo Globo. Dirigentes das siglas discutiram a possível formação de um governo e saíram do encontro afirmando que agora apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.

ENTENDIMENTO – Os partidos querem algumas garantias para anunciar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações. Alguns parlamentares já foram até mesmo avisados de que chegou-se a um entendimento.

O Globo obteve relatos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina de que o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, telefonou para algumas lideranças comunicando a aliança com Alckmin. Nogueira nega publicamente o acordo e diz que o bloco partidário decidiu que a decisão sobre o apoio só será anunciada na próxima quinta-feira.

MOEDA DE TROCA – Apesar da proximidade de dois partidos do blocão — PP e Solidariedade — com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), ambas as legendas aceitam bandear-se para o lado de Alckmin. O movimento depende de uma velha moeda de troca da política real: a distribuição de cargos e verbas.

O chamado “blocão” representa 164 deputados e 2 minutos e 35 segundos no tempo de rádio e TV durante a propaganda eleitoral.

Um dos itens apresentados na reunião foi uma condição de Paulinho da Força (SD-SP): o compromisso de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com as associações, a fonte de dinheiro de seus colegas começou a secar. Paulinho, o principal dirigente da legenda, é oriundo da Força Sindical e defende os interesses dos grupos organizados. Segundo um dos participantes, Alckmin aceitou discutir o assunto.

DIVISÕES – O PP teve a garantia de que manterá espaços importantes. O presidente da legenda resistia a um acordo com Alckmin por conta de problemas no seu palanque eleitoral, no Piauí, onde ele é ligado ao PT. Mas a posição de Ciro Nogueira nunca foi unânime dentro do PP, tanto que a ala governista atuou em favor de uma aliança com Alckmin.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), esteve com o presidente Michel Temer antes de embarcar para São Paulo, onde foi o representante do PP no encontro com o tucano. Ao arriscar-se neste fim de ano, o PP poderia abrir mão de um verdadeiro latifúndio: ministérios da Agricultura, Cidades e Saúde, além da presidência da Caixa Econômica, já que o Planalto pressionou publicamente a legenda a não apoiar Ciro Gomes, candidato que trata o presidente como “bandido”.

PRAGMATISMO – O jantar de quarta-feira e o café desta quinta-feira serviram para que os cinco partidos do “blocão” fechassem a pauta. Neste contexto, o pragmatismo do ex-deputado Valdemar Costa Neto, que controla o PR, foi fundamental. Ele explicou que o maior interesse do PR sempre foi eleger uma grande bancada de deputados. O mesmo interesse dos demais, que viram a base de qualquer governo e ainda fazem o presidente da Câmara.

Neste contexto, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que queria apoio a Ciro, foi convencido e agora deve lutar para se eleger novamente deputado e chefe da Câmara.

Agência reguladora da Saúde é como um vampiro no banco de sangue

Aguiar, diretor da ANS, avisa que não é do Procon

Bernardo Mello Franco
O Globo

O diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, Rodrigo Aguiar, não pode ser acusado de esconder o jogo. Em entrevista ao Globo, ele defendeu a cobrança extra aos pacientes e informou que a agência “não é um órgão de defesa do consumidor”. Quem ousaria pensar o contrário?

A fala não revela apenas desprezo pelos clientes, que já penavam para pagar as mensalidades antes da nova regra. Também escancara a captura das agências reguladoras por grandes grupos econômicos. No caso da ANS, quem dá as ordens são os planos de saúde.

ATRIBUIÇÕES – A autarquia ANS não é o Procon, mas foi criada para fiscalizar as empresas e impedir que o mercado atropele os consumidores. Não se trata de uma opinião. Basta ler a lei que criou a agência, no governo FH.

O texto afirma que a finalidade institucional do órgão é “promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde”. Entre suas principais atribuições, fixa a de “articular-se com os órgãos de defesa do consumidor visando à eficácia da proteção e à defesa do consumidor de serviços privados”.

NÃO É NEGÓCIO? – Na segunda-feira, a ministra Cármen Lúcia suspendeu a resolução da ANS que permitiu a cobrança extra de até 40% sobre consultas e exames. Na decisão, ela anotou: “Saúde não é mercadoria. Vida não é negócio. Dignidade não é lucro”.

O diretor da agência não entendeu ou não quis entender o recado. Na entrevista a Luciana Casemiro, ele desdenhou de quem questiona a submissão da ANS aos planos. Reduziu as críticas a “fala repetida” e “retórica de falar mal das agências”.

FEUDO DO MDB – O lobby da saúde sempre foi influente em Brasília. A novidade é que a turma perdeu o pudor e passou a operar às claras. O presidente Michel Temer entregou o ministério a Ricardo Barros, um deputado do PP que teve a campanha patrocinada pelo setor. Ele avisou logo que não fiscalizaria a qualidade dos planos. “Ninguém é obrigado a contratar”, justificou.

A ANS é feudo do MDB. O relatório que avalizou a indicação de Rodrigo Aguiar foi assinado pelo senador Valdir Raupp, réu na Lava-Jato. Um observador do que ocorre na agência diz que seria impreciso falar em raposas cuidando do galinheiro. Neste caso, ele prefere a imagem de vampiros no banco de sangue.

Presidente do STJ decide não julgar habeas dos deputados e Lula segue preso

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Laurita Vaz considerou “prejudicado” o recurso

Camila Bomfim e Renan Ramalho
TV Globo e G1

A ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidu não julgar uma solicitação da Procuradoria-Geral da República para que a Corte analisasse pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentado ao desembargador plantonista Rogério Favreto no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Com isso, Lula segue preso.

No dia 9 de julho a Procuradoria solicitou ao STJ que julgasse o pedido de liberdade apresentado ao TRF-4 por três deputados federais do PT, em defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

“PREJUDICADO” – Ao julgar o pedido como “prejudicado”, a ministra apontou que o habeas corpus da defesa de Lula já foi analisado pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), desembargador Thompson Flores, e por ela própria. Com isso, na argumentação de Laurita Vaz, o pedido da PGR “perdeu o objeto”.

O pedido da PGR foi feito após o desembargador plantonista do TRF-4, Rogério Favreto, conceder liberdade ao ex-presidente, decisão que acabou derrubada pelo presidente do tribunal.

“O problema do Bolsonaro não é econômico, é civilizatório”, afirma Horácio Piva

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Piva, ex-presidente da Fiesp, analisa os candidatos

Josette Goulart
Folha

O empresário Horácio Lafer Piva, 61 anos, é um dos que atesta que o problema de Bolsonaro não é o da condução da economia. Mas ele completa sua sentença: “O problema do Bolsonaro é civilizatório. O Brasil retrocederia neste ponto e voltaria a discutir temas como gênero, segurança… O Brasil não precisa disso”. Piva é o comandante de uma das principais indústrias de papel do país, a Klabin, e foi presidente da Fiesp. Em entrevista à Folha, o empresário disse que se espanta com o fato de o “Centrão” comandar a cena política.

Os partidos que compõem esse grupo — DEM, PP, PRB e Solidariedade — estão sendo hoje paparicados pelas candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), pela força que podem trazer às suas campanhas, principalmente em tempo de televisão. O MDB, para ele, também é outro grande centro de interesses.

DESCRÉDITO – “Acreditar demais neste momento nos candidatos é perda de tempo”, diz Piva. “Quais são as demandas do centrão? Só vamos saber mais adiante. Me proponho a acreditar no que os candidatos estão dizendo só depois de já terem negociado.”

O centrão tem tido força para barrar votações consideradas importantes pelos empresários, como aconteceu com a reforma da Previdência. E também para apoiar outras reformas consideradas ruins pelo empresário, como a política.

“Maior golpe que teve no Brasil foi o da reforma política, que manterá a política na mãos dos mesmos”, diz Piva, referindo-se às mudanças nas regras que na prática inviabilizam o potencial de novas candidaturas para o Legislativo.

COM CHANCES – Historicamente o empresário é ligado ao tucanato, mas ele não declara voto ou mesmo não-voto neste momento a qualquer candidato.

Na sua avaliação, apenas quatro têm chances reais de se eleger: Alckmin, Bolsonaro, Ciro e Marina. De antemão, coloca dúvidas sobre uma chance real de transferência de votos de Lula a um candidato do PT, que ele acredita será Fernando Haddad.

Marina, segundo Piva, tem grande potencial de se mostrar como uma alternativa ao eleitor desalentado, desde que consiga se destacar na campanha. A candidata terá apenas 10 segundos de tempo de TV.

INCERTEZAS – O empresário diz que Alckmin depende das coligações para decolar e Ciro tem se colocado como uma opção de centro, mesmo que de esquerda. “Mas é muito cheio de certezas e com viés muito estatizante”.

No cenário traçado nas conversas entre empresários e representantes de mercado financeiro, só há uma certeza: a de que ninguém tem certeza. “Mesmo aqueles que tentam apontar as certezas não estão tão certos quando pressionamos um pouco”, diz Piva.

Deputados condenados à prisão permanecem de plantão durante o recesso

Os deputados Celso Jacob (esq.) e João Rodrigues (dir.) (Foto: Alex Ferreira e Antonio Augusto/Câmara dos Deputados)

Comissão de Ética “inocentou” os deputados presos

Fernanda Vivas
TV Globo, Brasília

A Comissão Representativa do Congresso, que responde pelo Poder Legislativo durante o recesso parlamentar nas questões urgentes no período (entre esta quarta e dia 31), terá entre os integrantes os deputados João Rodrigues (PSD-SC) e Celso Jacob (MDB-RJ).

Condenados pela Justiça, eles chegaram a ser presos, mas atualmente estão autorizados a exercer o mandato parlamentar na Câmara em razão de decisões judiciais – leia detalhes mais abaixo.

Na semana passada, o Conselho de Ética da Câmara arquivou os dois processos que poderiam levar à cassação dos mandatos de Jacob e Rodrigues.

NO RECESSO – A comissão representativa responde pelo Congresso Nacional em eventuais questões urgentes que surgirem no período.

O grupo é formado por sete senadores e 16 deputados, eleitos na última sessão de votações do semestre.

Cabe à comissão fiscalizar atos do Poder Executivo, zelar pelas prerrogativas do Poder Legislativo, convocar ministros de Estado e exercer atividades urgentes que não possam aguardar a retomada dos trabalhos do Congresso.

MENOS SESSÕES – O recesso do Congresso Nacional começa oficialmente nesta quarta-feira (18) e vai até o próximo dia 31, mas, na prática, a última sessão deliberativa foi na quarta-feira da semana passada.

No segundo semestre, após o recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados e o Senado vão reduzir o número de sessões de votação porque deputados e senadores vão se dedicar à campanha eleitoral nos estados.

O cronograma de votações nos plenários de Câmara e Senado para os próximos meses ainda não foi divulgado.

CONDENAÇÃO – João Rodrigues voltou a trabalhar na Câmara em 11 de junho, depois que o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o deputado a exercer atividades durante o dia.

O parlamentar foi condenado pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4) por fraude e dispensa irregular de licitação quando era prefeito de Pinhalzinho (SC) – a pena é de 5 anos e 3 meses de prisão.

O STF determinou o cumprimento imediato da pena e o deputado chegou a ser preso em fevereiro. Hoje, ele passa o dia na Câmara e, à noite, retorna para a cadeia. Em depoimento ao Conselho de Ética, em 20 de junho, João Rodrigues disse que não cometeu crimes e é inocente.

REGIME ABERTO – Também em junho, Celso Jacob foi autorizado pelo juiz Fernando Messere, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a cumprir a pena em regime aberto.

O deputado foi condenado a 7 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, por falsificação de documento público e dispensa de licitação quando era prefeito de Três Rios (RJ). Em 13 de junho, Jacob afirmou em depoimento ao Conselho de Ética ser inocente, acrescentando estar “muito tranquilo” em relação às acusações contra ele.

“No final disso tudo, não teve dano ao erário. Não tem prejuízo, não tem roubo, não tem desfalque, não tem desvio. Então, não tenho que me envergonhar disso. […] Eu vou trabalhar [na comissão]. Independentemente do que aconteceu comigo ou não, eu vou trabalhar”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Brasil é um país estranho, em que parlamentares condenados continuam a ser “representantes” do povo. A meu ver, qualquer condenação criminal deveria motivar cassação de mandato. Posso estar errado, mas é minha opinião. (C.N.)

O fado da prostituta serrana, na visão poética de Ribeiro Couto

Ribeiro Couto, retratado por Rego Monteiro

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), no poema “Fado de Maria Serrana”, expõe o pedido da prostituta que trocou a vida serrana pela cidade grande.

FADO DE MARIA SERRANA
Ribeiro Couto

Se a memória não me engana,
Pediste-me um fado triste:
Triste Maria Serrana,
Por que tal fado pediste?

Na serra, a fonte e as ovelhas
Eram só os teus cuidados;
Tinhas as faces vermelhas,
Hoje tens lábios pintados.

Hoje de rica tens fama
E toda a cidade é tua;
Tens um homem que te chama
Ao canto de cada rua.

Mas ai! pudesses de novo
Tornar à serra, Maria!
Se não te perdoasse o povo,
A serra te perdoaria.

Lá te espera o mesmo monte,
E a casa junto ao caminho,
E a água da mesma fonte
Que diz teu nome baixinho.

Secos teus olhos de mágoa,
Se não tivessem mais pranto,
Choraria aquela água
Que já por ti chorou tanto.

“Dupla poderá revolucionar o país”, diz Janaína sobre a chapa com Bolsonaro

JANAINA PASCHOAL

Janaina ainda não foi convidada por Bolsonaro

Elizabeth Lopes e Ana Neira
Estadão

Filiada ao PSL, a advogado Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, e cotada para ser vice na chapa do presidenciável de seu partido, Jair Bolsonaro, nas eleições 2018, disse nesta quinta-feira, dia 19, em entrevista à Rádio Eldorado, que ainda não recebeu nenhum convite para essa empreitada. “Não tenho como responder (se aceita ou não ser vice na chapa de Bolsonaro) porque nada me foi perguntado”. Contudo, se mostrou otimista com a possibilidade, dizendo: “Se essa dupla acontecer, será para revolucionar o País.”

Na entrevista, Janaína disse que não conhece Bolsonaro pessoalmente e que falou com ele por telefone quando se filiou ao PSL. E após a desistência do PRP em compor com o deputado, indicando o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro como vice em sua chapa, seu telefone não parou mais de tocar, com as pessoas pedindo para ela aceitar o convite para ser vice. “Que não ocorreu”, insistiu.

POSSIBILIDADES – Na sua avaliação, Bolsonaro deve estar refletindo sobre o assunto e sobre todas as possibilidades. “Até porque sou uma pessoa difícil, de forte personalidade”, emendou.

Mas, segundo Janaína, a forte personalidade de ambos é o fator que poderia revolucionar o Brasil. “Se essa dupla não consegue mudar o Brasil, ninguém consegue, são duas pessoas de personalidade muito forte. Não conheço ninguém que ame mais o Brasil do que eu. Para o País, seria algo significativo”, disse a advogada. E informou que não tem prazo para a definição sobre ser ou não vice na chapa de Bolsonaro. “Não trabalho com deadline, isso é coisa de criança.”

DECISÃO CORRETA – Ela também coloca em dúvida se esta seria a decisão correta: “Ainda estou pensando se esse é meu caminho, se devo seguir carreira política”, afirmou durante a entrevista. Por enquanto, reforça que prefere aguardar. “Vou me manifestar conforme o cenário [político] se define”, disse à rádio.

Em sintonia com o que Bolsonaro disse em sua conta pessoal no Twitter, que seu partido é o povo, numa referência às negativas de PR e PRP em compor uma aliança com sua candidatura nessa corrida presidencial, Janaína também falou na entrevista à Rádio Eldorado que se for mesmo candidata, pretende governar com “o povo”.

POLARIZAÇÃO – Questionada sobre a polarização política e a pulverização de candidaturas nas eleições 2018, a advogada avaliou que não há divisão de forças, mas perda da hegemonia da esquerda e mudanças positivas.

“Antes eles falavam e todo mundo baixava a cabeça. Agora eles são questionados e não estão acostumados a isso. Outras forças tiveram forças para se levantar” – acentuou.

Governador de Brasília revela a Ciro Gomes que o PSB apoiará a candidatura dele

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Amigo de Ciro, Rollemberg está torcendo por ele

Catarina Alencastro
O Globo

Ex-colega de Ciro Gomes dos tempos de Câmara dos Deputados, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), procurou o presidenciável do PDT para dizer que tem segurança de que seu partido o apoiará na corrida para o Palácio do Planalto. Apesar de ainda contar com a resistência do principal diretório, o de Pernambuco, o PSB, segundo Rollemberg, não tem tradição de ficar neutro nas disputas eleitorais, e deve fechar um consenso em prol de Ciro na reunião marcada para o próximo dia 30, do Diretório Nacional.

— Eu liguei ontem para Ciro e falei para ele: “Fique firme, que nós vamos estar com você”. Tenho convicção de que a posição do partido será Ciro — disse Rollemberg ao Globo.

AFASTAR O PT – Ele pontua que se o PSB não endossar a candidatura do pedetista, há o risco de o segundo turno ser disputado entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e o candidato do PT, partido que caminha para o isolamento, ao manter a estratégia de reafirmar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Para o governador do DF, Ciro é hoje o candidato que reúne as melhores condições de disputar a Presidência no campo político do PSB, de centro-esquerda.

— Se a gente não fortalecer o Ciro, a gente corre o grande risco de ter um segundo turno de Bolsonaro e o PT, o que seria muito ruim para o Brasil ter que viver um processo de radicalização como esse. Ciro é a melhor alternativa. Ele tem esse linguajar impetuoso, mas já foi testado. Foi um bom governador, um bom prefeito e um bom ministro — defende.

MAIS APOIO – As declarações vão na mesma linha das do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que ontem também defendeu publicamente a candidatura de Ciro, com quem já trabalhou em Brasília. O alinhamento com Ciro é majoritário no PSB. O presidente da Fundação Mangabeira, do PSB, e candidato ao governo do Espírito Santo, Renato Casagrande, também é favorável a uma aliança com Ciro.

— PDT e PSB juntos ganham um tamanho importante na centro-esquerda, um caminho que deixa de ter o PT como referência e parte para uma visão mais moderna do campo progressista — pontua Casagrande.

Mas o PT ainda não desistiu de contar com o PSB, e segue fazendo pressão. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, tem procurado o presidente do PSB, Carlos Siqueira, frequentemente para tentar convencê-lo de, se não puder apoiar Lula ou seu candidato, pelo menos optar pela neutralidade. Siqueira esta semana voltou a dizer publicamente que o PSB não deve ficar neutro.

CARGO DE VICE – A expectativa dos pessebistas que querem fechar com Ciro é que possam ocupar a posição de vice na chapa do pedetista. O preferido seria Marcio Lacerda. Para isso, o partido tem que se apressar na decisão, já que o bloco de centro também pode apoiar o pedetista. As tratativas estão em andamento.

Caso isso se confirme, o bloco que conta com PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade, já escolheu um vice. O nome mais falado é o de Josué Gomes (PR), filho do ex-presidente José Alencar. Além dele, o centro conta com Benjamin Steinbruch (PP). Ambos são empresários e, portanto, têm perfil parecido com o do ex-prefeito da capital mineira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
De repente, todos os caminhos levam a Ciro Gomes. É impressionante a mudança no quadro políticos a dois meses e meio das eleições. (C.N.)