E surge uma perigosa lucidez, na visão poética de Clarice Lispector

Resultado de imagem para clarice lispector frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, expõe as consequências que “A Lucidez Perigosa” pode acarretar.

A LUCIDEZ PERIGOSA
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Só o crescimento do consumo dos assalariados possibilitará a recuperação do país

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Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A verdade é essa que está no título, uma afirmação simples sobre a realidade que pode levar à recuperação da economia brasileira. Uma simples constatação. Como dizia Santiago Dantas, não se deve ter medo de ser simples nas análises e nas conclusões. Vejam só os leitores que há três versões para a recuperação do desenvolvimento social e econômico brasileiro com base em três matérias nas edições de ontem do Valor, Folha de São Paulo e de O Globo.

No Valor, trata-se de reportagem de Arícia Martins; na Folha de São Paulo, a matéria foi de Bernardo Caran; e em O Globo o texto é assinado por Geralda Doca e João Sorima Neto.

VAMOS POR PARTES – A reportagem do Valor coloca em confronto, com base no ano de 2018, os avanços registrados no comércio e na indústria. No ano passado o comércio avançou 5,1%, mas a produção industrial cresceu apenas 1,1%. Assim, o assunto remete para o plano econômico como um todo.

Não faz sentido o comércio avançar se a produção industrial ficar estagnada. Este tema ainda comporta duas abordagens: primeiro, se a percentagem do comércio abrange ou não estoques armazenando produtos no exercício anterior. De outro lado, sentindo esta possibilidade a indústria, pode ter freado seu desempenho no sentido de assegurar os preços que lhe convêm.

Em todas as situações a origem do fenômeno é uma só: o poder aquisitivo da massa consumidora.

DESONERAÇÕES – Na Folha de São Paulo o texto publicado também ontem destaca opinião do ministro Paulo Guedes, que atacou os setores empresariais de que obtendo desonerações fiscais conseguiram quebrar o país. O ministro da Economia afirmou: “Todo mundo vem a Brasília pedir subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo. Com isso quebraram o Brasil”

Na realidade, os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, nas desonerações fiscais que concederam, atingiram a arrecadação tributária em 279 milhões de reais. Somente na área do INSS as isenções tributárias atingiram 54 bilhões de reais, de acordo com a reportagem de Idiana Tomazelli, O Estado de São Paulo da semana passada.

OUTRA VISÃO – Como se vê, as aposentadorias e pensões não contribuíram sozinhas para colocar no déficit. São também causadoras do déficit as isenções concedidas pelos governos anteriores aos setores empresariais.

Em O Globo de ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, sem reforma da Previdência, o país vai quebrar. A meu ver, as isenções tributárias são muito mais responsáveis pelo desequilíbrio fiscal do que os funcionários públicos e os trabalhadores regidos pela CLT.

Se depender da atuação de seus filhos, o governo de Bolsonaro será um fracasso

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Bolsonaro precisa pensar urgentemente em enquadrar a prole

Carlos Newton

Uma coisa é certa – jamais existiu um governante tão atrapalhado pelos filhos quanto Jair Bolsonaro. É uma crise atrás da outra. Os três se comportam como “príncipes-regentes”, sem perceberem que o Brasil é uma república. Os três se julgam no direito de interferir em tudo, de acompanhar com o presidente em viagem oficial (Eduardo, rumo a Davos) ou de entrar com o primo em reunião ministerial (Carlos, no Planalto).

E O MINISTÉRIO? – Bolsonaro foi eleito em meio a uma esperança enorme, mas já mostrou que tem muita dificuldade para conter os filhos, que influíram até na formação do Ministério. Aliás, cá entre nós, esse primeiro escalão é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que está passando.

É claro que não se pode exigir que os ministros sejam trocados de uma hora para outra, porque essa inconstância depõe contra o governo. Mas há determinadas situações que estão chegando ao ponto de ruptura, como se dizia antigamente.

MORO, A EXCEÇÃO – O grande destaque do governo, até agora, é o ministro Sérgio Moro. Discreto, preparado, pró-ativo e seguro, ele já apresentou a primeira parte de seu plano contra a criminalidade. Em breve, virá o complemento. É claro que haverá resistência no Congresso Nacional, onde ainda há abundância de políticos corruptos.

A transformação do caixa 2 eleitoral em crime, como pretende o ministro Moro, não será aceita pacificamente, é claro. Mas o importante é que o ministro está fazendo a parte que lhe cabe nesse latifúndio legislativo.

Mas há outros ministros que deixam a desejar, como Paulo Guedes, chefe da equipe econômica, que há três meses está fugindo da Polícia Federal, para não depor sobre os vultosos prejuízos em investimentos que fez para fundos de pensão, aplicando os recursos em uma empresa presidida por ele mesmo, jogada tipo “batom na cueca”, como se diz na gíria policial.

OUTROS MINISTROS – Tem uma ministra, a já famosa Damares Alves, que conversou com Jesus na goiabeira, quando era menina e estava em sérios apuros. Ninguém sabe com que credenciais foi parar no primeiro escalão da República.

Na mesma situação está o chanceler Ernesto Araújo, indicado pelos três filhos e  que fez discurso de posse com trechos em grego e tupi-guarani, para bancar ser moderninho, mas todos já perceberam que se trata de um diplomata nada diplomático, digamos assim, que foi esvaziado e não manda mais nada no Itamaraty.

Há um ministro tão ignorante, chamado Ricardo Salles, que não sabe quem foi Chico Mendes e pensa que o líder ambientalista era grileiro de terras públicas, uma denúncia totalmente insana. E apareceu um membro do primeiro escalão, Salim Mattar, para elogiar a Vale e defender a empresa na tragédia de Brumadinho, vejam a que ponto chegamos.

CASO BEBIANNO – Existe também um ministro, chamado “Marcelo Álvaro Antônio” (cujo nome verdadeiro é Marcelo Henrique Teixeira Dias), envolvido com candidaturas-laranjas em Minas Gerais. Nesse mesmo esquema, complicou-se  outro ministro, Gustavo Bebianno, que era presidente do PSL, liberou recursos a pedido do Diretório pernambucano e agora está sendo crucificado por Bolsonaro pai e filho.

Bebianno diz que não fez nada de errado e não mentiu, porque se comunicou com Bolsonaro em mensagens no WhatsApp. Por isso, não pediu demissão e conta com a solidariedade do núcleo duro do Planalto, que já não aguenta mais as trapalhadas dos filhos de Bolsonaro, apelidados de os “Três Patetas”.

Aliás, com os filhos interferindo no governo, Bolsonaro nem precisa de inimigos.

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P.S 1
Já ia esquecendo. Outro destaque positivo do ministério é o general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, realmente uma revelação. Aliás, os ministros militares são eficientes e preparados. Estamos aguardando o desempenho do almirante Bento Costa Lima Leite no ministério de Minas e Energia, um setor estratégico e que necessita ser tocado com espírito nacionalista.

P.S. 2 – Ia escrever hoje sobre a briga entre governo e a Igreja, mas fica para amanhã. O motivo do desentendimento é muito mais grave do que se pensa. (C.N.)

EUA têm longa história de intervenção em assuntos internos da Venezuela

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Shane Quinn
Global Research

A Venezuela é dona de 1/5 de todas as reservas de petróleo conhecidas no planeta, equivalente às reservas somadas de Irã e Iraque, e deixa para trás, em segundo lugar, a Arábia Saudita. A obsessão dos EUA sobre a Venezuela explica-se, principalmente, pelos recursos quase sem fim da nação sul-americana. Se conseguirem substituir o presidente Nicolás Maduro, por qualquer figura simpática aos desejos imperiais dos EUA, os recursos naturais reunidos em território venezuelano dariam impulso considerável à hegemonia mundial dos EUA.

Uma Venezuela servil e rendida aos interesses comerciais dos empresários norte-americanos teria poder para conter o declínio da superpotência, que começa a ser rastreado em 1949, quando os EUA ‘perderam’ a China; dali em diante a erosão foi aprofundada ao longo de décadas, e aceleradapelas calamitosas intervenções no Afeganistão, Iraque e Síria.

EXPANSIONISMO – Os EUA sempre manifestaram ambições expansionistas ao longo dos últimos 196 anos, desde a Doutrina Monroe de 1823, batizada em homenagem ao então presidente e Pai Fundador James Monroe.

A Doutrina Monroe delineou a necessidade de desalojar das Américas o colonialismo europeu. Ao longo de gerações, os EUA promoveram incontáveis ações de intervenção em outros países. Foi o que aconteceu na Coreia, no Vietnã, no Iraque, na Líbia, na Guatemala, na Síria…

Essas informações históricas têm escapado sistematicamente do campo de visão dos ‘analistas’ midiáticos, que só fazem repetir o discurso do “tradicional papel de liderança global dos EUA” como se fosse – e não é! – “um paradigma a ser seguido”. E que seriam os russos que, desde 1945, só fazem tentar agredir a democracia norte-americana.

IMPERIALISMOS – Os EUA jamais estiveram sozinhos no desejo de submeter outros países à própria força, e sempre houve nações imperialistas que tentaram a mesma trilha. O que jamais se divulga é que cada vez mais os governantes das grandes potências partem à caça das riquezas naturais de outras nações. E cada vez menos se veem sinais, nos países mais fortes e mais ricos, de qualquer interesse em melhorar as condições de vida das massas que vivem nesses países ‘alvos’.

O primeiro ‘surto’ de ambição imperialista dos EUA aconteceu durante o governo do presidente James K. Polk em fevereiro de 1848 – quando os EUA completaram a ação de captura de metade do território do México, numa enorme invasão, mais conhecida sob o título de “Guerra EUA-México”.

Nessa anexação de território mexicano, os EUA tomaram conta de uma área equivalente a cinco vezes a Alemanha de hoje. O conflito durou quase dois anos e tem efeitos que se observam ainda hoje.

MAIOR QUE A ÍNDIA – Antes de meados da década dos 1840s, o México era país de território maior que a Índia; depois da invasão dos EUA, o México teve arrancados os territórios que hoje se conhecem como Califórnia, Texas, Nevada, Utah, Colorado etc.

O general Ulysses S. Grant, presidente dos EUA, descreveu o ataque ao México como “a guerra mais perversa da história”, e admitiu: “Não tínhamos qualquer direito sobre o México”. A vitória dos EUA permitiu-lhes assumir o controle sobre áreas em que se plantava algodão, mercadoria tão valiosa no século 19 quanto o petróleo hoje.

O presidente dos EUA que antecedeu Grant, John Tyler (governou de 1841 a 1845), teve papel significativo no ataque ao México, e disse que o controle sobre as plantações de algodão garantiria aos EUA “influência sobre os negócios mundiais muito maior do que se poderia esperar de exércitos, por poderosos que sejam… Duvido que a Grã-Bretanha consiga evitar a convulsão social”.

E NO PACÍFICO… – A milhares de quilômetros dali, no Pacífico Ocidental, à altura de 1902, os EUA já haviam consumado a conquista das Filipinas, numa invasão sangrenta inspirada por puro oportunismo. Pôr um pé nas ilhas Filipinas garantiu aos EUA uma muito cobiçada base de operações no maior oceano do planeta. E ampliou o poder e o prestígio dos EUA, ao mesmo tempo em que aplicava mais um golpe contra o colonialismo espanhol, que subjugara as Filipinas mais de 300 anos antes.

Já na era pós-1945, os EUA intervieram em vários países, derrubando governos eleitos e impondo ditaduras militares sempre que lhes parecesse necessário, do Brasil e Argentina a Guatemala e Chile. A estratégia preferida sempre foi apoiar algum ditador disponível no momento, que (os EUA sempre contam com total subserviência) faria exatamente o que o mandassem fazer; e descartar qualquer líder democraticamente eleito, no qual ninguém podia confiar que, de repente, não tentaria trabalhar a favor dos próprios eleitores.

NA VENEZUELA – Atualmente, o colosso do norte está mais uma apertando o cerco à Venezuela. Trump discursou sobre sua admiração pelo “corajoso” povo venezuelano que teria, segundo ele, “exigido liberdade e estado de direito”.

Mas deve-se pôr de lado as aspirações de Trump por “liberdade e estado de direito”, diante do apoio incondicionado que dá à Arábia Saudita, monarquia governada por monarcas autoritários e sanguinários.

No caso da Venezuela, além de estar pousada sobre um oceano de petróleo, também guarda no seu território a oitava maior reserva de gás do planeta. Além dos depósitos de petróleo de xisto (só menores que os canadenses), tem betume e petróleo extrapesado e minas de ferro e de carvão.

ATRÁS DO PETRÓLEO – O envolvimento norte-americano na Venezuela começou pouco antes da Primeira Guerra Mundial, quando se descobriram gigantescos depósitos de petróleo No país. O general Juan Vincente Gómez, ditador brutal que governaria a Venezuela até 1935, permitiu que empresas norte-americanas, dentre as quais a Standard Oil (hoje, ExxonMobil) redigissem partes da lei venezuelana para o petróleo.

À altura de 1940, a Venezuela já era o terceiro país maior produtor de petróleo do mundo, apenas um pouco atrás da URSS. Durante a 2ª Guerra Mundial, a Venezuela foi fator crucialmente importante para a indústria da guerra dos EUA e da Grã-Bretanha, que se contrapuseram às tentativas de Hitler para implantar uma cabeça de ponte em território venezuelano, onde residiam mais de 4 mil cidadãos de nacionalidade alemã.

OUTRO DITADOR – Por uma década a partir do final dos anos 1940s, Washington apoiou outro ditador venezuelano, o general Marcos Pérez Jiménez. Foi dos ditadores mais sanguinários em toda a América Latina, com longo currículo de torturar e fazer desaparecer oponentes políticos.

Sem se deixar incomodar pelos chocantes ataques do ditador Jimenez contra os direitos humanos, o presidente Dwight D. Eisenhower dos EUA condecorou-o, em fevereiro de 1955, com a Medalha da Legião de Honra, por “destacados serviços prestados ao governo dos EUA. No início de 1958, Jimenez fugiu para os EUA, depois de ter sido derrubado por forças que tentavam alguma coisa que mais se assemelhasse à democracia, para a Venezuela.

ERROS DE CHÁVEZ – Nos recentes 20 anos, depois que chegaram ao poder governantes de esquerda – Hugo Chávez em 1999, e Maduro em 2013, a influência dos EUA sobre o estado venezuelano foi duramente reduzida. Chávez e depois Maduro cometeram erros – o principal dos quais foi não ter diversificado a economia nacional, afastando o país da dependência absoluta da renda do petróleo.

Hoje já se sabe que o petróleo com certeza deve permanecer onde sempre esteve: no subsolo. A longa exploração teve e continua a ter papel decisivo no aumento global das emissões de carbono. O uso de combustíveis fósseis é insustentável como solução para o futuro.

“Não será bom Bebianno sair assim, acho que se sustenta, gosto dele”, diz Mourão

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Mourão argumenta que se deve aguardar a investigação da PF

Andréia Sadi
G1 Política

O vice-presidente Hamilton Mourão saiu em defesa do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) em conversa com o blog. Na avaliação dele, Bebianno se sustentará no cargo. Mourão disse que acha que não seria bom o ministro “sair assim” do governo.

“Ele sempre foi muito respeitoso comigo, e gosto dele. Acho que ele se sustenta, não será boa a saída dele assim, vamos com calma”, afirmou o vice-presidente.

No último domingo (10), reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que no ano passado, durante a campanha eleitoral, Bebianno, então presidente do PSL, liberou R$ 400 mil de dinheiro do fundo partidário para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos.

PF EM AÇÃO – Mourão disse que a questão envolvendo os repasses do PSL precisa ser investigada pela PF – mas que, “até lá”, Bebianno está na mesma situação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também do PSL. De acordo com reportagem da “Folha”, este ministro foi responsável por repasses a candidaturas supostamente “laranjas” em Minas Gerais.

“Precisa investigar a questão do PSL? Lógico! Até lá, [Bebianno] está no mesmo pacote do ministro do Turismo. Não é assim. Ele sempre foi leal’, completou Mourão.

O vice-presidente disse que conversou por Whatsapp com Bebianno durante a madrugada. “Ele estava aflito, acalmei-o, cabeça fria no corpo quente”. Perguntado sobre o que achava das mensagens publicadas nas redes sociais por Carlos Bolsonaro, que geraram a crise, Mourão disse que “emissários foram escalados” para conversar com o filho do presidente.

‘Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado’, diz Bebianno a interlocutores

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Bebianno alega que nada fez de errado e não pedirá demissão

Gerson Camarotti
G1 Política

Em conversas com interlocutores, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, tem demonstrado forte mágoa com todo o episódio de fritura a que está sendo submetido pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro. “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, desabafou Bebiano em uma conversa.

Segundo esses relatos, Bebianno está impressionado com o fato de o presidente dar muito apoio aos argumentos do filho nesse episódio, e deixá-lo de lado no caso.

DESGASTE – “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.

Segundo ele, se Bolsonaro quisesse tirá-lo do cargo, deveria ter construído uma saída elegante, sem o desgaste na mídia. Ele ressaltou que não pretende pedir demissão.

A esses interlocutores, Bebianno disse que manteve sim contato com o presidente durante o período de internação de Bolsonaro, e que isso está registrado não só nas mensagens enviadas em seu celular, mas também nas mensagens recebidas por ele.

“DIFERENCIADO” – Ele também demonstra surpresa por ter tratamento diferenciado quando caso semelhante foi registrado em Minas Gerais, envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Gustavo Bebianno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do presidente. Ele presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, no ano passado e durante toda a campanha. Deixou o posto depois de ter sido nomeado ministro da Secretaria de Governo.

No último domingo, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A “Folha” também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo.

ARGUMENTO – O ministro também ressalta a interlocutores que o PSL nacional não cuida de candidaturas estaduais, mas que mesmo assim acha estranho a hipótese de o atual presidente da sigla, Luciano Bivar, ter feito algo de irregular.

Lembrou para um colega que quando assumiu o partido, no início do ano passado, havia acúmulo de verbas do fundo partidário, no caixa do PSL Mulher e na convenção do partido, e que, por isso, acha improvável que Bivar quisesse desviar dinheiro do partido. Ele alega ainda que Bivar tem boa condição financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa estratégia de defender Bivar é errada e não vai dar resultado. O caso da verba eleitoral é claríssimo. Quem pediu os recursos foi o Diretório pernambucano, o então presidente Bebianno apenas liberou. É por isso que Bebiano não se sente culpado e não pedirá demissão. Na verdade, os filhos de Bolsonaro não gostam de Bebianno e querem fritá-lo, porque ele não aceita a interferência deles no governo, e está com toda a razão. Os três “príncipes-regentes” precisam se recolher às próprias insignificâncias. Bebianno é um advogado de renome e está sendo atacado injustamente. (C.N.)

Relação com os filhos se torna fator de desestabilização do governo Bolsonaro

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Carlos (o filho 01) atua como se fosse “preposto” do presidente

Merval Pereira
O Globo

A família Bolsonaro parece gostar de um enfrentamento. Ontem à noite, o presidente avalizou pelo twitter uma afirmação do filho Carlos, que desmentia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que dissera que mantivera contato com Bolsonaro no hospital. Queria desfazer assim os boatos de que estaria desgastado com o presidente devido a denúncias de uso indevido de verba propagandística durante a eleição. Pelo jeito, talvez não seja mais ministro hoje.

O PSL está debaixo de fogo cruzado devido à suspeita de ter desviado dinheiro da campanha eleitoral utilizando-se de candidatas “laranjas”.

A ACUSAÇÃO Gustavo Bebianno, que foi presidente do PSL e teve papel de relevo na campanha, está sendo acusado por um grupo de bolsonaristas, entre eles o próprio Carlos, de ter participado dessa tramóia que está sendo investigada pela Justiça.

Já na transição do governo houve uma briga entre os dois, Carlos atribuía a Bebianno o convite a Marcos Carvalho, dono da agência AM4, responsável pela campanha digital do presidente eleito, para participar da equipe.

Carlos considera-se o responsável pela comunicação de Bolsonaro nas mídias sociais, tem até mesmo as senhas do pai, e não admite concorrência. Acusou Marcos Carvalho de querer aparecer como “marqueteiro digital” vencedor, sem ter tido tal importância. 

MACIEL, O EXEMPLOCerta vez o vice-presidente Marco Maciel ouviu de Heitor Ferreira, ex-secretário particular dos presidentes Geisel e Figueiredo, a definição do posto que ocuparia no governo de Fernando Henrique Cardoso: “Vice-presidente é nada à véspera de tudo”.

Maciel soube equilibrar-se nessa linha quase etérea entre o “nada” e o “tudo”, e hoje é exemplo de comportamento para um vice-presidente, discreto e eficiente. Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão recebeu com um sorriso o presidente Bolsonaro, que voltava a Brasília depois de 16 dias internado no Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Sorriso que desfez qualquer desconforto que poderia ter causado uma ironia do presidente, ao telefone: “Quer me matar?”, perguntou a Mourão, que tratou de revelar a “brincadeira” para retirar dela qualquer conotação outra.

ESTADO DE ESPÍRITOEmbora estivesse se referindo ao churrasco de confraternização de sua turma, de que Mourão participara enquanto ele estava no hospital, o presidente Bolsonaro refletia um estado de espírito inoculado pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02, que mantém a desconfiança de que existem pessoas interessadas na morte de seu pai.

Antes da posse, ele usou o twitter para dizer que a morte de seu pai interessaria “também aos que estão muito perto” (…) “Principalmente após sua posse”. Na posse, ele fez questão de aboletar-se no Rolls Royce que conduzia seu pai. O 02 acordara com um mau pressentimento e, armado de uma Glock, pediu para ser o guarda-costas do pai.

Mourão é considerado por um grupo de bolsonaristas, que inclui até mesmo o guru Olavo de Carvalho e o estrategista americano Steve Bannon, como um potencial inimigo, um Cavalo de Tróia que tenta se diferenciar de Bolsonaro recebendo líderes do MST ou defendendo a memória do ambientalista Chico Mendes.

DIZIA VINICIUS“Filhos, melhor não tê-los”, já advertia ironicamente o poeta Vinicius de Moraes, para completar: “Mas sem tê-los, como sabê-lo?”. A relação do presidente com seus filhos é um dos fatores desestabilizadores desse governo que mal se iniciou.

As confusões envolvendo os três filhos políticos de Bolsonaro provocam intrigas dentro do próprio grupo de governo, especialmente os militares. O senador Flávio Bolsonaro, o 01, tenta se desvencilhar do caso de seu ex-assessor Fabricio Queiroz, apanhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão.

O deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro, o 03, flagrado em uma palestra afirmando que para fechar o Supremo Tribunal Federal bastaria chamar “um soldado e um cabo”, considera-se um assessor presidencial especialíssimo, e trabalha para ligar o PSL ao conjunto de partidos de direita pelo mundo, que o estrategista americano Steve Bannon sonha reunir. Já admitiu se candidatar à sucessão do pai caso Bolsonaro acabe mesmo com a reeleição, como prometeu. O 01 nunca recebeu apoio do 02. E o 03 ontem se recusou a falar sobre a crise em que o 02 está metido.

Militares agem para evitar demissão de Bebianno e neutralizar filhos de Bolsonaro

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Tânia Monteiro
Estadão

Diante da crise instalada no Palácio do Planalto envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, principalmente militares, estão agindo para tentar conter o imenso problema criado no dia em que o governo queria anunciar qual a proposta da reforma da Previdência vai encaminhar ao Congresso.

A temperatura da crise se elevou após a TV Record exibir na noite de quarta-feira, dia 13, uma entrevista com o presidente, a primeira após receber alta do hospital Albert Einstein. À emissora, Bolsonaro praticamente rifou Bebianno ao dizer que ele poderá “voltar às origens” caso fique comprovado seu envolvimento em suspeitas de desvio de recursos eleitorais.

MAGOADO – O ministro, que foi presidente do PSL, disse a interlocutores que está “muito magoado”. Só que Bebianno já avisou que não pede demissão e que só sai demitido pelo presidente. Ninguém duvida também que ele pode deixar o governo atirando.

Preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto estão agindo para tentar evitar que a saída de Bebianno possa aprofundar a crise e espalhá-la para outros setores.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

MOBILIZAÇÃO – Nesta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, estão agindo para conter essa tempestade que tomou conta de Brasília. Eles, no entanto, não são os únicos.

Outros ministros e outras pessoas próximas da Bolsonaro estavam buscando o presidente nesta quinta-feira, dia 14, para tentar lhe mostrar as implicações desses atos, com sérias consequências para o País e a governabilidade. Os desajustes do Executivo imediatamente atravessam a rua levam problemas à já desarrumada e conflituosa base aliada.

PELO TWITTER – Os auxiliares do presidente entendem que não é possível governar com ímpetos pelo Twitter, repetindo até um pouco do comportamento do norte-americano Donald Trump. Advertem que isso tem consequências, normalmente, desastrosas.

A publicação por Carlos Bolsonaro do áudio enviado pelo presidente a Bebianno pelo WhatsApp foi considerada “inadmissível” porque está ligado à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria de Tânia Monteiro. Traça um retrato perfeito da situação. Se continuar a reboque dos filhos, Bolsonaro se arrisca a jogar seu prestígio na lata do lixo. Tem de se assumir como presidente e colocar os filhos em seus devidos lugares. Eles se julgam “príncipes-regentes”, mas acontece que o Brasil é uma república. (C.N.)

Dante escreveu a “Divina Comédia” ou usou os antigos textos muçulmanos?

Resultado de imagem para dante alighieri frasesAntonio Rocha

Jamais houve dúvida sobre a autoria do poema clássico “A Divina Comédia”. Mas agora há quem afirme que o grande Dante Alighieri apenas copidescou o famoso texto. O verbo copidescar vem dos antigos gráficos como eu, revisor em priscas eras da máquina de linotipo. “Copy desk” é como chamamos o redator final do texto.

O fato concreto é que a “Divina Comédia” é uma das belezas da Literatura Universal. Mas vez por outra nos surpreendemos e descobrimos verdadeiras preciosidades sobre os textos literários. No caso da “Divina Comédia”, agora há o debate saudável sobre as origens da obra-prima, que teria sido inspirada na literatura muçulmana. Com a palavra, os estudiosos, os especialistas e outros que tais… eu sou apenas um aprendiz.

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“MUNDO ÁRABE – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO”
Compilação de Ricardo Roman Blanco

“Simplesmente de pasmar as descobertas sensacionais que a alta pesquisa histórica moderna está realizando no campo das instituições e quanto à autoria das grandes epopeias da humanidade; por exemplo: as instituições do Salteo ou dos Alfaqueques, ambas por nós descobertas e, por incrível que pareça, a autoria da própria “Divina Comédia” atribuída a Dante Alighieri.

Pois bem, saibam todos que a maior epopeia do renascimento não é de Dante Alighieri, como até agora estudávamos e ensinávamos: ela é cópia quase literal dos ensinamentos da escola mística muçulmana-espanhola de Ibn-Massarra, como prova de maneira irrefutável o grande arabista espanhol, professor Assim Palácios, na sua imortal obra intitulada “La Escatologia Muçulmana en la Divina Comedia”, que, por incrível luxo de detalhes, prova extremos tão curiosos como os conhecimentos da gíria siciliana por parte de Dante Alighieri.

Por exemplo: existem na Divina Comédia dois versos que ninguém até hoje soube traduzir. E sabem o que esses versos dizem? Pois pasmem: são dois solenes palavrões utilizados na gíria árabe da Universidade Siciliana de Palermo, onde reinava Frederico II, íntimo amigo e protetor de Dante Alighieri e tão arabizado, apesar de ser cristão caudatário do Papa, que até harém possuía; e que, como diz o velho ditado espanhol: “Lo cortés no quita lo valiente” (cortesia não é sinal de fraqueza).

Nem o famoso intelectual Bartolomeu Mitre, presidente da República Argentina, foi capaz de traduzir os ditos versos na sua versão espanhola da “Divina Comédia”. E o autor de tão hilariante descoberta foi nada mais nada menos que o nosso modesto e despretensioso professor Taufik Kurban, recentemente falecido, nesta mesma metrópole paulistana”.

(trecho do livro “Mundo Árabe Berço da Civilização”, editora Fearab – Brasil – Confederação de Entidades Árabe-Brasileiras, 2006, p. 37 e 38).

Ministro Bebianno está por um fio no governo ou é o homem que sabe demais?

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O caso Bebianno parece ter saído da filmografia de Hitchcock

Francisco Leali
O Globo

Eleito com ajuda do impulso das redes sociais, onde os comentários, ataques e impropérios prosperaram, o presidente Jair Bolsonaro , livrou-se das bactérias do pulmão, recuperou-se da última cirurgia e desembarcou de volta ao Planalto Central pronto para reassumir as rédeas de sua gestão. O primeiro ato foi verbal: deixar por um fio o emprego daquele que já tinha sido o auxiliar mais próximo, o secretário-geral da Presidência da República, o advogado Gustavo Bebianno .

No que pode vir a ser a primeira demissão do governo Bolsonaro, a situação do ministro, seguindo moldes e costumes do poder, estaria mais para figurar na seção 2 do Diário Oficial – onde publica-se atos de nomeação, mas também exoneração de servidores.

FRITAR OU TORRAR – O linguajar clássico da corte brasiliense usa o verbo “fritar” quando está em curso ação para induzir a demissão de uma autoridade. E o poder dá um jeito de ir minando por dentro a sustentação do alvo.

Na era Bolsonaro, seria mais apropriado falar em “torrar” ou “arder”. A fogueira em que Bebianno foi colocado pode ser indicativo do método bolsonariano de tirar gente do seu governo. A estratégia foi construída nas mesmas redes sociais que inflaram o apoio ao então candidato. O porta-voz foi o mesmo filho, Carlos, que protagonizou as ondas de mensagens mais virulentas.

Para espanto de seguidores que ontem pedindo em sua rede para ele ter calma e não prejudicar o governo do pai presidente, Carlos denunciou a mentira de Bebianno.

ATÉ O ÁUDIO – Não bastasse isso, publicou um áudio com a voz do pai. No final da noite, o próprio presidente declarou em em uma entrevista à TV Record que a frase do ministro era mesmo mentirosa. Bebianno havia declarado ao Globo que tinha conversando três vezes num só dia com o presidente, na ocasião, ainda internado em São Paulo.

Quando o presidente diz que o ministro mente, ao invés de declarar que acredita que o auxiliar tem sua confiança e espera que ele prove a inocência, a porta da rua parece ser a serventia da casa.

Mas há que se considerar que Bebianno estava em todos os momentos decisivos de 2018 ao lado do candidato. Ouviu conversas, sabe como foram tomadas as decisões estratégicas de campanha, das corriqueiras às menos ortodoxas. Ou seja, se ministro que arde sabe demais, o presidente pode ser aconselhado a mantê-lo ali ao alcance da sua vista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cá entre nós, esse ministério do Bolsonaro é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que me passa. (C.N.)

Vale privilegiou lucros em detrimento da segurança, diz parecer da Procuradoria

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Procurador Saboia redigiu um parecer devastador contra a Vale

Aguirre Talento
O Globo

Em um parecer enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o caso de Brumadinho (MG), o Ministério Público Federal aponta que a mineradora Vale “privilegiou a lucratividade em detrimento da segurança de seus trabalhadores e dos habitantes de seu entorno” e alerta para o risco de impunidade dos dirigentes da empresa.

A manifestação é assinada pelo subprocurador-geral da República João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho e foi enviada na tarde da quarta-feira (13) ao ministro do STJ Nefi Cordeiro. Trata-se do primeiro posicionamento técnico de um integrante da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, abordando mais especificamente a soltura dos técnicos da Vale que haviam sido presos.

ENGENHEIROS Saboia se posiciona favoravelmente à soltura dos dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, Andre Jum Yassuda e Makoto Namba – eles já foram soltos no último dia 5 por decisão liminar da Sexta Turma do STJ em um habeas corpus. Falta ainda, porém, a decisão de mérito, por isso foi solicitada a manifestação da PGR.

O subprocurador aponta que não houve comprovação de que a atuação dos engenheiros, que atestaram a segurança da barragem, tenha colaborado para o acidente. “Até agora não há nenhum laudo pericial, ainda que por perícia indireta, dizendo a que se deve atribuir a ruptura da barragem”, escreveu.

Na sua avaliação, o acidente está mais relacionado a uma opção econômica da Vale em detrimento da segurança e, por isso, a investigação não pode punir apenas técnicos e poupar os dirigentes da empresa. Essa opção seria o uso da técnica da construção da barragem “à montante”, cujo risco envolvendo acidente tem potencial muito maior.

SENSO COMUM“Creio oportuno exprimir meu ponto de vista, ressalvando que sou leigo em engenharia mas não desprovido do senso comum, que leva a supor que não a tragédia em si, mas suas proporções gigantescas, com centenas de mortos e desaparecidos, se deve não a qualquer fraude ou negligência dos técnicos, mas à decisão gerencial de utilizar uma técnica potencialmente perigosa, por motivos econômicos, no que diz respeito à escolha do local de construção”, escreveu.

Prossegue o raciocínio do subprocurador: “Finalmente: se, como também é notório, se o depósito de rejeito estava há anos desativado, porque não se o esvaziou, prevenindo a tragédia? Igualmente por opção econômica, para, quando fosse decidido melhor convir, se reprocessar aqueles rejeitos e extrair mais metal. Outra explicação no momento não encontro para que se mantenha por anos, sem aparente utilidade, aquela situação no mínimo potencialmente perigosa”. Por esses elementos, conclui, a Vale privilegiou os lucros em detrimento da segurança.

IMPUNIDADESob esse raciocínio, Saboia aponta risco de impunidade caso a investigação seja focada nos técnicos que assinaram os laudos. “Mas desde logo presumir que houve falsidade e fraude, é abrir uma larga porta para não se apurar responsabilidade dos dirigentes empresariais que optaram por construir uma barragem “à montante”, que a mantiveram em operação por anos, e, depois de desativá-la, também por anos a mantiveram repleta ou quase”, escreveu.

“Por isso, a matéria deve ser, em todas as instâncias, examinada com atenção redobrada, para não favorecer a impunidade daqueles que podem ser (não afirmo que o sejam, pois se trata de investigação inicial ainda) os maiores, se não os únicos, responsáveis”, afirmou o subprocurador.

O mérito do habeas corpus ainda será julgado na Sexta Turma do STJ, que decidirá se mantém a liberdade dos engenheiros ou se reverte a decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Afinal, o que está faltando para ser pedida a prisão dos dirigentes da Vale envolvidos na tragédia, especialmente o engenheiro Fábio Schvartsman, que preside a empresa e é o principal responsável? Há mais de uma semana o Ministério Público de Minas anunciou estar pronto para pedir a prisão deles. E o que falta?(C.N.)

Bispo rebate ofensiva do governo contra a Igreja: “Igual, só vimos na ditadura”

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Governo não pode interferir nos assuntos da Igreja, diz o bispo

Bernardo Mello Franco
O Globo

A Igreja Católica não deve se intimidar com a ofensiva do Planalto contra a sua atuação na Amazônia. O ministro Augusto Heleno fez críticas a um seminário convocado pelo papa Francisco para discutir os problemas da região. Em vez de calar os bispos, aumentou a insatisfação do clero com o governo.

O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que relatórios da Abin descrevem a CNBB como “potencial opositora”. O general Heleno se referiu ao Sínodo da Amazônia como “interferência em assunto interno do Brasil”. Acrescentou que pretende “neutralizar” o evento religioso.

“ARAPONGAS” – O bispo do Marajó, dom Evaristo Spengler, afirma que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja. Ele diz que o clero já suspeitou da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protesta.

Dom Evaristo esclarece que o papa anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. Ele diz que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. “A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”, afirma.

INTERESSES – Para o religioso, o discurso do governo esconde interesses econômicos. “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”, critica. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Desde a campanha, Bolsonaro trata ONGs e ambientalistas como inimigos. Ele acusa as entidades de atentarem contra a soberania nacional e planejarem a “internacionalização” da Amazônia. A pregação tem eco no núcleo militar do governo. “Isso é uma fantasia para justificar a exploração predatória da floresta. Estamos no tempo das fake news”, rebate dom Evaristo.

CHICO MENDES – Na segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente aumentou a tensão com a Igreja ao ofender a memória de Chico Mendes, assassinado em 1988. Segundo Ricardo Salles, o líder seringueiro usava a luta ambiental para “se beneficiar”.

A declaração revoltou a ala progressista do clero. “Querem desqualificar quem defende os povos da Amazônia”, afirma o bispo do Marajó.

Verba pública eleitoral liberada por Bebianno parou em minigráfica de filiado do PSL

Gráfica Vidal, na cidade de Amaraji (PE), responsável pela impressão de material de campanha do PSL

O dono da gráfica não guardou um só impresso para exibir…

Deu na Folha

Uma gráfica de pequeno porte de um membro do diretório estadual do PSL — legenda do presidente Bolsonaro— foi a empresa que mais recebeu verba pública do partido em Pernambuco nas eleições. Sete candidatos declararam ter gasto R$ 1,23 milhão dos fundos eleitoral e partidário na gráfica Vidal, que nunca havia participado de uma eleição e funciona em uma pequena sala na cidade de Amaraji, interior de Pernambuco.

Levantamento da Folha identificou que pelo menos 88% deste valor, a quase totalidade dos repasses de fundo partidário e fundo eleitoral, foram de responsabilidade oficial do presidente nacional do PSL à época, Gustavo Bebianno, então coordenador de campanha de Bolsonaro e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

VIDAL E BIVAR – O dono da Vidal Assessoria e Gráfica LTDA é Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, 28, que se apresenta como presidente do PSL em Amaraji. A Folha visitou nesta quarta-feira (13) a empresa. Na sala, havia duas máquinas e uma recepcionista.

Vidal esteve com o já presidente eleito Jair Bolsonaro em sua casa, no Rio, em novembro. “Fui só para tirar uma foto”, diz ele, que foi o responsável pela coordenação da campanha do presidente na Mata Sul de Pernambuco.

Fundador e principal cacique do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE) também teve importante papel nessas decisões. À época presidente licenciado, ele está novamente no comando da sigla.

Desde que a Folha começou a publicar no último dia 4 as reportagens sobre candidatas laranjas, Bivar e Bebianno têm dado declarações conflitantes, apontando um ao outro como responsável pelos repasses.

“SEM PROBLEMA” – Vidal é filiado ao PSL desde março de 2018, mesma época em que Bolsonaro e seus aliados entraram na legenda. “Não vejo nenhum problema”, disse o dono da gráfica sobre ter recebido mais de R$ 1 milhão de verba pública por meio de seu partido.

A estrutura modesta da gráfica contrasta com o volume de material que teria sido impresso no local. Bivar, por exemplo, destinou R$ 848 mil à empresa para a impressão —de acordo com as notas fiscais— de mais de 5 milhões de santinhos e adesivos, entre outros materiais.

Érika Siqueira, ex-assessora de Bebianno no PSL, declarou ter gasto R$ 233 mil na Vidal, de um total de R$ 250 mil repassados. Ela foi postulante a deputada estadual e teve apenas 1.315 votos. O restante da verba, que totaliza R$ 56,5 mil, ela declarou ter gasto em uma outra gráfica, a Itapissu, sem sinais de funcionamento efetivo nos endereços que constam na Receita Federal e nas notas fiscais.

NEGÓCIO INFORMAL – Vidal diz ainda que abriu sua empresa em 2013 e que só investiu “nesse negócio de cliente político agora”. “Coloquei quase 40 pessoas em turno de 24 horas. No momento certo, eu vou apresentar [as provas]. Agora, não tenho aqui. É um negócio informal.”

Os outros candidatos que declaram gasto na firma são Major Pedro Mendes (R$ 54,9 mil), Thiago Paes (R$ 40,5 mil), Silvio Nascimento (R$ 25 mil), Frederico França (R$ 13,9 mil) e Fred Teixeira (R$ 13,7 mil). Nenhum foi eleito.

Nesta quarta, a recepcionista da Vidal informou que só ela e outro funcionário trabalham no local. O empresário Luis Vidal afirmou que não havia irregularidades na prestação de serviços. Disse que a empresa dele conseguiu ser contratada porque apresentou o preço mais baixo e uma maior disponibilidade de entrega. “A empresa trabalhou. Tudo o que foi declarado foi rodado e entregue. Aqui, a gente não tem nada de errado”, diz.

SÓ NA JUSTIÇA – Questionado se teria como mostrar alguns exemplares do material que havia sido impresso, disse que nem tudo estava lá. “Se for necessário, eu apresento à Justiça”, disse.

Quando lhe foi perguntado se a estrutura da empresa estaria compatível com a demanda recebida, disse que tem tudo registrado nos seus arquivos. “Rodamos um bocado de candidato. É uma loucura, a maior agonia. Tenho tudo no sistema e posso apresentar à Justiça.”

Procurado pela Folha, Bebianno não se manifestou. Bivar declarou que não cometeu nenhuma ilicitude e que as contas do partido foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chamar as candidatas de “laranjas” é um exagero, porque todo partido tem de cumprir a cota feminina e é difícil encontrar mulheres que queiram se candidatar. A maior irregularidade, sem dúvida, é pagar por material que não foi impresso. O dono da gráfica não tinha nenhum santinho para mostrar ao repórter? Na linguagem policial, isso é chamado de “batom na cueca”. (C.N.)

Vale conhecia os riscos, previu as mortes e calculou até os danos em US$ 1,5 bilhão

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Afinal, o que está faltando para prender o presidente da Vale?

Lucas Vettorazzo, Nicola Pamplona e Thiago Amâncio
Folha

Um documento interno da Vale estimou em outubro de 2018 quanto custaria, quantas pessoas morreriam e quais as possíveis causas de um eventual colapso da barragem de Brumadinho (MG), que acabou se rompendo no dia 25 de janeiro. O relatório é usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação civil pública em que pede a adoção de medidas imediatas para evitar novos desastres, já que dez barragens, incluindo a de Brumadinho, estariam em situação de risco, segundo o documento da própria mineradora.

A Vale questiona a Promotoria e diz que o estudo indica estruturas que receberam recomendações de manutenção, as quais já estariam em curso. A empresa defende ainda que a barragem de Brumadinho não corria risco iminente.

PREVIU MORTES – O estudo projeta que um eventual colapso provocaria mais de cem mortes — até o momento, as autoridades contabilizam 165 mortos e 155 desaparecidos. O número considera um cenário de rompimento durante o dia e com funcionamento dos alertas sonoros instalados para evitar emergências.

A maior parte das vítimas estava no refeitório e na sede administrativa da mina do Córrego do Feijão, onde está a barragem que se rompeu. No começo do mês, a Folha mostrou que o plano de emergência da barragem previa a inundação dessas estruturas.

De acordo com o estudo da Vale, chamado Resultados do Gerenciamento de Riscos Geotécnicos, os custos de um eventual rompimento na barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão poderiam chegar a US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões, ao câmbio atual).

CAUSAS PROVÁVEIS – A empresa também projetava como causas prováveis de rompimento a erosão interna ou liquefação. Inspeções já tinham encontrado indícios de erosão na ombreira (lateral da barragem) e indícios de alagamento.

O documento inclui a estrutura que se rompeu entre dez barragens em uma zona de atenção. As outras são: Laranjeiras (em Barão de Cocais), Menezes 2 e 4-A (em Brumadinho), Capitão do Mato, Dique B e Taquaras (Nova Lima) e Forquilha 1, Forquilha 2, Forquilha 3 (Ouro Preto).

A análise de estabilidade exigida pela legislação atestou as condições de segurança da barragem que se rompeu, mas indicou uma série de problemas que deveriam ser resolvidos pela mineradora.

DIZ A EMPRESA – Procurada pela Folha, a Vale afirmou em nota que “os estudos de risco e demais documentos elaborados por técnicos consideram, necessariamente, cenários hipotéticos para danos e perdas”.

A Vale disse que “não existe em nenhum relatório, laudo ou estudo conhecido, qualquer menção a risco de colapso iminente da barragem” e reafirmou que a estrutura tinha “todos os certificados de estabilidade e segurança”.

Em entrevista nesta terça (12), o gerente-executivo de planejamento da área de minério de ferro e carvão da empresa, Lúcio Cavalli, disse que “em momento algum essa estrutura deu sinais de que estava com problema”.

ZONA DE ATENÇÃO – De acordo com a Vale, a “zona de atenção” compreende barragens em que os técnicos apontaram recomendações, mas não risco iminente.

Segundo a empresa, no caso da estrutura que se rompeu, as recomendações eram dar continuidade ao processo de descomissionamento e reduzir os níveis do lençol freático, o que já vinha sendo feito, de acordo com a companhia.

A Justiça de MG determinou uma série de ações preventivas nas barragens citadas. A Vale diz que todas as exigências já vinham sendo cumpridas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto vai a desfaçatez dos dirigentes da Vale. O ordem dada à equipe foi de prosseguir o descomissionamento, que significa reprocessar o rejeito da barragem, para separar e revender as sobras do minérios. Com a barragem em situação de risco, revolver os resíduos com máquinas pesadas deve ter desestabilizado a barragem, é claro, mas a Vale não admite ter errado. Na cadeia, talvez algum diretor (ganham R$ 1,5 milhão por mês) peça delação premiada e conte mais detalhes do que já se sabe. Mas quem se interessa em prendê-los? (C.N.)

Bolsonaro manda Polícia Federal investigar Bebianno, que não admite se demitir

Bolsonaro na Record

Jair Bolsonaro já transformou a Record em sua emissora “oficial”

Robson Bonin
O Globo

Na entrevista concedida a Record nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro poderia ter defendido seu ministro Gustavo Bebianno das denúncias da “Folha de S.Paulo” de uso irregular de recursos do fundo eleitoral do PSL durante a campanha. Poderia, mas não o fez. Abriu o caminho da demissão, ao dizer que pediu investigação da Polícia Federal sobre o caso e ao dar a entender que uma minoria no partido comete irregularidades. Se algo restar comprovado contra Bebianno…

— Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens — disse o presidente.

APOIO AO FILHO – Não perguntaram a Bolsonaro se ele colocaria a mão no fogo pelo auxiliar – e nem precisava. O presidente fez coro com o filho Carlos ao chamar Bebianno de mentiroso em rede nacional de televisão. Estranhamente, porém, não anunciou, na sequência, a demissão do autor das “mentiras”. Preferiu manter, ainda que na berlinda, o aliado na Secretaria-Geral da Presidência.

A crise reafirma a impressão de que o presidente move-se pelo temperamento dos filhos e por postagens em redes sociais. Algo que apavora a ala militar do Planalto, afeita aos movimentos de bastidores. Com um novo dia inteiro para Carlos tuitar, a quinta-feira no palácio promete.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente a análise de Robson Bonin. Mas faltou dizer ter ficado claro que Carlos Bolsonaro agiu com autorização do pai. No caso, o ministro Bebianno foi ingênuo, tentou se proteger se escondendo atrás de Bolsonaro. Deveria ter jogado a culpa no Diretório de Pernambuco (comandado por Luciano Bivar, presidente licenciado do partido), responsável por armar a jogada da gráfica que nem tinha máquinas impressoras. E a entrevista de Bolsonaro à Record já estava acertada. Ele deu as declarações no Palácio da Alvorada em Brasília, ainda usando a mesma roupa com que viajara de São Paulo. Conforme anunciamos ontem, aguarda-se a demissão de Bebianno. (C.N.)

Pente-fino da Receita que mira Gilmar selecionou outros 134 agentes públicos

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Gilmar e Guiomar foram flagrados em movimentação atípica

Fabio Serapião e Adriana Fernandes
Estadão

A força-tarefa criada pela Receita Federal para mapear agentes públicos com indícios de irregularidades tributárias selecionou 134 pessoas de um universo de 800 mil. O trabalho foi desenvolvido pela Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias (EEP Fraude).

A criação do grupo foi revelada pelo Estado em maio de 2018. O grupo, diz a nota em que a equipe apresentou seus resultados, procurou identificar agentes públicos de todas as esferas de poder cujos dados tributários apontassem para a possibilidade de crimes tributários e correlatos, como lavagem de dinheiro e corrupção. Um dos selecionados foi o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

TUDO EM SIGILO – Os nomes de todos citados são mantidos em sigilo e não há informações se foram instauradas investigações formais para cada caso.

“Não existe foro privilegiado na Receita Federal”, afirmou à época da criação do grupo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins. Segundo ele, o trabalho do grupo visava utilizar a experiência acumulada na atuação conjunta com PF e MPF em grandes operações para fortalecer o trabalho de fiscalização tributária.

Para esse objetivo, explica a nota, o Fisco desenvolveu uma metodologia que, além da pessoa física alvo, mira pessoas relacionadas em 1º e 2º grau (cônjuge, dependentes e empregados), sócios relacionados a pessoas com ligação em 1º e 2º grau e empresas associadas a essas pessoas.

O CASO GILMAR – Foi exatamente o que aconteceu no caso no ministro Gilmar Mendes. Ao comparar as declarações de sua esposa, Guiomar Feitosa, e do escritório onde ele trabalha, a Receita encontrou discrepâncias entre valores declarados.

Assinada por dois auditores fiscais, a nota explica que nem todos 134 contribuintes selecionados cometeram crimes irregularidades tributárias e, em alguns casos, mesmo com irregularidade tributária não existe necessidade de uma representação para fins penais. Esse tipo de representação é feita à PF e ao MPF quando os auditores encontram, além de problemas de ordem tributárias, indícios de outros crimes como lavagem de dinheiro.

“É certo que cada situação analisada pode ter uma situação particular, não havendo uma fórmula única nem um conjunto de indícios determinados para decidir-se pela abertura de um procedimento fiscal. A metodologia ora apresentada visou a identificação de indícios, que não prescindem de um aprofundamento em Âmbito regional, ainda em sede de programação”, diz trecho da nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, isso significa que Gilmar Mendes não está sendo perseguido; simplesmente foi flagrado junto com outras 134 autoridades que apresentam movimentação financeira atípica, que é sinônimo de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele pode espernear à vontade, mas não adianta nada. Vai acabar sendo estraçalhado pela máquina, que não funciona mais a seu favor. (C.N.)

O homem que evitou a hora da morte, na criatividade de Chico Salles

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Chico Salles era representante da música nordestina no Rio

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O engenheiro, cantor, compositor e cordelista paraibano Francisco de Salles Araújo (1951-2017) conta, em forma de cordel, “A Hora da Morte”, uma engraçada estória de ficção.

 
A HORA DA MORTE
Chico Salles

Esta primeira história
Me contou Jota Canalha
Afirmando ser verídica
Se deu em Maracangalha
O conto do Carochinho
Foi com Nelson Cavaquinho
Que se passou a batalha.

O sujeito teve um sonho
Do dia em que morreria
Seria na terça-feira
Vinte oito era o dia
Do primeiro fevereiro
Já estava em janeiro
Começou sua agonia.

No dia seguinte do sonho
Procurou a cartomante
Que confirmou a história
Ele mudou de semblante
Dizendo-lhe até o horário
Marcando no calendário
Ali naquele instante.

Seria às vinte e três horas
Reafirmou com certeza
O cara saiu dali
Carregado de tristeza
Murmurando repetia
Meu Deus mais que agonia
Mostre-me sua grandeza.

E com o passar dos dias
Aumentava a aflição
Ele cheio de saúde
E naquela situação
Meu Deus o que faço agora
Passava outra aurora
E nada de solução.

Quando chegou fevereiro
Seu peito alto batia
Procurou um hospital
E na cardiologia
Naquela dúvida infame
Fez tudo o que é exame
Até radiografia.

Fez exame de esforço
Urina e colesterol
Também exame de sangue
E fezes estavam no rol
Teve no ácido úrico
Um resultado telúrico
Feito isca no anzol.

A saúde era perfeita
Não tinha nem dor de dente
Ficou um pouco animado
Mais ou menos sorridente
Outra semana passou
O calendário voou
Deixando-lhe impaciente.

Até que chegou o dia
Daquela interrogação
Foi então dormir mais cedo,
Mas sua imaginação
Resolveu naquele instante
Tomar um duplo calmante
Haja, haja coração.

O relógio despertador
Em cima de uma banqueta
Ele embaixo do lençol
Aquela triste faceta
Um minuto era um mês
Olha o relógio outra vez
Batendo feito o capeta.

Depois, se passar das onze
Ele estaria salvo
Daquela situação
Não seria mais o alvo
Mas o tempo é assim
Quando quer fazer pantin
Não dá nem um intervalo.

Passava das dez e meia
Quando chegou o destino
Bateu na sua cabeça
Feito badalo de sino
Ali naquele momento
Veio no seu pensamento
Sair daquele pepino.

Pegou o despertador
Atrasou em quatro horas
Em seguida adormeceu
Feito anjos na aurora.
Isto já faz vinte anos
Vivinho e cheio de planos
Nem pensa em ir embora.

Armínio Fraga errou! Não é verdade que o país gaste 28% do PIB com a Previdência

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Armínio Fraga disse uma asneira incrível sobre a Previdência

Pedro do Coutto

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em reportagem de Daiane Costa e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, disse que o Brasil gasta 28% de seu Produto Interno Bruto com o pagamento de aposentadorias pelo INSS e também pelas aposentadorias e pensões dos funcionários públicos, além de incluir nesse cálculo pagamento dos funcionários em atividade. Para mim, o ex-presidente do Banco Central exagerou na dose. Afinal de contas, o Produto Interno Bruto Brasileiro supera a escala de 6 trilhões de reais.

Projetadas sobre o PIB as despesas com todos esses itens, vamos verificar que o desembolso anual do governo com a folha de salários e a cobertura do déficit do INSS está muito longe de atingir a escala de aproximadamente 2 trilhões de reais.

FAZENDO AS CONTAS – Basta lembrar que recentemente o governo afirmou que o déficit do INSS em 2018 foi de 190 bilhões de reais. É preciso inclusive explicar que esse déficit decorre da diferença entre receita e despesa com o pagamento do INSS. O desembolso foi de 790 bilhões de reais, contra uma receita de 600 bilhões de reais. Daí o déficit apresentado pelo governo.

Não se pode confundir o déficit existente com o encargo total da folha de salários. De mesma forma, não vale a pena exibir a despesa do INSS como um todo isolado, sem incluir a receita. Da maneira equivocado que Armínio Fraga coloca, para os menos avisados pode parecer uma verdade absoluta. Mas no final de contas, não se pode achar que 790 bilhões devam entrar na relação de despesas, sem que também entrem os números da receita.

REDUÇÃO DE JUROS – Na última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 6,5 ao ano (reportagem de Gabriela Valente, também em O Globo), foi atribuída à reforma da Previdência a redução dos juros cobrados pelo mercado, além de incentivo ao crescimento do PIB. Não vejo como vincular os dois assuntos repousando-os na reforma do sistema previdenciário.

Os juros reais cobrados a empresários e pessoas físicas são fixados pelos bancos, principalmente pelo Itaú, Bradesco e Santander. Quanto ao crescimento econômico, não depende da reforma da Previdência, mas sim da queda do nível de desemprego.

DESINFORMAÇÃO – Vejam os leitores os absurdos que estão povoando a administração brasileira. A desinformação, por exemplo, é um problema crítico para qualquer governo. Vejam só. O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, além de não atribuir importância a Chico Mendes, assassinado em 1988, ainda por cima classificou o líder dos trabalhadores como um grileiro atuando na Amazônia.

Demonstrou não ter o mínimo conhecimento da luta de Chico Mendes pelo meio ambiente. A reação veio de todos os lados, inclusive do vice-presidente da República Hamilton Mourão.

“Chico Mendes faz parte da história do Brasil”, destacou o general, respondendo à insignificância cultural do ministro.

 

Médico de Bolsonaro exagerou muito ao afirmar que ele já está “perfeito”

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Bolsonaro vai seguir o tratamento até se recuperar plenamente

Carlos Newton

O exímio médico Luiz Antonio Macedo, um dos melhores do mundo em cirurgia de abdome, foi surpreendentemente exagerado nesta terça-feira, ao afirmar ao Estadão que Bolsonaro já estava “perfeito” e poderia receber alta na quarta-feira, conforme aconteceu ontem. Esse tipo de declaração devia ser evitado, porque o presidente é impulsivo, fica achando que já está curado e se arrisca a ultrapassar a linha divisória do gramado, como dizem os locutores esportivos.

É preciso que Bolsonaro continue o tratamento em casa, poupando-se ao máximo das atribuições presidenciais, porque somente dentro de alguns meses é que poderá ser declarada sua cura definitiva.

EXISTE RISCO – Reportagem de Cláudia Collucci na Folha, publicada nesta quarta-feira, revela que o risco estimado na literatura médica é baixo, menor que 5%, e vai diminuindo com o tempo. Por isso, nas primeiras semanas após a alta é preciso atenção aos sinais infecciosos, como indisposição, febre, tosse e dor abdominal.

O infectologista Artur Timerman, entrevistado pela repórter, revela que o período mais crítico será nos próximos dois meses, tempo que leva para que a flora intestinal nativa se recomponha. “O fato de ter havido uma alteração no trânsito normal do intestino faz com o microbioma já mude bastante e há riscos de novas infecções.”

O especialista considera fundamental uma dieta equilibrada, com fibra e bastante hidratação, para que o intestino funcione todos os dias. “Um trânsito mais lento pode expô-lo a risco de infecções.”

DIETA ESPECIAL – Também entrevistado por Cláudia Collucci, o médico Carlos Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, diz ser importante uma dieta antifermentativa (sem frituras, alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas) e fracionada, para não distender muito o abdome e retardar o esvaziamento gástrico.

Diz o especialista que outro cuidado adicional são com os cortes abdominais da cirurgia em si e do local onde estava implantada a bolsa de colostomia. “No local da bolsa, pode sobrar uma colonização [de bactérias] da pele e voltar a infectar”, diz Sobrado. Também há riscos (menos de 5%) de novas aderências (de uma alça ou tecido grudar no outro), que são inerentes à cirurgia de intestino.

O médico Diego Adão Fanti Silva, cirurgião do aparelho digestivo da Unifesp, diz que as aderência podem acontecer a qualquer momento e não existe medida preventiva. “Quando acontecem, mais de 80% podem ser resolvidas sem necessidade de cirurgia. O paciente precisa ficar atento se apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.”

SEM FAZER ESFORÇOS – Bolsonaro deve evitar grandes esforços, como carregar peso ou fazer musculação. Mas precisa fazer exercícios leves para fortalecer a musculatura sem aumentar muito a pressão do abdome, recomenda o cirurgião Fanti Silva, para evitar o surgimento de uma hérnia no local operado. As chances estimadas são de 15% —maiores nos primeiros seis meses e com redução gradativa depois desse período.

A reportagem confirma as informações que temos transmitido aqui na Tribuna, no sentido de que Bolsonaro precisa se poupar, evitar viagens e deslocamentos. Quando o avião aterrissa, por mais hábil que seja o piloto, sempre há um choque do trem de pouso. Além disso, existem as famosas turbulências nas proximidades de Brasília.

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P.S.Como dizia o Barão de Itararé, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bolsonaro precisa lembrar que não é mais o “Cavalão” do pentatlo militar. Agora, é o presidente da República e precisa se preservar, para servir ao povo que o escolheu. (C.N.)