Há quem queira que todos “fiquem em casa”, enquanto sai para jogar futebol ou ir à praia

A pandemia acabou? Praias voltam a ficar lotadas no Rio e no litoral de SP | Exame

A pandemia acabou? As praias já voltaram a ficar lotadas…

Luís Ernesto Lacombe
Gazeta do Povo

A verdade absoluta está acima da capacidade de percepção humana, mas isso não nos dá o direito de usar critérios tortos, de não ter critérios justos, de usar um duplo padrão, nossas preferências e nossos interesses para decidir o que é certo e o que é errado, o real e o imaginário. Verdades não se criam. Deduções e interpretações são sempre questionáveis. O mundo é feito de opiniões diversas, prova e contraprova, argumento e contra-argumento, tese e antítese. O autoritarismo, as ideias impostas, a censura de qualquer espécie, a questionamentos e indagações, a censura a qualquer pessoa, isso ninguém deveria aceitar.

O duplo padrão e a falta de critérios são uma praga mundial e permeiam tudo o que estamos vivendo. Vale clamar pelo “autoritarismo necessário” e acusar os outros de fascistas. Vale citar a “ciência, ciência, ciência” ou dizer que “não devemos ser tão cientistas”.

LIBERDADE VIP – Vale defender todas as vidas, mas desejar a morte, o suicídio de alguns. Vale exigir que todos se tranquem e sair para jogar futebol, sinuca, para pegar uma praia. Vale não usar máscaras, mas exigir que os outros usem, aglomerar e condenar aglomerações. Vale dizer, sem ter como provar, que salvou milhares de vidas. Vale trancar tudo e partir para uma “liberdade vip”.

O duplo padrão e a falta de critérios são uma praga mundial e permeiam tudo o que estamos vivendo. Os hipócritas, demagogos, oportunistas e egoístas, tentando sinalizar virtudes, também são dados a condenar pesadamente o protesto de uma juíza num shopping e ignorar os absurdos que o STF faz quase todos os dias.

Querem restringir de todas as maneiras a liberdade de expressão, interditar o debate, impor um pensamento único. Querem decidir o que se pode e o que não se pode falar, controlar o comportamento humano, impor o “politicamente correto”, exatamente como fazem as grandes empresas de tecnologia.

EXEMPLO DE TRUMP – Banir Donald Trump das redes sociais é um absurdo. Não estou aqui defendendo a invasão ao Capitólio americano, que deve ser repudiada, mas é pura interpretação dizer que o presidente dos Estados Unidos “incitou seus apoiadores à insurreição”.

E o que fez a deputada democrata Maxine Waters? Na rua, microfone na mão, pediu que integrantes do governo Trump fossem perseguidos em restaurantes, lojas, aeroportos…

Kamala Harris, vice-presidente eleita, fecha os olhos para a violência dos “antifas” e do movimento Black Lives Matter. Ela quer libertar integrantes desses grupos, presos no ano passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante artigo enviado por Mário Assis Causanilhas, sempre atento aos direitos civis. O autor é o jornalista Luís Ernesto Lacombe, que faz uma defesa irretocável da liberdade de expressão, um dos principais direitos humanos. Mais do que ninguém, Lacombe sabe o que está falando, pois foi demitido da Band por defender teses do presidente Bolsonaro. Como dizia Carlos Imperial, sem liberdade para defender, atacar não tem a menor validade. (C.N.)  

Num gesto de autodesprezo, Bolsonaro considera o país subjugado por suas Forças Armadas

Jornal O Folha de Minas | O maior e mais completo Portal de Notícias do  Estado

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Esquecendo que a Constituição determina que o presidente da República é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Jair  Bolsonaro inverte a questão ao sustentar que “quem decide se o povo vai viver na Democracia ou Ditadura, são as Forças Armadas”.

A reação a tal absurdo circulou intensamente nos meios políticos e, como é natural, foi destacada pelos principais jornais brasileiros entre eles O Globo, Folha de São Paulo e Estadão. No Globo reportagem é de Bruno Goés e Maurício Ferro, na Folha, Daniel Carvalho e Gustavo Uribe e no Estadão a matéria não é assinada.

MAIS UMA AMEAÇA – Encurralado no corner, Bolsonaro tenta escapar dos ataques criando uma situação que pode ser considerada indiretamente uma ameaça. Entretanto, arrisca-se a receber uma resposta pouco afetiva por parte do Exército, Marinha e Aeronáutica. O ministro da Defesa pode se pronunciar, como o vice Hamilton Mourão já o fez.

Matéria de Jussara Soares e Natália Portinari, O Globo desta terça-feira, assinala que Bolsonaro mudou de estratégia para tentar recuperar terreno perdido.

O presidente da República perdeu 20 pontos nos cálculos do IPD, segundo a Folha desta terça-feira, matéria de Flávia Faria.

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BURGER KING LANÇA CAMPANHA À BASE DE PAULO GUEDES

O Burger King iniciou campanha publicitária com base na imagem de Paulo Guedes juntando um grupo de pessoas que possuem nome semelhante. João Paulo Guedes e Paulo Ferreira Guedes são exemplos para a campanha. A campanha foi idealizada por Thais Souza Nicolau. diretora de marketing. A meu ver a iniciativa do Burger King, embora marcada pelo humor, escolheu um nome impróprio para fazer uma brincadeira com os próprios nomes dos diversos “Paulos Guedes”.

Ocorre que a imagem do ministro Guedes é muito ruim em matéria de opinião pública. Seu projeto constante é defender o mercado financeiro e não dar a menor importância a questão dos salários. Estão congelados.

Agora mesmo Adriana Fernandes, o Estadão, revela que Guedes espera a vitória de Arthur Lira como presidente da Câmara para reapresentar a proposta de nova CPMF. Portanto, outra iniciativa impopular condenada até por Jair Bolsonaro.

DÍVIDA NOS EUA – A dívida pública dos Estados Unidos eleva-se ao recorde de 27 trilhões de dólares junto aos bancos americanos e investidores do mundo inteiro, especialmente a China.

O fato é que o Tesouro americano acumulou dívidas no montante de 27 trilhões de dólares, valor praticamente igual ao valor do PIB do país. Da mesma forma que a dívida brasileira, o endividamento americano dificilmente poderá ser saldado. A solução é a capitalização dos juros, ou seja, a troca dos juros pela emissão de novos títulos, numa roleta girando sem parar.

Meu Deus do céu, que bom seria, se você quisesse morar na minha palhoça…

A Velha Guarda - NOSSO RANCHINHO - J. Cascata e Donga

J. Cascata foi um dos grandes expoentes da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Álvaro Nunes (1912-1961), conhecido por J. Cascata, expressa na letra de “Minha Palhoça” um bonito, bucólico e romântico convite para a pessoa amada. Este samba de breque foi gravado pela primeira vez por Sylvio Caldas, em 1935, pela Odeon.

MINHA PALHOÇA
J. Cascata

Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão

Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada 
Abençoar nossa união

Tem um cavalo
Que eu comprei em Pernambuco
E não estranha a pista
Tem jornal, lá tem revista
Uma kodak para tirar nossa fotografia
Vai ter retrato todo dia
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
Um aparelho de rádio-batata
E um violão que desacata

Meu Deus do céu que bom seria.. 
Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão

Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada 
Abençoar nossa união

Tem um pomar
Que é pequenino,
É uma teteia
É mesmo uma gracinha
Criação, lá tem galinha
Um rouxinol
Que nos acorda ao amanhecer
Isso é verdade pode crer
A patativa
Quando canta faz chorar 
Há uma fonte na encosta do monte
A cantar chuá-chuá…

Relatório do procurador Aras sobre inquérito da Abin é uma tremenda “aula de prevaricação”  

Augusto Aras: 8 pontos para decifrar como pensa o novo PGR

O prevaricador-geral só ouvirá as testemunhas “se necessário”

Carlos Newton

A ministra Cármen Lúcia, relatora do inquérito, precisa tomar uma providência enérgica e urgente contra a Procuradoria-Geral da República, que nesta segunda-feira, dia 18, enviou ao Supremo o resultado do primeiro mês de investigação sobre produção de relatórios, pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) na tentativa de anular as investigações do caso das rachadinhas.

O fraquíssimo desempenho no primeiro mês de tão importante investigação demonstra claramente a leniência da Procuradoria-Geral, que está incorrendo no crime de prevaricação, artigo 319 do Código Penal, que dispõe: “Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

APENAS TRÊS PROVIDÊNCIAS – No relatório, o procurador-geral Augusto Aras mostra que, durante um mês inteiro, somente foram tomadas três singelas providências.

A primeira delas foi escrever um texto de poucas linhas para notificar o jornalista Guilherme Amado, da revista “Época”, com prazo para apresentar os documentos citados nas reportagens que revelaram o caso e mostraram que a Abin, subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, ajudou a defesa de Flávio Bolsonaro na tentativa de anular as acusações contra o relator.

As outras duas providências foram ouvir a Abin e o GSI, que obviamente afirmaram à Procuradoria que não patrocinaram interesses particulares do senador Flávio Bolsonaro, porque não foram relatórios oficiais, mas preparados por baixo do pano.

ABSURDA CONIVÊNCIA – O relatório de Aras mais parece uma confissão de culpa, porque revela que até agora a Procuradoria não ouviu o depoimento das advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que defendem Flávio Bolsonaro.

O relatório de Aras diz apenas que, “se necessário”, as defensoras de Flávio Bolsonaro serão ouvidas. Mas como? Será alguma Piada do Ano? Luciana Pires deu entrevista à Época, confirmando ter recebido as sugestões da Abin, mas eram imprestáveis, e apenas uma foi utilizada – fazer determinada petição ao Serpro, serviço de informática da Receita,

Luciana Pires e Juliana Bierrenbach têm de ser obrigatoriamente ouvidas, porque são as únicas testemunhas. E seus celulares, com as mensagens da Abin, via Flávio Bolsonaro, precisam ser apreendidos, se é que ainda não tocaram fogo neles. Mas a Procuradoria só pretende ouvi-las “se necessário”.

CONFIRMAÇÃO E DESFAÇATEZ – A autenticidade e a procedência dos relatórios da Abin foram confirmadas à “Época” pela advogada Luciana Pires, que tornou público e notório o fato de as propostas da Abin terem sido enviadas em setembro, por WhatsApp, a Flávio Bolsonaro, que as repassou para suas advogadas.

É inacreditável que em processo de tal magnitude, que pode e deve significar processo criminal contra o presidente da República, o procurador Augusto Aras tem a desfaçatez de comunicar ao Supremo, por escrito, que só ouvirá as únicas testemunhas “se necessário”.

Portanto, “se necessário”, algum partido político ou parlamentar precisa processar no Supremo esse prevaricador-geral da República, e a ministra Cármen Lúcia, ” se necessário”, tem de determinar o depoimento das advogadas e a apreensão dos celulares. Porque isso é básico e “mais do que necessário”. Mas quem se interessa?

Remoção de 12 seguranças e guardas extremistas expõe a tensão aguda na posse de Biden

Membros da Guarda Nacional próximos ao prédio do Capitólio, em Washington, na véspera da posse de Joe Biden

Guarda Nacional foi reforçada por mais 25 mil integrantes

Marina Dias
Folha

Milhares de soldados em uniformes camuflados se espalham pelas ruas de Washington. Monumentos e prédios públicos estão cercados. De longe, mal se vê a Casa Branca, protegida por barreiras e homens armados, que impedem a aproximação de veículos e pessoas que normalmente circulavam por ali.

A tensão aguda que invadiu a capital americana é reflexo de um esquema de proteção que vai ser colocado à prova nesta quarta (20), dia em que Joe Biden toma posse como o 46º presidente dos EUA. Mas não é só com a ameaça externa que o Departamento de Defesa dos EUA está preocupado.

ATAQUE INTERNO – A possibilidade de um ataque interno, causado por agentes de segurança, fez com que o FBI investigasse os 25 mil homens que chegaram a Washington destacados pela Guarda Nacional.

Doze deles foram removidos nesta terça-feira (19) do esquema de segurança da posse, segundo o Pentágono — ao menos dois oficiais por ligações com grupos de extrema direita. A polícia federal americana está examinando o perfil e os antecedentes dos agentes e há orientação para que todos os profissionais monitorem e denunciem qualquer comportamento ou comentário suspeito de colegas.

Desde o dia 6, quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Congresso na tentativa de impedir a certificação da vitória do democrata, Washington viu a chegada de dezenas de milhares de soldados da força federal. O contingente é maior que as tropas americanas no Afeganistão, no Iraque e na Síria juntas.

ZONA MILITARIZADA – A região central, onde ficam o Capitólio, a Casa Branca e os principais pontos turísticos da capital, virou uma zona militarizada, bloqueada por veículos militares que dividem espaço com quem vive nas cercanias.

Moradores e pessoas autorizadas precisam se identificar aos agentes antes de cruzar ruas e quarteirões, em que cada espaço tem sido monitorado pela maciça operação coordenada pelo Serviço Secreto.

O alerta máximo foi colocado em marcha diante da ameaça de novos atos violentos após o Congresso ser invadido por uma multidão insuflada por Trump, numa ação que deixou cinco mortos. O republicano não aceita totalmente a derrota e insiste na tese falsa de que as eleições foram fraudadas.

ALERTA DO FBI – Em comunicado divulgado na semana passada, o FBI, a polícia federal dos EUA, alertou para o risco de manifestações e ataques de grupos armados pró-Trump em Washington e nos 50 estados americanos.

Até agora não foram registrados incidentes significativos, e a promessa de um grande protesto no domingo (17) acabou frustrada, com mais jornalistas e agentes federais do que manifestantes.

As preocupações foram redobradas depois que apurações apontaram que vários dos invasores do Capitólio no início do mês tinham laços militares, reforçando a tese de que há um crescimento da extrema direita nas fileiras das Forças Armadas americanas.

VETERANOS RADICAIS – Segundo o jornal The Washington Post, o Pentágono tem recebido notificações de suspeitas de extremismo doméstico entre membros do serviço militar, a maioria das quais relacionada a veteranos, ou seja, àqueles que não estão mais na ativa.

O Serviço Secreto é responsável pela segurança da posse presidencial nos EUA, mas há vários militares e policiais envolvidos na cerimônia, que vão desde a Guarda Nacional e o FBI ao Departamento de Polícia Metropolitana de Washington e a Polícia do Capitólio.

Além de Washington, as maiores cidades americanas são pontos de atenção pelo risco de atos organizados por milícias de extrema direita, como o movimento Boogaloo, que diz se preparar para uma suposta segunda guerra civil nos EUA.

Diretor do Butantan cobra “dignidade” de Bolsonaro para defender CoronaVac

Atraso no recebimento de insumos pode paralisar a vacinação

Deu no G1

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobrou do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ‘dignidade para defender a vacina CoronaVac’ e agilidade do Itamaraty para viabilizar a vinda de matéria-prima da China para dar continuidade à produção do imunizante contra a Covid-19. A fórmula é a única sendo aplicada até o momento na população brasileira.

A declaração foi dada na manhã desta terça-feira, dia 19, em um evento em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que também teve a participação do governador João Doria (PSDB) “Se a vacina agora é do Brasil, o nosso presidente tenha a dignidade de defendê-la e de solicitar, inclusive, apoio, pro seu Ministério de Relações Exteriores na conversa com o governo da China. É o que nós esperamos”, disse Dimas Covas.

TEMOR – O Brasil tem seis milhões de doses prontas da vacina que pode ser fabricada pelo Butantan. Os imunizantes distribuídos aos estados desde segunda-feira, dia 18, vieram do país asiático, sede da farmacêutica Sinovac, parceira do instituto ligado ao governo de São Paulo. O temor é que, sem o insumo, as doses da Coronavac acabem ainda neste mês. Secretários estaduais da Saúde disseram nesta segunda-feira que há risco de o primeiro lote, em alguns estados, só durar uma semana.

O princípio ativo para a produção da vacina é importado da China. O Brasil tem enfrentado dificuldade para a aquisição. Na sede do Butantan, há, ainda, outras 4,8 milhões de doses fabricadas no Brasil, que aguardam a liberação da Anvisa. Sem os insumos a produção pode parar.

“Então, essa demora com relação à vinda dessa matéria-prima, eu espero que fique agilizada agora com a aprovação de uso emergência pela Anvisa, porque agora é outro status, né? E pela própria incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunização”, disse o diretor do Butantan.

Justiça autoriza abertura de investigação criminal contra deputado após denúncia de assédio na Alesp

Decisão acata pedido feito pelo Ministério Público de São Paulo

Mônica Bergamo
Folha

A Justiça de SP autorizou a abertura de uma investigação criminal em face do deputado estadual Fernando Cury por conta do episódio em que ele se aproximou da deputada Isa Penna (PSOL) por trás e apalpou os seios dela em sessão na Assembleia Legislativa de SP (Alesp) no fim de 2020.

A decisão do desembargador João Carlos Saletti acata pedido feito pelo Ministério Público de São Paulo e determina a oitiva de onze parlamentares que presenciaram o fato, como o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), Carlos Eduardo Pignatari (PSDB), Erika Malanguinho (PSOL) e Professora Bebel (PT).

DEPOIMENTOS – “Autorizo a Procuradoria-Geral de Justiça a proceder à instrução do procedimento investigatório, mediante a colheita de depoimentos de testemunhas e interrogatório dos investigados”, afirma Saletti no despacho. A ação inicial em defesa de Penna pedindo a instauração de um Inquérito Policial foi movida pelas advogadas Danyelle Galvão e Mariana Serrano.

“Em meio à votação sobre o orçamento do Estado, especificamente quando o requerido [Cury] conversava com o presidente da Casa [Macris], a deputada Isa Penna foi surpreendida com uma apalpada na lateral do seu seio direito, um abraço por trás (que vulgarmente chamamos encoxada) e a aproximação de uma cabeça em direção ao seu pescoço”, narra a defesa da parlamentar.

CONSTRANGIMENTO – “Notadamente incomodada e constrangida, a requerente repeliu o movimento de Fernando Cury, que tentou tocá-la no braço e foi novamente repreendido.”

“É inadmissível que uma mulher –ainda mais em seu ambiente de trabalho, e dentro de um órgão público– seja desrespeitada dessa forma. Mais ainda, é revoltante a tranquilidade que o requerido mostra ao cometer um crime contra a liberdade sexual de sua colega de trabalho, num ambiente público e televisionado”, seguem as advogadas.

É uma covardia Bolsonaro tentar envolver os militares na política, diz Santos Cruz

Para Santos Cruz, Bolsonaro foi irresponsável | Política | Valor Econômico

Ex-ministro reage às declarações levianas de Bolsonaro

Chico Alves
Portal UOL

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, reagiu com indignação à declaração do presidente sobre o poder dos militares de definir se um país será democrático ou não. “Quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”, disse Bolsonaro.

Procurado pela coluna, Santos Cruz ressalvou que fala apenas em seu próprio nome. Em seguida, fez críticas duras ao comentário presidencial.

É UMA COVARDIA – “Só posso dizer que isso é covardia com a população e com as Forças Armadas, que trabalham e se dedicam às suas atividades, à defesa do Brasil e em auxílio à população em todos os momentos de necessidade, sempre dentro da lei”, afirma o general.

Para Santos Cruz, com essa afirmação a seus apoiadores, Bolsonaro procura novamente forçar a politização indevida dos militares.

“Isso é mais uma tentativa de enganar a população e arrastar as Forças Armadas para o centro de discussões políticas”, acredita.

LIBERDADE, AINDA – Em sua fala neste domingo, o presidente disse também que “no Brasil, temos liberdade ainda”. E completou, em tom de ameaça: “Se nós não reconhecermos o valor desses homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar”.

O general discorda radicalmente dessa avaliação: “A garantia da liberdade e da democracia são instituições fortes. O que enfraquece a democracia é o desprestígio e aparelhamento político das instituições”.

Operação Alcatraz: Presidente da Assembleia de Santa Catarina tem prisão domiciliar decretada

Garcia é investigado por supostos desvios em contratos

Katna Baran
Folha

O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Julio Garcia (PSD), foi preso nesta terça-feira, dia 19 na segunda fase da Operação Alcatraz, que apura desvios de verbas em contratos de gestões anteriores do governo estadual. Segundo a assessoria do parlamentar, ele foi levado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos, quando teve a prisão decretada.

Como ele tem mais de 70 anos, a prisão foi convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Ainda de acordo com a assessoria, o advogado do deputado só vai se pronunciar quando tiver completo acesso aos autos e aos motivos da detenção.

HEMORRAGIA – Nesta fase da operação, denominada Hemorragia, a Justiça Federal emitiu, ao todo, 11 mandados de prisão preventiva, nove de prisão temporária, além de 34 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Florianópolis, Joinville, Biguaçu e Xanxerê. O Ministério Público Federal, que conduz as investigações juntamente com a PF, não confirmou os nomes dos envolvidos.

Segundo o órgão, a Justiça também autorizou o bloqueio de valores e imóveis de 17 investigados e 14 empresas supostamente envolvidas nas fraudes e desvios. Outros 14 veículos, vários classificados como de luxo, foram apreendidos. A Justiça determinou ainda o sequestro de sete imóveis, entre apartamentos, terrenos, casas e vagas em garagem, que estavam em nome de familiares ou empresas relacionadas a um dos suspeitos e de dois veículos por ele utilizados.

SONEGAÇÃO – A investigação teve início em julho de 2018, a partir da constatação de sonegação de impostos com indícios de desvios de verbas públicas apontados pela Receita Federal. O MPF afirma que este “representa o maior esforço de combate à corrupção já ocorrido” em Santa Catarina.

As suspeitas envolvem principalmente a empresa responsável pela gestão do plano de saúde dos servidores estaduais e empresas da área de tecnologia da informação. Por meio de nota, a Secretaria de Administração de Santa Catarina informou que enviou ofício à PF solicitando mais informações sobre os processos em curso e que outras medidas “somente poderão ser adotadas após ciência concreta da situação”.

A investigação apura supostos desvios em contratos de gestões anteriores do governo estadual, entre os anos de 2006 e 2018, firmados por diversas secretarias, principalmente pela pasta da saúde, empresas estatais (Casan, Celesc e Epagri) e pela Assembleia Legislativa.

DESVIOS – Em oito anos, entre 2011 e 2019, os contratos da área da saúde envolveram cerca de R$ 400 milhões. Deste valor, segundo o MPF, ao menos R$ 66,5 milhões foram desviados e pagos em propina para agentes públicos. Já uma das empresas de tecnologia da informação recebeu aproximadamente R$ 76,4 milhões em dez anos, entre 2009 e 2019, e teria desviado ao menos R$ 26 milhões para pagar propina.

As licitações e contratos foram analisados por técnicos do Ministério Público de Contas de Santa Catarina, que cruzaram os dados com elementos obtidos pela Operação Alcatraz. O esquema, conforme o apurado, envolvida fraude e direcionamento de licitações para as empresas previamente escolhidas. As contratações também eram prorrogadas indevidamente, segundo o MPF, beneficiando os investigados.

Os agentes políticos lideravam o esquema, de acordo com o MPF, ou indicavam servidores públicos e/ou apadrinhados para cargos estratégicos para poder interferir nas licitações. O desvio de verbas era acobertado por meio de empresas de fachada, contratações fictícias e “volumosos” saques de dinheiro em espécie, segundo a investigação.

ESQUEMA – Segundo Rodrigo Muller, chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal de Santa Catarina, integrantes do primeiro escalão de governos anteriores atuavam no esquema. Este é o quinto mandato de Garcia na Assembleia catarinense. Ele também já foi conselheiro do Tribunal de Contas do estado.

Em setembro do ano passado, ele e outras cinco pessoas foram denunciadas pelo MPF por lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Alcatraz. Na ocasião, a defesa dele afirmou “que a denúncia é especulativa e baseada em suposições”.

PGR apresenta manifestação ao STF sobre uso da Abin para orientar defesa de Flávio Bolsonaro

Charge do Duke (domtotal.com)

Deu no G1

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, dia 18, relatório sobre o primeiro mês de investigação da suposta produção de relatórios, pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) na tentativa de anular as investigações do caso das rachadinhas.

No documento, a PGR informa que notificou o jornalista Guilherme Amado, da revista “Época”, para que apresente os documentos citados nas reportagens que revelaram o caso, publicadas em dezembro. As matérias publicadas pela revista “Época” afirmam que a Abin, ligada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, ajudou a defesa de Flávio Bolsonaro em assuntos privados do senador.

MEDIDAS – A intimação do jornalista foi comunicada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia – que determinou a investigação do caso em dezembro. Ao pedir a apuração, a ministra também solicitou que Aras informasse as medidas tomadas após um mês.

Segundo o relato de Aras ao STF, a Abin e o GSI afirmaram à PGR que não patrocinaram interesses particulares do senador Flávio Bolsonaro. Esse comunicado foi feito dentro de uma apuração preliminar aberta pela PGR para analisar os fatos.

“Foi ainda expedida notificação ao jornalista Guilherme Amado, para que, no prazo de cinco dias úteis, apresente à PGR, resguardado o sigilo da fonte, constitucionalmente protegida, os relatórios de orientação supostamente produzidos pela Abin”, escreveu Aras.

SIGILO – O jornalista não é obrigado a entregar o material – a Constituição assegura o sigilo da fonte quando ele é necessário ao exercício profissional, como é o caso do jornalismo. De acordo com interlocutores, Aras avalia que não é possível avançar na apuração sem que se comprove a existência do material.

A PGR afirma que, se necessário, ouvirá as advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbach após a resposta do jornalista. Elas são citadas nas reportagens como responsáveis por ter acionado o GSI.

OS DOCUMENTOS – Segundo “Época”, nos documentos, a Abin especifica a finalidade de “defender FB [Flávio Bolsonaro] no caso Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro]”; sugere a substituição dos “postos”, em referência a servidores da Receita Federal; e traça uma “manobra tripla” para tentar conseguir os documentos que a defesa do senador espera.

Os relatórios apontam a existência de um suposto esquema criminoso na Receita para fornecer dados de Flávio que embasassem o inquérito da rachadinha (desvio de salários de funcionários do gabinete).

A autenticidade e a procedência dos documentos foram confirmadas à “Época” pela defesa do senador. De acordo com a revista, os relatórios da Abin foram enviados em setembro, por WhatsApp, a Flávio Bolsonaro, que os repassou aos seus advogados.

CONTRADIÇÃO – Os documentos contradizem a declaração do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em 23 de outubro, quando outra reportagem da revista “Época” revelou que órgãos do governo se mobilizaram em busca de elementos que permitissem a anulação das investigações envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista de Flávio, além de amigo do presidente Bolsonaro.

Na ocasião, o GSI confirmou ter sido procurado pelas advogadas do parlamentar, mas declarou que as denúncias apresentadas pela defesa se mostraram um tema interno da Receita e que, respeitando suas atribuições legais, não realizou qualquer ação. Nesta sexta, o GSI reiterou essa versão.

Desde julho de 2019, a Abin tem como diretor-geral Alexandre Ramagem. Em abril deste ano, ele chegou a ser indicado pelo presidente Bolsonaro para comandar a Polícia Federal. No entanto, a nomeação foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

EXONERAÇÃO – Bolsonaro havia nomeado Ramagem para a PF após exonerar Maurício Valeixo do cargo. A saída de Valeixo motivou o pedido de demissão de Sergio Moro, então ministro da Justiça. Moro deixou o cargo afirmando que Bolsonaro tentava interferir na corporação.

Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe de uma organização criminosa num esquema de rachadinha na época em que era deputado estadual, de 2003 a 2018. A força-tarefa apurou, até agora, que houve um desvio de cerca de R$ 6 milhões no gabinete de Flávio na Alerj.

QUEIROZ – Um dos principais funcionários investigados no esquema é Queiroz. Segundo o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), ele movimentou em sua conta – de maneira considerada “atípica” – R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Queiroz foi preso em junho deste ano e está em prisão domiciliar desde o mês seguinte.

Flávio Bolsonaro nega todas as acusações, diz ser vítima de perseguição e critica o vazamento das informações do processo, que corre em segredo de Justiça. Os advogados do senador vêm alegando que a Receita acessou ilegalmente os dados dele.

Gilmar Mendes suspende inquérito que investiga desembargador da carteirada em Santos, SP

Charge do Nando Motta (Arquivo do Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que investiga o desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em julho do ano passado, Siqueira foi flagrado humilhando um guarda municipal de Santos, no litoral de São Paulo, após ter sido multado por não utilizar máscara enquanto caminhava pela praia.

A ação do desembargador foi filmada pelos guardas. As imagens mostraram que ele rasgou a multa e chamou um dos agentes de analfabeto. “Leia bem com quem o senhor está se metendo”, disse Siqueira ao guarda, mostrando um documento.

DESCULPAS – Cinco dias após o episódio, Siqueira divulgou uma nota, na qual pediu desculpas e disse que o trabalho do guarda foi “irrepreensível”. Diante da conduta, ele passou a ser alvo de um processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi afastado no fim de agosto.

Já os guardas municipais Cícero Hilário, de 36 anos, e Roberto Guilhermino, de 41, que foram alvos da ação do desembargador, foram homenageados pelo então prefeito da cidade, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), e receberam medalhas por conduta exemplar.

PEDIDO DA DEFESA – Mendes atendeu a um pedido da defesa do desembargador. O ministro entendeu que há indícios de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa durante o julgamento do STJ que autorizou a abertura de inquérito para apurar se Siqueira cometeu crime de abuso de autoridade e se houve infração de medida sanitária por parte do magistrado.

Os advogados alegaram ao STF que o julgamento da Corte Especial do STJ, que reúne os ministros mais antigos da Corte, começou sem que a defesa fosse intimada para se manifestar sobre o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) para manter a investigação.

Inicialmente, o ministro Raul Araújo, relator do pedido, rejeitou a abertura do inquérito requerida pela PGR. Segundo o ministro, não ficou configurado o delito de abuso de autoridade, uma vez que tal crime exigiria que o agente invocasse a condição de funcionário público para descumprir obrigação prevista em lei. A PGR questionou o entendimento do ministro e, por 10 votos a 3, a Corte autorizou a investigação pedida pelo Ministério Público Federal.

ANULAÇÃO – Em decisão publicada nesta segunda-feira, dia 18, Gilmar paralisou a apuração até que o Supremo decida sobre o pedido para anular a abertura do inquérito. O desembargador deveria ter prestado depoimento na sexta-feira, dia 15.

“A iminência do início da instrução do inquérito [depoimento] precipita o risco de ocorrência de prejuízos de difícil reparação ao paciente [desembargador], afigurando-se prudente a suspensão do procedimento administrativo até que as razões verossimilhantes de mérito da impetração sejam oportunamente apreciadas”, escreveu o ministro.

PERSEGUIÇÃO –  Após o episódio na praia, a defesa de Siqueira afirmou que, na ocasião, o magistrado foi “perseguido e ilegalmente filmado pela Guarda Civil Municipal de Santos”. O desembargador também afirma ter sido vítima de uma armação no episódio em que foi filmado chamando o GCM de ‘analfabeto’, rasgando a multa, jogando o papel no chão e, por fim, dando uma ‘carteirada’ ao telefonar para o secretário de Segurança Pública do município, Sérgio Del Bel, para que o mesmo ‘intimidasse’ o guarda municipal.

“Acabou sendo vítima de uma armação, um flagrante preparado, engendrado pelo guarda municipal autor [da ação indenizatória] e seu colega Roberto, que sabia das abordagens anteriores, especialmente da última, quando, pela primeira vez, houve uma altercação”, cita a defesa do magistrado na contestação.

Siqueira aponta, também, que se exaltou com o guarda municipal após “sucumbir à provocação”. Segundo a defesa, o magistrado sofre de “mal psiquiátrico, sendo acompanhado por médico de alta capacidade há alguns anos, que lhe prescreveu medicamentos para controle de seu estado emocional, alguns de uso controlado”. Na ocasião, no entanto, Siqueira estava “há algum tempo privado de adequada medicação, causando-lhe descompensação”.

STF diz que não proibiu governo de agir na pandemia e desmente Bolsonaro

Charge do Bira (humorpolitico.com.br)

Rayssa Motta
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu nesta segunda-feira, dia 18, às declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que, na esteira do colapso do sistema de saúde em Manaus, culpou os ministros pela ausência de atuação direta do governo federal no combate à pandemia da covid-19 em Estados e municípios.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social negou que o tribunal tenha proibido o Planalto de agir para conter a disseminação da doença. “É responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”, diz o texto.

AUTONOMIA – A manifestação esclarece que o plenário apenas deu autonomia a Estados e municípios para, levando em conta o contexto local, determinarem medidas de isolamento social e enfrentamento ao novo coronavírus.

Ao longo da pandemia, o tribunal foi acionado em diversos impasses travados entre governos municipais, estaduais e federal na definição de ações para o controle da doença. Isso porque, enquanto a maioria dos governantes locais defendiam o isolamento como estratégia mais eficaz para frear o avanço do vírus, Bolsonaro insistia na reabertura da economia. Em um segundo momento, os entraves em torno de tratamentos e da obrigatoriedade da vacinação também foram judicializados.

“O Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus. Esse entendimento foi reafirmado pelos ministros do STF em diversas ocasiões”, afirma a nota do STF.

“NA PRAIA” – Embora não cite o presidente, a manifestação foi divulgada depois que Bolsonaro se disse ‘impedido’ de atuar no combate à doença por determinação do tribunal. Segundo o presidente, pelo Supremo, ele deveria ‘estar na praia tomando uma cerveja’.

“Vou repetir aqui: que moral tem João Doria e Rodrigo Maia em falar em impeachment se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação contra a pandemia?”, afirmou na sexta-feira, 15, em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Band.

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MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL:

“A Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal (STF) esclarece que não é verdadeira a afirmação que circula em redes sociais de que a Corte proibiu o governo federal de agir no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

Na verdade, o Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus. Esse entendimento foi reafirmado pelos ministros do STF em diversas ocasiões.

Ou seja, conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia.”

Candidatos a prefeito que concorriam sem adversários receberam R$ 1,7 milhão de fundos públicos

Facebook

Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Paulo Batistella
Folha

Fontes públicas de financiamento de campanhas, os fundos eleitoral e partidário distribuíram, juntos, cerca de R$ 1,7 milhão para candidatos a prefeito que concorriam sozinhos em 2020 e que, portanto, só precisavam de um voto válido cada para se eleger.

A eleição municipal contou com 106 chapas do tipo, das quais 68 foram agraciadas com recursos públicos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A essas foram cedidos R$ 1.735.898, a maior parte proveniente do fundo eleitoral (92,23%), que colocou ao todo R$ 2,035 bilhões no pleito de 2020.

PRESTAÇÃO DOS ELEITOS – Tabulados pela Folha, os números aparecem nas contas declaradas pelos candidatos à Justiça Eleitoral. A prestação dos eleitos em primeiro turno foi encerrada no dia 15 de dezembro; no entanto, os dados não têm consolidação automática e podem sofrer variações, segundo o TSE.

Mesmo com a vitória garantida, os candidatos únicos, de municípios que têm, segundo projeções do IBGE, entre 982 e 36.881 habitantes, não economizaram verba pública em santinhos, adesivos, jingles e lives. Gastaram ainda no apoio às candidaturas a vereador de aliados e com assessorias jurídica e contábil.

Entre as candidaturas isoladas, a que recebeu maior repasse público foi a da prefeita Larissa Rocha (PSD), reeleita em Tenente Ananias (RN), de 10.855 habitantes, com R$ 100 mil cedidos pelo fundo eleitoral e integralmente gastos pela então candidata.

VÍDEOS E LIVES – Ela destinou a maior parte (R$ 76,6 mil) às redes sociais, com vídeos e lives superproduzidas em que costumava minimizar o fato de ser candidata única e pedia comparecimento às urnas, o que deu resultado: recebeu 4.510 votos e terá cinco correligionários entre os sete vereadores na Câmara Municipal.

O prefeito reeleito de Jupi (PE), Marcos Patriota (DEM), aparece em segundo entre os candidatos isolados que tiveram aporte público, com R$ 90.040,10 recebidos do fundo partidário. Em meio à pandemia da Covid-19, ele também se concentrou na campanha digital, à qual destinou R$ 50 mil.

Em terceiro, aparece Moises Aparecido de Souza (PSD), conhecido como Professor Moises, reeleito para mais quatro anos à frente da Prefeitura de Catanduvas (PR). Ele recebeu R$ 75 mil do fundo eleitoral e tem declarado como sobras R$ 5.648,23.

REPASSES – O prefeito dividiu os gastos entre materiais gráficos e repasse aos candidatos a vereador de sua coligação, que incluiu também PSC, PL e PT, além de ter credenciado 28 fiscais, que receberam R$ 100 cada, para acompanhar a votação no município de 10.167 habitantes.

Na sequência do ranking das candidaturas isoladas com maior aporte público, aparecem Matheus Martins (PSB), reeleito em Terezinha (PE), e a prefeita eleita de Jurema (PI), Kaylanne Oliveira (MDB), que receberam R$ 70 mil e R$ 65 mil, respectivamente. Ambos concentraram gastos em santinhos e adesivos. No caso de Martins, há declarada uma sobra do fundo eleitoral, de R$ 472,12, o que não há nas contas de Kaylanne, que, entre suas despesas, tem R$ 10,3 mil destinados para a compra de fogos de artifício.

Candidatos únicos que não tiveram apoio dos fundos também tiveram gastos, mas em menor medida. Entre eles, a média de despesas contratadas foi de R$ 19.705,37, menos da metade do que de quem recebeu dinheiro público, que contratou R$ 41.457,71.

DEVOLUÇÃO – Os candidatos agraciados com o aporte não precisavam necessariamente usar todo o montante recebido. No caso da verba do fundo eleitoral, o que não fosse gasto deveria ser devolvido à União. Até então, do valor cedido às candidaturas únicas, apenas R$ 31.992,46 constam como sobras de campanha.

O repasse do dinheiro público a elas atendeu às regras dos próprios partidos, que tiveram, a depender de sua representatividade no Congresso, maior fatia do fundo eleitoral, criado em 2017 para suprir a proibição de doações privadas e de pessoas jurídicas. A única exigência do TSE é que houvesse aplicação proporcional para mulheres e negros.

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OS MAIORES REPASSES DOS FUNDOS PÚBLICOS ÀS CANDIDATURAS ÚNICAS

1. Larissa Rocha (PSD), Tenente Ananias (RN) – R$ 100.000

2. Marcos Patriota (DEM), Jupi (PE) – R$ 90.040

3. Professor Moises (PSD), Catanduvas (PR) – R$ 75.000

4. Matheus Martins (PSB), Terezinha (PE) – R$ 70.000

5. Kaylanne Olivera (MDB), Jurema (PI) – R$ 65.000

6. Domingos de João Nobre (DEM), Diogo de Vasconcelos (MG) – R$ 64.000

7. Toninho de Caridade (PSD), Caridade do Piauí (PI) – R$ 60.000

8. Ze Willian (PL), Panamá (GO) – R$ 60.000

9. Ailton Guimarães (Avante), Nova União (MG) – R$ 56.124

10. Edson Vilela (PSB), Carmo do Cajuru (MG) – R$ 50.000

10. Glairton Cunha (PP), Jaguaretama (CE) – R$ 50.000

10. Professor Volmar (PSL), Salgado Filho (PR) – R$ 50.000

CANDIDATOS FALAM EM LEGITIMIDADE E APOIO A VEREADORES

A Folha tentou contato com cada um dos prefeitos citados através do email e redes sociais informados por eles próprios à Justiça Eleitoral. Também procurou por email e telefone os diretórios partidários estaduais de cada um, além de telefonar, no caso dos reeleitos, às prefeituras envolvidas.

No caso da prefeita Larissa Rocha (PSD), a Folha obteve apenas posicionamento da direção nacional de seu partido, que se limitou a pontuar que o repasse dos recursos dos fundos públicos foi definido pelas instâncias partidárias locais.

LEGALIDADE – Professor Moises (PSD) reforçou a legalidade da verba recebida e afirmou ter visto necessidade em usá-la para estimular as candidaturas a vereador de sua coligação, tal como Ailton Guimarães (Avante), que disse ainda ter recusado repasse maior oferecido por deputados.

Glairton Cunha (PP) e Professor Volmar (PSL) pontuaram, ambos em nota, justificativas parecidas. Volmar ainda negou ver desperdício nos gastos e disse só ter tido certeza certeza de que seria candidato único na semana da eleição, quando a Justiça Eleitoral indeferiu, em terceira instância, pedido de registro de coligação adversária, por descumprimento de prazos eleitorais.

Ze Willian (PL), que também justificou a aplicação do aporte público no apoio a aliados que concorriam à Câmara Municipal, disse ser um desperdício precisar concorrer na condição de candidato único: “Deveria mudar a lei, para quando for assim, já ser aclamado vencedor”.

“RESULTADO ROBUSTO” – Domingos de João Nobre (DEM) afirmou ter usado todo o recurso na tentativa de obter um resultado robusto, o que, na avaliação dele, daria maior legitimidade ao governo. “Por ser uma cidade muito pequena, o que conta é peso de urna. Já pensou se eu fosse eleito só com o meu voto? Eu queria ter todos os votos”, disse o prefeito do município com 3.790 habitantes.

Edson Vilela (PSB) apontou argumento semelhante. “Sem votação expressiva, a representatividade da autoridade municipal seria modesta e frágil”, disse, em nota. Também em nota, Toninho de Caridade (PSD) disse que, independentemente de não ter tido concorrentes, as contas atendem ao limite e aplicações previstas na norma eleitoral.

No último dia de Casa Branca, Trump está isolado, furioso e escolhendo a quem perdoar…

Assim é a vida do presidente Trump: vive sozinho, é viciado em televisão e não lê livros | Internacional | EL PAÍS Brasil

Um final melancólico para o presidente que roubava atenções

Steve Holland, Jeff Mason, Matt Spetalnick e Andrea Shalal
Reuters/O Globo

Os últimos dias de Donald Trump na Casa Branca têm sido marcados por raiva e turbulência, segundo mais de 12 funcionários ouvidos. Assessores do presidente o descrevem como cada vez mais iracundo, inquieto e isolado. Um deles disse estar fazendo “o melhor que pode para manter tudo sob controle até que Biden assuma o poder”.

Trump assistiu na última quarta a parte do debate sobre o seu segundo processo de impeachment na TV e ficou irritado com os 10 deputados republicanos que votaram contra ele.

TRAIÇÃO REPUBLICANA – Pouco antes, ele passara por uma ruptura com seu vice-presidente, Mike Pence, pela saída de auxiliares do primeiro escalão, por um número pequeno, mas crescente, de parlamentares republicanos virando-lhe as costas, pelo banimento no Twitter e em outras redes sociais, e por uma série de corporações se recusando a fazer negócios com sua empresa.

Trump dedica muito tempo a desabafar com auxiliares e confidentes, mas também a uma questão prática: como aplicar seu poder de conceder perdões antes do fim de seu mandato. A maior dúvida é se ele concederá um perdão sem precedentes a si mesmo e a seus parentes antes de deixar o cargo.

As chances de Trump fazer tal movimento, inédito e de legalidade duvidosa, podem ter se multiplicado depois do discurso de 6 de janeiro, no qual ele incitou seus apoiadores a “lutarem” por ele.

VIU TUDO PELA TV – O presidente, disseram assessores, pretendia marchar até o Capitólio, mas foi dissuadido pelo Serviço Secreto, que afirmou que não teria como garantir a sua segurança. Enquanto seus seguidores seguiam para o Congresso, Trump voltou para a Casa Branca, onde assistiu à invasão pela TV bastante agitado.

Nas semanas anteriores, ninguém o convencera a reconhecer a derrota. Seus conselheiros achavam que Trump poderia se tornar uma força majoritária no Partido Republicano nos próximos anos, formando uma dinastia e, possivelmente, retornando ele próprio em 2024. Seu futuro político agora pode estar em perigo, e seu humor só piorou desde então.

Irritou-o particularmente a decisão do Twitter de suspender permanentemente sua conta. Conforme tentava, sem sucesso, voltar para o site, seu genro e conselheiro, Jared Kushner, ajudou a impedir uma tentativa de outros assessores de inscrevê-lo em sites de mídia social de extrema direita, acreditando que não eram o melhor veículo para o presidente.

PENCE, O EX-AMIGO – Os atuais e ex-funcionários da Casa Branca dizem que ficaram horrorizados com a forma como Trump tratou seu Mike Pence, que sempre lhe foi leal. Eles ficaram magoados com as críticas do presidente e a insistência falsa de que o vice-presidente poderia intervir para anular os resultados do Colégio Eleitoral.

Na última segunda-feira, os dois se encontraram sozinhos no Salão Oval, provavelmente após esforços da filha Ivanka Trump e seu marido Kushner. No dia seguinte, Pence disse à presidente democrata da Câmara, Nancy Pelosi, que não aplicaria a 25ª Emenda da Constituição dos EUA, para destituir o presidente por incapacidade.

ALVOS DA JUSTIÇA – As decisões sobre uma rodada final de perdões presidenciais devem ocupar grande parte dos poucos dias restantes de Trump no cargo.

Nas últimas semanas, ele perdoou aliados condenados na investigação sobre e intromissão russa na eleição de 2016, agentes de segurança privada condenados por matar civis iraquianos e o pai de Kushner, Charles, um incorporador imobiliário condenado a dois anos de prisão após se declarar culpado em 2004 por sonegação fiscal e outros crimes.

Trump e sua família podem se tornar eles mesmos alvos de investigações jurídicas, incluindo em Nova York, ligadas a impostos e negócios. Um funcionário da Casa Branca sugeriu que o ato final de Trump como presidente poderia ser um perdão preventivo para membros da família e para ele mesmo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Perdoar a si mesmo será a gota d’água para a desmoralização total e absoluta. E ele merece isso. (C.N.)

Mourão diz que “Forças Armadas não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico”

Mourão, mais uma vez, minimiza as declarações estapafúrdias de Bolsonaro

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira, dia 19, que a democracia fica comprometida se as Forças Armadas forem “indisciplinadas” ou comprometidas com “projetos ideológicos”. Mourão foi questionado por jornalistas, na chegada ao Palácio do Planalto, sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

“O presidente já tocou neste assunto várias vezes. É óbvio que se você tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida, né? Não é o caso aqui no Brasil, obviamente. Mas nós temos nosso vizinho aí, a Venezuela, que vive uma situação dessas aí”, afirmou Mourão.

DISCIPLINA – O vice-presidente afirmou que as Forças Armadas no Brasil são disciplinadas e não têm lado político. “As Forças Armadas são totalmente despolitizadas. Não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. As Forças Armadas estão comprometidas com a missão delas. Já foi dito isso, várias vezes, pelo ministro da Defesa e pelos comandantes de Força”, completou o vice.

O vice-presidente foi questionado se as críticas ao trabalho do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não poderiam desencadear críticas às Forças Armadas. Pazuello é general da ativa do Exército Brasileiro. “Qualquer militar sempre é visto com representante das Forças. A situação do ministro Pazuello como ministro da Saúde: ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia. Óbvio que isso tem pontos a favor e pontos que são contra a gestão dele”, afirmou Mourão.

ATRASO – Mourão disse ainda que não viu como erro o atraso em alguns voos com carregamento de vacina para os estados nesta segunda. “Eu acho que não deu errado. Vamos lembrar o que o ministro já tinha falado algumas semanas atrás: que a partir do momento que a vacina fosse aprovada, se levaria de dois a três dias para que ela tivesse colocada em todos os pontos do Brasil”, disse.

Segundo Mourão, houve uma expectativa que a vacina chegaria de que a vacina chegaria “da noite para o dia” em todos os lugares do Brasil, o que não corresponde à realidade.

Coordenador desmente Pazuello: Manaus faz tratamento precoce, mas não está resolvendo

Médico diz que segunda onda de Covid-19 em Manaus 'aniquila' e desmente Bolsonaro

Médico da UTI  avisa que essa segunda onda é devastadora

Deu no UOL

O coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, no Amazonas, Anfremon Neto, fez um desabafo nas redes sociais ontem diante da negação do Governo Federal sobre o quadro crítico que as unidades de saúde locais enfrentam. O médico alegou que todos os pacientes que ele atendeu fizeram uso precoce de medicamentos recomendados pelo Ministério da Saúde sem eficácia comprovada e também alertou sobre a segunda onda da pandemia no Brasil “ainda vai levar muitas vidas”.

As declarações do médico contrariam o que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou sobre as razões que teriam agravado a pandemia no estado.

50 PACIENTES/DIA – Nas imagens compartilhadas, Anfremon diz que atende cerca de 50 pacientes infectados pela covid-19 por dia nas UTIs de Manaus. “Eu sei, todos eles fizeram tratamento precoce. Todos eles fizeram azitromicina, ivermectina, que é o mais atual, alguns fizeram anita, até mesmo cloroquina. Tudo aquilo que é preconizado como tratamento precoce foi feito. Alguns doentes utilizaram corticoide em casa, sem ter sintomas respiratórios, o que nem é legal fazer. Tem que ter critério para começar as coisas”, explicou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) alegou hoje de manhã que o governo fez a sua parte para evitar o colapso da saúde em Manaus “com recursos, meios”. O ministro Eduardo Pazuello, disse que a situação do estado é fruto da ausência de “tratamento precoce”. No entanto, o médico alerta que as pessoas que estão infectadas pela covid-19 em Manaus estão seguindo as recomendações sobre medicamentos feitas pela pasta, mas ainda assim estão lotando as Unidades de Terapia Intensiva.

ESTOQUE EM CASA – “Eles sabem, já compram, fazem estoque em casa e começam a tomar sozinhos. Então, gente, quem for ver esse vídeo: não é falta de tratamento precoce. Isso é sacanagem com a gente que trabalha aqui. Dizer que o que tá acontecendo aqui é falta de tratamento precoce”. Ao finalizar a mensagem, o coordenador de UTI Anfremon Neto disse que perdeu muitos amigos e que a “situação lastimável” que acontece no Amazonas pode ser o cenário futuro do Brasil.

“O que está acontecendo aqui, não quero jogar praga pra ninguém, não desejo que isso se repita em outros locais. O que a gente passou hoje, eu não gostaria que ninguém passasse. Mas acho que o governo ao invés de fazer manobras evasivas e dizer que tá tudo tranquilo, tá tudo bem, tem que preparar o país para a segunda onda. Se preparem para a segunda onda, porque ela é devastadora. Ela é cruel e vai levar muitas vidas. Perdi muitos amigos, estou perdendo colegas de trabalho. Enfim, tudo isso é lastimável, infelizmente’. Críticas

COMENTÁRIOS – O vídeo foi compartilhado nas redes do doutor em microbiologia Atila Iamarino, que fez comentários sobre o caso.

“Colocar a culpa nos profissionais de saúde por não receitarem isso ou recomendar isso como saída é chancelar massacre”, disse o divulgador científico.

O número de infectados pelo novo coronavírus em Manaus tem aumentado. Hospitais estão enfrentando dificuldades para conseguir cilindros de oxigênio para todas as alas de tratamento e não apenas para os pacientes de covid. A Força Aérea Brasileira enviou pacientes com covid-19 de Manaus para outros estados.

Parlamentares reagem à afirmação de Bolsonaro sobre as Forças Armadas e a democracia

Mourão diz que Bolsonaro foi 'mal interpretado' em fala sobre Forças Armadas e democracia | Política | G1

Não é a primeira vez que ele diz bobagens sobre os militares

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Deputados usaram suas redes sociais para comentar as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, que afirmou nesta segunda-feira, 18, em conversa com apoiadores no Palácio do Planalto, que “quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são suas Forças Armadas”.

O ex-relator da reforma da Previdência, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), disse que o presidente instiga a opinião pública a fim de criar desordem.

CRIAR CONFUSÃO – “É um irresponsável que cultiva o hábito de provocar a opinião pública, com o objetivo de criar confusão, porque é na confusão que ele pensa reinar. Quem garante a democracia é a Constituição”, afirmou.

Moreira também pediu que o Bolsonaro “pare de bla-bla-blá e comece a governar”.

Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o presidente representa uma “ameaça à democracia ao dizer que ela é uma concessão dos militares e não uma conquista da sociedade brasileira”. O deputado também defende que as funções das Forças Armadas estão relacionadas “a defesa do território e da soberania, mas elas não têm o papel de escolher se teremos ou não eleições”.

NA CONSTITUIÇÃO – Rodrigo de Castro (PSDB), deputado federal por Minas Gerais, afirmou que o papel das Forças Armadas está definido pela Constituição. “A história nos mostra que toda vez que as Forças Armadas extrapolaram a sua missão, a experiência foi extremamente negativa”, afirmou.

Para o parlamentar, a democracia brasileira precisa ser fortalecida diariamente. “Não há espaço para retrocessos e, sequer, para suposições ou ameaças de que as Forças Armadas poderiam atuar em sentido contrário”, concluiu.

ESTÁ ACUADO – Já a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) disse que o presidente está “derrotado e acuado na guerra da vacina”, além de defender que, com as declarações, Bolsonaro “volta a flertar com o golpismo e o autoritarismo”. “O povo quer a democracia e o seu impeachment!”, disse Kokay.

Da mesma forma, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirma que Bolsonaro está “rastejando na sarjeta” e “ventila mais uma baboseira polêmica para ganhar relevância”. A deputada conclui: “Pelo que todo mundo vê, o sr. é uma vergonha. E as Forças são do Estado, não apenas de um governo, como o seu fracassado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está delirando. As Forças Armadas não estão nem aí para o que ele diz. Se o presidente vai sofrer impeachment ou não, isso é problema dos civis. Os militares só intervirão se houver desordens, mas o farão apenas topicamente, sem ditatorizar o país. (C.N.)

Incompetência, negacionismo e morosidade despencam popularidade de Bolsonaro em redes sociais

Charge do Jota A. (portalodia.com)

Vera Rosa
Estadão

Na virada do ano, o presidente Jair Bolsonaro cruzou o Cabo das Tormentas e iniciou a segunda metade de seu mandato com a aprovação em queda nas redes sociais. A popularidade de Bolsonaro nas mídias digitais já vinha caindo e é atribuída por analistas dessas plataformas a uma tempestade perfeita que vai da economia à política, mas, principalmente, ao imbróglio relacionado à demora para a vacinação contra o novo coronavírus.

Com todo o mundo se imunizando e o Brasil no fim da fila, Bolsonaro paga o preço de seus desacertos e tenta vencer a crise no gogó, o que tem provocado pânico na equipe de comunicação. “Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina”, disse Bolsonaro a apoiadores.

DEBOCHE – “Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja”, emendou ele. O presidente ironizou a taxa de eficácia da Coronavac, de 50,38%, comprada pelo governo de São Paulo, sob o comando de João Doria (PSDB), seu rival político.

A vacina é produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. “Essa de 50% é uma boa? Agora estão vendo a verdade”, provocou o presidente. Doria aproveitou a deixa para dar uma estocada no adversário. “Enquanto brasileiros perdem vidas e empregos, Bolsonaro brinca de ser presidente”, reagiu o tucano.

Bem longe do palanque montado para a disputa presidencial de 2022, porém, está a triste realidade. O estoque de oxigênio acabou em hospitais de Manaus, levando pacientes à asfixia, mais de 200 mil brasileiros já morreram em consequência dos efeitos da covid-19 e o País não consegue sair da crise.

“DIA D E HORA H” – Nesta quinta-feira, 14, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos que o “Dia D e a Hora H” para o início da vacinação será o próximo dia 20 – por coincidência, a mesma data da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

O revés sofrido por Bolsonaro nas redes sociais, no entanto, não se resume ao impasse sobre a aquisição da vacina. Monitoramento em tempo real feito pela empresa AP Exata indica que a queda da popularidade do presidente no mundo virtual ocorre de forma consistente desde 6 de dezembro do ano passado e já ultrapassa 20 pontos. Nesta quinta-feira, 14, por exemplo, o número de menções positivas sobre Bolsonaro está em 36% e o de negativas chega a 64%.

A contestação a Bolsonaro cresce entre liberais e perfis ligados ao mercado financeiro. A pesquisa da AP Exata indica que existe, ainda, um ambiente de “falta de paciência” para o vaivém do governo na condução da economia e pressão por privatizações que não saem do papel. Cresce a percepção de que o presidente está mais preocupado em tomar medidas populistas para se reeleger e não dá trela ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

QUEDA DE BRAÇO – Enquanto isso, Bolsonaro continua sua queda de braço com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pede votos para o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), chefe do Centrão. A eleição que vai escolher os novos presidentes da Câmara e do Senado está marcada para fevereiro. O resultado desse confronto é o embrião da correlação de forças que pode se formar para a disputa de 2022 contra Bolsonaro.

Em outra frente da batalha, bolsonaristas que convivem com o chefe do Executivo incentivam os seguidores a migrar para mídias alternativas. Desde que Donald Trump foi derrotado por Biden na eleição para a Casa Branca e banido do Twitter após a invasão do Capitólio promovida por seus discípulos, Bolsonaro e ministros aderiram ao Telegram. Mesmo assim, não saíram dos canais de comunicação tradicionais, sob o argumento de que não podem professar sua fé apenas em “guetos”, como disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins.

“(…) Temos que brigar para fortalecer e popularizar plataformas alternativas sem deixar de brigar para preservar nosso espaço em plataformas tradicionais, nas quais há muita gente que não pode ser deixada à mercê da desinformação e das narrativas de esquerda”, escreveu Martins no Twitter.

TÁTICA  – Na tentativa de puxar seguidores para o Telegram, o assessor Tercio Arnaud Tomaz – que integra o “gabinete do ódio” no Planalto e foi apontado pelo Facebook como responsável pela administração de perfis falsos – tem usado essa plataforma para divulgar conversas de Bolsonaro com eleitores.

Agora, a ala ideológica também faz apelos para que aliados do governo entrem em mídias como DuckDuckGo, no lugar do Google, e MeWe, em substituição ao Facebook, que suspendeu Trump. Nada disso, porém, resolverá a crise da comunicação enquanto o presidente não começar a governar, deixando para trás o Cabo das Tormentas.

Itamaraty adota oficialmente a teoria conspiratória do ‘globalismo’, de Olavo de Carvalho

TRIBUNA DA INTERNET | Brasil diz à ONU que não houve golpe em 64 e militares afastaram ameaça comunista e terrorista

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Prazeres
O Globo

O “globalismo”, controverso conceito usado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, passou, oficialmente, a fazer parte do curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty. O GLOBO analisou as ementas dos cursos ministrados entre 2009 e 2020 e constatou que os termos “globalismo” e “globalista”, denotando uma suposta conspiração global para acabar com a soberania dos países, entraram na grade curricular dos futuros diplomatas a partir de 2019, primeiro ano da gestão de Araújo no comando do Itamaraty.

A formação acadêmica dos diplomatas brasileiros voltou a chamar atenção na semana passada depois que o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que colocou o Instituto Rio Branco diretamente subordinado ao chanceler. Antes, o comando do órgão, responsável pelos concursos e formação dos diplomatas, ficava sob a estrutura da Secretaria de Comunicação e Cultura do Itamaraty.

COM VIÉS NEGATIVO-Usado até meados do século passado, sobretudo em países de língua inglesa, para designar uma visão de mundo que vai além das fronteiras nacionais, o termo “globalismo” ganhou um viés negativo na boca de ideólogos do nacional-populismo, incluindo Olavo de Carvalho, uma das principais influências intelectuais de Araújo.

Nesse sentido, o globalismo seria uma espécie de ideologia por trás de um suposto plano para reduzir o poder de governos locais e instituir um tipo de “ditadura global”. Esse “plano” seria apoiado por bilionários de todo o mundo, como o megainvestidor e filantropo George Soros, e por políticos de esquerda ou classificados como “progressistas”.

Entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências, além de outras instituições multilaterais e organizações não governamentais, seriam braços dessa suposta conspiração.

NO BLOG DE ARAÚJO – O termo é atualmente usado por radicais de direita para fazer sua própria crítica ao processo de globalização. O blog que Araújo mantém na internet traz o termo no título: “Metapolítica 17 – Contra o globalismo”.

No mundo acadêmico e no Itamaraty, o termo globalismo e a tal “conspiração globalista” nunca foram considerados relevantes, mas o assunto ganhou força com a chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos e, depois, com a eleição de Jair Bolsonaro e a chegada do grupo de Ernesto Araújo ao comando da política internacional do país.

Isso se refletiu no conteúdo pedagógico usados na formação dos futuros diplomatas formados pelo Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).

NA ERA BOLSONARO – O GLOBO analisou as ementas de cursos oferecidos pelo instituto desde 2009. A primeira vez que o termo “globalista” aparece no conteúdo pedagógico do órgão foi em 2019.

Na ementa do curso de formação de diplomatas de 2020, já há cinco menções ao termo “globalista”. Elas aparecem na ementa das disciplinas “Defesa, segurança e política externa” e “Política internacional I e II”. Na primeira, a ementa cita o termo para estudar a atuação dos Estados Unidos na política internacional durante o governo Trump.

Na ementa da disciplina Política internacional I para 2020, o termo globalista aparece no planejamento de uma aula sobre o atual momento da diplomacia brasileira. O plano de aula previa que os alunos debatessem as causas da eleição de Trump. A aula é no formato de debate em que os estudantes precisam analisar algumas premissas e discuti-las.

“AVANÇO DEMOCRÁTICO” – As duas premissas em questão eram, primeiro, se a eleição de Trump foi um “acidente de percurso, causado por ingerências externas, pelas ‘fake news’ e pelo machismo” ou, contrariamente, se representou um “avanço democrático importante, uma vez que parcela considerável da população, até então excluída do debate político pela hegemonia globalista, finalmente se fez ouvir”.

O pesquisador e professor de Relações Internacionais Dawinsson Belém Lopes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o globalismo na concepção utilizada por Olavo de Carvalho e discípulos como Ernesto Araújo não é um conceito tido como relevante pelo mundo acadêmico.

“Essa ideia de uma megaconspiração marxista para tomar o mundo de assalto não encontra guarida nas principais academias. É uma coisa muito de gueto, de nicho. É uma ideia muito peculiar que acabou sendo transplantada para o Brasil” — afirmou.

FORA DO CONTEXTO – “Não é algo que conste no mainstream da teoria das Relações Internacionais nessa forma como é apresentada pelo grupo do Ernesto — explica Belem Lopes.

A reportagem enviou questionamentos sobre o assunto para a assessoria de imprensa do Itamaraty, mas até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta foi recebida.