Saída de Santos Cruz demonstra que “fritura” é o método para demissões no Planalto

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Santos Cruz bateu de frente com Olavo e os filhos de Bolsonaro

Jussara Soares
O Globo

A queda do ministro Santos Cruz (Secretaria de Governo), o terceiro em seis meses de gestão do presidente Jair Bolsonaro, mostra que o chefe do Executivo escolhe a “fritura” como método para demitir seus principais auxiliares.

Os ministros Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) e Ricardo Vélez Rodriguez (Educação) passaram pelo mesmo processo de desgaste antes de serem, enfim, dispensados. Nos três casos, Bolsonaro já havia decidido exonerá-los, mas deixou os auxiliares terem a imagem corroída nas redes, tornando a permanência insustentável.

CASO BEBIANO – Bebianno, o primeiro a cair, já sofria um afastamento do presidente desde o segundo turno das eleições. Em fevereiro, quando foi acusado por Carlos Bolsonaro de ter mentido ao dizer ao Globo que havia entrado em contato por telefone com o presidente, negando que vivia uma crise por causa das suspeitas de candidaturas laranjas no PSL, a decisão de tirá-lo do governo foi tomada. Após uma conversa tensa entre Bebianno e Bolsonaro, circulou a informação que a demissão era certa. O presidente esperou um fim de semana e o demitiu numa tarde de segunda-feira.

Em meio a uma série de polêmicas no Ministério da Educação, Bolsonaro chegou a negar que demitiria Vélez Rodríguez. Depois, em conversa com jornalistas também em uma sexta-feira, sinalizou que poderia dispensá-lo na segunda-feira seguinte, o que aconteceu.

TSUNAMI – No caso atual, Bolsonaro decidiu pela exoneração no início de maio, quando mencionou que haveria “um tsunami”, garantem alguns de seus principais assessores. Os constantes embates entre Santos Cruz e a chamada ala ideológica, incluindo os filhos do presidente, causavam irritação pelo menos desde abril.

Ele adiou a decisão até que outros generais passassem a aceitar a saída. O anúncio, desta vez, pelo menos veio antes de mais um fim de semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No caso Bebianno, a repórter deixou de dizer que o então ministro não mentira, ele realmente trocara mensagens com o presidente, e caiu porque não aceitava ingerência dos filhos de Bolsonaro no governo. Quanto a demissões, falta o presidente se livrar do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que está envolvido até o pescoço com fraudes eleitorais e é falso até no nome, pois se chama Marcelo Henrique Teixeira Dias. Não se sabe por que, o Planalto esqueceu de fritá-lo. Talvez seja amigo dos filhos do presidente. (C.N.)  

‘Se tiver que ir para a guerra, levo Moro e Dallagnol comigo’, afirma o vice Mourão

Hamilton Mourão

O vice Mourão coloca ordem na discussão e defende a Lava Jato

Lucas Rivas
Estadão

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, reforçou nesta quinta-feira, dia 13, a confiança no ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após série de reportagens do site The Intercept Brasil que revelou conversas privadas do então juiz federal com integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Para o vice-presidente, Moro foi vítima de um crime. Ao empregar um jargão militar, general Mourão estendeu sua confiança ao ministro da Justiça e aos membros da força-tarefa no Ministério Público Federal. “No Exército, a gente tem uma linguagem muito clara: se eu tiver que ir para a guerra, eu levo o Sérgio Moro e o Deltan Dallagnol comigo”, declarou.

HONRA E DIGNIDADE – A afirmação foi dada durante entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Para Hamilton Mourão, a legitimidade dos dados revelados pelo The Intercept é questionável. Além disso, ele admite que a autoria dos ataques hackers é desconhecida. “Pode ser tudo editado, nós não temos acesso aos documentos e aos diálogos reais que podem ter acontecido. Obviamente, eles buscam atacar aquilo que é o maior patrimônio das pessoas de bem, que é a honra e a dignidade”, considera. 

Mourão também assegurou a legalidade da tramitação dos processos em torno da Lava Jato. “Afirmamos que isso rapidamente será esclarecido e reduzido exatamente ao que ele é: um crime cometido contra autoridades públicas”.

Desde domingo, o site vem divulgando conteúdo de mensagens trocadas por Moro e integrantes do MPF. As conversas mostram que o então juiz teria orientado as investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram, sugerindo inclusive a mudança da ordem de fases da operação, além de aconselhar, fornecer pistas e antecipar uma decisão ao procurador Dallagnol.

Mourão reconheceu que o vazamento das mensagens reverbera na articulação política no Congresso. “Está causando algum ruído. Mas em uma análise mais fria e tranquila, esse ruído está circunscrito a determinados grupos”, pontua.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mourão sintetizou muito bem a questão. A hora é de as pessoas se definirem – ou são a favor da Lava Jato ou a favor dos corruptos que saquearam o país. Simples assim. Mas os jornalistas insistem em destacar que Moro “teria orientado as investigações da Lava Jato”, o que decididamente não é verdade. Mas em todas as matérias que defendem Moro e Daltagnol, os repórteres conseguem incluir essa ressalva ardilosa. O certo seria dizer que, em alguns raras ocasiões (quatro vezes em dois anos), o juiz Moro, atuando na instrução do inquérito, conversou com o procurador Dallagnol sobre a Lava Jato. Apenas isso. (C.N.)

Eliana Calmon defende Sérgio Moro, após vazamento das mensagens: “Não vejo crime”

[Eliana Calmon defende Moro após vazamento de mensagens: 'Não vejo crime']

Eliana Calmon afirma que Lula foi condenado porque havia provas

Adelia Felix
Metro1

A ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, afirmou que encarou com naturalidade as conversas ocorridas entre o ex-juiz e atual ministro Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

“Eu não vi nenhuma tendenciosidade contra um partido. Eu vi uma tendenciosidade contra as pessoas que estavam sendo investigadas. É natural que qualquer ser humano se posicione. Essa história de juiz ser neutro. Isso não existe”, disse durante entrevista ao Jornal da Cidade – II Edição, apresentado por José Eduardo, na Rádio Metrópole, nesta quarta-feira (12).

PREOCUPAÇÃO – A jurista, que prometeu engajar-se na campanha de Jair Bolsonaro à presidência no segundo turno das eleições, no ano passado, ainda ressaltou que enxergou uma preocupação de Moro e Dallagnol com a investigação, por envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Envolvia pessoas importantes, um ex-presidente da República é um político importante. É natural que a prova fosse a mais contundente possível, para que não abrisse um processo que fizesse um estardalhaço e não desse em nada”, assinalou.

Na oportunidade, Eliana Calmon também defendeu a permanência de Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. “Não vejo crime. Não vejo contaminação da prova. Não houve trama. Não se forjou. Não se inventou. Ele apenas estava preocupado para que o processo fosse mais dinâmico”.

DESEMBARGADORES – A ministra também elogiou os desembargadores João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus, que compõem a 8ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Eles julgaram o recurso do ex-presidente Lula contra a decisão de Moro, no caso do tríplex no Guarujá (SP).

“Toda essa prova foi revista por três grandes desembargadores, todo mundo acompanhou o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Esses desembargares são muito corretos. Essa prova passou pelo Superior Tribunal de Justiça e tudo foi validado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante a matéria enviada de Salvador pelo Dr. Christian Cardoso. A hora é de definição. É preciso que cada faça como Eliana Calmon e diga de que lado está – com os corruptos que querem destruir a Lava Jato ou com os magistrados, procuradores, delegados federais e auditores da Receita que lutam para moralizar o país? Simples assim. (C.N.)

Adélia Prado responde poeticamente a uma entrevista sobre sexo e religião

Adélia Prado, simplicidade, sabedoria e emoção

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Entrevista”, aborda temas ligados ao sexo e à religiosidade.

ENTREVISTA
Adélia Prado

Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa do sexo?
Um das maravilhas da criação, eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara:
o destino do homem é a santidade.
A mulher que me perguntara cheia de ódio:
você raspa lá? Perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
“Se cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.

Paulo Guedes foi o grande derrotado, ao conduzir o governo para um abismo político

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Guedes ainda pensa que Rodrigo Maia é seu aliado e vai ajudá-lo

Pedro do Coutto

Não tenho dúvidas de que o episódio de quarta-feira, quando o relator Samuel Moreira retirou do projeto encaminhado pelo presidente Jair Bolsonaro o incrível regime de capitalização e a não menos impressionante isenção da contribuição das empresas para com o INSS. A jornada parlamentar abalou o Palácio do Planalto e expôs o presidente da República a uma natural rejeição da opinião pública do país.

O Globo, o Estado de São Paulo e a Folha de são Paulo manchetaram as edições de ontem. Tenho a impressão de que só resta a Paulo Guedes cumprir o que afirmara quando anunciou sua disposição de deixar o Executivo, caso a reforma que idealizou não se concretizasse.

MAIA GOSTOU – A derrota de Guedes, como as fotos acentuam, deixou o deputado Rodrigo Maia bastante satisfeito. O presidente da Câmara dos Deputados não tinha e não tem interesse pela aprovação do texto emendado por Samuel Moreira. Em O Globo, a reportagem foi de Manoel Ventura, Geralda Doca, Natália Portinari e Bruno Goes. Na Folha,  assinaram Tiago Rezende, Ângela Boldrini e Bruno Bolgossian, enquanto Idiana Tomazelli, Camila Furtiele e Mariana Haubert escreveram em O Estado de São Paulo.

O desfecho na Comissão Especial acentuou fortes reflexos nas áreas governamentais. E o Ministro Paulo Guedes submergiu no mar de suas próprias contradições.

MERVAL BRILHA – Na coluna que ocupa em O Globo, Merval Pereira, escreveu ontem excelente artigo sobre o Ministro Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, iluminando sombras das quais surgiram gravações com o propósito de abalar o titular da Justiça e, por consequência a própria Operação Lava jato.

O artigo de Merval Pereira de certa forma representa uma contestação ao artigo de Elio Gaspari publicado na véspera. É muito importante o artigo de Merval, reproduzido aqui na Tribuna da Internet.

E digo eu, se o objetivo das gravações era obter liberdade para o ex-presidente Lula, a investida fracassou. Basta relembrar o que assalto bilionário ocorrido na Petrobrás. Como nada em política é um fato isolado, os reflexos da tentativa vão se fazer sentir. Inclusive dando margem, como aliás já sucedeu, a Jair Bolsonaro reaproximar-se da opinião pública.

DIA DE CAMÕES – Por iniciativa da vereadora Tereza Bergher, a Câmara Municipal do Rio realizou na noite de quarta-feira sessão para comemorar o dia de Portugal, feriado em Lisboa, data também conhecida como dia do poeta Luiz de Camões. O Dia de Camões é assim chamado porque o poeta português publicou Os Lusíadas, obra exaltando em versos as odisseias nos mares dos navegantes formados pela Escola de Sagres.

Há pouco mais de 500 anos caravelas cortaram os mares enfrentando tempestades e abrindo as portas do novo mundo. Mudaram a geografia universal e Camões dedicou sua obra aos êxitos das caravelas de Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Pedro Alvares Cabral, Fernando de Magalhães.

Os séculos se passaram e a história foi se tornando eterna. O ciclo dos navegantes transformou-se hoje numa conquista extraordinária sustentada pela capacidade humana.

Lobby para libertar Lula e inviabilizar a Lava Jato vai dar o golpe fatal no dia 25

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Lewandowski já marcou a data para a Segunda Turma  decidir

Carlos Newton

Há um ditado que diz o seguinte: “Após os 40 anos, somente um idiota pode acreditar em coincidência”. Mas acontece que há certos golpes tão bem produzidos que à primeira vista podem até ser encarados como coincidências. É justamente o que estava acontecendo com o esquema montado para inviabilizar a Lava Jato e soltar Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha, João Vaccari e outros políticos que estão na cadeia, além de evitar que muitos outros sejam presos nos próximos meses, como Michel Temer, Moreira Franco, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, Aécio Neves, Jader Barbalho etc.

A manobra é muito sofisticada e vem sendo desenvolvida em formato de “blitzkrieg”, uma guerra-relâmpago com ataques desfechados em diversas frentes.

NA SEGUNDA TURMA – Parece coincidência, mas já se sabia que o presidente da Segunda Turma do Supremo, Ricardo Lewandowski, amigo pessoal de Lula e com relações familiares, ia marcar para este mês o final do julgamento do habeas corpus para soltar o ex-presidente, cuja defesa mais uma vez acusa o ex-juiz Sergio Moro de agir com parcialidade ao condená-lo no caso do tríplex do Guarujá e depois assumir cargo no primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro.

A decisão da Segunda Turma é invariavelmente previsível e o julgamento deve terminar em 3 a 2 pela libertação de Lula, com os votos favoráveis de Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello, saindo derrotados Edson Fachin e Cármen Lúcia. A única esperança é Celso de Mello ter um ataque de lucidez e mudar a tendência de voto.

O problema para a defesa de Lula é que faltava justificar a alegação de que Moro agiu com parcialidade. Foi aí que entrou em cena – por coincidência, é claro – a equipe do The Intercept Brasil, que tem grande especialização internacional em rapinagem cibernética e vazamento de informações.

AS MENSAGENS – Escandalosamente, para mostrar que as investigações e julgamentos eram combinados, o “Intercept” desencavou quatro pequeninas mensagens entre juiz e procurador, ocorridas esparsamente num período de dois anos (2016 e 2017).  Em nenhuma dessas mensagens há referência à investigação ou ao julgamento de Lula, mas quem se interessa? Para os lobistas, o que importa não é o fato, mas a versão que estão tentando emplacar – por coincidência, é claro,

E assim pode-se alegar ardilosamente a justificativa para soltar Lula no julgamento do próximo dia 25, cumprindo-se um dos objetivos do lobby. Mas o segundo intento, que é a destruição da Lava Jato, continuará inatingível, na visão do relator Edson Fachin.

“A Lava Jato é uma realidade e não acredito que esta realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural”, disse Fachin nesta quarta-feira, acrescentando: “A Operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico, portanto, e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”.

VITORIA PARCIAL – Também a libertação de Lula pode ser uma vitória apenas temporária. Em poucos meses ele será julgado pelo caso do sítio de Atibaia no Tribunal Regional Federal da 4ª Região e sua condenação será confirmada, junto com o advogado e compadre Roberto Teixeira e outros mais, como o amigo Fernando Bittar, suposto dono da propriedade.

Com a reincidência específica em corrupção e lavagem de dinheiro, na segunda instância, o TRF-4 vai mandar prender Lula novamente e começará tudo de novo.

Mas em outro julgamento, desta vez no plenário, a ser realizado no segundo semestre, o Supremo vai enfraquecer muito a Lava Jato, porque já tem votos garantidos (6 a 5) para libertar todos os condenados após segunda instância, para beneficiar o próprio Lula, além de Dirceu, Vaccari, Cunha e tutti quanti, além de evitar a prisão de Aécio Neves, Michel Temer e todos os caciques do MDB, sem falar em políticos do PP, PSDB, PTB, e o céu é o limite.

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P.S. 1
Os seis votos a favor de libertar os corruptos serão de Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello, os seis cavaleiros do Apocalipse que eram quatro.

P.S. 2E ainda havia quem julgasse que Jair Bolsonaro e seus boinas verdes iriam conseguir a moralização da política brasileira…

P.S. 3 – Já se passaram cinco dias e até agora não saiu a segunda reportagem-bomba da série “The Intercept”. Será que o repórter foi interceptado por forças ocultas? Ou o site de rapina nada mais tem a exibir? Façam suas apostas. (C.N.)  

Fachin libera para julgamento a denúncia contra Aroldo Cedraz, ministro do TCU

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Tiago Cedraz é acusado de se tornar cúmplice do próprio pai

Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin liberou nesta quarta-feira (12) para julgamento uma denúncia apresentada contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, seu filho, o advogado Tiago Cedraz e outras duas pessoas por tráfico de influência.

Na época da apresentação a denúncia, a defesa de Aroldo e Tiago Cedraz informou que eles haviam recebido a denúncia com “surpresa e indignação” e que, ao longo do processo, iriam demonstrar a “lisura” dos dois.

SEGUNDA TURMA – A análise do caso caberá à Segunda Turma da Corte. O presidente do colegiado agora precisa colocar o caso em pauta para ser apreciado pelos demais ministro.

Presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, a Segunda Turma será comandada a partir da próxima terça-feira (18) pela ministra Cármen Lúcia. Além de Fachin, Lewandowski e Cármen, compõem a Segunda Turma os ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes.

Caso a maioria dos cinco ministros receba a denúncia, os quatro denunciados se tornarão réus e responderão a uma ação penal. O acolhimento da denúncia não é um juízo condenatório, ou seja, não faz os denunciados automaticamente culpados.

A DENÚNCIA – A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia em outubro de 2018. Segundo as investigações, os quatro denunciados negociaram e receberam dinheiro da UTC Engenharia para influenciar o julgamento de processos sobre a Usina Angra 3 que tramitam no TCU.

As apurações têm como base a delação do ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa. Ele seria o líder de sete empresas que concorriam à licitação para um contrato na Usina de Angra 3, com valor total de quase R$ 3,2 bilhões.

Nesse contexto, o empresário teria contratado Tiago e Aroldo Cedraz para interceder em favor do consórcio composto pela UTC. O objetivo era que o TCU não criasse problemas à contratação das empresas.

COMPROVAÇÃO – Conforme a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, há elementos que comprovam a entrega de dinheiro em São Paulo, na sede da UTC e, em Brasília, no endereço onde funciona o escritório de Tiago Cedraz.

Os acertos foram feitos em 2012 e pagos parceladamente até 2014, sustenta a PGR. No total foram pagos R$ 2,2 milhões, segundo Dodge.

Além da condenação, a PGR pede que os denunciados paguem R$ 4,4 milhões a título de ressarcimento aos cofres públicos. Deste total, 2,2 milhões referem-se a danos morais. O restante é o valor equivalente aos que teria sido obtido de forma ilícita. Dodge pede ainda a perda da função pública dos envolvidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais dois que dependem do êxito do esquema para demolir a Lava Jato e desmoralizar o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Gallagnol. O esquema é forte, profissional e organizado. E a mídia está dando uma grande força, interessada na inviabilização da Lava Jato, sabe-se lá por quê. (C.N.)

Santos Cruz será sucedido por um militar da ativa, o general Luiz Eduardo Ramos

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General Luiz Eduardo Ramos era comandante militar do Sudeste

José Carlos Werneck

Perto de completar os primeiros seis meses na Presidência da República, Jair Bolsonaro demitiu seu terceiro ministro, e desta vez foi um militar da reserva, que vai ser substituído por um general mais jovem e que ainda estava na ativa.

Responsável pela área de comunicação social, além do Programa de Parceria de Investimentos, o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, na verdade tratava de quase tudo no Governo.

FOI CRITICADO – Santos Cruz estava com bastante prestígio, até bater de frente com o grupo do astrólogo Olavo de Carvalho, que lhe fez pesadas críticas, através do Twitter, com apoio dos filhos de Bolsonaro.

Ele será substituído pelo atual comandante militar do Sudeste, general de Exército Luiz Eduardo Ramos, uma maneira de não deixar insatisfeitos e melindrados os militares que atuam e apoiam o governo. Com isso, Bolsonaro buscou pacificar a área militar, restando daqui para frente evitar novos conflitos entre o novo titular e área de Comunicação Social do Governo.

Uma das saídas pensadas dentro do governo, é acomodar tudo, reorganizando as atribuições da Secretaria de Governo e dando maior autonomia ao setor de comunicação, que responderia diretamente ao Gabinete da Presidência da República.

MUITOS ATRITOS – Nesses seis meses de Governo houve atritos em quase todas as reuniões em que se tratavam assuntos referentes à Comunicação Social, tanto com os primeiros responsáveis da Secom quanto com atual, Fábio Wajngarten. Desde a posse, o setor sofre muita influência dos filhos do Presidente Bolsonaro, em especial Carlos Bolsonaro, que sempre concorda entusiasticamente com as pesadas e grosseiras críticas de Olavo de Carvalho a membros do Governo.

Os funcionários da área de comunicação sempre reclamaram dos cortes feitos no setor, considerado essencial para que o Governo possa desenvolver seus projetos. Isso atingiu o auge quando Paulo Guedes, ministro da Economia, queixou-se com Bolsonaro com relação a cortes na campanha da Nova Previdência, que Guedes considera fundamental no período de apreciação da Reforma nas Comissões Especiais, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

FAZER CAMPANHA – No Governo, existe uma unanimidade, que, para vencer esta fase, é necessário pressionar os deputados e senadores de fora para dentro do Congresso Nacional, levando-se em conta que sindicatos aplicaram cinco vezes mais dinheiro em campanhas publicitárias, e o general Santos Cruz resistia a liberar mais verbas e estrutura para isso.

O ministro demitido também envolveu-se num embate com o grupo político mais afeito ao ex-presidente José Sarney, quando chamou o ex-senador Francisco Escórcio apenas para demiti-lo. Chiquinho, como é conhecido, era no governo de Michel Temer como um arremedo de “posto avançado” do Executivo no Legislativo, incumbido de “medir” a temperatura do Congresso com relação aos projetos do Planalto, antecipando problemas que pudessem prejudicar o diálogo entre os dois Poderes.

Até agora, não encontraram alguém na Secretaria de Governo disposto a desempenhar esse papel.

PEDIDOS – Os parlamentares reclamavam que o ministro Santos Cruz os recebia, mas seus pedidos não prosperavam.

Agora esperam que o novo ministro detenha mais poder para que tenham seus pedidos aceitos e que a Casa Civil, que mudou seus assessores, tenha mais condições de atender aos pleitos dos deputados e senadores.

Em 24 de abril, Janot conseguiu perceber que seu celular estava sendo clonado

Celulares de procuradores que trabalharam com Rodrigo Janot também foram hackeados Foto: Reprod

Ilustração reproduzida do site da revista Época

Lauro Jardim, Chico Otavio e Jailton de Carvalho
O Globo

Os integrantes do Ministério Público Federal só deram conta do tamanho da ação depois da divulgação dos diálogos de Moro com os membros da força-tarefa de Curitiba. Para o golpe ter êxito, desconfiam, é preciso da conivência de alguém dentro das operadoras de telefonia, uma vez que o acesso é dado no momento em que a vítima atende a uma ligação. Alguns dos números usados pelo esquema já foram repassados à Polícia Federal.

O problema, apuraram, seriam uma brecha denominada pelas operadoras de “Falha SS7”. Embora aplicativos como o WhatsApp e a Telegram ofereçam criptografia ponta a ponta para evitar que suas mensagens sejam interceptadas, ambos usam o número de celular do usuário para funcionar, e isto abre a guarda para os ataques.

SEM SEGURANÇA – A  fraude do SS7 permite que qualquer pessoa com acesso à rede de telecomunicações envie e receba mensagens celulares específicas, com alguns ataques que permitem aos hackers interceptar textos, chamadas e dados de localização.

A série de invasões teve início, até onde se sabe no momento, em 24 de abril. No primeiro dia de aposentadoria, o ex-procurador-geral Rodrigo Janot voltou mais cedo para casa aborrecido com uma série de ligações e mensagens esquisitas que tinha recebido ao longo do dia. Alguns telefonemas tinham partido do próprio número do ex-procurador. Por volta das 22 horas, o telefone celular voltou a tocar.

— Diga aí — disse um procurador, amigo de Janot, do outro lado da linha.

— Diga aí você, que está me ligando — respondeu o ex-procurador-geral, estranhando a abordagem do colega.

— Estou ligando porque você está me pedindo dados que eu já te passei — respondeu a Janot.

— Estou te pedindo dados ?? — questionou Janot.

Antes de terminar a frase, os dois perceberam que estavam sendo vítimas de um ataque quase simultâneo de um mesmo hacker. O estranho, que tinha ligado várias vezes durante o dia para Janot, estava usando a conta do Telegram do ex-procurador-geral para conversar com um outro procurador. O invasor estava em busca da senha do Twitter do ex-procurador-geral.

Para demonstrar intimidade, o invasor chamou o amigo de Janot pelo diminutivo, exatamente como o ex-procurador-geral faz. O procurador, que ajudou Janot a abrir uma conta no Twitter,  só não deu a resposta que o hacker queria porque ele e o ex-procurador-geral tinham conversado sobre o assunto dias antes.

No meio da confusão, o procurador interrompeu a conversa com o hacker e orientou Janot a não mais atender ligação e nem abrir mensagens para mudar códigos da Apple, do Telegram ou de outros aplicativos.

OUTROS CASOS

Outros integrantes da Lava-Jato relataram ataques semelhantes. Na noite de 6 de maio, por volta das 20h30, a procuradora Thaméa Danelon recebeu uma ligação de um desconhecido. Depois, veio outro telefonema, desta vez do próprio número e, em seguida, uma mensagem com a informação de que uma nova sessão do Telegram dela estava sendo aberta. Ela deveria confirmar se era ela mesma quem estava usando o aplicativo.

— Derrubei a sessão quatro vezes — disse Thaméa, ex-coordenadora da Lava-Jato em São Paulo.

Momentos depois, ela recebeu uma ligação do subprocurador-geral Nicolao Dino

— Desculpe, não pude atender quando você ligou porque estava em sala de aula — disse Dino ao explicar por que não respondeu a uma chamada da colega.

TODOS GRAMPEADOS – A procuradora disse que não haveria motivos para desculpas porque ela não tinha tentado falar com ele naquela noite. A partir daí, surgiu a suspeita de que o telefone do subprocurador-geral também fora invadido.

Também no mês passado, o hacker tentou invadir o celular de Ronaldo Queiroz, ex-chefe de gabinete substituto de Janot.

Experiente na investigação de crimes ligados à internet, Queiroz entendeu na hora o que estava acontecendo: bloqueou a ação do hacker e formatou o celular, ou seja, restaurou o padrão de fábrica e apagou todo o arquivo armazenado no equipamento.

OUTROS CASOS – Também alvo dos ataques, o coordenador da força-tarefa no Rio, Eduardo El Haje, também reagiu rapidamente e impediu que seu celular fosse utilizar pelo invasor.

Já em Curitiba, o colega Paulo Galvão demorou a perceber que estava sendo vítima de um golpe. O procurador teria recebido a ligação do meio da noite e, sem se atentar para o risco, concordou com as sugestões do hacker. Quando se deu conta, o invasor já teria invadido o celular. Não se sabe se o hacker teve ou não tempo de copiar os dados.

Nem todos os procuradores alvos de ataque relataram o caso à polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, amigos! Agora está evidente que não se trata de um único hacker. É uma quadrilha, mesmo. E o objetivo não está sendo alcançado, apesar de ter havido grampos em todos esses celulares de procuradores, juízes e membros das forças-tarefas da Lava Jato, porque está provado que os hackers agiram em quatro cidades, pelo menos – Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. E o objetivo de demonstrar que houve fraude de provas e combinação de julgamento que configurem “uma perseguição política” a Lula, essa meta decididamente não está sendo alcançada e a Lava Jato vai resistir a esse desesperado ataque do lobby da corrupção. (C.N.)

Foi Carlos Bolsonaro (o filho Zero Dois) que comandou a demissão de Santos Cruz

O ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, General Santos Cruz

Santos Cruz saiu à francesa, sem dar entrevista sobre sua demissão

Thais Arbex e Daniel Carvalho
Folha

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz foi demitido nesta quinta-feira (13) da Secretaria de Governo da Presidência da República pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). A informação foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. O porta-voz também confirmou que Santos Cruz será substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, que é comandante militar do Sudeste.

Questionado sobre os motivos da saída do ministro, o general disse que Santos Cruz esclarecerá a razão pela qual ele está deixando o governo.

ANTES DE VIAJAR – Santos Cruz foi avisado de sua demissão em reunião com o presidente e com o ministro Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que ocorreu às 12h20 no Palácio do Planalto, pouco antes de Bolsonaro decolar para Belém para uma agenda de governo.

Um integrante do Palácio do Planalto usou a expressão ‘freio de arrumação’ para explicar a demissão. Santos Cruz é o terceiro ministro a cair na gestão Bolsonaro, após as quedas de Gustavo Bebianno (Secretaria Geral), por causa da crise dos laranjas, e Ricardo Vélez Rodríguez (Educação), pelas falhas de gestão na pasta.

Desde que chegou ao Planalto, em janeiro, o ministro se envolveu em seguidas crises com os filhos do presidente, além de um embate com o escritor Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro. A comunicação de governo era um dos pontos de embate. ​

CONSTRANGIMENTO – O incômodo da cúpula militar do governo com Olavo de Carvalho cresceu à medida que se avolumaram os ataques do escritor reverenciado pelo presidente e pelo grupo ideológico que o cerca. O ministro general reagiu às ofensas de Olavo aos militares que hoje trabalham no Palácio do Planalto, em especial o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB).

“Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho”, disse Santos Cruz à Folha. “Nem a forma nem o conteúdo agradam a ele”,  afirmou. “Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, criticou o ministro, em março.

Integram ainda a ala militar do Planalto os generais Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o porta-voz, Otávio Rêgo Barros, e o chefe da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto.  ​

DISPUTAS – Outro desgaste ocorreu em torno das disputas dentro do governo sobre regulamentação de veículos de imprensa — a Secom (Secretaria de Comunicação Social) está subordinada à pasta de Santos Cruz.

Santos Cruz concedeu entrevista no início de abril à rádio Jovem Pan na qual comentou sobre a necessidade de evitar distorções nas redes sociais.

Ele afirmou ainda que a influência das mídias sociais é benéfica, mas também pode “tumultuar”. Para ele, é necessário ter cuidado com a sua utilização, evitando ataques e o seu uso como “arma de discórdia”.

COREIA OU CUBA – Bolsonaro reagiu. Em mensagem publicada em sua conta oficial no Twitter, ele escreveu que recomenda “um estágio na Coreia do Norte ou em Cuba” para quem defender uma espécie de controle do conteúdo divulgado.

O escritor Olavo de Carvalho, um dos gurus do presidente, foi explícito ao endereçar as críticas. “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda”, escreveu.

A comunicação do Palácio do Planalto tem sido palco desde o início do governo de uma disputa entre o núcleo militar e os chamados “olavistas”, seguidores do escritor.

DESAUTORIZAÇÃO – Um mês antes, Santos Cruz desautorizou pedido feita pela Secom para que as empresas estatais enviassem para avaliação prévia propagandas de perfil mercadológico.

O gesto foi interpretado por assessores palacianos como a primeira crise entre o militar e o empresário Fábio Wajngarten, que assumiu recentemente a Secom na tentativa de melhorar a comunicação do governo.

Na manhã desta quinta-feira, Santos Cruz esteve na CTFC (comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle). Foi convocado para explicar a divulgação, em 31 de março, de um vídeo que enaltecia o golpe militar. O ministro atribuiu a divulgação ao descuido de um funcionário.

SEM FALAR – Após ir à comissão, sua assessoria informou aos jornalistas que ele não teria muito tempo para falar, pois havia sido chamado pelo presidente ao Palácio do Planalto.

Respondeu a apenas quatro perguntas, a maioria sobre a crise envolvendo o ministro Sergio Moro (Justiça), mas limitou-se a condenar a invasão das conversas do ex-juiz da Lava Jato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A queda de Santos Cruz é confirmação de que os filhos continuam a influenciar o presidente, especialmente o vereador carioca Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que se julga entendido em Comunicação Social e indicou o jornalista Fábio Wajngarten para comandar a Assessoria de Imprensa. No cargo, Fábio obedecia ao Zero Dois e não ao ministro Santos Cruz, a quem estava subordinado diretamente. Daí deriva o desentendimento que causou a demissão do general. (C.N.)

Hackers podem fabricar “diálogos” de autoridades, afirma nota da Lava Jato

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

Hacker se infiltrou até no aplicativo dos conselheiros do CNMP

Ederson Hising
G1 PR — Curitiba

Após um hacker se passar por um integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na noite de terça-feira (11), a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirma que está confirmada a possibilidade de invasores fabricarem diálogos usando perfis de autoridades.

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma nota no início da noite desta quarta-feira (12) sobre o assunto. Segundo o comunicado, “diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores”.

EDIÇÕES ETC. – Para a força-tarefa, a divulgação de supostos diálogos “obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por esse contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido”.

Na avaliação do MPF, informações conseguidas por meio de invasões poderão culminar em divulgação de notícias falsas.

“É necessário não apenas identificar e responsabilizar o hacker, mas também os mandantes e aqueles que objetivam se beneficiar desses crimes a partir de uma ação orquestrada contra a operação Lava Jato”, diz a nota.

INVASÃO DO CNMP – Um hacker invadiu um grupo do aplicativo Telegram formado por conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e afirmou que acessa “quem quiser e quando quiser”.

A conversa ocorreu na noite de terça, quando mensagens do perfil do conselheiro Marcelo Weitzel, do Ministério Público Militar, questionaram a atuação de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Um dos integrantes questionou: “Marcelo essas mensagens são suas? Não está parecendo seu estilo. Checa teu celular aí”.

E ele respondeu: “Hacker aqui. Adiantando alguns assuntos que vocês terão de lidar na semana, nada contra vocês que estão aqui, mas ninguém melhor que eu para ter acesso a tudo né.”

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LEIA A NOTA DA FORÇA-TAREFA DO MPF NA ÍNTEGRA:

“A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná vem a público informar que as investidas criminosas contra celulares de autoridades de diferentes instituições da República continuam a ocorrer com o claro objetivo de atacar a operação Lava Jato.

Mais uma vez, na noite da última terça-feira (11), um hacker passando-se por um integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), cuja identidade virtual havia sequestrado, entabulou conversas com outras autoridades e ainda em grupos de aplicativos de trocas de mensagens eletrônicas. Distorcendo fatos, o hacker enviou mensagens com o objetivo claro de desacreditar a imagem de integrantes da força-tarefa, estimulando ainda que seu interlocutor as compartilhasse com o viés de “queimar a imagem” dos integrantes do MPF.

A divulgação de supostos diálogos obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por esse contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido. Além disso, diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores. Uma informação conseguida por um hackeamento traz consigo dúvidas inafastáveis quanto à sua autenticidade, o que inevitavelmente também dará vazão à divulgação de fake news.

Após a divulgação do primeiro comunicado da força-tarefa na noite do último domingo (9), também há notícia de ataques a jornalistas, a integrantes do Poder Executivo e do Poder Judiciário e a conselheiros do CNMP. Os relatos dos fatos foram incluídos nas investigações em curso, e a força-tarefa, em virtude da continuidade dos ataques, redobrou as cautelas de segurança.

O ataque em grande escala, em plena continuidade, envolvendo integrantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Poder Executivo e imprensa, revela uma ação hostil, complexa e ordenada, típica de organização criminosa, agindo contra as instituições da República. É necessário não apenas identificar e responsabilizar o hacker, mas também os mandantes e aqueles que objetivam se beneficiar desses crimes a partir de uma ação orquestrada contra a operação Lava Jato.”

Ataque a Moro e Dallagnol é parte de um esquema maior contra a Lava Jato

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Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

A comprovação pelas investigações da Policia Federal de que o episódio da captação ilegal dos diálogos do então juiz Sergio Moro com o chefe dos Procuradores de Curitiba, Deltan Dallagnol, é apenas parte de uma ação coordenada contra a Lava Jato, atingindo membros do Poder Judiciário em diversos graus, deu nova conotação política ao episódio.

Silvio Meira, um dos maiores especialistas em tecnologia da informação e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco, diz que “ninguém fez isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás. Havia gente que estava explicitamente dedicada, gastando imaginação, competência técnica, tempo e dinheiro para chegar a essa informação”.

INDAGAÇÃO – Abel Gomes, desembargador do TRF-2 que julgou casos da Lava-Jato no Rio, colocou o dedo na ferida: “Por que os hackers têm mirado apenas autoridades que deram decisões desfavoráveis aos investigados da Lava-Jato?”.

Também a juíza Grabriela Hardt, substituta de Moro durante um período, foi hackeada e denunciou que essa manobra ilegal contra membros do Judiciário é um atentado à segurança do Estado brasileiro.

Para SilvIo Meira, o Telegram, que passou a ser muito usado no Brasil depois que o WhattsApp ficou fora do ar por questões judiciais, pode ser seguro se as mensagens são criptografadas, “mas o usuário tem que habilitar seu celular para isso. Se não o fizer, as mensagens ficam abertas e, consequentemente, fáceis de serem lidas”.

EMPRESA RUSSA – Também a origem da empresa é um mistério. Telegram é o nome de uma empresa russa dos irmãos Durov, os criadores do Facebook russo, o VKontacte, conhecido como VK. Numa operação que até hoje não foi explicada em detalhes, venderam ou foram forçados a vender o VK a outro grupo digital russa. Saíram da Rússia logo depois, foram para Berlim, de onde também saíram reclamando que as autoridades alemãs não deram visto de trabalho para seu time.

 Time que hoje ninguém sabe exatamente onde está. A empresa é tocada a partir de Dubai, e os demais funcionários estariam espalhados pelo mundo. A infraestrutura da companhia não se sabe onde está”.

 O STF deve julgar no plenário um pedido de suspensão do ex-juiz Sergio Moro, por parcialidade arguida pela defesa de Lula. Oficialmente, as conversas não estarão no julgamento, a não ser que a defesa possa pedir para incluí-las. Mas, que vão interferir, isso é claro. 

SEM ANULAÇÃO – Não creio que, se for para o plenário, seja aprovada a tese da anulação da condenação. Mesmo na Segunda Turma acho que haverá maioria para derrotar os prováveis votos dos ministros Gilmar Mendes e Lewandowski. O ex-presidente foi condenado em três instâncias, portanto, não há razão para anular todos os julgamentos em todas as instâncias.

Para o especialista em tecnologia de informação Silvio Meira, essa crise atual chama a atenção para um problema brasileiro: o de que as autoridades não têm um sistema de troca de mensagens ou telefone protegido de invasões desse tipo.

Como já escrevi aqui, utilização do twitter para suas mensagens é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu grande ídolo. Mas Trump só usa o Twitter oficial quando trata de ações do governo.

CASO HILLARY – Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton que, quando Secretária de Estado no governo Obama, dispensou o e-mail oficial(@state.gov) para usar seu email privado mesmo para assuntos de Estado.

 O caso provocou o temor de informações sigilosas do Departamento de Estado circularem em redes de caráter privado, ou estarem expostas a ataques de hackers. Parte do conteúdo era classificado como supersecreto, ou o foi mais tarde. Coube a Hillary um pedido de desculpas: “Foi um erro. Sinto e assumo a responsabilidade”.

SEGURANÇA – Legislações sobre esse tipo de utilização garantem nos Estados Unidos que não haja violação de normas de segurança institucional. Aqui houve um ataque em massa a diversos membros da Lava Jato em vários Estados, notadamente Paraná e Rio. Está sendo revelado que houve uma verdadeira conspiração contra a Lava Jato e o Judiciário.

Os diálogos que já foram revelados e os ainda a revelar podem provar – o que na minha opinião ainda não aconteceu – irregularidades praticadas dentro da Operação Lava Jato. Mas não há mais dúvidas de que esse ataque cibernético foi orquestrado justamente com o objetivo de acabar com a Lava Jato. Mas, como diz o ministro do Supremo Edson  Facchin, a Lava-Jato é uma realidade que mudou a estrutura do combate à corrupção no Brasil.

Engenheiros da Petrobras denunciam que a empresa está sendo “desintegrada”

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Sem as subsidiárias lucrativas, a Petrobras não terá viabilidade

Do site da Aepet

Em razão da decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida na quinta-feira, dia 06 de junho de 2019, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) apresenta esta Nota a seus associados e aos brasileiros.

“Nossa Associação de Engenheiros não irá desonrar essa decisão provisória, embora cause estranheza uma decisão que ignore o disposto no texto constitucional e libere a venda de subsidiárias sem lei que autorize e sem licitação.

A União detém indiretamente o controle acionário de subsidiárias e controladas. Essas empresas, assim com as sociedades de economia mista e empresas públicas, somente existem, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, por imperativos da segurança nacional ou de relevante interesse coletivo. Por isso, essas empresas são estatais.

Assim, essas empresas somente podem deixar de existir por uma decisão política de que essas condições não mais existem ou pela incorporação dos seus ativos ao patrimônio da sociedade de economia mista ou empresa pública que as criou. Somente no caso dessa incorporação, pode a administração da controladora decidir pela extinção da subsidiária.

PRIVATIZAÇÃO – A “venda” do controle acionário de subsidiárias para particulares sem lei que a autorize expressamente, ou seja, desestatização sem decisão política, é um atentado à legitimidade popular. No cenário federal, somente o proprietário das empresas estatais, o povo, representado pelo controle direto ou indireto do União, pode opinar por meio de seus representantes, eleitos para o Congresso Nacional, sobre a alienação ou não do seu patrimônio.

A “venda” do controle acionário de subsidiárias para particulares sem lei que a autorize expressamente, ou seja, desestatização sem decisão política, é um atentado à legitimidade popular.

A autorização para privatizar ou desestatizar subsidiárias sem licitação, exigindo-se apenas “algum meio competitivo”, permite a realização de negociações fora do controle da sociedade, o que pode beneficiar determinados grupos econômicos privados, por não haver transparência e publicidade de todos os atos do processo, nos termos da lei.

OUTROS REPAROS – Como cidadãos brasileiros que conhecem técnica, política, econômica e administrativamente a indústria do petróleo, podemos, ainda, oferecer diversos outros reparos à decisão liminar em questão.

O primeiro é o incalculável prejuízo para a segurança energética da Nação e para o suprimento de seus habitantes e o funcionamento da economia nacional, que passaria a estar sob controle de particulares e estrangeiros, cujo único móvel é o lucro máximo e mais rápido. Não vemos justificativa para isso, em especial na área energética, motor da civilização industrial.

Segundo, porque entendemos que, para privatizar subsidiárias da Petrobrás, deve existir a devida legitimidade, que somente pode ser assegurada pela decisão de seus verdadeiros acionistas, o povo brasileiro, simbolizado pela União, ou por seus representantes do Congresso Nacional.

MEDIDA INÓCUA – Também é importante destacar que a exigência de lei apenas para a privatização da empresa-mãe, a matriz, não para as subsidiárias, não passa de uma medida inócua decidida pelo STF. Ao liberarem a venda sem lei e sem licitação das subsidiárias e ativos, os ministros do STF permitem que as controladoras, como a Petrobrás e a Eletrobrás, sejam esvaziadas até que sobrem apenas dívidas, ou aquelas atividades que não interessem ao mercado. Ou seja, vende-se o conteúdo produtivo e o Estado fica com uma casca vazia.

Finalmente, por que está se querendo constituir no Brasil um modelo colonial exportador de matérias-primas – o petróleo cru – e importador de derivados: gasolina, diesel, querosene de aviação, gás de cozinha, fertilizantes e toda enorme quantidade e tipo de petroquímicos, da mangueira do jardim ao prato da mesa, passando pelos usos industriais?

EMPRESA INTEGRADA – Toda grande empresa de petróleo é integrada. Busca petróleo para abastecer suas refinarias, constrói dutos para transportá-lo e seus derivados, e estende suas atividades por toda cadeia dos produtos que tem origem no óleo bruto. É esta integração que garante sua sustentação financeira na conjuntura de preços relativamente baixos do petróleo e a obtenção de recursos para pesquisas, desenvolvimento e investimentos, que tantos benefícios trazem para a população brasileira, inclusive para a geração de emprego.

A Aepet se coloca contra as vendas das subsidiárias e ativos da Petrobrás, por considerá-las lesivas ao patrimônio nacional, à economia brasileira e à paz social.

Estamos mobilizados para que essas privatizações não ocorram e, caso não sejamos capazes de evitá-las, que elas sejam, o mais brevemente possível, revertidas, com os ativos recuperados e reestatizados.

Bolsonaro elogia atuação de Moro como juiz na Lava Jato e critica os hackers

O presidente Jair Bolsonaro durante solenidade na manhã desta quinta-feira (13), no Palácio do Planalto  — Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

‘Atuação de Moro na Lava Jato não tem preço’, afirma Bolsonaro

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (13) que a atuação de Sérgio Moro como juiz da Lava Jato “não tem preço” e classificou a invasão dos celulares do ministro da Justiça e de procuradores como ação “criminosa”. Bolsonaro comentou pela primeira vez, em público, o caso publicado pelo site The Intercept, que apresenta desde no domingo (9) reportagens com mensagens atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e a Moro, extraídas do aplicativo Telegram.

O presidente ainda ressaltou que Moro já faz parte da História do Brasil”. “Se vazar o meu [celular] aqui tem muita brincadeira que eu faço com colegas que vão me chamar de louco e tudo aquilo que me chamavam durante a campanha. E houve uma quebra criminosa, uma invasão criminosa. Se o que tá sendo vazado, é verdadeiro ou não”, disse.

HACKEADOS – Os diálogos divulgados, segundo o site, mostrariam comportamentos proibidos e antiéticos entre o então juiz e do coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Em resposta, Moro e Deltan têm dito que, embora não possam reconhecer a autenticidade e fidedignidade dos diálogos, não há nada que seja irregular ou impróprio.

Os alvos das conversas denunciaram recentemente que tiveram seus celulares hackeados ilegalmente, o que é crime. A Polícia Federal (PF) instaurou quatro inquéritos para investigar o vazamento de mensagens de celular de procuradores da República e Moro.

O site Intercept, no entanto, informou que obteve os diálogos antes da invasão. Segundo o site, as informações foram obtidas de uma fonte anônima.

APOIO A MORO – Antes da declaração desta quinta, em entrevista no Planalto, as manifestações de Bolsonaro sobre o caso foram feitas por meio do porta-voz Otávio Rêgo Barros e do secretário de Comunicação Fábio Wajngarten.

O presidente também deu sinais de apoio a Moro ao chegar de lancha com o ministro em uma cerimônia militar e ao lavá-lo ao jogo entre CSA e Flamengo no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Questionado sobre os gestos de apoio, Bolsonaro elogiou o trabalho do atual ministro como juiz federal. “Em vez de chegar em casa e dar um presente à minha esposa, dei um beijo nela, não é muito melhor? Eu dei um beijo hétero no nosso querido Sérgio Moro. Demos dois beijos héteros. Fomos lá na marinha com ele”, declarou o presidente.

SEM PREÇO – “O que ele [Moro] fez não tem preço. Ele realmente botou para fora, mostrou as vísceras do poder, a promiscuidade do poder no tocante à corrupção. A Petrobras quase quebrou, fundos de pensão muitos quebraram”, acrescentou.

Bolsonaro também comentou as mudanças no texto da reforma da Previdência feitas pelo relator da proposta em uma comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O relator, que apresenta nesta quinta o parecer, já informou que retirou da proposta de emenda à Constituição (PEC) trechos sobre capitalização, aposentadoria rural e BPC, além de mudar tempo mínimo de contribuição para mulheres.

Bolsonaro afirmou que o governo gostaria de manter na proposta a criação de um regime de capitalização para financiar aposentadorias. “Já apresentamos nossas propostas, nós não somos os donos da lei… Gostaríamos que você mantida a capitalização e vamos lutar neste sentido”, disse Bolsonaro.

POUPANÇA – A capitalização é uma espécie de poupança que o próprio trabalhador faz para assegurar a aposentadoria no futuro. O regime atual é o de repartição, pelo qual o trabalhador ativo paga os benefícios de quem está aposentado.

Sobre a saída ou não de estados e municípios do texto da reforma na comissão especial, Bolsonaro afirmou que recebe informações que apontam que “alguns governadores” não desejam se desgastar com o apoio as mudanças. Assim, os governadores terão de aprovar mudanças previdenciárias nas respectivas Assembleias Legislativas.

“O que chega para mim aqui, que alguns governadores querem aprovar a reforma da Previdência, de modo que seus deputados votem contra, não querem sofrer algum desgaste. Toda batalha algum desgaste tem. Parece que há uma tendência de os parlamentares tirarem estados e municípios e daí o governador terá seu desgaste dentro do próprio estado”, afirmou.

DECRETO DAS ARMAS – Bolsonaro também comentou na entrevista a possibilidade de o Congresso suspender o decreto assinado por ele com alterações nas regras para o uso de armas e munições no Brasil.

O direito ao porte é a autorização para transportar a arma fora de casa. É diferente da posse, que só permite manter a arma dentro de casa.

Na quarta-feira (12), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou relatório alternativo do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) que pede a suspensão do decreto. O projeto ainda precisa passar pelo plenário do Senado, que vai analisar o conteúdo. Coube à CCJ votar a constitucionalidade da matéria. A Câmara dos Deputados também vai analisar a matéria. Até lá, o decreto continua valendo. Bolsonaro defendeu a legalidade do decreto e o direito de defesa do cidadão, já que criminosos utilizem armas de fogo.

Moro e Guedes, dois superministros que viraram alvos de dúvidas e interrogações

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Os principais ministros, Moro e Guedes, agora estão na berlinda

Eliane Cantanhêde
Estadão

O efeito da divulgação da troca de mensagens do então juiz Sérgio Moro com procuradores é menos jurídico e mais político. É improvável que isso mude alguma coisa, por exemplo, nas condenações do ex-presidente Lula. Mas é provável que deixem Moro debaixo de chuvas e trovoadas, principalmente se os hackers tiverem bem mais do que já foi publicado.

Moro entra na mira justamente quando o outro superministro, Paulo Guedes, da Economia, começa a fraquejar. A reforma da Previdência virou um samba de uma nota só, enquanto a economia patina e o desemprego não dá refresco. Dois superministros, dois alvos de interrogações.

Bom para Moro isso tudo não é. As mensagens confirmam sua forte ligação com procuradores, principalmente com Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato.

FATOS NORMAIS – E a independência da Justiça? Juízes não devem e não podem manter relações promíscuas nem com a defesa nem com a acusação. Isso, porém, é uma questão formal. Na prática, no dia a dia, que juiz não troca informações, mensagens e dúvidas com um lado, o outro ou ambos?

E, cá para nós, nem chega a ser surpresa o trabalho e o esforço conjunto de Moro, procuradores, delegados e agentes da Receita Federal para chegar a um resultado espetacular: a maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção de que se tem notícia.

No próprio documentário “O mecanismo”, dirigido por José Padilha e baseado no livro Lava Jato, do jornalista Vladimir Neto, essa relação já é retratada. Todo mundo sabia. Agora todo mundo finge que não e está chocado?

PROMISCUIDADE – E as idas de ministros do Supremo a palácios presidenciais, cervejadas de advogados com procurador-geral da República, visitas “de improviso” de advogados de Lula ao ministro da Justiça? Sem falar na intensa troca de mensagens de todos com todos.

Para conferir ainda mais complexidade à história, há o ataque de hackers. É óbvio que a ação não foi isolada e aleatória. Foi, sim, uma ação orquestrada, concentrada nos principais atores da Lava Jato. Além de Moro, os procuradores de Curitiba, o desembargador Abel Gomes, do Rio, e outros personagens-chave em Brasília. Os celulares invadidos não eram de quaisquer procuradores e juízes, mas de procuradores e juízes da Lava Jato.

E OS AUTORES? – Impossível a Polícia Federal chegar aos autores? Impossível não é, até pela máxima de que “não há crime perfeito”. Basta um vacilo, um descuido, um rastro e a investigação pode evoluir como um rastilho de pólvora. E Moro não é só o chefe da PF, mas é um sólido aliado da instituição na Lava Jato, tanto quanto dos procuradores.

Agora, há duas questões pairando no ar e impedindo qualquer conclusão precipitada: se há outros trechos e se essas novas revelações podem ser mais diretas e mais devastadoras do que as que já vazaram até aqui pelo site The Intercept Brasil.

LOMBO CURTIDO – Até lá, lembre-se que Sérgio Moro tem o lombo curtido e está bastante acostumado a “apanhar” desde os cinco anos de Lava Jato, testando forças com poderosos do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e com as maiores fortunas do País.

Uma coisa é certa: a ida de Moro para a Justiça foi muito melhor para Bolsonaro do que para o próprio Moro e pode até ser que ele vá dormir toda noite pensando se fez bem ou não, à sua biografia, à sua vida privada e até à Lava Jato, ao virar ministro de um governo tão estranho, adepto de armas, empenhado em beneficiar maus motoristas etc. Mas não são esses hackers e as mensagens que saíram até agora que irão derrubá-lo. Muito menos do pedestal na opinião pública.

Como bem disse Fernando Henrique Cardoso ontem, houve “comentários impróprios”, mas o resto é “tempestade em copo d’água”.

Lava Jato não é suscetível de qualquer retrocesso, diz Fachin sobre ataques a Moro

Edson Fachin luta como um guerreiro para preservar a Lava Jato

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo
Estadão

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, disse nesta quarta-feira (12) que a operação trouxe um novo padrão “jurídico” e de “natureza ética” e que isso não é suscetível de qualquer retrocesso.

A fala de Fachin ocorre após o site “The Intercept” Brasil publicar o conteúdo vazado de supostas mensagens trocadas pelo então juiz federal Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol.

UMA REALIDADE – Esta é a primeira vez que Fachin se manifesta publicamente sobre o tema. “A Lava Jato é uma realidade e não acredito que esta realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural”, disse Fachin nesta quarta-feira.

 “A operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico, portanto, e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”, completou o ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O ministro Edson Fachin, que é um homem decente e está desambientado no Supremo, onde a maioria conspira para libertar Lula e inviabilizar a Lava Jato, deu uma declaração coerente com a realidade. Não será possível destruir a Lava Jato e cancelar as condenações, com base no lobby montado para atacar Moro e Dallagnol. O máximo que se vai conseguiu e libertar Lula e isso pode acontecer no próximo dia 25, quando a Segunda Turma terminará de julgar o recurso em que a defesa acusa Moro de agir com imparcialidade. A investida contra Moro e Dallagnol, às vésperas desse julgamento parece ser coincidência, mas não é. Depois voltaremos ao assunto, que é importantíssimo. (C.N.)

Ataque hacker foi mais amplo, atingiu ‘coração’ da Lava-Jato e custou milhões de dólares

durante solenidade em Brasília Foto: Jorge William / Agência O Globo -20/05/2019

O ministro Moro foi apenas um, entre os muitos alvos dos hackers

Lauro Jardim, Chico Otavio e Jailton de Carvalho
O Globo

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) têm indícios de que o ataque hacker que expôs mensagens privadas do juiz Sergio Moro e de procuradores foi muito bem planejado e teve alcance bem mais amplo do que se sabe até agora. Entre os alvos dos criminosos, estiveram integrantes das forças-tarefas da Operação Lava-Jato de ao menos três estados (Rio, Paraná e Distrito Federal), delegados federais de São Paulo, magistrados do Rio e de Curitiba.

Além do atual ministro da Justiça e do procurador Deltan Dallagnol, foram alvo de ataques a juíza substituta da 13ª Vara Federal Gabriela Hardt (que herdou processos de Moro temporariamente quando ele deixou o cargo), o desembargador Abel Gomes (relator da segunda instância da Lava-Jato no Rio), o juiz Flávio de Oliveira Lucas, do Rio, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot , os procuradores Januário Paludo, Paulo Galvão, Thaméa Danelon, Ronaldo Pinheiro de Queiroz, Danilo Dias, Eduardo El Haje, Andrey Borges de Mendonça, Marcelo Weitzel e o jornalista do Globo Gabriel Mascarenhas.

CONFIRMAÇÃO – Em nota, a Justiça Federal confirmou que a substituta de Moro foi atingida e disse que o fato foi “imediatamente comunicado à Polícia Federal”. Segundo o texto, “a juíza não verificou informações pessoais sensíveis que tenham sido expostas”.

Em Brasília, outros dois procuradores, ambos ex-auxiliares de Janot, relataram ao Globo também terem sido vítimas de ataques de hackers, mas pediram para não terem os nomes publicados.

A força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo confirmou que mais dois procuradores sofreram tentativa de invasão de seus celulares em maio, mas o ataque foi percebido e bloqueado. Na época, os dois já não integravam a força tarefa. Na força-tarefa da Lava-Jato no Rio, integrantes também evitaram a invasão, já que tinham controles mais rígidos, em especial a verificação em duas etapas para acesso remoto ao aplicativo Telegram.

AINDA EM AÇÃO – Mesmo após a revelação do caso, o esquema criminoso continua em atuação. Na noite de terça-feira, um hacker entrou em contato com José Robalinho, ex-presidente da Associação Nacional de Procuradores, se fazendo passar pelo procurador militar Marcelo Weitzel, que teve seu celular invadido, como revelou a revista Época.

Em meio à crise deflagrada pelos ataques, procuradores discutem entre si as mais variadas teses sobre as origens dos ataques. Alguns levantam suspeitas até sobre invasões de origem russa, o que não está comprovado. Mas, se os autores ainda são desconhecidos, entre os alvos prevalece a ideia de que as invasões são uma ação orquestrada contra a Lava-Jato.

AÇÃO PROFISSIONAL – A Polícia Federal investiga os ataques dos hackers com duas turmas de agentes e delegados, em quatro cidades. A Procuradoria-Geral da República também abriu um procedimento para acompanhar o trabalho da polícia. A apuração desse tipo de crime é tida como complexa, e o prazo para conclusão das investigações será longo, prevê a cúpula da PF.

As suspeitas iniciais apontam para um mandante com capacidade financeira para bancar o esquema aparentemente sofisticado de ação. Uma das hipóteses é a de utilização de equipamentos que custam entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, segundo uma fonte da cúpula da PF ouvida pelo Globo. Há diversas empresas sediadas no leste europeu e no Oriente Médio que oferecem estes serviços por esses valores.

Por outro lado, chamou a atenção o fato de o suposto hacker ter feito piada na terça-feira com um dos alvos. Numa das mensagens, o invasor afirmou que é apenas um “técnico de TI” (Tecnologia da Informação), sem objetivos partidários.

TRÊS ETAPAS – Segundo os relatos das vítimas e apurações do Ministério Público Federal, o esquema funciona em três etapas. Na primeira, o hacker descobre o número do celular da vítima e o utiliza para solicitar, via desktop, a abertura de nova sessão do Telegram. Imediatamente, o aplicativo encaminha para a vítima o código de acesso, via SMS, achando que o pedido foi feito pelo dono da conta;

O clonador adquire um número de celular, geralmente em países onde há pouca fiscalização, e o utiliza para ligar para a vítima, depois de ter solicitado o código de acesso. Por alguma técnica ainda desconhecida, a vítima, ao atender, permite que o clonador capture todo o conteúdo do SMS, incluindo o código de acesso ao Telegram;

Com esse código, o hacker acessa o Telegram através de seu PC e pode ver todas as conversas da vítima, entre as quais as de grupos. Isso porque os diálogos pretéritos ficam guardados no aplicativo. O hacker pode fazer um backup de todos os arquivos, mídias e conversas da vítima e/ou pode se passar por ela perante terceiros no aplicativo, dialogando etc.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a Tribuna da Internet antecipou, trata-se de um trabalho altamente profissional e que custa caro, muito caro. É difícil achar os hackers, mas é fácil imaginar quem é especializado em rapinagem cibernética internacional e pagou a eles. Aqui na sucursal, a única empresa que é conhecida por ter esse tipo de experiência é justamente a “The Intercept Brasil”. Alguém conhece alguma outra?

Quanto ao lobby para destruir a Lava Jato, é preciso saber a quem interessa soltar Lula, Dirceu, Cunha, Vaccari e os outros criminosos que estão na cadeia, além de evitar que mais à frente sejam presos os corruptos que estão na fila, como Temer, Moreira, Padilha, Aécio e a irmã, Jucá. Renan e tutti quanti. A quem interessa? Ora, isso só interessa a eles próprios, e a organização criminosa tem cacife para bancar qualquer quadrilha especializada em pirataria cibernética. (C.N.)

Bolsonaro vai com Moro a estádio em jogo do Flamengo e os dois são aplaudidos

Na foto, o presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro Foto: Jorge William / Agência O Globo

Os torcedores jogaram suas camisas e filmaram Bolsonaro e Moro

André de Souza
O Globo

Num sinal de apoio a Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro levou seu ministro da Justiça ao jogo entre Flamengo e CSA no estádio Mané Garrincha em Brasília. Os dois, que foram aplaudidos pela parte da torcida mais próxima da tribuna, ganharam camisas do Flamengo de alguns torcedores e as vestiram. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o vice-presidente Antonio Hamilton Mourão acompanharam a partida com Bolsonaro.

Um torcedor que estava na arquibancada logo abaixo tirou a camisa do Flamengo que usava e a jogou para cima. Bolsonaro a pegou e a vestiu. Depois, o próprio presidente pediu que outro torcedor também jogasse sua camisa. Ele fez isso e Moro, num sorriso tímido, aceitou e a vestiu.

ACENOS À MULTIDÃO – Ao chegar à tribuna  de onde vai acompanhar o jogo, mas antes de vestir a camisa rubro-negra que ganhou, Bolsonaro puxou o braço de Moro e os dois acenaram à multidão. Parte da torcida mais próxima à tribunal respondeu com gritos de “mito”, numa referência a Bolsonaro, e “Moro”. O ministro da Justiça é torcedor do Atlhético-PR e Bolsonaro é palmeirense.

 Enquanto Bolsonaro usava trajes esportivos, Moro foi ao estádio de terno e gravata. Ao lado deles, também estava o deputado Hélio (PSL-RJ), vestindo uma camisa do Flamengo. Ele se elegeu usando na urna o nome “Hélio Bolsonaro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O presidente age corretamente ao apoiar o ministro da Justiça quando Sérgio Moro sofre ataque cerrado do lobby montado pelo PT e outros partidos para inviabilizar a Lava Jato, soltar Lula, Dirceu, Cunha e outros criminosos que estão na cadeia, além de evitar que sejam presos os corruptos que estão na fila, como Temer, Moreira, Padilha, Aécio e a irmã, Jucá. Renan e tutti quanti.

O lobby é muito bem montado e está na hora de a mídia e a opinião pública se decidirem se estão do lado da corrupção ou da força-tarefa que está limpando a política deste país. Simples assim. Confira de que lado você está. (C.N.)

 

Uma marchinha junina que ficou na História, com a grife de Benedicto Lacerda

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Benedicto Lacerda foi um maestro bem popular

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O maestro, flautista e compositor Benedicto Lacerda (1903-1958), natural de Macaé (RJ), compôs em parceria com Oswaldo Santiago a música “Pedro, Antônio e João”, cuja letra mostra os três santos homenageados juntos no mês de junho, período especial em muitas regiões do Brasil. É época de Festa Junina, com muita celebração, comes e bebes especiais e as homenagens a Santo Antônio, São João Batista e São Pedro, que são comemorados nos dias 13, 24 e 29, respectivamente.

PEDRO, ANTÔNIO E JOÃO
Benedicto Lacerda e Oswaldo Santiago

Com a filha de João
Antônio ia se casar,
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar.

A fogueira está queimando,
o balão está subindo,
Antônio estava chorando
e Pedro estava fugindo.

E no fim dessa história,
ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio,
que caiu na bebedeira