Reflexões sobre Michele Bolsonaro e o quarto mandamento da Lei de Deus

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Na cerimônia da posse, Michele fez uma apresentação maravilhosa

Carmen Lins

Fiquei encantada com a Michele Bolsonaro, na posse, com seu discurso em Libras. Foi a melhor cena da cerimônia. As expressões corporais, faciais, tudo encantou. Agora este tratamento com a avó e a mãe, nenhum familiar dela na posse, isso me entristece. Michele, querendo ou não, é de origem humilde, que não envergonha ninguém. Cora Coralina, a poeta, era doceira durante o dia e à noite fazia seus versos. É imortal hoje, uma pessoa que jamais será esquecida.

Há quem diga que esses parentes querem explorar o presidente e a primeira-dama. Mas não posso concordar com essa justificativa. Mãe, avó e tios, como se viu nas entrevistas, não parecem explorar ninguém.

OS FATOS – Faz mais de seis anos que dona Maria Aparecida não vê a neta que ajudou a criar. A avó não foi convidada para a posse, nem ela nem sua filha, mãe de Michelle, Maria das Graças. Passados três meses de governo, elas não receberam convite para uma simples visita ao Palácio da Alvorada, a residência oficial, que fica a apenas 40 quilômetros da favela. Por quê? A avó diz que não sabe responder.

“Aprendi que só vamos a pessoas importantes quando somos convidados. É minha neta, cresceu lá em casa, mas agora ela é a primeira-dama”.

O pastor Messias Rezende, da Assembleia de Deus, é um dos poucos confidentes que sabem do parentesco. Ele já se dispôs a tentar intermediar um encontro com o presidente Bolsonaro, mas dona Maria Aparecida rejeitou.

QUADRADO DE POBREZA – Se mãe e avó fossem mulheres exploradoras, já viriam agindo assim desde muito tempo. Mas elas ficaram no seu quadrado de pobreza.

Permitam-me indicar a todos o livro do Fabricio Carpinejar “Cuide dos pais antes que seja tarde” Ele, Carpinejar, não diz “assuma seus pais”.

Por fim, peço-lhe desculpas se me interpretei devidamente bem, ao fazer comentários ao assunto. Deixei-me levar por outros exemplos que machucam até a alma. Mas concluí que não há justificativas para se não seguir o quarto mandamento da Lei de Deus: “Honrarás pai e mãe”.  

O cotidiano de uma simples pedra, na visão poética de Manoel de Barros

Resultado de imagem para manoel de barrosPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, fazendeiro e poeta mato-grossense Manoel Wenceslau Leite de Barros (1916-2014), no poema “A Pedra”, revela como um poeta pode ser inspirar até na parte rochosa da natureza.

A PEDRA
Manoel de Barros

Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a – Eu irrito o silêncio dos insetos.
b – Sou batido de luar nas solitudes.
c – Tomo banho de orvalho de manhã.
d – E o sol me cumprimenta por primeiro.

Se Bolsonaro recuar no caso do preço diesel, sofrerá um terrível desgaste político

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Foto reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

O assunto é delicadíssimo. Não há dúvida de que, se o Presidente Jair Bolsonaro recuar de sua decisão que suspendeu o aumento de preço do óleo diesel, sofrerá sem dúvida um terrível desgaste político, sobretudo porque o ministro Paulo Guedes, que se encontrava em Washington afirmou aos jornalistas que era possível consertar a decisão do Presidente da República, uma vez que ele já disse publicamente na campanha eleitoral que não entendia de Economia.

Acentuando a imagem contida ao se referir a “consertar a decisão”, implicitamente Paulo Guedes sustentou que a medida presidencial afetou um dos pilares do liberalismo econômico.

ACIMA DE BOLSONARO – Só se conserta o que está errado. Portanto, o titular da Economia colocou-se acima do Palácio do Planalto. Fica claro, o clima de tensão dentro do próprio governo, sobretudo porque Bolsonaro deve ter se baseado em opiniões de assessores que lhe são próximos.

O Globo, a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, nas edições de ontem, deram grande destaque ao fato que gerou praticamente uma crise que deverá ser solucionada a partir de hoje. Em O Estado de São Paulo, a matéria é assinada por Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo; na Folha de São Paulo, por Marina Dias; e em O Globo por Paola de Orte, Sérgio Lamucci, Marcello Corrêa e Bruno Góes.

CONSERTAR O ERRO – Um dos aspectos destacados por Paulo Guedes é quando ele diz que uma conversa conserta tudo. E, no caso, seria o conserto manter o aumento do óleo Diesel? Se isso acontecer ficará ainda mais nítido o distanciamento de Bolsonaro em relação ao processo econômico global. Mas o que surpreende principalmente está na forma com que Guedes se referiu ao presidente da República que, afinal de contas, foi quem o nomeou para o cargo de ministro da Economia.

Um outro detalhe que vale a pena lembrar está no fato de a iniciativa visando a apagar a chama derramada pelo diesel ter sido levantada por Paulo Guedes e não pelo ministro de Minas e Energia, a quem a Petrobrás encontra-se subordinada. Mas esta é uma outra questão.

QUEDA DAS AÇÕES – O que a imprensa destaca em tudo isso é a queda do valor das ações da Petrobrás na Bolsa de Valores. Uma queda de 8,5% reduzindo em 32 bilhões de reais o valor da estatal no mercado. Hoje, segunda-feira, se for confirmado o recuo do Presidente da República as ações subirão de preço.

A polêmica se torna um ótimo negócio para os bancos e profissionais da área vinculada ao universo financeiro. Mas um péssimo negócio para o Brasil, que não pode aumentar o preço do diesel.

Devagar, devagarinho, Bolsonaro vai podando as asas do superministro Paulo Guedes

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Guedes vai ter de engolir em seco nessa reunião de terça-feira

Carlos Newton

Paulo Guedes chegou a ser um economista medianamente famoso, mas nunca foi uma estrela, ficou sempre nos bastidores e conseguiu ganhar um bocado de dinheiro depois que voltou do Chile, durante a ditadura de Pinochet, quando foi convidado para dar aulas na Universidade do Chile. De repente, ressurgiu na crista da onda, como homem-forte do candidato Bolsonaro, que bem-humoradamente o apelidou de “Posto Ipiranga”, por viver respondendo a perguntas que lhe fazia. Ao montar o governo, o novo presidente deu carta-branca a Guedes, entregando-lhe o livre comando da economia, com o direito de nomear todo o segundo escalão do setor.

Assim, o ministro da Economia teve total liberdade de ação e, desde o início, sempre se julgou mais importante do que o presidente, conforme o jornalista Pedro do Coutto percebeu, ao analisar uma entrevista de Guedes, em que ele se comportava como se fosse o verdadeiro chefe do governo.

SEM LIMITES – Neste sábado, dia 13, em Washington, o ministro passou todos os limites, ao dar uma nova entrevista em que menospreza o chefe do governo. Disse Guedes, literalmente:

“Acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito economia. Então se ele, eventualmente, fizer alguma coisa que não seja muito razoável, tenho certeza que conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo”.

Ficou claro que Guedes considerou errada a decisão do presidente e vai agora revertê-la, no encontro da próxima terça-feira, no Planalto, quando Bolsonaro estará reunido com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e também os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), além do próprio Guedes, que inicialmente nem foi convidado pelo Planalto. Há possibilidade de participação de outros ministros para acalmar os ânimos e apagar a fogueira das vaidades, é claro.

A HORA DECISIVA – Esta será a mais importante reunião desde a posse do atual governo. O clima na Esplanada dos Ministérios está sinistro. Todos sabem que o presidente já jogou no lixo a carta-branca de Guedes, e o fez sem lhe dar maiores satisfações.

Na última entrevista coletiva, em que pela primeira vez o Planalto convocou Folha, Estadão e O Globo, Bolsonaro surpreendeu ao descartar o sistema de capitalização que Guedes quer impor na reforma da Previdência. “Pode ficar para depois”, afirmou, para desespero do ministro, que não foi previamente comunicado.

Na sexta-feira, Bolsonaro deu outro coice em Guedes, ao vetar o aumento de 5,7% no óleo diesel, sem consultar o ministro, que ficou surpreso e aborrecido ao saber da notícia pelos jornalistas.

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P.S. 1
Guedes pensou que seria o presidente “de fato”, conforme a Veja colocou na capa, com o retrato dele, restando a Bolsonaro ser apenas o presidente “de direito”. Três meses depois, Guedes está totalmente enganado e desprestigiado. Mesmo assim, engolirá em seco nessa reunião de terça-feira, junto com o importuno e pretensioso presidente da Petrobras, que também fez questão de “corrigir” a decisão do presidente, anunciando que só iria durar “alguns dias”. 

P.S 2 – Bolsonaro pode humilhar Guedes à vontade, e ele não pedirá demissão. O ministro precisa da proteção do foro privilegiado, porque é igual ao “Charles Anjo 45” de Jorge Benjor. Se marcar bobeira, vai tirar férias numa colônia penal, porque o Ministério Público já reuniu as provas contra ele. (C.N.)

PSDB de Doria adere à moda e encomenda pesquisa para avaliar mudança de nome

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Ricardo Galhardo
Estadão

Maior liderança tucana hoje, o governador de São Paulo, João Doria, disse que o PSDB encomendou uma pesquisa para avaliar entre outras coisas a possibilidade de uma mudança no nome do partido. “Nós vamos estudar. Defendo que façamos uma pesquisa a partir de junho. Já está previsto, inclusive. E que esta ampla pesquisa nacional avalie também o próprio nome do PSDB”, disse Doria, neste domingo, 14, depois de participar da convenção municipal do PSDB de São Paulo.

“Melhor do que o achismo e o personalismo é a pesquisa, ela representa a convicção daquilo que emana da opinião pública”, justificou o governador. 

NOVO NOME – A possibilidade de troca do nome de um dos mais tradicionais partidos políticos do Brasil foi revelada pela Coluna do Estadão. Segundo Doria, a reavaliação dos rumos do PSDB não representa uma guinada à direita abandonando o legado social-democrata tucano, como temem algumas lideranças históricas da legenda.  

“O caminho do PSDB deve valorizar a sua história mas entender também a dinâmica de um país que evolui no tempo e no espaço. Hoje o PSDB caminha para ser um partido de centro com respeito à esquerda e à direita com definições claras em suas políticas sociais mas também liberal na política econômica”, disse Doria.

NOVO DIRIGENTE – A convenção municipal dos tucanos paulistanos elegeu o sociólogo Fernando Alfredo, o Fernandão, chefe de gabinete da subprefeitura de Pinheiros e militante oriundo da base do partido, para presidir o diretório municipal do PSDB.

Aos gritos de “1, 2, 3 é Covas outra vez” o PSDB fez o primeiro gesto explícito em direção à reeleição do prefeito Bruno Covas, que participou da convenção.

A escolha não teve disputa. Ao longo da semana caciques tucanos fecharam um acordo para formação de uma chapa única na qual Covas indicou o presidente e Doria o secretário geral, Wilson Pedroso, além do tesoureiro-geral, o secretário municipal da Casa Civil, João Jorge.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com o partido devastado pela corrupção, ao invés de renovarem suas práticas e se adaptarem às novas perspectivas do eleitorado brasileiro, os dirigentes tucanos julgam que o ideal é trocar de nome, como se isso fosse esconder alguma coisa. Depois do PPS, que virou Cidadania 23, agora vem o PSDB querendo mudar a denominação. No entanto, como ficam sempre em cima do muro e não decidem nada, os tucanos vão esperar uma pesquisa. Bem, se forem abandonar também o símbolo, para deixarem de ser tucanos, o ideal seria “pomba-rola”. (C.N.)  

Líder do PSL aponta erros do governo Bolsonaro e diz não suportar Olavo de Carvalho

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Waldir, líder do PSL, diz que na Câmara quem manda é Rodrigo Maia

Luiz Maklouf Carvalho
Estadão

“Rodrigo Maia é o primeiro ministro. Se a reforma da Previdência passar, é mérito dele”, diz o delegado Waldir Oliveira, líder do PSL na Câmara, que não suporta Olavo de Carvalho. “O grande atrito que existe hoje no governo, as caneladas do presidente, são influência desse filósofo Olavo de Carvalho”, disse. Ex-tucano, é o deputado mais votado de Goiás e se orgulha de apontar ao presidente Bolsonaro os erros políticos do governo, “Você nunca viu na história um líder do partido do presidente firme e independente como eu” “Todas as pessoas mostram a ele só o ótimo. E eu mostro o amargo, o fel”. 

De família muito pobre, foi engraxate e preparador de mudas de café. Estudou Direito, foi escrivão depois passou no concurso para delegado da Polícia Civil de Goiás.

O que o sr. achou da queda do ministro da Educação, Ricardo Vélez, e do novo indicado, Abraham Weintraub?
O primeiro foi ministro porque era um olavete, indicado pelo Olavo de Carvalho. Com a indicação do outro o presidente deu sinal de que o Olavo está muito forte, porque ele é apaixonado pelo Olavo, continua apaixonado pelas teses de Olavo de Carvalho, o que enfraquece os setores técnicos e militares do governo.

O que o sr. acha do Olavo de Carvalho, tido como guru do presidente Bolsonaro?

Zero à direita, zero à esquerda. Uma pessoa que fica dando palpite em nosso país lá de fora. Quantos votos ele trouxe? Que campanha que ele fez? Escreveu não sei quantos livros, dizem. Parabéns! Mas e daí?

O sr. já leu algum?
Não tenho tempo a perder com isso. E eu duvido que o presidente Bolsonaro tenha lido um livro dele. O presidente tem muito o meu perfil. É operacional.

Como o sr. entende essa influência do Olavo de Carvalho no presidente?
Eles dizem que é o profeta da direita. Aquele que trouxe os ideais do bolsonarismo. Tudo besteira. O Brasil não precisa mais de sociólogos e filósofos. Precisa de pessoas que tenham operacionalidade e tirem o Brasil da miséria e da pobreza. É inadmissível que o Olavo ataque o PSL, os parlamentares, o governo e os militares, e lá de outro país. Indicou dois ministérios. Tem que largar a teta e vim pisar na favela, sentir a nossa poeira.

Que problemas a ligação com o Olavo tem provocado?
O grande atrito que existe hoje no governo, as caneladas do presidente, são influência desse filósofo Olavo de Carvalho. Tem que afastar a influência dele do governo. Quem tem que ter influência é o presidente. Ele não pode ser o palpiteiro de plantão.

Essa é uma crítica direta ao presidente, que prestigia o filósofo.
Não é a primeira que eu faço. Se você pegar os olavistas que me atacam nas redes sociais, eu dou aula pra eles todos os dias. Está na hora do Olavo de Carvalho parar de dar palpite no governo. Palpite é só no jogo do bicho.

O sr. sabe que esse estilo pode levar o sr. a sair da liderança em pouco tempo?
Sei que eles vão trabalhar para me derrubar, porque eu sou muito independente. O governo quer alguém que seja manipulado, e eu não sou manipulável

Já são favas contadas que o sr. vai sair?
Não. Eu tenho uma força, eu tenho cartas na manga. Seria bom um deputado como eu na oposição ao governo Bolsonaro? Um deputado de dentro da Casa, que conhece os segredos da Casa? Eu não sou submisso ao presidente. Eu não devo meu mandato a ele. Meu patrão é o eleitor.

Alguns de seus colegas tem dito que o sr., como líder, precisa seguir um manual de controle.
Isso é nota plantada. Eu não sigo manuais. Eu não sou uma pessoa domesticável. Ninguém me coloca coleira. Fui forjado pelo eleitor, pela minha experiência de vida. Eu fui lapidado na periferia, no gueto, venho de mãe zeladora, sem pai.

Como que o sr. virou líder do PSL?
Primeiro, o presidente do partido, Luciano Bivar, quis me conclamar líder, por aclamação. Mas o presidente Bolsonaro, por influência de um ou dois parlamentares, pediu que eu não fosse aclamado. Depois eu fui indicado com a assinatura de 36 dos então 52 deputados.

Por que o presidente Bolsonaro não quis que o sr. fosse aclamado?
Por influência. O presidente não faria isso sozinho, eu era da extrema confiança dele.

O sr. estranhou?
Estranhei. O Bolsonaro teve quatro votos quando foi candidato a presidente da Câmara, em 2016. Um deles era o meu. Eu fui fiel. Sempre fui um parceiro inseparável. O presente desautorizou o presidente do partido. Se tivesse concordado não teriam acontecido aquelas discussões no zap. Porque não tinha a definição do líder, e aí começou uma guerra.

O sr. já questionou o presidente por conta disso.
Não. Quem tem que responder é ele. Se em algum momento ele quiser me dar uma explicação, é líquido e certo que eu gostaria. Mas tenho total respeito. Em nenhum momento perdi a admiração.

Mas foi uma pergunta que ficou sem resposta.
Ficou. Mas não tenho amor à liderança também não. Estou líder, enquanto me mantiverem. Mas sou um líder independente, crítico, talvez em razão das minhas falas muito duras, de que não devem ser usadas as expressões “nova política” e “velha política”. O Bolsonaro parou de falar isso por causa das minhas falas de que deveria respeitar o parlamento. Ele começa a dialogar com o parlamento.

O sr. também disse que o projeto de previdência dos militares era um abacaxi. Se arrependeu?
Nada. Eu não sou da cozinha do presidente. Então, eu tenho que usar os meios para que o nosso governo dê certo. Alguém tem que dar o recado. Alguém tem que ser maduro nesse jogo. Alguém tem que ser muito duro e falar as verdades. Muita gente fala aquilo que ele quer ouvir. Alguém tem que falar o que ele não gostaria de ouvir, mas que é verdadeiro. Eu tenho essa missão. E pago o preço se daqui a pouco me destituírem da liderança. Eu não tenho amor a isso.

O sr. tem dito que o governo não tem base na Câmara dos Deputados. Onde é que está o erro?
O governo não tem base, repito. O que está errado é a articulação política. O presidente escolheu ministros técnicos para o primeiro escalão apostando nas bancadas temáticas, e as bancadas temáticas só votam assuntos do interesse delas. O parlamento está ligado aos líderes partidários, e aos partidos.

E quem é que não está conseguindo articular a base?
O Ônix (Lorenzoni, ministro da Casa Civil) articula, mas não está conseguindo fazer o convencimento.

E qual é o caminho?
Para convencer os parlamentares, o presidente tem de chamar os parlamentares para governar.

E ele não está fazendo isso?
Não. Ele tem experiência no parlamento, quer implantar um novo modelo de governabilidade, mas ele não pode criminalizar o parlamento.

O presidente está criminalizando o parlamento?
Quando o presidente criou as expressões “velha política” e “nova política” ele criminalizou a conduta do parlamento.

Explique melhor.
Eu não vivo na penumbra. Eu vivo na realidade. Não tenho como tapar o sol com a peneira. O presidente colocou todos os parlamentares no mesmo saco. Nós temos parlamentares que respondem a processos, mas temos parlamentares espetaculares. Ninguém vai votar no governo porque o Bolsonaro tem olhos azuis. Ele tem que fazer carinho na cabeça do parlamentar.

Como?
Os ministros precisam atender bem os parlamentares. Eu tenho parlamentar do PSL que levou 45 dias para ser atendido por um ministro. E quem recebe as queixas dos parlamentares não é o presidente, é o delegado Waldir. Eu conheço o parlamento. Nenhum ministro pode se achar deus.

O presidente ainda está criminalizando os parlamentares?
Ele criminalizou. Não está mais criminalizando. Não usa mais “velha e nova política”. Foi um erro que ele corrigiu, em razão das minhas críticas. Eu fui duro. Fui a primeira pessoa a mencionar isso.

O que fazer para que o governo tenha uma base?
O presidente confia ainda na pressão popular, que foi muito forte na eleição do Senado.

O sr. confia?
É uma ferramenta importante, mas que não vai convencer a maior parte do parlamento. O parlamento é muito corporativista. O governo já teve algumas derrotas.

O que é que vai resolver o impasse?
O parlamento quer ser bem tratado. O parlamento é a namorada, o presidente é o namorado. Ele viu a menina. E em vez de dizer “oi meu amor, minha querida” disse “nossa!, hoje você está uma bruaca”. No primeiro encontro, chegou três horas atrasado. A mulher, que é o parlamento, quer ser bem tratada, bem cuidada. “Que unha maravilhosa!” “Que boca maravilhosa!” “O seu cabelo está lindo!”. É isso. Está faltando convencer, agradar. O parlamento é muito sensível.

Como assim, sensível?
Cada parlamentar aqui é uma pessoa independente. Tem suas próprias convicções e um vínculo partidário. Se não seguir a orientação partidária, não vai ter fundo partidário. O presidente tem que convencer a mãe da moça, que é o presidente dos partidos. Ele está tratando a mãe da moça com desprezo. Nem quer saber quem é a mãe da moça, não está nem aí pra mãe da moça. Que se lasque a mãe da moça. Não quer saber se ela está doente. E a mãe da moça é a que sustenta, a que dá a fralda, a escola.

O presidente teve oito mandatos como deputado. O sr. quer dar aula para ele de como lidar com o Câmara?
Não. Mas o presidente está com a estratégia equivocada do Olavo de Carvalho. Vai pro belicismo com o parlamento. Joga o povo contra o parlamento. Afronta o parlamento. Manda o parlamento tomar no cu. Estou usando as palavras do próprio Olavo de Carvalho no domingo, dia 7. Ele disse: “Eu sou Bolsonaro, os filhos do Bolsonaro, e eu sou o povão. O resto vai tomar no cu”.

Como o sr. lê isso?
Não leva a nada. E depois o maluco sou eu.

A se acreditar no sr., a reforma da Previdência vai continuar complicada.
A reforma da Previdência não avança se o presidente quiser. Quem manda na reforma da previdência é o Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O Rodrigo Maia é o primeiro ministro. Nós não temos o parlamentarismo, mas o primeiro ministro, neste momento, é o Rodrigo Maia.

Por que o sr. acha isso?
Porque ele tem em torno de 330 parlamentares. O Rodrigo mostrou que é o primeiro-ministro quando em uma hora ele aprovou em dois turnos a PEC do Orçamento. Qualquer coisa nessa Casa, só passa se o Rodrigo quiser.

O governo é refém do Rodrigo Maia, então?
O Bolsonaro resolveu construir com o Olavo. O Rodrigo escolheu construir com o parlamento. É uma questão de escolha. E escolha você pode mudar a qualquer hora.

Quanto tempo o sr. acha que dura no cargo?
Enquanto os parlamentares quiserem. Eu não nasci na liderança. Eu estou líder. Tenho várias ideias semelhantes às do presidente, mas não sou direitista de carteirinha, não dependi de movimento de direita para ser eleito, não dependi do presidente da República para ser eleito.

O sr. é o quê, de carteirinha?
Um defensor do cidadão. Daquele que me elegeu, que é o meu patrão, que me paga o salário. Para esse eu devo satisfação. Você nunca viu na história um líder do partido do presidente firme e independente como eu. Todas as pessoas mostram só o ótimo. E eu mostro o amargo, o fel.

E por que ele tem que saber do fel?
Porque está cercado de pessoas que querem mostrar o céu. Pessoas que querem dizer que ele tem 308 votos aqui, e ele não tem. Não tem 200 votos. Ele tem, estourando, 100 votos. Se a reforma da previdência passar, o mérito é do primeiro ministro Rodrigo Maia.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG
É promissor constatar que existem no Congresso parlamentares que dizem verdades e se comportam de forma independente. O líder do PSL é uma dessas raridades. Seu diagnóstico sobre os motivos de Bolsonaro não ter base aliada é muito verdadeiro. Certamente, o delegado Waldir Oliveira será líder por pouco tempo. Sempre haverá algum puxa-saco se oferecendo para substituí-lo. (C.N.)

Parlamentares britânicos pedem extradição de Julian Assange para a Suécia

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange foi preso em Londres, na última quinta-feira, 11 Foto: HENRY NICHOLLS / Reuters

Assange, sempre altivo, após 7 anos asilado dentro da embaixada

Deu em O Globo

Mais de 70 parlamentares britânicos assinaram uma carta pedindo ao Ministério do Interior do Reino Unido que faça “todo o possível” para permitir o envio de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, à Suécia. Isso caso as autoridades suecas peçam sua extradição por um suposto caso de estupro, antes que ele seja enviado aos Estados Unidos.

Aos 47 anos, Julian Assange foi preso na última quinta-feira, dia 11, na embaixada do Equador em Londres, onde estava refugiado há quase sete anos. Desde então, ele se encontra em uma prisão britânica. Ele foi detido por descumprir condições de liberdade condicional em 2012 e porque há uma solicitação de extradição das autoridades dos EUA.

DENÚNCIA SUECA – A carta dos parlamentares britânicos foi divulgada neste sábado, dia 13. Em sua maioria, por deputados trabalhistas. Eles pedem ao ministro de Interior, Sajid Javid, que priorize um eventual pedido de extradição da Suécia para “investigar adequadamente” uma denúncia de estupro que prescreverá em agosto de 2020.

No documento, os deputados pedem a Javid que defenda as “vítimas da violência sexual” e permita que as acusações sejam devidamente investigadas.

“Não presumimos a culpabilidade, certamente, mas acreditamos que o devido processo deveria ser seguido e a denunciante deveria ver que se faz justiça”, escrevem os parlamentares.

REABERTURA – A advogada da mulher que acusa Assange pediu a reabertura do caso. O Ministério Público da Suécia não descarta reabrir a investigação contra o jornalista e ativista pelo suposto crime sexual.

A investigação original, pela qual a Suécia pedia a entrega de Assange, foi encerrada em 2017, diante da impossibilidade de fazê-la avançar com o ativista refugiado na embaixada do Equador.

A carta dos parlamentares sugere que as autoridades britânicas e americanas sabiam que o Equador iria retirar o asilo político do ativista. “Parece que as autoridades suecas não estavam a par dos planos da detenção de Assange em Londres”, dizem os deputados no documento.

CONSPIRAÇÃO – Os EUA pedem a extradição de Assange, a quem acusam de conspiração com Chelsea Manning — militar presa por acessar e divulgar informações sigilosas que resultaram no escândalo conhecido como Cablegate — para hackear a senha de uma rede de computadores do governo.

Um tribunal em Londres o considerou culpado na última quinta-feira de ter violado as condições de liberdade condicional em 2012, tornando-o passível de ser condenado a uma pena de até 12 anos de prisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Assange é vítima de uma perseguição implacável. A acusação sexual chega a ser ridícula. Na Suécia, fazer sexo consensual sem camisinha condena o homem por estupro, pela possibilidade de poder engravidá-la, mas não condena a mulher pela possibilidade de contaminá-lo por alguma doença. Quanto ao crime de “conspiração”, a denominação mais adequada seria “liberação de informações confidenciais que deveriam ser públicas”. Assange não é criminoso, e sim um herói dos tempos modernos, conforme ficará registrada na História Universal a trajetória dele. (C.N.)

Presidente gastou parte do cacife político em seus primeiros meses de mandato

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Elena Landau
Estadão

A queda da aprovação do governo Bolsonaro, confirmada em mais uma pesquisa, vem acompanhada de revisão para baixo nas projeções de crescimento para este ano. Não é mera coincidência. Gastou-se rapidamente o cacife político de um primeiro mandato e as expectativas empresariais refletem esse desgaste: PIB abaixo de 2%.

Planos de investimentos parecem estar em suspenso até que o cenário sobre a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência fique mais claro. O governo tenta reagir criando uma pauta positiva com anúncios dos bons resultados nos leilões de concessões e importantes avanços na agenda da desburocratização.

REFORMA TRIBITÁRIA – O Congresso, por sua vez, colocou a reforma tributária na pauta. Pelo jeito, não querem ficar a reboque do governo. O secretário Marcos Cintra foi pego de surpresa e suas ideias foram atropeladas, o que não é de todo ruim. A proposta que está na mesa é a de Bernard Appy, do CCiF. Boa notícia, porque seu projeto de simplificação do sistema tributário em torno do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) foi apresentado aos candidatos nas eleições e longamente debatido por especialistas da área ano passado. É meio caminho andado.

Que a mudança venha rápido, já que, frente à estagnação, a tentação de se apelar para incentivos setoriais é grande. Parece incrível que, mesmo após o desastre da política de desonerações e subsídios via BNDES do governo Dilma, em pleno 2019 essas ideias voltem a circular.

 

VELHO ESQUEMA – O governador João Doria, assessorado por Meirelles, não hesitou em usar o ICMS para manter a fábrica da GM em São Paulo. Mesmo se autointitulando a modernidade do PSDB, recorreu ao que há de mais velho na política industrial brasileira: incentivos fiscais para automóveis. Não há apelido que resolva, não existe inovação alguma. Continua sendo uma atividade que, apesar de todo apoio recebido do Estado, isto é, dos pagadores de impostos, não consegue produzir carros que tenham competitividade internacional.

O que já se gastou de dinheiro do contribuinte, nacional ou estadual, com apoio à indústria automobilística certamente seria melhor empregado em transportes públicos alternativos, menos poluentes. Recente tese de doutorado, defendida na PUC/RJ, calcula que o trabalhador brasileiro leva em média 84 minutos indo e vindo de casa para o trabalho. Para uma jornada de 8 horas, ele gasta 17% só neste deslocamento. Mas vamos colocar mais carros nas ruas.

SALVAR EMPREGOS – As razões para incentivos localizados feito esse são sempre as mesmas: salvar empregos que seriam perdidos com o fechamento da fábrica. Uma decisão de curto prazo para dar fôlego a uma atividade que não consegue sobreviver em ambiente competitivo. Evidente que a preservação de postos de trabalho é importante. Porém, mais relevante é a criação de empregos de alta produtividade, beneficiando os trabalhadores em geral.

Em vez de dar benefícios fiscais à GM, por que não diminuir o ICMS sobre energia ou telecomunicações, por exemplo. Um corte de impostos horizontal que beneficiaria toda a economia paulista, além de reduzir o peso desses serviços no orçamento familiar.

SEM GUERRA FISCAL – Um dos grandes efeitos positivos da unificação em torno do IVA é acabar com a possibilidade de guerra fiscal que uma política como a de Doria pode gerar. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em recente entrevista reclamou de forma veemente e deu seu recado.

Mas São Paulo não é caso isolado. O uso de incentivos é mais generalizado do que se imagina. Um exemplo importante é a Zona Franca de Manaus que em 2014 obteve uma prorrogação constitucional até 2073, sem qualquer avaliação técnica e isenta dos benefícios gerados por uma renúncia fiscal anual de R$ 20 bilhões anuais. Há no STF uma demanda para que o IPI não pago gere um crédito tributário a quem comprou insumo produzido lá. Isso mesmo, um crédito tributário com base em um imposto que não foi pago! Se vencedora, essa tese, serão mais R$ 16 bilhões.

PROTEÇÃO AMBIENTAL – Para justificar o injustificável começaram a divulgar a ideia de que Zona Franca é um importante cinturão de proteção ambiental, sem que haja um único estudo consistente a apoiar o argumento. Para se ter ideia do que significam esses recursos concentrados para poucas empresas numa única região, basta dar uma pesquisada rápida no orçamento federal e ver gastos sociais que beneficiam milhões de brasileiros em todo o país todo, como: Bolsa Família (R$ 30 bilhões), Fundeb (R$ 13 bilhões) ou Abono Salarial (R$ 17 bilhões).

As indústrias na Zona Franca, assim como a automobilística em SP, se recusam a amadurecer. Pelo jeito, serão indústrias nascentes pelo resto da vida. Sofrem da síndrome de Peter Pan. É compreensível, crescer não é fácil.

Cabral mente demais, e sua confissão ao juiz Bretas já virou conversa de botequim

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Sérgio Cabral fica inventando histórias em depoimentos espetaculosos

Elio Gaspari
O Globo/Folha

A colaboração de Sérgio Cabral com o Ministério Público do Rio e com o juiz Marcelo Bretas virou conversa de botequim. Até agora, suas confissões confirmam que ele corrompeu o mandato de governador do Rio, mas isso já se sabia, pois está condenado a 198 anos e seis meses de prisão.

Num depoimento espetaculoso, Cabral contou que em 2011 o chefe de sua Casa Civil, Regis Fichtner, pressionou-o até com “ameaça” para que seu cunhado, o desembargador Marco Aurélio Bellizze, fosse nomeado para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça, atropelando a candidatura do advogado Rodrigo Candido de Oliveira, sócio do escritório da mulher de Cabral.

A VERDADE – O juiz Bretas e o meio jurídico sabem que uma nomeação nada teve a ver diretamente com a outra. Belizze foi escolhido para uma vaga de magistrado, e Rodrigo disputava uma cadeira dos advogados. Ademais, quem nomeia ministros para o STJ é o presidente da República, e Bellizze tinha currículo que superava o parentesco.

O ex-governador disse ao juiz Bretas que foi obrigado a fazer “esse papelão de barrar o sócio de minha esposa”. Colocou-se em outro papelão ao embaralhar os fatos. Os dois disputavam páreos diferentes em ocasiões diferentes, Rodrigo perdeu em abril, e Bellizze ganhou em julho. A farofa leva água para a suspeita de que Cabral instrumentaliza suas confissões pelos ventos da política do Rio de Janeiro.

BANALIZAÇÃO – O pastel de vento é demonstrativo da banalização em que caíram as delações. Quando Cabral, o Magnífico Gestor, fez coisas que nem Asmodeu imaginava, tudo parecia normal. Agora, quando Cabral, o Penitente, confessa seu “papelão”, busca crédito de virgem.

Olhando-se para trás, quando Antonio Palocci era o quindim da banca, viam-no como um grande ministro da Fazenda. Apenado, tornou-se uma fábrica de delações espetaculares, vazias de provas. Ele contou que foi nomeado gerente de uma caixinha de empreiteiras, o que pode ser verdade, mas não se sabe ainda como recolheu o dinheiro, nem como o distribuiu.

A divulgação do anexo de Palocci pelo juiz Sergio Moro foi instrumentalizada na campanha eleitoral do ano passado. O Rio não precisa que mais essa praga entre na sua política.

As relações de Michelle com sua família só a ela pertencem e são direitos indevassáveis

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A revista Veja publicou uma reportagem desairosa à primeira-dama

Jorge Béja

É certo, certíssimo que, se mãe, avó e tios de Michelle Bolsonaro, de uma hora para outra, a partir do 1º de janeiro de 2019, deixassem de morar da Favela Sol Nascente, tida como sendo a comunidade mais pobre da capital federal e uma das maiores do Brasil, e passassem a morar em um apartamento no centro de Brasília, a mesmíssima Revista Veja publicaria matéria também desairosa. Diria que a mudança foi porque Michelle se tornou a primeira-dama do país e tirou proveito desta condição em benefício da família.

Como isso não aconteceu, a situação de pobreza que persiste, após a condição de nobreza em que passou a viver a filha, neta e sobrinha famosa, aí a Veja publica matéria mostrando o que seria um contraste entre a vida que Michelle passou a ter e a de seus ascendentes, que permanece a mesma.

A VEJA É ASSIM – Em 1993, no auge da minha carreira de advogado, a Veja-Rio (Vejinha) me procurou. Veio com a justificativa de que eu era um advogado de muita fama, que defendia os pobres vitimados por acidentes, erros médicos, catástrofes, mortes nos presídios, calamidades…Que eu defendia os Símbolos Nacionais, tendo processado aqueles que os desrespeitaram… Que advogava de graça para quem não podia pagar… Que onde havia uma tragédia (Bateau Mouche, Queda do Elevado Paulo de Frontin, Queda do Palace II de Sérgio Naya, Chacina da Candelária e outras mais) lá estava eu a defender os vitimados… Que além de advogado militante eu também era pianista clássico…E que, por isso, me pedia uma entrevista.

Concordei. E durante quase uma semana (de segunda a quinta-feira) a repórter Márcia Vieira me encontrava pela manhã e me acompanhava até o fim do dia. Registrava tudo o que eu fazia. E no domingo seguinte, quando a revista foi às bancas, lá estava eu ocupando toda a capa. E dentro da revista, matéria de 7 páginas e mais de 10 fotos. Na capa, o título que me magoou: “O Doutor Útil e Fútil”. Preferi calar do que reagir. Deixei o julgamento para os leitores.

OS MOTIVOS – A “futilidade” foi porque fui à Justiça e proibi que a prefeitura do Rio pagasse 6 milhões de dólares para Michael Jackson vir de São Paulo para se apresentar no Rio. Porque consegui liminar para proibir que César Maia pagasse outros 6 milhões de dólares a Franco Zefirelli para comandar o Réveillon em Copacabana.

Porque proibi, também com liminar judicial, Madonna de se apresentar no Maracanã com a Bandeira Brasileira, que ela havia prometido esfregar na vagina como “prova de amor do Brasil”.

Por ter conseguido Habeas Corpus para que o Dalai Lama e sua comitiva viajassem ao Brasil para participar da Eco-92, pois o governo brasileiro negara o visto ao lider tibetano. Por isso e outras medidas mais, fui tachado de “Fútil”!

NO PÉ DE MICHELLE – Agora a mesma revista pegou no pé de Michelle Bolsonaro. Mas teria a revista publicado o que disse Maria Aparecida, avó materna de Michelle em novembro de 2018? “Eu gosto muito do Jair. Gostei desde a primeira vez. Ele sempre me abraçava, me beijava, me chamava de vó. Vou abraçar e beijar meu presidente agora. Ele é uma pessoa muito humilde. Tenho certeza de que, se eu chegar lá, ele vai me receber com muito carinho”.

Teria também a Veja publicado o que revela o mesmo site “Último Segundo IG”, reproduzindo trecho da entrevista de novembro ao Correio Braziliense: “A idosa ainda afirmou que segue morando no Sol Nascente por opção. Segundo ela, sua filha Maria do Carmo, mãe de Michelle, já a convidou para morar em um apartamento em Ceilândia”.

SUAS CONCLUSÕES – Tirem os leitores suas conclusões. Mas que sejam refletidas, justas e jamais precipitadas e radicalmente antagonistas. Não nos é dado o direito de penetrar, se imiscuir e invadir os sentimentos, a privacidade, a vida, as situações pessoais e familiares do próximo, seja quem for, porque tanto somente a próximo pertence. É direito personalíssimo, íntimo, interior. É direito indevassável.

Que Michelle já demostrou ser pessoa grata, isso já demonstrou. Foi aqui mesmo na Tribuna da Internet. No dia da posse do marido, me comovi com o discurso de Michelle em Libras e escrevi artigo elogiando. Dois meses depois, a capitã Larissa (ajudante de ordens da presidência da República) me envia mensagem e-mail e pede meu telefone. Respondi e passei o número. No mesmo dia e em menos de uma hora depois foi a própria Michelle Bolsonaro que ligou para mim. Ela própria pegou o telefone, ligou e pediu para me chamar. Era para agradecer. E conversamos. Uma conversa entre a primeira-dama do pais e um cidadão brasileiro, desconhecido, distante e idoso.

Foi um gesto que me comoveu e contei tudo aos leitores através de outro artigo “Gratidão, outra grande virtude da primeira-dama Michelle Bolsonaro” (tudo está no link da TI).

Agora dizem que libertar o ex-presidente Lula vai ser bom. Mas para quem?

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Charge do Jota A (Jornal O Dia/PI)

José Roberto Guzzo
Veja

Lula acaba de completar seu primeiro aniversário na cadeia sem que tenha sido possível perceber, ainda dessa vez, a revolução que as massas fariam para tirá-lo de lá. É verdade que estão trabalhando o tempo todo para soltar o ex-presidente, nos tribunais superiores, nos escritórios de advocacia especializados em defender ladrões do erário e nas alturas da classe “civilizada”, tal como ela existe neste país. Mas a coisa está mais complicada do que garantiam um ano atrás os doutores em análise política – segundo eles, Lula ia ficar não mais que umas 24 ou 48 horas preso, se tanto, pois “o Brasil não aguentaria” o cataclisma de sua entrada no sistema penitenciário.

O Brasil aguentou perfeitamente, como se viu até agora; ninguém está sentindo falta do homem descrito como o “mais importante” da história política do Brasil.

SEM ARGUMENTOS – Por que será que ficou assim? Talvez porque não se tenha conseguido, até o momento, colocar de pé três argumentos sérios para justificar a sua soltura. Dois argumentos, então? Também não se encontra. Um, pelo menos? Pois é: nem um. Daí a dificuldade de tirar Lula do xadrez – ninguém consegue dar um motivo minimamente razoável para isso.

O que existe, na verdade, é a velha contrafação de sempre – Lula deveria ser solto, segundo afirma o seu sistema de apoio, porque vai ser “bom para o país”. Só por causa disso? Sim, só por causa disso; não se julga necessário dar nenhuma outra razão. Não há surpresa alguma, aí. O Brasil já se acostumou, há anos, a ver os grandes cérebros da nossa política transformarem os interesses particulares do ex-presidente em necessidade nacional – se isso ou aquilo diz respeito a Lula, acham eles, então tem de dizer respeito a todos.

Mas, no caso, Lula não está preso por ser uma “figura histórica”, ou porque pode levar o Brasil para cá ou para lá. Ele está preso porque é ladrão, segundo resolveu o único organismo que pode resolver se ele é ladrão ou não é – a justiça brasileira.

DIZEM OS AUTOS – Não é uma opinião. Quem diz que Lula é ladrão são os autos – as testemunhas, a exibição de fatos e as provas apresentadas. Mais que tudo, ele foi condenado num processo impecável do ponto de vista legal; seria difícil encontrar algum outro caso na história da justiça penal brasileira em que as exigências da lei para punir alguém tenham sido obedecidas com tantos extremos de cuidado.

Seu direito de defesa foi exercido na mais absoluta plenitude; não lhe foi negado rigorosamente nada, no incomparável arsenal de facilidades que a justiça brasileira oferece a réus que têm milhões para gastar com advogados. Ninguém sabe ao certo o número de recursos, apelos, habeas corpus, mandados de segurança, agravos, embargos, etc. que o réu socou em cima da justiça para se defender. Passaram de 100, possivelmente, e tudo o que ele achou errado foi considerado certo pelas instâncias superiores. Fazer o que, então?

JUSTIÇA RUIM? – Há uma vaga ideia, na elite iluminada, de que a culpa de Lula não está suficientemente demonstrada. Mas muita gente acha que está. E aí: quem resolve? Com certeza não é torcida do Corinthians, nem o Datafolha. É a justiça, e ela já resolveu. Nossa justiça é ruim? É horrível. O presidente do STF levou bomba duas vezes seguidas no concurso para a magistratura; não pode ser juiz nem na comarca de Arroio dos Ratos, mas pode ser presidente do mais alto tribunal de justiça do país. É preciso dizer mais alguma coisa?

Mas essa justiça, do jeito que está, é a única disponível no Brasil de hoje – não dá para entregar o julgamento de Lula ao judiciário da Holanda, não é? Além disso, o Complexo Pró-Lula não apenas acha que ele é inocente até prova em contrário, ou até a sua sentença “transitar em julgado”, daqui a mais uma dúzia de sentenças. Acha que Lula é inocente enquanto negar que é culpado; só pode ser punido se um dia confessar seus crimes.

E OS OUTROS? -Ninguém reclama, ao mesmo tempo, que estejam presos Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Geddel Vieira Lima e tantos outros. Será que é porque roubaram mais? Ou porque sua prisão “não faz mal ao Brasil”? Jamais se menciona, também, que ex-presidentes presos não prejudicam a “imagem internacional” de país nenhum.

Rafael Videla, da Argentina, morreu na cadeia. Park Geun hye, da Coréia, está cumprindo pena de 24 anos de prisão por corrupção. Alberto Fujimori, do Peru, aos 80 anos de idade, acaba de voltar ao xadrez para cumprir o restante da sua pena de 25 anos de prisão por ladroagem, após ter sido liberado por três meses para tratamento de um câncer. Por que teria de ser diferente com Lula?

Abandono da família de Michele Bolsonaro exibe insensibilidade da extrema-direita

Resultado de imagem para avo de michelle mora em favelaEdnei José Dutra de Freitas

Como a vida e a minha profissão me demonstraram por quase 50 anos de exercício na Psiquiatria, peço licença para escrever a respeito de dois comentários de rodapé publicados recentemente pelo editor da Tribuna da Internet, sobre a postura do presidente da Petrobras, ao aumentar o óleo diesel em plena movimentação dos caminhoneiros para a greve, e sobre a pobreza da família de Michele Bolsonaro, especialmente da avó Maria Aparecida, doente e totalmente desamparada, morando no Sol Nascente, a maior favela de Brasília, a 40 km do Palácio da Alvorada.

Comentário 1) – “Na verdade, a solução mais adequada seria demitir imediatamente esse trapalhão e nomear para o lugar dele um brasileiro que realmente ame este país.”

Nenhum cidadão da extrema-direita ama o Brasil ou ama os brasileiros. Os sujeitos da extrema direita só amam o dinheiro, o lucro, o capital e nunca se importam com o bem-estar do povo.

Comentário 2) – “Não poderia deixar de abordar a dolorosa reportagem de Nonato Viegas, na Veja, sobre o abandono da família da primeira-dama Michele Bolsonaro. Isso significa que caridade, bondade e solidariedade nada significam o casal locatário do Palácio Alvorada. Ora, Bolsonaro ganha mais de R$ 60 mil por mês, como presidente, aposentado da Câmara e capitão reformado. Se tivesse um mínimo de discernimento e caráter, alugaria uma casa para a sogra por R$ 4 mil, gastaria mais R$ 4 mil com alimentação e gastos diversos, a família inteira de Michele estaria assistida e país jamais constataria que Bolsonaro realmente não é mito coisa alguma. Pelo contrário, se comporta com uma insensibilidade e um egoísmo que depõem contra ele.

DESAMOR – Não só Bolsonaro, mas todas as pessoas de extrema-direita não amam nem se importam com a família (talvez Bolsonaro só ame seus três filhos). Que Bolsonaro despreza a sogra e a avó de sua esposa, como ficou estampado nas reportagens, e de maneira abjeta, isso é típico das pessoas que querem o Poder mas amam o dinheiro: “O que interessa sou eu e meus filhos, o resto que se dane!”, este é o sentimento generalizado de todo o sujeito da extrema-direita. Isto que ele e a esposa fizeram com a mãe da primeira-dama e sogra do presidente não é surpresa, mas sim a regra no comportamento e no caráter de pessoas da extrema-direita. E, sem nenhum constrangimento, dizem da boca para fora: “Deus acima de todos”.

EXEMPLOS – Edir Macedo também ganhou fortuna dizendo aos tolos que ele ama a Deus. Outro exemplo do desamor de sujeitos da extrema-direita que não amam a família, tê-mo-lo no pseudo-filósofo Olavo de Carvalho, que maltratou tanto a própria filha que ela escreveu uma carta aberta falando destes maus tratos, o que a levou a romper relações com o pai biológico, o próprio Olavo.

A extrema-direita é isto que está aí!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com todo respeito ao conhecimento científico do Dr. Ednei José Dutra de Freitas, com pesquisas de repercussão internacional, não acho necessária a generalização. Embora concorde que extremistas sejam realmente pessoas insensíveis aos argumentos contrários a suas ideologias, com tendência a não se importar com os problemas alheios, inclusive da própria família, tenho certeza de que há pessoas boas em todas as crenças e ideologias. Na extrema-direita, por exemplo, lembro meu vizinho, Dr. Heráclito Sobral Pinto, ferrenho anticomunista, que foi advogado do líder Luiz Carlos Prestes. Lembro que Dr. Sobral jamais cobrou um tostão de seus clientes em advocacia. Cada um pagava o que podia e desejava pagar. Depois que um dos filhos morreu, ele vestiu luto até o final da vida. Era um homem santificado, creio eu. Hoje, sou vizinho de suas bisnetas.
(C.N)

Tolerância Zero dá resultado e reduz os índices de criminalidade no Rio de Janeiro

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Figueiredo, secretário da PM, revelou os números do trimestre

Akemi Nitahara

Agência Brasil

O número de latrocínios no Rio de Janeiro diminuiu 65% no mês de março. Também tiveram redução os índices de homicídio doloso (37%), de roubo de veículo (30%), de carga (38%). Os roubos no comércio diminuíram 29%, no interior de coletivo teve uma redução de 10% e o roubo a residência caiu 20%. Os dados preliminares mostram uma comparação com março de 2018 e foram divulgados pelo secretário da Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda.

De acordo com o secretário, os dados indicativos da atividade policial também melhoraram no trimestre, com 1.827 armas apreendidas, sendo 133 fuzis; 823 granadas e artefatos, 8.493 prisões e 1.485 apreensões de menores.

MORTOS PELA PM – Sobre as mortes por intervenção de agentes do Estado, que tiveram pequeno aumento na comparação entre os primeiros meses deste ano com os de 2018, o secretário disse que faz parte do trabalho da Polícia. Em janeiro deste ano, foram registradas 160 mortes nessas condições, contra 157 em 2018. Em fevereiro, o número passou de 102 para 145 na comparação entre os meses, incluindo a chacina de 15 pessoas nas comunidades do Fallet, Fogueteiro e Coroa no Rio Comprido, e no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central da cidade.

“Quando a gente avalia o número de apreensões de armas, de fuzis, drogas e o número de pessoas presas é um trabalho operativo das polícias. A pessoa que está sendo abordada, ela não se rende, a gente faz o nosso trabalho de forma a ter a efetividade do resultado”, afirmou o secretário.

“SNIPERS” – Com relação ao uso de snipers (atiradores de elite) pelas forças estaduais – o governador Wilson Witzel defende a prática e o Ministério Público questiona -, o coronel Figueredo disse que há planejamento.

“A utilização de snipers tem um protocolo, não é utilizado de forma aleatória. As nossas ações têm um planejamento para uma execução de um trabalho onde a gente tem a responsabilidade do nosso trabalho. É isso que norteia hoje o trabalho da Polícia Militar”.

INTERVENÇÃO FEDERAL – Na palestra, o coronel Figueredo afirmou que as ações da intervenção federal em 2018 foram “interessantes”, mas que “não tiveram um impacto tão grande no cenário do Rio de Janeiro”, com reduções pouco efetivas dos índices de criminalidade.

Ele reconheceu que o trabalho de integração entre as forças e o investimento financeiro de R$ 1,2 bilhão em equipamentos e viaturas para as corporações foi importante. Ele elogiou também a reestruturação das unidades de Polícia Pacificadora.

“Para fazer policiamento ostensivo precisamos de viaturas, homens, armamento, munição e planejamento. Sem esses equipamentos não haverá policiamento. Tínhamos 56% das nossas viaturas baixadas no ano passado. No efetivo, temos um déficit de 17 mil homens. Armas e munições estamos num bom momento, mas na comparação com ciclos anteriores, tivemos momentos em que faltaram”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando há redução da criminalidade num mês ou noutro, e depois volta a subir, não há indicativo confiável. Mas quando os números se reduzem em três meses seguidos, em relação ao ano anterior, passa a haver indicativo de viés de baixa no caso do Estado do Rio. Isso significa que a política de Tolerância Zero do governo estadual realmente está dando resultado. Que assim seja. (C.N.)

Após denúncia, Janaína Paschoal pede que Bolsonaro demita o ministro do Turismo

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Janaina diz que Bolsonaro não pode ficar esperando o inquérito

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP) pediu neste sábado (dia 13), em sua conta no Twitter, a demissão do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. O pedido ocorre após a deputada federal Alê Silva (PSL-MG) ter solicitado proteção policial alegando ter recebido ameaças do ministro, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo.

“Todo meu apoio à deputada federal Alê Silva. E agora, presidente? O ministro do Turismo fica? A deputada federal eleita também estaria mentindo? Exijo a demissão do ministro! Não tem que esperar conclusão de inquérito nenhum!”, disse.

DEPOIMENTO – A ameaça de morte à deputada Alê Silva teria ocorrido em uma reunião do ministro com correligionários em março, em Belo Horizonte.

A parlamentar prestou depoimento espontâneo na última quarta-feira à Polícia Federal relatando esquema de candidaturas de laranjas no PSL, comandado por Álvaro Antônio. Ela deve prestar depoimento nas próximas semanas.

Segundo Janaína, o afastamento do ministro não implicaria atribuição de culpa, “apenas um sinal de que o presidente se importa com as mulheres de seu partido”.

Enquanto o Supremo quer esvaziar a Lava Jato, Bolsonaro fortalece a Polícia Federal

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Moro se anima com a contratação de mais mil policiais federais

Nayara Figueiredo
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter neste domingo, 14, para confirmar a convocação de mil novos policiais federais. “O objetivo é compor gradativamente o quadro de inteligência, como no trabalho da Lava Jato (combate à corrupção) e outros serviços de segurança nacional, dentro do orçamento possível destes primeiros 100 dias de mandato”, afirmou Bolsonaro.

A medida havia sido anunciada na quinta-feira, dia 11, pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como parte das ações dos primeiros 100 dias de governo. A convocação é parte do plano de combate à corrupção do qual também faz parte o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro – ex-juiz da Lava Jato.

CONCURSO – O concurso previa a contratação de 500 pessoas, com nível superior de escolaridade, para as cinco carreiras policiais: 150 para delegado; 60 para perito criminal federal; 80 para escrivão; 30 para papiloscopista e 180 para agente de polícia federal. Os aprovados estão em fase de convocação para a última etapa do concurso, que é o curso na Academia Nacional de Polícia. A formação dura aproximadamente cinco meses e tem caráter eliminatório.

A delegada Tânia Prado, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo, ficou animada com a notícia.

“Muito boa a confirmação do presidente da República de que o governo irá convocar os aprovados no concurso da Polícia Federal e recompor gradativamente o efetivo. Hoje temos quase 5 mil cargos vagos na PF, ou seja, praticamente um terço de déficit. Por não ter autonomia constitucional, a instituição vem passando por um grave processo de desmonte ao longo dos últimos anos, com redução orçamentária, sujeita a ingerências, quando deveria ter sido fortalecida para combater o crime organizado e a corrupção”, disse a delegada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, eram uma tremenda cascata as notícias de que os governos de Lula, Dilma e Temer deram total apoio à Polícia Federal. O ministro Moro pediu e o presidente Bolsonaro atendeu, mostrando que a Lava Jata vai ser fortalecida e não esvaziada, como é o propósito da maioria dos ministros do Supremo. O reforço à PF é uma grande notícia. (C.N.)

Em 2018, plena crise, o lucro dos bancos no Brasil foi o maior da história

Resultado de imagem para lucro dos bancos chargesFabrício de Castro
Estadão

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, afirmou que o lucro líquido registrado pelos bancos ao fim de 2018, de R$ 98,5 bilhões, foi o maior da história, em termos nominais. O montante corresponde a um aumento de 17,40% em relação ao verificado em 2017.

Souza pontuou que o BC sempre acompanhou o lucro dos bancos, mas, como houve mudanças monetárias ao longo do tempo, é possível afirmar, para fins de comparação, que o resultado do ano passado é o maior desde a adoção do real, em 1994.

MENOS PROVISÕES – Segundo Souza, o principal fator para o aumento do lucro líquido das instituições financeiras foi a redução, em cerca de R$ 20 bilhões, das despesas com provisões (inadimplências) em 2018, em relação ao ano anterior.

O diretor do BC afirmou ainda que as instituições somam hoje patrimônio líquido total de R$ 800 bilhões. “É o maior nível de capitalização desde 1994, em termos nominais”, disse.

Os dados do BC mostraram que o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) dos bancos atingiu 14,8% ao ano em 2018. O porcentual é o maior em sete anos, desde 2011. De acordo com o diretor, apesar de a rentabilidade ter crescido nos últimos anos, para perto dos 15%, não existe hoje muito mais espaço para ela continuar aumentando. “A gente considera que isso se estabilizou”, afirmou.

ESTABILIZAÇÃO – Souza afirma que a estabilização ocorre porque o sistema ainda precisa passar por uma melhora de garantias. “A instituição não consegue ampliar as concessões de crédito sem melhorar as garantias”, afirmou. “Com garantias melhores, aí sim você consegue reduzir mais as provisões. Mas isso vai demorar uns dois anos ainda (para acontecer)”, afirmou, em referência ao efeito de medidas estruturais já tomadas pelo BC, como a adoção das duplicatas eletrônicas.

Ele citou ainda que, no Brasil, de cada R$ 1 que não é pago, ocorre recuperação de apenas R$ 0,13 pelos bancos. “Em outros países, chega a ser R$ 0,75. E essa é uma realidade histórica que não vai ser mudada sem um arcabouço jurídico.”

Apesar de os bancos terem uma rentabilidade próxima de 15% no Brasil, Souza afirmou que o sistema financeiro do País não é nem o mais rentável, nem o menos rentável. “Está na média”, disse. “No bloco de países emergentes, a rentabilidade do Brasil está bem próximo da média.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O final da matéria é patético. Os bancos só recuperam R$ 0,13 de cada 1 real, porque praticam as mais altas taxas de juros do mundo. O que ocorre no Brasil em relação aos juros dos cartões de crédito, que movem a economia, chega a ser imoral e evidencia que a equipe econômica deixa os bancos agirem livremente, sem o menor controle sobre as taxas. Apenas isso. E ainda querem autonomia do Banco Central, que desde sempre permite esse exploração do povo. (C.N.)

Greve de caminhoneiros teria efeito muito pior do que segurar o preço do diesel

Imagem relacionada

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Marcello Corrêa e Bruno Goés
O Globo

Apesar das perdas bilionárias da Petrobras, a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender o aumento do preço do diesel foi vista na equipe econômica como uma forma de evitar prejuízo maior. Na avaliação de uma fonte do Ministério da Economia, o país não poderia correr o risco de passar por uma nova greve de caminhoneiros em um momento em que a economia patina. No ano passado, o PIB cresceu apenas 1,1%, frustrando as projeções que chegavam a 3% antes da paralisação. Só em um mês, as perdas na economia chegaram a R$ 15,9 bilhões.

“Para nós, no ano passado, a greve foi o principal fator de jogar para baixo a perspectiva de crescimento. A economia está sem tração. A última coisa que poderia acontecer é uma greve do nível que aconteceu. Acredito que o presidente suspendeu para discutir”, afirmou esta fonte.

UM IMPASSE – Ainda de acordo com esse integrante, a equipe econômica ainda não se reuniu para discutir qual será a reação à crise que colocou o governo em um impasse: garantir a saúde financeira da Petrobras e, ao mesmo tempo, não causar atritos com os caminhoneiros. Em viagem pelos EUA, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não se pronunciou sobre o episódio e sinalizou que não foi consultado por Bolsonaro sobre o assunto.

A estratégia vai ser discutida em reuniões na próxima semana. Uma das opções na mesa é a criação de um sistema para amortecer a oscilação de preços nas bombas, como o que deveria ser a Cide, que acabou sendo desvirtuada.

Nesse modelo, a tributação sobre os combustíveis aumentaria quando o petróleo estivesse mais caro e diminuiria, quando a cotação do óleo subisse. A medida, no entanto, precisaria ser incluída em uma reforma tributária ainda em elaboração. Além disso, dependeria do avanço da reforma da Previdência, já que presumiria uma renúncia de arrecadação.

DESDE TEMER – Essa ideia chegou a ser proposta durante o governo de Michel Temer, mas não avançou. No governo de transição, a possibilidade também foi levantada pela equipe econômica em formação, quando se debatia o que substituiria o subsídio ao diesel que vigorou até dezembro,

Na Câmara, os deputados já se movimentam para pressionar o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em depoimento à Comissão de Minas e Energia. Um convite ao executivo foi aprovado há dez dias para que ele falasse justamente sobre a política de preços da estatal. Havia a negociação para que ele fosse à Câmara em maio. Mas, diante da intervenção de Bolsonaro, pode haver uma antecipação e até mesmo uma convocação.

— Vamos dialogar (sobre o assunto) na segunda-feira, pois de fato achamos muito perigoso o acontecimento. Afinal, o governo federal tem assento no conselho e faz parte das decisões. Não foi bom, na nossa avaliação, para o presidente da República nem para Petrobras. É pior ainda para os acionistas — diz Silas Câmara (PRB-AM), presidente da comissão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro agiu acertadamente. O presidente da Petrobras é altamente irresponsável. Mandou aumentar o preço e viajou para os Estados Unidos, onde foi localizado por Bolsonaro e teve de voltar às pressas. Com um trapalhão como esse dirigindo a Petrobras, Bolsonaro nem precisa de inimigos. Roberto Castello Branco pensa (?) que a Petrobras é uma empresa privada. Mas neste caso ele está confundindo empresa privada com jogar o governo na privada. (C.N.)

O poeta Ferreira Gullar, voando no “Trenzinho Caipira”, ao lado de Villa-Lobos

Ferreira Gullar - Poema Sujo - Companhia das Letras

O “Poema Sujo” marcou a volta de Gullar ao Rio, após o exílio

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta Ferreira Gullar (1930-2016), pseudônimo do maranhense José Ribamar Ferreira, em “Bachianas nº 2” de Heitor Villa-Lobos, depois de várias tentativas, enfim conseguiu compor uma letra, fazendo com que aquela obra transfigurasse “O trenzinho caipira”, agora música vocal popular.

Na verdade, o poeta se aproveita de alguns versos de sua obra “Poema Sujo”, para manifestar as paisagens de sua infância no estado do Maranhão quando viajava de trem na companhia de seu pai, como também ocorreu com Villa-Lobos, mas não no Maranhão e, sim, no Rio de Janeiro.


A presença do trem é de extrema relevância, pois se torna o veículo que levará Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar a uma viagem por diversos espaços sonoros do Brasil (rural e urbano), mas também revela uma expressão alegórica do desenvolvimento do país, isto é, a tensão entre o progresso, o moderno e a paisagem de pobreza.

A música “O Trenzinho caipira”foi gravada, primeiramente, por Edu Lobo, no LP Camaleão, em 1978, pela Polygran.

TRENZINHO CAIPIRA
VIlla-Lobos e Ferreira Gular

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar

Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra…
Vai pela serra…
Vai pelo mar…

Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar…

Polêmica do aumento do diesel revela que há desconexão no governo Bolsonaro

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Charge do Newton SIlva (newtonsilva.com)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro, que se encontrava no Amapá, telefonou para o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e determinou que o aumento de 5,7% no preço do óleo diesel fosse imediatamente suspenso. Os reflexos tanto da majoração quanto da suspensão do ato do presidente da estatal revelaram mais uma vez a falta de conexão política do governo. Afinal de contas, aumentar o preço foi um ato que atingiria o consumo diário de 1 milhão de barris, significando que o novo preço incidiria sobre caminhões e ônibus principalmente. O consumo do óleo diesel atinge metade do transporte rodoviário do país.

A questão, entretanto, não pode ser vista apenas sob o ângulo econômico e cujo reflexo atingiu fortemente o preço das ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo.

PARENTE TENTOU – A decisão do Palácio do Planalto, de outro lado, atingiu frontalmente o Presidente da estatal e a aparente independência da Petrobrás em fixar seus preços de acordo com as oscilações do mercado internacional do petróleo.

Tal política, de outro lado, fora tentada por Pedro Parente, quando presidiu a empresa, e culminou com sua saída do cargo no governo Michel Temer. O panorama do petróleo é dos mais complexos. No caso da Petrobrás afeta o valor de suas ações na Bovespa. Mas não é apenas isso.

Atinge também frontalmente a política liberal projetada pelo Ministro Paulo Guedes, a qual sofreu forte golpe na tarde de sexta-feira. Por isso, na minha opinião, o desafio de administrar preços torna-se um dos mais complexos colocados na estrada do governo.

VÁRIAS FACES – O problema não se esgota com o recuo da ideia liberal do Ministro Paulo Guedes, no caso seguida à risca por Roberto Castello Branco. Trata-se de um lance de dados de várias faces. Uma delas o reflexo no custo de vida, reflexo imediato decorrente da elevação inesperada do diesel. Por isso é que faltou articulação por parte da equipe econômica, ao surpreender com a decisão tanto os caminhoneiros quanto o presidente da República.

Esse aspecto ficou evidente na declaração do ministro Paulo Guedes que se encontrava em Washington: “Criou-se um silêncio ensurdecedor”. A contradição não se esgota na frase. Ela abrange todo o quadro político do país.