90% dos parlamentares querem se reeleger e garantir o foro privilegiado

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Marco Antônio Carvalho Teixeira/Estadão      (Charge do Léo)

O debate público acerca do processo eleitoral 2018, como de tradição, está sendo dominado pela sucessão presidencial. Todavia, é necessário destacar a importância da disputa por uma vaga para o Congresso Nacional, sobretudo a de deputado, pelas questões que cercam esse pleito. O dado de que cerca de 90% dos deputados federais no exercício de seus mandatos vão tentar a reeleição permite levantar algumas reflexões quando se observa o atual contexto político.

Considerando que é bem significativa a quantidade de parlamentares investigados na Operação Lava Jato, assim como também é razoável o número daqueles que já respondem processos por suspeitas de envolvimento em diferentes escândalos de corrupção, a manutenção do foro privilegiado torna-se uma das razões explicativas desse índice tão alto de parlamentares em busca de reeleição.

RAPIDEZ – O raciocínio é simples: a Lava Jato e outras investigações andam bem mais rápidas para aqueles que não possuem a proteção do foro, uma vez que estes podem ser investigados já na primeira instância e não apenas pelo STF. O caso Sérgio Cabral é um exemplo revelador. Fosse ele pelo menos deputado federal, provavelmente ainda não estaria cumprindo pena de prisão.

Outra questão importante a ser colocada nesse contexto tem a ver com a perspectiva de renovação na Câmara dos Deputados frente ao desgaste de imagem enfrentada por essa legislatura que se encerra. É bom lembrar que ter um gabinete com recursos e funcionários, usufruir de emendas parlamentares e levar recursos públicos para a sua base eleitoral sob a forma de políticas públicas, tudo isso propicia uma enorme vantagem competitiva para quem disputa a reeleição. Desse modo, os que não possuem mandatos e estão fora desse sistema de uso de recursos públicos vão sofrer enormes dificuldades para angariar votos.

MAIS DEBATE – Por fim, faria muito bem à democracia se o debate sobre as eleições legislativas tivesse mais espaço na sociedade. Afinal, apesar de existir a possibilidade de o STF colocar na sua agenda a rediscussão do alcance do foro no curto prazo, o ideal seria que o próprio Congresso Nacional se encarregasse de fazer isso.

Entretanto, esperar que os parlamentares alterem um ativo que hoje serve para a proteção deles depende muito do grau de pressão que a sociedade pode fazer sobre o Congresso. Sendo assim, mais do que esperar renovação de nomes, a sociedade deveria pressionar por mudanças de práticas políticas e fazer isso não depende do resultado de cada eleição.

Não há saída: É preciso que todos lutem para manter e aperfeiçoar o SUS

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para sus charges

Charge do Amâncio (Arquivo Google)

Hilma Becker

Aqui em BH, nos Postos de Saúde nos atendem muito bem. Todos (médicos, enfermeiras e pessoal de apoio). E tem também uma coisa muito importante: você é tratada como trata as pessoas. Gentileza gera gentileza.

Sou adepta da prevenção: se vc cuidar da saúde, não precisará tratar da doença. Sempre que preciso, marcar consulta, não demora mais que 5 ou 6 dias. E se por algum motivo vc precisar desmarcar, pode fazer por telefone. Os exames laboratoriais são feitos lá mesmo, assim como o preventivo do câncer de colo de útero. Até dentista é no posto que vou.

HÁ PROBLEMAS – O SUS é considerado um exemplo no mundo inteiro. É claro que há muitos problemas, mas esses problemas, na maioria das vezes, são causados pelos governos estaduais e federais, teimam em não fazerem o repasse que lhes cabe, tendo as prefeituras que arcar sozinhas.

O SUS não é lixo não!!! Lixo são os planos de saúde, que cobram caríssimo (meu marido paga quase mil reais todos os meses), marcam consulta só para daí ai 1 ou 2 meses. E quando tem cirurgia, quanto mais puderem, eles enrolam e empurram com a barriga. Meu marido tem Unimed e eu sei bem o que estou falando. Quando a gente vai marcar consulta, a moça pergunta logo se é particular ou convênio. Quando vc diz que é convênio, ela fala: “só tem para tal dia”, e esse tal dia é no mês seguinte ou no próximo.

PODERIA SER MELHOR – Fico triste quando vejo alguém falando assim tão mal do SUS. Eu só tenho coisas boas para falar. Uma das poucas coisas que ainda funcionam no país é o SUS. Poderia ser melhor, se não houvesse tanta corrupção, tanto roubo e desvios de verba.

Sempre fui muito bem atendida tanto no meu posto, quanto nos locais onde sou encaminhada para fazer exames. O meu último exame de vista foi feito na Santa Casa. Lá os exames são feitos pelos médicos residentes, sob a supervisão dos preceptores, que são os melhores oftalmologistas de Minas Gerais.

Já fiz duas cirurgias para retirar pólipos no endométrio. Na última, ela já estava marcada, mas não fui fazer pq meu marido adoeceu e teve que fazer uma cirurgia de emergência. Fiquei com ele no hospital e achei que tinha perdido a oportunidade.

UMA SURPRESA – Pois bem, algum tempo depois, estava em minha casa na Bahia, quando tocou o celular e era da Secretaria da Saúde, a moça queria saber por que não fiz a cirurgia que tinha sido marcada. Expliquei a ela o acontecido e disse que, como havia passado do prazo, pensei que tinha perdido a vez e até me esqueci. No que ela falou: “Mas nós não nos esquecemos da senhora. Marcamos uma consulta pré-operatória para a senhora no dia 7 de março, uma terça-feira. A senhora poderá comparecer?”.

Pedi a ela um tempo, pois precisava consultar meu filho. Ele disse que a gente poderia voltar a BH no domingo. Dei a resposta à moça. Cheguei em BH na segunda, na terça fui à consulta. Na quarta-feira fiz todos os exames necessários e na segunda-feira operei.

NÃO É LIXO – Então, me desculpe, mas se você não conhece, nunca usou, não se deixe levar por reportagens tendenciosas e não chame de lixo.

Procure conhecer o posto de saúde de sua região, do seu bairro. Participe das reuniões do Conselho de Saúde. Não sei como funciona aí onde você mora, mas aqui em BH, contamos, em cada Posto de Saúde, com o Conselho Local de Saúde, que é “um órgão colegiado, de caráter permanente e deliberativo, integrante à unidade de saúde e que tem poder de decisão, participação e colaboração efetiva nos programas e ações que são desenvolvidas em cada unidade de saúde”.

Esse Conselho “é composto de forma paritária, entre os três seguimentos representativos de área de saúde; 50% Usuário, 25% Trabalhador em saúde 25%, Gestores e Prestadores de serviços de saúde”.

DIÁLOGO – E esse Conselho é importante porque “ele é um espaço que permite o diálogo entre as partes, possibilitando o reconhecimento da realidade vivida pelos trabalhadores em saúde, administradores, usuários e a sua relação com o sistema Único de Saúde e a Rede Municipal.”

Aqui no Posto do meu bairro, as reuniões acontecem na primeira segunda-feira de cada mês, às 18:30. E tem também o Conselho Distrital de Saúde. As reuniões, tanto do Conselho Local, quanto as do Conselho Distrital, são abertas e toda a comunidade deveria participar. Participo sempre e já fui até 2ª secretária do Conselho Local de Saúde, no posto do meu bairro. Só quando conhecemos, podemos emitir opinião e lutar por uma Saúde Pública de qualidade. O SUS é para todos.

###
(O artigo foi enviado por Carmen Lins, que acaba de se inscrever no SUS e diz que “o diabo não é tão feio como dizem”. A autora é professora, nível superior, formada na PUC de Belo Horizonte)

Cientista político afirma que Lula está mantendo “a esquerda sitiada”

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Wanderley dos Santos faz análise da eleição

Jeferson Ribeiro
O Globo

A sociedade ainda está polarizada, mas agora não apenas na política. Essa polarização avançou para o choque de valores, de culturas e de comportamento e cria um cenário perigoso para a democracia na avaliação do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. Segundo ele, a esquerda está “sitiada” pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o início do mês, porque ele não abre as negociações para um candidato único no campo. O experiente especialista desmistifica ainda o papel dos “partidos de aluguel” ou “nanicos”, um dos temas de seu novo livro ‘A difusão parlamentar do sistema partidário’.

Mesmo com um cenário bastante incerto para a disputa presidencial, o que é possível prever para os próximos meses?
Primeiro vamos de Lula. Ele é uma figura carismática indestrutível, mas isso não significa que permanecerá com essa capacidade eleitoral. Nem todos que dizem votar no seu indicado, votarão. Mas o Lula tem que tomar decisões importantes nos próximos meses. Primeiro, terá de decidir se não será mais candidato. Uma segunda decisão relevante é se realmente vai apoiar alguém. Terceiro, quem será o escolhido. Essas três questões vão chacoalhar o quadro de hoje. Não sei se a polarização está morta, talvez a que exista entre PT e PSDB, sim. Mas pode acontecer com outros nomes.

Qual deveria ser a estratégia da esquerda?
Eu acho que a esquerda devia estar discutindo um outro candidato. Mas isso depende do Lula. Não há outro caminho e isso pode gerar o acirramento desse radicalismo, esse sebastianismo evangélico do PT, contra uma alternativa bastante interessante que é Ciro Gomes. Esse silêncio pode criar a inviabilidade de um acordo entre as forças lulistas e o Ciro e tem a capacidade de dividir a esquerda. E ele é o cara ideal para entrar em disputa com os conservadores, ele é um cara que tem tutano para fazer isso. O Jaques Wagner e o (Fernando) Haddad são ótimos quadros, mas não para o contexto desse debate duro. O Lula, para meu desgosto, manteve toda a esquerda sitiada. Está presa junto com ele. Então, a chance de vitória da direita, em tese, é maior. O problema da direita é que não tem candidato. Por isso, se o Joaquim Barbosa for candidato, eu acho que herdará os votos da direita. Ele é um homem para o momento, assim como o Ciro. A eleição será dura. Antes da prisão do Lula e do aparecimento do Joaquim, eu achava que a esquerda poderia levar fácil. Agora, a coisa muda de figura.

Qual o tamanho do impacto da prisão de Lula para esse campo?
Estão desorientados. Sem rumo. A posição majoritária do campo da esquerda é com Lula até o fim. Mas isso não pode ser até o dia 7 de outubro. Acho que está tudo desorganizado desde o impedimento da Dilma (Rousseff). Há uma desorientação grande e um erro estratégico tanto de esquerda quanto da direita. Pior, está se criando um contexto cívico de difícil recuperação. Hoje, não existe uma polarização eleitoral ou sequer partidária, o que há é uma divisão de culturas, de valores, de comportamento, enfraquecendo a direita e a esquerda. Basta ver as manifestações nas redes sociais. A esquerda está fazendo censura tanto quanto a direita. Assassinatos de caráter, falsificações de números e de fatos, um é o espelho do outro. Nunca aconteceu antes. Isso está tornando muito difícil a administração por parte das lideranças políticas, aquelas que ainda estão com um pouco de sanidade, desse período até outubro. Porque tem que chegar até outubro.

O senhor vê risco de não ter eleição?
São coisas que não estão fora do cenário das possibilidades. Por exemplo, um enfrentamento crescente nas ruas entre esquerda e direita, com vítimas, talvez pessoas mortas. Isso seria um pretexto, obviamente oportunista, mas poderiam dizer que não seria possível fazer eleição num contexto assim. Outra possibilidade, a Venezuela. Olhe o pedido de Roraima querendo fechamento da fronteira. Aí o Temer diz que é uma coisa “incogitável”, mas todo mundo sabe que isso não quer dizer nada na boca do Temer. Num contexto desses, parecerá até sensato se dizer que se deve adiar as eleições. Isso pode acontecer.

No seu livro, o senhor lança uma nova abordagem sobre os partidos com menor representação no Congresso, desmistificando a ideia de que as legendas com menos deputados federais são apenas “empresas de aluguel”. Por que temos 35 partidos formalizados no Brasil?
Algumas premissas das análises tem que ser postas à vista. Essa visão de fragmentação total e também do papel desempenhado pelos partidos chamados nanicos ou de aluguel vem de uma visão estritamente de Brasília. Quer dizer, da política nacional ou de representação nacional. Portanto, atribui-se que a política brasileira tem uma fragmentação e na verdade são extrapolações das opiniões de um visão de Brasília. E há ainda outra premissa errada de que os partidos de menor representação são apenas partidos de aluguel. Aliás, as investigações atingem os grandes partidos e não os nanicos. Um dos motivos para a existência de tantos partidos é que os grandes permitem o funcionamento dos pequenos e não conseguem ir onde eles estão. No interior do país, os partidos menores disputam as assembleias e câmara de vereadores e os grandes não. Outro motivo principal foi o financiamento privado das campanhas. Então, respondendo sucintamente: eles existem porque os grandes não vão lá acabar com eles e os grandes não vão acabar com eles porque economicamente e no cálculo eleitoral é interessante que as pequenas legendas existam.

O financiamento publico e individual tem força pra reduzir o número de partidos?
De algumas legendas possivelmente, mas não de todas. Porque não interessa no cálculo dos partidos grandes e médios investir muito em campanhas no interior ou em cidades pequenas se isso desvia recursos de conquistar mais deputados em grandes centros.

O senhor mostra, por exemplo, mais de 85% das legendas elegeram ao menos um parlamentar para 20 assembleias em 2008 e 2012. Ou seja, os brasileiros não se importam se há 35 legendas. É isso?
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Depende, porque se fosse irrelevante os resultados eleitorais seriam profundamente aleatórios e não são. Nem a nível nacional e nem a nível estadual e nem a nível municipal. O eleitor vota distinguindo, por isso você tem ao longo do tempo em todos os níveis do Legislativo um padrão de votação. Muda só marginalmente. Quanto mais urbanizado e denso o município, mais ideologizado é voto. Quanto mais dependente da ação do poder público é a população, principalmente ligada a prestação de serviços, menos ideologizado.

Presidenciáveis enfrentam mais de 160 processos e inquéritos judiciais

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para lula preso charges

Charge do Simanca (Arquivo Google)

Ranier Bragon , Camila Mattoso e Laís Alegretti
Folha

Pelo menos 15 dos 20 políticos cotados para disputar a Presidência da República em outubro são alvo de mais de 160 casos em tribunais do país inteiro. De Lava Jato a barbeiragem no trânsito, há investigados, denunciados, réus, condenados e um preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas eleitorais.

Levantamento feito pela Folha nos tribunais superiores, federais e estaduais mostra que a Lava Jato e suas derivações, além de outras investigações de desvio, são pedras no sapato de ao menos oito presidenciáveis.

NA LAVA JATO – Esse pelotão é liderado por Lula, condenado a 12 anos e um mês; o presidente Michel Temer (MDB), alvo de duas denúncias e de duas investigações em andamento; o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTC), réu na Lava Jato e alvo de outros quatro inquéritos, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), investigado em dois inquéritos na maior operação de combate à corrupção da história do país.

Com exceção de Lula, que tem até 31% das intenções de voto, Temer, Collor e Maia não ultrapassam 2%, segundo o Datafolha. A condenação e prisão praticamente inviabilizaram a candidatura de Lula, mas o PT afirma que fará o registro do ex-presidente na disputa. Nos bastidores, no entanto, são cogitados para substituí-lo o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

Sobre Haddad, há uma investigação aberta por suposto caixa dois, em decorrência da delação do empresário Ricardo Pessoa, da UTC. Em relação a Wagner, ele foi alvo recentemente da Operação Cartão Vermelho (que apura suspeita de propina na reforma da Arena Fonte Nova). Outros dois outros casos foram enviados para o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná.

ALCKMIN – O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) teve seu caso enviado para a Justiça Eleitoral, o que o tirou da mira imediata da Lava Jato.

Nesta sexta (20), o Ministério Público de São Paulo afirmou que também irá investigar se o tucano cometeu improbidade administrativa no episódio, que é a suspeita de recebimento caixa dois de mais de R$ 10 milhões. Delatores da Odebrecht afirmam ter direcionado o dinheiro à campanha do tucano ao governo paulista em 2010 e 2014.

Tanto Alckmin quanto Haddad são alvos também de ações por questões administrativas, motivadas pela passagem de ambos pelo comando do Executivo paulista e paulistano. O ex-prefeito, por exemplo, responde a ação do Ministério Público por suposta falta de planejamento na construção de ciclovias. O tucano é alvo, entre outras, de ações da bancada do PT sob o argumento de ilegalidades em licitações e outras ações de governo.

PAULO RABELLO – Outro investigado é o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro (PSC). Como representante de uma empresa de qualificação de risco, ele foi alvo de quebra de sigilo bancário e fiscal e depôs em investigação sobre possíveis fraudes em investimentos do fundo de pensão dos Correios, em fevereiro.

Um segundo grupo de presidenciáveis responde por declarações que podem ser consideradas crime. É puxado por Jair Bolsonaro (PSL), um dos líderes na corrida ao Planalto na ausência de Lula (17%). O deputado responde a duas ações penais no STF sob acusação de injúria e incitação ao estupro, além de uma denúncia por racismo por palestra em que criticou quilombolas — na área cível, Bolsonaro foi condenado nesse último caso, em primeira instância, a pagamento de indenização de R$ 50 mil. Ele recorreu.

ESTUPRO – As acusações de incitação ao estupro são motivadas por um bate-boca em 2014 com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Bolsonaro disse, na ocasião, que não a estupraria porque ela não merece.

“O emprego do vocábulo ‘merece’ (…) teve por fim conferir a este gravíssimo delito, que é o estupro, o atributo de um prêmio, um favor, uma benesse à mulher, revelando interpretação de que o homem estaria em posição de avaliar qual mulher ‘poderia’ ou ‘mereceria’ ser estuprada”, diz parte do acórdão da 1ª turma do Supremo ao acolher em 2016 a denúncia.

Ciro Gomes (PDT) é o campeão, em volume, de casos na Justiça. Ele acumula mais de 70 processos de indenização ou crimes contra a honra, movidos por adversários. Temer, chamado de integrante do “lado quadrilha do PMDB”, é um deles. Ciro foi condenado em primeira instância e recorreu.

MAIS PROCESSOS – Outros adversários que o processam são Bolsonaro (chamado de “moralista de goela”), os tucanos José Serra (“candidato de grandes negócios e negociatas”) e João Doria (“farsante”), e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (“pinotralha, uma mistura de Pinóquio com Irmão Metralha”). O pedetista tem 9% das intenções de voto.

O ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa (PSB), que chega a 10% das intenções de voto, foi condenado por danos morais por ter dito que um jornalista “chafurdava” no lixo. Cabe recurso.

A Folha localizou ainda casos como o de Guilherme Boulos (PSOL). Além de processos relacionados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, do qual é líder, ele teria batido em setembro na traseira de uma moto, arremessando-a contra a traseira de outro carro, segundo o boletim de ocorrência.

EM SIGILO – O número de investigações e processos pode ser maior porque o levantamento não inclui ações em segredo de Justiça, processos trabalhistas e eventuais ações movidas na Justiça de primeira instância de estados que não são os de origem ou atuação política do presidenciável. Há também tribunais que dificultam o acesso público.

Guilherme Afif (PSD) disse que só respondeu a duas ações na área cível, sendo uma extinta. A outra, de propaganda política irregular, está na “fase de apuração do valor a ser ressarcido por oito requeridos.” Aldo Rebelo (SD) foi processado pelo ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que tentou censurar um livro sobre CPI que envolveu a entidade. O STJ revogou em 2017 a censura que fora acolhida.

OUTROS CASOS – Alvaro Dias (Podemos) figura em antiga ação de execução do INSS. Sua assessoria jurídica disse que as peças do processo não estão disponíveis. E a Folha encontrou no nome de Henrique Meirelles (MDB) dois casos. Sua assessoria afirmou que se referem a cobrança de indenização por evento que ele não compareceu, mas que o ex-ministro ganhou as causas. A assessoria não respondeu se há outras ações.

Marina Silva (Rede) e João Amoêdo (Novo) afirmaram que não respondem a processos.

Você sabia que os advogados é que salvaram o mundo?

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para advogado charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Merval Pereira
O Globo

Num momento em que os advogados estão na berlinda, tão criticados quanto necessários nesses tempos de Lava Jato, o advogado José Roberto Castro Neves não faz por menos. Em livro recém lançado, ele simplesmente defende a tese de que os advogados salvaram o mundo, como está explicitamente no título da obra.

Na opinião arrebatada de outro advogado, Técio Lins e Silva, o livro é uma legítima defesa dos advogados, que os magistrados e membros do Ministério Público deveriam ler. Embora não fale da Lava Jato, José Roberto a considera obra de advogados idealistas, jovens que decidiram enfrentar o sistema, como tantos outros advogados idealistas no passado, que buscavam um mundo mais justo e correto.

ESPERANÇA – No fundo, avalia José Roberto, os valores que animam os procuradores, membros do Ministério Público, delegados da Polícia Federal e juízes, a fim de desbaratar a corrupção no país, são os mesmos que motivaram Calvino, Cromwell, Jefferson, Danton, Gandhi ou Mandela, todos advogados, contra injustiças que encontraram. “A mensagem é de esperança”, acredita o autor.

José Roberto tem uma visão humanista de sua profissão, vê como indispensável ao bom advogado a literatura, a história, as artes, sobretudo define o advogado como aquele que, além de falar pelo outro, deve colocar-se no lugar do outro que representa.

Especialista em Shakespeare, tem um estudo sobre a comédia “Medida por Medida” em que analisa o Direito à luz dos desdobramentos da peça. E participou de uma antologia de textos de advogados sobre Shakespeare, escrevendo sobre os canalhas que aparecem em suas pecas e como eles são nossos conhecidos até os dias de hoje.

CONTRIBUIÇÃO – “Como os Advogados Salvaram o Mundo” busca retratar a contribuição da advocacia para a Humanidade e não deixa por menos: os advogados não apenas formaram e modelaram a civilização, mas “salvaram o mundo”. O livro trata, a rigor, de como o homem se relaciona com o arbítrio. A tese, na definição do autor, é a de que os advogados, pela sua atividade, são os primeiros a se confrontar com um estado autoritário.

Em função disso, historicamente, lideraram os movimentos que visavam a assegurar as garantias fundamentais, como a liberdade, a possibilidade de manifestar as opiniões, a isonomia do tratamento, assim como evitar os desmandos dos poderosos (opondo-se, também, à corrupção).

Foi assim com a Revolução protestante – pois Lutero estudou Direito e Calvino era advogado. Foi assim com o movimento iluminista – Descartes estudou Direito. Montaigne e Montesquieu também. Nas revoluções que movimentaram a Inglaterra, os advogados estavam à frente: Cromwell era advogado, assim como toda a sua família.

EUA E FRANÇA – A revolução americana foi toda obra de advogados. José Roberto lembra ainda que, tirando Washington – um militar, pois era necessário expulsar os Ingleses –, todos os demais “founding fathers” eram advogados. Adams, Jefferson, Madison, Hamilton. A Declaração de Independência é um documento jurídico – um libelo contra o rei inglês. A Constituição americana – a primeira desse tipo e a mais longeva – é outro instrumento jurídico que moldou toda a civilização.

A Revolução francesa serve de outra prova de que os advogados estavam no comando desses movimentos: Robespierre, Danton, Saint-Just entre muitos outros advogados comandaram os acontecimentos. A Declaração dos Direitos Universais segue um modelo jurídico. Mais recentemente, outros advogados, como Gandhi e Mandela fizeram toda a diferença, sempre partindo de modelos jurídicos.

E NO BRASIL – José Roberto Castro Neves inclui o Brasil em sua história da advocacia, lembrando advogados importantes como José Bonifácio de Andrada, o Patriarca da Independência, formado em direito em Coimbra, destino da elite na colônia. Aliás, lembra ele, antes, todos os poetas e líderes da Inconfidência Mineira também eram advogados formados em Portugal, pois não havia universidades no Brasil colonial, quando nos Estados Unidos já havia várias.

A classe se envolveu mais no movimento abolicionista e nas campanhas civilistas, nas quais Ruy Barbosa teve posição proeminente. Prudente de Moraes deixou a presidência para reassumir sua banca de advogados em Piracicaba. Getúlio Vargas também era advogado. Hoje – depois de um hiato – temos outro advogado no poder.

Embora não houvesse uma participação direta de advogados na nossa formação, José Roberto Castro Neves lamenta que somos chamados – de forma depreciativa – de o país dos Bacharéis. E registra a seguinte estrofe de autoria desconhecida: Quando Deus voltou ao mundo, / Para castigar os infiéis, / Deu ao Egito gafanhotos / E ao Brasil deu bacharéis…

Se Joaquim Barbosa denunciar tudo que o incomoda, o Brasil ganha

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para joaquim barbosa charge

Barbosa pode ser o “novo” nesta sucessão

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Joaquim Barbosa tem tudo para ser o “novo” na próxima disputa pela Presidência. No Supremo Tribunal Federal foi sua mão de ferro que garantiu o encarceramento dos larápios do mensalão, abrindo a temporada de predominância de setores do Judiciário sobre a corrupção. Condenando a articulação que depôs Dilma Rousseff, afastou-se do governo de Michel Temer. Nunca foi candidato a cargo eletivo e não tinha base partidária.

Com essa biografia, o doutor admitiu a hipótese de ser candidato e filiou-se ao PSB. Quando fez isso sabia que esse partido é “socialista” no nome, mas poucas são as diferenças entre ele e os demais. Menos de uma semana depois, revelou que vê dificuldades para sua candidatura, quer por causa das articulações estaduais, quer por suas próprias incertezas.

SEM SE MEXER – A menos que as contrariedades sejam sinceras e essenciais, negaças de candidatos são coisa comum e esses obstáculos acabam mostrando-se irrelevantes. Essa circunstância faz a diferença entre o candidato que está disposto ir para a estrada e aquele que pretende ser carregado num andor. Na História do Brasil só o general Emílio Médici chegou à Presidência sem se mexer, obrigando o Alto Comando do Exército a carregá-lo nos ombros.

Num regime democrático não há andores. Tancredo Neves, numa sucessão embaralhada como a de hoje, construiu sua candidatura milimetricamente, encarnando a redemocratização. As macumbas de todos os partidos contra Barbosa são coisas do velho contra o novo. Ou ele dá um passo adiante e diz a que vem, ou fritam-no. Quando ele não opina sobre a reforma da Previdência (seja qual for) porque não é candidato, ofende a plateia. Ele quer ser candidato e tem opinião sobre a Previdência, mas não quis se expor, usando um argumento do velho.

DESEMPENHO – Numa eleição presidencial a biografia vale muito, mas o desempenho durante a campanha acaba sendo essencial. Mário Covas e Ulysses Guimarães eram melhores candidatos que Fernando Collor na eleição de 1989, mas não chegaram ao segundo turno. Asfixiaram-se na poeira de uma campanha em que os eleitores compraram um gato velho como se fosse lebre nova. Tinham tempo de televisão e bases partidárias, mas elas de nada serviram.

Basta ver o que acontece no Congresso, no Planalto e até mesmo no Supremo Tribunal, para se perceber que um sistema político viciado tenta blindar-se impedindo que haja algo de novo na urna de outubro.

Se Joaquim Barbosa entrar na disputa disposto a denunciar tudo que o incomoda, a começar pelo coronelismo político, o Brasil ganha, pois o que se quer do “novo” são novas atitudes. Se o que ele espera são palafreneiros conduzindo seu cortejo, todo mundo perde, inclusive ele.

Após escândalo, coronel amigo de Temer deixa parceria em Angra 3

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para ARGEPLAN

Esta é a sede da Argeplan em São Paulo

Deu na Folha

Suspeito de atuar como arrecadador de propinas para o presidente Michel Temer, o coronel João Baptista Lima Filho se retirou de parceria com empresa detentora de contrato com a Eletronuclear após o escândalo de corrupção vir à tona. No mês passado, a Argeplan Engenharia, empresa que tem o amigo de Temer como um de seus acionistas, deixou de ser sócia do grupo europeu AF Consult, que obteve contrato de R$ 162 milhões para elaborar projeto para as obras da usina de Angra 3.

O negócio com a estatal, controlada pelo MDB, é investigado pela Polícia Federal na operação Skala, que prendeu Lima e outras pessoas ligadas ao presidente em 29 de março.

LIMA E TEMER – Os investigadores suspeitam que a empresa do coronel não tinha capacidade para realizar os serviços e que foi favorecida. Em depoimento, o empresário José Antunes Sobrinho, da Engevix, afirmou que a contratação só saiu devido ao vínculo entre Lima e Temer.

Um processo em curso no TCU (Tribunal de Contas da União) apura suspeitas de direcionamento da licitação. Um aditivo contratual de R$ 6,6 milhões foi considerado irregular pela corte. Os serviços estão suspensos.

O contrato foi firmado em 2012. Vencedora da concorrência aberta pela Eletronuclear, a AF Consult, com sede na Finlândia, montou uma empresa no Brasil em parceria com a Argeplan e a subcontratou para parte dos serviços.

CNPJ COMPRADO – Embora o contrato seja de 2012, a nova empresa começou a ser montada em 2009, dois anos antes de o edital de licitação definitivo ser lançado e o resultado da disputa, conhecido. Naquele ano, a AF Consult e a Argeplan passaram a ser sócias da Enprima do Brasil. O CNPJ da empresa, registrada em 2006, foi comprado de uma banca de advocacia.

Em 2012, as sócias mudaram a atividade fim e o nome da firma adquirida, que passou a se chamar AF Consult do Brasil. A Argeplan saiu da sociedade na AF do Brasil em 19 de março. A participação foi vendida à sócia europeia.

Dez dias depois, o coronel foi preso na Skala, desdobramento da operação Patmos, de maio do ano passado, da qual ele foi alvo. Lima ficou dois dias na carceragem da PF em São Paulo até ser liberado.

CRESCIMENTO – A PF sustenta que a Argeplan cresceu exponencialmente nos últimos anos, graças ao negócio com a Eletronuclear. Entre 2012 e 2016, o contrato rendeu R$ 55,2 milhões ao grupo AF Consult.

Os investigadores apuram se Lima bancou despesas da família de Temer no mesmo período, por meio da reforma da casa de uma das filhas do presidente, Maristela Temer, como mostrou reportagem da Folha.

Procurados, os advogados de Lima, Aline Duarte e Cristiano Benzota, afirmaram que ”as razões da saída da Argeplan da sociedade não têm, em absoluto, qualquer vinculação” com as investigações da PF. ”A empresa e seus sócios negam o cometimento de quaisquer irregularidades.”

SEM PAGAMENTOS – A AF Consult justificou que, como a Eletronuclear interrompeu pagamentos, a atividade da empresa no Brasil tem sido subsidiada pelas sócias. “As possibilidades financeiras da Argeplan eram limitadas e, portanto, sua participação estava prestes a ser diluída. A Argeplan decidiu vender as ações remanescentes.”

A AF informou que está no Brasil há cerca de 15 anos e que sua presença no país, “assim como suas parcerias”, objetivam expandir seu negócio e “não apenas de entrar na licitação de Angra 3”. A empresa negou influência de Temer no contrato da usina.

A Eletronuclear informou que a execução do contrato está suspensa desde agosto de 2016 e que o seu aditivo foi declarado nulo. A estatal explicou que foi aberto processo para rescindir a contratação.

Parlamentares cobram do Congresso as despesas em atos a favor de Lula

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para humberto costa

“Estava em atividade parlamentar”, diz Costa

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Parlamentares do PT e aliados repassaram ao Congresso Nacional despesas relacionadas à campanha do partido contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na Lava Jato. A reportagem encontrou na prestação de contas mensal de sete parlamentares gastos com deslocamentos e alimentação que somam R$ 3.769,45.

Os gastos foram registrados em São Bernardo do Campo (SP), onde Lula fez um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nos dias 5 e 6 de abril, após a ordem de prisão, e na região metropolitana de Curitiba, cidade onde o petista está preso desde o dia 7. Os valores podem aumentar, porque as bancadas têm 90 dias para enviar às respectivas casas legislativas documentos comprobatórios para pedir reembolso de despesas.

Há pagamentos de pedágio, abastecimento de veículos, táxi e Uber, passagens aéreas compradas às vésperas do voo, pão de queijo, refeições e lanches.

ATIVIDADES PARLAMENTARES – Entre 5 e 7 de abril, o senador Humberto Costa (PE) voou de Brasília para São Paulo e depois para o Recife. Os bilhetes custaram ao Senado R$ 1.463,78. Costa disse, via assessoria, que viajou a São Paulo “no exercício das suas atividades parlamentares” e “atendeu a uma convocação de reunião do comando do PT”, e usou a cota parlamentar para retornar a Pernambuco, seu Estado de origem.

A deputada Maria do Rosário (RS), que gastou R$ 135,36 em corridas de Uber entre São Paulo e São Bernardo nos dias 6 e 7, disse que “as ações e agendas exercidas pelo mandato estão voltadas ao exercício das atribuições políticas parlamentares, cumprindo rigorosamente princípios éticos e regimentais quanto ao uso de recursos da cota estipulada pela Câmara”.

O deputado Sibá Machado (AC) comprou uma passagem aérea no dia 7 por R$ 580,06 de São Paulo para Brasília. Na véspera, tomou um táxi do Aeroporto de Guarulhos até o sindicato no ABC por R$ 228,42. Seu colega de Casa Nelson Pellegrino (BA) comprou passagem de Salvador para São Paulo no dia 6 (R$ 348, 78) e gastou R$ 54,90 numa cafeteria do aeroporto. Machado e Pellegrino não responderam à reportagem até a conclusão desta edição.

ABASTECENDO -No dia 9, o deputado Paulo Teixeira (SP) gastou R$ 165,28 em táxis em Curitiba e São José dos Pinhais, onde fica o aeroporto Afonso Pena, e abasteceu o carro (R$ 140) em São Bernardo no dia 5. Sua assessoria disse que ele participou, no dia 5, de reunião da Executiva Nacional do PT e da bancada em São Bernardo e, no dia 9, esteve em Curitiba para reunião da Comissão Executiva Nacional do PT.

O deputado Vicente Cândido (SP) abasteceu o carro em São Bernardo por R$ 202,17 no dia 7 e, na véspera, pagou R$ 57 por um almoço na cidade. A assessoria confirmou que ele visitou Lula, entre outras atividades.

O gabinete do ex-presidente da Câmara Marco Maia (RS) gastou com combustível R$ 290,02 em São Paulo e R$ 68,40 com pedágios nos dias 6 e 7. Ele disse que foi à vigília convocada pelo PT no sindicato e enviou assessores de carro de Brasília para São Paulo – por isso o pagamento de pedágio e combustível.

SEM FISCALIZAÇÃO – Câmara e Senado não fiscalizam a aplicação da cota mensal dos parlamentares – cujos valores variam conforme o Estado de origem. Os comprovantes de despesas são verificados apenas na conformidade dos tipos de gastos previstos. Os deputados e senadores são responsáveis pela veracidade e por garantir que a aplicação seja ligada ao mandato, em compromissos políticos, funcionais ou de representação parlamentar. É proibido o uso da verba para fins eleitorais.

Para o economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, é discutível enquadrar como atividade parlamentar despesas com atos em defesa de Lula ou visitas ao petista na cadeia. “A verba é pública e tem que ser usada no exercício da atividade parlamentar”, disse. “As notas podem ser legítimas, o problema é a finalidade. Até que ponto os parlamentares estão dentro do exercício da atividade parlamentar quando estão indo visitar um condenado, cujo processo legal foi cumprido?

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Estes gastos foram só os aperitivos. Eles gastaram muito mais nas viagens para Curitiba, também custeadas com recursos públicos (leia-se: do povo). (C.N.)

Uma embolada de Sérgio Ricardo, nos tempos da censura militar

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cineasta, artista plástico, instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, que adotou o pseudônimo de Sérgio Ricardo, na letra da música “Vou Renovar” faz uma sátira à política então vigente no país, desde 1964, com a instauração da ditadura militar. A música faz parte do LP Sérgio Ricardo lançado, em 1973, pela Continental.

VOU RENOVAR
Sérgio Ricardo

Vou renovar
Sou um cantador da classe média
E trago por satisfação
Cantar para o ser humano
Que me ouve com atenção
Do que eu vejo todo dia
Faço verso e melodia
Pra poder ganhar meu pão

Vou renovar
Canto para a classe A
Canto para a classe B
Cantoria popular
Que não é A nem B
Cuja fonte está no povo
Onde eu vou buscar o novo
E aprender meu beabá

Vou renovar
Porque é que eu fui classificar
Já está dando uma embolada
Eu me embolei no A com B
Me embolei no B com A
Mas me diga onde é que está
A classe do A sem B

A classe do B sem A
Não me diga que ela é C
Porque C é “colunista”
E vai dar muito na vista
E os homens vão te apanhar

Vou renovar
No rompante da embolada
Deu-se a classificação
Mas vou me livrar do fato
Concluindo a falação
Pra ficar tudo onde está
Eu não me chamo Benedito
E fica o dito por não dito
E o dito por não falar

O povo cansou de FHC e Lula, por isso Bolsonaro lidera as pesquisas

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Charge: Lezio Junior (Arquivo Google)

Luiz R. Vilela

FHC, na minha visão, é o responsável direto por tudo isto que aconteceu no país, apos ter deixado o governo. Quando sugeriu que esquecessem tudo que escreveu e disse, já mostrava a verdadeira personalidade ou a falta dela. Foi o principal cabo eleitoral do Lula em 2002. Deixou o Serra pendurado no pincel, apostando que o Lula seria um desastre e ele, FHC, voltaria nos braços do povo. Deu tudo errado e foi jogado no ostracismo, onde ficou por anos, escondido por um PSDB envergonhado, que nunca defendeu o legado das suas administrações, principalmente as privatizações, cavalo de batalha do PT por mais de 15 anos.

FHC só voltou agora, porque o PT está em ruínas e não tem credibilidade para nada. Se petismo agora falar que as privatizações foram ruins, o povo logo imagina o contrário, o PT não toca mais no assunto.

ABRAÇO DE AFOGADO – Alguém precisa lembrar ao ex-presidente tucano que o PSDB também estó ruindo, e que vai morrer afogado junto e abraçado ao PT. Eu só iria ler um livro escrito por este cidadão, se fosse condição de não ir preso, caso contrário nem pensar. FHC é outra bananeira que já deu cacho, aqui no bananal.

O que se ouve e vê aí pelas ruas é que o povo está cansado deste modelo que passou a mandar no Brasil, após a tal redemocratização. Como o Bolsonaro, no imaginário popular, é o mais diferente de todos, a lógica é que os “mudancistas” vejam nele um novo caminho para o Brasil.

Quanto ao surgimento de outras candidaturas, que sobem e descem ao sabor dos interesses de grupos organizados e que têm apoio da mídia engajada, visa apenas tentar exorcizar o candidato mais forte e tentar frear a subida dele.

SEGUNDO TURNO – Chegando ao segundo turno, não tenho qualquer dúvida que o Bolsonaro sera o vencedor, pois é só pregar honestidade e dizer o que o eleitor há anos espera ouvir de um político, que fará um governo limpo e principalmente, dará forças às investigações, tratando de acabar com a corrupção na política.

A esquerda está “berrando mais do que bode embarcado”, mas não adianta, tiveram a chance de limpar o Brasil, não fizeram, trataram foi de se sujar também. Agora é tarde, tem que se conformar com que esta acontecendo.

Todas as pesquisas independentes e oficiosas dão largas margens de vantagem ao Bolsonaro. E como a voz do povo é a voz de Deus, não haverá pajelança que consiga mudar a situação, a não ser se a contagem de votos se tornar secreta, como ocorreu na eleição de Dilma Rousseff. É aí que vai morar o perigo.

Ser ou não ser? – o enigma mostra que Barbosa é, antes de tudo, um chato

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Imagem relacionada

Barbosa é imaturo e esnoba a política

Carlos Newton

Não há dúvida de que Joaquim Barbosa tem grandes possibilidades de chegar à Presidência da República. Ao contrário do que se costuma dizer, sua maior chance não surgiu em 2014, quando recusou a candidatura. Naquela época, ele teria de se defrontar com a enorme popularidade do ex-presidente da República Lula da Silva, que escolhia quem bem entendesse, conforme ficou provado em São Paulo na eleição do prefeito Fernando Haddad, em 2012, e depois na reeleição de Dilma Rousseff em 2014, contra um Aécio Neves ainda imaculado e turbinado pelo apoio de Marina Silva.

Se tivesse sido candidato na eleição passada, possivelmente Joaquim Barbosa seria derrotado ainda no primeiro turno. Mas quatro anos se passaram, Dilma e Aécio estão fora do baralho e Lula não é mais o mesmo e em 2016 não conseguiu reeleger Fernando Haddad, que nem chegou ao segundo turno em São Paulo.

CHEGOU A HORA – Quatro anos depois, os astros estão favoráveis à eleição de Barbosa. Tem um currículo admirável e baixa rejeição. Sua candidatura pelo PSB pode ganhar apoio de outros partidos, como o PPS, e ampliar seu espaço no horário gratuito. Além disso, tem condições de se tornar o primeiro presidente negro em um país em que a maioria da população é afrodescendente  – e não adianta citar Nilo Peçanha, pois ele jamais foi nem poderia ser considerado negro.

Pessoalmente, confesso que me sinto atraído para votar em Barbosa, porque está na hora de termos um presidente negro, especialmente quando se trata de um vencedor, que ultrapassou sozinho a barreira da pobreza e se transformou num cidadão verdadeiramente emérito, um orgulho da cidadania.

Mas é preciso reconhecer que o maior problema é o próprio Joaquim Barbosa. Eu votaria, sem titubear, no geógrafo Milton Santos, orgulho da brasilidade, mas tenho dúvidas em relação a Barbosa.

HAMLETIANO – Ao invés de já estar detonando sua campanha e percorrendo o Brasil, para dizer as verdades que todos precisam ouvir, Joaquim Barbosa refuga no “ser ou não ser”, fica hamletianamente indeciso, não assume a liderança que está vaga, o cavalo presidencial passa encilhado e ele não monta…

Na quinta-feira, dia 19, ao chegar para mais uma reunião com a cúpula do PSB, Barbosa foi abordado pela secretária nacional do movimento Negritude Socialista Brasileira, Valneide Nascimento, que queria lhe apresentar um “material feito em sua homenagem”. Mas ele, infantilmente, a ignorou. “Tenho um horário”, alegou em um tom formal e entrou no prédio.

Qualquer político teria beijado a militante, recebido o material e agradecido, mas Barbosa parece superior, não gosta de se misturar com a plebe.

SEM VALIDADE – Com essa falta de jogo de cintura, Barbosa pode até atingir a Presidência, mas será um desastre pior do que Dilma Rousseff. Seu prazo de validade acabará rapidamente, o Congresso lhe voltará as costas, ele ficará falando sozinho, esta é a realidade que ameaça qualquer ídolo messiânico e também serve para definir os riscos da eleição de Jair Bolsonaro.

Seja quem for, o futuro presidente precisa ter diálogo com o Legislativo e o Judiciário. É obrigatório respeitar as regras democráticas, apresentar uma plataforma de governo que funcione na prática. Por enquanto, isso não existe. Só saberemos o que pretende cada candidato quando começar a campanha. Aí poderemos escolher o menos enganador.

###
P.S.Ontem, escrevi aqui sobre meu amigo Nelson Pereira dos Santos e esqueci de dizer que ele era marxista, como eu. Foi na sede da empresa dele, a Regina Filmes, que fiquei sabendo do lançamento  da revista “Novos Rumos”, editada pelo PCB na década de 80, quando a ditadura se esvaia. Agora, Nelson vai se encontrar com nossos amigos João Saldanha, Ferreira Gullar, Ivan Alves, Oscar Niemeyer e tantos outros que sonhavam com um mundo melhor. E eu estou ficando cada vez mais sozinho. (C.N.) 

Estratégia vitoriosa de Bolsonaro só está valendo para o primeiro turno

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para bolsonaro charges

Charge do Thomate (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Rodrigo Rangel, Gabriel Castro e Marcela Matos, na Revista Veja que está nas bancas, focaliza nitidamente a estratégia organizada no twitter e em outras redes sociais em favor da candidatura de Jair Bolsonaro. Essa organização, que vem funcionando há mais de dois anos, consiste basicamente na ocupação de espaços elogiosos ao seu desempenho político, com grande frequência e entusiasmo. Os repórteres reuniram 10 exemplos de twitters, liderados por um conjunto de pessoas fisicas, todas voltadas em favor de seu nome e destacando suas qualidades. O projeto foi bem elaborado para dar ideia de que as manifestações são espontâneas.

A revista Veja contratou a Agência Exata, especialista em comunicação digital para analisar tanto o fenômeno quanto o processo.

TRABALHO BEM FEITO – A Exata chegou à conclusão de que as postagens se destinavam a influenciar o jogo político, uma vez que 70% das mensagens estavam voltadas para o único objetivo de proporcionar destaque a Bolsonaro, na medida em que exaltavam o caráter positivo de sua atuação.

A estratégia digital no apoio ao candidato do PSL revelou-se eficiente. Mas ela representa apenas uma fração do eleitorado: seu êxito nas urnas de outubro reside mais no mundo real das vontades do que no universo restrito aos seus adeptos.

A Veja relacionou 10 nomes que seriam os generais da campanha de Bolsonaro nas redes sociais, principalmente no twitter, embora Bolsonaro esteja presente também, ao que tudo indica, da mesma forma no Facebook.

Rodrigo Rangel, Gabriel Castro e Marcela Matos concluem ser esta a razão que mantém Jair Bolsonaro na liderança da pesquisa do Datafolha considerando-se o cenário sem Lula.

NA LIDERANÇA – Afastado o ex-presidente Lula em outras simulações, todas elas tem Bolsonaro liderando com 17%, seguido por Marina Silva 15%, vindo a seguir Ciro Gomes e Joaquim Barbosa com 9 pontos cada um. Entretanto, projetada a simulação para o segundo turno, Bolsonaro perde para Marina, Ciro Gomes e fica um ponto atrás de Geraldo Alckmin que registra 33%. O Datafolha não considerou o desfecho final se no segundo turno estiverem ele, Bolsonaro, e Joaquim Barbosa.

Em síntese, verifica-se, na minha opinião, o seguinte: pelo quadro atual Bolsonaro encontra-se com o passaporte carimbado para o segundo turno, marcado para 28 de outubro. Isso porque encontra-se à frente dos principais rivais.

ENFRAQUECIMENTO – Porém, no segundo turno sua posição sofre enfraquecimento. Tanto assim que fica atrás de Marina Silva e os principais adversários. Isso, repito, com base no quadro de hoje. Mas como a política é mutável rapidamente, pode se admitir que amanhã, por exemplo, verifique-se um crescimento menos visível de algum ou de alguns candidatos. Portanto, temos de esperar novos encadeamentos para opinar objetivamente sobre o processo global em torno da sucessão do presidente Michel Temer.

A situação de Geraldo Alckmin, para citar um exemplo, passou a ser mais vulnerável do que era até esta semana. Não só pela ação investigatória do Ministério Público, como também em consequência do desabamento da imagem pública do Senador Aécio Neves, com reflexo no PSDB. Os principais redutos tucanos, São Paulo e Minas Gerais, também os dois principais colégios de votos no país, foram atingidos em cheio por uma série de novas denúncias.

A partir daí o panorama pode sofrer modificações de porte. Não quanto a Bolsonaro, mas também em relação aos principais opositores do atual presidente da República. Isso porque explode uma possível aliança entre o Palácio do Planalto e o Palácio dos Bandeirantes. No meio do embate, como sempre, situa-se o eleitorado do país. Que vai às urnas em outubro, no dia 7 e depois no dia 28.

Nova denúncia da Andrade Gutierrez complica a situação de Aécio Neves

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para aecio neves charges

Charge do Kacio (kacio.art.com)

Vladimir Netto
TV Globo, Brasília

Um dos donos da construtora Andrade Gutierrez, o empresário Sérgio Andrade, disse nesta semana em depoimento à Polícia Federal que repassou R$ 35 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB). Segundo informou o jornal “O Globo”, Sérgio Andrade afirmou que o contrato firmado em 2010 entre a construtora e uma empresa de um amigo de Aécio tinha como objetivo fazer com que o dinheiro chegasse ao senador.

O empresário foi ouvido no inquérito que apura se Aécio recebeu propina das construtoras Andrade Gutierrez e Odebrecht para beneficar as empresas na construção da usina de Santo Antonio, no Rio Madeira, em Rondônia. Outros executivos da Andrade Gutierrez também podem ser chamados a depor.

PEDIDO DE PROPINA – Aécio disse que as doações da Andrade Gutiérrez e da Odebrecht, foram declaradas à Justiça Eleitoral e que ele não teve participação no leilão e nas obras da usina de Santo Antônio. No entanto, de acordo com as investigações, as empresas sabiam que existia um pedido de propina para Aécio Neves relacionado a essa obra.

No depoimento, Sérgio Andrade disse que o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht avisou a ele que Aécio Neves o procuraria para confirmar os pagamentos. E que Aécio realmente entrou em contato.

De acordo com o depoimento, os pagamentos ao senador foram feitos com base em um contrato fraudulento de R$ 35 milhões assinado em 2010 com a empresa de Alexandre Accioly, amigo de Aécio.

MINORITÁRIA – Accioly disse que a Andrade Gutierrez tem participação minoritária em sua empresa, que, segundo afirmou, jamais distribuiu dividendos porque os resultados continuam sendo investidos na companhia.

A Andrade Gutierrez não quis comentar sob o argumento de que a investigação está sob sigilo. A Odebrecht disse que já reconheceu seus erros e que está colaborando com a Justiça.

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal transformou Aécio Neves em réu por corrupção passiva e obstrução de Justiça. Ele foi acusado em denúncia da Procuradoria Geral da República de pedir propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, em troca de favores políticos e de tentar atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato.

Joesley denuncia – O empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, também prestou depoimento nesta semana e disse ter repassado R$ 110 milhões ao senador tucano em 2014 como forma de garantir o apoio dele no futuro.

O pagamento teria sido dividido entre os partidos que apoiavam o candidato na campanha eleitoral. Joesley detalhou como foram feitos os repasses, que no total somaram R$ 110 milhões: R$ 64,6 milhões para o PSDB; R$ 20 milhões para o PTB; R$ 15 milhões para o Solidariedade e R$ 10,3 milhões a diversos candidatos e partidos.

Joesley Batista disse que os valores pagos a PTB, Solidariedade e candidatos diversos eram para comprar o apoio político à campanha presidencial de Aécio Neves. O empresário contou ainda que mesmo após o acerto dos R$ 110 milhões foi procurado novamente por Aécio, que pediu mais R$ 18 milhões – a eleição já tinha acabado. Segundo Joesley Batista, Aécio precisava do dinheiro para cobrir dívidas de campanha. Para mascarar a transação, eles discutiram, de acordo com o empresário, a compra de um prédio em Belo Horizonte.

Mais um se vai sem avisar – Nelson Pereira dos Santos, o grande cineasta

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
O cineasta Nelson Pereira dos Santos

Nélson Pereira, mais um imortal que nos deixa

Deu no Estadão

Morreu neste sábado, dia 21, aos 89 anos, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos nomes importantes do Cinema Novo. Ele estava internado havia uma semana no Hospital Samaritano, na zona sul da cidade. Às 17 horas, a família confirmou a morte, em consequência de um câncer de fígado diagnosticado há 40 dias.

Diretor de filmes fundamentais da história do cinema brasileiro, como Rio, 40 graus (1955) e Vidas secas (1963), ele realizou os últimos longas em 2012, os documentários musicais A música segundo Tom Jobim e A luz do Tom. Além de dirigir, era também roteirista de seus filmes.

“Ele estava ótimo, não estava doente. Foi internado com uma pneumonia, na semana passada, que cedeu. Estava lúcido, mas cansado. Morreu sem dor, uma morte tranquila, com toda a família reunida”, disse a publicitária Mila Chaseliov, sua neta.

VOVÔ NELSON – O cineasta teve quatro filhos e cinco netos. “Foi um avô muito presente. A gente tinha muitas discussões intelectuais. Foi quem me ensinou a tomar uísque, num show, aos 19 anos. Eu me senti muita adulta na hora”, contou.

O cineasta participou da formação intelectual de netos, lembrou Mila. “Eu descobri como ele era importante ainda na escola. Todo mundo que eu encontro, quando descobre que sou neta do Nelson, fala do quanto ele é incrível.”

Em 2006, Nelson foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na sucessão do diplomata Sergio Corrêa da Costa. Passou a frequentar a Casa de Machado com assiduidade. Atuava na programação cultural da instituição.

JORNALISTA – Nelson nasceu dia 22 de outubro de 1928, em São Paulo. Formou-se advogado em 1952. A partir dos anos 1940, trabalhou como revisor e repórter de jornais como o “Diário da Noite” e “O Tempo”, em São Paulo.

Nos anos 1950, no Rio, trabalhou também no “Diário Carioca” e no “Jornal do Brasil”. Mais tarde, seria professor da Universidade Federal Fluminense, de cujo curso de graduação em cinema foi fundador.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Depois de Carlos Heitor Cony, mais um amigo imortal que se vai, deixando um vazio em nossa vida. Trabalhei com Nelson num grupo que tinha a atriz Maria do Rosário Nascimento Silva, ex-mulher de Walter Clark, nossa grande amiga, que gostava de passar fins de semana em Maricá, com a belíssima filha Eduarda. Depois do trabalho, tinha um concorrido happy hour com Nelson no bar do Hotel Marialva. O apelido dele era “Japon”, por causa os olhos semicerrados. Todos já se foram, menos a Eduarda, que chamávamos de Duda. Na Academia, ainda restam os amigos Merval Pereira, Arnaldo Niskier, Murilo Mello Filho, Paulo Coelho e Cícero Sandroni, que espero serem imortais de verdade e não nos deixem, de forma alguma. E quem devia ir para a cadeira de Nelson na ABL era o Ruy Castro, o príncipe da ironia literária e um conhecedor de cinema como poucos. (C.N.)

Fora do governo, o insaciável Cabral cobrava propina do seu “legado olímpico”

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para legado olimpico  charges

Change do Son Salvador (Arquivo Google)

Danilo Vieira e Arthur Guimarães
GloboNews e TV Globo

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) quis receber propina mesmo depois de deixar o governo. A declaração foi dada por seu operador Carlos Miranda, em delação premiada registrada pelo Ministério Público Federal (MPF) e obtida com exclusividade pela TV Globo.

Miranda foi assessor parlamentar de Cabral por mais de 10 anos e era o “homem da mala” do ex-governador, até assinar um termo de delação premiada. Segundo ele, Cabral procurou o empresário Marco Antonio de Luca para pedir o pagamento de propina mesmo após o mandato — do qual renunciou para seu vice, Luiz Fernando Pezão (MDB), assumir.

LEGADO OLÍMPICO – Em troca da propina, Cabral indicou De Luca como fornecedor do comitê da Olimpíada Rio-2016. Marco Antonio de Luca é alvo da operação Ratattouille, desdobramento da Lava-Jato no Rio, na qual chegou a ser preso.

“Nos últimos 2 anos, 2015 e 2016, o valor era em torno de 300 a 400 mil reais por mês de propina. (…) O Sérgio Cabral me disse que, logo após a eleição do governo, ele contava com o De Luca pra receber propina. E disse que uma das formas que teve para ajudar o De Luca a ter recursos para repassar pro Sérgio, foi indicar o De Luca pra algum serviço na Rio-2016. Não sei qual é o serviço, mas o Sérgio me disse que conseguiu colocar ele pra alguma coisa da olimpíada”, diz Miranda.

O MPF afirma que empresas ligadas ao empresário firmaram ao menos seis contratos com a Rio-2016. O faturamento do empresário multiplicou com a chegada de Cabral ao poder.

NOVOS NEGÓCIOS – “Quando o Sérgio saiu do governo, em março de 2014, é o seguinte. Ele falou ‘Marco, preciso que você continue me pagando propina. O valor aproximado era de acordo com os contratos que voce tinha’ A contribuição era direta. Foi feito um valor aproximado em cima dos contratos”, concluiu Miranda.

Segundo o “homem da mala” de Cabral, o pagamento foi feito para fortalecer o faturamento do empresário e abrir oportunidade para novos negócios.

Miranda diz também que houve um acordo fechado entre o governo e as grandes empreiteiras para realizar obras. “No caso da Odebrecht foi estipulado o valor de R$ 1 milhão. Então a Odebrecht pagou mesada de R$ 1 milhão, adiantando o valor da propina que ela ia pagar em cima do faturamento que ela ia ter com as obras no estado.”

AMIGO DE INFÂNCIA – Em dezembro do ano passado, Carlos Miranda prestou o primeiro depoimento na condição de delator. Amigo de infância de Sérgio Cabral, Miranda chegou a ser o homem da mala, quem levava o dinheiro da propina do ex-governador – e depois passou a ser uma espécie de administrador da vida financeira dele Cabral. A delação dele é tida pelos procuradores da força tarefa da Lava Jato como de extrema importância para as investigações.

No termo, depois de Carlos Miranda contar detalhes sobre como funcionava o esquema chefiado por Sérgio Cabral, o Ministério Público Federal propôs a substituição da pena máxima prevista – que era de 20 anos de prisão – por dois anos de regime fechado. Ou seja, como foi preso no fim de 2016, Carlos Miranda deve deixar a cadeia em novembro deste ano – pra cumprir mais 2 anos em regime domiciliar fechado. Depois, o regime passa para o semiaberto diferenciado e em seguida, aberto diferenciado. Sempre monitorado por tornozeleira eletrônica.

Tempos estranhos, em que as leis são manipuladas no próprio Supremo

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para demostenes torres

Inocentado, Demóstenes abre caminho a Lula

Merval Pereira
O Globo

Estamos vivendo tempos estranhos, vive repetindo o ministro Marco Aurélio, em tom crítico, quando alguma coisa acontece no plenário do Supremo com que ele não concorde. Os ministros que formam hoje a minoria no plenário fazem parte da maioria da Segunda Turma, que é vista como mais condescendente com os réus da Lava Jato, e Marco Aurélio, que comunga com a visão dessa maioria, está deslocado na Primeira Turma, quase sempre saindo derrotado.

Foi na Segunda Turma, por exemplo, que a Lei da Ficha Limpa foi solenemente ignorada para permitir que o ex-senador Demóstenes Torres possa se candidatar ao Senado nas próximas eleições. Cassado por seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-senador está inelegível automaticamente, e no entanto os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowisk e Gilmar Mendes deram-lhe o direito de concorrer sem que a cassação de seu mandato tenha sido anulada pelo Senado.

INELEGÍVEIS – Só assim, em tempos menos estranhos, ele poderia se livrar da Lei da Ficha Limpa que diz expressamente que políticos condenados em segunda instância ou cassados tornam-se inelegíveis. Se três ministros do Supremo se dão ao direito de ignorar uma lei em vigor, vivemos mesmo em tempos estranhos.

O ministro Lewandowisk manteve o tom crítico em seu voto em reunião recente do Supremo ao defender o direito de Paulo Maluf aos embargos infringentes, mas acabou sendo derrotado. Insinuou que o país vive um momento de exceção, como se não estivéssemos numa democracia plena.

Disse o ministro: “Em momentos de crise, como este que estamos vivendo, é preciso encarar com uma generosidade ainda maior do que normalmente o fazemos a possibilidade de interposição de recursos e a impetração de habeas corpus. Todos sabemos que acabamos de sair de um impeachment e estamos testemunhando uma intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, uma das maiores unidades de nossa federação, e a intervenção federal é um instrumento constitucional que permite a substituição da legalidade ordinária por uma legalidade extraordinária assim como ocorre no Estado de Defesa e no Estado de Sítio. É por isso mesmo que a lei maior não permite a votação de emendas constitucionais quando estejam vigentes estes institutos. Estamos, portanto, vivendo sem dúvida nenhuma uma situação excepcional”.

SÓ NA SEGURANÇA – Lewandowisk propositalmente esqueceu de esclarecer que a intervenção federal foi na segurança pública, e não se compara ao Estado de Defesa ou ao Estado de Sítio, que suspendem as garantias individuais, o que não acontece no Rio de Janeiro. O mesmo Lewandowisk se refere ao impeachment da então presidente Dilma, episódio em que teve papel preponderante como presidente do Supremo Tribunal Federal, supervisionando os trabalhos do Senado.

E foi com seu consentimento que se rasgou ali a Constituição com uma interpretação esdrúxula do artigo que trata do impeachment, inventando uma vírgula para permitir que a presidente sancionada não perdesse seus direitos políticos. Uma das mais vergonhosas decisões dos últimos tempos, com a chancela de Lewandowisk, que agora dá tons épicos à defesa dos embargos infringentes com apenas um voto da Turma, na tentativa de abrir uma fenda sem fim para que, recursos sobre recursos, os réus da Lava Jato possam escapar das punições.

LULA CANDIDATO – A interpretação canhestra da Lei da Ficha Limpa pode ser uma nova tentativa de não inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula à presidência. A defesa do ex-presidente terá que entrar brevemente com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar anular sua inelegibilidade, o que dificilmente acontecerá.

Pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem adotado a Lei da Ficha Limpa, ele provavelmente não passará. Mas sempre restará um recurso adicional ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ali veremos se a interpretação teratológica que deu ao senador Demóstenes Torres o direito de se candidatar mesmo estando cassado terá guarida na maioria do plenário.

Parlamentares do PT se revezam para manter acampamento em Curitiba

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Imagem relacionada

Boff e Adolfo Esquivel tentaram visitar Lula

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Com a impossibilidade de visitarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, parlamentares aliados se revezam para ir a Curitiba e evitar que a “vigília” em apoio ao petista se esvazie. Além disso, o PT organiza programações culturais para tentar manter as atividades diárias em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense, onde o ex-presidente cumpre pena desde o último dia 7 de abril.

Nesta sexta-feira, 20/4, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o ex-ministro Aloísio Mercadante estiveram no local durante a manhã. Os discursos dos petistas insistem na manutenção da pré-candidatura de Lula à Presidência da República, mesmo preso, e defendem a liberdade do ex-presidente, condenado na Operação Lava Jato.

RESISTÊNCIA – “A hora agora é de resistência, eles acham que vão nos ganhar no cansaço, criam todo tipo de dificuldade, mas esse acampamento aqui é uma semente da resistência”, afirmou Pimenta, em discurso para os apoiadores.

Nas redes sociais, o PT divulga vídeos insistindo que a vigília seja mantida enquanto Lula estiver preso. “Nós só saímos da rua com o Lula junto conosco. Liberem o Lula que nós vamos embora”, disse Pimenta. “Lutar pela liberdade de Lula é fundamental, toda militância nossa tem que estar aqui”, declarou Mercadante.

Na tarde desta sexta, os deputados federais do Paraná Enio Verri e Zeca Dirceu visitariam o local onde estão os manifestantes. O grupo convocou ainda um ato com acendimento de luzes de velas e celulares para 18h30. Para sábado, o PT anunciou a presença da filósofa Marcia Tiburi, recém filiada ao partido no Rio de Janeiro, e uma “caravana feminista” em Curitiba.

GRITAM “BOM DIA” – Há um acampamento montado para que os manifestantes passem a noite, a cerca de um quilômetro do prédio da PF. Todos os dias, os protestantes vão à região perto do cordão de isolamento do prédio para gritar “bom dia” ao ex-presidente e promovem atividades durante o dia. Além dos discursos políticos, há rodas de músicas e outras programações, que passam por partidas de futebol, como na tarde desta sexta, e até aulas de ioga e meditação, ocorridas na quinta-feira, 19/4.

O ex-presidente, a princípio, só está autorizado a receber visitas de advogados no dia a dia e de familiares em dias determinados, assim como os outros detentos. Aliados alegam que Lula merece um tratamento diferenciado porque seria um “preso político”. A juíza da Vara de Execuções Penais Carolina Moura Lebbos tem negado que outras pessoas entrem na sala especial onde o petista está preso.

AUTORIZAÇÃO – Na última terça-feira, 17/4, 11 senadores da Comissão de Direitos Humanos do Senado – todos aliados ao petista – visitaram Lula após terem informado à juíza que fariam uma “vistoria” no local. A magistrada autorizou a inspeção. Na Câmara, uma comissão externa da Casa anunciou que outra vistoria será feita na próxima terça-feira, 24/4. Ainda não houve manifestação judicial sobre o ato. A Comissão de Direitos Humanos e Minorias também aprovou uma visita ampla ao ex-presidente, ainda sem data agendada.

Nesta quinta-feira, 19/4, o ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1980, e o teólogo Leonardo Boff, amigo do ex-presidente, também tentaram visitá-lo, mas foram barrados no prédio da Polícia Federal. O PT publicou fotos de Boff, que tem 79 anos, sentado em uma cadeira de plástico aguardando autorização em frente à guarita da Superintendência da PF.

Aproximação de Temer a Doria mostra a baixeza que hoje reina na política

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para temer e doria

Temer e Alckmin: aliança altamente espúria

Marcelo Osakabe e Daniel Weterman
Estadão

O ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), se encontrou com o presidente Michel Temer em São Paulo na tarde desta sexta-feira, 20,  para discutir o cenário eleitoral nacional e de São Paulo, onde Doria é pré-candidato e pode enfrentar o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, do MDB, mesmo partido do presidente.

Questionado se veio pedir apoio de Temer para uma aliança dos dois partidos no Estado, Doria disse apenas que veio solicitar “uma boa conversa” e que o diálogo “evolui positivamente”. “Skaf segue sua candidatura assim como nós a nossa. Mas sempre com o interesse de, mais à frente e quem sabe, construir candidatura de coalizão, somando forças pelo bem de São Paulo e do Brasil”, afirmou.

POSSÍVEL ALIANÇA – Segundo uma fonte ligada à campanha de Doria disse ao Estadão/Broadcast, o ex-prefeito foi conversar com Temer sobre uma possível aliança com o MDB na eleição estadual.

“As portas estão abertas para uma coligação. A tentativa acontece porque Temer é muito simpático a uma candidatura de Doria”, disse um dos integrantes da pré-campanha do PSDB. “Ele [Doria] espera uma sinalização do MDB nacional para convencer o partido no Estado a formar uma aliança”, comentou a fonte.

Doria e Skaf lideram a disputa em São Paulo, segundo última pesquisa Datafolha, com 29% e 20% das intenções de voto, respectivamente. Os dois também são líderes em rejeição, com 33% e 34%.

ANUÊNCIA – Segundo disseram ao Estadão/Broadcast fontes ligadas à campanha do tucano, o ex-prefeito gostaria que Temer desse anuência para que o PSDB continue tentando convencer o diretório estadual a aceitar uma aliança.

Na quinta, Skaf comunicou à coordenação da campanha de Doria que mantém a candidatura e que descarta, no momento, uma aliança. Os tucanos ofereceram uma das vagas ao Senado para o MDB, mas Skaf estaria resistente porque acredita na possibilidade de um bom desempenho este ano.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A que ponto chegamos… Em tradução simultânea, Doria trai Alckmin para apoiar Temer, que então trai Skaf e apoia Doria em São Paulo. Na ânsia de se reeleger, o presidente da República não se envergonha de fazer entendimentos com políticos de outros partidos que já têm candidatos, como o PSDB. E o pior é que o tucano João Doria agendou a reunião, traindo o ex-amigo e padrinho Geraldo Alckmin, que lutou muito e se desgastou para colocá-lo na política como candidato à Prefeitura. Traduzindo: a desfaçatez reina na política brasileira, em aliança com a falta de caráter e a indignidade. (C.N.)

Condenação do TRF-4 já foi publicada e Dirceu tem 12 dias para recorrer

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+
Resultado de imagem para dirceu

Dirceu acaba de fazer plástica nas pálpebras

Por G1 RS

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre, publicou no fim da tarde desta sexta-feira (20) a íntegra da decisão, chamada de acórdão, do julgamento dos embargos infringentes do ex-ministro José Dirceu, por um esquema de irregularidades na Diretoria de Serviços da Petrobras. Na quinta-feira (19), os desembargadores da 4ª Seção do Tribunal negaram o recurso e mantiveram o primeiro resultado, que aumentou a pena de Dirceu para 30 anos e 9 meses de prisão por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Com a publicação do acórdão, a defesa tem 10 dias corridos mais dois dias – que não podem cair em fim de semana e feriado – para apresentar o recurso de embargos de declaração sobre os embargos infringentes, que pode ou não ser aceito. O prazo começa a contar a partir da intimação do réu, que ocorreu na noite desta sexta. Sendo assim, os advogados do ex-ministro têm até o dia 2 de maio para entrar com o novo recurso.

CUMPRIMENTO DA PENA – O documento também determina que a execução da pena deve ocorrer após o esgotamento dos recursos em segunda instância. “Após o julgamento dos embargos de declaração, iniciar-se-à a execução provisória da pena”, determinou a desembargadora federal Cláudia Cristofani, relatora dos processos da Lava Jato na 4ª Seção.

No acórdão publicado nesta sexta, consta que os embargos infringentes foram reconhecidos parcialmente, o que significa que a relatora do processo optou por analisar apenas uma parte do pedido da defesa, e dentre aquilo que foi julgado os votos foram todos negativos aos pedidos de Dirceu. (Leia a íntegra do acórdão abaixo)

O julgamento dos embargos infringentes foi realizado na quinta, pela 4ª Seção do TRF-4, que une os desembargadores da 7ª e da 8ª Turmas. A decisão negativa foi unânime, tomada pela desembargadora federal Cláudia Cristofani, e acompanhada integralmente pelos desembargadores Leandro Paulsen, Salise Sanchotene, Victor Laus, Márcio Rocha, além do juiz federal Nivaldo Brunoni, que substitui o desembargador João Pedro Gebran Neto, que está de férias.

PRISÃO APÓS RECURSOS – Por decisão do próprio TRF-4, Dirceu pode ser preso assim que acabarem os recursos no Tribunal Federal.

A defesa solicitava o recálculo da pena, alegando que deveria ser desconsiderada a questão dos antecedentes do ex-ministro. Também pedia que a reparação do dano, ou seja, a multa a ser paga pelo réu, fosse deliberada pela 12ª Vara de Execução, em Curitiba, que é o órgão de execução penal, e não pelo TRF-4. Todos os pedidos foram negados.

O ex-ministro foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão pela 13ª Vara Criminal de Curitiba. Na segunda instância, a pena foi aumentada em quase 10 anos, atingindo 30 anos, 9 meses e 11 dias – a segunda mais alta dentro da Operação Lava Jato até o momento. A primeira é a que foi aplicada ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque: 43 anos de prisão.

LIMINAR NEGADA – Na quarta-feira (18), o ministro do STF Dias Toffoli negou liminar em que defesa de José Dirceu solicitava que ele não voltasse para a prisão mesmo após concluídos os recursos.

Em sua decisão, Toffoli afirmou que não poderia decidir sobre esse pedido sozinho e encaminhou a decisão final à Segunda Turma, composta por cinco ministros, que deverá analisar a matéria.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sozinho, Toffoli liberou os moribundos Paulo Maluf e Jorge Picciani para agonizarem no recesso do lar. No caso de Dirceu, que fez plástica nas pálpebras semana passada, para levantar o visual, não há como alegar doença e Toffoli passou a responsabilidade para a Segunda Turma, onde está tudo dominado porRicardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o próprio Toffoli, que dão surras seguidas no solitário e correto Edson Fachin. Quanto a Dirceu, pode ficar tranqüilo e marcar logo a plástica no pescoço, para esticar a papada, como se diz no Nordeste. (C.N.)