Procuradoria repudia assassinatos de sem-terra e considera ‘contexto sombrio’

Trabalhadores sem-terra ocuparam Ministério da Fazenda nessa terça (23) reivindicando o debate sobre a reforma agrária e o refinanciamento do crédito rural para pequenos produtores

Os dois militantes foram executados durante o jantar 

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou nota em conjunto com outros dois órgãos do Ministério Público Federal em que repudia os assassinatos de dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocorridos na noite de 8 de dezembro em Alhandra, na Paraíba. Para os órgãos, as mortes preocupam pelo atual “contexto sombrio de violência contra os movimentos sociais” no País.

A Polícia Civil trata o caso como execução. De acordo com testemunhas, criminosos encapuzados invadiram o acampamento Dom José Maria Pires e assassinaram Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva, conhecido como Orlando, que estavam jantando, a tiros.

TAMBÉM O IRMÃO – A PGR afirma que Orlando era irmão de Odilon da Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), também assassinado, há nove anos, na Paraíba. Ambos eram irmãos de Osvaldo Bernardo, atual líder do MAB.

“Agora, quando se comemora dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mais um irmão de Osvaldo é assassinado, fato que preocupa diante do contexto sombrio de violência contra os movimentos sociais e demonstra quão distante ainda estamos da efetivação dos direitos garantidos pela Declaração” – diz a nota da PGR.

Também assinam a nota a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba (PRDC/PB). Os órgãos prometem “compromisso com a proteção dos direitos humanos dos assentados” e afirmam que ajudarão os órgãos de investigação para que “a autoria do duplo assassinato seja esclarecida e os responsáveis punidos conforme a lei”.

Enquanto o ex-assessor não se explica, as especulações aumentam sem parar

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O ex-assessor precisa se explicar, o mais rápido possível

Felipe Moura Brasil
No Facebook

Prevalece no debate público brasileiro a preocupação de cada debatedor em ser o maior opositor ou defensor de um político, juiz, grupo ou corrente ideológica, e não a análise dos fatos disponíveis até cada momento e dos limites do que se pode concluir a partir deles, enquanto fatos novos ou ocultos não vêm à tona.

Que a militância dos partidos atue assim, dentro dos limites da lei, é do jogo. Mas a transformação da atividade jornalística e intelectual em megafone de interesses partidários, quando não de ranços e recalques pessoais, resultou nessa ‘futebolização’ do debate, onde se faz vista grossa para imoralidades ou ilegalidades cometidas por gente do seu “lado”, enquanto se acusa gente do outro de barbaridades sem indícios suficientes.

SEM INDÍCIOS – Nunca houve fatos disponíveis que permitissem a conclusão de que Jair Bolsonaro é um nazista (que dirá Hitler, que comandou o extermínio de milhões de judeus), como setores da imprensa e demais militantes pintavam o deputado; nem indícios suficientes para a conclusão de que havia cometido qualquer crime de corrupção, mesmo após toda a devassa feita na vida do líder constante das pesquisas que acabou eleito presidente.

Tampouco faltou, decerto, motivos para notar que Bolsonaro, como escrevi em 9 de agosto, não é a encarnação perfeita do conservadorismo, e que também, como ele próprio havia dito, não é santo.

O EX-ASSESSOR – Para as arquibancadas estremecerem, no entanto, bastou vir à tona um fato oculto e até o momento mal explicado sobre a identificação pelo Coaf de movimentação bancária – não exatamente dinheiro em conta – de 1 milhão e 200 mil reais de um ex-assessor de seu filho Flávio, o PM Fabrício Queiroz, que assinou um cheque de 24 mil reais para a futura primeira-dama Michelle, agora atribuído pelo presidente eleito, sem maiores detalhes, ao pagamento de uma “dívida pessoal” de Queiroz com ele – Bolsonaro -, que contou ainda ter feito o depósito na conta da esposa por “questão de mobilidade”, já que tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

De um lado, no debate público, já começou a sessão “eu avisei”, na qual todas as análises erradas sobre o resultado da eleição e as rotulações descabidas feitas durante a corrida eleitoral supostamente se justificam a posteriori em razão do fato oculto revelado e ainda não esclarecido que nenhuma delas tinha levado em consideração.

PROIBIDO CRITICAR – De outro lado, com variações de grau, mas certamente em menor escala que a dos petistas quando alvos de investigação, já se recrimina na internet qualquer jornalista que, sem cravar conclusões antes da hora, divulga e apura as informações relativas ao caso, cobrando explicações de Jair, Michelle e Flávio, de quem, aliás, oito assessores fizeram depósitos na conta de Queiroz.

Neste domingo, Jair Bolsonaro disse que o ex-assessor do filho “tem que explicar” e, referindo-se a qualquer irregularidade, que “pode ser, pode não ser”. O presidente eleito ressaltou que as movimentações mais altas aconteceram com a mulher e as duas filhas de Queiroz, e sugeriu que os valores transferidos pelos demais assessores foram baixos:

“Um ao longo de um ano transferiu 800 reais, o outro transferiu 1.500 reais, poxa.”

EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL – Já Flávio Bolsonaro disse que falou com Queiroz e ouviu uma explicação plausível, mas que o ex-assessor terá de convencer não ele, mas o Ministério Público quando for chamado a depor.

Enquanto Queiroz não traz à tona sua explicação, as especulações sobre o caso obscuro ecoam aos quatro ventos. Na hipótese mais comprometedora para Jair Bolsonaro, ele teria comandado e se beneficiado para despesas pessoais de um esquema ilícito de coleta de taxas dos salários dos empregados em gabinetes de membros da família. As variações dessa hipótese, descendo em escala de comprometimento, seriam Flávio comandar o esquema sem conhecimento do pai, ou Queiroz comandá-lo sem conhecimento de Flávio nem de Jair.

Até o momento, apesar da margem para desconfianças, não é possível cravar qualquer conclusão. A não ser as de sempre: que todo culpado de ilicitude deve ser punido, seja quem for; e que a revelação de fatos ocultos não consagra a histeria, nem redime erros passados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente artigo do Felipe Moura Brasil, enviado pelo advogado João Amaury Belem. Realmente, o sumiço do subtenente Queiroz está cheirando muito mal. Esse pilantra precisa apresentar a “explicação plausível” o mais rápido possível. (C.N.)

Qualquer coisa que atinja os filhos de Bolsonaro respingará no seu governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

João Domingos
O Estado de S.Paulo

Pela composição da chapa presidencial, pelo resultado da eleição para a Câmara e para o Senado, e pela escolha de alguns ministros que tendem a se pautar pela ideologia ou mesmo pela fé religiosa, é bastante provável que o governo de Jair Bolsonaro venha a ter no mínimo três focos permanentes de tensão.

O principal deles, e desse não há como escapar, está na família do presidente eleito. Pela primeira vez na história recente do País, e é possível que em todo o período republicano, um presidente da República terá três filhos com mandato parlamentar: Eduardo, deputado, Flávio, senador, estes dois pelo PSL, e Carlos, vereador no Rio de Janeiro pelo PSC. Todos eles conselheiros do pai, ativos politicamente, e muito atuantes pelas redes sociais.

SERÁ NOTÍCIA – Qualquer opinião deles a respeito de seja lá o que for, qualquer articulação que fizerem, qualquer coisa que os atinja, respingará no governo e será notícia com destaque. Natural que seja assim, porque não há como desvincular o pai dos filhos sabendo-se que são tão unidos e que têm o pensamento praticamente igual.

Exemplos da grande repercussão de tudo o que envolve os filhos já há aos montes. Em abril o deputado Wadih Damous (PT-RJ) xingou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, e disse que a solução para a Corte seria o seu fechamento, transformando-a em tribunal constitucional. O deputado Eduardo Bolsonaro disse em julho, numa palestra, no Paraná, que bastavam um cabo e um soldado para fechar o Supremo. O choque maior foi causado pela fala de Bolsonaro, pois ele vive a expectativa do poder. Damous já o perdeu.

ATO CONSENTIDO – Quando a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado começar, qualquer coisa que Flávio Bolsonaro fizer no Senado, ou o irmão fizer na Câmara, será visto como um ato consentido do pai, o presidente da República, mesmo que nada tenha a ver com ele. Se por um lado Jair Bolsonaro pode dizer, como tem dito, que é um pai feliz por ter três filhos em cargos eletivos, por outro lado ele terá de aceitar que, pelas circunstâncias que envolvem o poder, os filhos são também um peso.

O segundo possível foco de tensão do governo de Bolsonaro estará no recém-criado Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Em primeiro lugar, porque é um ministério que atuará em áreas sensíveis da sociedade, envolvendo índios, minorias, direito das mulheres, comunidade LGBT e as novas siglas que a ela vão se interligando e direitos humanos. O ministério será um ímã para atrair a atenção dos grupos sociais mais organizados e engajados do País, levando-se em conta as opiniões conhecidas da futura ministra da pasta, a advogada e pastora Damares Alves.

OPINIÕES FIRMES – Ela já se disse contrária ao aborto, que ninguém nasce gay, que não é a política, mas a igreja evangélica que vai mudar a Nação, e que as feministas promovem uma guerra entre homens e mulheres. Não há dúvidas de que a polêmica vai se instalar nessa área. Para piorar, o Ministério Público abriu ação civil pública contra uma ONG de Damares por “dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena” por causa da divulgação de um filme sobre infanticídio indígena feito pela organização. Os procuradores pedem que a ONG seja condenada a pagar R$ 1 milhão.

O terceiro possível foco de tensão no governo de Bolsonaro está no vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Acostumado a falar o que pensa sobre tudo e sobre todos, da política externa à política trabalhista, da necessidade de aprovação da reforma da Previdência à privatização de estatais, o vice causa barulho. Mesmo que diga que perdem tempo os que acham que vão intrigá-lo com Bolsonaro, suas declarações sempre vão causar impacto.

O futuro do serviço público não parece nada promissor

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Percival Puggina

Durante boa parte de nossa história, o serviço público e a política foram os destinos principais de quem buscasse uma feliz combinação de sustento familiar e relevo social. Mães zelosas ambicionavam ver os filhos empregados no setor público ou numa empresa estatal.

Passaram-se os anos, o Estado brasileiro cresceu e sua burocracia se sofisticou. Às centenas, surgiram empresas públicas e se multiplicaram os ministérios, as secretarias, os departamentos. Miríade de novos municípios, conforme iam sendo criados, reproduziam essa expansão na base da pirâmide do poder político. Todo o organismo estatal se agigantou, num fenômeno que lembra a divisão celular por mitose e meiose. Concursos públicos e cargos de confiança proveram novas, crescentes e permanentes possibilidades de acesso a vagas em posições detentoras do privilégio da estabilidade.

LUZES VERMELHAS – O serviço público se manteve, através das décadas, como um lugar que permitia a sobrevivência digna, sob proteção de regras que concediam segurança e remuneração por vezes acima do mercado de trabalho no setor privado da economia.

Há mais de 40 anos, porém, luzes vermelhas começaram a sinalizar a gradual aproximação de severas dificuldades. Os ombros dos carregadores não iriam suportar o peso daquele andor. A atividade se tornara campo fértil para atuação de grupos em que a demagogia política de uns turbinava a voracidade corporativa de outros.

A conta cada vez mais salgada das folhas de ativos, inativos e pensionistas foi reduzindo drasticamente a capacidade de pagamento e de investimento do setor público. A qualidade foi sumindo dos serviços prestados, as instalações se degradando e os vencimentos perdendo poder de compra. O problema aqui descrito passou a afetar a União, os estados e os municípios.

DEDOS E ANÉIS -Durante longos anos, porém, enquanto essa realidade tolhia os governos, a autonomia dos poderes permitiu que o custo da crise fosse circunscrito ao executivo. Os demais conseguiram preservar dedos e anéis.

Nestes dias, contemplamos o fim de um ciclo. Três anos de recessão e mais dois de baixíssimo crescimento do PIB completaram o estrago. Acabou. Medidas duríssimas já vêm sendo adotadas e precisarão ser ampliadas para pôr fim à crise fiscal e para que se restaure a confiança e a capacidade de investimento do setor privado e do setor público.

Então, com a experiência de quem trabalha há 55 anos, tendo atuado nos dois lados desse balcão, constato que o futuro do emprego público é nada promissor, exceto (e assim mesmo, talvez) em algumas limitadas e disputadíssimas carreiras de Estado.

PRODUZIR – Bem ao contrário do que hoje acontece como orientação pedagógica, é importante despertar, nos jovens, interesse por atividades produtivas e estimulá-los a buscar o merecimento indispensável à competitividade. Desenvolver a mente e o espírito, aderir a valores perenes, adquirir hábitos de leitura e de estudo continuado e fazer de si mesmo o melhor possível será sempre um caminho virtuoso de inserção ativa nas complexidades da vida social, política e econômica.

Em meio a elas, não convém a dispersão proporcionada pelas facilidades, nem o esmorecimento sugerido pelas dificuldades. O futuro, ou estará no setor privado da Economia, ou será um estuário de maus pressentimentos.

A experiência dos povos ensina que a crise pela qual estamos atravessando é parteira de novas e melhores possibilidades. E essa é a boa notícia que tenho a dar.

 

‘Não cabe a mim dar explicações sobre isso’, diz Moro sobre o ex-assessor

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Moro aguarda  explicações do assessor de R$ 1,2 milhão

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira (dia 10) que não cabe a ele dar explicações sobre as movimentações bancárias de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio é filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e elegeu-se senador neste ano. Segundo o Coaf, um dos seus ex-assessores, Fabrício José de Carlos Queiroz, movimentou mais de R$ 1,23 milhão, entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Ainda de acordo com o Coaf, Queiroz depositou R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

DISSE MORO – Na semana passada, ao ser questionado sobre o tema ao final de uma entrevista, Moro se retirou sem comentar o relatório do Coaf. Nesta segunda-feira, porém, falou sobre rapidamente sobre o caso.

“Fui nomeado para ser ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso. O que existia no passado do ministro da Justiça opinando sobre esses casos concretos é inapropriado. […] O ministro da Justiça não é uma pessoa que deve ficar interferindo em casos concretos, e eu, na verdade, nem sou ainda ministro da Justiça. Então tiveram pessoas cobrando uma posição, mas, assim, as pessoas [citadas] que têm que prestar os esclarecimentos”, disse Moro.

De acordo com o futuro ministro da Justiça, o presidente eleito “já apresentou os esclarecimentos” sobre o assunto e, se o caso não for esclarecido, deve ser investigado.

“MOBILIDADE” – Na última semana, Bolsonaro disse que o dinheiro quitou uma dívida de Queiroz com ele próprio e foi depositado na conta da futura primeira-dama por “questão de mobilidade”, pois ele tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

“Os fatos têm que ser esclarecidos, o presidente já apresentou os esclarecimentos, têm outras pessoas que precisam prestar os seus esclarecimentos, e os fatos, se não forem esclarecidos, têm que ser apurados. Eu não tenho como eu ficar assumindo esse papel”, afirmou o futuro ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Moro deu uma declaração curta e inquestionável. Ele nada tem a ver com o assunto, que depende agora de esclarecimentos do assessor amigo da família Bolsonaro e das demais pessoas envolvidas, que fizeram depósitos na conta dele. O problema é que o subtenente Queiroz está mais sumido do que caviar em mesa de pobre. Aliás, outro que desapareceu foi o economista Paulo Guedes, que é aguardado pela força-tarefa da Operação Greenfield, para prestar depoimento sobre negócios e negociatas. Vamos ver até quando vão os dois sumiços. (C.N.).

Desembargador Siro Darlan é suspeito de soltar presos mediante propinas

Desembargador Siro Darlan Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo

Darlan alega que é “garantista” e segue a Constituição

Chico Otavio, Daniel Biasetto e Vera Araújo
O Globo

O desembargador Siro Darlan , presidente da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, é suspeito de soltar presos durante plantões judiciais em troca de propina. Darlan é alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça ( STJ ), que apura a venda de sentenças no fórum da capital.

Em dois casos investigados, detentos teriam sido beneficiados por decisões de Darlan. Num deles, foi anexada a colaboração premiada de um dos envolvidos, que afirmou ter ouvido de um dos presos sobre o pagamento a um intermediário do magistrado: R$ 50 mil para ser solto. Inicialmente, segundo o delator, o lance foi de R$ 120 mil, mas caiu para menos da metade dividido em duas parcelas.

REPRESENTAÇÃO – Darlan é um magistrado controverso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) pelas decisões recorrentes de dar liberdade a presos em plantões judiciais. Além dos inquéritos no STJ, também é alvo de uma representação na presidência do TJ-RJ, assinada pelos outros quatro desembargadores da 7º Câmara, e uma investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar faltas disciplinares.

Um dos inquéritos no STJ tem origem em Resende (RJ). Presidente do Sindicato do Comércio Varejista do município, o economista Ricardo Abbud foi preso em 2015 com mais 21 acusados de praticar irregularidades na Câmara dos Vereadores. O delator contou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que, quando Abbud estava preso com ele, lhe relatou que seu pai, João Bosco de Azevedo, negociou “com pessoa interposta pelo desembargador Siro Darlan” a quantia de R$ 50 mil por sua liberdade.

O economista foi solto pelo plantão judiciário, ao qual Darlan foi designado, em 30 de outubro de 2015. No segundo dia em liberdade, ele foi ao Sindicato do Comércio Varejista de Resende, onde era presidente. Há indícios de que ele tenha ido destruir provas.

PRESO SOLTO – O outro caso apurado no inquérito é do preso Samyr Jorge João David, que responde a processos por tentativa de latrocínio, roubo e interceptação. A prisão dele foi decretada em junho de 2016. O advogado dele, Hugo Sant’Anna Onofre Alves impetrou dois habeas corpus em favor de Samyr: um pelo crime de tentativa de latrocínio e outro por roubo. Os dois pedidos teriam sido direcionados justamente para o plantão judiciário do desembargador investigado, que determinou a soltura do preso.

A liminar deferida por Darlan em 1º de outubro, no entanto, foi revogada pelo desembargador-relator Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, que restabeleceu a prisão preventiva de Samyr em 4 de outubro de 2016. Fernandes ressaltou em sua decisão que o advogado do réu direcionou petições de habeas corpus no plantão de Darlan. Apesar da nova decisão pela prisão de Samyr, o juiz titular da 1ª Vara Criminal de Nilópolis, Alberto Fraga, informou que o réu já estava em liberdade em decorrência da liminar de Darlan.

GRAMPO – Numa interceptação telefônica autorizada, o advogado de Samyr — que em 2001 já respondeu pelo roubo de motocicleta — foi flagrado em conversa com Luís Eduardo Soares, ex-motorista de Darlan. Soares é conhecido no prédio das Câmaras Criminais como Mister Bean pela semelhança com o personagem do comediante inglês Rowan Atkinson.

Em 2005, Soares, então assessor de Darlan, foi preso em flagrante quando retirava 80 ingressos de cortesia na bilheteria de uma casa de shows, em nome da juíza titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude e do Idoso da capital. Darlan pediu sua exoneração depois do incidente, mas continuou mantendo relações com o ex-assessor.

VOLUNTÁRIO – Até 2017, Darlan se voluntariava aos plantões. Cada noite trabalhada correspondia a dois dias de férias, mas no Superior Tribunal de Justiça está consolidada a ideia de que advogados dirigiam as petições para ele. Com uma série de escândalos até hoje impunes, o CNJ obrigou o TJ-RJ a acabar com o plantão voluntário e estabelecer uma escala anual com os 180 desembargadores.

Ao receber a notícia sobre o inquérito do STJ em que aparece como investigado, o desembargador Siro Darlan disse estar surpreso com a investigação. Ele afirmou que sabia da reclamação disciplinar instaurada no CNJ, justamente a respeito da suspeita de que Abbud teria pago a um suposto “intermediário” dele.

INTERPELAÇÃO  — “No caso do CNJ, eu interpelei judicialmente Abbud e seu pai, o Bosco, numa vara criminal. Eles negaram qualquer tipo de irregularidade contra a minha pessoa. Também processei o delator por danos morais, mas a juíza entendeu que não cabia a punição a alguém que estivesse colaborando com a Justiça. No caso de Abbud, eu apliquei medidas cautelares, porque não cabia sua prisão, uma vez que se tratava de crimes como fraude à licitação”.

Sobre a liberdade que concedeu a Samyr, Darlan disse que não se lembrar do caso. “Foram nos meus plantões mesmo? Não me recordo. Enfim, acho ótimo que me investiguem. Sou o primeiro interessado nisso. Há pessoas que não gostam de mim pelo fato de ser um juiz garantista, por seguir o que a Constituição Federal prevê”.

Novos governadores estão condenados a administrar situações de pré-falência

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Sebastião Nery

Ao ignorar o limite para as despesas de pessoal, os Estados brasileiros geraram a falta de liquidez do crescimento da dívida pública, bloqueando investimentos e atingindo a população na prestação de serviços públicos. Os novos governadores vão receber uma herança maldita: a crise fiscal, buscando urgência no ajuste das contas públicas. Adiar essa questão levará à insolvência muitas unidades federativas.

É gravíssima a situação fiscal na maioria dos Estados. Os governadores que assumirão o poder herdarão a falta de prudência das administrações passadas, elevação de despesas sem a contrapartida na capacidade de arrecadação.

REFORMAS PROFUNDAS – A carência de investimentos dos Estados está se refletindo na ausência de recursos nas áreas de educação, saúde, segurança pública e infraestrutura. O descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal gerou a dramática realidade. A alternativa é buscar disciplinada política fiscal, e reformas profundas.

Vai exigir coragem de estadistas, não temendo a impopularidade momentânea, implantando corajosa reforma no aparelho estatal para evitar o colapso dos serviços públicos. Um exemplo é a extrapolação das despesas com salários e aposentadorias que vem estourando o limite de gastos com pessoal.

Recente relatório do Tesouro Nacional atesta que essa questão vem se agravando, e 16 Estados podem vir a ser declarados insolventes. É um grande desafio para os novos governadores. Muitos dos seus antecessores desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal que fixa o teto máximo de 60% da Receita Corrente Líquida para a folha de pessoal.

ACIMA DO LIMITE – O Tesouro Nacional constatou que em cinco Estados, o gasto com pessoal ultrapassou 75% da receita corrente líquida: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Acima de 60% da receita estão: Distrito Federal, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Sergipe, Paraíba, Roraima, Alagoas, Bahia, Paraná e Santa Catarina.

O alerta de Ana Carla Abrão Costa, ex-secretária da Fazenda de Goiás é oportuno: “Todos os Estados estão na mesma correnteza, com uma grande queda à frente na qual alguns já foram tragados. É trajetória insustentável. Se os Estados não fizerem ajustes, as despesas com pessoal vão consumir toda a receita, determinando o colapso dos serviços públicos”. O economista Raul Velloso na mesma direção lembra que a principal fonte de desequilíbrio está na folha de pagamento dos aposentados e inativos.

PREVIDÊNCIA – O Anuário Estatístico da Previdência Social traduz em números essa realidade: em Minas Gerais os servidores ativos são 217.034; os inativos e pensionistas, 319.043. No Rio Grande do Sul, os ativos são 117.934 e os inativos e pensionistas, 205.835. No Rio de Janeiro são ativos 215.265 contra 253.009 inativos e pensionistas. Em Santa Catarina, são ativos 65.112 e 66.557 inativos e pensionistas. Nos demais Estados, o número de servidores ativos ainda é maior com diferenças mínimas, mas tendente ao crescimento de inativos e pensionistas ao longo dos próximos anos.

Alguns governos estaduais esconderam a fragilidade das contas públicas pela maquiagem contábil. A finalidade era demonstrar que estavam nos limites fixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal, para a política de gastos com pessoal. A artificialidade fiscal agora cobra o preço da falsificação dos números. Desequilíbrio orçamentário é caminho seguro para o insucesso de qualquer administração.

Interlocutores de Bolsonaro pedem “explicação convincente” sobre ex-assessor

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Flávio Bolsonaro coloca o pai em situação constrangedora

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Integrantes do governo de transição e interlocutores do presidente eleito Jair Bolsonaro já não escondem mais a preocupação com os desdobramentos do caso da movimentação bancária atípica de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), apontada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O blog apurou que esse desconforto é maior principalmente entre os interlocutores da área militar do futuro governo. Para esse grupo, é necessária uma explicação convincente para encerrar o caso.

SILÊNCIO DE QUEIROZ – Há forte contrariedade com o silêncio prolongado de Fabrício Queiroz, que ainda não se pronunciou desde que o caso foi noticiado, na quinta-feira (dia 6). A percepção é que isso pode causar desgaste precoce na imagem do próprio Bolsonaro, que tem sido questionado constantemente pelo episódio.

“Uma coisa é a justificativa jurídica para o Ministério Público; outra coisa é uma resposta imediata para a sociedade. Caso contrário, haverá desgaste político”, disse ao Blog um integrante da equipe de transição.

De forma reservada, existe desconforto até mesmo com a resposta de Bolsonaro, que disse que os R$ 24 mil depositados por Fabrício na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, eram pagamento de uma dívida.

EXIBIR OS REGISTROS – Segundo outro interlocutor, o presidente eleito deveria mostrar todos os registros bancários do dinheiro emprestado para Fabrício Queiroz ao longo dos anos. “Como tem o registro do Coaf do dinheiro de volta, é preciso mostrar o registro do dinheiro que foi para o ex-assessor”, ressaltou.

A avaliação dessa fonte é que quando a justificativa é simples, ela tem que ser imediata. “O tempo da política não permite demora para uma explicação que seja convincente”, reforçou esse interlocutor.

RACHA NO PSL – Outra preocupação na equipe de transição é com o racha na bancada do PSL, como mostrou recentemente o vazamento de conversas entre deputados eleitos pelo WhatsApp.

Isso porque já começa a dar um sinal externo de divisão, o que fragiliza muito a estratégia de governabilidade no Congresso da futura gestão. “É preciso que o próprio Bolsonaro assuma o comando”, resumiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O deputado Flávio Bolsonaro disse que o ex-assessor Queiroz lhe deu “explicações plausíveis”, mas não mencionou quais foram. Ora, se existissem “explicações plausíveis”, é claro que já teriam sido divulgadas. O jeito é acusar o subtenente Queiroz de agiotagem, para não ficar patente que a família Bolsonaro cobrava “pedágio” de seus assessores, digamos assim, o que na verdade significa inclui vários crimes, inclusive lavagem de dinheiro. Conforme a “Tribuna da Internet” já revelou, a solução é inventar o “assessor agiota”. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Marcelo Odebrecht anexa novos documentos a processo contra filho de Lula

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Luís Cláudio, o filho caçula, está cada vez mais enrolado

Mônica Bergamo
Folha

Marcelo Odebrecht anexou novos e-mails ao processo sobre a relação da empreiteira com Luís Claudio Lula da Silva, o filho caçula do ex-presidente Lula. O conteúdo dos documentos reforça o que já foi delatado.

Em sua colaboração, o ex-executivo da empreiteira Alexandrino Alencar afirmou que Lula pediu ajuda para Luís Cláudio iniciar a carreira empresarial. Segundo ele, a empreiteira pagou um orientador para ajudá-lo a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano.

A Odebrecht teria contratado também a empresa Concept para trabalhar no marketing da liga de futebol americano que o filho do ex-presidente queria criar no Brasil.

A defesa de Luís Claudio apresentou recibos que mostram que ele pagou pela contratação da Concept, o que esvaziaria as declarações do executivo.

VACINA– O presidente eleito, Jair Bolsonaro, comentou com parlamentares numa reunião na semana passada que “agora vão começar a bater nos meus filhos”, segundo um dos presentes.

A afirmação, feita dois dias antes da revelação de que um ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) movimentou R$ 1,2 milhão de forma atípica, foi interpretada posteriormente como uma tentativa de “vacina” diante do que explodiria pouco depois.

Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, é preso por corrupção e formação de orcrim

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Neves recebia propina dos empresários do setor de transportes

Deu na Agência Brasil

Policiais civis e representantes do Ministério Público fazem, nesta segunda-feira (dia 10), operação em Niterói e prenderam o prefeito Rodrigo Neves, do PDT, sob a acusação de corrupção e formação de organização criminosa. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPRJ), as empresas de ônibus pagavam propina aos agentes públicos da cidade.

De 2014 a 2018, segundo o MPRJ, foram desviados aproximadamente R$ 10,9 milhões dos cofres públicos para pagamentos ilegais. Além do prefeito, são alvos da ação o ex-secretário municipal de Obras Domício Mascarenhas de Andrade e três empresários do ramo de transporte público rodoviário.

MANDADOS – O Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra os acusados, que estão sendo cumpridos na manhã de hoje no gabinete do prefeito, nas sede de oito empresas de ônibus, nos escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit e no Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj).

A chamada Operação Alameda, um desdobramento da Operação Lava Jato, é resultado de acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Marcelo Traça com o Ministério Público Federal e do compartilhamento de provas, autorizado pelo Juízo da 7ª Vara Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá temos a Operação Lava Jato em versões  federal, estadual e municipal no âmbito do Executivo e do Legislativo. Aguarda-se o desdobramento para o Judiciário, para buscar os bandidos de toga, denunciados pela ex-desembargadora Eliana Calmon. (C.N.)

Moro pretende reforçar o Coaf, que flagrou o assessor do filho de Bolsonaro

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Resposta de Moro é fortalecer a fiscalização do Coaf

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A equipe do futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, pretende reforçar a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), principal órgão fiscalizador dessa área no Brasil, e tornar mais ágil o repasse de dados às instituições de investigação. Criado há 20 anos e vinculado atualmente ao Ministério da Fazenda, o Coaf ficará sob a responsabilidade do ex-juiz da operação Lava Jato no Paraná.

Moro indicou o auditor e chefe da área de investigação da Receita Federal em Curitiba, Roberto Leonel, para comandar o órgão a partir de 1.º de janeiro.

CASO BOLSONARO – Foi o Coaf que identificou e informou ao Ministério Público Federal (MPF) a “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 em uma conta do então assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O relatório, revelado pelo Estado na quinta-feira, apontou que uma das transações feitas pelo ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz foi um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ontem, Bolsonaro disse que o dinheiro foi um empréstimo para Queiroz.

A proposta de mudança do Coaf prevê a ampliação do quadro de funcionários – hoje com 37 pessoas – além de investimento em tecnologia. Um dos objetivos da reestruturação é que o órgão atue de forma mais “proativa e ágil”.

COMO FUNCIONA? – Há duas formas principais de atuação do Coaf. Uma é quando uma autoridade pede a informação por causa de uma investigação em curso. Essa é a que representa a maior parte dos relatórios feitos atualmente pelo órgão. O que o reforço na estrutura pode fortalecer é a segunda forma de atuação – quando o próprio conselho identifica suspeitas, em seu trabalho de busca de dados, e encaminha espontaneamente para autoridades.

Foi com base na atuação espontânea que o Coaf enviou aos investigadores que deflagraram a operação Furna da Onça, no Rio, o relatório sobre Queiroz.

Segundo o atual presidente do Coaf, Antônio Ferreira, apesar de a comunicação espontânea ter alto impacto, o órgão “não tem estrutura suficiente para estar mais perto das investigações, para que possa prospectar ainda mais esses tipos de crimes e levar aos investigadores”.

MAIS PRÓXIMO – “O que se espera é que o Coaf esteja mais próximo do investigador, que o trabalho dele possa estar mais conectado lá na base, no mundo operacional, que ele possa estar mais presente ali”, afirmou Ferreira ao jornal O Estado de São Paulo.

Relatórios do Coaf com base em alertas de setores econômicos sobre transações financeiras, quando há indícios de lavagem de dinheiro, abastecem órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Receita Federal e Polícia Civil. Em 2017, R$ 46 milhões foram bloqueados judicialmente após atuação do Coaf, relacionado a investigações sobre lavagem de dinheiro e crimes investigados pela PF e pelo MPF.

Há 15 anos no órgão, sendo 11 como diretor de inteligência, Ferreira destaca como positivo que o novo governo coloque o combate ao crime como política de Estado. “Apesar de o DNA do órgão estar ligado à área econômica, o destinatário final é a parte penal”, afirma Ferreira.

FOCO NO CRIME – No Coaf e na equipe de transição há o entendimento de que a dinâmica de enfrentamento ao crime deve ser fortalecida e que é necessário focar no combate ao crime organizado e à lavagem, até como forma de prevenção. O diálogo tem sido constante entre a equipe atual e a que vai assumir em janeiro.

Dentro da diretriz do novo ministério de aproximar os órgãos, a ideia é que o Coaf fique mais perto do investigador e vá além do envio de dados que o conselho considere suspeitos. Já existe no Coaf uma “sala de situação”, em que funcionários do órgão mantêm contato remotamente, por exemplo, com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Uma das ideias em discussão é levar funcionários de outros órgãos para salas de situação na estrutura do Coaf.

A encantadora vida nômade dos grupos ciganos, na poesia de Raul Leôni

Resultado de imagem para raul leoniPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), expressa em versos a vida e os costumes dos “Ciganos”. Detalhe: guzla é um tipo de rabeca cigana, de uma corda só.

CIGANOS
Raul de Leôni

Lá vêm os saltimbancos, às dezenas
Levantando a poeira das estradas.
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.

Vêm num rancho faminto e libertino,
Almas estranhas, seres erradios,
Que tem na vida um único destino,
O Destino das aves e dos rios.

Ir mundo a mundo é o único programa,
A disciplina única do bando;
O cigano não crê, erra, não ama,
Se sofre, a sua dor chora cantando.

Nunca pararam desde que nasceram.
São da Espanha, da Pérsia ou da Tartária?
Eles mesmos não sabem; esqueceram
A sua antiga pátria originária…

Quando passam, aldeias, vilarinhos
Maldizem suas almas indefesas,
E a alegria que espalham nos caminhos
É talvez um excesso de tristezas…

Quando acampam de noite, é no relento,
Que vão sonhar seu Sonho aventureiro;
Seu teto é o vácuo azul do Firmamento,
Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro.

Às vezes, em vigílias ambulantes,
A noite em fora, entre canções dalmatas,
Vão seguindo ao luar, vão delirantes,
Alados no langor das serenatas.

Gemem guzlas e vibram castanholas,
E este rumor de errantes cavatinas
Lembra coisas das terras espanholas,
Nas saudades das terras levantinas.

E, então, seus vultos tredos envolvidos
Em vestes rotas, sórdidas, imundas.
Vão passando por ermos esquecidos,
Como um grupo de sombras vagabundas.

Lá vem os saltimbancos, às dezenas,
Levantando a poeira das estradas,
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.

Povo sem Fé, sem Deus e sem Bandeira!
Todos o temem como horrível gente,
Mas ele na existência aventureira,
Ri-se do medo alheio, indiferente.

E, livres como o Vento e a Luz volante,
Sob a aparência de Infelicidade,
Realizam, na sua vida errante,
O poema da eterna Liberdade.

Luciano Huck diz que ainda falta a Jair Bolsonaro um programa de governo

Luciano Huck

Huck lamentou a prisão de Lula, mas considerou justa

Pedro do Coutto

Em entrevista a Eduardo Kattah e Gilberto Amendola, com grande destaque na edição de ontem de O Estado de São Paulo, o apresentador Luciano Huck afirmou que está faltando um projeto de governo e de país a Jair Bolsonaro, embora esteja cumprindo com suas declarações públicas o que prometeu na campanha eleitoral em matéria de combate a corrupção e rigor administrativo.

Mas está faltando um projeto de país, um plano definido de governo que abranja e se dirija aos diversos segmentos da sociedade brasileira. Pode se dizer, segundo penso, um projeto de nação que traga consigo uma nova etapa de desenvolvimento econômico e social.

EMPREGOS – É preciso haver um projeto que retome o nível de emprego para brasileiros e brasileiras. Porque, na minha opinião, sem emprego, como está acontecendo, não há condição da economia avançar. Afinal, o que sustenta a economia é o mercado de consumo, e o mercado de consumo só avança se os salários derem sustentação, o que quer dizer, não sejam tragados pela espiral inflacionária. Essa espiral pode não ser muito acentuada, mas incide sobre a renda do trabalho, que não tem avançado no país.

O apresentador da Rede Globo afirma que deve se dar um voto de confiança em Bolsonaro, sobretudo porque sua mensagem ética até agora tem se voltado para o combate a atividades ilegais no campo econômico e financeiro.  Para Luciano Huck, é fundamental que o governo que assume em janeiro tenha como propósito diminuir as desigualdades de renda que levam sombras a uma evolução da sociedade como um todo. O tema da desigualdade – ressaltou Huck – passou ao largo da campanha eleitoral. E combater a desigualdade de renda constitui uma etapa essencial, sem a qual o Brasil permanece caminhando de lado. Caminhando de lado significa praticamente não avançar no plano social.

REFORMA – Para Huck o sistema partidário necessita uma reforma e por isso tomou o gosto pela atividade política, não para benefício de si próprio, mas para uma evolução ética da Nação.

Quanto a educação, Huck lamentou o fato de ter sido rejeitado o professor Mozart Neves Ramos para o Ministério da Educação. A seu ver seria um avanço que talvez não seja possível com outro nome na Pasta.

O destaque que O Estado de São Paulo deu à matéria foi muito grande. Trata-se de matéria em página inteira com início inclusive na primeira página da edição.

EQUIPE ECONÔMICA – Outro aspecto abordado, inclusive com sensibilidade, reside na equipe econômica chefiada por Paulo Guedes. Como disse no início está faltando um plano econômico e social. Este plano é o desafio para o governo que assume o país a primeiro de Janeiro de 2019.

Huck colocou bem os pontos essenciais da questão. Está faltando sobretudo, penso eu, uma preocupação maior com as classes trabalhadoras que são tão importantes para o Brasil quanto as classes produtoras da indústria, comércio, do sistema bancário.

Para isentar Bolsonaro, o motorista de R$ 1,2 milhão vai confessar que é agiota

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Queiroz vai assumir a culpa e não sofrerá a menor punição

Carlos Newton

No recesso do lar, coloquei sobre a mesa o copo d’água, a bola de cristal, o barulho de Tarô, a cestinha de vime e os búzios, na tentativa de descobrir qual será a desculpa esfarrapada que o subtenente Fabrício Queiroz vai apresentar para preservar o que resta da imagem do clã Bolsonaro, depois que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) descobriu a movimentação atípica na conta do dublê de assessor, motorista e amigo íntimo da família presidencial, digamos assim.

Como se sabe, no caso não se pode usar o método policial francês de “chercher la femme” (procurar a mulher), porque pode aparecer na foto a Sra. Marluce Vieira Lima, mãe dos irmãos Geddel e Lúcio, que exploravam os funcionários de seus gabinetes, levando 80% dos salários deles. Reparem que o “modus faciendi” (estilo operacional) do clã Bolsonaro é o mesmo da famiglia Vieira Lima,, com o subtenente Queiroz atuando de executor e controlador do esquema. Mas há diferenças entre os dois casos.

SOB CONTROLE – No inquérito dos Vieira Lima, apareceu um delator, chamado Job Ribeiro Brandão, funcionário antigo da Câmara, que lá nunca trabalhou e só recebia 20% da remuneração. As provas materiais se “avolumaram” (nada a ver com as malas e caixas de dinheiro), a condenação de Geddel, Lúcio e da mãe Marluce é inevitável, inexoráxel, incontestável.

Já no caso dos Bolsonaro, ainda não surgiu nem irá surgir nenhum delator, porque a situação está sob controle. A explicação será dada pelo próprio subtenente, que trabalhava como motorista e recebia R$ 23 mil por mês, além dos salários da mulher e das duas filhas, uma delas funcionária da TV Globo. Para justificar o entra e sai de dinheiro vivo e transferências em sua conta, Queiroz vai confessar que atuava na Assembleia como agiota, explorando a dureza dos funcionários, dos gabinetes, que vão confirmar a informação.

E mais: Queiroz vai dizer que, para disfarçar e não levantar suspeitas, fingia passar dificuldades financeiras e chegava a pedir dinheiro emprestado a Bolsonaro e aos filhos, vejam a que ponto chega a criatividade dessa gente.

PASSE DE MÁGICA – E não mais do que de repente, diria Vinicius de Moraes, tudo estará resolvido. O clã Bolsonaro deixará de ser suspeito de enriquecimento ilícito por explorar os assessores, o subtenente Queiroz já está se aposentando na PM e responderá a processo por agiotagem, que é crime mixuruca (artigo 4º da lei 1.521/51, que prevê pena de detenção de seis meses a dois anos), não cumprirá um só dia de cadeia e o filme terá um final feliz.

Furiosos, os Bolsonaro vão se dizer enganados pelo velho amigo, as relações serão cortadas, nada de pescarias nem churrascos, fica cada um para o seu lado.

E todo mundo vai acreditar nessa história, porque é Natal e eu também estou esperando Papai Noel com uma mensagem do escritor Charles Dickens. Aliás, tenho impressão de que foi o próprio Dickens que bolou essa saída para o presidente eleito.

Na guerra contra as drogas, presidente das Filipinas investe contra a Igreja

Philippine President Rodrigo Duterte attends Philippines Economic Forum in Tokyo, Japan

Duterte agora faz campanha para esvaziar as igrejas

Deu no Sputnik

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, está deixando todos saberem que ele está farto da oposição da Igreja Católica às suas políticas, ridicularizando seus líderes como “idiotas inúteis” que adoram um deus “estúpido”. Batendo na Igreja Católica como “a instituição mais hipócrita” por lançar dúvidas sobre sua guerra contra as drogas, o líder ridicularizou os bispos católicos como “tolos inúteis”. Ele também afirmou que 90% dos padres são homossexuais sem qualquer posição para “postular minha moralidade”.

As autoridades católicas estão entre os críticos mais abertos da guerra de Duterte contra as drogas, que o senador filipino Antonio Trillanes afirma ter causado mais de 20 mil mortes desde que o presidente assumiu o poder em julho de 2016.

OUTROS NÚMEROS – O governo de Duterte afirma que esses números são exagerados. Publicado em outubro, o governo registra o número de mortos em 4.999 desde 2016. Grupos de direitos humanos também criticaram a repressão por visar os pobres ao invés dos chefes responsáveis pelo tráfico de drogas.

Citando sua obrigação moral de se opor ao assassinato, a Igreja chegou a prestar assistência a algumas das vítimas e sobreviventes da pesada campanha de Duterte contra as drogas e o crime, inspirando-o a acusar o próprio Pablo Virgilio David de corrupção e drogas, até ameaçando-o com decapitação, enquanto zombava de suas crenças religiosas.

A Igreja Católica pediu que Duterte reduzisse a retórica depois que três padres católicos foram mortos em dezembro passado “porque tais ataques podem involuntariamente encorajar mais crimes contra padres”.

REZAR EM CASA – Sem arrependimento, ele pediu aos filipinos na semana passada que construíssem suas próprias capelas, em vez de encher os bolsos dos líderes religiosos, dizendo-lhes: “Você não precisa ir à igreja para pagar por esses idiotas”, afirmou.

Duterte, como 90% dos filipinos, foi criado como católico, e esclareceu em um discurso posterior aos funcionários do governo que ele não é ateu, mas acredita apenas em uma divindade diferente dos católicos — um que “tem muito bom senso” em vez de o “Deus estúpido” que construiu o pecado original em uma criação “perfeita”.

No mês passado, Duterte ridicularizou o Tribunal Penal Internacional (TPI), descartando seus juízes como “pedófilos”, “bêbados” e “idiotas” e ameaçando prender um de seus promotores quando o tribunal de Haia o investigou por crimes contra a humanidade.

NA JUSTIÇA – Jude Sabio, um advogado que pretende concorrer ao Senado no próximo ano, entrou com um processo contra Duterte no TPI em maio de 2017 por acusações relacionadas ao aumento do número de mortos em sua guerra às drogas.

Duterte, que presidiu uma onda de assassinatos ao estilo miliciano enquanto servia como prefeito da cidade de Davao, subiu ao poder em uma campanha de “lei e ordem”, prometendo executar traficantes e usuários em uma disputa eleitoral inflamada que até o viu xingando Papa Francisco e Barack Obama — para o qual ele mais tarde se desculpou.

Ele categoricamente rejeita a “autoridade moral” da igreja para criticá-lo, apontando para os numerosos escândalos de abuso sexual envolvendo padres e denunciando as autoridades da igreja como corruptas. No ano passado, ele alegou ter sido abusado por um padre quando estava na universidade.

TRUMP APLAUDE – A abordagem linha-dura de Duterte encontrou um admirador no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu em um tweet que as autoridades chinesas deveriam impor a pena de morte para o tráfico de fentanil, o potente opióide sintético que contribuiu para a disparada dos índices de mortes por overdose nos EUA.

Bangladesh também recebeu uma dica do líder filipino, promulgando uma lei punindo a produção, contrabando, venda e uso de metanfetaminas com a morte em outubro, enquanto o Sri Lanka anunciou em julho que começaria a executar traficantes depois de 40 anos sem impor a pena de morte.

O que ocorreu ninguém sabe’, diz Eduardo Bolsonaro sobre caso do ex-assessor

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Eduardo Bolsonaro diz que haverá investigação

Andréia Sadi
G1 Brasília

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que “ninguém sabe” o que realmente ocorreu no caso do ex-assessor de seu irmão citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações financeiras de mais de R$ 1,2 milhão consideradas suspeitas. Eduardo ainda defendeu independência do Coaf na investigação.

Fabrício José Carlos de Queiroz trabalhou no gabinete do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que, assim como Eduardo, é filho do presidente eleito Jair Bolsonaro.

FURNA DA ONÇA – O relatório do Coaf faz parte da operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro que prendeu dez deputados estaduais.

Eduardo falou sobre o caso neste sábado (8) durante entrevista coletiva na Cúpula Conservadora das Américas, evento organizado pelo próprio deputado em Foz do Iguaçu (PR). O blog perguntou ao parlamentar se a situação está esclarecida. Ele disse que não conversou com Queiroz e destacou que nem o Coaf sabe explicar as movimentações financeiras do ex-assessor.

“O que ocorreu ali ninguém sabe, nem o Coaf sabe. Ocorreu uma movimentação suspeita que está sendo investigada. A gente tem que trabalhar é para não permitir interferência na investigação. Fora isso, o que que eu vou falar? Ninguém sabe. Você sabe de onde é que veio esse dinheiro? Você já viu alguma alegação do Queiroz?”, disse o deputado.

MOVIMENTO SUSPEITO – Conforme o relatório, foram consideradas suspeitas movimentações de mais de R$ 1,23 milhão, entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. O documento registra que Queiroz era motorista de Flávio Bolsonaro e ganhava R$ 23 mil mensais.

O relatório identificou nas movimentações depósito de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente eleito disse que o pagamento se refere a uma dívida de R$ 40 mil do ex-assessor com o próprio Bolsonaro.

O relatório também revelou que oito servidores que trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), fizeram transferências bancárias para uma conta de Queiroz.

DEVOLUÇÃO DE SALÁRIO – Perguntado se as transferências poderiam configurar “devolução de salário”, Eduardo disse que muitas vezes a relação de trabalho e amizade se mistura no gabinete e que ocorrem casos de empréstimo de dinheiro.

“A relação no gabinete conosco é a melhor possível, as vezes até se mistura o trabalho com a amizade. Então, por vezes, ocorre de emprestar dinheiro, por exemplo, um assessor meu uma vez me ajudou a arranjar um cliente para comprar o meu carro, isso caba se misturando”, respondeu.

“Tem que esperar só para ver como é que vai ocorrer, o que que o Coaf vai acusar também e preservar o poder investigativo do Coaf”, reforçou Eduardo.

Muita coisa tem de mudar no Brasil, como os juros altos e o excesso de feriados

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Vanderson Tavares

A Federação Brasileira dos Bancos está fazendo uma caríssima campanha pela imprensa e pela televisão, para defender juros baixos, embora pratique os juros mais altos do mundo e bata recordes de lucratividade em plena crise econômica. Aí me veio uma ideia. Que tal o governo determinar que os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) coloquem seus juros do cheque especial e cartão de crédito a 1% ao mês. Será que os bancos privados continuariam com seus juros estratosféricos??

Outro assunto que me inquieta. Fala-se tanto em geração de emprego, porém esquecem as pesadas cargas tributárias e a baixa produtividade decorrente dos inúmeros feriados. Sem contar que virou rotina enforcar feriado quando cai na terça ou na quinta-feira.

VAI VARIANDO – Os feriados variam de acordo com o Estado. Em novembro, por exemplo, temos finados, proclamação da república e dia da consciência negra, no Estado do RJ. Curioso é na Bahia, onde comemoram duas vezes a independência. Não é para rir não, tá??? Comemoram em 02/07 a independência da Bahia e em 07/09 a independência do Brasil (com tudo parado).

Sugiro que o novo presidente proponha as seguintes regras: 1) Feriados na terça (antecipar para segunda) e na quinta (postergar para sexta); 2) Reduzir a quantidade de feriado (isso tem que ser urgente).

JUROS DO FGTS – Sou trabalhador do mercado de petróleo, e sempre foi comum as empresas não cumprirem com suas obrigações tributárias, fazendo com que o empregado buscasse a justiça trabalhista para receber seus direitos. Algumas empresas entram em recuperação judicial, sem que o trabalhador receba um centavo de indenização e encargos trabalhistas.

Outra coisa inexplicável é manter os juros do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço em apenas 3% ao ano. Imagine o trabalhador ao invés de deixar seu dinheiro no FGTS, investisse no Tesouro Direto, LCA ou CDB??? O rendimento seria infinitamente melhor.

Será que o Brasil terá de continuar sendo um país engessado? Até a China se reformou e se tornou uma grande potência. Por que o Brasil não pode?

Causa do atraso do Brasil é a falta de empresas nacionais de grande porte

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Flávio José Bortolotto

A nosso ver, mesmo tendo morado três anos no Brasil, entendeu tudo errado o jornalista chinês Ding Gang, do People’s Dayli, em sua resposta ao artigo do New York Times prevendo que o desenvolvimento da China vai parar, porque o gigantesco país asiático é semelhante ao Brasil, que começou a se Industrializar antes da China, em certa época chegou a ser considerado o País Industrializado do Futuro. Segundo o NYT, prevê-se que em duas gerações (60 anos) a China ultrapasse os EUA em tecnologia, mas “ambos (China e Brasil) poderiam não chegar lá”.

Alega o jornalista Ding Gang em seu artigo que o caso do Brasil seria explicado pelo nosso baixo nível de ética do trabalho e que os chineses, tendo uma ética do trabalho muito superior até aos anglo-saxões protestantes, seguramente chegariam lá.

UM EXEMPLO – Tenho a maior admiração pelo esforço hercúleo que o milenar povo chinês desenvolveu no século XX e agora no XXI, saindo da dependência e da exploração das potências industrializadas (Inglaterra, França, EUA, Alemanha, Holanda, Portugal, Rússia e especialmente o Japão, etc.), conquistando plena soberania com as armas de fusão nuclear de hidrogênio, os foguetões etc., e agora a China busca aceleradamente ultrapassar em tecnologia o próprio EUA.

Nós vemos o esforço chinês como um exemplo para nós brasileiros. E se nós não estamos chegamos lá, não por falta de ética do trabalho, mas por falta de conscientização de nosso povo. Para prosperarmos de verdade, temos que desenvolver plena soberania com empresas brasileiras, sediadas no Brasil, as únicas que desenvolvem tecnologia nacional e capitalizam 100% aqui dentro, formando então “capital brasileiro cumulativo”, enfim uma economia industrial que produza muito mais que consome, capitalizando continuamente o excedente, como sempre nos ensinou o grande governador Carlos Lacerda, criando capital brasileiro, aquele que é o bom e possível, como ficou provado no caso da Embraer SA.

AS CRIANÇAS – E tudo começa com a compreensão de que devemos cuidar, alimentar, educar e ensinar, “melhor que qualquer outro país do mundo, nossas crianças, especialmente as mais pobres.

Ė essa falta de conscientização, da importância da formação de nossas crianças, especialmente as mais pobres, que nos leva a estacionar no ponto em que estamos, não chegando nunca ao futuro.

Alguma falta de ética do trabalho, fruto de nossa abundante natureza e falta de invernos rigorosos, são consequências e nunca a maior causa de nosso atraso.