Piada do Ano! Associações de juízes e do MP exigem liberação dos “penduricalhos”

Flávio Dino decidiu enfrentar os privilégios da Justiça

João Pedro Bitencourt
Estadão

As dez maiores entidades que representam juízes, membros do Ministério Público, tribunais de contas e defensores públicos acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e recorreram da liminar do ministro Flávio Dino que determinou a suspensão dos “penduricalhos” pagos a agentes públicos nos três Poderes.

Na petição, as associações afirmam que diversas dessas verbas têm base em resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sustentam que devem ser consideradas legais enquanto o Congresso não legislar sobre o tema e pedem que a decisão seja revista.

PEDIDO FORMAL – O movimento foi formalizado por meio de um pedido para participar da ação como amicus curiae (amigo da Corte).CO documento foi assinado nesta terça-feira, 10, por entidades como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), entre outras.

Nesta quarta-feira, 11, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) também pediu a Dino que reconsidere a decisão.

Na semana passada, o ministro, que já foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), concedeu liminar determinando que, em até 60 dias, todos os órgãos dos três Poderes reavaliassem a justificativa dos benefícios pagos a servidores e membros de Poder. A decisão também estabeleceu que esses “penduricalhos” deveriam ser suspensos após esse prazo. A medida alcança União, Estados e municípios.

ALCANCE EXCESSIVO – Na petição, as associações sustentam que a liminar foi excessiva em alcance e fundamento e que teria ignorado a regra de transição prevista na própria emenda constitucional que trata dos limites remuneratórios.

O ponto central do argumento é que a emenda diz que, enquanto a lei nacional não for alterada, não serão computadas para o teto os benefícios previstos na legislação. Para as entidades, isso significa que essas gratificações devem ser preservadas, sem Imposto de Renda, até que o Congresso legisle.

As associações também defendem as Resoluções do CNJ e do CNMP que criaram os benefícios. Argumentam que essas normas não são “penduricalhos”, mas instrumentos de gestão para lidar com problemas estruturais do Judiciário e do Ministério Público, como déficit de pessoal, sobrecarga de processos e dificuldade de fixação de magistrados em regiões remotas.

CRISE DE PESSOAL – Para as entidades, derrubar esses incentivos antes de uma nova lei federal poderia agravar a crise de pessoal no Judiciário e no Ministério Público.

Além do mérito, as associações questionam a própria via processual utilizada por Dino. Sustentam que o pedido original afetava apenas procuradores municipais da Praia Grande, para tratar de uma controvérsia específica e que o ministro redefiniu os efeitos do processo para impor uma ordem de alcance nacional.

Segundo elas, uma medida com esse grau de generalidade seria mais adequada em uma Arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) ou em iniciativa própria da Procuradoria-Geral da República, e não em uma reclamação individual.

REVISÃO DA LIMINAR – Nos embargos de declaração, as associações pedem que Flávio Dino revise a liminar para afastar a suspensão automática de verbas, sustentam que resoluções do CNJ e do CNMP devem continuar valendo até que o Congresso legisle e solicitam esclarecimentos sobre o alcance e os efeitos da decisão para a magistratura, o Ministério Público e os tribunais de contas.

A liminar de Dino ainda será submetida a referendo do Plenário do STF. Como mostrou o Estadão, a Corte planeja confirmar a decisão de suspender penduricalhos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É uma sinistra Piada do Ano. Os tribunais de Justiça também estão recorrendo contra Flávio Dino. É uma situação repugnante, que nos faz lembrar o que dizia Tom Jobim: “É a lama, é a lama, é a lama…”. (C.N.)

Senadores pedem que Polícia Federal libere dados sigilosos sobre o Master

Entrevista: 'Policial federal candidato terá que ser exonerado', diz  diretor-geral da corporação Andrei Rodrigues

Andrei Rodrigues prometeu liberar o que for possível

Kevin Lima
Metrópoles

Um grupo de parlamentares da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado se reuniu, nesta quarta-feira (11/2), com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para discutir a apuração de fraudes financeiras no Banco Master.

Os senadores que participaram da agenda integram um grupo de trabalho, criado pelo presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), para acompanhar as investigações do caso.

ACESSO A DADOS – No encontro, os parlamentares pediram acesso a dados de operações da PF que envolvem a instituição financeira de Daniel Vorcaro ou com ela tenham conexão.

Renan disse que o grupo fará um pedido oficial de informações sobre os casos, inclusive de dados sigilosos. Segundo ele, Rodrigues vai liberar o que for “possível”.

“Fizemos uma proveitosa reunião. Nosso objetivo como representantes é fortalecer a investigação da Polícia Federal para que, em nenhuma hipótese, haja blindagem”, afirmou o senador.

CRIMES EM SÉRIE – O Banco Master é alvo de inquéritos na Polícia Federal por crimes sucessivos contra o Sistema Financeiro Nacional. Uma das linhas de investigação trata da movimentação de cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) irregulares.

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro chegou a ser preso em uma das ações da PF. No mesmo dia da prisão, o Banco Central decidiu colocar o Master sob administração especial e decretar a liquidação extrajudicial da instituição.

A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira da instituição. À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

FAZENDO PRESSÃO – Participaram da agenda desta quarta-feira: Renan Calheiros, Izalci Lucas, Margareth Buzetti (PP-MT), Esperidião Amin (PP-SC), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Leila Barros (PDT-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e Fernando Farias (MDB-AL).

Na última semana, membros da CAE também se reuniram com os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo.

Além da agenda com o diretor da Polícia Federal, o grupo deve se reunir ainda nesta quarta com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

TODOS OS ÓRGÃOS – “Decidimos visitar todos os órgãos. Exatamente para mostrar e solicitar que nos encaminhem informações do caso Master. Queremos saber se eles estão fazendo as investigações. Vamos solicitar informações”, disse o senador Izalci Lucas.

Segundo o senador, o colegiado tem “competência” para receber e analisar esses documentos. Ao longo dos trabalhos, o grupo da CAE deve convidar e convocar autoridades a depor sobre o Banco Master.

A expectativa é de que, na conclusão, o colegiado apresente um relatório com sugestões para melhorar a fiscalização de instituições financeiras. “Do ponto de vista do Senado, nosso papel é fazer o aprimoramento da legislação, da fiscalização, compreender o papel da Comissão de Valores Mobiliários”, afirmou Renan Calheiros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É importante que o Senado, como um todo, assuma sua responsabilidade na apuração dos crimes de responsabilidade nos três Poderes. Assim, a Comissão de Assuntos Econômicos vem fortalecer  a CPI do Crime Organizado, que está entrando de cabeça na investigação dos crimes financeiros com ligações a ministros do Supremo, o que é a grande novidade na esculhambação que o Brasil virou. (C.N.)

Kassab, dono do PSD, avança sobre espólio tucano e esvazia o PSDB em São Paulo

PF desvenda dados do celular de Vorcaro, gerando temor em todo espectro político

Bom conselho. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira  (2). #meio #newsletter #charge #master #governo

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Da CNN Brasil

A PF (Polícia Federal) conseguiu quebrar a criptografia e acessar os dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gerando apreensão em diversos setores políticos brasileiros. O analista de Política Matheus Teixeira, da CNN, avalia que há um temor em autoridades de diferentes campos ideológicos devido à extensão das relações mantidas pelo empresário.

Segundo Teixeira, o acesso ao conteúdo do aparelho telefônico fortalece a hipótese de que o caso permaneça sob a jurisdição do STF (Supremo Tribunal Federal).

FORO PRIVILEGIADO – “A chance de continuar no Supremo e de haver conversas com autoridades de foro privilegiado também aumenta. Portanto, aquele fatiamento que a gente já vem falando há algum tempo perde força a partir do que terá no celular de Daniel Vorcaro”, explicou.

Um aspecto que chama atenção é a amplitude das conexões de Vorcaro no cenário político nacional. O analista da CNN destaca que, conforme as informações reveladas, suas relações se estendiam desde o Rio de Janeiro, com Cláudio Castro (PL), até figuras como Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), que receberam doações de campanha de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Mas Vorcaro também mantinha ligação estreita com o PT, através de relações diretas com o senador Jaques Wagner, o ministro Rui Costa, da Casa Civil, e o ex-ministro Guido Mantega, que foi seu assessor durante quase um ano, recebendo R$ 1 milhão mensais, além de ter vínculos com o próprio presidente Lula e com políticos do Centrão.

CLIMA DE TENSÃO – “O celular de Daniel Vorcaro não causa temor só na esquerda ou só na direita ou só no centro. Pelo contrário, todo o espectro político aqui em Brasília está preocupado com o que tem aí”, diz Matheus Teixeira, acrescentando que as relações de Vorcaro não se limitavam ao meio político, estendendo-se também ao Judiciário e ao Executivo.

Segundo as informações, não foi somente a mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que fez  um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Justiça, também mantinha um contrato com a instituição, que foi posteriormente herdado por sua família após sua posse no ministério.

Além disso, foram mencionadas questões envolvendo o ministro Dias Toffoli, como o resort de sua família e uma viagem no jatinho de um dos diretores do Master para a final da Libertadores da América. Toffoli, que conduz o caso, será investigado pela CPI do Crime Organizado, no Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta notícia é uma das mais importantes dos últimos tempos. Ao sofrer busca e apreensão, em 18 de dezembro, Vorcaro se recusou a fornecer a senha de seu celular pessoal. Agora, com o desbloqueio feito pelos peritos, o Whatsapp do banqueiro fraudador será uma festa para os agentes e delegados da Polícia Federal. Logo saberemos as relações nada republicanas que Vorcaro mantinha nos três poderes. (C.N.)  

Com mais de 50% de rejeição, Lula e Flávio Bolsonaro concentram resistência do eleitorado

Auditoria vê ‘copia e cola’ e negligência em aporte de R$ 400 milhões no Master

Como dizia Carlos Drummond, as mães precisam ser eternas

A minha vontade é forte, porém minha... Carlos Drummond de Andrade -  PensadorPaulo Peres

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da literatura brasileira, no poema “Para Sempre”, afirma que as mães não deveriam morrer nunca.

PARA SEMPRE
Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.

Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Ciro Nogueira silencia críticas a Lula e firma pacto de não agressão com o Planalto

Ciro fez mais de 90 postagens contra Lula em 2025

Rafaela Gama
O Globo

Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) fez ao longo do ano de 2025 mais de 90 publicações críticas ao Planalto, mas, desde novembro, cessou os ataques no Instagram. A mudança no comportamento on-line faz parte de uma espécie de “pacto de não agressão” firmado entre ele e o petista, conforme mostrou o colunista do O Globo Lauro Jardim. Interessado em disputar a reeleição ao Senado sem maiores resistências da ala governista em seu estado, o parlamentar também tem sido procurado pelo PT para uma reaproximação da federação União Progressista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Levantamento do O Globo identificou que, no ano passado, o presidente do PP fez ao menos 94 publicações no Instagram com críticas diretas e indiretas a petistas. A última postagem do parlamentar com ataques ao governo Lula foi em 18 de novembro, quando escreveu que “a conta do governo estava no vermelho”.

REPARAÇÃO – Desde então, tanto ele quanto seu partido têm buscado uma reparação na relação com o Planalto, que tende a se beneficiar caso a sigla decida se manter neutra e não apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o assunto teria sido discutido durante uma reunião entre o mandatário e o senador no dia 22 de dezembro, que também teve como pano de fundo a discussão sobre a reeleição de Nogueira pelo Piauí.

Ao longo de 2025, no entanto, o senador abordou temas que mexeram com a popularidade do governo, como a crise dos descontos fraudulentos do INSS. “A esquerda está desesperada com o escândalo indefensável com o roubo dos aposentados, já escalou seu gabinete de ódio para atacar a oposição”, escreveu em uma publicação feita no X e replicada no Instagram. “PT, apoie a CPMI, sua matilha vai latir de pânico”, acrescentou.

Nogueira também subiu o tom contra propostas do governo que previam acréscimos na tributação, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), derrubado pelo Congresso em maio. À época, perfis de esquerda passaram a compartilhar publicações que davam ao Legislativo a alcunha de “inimigo do povo” e propagavam a campanha do governo sobre “ricos contra pobres”. A mobilização culminou na aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil no final do ano.

IMPOSTOS E GASTOS – Em resposta, Nogueira compartilhou um vídeo, também postado no perfil da federação União Progressista, em que utilizava a mesma estética de inteligência artificial usada em uma publicação petista sobre o assunto, mas mostrava sacos rotulados como “impostos” e “gastos” do Executivo esmagando os trabalhadores. “Pensando bem, o povo não aguenta mais carregar o peso de um governo com quase 40 ministérios e que aumentou as despesas não para nós, mas para eles, a companheirada”, diz a narração do vídeo.

O tema também apareceu em outras postagens no perfil do senador, como um carrossel ilustrado com as imagens de Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com uma lista de “4 coisas que o governo deveria olhar antes de aumentar o imposto para você”, entre elas “o tamanho da máquina”. O senador também foi crítico à resposta do governo ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

IRONIA – “Soberania só vale quando interessa ao Lula”, disse em um vídeo no qual mostrava uma foto do petista junto da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre em prisão domiciliar após ser condenada por corrupção. Nogueira também usou as redes sociais para ironizar programas da gestão federal como o “Fome Zero”.

Mesmo evitando críticas ao governo desde novembro, o senador mantém fixado em seu perfil um vídeo no qual voltou a acusar o governo de ter “acionado o gabinete de ódio” contra ele, após investigações da Polícia Federal (PF) sobre um esquema bilionário de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro no setor de combustível comandado pelo PCC. Neste período, a PF também avançou sobre o caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, com quem Nogueira nutria relação de amizade.

Ação de Dino sobre penduricalhos serve para sepultar Código de Ética de Fachin

Charge: Questão de ética - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Luísa Martins
Ana Pompeu
Folha

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os penduricalhos nos salários de servidores públicos foi vista como um recado ao presidente da corte, Edson Fachin, expondo um embate interno em torno de uma agenda ética para o tribunal.

Interlocutores de Dino afirmam que, com a decisão, o ministro quis mostrar que o verdadeiro código de conduta para a magistratura passa pela revisão dos chamados supersalários e que fixar regras para a realização de palestras, por exemplo, é algo secundário nesse contexto.

APOIO A DINO – Cinco ministros ouvidos reservadamente pela Folha afirmam que a tendência é de que o plenário confirme a liminar de Dino, ainda que com ressalvas pontuais no sentido de que a regulamentação do tema fique a cargo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A sessão para o referendo foi marcada pelo próprio Fachin para o dia 25, no modo presencial.

Assim como ocorreu no julgamento sobre as diretrizes fixadas pelo CNJ para o uso de redes sociais por juízes, a expectativa é de que os magistrados aproveitem o tema dos penduricalhos para passar recados sobre a necessidade ou não de se estabelecer parâmetros para a atuação dos ministros.

O código de conduta é uma aposta de Fachin para tentar recompor a imagem do Supremo, que está em crise devido aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. Os ministros Dias Toffoli, relator do caso, e Alexandre de Moraes, estão no centro dos desgastes.

Toffoli tem tido sua conduta questionada desde que viajou de jatinho com um dos advogados da causa e impôs um severo regime de sigilo ao processo, passando por negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master.

R$ 129 MILHÕES – Já em relação a Moraes, pesa o fato de que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça. O ministro disse, na semana passada, que qualquer juiz está impedido de julgar casos cuja banca de advogados inclua um parente.

Como mostrou a Folha, a estratégia de Fachin para avançar com um código de conduta para a corte divide até mesmo ministros favoráveis à iniciativa. Mesmo entre esses apoiadores, há hesitações em relação ao momento escolhido para o debate e um temor de que a discussão fragilize a corte em um momento de vulnerabilidade.

Um desses ministros é o próprio Dino. De acordo com auxiliares do ministro, ele é receptivo à ideia de implementar um código de conduta para a magistratura, mas não concorda integralmente com a postura que vem sendo adotada pelo presidente da corte para fazer valer a sua proposta.

HÁ UM IMPASSE – Embora Fachin tenha conversado com os ministros ainda no período das férias, avisado previamente aos colegas que anunciaria Cármen Lúcia como relatora do código e pregado a necessidade de um consenso, a medida segue com ares de imposição para uma ala do tribunal. A leitura é de que Fachin ignorou as sugestões sobre aguardar um “timing” melhor.

Na decisão em que suspende os penduricalhos, expedida na quinta (5), Dino disse que os supersalários afrontam o princípio da moralidade e os caracterizou como um “fenômeno da multiplicação anômala das verbas indenizatórias” que alcançou “patamares absolutamente incompatíveis” com a Constituição Federal.

Sob reserva, um ministro mais inclinado a rejeitar o código de conduta afirma que os penduricalhos, assim como o combate à corrupção na magistratura, deveriam ser o foco prioritário de Fachin para recuperar o prestígio do Judiciário, não medidas que restrinjam pronunciamentos públicos ou a participação em eventos.

SUPERSALÁRIOS – Apesar das críticas, auxiliares de Fachin afirmam que a decisão sobre os supersalários não foi interpretada pelo presidente do Supremo como um recado negativo, já que ele próprio enfrenta o tema no CNJ no âmbito do Observatório da Transparência, criado no primeiro dia de sua gestão. O presidente do tribunal também chefia o Conselho Nacional.

Interlocutores do ministro também afirmam que, cerca de duas horas depois da decisão de Dino, no intervalo da sessão plenária de quinta-feira, Fachin conversou com os pares e decidiu marcar para breve a sessão para o referendo da liminar, com base em um entendimento de que o melhor seria lidar com o tema o quanto antes.

O nome de Cármen como relatora do código é visto como positivo por magistrados do tribunal, para que as discussões ocorram de forma ponderada, construtiva e com um distanciamento da “paixão” com que Fachin tem tratado do assunto. Ela é considerada uma magistrada habilidosa para arbitrar conflitos.

JUSTIÇA ELEITORAL – Nesta terça-feira (10), a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) teve uma reunião com representantes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) para apresentar o que tem sido classificado como um “cânone comportamental” para a atuação de seus juízes em ano eleitoral.

Cármen Lúcia defende medidas para uniformizar condutas e reforçar a credibilidade institucional no período eleitoral. Segundo a corte, os chefes das cortes locais se manifestaram pela importância do fortalecimento da ética, da transparência e da confiança da sociedade na Justiça Eleitoral.

As regras vedam o recebimento de presentes ou favores, a atuação em processos que envolvam escritórios de advocacia com vínculo do magistrado, restringem o exercício de atividades não judiciais que comprometam as funções, a participação em eventos que possam gerar conflito de interesses e a abstenção de posicionamentos ou sinalizações políticas, inclusive nas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muita espuma e pouco chope. Fachin finge que vai moralizar, e a maioria dos ministros não lhe dá confiança, não está nem aí. Enquanto isso, cresce o clamor público contra o Supremo, e isso vai influir muito nas eleições, em prejuízo de Lula, que protege o Supremo, cujos atos são indefensáveis. (C.N.)

Rejeição e polarização em cena: o dilema de Lula e Flávio Bolsonaro rumo a 2026

Segurança pública vira teste de fogo para Lula no Congresso em ano eleitoral

Entre blindagens e arquivamentos, Gonet arbitra o futuro de casos explosivos no STF

PGR decidirá sobre Abin Paralela, joias e Silvio Almeida

Teo Cury
CNN

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidirá nos próximos meses o destino de pelo menos três investigações criminais que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). Gonet tem de definir se oferece denúncia, arquivamento ou solicitação de mais diligências no caso das joias sauditas, da Abin Paralela e na investigação contra o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos.

A tendência é que o procurador-geral apresente denúncia contra investigados na Abin Paralela e contra o ex-ministro Silvio Almeida. Interlocutores de Gonet afirmam que, no cenário atual, o caso das joias sauditas deve ser arquivado. A concentração desses pareceres no primeiro semestre busca evitar que denúncias sejam feitas no período eleitoral. O objetivo, com isso, é cegar eventuais interferências de interferência nas eleições.

INDICAÇÃO – A PF (Polícia Federal) indiciou 36 pessoas em junho do ano passado no inquérito que apura o uso ilegal de ferramentas de monitoramento na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A suspeita é de utilização ilegal da estrutura da Abin para realizar o monitoramento irregular de autoridades públicas e ministros do STF.

Foram indiciados, entre outros investigados, o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o diretor-geral da agência Luiz Fernando Corrêa.

Em julho de 2024, a Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu os crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos na investigação relacionada à venda de joias sauditas apresentadas ao governo brasileiro e, posteriormente, negociadas nos Estados Unidos. 

ENRIQUECIMENTO  – O relatório da PF diz que a venda das joias, recebidas de presente por Bolsonaro durante seu mandato, teve por objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é de aproximadamente R$ 6,8 milhões.

O TCU (Tribunal de Contas da União) ainda deve decidir se as joias sauditas dadas a Bolsonaro são itens pessoais ou patrimônio público. Em 2024, os ministros concluíram que um relógio recebido de presente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um fabricante francês em 2005 não precisaria ser devolvido.

A decisão do TCU que reservou o presidente Lula de devolver o relógio de luxo pode beneficiar também Bolsonaro. A defesa do ex-presidente já disse que os dois casos são idênticos. Além de Bolsonaro, outras 11 pessoas foram indicadas pela corporação. O caso aguarda um posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República) há mais de um ano e meio.

ASSÉDIO SEXUAL – Já o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, foi indiciado pela PF em novembro do ano passado por crime de importação sexual. Almeida foi demitido um ano antes, em setembro de 2024, após denúncias.

Na ocasião, a organização Me Too Brasil confirmou que recebeu denúncias contra ele. Uma das vítimas relatadas foi a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Desde que surgiram as primeiras denúncias sobre o caso, Silvio Almeida negou todas as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Comissão de Ética da Presidência já arquivou o caso, considerando o ministro inocente. Mas até agora Gonet, o engenheiro-geral da União, continua sentado no topo do processo, cuja acusação não tem provas e parece fruto de um caso de amor que não deu certo. Mas quem se interessa?  (CN) 

Olho no lance! Senado vai devassar a ligação entre Toffoli, Moraes e Vorcaro

Alessandro Vieira explica pedidos na CPI do Crime Organizado envolvendo familiares de ministros do STF - Fan F1

Está na hora de ministro do STF ir para a cadeia, diz senador

Carlos Newton

Enquanto o governo, o Supremo, as lideranças petistas e a imprensa amestrada fazem o possível e o impossível para evitar a convocação da CPI do Banco Master, os principais envolvidos no escândalo – Daniel Vorcaro, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes – já entraram na mira do Senado e não perdem por esperar.

Ao invés de arranjar blindagem nessas CPIs criadas para proteger criminosos, desta vez até os ministros do Supremo serão desmascarados, porque a CPI do Crime Organizado vai entrar no assunto, conduzida por dois profissionais da investigação, ambos delegados de polícia – o presidente Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), que estão entre os parlamentares mais honrados e respeitados do Congresso.

TOTAL INDEPENDÊNCIA – Juntos com o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva com quatro estrelas, eles formam um trio de senadores com total independência político-partidária, que vai sacudir o país, ao tocar a CPI com a imparcialidade e o alcance necessário, em pleno ano eleitoral.

A CPI foi convocada para apurar a crise da segurança. Mas começou a funcionar e já descobria que a culpa é da desordem que caracteriza o governo brasileiro.

Um dos primeiros convocados foi o diretor de Inteligência Penal do Ministério da Justiça, Antônio Glautter. Em seu depoimento, ele revelou que o governo não dispõe de dados confiáveis sobre população carcerária; reincidência; movimentação entre facções; e gargalos do sistema penitenciário.

GOVERNO INCAPAZ – Suas declarações significam que a culpa pela insegurança é do próprio governo, que desenvolve políticas públicas sem a menor base em fatos reais, sempre fracassando em suas tentativas de combater facções superorganizadas, que estão infiltradas na economia formal para lavagem de dinheiro e já têm forte influência político-eleitoral.

Diante dessa realidade, a CPI então se voltou para o caso Master, por ser a maior ocorrência já vista de crime organizado no país.

Os trabalhos recomeçam pós o carnaval, mas o relator Alessandro Vieira já entrou em campo e pediu à CPI quebra de sigilo da Maridt, a empresa da família Toffoli que fez negócios com o cunhado de Vorcaro, o pastor evangélico Fabiano Zettel.

TRANSPARÊNCIA TOTAL – Com sua experiência na Polícia Civil, o senador do MDB pediu quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, entre 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.

Em 2025, a Maridt, que possuía um terço do empreendimento, vendeu sua participação no resort Tayayá, no Paraná, onde o ministro Dias Toffoli tem uma mansão e recebe amigos, como o banqueiro André Esteves (BTG), que foi preso na Lava Jato.

A Maridt estava associada ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador de Daniel Vorcaro, do grupo Master. No papel, a firma está registrada nos nomes de dois irmãos de Dias Toffoli, o padre José Carlos e o engenheiro José Eugênio.

DEVASSA COMPLETA – No requerimento à CPI, o senador Alessandro Vieira pede uma devassa total, com laboração de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) por parte do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Quanto ao sigilo bancário, pede a quebra “de todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em Instituições financeiras”.

Requer, também um pente fino não somente quanto ao sigilo fiscal, mas também no que se refere ao sigilo telefônico. E isso tudo é apenas o começo, porque todos os envolvidos serão chamados a depor.

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P.S.
Desde o início, estamos avisando aqui na Tribuna que o Senado ia mergulhar fundo no caso Master. O vice-presidente Hamilton Mourão já deu entrevista dizendo que, por onde anda, é sempre cobrado a pedir punição para os envolvidos. “O clamor público é impressionante”. E o relator Alessandro Vieira foi mais direto, ao dizer: “Está na hora de ministro do Supremo ir para a cadeia”. Comprem pipocas. (C.N.)

Corte de Roma nega troca de juízes e mantém processo de extradição de Zambelli

Lula terá de depor ao Senado (por escrito) sobre o caso do Banco Master

Tribuna da Internet | Confirmado! Galípolo recebeu orientação de Lula para  proteger o Banco Master

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto 

O senador Renan Calheiros não está mesmo disposto a fazer graça com ninguém, na longa agenda de trabalho já aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre os escândalos do Banco Master/BRB como frisei em artigo anterior, na Tribuna da Internet.

Depois do carnaval não haverá choro nem vela para quem estiver envolvido nas roubalheiras. Ilustres autoridades dos diversos setores da vida pública serão ouvidas na comissão.  A começar pelo encalacrado dono do Master, Daniel Vorcaro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Policia Federal, Andrei Rodrigues.

Nessa linha, o qualificado colunista do Jornal de Brasília, Eduardo Brito,  responsável pela coluna política “Do alto da Torre”, revela que Renan Calheiros pretende que Lula preste esclarecimentos por escrito à comissão, sobre as reuniões fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro. Calheiros explicou que não existe acusação direta contra Lula, mas defende que o presidente se explique para evitar especulações. 

CÓDIGO DE ÉTICA – Trabalho de relator ou relatora é sempre demorado. É preciso atenção dobrada e isenção nos detalhes, para que a tarefa seja acolhida pelo público.  Nessa linha, foi estafante e produtiva a tarefa da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), na elaboração de um Código de Conduta da Suprema Corte. 

Por ora, a discreta ministra não trata com a imprensa sobre o tema. Mas posso adiantar alguns dos tópicos mais importantes do valoroso, rigoroso e patriótico trabalho da ministra.

O severo código determina, por exemplo, que os ministros não devem usar celular quando outro ministro estiver  se pronunciando sobre algum assunto. Os integrantes do STF agora terão que comer com a boca fechada, nada de bebida alcóolica nas dependências da corte.

SEM ARROTAR – Além disso, evitar ao máximo arrotar dentro do tribunal, não cochilar no plenário, evitar contar piadas cabeludas, ir aos domingos à igreja, templo, sinagoga, centro espírita, manter os sapatos engraxados e a beca limpa.

Estabelecer preço fixo nos cachês cobrados nas palestras que ministros fazem pelo Brasil e o mundo. Liberar cedo os motoristas. Eles também têm família.

E, principalmente, evitar de ir sozinhos a bares, restaurantes, cinemas e padarias. É preciso levar sempre os seguranças, porque nunca se sabe qual será a reação e recepção da população. 

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Mariana Muniz
Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, enviou carta aos colegas da Corte na qual nega as acusações e afirma jamais ter adotado conduta que “envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”. No texto, o magistrado diz estar “muito impactado” com as notícias divulgadas e informa que se encontra internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional.

Na carta, Buzzi afirma que tomou conhecimento “de modo informal” dos fatos que lhe são imputados e diz repudiá-los. Segundo o ministro, a situação tem causado sofrimento às pessoas de sua família e de seu convívio. Ele declara acreditar que demonstrará sua inocência nos procedimentos já instaurados.

TRAJETÓRIA – O magistrado destaca sua trajetória pessoal e profissional, mencionando ter quase 70 anos, carreira ilibada, casamento de 45 anos e três filhas. Ressalta que esse histórico não deve ser interpretado como prova de inocência, mas como “elemento relevante de coerência biográfica”, que, segundo ele, exige cautela redobrada na apreciação das acusações.

Buzzi afirma ainda que lamenta o sofrimento pessoal e o desgaste imposto ao STJ. No texto, diz estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar” e critica a divulgação prematura de informações. Além da carta, o ministro apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e solicitou afastamento do cargo por 90 dias, em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A primeira denúncia contra o ministro foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias passadas com a família na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Na semana passada, a jovem foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o episódio. Na segunda-feira, outra denúncia foi registrada no CNJ.

MENSAGEM  –  Autoridades da Corte ouvidas pelo O Globo afirmaram que o ministro e pessoas ligadas a ele entraram em contato com outros ministros por meio de aplicativo de mensagem após o registro da segunda denúncia contra ele.

Um dos integrantes da Corte afirmou entender que o contato é indevido e que configura coação no curso do processo. Os episódios teriam ocorrido na noite da última segunda-feira, no mesmo dia em que uma nova denúncia contra o magistrado foi formalizada.

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Um instigante retrato campestre, na visão do poeta Carlos Pena Filho

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960) através do visual de uma planície, com apenas um passarinho, uma mulher e um homem, consegue pintar um instigante “Retrato Campestre”.

RETRATO CAMPESTRE
Carlos Pena Filho

Havia na planície um passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.
E era só. Nenhum deles tinha nada
com o homem deitado no caminho.

O vento veio e pôs em desalinho
a cabeleira da mulher sentada
e despertou o homem lá na estrada
e fez canto nascer no passarinho.

O homem levantou-se e veio, olhando
a cabeleira da mulher voando
na calma da planície desolada.

Mas logo regressou ao seu caminho
deixando atrás um quieto passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.