Gilmar Mendes prevê que haverá novas regras para emendas parlamentares

Vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar é investigado no STF e no TCU

Discurso delirante de Lula expõe fragilidades de uma campanha sob pressão

Quando a diplomacia cede lugar ao confronto, muita coisa está errada

Trump age contra os próprios interesses estratégicos dos EUA

Pedro do Coutto

A decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos representa um dos episódios mais graves da história recente das relações entre Brasília e Washington. Medidas dessa natureza são raríssimas entre países que mantêm relações diplomáticas estáveis e costumam ser reservadas a situações de ruptura institucional, crises de segurança ou conflitos de elevada intensidade política.

Ao atingir diretamente a principal representante do Estado brasileiro em território norte-americano, a Casa Branca envia uma mensagem que extrapola o campo consular: trata-se de um gesto de inequívoco conteúdo político. A reação dos dois governos evidencia que a crise está longe de ser um mero desacordo protocolar.

RECIPROCIDADE – Washington sustenta que a medida decorre do princípio da reciprocidade diplomática, argumento frequentemente utilizado quando um país entende que seus representantes sofreram tratamento considerado inadequado. Já o Palácio do Planalto interpreta a iniciativa como um ato de hostilidade e uma tentativa de exercer pressão sobre o cenário político brasileiro às vésperas de um ciclo eleitoral que promete intensa polarização.

A história demonstra que divergências entre Brasil e Estados Unidos nunca deixaram de existir. Houve atritos durante a Guerra Fria, diferenças profundas na Guerra do Iraque, embates comerciais em diversos governos e divergências ambientais nos últimos anos.

Ainda assim, ambos os países preservaram, em maior ou menor medida, os canais diplomáticos. A diplomacia existe justamente para impedir que disputas políticas se transformem em crises permanentes entre Estados. É por isso que a revogação do visto da embaixadora brasileira chama tanta atenção: rompe uma tradição de contenção que marcou décadas da relação bilateral.

APROXIMAÇÃO – A decisão também não pode ser analisada isoladamente do contexto político que aproxima Donald Trump da família Bolsonaro. Desde o primeiro mandato de Trump, os dois grupos cultivaram uma relação marcada por afinidade ideológica, defesa de pautas conservadoras e críticas comuns às instituições multilaterais. Essa convergência nunca foi escondida. Ao contrário, foi frequentemente explorada como símbolo de uma aliança política internacional entre movimentos identificados com a direita nacionalista.

Essa proximidade cria inevitavelmente uma dificuldade de percepção. Ainda que o governo norte-americano insista em enquadrar sua decisão como uma resposta institucional, torna-se difícil dissociá-la do vínculo político construído ao longo dos últimos anos entre Trump e Bolsonaro. Quando relações pessoais e ideológicas passam a coexistir com decisões oficiais de política externa, cresce o risco de que atos de Estado sejam interpretados como instrumentos de disputa política.

LIMITES – É justamente nesse ponto que reside uma das maiores preocupações. Relações internacionais entre democracias consolidadas costumam ser orientadas pelo princípio de que governos são transitórios, mas os Estados permanecem. Em outras palavras, divergências com um presidente não deveriam significar confrontos com todo um país. Quando uma potência adota medidas que parecem dialogar mais com atores políticos internos do que com o governo legitimamente constituído de outra nação, inevitavelmente surgem questionamentos sobre os limites entre política externa e interferência.

Não se trata de afirmar que exista uma intervenção direta no processo eleitoral brasileiro. Essa conclusão exigiria provas que, até o momento, não vieram a público. Entretanto, também seria ingênuo ignorar o efeito político produzido por decisões dessa magnitude. Em um ambiente altamente polarizado, qualquer movimento vindo de Washington tende a ser imediatamente incorporado ao debate interno brasileiro, fortalecendo narrativas de ambos os lados e ampliando a tensão institucional.

IMPACTO – Também merece reflexão o impacto sobre os próprios interesses estratégicos dos Estados Unidos. O Brasil é a maior economia da América Latina, integrante do G20, parceiro comercial relevante e ator indispensável em temas como segurança alimentar, energia, clima e minerais estratégicos. Relações bilaterais dessa dimensão dificilmente se beneficiam da personalização dos conflitos. Quando disputas políticas passam a orientar decisões diplomáticas, o prejuízo costuma ultrapassar governos e atingir interesses permanentes de ambos os países.

Do lado brasileiro, a resposta também exigirá equilíbrio. A tentação de elevar o tom pode produzir dividendos políticos internos, mas frequentemente dificulta a reconstrução dos canais diplomáticos. Ao mesmo tempo, a ausência de reação poderia ser interpretada como sinal de fragilidade. O desafio do Itamaraty será defender a soberania nacional sem transformar uma crise política em uma ruptura diplomática de consequências imprevisíveis.

PRUDÊNCIA – A política externa sempre foi um dos instrumentos mais sofisticados da ação do Estado. Ela exige prudência, previsibilidade e capacidade de separar divergências conjunturais dos interesses permanentes das nações. Quando gestos simbólicos passam a substituir o diálogo, todos perdem espaço para a negociação e aumenta o risco de que decisões motivadas pelo presente produzam danos duradouros no futuro.

A crise aberta entre Washington e Brasília talvez não represente um ponto sem retorno. A história das relações internacionais mostra que governos mudam, crises passam e pontes podem ser reconstruídas. Contudo, o episódio deixa uma advertência importante: quando afinidades políticas entre líderes começam a influenciar a condução da política externa, a diplomacia deixa de ser um instrumento de aproximação entre Estados para se tornar uma extensão da disputa ideológica. E esse é um caminho que raramente fortalece as democracias ou contribui para a estabilidade das relações internacionais.

Vice de Flávio Bolsonaro revela escassez de alternativas no PL, diz analista

Nome de Gaspar para vice indica improviso 

Luciana Casemiro
O Globo

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República evidencia a escassez de opções disponíveis para o bolsonarismo e a pouca importância atribuída à sinalização para o eleitorado feminino.

Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e pós-doutor pela Universidade de Columbia. Couto também vê um certo improviso na indicação. Afinal, menos de 24 horas antes do anúncio, Gaspar havia publicado em suas redes sociais que seria candidato ao Senado.

SEM ALTERNATIVAS – “A escolha de Alfredo Gaspar revela a falta de outras opções, sobretudo pelo fato de não terem escolhido uma mulher, depois de tudo o que se viu nesta campanha e das dificuldades históricas que o bolsonarismo enfrenta junto ao eleitorado feminino. Seria quase natural buscar uma candidatura feminina. Especulou-se muito sobre isso. Falaram no nome da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, de várias deputadas do PL e até da senadora Tereza Cristina. Nenhum desses nomes prevaleceu e, pelo visto, não houve um grande esforço para encontrar outra alternativa nessa direção”, afirma.

Outra interpretação possível, segundo o cientista político, é que a escolha esteja relacionada à disputa pelo Senado em Alagoas. A retirada da candidatura de Gaspar poderia representar um aceno a Arthur Lira, numa tentativa de aproximação e de convencer o Progressistas (PP) a abandonar a posição de distanciamento da campanha.

POUCA EXPRESSÃO – Na avaliação de Couto, Gaspar é um nome de pouca expressão na política nacional, apesar da visibilidade que conquistou como relator da CPMI do INSS. Para o professor, o principal atributo de sua escolha para compor a chapa de Flávio Bolsonaro é o fato de ser um político do Nordeste, região onde o bolsonarismo enfrenta seu maior desafio eleitoral. Ele ressalta, contudo, que Alagoas é um dos estados nordestinos em que o petismo também encontra mais dificuldades.

“O fato de Gaspar ser de Alagoas não resolve a situação de Flávio Bolsonaro no Nordeste como um todo. Acho que essa escolha revela mais a falta de alternativas do que propriamente agrega algo de substantivo à chapa, já que se trata de um nome bastante secundário no cenário político nacional”, diz.

ATAQUES – Couto chama atenção ainda que a notícia de fato à Polícia Federal contra o deputado federal Alfredo Gaspar envolvendo informações sobre possível estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos,, feita em março deste ano, pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pode abrir um novo flanco de ataques à candidatura de Flávio.

“Mesmo que não se tenha eventualmente provas ou coisas do tipo, o fato do deputado ser investigado por isso é uma coisa muito complicada. Ter na chapa um candidato que pode levantar essa dúvida, essa acusação é um risco que me parece grande demais. É realmente um tanto quanto estranha essa indicação, considerando que se deixa de ter uma mulher e opta um candidato com todo esse risco”, avalia

Pesquisa mostra que os penduricalhos estão enriquecendo os magistrados e afins

Corrupto desde jovem, Lulinha sempre consegue fugir da Polícia e da Justiça

Tribuna da Internet | Cerco a Lulinha, com quebra de sigilo, desarticula a pré-campanha de Lula

Charge do Clayton (O Povo-CE)

Carlos Newton

O Brasil é conhecido mundialmente como o país da impunidade, porque aqui existem dois tipos de Justiça – a que é aplicada implacavelmente nos criminosos da ralé e a que mantém em liberdade os criminosos do colarinho branco e encardido, ou seja, aqueles que têm recursos para comprar consciências em série.

Um bom exemplo é o famoso fenômeno empresarial Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que há mais de dez anos vem sendo investigado em inquéritos da Polícia Federal, mas é escorregadio e sempre consegue escapar.

ALVO, NOVAMENTE – Agora, em plena campanha eleitoral, o filho mais velho de Lula passou a ser alvo de três novas investigações, autorizadas pelo Supremo, em desdobramentos do escândalo do INSS, por suas criminosas ligações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com a também lobista Roberta Luchsinger, que se diz amiga de Lulinha

Nesta terça-feira, dia 4, a plastificada Roberta Luchsinger voltou a se destacar, após a revelação de que ela corrompeu o então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido no Planalto como Marcola, que é um dos principais coordenadores da campanha eleitoral.

O ministro André Mendonça é relator de dois inquérito sobre Lulinha, enquanto Flávio Dino ficará responsável pela tramitação do terceiro inquérito sobre o filho do presidente.

MAL DE FAMÍLIA – A corrupção está na genética dessa família. O pai respondeu a diversos inquéritos e foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção, pegando 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão no caso do triplex, e mais 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão no caso do sítio de Atibaia.

Todos os filhos já foram investigados pelos mesmos crimes (corrupção e lavagem), envolvidos em tenebrosas transações, como diz o petista Chico Buarque de Holanda. O mais visado é Fábio Luís, o Lulinha, que começou sua carreira como tratador de animais no Zoológico, ganhando R$ 600 por mês e logo se transformou naquele fenômeno empresarial que tanto orgulha o presidente Lula.

Anos depois, assim como o pai e dois irmãos, Fábio Luís foi alvo de buscas na 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em 2016. Na época, a força-tarefa investigava a relação de Lula com empreiteiras.

DINHEIRO FÁCIL – Com Lula na presidência, o fato inconteste é que o dinheiro entrava fácil nos bolsos de Lulinha, que rapidamente enriqueceu de forma ilícita. Em 2016, a PF denunciou que financiadores aplicaram R$ 103 milhões na empresa de Lulinha, a Gamecorp.

A devassa apontou que as empresas Oi Móvel e Telemar Internet foram responsáveis por R$ 82 milhões, e outros R$ 6 milhões foram repassados pelo Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava.

A perícia também denunciava recebimentos de outras duas empresas de Fábio Luís. Na época, o documento ainda não trazia conclusões ou encaminhamentos.

SÍTIO DE ATIBAIA – A investigação da PF indicava que parte dos recursos pagos pelas empresas tenha sido usada na compra do sítio em Atibaia (SP), frequentado por Lula.

Segundo os investigadores afirmaram na ocasião, ao todo, a Oi repassou R$ 132 milhões a empresas de Lulinha e dos sócios – os irmãos Fernando e Kalil Bittar e Jonas Suassuna – e a Vivo, cerca de R$ 40 milhões.

Lulinha também entrou na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em 2005 para apurar corrupção nas estatais, mais especificamente nos Correios. Essa mesma CPI mirou o esquema do mensalão, principal escândalo político do primeiro mandato de Lula.

RONALDINHO – Em 2006, Lula defendeu o filho e afirmou: “Deve haver um milhão de pais reclamando: Por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”.

Sócio de Lulinha, o empresário Jonas Suassuna era dono de uma das áreas da propriedade em Atibaia. Além disso, o inquérito também citava um apartamento no valor de R$ 3 milhões que teria sido comprado e mobiliado por ele para uso da família de Lula.

Em fevereiro de 2020, Suassuna vendeu sua parte na empresa de mídia. Em maio, foi a vez do filho de Lula se retirar da sociedade. As investigações foram arquivadas em 2022.

CPI DO INSS – Agora, tudo voltou à tona, porque a  Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 para apurar desvios em pagamentos a aposentados, acabou incluindo provas do envolvimento do filho de Lula com o lobista conhecido como Careca do INSS e com a também lobista Roberta Luchsinger, que subornou o chefe do gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Lulinha teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pelo STF, a pedido da Polícia Federal, e pela CPI mista do INSS em fevereiro.

Trechos dos dados sigilosos, repassados pela PF à CPI, apontam que, em quatro anos, Lulinha recebeu pouco mais de R$ 9,7 milhões em suas contas e repassou valor equivalente, somando R$ 19,5 milhões em transações.

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P.S. –
Nada de novo no front ocidental. Todos sabem que a família de Lula vive envolvida em corrupção e lavagem de dinheiro. Agora o alvo é Lulinha, que está foragido na Espanha, onde a família de Lula tem a proteção de uma fortíssima quadrilha internacional, que em 2025 faturou no Brasil algo em torno de um bilhão de reais, l
ivre de impostos, dando “apoio” ao governo Lula e a governos estaduais e municipais. Na Espanha, Lulinha sente-se protegido e não vai mais voltar. (C.N.)

Bolsonaro busca autorização de Moraes para reunir a família no Dia dos Pais

Paz com Michelle impulsiona Flávio Bolsonaro e reduz vantagem de Lula

Evangélicos avaliam que Flávio errou ao escolher Alfredo Gaspar para vice

Malafaia diz que uma mulher agregaria mais à campanha

Anna Virginia Balloussier
Folha

Lideranças evangélicas têm manifestado ressalvas sobre a capacidade do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) de alavancar votos para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, Gaspar foi anunciado nesta quarta (5) como vice de Flávio.

Não foi a melhor escolha —ao menos é como pensam quatro líderes com quem o Painel conversou após o anúncio, todos frequentadores de reuniões evangélicas no Palácio do Planalto quando o pai do candidato, Jair Bolsonaro (PL), era presidente. A avaliação de bastidor é que a presença de uma mulher na chapa traria maior apelo eleitoral e alcance estratégico.

ALTERNATIVAS – Nomes como a vereadora Priscila Costa (PL-CE), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foram apontados por interlocutores como alternativas de maior peso. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos) corria por fora na preferência do grupo —Flávio dizia publicamente que ela era sua predileta.

O pastor Silas Malafaia, único do quarteto a falar abertamente sobre o tema, diz que apoia Flávio e vê seu vice como “um grande político” que fez um “trabalho formidável da CPI”. “Agora, eu acho, opinião minha, que uma mulher agregaria mais. Por exemplo, a Priscila Costa: nordestina, mãe de família, sabe falar. É uma opinião minha, não estou falando de preferência, é estratégia”, disse.

Colegas de pastoreio acham que pode pesar contra a campanha o fato de Gaspar ser alvo de um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de estupro de vulnerável, fora responder a uma investigação por suspeita de desvio de emendas parlamentares. Sobretudo a acusação de violência sexual poderia provocar desgaste no eleitorado feminino. Já Malafaia diz que a acusação é uma “falácia” e não irá prosperar por falta de provas. “É fake news, não entra nessa, não.”

Lula chama de “irresponsável” a revogação do visto da embaixadora pelos EUA

Declaração foi dada durante entrevista a podcast

Kellen Barreto
Filipe Matoso
Mariana Laboissière
G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou nesta quarta-feira (5) como “irresponsável” a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil no país. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast “Meteoro Brasil” ao comentar o aumento das tensões diplomáticas entre os dois países.

“Eles [Estados Unidos] tomaram a atitude de cassar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que tirar visto outra vez. Sabe? Então, essa atitude é que eu acho uma atitude irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática”, afirmou Lula.

RESPEITO – Lula acrescentou que o Brasil exige ser tratado com respeito e criticou a condução do governo americano em relação às relações diplomáticas com o país. Segundo o presidente, os Estados Unidos demoraram a indicar um embaixador para o Brasil e não poderiam impor o cronograma desejado para o recebimento do representante.

“Os Estados Unidos não dão importância para embaixador no Brasil, faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá. Tá? Aí, tenta mandar e acha que a gente tem a obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito”, prosseguiu.

ELEIÇÕES –  Ao responder sobre uma eventual interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, Lula também mencionou que o país está preparado para enfrentar qualquer tentativa de influência externa. “O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral”, declarou.

Lula relembrou também do encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando o governo brasileiro pediu a revogação das sanções contra autoridades. Segundo Lula, o governo americano não teria atendido ao pedido. “Depois, eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens pra cá para se intrometer e fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles”, argumentou.

O presidente citou também que orientou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a não marcar encontros com embaixadores até o fim da eleição. Segundo Lula, a medida vale para representantes de qualquer país. “Eu disse ao Mauro: até a eleição eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição”, afirmou.

REVOGAÇÃO DE VISTO – As declarações ocorrem um dia após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil e em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países. Durante a entrevista, Lula disse que o governo brasileiro não aceitará interferências externas no processo eleitoral e defendeu uma relação baseada no respeito entre as nações.

Desde o início da campanha eleitoral, a relação entre Brasil e Estados Unidos passou por uma escalada de tensão política e diplomática. O governo do presidente norte-americano Donald Trump anunciou medidas tarifárias contra produtos brasileiros, no episódio que ficou conhecido como “tarifaço”, enquanto integrantes do governo Lula passaram a atribuir às ações americanas um componente político ligado à disputa eleitoral brasileira.

PAUTAS BOLSONARISTAS – Nesse contexto, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, intensificaram contatos com setores políticos americanos. O deputado Eduardo Bolsonaro passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de pautas ligadas ao grupo bolsonarista, enquanto o governo brasileiro passou a denunciar tentativas de pressão externa sobre instituições nacionais.

Em resposta, o Itamaraty negou vistos a estrangeiros que pretendiam vir ao Brasil para questionar ou fiscalizar o sistema eleitoral brasileiro. A crise se aprofundou nos últimos dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos.

Lula vai ganhar a eleição, porque é o melhor candidato, com o melhor vice

Lula confirma que Geraldo Alckmin será candidato a vice na chapa que  disputará reeleição #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon  #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Vicente Limongi Netto

Lula, além de ser o candidato mais qualificado na disputa para a presidência da República, conta, também, com o melhor e mais operoso candidato a vice-presidente. O ministro Geraldo Alckmin foi quatro vezes governador de São Paulo, o estado mais rico e poderoso do país. Currículo forte é isso.

O adversário que mostra mais chances na disputa com Lula, Flávio Rachadinha Bolsonaro, depois de muitas dificuldades e negativas, anunciou o deputado federal Alberto Gaspar, do PL. Nome político sem expressão nacional. Conhecido apenas em Alagoas.

ASSÉDIO SEXUAL – Não faz muito tempo Gaspar precisou agir rápido para desmentir acusações de assédio sexual. Pesquisas em Alagoas mostram que Gaspar aparece cotado para o Senado Federal.

Ou seja, Gaspar troca uma possível eleição para o senado, para dar um tiro no pé e na alma, como vice de Flávio Bolsonaro. Chapa pura sem votos é inútil, sem importância. Não ganha eleição.

Ao mesmo tempo, o PL insiste em destacar, como coisa de outro mundo, tentando cativar desavisados, que Michelle fez as pazes com Flávio. Amor divino entre madrasta e enteado. E daí? Qual a novidade, onde está algum marcante fato político eleitoral da tal reconciliação? Querem tirar votos de pedras, com amadorismo e apelação.

O DIA DELE – Pai é calor humano. Vigilante. Carinhoso. Amoroso. Zeloso. Elogia e puxa as orelhas. Deixa de comer para alimentar os filhos. Vai no posto encher os pneus da bicicleta. Bota carga no celular. Acompanha os filhos nas compras. Incentiva a prática de esportes. Orienta e recomenda boas leituras.

Acorda no meio da noite para embalar filho ou filha chorando. Ensina lições de virtudes, respeito ao próximo, decência nas atitudes. Abre conta no banco. Torce junto nos estádios, ambos uniformizados, e de boné.

Pai sugere, alerta, lamenta, aplaude. Viaja junto. Pega cineminha, museus e teatros. Feliz do filho e da filha que ainda tem ombro carinhoso e amigo do pai para abraçar, beijar e agradecer.

Não adianta tirar a Tribuna do ar, porque sempre voltamos com ainda mais força

A história está nos detalhes | De doutrinação – A história está nos detalhes

Charge do Jota (Arquivo Google)

Carlos Newton

Na noite desta terça-feira, dia 4, a Tribuna da Internet esteve mais uma vez fora do ar, a partir de 21h30m, e só voltou a ser acessada nesta quinta-feira, às 11h10m. Depois, sumimos novamente da Internet, e só voltamos no final da tarde. Ao todo, cerca de 18 horas fora do ar.

Para nós, é uma rotina, desde que lançamos o blog da Tribuna da Imprensa, no início de 2009, com Helio Fernandes, Carlos Chagas, Sebastião Nery, Pedro do Coutto, Vicente Limongi Netto, José Carlos Werneck, Marcelo Copelli e outros grandes jornalistas.

ARQUIVO DESTRUÍDO – Já fomos retirados de cena dezenas de vezes, mas o show precisa continuar. O mais grave ataque de hackers ocorreu em 2018, quando conseguiram desformatar e destruir todo o arquivo, sepultando importantes artigos e reportagens.

Mas isso não adianta nada, porque jamais conseguem nos tirar da web definitivamente, e logo estamos de volta, com denúncias ainda mais impressionantes.

A cada ataque que recebemos, sempre voltamos com ainda mais motivação e força, sob o signo da liberdade, que deveria nortear o jornalismo como um todo, mas a plena liberdade de opinião ainda é um sonho..

BALANÇO DE JULHO – Como sempre fazemos a cada início de mês, vamos divulgar o balanço das contribuições que recebemos no mês anterior, para manter este espaço independente na internet, que opera sem patrocínio de qualquer espécie.

De início, os depósitos feitos na Caixa Econômica Federal:

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO          VALOR
02     021045        DEP DIN LOT……230,00

02     021440        DEP DIN LOT……100,00
09     091630        DEP DIN LOT……100,00
15     151236        DEP DIN LOT……230,00
22     221448        DEP DIN LOT……100,00
30     000001        TED J.VIDAL………40,00
30     301119        DEP DIN LOT……230,00
30     301252        DEP DIN LOT……100,00

Agora, as contribuições feitas em nossa conta no Banco Itaú/Unibanco:

01 PIX TRANSF JOSE FR.01/07…….150,00
01 PIX TRANSF PAULO R.01/07……100,00
07 TED 001.5977.JOSE A P J………..357,07
20 TED 001.4416.MARIO ACR……..300,00
23 PIX TRANSF CELSO P………………100,00
31 TED 033.3591.ROBERTO SD……200,00

Por fim, uma contribuição feita na conta do Banco Bradesco:

06  Dep. Jose F. Dantas…………………60,00

Agradecendo muitíssimo as contribuições que mantêm esse espaço independente na internet, vamos em frente, sempre juntos, em busca de um mundo melhor, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar para vice e mira ofensiva contra Lula

Lula deixa rombo e o próximo governo terá de fazer ajuste nos primeiros meses

Projeto do PL para impeachment de ministros do STF esbarra na falta de maioria no Senado

Músicas românticas de Taiguara eram também incisivas canções de protesto

Kuarup - O grande cantor e compositor Taiguara faria 75 anos de vida hoje,  dia 9 de outubro. O músico foi considerado um dos símbolos da resistência à  censura durante a ditadura

Taiguara, um compositor realmente genial

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva, foi um dos melhores compositores da MPB e considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, tanto que teve, aproximadamente, 100 músicas vetadas, razão que o levou a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973.

A letra da música “Hoje” foi censurada, porque fazia alusão ao governo militar, à tortura ( trago em meu corpo, as marcas do tempo) e insinuava que a sociedade era infeliz sob o comando da ditadura militar. A música foi gravada por Taiguara no LP Hoje, em 1969, pela EMI-Odeon.

HOJE
Taiguara

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero, a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo…

Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Cores, viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos,

Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas…
Na solidão das noites frias por você.

Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte

Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte

Sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim como eu te amei.

STF projeta Senado de 2027 para medir risco de pedidos de impeachment

Polarização leva clãs políticos a disputar a eleição em lados opostos

Ciro e Cid Gomes travam batalha eleitoral

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Presente em grande parte das famílias brasileiras, as divergências eleitorais também colocam em campos opostos membros de tradicionais clãs políticos que disputarão votos em outubro. Um dos casos mais emblemáticos é o dos irmãos Ferreira Gomes, que concorrerão a cargos no Ceará em palanques rivais. Enquanto Ciro (PSDB) representa a oposição ao petismo na corrida pelo governo estadual, Cid (PSB) disputará a reeleição ao Senado na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cenário se repete em diferentes estados. Em Mato Grosso do Sul, o DNA político foi passado de pai para filhos na família Trad, que hoje se encontra rachada. O espólio familiar originado pelo ex-deputado federal Nelson Trad está divido em duas frentes. De um lado, o senador Nelsinho Trad (PSD) tenta reeleição em uma aliança com o centro. De outro, estão o ex-deputado federal Fábio Trad, que se filiou ao PT para disputar o governo estadual, e o vereador Marquinhos Trad, que ingressou no PV e será candidato à Câmara.

DISPUTA DE PAUTAS –  Defensor de um “Estado enxuto” e de “valores cristãos”, Nelsinho se define como membro de um “centro-conservador”. “As divergências familiares existem, mas precisamos respeitar e sermos respeitados. Aprendemos isso em casa. Devemos ter racionalidade e mostrar que família não deve brigar. Eles trabalhando no campo deles e eu no meu”, afirma o senador.

Fábio, por sua vez, diz ter como principal bandeira o combate à desigualdade social: “Temos uma relação típica de irmãos. Sempre caminhamos juntos no mesmo campo político que tinha por pressuposto o respeito à democracia. Ocorre que, com o advento da extrema direita bolsonarista, eu fiz uma opção clara pela democracia constitucional”, diz o petista, que completa: “O Marcos refletiu bastante e se posicionou também no campo democrático. Sobre a opção do Nelsinho, não comento”.

LADOS OPOSTOS  – Já Marquinhos diz que “respeita” as escolhas de cada um dos irmãos: “Não entrei na política para criar divisões na família. Escolhi defender aquilo em que acredito: justiça social e o SUS, além de educação e geração de empregos. Podemos estar em lados opostos nas eleições, mas jamais serei adversário do meu irmão Nelsinho na vida, inclusive, além do Vander Loubet, votarei nele para o Senado”.

O Mato Grosso do Sul também é o berço político da família da ex-ministra Simone Tebet (PSB), que disputará o Senado por São Paulo. Aliada de Lula, Tebet é casada com o candidato à deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB).

No estado onde Jair Bolsonaro (PL) teve quase 60% dos votos no segundo turno de 2022, Rocha foi secretário da Casa Civil no governo do bolsonarista Eduardo Riedel (PP) até outubro do ano passado e tem alianças estaduais inclinadas à direita. Procurados, Rocha e Tebet não se manifestaram.

REAPROXIMAÇÃO –  Já em Pernambuco, a reaproximação entre João Campos (PSB) e a prima Marília Arraes (PDT) não resultou em uma aliança integral entre as famílias em torno da candidatura do ex-prefeito do Recife ao governo estadual. Primo de João e Marília, o pré-candidato a deputado estadual Daniel Valença (PSOL) declara apoio a Ivo Moraes (PSOL) na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Valença tem como principais bandeiras o direito à cidade, a mobilidade segura e políticas urbanas mais justas.

“Minha família sempre conviveu de forma democrática com as divergências políticas, e fui educado entendendo que discordar não significa romper relações, mas reconhecer que as pessoas podem enxergar caminhos diferentes para enfrentar os problemas da sociedade. Tenho respeito e afeto por João, mas não acredito que o voto deva ser determinado por laços familiares”, afirma Valença.

RACHA ENTRE OS GOMES –  Ciro e Cid Gomes são pela primeira vez candidatos em lados opostos num pleito estadual, após o rompimento ocorrido em 2022. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada mostra ambos liderando a corrida pelo governo estadual e pelo Senado, respectivamente.

Nesta eleição, Ciro se aliou ao bolsonarismo cearense e à federação União-Progressista, enquanto Cid acertou a presença na chapa petista após um pedido de Lula. O presidente trabalha para fortalecer o palanque de Elmano, diante da liderança de Ciro nas pesquisas de intenções de voto.

CONSTRANGIMENTO – Nos últimos meses, Cid chegou a afirmar ser “muito constrangedor ter um irmão e não votar nele”. O senador também rebateu uma declaração recente do tucano, na qual o candidato ao Palácio da Abolição disse que, quando Cid disputou a eleição para governador, em 2006, era conhecido como “irmão de Ciro”.

“Me perdoe! Mas, eu tinha sido prefeito de Sobral, durante oito anos”, disse Cid em evento partidário. Já Ciro disse em entrevista à rádio O Povo CBN que a frustração pelo não apoio do irmão é “grande e pesada”, mas já “mofada e vencida”.

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