“É preciso encontrar as cores certas para poder trabalhar a Primavera”. ensina Thiago de Mello

Thiago de Mello, retratado por F.C. Lopes

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

O poeta amazonense Amadeu Thiago de Mello, no poema “Mormaço de Primavera”, chama atenção para os valores simples da natureza humana, principalmente a esperança, porque, apesar dos pesares, devemos sempre continuar, mesmo que ainda seja difícil distinguir “o sujo do encardido,/ o fugaz, do provisório”, temos que avançar, temos que lutar, tendo em vista “que é preciso encontrar as cores certas/ para poder trabalhar a primavera”.

MORMAÇO DE PRIMAVERA
Thiago de Mello

Entre chuva e chuva, o mormaço.
A luz que nos entrega o dia
não dá ainda para distinguir
o sujo do encardido,
o fugaz, do provisório.
A própria luz é molhada.
De tão baça, não me deixa sequer enxergar o fundo
dos olhos claros da mulher amada.

Mas é com esta luz mesmo,
difusa e dolorida,
que é preciso encontrar as cores certas
para poder trabalhar a Primavera.

Enquanto Chico Rodrigues teve de tirar a cueca, Davi Alcolumbre veste uma tremenda saia justa

Davi Alcolumbre testa positivo para coronavírus, diz assessoria - Tribuna  de Minas

Além da saia justa, o colarinho também está apertado…

Deu na Coluna do Estadão

Como efeito colateral do episódio do dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), Davi Alcolumbre se enfiou numa saia-justa. O presidente do Senado, que busca o apoio de seus pares e de ministros da Corte para se manter no comando da Casa, terá de decidir se desagradará a senadores ou ao ministro Luís Roberto Barroso e alguns de seus colegas de STF.

Nos grupos de WhatsApp de parlamentares, tem sido amplo o apoio a Rodrigues, afastado do cargo pelo ministro. A decisão monocrática foi considerada afronta ao Parlamento.

DECISÃO AFOITA –  Ângelo Coronel (PSD-BA), por exemplo, chamou a decisão de “afoita” e “midiática”. Mecias de Jesus (Republicanos-RR) classificou o afastamento do colega de “fato institucional da maior gravidade”. Até a oposição entrou no meio: Jean Paul Prates (PT-RN) disse concordar com os colegas no grupo.

“Não tem nada que desabone Chico Rodrigues. Espero que o Davi realmente tome providências e dê amparo legal ao nosso amigo e companheiro”, disse em áudio no grupo de senadores Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

E o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) enquanto aguardava o início de uma missa, disse sobre Rodrigues: “Se eu puder ser um bálsamo nesse ferimento, serei”.

CÂMARA REAGE – Houve intensa repercussão também na Câmara: “Afastar um senador por decisão monocrática e antes da denúncia não tem guarida na Constituição. Ministro não pode estar preocupado só com “likes”, mas com a Constituição”, afirma Marcelo Ramos (PL-AM).

“A conduta do senador Rodrigues tem de ser apurada e, se comprovada como ilegal, ser duramente punida, mas dentro dos limites da lei e da Constituição”, completa Ramos.

Para ampliar a sensação de afronta ao Legislativo, não foram poucos os parlamentares que viram na decisão do STF de manter a prisão de André do Rap uma “reescritura da lei” pela Corte, em gesto claro de ativismo judicial.

TUDO ERRADO – A despeito da enorme capivara de André do Rap e de sua periculosidade, o episódio começou e terminou mal para STF com a “mudança” do artigo 316 do Código Penal, aprovado pelo Congresso e sancionado por Jair Bolsonaro.

A “estreia” pra valer de Luiz Fux no plenário como presidente do STF foi bem ao estilo do ministro: sob fortes holofotes. Nesse clima, ´rÉ preciso lembrar que há uma ação no STF, sob relatoria de Gilmar Mendes, que questiona a possibilidade de reeleição à presidência das Casas. Como a Coluna antecipou, a advocacia do Senado alega ser possível e tratar-se de uma questão “interna corporis”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAinda há senadores decentes. Está na hora de dar um basta nesse tal de Alcolumbre, cuja família quer dominar o Amapá política e financeiramente. Ele já teve seus 15 minutos de fama, deve se recolher (ou ser recolhido) à sua insignificância. (C.N.)

Ministro Marco Aurélio Mello enfrenta Fux e quem mais estiver pela frente

TRIBUNA DA INTERNET | Marco Aurélio extrapolou e infringiu o Regimento  Interno do próprio Supremo

Marco Aurélio diz que não deixará agressão sem resposta

Vicente Limongi Netto

Discussão polêmica, a soltura do traficante André do Rap. Contudo, serve para enfatizar a fragilidade do sistema jurídico brasileiro. O ministro Marco Aurélio de Mello não pode ser satanizado por esse incidente. O embate prosseguirá. Em campo, aves de todas as espécies. Estudiosos, juristas legítimos, palpiteiros arrogantes, patrulheiros venais e hipócritas adoradores de holofotes fáceis. Nessa linha, é de bom tom que não se insista em jogar o ministro Marco Aurélio Mello contra a parede da vilania. 

Continuará retrucando insultos no tom que o assunto exigir. “Se alguém errou, não fui eu”, salientou no magnífico voto, no STF, sobre o habeas corpus que deu.

RIGOR DA LEI – O novo decano da Suprema Corte não tem vocação para bode expiatório. Marco Aurélio em seus votos, segue os rigores da lei. Tem couro duro para aguentar e retrucar carpideiras, pseudos paladinos e donos da verdade.

Lembrou no voto, cuja sessão plenária ficará nos anais da história do STF, que “paga-se o preço por viver em Estado de Direito”.

Classificou o ministro-presidente da corte, Luiz Fux, de “autoritário”, “tutor e curador”, por cassar o habeas corpus que concedeu ao traficante. Por fim, Marco Aurélio afirmou que não se acha no banco dos réus pela polêmica decisão. O assunto ainda vai render.

DINHEIRO NA CUECA  – O chamado “Novo Senado” cada vez mais desmoralizado. O senador Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro nas nádegas, é notável membro da venal e hipócrita “nova política” apregoada pelo governo Bolsonaro.

Além disso, é aliado de primeira hora do senador Davi Alcolumbre. Para fechar com sucesso o script da imunda e explícita nova política, agora só falta reeleger o roliço e nefasto Alcolumbre para a presidência do Senado, de maneira totalmente ilegal, sem reforma da Constituição.

LEMBRANDO HAVELANGE – O novo e belo livro do escritor e jornalista Silvestre Gorgulho, cujo próximo lançamento foi destacado por Carlos Newton aqui na TI, desta vez brindando os leitores sobre os 80 anos de Pelé e suas histórias com JK, tem prefácio de outro craque: do ex-presidente da Fifa, João Havelange, que acompanhou a produção do livro e escreveu o prefácio.

Assim como a dupla de homenageados por Gorgulho, Havelange também deixou legado de glórias e sucesso, ao futebol brasileiro e mundial. Como presidente da então CBD, o Brasil conquistou três títulos mundiais de futebol. Presidiu a Fifa por 25 anos. Tornou a entidade numa potência financeira e esportiva. Deixou a Fifa com mais países filiados do que a ONU. Uniu o mundo, raças e nações, pelo futebol. Foi condecorado por reis, presidentes e rainhas. Um brasileiro mundialmente reconhecido. 

Na suprema bagunça, tudo é lamentável no caso André do Rap, síntese dos vícios recentes

Charge O Tempo 22/01/2018 | O TEMPO

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Vera Magalhães
Estadão

É inútil tentar explicar à grande massa da opinião pública o intrincado novelo legislativo, interpretativo e jurídico que permite que, num intervalo de um dia, um ministro do Supremo Tribunal Federal mande soltar um dos mais perigosos traficantes do País, e outro mande prender. O que salta aos olhos, nesse caso, é a barafunda da mais alta Corte de Justiça do País, uma situação que vem sendo construída a muitas mãos, tijolo a tijolo, ao longo dos últimos anos.

O sabor das conveniências e os alinhamentos de ocasião, políticos e jurídicos têm levado a que o STF aja, sistematicamente, de maneira disforme, disfuncional e, sobretudo, política.

FASE LAVA JATO – Então, houve um momento em que o vento soprava a favor do punitivismo, e por ele se guiaram antes históricos garantistas. Veio a Lava Jato, que, por alguns anos gozou de prestígio similar na Corte, mantendo a tendência anti-impunidade e levando a que a operação tivesse confirmadas quase todas as suas principais (e até as mais polêmicas) decisões.

A maré virou, e não adianta negar, depois do impeachment de Dilma Rousseff. Foi só ali, depois de o axioma de Romero Jucá (aquele do acordão com o Supremo, com tudo) se tornar conhecido, que os hoje propalados reparos à Lava Jato vieram à baila e o assim chamado garantismo voltou à moda entre os togados. A ponto de o tribunal se ver cindido em dois.

SOB NOVA DIREÇÃO – O grupo antilavajatista colecionou vitórias na gestão Dias Toffoli e graças à composição da Segunda Turma, mas agora o comando trocou de mãos.

Só que os alinhamentos e o movimento do pêndulo não são tão simples. À frente da Corte está Luiz Fux, alguém que não goza de popularidade interna nem entre os antilavajatistas nem particularmente entre os apoiadores da operação.

Há ainda ministros que não jogam fechados em nenhum dos times, como Marco Aurélio Mello, pivô do lamentável episódio André do Rap, a enigmática Rosa Weber e Alexandre de Moraes, que tem sido mais independente em relação a esses grupos. Além disso, a saída de Celso de Mello e a decisão de retornar ao plenário do STF as questões referentes a inquéritos e ações penais vão necessariamente reconfigurar estratégias e alianças.

PAPELÃO NACIONAL – Este é o pano de fundo político que permitiu a que se chegasse a um papelão nacional como esse da soltura de André do Rap.

Cheira a cinismo de advogados louvarem o caráter “técnico” da decisão de Marco Aurélio. Mesmo a análise fria do que mandou a lei anticrime, e que agora está consignado no Código de Processo Penal, recomenda deixar para o juiz singular decisão de revogação de prisão preventiva, quando não justificada pelo Ministério Público ou autoridade policial.

Ainda que fosse tecnicamente correta, a decisão não se sustenta diante da periculosidade do traficante e o risco – agora confirmado, com sua óbvia fuga – de sua soltura.

SEM CHORUMELAS – E não adianta vir com firulas jurídicas: é, sim, papel do STF zelar pela ordem pública, e não se espera de um magistrado da Corte suprema que esteja de prontidão para, a qualquer cochilo de prazos do Ministério Público, conceder liminar com esse teor num sábado pré-feriado.

O jogo de gato e rato iniciado entre os ministros depois da decisão e de sua revogação por Fux, com direito a indignidades de troças quanto ao penteado do presidente da Corte, é sinal de que foi longe demais o esgarçamento da institucionalidade na cúpula do Judiciário.

É este o retrato do Poder com o qual a sociedade vem contando para, vejam só, colocar freios no presidente com pendores autocráticos. Enquanto uma ala da Corte está confraternizando com ele e opinando sobre indicações para o Supremo, a outra está se engalfinhando numa disputa infantil enquanto um criminoso perigoso foge nas suas barbas. Aterrador.

Alcolumbre está ocupado em tempo integral na montagem das batalhas para sua reeleição

OI ZUM-ZUM-ZUM, TÁ FALTANDO UM – Contra o Vento

Charge do Glauco (Arquivo Google)

Rosângela Bittar
Estadão

De hoje até o dia D da sucessão das presidências da Câmara e do Senado, serão 110 dias, tempo suficiente para correção de rumos. Na Câmara, está claro o processo da disputa de duas forças políticas. De um lado, o governo. O deputado Arthur Lira torna-se representante do Palácio do Planalto e, se for eleito, transfere o comando da Câmara ao próprio presidente Jair Bolsonaro.

De outro, a Câmara propriamente dita. A entrega da presidência ao controle preferencial dos deputados, o que representaria a continuidade da liderança de Rodrigo Maia. Depois de aparecerem vários favoritos, o candidato do grupo autonomista à presidência, no momento, é Baleia Rossi, do MDB de São Paulo.

TEMER SABE TUDO – Baleia Rossi tem as bênçãos do atual presidente e alavancado pelo trabalho de aliciamento do ex-presidente Michel Temer. Que, atuando em causa própria, elegeu-se presidente da Casa em três legislaturas. Temer é reconhecido como o maior especialista nestas negociações típicas da atividade parlamentar.

Já a sucessão da presidência do Senado tornou-se um balé de sombras. O atual presidente, senador Davi Alcolumbre, persegue um desfecho do tipo ilegítimo e ilegal.

Alcolumbre voluntariou-se para reeleger-se. Uma decisão pessoal, cuja razão real ainda não emergiu. Como se o instituto da reeleição, por si só, já não envolvesse tantas dúvidas e clamores por sua extinção, Alcolumbre acrescentou outras transgressões. A começar pela hipótese de exigir uma decisão judicial para viabilizar seu desejo. O presidente do Senado assumiu tal obstinação e paralisou as atividades da Casa.

APAGÃO DO SENADO – No último domingo, 11 de outubro, em reportagem no Estadão, Amanda Pupo listou os itens do “paradão” do Senado. Nas votações suspensas ou adiadas estão urgências, como o novo marco legal do mercado de gás, as regras para regulação dos setores ferroviário e elétrico, sem falar das votações em sessões conjuntas do Congresso. Que não avançam porque dependem da atuação do presidente do Senado, ocupado em tempo integral na montagem das suas mirabolantes batalhas pela reeleição.

O silêncio do Senado conta com a conivência da oposição, dos ex-governadores, dos estreantes, dos antigos e de todos. Indiferentes às ações do presidente da Casa, que só age quando se torna premente usar, através da sua, a mão oculta do governo na definição das pautas.

Na verdade, o Senado sempre teve uma tradição de vida serena, em oposição à trepidante Câmara. Ou seja, cada um, ali, faz o que quer, sem ser incomodado.

BONS DE BRIGA – A paz só foi quebrada, em períodos da história, por independentes bons de briga e de discurso, como foram o senador Pedro Simon, por 30 anos, ou, muito remotamente, o legendário senador Teotônio Vilela. Agora, nem isto.

A imobilidade do Senado é estratégica. Os ex-governadores, experientes em composições esdrúxulas nas bases estaduais, tendem a repetir o descompromisso ao assumir o Senado.

E a oposição não tem oportunidade de se exercitar. Como se vê pelo repertório do seu líder, Randolfe Rodrigues. Que se sobressai muito mais nas votações do Supremo do que no próprio Senado. Mais advogado do que senador. Mais demandante judicial que parlamentar em ação.

CASA SECUNDÁRIA – E, à falta do Centrão, que inexiste no Senado, o governo caça com Alcolumbre. O Senado resolveu se tornar, de fato, uma Casa secundária. Presta-se pouca atenção ao que lá se passa e, sobretudo, ao que não se passa.

O Congresso, de fato, não se renovou. Câmara e Senado seguem como orquestras paralelas. E o velho maestro arranjador de outros tempos, senador Renan Calheiros, acaba de retornar ao posto para reforçar a pretensão de Davi Alcolumbre, que o destituiu e agora se beneficia de seu apoio e renovado fôlego.

Numa composição esperta, que dá a Bolsonaro tempo livre para abandonar-se à obsessão contagiante: a sua própria campanha da reeleição, agora atrapalhada pelo senador da cueca.

 

 

Bolsonaro diz que acredita cada vez mais “na palavra e no trabalho” de Paulo Guedes

“Economia brasileira tem se recuperado em `V´”, disse Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta sexta-feira, dia 16, que “cada vez mais, acredita na palavra e no trabalho de Paulo Guedes”. A declaração ocorreu durante a inauguração de uma planta de biogás de uma usina da Raízen, em Guariba, São Paulo.

Segundo o chefe do Executivo, a economia brasileira tem se recuperado em “V”, como Guedes costuma dizer. “O Brasil, na parte econômica é um daqueles que melhor tem saído dando uma resposta a essa pandemia. A nossa economia tem reagido muito bem, cada vez mais eu acredito na palavra, no trabalho do Paulo Guedes e sua equipe de modo que estamos saindo sim, em V dessa crise. Se Deus quiser, em pouco tempo voltaremos a normalidade e cada vez mais o Brasil despontará para o mundo como um país que realmente tem um grande futuro”, apontou.

“BENQUISTO NO CAMPO” – O mandatário disse ainda que é benquisto no setor da agroindústria e que o Ministério do Meio Ambiente nada fará para atrapalhar o setor. “Quando falam que eu sou benquisto pelo pessoal do campo, o pessoal do agronegócio. O nosso ministério, o do Meio ambiente é um ministério que não atrapalha a vida de vocês, muito pelo contrário, ajuda-os e muito”.

Para reforçar que o governo se aliou ao setor agrícola, Bolsonaro pediu que os presentes relembrassem como o Icmbio e o Ibama os tratou “até pouco tempo atrás”. “Relembrem como há pouco tempo o Icmbio e o Ibama tratavam vocês e como esse tratamento hoje em dia é dispensado. Nós não criamos dificuldades para vender facilidade”, disse.

PROJETOS DE EXPLORAÇÃO – O presidente também relembrou que o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que houvesse a ampliação de 12% para 20% da quantidade de áreas demarcadas como terras indígenas no país. Bolsonaro deixou claro que nenhuma área foi demarcada e que há projetos para exploração de terreno indígena, caso assim eles queiram.

“Eu lembro quando passei em Osaka (Japão) e tive um encontro com o presidente de um grande país da Europa que quase sempre está na vanguarda para nos criticar, ele queria que nós ampliássemos de 12% para 20% a quantidade de áreas demarcadas como terras indígenas em meu país. Nenhuma reserva foi demarcada até o momento e cada vez mais nós lutamos, como tem o projeto do Almirante Bento, de MME, para que o índio possa se essa for a sua vontade, explorar seu território da melhor maneira que seja-lhe útil.”

Bolsonaro emendou dizendo que “acabou o tempo em que um chefe de Estado ia para fora e voltava para cá com um pacote de maldades, onde quem pagava a conta, era geralmente o homem do campo”.

Numa narrativa surpreendente, “Amigos para a vida” trata sobre padrões sociais, bullying e amizade

Júlia de Aquino Instagram literário @juentreestantes

“Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

No início de 2020, fiz uma visita à Editora Valentina, em Copacabana. Depois de alguns momentos agradáveis de muita conversa sobre livros e algumas fotos (rs), perto de ir embora, a equipe me presenteou com um livro que eu não conhecia: Amigos para a vida.

Fiquei tão entusiasmada com a visita e a lembrança que comecei a ler no mesmo dia! E que surpresa agradável! Um livro ótimo, delicado e surpreendente.

A HISTÓRIA – Francis sofre bullying e não tem amigos. Se não está isolado na escola, fica trancado em seu sótão, costurando roupas para bonecas. Um dia, uma menina chamada Jessica senta ao seu lado. Quando Francis oferece seu chá, ela se assusta, pois é um fantasma e não é vista por ninguém desde que morreu. E assim começa toda a história…

SURPREENDENTE – Mais um livro para a coleção “grandes surpresas 2020”. Eu esperava X e foi Y vezes mil. Leitura transformadora! Trata de assuntos necessários e me emocionou muito. Para os mais emotivos, inclusive, é possível que a leitura deixe os olhos marejados em alguns momentos.

Quando lemos a sinopse, é possível acharmos um pouco “infantil”.  Apesar de a linguagem ser infanto-juvenil, o livro não é nada “bobo”. Pelo contrário: é maravilhoso! Bem escrito, divertido e com personagens marcantes e cativantes, que vivem situações que poderiam ser vividas por nós ou por pessoas que conhecemos.⠀⠀⠀⠀⠀

BULLYING – Apesar de sempre ter existido, o bullying começou a ser mais debatido e exposto a partir da década de 2000. O desenvolvimento de tantos meios de comunicação e da Internet foram um aliado importante na luta, e hoje ela está presente até em obras literárias, como é o caso de “Amigos para a vida”.

O protagonista Francis é o retrato do que acontece todo dia e não ficamos sabendo. O bullying existe e acaba com vidas, mas antes disso faz milhares de pessoas sofrerem caladas e carregarem diversos traumas. Francis, os outros personagens e todos os componentes da narrativa deixam o leitor pensando no quanto uma palavra amiga ou uma gentileza pode salvar alguém.

Olha eu entrando na Editora Valentina, em Copacabana….

INDICAÇÃO – É um livro que indico muito para pais de crianças ou pré-adolescentes, parentes e até jovens a partir de 12 anos. Na realidade, é um livro indicado para todos!

Além do bullying, trata sobre depressão, amizade e solidariedade. Ao fim da leitura, a vontade que temos é de tratar com mais delicadeza as pessoas, principalmente as que estão fora do padrão social (de beleza, peso, estética etc). A mensagem principal é: “não é ruim ser assim, esse é você, e você importa e faz toda a diferença!”.

Livro: Amigos para a vida
Autor: Andrew Norriss
Editora: Valentina
Páginas: 208

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ALGUNS TRECHOS

  • “A mãe de Francis sempre soube que o filho era diferente dos outros meninos”.
  • “(…) começou até a perceber que ter amigos que ficavam ao seu lado era uma das melhores coisas que poderia acontecer a alguém”.
  • “Talvez tenha sido a percepção de que alguém lhe dizendo que era gordo não tinha grande importância. Já não significava nada”.
  • “Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

Barroso diz que é “natural” e “óbvia” a sua decisão de afastar Chico Rodrigues

Senador é investigado por desvio de verba da Covid-19

Luiz Felipe Barbiéri e Gabriel Palma
G1 / TV Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou nesta sexta-feira, dia 16, que a decisão de afastar o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) por 90 dias lhe pareceu “natural e óbvia”. A determinação de Barroso será enviada ao Senado, ao qual cabe a palavra final sobre o afastamento do parlamentar. Na quarta-feira, dia 14, Chico Rodrigues foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo STF em Roraima. Durante as buscas, o político foi flagrado com dinheiro na cueca.

A ação, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal mira um esquema milionário de desvio de recursos públicos que deveriam ter ido para o combate ao novo coronavírus. O suposto desvio envolve mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares. A Controladoria Geral da União (CGU) também participa da investigação.

“NATURAL” – “Apenas me pareceu uma solução natural e óbvia que alguém que está sendo investigado por desvios na Saúde não seja responsável pela alocação desses recursos”, afirmou Barroso durante participação em um evento que marcou a apresentação de um plano integrado de segurança voltado às eleições municipais.

A Polícia Federal, na representação ao STF, chegou a pedir a prisão preventiva do senador, além do afastamento do cargo, mas Barroso definiu apenas o afastamento do mandato e a proibição de comunicação entre Rodrigues e os investigados.

Chico Rodrigues integra uma comissão do Congresso que acompanha a execução orçamentária de verbas destinadas ao combate da pandemia de Covid-19.

Bolsonaro debocha de relatório sobre os seus ataques contra a imprensa: “Ataque 300 : Perderam a boquinha”

Charge do Duke (otempo.com.br)

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro fez piada, nesta quinta-feira, dia 15, a respeito de um relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que denuncia os sucessivos ataques que ele comete contra membros da imprensa.

No Twitter, Bolsonaro postou uma matéria do site de O Globo com o título: “Em nove meses, Bolsonaro cometeu 299 ataques ao jornalismo, diz relatório”. Acima da matéria, escreveu: “‘Ataque’ n° 300: Perderam a boquinha!”

 

HOSTILIDADE – O relatório da Fenaj sobre o qual a matéria fala foi divulgado na quarta-feira, dia 14. Segundo o levantamento, chamado Monitoramento de discursos, entrevistas e postagens em redes sociais, os 299 ataques ocorreram entre janeiro e setembro, o que corresponde a mais de uma declaração hostil aos veículos de comunicação por dia.

De acordo com a Fenaj, 259 dessas manifestações vêm em forma de descredibilização da imprensa. Outros 38 casos foram registrados como “ataque ao profissional jornalista”, como no caso em que o presidente disse ter vontade de “encher de porrada” a boca de um repórter. E outros dois casos são classificados como ataque à organização sindical.

Essa não é a primeira vez que o presidente ironiza levantamento desse tipo feito pela Fenaj. A um estudo semelhante divulgado no começo do ano, Bolsonaro respondeu, também pelo Twitter: “KKKKKKKKKKKKKKK”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Bolsonaro nunca terá noção do cargo que ainda ocupa e da postura que deveria ter diante do mesmo. A cada adversidade age de forma infantil, agressiva e rubrica repetidamente o seu total despreparo e a sua falta de sanidade mental. Pensa (?) que o Planalto é o seu botequim onde conta piadas, palita os dentes e arrota as suas asneiras. (Marcelo Copelli)

Império da lei à brasileira no caso André do Rap serve para todo mundo – menos para o povo

TRIBUNA DA INTERNET | Custo da violência e da impunidade no Brasil já chega a 6% do PIB

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

J.R. Guzzo
Gazeta do Povo

Nada como o Supremo Tribunal Federal no Brasil de hoje – e olhem que o STF tem concorrente que não acaba mais – para apresentar espetáculos de circo com cara de “melhores momentos” da história universal das democracias, do Estado de Direito, das “instituições” e da ciência jurídica em geral.

Basta olhar as poses dos ministros, suas togas, o moço que lhes puxa a cadeira para se sentarem, o patuá que falam e apresentam como “linguagem técnica” para se ver, na hora, que nada daquilo ali pode ser sério. E não é mesmo.

CASO DO TRAFICANTE – Em seu último show, a “corte suprema” no Brasil se debruçou sobre a monumental questão jurídica levantada em torno de “André do Rap”, um condenado por tráfico de drogas que faz parte da chefia do PCC em São Paulo – sua condenação, aliás, está confirmada tanto no TRF-3 como no Superior Tribunal de Justiça.

Resolveu, com grande severidade, que ele deve continuar preso – mas só que isso não serviu para absolutamente nada, pois o ministro Marco Aurélio, pouco antes, tinha tomado a precaução de mandar soltar o homem. É óbvio que ele fugiu no ato.

Para que toda essa palhaçada? Por que, aliás, o STF ainda está mexendo com um criminoso condenado em terceira instância? Já não deu para saber se ele é culpado ou não?

PACOTE ANTICRIME? – O vírus que provocou essa última alucinação do STF foi um dispositivo pró-crime introduzido, vejam só, no “pacote anticrime” que o Congresso aprovou em dezembro de 2019 – justo no pacote “anticrime”.

O chefe do PCC achou que tinha direito a ser solto, pela tramoia legal enfiada dentro da lei. Recorreu ao ministro Marco Aurélio. Foi atendido na hora, com uma rapidez que, se fosse aplicada para os cidadãos comuns, faria do STF o tribunal mais eficiente do mundo.

BRAVA INSURGÊNCIA – Depois que o leite foi devidamente derramado, e o criminoso já estava devidamente longe, o plenário do STF, bravamente, se insurgiu contra a decisão “monocrática” de Marco Aurélio e decretou que a prisão de “André do Rap” estava confirmada – só que não havia mais “André do Rap” para ser preso.

Ao fim, todos se deram muito bem. Marco Aurélio fez o que queria. Um ex-assessor seu, sócio da advogada que entrou com o habeas corpus em favor do condenado, ficou obviamente feliz. Os outros ministros fizeram papel de justiceiros a custo zero, proibindo que se soltasse um inimigo da sociedade depois que ele tinha sido solto. “André do Rap”, enfim, achou ótimo isso tudo.

É o império da lei à brasileira. Serve para todo mundo – menos para a população que tem o direito de ser protegida pela Justiça.

Senador do dinheiro na cueca, afastado pelo Supremo, tem o próprio filho como suplente

Senador da cueca é aconselhado a pedir licença e se fizer isso, filho  assume - Banda B

Tal pai, tal filho, na dedicação de servir ao povo amigo

Julia Lindner e Victor Farias
O Globo

O eventual substituto do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) em caso de afastamento definitivo é o próprio filho, Pedro Arthur, também filiado ao DEM. Se substituir o pai, Pedro Arthur assume o mandato até 2026. Na quinta-feira, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Rodrigues do Senado por 90 dias.

A decisão precisa ser ratificada pelo Senado e foi tomada após operação da Polícia Federal que investiga desvios de aplicação de recursos de combate a Covid-19 flagrar o senador com dinheiro escondido dentro da cueca.

POLÍTICO ESTREANTE – Pedro concorreu a um cargo público pela primeira vez em 2018, como 1º suplente do pai. Na declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse ter ensino superior completo e trabalhar como administrador.

Durante as operações da PF na casa de Chico Rodrigues, em Boa Vista, os policiais fizeram buscas na casa de Arthur, mas não encontraram “valores ou documentos relacionados aos fatos sob investigação”.

PRISÃO PREVENTIVA – A PF chegou a solicitar a prisão preventiva de Rodrigues, sob o argumento de que a tentativa de esconder dinheiro caracterizaria flagrante, mas o ministro Barroso apontou que atualmente há dúvidas no entendimento do STF sobre prisões preventivas de parlamentares. Por isso, decidiu autorizar apenas o afastamento do senador, determinando que o Senado seja intimado para analisar se ratifica a medida.

A Polícia Federal informou ao ministro do Supremo que foram localizadas notas de dinheiro na cueca de Chico Rodrigues que totalizaram R$ 15 mil, além de valores encontrados em sua residência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lembrem-se que “filho de peixe, peixinho é”. Ou seja, a cassação de Chico Rodrigues não muda nada. E a imagem do Brasil no exterior está cada vez mais desgastada, preocupando o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, enquanto o presidente Jair Bolsonaro não está nem aí. (C.N.)  

Lava-Jato mira grupo de Cid Gomes no Ceará por propina da JBS

Inquérito foi aberto com base em depoimentos dos irmãos Batista

Aguirre Talento
O Globo

Em novo desdobramento da Lava-Jato, a Polícia Federal investiga a distribuição de propina e a obtenção de vantagens ilícitas por políticos e empresários pelo Programa de Incentivos às Atividades Portuárias e Industriais do Ceará, o Proapi. Nomeada de “Marquetagem”, a operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão nas cidades de Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Salvador (BA).

No Ceará, houve ação autorizada pela Justiça Eleitoral para apurar pagamento de propina do grupo J&F, dos irmãos Batista, envolvendo o ex-governador do Ceará Cid Gomes (Pros) e a campanha de seu sucessor, o atual governador Camilo Santana (PT).

REPASSES – A PF cumpre os mandados de busca e apreensão contra empresas suspeitas de terem recebido repasses de caixa dois para a campanha de Camilo Santana e de outros aliados do grupo. A investigação mira campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Os políticos não são alvos das buscas. A PF investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral.

O inquérito foi aberto com base em depoimentos dos irmãos Batista sobre doações ilegais feitas ao grupo político de Cid Gomes quando este era governador do Ceará. Segundo informações que constam do inquérito, em 2010, Gomes teria pedido aos executivos da empresa doação de R$ 5 milhões em troca da liberação de créditos tributários em nome de empresas do grupo J&F.

Em 2014, um novo pedido teria sido feito, porém, no valor de R$ 20 milhões, com o objetivo de irrigar campanhas no estado — incluindo a do petista Camilo Santana, apoiado por Cid Gomes. Diante da negativa da empresa dos irmãos Batista, o então deputado federal  Antonio Balhamann Cardoso Nunes Filho (PDT-CE) teria interferido em favor de Gomes afirmando que o Ceará realizaria restituições tributárias da ordem de R$ 110 milhões ao grupo empresarial.

Diante da gravidade do caso, Barroso levantará sigilo da operação mas não do vídeo de Chico Rodrigues com dinheiro na cueca

Barroso disse punição não implica em humilhação pública

Pedro Henrique Gomes
G1

O ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, pretende retirar o sigilo do processo que envolve o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), mas manter em sigilo o vídeo no qual a Polícia Federal registrou imagens do dinheiro encontrado dentro da cueca do parlamentar.

O ministro do STF suspendeu nesta quinta-feira, dia 15, o mandato do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) por 90 dias depois que, nesta quarta-feira, dia 14, a Polícia Federal encontrou R$ 33 mil reais escondidos na cueca do parlamentar.

ESQUEMA – Chico Rodrigues foi alvo de operação deflagrada para combater um suposto esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados ao combate ao coronavírus em Roraima. Em nota divulgada nesta quarta, Chico Rodrigues afirmou que não tem envolvimento com qualquer ato ilícito.

“O que eu decretei que ficasse lacrado foram os vídeos, que não contribuem para a investigação em si. Nós já temos as informações. As pessoas eventualmente podem merecer ser punidas. Mas não humilhadas publicamente. E este cuidado nós estamos tomando”, disse o ministro durante o evento.

“EM BREVE” – Embora tenha decidido manter os vídeos em sigilo, Barroso disse que deve retirar em breve o sigilo do restante do conteúdo do processo. “Eu pretendo liberar em breve. Eu não gosto de manter processo sob sigilo. Só pelo tempo necessário e inevitável. Então, em breve”, disse o ministro durante o evento do TSE.

Detalhes da apreensão ocorrida na casa de Chico Rodrigues constam de decisão de Barroso que determinou o afastamento do parlamentar por 90 dias. O ministro ordenou que um dos vídeos “deve ser mantido em cofre da própria Polícia Federal, em absoluto sigilo” porque “exibe demasiadamente a intimidade do investigado e não produz acréscimo significativo à investigação”.

“Se comprovada a culpabilidade do investigado, estará justificada a sua punição, mas não sua desnecessária humilhação pública”, disse Barroso na decisão.

Religiosos querem ampliar participação nas cidades e apoiam candidatos ligados à Segurança Pública

Sóstenes diz que “evangélicos e militares têm pautas que convergem”

Gustavo Schmitt
O Globo

O ativismo político evangélico pretende dar um passo a mais na corrida eleitoral deste ano. Colados na imagem do presidente Jair Bolsonaro, líderes evangélicos querem ampliar sua participação nas cidades. E uma estratégia é a combinação de candidaturas de religiosos com as de nomes ligados às forças de segurança pública, sobretudo os que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.

É o que acontece em pelo menos sete capitais: Belém, Porto Velho, Manaus, Teresina, Fortaleza, Vitória e Natal. Em Manaus, o candidato dos evangélicos é o deputado federal e ex-capitão da PM Alberto Neto (Republicanos-AM), apadrinhado por Silas Câmara, presidente da bancada evangélica na Câmara federal. Ao O Globo, o candidato disse ser “100% Bolsonaro”.

PAUTAS CONVERGENTES – “Essas candidaturas são naturais porque evangélicos e militares têm pautas que convergem, como a defesa dos valores da família e o conservadorismo. O mesmo acontece com o segmento agropecuário. O Bolsonaro fez essa leitura em meio ao descrédito da esquerda e se tornou o maior representante desse nicho”, diz o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), frequentador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), liderada por Silas Malafaia.

Em Vitória, o candidato dos evangélicos é o delegado Leandro Pazolini (Republicanos), cuja vice é a capitã Estéfane. Em Fortaleza, estão com capitão Wagner (PROS). Em Porto Velho, é o líder da Assembleia de Deus Lindomar Garçom (Republicanos), tendo como vice a cabo Milene Barreto (Republicanos); e em Belém, o deputado federal e pastor Vavá Martins (Republicanos) e sua vice, sargento Gonçalves. Em Natal, devem apoiar o deputado estadual e coronel da PM André Azevedo (PSC).

Após tentativa de criar um partido próprio, o Aliança pelo Brasil, parte do espólio bolsonarista acabou atraída para o Republicanos, partido sob forte influência da Igreja Universal do Reino de Deus. Os filhos do presidente Carlos e Flávio, além de sua ex-mulher Rogéria Bolsononaro, se filiaram à legenda.

ESTRATÉGIA – “O Republicanos reproduz uma estratégia que deu certo. O Bolsonaro multiplicou seus votos entre 2010 e 2014: uniu a defesa de reivindicações corporativistas de militares à pauta dos costumes e se aliou aos expoentes da bancada evangélica”, diz o sociólogo Ricardo Mariano, professor da USP.

Candidatos do partido nas maiores cidades do país, Marcelo Crivella, no Rio, e Celso Russomanno, em São Paulo, já receberam sinais de apoio do presidente. Russomanno não é evangélico, mas abraça as pautas do setor e da segurança pública. Ainda assim, uma parte do segmento na capital, incluindo o presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), apoia o prefeito tucano Bruno Covas, que disputa a reeleição.

Em 2018, a Igreja Universal criou o grupo Universal das Forças Policiais, com palestras e orientação psicológica. “Religião e polícia se misturam em torno de uma agenda norteada por questões morais. O policial é valorizado e desejado como ativo eleitoral”, analisa Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum de Segurança Pública.

AMPLIAÇÃO DA BANCADA – O Republicanos deve lançar mais de três mil candidatos ao Legislativo e ter cabeças de chapa em nove capitais. O objetivo é triplicar sua bancada, hoje com cerca de 1.200 vereadores no país. O partido passou de um para 34 deputados desde 2005. Tornou-se um partido com mais deputados que legendas tradicionais como PSDB, PDT e DEM. Outros partidos têm presença de evangélicos, sobretudo PSL e PSC, mas em menor número.

A presença nas Câmaras municipais é tida como crucial para os evangélicos. É lá que esperam promover pautas como a da escola sem partido e sem ideologia de gênero. A Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil estima que eles poderão eleger cerca de 60% de seus candidatos.

Após “quase uma união estável” com Chico Rodrigues, Bolsonaro nega que o senador tenha algo a ver com seu governo

Bolsonaro diz é que operação é prova de que não há proteção de ninguém

Thays Martins
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro se pronunciou sobre o caso do dinheiro encontrado na cueca do então vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR). Em live, na noite desta quinta-feira, dia 15, o presidente disse que o caso investigado pela Polícia Federal não tem a ver com o governo dele.

“No meu governo não tem corrupção. Meu governo são os meus ministros. Se tiver algo errado, a investigação vai acontecer. Alguns querem dizer que o caso de Roraima tem a ver com o meu governo. Eu tenho no total 18 vice-líderes no Congresso. Ele gozava do prestígio, do carinho, eu nunca tinha ouvido falar nada dele. Aconteceu isso, lamento. Hoje, ele (Chico Rodrigues) foi afastado. Tentando vincular a mim o tempo todo”, afirmou.

MANDADO DE BUSCA – O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) sofreu um mandado de busca e apreensão em sua casa em Roraima, na quarta-feira, dia 14, na oportunidade a Polícia Federal encontrou cerca de R$ 15 mil na cueca do vice-líder do governo.

Foi encontrado dinheiro até entre as nádegas do parlamentar. A PF investiga irregularidades nas verbas públicas na Secretária de Saúde de Roraima. Nessa quinta, o senador deixou a vice-liderança do governo e o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou o parlamentar ser afastado do cargo por 90 dias.

“ORGULHO” –  A apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro já havia dito que a operação da Polícia Federal que encontrou dinheiro entre as nádegas do senador Chico Rodriges (DEM-RR), vice-líder do governo no Senado, não tem relação com o seu governo e é prova de que não há proteção de ninguém.  Segundo o presidente, a operação é um “é fator de orgulho” para o governo.

“Lamento o desvio de recurso, seria bom que não houvesse, porque, afinal de contas, quando você desvia dinheiro da saúde, inocentes morrem, então a operação de ontem é fator de orgulho para o meu governo”disse.

“Alguns acham que toda a corrupção tem a ver com o governo. Não [tem]. Nós destinamos dezenas de bilhões de reais para estados e municípios, tem as emendas parlamentares também, e, de vez em quando, não é muito raro, a pessoa faz uma malversação desse recurso. Agora, a CGU ta de olho, a nossa Polícia Federal tá de olho”, afirmou, acrescentando: “Se um vereador faz algo de errado, eu não tenho nada a ver com isso. Ou melhor, eu tenho para ir para cima dele, com a Polícia Federal se for o caso, com o apoio da CGU, é isso que nós fazemos”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme já dito nesta Tribuna, mesmo diante do recuo de Bolsonaro, Chico Rodrigues tem uma ligação bastante próxima ao presidente. Tanto que, em um vídeo que voltou a circular na internet é possível ver os dois sorridentes e onde Bolsonaro diz que a relação entre ambos “é quase uma união estável”,  sobre o tempo de convivência com o senador.  Depois do escândalo, Bolsonaro tratou imediatamente de se declarar “divorciado”. (Marcelo Copelli)

Único voto contra a decisão de mandar traficante à prisão, Marco Aurélio diz que Fux foi ‘autoritário’

Marco Auréliod diz que ‘continua convencido’ do acerto da liminar

Paulo Roberto Netto e Rayssa Motta
Estadão

Derrotado no julgamento, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas ao presidente da Corte, ministro Luiz Fux, a quem chamou de ‘autoritário’ por cassar a liminar que soltou o traficante André do Rap. O decano foi o único voto contra a decisão de Fux, a que disse ter sido proferida na ‘seara da ilegalidade’. O julgamento foi encerrado com o placar de 9 a 1.

Segundo Marco Aurélio, o plenário do Supremo focou mais no mérito do caso, ou seja a prisão de André do Rap, e não no fato de Fux ter cassado uma liminar de um integrante da Corte, que abriria brechas para isso ocorrer de novo no futuro.

SUPERPODER – “O mais interessante, presidente, é que se abandona essa questão, que é a questão mais importante, para admitir-pela primeira vez no colegiado para se admitir esse superpoder ao todo poderoso e autoritário presidente. Autoritário no que cassou uma decisão de um colega”, criticou Marco Aurélio. “Um cesteiro que faz um cesto, faz um cento, e amanhã pode ser a liminar de outro ministro. Quem ganha é apenas a vaidade do presidente. O colegiado não ganha”, disse.

Marco Aurélio pontuou que Fux é ‘o primeiro entre os pares, mas é igual em termos de atuação judicante’. “Devendo ser por isso mesmo algodão entre cristais. Não pode ser em relação aos seus iguais um censor, levando ao descrédito ao próprio Judiciário”.

Único voto contra a decisão de mandar André do Rap à prisão, o decano disse que ‘continua convencido’ do acerto da liminar que implementou. “E se alguém falhou, não foi eu. Não posso ser colocado como bode expiatório”.

“ENGANADO” – Após o voto de Marco Aurélio, o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, tomou a palavra para rebater o colega, fazendo questão de frisar que sua decisão de cassar uma liminar de outro ministro foi ‘excepcionalíssima’ e que o decano foi ‘enganado’ pelo traficante, que está foragido da Justiça.

“Aprendi com Vossa Excelência que não se pode, como fundamento de habeas corpus, dizer que o preso voltará a delinquir. E aqui foi destacado que o caso é excepcionalíssimo. Por isso, Vossa Excelência não tem razões para me categorizar como totalitário, nem para presumir que outros como esse ocorrerão”, rebateu Fux.

O presidente do Supremo disse que o caso de André do Rap, condenado em duas instâncias por tráfico internacional de drogas, era um ‘plano de fundo bastante expressivo’ para a sua decisão de cassar a liminar de soltura proferida por Marco Aurélio. Fux apontou ainda que, ‘com a devida vênia’, que o decano foi ‘enganado’ pelo traficante.

DEBOCHE – “No caso específico, representaria a autofagia não defender a imagem da Corte e do Supremo Tribunal Federal depois que lhe batessem a porta para anunciar que um traficante deste nível pudesse ser solto, enganando a Justiça, debochando da Justiça, enganando Vossa Excelência”, afirmou Fux. “A autofagia seria deixar o Supremo ao desabriu”.

O presidente fez questão de pedir a Marco Aurélio, ‘em nome da nossa amizade e ligações entre nosso familiares’, que eles tenham ‘descenso, mas nunca discórdia’.

Entenda como Jair Bolsonaro minou o combate à corrupção para proteger a própria família

Gilmar Fraga: família | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha / ZH)

Vera Magalhães
Estadão

Bastou se aproximar do Centrão, da ala fisiológica do MDB e dos ministros antilavajatistas do Supremo Tribunal Federal que Jair Bolsonaro, logo quem, passou a ser visto por setores da política (os mesmos acima, diga-se) e até da imprensa como alguém imbuído da disposição de construir pontes.

Trata-se de uma leitura entre cínica e ingênua de uma realidade bastante clara aos olhos de quem quiser ver. Bolsonaro continua onde sempre esteve: avesso à ideia de qualquer composição a não ser as de ocasião, que lhe permitam lograr seus intentos na política e proteger a si e aos filhos da perigosa aproximação das garras da lei quando esticaram demais a corda da ruptura institucional e/ou foram com sede ao pote demais nos recursos públicos a que tiveram acesso nas suas longas carreiras políticas dotadas de todos os vícios de um clã tradicional brasileiro.

“ESPERTISE” DA FAMÍLIA – Eduardo Bolsonaro, o “03”, conhecido por ser dos menos brilhantes da família, deixou claro o jogo nas redes sociais, com direito a erro de português: “Não é arrependimento, é espertise (sic) de mudar de estratégia pois o plano original fracassou”.

Não precisa desenhar. O plano original era fazer as instituições se curvarem diante de uma tropa golpista, “antiestablishment”, como adorava se gabar o “estrategista” Filipe G. Martins. A pandemia foi o gatilho para colocar o plano original em marcha, com direito a uso de terroristas como Sara Winter, que agora se diz decepcionada, e seus 30 gatos-pingados.

O fracasso constatado pelo ex-quase-embaixador veio do próprio STF, que colocou freio aos delírios autoritários de Bolsonaro.

UM ATO FALHO – A “espertise”, assim com “s”, talvez, além de desconhecimento da língua, aponte um ato falho: o filhote quis provavelmente fazer menção à esperteza de mudar de time para evitar o tão temido impeachment e frear as investigações que chegavam perto de Flávio (rachadinhas e aumento de patrimônio), do próprio Eduardo (gabinetes do ódio, aumento de patrimônio), Michele (depósitos em dinheiro da família Queiroz e dinheiro de doações desviado para programa assistencial da primeira-dama), Carlos (rachadinha, aumento de patrimônio, fomento a atos golpistas, gabinetes do ódio) e de si próprio (aparelhamento da Polícia Federal, responsabilização pelo agravamento do enfrentamento da pandemia e participação em atos antidemocráticos).

Construção de pontes? Faz-me rir, faz-me engasgar, pedindo licença a Chico Buarque para usar seus versos tão precisos.

NENHUM APREÇO – Bolsonaro tem por figuras como Renan Calheiros, Toffoli, Gilmar Mendes, Kassio Nunes e Ciro Nogueira o mesmo apreço que por Sérgio Moro, Gustavo Bebianno, general Santos Cruz, Luciano Bivar, Joice Hasselmann, Alexandre Frota, Paulo Guedes, Bia Kicis, Carla Zambelli ou Jorge Oliveira: nenhum. Assim como já fez com vários desta lista, pode descartar os demais se disso depender sua sobrevivência e a dos seus.

O presidente tem na covardia e na insegurança alguns de seus traços de caráter mais notórios, bem como o pouco apreço à gestão e o instinto destruidor de tudo aquilo que signifique construção de marcos institucionais, conquistas de minorias e legados civilizatórios.

CONSTRÓI UM BUNKER – O que Bolsonaro constrói com afinco, além de um robusto patrimônio na forma de imóveis comprados com farto uso de dinheiro vivo oriundo de gabinetes, é um bunker no qual se abrigar e abrigar mulher e filhos.

Disso decorrem a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República, a troca de Moro por André Mendonça, as mudanças no Coaf, a tentativa de interferir também na Receita e, agora, a escolha de Kassio Nunes para o STF.

A ponte (pinguela, no caso) pode bem ser implodida depois que por ela passar o último Bolsonaro, pouco importando quem for deixado para trás.

Barroso determina o afastamento do senador flagrado com dinheiro nas nádegas por 90 dias

Charge do Duke (otempo.com.br)

Marcelo Rocha
Matheus Teixeira
Folha

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o afastamento por 90 dias do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro na cueca em operação de busca e apreensão nesta quarta-feira, dia 14. Barroso enviou nesta quinta-feira, dia 15, o caso para deliberação do Senado, a quem cabe manter ou não o afastamento do parlamentar, que era vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Casa e foi exonerado do posto.

De acordo com informação da Polícia Federal enviada ao Supremo, o parlamentar escondeu R$ 33.150 na cueca. Desse total, R$ 15 mil em maços de dinheiro estavam entre as nádegas. No despacho, o ministro apontou a “gravidade concreta” do caso, que, segundo ele, exige o afastamento do parlamentar com o objetivo de evitar que Rodrigues use o cargo para dificultar as investigações.

SIGILO DA OPERAÇÃO – Na manhã desta quinta, diante da alegada gravidade do caso, segundo apurou a Folha, Barroso fez chegar à PGR (Procuradoria-Geral da República) a informação de que levantaria o sigilo da operação. A PF propôs a prisão preventiva de Chico Rodrigues, mas o ministro não acatou o pedido, determinando apenas que o senador de Roraima fique proibido de contato pessoal, telefônico, telemático ou de qualquer outra natureza com os demais investigados no inquérito.

“A gravidade concreta dos delitos investigados também indica a necessidade de garantia da ordem pública: o senador estaria se valendo de sua função parlamentar para desviar dinheiro destinado ao enfrentamento da maior pandemia dos últimos 100 anos, num momento de severa escassez de recursos públicos e em que o país já conta com mais de 150 mil mortos em decorrência da doença”, afirma o ministro.

“Ao tentar esconder os maços de dinheiro, evitando sua localização e apreensão pelas autoridades policiais, o senador buscou frustrar a coleta de evidências imprescindíveis para a continuidade da investigação”, acrescentou.

CONSTRANGIMENTO – A PF informou a Barroso que deixou de reproduzir no relatório imagens de trechos da gravação que foi feita da busca pessoal efetuada no parlamentar. “Considerando a forma como os valores foram escondidos pelo senador Chico Rodrigues bem no interior de suas vestes íntimas, deixo de reproduzir tais imagens neste relatório para não gerar maiores constrangimentos.”

Narra a decisão do ministro do STF que “ao fazer a busca pessoal no senador Chico Rodrigues, num primeiro momento, foi encontrado no interior de sua cueca, próximo às suas nádegas, maços de dinheiro que totalizaram a quantia de R$ 15.000,00”.

OUTROS MAÇOS – “Após a localização de valores em espécie nas vestes íntimas do senador Chico Rodrigues, os valores foram apresentados ao escrivão de polícia federal para serem apreendidos. Já na sala de sua residência, onde se concentravam os trabalhos cartorários dessa equipe policial, o senador foi indagado se havia consigo mais alguma quantia de valores em espécie. Ao ser indagado pela terceira vez, com bastante raiva, o senador Chico Rodrigues enfiou a mão em sua cueca, e sacou outros maços de dinheiro, que totalizaram a quantia de R$ 17.900,00”, escreveu Barroso.

Uma nova busca pessoal nas vestes do senador, segundo a decisão do ministro do Supremo, localizou “em sua cueca a quantia de R$ 250”. Ainda de acordo com a decisão de Barroso, “o Delegado Wedson percebeu que havia um grande volume, em formato retangular, na parte traseira das vestes do senador Chico Rodrigues, que utilizava um short azul (tipo pijama) e uma camisa amarela.

Considerando o volume e seu formato, o Delegado Wedson suspeitou estar o senador escondendo valores ou mesmo algum aparelho celular. Ao ser perguntado sobre o que havia em suas vestes, o senador Chico Rodrigues ficou bastante assustado e disse que não havia nada”.

DESVIO – A operação realizada em Roraima mirou desvio de recursos públicos para o enfrentamento à Covid-19 no estado. Rodrigues é um dos principais aliados de Bolsonaro no Legislativo e membro da tropa de choque do Planalto. Parte das notas apreendidas na operação, de acordo com investigadores envolvidos no caso, estavam entre as nádegas de Rodrigues. Cerca de R$ 30 mil foram encontrados na casa do parlamentar.

“Acreditando na verdade, estou confiante na justiça, e digo que, logo tudo será esclarecido e provarei que nada tenho haver com qualquer ato ilícito de qualquer natureza”, afirmou Rodrigues. Rodrigues é um dos principais aliados de Bolsonaro no Legislativo e membro da tropa de choque do Planalto. Amigo há mais de 20 anos do presidente da República, Chico Rodrigues afirmou na nota que acredita nas diretrizes de Bolsonaro.

“Flor Amorosa”, obra-prima de Catulo e Joaquim Callado, no tempo da música romântica

Paulo Peres
Poemas & Canções

O relojoeiro, músico, cantor, compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946) e seu parceiro Joaquim Callado (1848-1880) criaram o célebre choro “Flor Amorosa”, gravado por Aristarco Dias Brandão, em 1914, pela Odeon.

FLOR AMOROSA
Joaquim Callado e Catulo da  Paixão Cearense

Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor
Em uma taça perfumada de coral

Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei

Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Um beijo teu tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá

Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
Não deves mais fazer questão
Já perdi, queres mais, toma o coração
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não, sim ou não
Olha que eu estou ajoelhado
A te beijar, a te oscular os pés

Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Se tu não me quiseres perdoar

Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim

A mim, a mim
Oh, por que juras mil torturas
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?