Guedes ainda tenta esconder a dívida pública, mas terá de apresentar uma solução

Resultado de imagem para divida publica chargesCarlos Newton

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não faz o menor comentário e se comporta como se a dívida pública nem existisse. A equipe econômica inteira age como se fosse possível ocultar o maior problema brasileiro, de cuja resolução depende o futuro do país, sua independência econômica e a qualidade de vida da população. Para quem lê os jornais, escuta rádio, assiste televisão e acessa a internet, parece que está tudo sob controle, mas não é exatamente isso que está acontecendo. A dívida é uma bomba-relógio, que vai explodir.

Guedes está voltando da matriz USA, onde tentou vender a ilusão de que aqui na filial Brazil a reforma da Previdência, a privatização das estatais e a abertura econômica serão as soluções mágicas que recolocarão o Brasil no rumo do desenvolvimento. Belas palavras, mas o vento leva e o exemplo fica, diz o ditado latino.

SEM CREDIBILIDADE – Guedes ainda não percebeu que não convence mais ninguém. O próprio Instituto Von Mises, principal defensor do ultraliberalismo, ao qual Guedes é intimamente ligado, já dá mostras de impaciência. Os economistas do Mises sabem que a omissão do governo não pode se prolongar.

Não adianta Guedes tenta embromar, porque é uma questão aritmética. Os números de março ainda não saíram. Mas em fevereiro, que teve apenas 28 dias, o estoque da dívida pública federal cresceu 1,71% em fevereiro, muito maior do que a inflação de 0,48%, que já se mostra em alta e muito ameaçadora.

E o que faz Paulo Guedes? Nada, absolutamente nada. Até agora, não apresentou nenhuma proposta, é como se o maior problema do país “non eczistisse”, diria padre Quevedo, observando o ministro pecador.

MUITAS DÍVIDAS – O problema é assustador, porque não existe apenas a dívida pública federal. Há também as dívidas dos estados e municípios, incluindo estatais, além da velha e desdenhada dívida externa, que está cada vez mais viva.

Se a dívida tivesse aumento de 0,48% em fevereiro, estaria estacionária, apenas acompanhando a inflação. Mas subiu 1,71, ou seja, cresceu 1,23% em termos reais, que é um verdadeiro suicídio. E estamos falando apenas da dívida federal.

A previsão da Secretaria do Tesouro Nacional é que a dívida pública vai continuar crescendo este ano, sem interrupção, e o governo não toma decisões radicais, sem seguir as sugestões do próprio Instituto Von Mises, e se limita a cortar postos na administração, sem atentar para a gravidade dos fatos.

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P.S.
 1O momento é decisivo, não há como tergiversar, não dá mais pra segurar, diria Gonzaguinha. O país precisa de um freio de arrumação. Vamos discutir, de forma madura, essa questão de dívida pública, antes que seja tarde demais, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente.

P.S. 2 – Guedes se reúne hoje com Bolsonaro, para acertar o preço do diesel, depois de ter dito que o presidente errou e terá de recuar. Esta reunião é decisiva, porque um dos dois sairá dela totalmente desmoralizado. Espera-se que seja Guedes. Se for Bolsonaro, o futuro deste país não valerá uma nota de três dólares. (C.N.)

Afinal, por que a Crusoé foi multada em R$ 100 mil, mesmo cumprindo a ordem do STF?

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O documento de Odebrecht existe e foi apresentado pela revista

Deu em O Globo

A revista digital ” Crusoé ” informou na noite desta segunda-feira que, mesmo cumprindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal ( STF ) para tirar do ar uma reportagem, foi multada pelo ministro Alexandre de Moraes em R$ 100 mil. Mais cedo, Moraes censurou a “Crusoé” e o site “O Antagonista”, mandando que retirassem imediatamente do ar uma reportagem intitulada “O amigo do amigo de meu pai” . Segundo a matéria, o empreiteiro Marcelo Odebrecht identifica que o apelido do título, citado em um e-mail, se refere ao presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli.

“A multa por descumprimento é absurda, pois a decisão foi cumprida imediatamente. É sintomático que a certificação do descumprimento conste apenas no interior de um inquérito a que se nega acesso aos interessados e à sociedade”, disse o advogado André Marsiglia dos Santos, que defende a “Crusoé”, em texto publicado na revista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta pequena matéria de O Globo não entra em detalhes, mas pode-se presumir que a multa foi aplicada porque a redação de “O Antagonista”, após receber a comunicação do Supremo, publicou no site uma matéria sobre o assunto, anunciando que tinha ocorrido a censura por parte do ministro Alexandre de Moraes, que considerou a reportagem da revista Crusoé como “fake news”, sob justificativa de que a Procuradoria-Geral da República divulgou comunicado na sexta-feira, dizendo que o documento com a menção a Toffoli não havia sido remetido ao órgão —diferentemente do que relatara o texto da revista.

“Obviamente, o esclarecimento feito pela Procuradoria-Geral da República torna falsas as afirmações veiculadas na matéria ‘O amigo do amigo de meu pai’ em típico exemplo de fake news — o que exige a intervenção do Poder Judiciário”, decidiu o ministro.

Data máxima vênia, como dizem os juristas, e com todo o respeito ao venerável ministro, é preciso destacar que o fato de a declaração de Marcelo Odebrecht não ter sido encaminhada à Procuradoria, sem a menor dúvida, não significa que o respectivo documento não exista, até porque o fac-símile do documento está publicado na reportagem da Crusoé, com a declaração de Odebrecht destacada em amarelo.

Certamente, o advogado fará essa alegação para livrar a revista da multa e da censura. (C.N.)

STF ordena buscas e mira militares da reserva e procuradores no inquérito de fake news

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Moraes está ampliando o conceito de noticias falsas (fake news)

Daniela Lima
Folha/Painel

O ministro Alexandre de Moraes não vai arredar pé. No esteio do inquérito que conduz no Supremo Tribunal Federal para apurar fake news contra ministros – e que abarcou a censura nesta segunda-feira (dia 15) dos sites O Antagonista e da revista digital Crusoé – foram autorizadas dez operações de busca e apreensão em seis estados do país. Na mira, computadores, telefones e documentos. Militares da reserva que pregam o fechamento do Supremo entraram na linha de tiro, assim como alguns procuradores, que foram chamados a prestar depoimento.

As novas movimentações mostram que o inquérito aberto para apurar ataques à corte vai servir a vários flancos – e que ele marca novo patamar na tensão entre o Ministério Público e o Supremo. Procuradores que acusaram o STF de pactuar com a corrupção serão ouvidos.

CASO CRUSOÉ – No caso que envolve a notícia divulgada por Crusoé, procuradores que tiveram contato com o documento que cita o presidente do STF, Dias Toffoli, serão ouvidos. Ministros dizem que é preciso entender 1) o timing da provocação que levou à menção e 2) o vazamento e suas motivações.

Entidades de classe, sócios e diretores de O Antagonista e da Crusoé classificaram a censura do STF como atentado à liberdade de imprensa e ato de intimidação judicial. A reportagem retirada dos sites dizia que não há imputação de crime ao presidente do STF na citação que chegou à Lava Jato.

PUBLICIDADE – Lucas Rocha Furtado, subprocurador-geral do Ministério Público de Contas do TCU, assinou representação para que a corte apure “o possível direcionamento de verbas publicitárias” pelo governo Jair Bolsonaro. O pedido é uma resposta à notícia de que, no primeiro trimestre deste ano, os gastos da Presidência com propaganda cresceram em comparação com 2018 – e que, agora, a TV Globo, líder de audiência, passou a receber menos do que concorrentes como Record e SBT.

“O princípio da impessoalidade requer, sob o enfoque da isonomia, que a administração pública confira tratamento isonômico, sem preferências ou discriminações”, escreveu Rocha. A Secom alega que quitou compromissos assumidos pela gestão anterior.

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NOTA DA REDAÇÃONão se sabe aonde isso vai dar. Militar da reserva tem o direito de opinar sobre o comportamento de ministros do Supremo. O general Paulo Chagas foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão. Disse ele: “Caros amigos, acabo de ser honrado com a visita da Polícia Federal em minha residência, com mandato de busca e apreensão expedido por ninguém menos do que ministro Alexandre de Moraes. Quanta honra! Lamentei estar fora de Brasília e não poder recebê-los pessoalmente”. Como se vê, o relator Moraes está extrapolando e pode mergulhar em areia movediça, digamos assim. Precisa cair na real, o mais rápido possível. (C.N.)

“Não tenho dúvida de que é censura”, diz Mourão sobre o caso da Revista Crusoé

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Mourão diz que essa decisão do Supremo vai além da censura

Amanda Almeida e Daniel Gullino
O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Alexandre de Moraes de ordenar a retirada do ar de uma matéria da revista “Crusoé” que cita o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli , provocou reação nesta segunda-feira do vice-presidente Hamilton Mourão e de parlamentares.Mourão afirmou ao site “O Antagonista”, também atingido pela decisão, que a convocação dos jornalistas dos dois veículos mostra que eles são investigados.

“Não tenho dúvida de que é censura, mas vai além da censura. No momento em que (a decisão), além de interditar a publicação, convoca os jornalistas a depor (significa que) já estão respondendo a inquérito”, disse o vice-presidente.

Na entrevista a O Antagonista, em que classificou de censuta  o ato do ministro Alexandre de Moraes, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, também criticou a manifestação da AGU favorável ao ‘inquérito combo’ aberto por Dias Toffoli.

AMIGO DO AMIGO – O ministro determinou que a revista “Crusoé ” e o site “O Antagonista” tirassem imediatamente do ar uma reportagem intitulada “O amigo do amigo de meu pai”. Segundo a matéria, o empreiteiro Marcelo Odebrecht identifica que o apelido do título, citado em um e-mail, refere-se ao presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli. Pela manhã, um oficial de justiça da Corte chegou à redação da revista para entregar a cópia da decisão.

Moraes estipulou multa de R$ 100 mil por dia em caso de desobediência, e já multou a revista, por ter publicado uma reportagem sobre o ato de censura. Além disso, determinou que a Polícia Federal intime os responsáveis pela revista e pelo site para prestar depoimento no prazo de 72 horas. Em publicação desta segunda-feira, a Crusoé “reitera o teor da reportagem” e informa que ela foi escrita com base em documento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante essa manifestação do vice-presidente Hamilton Mourão, em defesa da democracia e das práticas republicanas. Além de se tratar de censura, mesmo, não há dúvida de que o ministro Alexandre de Moraes está extrapolando de suas atribuições, ao multar a revista por ter noticiado a censura e ao exigir o depoimento dos jornalistas no prazo de 72 horas. Se a Justiça agisse com tamanha celeridade, o ministro Paulo Guedes já teria prestado depoimento sobre a má gestão dos recursos de fundos de pensão, o ex-assessor Fabricio Queiroz já teria sido encontrado em São Paulo para depor sobre a “rachadinha” e o ex-deputado Jorge Picciani não estaria em prisão domiciliar apenas por usar fralda geriátrica. Afinal, que país é esse? (C.N.)

Bolsonaro deixa claro que não negocia votos por cargos nas estatais e autarquias

Jair Bolsonaro durate solenidade alusiva aos 100 Dias de Governo, no Palácio do Planalto Foto: Jorge William / Agência O Globo

Irritado com o PSL, Bolsonaro já ameaça entrar em outro partido

Pedro do Coutto

Numa reunião que manteve no final da semana com dirigentes do PSL, seu partido, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não negocia votos contra nomeações para as empresas estatais e autarquias.  Reportagem de Bruno Goes e Amanda Almeida, edição de ontem de O Globo, revelou detalhes do encontro e que o presidente da República, inclusive, ameaçou deixar os quadros do PSL no futuro.

Participaram do encontro o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o líder do PR no Senado, Jorginho Mello (SC), o senador Wellington Fagundes (MT), o líder do PR na Câmara, Wellington Roberto (PB), e o ex-ministro de Dilma Rousseff Alfredo Nascimento.

Quanto a sua permanência no PSL, Jair Bolsonaro admitiu disputar a reeleição em 2022 pelo PR. Daí, portanto, a presença de Alfredo Nascimento.

CLIMA RUIM – Segundo a repórter Jussara Soares, de O Globo, o clima no PSL não está nada bom, sobretudo porque o ex-ministro Gustavo Bebbiano, ex-presidente da legenda, acusou falta de consideração do presidente para com o partido. E disse também que se afastou da condição de advogado nos processos que tramitam na Justiça relativos a Bolsonaro.

De outro lado, Anais Fernandes e Talita Fernandes, Folha de São Paulo, destacaram que Bolsonaro editou decreto estabelecendo o fim de conselhos comunitários que atuam junto a vários Ministérios, como representantes da sociedade civil. Alegou que as despesas decorrentes serviam para distribuir recursos federais a entidades que praticamente não trabalharam.

Este é mais um fato político que tem o presidente da República como seu ator principal.

“Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei”, sonhava Manuel Bandeira

Resultado de imagem para manuel bandeira frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta pernambucano Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho ficou conhecido como Manuel Bandeira (1886-1968) . “Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação de toda minha obra”, explicava o poeta, salientando que, “vi pela primeira vez o nome Pasárgada, que significa campo dos persas, quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego e isto suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias . Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: Vou-me embora pra Pasárgada!”.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Manoel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

Após a censura, documento de Marcelo Odebrecht foi imediatamente extraído dos autos

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No documento, Toffoli está identificado com “o amigo do amigo”

Carlos Newton

No mesmo dia que a reportagem da revista Crusoé sobre o empresário Marcelo Odebrecht e o ministro Dias Toffoli foi censurada pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, o documento com a explicação do dono da empreiteira sobre a expressão “amigo do amigo de meu pai” foi retirado do processo. A documentação foi extraída dos autos após um despacho do novo juiz da 13ª Vara Federal em Curitiba, Luiz Bonat, que substitui em definitivo o agora ministro Sérgio Moro.

Como o inquérito está sob sigilo, não estão claros os motivos nem de que autoridade superior partiu a determinação ao juiz de primeira instância, mas causa muita estranheza que isso tenha acontecido no mesmo dia da censura.

REPERCUSSÃO – Tem sido intensa a repercussão do ato do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que atendeu a um pedido do presidente Dias Toffoli, para censurar a reportagem. Sites e portais denunciam a arbitrariedade, que foi registrada também em blogs e nas redes sociais.

A medida extrema é muito negativa para Toffoli, porque fica parecendo que não tem como se defender da acusação. Essa sensação fica ainda maior, porque o ministro se recusou a responder às perguntas encaminhadas pela revista Crusoé. Se tivessem respondido, com apresentação de argumentos sólidos, a reportagem poderia até ter sido cancelada, por falta de propósito.

DIZ O PROCURADOR – Em Curitiba, um dos principais coordenadores da Lava Jato, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que recentemente se aposentou, mas permanece atuante nas redes sociais, bateu pesado no Supremo Tribunal Federal (STF) e na absurda censura imposta a Revista Crusoé.

Santos Lima postou duas frases, apenas isso, mas ambas de fortíssimo conteúdo. A primeira dizia o seguinte, com palavras em maiúsculas: “A reportagem da Crusoé foi censurada ADMINISTRATIVAMENTE, ao estilo DOPS, pois não foi sequer feito em um processo regular.”

E o complemento veio a seguir: “O STF viola o estado de direito ao conduzir um inquérito para investigar o que não é crime e para censurar a imprensa.

DIZ O SENADOR – No Senado também houve repercussão. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que é jornalista profissional, ocupou a tribuna nesta segunda-feira (15) para exigir um posicionamento da casa contra o Supremo Tribunal Federal.

 Mesmo sabendo que o chefe do governo não pode interferir, Kajuru lhe fez um apelo: “Presidente Bolsonaro, se for possível, impeça isso!”. Em seguida, sempre em tom indignado, o parlamentar do PSB criticou a atitude absolutamente inconstitucional do ministro Alexandre de Moraes, que no uso exclusivo de seu mandato no Supremo, sem ouvir o plenário, atentou gravemente contra a liberdade de imprensa, ao mandar ‘lacrar’ dois veículos de comunicação.

Museu de História Natural de NY não sediará evento que homenageia Bolsonaro

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O jantar de gala em homenagem a Bolsonaro seria neste prédio

Beatriz Bulla
Estadão

O Museu Americano de História Natural de Nova York anunciou na tarde desta segunda-feira, dia 15, que não irá mais sediar o evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos que homenageia o presidente Jair Bolsonaro. “Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações individuais, concordamos que o museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Este evento tradicional irá acontecer em outro local, na data e hora originais”, anunciou o museu pela conta no Twitter.

No domingo, 14, o museu já tinha dedicado publicações em português para ressaltar que Bolsonaro não foi convidado pelo museu para receber o prêmio, mas sim convidado como “parte de um evento externo”. A Câmara de Comércio escolheu Bolsonaro como “personalidade do ano”, em prêmio que é tradicionalmente entregue durante um jantar de gala realizado dentro do museu.

CRÍTICAS – Desde a semana passada, o museu tem sido alvo de críticas pela homenagem ao brasileiro, principalmente por posições sobre políticas para o meio ambiente. O Museu de História Natural de NY já havia informado que iria avaliar as providências possíveis para o caso.

Na sexta, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pediu que uma homenagem a Bolsonaro no Museu de História Natural do EUA, prevista para 14 de maio, fosse cancelada. “Bolsonaro não é perigoso somente por causa de seu racismo e homofobia evidentes”, afirmou De Blasio na sexta-feira, dia 12, durante entrevista à emissora de rádio WNYC.

“Infelizmente, ele também é a pessoa com maior poder de impacto sobre o que se passará na Amazônia daqui para a frente.”

AS RESPOSTAS – O assessor do presidente para assuntos internacionais, Filipe Martins, e o deputado estadual e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), comentaram a declaração de De Blasio, de que Bolsonaro é um “ser humano perigoso”.

“Surpresa seria uma toupeira dessas o elogiar”, escreveu Filipe Martins no Twitter. “Não há surpresa alguma em ver Bill de Blasio — um sujeito que colaborou com a revolução sandinista, que considera a URSS um exemplo a ser seguido e que faz comícios no monumento dedicado a Gramsci no Bronx — criticando o PR Bolsonaro.”

A premiação é concedida há 49 anos e tem objetivo de reconhecer sempre dois líderes, um brasileiro e um americano, que trabalham pela aproximação e relação entre os dois países. No ano passado, o brasileiro homenageado foi o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. O americano que receberá a homenagem este ano é o secretário de Estado, Mike Pompeo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro é uma figura polêmica e controversa, não há dúvida. Diante dessa realidade, o bom senso indicava que ele deveria proceder com cautela na política exterior, sem se expor demais, procurando firmar uma imagem mais equilibrada. Como é extremamente mal assessorado, ele vai exatamente o contrário, se expõe o tempo todo e diz besteiras colossais como afirmar que o Holocausto foi há muito tempo e deve ser perdoado. Sua imagem no exterior é cada vez mais negativa, infelizmente. Precisa de assessores profissionais. Apenas isso. (C.N.)

Catedral de Notre Dame é mais um monumento da Humanidade que se perde

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Incêndio destrói uma das catedrais mais conhecidas do mundo

Antonio Rocha

Escrevo estas linhas enquanto vejo, com tristeza, o fogo consumir a Catedral de Notre Dame, em Paris, e tenho uma experiência familiar com a bela igreja francesa. Acredite se quiser. Lembro, antes de mais nada, do famoso romance clássico de Victor Hugo,“O Corcunda de Notre Dame”, publicado em 1831, traduzido em muitas línguas, vertido para o cinema, mais de uma vez e também várias peças teatrais para adultos, crianças e jovens em vários países.

Sigamos então para minha crônica familiar, que começa há alguns anos, quando um sobrinho, jornalista, foi com a esposa para a capital dos franceses, passar um temporada, enquanto ela fazia doutorado em Ciência Política.

UMA CHATICE –  Jovens ateus, não acreditavam em nada, pelo menos, nunca conversamos sobre assuntos transcendentais. Os três primeiros meses em Paris estavam um horror, uma chatice, nada dava certo, tudo era uma difícil e já estavam pensando em voltar.

Perdiam-se na burocracia de documentos que a Universidade solicitava, no aluguel do imóvel, no barzinho onde tomavam o café da manhã… um sufoco.

Fui alertado por outra parenta que já morava em outra cidade da França e fazia o seu doutorado, mas não tinham maiores problemas. O marido dela era também jornalista, estava tudo bem com eles.

UM PEDIDO – Via e-mail conversei com o sobrinho e escrevi mais ou menos assim: “Peço que você me façam um favor, fulano, lembre-se de que sua avó, minha sogra, era muito católica, muito religiosa e ela esteve na Igreja de Notre Dame rezando pela família e assistindo missa. Então vocês vão lá, entrem, sentem e relaxem”.

Aproveitei para ensinar um pouco de meditação budista, para prestarem atenção através da respiração. Disse que não precisava que assistissem à missa, mas se na hora estiver acontecendo, assistam e peçam permissão à Nossa Senhora e a Santa Genoveva e São Denis, padroeiros de Paris, para residirem e estudarem o tempo que for necessário na bela cidade.

Expliquei essa petição justifica-se pelo  que chamamos de “Espíritos Territoriais”, pois cada cidade, cada região é regida por uma energia que pode ser um santo ou santa e assim ao entrarmos na localidade, sempre é bom pedirmos permissão e proteção para moradia. E pedi que agradecessem também aos nossos antepassados, pois alguns deles estudaram e moraram em Paris e assim o vínculo de gratidão será efetuado.

RESPEITO À FÉ – Eu não sou católico, não sou cristão, contudo, respeito demais esta forma de Fé Ocidental, Vaticana. Sou budista, mas sei que do outro lado, em dimensão invisível aos olhos materialistas, eles, seres do Oriente e do Ocidente se entendem muito bem. E eu daqui, também ficarei orando e pedindo bênçãos para vocês e agradecendo sempre.

Coincidência ou não, tudo correu maravilhosamente bem; as portas se abriram, ela fez um excelente doutorado e hoje é professora concursada da UFRJ, em Ciência Política.

Então, neste momento de tristeza quando vejo as chamas derrubarem uma das torres da Catedral de Notre Dame, lembro da minha gratidão a este espaço sagrado.

Desculpem os leitores (não precisam ler, não se obriguem) que não gostam do tema. O assunto está mais para a TI = Teologia IntercontinenTao.

Coletes Amarelos obtêm sua primeira vitória e evitam a privatização de aeroportos

Os Coletes Amarelos se transformaram num movimento político

Ramin Mazaheri
The Vineyard of the Saker

Os Coletes Amarelos sem dúvida alcançaram afinal uma primeira vitória real contra o presidente Emmanuel Macron na semana passada, quando parlamentares da oposição surpreendentemente se uniram para votar a favor de se organizar um referendum que decida sobre a venda dos três aeroportos na área de Paris. Os RICs – Referendum de Iniciativa dos Cidadãos – à moda suíça – são a demanda estrutural democrática básica dos Coletes Amarelos. E o fato de que agora é possível que os cidadãos votem em referendum sobre a venda dos aeroportos franceses é, sem dúvida, resultado da agitação de rua.

A mídia francesa, sempre rabugenta, que odeia os Coletes Amarelos por eles se atreverem a questionar o direito de o Quarto Poder decidir a agenda que toda a sociedade seria obrigada a discutir, evidentemente não comemorou o que é vitória óbvia de todos que vivam sobre solo francês ou apenas passem voando por ali.

PATRIOTISMO – Muito me surpreendeu o renascimento do patriotismo, no bom sentido, econômico, da França. Na véspera da decisão, havia apenas uns 150 Coletes Amarelos em frente ao Senado, onde, naquele momento com certeza, a proposta de Macron para o desmanche dos aeroportos estava para ser aprovada. Ainda não se sabe se realmente acontecerá algum referendum, que seria pioneiro, mas é possível, sim, que apareça nas manchetes durante meses, empurrando enquanto isso, para as ruas, mais e mais franceses metidos em Coletes Amarelos.

A ideia de vender patrimônio do Estado aos mais ricos, já é vergonhosa até para quem não seja fanático obcecado contra qualquer democracia socialista, mas as táticas de Macron superaram todos os limites. Para começar, pôs toda a gangue dos servis travestidos de políticos na Assembleia Nacional a reescrever leis que permitissem desnacionalizar os aeroportos.

Os nomes orwellianos que se dão às leis francesas para as “deformas” que planejam são sempre cômicos. Nesse caso, a Lei se chama Plano de Ação para o Crescimento e Transformação de Empresas.

NA MADRUGADA – Em seguida, para evitar a imprensa e uma possível derrota, Macron convocou sessão de votação da lei para liquidar os aeroportos franceses, para as 6h15 da manhã [madrugada] do sábado, dia 16 de março. Deputados franceses trabalham em horas estranhas, sim, mas eu jamais tinha ouvido falar de sessão de votação às 6h da madrugada de um sábado. Só apareceram 45 dos 577 deputados que votam na Câmara baixa.

A mídia faixa branca fez o diabo para explicar que, sim, a votação foi legal. Ninguém cobriu a sessão – todos fomos enganados, eu inclusive. Ora bolas! Sou jornalista diurno. E não posso noticiar um evento dois dias depois de ele acontecer. Você mal dá conta de cobrir o dia, e logo já aparece mais um fato, ali, à sua espreita.

Depois, num movimento conectado a esse, mas conexão que nenhum veículo parece estar percebendo, Macron adiou a data da conclusão dessa campanha de Relações Públicas dissimulada sob o título de “Debate Nacional”, para desviar as atenções da votação no Senado.

NAS RUAS – Os Coletes Amarelos não se sentiram ofendidos, nem se incomodaram. Como já estava planejado, iniciaram ação massiva de desobediência civil na Avenida dos Champs-Elysées, um dia depois da data em que o Debate Nacional deveria ser concluído, dia 16 de março. Incendiaram até um banco. Acho justo registrar que fui o único a explicar adequadamente por quê.

E essa semana Macron revelou suas “conclusões” daqueles dois meses e meio de conversa fiada, que se resumem, essencialmente, à seguinte: “É reconfortante saber que sempre tive razão, desde o primeiro dia!” Claro que Macron contava com que a mídia se manteria focada na bobajada tecnocrática, e não dedicaria colunas inteiras à venda, em liquidação, dos aeroportos.

SURPRESA – Mas não contava com que deputados do partido de Macron se aliassem para o bem do país. Ou, de fato, para muitos, para o bem das respectivas campanhas de reeleição: a desnacionalização é tão impopular que ninguém pode sequer pronunciar o nome – sem ser imediatamente é atacado como vendilhão da pátria. Daí que falar mal de “privatização” – sobretudo se chamada de “desnacionalização” é garantia de atrair eleitores e votos.

Em resumo: é perfeitamente impossível acreditar no que diz Macron, que o único modo pelo qual o estado conseguirá 10 bilhões de euros para um “fundo de inovação industrial” é torrar os aeroportos de Paris (assim como as Loterias Francesas e a participação do estado francês na gigante Engie de energia).

RECORDANDO – A França já deu bilhões em cortes de impostos e isenções a empresas e negócios ao longo da Era da Austeridade [“Era do Arrocho”], sempre repetindo que o 1% investiria em fundos de inovação industrial que o próprio 1% proporia, e que não havia conexões com o Estado, nos programas de cortes.

Há também a evasão, que chega à casa de centenas de bilhões que o estado deixa de arrecadar… e que ninguém nunca mais verá, considerando que Macron quer cortar milhares de cargos no Ministério da Finança, o ministério cujo trabalho é arrecadar impostos.

Em resumo, a semana foi péssima para Macron: apenas 6% da França considerou um sucesso seu governo; e, pior que isso, os franceses absolutamente não engoliram a privatização que sua gangue de globalistas neoliberais amam acima de tudo.

SOCIALISMO? – Foi grande surpresa para mim, quando cheguei à França “socialista”, que já tivessem vendido todas as estradas do país. Hoje, quando um motorista paga 60 euros para dirigir de Paris a Marselha – só de ida! –, você quer pôr fogo na cabine de pedágio. Exatamente o que fizeram os Coletes Amarelos. Prestaram valioso serviço público.

Desnacionalizar o aeroporto terá o mesmo efeito caríssimo para o francês médio. Terá o mesmo efeito que o Reino Unido conheceu depois que as ferrovias foram desnacionalizadas: um ticket em alta temporada é hoje cinco vezes mais caro que no continente, e todos os serviços pioraram, a viagem demora mais tempo, é menos segura e menos confortável. Nos EUA leem-se manchetes como essa do ano passado, de St. Louis: Privatização de Lambert (aeroporto) é desastre semelhante ao do estacionamento em Chicago.

A França deve agradecer aos seus valentes Coletes Amarelos – que conseguiram impedir (pelo menos por enquanto), que o povo francês perca um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Com certeza é vitória tangível, que calará os detratores do movimento, o que obrigará que se façam mudanças na agenda da mídia liberal-democrata hegemônica, e que pode ajudar os demais cidadãos franceses a se tornarem politicamente mais lúcidos e ilustrados.

Paradoxo: ao censurar a Crusoé, Moraes diz que Constituição proíbe a censura

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Moraes deu um jeitinho brasileiro para censurar o que incensurável

Deu na Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que os sites da revista Crusoé e O Antagonista retirem do ar reportagem e notas publicadas na semana passada sobre uma menção ao presidente da corte, Dias Toffoli, feita em um e-mail pelo empresário e delator Marcelo Odebrecht. A decisão de Moraes, que atendeu a um pedido de Toffoli, é de sexta-feira (12), no âmbito de um inquérito aberto pelo STF em março para apurar fake news e divulgação de mensagens que atentem contra a honra dos integrantes do tribunal. O site foi notificado na manhã desta segunda-feira (15).

A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por dia. Moraes também determinou que os responsáveis pelos sites prestem depoimento em até 72 horas.

AMIGO DO AMIGO – Segundo a reportagem de Crusoé que motivou a ação do Supremo, Marcelo Odebrecht enviou à Polícia Federal, no âmbito de uma apuração da Lava Jato no Paraná, esclarecimentos sobre menções a tratativas lícitas e ilícitas encontradas em seus e-mails.

Uma das menções, de acordo com o delator, era a Toffoli. Na época do e-mail, julho de 2007, Toffoli não era ministro do STF, mas ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O e-mail foi enviado por Marcelo Odebrecht a dois executivos da empreiteira, Adriano Maia e Irineu Meirelles, e dizia: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. Não há no e-mail nenhuma citação a pagamentos.

TRATATIVAS – Marcelo Odebrecht explicou à PF, de acordo com a revista, que a mensagem se referia a tratativas que o então diretor jurídico da empreiteira, Adriano Maia, tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia.

Após a decisão de Alexandre de Moraes, a direção da revista reafirmou o teor da reportagem, considerada pela publicação como censurada pelo ministro do STF.

Em sua decisão, Moraes afirmou que a Constituição proíbe a censura, mas permite reparações posteriores à publicação de um conteúdo. “A plena proteção constitucional da exteriorização da opinião não significa a impossibilidade posterior de análise e responsabilização por eventuais informações injuriosas, difamantes, mentirosas e em relação a eventuais danos materiais e morais, pois os direitos à honra, à intimidade, à vida privada e à própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa humana”, escreveu o ministro.

PROCURADORIA – A decisão destaca que a Procuradoria-Geral da República divulgou nota na última sexta, após a publicação da reportagem, afirmando que o documento com a menção a Toffoli não havia sido remetido ao órgão —diferentemente do que dissera o texto.

“A gravidade das ofensas disparadas ao Presidente deste Supremo Tribunal Federal, no teor da matéria, acima mencionada, provocou a atuação da Procuradoria-Geral da República, que publicou nota de esclarecimento”, disse Moraes na decisão.

“Obviamente, o esclarecimento feito pela Procuradoria-Geral da República tornam falsas as afirmações veiculadas na matéria ‘O amigo do amigo de meu pai’ em típico exemplo de fake news —o que exige a intervenção do Poder Judiciário”, decidiu o ministro.

NÃO É FAKE – O diretor de Redação de Crusoé, Rodrigo Rangel, afirmou que “reitera o teor da reportagem, baseada em documento, e registra, mais uma vez, que a decisão [de Moraes] se apega a uma nota da Procuradoria-Geral da República sobre um detalhe lateral e utiliza tal manifestação para tratar como fake news uma informação absolutamente verídica, que consta dos autos da Lava Jato”.

“Importa lembrar, ainda, que, embora tenha solicitado providências ao colega Alexandre de Moraes ainda na sexta-feira, o ministro Dias Toffoli não respondeu às perguntas que lhe foram enviadas antes da publicação da reportagem agora censurada”, afirmou o jornalista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A notícia é verdadeira, dizem os responsáveis pela revista digital Crusoé, que tentou ouvir o ministro Dias Toffoli. Se ele tivesse respondido às perguntas, apresentando argumentos sólidos, poderia até ter esvaziado o conteúdo da reportagem, que talvez nem tivesse sido publicada. Como não respondeu, as dúvidas continuam no ar, comprometendo a imagem do ministro. O caso é muito interessante e vai ter desdobramentos permanentes. (C.N.)

Censura à revista Crusoé, sem dúvida, é um atentado à liberdade de imprensaa

Resultado de imagem para revista crusoé o antagonistaMario Sabino
Publisher da Crusoé

Fomos surpreendidos na manhã desta segunda-feira, 15 de abril de 2019, pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de censurar a reportagem “O amigo do amigo de meu pai”, publicada na sexta-feira passada pela revista Crusoé.

A reportagem revela, com base em documento da Lava Jato reproduzido pela revista, que Marcelo Odebrecht, ao utilizar o codinome em mensagem a executivos da sua empreiteira, disse à Força Tarefa da operação que se referia a Antonio Dias Toffoli, na época Advogado Geral da União e hoje presidente do Supremo Tribunal Federal.

Além de censurar a revista, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal tomasse depoimentos dos jornalistas.

Nossos advogados entrarão com recurso ao colegiado do STF, para tentar reverter esse atentado contra a liberdade de imprensa, aspecto fundamental da democracia garantido pela Constituição. Na nossa visão, trata-se de ato de intimidação judicial. A liberdade de imprensa só se enfraquece quando não a usamos. Continuaremos a lutar por ela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDemorei a publicar esse ato de censura, porque estava fora desde de manhã, em importante reunião realizada na Associação Brasileira de Imprensa, onde também vem sendo travada uma luta pela democracia. O atual presidente Domingos Meirelles tenta o possível e o impossível para se reeleger, inclusive afrontando a Justiça para impedir que a chapa de oposição tenha acesso à lista completa dos associados e possa fazer campanha. É muito triste presenciar a esse retrocesso democrático, numa instituição como a ABI. Quanto à volta da censura, agora atingindo a revista Crusoé, só fará acirrar os ânimos dos jornalistas contra os atos do Supremo para blindar seus ministros e esvaziar a Lava Jato. Nada como um dia atrás do outro, diz o velho ditado.  (C.N.) 

Candidatos do Pros confirmam superfaturamento nas prestações de contas

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Charge do Flávio (Arquivo Google)

Alexandre de Paula e Ana Viriato
Correio Braziliense

A suspeita de que o Pros superfaturou valores nas prestações de contas de diversos concorrentes a deputado distrital nas eleições de 2018 teve desdobramentos na Justiça Eleitoral. Em depoimento ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE-DF), dois candidatos da última disputa pela Câmara Legislativa revelaram detalhes e deram sustentação à denúncia de que a legenda cometeu irregularidades.

Conforme o Correio revelou em reportagem de fevereiro, a direção nacional da sigla alegou ter destinado mais de R$ 5 milhões em material gráfico a 33 candidatos a distrital que, juntos, conquistaram apenas 11,9 mil votos.

DENÚNCIA – Os concorrentes, no entanto, negam ter recebido os valores e denunciam que o partido utilizou as prestações de contas para desviar recursos. O suposto esquema do Pros ocorreu por meio da alegação de transferências volumosas de material gráfico para os candidatos, com gasto médio de R$ 172 mil para cada um dos 33 concorrentes.

A legenda teria utilizado uma brecha na legislação eleitoral, que dispensa a apresentação de comprovantes e recibos na transferência de valores em material de campanha. As transações são apresentadas como “receitas estimáveis em dinheiro”.

 A fartura dos itens, custeados por recursos públicos dos Fundos Partidário e de Financiamento Especial de Campanha, segundo a prestação de contas, é tamanha que seria possível, por exemplo, estampar por três vezes todos os 1,7 milhão de automóveis da capital com os 6 milhões de adesivos que a legenda diz ter confeccionado. Essa possibilidade é remota.

APURAÇÃO RÁPIDA – Em 28 de fevereiro, três dias após a publicação das denúncias no Correio, o Ministério Público emitiu parecer questionando os métodos do partido e pedindo apuração rápida sobre o caso à Justiça Eleitoral. “As irregularidades narradas, tanto pelo prestador de contas quanto pela imprensa, merecem ágil e percuciente apuração”, escreveu o procurador José Jairo Gomes.

Até agora, o TRE ouviu dois dos candidatos do partido nas eleições de 2018. Um deles, Gilberto Camargos, recusou-se a assinar a prestação de contas produzida pela legenda. Às pressas, elaborou uma nova, entregue em janeiro deste ano, ao lado de uma declaração em que justifica o atraso e detalha a suposta tentativa de fraude cometida pelo partido.

FOI PROCURADO – Na audiência, Camargos contou que, depois da publicação da reportagem, um representante do Pros o abordou para saber qual decisão tomaria contra a legenda. “Depois que o Correio Braziliense me procurou, aí, sim, o senhor Edmilson Boa Morte [secretário do Pros] me ligou para saber o que eu ia fazer, se eu ia entrar na justiça contra o partido, o que eu ia falar aqui, essas coisas”, disse Camargos.

O partido o chamou para assinar a prestação de contas no último dia do prazo estabelecido pela Justiça, disse. A informação se repete no relato de diversos candidatos. Camargos revelou ter sido pressionado a aceitar os valores superfaturados, mas negou. “Eles disseram: ‘Você tem de assinar porque, se não assinar, nunca mais vai ser candidato’. Nessa hora, eu fiquei nervoso e tomei deles os papéis”, contou. “Eu decidi falar exatamente a verdade e pronto. Não vou assinar o que não recebi.”

MATERIAL – Camargos guardou, em casa, o material entregue pelo partido, às vésperas da eleição. Por ser propaganda casada com um concorrente a deputado federal, o candidato se recusou a usar. A quantidade, alega, é muito inferior à que a legenda queria declarar — perto de R$ 170 mil.

“Pelo montante que eu fiz e pelo montante que me entregaram, eu calculei e cheguei num gasto de uns R$ 10 mil.” Todo o material, além dos documentos produzidos pelo partido, foi encaminhado para a Justiça.

Também ouvida pelo TRE, Marizete Pereira recebeu, de acordo com a prestação de contas produzida pelo Pros, R$ 159 mil em material para a campanha de 2018. Teve 490 votos. Ela contou, no depoimento, que sofreu pressão para assinar a declaração às pressas e não teve tempo sequer de conferir os valores apresentados pela legenda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Tom Jobim, “é a lama, é a lama, é a lama”. E a Justiça Eleitoral,  será que vai dar um jeito nesse lamaçal. Duvido muito. (C.N.)

Gilmar Mendes cobra Guedes por resultados em investigação de seus dados vazados

O ministro do STF Gilmar Mendes

Mendes quer “blindar” na Receita Federal ele próprio e a mulher

Mônica Bergamo
Folha

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), voltou a cobrar de forma dura a equipe do ministro Paulo Guedes, da Economia, para que as investigações sobre o vazamento de seus dados fiscais cheguem a quem ordenou a devassa e às razões pelas quais ela foi feita.

As explicações iniciais, de que o vazamento foi involuntário porque os dados foram repassados a uma empresa privada por engano, não satisfizeram Mendes —nem outras autoridades que também foram alvo de investigação.

HISTORIETAS – Para o ministro, as explicações são “historietas” para encobrir as reais motivações de seus dados terem sido não apenas escarafunchados como também tornados públicos.

Na cobrança à equipe de Guedes, ele disse que a Receita teve, no caso, um papel de “órgão de pistolagem”.

Mas o secretário especial da Receita, Marcos Cintra, tem afirmado que não vê a instituição com a mesma severidade do ministro do STF. E que ela apenas procura cumprir suas atribuições, previstas em lei.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A estratégia de Gilmar Mendes é inteligente. O problema maior, para ele e a mulher Guiomar, associada ao escritório de Sérgio Bermudes, não é o vazamento, mas a investigação em si, que detectou movimentação atípica em conta bancária da mulher. O fato ocorreu em meio a uma investigação ampla, que está em curso e envolve 134 personagens consideradas “politicamente expostas”, a denominação oficial de quem pode se beneficiar com recursos públicos, se uma forma ou outra.

O objetivo principal de Gilmar é blindar ele e a mulher, para que a investigação não avance, mesmo já tendo sido identificada a “movimentação atípica”. Para tanto, ele convocou a seu gabinete o secretário da Receita, Marcos Cintra, que lá compareceu, foi intimidado e saiu dizendo que iria punir os responsáveis pelo vazamento.

Agora, pelo que diz a jornalista Mônica Bergamo, Cintra já percebeu que não pode punir ninguém, porque os funcionários da Receita estão apenas cumprindo atribuições previstas em lei. No desespero, Gilmar resolveu apelar para o ministro Paulo Guedes, que tem mais o que fazer e está agora dedicado a manter o próprio emprego, depois de ter menosprezado Bolsonaro numa entrevista concedida sábado em Washington, sobre o caso do diesel. O clima está esquentando. (C.N.)

Esquerda vence “por um fio” na Finlândia, mas extrema-direita assombra mesmo a Europa

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Antti Rinne, social-democracta, festeja vitória de 0,2% dos votos

Nelson de Sá
Folha

No destaque da rede finlandesa Yle, o Partido Social-Democrata venceu e, com 40 cadeiras, volta a ser o maior da Finlândia. Pela primeira vez desde 1999, duas décadas, acrescentou a britânica BBC. Mas Yle e demais veículos pela Europa estavam tão ou mais voltados ao partido que veio em segundo, com 39, os Verdadeiros Finlandeses.

As manchetes digitais de La Stampa, La Reppublica e Corriere della Sera traziam enunciados na linha “Esquerda ganha por um fio dos populistas” ou “da extrema direita”, como trata logo o Stampa.

ALIANÇA – Os jornais italianos estão especialmente atentos porque os Verdadeiros Finlandeses são aliados do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, da Liga, que acaba de lançar uma frente para as eleições do Parlamento Europeu.

Como destacou o Corriere, ele festejou a vitória dos seus “amigos”, como chama: “Em maio, junto com a Liga, a Europa finalmente muda”.

O alemão Frankfurter Allgemeine, no mesmo tom, destacou ainda entrevista com a francesa Marine Le Pen, que também se aliou nesta semana a Salvini e já prevê outros, como o polonês PiS.

ALVO É O PAPA – O britânico Guardian deu como manchete digital “Steve Bannon falou ao líder populista da Itália: O papa Francisco é o inimigo”. O ex-estrategista-chefe da Casa Branca, em 2016, “aconselhou Salvini a mirar no pontífice”. O italiano passou a afirmar que não reconhece Francisco por seu papa.

Também no exterior a figura de Jair Bolsonaro mobiliza cobertura. New York Times e jornais de Israel, como Haaretz, ecoaram a fala sobre “perdoar” o extermínio de judeus — depois também as desculpas dele.

E a rádio WNYC perguntou e ouviu do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, uma crítica à cerimônia contratada para homenagear Bolsonaro, “um ser humano perigoso”, no Museu de História Natural, “instituição pública”. O New York Post noticiou, mas questionando o prefeito democrata.

PRIVACIDADE? – O NYT deu manchete de domingo para o uso pela polícia, “ao redor do mundo”, do rastreamento de celulares do Google.

A reportagem ajudou a apresentar seu Projeto Privacidade (ilustração acima), que prevê um mês de artigos sobre os custos do maior poder das empresas de tecnologia e dos governos “para seguir as pessoas”.

Entre outros, escrevem os colunistas de tecnologia Farhad Manjoo e Kara Swisher, respectivamente sob os títulos “É hora de entrar em pânico sobre privacidade” e “Nós não vamos mais aguentar isso”. Também o próprio publisher A. G. Sulzberger, anunciando: “Nós também estamos examinando as nossas políticas e práticas de dados”.

Ao deixar ações judiciais, Bebianno lamenta ‘falta de consideração’ de Bolsonaro

No dia 18 de fevereiro, Bolsonaro demite o seu braço direito na campanha e ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência, no meio de uma crise provocada por denúncias de uso de candidatos laranjas pelo PSL para desvio de verbas do Fundo Partidário nas eleições de 2018Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo 08/10/2018

Gustavo Bebiano nada cobrou pela defesa de dezenas de ações

Jussara Soares
O Globo

Quase dois meses depois de ter sido demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, o ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno começou a cortar os últimos laços que mantinha com o presidente. Advogado por formação, ele deixou na semana passada os processos em que defendia Bolsonaro na Justiça Eleitoral. Ainda restam as ações criminais e cíveis, mas o momento de “cada um seguir com a sua vida” chegou.

Ao longo de todo o trabalho em favor da família presidencial, Bebianno diz ter reunido 40 advogados que trabalharam de graça sob sua coordenação para defender os Bolsonaros em contendas judiciais. Um esforço, na avaliação dele, não reconhecido.

“EXÉRCITO” – A família Bolsonaro deve esse exército de advogados que atuaram de graça ao trabalho que eu fiz” – disse Bebianno ao Globo, complementando: “Apesar de ter sido chamado de mentiroso, e não ter tido uma gota de consideração depois de tudo que eu fiz, a minha posição profissional continua a mesma” – afirmou.

“Apesar de não ter tido nenhum tipo de consideração por parte do presidente, continuei tendo consideração por ele. No processo do Adélio, tem uma conclusão crucial, se ele é inimputável ou não. E foi graças à minha insistência que foi nomeada uma perita “– afirmou Bebianno.

A pedido de Bebianno e do empresário Paulo Marinho, o criminalista Antonio Pitombo atua como assistente de acusação no caso Adélio, considerado inimputável pelos peritos da Justiça. A psiquiatra forense Paula Campozan foi contratada por Bebianno para fazer uma nova avaliação sobre a sanidade de mental do esfaqueador. A perita cobrou R$ 15 mil reais pelo trabalho. A primeira parcela de R$ 5 mil foi paga pelo próprio Bebianno e posteriormente reembolsada pelo presidente.

“ATAQUE HISTÉRICO” – “Enquanto muita gente fica dando ataque histérico e fazendo gracinha na internet, quem tomava as providências efetivas era eu. Não adianta ficar xingando o Adélio, se não tiver um laudo dizendo que ele não é maluco. Eu que consegui a perita, coloquei no circuito e inclusive paguei a primeira parcela” – disse o ex-ministro sem nominar quem “fica dando ataque histérico e fazendo gracinha na internet”.

Bebianno afirma que pediu a Bolsonaro que indicasse advogados para substituí-lo em todas as ações, após o Globo ter divulgado uma conversa em que o presidente demonstrava preocupação com o valor que o então ex-aliado poderia cobrar em honorários. Na ocasião, em um diálogo com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o mandatário disse que teria que “vender uma casa para poder pagar” Bebianno, se ele resolvesse cobrar pelo serviço.

SEM PAGAMENTO – “Quando vazou o áudio do Onyx, entrei em contato com o presidente e disse: “o senhor não tem que me pagar nada, o senhor não me deve nada, o que eu fiz, como o senhor sabe, foi por acreditar em uma causa”. E pedi que ele arrumasse outro advogado” – disse.

Na semana passada, conforme revelado no blog de Bela Megale , Bebianno, a pedido do presidente, foi substituído pela advogada Karina Kufa em 30 ações eleitorais. Ao Globo, a advogada afirmou que também deve assumir processos civis e criminais, mas ainda faz o levantamento do volume de causas do presidente que tramitam na Justiça. Bebianno não vê a hora de encerrar o ciclo.

– Eu quero passar tudo, as ações civis e criminais, acho que cada um tem que seguir com a sua vida.

Depois de sete anos de asilo, Julian Assange se transformou num farrapo humano

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ONU pede que Julian Assange seja submetido a um julgamento justo

Deu em O Globo

O escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas pediu oficialmente que seja garantido um julgamento justo para Julian Assange, fundador do WikiLeaks . O australiano foi preso na embaixada do Equador em Londres, depois que seu asilo foi revogado pelo governo de Quito, e desde então está sob custódia britânica. Ele é alvo de um pedido de extradição dos Estados Unidos.

“Esperamos que todas as autoridades relevantes garantam que o direito de Assange a um julgamento justo seja respeito, incluindo em qualquer procedimento de extradição que possa acontecer” — disse a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani a jornalistas em Genebra.

EXTRADIÇÃO — A polícia de Londres confirmou que Assange foi preso em resposta a um pedido de extradição das autoridades dos Estados Unidos, onde ele vinha sendo processado secretamente, segundo revelou a imprensa americana em novembro de 2018.

Depois da prisão, promotores americanos informaram que Assange é acusado de conspirar com a ex-analista de Inteligência do Exército dos EUA Chelsea Manning para acessar um computador do governo americano em 2010. Manning é a fonte dos documentos militares e da diplomacia americana que o WikiLeaks divulgou em 2010 e 2011. A pena máxima prevista para o crime é de cinco anos, segundo o Departamento de Justiça.

LIBERDADE CONDICIONAL – A prisão de Assange, de 47 anos, também atendeu a um pedido da Justiça britânica, que determinara sua detenção quando ele pediu refúgio na embaixada equatoriana, acusando-o de violar as condições da liberdade condicional que lhe havia sido imposta no âmbito de uma investigação de abuso sexual na Suécia.

Essa investigação foi posteriormente arquivada pela Justiça sueca, mas os advogados de Assange não conseguiram derrubar o pedido de prisão por violação da condicional. Nesse caso, ele pode ser condenado a até 12 meses de prisão.

DIZ A ONU – A relatora especial da ONU sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias, Agnes Callamard, criticou o governo equatoriano pela revogação do asilo, que segundo ela expõe Assange “a um verdadeiro risco de graves violações dos direitos humanos”. O ministro do Interior equatoriano, José Valencia, disse depois à Assembleia Nacional em Quito que o governo não sabia do pedido de extradição americano quando revogou o asilo.

Por sua vez, o relator especial da ONU sobre Tortura e professor de Direito Internacional Nils Melzer afirma que o Equador não respeitou o direito processual de Assange durante sua retirada da embaixada equatoriana.

“Minha principal preocupação é que ele seja extraditado para os Estados Unidos “, o especialista. “Evidentemente, se trata de um caso de segurança nacional, e os Estados Unidos ao longo da última década não foram um Estado seguro no que concerne a proibição da tortura em casos que envolvem este tema.

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NOTA DA REDAÇÃO
Muita conversa fiada. Existe um complô ocidental contra Assange, e o novo governo do Equador é totalmente submisso aos Estados Unidos. Apenas isso. Após sete anos de asilo, a decadência física de Assange é impressionante, com apenas 47 anos. Ele vai ser o Nelson Mandela do século XXI. (C.N.)

Embate de Onyx com líderes do Centrão pode comprometer articulação do Planalto

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Centro pressiona Onyx Lorenzoni pela distribuição de cargos

Rodolfo Costa
Correio Braziliense

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entrou em colisão com o Centrão em uma disputa que, dizem parlamentares do bloco político, não tem como vencer e pode custar caro ao governo. O “cavalo de pau” dado pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), em não aceitar votar o Orçamento impositivo antes da reforma da Previdência na terça-feira, tem dedo do articulador político do Palácio do Planalto, que, agora, se engalfinhou de vez em uma queda de braço com o Centrão.

Lideranças do bloco prometem endurecer o coro por mudanças nas negociações de cargos nos estados, sob pretexto de impor derrotas ao governo, inclusive na votação da Previdência, e começarão a dar o troco nesta segunda-feira.

VOTAÇÃO – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conversou com líderes no sábado e definiu que a votação do Orçamento impositivo fica para hoje, na CCJ, às 14h, como pauta prioritária. A decisão contraria a agenda estabelecida por Francischini na sexta-feira para a comissão, que votaria antes a reforma, em um contragolpe a Lorenzoni.

Nos bastidores, o presidente da Câmara trabalha para manter a ordem na Casa e não deixar a interlocução do Planalto se sobrepor ao Parlamento. A decisão é uma resposta direta ao distanciamento de Maia do governo, que, na terça-feira, diz ter perdido condições de ser articulador da reforma da Previdência e que não ficará no meio da briga levando “pancada” da base de Bolsonaro. “Agora, se o governo vai ganhar, você pergunta para o Onyx”, disse Maia.

ESGOTAMENTO – A atual articulação do governo por cargos está esgotada. Vem sendo conduzida pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), com os coordenadores de bancadas estaduais. O modelo, entretanto, tem desagradado o bloco governista na Câmara, composto por partidos do Centrão, PP, PSD, MDB, PR, PRB, DEM e PSDB, além do PSL, PTB, PSC e PMN. Em alguns estados, as coordenações são comandadas por parlamentares da oposição, como na Bahia (Daniel Almeida, PCdoB), no Piauí (Átila Lira, PSB), Rio Grande do Norte (Rafael Mota, PSB), e Goiás (Rafael Motta, PSB).

Mesmo em estados onde a coordenação é feita por partidos ligados ao Centrão, as críticas são de que os coordenadores estão criando obstruções para o apadrinhamento de olho em interesses próprios ou de correligionários. Afinal de contas, todos os partidos são adversários e disputam o poder.

QUEDA DE BRAÇO –  Em Roraima, por exemplo, o deputado Jhonatan de Jesus (PRB), líder da legenda na Câmara, se afastou desse modelo de articulação, uma vez que o coordenador da bancada no estado, Hiran Gonçalves (PP), não é afeto dele, dizem pessoas próximas.

O padrão de articulação feito por Joice Hasselmann deu curto-circuito. Não porque falte a ela respeito e confiança dos líderes. O caso de Jesus é apenas um exemplo dentro do desgastado molde de interlocução, que tirou condições de ela continuar conversando com os coordenadores de bancada.

A cobrança no Congresso é que ela, alinhada a Lorenzoni, substitua o processo por um diálogo com as bancadas partidárias nos estados que apoiam o governo, algo ainda não feito pela articulação política. Interlocutores do governo no Congresso dizem que a proposta será dialogada com o titular da Casa Civil nesta segunda-feira ou, no mais tardar, amanhã.

COBRANÇA – Lideranças do Centrão afirmam ao Correio que a cobrança pela mudança na articulação não se trata de uma sugestão. “Ou o governo muda a articulação ou vai sofrer derrotas. O Onyx insiste em uma queda de braço que ele não tem como vencer”, diz um líder. Mesmo parlamentares que, por convicção ideológica, entendem que a aprovação da reforma da Previdência é importante, sinalizam votar contrariamente enquanto a Casa Civil não alterar a interlocução de coordenadores de bancadas estaduais para as lideranças partidárias nas unidades federativas.

O Centrão vai testar o fortalecimento de Lorenzoni que, nas últimas duas semanas, articulou reuniões entre Jair Bolsonaro e 13 presidentes e líderes partidários. Das reuniões, mandatários saíram dizendo que não fazem parte da base governista. E a maioria, de fato, não fará, enquanto o chefe da Casa Civil não mudar o diálogo com as bancadas no Parlamento e convencer que deseja um relacionamento melhor.

DISTRIBUIR CARGOS – A pressão é que o convencimento não seja feito por palavras, mas dando poderes para que Joice Hasselmann possa não somente ouvir os líderes, como dar sequência às demandas.

A ideia de testar o poder de Lorenzoni passa pela opção em intensificar diálogos com o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz. Ou seja, buscar outros canais de comunicação no Planalto. Mourão, por exemplo, já declarou publicamente que Bolsonaro poderia oferecer cargos nos estados aos partidos. “Ele e Santos Cruz têm se mostrado muito mais lúcidos no trato ao Parlamento”, pondera um líder.

A própria articulação do governo no Congresso calcula que é possível, em alguns estados, atender com até dois cargos para cada parlamentar fiel ao governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Olha o “toma lá, dá cá” de novo em cena, gente!!! (C.N.)

Para atacar os comunistas, novo ministro plagia a tática de Hitler na década de 30

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Abraham Weintraub é mais um ministro do tipo “idiota completo”

Carlos Newton

O jornalista Gerd Wenzel, nascido na Alemanha, colunista da Deutsche Welle, rádio estatal alemã, e ex-comentarista da ESPN Brasil, denuncia que o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, está repetindo o discurso dos nazistas liderados por Adolf Hitler na década de 1930, ao afirmar que “os comunistas” são donos dos bancos, das grandes empresas e da imprensa no país”. Diz o jornalista que o discurso é “plágio dos anos 30 na Alemanha: é só trocar ‘comunistas’ por ‘judeus'”.

Afirma Ger Wenzel, no site 247, que na Alemanha de Hitler, ao invés dos comunistas, o alvo do mesmo discurso usado hoje pelo ministro Weintraub eram os judeus, que por acaso também é judeu.

COMPARE – O jornalista sugere que se compare o que disse o novo ministro, em palestra concedida em 2018, e o que diziam os nazistas, na década de 30.

Segundo o novo ministro Abraham Weintraub: “Os comunistas são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios.”

O que diziam os nazistas em 1930: “Os judeus são o topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios.”

MALES DA ALEMANHA – Segundo o ex-comentarista da ESPN, Hitler atribuía os males da Alemanha ao suposto fato de os judeus controlarem os meios de comunicação e o sistema financeiro. Com isso, escolheu um bode expiatório, os judeus, que se tornaram alvo preferencial da perseguição nazista.

Na essência, o ministro Weintraub faz exatamente o mesmo, ao fazer a falsa denúncia de que as famílias Marinho, Mesquita, Frias, Safra, Setúbal, Moreira Salles, Lemann, Ermírio de Moraes e tantas outras, seriam todas comunistas e têm o mesmo objetivo de assumir o poder, da mesma forma que os nazistas lançaram acusação similar aos judeus na Alemanha, diz o site 247, ao reproduzir as afirmações do jornalista Gerd Wenzel.

“Em 1930, criou-se na Alemanha uma onda de antipatia e repulsa que deu condições políticas à perseguição brutal, cujo ápice foi o holocausto ou shoá, na qual morreram mais de 6 milhões de judeus. É o mesmo método, que o novo ministro agora usa contra os comunistas”, diz o jornalista.