Depósitos na conta de Queiroz coincidem com dia de pagamento, diz O Globo

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Depósitos desmentem a  esperada “explicação plausível”

Deu em O Globo

A maior parte dos depósitos em espécie na conta de Fabrício de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, coincidem com as datas de pagamento na Assembleia Legislativa do Rio, segundo o Jornal Nacional. Nove funcionários do gabinete do filho do presidente eleito repassaram dinheiro para Queiroz.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ) apontou movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor, entre 2016 e 2017. Uma das transações listadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente eleito afirmou tratar-se do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40mil.

COINCIDÊNCIA? – O JN fez o cruzamento das datas dos depósitos feitos em dinheiro nas contas do ex-assessor com os dias de pagamento dos salários da Alerj entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Em praticamente todos os meses, a maior parte do dinheiro entra na conta de Queiroz no mesmo dia ou poucos dias depois de os servidores receberem o salário.

Em março, abril, maio, junho, agosto e novembro houve depósitos no mesmo dia do pagamento. Em dezembro, um dia depois do recebimento do salário e no mesmo dia em que foi pago o 13º .

O JN também analisou as datas em que Fabrício sacou dinheiro. Nos meses de março, abril, maio, junho e novembro ele começa a tirar dinheiro da conta no mesmo dia em que são feitos os depósitos ou nos dias seguintes.

VÁRIAS AGÊNCIAS – Na maioria das vezes, o saque é de R$ 5 mil — limite diário por agência em seu banco. Quando queria valores maiores, Queiroz ia a várias agências. Em pelo menos dois dias, ele foi a três para sacar R$ 15 mil no total.

A assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que ele não é investigado, que está à disposição para prestar os esclarecimentos às autoridades e que é o principal interessado em que tudo se esclareça o quanto antes.

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NOTA DA REDAÇÂO DO BLOGO jornalista Lauro Jardim, de O Globo, informa que o ex-assessor Fabrício Queiroz contratou um contador para analisar suas contas bancárias e, assim, poder explicar ao fisco e ao Coaf todos os depósitos e saques. Em tradução simultânea, pode-se dizer que se trata de nova missão impossível, sem Tom Cruise. O contador precisa se apressar, porque já foi marcado interrogatório de servidores do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro. O depoimento deles vai esclarecer muita coisa. Como o filho mais velho de Bolsonaro assume o mandato de senador em fevereiro, todos serão automaticamente demitidos. A dúvida é saber se serão admitidos no gabinete estadual do senador, também pagando “pedágio”. (C.N.)

 

 

Bolsonaro voltará a São Paulo nesta quinta-feira, para fazer novos exames

Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Nova cirurgia somente será feita após a posse, em janeiro

Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, irá a São Paulo na próxima quinta-feira para fazer exames no hospital Albert Einstein . A viagem não constava da agenda informada no início da semana e foi confirmada pela assessoria.

Bolsonaro ainda está com uma bolsa de colostomia, instalada em seu abdome após o atentado de que foi vítima em setembro, em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha. Ele faria a retirada nesta quarta-feira, mas o procedimento foi adiado para janeiro. Na semana passada, Bolsonaro suspendeu a agenda na sexta-feira por recomendação médica.

MAIS SIMPLES – A nova cirurgia que Bolsonaro fará em janeiro será mais simples que as anteriores, com baixa possibilidade de complicações. A operação, adiada de dezembro para depois da posse, tem o objetivo de retirar a bolsa de colostomia que o presidente eleito mantém desde setembro, quando sofreu um ataque a faca, e reconstituir o trânsito intestinal.

Especialistas ouvidos pelo Globo dizem que, no pior cenário, há um risco, pouco comum, de que a sutura do intestino se rompa na recuperação, o que criaria a necessidade de novo procedimento e outra colostomia. Menos alarmantes, a formação de aderências no intestino e infecções no lugar do corte também são consideradas em quadros desse tipo.

PROCEDIMENTO – Bolsonaro terá que se submeter a nova cirurgia, que deverá ser marcada no ano que vem, para retirar a bolsa de colostomia. De início, é feito um corte no mesmo local da primeira cirurgia para abrir o abdômen; Os cirurgiões colocam de volta para dentro do abdômen a parte do intestino que estava conectada à bolsa coletora de fezes; as duas partes do intestino que estavam separadas são costuradas de volta e o abdômen é fechado.

Segundo médicos, esse tipo de cirurgia exige, no mínimo, duas semanas de recuperação

Na criatividade de Ribeiro Couto, a poesia que excluía os “poetas de gabinete”

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Site Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), no poema “Discurso Afetuoso”, afirma que os poetas de gabinete não têm experiências da vida diária, pois eles apenas conhecem os textos literários.

DISCURSO AFETUOSO
Ribeiro Couto

Ó poetas de gabinete,
Que da vida sabeis apenas a lição dos livros,
Vossa poesia é um jogo de palavras.
Vossa poesia é toda feita de habilidades de estilo,
Sem a marca um pouco suja da experiência vivida.

Não sabeis de nenhuma espécie de sofrimento,
De nenhum dos aspectos sedutores do mal,
Não sabeis de nada que está realmente na vida.

Não vos inquieta o desejo de quebrar a monotonia,
A exasperada fadiga das coisas iguais,
A saborosa audácia do mau gosto.

Tudo em vós é correto, frio, sem surpresas.

Ah, tudo que sabeis é através dos livros.
Não sofreis a curiosidade viciosa das aventuras,
Nem a mágoa dos meses vividos à toa,
Nem o bocejo que a mulher tão desejada provocará um dia.
Não conheceis o remorso das devassidões
E a desvairada esperança que há num amanhecer depois
da noite perdida.

Para vós não existe a vida: existem os temas poéticos.

Bolsonaro sujou sua imagem, mas pode recuperá-la se iniciar um bom governo

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As explicações bancárias de Bolsonaro são patéticas

Carlos Newton

É infantil a tentativa de achar normal a existência de um subtenente da PM trabalhando de motorista para ganhar R$ 23 mil mensais e envolvido num complicado esquema de depósitos e saques em dinheiro vivo para a família Bolsonaro. É triste ver que a imagem supostamente limpa do presidente eleito não resistiu nem mesmo à fase de Transição. Vai assumir o poder sem “explicação plausível” que possa justificar a “movimentação financeira atípica” do subtenente Fabrício José Carlos de Queiroz, que inclui o já famoso cheque de 24 mil reais à futura primeira-dama.

Essa “movimentação financeira atípica” colocou em saia justa não somente os militares que apoiaram entusiasticamente a candidatura de Bolsonaro, mas também no ex-juiz Sérgio Moro, que abandonou a carreira na expectativa de ter mais autonomia para combater a corrupção e a criminalidade que infestam o país, e de repente descobriu que os políticos são tudo farinha do mesmo saco.

SINCERAMENTE – Nenhum pessoa de razoável nível cultural pode aceitar as justificativas mal alinhavadas de Flávio e Jair Bolsonaro. É difícil acreditar que um subtenente que ganha 23 mil mensais, mesmo tendo a mulher e as duas filhas bem empregadas nos gabinetes da família, continue a viver em dificuldades e tenha necessitado recorrer várias vezes a empréstimos de Bolsonaro pai, segundo afirmou o próprio presidente eleito, como se a prática de emprestar dinheiro a Queiroz fosse algo rotineiro.

Ninguém acredita nisso, é claro, até o general-vice Hamilton Aragão diz que o subtenente tem de se explicar imediatamente, mas cadê ele? Está tão sumido quanto o economista Paulo Guedes, que continua sendo aguardado pela força-tarefa da Lava Jato para explicar seus investimentos temerários na empresa argentina que comprou para organizar suas palestras sobre economia.

HÁ MALES QUE… – Nada acontecerá à posse de Jair Bolsonaro, que vai assumir normalmente dia 1º e tocar o barco. Seu problema é a desmoralização, a quebra daquela crista de moralidade dos falsos heróis com pés de barro. Lembrem-se de que a então presidente Dilma Rousseff também tentou posar de “Soninha Toda Pura”, chegou a manter os direitos políticos, mas agora se sabe que ela também está toda emporcalhada, assim como tantos outros políticos de praticamente todos os partidos, sejamos francos. E Jair Bolsonaro também não é exceção, como Antonio Santos Aquino cansou de escrever aqui na TI.

Vida que segue, diria o amigo João Saldanha, sabedor de que há males que vêm para o bem. Realmente, a lição que o clã Bolsonaro está sendo obrigado a apreender pode ter duplo resultado: 1)  Depois desse imbroglio presidencial, é provável que parlamentares federais, estaduais e municipais enfim parem de aplicar o golpe do assessor que “paga meia”, ou seja, recebe meio salário e repassa a outra metade para o político “aplicar depois na campanha de reeleição”, conforme a justificativa utilizada. 2) E o segundo resultado seria a fanília Bolsonaro se purificar no exercício do poder, passando a lutar pelo interesse nacional, com apoio das Forças Armadas e do juiz Sérgio Moro, que vale por meio governo.

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P.S. –  Esperamos que Jair Bolsonaro tenha aprendido a lição. Depois passar pela experiência da quase morte, certamente pode ter percebido que o velho ditado está correto e dinheiro não traz mesmo felicidade. Assim, pode ser que se recupere moralmente e até transmita ensinamentos aos filhos mais velhos, que até agora não tiveram a educação adequada e se comportam como os Três Patetas que acertaram na loteria da Política. (C.N.)

Aloysio Nunes contesta futuro chanceler sobre pacto da ONU para migração

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Aloysio está preocupado com as mudanças na diplomacia

Flávia Foreque
TV Globo — Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou nesta terça-feira (dia 11), em entrevista à TV Globo, que “não é bom” para o Brasil deixar o pacto mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a migração. Para ele o pacto é importante para a troca de informações entre países e combate ao tráfico de pessoas.

Nesta segunda-feira (10), o futuro chanceler, Ernesto Araújo, informou em publicação no Twitter que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) se “desassociará” do pacto.

RETROCESSO – Aloysio Nunes lembrou que o Brasil exerce “liderança positiva” no tema imigração, bem como em discussões sobre clima e direitos humanos, e que ele acha uma “pena se houver retrocesso em cada um desses temas”. O chanceler conversou com a reportagem da TV Globo por telefone. Ele está em viagem ao Marrocos onde o pacto foi assinado, nesta segunda-feira (10).

Eu acho que não é bom. O Brasil tem tudo para exercer uma liderança positiva nessa matéria [imigração] – pela nossa história, pela nossa legislação, pela relevância do Brasil na política externa. E o Brasil tem se distinguido por uma dedicação a temas que tem nos credenciado, que fazem parte do nosso perfil diplomático que valorizam o Brasil, como imigração, direitos humanos, clima, são questões que têm credenciado o Brasil no contexto internacional. Eu acho uma pena se houver retrocesso em cada um desses temas”, afirmou o ministro.

O pacto, que pretende reforçar a cooperação internacional para uma “migração segura, ordenada e regular”, ainda deve passar por uma última votação de ratificação em 19 de dezembro na Assembleia Geral da ONU.

SOBERANIA – O ministro reforçou que o pacto assinado por cerca de 160 países, inclusive o Brasil, não se sobrepõe à soberania de cada país. “Nada existe neste pacto que possa se sobrepor à soberania dos países. Cada país tem a sua política migratória no exercício da sua soberania própria”, afirmou o chanceler.

Ele reforçou que o pacto é uma “cooperação voluntária”, mas muito importante porque envolve troca de informações entre países que ajuda a desmantelar redes criminosas de tráficos de seres humanos.

“Ele [o pacto] não cria uma obrigação ao países. Isso é preciso entender. Ele não é vinculante, não é um tratado, não é uma convenção que cria obrigações jurídicas. É um chamamento à cooperação voluntária”, argumentou o ministro.

COOPERAÇÃO – “O que este pacto faz é criar um marco de referência, para cooperação entre os países, para tratar deste tema: a troca de experiências e melhores práticas, cooperação de informações, cooperação não desmantelamento de redes criminosas de tráfico de seres humanos. O pacto prevê também medidas de acolhimento humanitário para os imigrantes, documentação, não criminalização, acesso a serviços públicos”, explicou.

De acordo com Aloysio Nunes, o Brasil participou ativamente da elaboração do pacto nos últimos dois anos. Para o ministro, a imigração é um tema da “maior relevância” e que está na agenda de todos os países, inclusive do Brasil.

“É um tema da maior relevância. O tema da imigração está na ordem do dia, da agenda de todos os países, inclusive do Brasil. Porque o Brasil é um país que recebe imigrantes – nós temos cerca de um milhão de imigrantes hoje morando aqui definitivamente ou provisoriamente – e temos três milhões de brasileiros vivendo como imigrantes fora do Brasil. Este é um problema mundial”, disse.

SAÍDA DO PACTO – O ministro criticou o fato de o futuro chanceler ter se manifestado antes de assumir de fato o cargo. “Poderia ter perfeitamente esperado. Mas não costumo me orientar por tweets”, disse.

Para Aloysio Nunes, “o governo Bolsonaro tem toda a legimitidade para imprimir o seu rumo na política externa brasileira”, mas a partir de 1º de janeiro e obedecendo a legislação em vigor.

“A próxima gestão fará o que o presidente considerar que deva fazer, sempre obedecendo a legislação. Enquanto a lei brasileira de imigração estiver em vigor, ela terá que ser obedecida”, afirmou o chanceler.

APOIO AOS EUA – Na avaliação de Aloysio Nunes, uma possível saída do Brasil do pacto de migração pode ser mal vista por alguns países. “Há quem goste. Os Estados Unidos, o atual governo norte-americano, tem uma posição nitidamente anti-imigração. Agora, para outros países a nossa posição não será, provavelmente, bem vista”, disse.

Os Estados Unidos se retiraram da elaboração do texto em dezembro de 2017 por considerá-lo contrário à política migratória do presidente americano, Donald Trump.

Até agora, 9 países se retiraram do processo, após a aprovação em 13 de julho, em Nova Iorque: Áustria, Austrália, Chile, Eslováquia, Hungria, Letônia, Polônia, República Dominicana e República Tcheca.

Alvos da PF receberam R$ 130 milhões e Aécio prometia favorecimentos

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Renato Souza
Correio Braziliense

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os parlamentares investigados pela Operação Ross, deflagrada nesta terça-feira (dia 11), pela Polícia Federal, receberam R$ 130 milhões em propina, repassados pela J&F. Policiais cumpriram desde cedo, mandados de busca e apreensão na casa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e dos deputados Paulinho da Força (SD-SP), Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Benito Gama (PTB-BA). Os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB-MG) também são investigados, mas não são alvos de buscas.

Informações obtidas pela reportagem indicam que Aécio teria solicitado propina em pelo menos quatro ocasiões. De acordo com o MPF, em contrapartida aos repasses ilegais, ele oferecia vantagens em um eventual governo, já que na época concorria à Presidência.

FAVORECIMENTOS – “Em troca dos recursos financeiros, o senador teria prometido favorecimentos em um eventual governo presidencial (2015 a 2018) além de influência junto ao governo estadual de Minas Gerais, neste caso, com o objetivo de viabilizar a restituição de créditos tributários”, diz um trecho da nota do órgão.

A operação se baseia em informações prestadas por delatores da empresa de carnes. Ao todo, 200 policiais federais cumprem 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) e realizam 48 intimações para oitivas. As ações estão sendo realizadas no Distrito Federal e nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

DIZ A DEFESA – Em nota, o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Aécio, disse que o parlamentar está à disposição da Justiça e negou o recebimento de recursos de origem ilícita.

“O senador Aécio Neves sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários que mostrarão a absoluta correção de todos os seus atos. É preciso que se esclareça que os recursos referidos pelos delatores da JBS agora como propina são as contribuições eleitorais feitas à campanha do PSDB em 2014 e devidamente registradas na Justiça Eleitoral”, prossegue a nota.

Arquivamento do projeto “Escola sem Partido serve de lição para Bolsonaro

Imagem relacionadaMarcelo de Moraes
Estadão

O arquivamento do projeto do Escola sem Partido, nesta terça-feira, foi uma derrota importante para a bancada conservadora do Congresso, mas serve, principalmente, como uma lição de prática política para o futuro governo de Jair Bolsonaro: o recado é que, no Congresso, não existe votação fácil ou difícil. Existe articulação bem feita ou mal feita.

Foi justamente o que faltou hoje para os defensores do Escola sem Partido conseguirem avançar na proposta. E é exatamente este o ponto mais nebuloso do governo de Bolsonaro: quem fará e como será sua negociação política com o Congresso.

JOGOU A TOALHA – No Escola sem Partido, o presidente da Comissão Especial, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), desistiu de votar o projeto, depois de tentar por oito sessões. Não faltavam votos. Faltou foi articulação.

Marcos Rogério lembrou que a oposição amanhecia dentro da Comissão para barrar o texto. Já os apoiadores pareciam ter sempre coisa mais importante para fazer. Se não houver organização no governo Bolsonaro, episódios como esse podem se tornar frequentes.

Comissão aprova foro privilegiado só para os presidentes dos Três Poderes

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Fernanda Vivas
TV Globo Brasília

A comissão especial criada na Câmara para analisar o foro privilegiado aprovou nesta terça-feira (dia 11) parecer do deputado Efraim Filho (DEM-PB) que restringe o benefício para autoridades. O texto prevê a manutenção do foro privilegiado apenas para os chefes dos Três Poderes (presidente e vice da República, e presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal).

Se a PEC for promulgada, as autoridades que possuem foro privilegiado atualmente passarão a ser processadas e julgadas na primeira instância, como qualquer outro cidadão, caso cometam crimes comuns.

TEXTO MANTIDO – A proposta aprovada pela comissão especial da Câmara manteve integralmente a versão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada pelo Senado em maio do ano passado, de autoria do senador Alvaro Dias (Podemos-PR).

A Comissão da Câmara analisou o texto nesta terça-feira em uma reunião rápida, que ocorreu nos intervalos de votações do plenário principal da Casa.

Se o texto não fosse votado até o fim do ano legislativo, em 22 de dezembro, a comissão especial teria de ser encerrada, e um novo colegiado teria de ser criado para analisar a PEC, o que atrasaria a tramitação da proposta. Com a aprovação na comissão, o texto segue agora para o plenário da Câmara.

SÓ EM 2019 – Os deputados, entretanto, devem analisar a PEC do foro privilegiado somente no ano que vem, já que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e de Roraima impede a apreciação, no plenário da Casa, de textos que alterem a Constituição.

O foro privilegiado – ou foro especial por prerrogativa de função – está previsto na Constituição. Esse dispositivo garante a autoridades, como o presidente da República, senadores, deputados federais e ministros, direito de serem investigados e julgados apenas na esfera do STF.

No caso dos governadores, o foro é o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Prefeitos, por sua vez, são julgados por tribunais de Justiça. Em maio deste ano, os ministros do STF decidiram limitar o foro privilegiado de deputados e senadores aos processos sobre crimes ocorridos durante o mandato ou relacionados ao exercício do cargo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O foro especial é uma excrescência inadmissível. Não deveria valer para nenhuma autoridade. Na nossa Matriz, os EUA, funciona assim; aqui na Sucursal resolveram privilegiar os três Patetas, digo, presidentes dos três Poderes. De qualquer forma, já é um avanço. (C.N.)

Atirador suicida da catedral é analista de sistemas sem antecedentes criminais

Reprodução da carteira de habilitação do atirador que matou quatro pessoas na Catedral de Campinas Foto: Reprodução

A identidade do matador foi levantada pela habilitação

Tiago Aguiar e Thiago Herdy
O Globo

A polícia informou nesta terça-feira que, aparentemente, não há qualquer relação de parentesco ou de amizade entre o atirador Euler Fernando Grandolpho, 49 anos, e as pessoas que estavam na Catedral Metropolitana de Campinas quando ele abriu fogo e matou quatro. Uma das mochilas recolhidas no local do atentado seria do atirador, e nela constava uma carteira de habilitação registrada em Valinhos (SP). Ainda não se sabe a motivação do crime.

Ainda segundo a polícia, ele trabalhava como analista de sistema. Grandolpho não tem antecedentes criminais, segundo o delegado responsável pelo caso, José Henrique Ventura.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão há envolvimento pessoal com a Igreja nem com as vítimas. Tudo indica problema mental. (C.N.)

Bolsonaro não pode ser Catão com os outros, sem ser Catão consigo mesmo…

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Bolsonaro é rigoroso com a falha alheia, mas na família…

Merval Pereira
O Globo

O presidente eleito, e agora diplomado, Jair Bolsonaro chega ao momento da posse devendo uma explicação plausível sobre o caso de Fabricio Queiroz, seu amigo pessoal há 40 anos, como afirmou, e motorista de seu filho, senador eleito Flavio Bolsonaro, que teve um movimento financeiro detectado pelo Coaf ( Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de R$ 1,2 milhão tendo um salário de R$ 8,5 mil por mês.

A explicação do presidente para vários depósitos, num total de R$ 24 mil, para a futura primeira-dama Michelle, é plausível: tratar-se-ia de pagamento de um empréstimo, que não foi declarado no Imposto de Renda. Até aí, nada grave.

COISAS NORMAIS – É normal ajudar funcionários em dificuldade, e receber pagamentos parcelados, tudo de maneira informal. Não declarar no IR pode ser uma falha, nunca um crime. A coisa começa a pegar quando o presidente, e seu futuro ministro da Justiça Sérgio Moro, consideram que, com a explicação, o caso sai de suas alçadas e vai para a do próprio Fabricio.

Nem mesmo do filho Flavio é cobrada qualquer explicação para a movimentação de dinheiro de seus funcionários na Assembléia Legislativa, onde atuava como deputado estadual.

É claro que, mesmo que tenha dado uma explicação para o caso de sua mulher, o comportamento dos filhos alcança o presidente, assim como as acusações contra Lulinha alcançam Lula, mesmo que as quantias conhecidas sejam consideravelmente menores.

“PEDÁGIO” – À boca pequena sabe-se, sem que tenha sido investigado e comprovado ainda, que parlamentares de maneira geral, com raras exceções, e em todos os níveis de representação, costumam, e não é de hoje, cobrar um pedagio de seus funcionários.

Como os salários nesses casos são muito acima do mercado de trabalho – outra disfunção do Legislativo – os funcionários não se incomodam de dar uma parcela para quem os contrata. Mas é um procedimento completamente ilegal, como é ilegal a utilização de Caixa 2 para financiamento de campanhas eleitorais, mas todo mundo fazia, ou faz, como está revelando a Operação Lava-Jato. Inclusive o deputado Onix Lorenzoni, futuro Chefe do Gabinete Civil, que admitiu o uso de Caixa 2.

“LARANJA” – Nesse caso, a suspeita é que o motorista Fabricio servia de “laranja” para a família Bolsonaro, recebendo em sua conta a percentagem de cada um dos funcionários de Flávio. Este deveria ser um caso simples de ser desmentido.

Mas como até agora, passados vários dias da denúncia, o motorista não apareceu para dar uma explicação crível para tamanha movimentação financeira – R$ 600 mil recebidos e saídos de sua conta -, fica cada vez mais difícil acreditar que nada de errado tenha acontecido.

É preciso definir se aconteceu o esquema, e, em caso positivo, por quantos anos a família Bolsonaro se utilizou dele, que até agora não foi desmentido por provas consistentes.  Além do próprio Jair Bolsonaro, deputado federal por 27 anos, que empregava até mesmo uma funcionária que vendia açaí em Búzios, há Flavio, hoje senador eleito que era deputado estadual, o deputado federal Eduardo, anteriormente deputado estadual, e o vereador Carlos.

MORO ERROU – O futuro ministro da Justiça Sérgio Moro, que terá a seu pedido, para melhor combater a corrupção, o Coaf como órgão subordinado, não deveria dizer que, para ele, a explicação do presidente eleito está dada. Não é razoável exigir que fizesse uma crítica ao presidente ou à sua família, mas não deveria banalizar o assunto

Se tratar assim todos os indícios de lavagem de dinheiro que aparecerem na sua frente, terá mudado de atitude diante dessas irregularidades. Logo ele, um juiz rigoroso com os mínimos indícios, e que tem demonstrado que eles, quase sempre, levam a descobertas de esquemas de corrupção graves.

Bolsonaro se elegeu, entre outras coisas, por apresentar-se como um combatente contra a corrupção. O convite a Moro para integrar seu ministério teve o sentido de reafirmar simbolicamente essa luta, e por isso foi aprovado pela opinião pública. Não se pode ser Catão com os outros sem ser Catão consigo mesmo.

Sérgio Moro está tranquilo e segue em frente sua obra de combate à corrupção

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Moro está tranquilo e totalmente dedicado à transição

José Carlos Werneck

A imprensa tem divulgado reportagens, notas e artigos aventando a possibilidade de o ex-juiz Sérgio Moro pedir exoneração, devido às notícias sobre a movimentação financeira atípica do ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro, na Assembleia do Rio de Janeiro. Aqui em Brasília, onde está funcionando o Gabinete de Transição, no Centro Cultural Banco do Brasil, essas informações vêm sendo desmentidas com veemência.

O futuro ministro da Justiça tem adiantado bastante os trabalhos de formação da equipe e da transição, e pessoas ligadas a ele afirmam que não está nem um pouco arrependido de ter pedido exoneração de seu cargo de juiz.

DEVER CUMPRIDO –  Seus interlocutores afirmam que Sérgio Moro tem a consciência de que cumpriu de maneira exemplar suas funções quando exerceu dignamente a magistratura, e sua preocupação agora é preparar as medidas provisórias e os projetos de leis e emendas constitucionais que formarão o pacote a ser apresentado no início da gestão.

Antes de aceitar o convite para integrar o governo de Jair Bolsonaro, o então juiz Moro pensou muito e pesou os prós e os contras da difícil missão que terá pela frente.

Moro e sua família não estão nem um pouco apreensivos quanto a quaisquer investigações, envolvendo quem quer que seja, pois jamais tinham se ligado a nenhum grupo político e estão conscientes das grandes dificuldades que terão pela frente.

INVESTIGAÇÕES – Desde o início da Lava Jato, Moro e a força-tarefa deixaram bem claro que não há exceções nem cidadãos acima de qualquer suspeita, como ficou demonstrado na operação desfechada nesta terça-feira, que teve como alvo os senadores Aécio Neves, Antônio Anastasia e José Agripino, assim como os deputados Cristiane Brasil, Paulinho da Força e Benito Gama.

Todos aqueles que o conhecem afirmam que Moro está no auge de sua vida pública e cada vez mais disposto a enfrentar políticos poderosos. Quanto a investigar a família do presidente Bolsonaro, os brasileiros podem ter a certeza de que, se for o caso, o futuro ministro vai manter total isenção e tranquilidade, como indica o seu passado impecável de magistrado. Aliás, o próprio Moro já deu declarações neste sentido.

FUTURO BRILHANTE – O ex-juiz Moro é uma pessoa tranquila e equilibrada, que pediu exoneração por saber que não há riscos para seu futuro profissional. Pode voltar à magistratura com facilidade, seja fazendo concurso ou sendo indicado para integrar alguma tribunal na cota do chamado quinto constitucional,

Além disso, qualquer grande Escritório de Advocacia estará disposto a contratar o Dr. Sérgio Moro, só para que o nome dele conste da equipe de advogados. Aí, em termos salariais, o céu seria o limite. O ex-juiz ganharia muitíssimo mais do que exercendo a magistratura.

PF prende Pastor Manuel Marcos e Dra Juliana, deputados eleitos no Acre

Manuel Marcos e Juliana são acusados de vários crimes

Julia Affonso
Estadão

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, dia 11, dois deputados eleitos em outubro no âmbito da Operação Santinhos. A investigação mira desvios de recursos públicos do fundo partidário e do fundo especial de financiamentos de campanha, além de outros crimes eleitorais e lavagem de capitais.

Foram capturados o deputado federal eleito Pastor Manuel Marcos – atual presidente da Câmara de Rio Branco – e a estadual eleita Doutora Juliana. Ambos são do PRB do Acre.

EM VÁRIOS ESTADOS – Em nota, a PF informou que mais de 100 policiais federais de vários estados auxiliaram no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em residências e gabinetes de investigados, em órgãos públicos, na Câmara de vereadores e na Assembleia Legislativa do Acre. Também foram cumpridos 8 mandados de prisão expedidos pela Justiça Eleitoral do Acre.

O pastor recebeu 7.489 votos ou 1,76%. Já Doutora Juliana levou 5.990 votos ou 1,41%. A reportagem fez contato com a presidência da Câmara de Vereadores de Rio Branco. O espaço está aberto para manifestação.

A reportagem tentou contato com o gabinete da deputada por meio da Assembleia Legislativa. O espaço está aberto para manifestação.

 

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro já vinha sendo investigado pelo MP estadual

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A sombra da dúvida já se projeta sobre Jair Bolsonaro

Constança Rezende e Fábio Serapião
Estadão

O Ministério Público do Estado do Rio investiga movimentações atípicas em contas bancárias de assessores de 22 deputados estaduais do Estado, detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Um dos parlamentares cujos auxiliares estão sob investigação é o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro. Um ex-assessor dele, Fabrício José Carlos de Queiroz, de acordo com relatório produzido pelo Coaf na Operação Furna da Onça, movimentou, de 1 de janeiro de 2016 a 31 de janeiro de 2017, R$ 1,2 milhão.

O Ministério Público Federal também teve acesso ao relatório do Coaf há cerca de seis meses, mas não encontrou indícios de envolvimento dos deputados citados no relatório com o esquema desmantelado por sua investigação em conjunto com a Polícia Federal. A investigação aborda crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e de mão de obra terceirizada, principalmente no Detran-RJ. Por não ter competência legal para investigar deputados estaduais por crimes não federais, essa parte ficou com o MP do RJ.

EXONERAÇÃO – O assessor Queiroz, que atuava como segurança e motorista, foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro em 15 de outubro deste ano. Ele é também policial militar. O Coaf detectou que da sua conta saíram recursos depositados em nome da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O relatório também cita que foram detectadas na conta transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse atividade cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”. Também foram achados depósitos de outros oito assessores de Flávio na conta de Queiroz.

R$ 23 MIL – O nome do ex-assessor consta da folha de pagamento da Alerj de setembro com salário de R$ 8.517. Ele era lotado com cargo em comissão de Assessor Parlamentar III, símbolo CCDAL- 3, no gabinete de Flávio Bolsonaro. Conforme o relatório do Coaf, ele ainda acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. Ele é subtenente da corporação e passou para a reserva.

O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco. A instituição considerou que são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.

DIZ FLÁVIO – O deputado Flávio Bolsonaro afirmou ter ouvido de Fabrício de Queiroz uma “explicação plausível” para a movimentação atípica, mas se recusou a revela-la.

Já o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou ter feito um empréstimo de R$ 40 mil a Queiroz, que teria feito o pagamento parcial na conta da primeira-dama Michelle. Ele e o ex-assessor teriam se conhecido em 1984, em um curso no Exército. Anos depois, o hoje presidente eleito o indicou para ser assessor de Flavio.

O ex-assessor Queiroz não comenta o caso.

Petrobras não consegue calcular suas perdas com a irmandade do suborno

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Charge do Nani (nanihumor.com)

José Casado
O Globo

Todo dia a Petrobras compra e vende petróleo e derivados no mercado mundial. Durante a última década e meia, negociou em média 400 mil barris a cada jornada de 24 horas, a preços variáveis. Agora descobriu-se que parte dessas transações não teve qualquer registro e deu prejuízos à empresa estatal, mediante subornos pagos a funcionários, intermediários, políticos do PT, MDB, Progressistas (antigo PP) e do PSDB.

Eles receberam propinas entre dez centavos e US$ 2 por barril de petróleo e derivados nas negociações diárias, com pagamento à vista, e em contratos de longo prazo — mostram os novos processos abertos na Operação Lava-Jato.

ALTAS JOGADAS – O grupo fazia a Petrobras comprar a preços acima de mercado e a vender a preços mais baratos. Numa negociação de 300 mil barris, por exemplo, acertavam com o cliente estrangeiro “comissão” de US$ 1 por barril e embolsavam US$ 300 mil. Chegaram a “sumir” com 17,5 mil toneladas métricas de combustível da estatal embarcadas em três navios. Em 2012, celebraram o recorde de US$ 2 de propina sobre uma carga levada a Fortaleza.

A Petrobras não consegue dimensionar suas perdas na área, onde obtém dois terços do seu faturamento. Contou ao Ministério Público, em abril: “Não é possível localizar todas as aprovações (dos gestores), visto que algumas ocorreram em despachos presenciais ou por telefone, principalmente para os casos mais antigos.” São 15 anos de contratos informais, diários, sem controle de auditores e de órgãos como CVM e TCU.

GRANDES NÚMEROS – Entre os principais beneficiários se destacam três trading companies, irmãs na hegemonia sobre o mercado mundial de petróleo e derivados. Vitol, Trafigura e Glencore somam receitas de quase US$ 500 bilhões por ano, seis vezes mais que a estatal brasileira, equivalente ao PIB de Minas.

Os processos deixam claro que “a alta cúpula dessas empresas tinha total consciência do que estava ocorrendo”. Devem ir a julgamento no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça.

Com renda de R$ 30 mil, o ex-assessor Queiroz mora numa casa bem modesta…

Casa do ex-motorista de Flávio Bolsonaro,Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017 Foto: Juliana Castro / Agência O Globo

A instalação de água da casa é feita com canos aparentes

Juliana Castro e Igor Mello
O Globo

Ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) e citado em relatório do Coaf por conta da “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz mora em uma casa simples e sem pintura externa, em um beco no bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio.

Na viela onde Queiroz mora com a mulher, Márcia Aguiar, os imóveis são colados uns aos outros. No beco há varais improvisados do lado de fora das casas, fios emaranhados e canos aparentes. Na casa de Queiroz, um adesivo rasgado com as fotos do presidente eleito Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, vereador no Rio, está colado na fachada. No segundo andar, que tem a laje sem revestimento, tapetes secavam no parapeito ainda sem janela.

CASA DESERTA – No portão que dá acesso ao conjunto de aproximadamente 70 casas, distribuídas em uma rua mais larga e vielas, há um aviso de que a área é monitorada 24 horas. O Globo esteve na segunda-feira na residência de Queiroz, mas não encontrou nem ele e nem a mulher, Márcia. Vizinhos confirmaram que o casal vive na casa.

O relatório do Coaf que cita Queiroz foi anexado à Operação Furna da Onça, que prendeu deputados estaduais. O Ministério Público do Rio já tem procedimentos em curso, que correm sob sigilo, para investigar possíveis irregularidades cometidas por servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com base no relatório do Coaf. O MP não esclarece se as movimentações financeiras de Queiroz estão sob investigação.

O Coaf elaborou relatórios a pedido do Ministério Público Federal. Os procuradores ressalvam que a identificação desse tipo de movimentação não configura um ilícito por si só.

PORTAS TRANCADAS – Na Alerj, a repercussão do caso alterou a rotina do gabinete de Flávio. Normalmente aberto ao público, o local passou boa parte da tarde com portas trancadas.

O relatório do Coaf cita que a conta de Queiroz recebeu repasses de oito funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio. O Globo procurou duas delas ontem no local. Horas depois de um assessor afirmar que elas estavam presentes, o chefe de gabinete de Flávio, Miguel Angelo Braga, admitiu que elas não foram à Alerj por estarem tratando de suas defesas:

— Estão buscando informações para os esclarecimentos que já estão com data marcada para ser prestados (ao MP). Não estão aqui pelo assédio da imprensa. Não estão podendo vir pelo constrangimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mistério aumenta. O casal Queiroz recebia mais de R$ 30 mil mensais. Juntos, marido e mulher estão no topo da pirâmide social brasileira. Mesmo assim, moram numa casa de classe média baixa, de pouco valor. Não dá para entender. Nem Freud explica, quanto mais Sherlock Holmes. (C.N.)

PF faz busca em imóveis de Aécio Neves, de dois senadores e três deputados

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PF está vasculhando o apartamento de Aécio em Ipanema

Luiz Fernando Motta
O Tempo

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis do senador Aécio Neves (PSDB) na manhã desta terça-feira (11), em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. A ação é um desdobramento da Lava Jato e é baseada em delações de Joesley Batista e Ricardo Saud, que relataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador. Os políticos alvos da operação são três senadores – Aécio Neves (PSDB), Antônio Anastasia (PSBD), e Agripino Maia (DEM) – e três deputados – Cristiane Brasil (PTB), Benito da Gama (PTB), Paulinho da Força (Solidariedade).

De acordo com a Polícia Federal, a operação investiga o recebimento das vantagens indevidas entre os anos de 2014 e 2017, pelo grupo JBS, que teria efetuado o pagamento, inclusive para fins da campanha presidencial de 2014.

EM CINCO ESTADOS – Os policiais estão no apartamento de Aécio, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Há equipes também na casa da irmã do senador, Andréa Neves, em Copacabana. O primo dele, Frederico Pacheco, também seria alvo da operação. Há também cumprimento de mandados em endereços do senador Antônio Anastasia.

A operação acontece também em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Bahia e Rio Grande do Norte.

Em nota, a defesa do senador Aécio Neves diz que a medida é “desnecessária” e que o senador é “o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos”.

DIZ A DEFESA – Confira na íntegra a nota assinada pelo advogado Alberto Zacharias Toron:

“O Senador Aécio Neves sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários que mostrarão a absoluta correção de todos os seus atos.

É preciso que se esclareça que os recursos referidos pelos delatores da JBS agora como propina são as contribuições eleitorais feitas à campanha do PSDB em 2014 e devidamente registradas na Justiça Eleitoral.

Somam-se a esses valores contribuições legais feitas a outros partidos políticos. A medida é, portanto, desnecessária já que o senador é o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos.”

Existe algo em comum entre o futuro ministro Guedes e e o ex-assessor Queiroz

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Paulo Guedes até agora não prestou depoimento

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Queiroz está sumido com a “explicação plausível”

Carlos Newton

Procura-se desesperadamente o economista Paulo Guedes , futuro ministro da Economia, que está sendo esperado na Superintendência da Polícia Federal em Brasilia, para depor no inquérito que apura fraudes em investimentos dos maiores fundos de pensão do país. O depoimento já foi marcado duas vezes e Guedes continua se esquivando. Por que razão? Seus advogados garantem que os investimentos de Guedes deram lucro. Então, por que o economista não depõe logo perante a força-tarefa da Operação Greenfield e se livra das suspeitas?.

Da mesma forma, procura-se desesperadamente o subtenente Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo íntimo do presidente eleito, que também precisa se explica perante as autoridades policiais.

MEIO DESLIGADO – No caso de Guedes, sua omissão é injustificável. Está morando em Brasília, nada impede que se apresente para depor, voluntariamente, como se espera de um cidadão de bem.  Nesta segunda-feira, conforme relato do repórter Marcello Corrêa, de O Globo, o futuro ministro, imerso em seus pensamentos, esqueceu a cerimônia de diplomação do presidente eleito.

Por volta das 15h30, o economista chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona o gabinete de transição. Entrou apressado. Questionado por jornalistas se não iria ao evento, que começaria logo a seguir, às 16 horas, deu meia-volta e disparou para o carro de onde acabara de desembarcar.

PERDIDO NO ESPAÇO – Quanto ao subtenente PM Fabrício Queiroz, não está sendo investigado nem tem obrigação de depor. No entanto, seu depoimento é muito mais ansiado do que o de Guedes. Os malfeitos do futuro ministro só atingem de raspão o presidente eleito, que pode (e até deve) se livrar dele com apenas um telefonema, como era o estilo mal educado do então presidente Lula.

Mas as armações financeiras do amigo Queiroz, companheiro de pescarias e churrascos, envolve diretamente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle. Tudo indica que a família aumentava a renda mediante repasse de parte dos salários dos funcionários dos gabinetes, e o esquema era comandado pelo subtenente que tomou Doril, digamos assim.

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P.S.
A opinião pública e o futuro ministro Sérgio Moro continuam aguardando a “explicação plausível” anunciada pelo deputado Flávio Bolsonaro.  Quanto mais tempo Queiroz seguir perdido no espaço, mais piora a constrangedora situação do clã Bolsonaro. (C.N.)

Por mera coincidência, Sérgio Moro vai ampliar e reforçar a estrutura do Coaf

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro — Foto: Rafael Carvalho/governo de transição

Moro vai ampliar a capacidade de investigação do Coaf

José Carlos Werneck

Segundo reportagem do jornalista Breno Pires, do “O Estado de São Paulo”, divulgada no site Uol, o futuro ministro da Justiça Sergio Moro vai reforçar a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), principal órgão responsável pela fiscalização dessa área no País, e agilizar o repasse de todas as informações e dados às autoridades de investigação.

O Coaf é vinculado atualmente ao Ministério da Fazenda, foi criado há 20 anos e agora ficará sob a responsabilidade de Sergio Moro, ex-juiz responsável pelos processos oriundos das investigações da Operação Lava Jato no Paraná.

LEONEL INDICADO – Moro indicou o auditor Roberto Leonel, chefe da área de investigação da Receita Federal em Curitiba, para comandar o Coaf a partir do próximo dia de 1º de janeiro. Foi o Coaf que identificou e informou ao Ministério Público Federal a “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, em uma conta do então subtenente da PM Fabrício Queiroz, então assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, do PSL do Rio de Janeiro, filho mais velho do presidente eleito.

O relatório, divulgado pelo “O Estado de São Paulo” na última quinta-feira, revelou que uma das transações feitas pelo ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz foi um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. No sábado, Bolsonaro disse que o dinheiro foi pagamento parcial de um empréstimo que fizera a Queiroz, por volta de R$ 40 mil.

COAF PRÓ-ATIVO – A proposta de mudança do Coaf prevê a ampliação do quadro de funcionários, que hoje conta com apenas 37 servidores, e investimento em tecnologia. Um dos objetivos da reestruturação é que o órgão atue de forma mais “pró-ativa e ágil”.

Há duas formas principais de atuação do Coaf. Uma é quando uma autoridade pede a informação por causa de uma investigação em curso. Essa é a que representa a maior parte dos relatórios feitos atualmente pelo órgão.

O que o reforço na estrutura pode fortalecer é a segunda forma de atuação, quando o próprio Conselho identifica suspeitas, em seu trabalho de busca de dados, e encaminha espontaneamente para autoridades.

CASO QUEIROZ – Foi com base na atuação espontânea que o Coaf enviou aos investigadores que deflagraram a operação Furna da Onça, no Rio, o relatório sobre Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Segundo Antonio Ferreira, atual presidente do Coaf, apesar de a comunicação espontânea ter alto impacto, o órgão “não tem estrutura suficiente para estar mais perto das investigações, para que possa prospectar ainda mais esses tipos de crimes e levar aos investigadores”. “O que se espera é que o Coaf esteja mais próximo do investigador, que o trabalho dele possa estar mais conectado lá na base, no mundo operacional, que ele possa estar mais presente ali”, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Relatórios do Coaf com base em alertas de setores econômicos sobre transações financeiras, quando há indícios de lavagem de dinheiro, abastecem órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Receita Federal ePolícia Civil.

BLOQUEIO DE BENS – Em 2017, R$ 46 milhões foram bloqueados judicialmente após atuação do Coaf,  relacionada a investigações sobre lavagem de dinheiro e crimes investigados pela PF e pelo MPF.

Há 15 anos no órgão, sendo 11 como diretor de inteligência, Antonio Ferreira destaca como positivo que o novo governo coloque o combate ao crime como política de Estado. “Apesar de o DNA do órgão estar ligado à área econômica, o destinatário final é a parte penal”.

No Coaf e na equipe de transição, é unânime o entendimento de que a dinâmica de enfrentamento ao crime deve ser fortalecida e que é necessário focar no combate ao crime organizado e à lavagem, até como forma de prevenção. O diálogo tem sido constante entre a equipe atual e a que vai assumir em janeiro.

Se as despesas com os inativos subiram, é porque houve aposentadoria precoce

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               Charge do Nef (Jornal da Brasília)

Pedro do Coutto

O título desta matéria, a meu ver, reflete bem uma realidade que tem sido desfocada pelos integrantes das equipes econômicas que tratam de assuntos vinculados à reforma previdenciária. Reportagem de Marcelo Correa e Cássia Almeida focaliza o tema partindo de um trabalho de integrantes do Tesouro Nacional e também dos que se integram na equipe de transição liderada por Paulo Guedes.

O levantamento, feito de forma unilateral, sustenta que de 2015 a 2017 as despesas dos estados com pensionistas e aposentados subiu muito mais do que os encargos com os servidores que ainda estão na ativa.

COMPARAÇÃO – Ocorre que como ninguém pode ser nomeado aposentado ou pensionista, a situação exposta nessa matéria, publicada na edição de ontem de O Globo, obrigatoriamente tem de incluir a passagem de uma situação para outra. Assim a comparação com os desembolsos com educação e saúde não inclui o pagamento dos funcionários que continuam trabalhando.

É lógico, pois, que ocorreu foi grande número de aposentadorias motivado pelo temor da perda de direitos com a reforma previdenciária pela qual o governo Temer tanto defende. Nesse aspecto, o presidente Jair Bolsonaro tem sido mais cauteloso. Recentemente ele afirmou (saiu nos quatro grandes jornais do país) que não é possível prejudicar direitos consolidados.

A matéria de O Globo é acompanhada de um gráfico estatístico citando as despesas dos estados do país com o pagamento dos inativos.

14% POR MÊS –Como acontece no Rio de Janeiro, são Inativos que, continuam recolhendo 14% sobre seus vencimentos. Trata-se de um caso de cobrança adicional, porque, para conquistar a aposentadoria, os funcionários contribuíram ao longe de suas vidas.

O estudo em foco, incluindo a opinião de vários economistas, sustenta que o crescimento das despesas explica a dificuldade de obter recursos para investimentos.  Entretanto, as duas equipes chegaram à conclusão de que os problemas dos estados, em face da queda de consumo, decorre sobretudo da decadência do ICMS e do Fundo de Participação dos Estados no processo econômico que atingiu as duas receitas.

DIREITOS ADQUIRIDOS – Aí, sim, fica estabelecida uma realidade muito mais forte do que o pagamento com aposentadorias e pensões, setor impossível de receber qualquer corte, pois se trata de direitos adquiridos ao longo do tempo.

O documento foi também elaborado por Paulo Tafner e Armínio Fraga. E a questão colocada é muito simples. Grande número de funcionários se aposentou tão logo sua iniciativa coincidiu com as condições para a passagem da atividade para a aposentadoria em função das ameaças de perda dos direitos, que hoje ainda são assegurados aos inativos no serviço público federal.