Bolsonaro afrontou Constituição ao declarar que militares decidem sobre ditadura, dizem conselheiros do MPF

Charge do Duke (domtotal.com)

Victor Farias
O Globo

Seis dos dez integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal afirmaram nesta quarta-feira, dia 20, que o presidente Jair Bolsonaro fez uma afronta clara à Constituição ao afirmar que são as Forças Armadas quem decidem se o país terá ou não democracia.

“Tivemos recente declaração do Senhor Presidente da República, em clara afronta à Constituição Federal, atribuindo às Forças Armadas o incabível papel de decidir sobre a prevalência ou não do regime democrático em nosso País”, escrevem em uma nota divulgada em resposta a posicionamentos do procurador-geral da República, Augusto Aras.

“EVENTUAIS ILÍCITOS” –  Nesta terça-feira, dia 19, a PGR publicou um texto defendendo a atuação de Aras na pandemia da Covid-19, em que afirma que cabe ao Legislativo julgar “eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República” durante a pandemia. A Procuradoria-Geral da República também afirma que devido à pandemia, foi declarado o estado de calamidade pública e argumenta que essa situação é a “antessala do estado de defesa”.

Os seis subprocuradores-gerais da República que assinam a nota, no entanto, afirmam que o PGR precisa cumprir seu papel de defesa da ordem jurídica “devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo (…), e sem excluir previamente, antes de qualquer apuração, as autoridades que respondem perante o Supremo Tribunal Federal, por eventuais crimes comuns ou de responsabilidade”.

Eles também afirmam que a crise provocada pelo novo coronavírus tomou, no Brasil, uma “diferente realidade”, devido à “debilidade da coordenação nacional de ações para enfrentamento à pandemia” e ao “comportamento incomum de autoridades”. E acrescentam que houve “demora ou omissão” na aquisição de vacinas, “circunstância que coloca o Brasil em situação de inequívoco atraso na vacinação de sua população”.

DESCOMPASSO – “No Brasil, além da debilidade da coordenação nacional de ações para enfrentamento à pandemia, tivemos o comportamento incomum de autoridades, revelado na divulgação de informações em descompasso com as orientações das instituições de pesquisa científica, na defesa de tratamentos preventivos sem comprovação científica, na crítica aos esforços de desenvolvimento de vacinas, com divulgação de informações duvidosas sobre a sua eficácia, de modo a comprometer a adesão programa de imunização da população”, escrevem, acrescentando:

“Não bastassem as manifestações de autoridades em dissonância com as recomendações das instituições de pesquisa, tivemos a demora ou omissão na aquisição de vacinas e de insumos para sua fabricação, circunstância que coloca o Brasil em situação de inequívoco atraso na vacinação de sua população.”

Em seguida, afirmam que a “controvertida atuação do Governo Federal” levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a proferir decisões reconhecendo a autonomia de estados e municípios na gestão da pandemia, ” o que evidentemente não exime de responsabilidade o Governo Federal”.

DESMENTIDO – Na segunda-feira, o STF divulgou uma nota oficial para desmentir a afirmação de que que a Corte proibiu o governo federal de agir no enfrentamento da pandemia da Covid-19. O argumento tem sido utilizado pelo presidente Bolsonaro para rebater críticas à gestão dele. Parlamentares bolsonaristas e apoiadores também vêm difundindo a informação em publicações online, ainda que ela não seja verdadeira.

Os conselheiros seguem a nota afirmando que, junto com a chegada da pandemia, “assistimos a manifestações críticas direcionadas ao TSE e ao sistema eleitoral brasileiro, difundindo suspeitas desprovidas de qualquer base empírica, e que só contribuem para agravar o quadro de instabilidade institucional”.

Em 7 de janeiro, ao comentar a derrota de Donald Trump, Bolsonaro disse que o Brasil terá um “problema pior que os Estados Unidos” se não houver voto impresso nas eleições de 2022. O presidente também já afirmou que a eleição de 2018 teve fraudes e que ele deveria ter sido eleito em primeiro turno, mas nunca apresentou provas que corroborem essa alegação.

Um poema-desabafo de Gregório de Matos, que era chamado de “Boca do Inferno!”

Gregório de Matos | Gregorio de matos, Textos e frases, MensagensPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Gregório de Mattos Guerra (1636-1695), alcunhado de “Boca do Inferno ou Boca de Brasa”, é considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. Gregório ousava criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras. Criticava também a “cidade da Bahia”, ou seja, Salvador, como em vários poemas intitulados “Triste Bahia”.

TRISTE BAHIA
Gregório de Mattos

Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas.
São, ó Bahia, vésperas choradas
De outros que estão por vir estranhos.
Sentimo-nos confusos e teimosos
Pois não damos remédios as já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas
Como que estamos delas desejosos.
Levou-me o dinheiro, a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
macutas, correão, nevelão, molhos:
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que quem o dinheiro nos arranca,
Nos arranca as mãos, a língua, os olhos. 

Mourão está jogando o jogo do poder, mas precisa saber respeitar os limites do cinismo

Iotti: "vicentríloquo" | GZH

Charge do Iotti (Arquivo GZH)

Carlos Newton

A política tem grande número de definições. Deriva da expressão grega “politeia”, que indicava tudo o que se relacionava à polis (cidade-estado) e à vida em comum. Desde sempre, tem a ver com governar, dominar, comandar. Hoje, dizem que seria a administração das relações sociais; a ciência de conduzir os povos; a arte de gerir as diferenças e os conflitos sociais… A lista de definições é praticamente inesgotável.

O pensador francês Voltaire era radical. Dizia que “a política tem sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”. Mais recentemente, o líder chinês Mao Tse-Tung afirmou que “a política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue”. Lá atrás, porém, o filósofo grego Platão já liquidara o assunto ao afirmar que “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.

ARTE DO CINISMO – Em minha visão pessoal, nesta fase ainda primária em que se encontra a civilização, prefiro classificar a política como a arte do cinismo. E isso não é novidade alguma, todos sabem que não existem relações políticas sem uma forte dose de cinismo e desfaçatez.

No Brasil de hoje, a política se transformou num verdadeiro festival de irresponsabilidades, que inclui improbidade, prevarização e até golpismo. São raríssimos os exemplos de seriedade, como a postura do senador José Reguffe (sem partido-DF).

Quando se elegeu deputado federal em 2010, abriu mão dos salários extras (14°e 15° salários); reduziu o número de assessores a que tinha direito, de 25 para apenas 9; diminuiu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”; abriu mão das verbas indenizatórias, das passagens aéreas e do auxílio-moradia; rejeitou também o plano de saúde familiar e a previdência parlamentar. E tudo em caráter irrevogável. Nem se ele quisesse, poderia voltar atrás.

EXEMPLO SOLITÁRIO – Jornalista e economista, José Reguffe é um admirável exemplo de dignidade. Como dizia Vinicius de Moraes, se todos fossem iguais a ele, que maravilha viver! A postura firme de Reguffe precisa ser divulgada, para animar os brasileiros a acreditarem na política. Mas quem se interessa?

No momento, tenho esperanças de que os ministros Alexandre de Moraes e Carmen Lúcia levem a bom termo as investigações sobre crimes comuns comprovadamente cometidos pelo presidente.

OS INQUÉRITOS – São quatro investigações que atingem diretamente o presidente da República  – uma sobre fake news e outra acerca de ações antidemocracia, que se interligam porque envolvem o gabinete do ódio e o Planalto. Os outros dois inquéritos também estão relacionados, porque envolvem as interferências na Polícia Federal (caso Moro) e  o uso da Abin para anular inquéritos contra Flávio Bolsonaro.

Para o impeachment de Bolsonaro, o país depende da atuação desses dois ministros-relatores, cujas decisões devem ser anunciadas em março. E vamos ver se o prevaricador-geral da República, Augusto Aras, terá coragem de arquivar os inquéritos.

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P.S. 1
O vice Mourão sabe que, na forma da lei, o afastamento de Bolsonaro já é inevitável. Rompido com o presidente há vários meses, Mourão já está jogando o jogo do poder, aguardando sua vez. Para disfarçar, dá declarações a favor de Bolsonaro e de ministros como Pazuello, e tem se excedido nessa prática. O general precisa entender que cinismo tem limite, porque  pode ser confundido com falta de dignidade. (C.N.)

Acordo entre Folha e Google preserva 2,5 milhões fotografias que se tornam testemunhas do tempo

Google faz acordo com a gigante Tencent para tentar crescer na China -  19/01/2018 - Tec - Folha

O acordo com o jornal paulista abrange passado e futuro

Pedro do Coutto

Na edição da Folha desta quarta-feira, o jornal publica reportagem de Guiherme Botacini, destacando a parceria celebrada com a empresa Google para preservar 2 milhões e 500 mil fotografias que se tornaram testemunhas do tempo. O acordo não se esgota no passado, mas inclui o presente e o futuro que se incorporam à história universal.

A invenção da fotografia ocorreu em 1826 e o cinema que veio depois dela projetou-se nas telas em 1895, tendo como pioneiros dois franceses, os irmãos Lumière. No início do século XX o cinema americano surgiu.

As fotos e os filmes, assim, representam uma participação democrática e cultural, numa perspectiva aberta a partir daí para os bilhões de seres humanos de todos os tempos, inclusive a partir do dia de ontem com a cerimônia de posse do presidente Joe Biden, cujas as imagens vão ficar para sempre.

PASSADO E FUTURO – Muito importante esse museu fotográfico que inclui tanto o presente como o passado dos fatos. E não se pode esquecer o efeito futuro do banco de imagens que acaba de ser criado.

Antes da fotografia, as memórias visuais do tempo nos foram legadas pela pintura. Portanto, reside aí mais um exemplo concreto entre o relato e a imagem a partir do presente.

E eis aí uma diferença entre o relato e o registro, colocação feita pelo filósofo canadense Marshall McLuhan, que revolucionou o mundo com suas teses sobre o meio e mensagem.

MOURÃO E PAZUELLO – Matéria de André de Souza, O Globo, revela que o vice-presidente Hamilton Mourão fez uma defesa meia bomba da atuação de Eduardo Pazuello no ministério da Saúde. Mourão disse que a atuação do general da Logística possui pontos a favor e outros contra. “Qualquer militar – frisou – sempre é visto como representante do Exército, Marinha ou Aeronáutica”.

Para o vice-presidente tal fato representa a ligação do militar com sua origem. Na minha opinião, porém, o comentário de Mourão reclamando das “pressões enfraqueceu” ainda mais a posição do ministro da Saúde.

FRETE DE AVIÕES – No meio da Pandemia surgem sempre aumento de preços. Foi o que ocorreu agora com o fretamento de aviões para transportar atingidos pela Covid-19 do Amazonas e do Pará para São Paulo. O presidente da Umimed Manaus, Sérgio Ferreira Filho, informou que o preço elevou-se de 120 mil para 180 mil reais.

Esse aumento de preço recai em cima dos planos de saúde que são responsáveis pelos casos de internação. Assim é a vida, oferta e procura estão sempre presentes nos fatos do dia a dia. A matéria é de Bruna Narcizo, na Folha.

FILA NO INSS – Mais uma prova do desastre administrativo que envolve INSS e sufoca aqueles que aguardam um despacho da Previdência Social. As repórteres Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, Estadão de ontem, revelaram que o tempo médio para analisar a concessão de aposentadorias e pensões está demorando apenas 66 dias. 

Mas o fato é que ao longo dos últimos dezessete meses os pedidos de aposentadoria e pensão atingiram o acumulado de 1 milhão e 700 mil processos. Quer dizer: que a fila cada vez torna-se maior, criando problemas graves para os segurados e também para as empresas que os empregam.

Fachin diz que coronavírus e ‘mentes autoritárias’ são as pragas que atualmente afligem o País

Fachin se tornou principal contraponto de Bolsonaro na Corte

Rafael Moraes Moura
Estadão

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse nesta segunda-feira, dia 18, ao Estadão que duas pragas afligem atualmente o Brasil: de um lado, a pandemia do novo coronavírus e suas mutações; de outro, as mentes autoritárias e “suas variações antidemocráticas”.

Após a aposentadoria de Celso de Mello, em outubro do ano passado, Fachin se tornou o principal contraponto ao governo do presidente Jair Bolsonaro no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde também atua.

DECLARAÇÕES – Ao longo das últimas semanas, enquanto Bolsonaro ataca a credibilidade da Justiça Eleitoral e tenta responsabilizar o Supremo pela sua gestão desastrosa para conter a proliferação da covid-19, Fachin tem sido um dos poucos integrantes da Corte a vir a público, fazendo declarações contundentes em defesa do Judiciário, das urnas eletrônicas, dos direitos humanos e da democracia.

Nesta segunda-feira, com a imagem desgastada pela demora em iniciar a vacinação contra covid-19, Bolsonaro recorreu a um discurso ideológico e disse que são as Forças Armadas que decidem se o povo vive em uma “democracia ou ditadura”.

“Quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não a apoiam”, afirmou ele a apoiadores no Palácio da Alvorada. “No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o (Fernando) Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?”, questionou Bolsonaro, em referência a possível eleição candidato do PT, seu adversário no segundo turno nas eleições de 2018.

EXEMPLO – Na avaliação de Fachin, quanto à tragédia da pandemia, com a aprovação da “bem-vinda vacina”, dela devem se ocupar cientistas, pesquisadores e profissionais da área da saúde que “estão dando exemplo de seriedade, dedicação e de respeito à ciência”.

“Informação e conhecimento científico são os remédios contra a alucinada e perversa desinformação estimulada e patrocinada por mentes autoritárias, não raro visível em autoridades de elevadas esferas, portadoras de mau exemplo de cuidados de si e dos outros pelo comportamento incompatível com as altas funções que exercem”, afirmou Fachin, em manifestação enviada por escrito à reportagem, sem citar nomes.E acrescentou: “não se impute ao STF a inapetência de gestão comprometida com o interesse público e com o bem comum”.

Em meio à corrida pela vacinação dos brasileiros, Bolsonaro tem travado uma disputa política com o governador de São Paulo, João Doria, que iniciou no último domingo a imunização no Estado. Além de permitir que governadores e prefeitos tomem medidas de isolamento social para combater a pandemia, o STF também já deu aval para que os gestores estaduais e municipais imponham restrições a quem recusar a ser vacinado – e impediu que a União requisitasse agulhas e seringas já adquiridas pelo Palácio dos Bandeirantes.

AUTORITARISMO – Sobre a segunda enfermidade, a do autoritarismo, Fachin destacou que o remédio está prescrito desde 1988. “Cumpre principalmente ao Supremo Tribunal Federal, nos termos da lei, defender a Constituição. A guarda da Constituição é o dever que impulsiona o Tribunal a responder às demandas que lhe são endereçadas. Não se trata de atuação maximizada”, disse.

“Nesse sentido faz a defesa da Constituição e de seus princípios fundamentais, sendo sua obrigação julgar alegações de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, infrações penais comuns do Presidente da República, infrações penais comuns e crimes de responsabilidade de Ministros de Estado, as causas e os conflitos entre a União e os Estados, e ainda reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões, dentre outros afazeres. Não há crise entre os poderes nem conflito institucional no país. Esfarrapada é a tentativa de criar conflitos e vilipendiar a Constituição”, afirmou o ministro.

DERROTAS –  As declarações de Fachin foram enviadas ao Estadão após levantamento do jornal apontar que partidos de oposição, alguns com pouca representatividade no Congresso, têm conseguido impor os maiores reveses sofridos pelo Palácio do Planalto no Supremo.

Levantamento feito pelo Estadão nas principais ações que contestam decretos, medidas, nomeações e outros atos do governo federal aponta que, nos últimos dois anos, Jair Bolsonaro sofreu 33 derrotas no STF, a maioria delas na análise de casos movidos por adversários políticos.

Uma delas foi imposta pelo Supremo no mês passado, por decisão do próprio Fachin, que suspendeu resolução do governo Bolsonaro que previa imposto zero sobre revólveres e pistolas importados a partir deste ano. Até o dia 5 de fevereiro, a Corte vai decidir no plenário virtual se mantém ou não a decisão do ministro, que atendeu a pedido do PSB.

GARANTIA – Ao contrariar Bolsonaro naquela decisão, Fachin frisou que não há um “direito irrestrito ao acesso às armas”, e que cabe ao Estado garantir a segurança da população, e não o cidadão individual. “Incumbe ao Estado diminuir a necessidade de se ter armas de fogo por meio de políticas de segurança pública que sejam promovidas por policiais comprometidos e treinados para proteger a vida e o Estado de Direito”, afirmou o ministro no mês passado, rebatendo uma das principais bandeiras políticas de Bolsonaro.

Agora, na mensagem enviada ao Estadão, Fachin frisou que o dever da Suprema Corte é “defender a Constituição, inclusive direitos, deveres e garantias da ordem tributária”.

“A Constituição brasileira vigente, lei para todos, é a antítese do estado autoritário e de exceção que impôs censura, promoveu tortura e semeou ainda mais a corrupção nas instituições públicas e privadas”, afirmou Fachin. “Democracia acima de tudo, Constituição acima de todos”, finalizou o ministro, em alusão ao slogan de campanha de Bolsonaro em 2018 (“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”).

Bolsonaro envia mensagem de cumprimentos pela posse de Biden e exalta parceria entre Brasil e EUA

Bolsonaro foi um dos últimos “líderes” a reconhecer derrota de Trump

Gustavo Garcia e Roniara Castilhos
G1 / TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta e publicou mensagem em rede social, nesta quarta-feira, dia 20, para cumprimentar o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O comunicado foi divulgado horas após Biden tomar posse no cargo, em cerimônia em Washington.

Aliado do ex-presidente norte-americano Donald Trump, Bolsonaro disse na rede social que Brasil e Estados Unidos têm longa e sólida relação, baseada “em valores elevados”. O presidente brasileiro citou a defesa da democracia e das liberdades individuais como elementos compartilhados entre os dois países.

“EMPENHO” – “Sigo empenhado e pronto para trabalhar pela prosperidade de nossas nações e o bem-estar de nossos cidadãos”, afirmou Bolsonaro na rede social. Ainda segundo Bolsonaro, a carta enviada ao novo titular da Casa Branca exprime cumprimentos do Brasil pela posse e expõe uma “visão de um excelente futuro para a parceria Brasil-EUA”.

Institutos e meios de comunicação anunciaram a vitória de Biden sobre Trump no dia 7 de novembro. A partir desse anúncio, vários líderes mundiais parabenizaram o democrata pela vitória. Bolsonaro, então alinhado ao governo Trump, só reconheceu a vitória de Biden 38 dias depois, em 15 de dezembro.

Na carta, divulgada por Bolsonaro nesta quarta, o presidente brasileiro diz ser “grande admirador dos Estados Unidos” e que, desde de que assumiu o poder no Brasil, passou a “corrigir” o que chamou de “equívocos de governos brasileiros anteriores”, que, segundo o presidente, “afastaram o Brasil dos EUA”.

AMAZÔNIA –  Na sequência do documento, cita relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, no campo econômico, tecnológico e do desenvolvimento sustentável. O presidente dedica um trecho da carta para falar sobre mudanças climáticas, proteção ambiental e Amazônia.

“Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais”, diz Bolsonaro.

CRÍTICAS –  Durante debate com o ex-presidente Donald Trump, o então candidato Joe Biden fez críticas ao desmatamento na Amazônia. Biden disse que “começaria imediatamente a organizar o hemisfério e o mundo para prover US$ 20 bilhões para a Amazônia, para o Brasil não queimar mais a Amazônia”.

“Aqui estão US$ 20 bilhões, pare de destruir a floresta. E, se não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas”, afirmou Biden no debate. A declaração gerou uma resposta do presidente Jair Bolsonaro, que, na ocasião, classificou o comentário como “lamentável”, “desastroso e gratuito” e fez uma série de postagens críticas a Biden no Twitter.

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ÍNTEGRA DA CARTA ENVIADA POR BOLSONARO A BIDEN

Senhor Presidente,

Tenho a honra de cumprimentar Vossa Excelência neste dia de sua posse como 46º Presidente dos Estados Unidos da América.

O Brasil e os EUA são as duas maiores democracias do mundo ocidental. Nossos povos ~estão unidos por estreitos laços de fraternidade e pelo firme apreço às liberdades fundamentais, ao estado de direito e à busca de prosperidade através da liberdade.

Pessoalmente, também sou de longa data grande admirador dos Estados Unidos e, desde que assumi a Presidência, passei a corrigir os equívocos de governos brasileiros anteriores, que afastaram o Brasil dos EUA, contrariando o sentimento de nossa população e os nossos interesses comuns.

Assim, inspirados nesses valores compartilhados, e sob o signo da confiança, nossos países têm construído uma ampla e profunda parceria.

No campo econômico, o Brasil, assim como os empresários de nossos dois países, tem interesse em um abrangente acordo de livre comércio, que gere mais empregos e investimentos e aumente a competitividade global de nossas empresas. Já temos como base os recentes protocolos de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção, que certamente contribuirão para a recuperação de nossas economias no contexto pós-pandemia. A esses acordos se somam recente Memorando entre o Ministério da Economia do Brasil e o Eximbank, para estimular os financiamentos de projetos, e nosso Acordo de Cooperação para o Financiamento de projetos de Infraestrutura.

Na área de ciência e tecnologia, o potencial de cooperação é enorme, como ficou ilustrado pelo ambicioso plano de trabalho desenvolvido por nossa Comissão Mista e pela conclusão do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que permitirá lançamentos espaciais a partir da base de Alcântara, no Brasil. O mesmo se aplica à área de defesa, com a conclusão de nosso Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação.

Nas organizações econômicas internacionais, o Brasil está pronto para continuar cooperando com os EUA para a reforma da governança internacional. Isso se aplica, por exemplo, à OMC, onde queremos destravar as negociações e evitar as distorções de economias que não seguem as regras de mercado. Na OCDE, com o apoio dos EUA, o Brasil espera poder dar contribuição mais efetiva e aumentar a representatividade da organização. Nosso processo de acessão terá, também, impacto fundamental para as reformas econômicas e sociais em curso em nosso país.

Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado. Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou seu compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas novas metas nacionais.

Para o êxito no combate à mudança do clima, será fundamental aprofundar o diálogo na área energética. O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e, junto com os EUA, é um dos maiores produtores de biocombustíveis. Tendo sido escolhido país líder para o diálogo de alto nível da ONU sobre Transição Energética, o Brasil está pronto para aumentar a cooperação na temática das energias limpas.

Brasil e Estados Unidos coincidem na defesa da democracia e da segurança em nosso hemisfério, atuando juntos contra ameaças que ponham em risco conquistas democráticas em nossa região. Adicionalmente, temos cooperado para impedir a expansão das redes criminosas e do terrorismo, que tantos males causam a nossos países da América Latina e do Caribe.

Necessitamos também continuar lado a lado enfrentando as graves ameaças com que hoje se deparam a democracia e aliberdade em todo o mundo e que se tornam mais prementes no mundo pós-Covid: o crime organizado transnacional; as distorções ao comércio mundial e ao fluxo de investimentos oriundas de práticas alheias ao livre mercado; e a instrumentalização de organismos internacionais por uma agenda também contrária à democracia.

Entendo que interessa aos nossos países contribuir para uma ordem internacional centrada na democracia e na liberdade, que defenda os direitos e liberdades fundamentais de todos e, muito especialmente, de nossos cidadãos. E estamos dispostos a trabalhar juntos para que esses valores fundamentais estejam no centro das atenções, seja bilateralmente, seja nos foros internacionais.

É minha convicção que, juntos, temos todas as condições para seguir aprofundando nossos vínculos e agenda de trabalho, em favor da prosperidade e do bem-estar de nossas ações.

O Brasil alcançou sua Independência em 1822, e os EUA foram o primeiro país a nos reconhecer. Em 1824, foram estabelecidas nossas relações diplomáticas. São dois marcos históricos cujo bicentenário, em futuro próximo, os brasileiros queremos celebrar com nossos amigos americanos.

Ao desejar a Vossa Excelência pleno êxito no exercício de seu mandato, peço que aceita, Senhor Presidente, os votos de minha mais alta estima e consideração.

Jair Bolsonaro

Marco Aurélio critica Aras e receia que esteja sendo preparado um golpe por Bolsonaro

O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, durante sessão que julga o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula - 22/03/2018

Marco Aurélio Mello diz que onde há fumaça há também fogo…

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio diz ter visto com perplexidade a nota publicada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na terça-feira (19/1). O texto diz que “eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”. A nota fala, ainda, que devido à pandemia da covid-19, foi reconhecido o estado de calamidade pública no país, e que o estado de calamidade é “a antessala do estado de defesa”.

O referido estado de defesa é previsto na Constituição Federal, no artigo 136, que traz que o presidente da República pode, “ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza”.

CONTRA A DEMOCRACIA – “Eu fiquei perplexo, porque onde há fumaça, há fogo. E, evidentemente, nós precisamos sempre estar atentos e implementar resistência democrática e republicana à qualquer ótica que discrepe da democracia. Eu não vi com bons olhos (a nota). Nada surge sem uma causa”, disse o ministro. Marco Aurélio ressaltou que o “estado de defesa é algo muito extremado”. “Como é mais extremado ainda o estado de sítio”, pontuou.

O estado de defesa é um estado de exceção. Com ele, o Estado pode impor medidas coercitivas que violariam o direito do cidadão por um prazo determinado — como a restrição de reuniões e o sigilo de comunicação telefônica. O decreto precisa passar por aprovação do Congresso Nacional, e tem prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

“Eu receio que possa estar havendo qualquer movimento antidemocrático. Isso é o que me assusta, me deixa perplexo. Agora, da minha parte, provocado, eu atuarei. Mas desde que provocado, porque sou juiz, não sou político. Considerada a minha estrada de vida, 42 anos em colegiado julgador, realmente tudo sugere precaução. E é importante que se escancare o que foi veiculado e que aí haja manifestações dos diversos segmentos da sociedade”, disse Marco Aurélio.

PREPARANDO OS ÂNIMOS – Para o ministro, talvez a PGR, chefiada pelo procurador-geral Augusto Aras, esteja “preparando os ânimos do povo” para iniciativas antidemocráticas. “Mas isso é ruim”, disse, porque Aras é considerado figura próxima do presidente Jair Bolsonaro.

Marco Aurélio frisou também que o país precisa fazer frente ao que está acontecendo no âmbito de saúde pública, principalmente em relação à situação relativa ao Amazonas, mas sem cogitar de exceção. “E para mim, estado de defesa é exceção excepcionalíssima. Não se coaduna com ares democráticos e com o funcionamento das instituições”, ressaltou.

Marco Aurélio pontuou, ainda, que “como fiscal da lei, o PGR deve guardar os valores estabelecidos na Constituição Federal”, e não sinalizar com “algo que é muito nefasto e muito prejudicial em termos de estado democrático de direito”, destacou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Augusto Aras escorregou e já deixou claro estar fechado com Bolsonaro para evitar o impeachment, que é cada vez mais provável. Mas ele não conseguirá, porque ainda há juízes em Berlim, como diz o velho ditado alemão. Conforme o ministro Marco Aurélio afirmou, o Supremo e o Conselho Nacional do Ministério Público estão de olho em Aras e podem também pedir o impeachment do prevaricador-geral, digo, procurador-geral. (C.N.)

Nota de Aras “blindando” impeachment de Bolsonaro causa revolta no STF e na Procuradoria

Ministros da Corte consideraram o texto como um ‘desastre’

Breno Pires
Estadão

Causou mal-estar no Supremo Tribunal Federal (STF) a manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, que atribuiu ao Legislativo o papel de analisar “eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República” durante o enfrentamento à pandemia de covid-19. Em conversas reservadas, ministros da Corte consideraram a nota “um desastre”.

A leitura política foi a de que o procurador-geral dá sinais no sentido de preservar o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no momento em que cresce no meio político a pressão para o impeachment. O mote político para pedidos de interdição de Bolsonaro se sustenta agora no argumento de que houve negligência na condução da crise do coronavírus, principalmente em Manaus. Cabe ao procurador-geral conduzir qualquer investigação criminal sobre presidentes e ministros.

NOTA – A nota pública divulgada por Aras na noite desta terça-feira, dia 19, também apontou risco de o atual estado de calamidade progredir para o estado de defesa, previsto na Constituição, que pode ser decretado por presidentes a fim de preservar ou restabelecer “a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza”. Tal recurso, sujeito à aprovação do Congresso em dez dias, permite ao presidente restringir direitos da população.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, disse estar “perplexo” com a nota. “A sinalização de que tudo seria resolvido no Legislativo causa perplexidade”, afirmou o magistrado ao Estadão. “Não se pode lavar as mãos, não é? O que nós esperamos dele (Aras) é que ele realmente atue e atue e com desassombro, já que tem um mandato e só pode ser destituído, inclusive, pelo Legislativo”, acrescentou.

“IMPENSÁVEL” – Marco Aurélio afirmou, ainda, que é “impensável” qualquer decreto de estado de defesa no atual contexto. “Não se pensa em estado de defesa. Está lá no artigo 136 da Constituição, mas isso é impensável em termos de República e estado democrático”, argumentou.

Outro integrante da Corte, ouvido reservadamente, concordou que essa hipótese não está posta no cenário brasileiro. O magistrado disse que toda a gestão feita pelo Supremo foi para mostrar que o País é capaz de enfrentar as adversidades sem estado de emergência ou de sítio. Na sua avaliação, Aras parece tentar circunscrever a tragédia de Manaus — na qual dezenas de internados com covid-19 têm morrido por falta de oxigênio — a um problema local.

PROTESTO – Nesta quarta-feira, dia 20, seis dos dez integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal também demonstraram “preocupação” com a manifestação de Aras.

“Referida nota parece não considerar a atribuição para a persecução penal de crimes comuns e de responsabilidade da competência do Supremo Tribunal Federal (…), tratando-se, portanto, de função constitucionalmente conferida ao Procurador-Geral da República, cujo cargo é dotado de independência funcional”, escreveram os conselheiros José Adonis Callou, José Bonifácio Borges de Andrada, José Elaeres Marques Teixeira, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino, todos subprocuradores-gerais da República. Um dos signatários, José Bonifácio, foi vice de Aras no início da gestão.

Os conselheiros destacaram que a possibilidade da configuração de crime de responsabilidade, eventualmente praticado por agente político de qualquer esfera, também não afasta a hipótese de caracterização de crime comum, da competência dos tribunais.

ORDEM JURÍDICA – “Nesse cenário, o Ministério Público Federal e, no particular, o Procurador-Geral da República, precisa cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo – independentemente de “inquérito epidemiológico e sanitário” na esfera do próprio Órgão cuja eficácia ora está publicamente posta em xeque –, e sem excluir previamente, antes de qualquer apuração, as autoridades que respondem perante o Supremo Tribunal Federal, por eventuais crimes comuns ou de responsabilidade”, afirmaram os conselheiros.

Os subprocuradores observaram, ainda, que “a defesa do Estado democrático de direito afigura-se mais apropriada e inadiável que a antevisão de um ‘estado de defesa’ e suas graves consequências para a sociedade brasileira, já tão traumatizada com o quadro de pandemia ora vigente.

ESTADO DE DEFESA – Segundo o artigo 136 da Constituição, o estado de defesa tem o pretexto de ‘preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza’.

O instituto prevê uma série de medidas coercitivas, como restrições de direitos de reunião, de sigilo de correspondência, e de comunicação telegráfica e telefônica. Além disso, o estado de defesa acaba com garantias como a exigência do flagrante para uma prisão.

A medida pode ser decretada pelo presidente, após serem ouvidos os Conselhos da República e o de Defesa Nacional, formados pelo vice, chefes das Forças Armadas, presidentes da Câmara, do Senado, líderes do Congresso, entre outros. O decreto é então submetido ao Congresso, que tem dez dias para aprová-lo ou rejeitá-lo.

INVESTIGAÇÃO – Diante do agravamento da crise sanitária em Manaus, a única investigação aberta até agora pela Procuradoria-Geral da República, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi sobre a atuação do governador do Amazonas, Wilson Lima, do prefeito de Manaus, David Almeida, empossado no início deste mês, e de seu antecessor, Arthur Virgílio Neto. A Procuradoria também pediu informações ao ministro da Saúde após representação do partido Cidadania, que apontou omissão de Pazuello, alegando que ele recebeu informações prévias sobre a falta de oxigênio em Manaus.

A assessoria de imprensa da PGR disse ao Estadão que o texto de Aras foi feito em resposta a um movimento de segmentos da política e da sociedade que têm cobrado atuação do chefe do Ministério Público Federal contra Bolsonaro. A principal mensagem da nota é que os crimes de responsabilidade são da competência do Legislativo, e não da Procuradoria. Segundo a assessoria, o procurador-geral diz que é necessária a “temperança” para todas as instituições para que a crise não cresça, uma vez que já estamos em um estado de calamidade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme foi denominado aqui na TI, Aras se tornou o “prevaricador-geral da República” e se exibe empenhado em blindar e evitar, de todas as formas, o impeachment de Bolsonaro. Com essa posição, Aras pode até ser indicado ao Supremo na vaga de Marco Aurélio, mas vai emporcalhar o que ainda restava de seu currículo e não conseguirá evitar que Bolsonaro seja afastado. (C.N.)

Psol pede ao STF que proíba governo de distribuir ou incentivar o uso da cloroquina

Bolsonaro indica, sem base científica, o uso de medicamentos

Renato Souza
Correio Braziliense

Em um pedido encaminhado ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), o PSol solicita que integrantes do governo federal sejam proibidos de distribuir e fazer propaganda do chamado “tratamento precoce” para a covid-19.

Integrantes do governo, entre eles o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, indicam, sem base científica, que a população faça uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina.

SEM BENEFÍCIO – Na versão dos integrantes do Executivo e de seus apoiadores, o usos dessas drogas poderia prevenir o agravamento da covid-19. No entanto, os estudos conduzidos em diversos países, inclusive no Brasil, destacam que os remédios não trazem benefício algum para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus e representam riscos para a saúde da população.

Ao aprovar o uso emergencial das vacinas da Fiocruz e do Instituto Butantan contra a covid-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destacou que não existem meios de tratamento para a doença, até o momento. Na ação, o partido pede que “seja determinado aos membros do governo federal que se abstenham de propagar, receitar, sugerir, indicar, por quaisquer meios oficiais ou oficiosos, o uso de medicamentos para o denominado tratamento precoce da covid-19”.

PRAZO –  O magistrado não tem um prazo para decidir. No entanto, nos bastidores da Corte corre a informação de que ele vai se manifestar com celeridade, o que pode ocorrer ainda nas próximas horas. Lewandowski pode solicitar informações sobre o tema ao Executivo.

Além da proibição de propaganda dos medicamentos sem eficácia, o PSol pede que seja determinada a realização de uma campanha publicitária nacional “contra a hesitação vacinal” e em prol da vacinação da população.

Diante do fracasso na”guerra da vacina”, líderes do Centrão já cogitam impeachment de Bolsonaro

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Igor Gielow
Folha

A debacle do governo Jair Bolsonaro na chamada “guerra da vacina” contra o governador João Doria (PSDB-SP) fez com que a palavra impeachment deixasse de ser uma exclusividade de discursos públicos da oposição. Líderes de partidos centristas, inclusive do centrão que sustenta o presidente no Congresso, passaram a discutir com desenvoltura o tema. O “isso não tem chance de acontecer” deu lugar a um cauteloso “olha, depende” nas conversas.

Nos últimos dias, a Folha ouviu uma dezena de políticos de diversas colorações centristas, privilegiando nomes associados ao governo Bolsonaro. Apoiadores de Doria, tucanos históricos com horror a Lira ou oposicionistas puro-sangue, por exemplo, ficaram de fora da enquete informal.

RISCO – Obviamente isso não significa que o presidente está sob risco imediato, mas o horizonte que havia desanuviado para ele a partir da prisão de Fabrício Queiroz em 18 de junho de 2020 voltou a ter nuvens carregadas.

Naquele momento, a tensão institucional promovida por Bolsonaro contra o Supremo e o Congresso havia chegado a um paroxismo, mas a prisão do ex-assessor de sua família o fez mudar o cálculo: retraiu-se um tanto e compôs abertamente com o centrão e outros partidos das redondezas.

Se Bolsonaro já voltou a ser Bolsonaro em suas declarações, sua aliança com o centrão está guiando sua batalha para tomar o controle da Câmara, após cinco anos de reinado de Rodrigo Maia (DEM-RJ). A disputa lá é mais central do que no Senado, onde emerge com força Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pela prerrogativa de abertura de processos de impeachment do presidente da Câmara.

DISPUTA – Um aliado pontual que deixa a cadeira semana que vem como inimigo, Maia tenta emplacar Baleia Rossi (MDB-SP) em seu lugar. Bolsonaro aposta tudo em Arthur Lira (Progressistas-AL). O senso comum de que Lira barraria qualquer tentativa de remover o presidente predomina, mas três presidentes de partidos de centro (um deles do centrão) optam por uma tese contraintuitiva.

Segundo eles, o que vale é o “olha, depende”. No caso, da evolução do azedume popular contra Bolsonaro por sua gestão considerada desastrosa mesmo entre aliados próximos na pandemia. Apoiadores de Baleia Rossi dizem que isso é apenas um jogo de palavras para ganhar votos de deputados tentados a trair a orientação de seus partidos. Hoje, ambos os lados contabilizam cerca de 200 votos para cada lado.

TRAIÇÕES – Um presidente de sigla centrista faz uma aposta sobre traições: prevê que o PT dará 20 dos seus 52 votos a Lira, o PSB, 20 de 30 e o DEM, 20 de 29. Isso fora os 32 nomes do PSL que já disseram que vão de Lira. Se tudo isso acontecer, o bolsonarista levaria com quase 300 votos, bem acima dos 257 necessários. Mas isso não é um jogo jogado.

Para um líder de bancada do centrão, Baleia é tão perigoso ou inofensivo para Bolsonaro quanto Lira. Ele se ampara no fato de que o emedebista sofre influência direta do ex-presidente Michel Temer (MDB), que edificou uma relação próxima com o seu sucessor.

Ele afirma, portanto, que qualquer um dos dois não irá pautar um impeachment exceto que haja uma virada brutal de popularidade contra Bolsonaro. Ninguém impede alguém com 35% de aprovação, argumenta.A lógica inversa, contudo, segue valendo: um derretimento do presidente não teria nem em Lira, nem Baleia um porto seguro contra um processo.

GUERRA DA VACINA – A perda da primazia sobre a vacina, simbolizada no fato de que foi obrigado a usar a Coronavac promovida por Doria como única opção para iniciar a campanha de imunização do país, coroou a tragédia sanitária.

Mas a corrosão apontada por esses aliados é ainda mais grave devido ao caos na saúde em Manaus, que periga ser repetido em outros estados, com sinais claros de omissão federal. Crianças sob risco, como disse sem ironia visível um tucano simpático ao governo, ninguém tolera.

A tudo isso se soma a incerteza acerca da economia, já que o fim do auxílio emergencial em 31 de dezembro não foi preenchido por nada, e a sensação de inação por parte do Ministério da Economia é citada por todos os entrevistados. Sem a ajuda, pessoas irão voltar a procurar trabalho, provavelmente elevando as estatísticas de desemprego. É, nas palavras de um cacique do Republicanos, um caldo tóxico.

CRISE – A decoração do prato vem na forma da crise dupla vivida na área externa, com a queda em desgraça do ídolo de Bolsonaro, o americano Donald Trump, e a sensação de que a China produtora de insumos das vacinas a serem usadas no Brasil não vai esquecer tão cedo as grosserias da família Bolsonaro.São apenas os dois maiores parceiros comerciais do país, de quebra, com governos hostis ao Planalto.

Os primeiros sinais de perda de vitalidade na popularidade em redes sociais já são visíveis, com a previsível ascensão de Doria. Na vida real, pesquisas internas de partidos também apontam um aumento do mau humor com o governo, principalmente em centros urbanos. No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente já precificaram essa queda nos próximos meses. Mas apostam que o eventual sucesso do programa de imunização acabará se revertendo na conta de Bolsonaro, pois no Brasil quase tudo volta para o Executivo federal.

Ainda assim, a ordem lá é fazer de tudo para eleger Lira, que consideram mais confiável que Baleia. O emedebista, em que pese seu laço com Temer, teve o nome fomentado desde o ano passado pro Maia e Doria, numa triangulação que passou pela inserção do MDB na vice de Bruno Covas em São Paulo, entre outros movimentos.

Pazuello agora nega recomendação de “tratamento precoce” e comprova ação devastadora de Bolsonaro na pandemia

Pazuello defendeu remédios ineficazes e disse que não havia “outra saída”

Bruno Boghossian
Folha

O general recuou. Depois que autoridades afirmaram mais uma vez que não há remédio eficaz contra o coronavírus, Eduardo Pazuello disse que nunca recomendou aquilo que o próprio governo chama incansavelmente de “tratamento precoce”. O Ministério da Saúde tentou empurrar cloroquina ao país, mas o militar deve ter percebido que andava em terreno perigoso.

O comprimido é a peça simbólica que comprova a ação devastadora do governo Jair Bolsonaro na pandemia. O presidente e seus auxiliares fizeram a opção por um protocolo de tratamento fantasioso, que sufocou os esforços pela vacinação dos brasileiros e até o fornecimento de material básico para a sobrevivência dos doentes.

INEFICAZ – Três dias depois de saber que Manaus estava prestes a entrar em colapso, Pazuello deu uma palestra em que defendeu remédios ineficazes e disse que não havia “outra saída”. O ministério quis despejar cloroquina no Amazonas, mas mandou oxigênio insuficiente para abastecer o estado.

Se mudou de ideia, o general deveria delatar o chefe imediatamente. Enquanto Pazuello finge indignação e diz que não indicou medicamentos, Bolsonaro segue à frente do movimento do charlatanismo. “Não desistam do tratamento precoce. Não desistam, tá?”, pediu a apoiadores, na segunda-feira (18).

SABOTAGEM – Ao longo da pandemia, o presidente fez campanha para que a cloroquina fosse usada no lugar dos imunizantes que ele trabalhava para sabotar. “Enquanto não tiver uma vacina realmente confiável, e uma vez contraída a Covid, eu recomendo que faça o tratamento precoce”, disse Bolsonaro na TV, em dezembro. “Tá aí à disposição. Pegou, toma.”

A covardia de Pazuello mostra que ele talvez tenha medo de perder o cargo ou de ser processado. A desfaçatez de Bolsonaro sugere que ele confia na impunidade. O Ministério Público e o Congresso podem investigar a responsabilidade de cada um. Os atos de ambos estão registrados em vídeo e documentos oficiais.

Joe Biden diz que “a democracia prevaleceu” e pede união em seu primeiro discurso como presidente

Biden disse que política não precisa ser um “incêndio que destrói tudo”

Deu no Estadão

Em seu primeiro discurso como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden pediu união durante a cerimônia de posse realizada nesta quarta-feira, dia 20, no Capitólio, em Washington. O presidente afirmou que “a democracia prevaleceu” em sua vitória contra Donald Trump nas eleições do ano passado, e prometeu ser o presidente de todos os americanos, independente de terem votado nele ou no opositor.

“Vivemos a nação que queremos ser e podemos ser”, disse Biden, que agradeceu a presença de integrantes de ambos os partidos na cerimônia de posse, entre eles os ex-presidentes democratas Barack Obama e Bill Clinton, o ex-presidente republicano George W. Bush, e o ex-vice presidente, Mike Pence. “Sei da resiliência da nossa Constituição e da força de nossa nação”.

PANDEMIA – Biden reconheceu que o país atravessa um momento conturbado politicamente, mencionando a pandemia do novo coronavírus e seus prejuízos econômicos. “Poucas pessoas em nossa história viveram momentos mais difíceis do que o que estamos vivendo neste momento”, disse. O presidente também citou problemas políticos, como o supremacismo branco e o terrorismo doméstico, desafios que prometeu “vencer”.

“Precisamos de mais do que palavras, precisamos de uma das coisas mais difíceis de uma democracia: a união”. E completou: “Peço que todos os americanos façam o mesmo comigo nesta causa: unidos para combater os inimigos que temos, a raiva, ressentimento, extremismo, ilegalidade, violência, doenças, desemprego. Juntos, podemos fazer coisas grandes e consertar erros”.

APELO – Em seu apelo por união, Biden fez também uma defesa da boa política, afirmando que ela não precisa ser um “incêndio que destrói tudo a sua frente”.   “Tanta discórdia não precisa levar a guerras. Precisamos rejeitar a cultura onde fatos são manipulados e inventados. Caros americanos, temos de ser diferentes. Os EUA têm de ser melhor do que isso. E creio que EUA são muito melhor do que isso”, afirma.

Em parte do discurso que direcionou “aos que nos ouvem além de nossas fronteiras”, Biden afirmou que os Estados Unidos vão retomar o protagonismo no cenário internacional. “Vamos liderar não só pelo exemplo da nossa força, mas pela força do nosso exemplo”, disse o presidente.

ISOLACIONISMO – De acordo com Biden, durante sua gestão, os EUA serão um parceiro forte e confiável e voltará a participar das negociações internacionais, em claro sinal de que irá reverter a política isolacionista adotada pelo seu antecessor, Donald Trump.

O presidente também ressaltou o fato de estar junto de Kamala Harris, a primeira vice-presidente negra da história, exaltando o local onde Martin Luther King fez seu famoso discurso de 1963 em defesa dos direitos dos negros.

Por fim, o presidente listou os grandes desafios que sua gestão terá pela frente, como a pandemia do coronavírus, as mudanças climáticas e o próprio papel dos Estados Unidos. “Há muito a ser feito. E uma certeza: prometo a vocês, nós seremos julgados por como vamos lidar com essa crise da nossa era”.

Manhattan Connection estreia na TV Cultura e Mainardi já anuncia ataques a Bolsonaro

Fora do GloboNews, 'Manhattan Connection' será exibido na Cultura | VEJA

O programa faz sua reestreia nesta quarta-feira, às 10 horas

José Carlos Werneck

Após 27 anos nos canais do Grupo Globo na televisão por assinatura, o Manhattan Connection estreia nesta quarta-feira, às 10 da noite,, na TV Cultura, com total liberdade para realizar críticas políticas e manter a sua independência editorial.

Diogo Mainardi, um de seus apresentadores ressalta que o programa pode “descer a lenha em quem quer que seja. “Temos uma liberdade total, absoluta, como tivemos no GNT e na GloboNews. Vai ter aqui na Cultura, também. Neste momento, o meu alvo prioritário é o Bolsonaro e o bolsonarismo. Mas é evidente que, dando uma chancezinha, a gente vai chutar todo mundo. porque é a função do jornalismo”.

SEM CENSURA – “Somos uma emissora independente. Não há censura na TV Cultura”, comentou José Roberto Maluf, presidente da Fundação Padre Anchieta, vinculada ao governo do Estado de São Paulo e responsável pela programação da TV Cultura.

Na TV aberta, o programa pretende manter o estilo que teve nos canais fechados. “A nossa expectativa, que é um teste, é ver se vai funcionar bem na TV aberta como funcionou na TV fechada. Existe uma forma acessível, informal, de falarmos sobre assuntos que possam ser relevantes para todo mundo. Vamos tentar trazer essa mesma fórmula e linguajar para a TV aberta. Funcionou até agora, tenho certeza que vai funcionar”, diz Lucas Mendes, criador e apresentador do Manhattan, acrescentando:

“A nossa expectativa, que é um teste, é ver se vai funcionar bem na TV aberta como funcionou na TV fechada. É a audiência que vai dar a resposta, e vamos nos empenhar para termos uma boa resposta”.

PGR diz que ‘eventuais ilícitos’ da cúpula da República na pandemia devem ser julgados pelo Legislativo

Movimento por impeachment cresceu com agravamento da crise da saúde

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo

A Procuradoria-Geral da República divulgou nota nesta terça-feira, dia 19, na qual afirma que eventuais atos ilícitos cometidos por autoridades da “cúpula dos poderes da República” durante a pandemia — e que gerem responsabilidade — devem ser julgados pelo Legislativo. A nota não menciona diretamente a hipótese de impeachment, mas a Constituição estabelece que cabe ao Congresso julgar casos de crime de responsabilidade cometidos por autoridades.

Questionada pela TV Globo, a assessoria da PGR informou que o texto é uma resposta a cobranças por uma atuação pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento cresceu nos últimos dias nas redes sociais e em setores da oposição após o agravamento da crise da saúde pública no Amazonas, em decorrência da qual pacientes internados com Covid-19 morreram asfixiados devido à falta de oxigênio nos hospitais.

MOMENTO DELICADO – No texto, a Procuradoria afirma que o país enfrenta um momento delicado, mas defende que o tempo é de “temperança e prudência”, em favor da estabilidade institucional.

“Segmentos políticos clamam por medidas criminais contra autoridades federais, estaduais e municipais. O procurador-geral da República [Augusto Aras] no âmbito de suas atribuições e observando as decisões do STF acerca da repartição de competências entre União, estados e municípios, já vem adotando todas as providências cabíveis desde o início da pandemia”, diz a PGR.

“Eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”, afirma o texto da nota. A PGR diz que, por causa da pandemia, foi declarado o estado de calamidade pública e argumenta que essa situação é a “antessala do estado de defesa”.

ESTADO DE DEFESA – Previsto na Constituição, o estado de defesa pode ser decretado pelo presidente da República quando há necessidade de restabelecer a “ordem púbica e a paz social” se estas são ameaçadas “por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza”.

Para a Procuradoria-Geral, o país vive um momento de instabilidade e por isso demanda uma atenção maior das autoridades para preservar a ordem pública. A avaliação é de que há possibilidade de a pandemia de Covid-19 se agravar nas próximas semanas mesmo com o início da vacinação, o que poderia impactar a estabilidade institucional.

“O estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa. A Constituição Federal, para preservar o Estado Democrático de Direito e a ordem jurídica que o sustenta, obsta alterações em seu texto em momentos de grave instabilidade social. A considerar a expectativa de agravamento da crise sanitária nos próximos dias, mesmo com a contemporânea vacinação, é tempo de temperança e prudência, em prol da estabilidade institucional.”

ORDEM JURÍDICA – Segundo o texto, “neste momento difícil da vida pública nacional, verifica-se que as instituições estão funcionando regularmente em meio a uma pandemia que assombra a comunidade planetária, sendo necessária a manutenção da ordem jurídica a fim de preservar a estabilidade do Estado Democrático”.

A nota afirma ainda que a PGR tem atuado firmemente contra irregularidades no combate à pandemia e tem realizado “a fiscalização de verbas destinadas ao enfrentamento da pandemia, em trabalho conjunto com todo o Ministério Público brasileiro e com os tribunais de contas, e abriu inquéritos criminais contra oito governadores suspeitos de desvios, tendo um deles sido afastado do cargo”.

Pouco antes de deixar a Presidência, Trump concede perdão a Bannon e outros aliados

Presidente Trump e Melania Trump deixam a Casa Branca em 20 de janeiro de 2021 — Foto: Alex Brandon/AP

Trump e Melania deixam a Casa Branca antes da posse

Deu na Folha
Agência Reuters

Na madrugada desta quarta (20), a horas de deixar a Presidência dos EUA, Donald Trump concedeu perdão a diversos aliados, entre os quais seu ex-assessor e ideólogo da extrema direita Steve Bannon. No total, 143 pessoas foram beneficiadas pela leva final de indultos.

Além de Bannon, Trump também concedeu perdão presidencial a Elliott Broidy, um doador da campanha que confessou ter conspirado para violar leis estrangeiras de lobby político, ao ex-prefeito de Detroit Kwame Kilpatrick, que cumpria pena de 28 anos de prisão por corrupção, e aos rappers Lil Wayne e Kodak Black, condenados por crimes relacionados a posse ilegal de armas.

EXPLICAÇÃO – O republicano não incluiu seu advogado, Rudy Giuliani, nem concedeu perdão a seus familiares ou a si mesmo, diferentemente do que vinha sendo especulado nas últimas semanas. De acordo com uma pessoa a par da decisão, auxiliares da Casa Branca defenderam que indultar parentes ou ele próprio passaria a imagem de que são culpados por terem cometidos crimes.

Bannon, 67 anos, é acusado de participar de uma fraude numa campanha virtual de doações relacionada à construção de um muro na fronteira entre EUA e México, uma promessa de Trump. ​Ele chegou a ser preso em agosto, mas foi liberado em seguida, após pagar fiança de US$ 5 milhões (R$ 26,8 milhões).

Como ainda não foi condenado, na prática o indulto o livra das acusações, uma vez que o mecanismo do Poder Executivo blinda uma pessoa da Justiça. Ele, no entanto, ainda pode ser acusado de fraude por promotores do estado de Nova York —o perdão presidencial atua apenas em nível federal.

DIREITA RADICAL – Segundo o jornal The New York Times, assessores passaram o dia tentando demover Trump da ideia de conceder perdão a Bannon, fundador do site Breitbart, um dos principais veículos da chamada “alt-right” (direita alternativa, que reúne personalidades de extrema direita e grupos supremacistas brancos).

Ele coordenou a campanha vitoriosa de 2016 e virou estrategista-chefe da Casa Branca nos primeiros meses do governo do republicano. Próximo da família Bolsonaro, criou “O Movimento”, grupo que une líderes populistas de direita pelo mundo, e nomeou Eduardo Bolsonaro como seu representante no Brasil.

Antes dessa leva final, o presidente americano já havia concedido indultos a outros aliados, como o ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, que se declarou duas vezes culpado ao FBI, a polícia federal americana, por mentir para investigadores no caso da interferência russa nas eleições de 2016.

HÁ PRECEDENTES – Perdões presidenciais amplos são incomuns, mas têm precedentes. George Washington concedeu indulto aos conspiradores da Rebelião do Uísque (1791-1794), uma revolta contra a taxação da bebida.

No exemplo mais famoso, Gerald Ford perdoou Richard Nixon, em 1974, pelas ações dele como presidente, após a renúncia em meio a um processo de impeachment. E Jimmy Carter, o presidente seguinte, livrou milhares de americanos que se negaram, ilegalmente, a integrar as Forças Armadas na Guerra do Vietnã.

Nesta quarta, Joe Biden tomou posse após vencer as eleições de novembro — Trump não compareceu à cerimônia, rompendo uma tradição centenária de transferência pacífica de poder nos EUA.

Bolsonaro avisa que o governador João Doria terá o troco em breve. “A hora dele vai chegar”

Nicette Bruno, o vírus e o verme. Por Altamiro Borges. | Desacato

Charge do Frank (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Aliados do presidente Jair Bolsonaro dizem que ele dará o troco no governador de São Paulo, João Doria, em breve. Bolsonaro não perdoa o inimigo político por ter saído vitorioso na guerra pela vacina contra o novo coronavírus.

Desde o fim de semana, quando ficou claro que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovaria o uso da Coronavac, fabricada pelo Instituto Butantan com matéria-prima chinesa, o presidente da República vem se remoendo de raiva e busca uma forma de partir para cima de Doria.

BOLSONARO AMEAÇA – “A hora dele vai chegar”, disse Bolsonaro a alguns interlocutores. Doria posou como o grande salvador da lavoura ao insistir na fabricação da vacina em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O governador paulista tirou do governo federal a tão desejada foto do primeiro brasileiro vacinado em solo nacional contra a covid-19.

A derrota de Bolsonaro para Doria ficou ainda maior porque o governo federal fracassou na tentativa de importar, da Índia, 2 milhões de doses da vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Com isso, só restou ao país, pelo menos neste momento, a Coronavac como opção.

RUMO A 2022 – A meta de Bolsonaro é tirar Doria do caminho para 2022, quando o chefe do Palácio do Planalto tentará a reeleição. E não medirá esforços para isso. Também está decidido que, para conter a perda de popularidade, que começa a aparecer nas pesquisas e nas redes sociais, o presidente reforçará seu antagonismo com o PT, para movimentar seus seguidores.

Resta saber que armas Bolsonaro terá para enfrentar o governador paulista. O que se diz no Palácio do Planalto é que a guerra entre o presidente e Doria vai esquentar — e muito. “Bolsonaro não se dará por vencido. Ele está com o ego muito ferido”, diz um integrante do governo.

Acuado pela própria incompetência, Jair Bolsonaro sobrevive de blefes e mentiras

Charge do Duke (domtotal.com.br)

Marcelo Copelli

Diante da pressão que recai sobre o governo federal, Bolsonaro, mais uma vez, apelou para a ameaça travestida pelo blefe da cínica ironia, e declarou que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

O presidente se esforça, com as suas ralas cortinas de fumaça e o seu incipiente discurso, para desviar a atenção do fracasso no qual está atolado, protagonizando uma gestão cujo semblante se reconhece, até mesmo internacionalmente, pela absoluta falta de competência que traça os seus caminhos.

NEGACIONISMO – Descendo a ladeira, Bolsonaro, o defensor da cloroquina, fez questão de configurar-se como um dos poucos e infelizes exemplos em todo o mundo que, durante a crise sanitária, optou não somente pelo negacionismo, mas, sobretudo, pelo deboche e pelo descaso, lavando as mãos e remando contra a imperativa e cruel realidade instaurada pela falta de estrutura da saúde pública, que sempre demandou urgência, rubricada pelas milhares de mortes e pelas covas abertas.

O presidente nunca se responsabilizou por qualquer desventura. Sempre teve o nome dos “culpados” na ponta da língua, acusando e descartando ministros “desalinhados”, colocando na conta do Supremo e do Congresso, ou mesmo jogando no colo da imprensa. 

EVOLUÇÃO DA “GRIPEZINHA” – Segundo Bolsonaro, a pandemia era uma “gripezinha”, que  passou a ser uma invenção da oposição para derrubá-lo e depois se tornou uma conspiração comunista internacional que matou milhares de pessoas somente para atingi-lo, refletindo a grandeza que julga possuir o nosso esboço de Donald Trump tupiniquim.

Fica a dúvida se as narrativas presidenciais são frutos de sua criatividade, se representam um caso patológico, merecedor de estudo ou internação, ou ainda se simplesmente refletem a insensibilidade do falso Messias sobre as demandas da população.

REALIDADES OPOSTAS – Assistir ao mandatário comemorar a possibilidade de estudos de novas vacinas serem reprovados, só para que tivesse razão como seu opositor, representa o quão distante está a dura realidade da sociedade que agoniza e a fatídica fantasia desenhada pela mente conturbada do gestor que não aceita ser contrariado.

Ainda sem entrar no mérito das acusações envolvendo o restante do seu clã, com filhos que também figuram na política, e que acreditam cegamente terem sido simultaneamente eleitos presidentes da República coadjuvantes em 2018, não há muito o que esperar de Bolsonaro, ao menos em questão de progresso e desenvolvimento do País.

Isso porque durante as décadas nas quais dormitou no Legislativo, deu robustos sinais de sua falta de comprometimento e irresponsabilidade em sucessivos mandatos. Afinal, qual a magnitude de seus projetos ao longo de todos os anos em que foi deputado? Qual a causa efetivamente defendida em prol de uma sociedade mais justa?

PROMESSAS – Sua conduta se resumiu às promessas de armar a população, ao invés de reforçar uma segurança pública que já é paga pelo cidadão-eleitor, destratar segmentos que até hoje julga como sendo minorias, e a promoção da cultura do ódio e da desinformação. O resto, foi confeito.

Quando Bolsonaro, diante de seu cercadinho de apoiadores, conta suas anedotas e faz as esdrúxulas ameaças, respaldadas por uma perigosa necropolítica, não só despreza a importância do cargo para o qual foi eleito, mas também esfrega na cara sofrida do Brasil que o ruim pode ainda piorar. E muito. Movidos pela cólera insubmissa que nos aflige, fica a pergunta, parafraseado o rei Juan Carlos, afinal, “por que não te calas ?”

Ainda restam dois anos de gestão, salvo o caso de uma providencial abreviação impeditiva. Mas fica uma certeza; se a população brasileira tinha que passar por provações, com Bolsonaro entrou na fila pelo menos umas três vezes. Está pago e ainda ficará crédito na conta. 

Precisamos vacinar o povo contra esse vírus brasileiro chamado Jair Bolsonaro

Cresce mobilização nas redes sociais por impeachment 'urgente' de Bolsonaro

Charge do Laerte (Arquivo Google)

Francisco Bendl

Perdi as contas de quantas vezes baixei hospital para me conceder alguns dias de vida a mais. Anteriormente, o máximo que fiquei numa UTI havia sido dois dias. Semana passada baixei no domingo, fui para a cirurgia na segunda, e sai da UTI no sábado!

Seis dias ligados a aparelhos, fios, monitores, sondas, sem poder me mexer (certamente devo ter resgatados muitos pecados que cometi nesta vida e nas anteriores). No sábado pela manhã, finalmente no quarto!

TOMAR UM BANHO – Um pouco de vida, de eu poder sair da cama – auxiliado, claro -, ir ao banheiro, tomar um banho e, para inveja de vocês, com uma enfermeira ao lado!

Che, que sensação mais estranha e, ao mesmo tempo excitante, uma mulher que jamais eu vira nos meus 71 anos me dar banho, e de corpo todo, pois eu estava há uma semana somente deitado na cama da UTI.

Da mesma forma que, nas minhas altas hospitalares, eu saía com vários questionamentos, desta vez mais ainda, pela gravidade da minha situação, que não se pode dizer que foi resolvida com a substituição da válvula aórtica mas, se poderei mantê-la por um certo tempo, que dependerá da minha conduta diante da gravidade e fragilidade que me encontro com relação à saúde.

DIETA RIGOROSA – Alimentos, bebidas, obediência irrestrita aos horários dos medicamentos, exames semanais e nada de exageros – tipo uma Coca-Cola gelada com um sanduíche de pão caseiro, queijo e manteiga, nem pensar!

Churrasco de costela gorda, farinha de mandioca …  somente por escrito ou na lembrança. Ou eu colaboro com a nova válvula ou ela vai me mandar embora de vez, e em seguida.

Mas, permaneci sem saber de nada do país na semana que estive na UTI. Até domingo, quando a TV do quarto mostrou o Fantástico, que olhei os problemas de Manaus, e as pessoas nas UTIs dos hospitais locais morrendo por falta de oxigênio!  Pois eu quase enfartei depois da notícia!

GOVERNO MALDITO – Por um momento, eu quis sair pela janela do hospital através de uma maria-teresa – para quem não sabe, é uma corda feita de lençóis amarrados uns aos outros, com que se escapa de alturas onde não seria possível pular.

Que governo maldito é este? Que presidente desgraçado é este? Que ministro da Saúde criminoso é este? Pazuello entende tanto de logística quanto o meu amigo Fallavena sabe sobre motor de helicóptero!

Alguém que tenha mais idade do que eu lembra de algo parecido no Brasil? Pessoas morrerem asfixiadas, em desespero indescritível à procura de oxigênio para sobreviver?! O ministro da “Saúde” entende tanto do seu setor, quanto o meu caro amigo Vicente Limongi sabe os porquês de haver cobras venenosas e outras não!

CONGRESSO CÚMPLICE – O que estaria faltando para Bolsonaro levar um pontapé na bunda e ser deposto? Apesar de ser o antro de venais, até que ponto este Congresso de ladrões e corruptos será cúmplice nas tragédias de vidas brasileiras, que estão morrendo dentro e fora dos hospitais pela pandemia?

As notícias atuais dizem que tanto o ladrão Lira quanto o meliante Baleia, declararam que a prisão em segunda instância não é relevante;

A Assembleia de São Paulo gastou 30 milhões em reformas, e o país não tem dinheiro para comprar gaze e esparadrapo! As brigas públicas das vedetes Dória, Pazuello, Bolsonaro … seguem na intenção do aproveitamento político da pandemia.

BRIGA POLÍTICA – O povo que se lixe; o importante é a questão entre esses palhaços que nos governam! No Planalto – pasmem! -, a ordem é ofuscar qualquer brilho que favoreça Dória na vacinação de São Paulo!

Não não, nada de mais vacinas, postos de atendimento, auxílio para a Região Norte, onde a pandemia não tem mais controle …

A questão que perturba Bolsonaro, o Flagelo do Brasil, é a política. E nada de vacinas, seringas, sequer um plano nacional de imunização dos cidadãos desta nação destruída, governada por um insano, um demente, um genocida!

A IMAGEM DO PAÍS – O mais grave, que demonstra cabalmente como estamos de prestígio no exterior, ou seja, não valemos nada, diz respeito à Índia! A nação está exportando vacinas para alguns países, menos para o Brasil!

Celso Amorim, duramente criticado quando chanceler de Lula, inclusive por mim, se comparado ao atual, Ernesto Araújo, seria o mesmo que avaliarmos o Airbus A-380 com um teco-teco, respectivamente!

Lula, em 2009, quando foi um dos participantes da fundação do BRICS (Brasil, China, Rússia, África do Sul e Índia), caso esta organização tivesse sido mantida mesmo que por interesses comerciais, hoje o Brasil estaria numa situação infinitamente melhor, que a opção de Bolsonaro pelo seu colega igualmente insano, Donald Trump, que hoje será enxotado da Casa Branca!

E AS FORÇAS ARMADAS? – Mais uma vez, repito as perguntas que tenho feito ultimamente: Onde estão as FFAA?! Onde estão nossos generais, almirantes, brigadeiros, que assistem inertes o que está acontecendo com o povo e país, e pouco fazem ou providenciam medidas para aplacar as mortes do nosso povo, que ultrapassam 210 mil pessoas??!!

O nosso vice-presidente quando inventa de dar declarações, suas palavras são sempre um desastre: “As Forças Armadas não estão ligadas a qualquer ideologia política”.

Pode até ser, mas, em compensação, os militares estão tendo parte ativa na destruição do Brasil e aprofundamento da corrupção em todos os segmentos nacionais!

VÍRUS BRASILEIRO – Tive alta ontem, terça-feira. Escrevo este comentário hoje, quarta-feira, pela manhã. Durante a viagem até a minha casa, eu me perguntava:

– Por que saí do hospital? Prorrogar a minha vida para eu assistir tragédias e torturas pessoais? Para  ver pessoas morrerem sem terem como respirar? E assistir à  suprema humilhação para Bolsonaro e seu falso patriotismo, com a Venezuela oferecendo oxigênio para o Brasil? A Venezuela?

Quero voltar para o hospital imediatamente! O Brasil chegou no seu Dia D e na sua Hora H. Ou nos livramos desta gentalha ou, então, aprontem-se para chorar por mais de um milhão de mortos ocasionados por… Bolsonaro, o nosso vírus brasileiro!

Há quem queira que todos “fiquem em casa”, enquanto sai para jogar futebol ou ir à praia

A pandemia acabou? Praias voltam a ficar lotadas no Rio e no litoral de SP | Exame

A pandemia acabou? As praias já voltaram a ficar lotadas…

Luís Ernesto Lacombe
Gazeta do Povo

A verdade absoluta está acima da capacidade de percepção humana, mas isso não nos dá o direito de usar critérios tortos, de não ter critérios justos, de usar um duplo padrão, nossas preferências e nossos interesses para decidir o que é certo e o que é errado, o real e o imaginário. Verdades não se criam. Deduções e interpretações são sempre questionáveis. O mundo é feito de opiniões diversas, prova e contraprova, argumento e contra-argumento, tese e antítese. O autoritarismo, as ideias impostas, a censura de qualquer espécie, a questionamentos e indagações, a censura a qualquer pessoa, isso ninguém deveria aceitar.

O duplo padrão e a falta de critérios são uma praga mundial e permeiam tudo o que estamos vivendo. Vale clamar pelo “autoritarismo necessário” e acusar os outros de fascistas. Vale citar a “ciência, ciência, ciência” ou dizer que “não devemos ser tão cientistas”.

LIBERDADE VIP – Vale defender todas as vidas, mas desejar a morte, o suicídio de alguns. Vale exigir que todos se tranquem e sair para jogar futebol, sinuca, para pegar uma praia. Vale não usar máscaras, mas exigir que os outros usem, aglomerar e condenar aglomerações. Vale dizer, sem ter como provar, que salvou milhares de vidas. Vale trancar tudo e partir para uma “liberdade vip”.

O duplo padrão e a falta de critérios são uma praga mundial e permeiam tudo o que estamos vivendo. Os hipócritas, demagogos, oportunistas e egoístas, tentando sinalizar virtudes, também são dados a condenar pesadamente o protesto de uma juíza num shopping e ignorar os absurdos que o STF faz quase todos os dias.

Querem restringir de todas as maneiras a liberdade de expressão, interditar o debate, impor um pensamento único. Querem decidir o que se pode e o que não se pode falar, controlar o comportamento humano, impor o “politicamente correto”, exatamente como fazem as grandes empresas de tecnologia.

EXEMPLO DE TRUMP – Banir Donald Trump das redes sociais é um absurdo. Não estou aqui defendendo a invasão ao Capitólio americano, que deve ser repudiada, mas é pura interpretação dizer que o presidente dos Estados Unidos “incitou seus apoiadores à insurreição”.

E o que fez a deputada democrata Maxine Waters? Na rua, microfone na mão, pediu que integrantes do governo Trump fossem perseguidos em restaurantes, lojas, aeroportos…

Kamala Harris, vice-presidente eleita, fecha os olhos para a violência dos “antifas” e do movimento Black Lives Matter. Ela quer libertar integrantes desses grupos, presos no ano passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante artigo enviado por Mário Assis Causanilhas, sempre atento aos direitos civis. O autor é o jornalista Luís Ernesto Lacombe, que faz uma defesa irretocável da liberdade de expressão, um dos principais direitos humanos. Mais do que ninguém, Lacombe sabe o que está falando, pois foi demitido da Band por defender teses do presidente Bolsonaro. Como dizia Carlos Imperial, sem liberdade para defender, atacar não tem a menor validade. (C.N.)