Processo do golpe coloca em dúvida a credibilidade dos chefes militares

Reinaldo Azambuja recebe comandante do Exército Brasileiro – Agência de  Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul

Freire Gomes esqueceu muita coisa importante ao depor

João Rosa
da CNN

O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, decidiu participar presencialmente da acareação com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A informação foi comunicada nesta quarta-feira (17), ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela defesa do militar.

Na terça-feira (17), os advogados de Freire Gomes haviam solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que o general fosse ouvido por videoconferência, alegando que o deslocamento de Fortaleza (CE), onde atualmente reside, até Brasília (DF), seria “excessivamente oneroso”.

VOLTOU ATRÁS – Entretanto, a defesa voltou atrás e pediu que o pedido anterior fosse desconsiderado. Em novo ofício, os advogados afirmaram que, “apesar de ser um ato oneroso”, Freire Gomes participará da acareação presencialmente.

“Informa-se que o General Freire Gomes irá participar presencialmente da acareação, em razão do profundo respeito do Ex-Comandante do Exército pelas instituições democráticas e de seu elevado senso de dever cívico”, afirmou a defesa.

A audiência está marcada para a próxima terça-feira (24), às 11h, na sala de audiências do STF. A acareação foi autorizada por Moraes após pedido da defesa de Torres, que apontou contradições entre os depoimentos do ex-ministro e do general.

CONTRADIÇÕES – Segundo os advogados de Torres, os relatos de Freire Gomes contêm “contradições relevantes” e divergem “frontalmente” em pontos considerados centrais para o inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Entre os principais pontos questionados está a declaração de Freire Gomes de que Torres teria participado de uma reunião com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e os comandantes das três Forças Armadas para tratar de temas com teor golpista.

A defesa de Torres sustenta que outros comandantes que prestaram depoimento à Polícia Federal não confirmaram a existência dessa reunião. Tanto Bolsonaro quanto o delator do caso, o tenente-coronel Mauro Cid, também negaram que Torres estivesse presente em qualquer encontro com esse objetivo.

LEMBRANÇA EXCLUSIVA – Os advogados alegam ainda que o general não soube indicar data, local, formato ou os demais participantes da suposta reunião, limitando-se a dizer que “lembra” da presença de Torres. Para a defesa, esse relato enfraquece a credibilidade do depoimento.

A acareação deve confrontar diretamente os dois depoentes sobre esses e outros pontos considerados contraditórios no processo.

Como réu no inquérito, Anderson Torres tem direito de permanecer em silêncio e não se compromete a dizer a verdade, diferentemente de Freire Gomes, que participa como testemunha e, portanto, é obrigado a falar a verdade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ triste constatar que esse inquérito do fim do mundo está bagunçando a credibilidade dos comandantes militares brasileiros. Freire Gomes, do Exército, é desmemoriado: esqueceu quem estava na estratégica reunião sobre a minuta do golpe e não lembra também que o general Estevam Theophilo fez-lhe uma visita à noite, para relatar o encontro com Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Dizem que ficou aborrecido porque Estevam aceitou ir sozinho e por isso agora se vinga, fazendo o general passar por mentiroso e correr o risco de ser condenado injustamente. As defesas de Torres e de Estevam deveria exigir que Freire Gomes faça exame de Parkinson e Alzheimer. Talvez esteja doente e até agora não percebeu. (C.N.)

Acareação com Braga Netto é o pior momento para Cid, avaliam militares

Delação de Mauro Cid pode ser anulada após indícios de mentira ao STF

Se Mauro Cid mentiu, a situação se complicará para ele

Jussara Soares
da CNN

A acareação do tenente-coronel Mauro Cid com o general Walter Braga Netto, marcada para próxima terça-feira (24), é considerada por militares e aliados o pior momento para o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) ao longo do processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país.

O tenente-coronel, que tem um acordo de colaboração premiada, ficará frente-a-frente com o general de quatro estrelas e ex-ministro da Defesa.

CARA A CARA – Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Braga Netto, preso em uma unidade do Exército no Rio de Janeiro, terá que ir pessoalmente a Brasília para a acareação. No interrogatório no início de junho, o general participou por videoconferência.

Agora, Cid terá de sustentar, diante de um superior hierárquico, o que disse na delação e repetiu no interrogatório: que Braga Netto era o elo entre Bolsonaro e movimentos golpistas e que recebeu do general dinheiro, em uma sacola de vinho, no Palácio do Alvorada.

A ideia, segundo Cid, era que o montante fosse entregue a militares que tramavam um plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Braga Netto nega a versão de Cid e diz que o ex-ajudante de ordens mente.

PRESSÃO EXTRA – A avaliação entre militares é que a “hierarquia e disciplina” do Exército possa exercer uma pressão extra em Mauro Cid, como também poderá ser usada por Braga Netto para desestabilizar o tenente-coronel durante o confronto de versões. Para integrantes da Força, aliás, é nisso que o ex-ministro aposta para desqualificar a delação.

O general conhece Cid desde criança, pela amizade com o pai do tenente-coronel, o também general Mauro Lourena Cid.

O ex-ministro da Defesa foi preso em dezembro de 2024 por tentativa de obstruir a investigação da trama golpista através de contato com familiares do delator.

PIOR MOMENTO – Para pessoas próximas, o confronto com Braga Netto é pior do que quando Cid, em março de 2024, teve de explicar ao STF o vazamento de um áudio em que criticava a investigação e saiu da audiência preso. O tenente-coronel passou mal na ocasião.

Aliados também avaliam que o momento será ainda mais tenso do que quando, em novembro de 2024, Cid depôs diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, para esclarecer omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal. Foi neste depoimento que o tenente-coronel mais implicou o general. Braga Netto foi preso dias depois.

Durante o interrogatório no início de junho, Mauro Cid, que era considerado um militar em ascensão na Força, prestou continência aos generais Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; e a Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército – também réus por tentativa de golpe. O clima, na ocasião, foi ameno. Com Braga Netto, a expectativa é de que não haverá espaço para cordialidades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vai ficando cada vez mais claro que Mauro Cid desde o início apoiava a conspiração. Depois que foram identificadas as contradições em seus depoimentos, o tenente-coronel se desesperou e passou a fazer acusações sem a menor base, só para agradar Moraes, como dizer que Alexandre Ramagem era um dos líderes. Como isso poderia ser verdade, nos meses finais de 2022, se desde abril daquele ano Ramagem estava morando no Rio, fazendo campanha como candidato a deputado? Como ele poderia integrar o núcleo 1, estando a mais de mil quilômetros de distância? É acusação que não se sustenta, pois não tem lógica. (C.N.)

Prisão de coronel “em tese” é balde de água fria para Bolsonaro e outros réus

Alexandre de Moraes: quem é o ministro do STF? | InfoMoney

Moraes acaba de inventar mais uma — a prisão “em tese”

Bela Megale
O Globo

A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prender o coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro, investigado na trama golpista, foi um banho de água fria na estratégia de defesa do ex-presidente e dos demais réus.

Moraes ainda ordenou a abertura de um inquérito contra Câmara e seu advogado, Eduardo Kuntz, por obstrução de Justiça. O motivo são os contatos que o advogado manteve com o tenente-coronel Mauro Cid sobre a delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

DELAÇÃO MANTIDA – Para os advogados dos investigados, a ação do magistrado é um sinal de que pretende manter a validade da colaboração de Cid que foi questionada pelas defesas de Bolsonaro, do general Walter Braga Netto e até pelo próprio Kuntz.

Na peça que apresentou seus diálogos com o ex-ajudante de ordens ao STF, o defensor de Marcelo Câmara pediu a anulação do acordo de Cid, sob o argumento de que a tratativa não teria sido voluntária. Na conversa com Kuntz, o militar fez críticas à forma como sua delação foi conduzida pela Polícia Federal e pelo Supremo.

A defesa de Bolsonaro se utilizou da troca de mensagens entre Kuntz e Mauro Cid para fazer um novo pedido de anulação da colaboração do tenente-coronel, que já foi negado por Moraes.

“GABRIELAR702” – O primeiro advogado a abordar o tema foi Celso Vilardi, defensor de Bolsonaro que questionou Mauro Cid, em seu depoimento, na semana passada, se conhecia o perfil “GabrielaR702”. Foi essa conta, segundo Kuntz, usada pelo ex-ajudante de ordens para contatá-lo no início de 2024.

Na versão de Kuntz, ele só apresentou as mensagens agora ao STF, apesar de ter o conteúdo há mais de um ano, porque este seria o “momento oportuno” para a defesa de seu cliente, Marcelo Câmara.

O advogado estava convencido de que havia dado um xeque-mate no ministro Alexandre, até ser surpreendido pela decisão desta quarta-feira (18).

ALEGAÇÕES DE MORAES – Na peça, Moraes afirmou que “o réu (Câmara), por intermédio de seus advogados, tentou ‘a obtenção de elementos de informação complementares e destinados à construção de acervo probatório e instrutório’, consistindo, no caso concreto, na obtenção de informações sigilosas acerca do acordo de colaboração premiada do corréu Mauro César Barbosa Cid.”

O ministro ainda disse que a comunicação entre ambos “pode caracterizar, em tese, o delito de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Prender “em tese” um suspeito, sem flagrante delito, é mais um exagero de Moraes, que está pouco ligando para o que dizem as leis. Prender um suspeito “em tese” é rasgar a Constituição e os direitos individuais. Mas quem se interessa? (C.N.)

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é a atual política brasileira

Charges para rir, chorar e pensar a política dos nossos dias – livro leve  solto

Charge do Glauco (Arquivo Google)

Bolívar Lamounier
Estadão

Faz tempo que a discussão sobre o ajuste orçamentário insipidou o noticiário brasiliense; desculpem-me, pois, os leitores se retorno a três outras coisas insípidas que me empenho em lhes expor a cada duas semanas.

O primeiro dos três é Lula, que não é propriamente um aborrecimento, mas uma preocupação que ainda aflige todos nós, brasileiros. O segundo é nosso desinteresse pela política, de modo geral, no qual chegamos a intuir algo de errado, mas carecemos de potência para sobrepujar nossa preguiça e o gozo de alguns prazeres que, bem ou mal, vez por outra nos é dado desfrutar. O terceiro, que na verdade é um resumo dos dois anteriores, é a certeza de que, mesmo se tivéssemos as qualidades que a situação requer, o esforço individual de cada um não faria grande diferença.

LULA DESCARTADO – Comecemos, pois, pelo começo, ou seja, por Lula. No ponto em que nos encontramos, a opinião pública parece dividida em duas partes: de um lado, a dos que temem que ele não se reeleja; e, do outro, a dos que até pensam em mudar de país caso ele saia vitorioso.

Com essa primeira questão, digo-lhes sinceramente: não estou convencido de que ele sequer se candidate e, caso o faça, não logrará a vitória.

Digo isso por várias razões. Não tanto pela idade avançada, que por ora não lhe parece tolher a saúde, mas porque, nessa altura, mesmo os grandes estadistas sentem que a memória de seus grandes feitos empalidece, ao mesmo tempo que as delícias da nona década se vão delineando com maior clareza.

MENOS AMOR – A essa cogitação há que acrescentar que Lula, mesmo modesto como é, percebe que já não é tão amado como foi outrora.

A inflexão que o levou a ser admirado no mundo inteiro vai aos poucos se invertendo, transformando-se numa curva assintótica. Por último, a lucidez não o abandonou.

Se o próprio governo admite que nosso país pode resvalar para uma crise dentro de dois anos, que cenário lhe virá à mente quando pensar naquela outra, verdadeiramente macabra, que muitos economistas consideram quase inexorável, 15 ou 20 anos a partir de hoje?

POLÍTICA REJEITADA – O segundo aborrecimento que prometi lhes trazer é a coceira que o simples vocábulo política nos causa. Essa é a sensação predominante entre os cerca de 8 bilhões de seres humanos que ora habitam a Terra. No Brasil, indagado sobre o que entende por política, a resposta mais provável será que nunca pensou e não pretende pensar no assunto.

Os mais “politizados” dirão que são as falcatruas que soem ocorrer cotidianamente em Brasília. E os congressistas? E os integrantes do “Centrão”? Sobre estes, meu hipotético cidadão com certeza dirá que poderá oferecer seu voto e algum outro penduricalho em troca de um emprego para um parente ou amigo ou de algum benefício em seu município.

Sobre a gritaria e os insultos que de tempos em tempos se ouvem nos plenários e comissões, ele admitirá que se trata de uma questão filosófica mais complexa, quem sabe algo que traz alojado no subconsciente desde o tempo das cavernas.

ESTUDO SÉRIO – Quem contra-argumentar que o estudo sério da política, refazendo todo o caminho de Aristóteles até (por que não?) alguns dos melhores brasileiros, pode ser uma experiência prazerosa e útil, quiçá exponha os ouvidos a uma sonora gargalhada.

O leitor por certo terá entendido que estou me referindo ao Brasil, mas poderia ser a qualquer país, até os Estados Unidos, aquele Dr. Jekyll que parece estar agora se transformando em Mr. Hyde. Sob Donald Trump, a outrora “democracia exemplar” (e nem era tanto) parece estar resvalando para uma caricatura de si mesma.

No terceiro ponto que me pareceu merecer atenção, devo admitir que meu hipotético cidadão tem boa dose de razão. Se a indagação que lhe fizemos diz respeito a uma coletividade de grande porte – a um país, mesmo dos menos populosos –, é certo, certíssimo, que a participação individual pode ser comparada a um grão de areia.

GRANDE E PEQUENO – Claro, nosso hipotético interlocutor será milhares ou milhões de vezes maior se for um daqueles 3% ou 4% que detêm metade da renda e da riqueza do País, mas, no Brasil, será meio grão de areia, se tanto, se ele for um dos 30% inteiramente destituídos da sorte, que não sabem hoje o que vão comer amanhã – este cidadão que mal se vê como membro de um país e tampouco compreende o que significa identificar-se com uma “nação” ou com uma “esfera pública”. Ora, se assim é, o leitor que chegou até aqui poderá objetar: para quê, então, dar-lhes atenção?

Aqui, precisamente, é onde podemos cogitar que algumas dúzias de grãos de areia podem se ver e ser vistas como uma fração considerável de uma grande praia; compreender ou não as realidades que esbocei no parágrafo anterior.

E, por conseguinte, dispor-se ou não a fazer ao menos um modesto esforço para levar a sério o vocábulo “política” equivale à diferença entre um cidadão e um marginal. Ou, dizendo-o de outro modo, equivale à diferença entre ter e não ter caráter. A merecer ou não merecer ser tido como parte de uma nação.

Reeleito por milagre em 2026, Lula teria mínimas condições de governabilidade

Nova cara do governo Lula - Paçoca com Cebola

Charge do Benett (Folha)

Marcus André Melo
Folha

Em um cenário de reeleição, as condições de governabilidade seriam críticas, e acentuariam as patologias atuais

As defecções no âmbito da coalizão de governo e a fragmentação da centro-direita e da direita radical, a pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, tem sido o foco das atenções. Para além dos fatores que levam às defecções —o declínio da popularidade presidencial e da avaliação de governo— há questões relativas à influência do controle massivo daquele campo político sobre o Congresso e no nível subnacional, e como esse controle impacta a eleição presidencial.

Os efeitos das eleições em um nível —presidencial— sobre os demais, e vice-versa, é tema clássico da ciência política (coattails effects, no jargão).

CORRELAÇÃO – No Brasil, a eleição de um prefeito impacta a subsequente eleição de deputados federais do mesmo partido no município em aumento da ordem de 30%, em estimativa de Avelino et al. Neste caso é um coattail inverso, discutido aqui.

O tamanho da representação legislativa sobre a eleição presidencial impacta a presidencial —embora o processo seja de mão dupla— através de vários canais. O principal e direto no país é através do financiamento partidário (que é proporcional às bancadas), cuja magnitude não tem paralelos em outros países, e pode ser canalizado para a eleição presidencial. O segundo é através do impacto indireto da própria campanha nos estados, afetando o sentimento do eleitor em contextos polarizados.

ASSIMETRIA CLARA – O efeito é maior entre eleitores sem lealdades partidárias ou personalistas. O controle massivo da centro-direita e direita radical sobre o Congresso impactará a eleição presidencial e é tema para investigações futuras.

A assimetria é clara. Além do PT deter apenas 13% das cadeiras do Congresso, não tem representantes nas bancadas de seis estados brasileiros, inclusive em um estado nordestino, Sergipe. Em nove estados, o partido tem apenas um representante.

Afora o Piauí —um outlier— estado pequeno onde detém 40% da bancada, o partido tem presença pouco significativa nas bancadas dos grandes estados como São Paulo (13, 9%), Rio de Janeiro (8,2%), Bahia (17%), Minas Gerais (18,5%).

PDT MURCHA – O segundo maior partido de esquerda —o PDT— viu sua bancada se reduzir a apenas 3,4% da Câmara em 2024.

A recém-criada federação União Brasil-PP contará com bancadas superiores, ou muito superiores, a 20%, em 19 estados. Em três destes terá maioria ampla, chegando a 75% no Acre. O PL conta com nove estados em que detém pelo menos 1/5 do eleitorado, e chega a 50% em Mato Grosso e quase 40% em Santa Catarina.

No plano municipal, o PT detém apenas 4,5% das prefeituras do país. Aumentou o número de prefeituras em 2024 (252) —menos que o dobro do PL, em relação à 2020, em proporção inferior aos demais partidos. Já não governava nenhuma capital em 2020, e passou a fazê-lo apenas em uma (Fortaleza).

CENTRÃO CRESCE – O grande vencedor das eleições foi o PSD (com mais de 800 prefeituras). Juntos, PSD, PL, MDB e União-PP governam quase 3.000 prefeituras. O efeito agregado sobre a composição futura da Câmara será expressivo em virtude do controle que exercem sobre emendas orçamentárias.

Paradoxalmente, neste cenário de reeleição, as condições de governabilidade seriam críticas no pós-2026, em que as patologias atuais provavelmente se acentuarão.

Jogue-se a superbomba no bunker nuclear do Irã. É dever moral absoluto

B-2 Spirit - Coluna Mario Sabino -- Metrópoles

A bomba é tão pesada que só este avião pode transportá-la

Mario Sabino
Metrópoles

A questão essencial do conflito entre Israel e Irã é, hoje, jogar a bomba ou não. A bomba, no caso, é uma superbomba americana, a GBU-57. Trata-se de um “bunker buster”, o único destruidor de bunkers capaz de atingir a instalação nuclear iraniana de Fordow, um imenso complexo situado a 100 metros de profundidade, no interior de uma montanha.

A GBU-57 é tão pesada que só o bombardeiro B-2 Spirit, que tem o aspecto de um morcegão, é capaz de transportá-la.

SUPERPROTEGIDO – Ninguém instala centrífugas que enriquecem urânio para fins pacíficos em um bunker como o de Fordow, vamos deixar de fazer gracinha ideológica, e dada a sua profundidade e camadas de proteção em cimento e aço, ele se mantém praticamente incólume até o momento — a força aérea israelense conseguiu danificar apenas a sua parte mais externa.

A questão essencial do conflito entre Israel e Irã é precedida por outra: como só os Estados Unidos dispõem da GBU-57, lançá-la contra Fordow significa que os americanos teriam de participar diretamente de um ataque contra o Irã.

Os Estados Unidos devem ou não entrar de modo aberto nessa história?

DÚVIDA CRUEL – Acho até graça quando dizem que o ação militar de Israel no Irã “desestabilizou” o Oriente Médio. Por causa do regime iraniano e das suas guerras por procuração, a região era tão estável quanto um borderline estressado e sem medicação perdido em um souk sírio.

Ao atacar o Irã, depois de praticamente exterminar o Hamas e o Hezbollah, fantoches de Teerã, o que Israel fez foi escancarar a verdadeira face da ditadura iraniana e a sua mentira de que o programa nuclear dos aiatolás não visa a fabricar bombas atômicas.

A destruição do bunker nuclear de Fordow é um imperativo categórico, um dever moral absoluto: um regime terrorista como o iraniano não pode, de jeito nenhum, dispor de armas nucleares. Já basta existir uma Coreia do Norte atômica.

FATO CONCRETO – Todos os aspectos políticos envolvidos, como o do fortalecimento de Benjamin Netanyahu e o da desmoralização da retórica isolacionista de Donald Trump, empalidecem diante deste simples fato: sem a eliminação de Fordow, Israel continuará a ser ameaçado existencialmente por um regime que prega a aniquilação do Estado judaico.

Poupar Fordow significará, ainda, dar um sopro de vida extra à ditadura sanguinária de Ali Khamenei, que hoje parece estar por um fio e que já pede arrego.

Jogue-se a bomba no bunker nuclear iraniano ou teremos um Strangelove xiita. A GBU-57 é uma chance de paz duradoura.

Acareação com Torres indicará que um ex-comandante militar mentiu

Divergência é questão de interpretação, diz advogado de Freire Gomes | Blogs | CNN Brasil

Um dos dois mentiu: Freire Gomes ou Baptista Júnior?

Rafael Moraes Moura
O Globo

A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pretende explorar na acareação com o ex-comandante do Exército Freire Gomes uma contradição nos depoimentos dele e do ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior: a versão de cada um deles sobre a suposta participação de Torres em reuniões para discutir medidas que poderiam ser tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro para impedir a posse do presidente Lula.

A acareação foi marcada para a próxima terça-feira (24) pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que atendeu ao pedido da defesa de Torres.

REUNIÃO DUVIDOSA – O principal ponto a ser explorado pela defesa do ex-ministro é a divergência dos dois comandantes sobre se Torres participou ou não de uma reunião em que alternativas golpistas foram discutidas.

Em depoimento prestado no mês passado, Freire Gomes disse se lembrar “de apenas uma vez, ou duas no máximo” em que Torres se reuniu com os ex-comandantes para “explicar juridicamente algum ponto ali”. “Ele nunca interferiu, nunca me procurou particularmente e, mesmo nas reuniões, ele não opinava sobre esse assunto, que eu me lembre”, disse Freire Gomes.

Já Baptista Junior, que deu um dos depoimentos mais contundentes contra Bolsonaro, mudou de versão sobre o papel de Torres na trama golpista.

BAPTISTA SE CORRIGE – Em fevereiro de 2024, ele disse à Polícia Federal que Torres “chegou a participar de uma reunião em que os Comandantes das Forças estavam presentes”, procurando “pontuar aspectos jurídicos que dariam suporte às medidas de exceção (GLO e Estado de defesa)”.

No mês passado, Baptista Júnior se corrigiu. “Eu conheço o meu depoimento (à PF), estava à vontade no meu depoimento. Quando foi quebrado o sigilo (das declarações), eu vi a reação do ministro Anderson Torres e fiquei em dúvida. Gostaria de fazer uma retificação – acho que em tempo. Não tenho a mesma certeza sobre a participação de Anderson Torres em alguma reunião.”

A defesa do ex-ministro, capitaneada pelo advogado Eumar Novacki, vai exigir que o ex-comandante do Exército informe a data, hora e local dessas reuniões.

VERSÃO DE CID – Além de colidir com o depoimento de Baptista Junior, a versão de Freire Gomes também vai contra a versão apresentada pelo próprio delator do caso, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que fundamentou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente e outros 33 alvos.

Em seu interrogatório na semana passada, Cid disse que Torres não esteve presente em qualquer reunião que tenha girado em torno de discussões sobre medidas antidemocráticas nem assessorou Bolsonaro nesse tema.

ENTRADA E SAÍDA – Na petição protocolada no Supremo na última segunda-feira (16), o advogado recorre a um relatório de entrada e saída do Palácio do Alvorada com as movimentações de autoridades em dezembro de 2022, para alegar que Freire Gomes e Torres “jamais estiveram juntos no mesmo horário/local”.

“A vagueza do depoimento prestado por Freire Gomes salta aos olhos. A testemunha não se recorda de data, horário, local ou nome dos participantes da suposta reunião na qual Anderson Torres assessorou o ex-presidente, nem, tampouco, em que contexto ela ocorreu ou o papel desempenhado por ele, a caracterizar hialina violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da dialeticidade”, escreveu Novacki.

O que diz a defesa do general? Procurada pelo blog, a defesa de Freire Gomes alegou que a acareação do general Anderson Torres é “desnecessária, porque o ex-comandante do Exército falou a verdade em todos os seus depoimentos, sem contradições”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O inquérito do fim do mundo é um verdadeiro festival de mentiras. Como dizia Erasmo Carlos, “pega na mentira, pisa em cima, bate nela!”. (C.N.)

Os argumentos de defesa do poeta Bastos Tigre são uma aula de bom humor

Bastos Tigre – PoemasPaulo Peres
Poemas & Canções

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano Manoel Bastos Tigre (1882-1957) no soneto “Argumento de Defesa” ao ser acusado de caluniar uma senhora, apresenta o seu melhor argumento de defesa, embora preconceituoso, ou seja, ele sempre a achou feia demais para não ser honesta.

ARGUMENTO DE DEFESA
Bastos Tigre 

Disse alguém, por maldade ou por intriga,
que eu de Vossa Excelência mal dissera:
que tinha amantes, que era “fácil”, que era
da virtude doméstica, inimiga.

Maldito seja o cérebro que gera
infâmias tais que, em cólera, maldigo!
Se eu disser tal, que tenha por castigo
o beijo de uma sogra ou de outra fera!

Ponho a mão espalmada na consciência
e ela, senhora, impávida, protesta
contra essa intriga da maledicência!

Indague a amigos meus: qualquer atesta
que eu acho e sempre achei Vossa Excelência
feia demais para não ser honesta…

Só um país pode trazer a paz ao Oriente Médio, mas Trump dificulta qualquer acordo

Pelo menos 95 pessoas ficaram feridas nos ataques de Israel contra o Irã |  Jovem Pan

Bairro residencial foi atingido por míssil israelense em Teerã

Joel Pinheiro da Fonseca
Folha

O regime fundamentalista do Irã tem como ponto ideológico inegociável varrer Israel do mapa e está buscando os meios militares para realizar esse intento. Além disso, patrocina grupos armados que atacam Israel repetidamente. Essa é a justificativa para a ofensiva israelense contra o Irã.

Há uma assimetria na relação Irã-Israel. O Irã deseja o fim de Israel. A recíproca não é verdadeira. Se amanhã o governo iraniano mudasse e os novos mandatários aceitassem a existência de Israel, o conflito cessaria na hora. A recíproca não é verdadeira: mesmo se um governo pacifista vencer em Israel, isso em nada mudaria a linha oficial do regime iraniano de varrê-lo do mapa.

IRÃ ENFRAQUECIDO – Israel aproveitou uma janela de oportunidade. O Irã está enfraquecido, agora que as milícias por ele patrocinadas —os houthis, o Hezbollah, o Hamas— estão debilitadas, e o regime sírio, que era seu aliado, caiu.

Nos últimos meses, conforme Israel atacava inclusive o território iraniano, a resposta iraniana, embora sempre anunciada em termos duríssimos, foi pífia. O Irã teme mais o confronto do que Israel. Se, contudo, ele desenvolvesse bombas nucleares, isso poderia mudar.

É por isso que o ataque ao Irã consegue um apoio interno muito mais expressivo do que a campanha em Gaza, cuja brutalidade já passou de qualquer limite. Numa pesquisa da Universidade Tel Aviv publicada no domingo, 83% da população judaica israelense apoia os ataques ao Irã.

FORÇAS DESIGUAIS – O sistema de defesa israelense pode não ser perfeito, mas é incrivelmente eficaz. Ele simplesmente anula a imensa maioria dos mísseis e drones iranianos. Israel, por outro lado, acerta alvos específicos dentro do Irã a seu bel-prazer. O aiatolá Khamenei pode continuar com suas ameaças, mas a realidade mostra a desigualdade de poder bélico.

E, no entanto, Israel não tem como vencer sozinho. Invasão por terra está fora de questão de ambos os lados. Bombardeios são tudo o que os dois países podem fazer. Israel precisa de tecnologia americana para atingir as instalações subterrâneas mais profundas do Irã.

Israel talvez consiga matar as lideranças militares, políticas e religiosas, e o caos dos ataques pode dar fim ao regime, mas não teria como escolher seu sucessor. Quem garante que o substituto dos aiatolás seria melhor ou mais favorável a Israel? Por mais que o regime seja odiado por boa parte da população, o ataque de uma potência estrangeira costuma ter o efeito colateral de unir a opinião pública em nome da defesa nacional e a odiar ainda mais o agressor. Israel quer um Oriente Médio ainda mais instável?

MUITO A PERDER – O Irã não tem nada a ganhar com essa guerra e seu regime tem muito a perder. Ele deve buscar a paz, ainda que ceda muito nas negociações. Seja para a paz, seja para a destruição do programa nuclear iraniano, a presença dos EUA é fundamental.

Hoje os EUA viraram espectadores passivos dos conflitos globais. Apoiam Israel, mas deixam que ele faça o que quiser. Algum acordo que ponha fim ao conflito exigirá que coloquem limites a Netanyahu, mesmo que isso prejudique as ambições dos extremistas de seu governo. Quando os EUA se ausentam da política internacional, o resultado não é a harmonia entre os povos, e sim a guerra sem fim.

Derrota anunciada, com o Congresso desafiando o Ministério da Fazenda

Advogado de Mauro Cid está deixando que ele leve pancada de todo os lados

Advogado diz que Cid "assumiu tudo" e não responsabilizou Bolsonaro

Bitencourt não replicou as acusações a Mauro Cid

Roberto Nascimento

Não entendi a tática de defesa do advogado Cezar Bitencourt, manifestamente na retranca, permitindo graves acusações a seu cliente, o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens presidencial na gestão de Jair Bolsonaro.

O experiente advogado César Vilardi, considerado um dos melhores criminalistas do país, defende Bolsonaro e fez um cipoal de perguntas ao réu colaborador Mauro Cid e também combinou perguntas direcionadas a seu cliente Bolsonaro.

ESTRATÉGIA CORRETA – O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Braga Netto, usou a mesma estratégia e colocou Mauro Cid nas cordas com perguntas incômodas. Além disso, também combinou perguntas do tipo vôlei, para levantar a bola e deixar seu cliente Braga Netto cortar.

Perguntado pelo relator Alexandre de Moraes se queria fazer perguntas a seu cliente Cid, o advogado Cezar Bitencourt simplesmente declinou. Portanto, deixou de aproveitar a oportunidade de desconstruir a tática de ataque dos advogados de Bolsonaro e de Braga Neto.

Sabemos que os advogados não duelam entre si, a preocupação é com a defesa dos respectivos clientes. Entretanto, na oitiva dos seus clientes, se nas perguntas outros advogados ou o procurador forem contundentes, o advogado deve contra-atacar na defesa de seu cliente. Cezar Bitencourt, porém, preferiu o silêncio.

LEVANDO PANCADA – Resultado é que o tenente-coronel Mauro Cid está apanhando de todo lado. A mídia não fala em outra coisa, insinuando que o réu colaborador está mentindo e nas redes sociais bolsonaristas o assunto é top 10.

O relator Moraes, atendendo ao amplo direito de defesa, aceitou marcar acareação entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, assim como entre Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. As acareações foram marcadas para o dia 24 de junho, e ocorrerão no próprio STF.

Há muitas contradições nos depoimentos de Mauro Cid que podem provocar outras acareações. Alexandre Ramagem, por exemplo, foi denunciado como um dos principais organizadores do golpe, mas desde abril de 2022 ele não morava mais em Brasília, estava no Rio em campanha para a Câmara.

ESTÁ VIRALIZANDO – Essas lacunas na delação de Mauro Cid estão viralizando. Há o caso do general Estevam Theophilo, que estaria apoiando o golpe, porque atendeu a um convite de Bolsonaro para uma reunião no Palácio da Alvorada.

Ele tem quatro estrelas, era integrante do Alto Comando, que já tinha vetado o golpe. Quem pode imaginar o general indo a Palácio para desrespeitar o Alto Comando e colocar suas tropas à disposição, até porque ele não comandava diretamente nenhuma delas.

O assunto escalou, a ponto de Silas Malafaia entrar no jogo para financiar mais um ato com carro de som. Ao lado de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Sóstenes Cavalcante e Romeu Zema, o piedoso pastor vai pedir, em alto e bom som, a nulidade da delação premiada e a votação da anistia para Bolsonaro, embora esteja inelegível, com duas condenações no TSE.

Empresas de Trump citam novamente Moraes e querem indenização

Alexandre de Moraes diz que papel do STF é evitar ditadura da maioria | Agência Brasil

Moraes não esperava essa reação das empresas de Trump

Hugo Henud
Estadão

O Tribunal do Distrito Médio da Flórida, nos Estados Unidos, expediu nesta terça-feira, 17, uma nova citação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido das empresas Trump Media & Technology Group, ligada ao ex-presidente Donald Trump, e da plataforma de vídeos Rumble.

As companhias, que movem uma ação contra o magistrado, o acusam de censurar conteúdos publicados dessas redes sociais no Brasil.

SEGUNDA TENTATIVA – A nova notificação foi determinada depois que a primeira tentativa de citação, feita em março, foi frustrada. Procurado por meio do STF para comentar o caso, Moraes ainda não se manifestou. O espaço está aberto.

Moraes terá um prazo de 21 dias para apresentar uma resposta formal à ação ou apresentar uma petição para contestar o processo, conforme as regras processuais federais dos Estados Unidos.

Caso não se manifeste dentro desse período, a Justiça americana poderá declará-lo em revelia, permitindo que o caso avance com base apenas nas alegações apresentadas pelas empresas.

INDENIZAÇÃO – A solicitação da nova citação ocorreu após as duas companhias apresentarem, no dia 6 de junho, um aditamento à ação pedindo indenização por supostos prejuízos à reputação, perda de receita e oportunidades de negócio. O pedido foi protocolado no mesmo tribunal da Flórida, onde o caso tramita.

A Rumble e a Trump Media alegam que Moraes violou a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de expressão, ao ordenar a remoção de contas de influenciadores brasileiros de direita na plataforma e por outras supostas “tentativas de censura”.

Na petição do início de junho, as empresas também citaram o inquérito aberto contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como exemplo do que classificam como “abuso de autoridade” por parte de Moraes.

INVESTIGAÇÃO – A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo passou a ser investigado por supostamente buscar sanções internacionais contra o Brasil para pressionar o Supremo.

As empresas pedem que a Justiça americana declare as ordens de Moraes “inexequíveis” em território norte-americano, por violarem a Primeira Emenda.

Também solicitam indenização financeira e a responsabilização pessoal do ministro brasileiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes tirou uma onda de valentão latino, ao enfrentar o império do Norte, pensando que estaria livre de represálias devido às fronteiras diplomáticas, mas a coisa não funciona bem assim. O dedo esticado do Tio Sam acabará por atingi-lo, no mínimo, moralmente. E para que tudo isso? Não era muito mais simples respeitar a lei, ao invés de tentar reinterpretá-la, como se fosse uma tese de mestrado? (C.N.)

Surpreso com nova queda nas pesquisas, Lula vive ‘Adeus, Lênin!’ nos trópicos

PETROBRAS E DENÚNCIAS DE CINGAPURA: “SIM! APURA!” – IPUB – Instituto de  Psiquiatria da UFRJ

Charge reproduzida do Arquivo Google

Bernardo Mello Franco
O Globo

No filme “Adeus, Lênin!”, uma senhora da Alemanha Oriental sofre um infarto, passa meses em coma e acorda sem saber que o Muro de Berlim havia caído. Para protegê-la do choque, o filho esconde a notícia e se esforça para simular um país e de um regime que não existem mais.

Um observador que dá expediente no Planalto cita a comédia alemã como metáfora do momento atual do governo. Dois anos e meio depois de voltar ao poder, Lula ainda não teria despertado para as mudanças na sociedade e na política.

QUEDA NAS PESQUISAS – O descompasso ajudaria a explicar seu mau desempenho nas pesquisas. Na semana que passou, o petista voltou a amargar 40% de reprovação no Datafolha. É o pior patamar já registrado em seus três mandatos. No fim do segundo, em dezembro de 2010, ele era aprovado por 83% dos brasileiros. Só 4% diziam rejeitar sua gestão.

Anos atrás, a popularidade de um presidente costumava espelhar os resultados da economia. Hoje a dinâmica é outra, e Lula se mostra surpreso ao ver que a recriação de programas antigos e o crescimento do PIB e da renda não parecem capazes de tirá-lo das cordas.

Na última década, a tecnologia transformou o modo de fazer e discutir política. O debate migrou dos palanques, onde o petista era imbatível, para as redes sociais, onde a oposição vence quase todas. A revolução digital também mudou o Congresso. Deputados que se engalfinhavam por espaço na Voz do Brasil hoje estão mais interessados em gravar vídeos curtos para o Instagram e o TikTok.

SEM VOLTA AO PASSADO – O nível da conversa piorou, mas não adianta sonhar com uma volta ao passado. Enquanto o campo progressista reclamava, a extrema direita aprendeu a operar o algoritmo a seu favor.

Sem concorrência nas redes, o bolsonarismo montou o que o professor Marcos Nobre chama de partido digital, uma máquina de produzir engajamento e voto. Essa engrenagem tem dado sucessivas surras no governo, como se viu na crise do Pix, na chamada taxação das blusinhas e no escândalo do INSS.

Em entrevista recente, a primeira-dama Janja admitiu que as novas formas de comunicação não chegaram ao Alvorada. “Vocês sabem que o meu marido é analógico, né? Ele não sabe usar os termos que a gente está acostumado a usar nas redes”, disse.

CELULAR DESGRAÇADO – Na quinta-feira, Lula manifestou inconformismo com esse novo mundo. “Não é possível você imaginar que pode fazer política com o desgraçado de um celular”, protestou, em discurso em Minas Gerais. “Não é possível que as pessoas não percebam a diferença entre governo que trabalha e governo que fica no celular”, insistiu.

O presIdente acrescentou que “o povo gosta do celular porque vê coisa muito rapidinho”. “O povo, às vezes, não gosta de coisa séria. Todo mundo sabe a preguiça que, muitas vezes, o aluno tem de ficar ouvindo o professor”, disse. O petista foi a sexta autoridade a falar numa solenidade enfadonha, assistida por uma claque levada por prefeitos aliados e pela audiência raquítica dos canais oficiais.

Candidato ao quarto mandato em 2026, Lula tem pouco tempo se quiser atualizar o repertório e se reconectar com o eleitor. No filme de Wolfgang Becker, a senhora só percebe que as coisas mudaram quando vê um helicóptero transportar uma estátua de Lênin arrancada do pedestal.

Netanyahu diz que o objetivo é evitar holocausto nuclear, mas quem acredita?

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante coletiva de imprensa em Jerusalém

Netanyahu diz que Irã quer lançar bomba atômica em Israel

Wálter Maierovitch
do UOL

O premiê israelense Benjamin Netanyahu, conhecido no seu país pelo apelido de Bibi, busca legitimidade internacional para a operação Leão Nascente. As suas palavras, numa interpretação à luz do direito internacional, da geopolítica relativa ao Oriente Médio e da geoestratégica militar, podem ser entendidas com facilidade.

Bibi centrou, juridicamente e por não prever o direito internacional o chamado ataque preventivo (defesa preventiva), no “estado de necessidade”. Ou seja, no mesmo “estado de necessidade” invocado pelos EUA depois da tragédia terrorista do 11 de setembro.

NOVO HOLOCAUSTO – O premiê israelense falou em necessidade, para evitar o “holocausto nuclear”. A lembrar: há 80 anos os judeus foram vítimas do holocausto nazista. Agora, conforme Bibi, o Irã, com o programa atômico para fim não pacífico, tentaria varrer Israel do mapa.

Frisou Bibi, numa repetição do falado quando da ação do Mossad em Teerã e que resultou no assassinato do líder político do Hamas, não terem os judeus nada contra os iranianos, mas contra o sanguinário, opressivo e expansionista regime dos aiatolás.

Só faltou Bibi recordar ter sido o então xá da Pérsia, na ONU, favorável à criação do Estado de Israel.

ACORDO NUCLEAR – Pelo que se nota, bastou o Irã começar a colocar areia para não celebrar o acordo nuclear, com o governo Donald Trump, para Israel reagir.

A propósito, neste espaço foi informado, com base no que circulava entre os 007 da Inteligência europeia, o fim do prazo, na véspera do ataque de Israel ao Irã, dos 61 dias dado por Trump: prazo para a retomada das conversações sobre o acordo nuclear.

Também não foi olvidada a situação política interna de Netanyahu.

O premiê precisa de guerras para se manter no poder e evitar processo por corrupção, além do inquérito pela sua responsabilidade pelo 7 de outubro, quando o Hamas invadiu Israel pra fazer reféns.=.

LEÃO NASCENTE – O premiê Bibi Netanyahu não dá ponto sem nó. Como está amarrado numa coalizão com dois partidos religiosos, de matriz ortodoxa, Bibi foi buscar na Torá, mais especificamente no Livro dos Números, o nome da operação de guerra contra o Irã.

Usou o simbolismo dos leões (leoas e leões), capítulos 23-44): “O povo se levanta como a leoa que puxa os leões. E não irão parar até a presa ser devorada e bebido todo o sangue” (tradução livre do inglês).

O texto bíblico trata da convocação, pelo rei dos Moabiti, do bruxo e adivinho Ballaan. A meta era a eliminação dos judeus que haviam vagado 40 anos pelo deserto.

META DE BIBI – A ação militar de Israel conta com atuações complementares realizadas pelo Mossad, a agência de espionagem externa. No primeiro dia do ataque, foram assassinados o comandante da Guarda Revolucionária (Pasdaran) e o subchefe do Estado maior das Forças Armadas.

Netanyahu avisou que Ali Khamenei, o líder da teocracia iraniana, está na mira: em seguida o bairro onde mora Khamenei foi bombardeado.

Até o momento, 14 cientistas nucleares prestadores de serviços ao governo dos aiatolás morreram nos ataques. Algo a mostrar que a preocupação não é apenas arrasar os locais estratégios, mas eliminar as mentes responsáveis pelas implantações e objetivo final: bomba atômica.

META DO BINÔMIO – Bibi, na sua propaganda de guerra, usa um binômio: evitar o holocausto nazista e libertar o povo iraniano da tirania dos aiatolás.

Preocupados com o desenvolvimento da guerra entre Israel e o Irã, os estados árabes (o Irã é persa) assistem com preocupação essa guerra e isso porque não confiam em Netanyahu e nem nos aiatolás.

Quanto à bomba atômica, há décadas Israel tem seu estoque, porém não se imagina que venha a usá-las sem motivo justo.

PF acusa “Abin de Lula” de impedir investigação da “Abin de Bolsonaro”

Delegado aposentado da PF é nomeado diretor-geral da Abin

Diretor Luiz Fernando Corrêa comandava a blindagem

Aguirre Talento
do UOL

A Polícia Federal apontou, no relatório final da investigação sobre irregularidades na Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que o atual diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Corrêa, realizou ações para obstruir a investigação policial e também assediou moralmente a então corregedora da Abin para dificultar a apuração sobre desvios no uso de ferramentas de espionagem na agência.

Procurado por meio da Abin, Luiz Fernando Corrêa ainda não se manifestou sobre o indiciamento da Polícia Federal. Em depoimento, ele negou ter cometido irregularidades e disse que não tinha interesse em impedir apuração de fatos envolvendo a gestão anterior.

IRREGULARIDADES ATUAIS – A apuração da PF foi aberta para investigar irregularidades na gestão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, da época do governo Bolsonaro. Mas a PF identificou desvios também nas ações da atual gestão da agência.

Luiz Fernando Corrêa é homem de confiança do presidente Lula e foi escolhido no início do governo para comandar a agência de inteligência. No mandato anterior de Lula, ele havia sido diretor-geral da Polícia Federal.

Por causa dos fatos identificados na investigação, Luiz Fernando Corrêa foi indiciado sob acusação de três crimes: embaraço à investigação de organização criminosa, prevaricação por impedir a continuidade de operações ilegais sob sua gestão e coação no curso do processo “pelo uso de assédio moral e intimidação contra a ex-Corregedora e servidores, visando favorecer interesse próprio ou alheio nas investigações”.

OUTRO ENVOLVIDO – A PF também apontou que Luiz Fernando Nóbrega, chefe de gabinete de Luiz Fernando, teria cometido os mesmos crimes por auxiliar o diretor-geral nesses atos.

A PF descreve que Luiz Fernando adotou uma estratégia para intimidar os servidores da Abin e dificultar o repasse de informações às investigações.

De acordo com o relatório final, essas ações obstruíram o avanço da sindicância da Abin sobre o uso da ferramenta First Mile, que rastreava a localização de telefones e era usada na gestão Bolsonaro para monitorar adversários.

As apurações da sindicância só avançaram depois que foram encaminhadas à CGU (Controladoria-Geral da União). Segundo a PF, isso gerou ações de assédio moral de Luiz Fernando Corrêa contra a então corregedora.

Prossegue a PF: “A insatisfação com aqueles que colaborassem com a presente investigação era devidamente exposta pelo Diretor Geral da Abin tanto que defendeu em tom agressivo a intervenção na corregedoria”.

Essa intervenção foi concretizada com a nomeação de outra pessoa para a Corregedoria. De acordo com o relatório final, as ações de Luiz Fernando também dificultaram a colheita de provas pela PF, o que só foi possível com medidas ostensivas como a realização de busca e apreensão na agência.

“A Direção-Geral agiu para controlar as oitivas e garantir que os servidores não colaborassem com a apuração. A promessa de que a investigação seria ‘acomodada politicamente’ no STF e que tudo se resolveria numa sindicância interna funcionou como um salvo-conduto para o silêncio”, concluiu a Polícia Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEra só o que faltava. O escândalo da Abin Paralela se transforma num escândalo muito maior, atingindo a Abin de Lula. “Que país é esse?”, perguntaria o ex-governador Francelino Pereira, e o cantor Renato Russo responderia: “É o pais da esculhambação!”. (C.N.)

Gravação mostra Cid dizendo que Bolsonaro não ia dar golpe algum

PF identificou que parte da família de Mauro Cid viajou para os EUA | Política | Valor Econômico

Como é possível acreditar nessa delação de Mauro Cid?

Cézar Feitoza
Folha

O advogado Luiz Eduardo Kuntz, defensor de um dos réus da trama golpista, enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (17) fotos e áudios de conversas que ele diz ter mantido com o tenente-coronel Mauro Cid após o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) ter firmado acordo de delação premiada.

No diálogo, Cid supostamente conta detalhes de seus depoimentos à Polícia Federal, faz desabafos sobre a falta de apoio de seus antigos aliados.

FERRANDO TODO MUNDO – “O mais foda é sentir que eu estou ferrando todo mundo”, diz uma das mensagens. “Fruto de uma perseguição que eu não tive maldade que iria acontecer”.

Advogado do réu Marcelo Câmara, Kuntz pediu ao STF a anulação da delação sob a justificativa de falta de voluntariedade do colaborador.

“Sem embargos, nas palavras de ‘desabafo’ do delator, conforme se depreende desta conversa o princípio da voluntariedade foi absolutamente arranhado, para não dizer que foi ferido de morte”, disse.

NO INSTAGRAM -As mensagens teriam sido trocadas por um perfil no Instagram utilizado por Mauro Cid. A conta tinha o nome de sua esposa, não tinha fotos publicadas e era seguida por poucas pessoas. As conversas têm data de 29 de janeiro de 2024 a 13 de março de 2024.

“Eu fui bem claro lá… Pr (Jair Bolsonaro) não iria dar golpe nenhum… Ele estava mal”, diz uma das mensagens supostamente enviadas por Cid. “Ele queria encontrar uma fraude nas urnas… De forma oficial pelo partido. Muita gente estava tentando ajudar a encontrar uma fraude”.

Anteriormente, após divulgação de diálogos por esse perfil pela revista Veja, a defesa do militar havia negado que ele tivesse usado conta de sua esposa para se comunicar sobre o caso.

PRISÃO DE BOLSONARO – Nas conversas enviadas por Kuntz, o perfil que seria utilizado pelo militar fez críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes e disse que o ministro já tinha pronta a ordem de prisão de Bolsonaro. “Não precisa de provas!!! Só de narrativas!!! E quando falam de provas…. metem os pés pelas mãos”, disse.

Ele teria afirmado ainda que os investigadores da Polícia Federal tentavam “sempre me conduzir a falar a palavra golpe”. “Tanto que tive o cuidado de não usar essa palavra.”

Luiz Eduardo Kuntz disse ao Supremo que conhece Cid há tempos, com relação mais próxima pelas atividades equestres e pelo histórico militar. Ele anexou em sua petição um “relatório de diligências”, uma espécie de diário que explicava tudo de importante para o processo que havia acontecido naquele dia.

TUDO GUARDADO – O advogado diz que decidiu guardar todas as conversas para possível uso na defesa do réu Marcelo Câmara. “Assumo os riscos de fazer ata notarial oportunamente para consolidar o material no presente procedimento de investigação defensiva e auxiliar na defesa dos meus constituintes, apenas caso algo de relevante seja trazido nestas conversas escritas”, conta.

Marcelo Câmara, defendido por Kuntz, é réu no Supremo no caso da trama golpista, acusado de monitorar a localização do ministro do STF Alexandre de Moraes, o principal alvo de grupos bolsonaristas e militares para viabilizar o golpe de Estado, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A defesa de Câmara nega que ele tenha monitorado Moraes. Diz que o ex-assessor de Bolsonaro somente fazia pesquisas na internet sobre a agenda pública do ministro e os eventos dos quais participaria para saber a cidade em que se encontrava.

PERGUNTAS A CID – Nos diálogos, Kuntz faz perguntas para Cid específicas sobre o que havia dito sobre Câmara à Polícia Federal. “No seu acordo, vc tinha incluído deixar o Câmara de fora Tb ou ele não?”, perguntou.

“Pedi para o Dr Cezar verificar isso”, teria respondido Cid, em referência a seu advogado, Cezar Bittencourt. “Pq ele havia me dito que ele aceitou tudo”.

Em outro momento do diálogo, o perfil que seria usado por Cid pergunta ao advogado o que Marcelo Câmara havia falado sobre a acusação de monitoramento ilegal de Moraes —citado na conversa com o codinome “professora”.

PROFESSORA – Kuntz nega ter havido monitoramento paralelo ou uso de equipamentos sofisticados para saber a localização do ministro. Ele tentou ainda confirmar com Cid a informação de que o codinome “professora” não havia sido combinado entre os dois réus antes.

“Se puxar todas as conversas não vai ter isso”, perguntou Kuntz. O perfil que seria usado pelo militar respondeu: “Nunca vai ter nada”.As conversas de Cid pelo perfil no Instagram começaram a ser reveladas pela Revista Veja na última semana. Com base nas reportagens, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao STF na segunda-feira (16) a anulação do acordo de colaboração premiada do militar.

“Os fatos trazidos a público após os interrogatórios são graves, para dizer o mínimo e muito pouco. As conversas demonstram o descumprimento dos termos do acordo de delação premiada, já que expõem o fato de que o delator quebrou o sigilo imposto à sua delação, bem como mentiu na audiência na qual foi interrogado, o que é causa para a rescisão do acordo”, disse o advogado Celso Vilardi.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCid é um mentiroso contumaz, sua delação não vale nada. O advogado Vilardi perguntou a ele, durante interrogatório na última semana, se o militar havia usado a conta @gabrielar702 para conversar com amigos sobre sua delação premiada. O tenente-coronel negou três vezes. (C.N.)

Nome de Tarcísio cresce cada vez mais no horizonte da eleição de 2026

Tarcísio é visto como independente demais pela centro-direita | Metrópoles

Tarcísio de Freitas é o carioca que conquistou o coração dos paulistas

Vicente Limongi Netto

O nome do governador Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, faz tempo que deixou de ser mera aventura política. Hoje o passe de Tarcísio vale ouro. Jovem, competente, sabe se impor. Governar São Paulo, maior potência econômica do Brasil, é marca registrada do homem público que sonha com vôos maiores. Administrar São Paulo não é para amadores.

RESPEITO E ISENÇÃO – Mesmo apoiado por Jair Bolsonaro, por decência, lealdade e gratidão, Tarcísio é carta forte no baralho sucessório.  Não se pode analisar e avaliar sucessão presidencial, hoje, sem tratar o nome do governador paulista com respeito e isenção.

Nessa linha, para incautos e parvos não alegarem que sou pingente no tema Tarcísio de Freitas, recordo o que escrevi aqui, entre outras coisas, na nossa brava Tribuna, no início de abril:  “O governador Tarcísio de Freitas não pode aceitar ser eternamente tutelado por Jair Bolsonaro”.

Também salientei no artigo: ” Tarcisio é moço. Tem qualidades pessoais e profissionais. Foi eleito com larga vantagem. Tem pela frente amplo leque de opções políticas. Pode ser reeleito governador, disputar o senado com imensas chances de ser eleito. Ou mesmo a Presidência da República”. Tarcisio é, hoje, disparado, o Pix automático que veio para liquidar o PT e Lula nas urnas de 2026. 

COPA DOS CLUBES – “Utopia ou sonho possível?”, pergunta a editoria de esportes do Globo (15/06). É preciso levar em conta que nem peru morre mais de véspera. Lambari é pescado, jogo é jogado.

Evidente que a diferença técnica entre as equipes é abissal. Chega a ser assustadora. Alguns atletas brasileiros participando da Copa do Clubes já jogaram no exterior. Em campo sabem que precisam se impor, jogar com personalidade.

O Fluminense, por exemplo, conta com Ganso, Arias, Thiago Silva e um excepcional goleiro. São craques que não vão dobra a espinha para nenhum adversário. Embora saibam que as paradas são indigestas.

TIME-GUERREIRO – No primeiro jogo, o Fluminense foi guerreiro. Muito melhor do que o adversário, o tempo todo. Jogou como bom time grande que é. O grito do gol estava preso na garganta. Não veio, mas o Fluminense não se intimidou com os grandalhões alemães. Em alguns momentos os alemães foram medíocres, apequenaram o espetáculo.
O Fluminense jogou certo. Mordendo em cima. Não dando espaço. Evitando errar passes. Se impondo em campo. Com vigor físico e técnico na ponta das chuteiras. Torcida maravilhosa, vibrando o tempo todo. O jogador gosta do estímulo das arquibancadas. Boa estreia do Fluminense. Permanecemos na competição.

Acareação de Mauro Cid com generais vai destruir a delação e o processo

Mauro Cid quer fechar delação com a PF; Moraes precisa validar acordo

Mauro Cid vai sofrer acareação com Braga e com Freire Gomes

Daniel Gullino e Mariana Muni
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira as acareações pedidas pelos ex-ministro Walter Braga Netto e Anderson Torres com, respectivamente, o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes.

As acareações foram marcadas para o dia 24 de junho, e ocorrerão no próprio STF. Moraes determinou que a primeira delas será realizada entre Braga Netto e Mauro Cid, e em seguida, será feita a acareação entre Anderson Torres e Freire Gomes.

IDA A BRASÍLIA – Braga Netto, que está preso preventivamente no Rio de Janeiro desde dezembro, foi autorizado a ir para Brasília, apenas para a acareação. No interrogatório dos réus, na semana passada, ele foi ouvido por videoconferência.

O ministro analisou pedidos apresentados pelas defesas dos oito réus da trama golpista. Foram solicitadas as chamadas diligências complementares, que são medidas que podem ser solicitadas pelos réus para auxiliar no julgamento.

Durante os interrogatórios, Cid reforçou seu relato de que Braga Netto entregou dinheiro a ele, que seria utilizado para o plano golpista. Ao ser ouvido, o ex-ministro negou ter feito isso. Além disso, há divergências entre os dois do que foi discutido em uma reunião na casa de Braga Netto, em novembro de 2022, que contou com outros dois militares investigados.

QUESTÃO DA MINUTA – Moraes também autorizou medidas solicitadas por outros réus. O ministro deu 48 horas para que o Google informe “os dados do responsável pela inserção da minuta, que decreta Estado de Defesa, em domínio público”, como foi pedido por Anderson Torres.

O mesmo prazo para que a Marinha informe a data em que foi expedida a ordem de movimento relativa à Operação Formosa 2021, cuja execução se deu no mês de agosto de 2021.

A solicitação foi feita pelo ex-comandante da Marinha Almir Garnier.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, tudo isso indica que Alexandre Moraes enfim acordou, descobriu que Mauro Cid é um tremendo mentiroso, covarde e chorão, que confirma o que o ministro quiser. Sua delação não tem o menor valor, mas Moraes estava levando a sério o ajudante de ordens de Bolsonaro. A desmoralização da delação significa que o processo tem de ser jogado no lixo, porque é todo baseado nas palavras desse El Cid moderno (C.N.)

A mulher na praia, na visão sempre azul de Carlos Pena Filho

Carlos Pena Filho, o poeta vestido de azul – Os GuedesPaulo Peres
Poemas & Canções

No retrato apaixonado do advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960), sua amada está debruçada na areia, diante do azul do mar. Detalhe, na poesia de Carlos Pena Filho, tudo sempre é a azul e a Terra também é azul, antes mesmo que o primeiro astronauta, Iuri Gagarin, constatasse essa realidade…

RETRATO NA PRAIA
Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio
ao tenuíssimo azul predominante.
Debruçada na areia e assim, diante
do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,
mormaço e sonolência. Lá, distante,
muito vagos indícios de um navio
que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que desliza
por seu corpo salgado, enxuto e belo,
como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce por seus braços, e rodeia
seu brevíssimo e branco tornozelo,
onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Irã apela a Trump, que pede evacuação de Teerã e avisa: Irã não pode ter arma nuclear

Ministro da Defesa israelense diz que 'Teerã vai queimar' após ataques com  mísseis e drones iranianos

Teerã vai se transformando numa nova Faixa de Gaza

Giovanna Estrela
Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu, nesta segunda-feira (16/6), que a população de Teerã, capital do Irã, deixe a cidade imediatamente. A declaração foi feita em sua rede social, a Truth Social, em meio à escalada de tensão entre Israel e Irã.

“O Irã deveria ter assinado o ‘acordo’ que eu disse para assinarem. Que vergonha, e desperdício de vidas humanas. Em poucas palavras: O IRÃ NÃO PODE TER UMA ARMA NUCLEAR. Eu já disse isso várias vezes! Todos deveriam evacuar Teerã imediatamente!”, escreveu o republicano.

ISRAEL ATACA – O que está acontecendo? Na última quinta-feira (12/6), as Forças de Defesa de Israel dispararam uma “ofensiva preventiva” contra o programa nuclear do Irã.

O governo israelense já vinha, antes do ataque, subindo o tom contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, com ameaças ao programa nuclear.

Nos últimos anos, o avanço nuclear do Irã incomodou a comunidade internacional. Israel, que é uma potência militar, via o avanço como uma ameaça.

INSTABILIDADE – Embora ambos os países sejam rivais históricos, o ataque levou ao aumento da instabilidade no Oriente Médio. A declaração de Trump ocorre horas após o Irã, por meio do ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, pedir que Trump intervenha para interromper os ataques de Israel.

Segundo Araghchi, bastaria uma ligação de Washington para influenciar o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O ministro iraniano afirmou que, se houver um cessar-fogo, o país estaria disposto a flexibilizar posições em futuras negociações sobre o programa nuclear.

“Se o presidente Trump for genuíno em relação à diplomacia e estiver interessado em acabar com essa guerra, os próximos passos são importantes”, declarou Araghchi em uma publicação no X (antigo Twitter).

CRIMINOSO DE GUERRA – O chanceler iraniano também acusou Netanyahu de ser um “criminoso de guerra” e disse que as ações militares de Israel visam impedir avanços nas tratativas entre Teerã e Washington. Além do apelo a Trump, o governo iraniano busca apoio de países como Catar, Arábia Saudita e Omã, com o objetivo de pressionar os Estados Unidos a atuar por um cessar-fogo imediato.

Enquanto isso, os EUA reforçam sua presença militar na região. Nesta segunda-feira, o porta-aviões USS Nimitz, movido a propulsão nuclear, foi deslocado do mar do Sul da China para o Oriente Médio. Segundo o site Marine Traffic, que acompanha a movimentação de embarcações militares, a escala prevista no Vietnã foi cancelada.

Com a chegada do USS Nimitz, os Estados Unidos passam a ter dois porta-aviões de propulsão nuclear posicionados na região. O USS Harry S. Truman está no Oriente Médio desde maio. Além disso, mais de 30 aviões-tanque da Força Aérea americana decolaram de bases nos EUA em direção ao Atlântico, em operação que, segundo autoridades, pode estar ligada a exercícios da Otan na Europa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Departamento de Estado norte-americano negou qualquer envolvimento direto em ataques aéreos de Israel contra o Irã e reiterou que o apoio dos EUA ao governo israelense é apenas em caráter defensivo. O Irã com bomba atômica? Nem pensar… Desse jeito, o insensível criminoso de guerra Netanyahu acaba ganhando o prêmio Nobel da Paz. (C.N.)