Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e aproxima retorno ao Brasil

Moraes determinou que Zambelli seja custodiada na Colmeia

Deu no O Globo

A Justiça italiana decidiu, na última quinta-feira (26), aceitar o pedido apresentado pelo governo brasileiro de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A decisão ainda precisará ser referendada pelo Ministério da Justiça italiano.

Em dezembro do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que Zambelli seja custodiada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia, caso volte ao Brasil.

RECURSO – Ao O Globo, a defesa de Zambelli afirmou que já está preparando um recurso a ser apresentado à Corte de Cassação, o equivalente na Itália ao STF brasileiro. Os advogados têm 15 dias para elaborarem o pedido.

Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira sentença, que impôs 10 anos de prisão à ex-parlamentar, foi determinada pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi condenada a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Tal sentença, por sua vez, está ligada ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo, com arma em punho, às vésperas das eleições de 2022.

COMO É A COLMEIA –  Localizada no Distrito Federal, a PFDF é um estabelecimento prisional de segurança média destinado a mulheres que cumprem pena em regime fechado, semiaberto e também a presas provisórias que aguardam julgamento. Em situações excepcionais, mediante autorização da Vara de Execuções Penais (VEP), a unidade abriga custodiadas federais.

Em dezembro, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF), cerca de 800 mulheres cumpriam pena no local. A estrutura é organizada em blocos e alas distintas, separando internas conforme o regime de cumprimento da pena, concessão de benefícios externos, vulnerabilidades e necessidades assistenciais, com o objetivo declarado de preservar a integridade física e moral das custodiadas.

A penitenciária conta com salas de aula para alfabetização, ensino fundamental e médio, bibliotecas e oficinas de trabalho. Há cursos profissionalizantes oferecidos em parceria com instituições como Senac, Senai e Instituto Federal de Brasília (IFB), além de atividades produtivas que possibilitam a remição de pena.

ACOLHIMENTO – A Colmeia dispõe de atendimento médico com ginecologia, clínica geral, psiquiatria, psicologia e odontologia, além de assistência pediátrica. Os recém-ingressos passam por uma equipe multiprofissional de acolhimento vinculada à Secretaria de Saúde do DF.

A unidade também mantém alas específicas para gestantes e lactantes, permitindo que mães permaneçam com seus bebês por, ao menos, seis meses. Segundo o governo do DF, as internas recebem enxoval, itens de higiene e acompanhamento pré-natal, com encaminhamento à rede hospitalar em casos de gravidez de risco.

EQUIPAMENTOS –  Na área de segurança, o presídio utiliza equipamentos de body scan e scanners de objetos, além de outros sistemas eletrônicos de monitoramento. De acordo com a Vara de Execuções Penais, nunca houve registro de rebelião na PFDF, e os policiais penais são servidores concursados, submetidos a investigação social e formação específica.

Entre as internas da Colmeia estão mulheres condenadas por crimes que chocaram o Distrito Federal e o país. É o caso de Rosana Auri da Silva Candido e Kacyla Priscyla Santiago Damasceno, condenadas a um total de 129 anos de prisão pela morte do menino Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, em 2015.

O crime, marcado por extrema violência, teve grande repercussão nacional e é frequentemente citado como exemplo da gravidade de casos abrigados na penitenciária. A extremista Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter, também foi conduzida à cadeia, suspeita de apoio a atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.

DENÚNCIAS – Apesar da estrutura descrita nos relatórios oficiais, a Penitenciária Feminina do DF também acumula denúncias. Em 2024, uma petição foi protocolada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) relatando supostas práticas de tortura, transfobia e maus-tratos contra presos trans na Colmeia.

O documento descreve episódios ocorridos entre 2019 e 2023, como incitação a ataques por outras internas, agressões verbais, privação de atendimento jurídico e fornecimento de alimentos estragados. As denúncias citam a atuação de agentes penais e o suposto conhecimento da então direção da unidade.

As informações detalhadas sobre a Colmeia, incluindo fotos, descrição da infraestrutura e das rotinas de segurança, foram enviadas pelo STF à Justiça italiana para demonstrar em que condições Carla Zambelli ficaria presa no Brasil.

6 thoughts on “Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli e aproxima retorno ao Brasil

  1. Extradição de Zambelli, determinada pela Justiça italiana, pode demorar mais de um mês

    A Justiça italiana determinou a extradição de Carla Zambelli, presa desde julho do ano passado em Roma. O governo brasileiro já foi notificado da decisão da Corte de Apelação, mas a iminente vinda da ex-deputada ao Brasil para cumprir pena ainda vai demorar um tempo.

    A decisão ainda precisa ser publicada, e será aberto prazo para recurso. A defesa de Zambelli vai recorrer à Corte de Cassação, última instância antes do veredito final do governo italiano.

    A previsão é que isso possa levar mais de um mês, a depender dos pedidos feitos pela Justiça da Itália sobre informações e documentos.

    A tendência, segundo quem acompanha de perto o caso, é que a Corte de Cassação siga a Corte de Apelação e ratifique a extradição, como acontece tradicionalmente. A avaliação no governo brasileiro é que a decisão foi um “passo importante” para a extradição, que deve ser confirmada pelo governo da Itália para não contrariar o Judiciário nem se indispor com o Brasil.

    Se a extradição se confirmar, a ex-parlamentar ficará presa na penitenciária conhecida como Colmeia, no Distrito Federal.

    Zambelli foi condenada no STF em dois processos: em um, recebeu a pena de 10 anos de prisão por invadir os sistemas do CNJ e, no outro, cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma.

    Fonte: O Globo, Opinião, 26/03/2026 12h27 Por Rodrigo Castro / Lauro Jardim

  2. ah, dona zamboba….

    Escorregou na “marianese…..””..

    E o Bolsonabo largou pela estrada…..

    se fizesse o certo não estaria pagando comédia…

    eh!eh!eh

  3. Como essa mulher foi fazer tanta besteira? Pelo amor de Deus!

    Pra fazer tanta merda, todos estavam certos que o demônio ganharia.

    O demônio perdeu e ela se danou…

    Essa mulher tem vários parafusos completamente frouxos.
    Foi uma idiota útil, agora tá mais esquecida que flor de enterro.

    Será que cabe uma delação ainda?

    Essa idiota sabe muito!

    José Luis

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