
Supersalários foram pagos devido a ganhos retroativos
Luany Galdeano
Arthur Guimarães de Oliveira
Idiana Tomazelli
Folha
Seis dos 10 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) receberam verbas acima do teto remuneratório do funcionalismo enquanto já ocupavam cargos na corte, que agora é palco de decisões contrárias ao pagamento de supersalários.
Entre os que embolsaram valores acima do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil, estão Flávio Dino e Gilmar Mendes, autores de liminares que barraram supersalários na administração pública federal, estadual e municipal. Também receberam verbas extras em seus contracheques os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Desde 2019, os adicionais recebidos pelos ministros alcançaram R$ 2,8 milhões, em valores correntes.
LEVANTAMENTO – A Folha fez o levantamento a partir de bases de dados do Poder Judiciário, do Ministério Público e da AGU (Advocacia-Geral da União), que paga a seus integrantes honorários de sucumbência —remuneração recebida por advogados da parte vencedora em um processo judicial e que, na administração pública, são comparados a uma espécie de bônus para os servidores da carreira.
Moraes foi quem recebeu os maiores valores ao longo do período analisado. O ministro, que trabalhou como promotor de Justiça de 1991 a 2002, recebeu ao todo mais de R$ 1 milhão líquido do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) de 2019 a 2026.
Os ministros foram procurados por email e telefone via assessoria de imprensa do STF, mas não retornaram aos questionamentos da reportagem.
EXISTEM ADICIONAIS – A ministra Cármen Lúcia e o presidente da corte, Edson Fachin, foram procuradores de estado, e Dias Toffoli, advogado-geral da União. A reportagem não identificou penduricalhos pagos aos ministros no período analisado. Cristiano Zanin nunca foi concursado, portanto não teria direito a esses adicionais.
Os ministros receberam supersalários devido a ganhos retroativos, um dos principais penduricalhos que engordam os contracheques dos magistrados. São conhecidos entre os servidores como “puxadinhos”: os órgãos criam algum benefício adicional a ser pago a seus integrantes e adotam o entendimento de que ele retroage até determinada data do passado, gerando faturas de milhares de reais devidas a um único servidor.
Em fevereiro, uma liminar de Dino barrou verbas pagas acima do teto constitucional e proibiu novas leis que criassem penduricalhos. Outra decisão no STF, esta de Gilmar Mendes, suspendeu os penduricalhos previstos em leis estaduais para integrantes do Judiciário e do Ministério Público.
VERBAS RETROATIVAS – Dino recebeu valores acima do teto já no cargo na Suprema Corte. Em dezembro de 2024, o ministro, vinculado ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), ganhou quase R$ 30 mil líquidos apenas em valores referentes a verbas retroativas —referentes a direitos não usufruídos enquanto ainda era juiz federal, como férias e folgas —além do salário. Ou seja, naquele mês, Dino recebeu R$ 55 mil líquidos, somando-se a remuneração como integrante do STF.
Além disso, o ministro recebeu supersalários enquanto ainda era governador do Maranhão. Em dezembro de 2020, ganhou R$ 106 mil líquidos, também por causa dos retroativos.
GILMAR BENEFICIADO – Já o decano da corte, Gilmar Mendes, embolsou mais de R$ 880 mil pagos pelo MPF (Ministério Público Federal) desde 2019.
O ministro atuou como procurador da República de 1985 a 1988. Depois, foi cedido para outros órgãos, mas continuou vinculado ao MPF até 2002. No fim de fevereiro, Gilmar liberou, por 45 dias, o pagamento de penduricalhos retroativos reconhecidos administrativamente e já programados para o período. O julgamento final sobre o tema, para tratar das liminares de Dino e do decano do STF, deve ocorrer na próxima quarta (25).
Em novembro de 2020, mesmo mês em que tomou posse como ministro do STF, Kassio Nunes Marques recebeu mais de R$ 277 mil também do TRF-1, onde foi juiz federal de segunda instância.
HONORÁRIOS – Mendonça, por sua vez, foi nomeado ministro do STF em dezembro de 2021. Ainda assim, ele recebeu R$ 175,3 mil, em valores nominais, desde janeiro de 2022. O maior valor foi pago em janeiro de 2025, quando o ministro recebeu R$ 154,8 mil em honorários retroativos, segundo dados do Portal da Transparência.
Moraes, que recebeu os maiores valores no período analisado, hoje é relator de dois recursos em tramitação no Supremo sobre simetria entre o Ministério Público e o Judiciário.
No começo do mês, Moraes mandou os Tribunais Regionais Federais e do Trabalho e os Tribunais de Justiça do país informarem quais são os penduricalhos pagos por equiparação ao Ministério Público ou a outra carreira nos últimos dez anos.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Nesta quarta-feira o Supremo enfim julgou os penduricalhos, numa decisão meia-sola. Vetou alguns deles, porém manteve outros e a desigualdade salarial continuará sendo uma regra no Brasil. (C.N.)
Texto para reflexão: A guinada no caso Master
Banco Central e Polícia Federal foram atacados por cumprir seu papel no caso Master. Agora os rumos da investigação foram corrigidos
No final do ano passado, o Banco Central estava sob ataque do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União.
O ministro Toffoli, do STF, tinha convocado uma estranha “acareação” do diretor do BC com os investigados. O ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, falava em desfazer a liquidação do Banco Master.
Em meados de janeiro, a Polícia Federal sofreu tentativa de interferência na investigação por parte do ministro Toffoli. Neste fim de março, a situação é outra.
O ministro relator no STF não é mais Toffoli e sim Mendonça. No TCU, os técnicos mostraram que o ministro Jhonatan estava errado. O fraudador Vorcaro está preso e negocia uma colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da União.
Agora houve mais um lance nessa guinada. Vorcaro chegou a dizer, para evitar a liquidação, que estava vendendo o Master para o Fictor, instituição que logo depois pediu recuperação judicial, ou seja, não tinha qualquer capacidade de compra do encrencado banco.
Ontem, o CEO e um ex-sócio do banco que supostamente compraria o Master estavam entre os alvos de uma operação que investiga ligação entre o Fictor e o Comando Vermelho, numa série de fraudes bancárias. Fica mais uma vez provado que o Banco Central estava certo.
O caso está longe do fim, mas esses primeiros meses do ano serviram para corrigir o rumo dos acontecimentos. Houve um momento — entre o fim do ano passado e o começo deste ano — em que a rede de lobbies montada por Vorcaro em Brasília parecia estar tendo sucesso no projeto de desfazer a liquidação.
Era como se o errado fosse o Banco Central que liquidou o banco e denunciou os crimes ao Ministério Público, e a suspeita fosse a Polícia Federal que investigou e pediu a prisão dos responsáveis.
Na investida do ministro do TCU Jhonatan de Jesus contra o Banco Central estavam os interesses do governador Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, um dos maiores envolvidos no caso Master.
O governador bolsonarista, que teve um comportamento tão recalcitrante na época da tentativa de golpe de Estado, foi o mesmo que quis que o BRB adquirisse o Master. Quando o BC vetou a operação, o Banco de Brasília insistiu e realizou a desastrosa compra de uma carteira fraudulenta de R$ 12 bilhões.
Vorcaro disse em depoimento à PF que tratou diretamente da compra do banco pelo BRB com o governador.
O banco público, aliás, está nesse momento em situação dificílima. Tem um rombo, que não se sabe como será capitalizado, e precisa divulgar um balanço até a semana que vem.
Os técnicos do TCU que fizeram uma auditoria sobre o processo de liquidação do Master disseram que o governador foi três vezes ao tribunal para convencer o órgão a presssionar o BC.
Primeiro a aprovar a compra do Master pelo BRB, depois a rever o veto à operação. Foi exatamente o que fez Jhonatan de Jesus, tentou pressionar o Banco Central. Em seu extenso relatório, os técnicos do TCU respaldaram a autoridade monetária em suas decisões.
Os fundos Reag, também liquidados, eram parte da operação fraudulenta do Master.
O BC estava na berlinda no fim do ano passado, diante das decisões do ministro Toffoli, que chegou a determinar uma acareação entre o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, com dois investigados, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Criticado, Toffoli voltou atrás. Contra a Polícia Federal, o então relator tomou sucessivas decisões para limitar o processo investigatório.
Em 12 de fevereiro, Toffoli, na parte mais decisiva da guinada, deixou o caso, após admitir que uma empresa familiar, a Maridt, na qual é sócio havia feito negócios com os fundos Reag.
Foi superado, neste primeiro trimestre, a situação esdrúxula de ter um ministro do Supremo e um ministro do TCU ameaçando quem tentava punir os criminosos.
Fonte: O Globo, Opinião, 26/03/2026 04h30 Por Míriam Leitão
https://www.metropoles.com/mundo/trump-diz-ter-sido-informado-pela-cia-que-novo-lider-do-ira-e-gay
PS. Vai virar sodômica moda, o satânico e constrangedor(humilhante) “pedágio” animalesco, ccobrado e pago de quatro!
Davi Alcolumbre é o pior presidente de Senado que o Brasil já teve
Acho que a democracia brasileira ainda permite que eu possa dar esta opinião:
– Davi Alcolumbre é, de longe, o pior presidente de Senado que o Brasil já teve, e olhe que a competição é forte.
(…)
Fonte: Metrópoles, Opinião, 26/03/2026 12:12 Por Mario Sabino
Obviamente. Tanto que foi reeleito.
Os aiatolás xiitas do supremo cagam e andam para as leis, o povo e quem reclama de alguma sacanagem jurídica.