
Violência se instalou como lógica social
Marcelo Copelli
Revista Fórum
A misoginia no Brasil não é invisível — é tolerada. Está nas estatísticas, nas redes sociais, nas instituições e no cotidiano, mas segue juridicamente diluída, tratada como desvio episódico e não como estrutura persistente. O país avançou ao consolidar mecanismos como a Lei Maria da Penha e ao reconhecer o feminicídio, mas continua evitando o ponto central: a violência contra mulheres não começa na agressão física, nem termina nela. Ela é construída antes, legitimada durante e normalizada depois. É essa engrenagem que o Direito brasileiro ainda se recusa a encarar de frente.
O debate em torno do chamado “PL da misoginia” escancara esse limite. Não se trata de inflar o Direito Penal, como alegam seus críticos, mas de reconhecer um padrão contínuo de hostilidade dirigido às mulheres enquanto grupo. Um padrão que se adapta, se reorganiza e se intensifica — sobretudo em ambientes digitais — sem encontrar resposta à altura. O problema não é excesso de regulação. É atraso em admitir o óbvio.
VIOLÊNCIA ESTRTURAL – A proposta parte de um ponto elementar, embora politicamente incômodo: a misoginia é uma forma de violência estrutural. Ao buscar seu enquadramento jurídico específico, o projeto não pretende sufocar o debate público nem punir divergências, mas estabelecer uma linha clara entre crítica e desumanização.
É o mesmo princípio que sustenta a Lei nº 7.716: nenhuma liberdade se sustenta quando serve de abrigo para práticas que organizam e legitimam a exclusão. A diferença é que, neste caso, o país ainda hesita — como se reconhecer o problema fosse politicamente mais custoso do que conviver com ele.
E há, de fato, um custo político. A resistência à proposta não surge por acaso, nem se distribui de forma neutra. Nomear a misoginia altera o jogo: impede que práticas recorrentes continuem sendo tratadas como “opinião”, “exagero” ou “estilo”. Obriga a reconhecer método onde antes se alegava espontaneidade. A recusa em dar nome ao problema preserva um ambiente confortável para a violência — um espaço onde ela circula disfarçada de humor, ironia ou franqueza. Mas essa fronteira é, há muito tempo, insustentável. O que começa como linguagem frequentemente termina como prática.
DIMENSÃO PREVENTIVA – É nesse ponto que o projeto se torna mais incômodo — e mais necessário. Sua força está na dimensão preventiva. Ao reconhecer a misoginia como estrutura, tenta interromper o ciclo antes que ele se converta em agressão direta. Não se trata de simplificar a relação entre fala e ação, mas de admitir o evidente: certos padrões discursivos criam o terreno onde a violência prospera. Ataques coordenados, campanhas de difamação, exposição sistemática — nada disso nasce do nada. Há uma pedagogia em curso, e ela ensina a desumanizar.
A invocação da liberdade de expressão, nesse contexto, tem sido seletiva. O próprio ordenamento jurídico brasileiro já impôs limites quando a dignidade de grupos vulneráveis é atingida — e isso não enfraqueceu a liberdade, mas a tornou mais responsável. O debate real, portanto, não é sobre a existência de limites, mas sobre a disposição de aplicá-los de forma coerente. Sustentar que o arcabouço atual é suficiente ignora o básico: ele reage a casos isolados, enquanto o problema opera como sistema.
Se antes a misoginia podia ser tratada como difusa, hoje ela é organizada. Plataformas digitais transformaram o ataque em escala, a violência em engajamento e a humilhação em estratégia. Não se trata mais de episódios dispersos, mas de um ambiente estruturado. E ambientes não se enfrentam com respostas fragmentadas. Exigem reconhecimento à altura.
LÓGICA SOCIAL – O que está em disputa, no fundo, é a capacidade do Estado brasileiro de reconhecer uma violência que já ultrapassou o comportamento individual e se instalou como lógica social. Trata-se de decidir se o país continuará tratando como exceção aquilo que funciona como engrenagem. Porque, enquanto permanecer sem nome jurídico próprio, a misoginia seguirá operando com a vantagem da ambiguidade — presente em tudo, responsabilizada por nada.
O Brasil já atravessou encruzilhadas semelhantes. Ao criminalizar o racismo, não eliminou o problema, mas fixou um limite civilizatório: certas práticas deixaram de ser aceitáveis. Esse movimento não foi apenas jurídico — foi político. O que se vê agora é a repetição do dilema, diante de uma resistência que também não é técnica, mas estratégica.
No fim, a questão não é se a misoginia existe. Isso já não se discute. A questão é por quanto tempo o país continuará tratando seus efeitos como casos isolados, evitando reconhecer a lógica que os sustenta. No Direito e na política, aquilo que não se nomeia não apenas deixa de ser enfrentado — continua sendo permitido.
Adendos, em:
https://youtu.be/MI0dadYuZeM?si=yiJ1EBz3v-tdsI4H
A única coisa que não é crime aqui é a corrupção
Édens, bagunçados, por “mestres & discípulos”, da “sussurrante” serpente!
Se o presidente é o maior misógino o que podemos esperar?
Bingo…
Na mosca.!!
Quem é o maior misógino, racista, do Planeta..?
Quem, Quem.?
Todo mundo esquece, “menas nóis”, como diz o Don Narcoleone Nine Fingers…
Coloquem os baldes ao lado para vomitarem a vontade….
“O que a gente quer é facilitar que vocês tenham acesso ao crédito. Acho muito importante trazer aqui o presidente da Câmara e do Senado, porque uma coisa que eu quero mudar, estabelecer a relação com vocês, por isso eu coloquei essa mulher bonita para ser ministra das Relações Institucionais, é que eu não quero mais ter distância de vocês”, afirmou Lula durante a assinatura da medida provisória que institui a linha de empréstimo consignado chamada Crédito do Trabalhador.
“Não sou nem marido, eu sou um amante da democracia. Porque a maioria das vezes os amantes são mais apaixonados pela amante do que pelas mulheres. Eu sou um amante da democracia”, disse Lula, a poucos metros de sua esposa, Janja da Silva, que acompanhava a solenidade.
“Hoje, eu fiquei sabendo de uma notícia triste, eu fiquei sabendo que tem pesquisa, Haddad, que mostra que depois de jogo de futebol, aumenta a violência contra a mulher. Inacreditável. Se o cara é corinthiano, tudo bem. Mas eu não fico nervoso quando perco, eu lamento profundamente. Então, eu queria dar os parabéns às mulheres que estão aqui”, disse o presidente.
“Quando eu entrego a chave para uma pessoa, aquela menina que tem um monte de filho, ela tem cinco filhos. Eu falei: companheira, quando é que vai fechar a porteira, companheira? Não pode mais ter filhos, ela tem 27 anos de idade”, discursou.
“Nós fizemos a Lei Maria da Penha. E eu dizia mão de homem foi feita para trabalhar, para fazer carinho na pessoa que ele ama e nos seus filhos. Mão de homem não foi feita para bater em mulher. Quer bater em mulher? Vá bater noutro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil porque nós não podemos mais aceitar isso”,
“Uma máquina de lavar roupa é uma coisa muito importante para as mulheres”
“Por que uma menina é obrigada a ter um filho de um cara que estuprou ela? Que monstro vai sair do ventre dessa menina? Então essa é uma discussão mais madura, não é banal como se faz hoje”
A OMS sempre afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental. Se esse número é verdadeiro, e você pega o Brasil com 220 milhões de habitantes, significa que temos quase 30 milhões de pessoas com problema de desequilíbrio de parafuso. Pode uma hora acontecer uma desgraça”,
Vamos ver se o Casal Marginal vai enfrentar esse crime de misoginia dentro do próprio Palácio do Assalto…
Será que a Paladina da Justiça, Moral, Ètica, Primeira Monga de Itaipu , uma defensora voraz das causas das mulheres vai denunciar os dois criminosos petralhas que cometeram crime de misoginia….
O Video está circulando pelas Avenidas da Rede..
vamos aguardar….
https://www.youtube.com/shorts/nmIlKTkg3XM