Para isentar Bolsonaro, o motorista de R$ 1,2 milhão vai confessar que é agiota

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Queiroz vai assumir a culpa e não sofrerá a menor punição

Carlos Newton

No recesso do lar, coloquei sobre a mesa o copo d’água, a bola de cristal, o barulho de Tarô, a cestinha de vime e os búzios, na tentativa de descobrir qual será a desculpa esfarrapada que o subtenente Fabrício Queiroz vai apresentar para preservar o que resta da imagem do clã Bolsonaro, depois que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) descobriu a movimentação atípica na conta do dublê de assessor, motorista e amigo íntimo da família presidencial, digamos assim.

Como se sabe, no caso não se pode usar o método policial francês de “chercher la femme” (procurar a mulher), porque pode aparecer na foto a Sra. Marluce Vieira Lima, mãe dos irmãos Geddel e Lúcio, que exploravam os funcionários de seus gabinetes, levando 80% dos salários deles. Reparem que o “modus faciendi” (estilo operacional) do clã Bolsonaro é o mesmo da famiglia Vieira Lima,, com o subtenente Queiroz atuando de executor e controlador do esquema. Mas há diferenças entre os dois casos.

SOB CONTROLE – No inquérito dos Vieira Lima, apareceu um delator, chamado Job Ribeiro Brandão, funcionário antigo da Câmara, que lá nunca trabalhou e só recebia 20% da remuneração. As provas materiais se “avolumaram” (nada a ver com as malas e caixas de dinheiro), a condenação de Geddel, Lúcio e da mãe Marluce é inevitável, inexoráxel, incontestável.

Já no caso dos Bolsonaro, ainda não surgiu nem irá surgir nenhum delator, porque a situação está sob controle. A explicação será dada pelo próprio subtenente, que trabalhava como motorista e recebia R$ 23 mil por mês, além dos salários da mulher e das duas filhas, uma delas funcionária da TV Globo. Para justificar o entra e sai de dinheiro vivo e transferências em sua conta, Queiroz vai confessar que atuava na Assembleia como agiota, explorando a dureza dos funcionários, dos gabinetes, que vão confirmar a informação.

E mais: Queiroz vai dizer que, para disfarçar e não levantar suspeitas, fingia passar dificuldades financeiras e chegava a pedir dinheiro emprestado a Bolsonaro e aos filhos, vejam a que ponto chega a criatividade dessa gente.

PASSE DE MÁGICA – E não mais do que de repente, diria Vinicius de Moraes, tudo estará resolvido. O clã Bolsonaro deixará de ser suspeito de enriquecimento ilícito por explorar os assessores, o subtenente Queiroz já está se aposentando na PM e responderá a processo por agiotagem, que é crime mixuruca (artigo 4º da lei 1.521/51, que prevê pena de detenção de seis meses a dois anos), não cumprirá um só dia de cadeia e o filme terá um final feliz.

Furiosos, os Bolsonaro vão se dizer enganados pelo velho amigo, as relações serão cortadas, nada de pescarias nem churrascos, fica cada um para o seu lado.

E todo mundo vai acreditar nessa história, porque é Natal e eu também estou esperando Papai Noel com uma mensagem do escritor Charles Dickens. Aliás, tenho impressão de que foi o próprio Dickens que bolou essa saída para o presidente eleito.

Adivinhe o que a família Bolsonaro tem em comum com a família Vieira Lima

Wilson Dias / Agência Brasil

As evidências do caso complicam Flávio e Jair Bolsonaro

Carlos Newton

Na França, os investigadores da antiga “Sûreté Nationale”, que depois passou a se chamar Polícia Nacional, costumam recomendar “chercher la femme” (procurar a mulher), para se chegar ao criminoso. Nos Estados Unidos, os agentes federais do FBI sugerem “follow the money” (siga o dinheiro), método usado pelos repórteres do The Washington Post para desvendar a trama de “All the President Men”, o famoso escândalo do Edifício Watergate, que causou a renúncia do presidente Richard Nixon.

Para se saber a verdade sobre o emocionante caso do PM da ativa, que trabalhava como motorista e assessor parlamentar do deputado Flávio Bolsonaro acumulando salários em R$ 23 mil mensais, o exemplo da nossa Matriz norte-americana pode ser usado proveitosamente aqui na Sucursal brasileira. Basta seguir o dinheiro.

INVESTIGAÇÃO – A confusão já é enorme e a credibilidade do “mito” Bolsonaro está sendo enfraquecida sem que a investigação sequer tenha sido iniciada. Ainda não há inquérito sobre o assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz nem sobre o deputado estadual Flávio Bolsonaro. Mas o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) não deixa margem a dúvidas quanto à “movimentação financeira atípica” de R$ 1,2 milhão que envolve até a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

São depósitos em dinheiro vivo e em valores abaixo de R$ 10 mil, na esperança de não deixarem rastro, mas não adianta, porque a fraude fica caracterizada pelo conjunto da obra. É exatamente no conjunto da obra que chama atenção o surgimento do cheque de R$ 24 mil em nome da futura primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o marido alega ter sido o pagamento parcial de um empréstimo que fizera a Queiroz, cujo valor total nem lembra, poderia ser R$ 40 mil.

SEM NOVIDADE – Somente se houver investigação com quebra de sigilo bancário é que saberemos o que aconteceu e quem está mentindo. Mas já se sabe, antecipadamente, que oito nomes que constam do relatório trabalhavam na equipe do deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Posso estar equivocado, mas tudo indica que se trata de uma prática bastante comum na política brasileira – contratação de assessor que recebe apenas parte do salário. No caso da família Vieira Lima, por exemplo, alguns funcionários dos gabinetes de Geddel e Lúcio devolviam aos deputados empregadores 80% de suas remunerações. No caso da família Bolsonaro, é o mesmo modus operandi, não se sabe a percentagem, mas fica claro que o operador do esquema era Fabrício Queiroz, que controlava a contabilidade (pagamentos e redistribuição) e colocou sua mulher e as duas filhas na jogada.

Posso estar apressado, ao condenar sem julgamento etc. e tal, mas me parece evidente o que está acontecendo, circunstância que até explicaria o enriquecimento imobiliário do clã Bolsonaro.

COINCIDÊNCIA – A meu ver, não foi por mera coincidência que a família Queiroz pediu demissão conjunta dos empregos nos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro no dia 15 de outubro, uma semana após o primeiro turno, quando já se configurava a vitória do candidato presidencial do PSL no segundo turno.

As apressadas demissões da família Queiroz não se justificavam, porque em mais um mês e meio todos seriam demitidos automaticamente, quando terminassem os mandatos de deputado estadual e de deputado federal, exercidos por Flávio e pelo pai Jair Bolsonaro.

Da mesma forma, também não teria sido por mera coincidência a demissão de Walderice Santos da Conceição em agosto, quando se descobriu que era funcionária-fantasma do gabinete do Bolsonaro pai, ganhando cerca R$ 2,5 mil, com o marido trabalhando de caseiro na casa do deputado em Angra dos Reis.

Posso estar equivocado, mas essas demissões parecem queima de arquivo.

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P.S. 1 – 
Só falta agora os filhos de Bolsonaro acusarem o general Hamilton Mourão de estar tramando para derrubar o presidente eleito e assumir o poder. Na verdade, é a própria família Bolsonaro que está se autocarburando, porque é daquele tipo que pega fogo sozinho.

P. S. 2 – E que ninguém se desespere, porque Bolsonaro vai assumir o cargo e tocar seu governo. Como se sabe, ele só pode ser processado por crimes ocorridos durante o mandato e com autorização da Câmara, e isso jamais acontecerá, porque os políticos têm pavor do general Mourão.  (C.N.)

Coitado do ex-juiz Moro! Será que vai acreditar na desculpa de Jair Bolsonaro?

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Bolsonaro ainda tentou defender o motorista milionário

Carlos Newton

Para um ex-magistrado de grande competência como Sérgio Moro, fica difícil acreditar na desculpa de Jair Bolsonaro para o estranho caso do depósito de R$ 24 mil em nome de sua mulher, que Bolsonaro atribui a um empréstimo pessoal que fez ao amigo Fabrício José de Queiroz, motorista de seu filho Flávio. A versão do presidente eleito é cheia de furos ou brechas, como se dia atualmente. Os jornais estão falando em um “cheque de R$ 24 mil”, mas Bolsonaro se referiu a vários “cheques de R$ 4 mil”, sem especificar o montante.

Logo se saberá se o presidente eleito está falando a verdade ou não. Basta conferir se houve o depósito de um cheque de R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, ou foram seis cheques de R$ 4 mil, pagos simultaneamente. Isso o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) pode saber, com a maior facilidade.

Pessoalmente, eu gostaria de acreditar em Bolsonaro, mas está difícil. Dizer que não recebeu o dinheiro porque “não teve tempo” é algo em que nem criança acredita. Quem precisa ter tempo para fazer a operação é quem deposita, não quem recebe.

EM NOME DELE – Além do mais, os cheques de R$ 4 mil tinham de estar em nome do emprestador (Bolsonaro), que teria de aboná-los para que fossem acolhidos na conta de Michelle.  Portanto, o Coaf também pode apurar com facilidade se esses muitos cheques de R$ 4 mil realmente estão abonados pelo marido, em nome da mulher.

Além do mais, Bolsonaro nem lembra qual o valor do empréstimo original ao velho amigo, que certamente é hoje o motorista particular mais bem pago do país, com rendimentos de R$ 23 mil, segundo o Jornal Nacional.

Por fim, a amizade era tão próxima e consistente que a família Queiroz inteira (pai, mãe e duas filhas) trabalhava para o clã Bolsonaro, em empregos públicos comissionados, pagos pelo respeitável público na Assembleia do Rio e na Câmara Federal. Em tradução simultânea, é tudo tão estranho quanto um jabuti em cima de uma árvore, como dizia o senador maranhense Vitorino Freire.

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BOLSONARO DIZ QUE FOI PAGAMENTO DE DÍVIDA

Claudio Dantas     /      Site O Antagonista

Jair Bolsonaro disse a O Antagonista que os R$ 24 mil pagos pelo ex-assessor Fabrício José de Queiroz a Michelle Bolsonaro, por meio de cheques, são referentes à quitação de uma dívida pessoal – como revelou “Crusoé”. “Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil.”

Segundo o presidente eleito, Queiroz lhe fez dez cheques de R$ 4 mil. “Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso. Não quero esconder nada, não é nossa intenção.”

SEM LEMBRAR… – Bolsonaro disse não lembrar do valor original, que depois se avolumou. Ele comentou também que não registrou a operação no Imposto de Renda.

O presidente eleito contou que Fabrício Queiroz é seu amigo. Eles se conheceram em 1984, na Brigada Paraquedista. Era soldado, depois passou no concurso da PM e, mais tarde, virou assessor no gabinete do filho Flávio.

Bolsonaro falou ainda que se surpreendeu com a identificação pelo Coaf de uma movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz – incompatível com sua renda. E disse que cortou o contato com o amigo até que ele se explique para o Ministério Público.

A grande dúvida: Bolsonaro mandou Mourão se calar ou é apenas “fake news”?

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General Mourão culpa a mídia por “criar antagonismos”

Carlos Newton

Reportagem publicada por O Globo na quarta-feira, dia 5, às 11h45m, anunciou espalhafatosamente em seu site que o presidente eleito Jair Bolsonaro teria chamado à atenção o seu vice, general Hamilton Mourão, não somente o proibindo de dar novas declarações como também o afastando de qualquer atuação no governo. A matéria informou que a ordem de silêncio teria sido passada a Mourão por “alguns dos mais próximos aliados de Bolsonaro”.

Aqui na “Tribuna da Internet”, estranhamos a reportagem de O Globo, porque Bolsonaro e Mourão são grandes amigos e, se a notícia fosse verdadeira, certamente o pedido teria sido transmitido ao general-vice pelo próprio presidente eleito.

VAMOS AOS FATOS – No mesmo dia, a reportagem de O Globo foi desmentida pelos fatos, porque Mourão passou a quarta-feira em Belo Horizonte, onde deu uma entrevista atrás da outra. Comentou longamente a delicada situação de Onyx Lorenzoni, dizendo que, se houver ilicitude, Bolsonaro poderá demitir o chefe da Casa Civil. Depois, o general-vice anunciou o nome da advogada e pastora evangélica Damares Alves como ministra dos Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher. Falou também sobre a crise econômica, a reforma trabalhista e as relações entre União, Estados e municípios, entre outros assuntos.

No final do dia, ao tomar conhecimento da matéria exclusiva de O Globo, o general Mourão usou o Twitter para criticar aqueles que, segundo ele, tentam “criar antagonismos” na equipe do futuro governo: “A mídia tradicional insiste em criar antagonismos na equipe vencedora do pleito. Não conseguirá.”

TRÊS CONCLUSÕES – Em tradução simultânea, podem ser extraídas desse episódio três possíveis conclusões: 1) O presidente Bolsonaro não ordenou que o vice se calasse; 2) O presidente deu a ordem, mas general-vice está pouco ligando para o futuro chefe do governo; 3) O jornal O Globo publicou, com exclusividade, uma tremenda “fake news”.

O fato concreto é que, depois de contrariar a suposta “ordem” de Bolsonaro e dar um festival de entrevistas, Mourão se reintegrou normalmente ao Gabinete da Transição e e no dia seguinte (quinta-feira, dia 6) acompanhou Bolsonaro numa reunião com um grupo de coronéis da PM, acompanhados do senador Jose Medeiros (Podemos-MT), que é oficial da Polícia Federal Rodoviária para tratar da questão da segurança pública.

O fato mais estranho é que O Globo não voltou e insistiu na informação e continuou publicando em seu site uma sequência da matéria, desta vez  sob o título “Cala a boca, Mourão”, a propósito de abordar como eram as relações com o vice nos governos FHC, Lula e Dilma.

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P.S.
Sem querer ser vidente ou pitonisa, essa estranha reportagem só pode ter sido plantada pelos filhos de Bolsonaro. Na verdade, são eles que precisam calar a boca e parar de agir como se fossem porta-vozes do pai ou inquilinos do poder. Na economia, já temos de aturar os Chicago Boys. Mas nada justifica a interferência dos Bolsonaro Boys no governo, porque isso já passou os limites. (C.N.)

Para libertar o Brasil, Bolsonaro precisa ser mais nacionalista e menos neoliberal

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Uma boa pitada de nacionalismo pode fortalecer o governo

Carlos Newton

Na segunda-feira, publicamos aqui na “Tribuna da Internet” um importante artigo de Flávio José Bortolotto, que prevê a fusão entre um presidente Bolsonaro nacionalista-estatista e um presidente Bolsonaro neoliberal, dizendo que a mistura pode significar um bom equilíbrio: “O interesse nacional exige que tanto de um lado (nacionalista-estatista), como do outro (neoliberal), se eliminem os exageros. E o liberalismo bolsonariano deve ter caráter nacionalista, dando preferência para a empresa privada brasileira”.

Bortolotto é um dos maiores analistas econômicos da atualidade e diz ser antigo udenista, adepto da tese nacionalista de Carlos Lacerda, que defendia o desenvolvimento do país com base na industrialização conduzida por empresas de capital nacional. Esta tese é irrespondível e inquestionável. Por óbvio, não se deve fechar o país às multinacionais, e 500 das maiores corporações globais já funcionam no Brasil.  Simultaneamente, porém, é preciso incentivar a criação de poderosas corporações empresariais brasileiras, como ocorreu na Coréia do Sul e está acontecendo agora na China.

ERRO DA CHINA – O desenvolvimento chinês é espantoso, causa inveja a qualquer país, mas tem contraindicações. Não foi a China que procurou as multinacionais e as convidou para se instalarem lá. Foram as empresas ocidentais que procuraram a China, onde não há leis contra a poluição, e instalaram lá as indústrias poluentes que estavam sendo proibidas em seus países de origem.

O resultado é que a China se tornou o país mais poluidor do mundo, superando os Estados Unidos, que imitou o Brasil e começou a usar etanol para abastecer automóveis e reduzir a poluição do chumbo tetraetila (o antigo aditivo da gasolina). O mais incrível é que há alguns anos os EUA se tornaram o maior produtor de álcool, com base numa política antiética, que sobretaxou as exportações brasileiras e subsidiou a cadeia produtiva de etanol de milho e sorgo, muito mais caro, enquanto incentivava a plantação de cana de açúcar em suas zonas tropicais, especialmente na Califórnia.

FIM DE FESTA – A China ainda bate recordes de crescimento, mas está em fim de festa. O desenvolvimento provoca pressão por leis trabalhistas e previdenciárias, o trabalho semi-escravo está perto de acabar e a poluição não pode seguir liberada. Para realizar a Olimpíada de Pequim, em 2008, três meses antes o governo mandou parar a produção das indústrias da cidade e cercanias, para reduzir a poluição e não assustar os turistas.

O governo chinês admite que cerca de 400 mil pessoas morram a cada ano por causa da poluição, que inclui aquecimento doméstico no inverno com  perigosos fornos de lenha. Observadores internacionais dizem que o total de mortos deve ser multiplicado por 10, no mínimo. A cada ano, a poluição mataria cerca de 4 milhões de chineses, o que significa apenas um pequeno detalhe, para o governo do país que ainda tem o maior número de habitantes e logo será ultrapassado pela Índia.

EXEMPLO DO BRASIL – Ao contrário da China, o Brasil é um dos países com legislação ambiental mais avançada. Bolsonaro quer dar uma aliviada, para aumentar a fronteira agrícola, e há como fazê-lo, basta instituir imposto progressivo sobre terras improdutivas e aumentar a percentagem de áreas ambientais nessas áreas abandonadas.

Justamente por isso, o analista Bortolotto está mais do que certo ao prever que pode dar bons frutos a mistura do Bolsonaro nacionalista e do Bolsonaro neoliberal.

Pessoalmente, espero que o novo presidente seja mais nacionalista do que neoliberal, porque Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva conduziram governos neoliberais e o resultado foi desastroso.

Mesmo se tiver maioria no Supremo, Lula não vai conseguir escapar da cadeia

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Charge do Kleber Sales (Estadão)

Carlos Newton

Como todos sabem, sonhar ainda não é proibido nem paga impostos. Os petistas continuam delirando, na expectativa de conseguir libertar Lula da Silva mediante um daqueles repetitivos habeas corpus que a todo momento são apresentados ao Supremo e à Segunda Turma. No momento, há um habeas em aberto, com dois votos contra (Edson Fachin e Cármen Lúcia) e dois possíveis a favor (Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski). Mendes pediu vista para estudar o caso e encontrar algum argumento que convença Celso de Mello a votar a favor da libertação de Lula.

Aliás, convencer Celso de Mello não será nem difícil, pois ele é da turma dos “garantistas” e já libertou um homicida, réu confesso, que matou o sócio e escondeu o corpo, num dos crimes mais conhecidos de Minas Gerais, enquanto Lula está condenado apenas por corrupção e lavagem de dinheiro, não dá nem para comparar.

ATÉ SEM HABEAS – No caso de José Dirceu, foi até fácil, porque Dias Toffoli ainda estava na Segunda Turma, era relator e inventou um argumento maluco de que o ex-ministro não devia continuar ser preso, porque a terceira instância (Superior Tribunal de Justiça) poderia reduzir a pena ou até inocentá-lo… A curiosa e inventiva tese, que não se baseava em nenhum fato concreto ou doutrina jurídica, ganhou entusiástico apoio de Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, que então deram a Dirceu liberdade total, sem prisão domiciliar e tornozeleira, numa votação de 3 a 2.

O mais interessante e surpreendente é que os advogados de Dirceu nem haviam apresentado habeas corpus. O relator Tofooli é que resolveu criar o habeas “de ofício”, ou seja, por vontade própria. E ainda chamam isso de Justiça…

LULA LIBERTADO? – É claro que agora Celso de Mello pode atender a Gilmar e Lewandowski e mandar soltar Lula. A possibilidade existe, mesmo. Porém, de nada vai adiantar, porque o ex-presidente passaria apenas alguns dias em liberdade e logo estaria de volta à prisão.

O Superior Tribuna de Justiça (STJ) está prestes a julgar o recurso especial de Lula contra a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O ministro-relator Félix Fischer negou a liminar e os demais integrantes da Quinta Turma agora darão a palavra final. A chance de Lula ser solto é mínima, todas as decisões anteriores da Quinta Turma sobre ele foram por unanimidade: 5 a 0.

Depois disso, o assunto estará encerrado no STJ. Se Lula ainda estiver preso, continuará na cadeia. Se tiver sido solto pela Segunda Turma do Supremo, voltará para a prisão.

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P.S.
 1Depois de julgado no STJ, o Supremo não poderá mais libertar Lula, a não ser que haja inconstitucionalidade na decisão, o que “non ecziste”, na visão do famoso Padre Óscar Quevedo.

P.S. 2 – Este é o quadro atual da situação de Lula, sem choro nem vela, como dizia Noel Rosa. A única variável é ele ser solto pela Segunda Turma do Supremo, antes da condenação no STJ, e fugir para algum país amigo, como Cuba, Venezuela, México ou Bolívia, alegando ser preso político. Talvez eles até acreditem nesse papo furado, porque tudo é possível(C.N.)

Guedes “esnobou” a força-tarefa e ia viajar sem ter pedido para adiar o depoimento

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Reportagem de Mariana Oliveira, da TV Globo Brasília, divulgada nesta terça-feira pelo site G1, mostra que o economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, deu uma “esnobada” nos procuradores, auditores e delegados federais da Operação Greenfield e ia viajar para Europa sem ter pedido para o adiar seu depoimento à força-tarefa, marcado para esta quarta-feira,  dia 5, depois de já ter sido adiado no dia 6 de novembro.

Guedes ia viajar no final de semana para a Espanha e outros países da Europa, a pretexto de participar de eventos para anunciar as reformas a serem feitas pelo governo Bolsonaro, que ainda nem foram decididas. Mas não conseguiu viajar devido a uma infecção respiratória. E somente nesta terça-feira, depois da matéria publicada aqui na “Tribuna da Internet”, é que seus advogados comunicaram à força-tarefa a necessidade de adiar o interrogatório.

FUNDOS DE PENSÃO – Paulo Guedes é alvo de um inquérito que apura prejuízos a fundos de pensão. Segundo uma auditoria feita pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), quatro fundos (Previ, Petros, Funcef e Postalis), aplicaram em dois fundos de investimento administrados diretamente por Paulo Guedes e  em uma empresa por ele presidida, e teriam perdido R$ 200 milhões, segundo reportagem do site G1, da Organização Globo.

Quando o inquérito foi aberto, a defesa de Paulo Guedes afirmou que a investigação se baseia em um relatório “fragilíssimo”, que tratou de apenas um entre quatro investimentos realizados, omitindo o lucro “considerável” que o fundo teria propiciado aos investidores, com perspectiva de ganhos de mais de 50% do valor investido.

As investigações prosseguiram, a alegação da defesa não se confirmou e a força-tarefa insiste em interrogar Paulo Guedes. Como ele diz ser inocente e vai comandar a economia nacional, sua obrigação seria se apresentar o quanto antes e resolver logo o assunto, mas não é isso que se constata.

BOLSONARO – No último domingo, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que ainda não tinha sido informado sobre o inquérito de Guedes. Instado pelos jornalistas, reafirmou que se a denúncia tiver “robustez”, não terá dúvidas e afastará qualquer ministro envolvido em irregularidades.

Embora a imprensa esteja tratando o assunto com “luvas de pelica”, como se dizia antigamente, o fato é que a acusação é grave, porque Paulo Guedes investiu o dinheiros dos empregados das estatais em uma empresa que ele próprio presidia – a HSM Educacional S/A, vejam a que ponto as coisas chegam aqui no Brasil.

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P.S.
Na situação em que a política brasileira se encontra, toda pessoa que ocupa cargo público deveria ser igual à mulher de César. que não precisava apenas ser honesta, mas tinha também de parecer que era honesta. O presidente Bolsonaro devia aproveitar a chance e se livrar logo de Guedes. Um ministro da Economia que já foi banqueiro e se curva ao Deus Dinheiro deveria ser considerado um estranho no ninho, porque é sempre suspeito de estar à venda, como se fosse um produto qualquer na loja de conveniências do Posto Ipiranga mais próximo. (C.N.)

Guedes ia viajar para a Europa às vésperas de prestar depoimento à força-tarefa

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Guedes já deveria ter procurado a força-tarefa para depor

Carlos Newton 

Às vésperas de prestar depoimento perante a força-tarefa da Operação Greenfield, que apura corrupção nos principais fundos de pensão do país, o economista Paulo Guedes iria viajar no fim de semana nesta segunda-feira para a Europa, a propósito de participar do evento “Grandes desafios da América Ibérica”, organizado em Madri pela Fundación Internacional para la Libertad, presidida pelo escritor peruano Mário Vargas Llosa, e depois viajar a outros países. 

O NOVO GOVERNO – Na capital espanhola, Guedes participaria, ao lado do também futuro ministro Sérgio Moro (Justiça), de um painel intitulado “Brasil, principais alinhamentos do novo governo”, mediado por Vargas Llosa.

Guedes acabou não viajando, por recomendação médica. Segundo a assessoria da Transição, “Guedes está com febre alta, resultante de uma infecção viral nas vias respiratórias”. A nota assinala que “o médico que o examinou recomendou repouso absoluto e desaconselhou viagens de avião nesta semana.

Portanto, será adiada também a série de eventos, previstos para ocorrerem também esta semana na Europa, com o objetivo de apresentar a agenda econômica do próximo governo para grandes investidores interessados no Brasil e mídia especializada”, diz a nota da assessoria da Transição.  

TUDO ESTRANHO – Realmente, a situação está nebulosa e tudo parece estranho. Estamos em plena reta final da transição do governo, quando ainda nem estão decididas as reformas da Previdência e da Dívida Pública, que são as principais medidas a serem tomadas no início da gestão de Bolsonaro, e também não se chegou a uma decisão sobre a cessão onerosa do Pré-Sal, para injetar recursos no novo governo e socorrer os Estados.

Mesmo sem estar nada decidido, de repente, não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, o futuro ministro da Economia estava seguindo para o exterior com objetivo de com o objetivo de “apresentar a agenda econômica do próximo governo para grandes investidores interessados no Brasil e mídia especializada”?

Quer dizer, os europeus iriam saber as medidas do futuro governo Bolsonaro antes de nós, os brasileiros? O que estará havendo?

E O DEPOIMENTO – A nota nada informa sobre o depoimento à força-tarefa. Terá sido adiado novamente? Ou será que Guedes pretendia sair à francesa e deixar os procuradores e delegados federais falando sozinhos? É tudo muito estranho. Será que a força-tarefa terá de recorrer à condução coercitiva, que no caso tem procedência, em função dos dois adiamentos?

O fato concreto é que essa infecção na garganta chegou em boa hora, porque evita que o futuro ministro da Economia revele em primeira mão ao exterior as medidas que deveria anunciar ao brasileiros, que já estão pagando o salário e as mordomias dele.

Guedes está agindo estranhamente. Desde que saíram as denúncias, ele já deveria ter tomado a iniciativa de explicar em detalhes as operações financeiras que comandou para os fundos de pensão, consideradas temerárias e ruinosas pelos auditores da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), um autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. Se ainda não o fez nem quer fazer, é por que tem culpa no cartório, como diziam antigamente.

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P.S.Segundo a auditoria da Previc, deram prejuízo as aplicações de Paulo Guedes numa empresa de palestras por ele presidida. Eis a questão: Guedes realmente aplicou os recursos dos trabalhadores em uma empresa que pertencia a ele, algo verdadeiramente inexplicável, impensável e injustificável. É por isso que está fugindo da força-tarefa. (C.N.) 

Baixo nível dos comentários incomoda, é claro, mas a gente vai levando…

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Charge do Arcadio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em artigo publicado neste domingo, Francisco Bendl chamou atenção para a radicalização dos comentários aqui na “Tribuna da Internet”, que continuam a se travar como se ainda não tivesse ocorrido a eleição. E assinalou: “Não estou generalizando, não. Na verdade, se assim me expresso, deve-se ao fato de que os comentários têm sido muito vagos, inespecíficos, porém estou identificando-os em suas falhas, em que petistas querem o mal para o país porque derrotados nas urnas, e os favoráveis a Bolsonaro o defendem dessas críticas, haja vista acusarem os petistas de falir com o Brasil e explorar e roubar o povo ininterruptamente, mas a defesa dos interesses do país inexiste!”.

Bendl tem razão, parece que os comentaristas tomaram um caminho equivocado. Este Blog existe para que sejam trocadas opiniões sobre os principais temas de interesse público, de forma a serem buscadas as melhores soluções. Mas não é isso que está acontecendo.

DISCUSSÕES HISTÉRICAS –  Os comentaristas perdem tempo em discussões agressivas, totalmente estéreis e até histéricas. Comportam-se como torcedores de futebol de baixo nível ou fiéis religiosos que usam antolhos e não conseguem enxergam o mundo que existe a seu lado.

Bendl se desaponta com esses comportamentos, que destoam inteiramente dos objetivos do Blog. Na verdade, há comentaristas que nem tentam raciocinar acerca das teses apresentadas pelos articulistas. Dependendo do autor, são sempre contra e então procuram encontrar argumentos que possam reforçar suas colocações. É uma postura infantil e patética, que deve ser encarada com piedade e até humor, pois essas pessoas certamente não têm medo do ridículo.

Mesmo assuntos que são consensuais, já passados a limpo pela humanidade, como a liberdade de expressão, podem ser criticados por esses comentaristas radicais, que sonham em transformar o Blog num samba de uma nota só, algo que jamais acontecerá.

SEMPRE EM FRENTE – O importante é que a “Tribuna da internet” segue em frente, cada vez mais lida e influente. Se fosse um samba de uma nota só, como alguns comentaristas pretendem, se tornaria apenas mais um blog como os outros, sem a menor importância.

E agora vamos ao balanço de novembro, agradecendo muito as contribuições que nos permitem manter a TI com edições diárias e sempre atualizadas.

De início, as contribuições feitas na conta da Caixa Econômica Federal.

DIA   REGISTRO    OPERAÇÃO           VALOR
05       002915             DP DIN AG                  100,00   

06       061405             DP DIN LOT                52,00
12       002915             DP DIN AG                  100,00 
16       161051              CRED TEV                   20,00
19       002915             DP DIN AG                 100,00   
19       003392            DP DIN AG                  20,00
22       300011             DOC ELET                   31,00
26       002915             DP DIN AG                  100,00
27       270936             DP DIN LOT                230,00
29       290948            DP DIN LOT                100,00       

Agora, as contribuições feitas na conta do Itaú/Unibanco.

05      TBI 2958.07601-6 TRIBUNA              40,00
06      TBI 2971.21174-9 C/C                          150,00
16       TED 001-4383 WASHINGTON R      70,00
23      TED 033.1593 DAVID SOUZA            30,00
29      TED 033.3591 ROBERTO SNA         200,00
30      TBI 0406.49 194-4 C/C                       100,00

Agradecendo, mais uma vez o apoio, vamos em frente.

Bolsonaro admite demitir Guedes se ele tiver prejudicado os fundos de pensão

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A força-tarefa vai interrogar Guedes nesta quarta-feira

Carlos Newton

Reportagem de Vladimir Netto, publicada pelo G1 Brasília, mostra que Jair Bolsonaro é um homem de palavra e já admite demitir o economista Paulo Guedes, caso se confirmem as denúncias de que o futuro chefe da equipe econômica prejudicou fundos de pensão ao levá-los a fazer investimentos em empresa por ele controlada, a HSM Educacional S/A.

Em entrevista neste sábado (dia 1º), após solenidade de formatura de cadetes na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (Rio de Janeiro), Bolsonaro afirmou que não tinha conhecimento de que a Polícia Federal abrira inquérito para investigar Paulo Guedes, que será nomeado ministro da Economia.

AFASTAMENTO – “Investigação do Paulo Guedes? Desconheço”, afirmou Bolsonaro, que depois pediu a próxima pergunta aos repórteres. Em seguida, acrescentou: “Eu integro o Poder Legislativo no momento e integrarei o Executivo. Isso compete ao Judiciário. Como [foi] conversado com Sérgio Moro, qualquer robustez em denúncia, nós afastaremos o respectivo ministro, independente de quem seja”.

Apesar de já terem sido publicadas notícias a respeito, Bolsonaro ainda desconhecia que a Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar se Paulo Guedes cometeu irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento. A PF atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF), que havia requisitado o inquérito em outubro.

O depoimento de Guedes à força-tarefa da Operação Greenfield estava previsto para acontecer dia 6 de novembro. Mas o interrogatório foi remarcado para a próxima quarta-feira, dia 5, devido a problemas de agenda dos procuradores federais, segundo informou o jornal Valor.

DIZ PAULO GUEDES – Em nota, os advogados de Paulo Guedes afirmaram que ele agiu corretamente em todas as operações envolvendo fundos.

“A defesa de Paulo Guedes reafirma a lisura de todas as operações do fundo que, diga-se de passagem, deu lucro aos cotistas, incluindo os Fundos de Pensão. Espera também que a investigação – agora corretamente conduzida no âmbito da Polícia Federal – apure as incoerências do relatório irregular produzido na Previc”, disseram os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.

Bem, “diga-se de passagem” é expressão inapropriada à espécie. É preciso que a defesa não somente diga, mas comprove com números os tais lucros que as operações de Guedes teriam dado.

DIZ A PREVIC – Segundo a Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), autarquia subordinada ao Ministério da Fazenda, deram prejuízo as aplicações de Guedes na empresa de palestras por ele presidida – eis a questão, pois o economista realmente aplicou os recursos dos trabalhadores em sua própria empresa, algo verdadeiramente inexplicável, impensável e injustificável.

Na verdade, Bolsonaro jamais deveria ter-se ligado a um economista de mercado. Seria melhor buscar um conselheiro acadêmico, como Carlos Lessa ou Darc Costa. Todo economista de mercado é devoto ao Deus Dinheiro. Guedes, então, que já foi até banqueiro, é um fiel extremado e radical. Vamos ver o que ele diz no depoimento desta quarta-feira.

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P.S
O Brasil é hoje uma espécie de campo de experiências do Deus Dinheiro. Aqui tenta-se o primado do capitalismo financeiro, que torna mais rentável aplicar o dinheiro do que criar uma atividade produtiva. Isso significa a antítese do capitalismo, porque a aplicação financeira não envolve risco. Na outra ponta, em todas as operações de empréstimos os bancos cobram juros compostos (juros sobre juros), a agiotagem oficial reina. E o verdadeiro capitalista, aquele que sonha em abrir empresas e gerar empregos, fica totalmente desestimulado de aplicar seus recursos em atividades produtivas. Os bancos brasileiros batem recordes de lucros, enquanto o país vive a maior crise financeira de sua História, algo inadmissível em qualquer país minimamente civilizado, em que as crises atingem a todos os setores, indistintamente. E ninguém nota que no Brasil há algo de podre, que está cheirando mal, muito mal. (C.N.)

Eduardo Bolsonaro se comporta nos EUA como porta-voz do governo

Eduardo Bolsonaro

Eduardo não tem nada na cabeça e está perdendo os cabelos

Carlos Newton

“Não vamos mais ser um país socialista e estamos contentes em ficar mais próximos dos EUA”, disse o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que está nos Estados Unidos e concedeu uma entrevista neste final de semana à rede de TV norte-americana Fox News. Comportando-se como se fosse porta-voz do governo de seu pai, o deputado paulista fez várias afirmações sobre questões que ainda estão sendo estudadas pelo futuro governo, como se já estivessem sido decididas oficialmente:

Na entrevista à Fox News, o parlamentar reiterou ainda o desejo de seu pai de transferir, a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, acompanhando a decisão dos Estados Unidos, que até hoje só foi seguida pelo governo da Guatemala,

VENEZUELA – “Vamos buscar não reconhecer a última eleição na Venezuela”, assinalou, citando supostos problemas de comparecimento às urnas pelo eleitorado daquele país.

Nessa excursão pessoal aos Estados Unidos, que iniciou na semana passada, Eduardo Bolsonaro participou, entre outros eventos, da festa de aniversário de Steve Bannon, ex-estrategista de campanha de Donald Trump.

Num encontro fechado com investidores norte-americano, o filho mais velho de Bolsonaro, que não vai participar do governo, afirmou que a n ova gestão terá problemas no Congresso Nacional para aprovar a reforma da Previdência. Disse aos investidores que não iria mentir e afirmou que vai ser ‘uma guerra’ no Congresso e o governo de Bolsonaro ‘talvez não consiga’ aprovar a reforma da Previdência.

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P.S.
Neste Natal, o melhor presente que se pode dar ao presidente eleito é uma coleção de mordaças, para que ele faça uso e evite que seu três filhos e alguns ministros continuem a dar declarações absurdas, como é o caso do chanceler Ernesto Araújo, que parece ter um parafuso a menos, conforme se dizia antigamente. Aliás, essa história de que o Brasil é um país socialista o deputado Bolsonaro deve ter apreendido lendo o blog do futuro ministro. Aliás, chanceler blogueiro é uma inovação na diplomacia mundial. Nenhum país sério aceitaria um chanceler blogueiro, que sofre de incontinência verbal. (C.N.)

Não acredite em reforma da Previdência que não inclua o fim da “pejotização”

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Carlos Newton

A esperança é enorme e aguarda-se com ansiedade o que será feito da reforma da Previdência. O futuro presidente Jair Bolsonaro já descartou o projeto preparado pelo governo Michel Temer, sob coordenação de Marcelo Caetano, secretário de Previdência desde a gestão de Henrique Meirelles na equipe econômica. Bolsonaro foi curto e grosso, alegando se tratar de uma proposta que punia os trabalhadores. Realmente, Caetano não é confiável para opinar na questão, por se tratar de um ardoroso defensor da Previdência Privada e que até recentemente trabalhava como consultor de um fundo criado por um dos maiores bancos brasileiros. Era uma espécie de “agente infiltrado”.

Até agora, nada foi revelado pela equipe econômica, a reforma da Previdência continua sob impenetrável sigilo. Sabe-se apenas que serão aceitos alguns pontos da proposta dos economistas Armínio Fraga e Paulo Tafner, que prometem alívio de R$ 1,3 trilhão aos cofres públicos no acumulado de dez anos, o que parece um sonho difícil de acontecer, se não houver redução drástica de aposentadorias já concedidas, sobretudo de servidores civis e militares, o que seria altamente inconstitucional.

UMA ESPERANÇA – Pessoalmente, tenho esperanças de que o presidente Bolsonaro ponha fim à chamada “pejotização”, a transformação de empregados em falsas pessoas jurídicas, uma manobra ardilosa que possibilita alta sonegação de Imposto de Renda, INSS e Fundo de Garantia pela empresa e pelo funcionário pejotizado.

Bolsonaro sabe o que significa essa armação sonegatória e até usou esse conhecimento específico para nocautear os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos, porque os dois são pejotizados e sabem muito bem o que isso significa em matéria de sonegação. O mesmo argumento Bolsonaro já havia usado com sucesso na GloboNews, ao ser entrevistado pelo primeiro time da emissora global.  

Não é possível calcular ao certo o total sonegado com a pejotização, mas pode-se dizer, sem medo de errar, que é uma soma astronômica, que reduz drasticamente a receita do INSS, do Imposto de Renda e do Fundo de Garantia, dando um prejuízo brutal aos cofres públicos.

UM EXEMPLO – Vejamos o caso de um apresentador de TV que ganhe R$ 400 mil por mês. Como pessoa jurídica pelo Simples, ele paga apenas 30,5%. somando vários impostos. Se fosse pessoa física, pagaria aqui no Brasil 27,5% só de Imposto de Renda (nos EUA, nossa Matriz, seriam 35%).

Além dos 27,5% do IR, o feliz pejotizado deixa de pagar os 11% do INSS. Ou seja, ao invés de descontar 38,5%, paga apenas 30,5%, sonegando 8% (R$ 32 mil por mês). Se tiver um bom contador e pagar IR pelo lucro real, pode jogar praticamente todas as despesas familiares para a contabilidade da falsa empresa, e aí o céu é o limite para a sonegação…

Quem sonega mais e diretamente é a emissora de TV, porque não paga os 20% do INSS nem os 8% do Fundo de Garantia. Quer dizer, já começa sonegando 28%. E ainda joga o salário de R$ 400 mil do apresentador na rubrica Despesas Operacionais, jogada que vai reduzir lá na frente o Imposto de Renda da empresa.

MATRIZ E SUCURSAL – Juntando a sonegação da empresa e do empregado pejotizado, neste salário de R$ 400 mil, chega-se a um mínimo de 36% (R$ 144 mil mensais), sem falar na redução adicional do IR ao jogar o salário em Despesas Operacionais.

As coisas funcionam assim aqui na Sucursal, mas na nossa matriz, os Estados Unidos da América, não existe essa moleza. O Imposto de Renda deste empregado seria de 35%, e estamos conversados.  E a empresa pagaria seu IR em outra rubrica.

É por isso que lá nos States o gangster Al Capone pegou cadeia e o superstar Wesley Snipes ficou três anos preso e mais quatro meses em prisão domiciliar por sonegar impostos.

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P.S. 1
Logo saberemos se Bolsonaro estava falando sério quando por duas vezes criticou a pejotização, ou se é mais uma conversa fiada.

P.S. 2Por essas e outras, fique ligado e não acredite em reforma da Previdência que não acabe com a pejotização. No Brasil, não existe mais empregado de alto salário na iniciativa privada, todos já viraram falsas pessoas jurídicas, para sonegar à vontade. Mas quem se interessa? (C.N.)

Bolsonaro precisa seguir o exemplo de Witzel e mandar fazer auditorias

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Witzel vai auditar os contratos de Pezão que estão em curso

Carlos Newton

Diante do envolvimento do governador Luiz Fernando Pezão (MDB) com o megaesquema de corrupção institucionalizado no Rio de Janeiro, o governador eleito Wilson Witzel (PSC) decidiu encomendar auditorias para apurar os contratos em andamento, sem que isso signifique paralisar o governo. É uma providência altamente sensata e acauteladora. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deveria seguir este exemplo e determinar auditorias em pelo menos duas questões fundamentais para o país – a dívida pública e o déficit da Previdência Social.

O fato concreto é que diversos países costumam promover auditorias em suas contas. Não significa uma caça às bruxas, como se dizia antigamente, mas apenas exercer de forma plena o direito de fiscalização, que é inerente à administração pública.

EXEMPLO DE VARGAS – Quando a Constituinte estava em curso, o grande problema era a dívida externa. O governo de José Sarney não conseguiu pagar e teve de declarar moratória. Justamente por isso, os parlamentares incluíram na nova Constituição a obrigatoriedade de se fazer uma auditoria na dívida externa, mas isso jamais foi realizado, porque o próprio Sarney se encarregou de descumprir a Constituição.

Trinta anos depois, o problema agora é a dívida interna, que está impedindo o desenvolvimento nacional. Não há obrigação de fazer auditagem, mas é sempre bom fazê-lo, lembrando que Getúlio Vargas mandou auditar a dívida pública logo depois da revolução de 1930, e o país então viveu 15 anos de crescimento econômico.

Seria oportuno que Bolsonaro pedisse a auditoria, até porque essa análise já vem sendo feita pela instituição Auditoria Cidadã da Dívida, criada por Maria Lúcia Fattorelli, uma das maiores especialistas do mundo, que conseguiu reduzir as dívidas públicas da Grécia e do Equador.

EMPECILHOS – Pessoalmente, eu tinha esperanças de que Bolsonaro se atrevesse a mandar fazer auditoria da dívida e da Previdência, mas acho que não terá essa bravura cívica. É o único político que poderia dar um basta neste regime de agiotagem financeira que corrói o Brasil. No entanto, parece claro que não o fará, porque colocou um ex-banqueiro para cuidar da economia.

O maior problema da dívida diz respeito à capitalização dos juros, codinome da velha prática de juros sobre juros (ou seja, juros compostos), que deveria ser proibida. A Súmula 121 do Supremo é clara: “É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada”.

Mas a Medida Provisória 2.170-36/2001, de Fernando Henrique Cardoso, autorizou a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano nas operações realizadas pelas instituições financeiras, e o próprio STF considerou que não havia inconstitucionalidade nas disposições normativas que estabeleciam para o sistema financeiro critérios de remuneração diferentes dos fixados pela Lei de Usura.

TRANQUILIDADE – Com Paulo Guedes à frente da equipe econômica, os banqueiros podem dormir tranquilos, porque está tudo dominado e não há esperanças de auditoria na dívida pública.

Para disfarçar e fingir que a equipe econômica é nacionalista e zela pelos interesses públicos, o novo governo poderia auditar pelo menos a reforma da Previdência, em função das controvérsias levantadas por sindicatos e federações de servidores dos setores previdenciário e fazendário.

Além do mais, não se pode confiar numa reforma conduzida por um servidor chamado Marcelo Caetano, que defende abertamente a Previdência Privada e até recentemente era diretor de um desses fundos criados pelos banqueiros. Essa auditoria, a meu ver, seria fundamental para garantir a credibilidade da reforma, que vem sendo realizada às ocultas, sem um debate nacional.

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P.S.
Parodiando Fernando Pessoa e Ulysses Guimarães, auditar é preciso. E não há razão para não fazê-lo. No meu entender, Bolsonaro não deveria confiar plenamente em ninguém e precisa desconfiar dos interesses que sempre se escondem por trás dos grandes números. E devemos lembrar o que dizia o genial Saint-Exupéry, pela voz do seu Pequeno Príncipe: “Gente grande gosta de números”. (C.N.)

Com certeza, não há nada tão vergonhoso quanto a Suprema Corte brasileira

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            Charge do Bier (Arquivo Google)

Carlos Newton

Entre os projetos que estão em estudos pela equipe do futuro ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro, precisa constar a mudança dos critérios para nomeação de magistrados. A Ordem dos Advogados do Brasil pode protestar à vontade, mas não é possível continuar com essa prática de nomear livremente um quinto dos juízes dos tribunais, porque a simples exigência de “conduta ilibada e notório saber” é uma balela.

O critério de escolha quase sempre é essencialmente político e fisiológico, com pitadas de mera afetividade, conforme ficou provado nas indicações das filhas de dois ministros do Supremo, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux. Num país em que nepotismo é proibido, não teria sido muito mais correto se elas tivessem estudado e se submetido a concurso para se tornarem magistradas? Creio que sim.

APENAS UTOPIA – A desabonadora realidade é que no Brasil o ideal da meritocracia é apenas uma utopia que jamais se concretiza. A prática em vigor continua sendo o fisiologismo, pois o grandioso sonho de Getúlio Vargas, ao criar o DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), parece ter morrido junto com ele, com uma bala no peito.

Devido à existência do quinto constitucional, não é apenas o Supremo que fica composto por falsos magistrados, que se tornam eternos devedores dos políticos que os nomearam. Os outros tribunais também abrigam juízes de fancaria, como o ex-advogado Rogerio Favreto, que protagonizou aquela jogada ridícula para soltar Lula em seu plantão de fim de semana no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Favreto era filiado ao PT e trabalhou na Casa Civil dos governos petistas, antes de ser premiado com o cargo vitalício de desembargador federal.

CASO DE DIRCEU – Essas distorções do sistema transformam a Justiça brasileira numa peça de ficção, a ponto de um criminoso reincidente como José Dirceu ter sido solto por um habeas corpus que seus advogados sequer impetraram. Ou seja, foi libertado por ato voluntário de Dias Toffoli, que é seu amigo pessoal e seu ex-empregado. Essa sumidade chamada Toffoli mandou soltar “de ofício” o velho amigo, sob argumento de que o Superior Tribunal Federal poderia rever a condenação dele em grau de recurso…

Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes aplaudiram esse argumento fake e Dirceu foi então libertado em nome da Justiça, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.

INDULTO DE NATAL – Nesta quinta-feira, dia 29, houve mais uma vergonhosa sessão do Supremo, em que os ministros “garantistas” se esmeraram em buscar argumentos para favorecer uma súcia de corruptos que o ainda presidente Michel Temer tenta proteger. Como lembrou em boa hora o jurista Jorge Béja, o indulto de Temer jamais poderia ser aceito pelo STF, por ser absolutamente amoral.

 Os ministros do Supremo, em sua maioria, estão pouco se importando com a moral e os interesses nacionais. Esta é a nosso dolorosa. Ainda bem que o ministro Luiz Fux interveio, pediu vista e adiou o novo vexame. Quem sabe os juízes do Supremo têm um ataque de bom senso e conseguem mudar de ideia???  Mas é claro que não. Nem a Velhinha de Taubaté acredita que o Supremo faça alguma coisa que preste.

Bolsonaro precisa dar um jeito na própria família, antes de ajeitar este país

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Os homens de preto agem como porta-vozes do governo

Carlos Newton

Em 1988, durante a Assembleia Constituinte, de repente encontrei no Salão Verde da Câmara o lendário jornalista Barbosa Lima Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Imprensa. Ele disse que precisava encontrar com o senador Jarbas Passarinho (PDS-PA) e me convidou para ir junto. Durante a conversa, o parlamentar paraense fez uma curiosa revelação pessoal. Afirmou que um dos maiores problemas do político é a própria família, cujos integrantes sempre pressionam pedindo emprego ou favores para eles mesmos ou para parentes e amigos. “É um inferno”, desabafou. E realmente a família pode ser um problema para os políticos, como está acontecendo agora com o presidente eleito Jair Bolsonaro.

Os filhos dele – Eduardo, Flávio e Carlos – Bolsonaro são muito mal educados. Comportam-se como se fossem porta-vozes do governo. É uma esculhambação familiar inaceitável num país em que nepotismo é proibido.

DESVIO DE FUNÇÃO – Os rebentos do primeiro casamento de Bolsonaro, que está no terceiro matrimônio e tem mais dois filhos, Jair Renan e Laura, precisam ser contidos a qualquer custo, porque estão causando problemas ao futuro governo, que tem de se acertar internamente para conquistar respeito externo.

Depois de o presidente Bolsonaro ter recuado no caso da embaixada em Jerusalém, chutando a decisão para janeiro, e depois de o vice-presidente, general Mourão, ter dito que o assunto precisa ser repensado, porque o Brasil não pode se arriscar a fazer parte da rota do terrorismo islâmico, um dos filhos de Bolsonaro volta a atiçar o tema.

Nesta terça-feira, dia 27, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), durante visita aos EUA, fez questão de declarar que a transferência da embaixada para Jerusalém é uma decisão tomada.  “Não se sabe ao certo a data, quando ocorre, mas temos a intenção… A questão não é perguntar se vai, é perguntar quando vai”, disse Eduardo Bolsonaro, cheio de certezas.

 

DÚVIDA ATROZ – Afinal, quem manda nesse governo? É uma pergunta importante e que precisa de resposta. O presidente eleito Jair Bolsonaro recebeu nesta quarta-feira (dia 28), a visita do embaixador de Israel, Yossi Shelley, na Granja do Torto, mas não informou o assunto do encontro. Ou seja, mantém reserva sobre o polêmico assunto da mudança da embaixada, mas seu filho Eduardo tem outra visão do problema.

É claro que se trata de nuvem passageira, porque Eduardo Bolsonaro é deputado federal e deverá passar a cuidar do próprio mandato, espera-se. Da mesma forma, aguarda-se que Flávio tome posse como senador e arranje o que fazer, enquanto o terceiro filho Carlos é vereador no Rio de Janeiro e também precisa fazer jus à generosa remuneração que o povo lhe paga.

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P.S. –
Antes que a nuvem passe, o presidente eleito precisa colocar ordem na bagunça, porque álbum de família só é bom em retratos, segundo a visão insuspeita de nosso amigo Nélson Rodrigues, que mantinha duas famílias ao mesmo tempo. (C.N.)

Bolsonaro e Guedes desconhecem projeto que pode demolir o governo (Parte II)

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Apanhado em flagrante, José Serra não dá mais entrevistas

Carlos Newton

Quando assinalamos aqui na “Tribuna da Internet” que o presidente eleito Jair Bolsonaro e o superministro Paulo Guedes desconheciam o projeto 459/2017, que ameaça demolir o novo governo, não havia o menor exagero nesta afirmação. É tudo rigorosamente verdadeiro. O objetivo da proposta, fruto da criatividade do senador José Serra (PSDB-SP), é permitir a realização de operações ilegais de crédito por governantes federais, estaduais e municipais, mediante desvio do fluxo da arrecadação tributária, numa prática que está ocasionando graves prejuízos aos cofres públicos, sem haver prévia inclusão no respectivo Orçamento ou autorização do Legislativo.

Disfarçado sob o manto da “securitização”, na verdade o esquema foi criado para beneficiar os banqueiros e representa um atentado à Lei de Responsabilidade Fiscal, criada justamente para evitar que administrações públicas pudessem ir à bancarrota, uma possibilidade que reduz as chances do governo Bolsonaro obter o sucesso esperado.

DIRETO NA PAUTA – Em final de mandato, é preciso manter o Congresso sob vigilância total. Da mesma forma como ocorreu ao ter aprovação do Senado, onde nem passou pela Comissão de Constituição e Justiça, também na Câmara o projeto de Serra já está “pronto para pauta” no plenário, apesar de ainda aguardar parecer do relator na Comissão de Finanças e Tributação e de nem ter sido examinado na CCJ, embora seu teor seja absolutamente ilegal.

O texto foi redigido de forma ardilosa, em linguagem cifrada e ininteligível, para tornar legais alguma práticas inconstitucionais e lesivas, adotadas por alguns estados e municípios, e que vêm causando enormes prejuízos ao erário público, conforme já foi denunciado pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público de Contas.

Outros órgãos de controle também têm repudiado a “engenharia financeira” do projeto, a exemplo dos Tribunais de Contas de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Recentemente, devido às graves consequências constatadas, o Tribunal de Contas do Paraná suspendeu definitivamente a cessão de créditos e o governo de Goiás também interrompeu a estruturação do esquema.

É uma nova forma de levantar empréstimos fora da lei, favorecendo os banqueiros, que têm garantia total de recebimento, exigindo como caução a própria arrecadação tributária do governo cedente, conforme ocorreu em vários estados e municípios.

EXEMPLO DE BH – No caso de Belo Horizonte, o banco BTG Pactual S/A comprou um volume de créditos tributários por R$ 230 milhões. A empresa PBH Ativos S/A ficou com R$ 30 milhões e repassou R$ 200 milhões para o município de Belo Horizonte. O mecanismo foi uma mera fachada para o município obter esse empréstimo de R$ 230 milhões, que já descontava 10,5% (R$ 30 milhões) no ato.

Como esse empréstimo não é contabilizado como dívida, seu pagamento se dá por fora, com utilização de recursos tributários desviados ainda na rede bancária, um verdadeiro escândalo!

Então, numa operação de R$ 200 milhões, em apenas três anos a prefeitura de Belo Horizonte já teve perda comprovada de R$ 70 milhões, conforme dados oficiais analisados pela CPI da Câmara Municipal, que permitiu acesso a escrituras, documentos contábeis e contratos da PBH Ativos S/A. A análise dos papéis revelou que referida empresa é mero veículo de passagem para confundir e dificultar a visualização das operações ilegais e fraudulentas, que envolvem o desvio e sequestro de recursos públicos, além da perda de controle sobre a arrecadação tributária e danos financeiros efetivos.

PRÉ-FALÊNCIA – O fato concreto é que União, Estados e municípios já se encontram em estado de pré-falência, aguardando os bons fluidos do governo Bolsonaro, que vai se iniciar novamente apunhalado , desta vez com a facada do aumento salarial do Supremo, que vai se espalhar por todo o funcionalismo público, e com ameaças tipo projeto 459/2017.

Este escândalo da proposta de Serra foi divulgado pela Auditoria Cidadã da Dívida, instituição presidida por Maria Lúcia Fattorelli, considerada uma das maiores especialistas mundiais em dívida pública. A denúncia teve apoio do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital, e da Federação Nacional das Entidades dos Servidores dos Tribunais de Contas.

Estas instituição se manifestaram mediante uma Interpelação Extrajudicial encaminhada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e às lideranças partidárias, para que não coloquem o projeto em pauta, antes de exame pelas comissões técnicas.

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P.S. 1
A auditora Maria Lúcia Fatorelli ajudou Grécia e Equador a reduzirem suas dívidas, mas não consegue auxiliar o Brasil a tomar idêntica iniciativa. Eu achava que Bolsonaro a convidaria para conduzir um exame da dívida pública e do déficit de Previdência, mas estava enganado. Infelizmente, nenhum integrante do futuro governo se interessou pelo trabalho que Maria Lucia Fattorelli conduz gratuitamente em defesa dos interesses nacionais.

P.S. 2Foi sugerido aqui uma entrevista com o autor do projeto, senador José Serra. Acontece que o ilustre parlamentar não recebe a imprensa há quase dois anos, desde que seu nome apareceu envolvido na corrupção do PSDB, especialmente nos casos do Paulo Preto e do Ronaldo Cezar Coelho, cujos extratos bancários a Procuradoria da Suíça acaba de encaminhar ao Brasil. Serra se tornou uma espécie de foragido de corpo presente, que está rouco de tanto ficar calado. (C.N.)

Bolsonaro e Guedes desconhecem o projeto 459, que pode destruir o governo

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Guedes e Bolsonaro estão sendo apunhalados pelas costas

Carlos Newton

Sob coordenação da Auditoria Cidadã da Dívida, entidade presidida por Maria Lucia Fatorelli, considerada uma das maiores especialistas mundiais em dívida pública, um grupo de sindicatos e federações de servidores ligados às finanças públicas dirigiu uma Interpelação Extrajudicial ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, denunciando o projeto 459/2017, de autoria de José Serra (PSDB-SP) e já aprovado pelos senadores, que permitirá a realização de operações ilegais de crédito, mediante desvio do fluxo de arrecadação tributária, ocasionando graves prejuízos aos cofres públicos federais, estaduais e municipais.

A denúncia salienta que o projeto está redigido de forma cifrada, ininteligível, sem a devida clareza, e a Interpelação Extrajudicial visa tão somente dar conhecimento aos parlamentares sobre o que está realmente acontecendo.

“LEGALIZAÇÃO” – O projeto tenta tornar legais algumas práticas flagrantemente inconstitucionais e lesivas, já adotadas por alguns estados e municípios, e que vêm causando enormes prejuízos ao erário público, conforme foi constatado pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público de Contas.

Outros órgãos de controle também têm denunciado o teor da “engenharia financeira” de que trata o projeto, a exemplo dos Tribunais de Contas de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Recentemente, devido às graves consequências detectadas, o Tribunal de Contas do Paraná interrompeu definitivamente a cessão desses créditos e o Estado de Goiás suspendeu o processo de contratação de instituição que iria estruturar a operação naquele Estado.

SENADO ENGOLIU – Embora o projeto 459/2017 signifique uma burla à legislação de finanças do país, o texto cifrado de José Serra chegou a ser aprovado no Senado, onde a constitucionalidade sequer foi analisada pela Comissão de Constituição e Justiça, vejam a que ponto chega a irresponsabilidade dos parlamentares.

Ardilosamente, o texto esconde a “engenharia financeira” que se procura legalizar através de três movimentos: (1) realização de operação de crédito disfarçada, extremamente onerosa e não expressamente autorizada no Orçamento ou pelo Legislativo; (2) desvio do fluxo de arrecadação de créditos pagos pelos contribuintes, durante o seu percurso na rede bancária, como garantia de pagamento da referida operação de crédito ilegal e de forma extremamente onerosa; (3) cessão ilegal de créditos públicos, ou seja, transferência da propriedade do fluxo de arrecadação, de tal forma que grande parte da arrecadação tributária sequer alcançará os cofres públicos e o governo cedente, seja federal, estadual ou municipal, perderá o controle sobre esses recursos.

ÀS ESCONDIDAS – Para não revelar o que está por trás desse enganoso projeto, seu primeiro artigo modifica importante dispositivo da Lei 4.320 para o seguinte texto:

Art. 39-A. A União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município poderá ceder onerosamente, nos termos desta lei e de sua própria legislação, direitos originados  de créditos tributários e não tributários, inclusive quando inscritos em dívida ativa, a pessoas jurídicas de Direito Privado ou a fundos de investimento regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No entanto, o texto de Serra não especifica, por exemplo: (1) – Qual é o ônus? (2) – Quais direitos são cedidos? (3) – Quem são as pessoas jurídicas de direito privado?

“ONEROSAMENTE“– Por trás do termo “onerosamente” está escondido o comprometimento com vultosas garantias públicas que superam em muitas vezes o valor da operação de crédito ilegal. E a pessoa jurídica de direito privado mencionada no texto do projeto é uma empresa estatal que já está sendo criada em cada ente federado para operar essa perversa “engenharia financeira”, por exemplo: PBH Ativos S/A; MGi – Minas Gerais Participações S/A; CPSEC – Cia. Paulista de Securitização S/A; CFSEC – Cia Fluminense de Securitização S/A; Goiás Parcerias S/A; Recda S/A em Recife; InvestPoa em Porto Alegre, entre várias outras.

Em tradução simultânea, o projeto têm o objetivo descarado de legalizar a burla da Lei de Responsabilidade Fiscal, para esculhambar de vez as finanças públicas. E quem sai ganhando, como diria o chefe de Polícia do filme “Casablanca”, são os suspeitos de sempre – os banqueiros, que no Brasil obtêm os maiores lucros do mundo, porém jamais estão satisfeitos.

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P.S.
Se este projeto for aprovado e sancionado por Temer, a Lei de Responsabilidade Civil vai para o lixo, as prefeituras e governos estaduais se endividarão ainda mais e a crise vai demolir o governo Bolsonaro. Pela importância do tema, voltaremos ao assunto amanhã, para alertar o presidente eleito Jair Bolsonaro e evitar que sofra novo atentado antes de assumir, porque desta vez a facada será pelas costas, desfechada pelos integrantes do Congresso Nacional – e já houve tempo em que os parlamentares eram considerados “representantes do povo”, mas minha ironia não chega a tanto. (C.N.)

General Mourão sinaliza que os delírios dos ministros serão contidos pelo governo

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Mourão já se tornou o grande líder da equipe de transição

Carlos Newton

Em setembro de 2017, o general Hamilton Mourão estava em final de carreira no Exército quando se tornou nacionalmente famoso, ao fazer uma palestra numa loja maçônica de Brasília. Usando a farda de gala, Mourão sabia que estava sendo filmado e falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar, após o então procurador-geral Rodrigo Janot ter denunciado pela segunda-vez o presidente Michel Temer por participação criminosa e obstrução da justiça.

UM AXIOMA – Ainda na condição de secretário de Economia e Finanças do Exército, naquela oportunidade o general exibiu seu axioma, ao afirmar que ou as instituições solucionavam o problema político, retirando da vida pública os políticos envolvidos em corrupção, ou então o Exército teria de impor isso.

Por ironia do destino, um ano depois o chefe militar se tornou vice-presidente eleito e vai revolucionar a função, atuando no chamado “centro do governo”, para monitorar os principais projetos do governo de Jair Bolsonaro.

VICES DESOCUPADOS – Desde 1961, quando João Goulart presidia o Congresso e tinha um gabinete na Câmara, os vice-presidentes da República sempre foram desocupados, não faziam rigorosamente nada de produtivo, apenas substituíam os titulares em caso de viagem ou tratamento de saúde, sempre de olho na vaga.

O único vice-presidente que arranjou ocupação foi Aureliano Chaves, que chefiou a Comissão de Energia no governo de João Figueiredo e consolidou o Proálcool, programa criado na gestão anterior, de Ernesto Geisel, quando Aureliano Chaves era ministro de Minas e Energia. Os outros vice-presidentes não queriam nada com o batente, como se dizia na época.

Hamilton Mourão tem a mesma disposição de Aureliano Chaves e vai atuar decisivamente no governo Bolsonaro, até porque, no início da gestão, ocupará interinamente a chefia do governo, enquanto o presidente estiver afastado para tratamento de saúde.

TROPEÇOS INICIAIS – Deve-se reconhecer que o vice-presidente eleito começou muito mal a fase de transição. Cada entrevista que dava era um problema para Bolsonaro. Primeiro, chegou a defender uma nova Constituição escrita por notáveis, mas a tese é inconstitucional, porque o trabalho só funcionaria como sugestão, como ocorreu em 1987.

Em seguida, disse que as famílias sem a presença masculina, apenas com mãe e avó, eram “fábricas de desajustados”, e também defendeu o fim do 13º salário pago aos trabalhadores, alegando que seria melhor aumentar os salários.

Depois desse início de tropeços, Mourão se acostumou a falar com jornalistas e se transformou no mais importante elemento moderador do governo, que reduz à expressão mais simples os delírios dos futuros ministros e do próprio Bolsonaro.

FIRMEZA E EQUILÍBRIO – A entrevista que Mourão concedeu quarta-feira à jornalista Monica Bergamo mostra não somente que ele é a figura principal da equipe de transição, como também que não aceita os arroubos conservadores e as bravatas de ministros que ainda nem assumiram, mas já estão se achando, como se diz hoje em dia.

Com muita firmeza, na entrevista à Folha Mourão disse tudo que as pessoas de bom senso queriam ouvir. Ele acha, por exemplo, que o bom relacionamento com a China é fundamental, porque é o principal cliente de nossas exportações e não podemos perder as vendas.

Acredita que é preciso cautela para tratar da mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, pois ela pode transferir a “questão do terrorismo internacional” para o Brasil, conforme alertamos aqui na Tribuna da Internet. E diz que Trump comanda a maior economia do mundo e pode comprar certas brigas, mas acha que o presidente Bolsonaro não vai poder tomar partido.

MUITA SENSATEZ – A entrevista do vice-presidente é uma aula de sensatez. Fez questão de dizer que não concorda com as teses do futuro chanceler Ernesto Araújo: “Não resta dúvida de que existe um aquecimento global. Não acho que seja uma trama marxista. Mas vamos falar do outro lado da moeda: o ambientalismo é utilizado como instrumento de dominação indireta pelas grandes economias. Quando você coloca amarras no nosso país por meio de um ambientalismo xiita, de ONGs, você tolhe um pouco o potencial que o país tem”, amaciou o general.

Em seguida, cortou as asas dos ultraliberais, ao afirmar que a privatização da área de refino da Petrobras exige mais estudos. E defendeu que o Brasil mantenha diálogo com o Mercosul antes de “extinguir, derrubar, boicotar” o acordo, que é francamente lucrativo para o Brasil, em mais de US$ 10 bilhões/ano.

Em tradução simultânea, Mourão tranquilizou os brasileiros que estavam surpresos com as posições iniciais do governo Bolsonaro, por revelarem uma estarrecedora falta de profissionalismo.

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P.S.
Parodiando o ex-presidente Barack Obama, podemos dizer que o general Mourão “é o cara”. E vamos em frente. (C.N.)

Vamos dar força ao Moro, mas seus planos não conseguirão resolver a violência

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Juízes Bretas e Moro, em palestra realizada na FGV – Rio

Carlos Newton

Se você assiste televisão no Brasil, fica assustado com a violência em que vive nosso povo. Além de sermos recordistas mundiais em homicídios e balas perdidas, é impressionante o número de crimes bárbaros cometidos por pessoas desesperadamente apaixonadas, com execução de famílias inteiras, seguida de suicídio do autor.

GUERRA CIVIL – O noticiário no Brasil é uma maluquice, a gente sabe que está no meio de uma guerra civil não declarada e que não tem solução, é preciso reconhecer. O futuro ministro Sérgio Moro já tomou a dianteira e vai apresentar ao Congresso o que chamou de “Plano Real”, com medidas mais rígidas contra a corrupção e as quadrilhas organizadas, que recentemente ganharam o codinome de organizações criminosas, como se isso fizesse alguma diferença.

As ideias de Moro são ótimas, o futuro ministro quer aumentar o rigor penal, controlar os presídios e evitar a prescrição de crimes graves. Seu projeto vai melhorar o quadro, não há dúvida, mas o problema da criminalidade continuará existindo.

PROBLEMA NACIONAL – Por ainda ser o trombone nacional, sediando a maior rede de televisão do país, o noticiário sobre o Rio de Janeiro sempre tem maior destaque, mas a questão da violência já está mais do que nacionalizada.

Não é possível haver solução a curto ou médio prazo, porque as grandes cidades do Rio de Janeiro estão recheadas de “no go zones”, favelas ou guetos onde a Polícia só entra para trocar tiros e ser escorraçada – sejamos realistas, esta é nossa realidade, e não tem intervenção militar que dê jeito.

É a mesma situação de outras grandes cidades do mundo, como Nova York, Los Angeles, Paris, Londres, Berlim, Estocolmo etc., todas obrigadas a conviver com suas “no go zones”.

UM NOVO DESAFIO – Este problema o Brasil já conhece desde a década de 40, quando começou a ocorrer a favelização de áreas nas grandes cidades. Este fenômeno social foi motivado pela seca do Nordeste, pela desigualdade social e pela falta de planejamento familiar, cuja adoção era combatida simultaneamente pela hegemônica Igreja Católica e pelo Partido Comunista, que à época era muito influente, vejam como os extremos podem se encontrar na ignorância e na falta de visão político-social.

Em outras grandes cidades do mundo (com as exceções de praxe), especialmente nos Estados Unidos, as “no go zones” foram criadas pelo racismo e pela desigualdade social. Na Europa, porém, o fenômeno é mais novo e deriva do excessivo planejamento familiar e da necessidade de acolher imigrantes que possam cuidar das tarefas menos nobres na pirâmide social.

UMA LUZ NO TÚNEL –  No caso do Brasil, nos anos 70 era recordista mundial em crescimento da população, cada mulher tinha na média 5,8 filhos, uma boçalidade. Em 2010 a taxa de fecundidade caiu para 1,8%, significando que por volta de 2033 a população vai parar de crescer e depois vai diminuir, porque a simples reposição requer taxa de fecundidade de 2,1 para cada mulher.

Na verdade, nossa criminalidade não será resolvida enquanto não houver educação pública de melhor qualidade, menos desemprego e menor desigualdade social. Mas são três metas tipo sonho que tão cedo o Brasil não concretizará.

Enquanto o país insistir nessa política de tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total, a criminalidade e a violência podem até diminuir, mas tudo continuará como dantes no castelo de Abrantes, conforme se dizia antigamente.

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P.S.
Vamos apoiar e dar força total ao programa de Moro e aos planos dos governadores eleitos. Gosto muito da tese do ex-juiz Witzel, que sugere “abater” quem estiver portando um fuzil e entrar na mira telescópica do atirador de elite. Mas não nos iludamos. Devemos estar conscientes de que a criminalidade e a violência ainda vão nos perseguir por muito tempo – mas muito tempo, mesmo. (C.N.)  

Jornalistas estrangeiros protegem Lula e insistem em demonizar Bolsonaro

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Até a revista The Economist já entrou no esquema

Carlos Newton 

Não há como negar que a estratégia de defesa de Lula da Silva é bem-sucedida no exterior, onde muitos líderes ainda acreditam que ele possa estar sendo vítima de perseguição política. Apesar da inequívoca importância do Brasil no cenário internacional, como quinta maior nação em território e número de habitantes, além de ser a nova economia mundial, ainda há um enorme desconhecimento sobre o que realmente acontece no Brasil. Essa falta de informações precisas sobre o Brasil nem se justificaria, devido ao grande número de correspondentes estrangeiros que vivem no Brasil, mas a verdade é que a maioria mora no Rio, gosta de praia e samba, não está nem aí para o que realmente ocorre nesta nação continental.

Os correspondentes continuam colaborando para manter o mito de Lula no exterior, ao mesmo tempo em que retratam Bolsonaro como uma espécie de Hitler latino, que comanda uma Ku Klux Klan tropical e é capaz de tudo.

OUTRA VERSÃO – Aqui no Brasil a conversa é outra. Nem mesmo os petistas caem nessa balela de que Lula virou preso político. Sabem que ele é um criminoso igual à grande maioria dos políticos. A diferença é que Lula já está preso e muitos outros continuam impunes, o que não deixa de ser verdade, como se vê o que acontece com Dirceu, Maluf, Picciani, Temer, Padilha, Mantega, Moreira e tutti quanti.

Com a decisão desta sexta-feira, Lula passa a ser réu em mais uma ação penal, depois de ter sido condenado no processo do tríplex e de ser absolvido da acusação de obstrução de Justiça, em que era acusado de participar da compra de silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, com base na delação premiada do senador cassado Delcídio Amaral, mas o Ministério Público não viu provas concretas e pediu o arquivamento.

RÉU SEIS VEZES – Com a decisão desta sexta-feira, quando foi aceita pela 10ª Vara Federal de Brasília mais uma ação contra Lula, junto como a ex-presidente Dilma Rousseff, os ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, o ex-tesoureiro petista e João Vaccari, por organização criminosa para promover corrupção na Petrobras, agora Lula passa a responder a seis ações penais.

As outras cinco são as seguintes:

1 – Réu em ação penal sobre tráfico de influência no BNDES para beneficiar a Odebrecht

2 – Réu em ação penal por tráfico de influência na Operação Zelotes juntamente com o filho Luís Cláudio

3 – Réu em ação penal, acusado de negociar propina em troca de uma medida provisória que prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilísticos

4 – Réu em ação penal, por pagamento de propina da Odebrecht; na compra de um terreno para nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho à cobertura do ex-presidente, em São Bernardo do Campo

5 – Réu em ação de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do dono de sitio em Atibaia, reformado gratuitamente por empreiteiras.

Há ainda mais um inquérito envolvendo denúncia de que Lula teria sido beneficiado pela Odebrecht, que diz ter prometido a Lula em 2010 – e colocado à disposição do PT – R$ 64 milhões em troca de decisões do governo que favorecessem a empresa. Mas a primeira instância federal ainda não decidiu se abre ou não ação penal contra o petista.

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P.S. – Com tantas ações penais e informações públicas e notórias sobre os crimes de Lula e do PT, é de se estranhar que os correspondentes estrangeiros ainda tenham essa visão distorcida da política brasileira, que agora demoniza Bolsonaro no exterior. Isso não é jornalismo. (C.N.)