Sem presidente, sem ministro e sem vacina, os brasileiros se sentem um povo ‘vira-lata’

Complexo de vira-lata

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

A profissão de jornalista é penosa e arriscada, basta conferir a lista de assassinatos no mundo. É claro que o maior número de perseguições e atentados ocorre em países de governos ditatoriais, onde a democracia ainda não predomina e é proibido fazer oposição, como ocorre na China, na Guiné Equatorial, em Cuba, na Venezuela, no Vietnã e nas nações árabes.

Recentemente o Jornal Nacional exibiu uma impressionante reportagem sobre os dissabores de repórteres que tentam apurar a verdade sobre a pandemia na China, que oficialmente já teria sido debelada, mas há muitas controvérsias, como diria o ator e pianista Francisco Milani, que gostava muito de política e chegou a ser vereador pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).

ACREDITAR NA CHINA? – O fato concreto é que somente pessoas absolutamente ingênuas conseguem acreditar nas informações do governo chinês. Afinal, como a superpopulosa China conseguiu se tornar o único país do mundo a praticamente acabar com a covid-19? E isso ocorreu antes mesmo de ter vacinado toda a população?

É uma façanha única que não foi igualada nem mesmo pela Rússia, que é outra grande nação sob censura, produz vacina com eficácia de 91,4%, mas continua entre os dez primeiros no ranking dos países mais atingidos.

É claro que numa ditadura radical como a China, muito pior do que a Rússia, fica mais fácil controlar a população. Se o Partido Comunista der uma ordem para todo mundo permanecer em casa e usar máscara o dia todo, será obedecido à risca.

NOVAS CONTAMINAÇÕES – Realmente, é duro acreditar no que diz o governo da China, que recentemente se viu obrigado a admitir que já houve contaminações com a nova modalidade do coronavírus.

Enquanto isso, aqui em Pindorama, como dizia o jornalista Ivan Lessa, é tudo ao contrário, nem mesmo o presidente da República obedece à ordem, sai às ruas sem usar máscara, provoca aglomerações, abraça as pessoas e fica tudo por isso mesmo.

O pior de tudo isso é que, para os brasileiros, a única esperança são as vacinas. Mas isso ainda é apenas um sonho, porque o governo não se interessou previamente em comprá-las, preferindo acreditar num presidente lunático, que segue as teorias conspiratórias do bruxo virginiano Olavo de Carvalho, especialista em embromar otários desde os tempos em que trabalhava como astrólogo e ainda acreditava que a terra era redonda…

###
P.S. –
Tudo isso é muito triste. Fica parecendo que presidente e o ministro da Saúde não se interessam pelos brasileiros, que agora passaram a ter motivos concretos para se sentirem um povo vira-lata, porque lá fora as coisas funcionam melhor e não há generais em ação como ministros da Saúde, fazendo papel ridículo em cena aberta. (C.N.)

Brasil é o 23º no ranking da covid, mas o contágio e as mortes estão em viés de alta.

Carlos Newton

O site Poder360 publicou importante matéria, mostrando que na quarta-feira da semana passada (dia 20), o Brasil ultrapassou a marca de 1.000 mortes por covid-19 a cada milhão de habitantes, um índice que coloca o país na 23ª posição do ranking mundial. Em 31 de outubro de 2020, o Brasil ocupava o 4º lugar, mas outras nações menos populosas passaram a ser mais atingidas na segunda leva da pandemia.

A Bélgica era o país onde a covid-19 mais mata em relação ao tamanho da população. São 1.762 mortes por milhão de habitantes.

SUPERNOTIFICAÇÃO? – A Bélgica ocupava as primeiras posições dessa lista desde abril, auge da primeira onda de covid-19 na Europa. Naquele mês, 46% das mortes pela doença ocorreram em hospitais e 53%, em lares de idosos. Mas a grande parte desses óbitos não tinha confirmação de que foram causados pelo coronavírus, levando à hipótese que possa ter havido excesso de notificação na Bélgica, que acaba de ser superada por Portugal, que nesta quarta-feira assumiu a ponta da mórbida tabela.

No Brasil, a proporção de vítimas por milhão de habitantes voltou a avançar rapidamente em momento que a pandemia entrou numa fase com mais casos e mortes no país. 

O Rio de Janeiro é o Estado brasileiro com mais mortes, proporcionalmente. Se fosse um país, ocuparia o 2º lugar no ranking mundial. Em seguida, aparecem Amazonas e Distrito Federal. Já Minas Gerais é a menos mortal unidade da Federação, mas ontem bateu o recorde de mortes num só dia.

CENTRO-OESTE – Quando se consideram as regiões, a Centro-Oeste é a mais mortal pelo coronavírus: 1.161 mortes por milhão de habitantes. A região Sul tem a menor taxa, 838.

Em números absolutos, só os Estados Unidos têm mais vítimas que o Brasil. Essas estatísticas  reforçam a importância de cuidados especiais, como rigor no isolamento, na higiene e no uso de máscaras, inclusive em contato com pessoas da família ou vizinho.

Infelizmente, porém, não é isso que se constata no Brasil, a única nação onde o chefe do governo faz questão de não usar máscara em público. Portanto, a tendência do país é crescer o contágio, como continua acontecendo.

Lewandowski sinaliza que o impeachment de Bolsonaro deve ser pedido pelo Supremo  

Após voto de Lewandowski, placar fica em 4 a 3 pela prisão de condenados em 2ª instância - Flávio Chaves

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

É da maior gravidade a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que na semana passada determinou ao procurador-geral Augusto Aras que se manifestasse e nesta segunda-feira, deu sinal verde à abertura de inquérito contra o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, por ter se omitido na grave crise do atendimento médico no Amazonas.

O prazo inicial das investigações, que ficam a cargo da Polícia Federal, é de 60 dias e Lewandowski determinou que o general seja interrogado para esclarecer as ações tomadas em relação a Manaus, e os autos serão enviados à PF “para fins de adoção das medidas investigativas que entender cabíveis, sem prejuízo do requerimento posterior pelo Ministério Público Federal de outras que se revelarem necessárias”.

PACTO DESFEITO – A decisão de Lewandowski mostra que o pacto entre os três Poderes hoje está restrito apenas aos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, devido aos respectivos problemas domésticos com a Receita Federal, que flagrou em sonegação as mulheres dos dois, o próprio Gilmar e também Toffoli, que recebia mesada de R$ 100 mil da atual esposa, sem declarar ao Imposto de Renda.

Os outros ministros, incluindo agora Lewandowski, já saíram do esquema desde as manifestações antidemocráticas organizadas pelo gabinete do ódio no ano passado, em plena epidemia.

Portanto, agora Bolsonaro só tem três votos garantidos no Supremo – Gilmar, Toffoli e o neoministro Kassio Marques, o fraudador de currículos.

JÁ HÁ CONSENSO – Entre os demais oito ministros, há consenso de que não dá mais para aguentar Bolsonaro. Atualmente, o afastamento do presidente só pode ser pedido por dois ministros – Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, que relatam inquéritos contra ele.

As três investigações de Moraes terminam dia 15 de março. São sobre “fake news” e atos antidemocráticos, que se interligam por terem origem no gabinete do ódio do Planalto, e sobre interferência na Polícia Federal, denunciada pelo ex-ministro Sérgio Moro.

outra apuração, a cargo de Cármen Lúcia, está mais atrasada, mas também exibe provas robustas. É o caso da atuação da Abin para anular os inquéritos e processos contra Flávio Bolsonaro.    

AFASTAMENTO IMEDIATO – Se Alexandre de Moraes ou Cármen Lúcia pedirem abertura de processo contra Bolsonaro, o procurador-geral Augusto Aras não terá como negar, como acaba de acontecer em relação ao general-ministro Pazuello.

Alguns dias antes, Aras chegou a comunicar em nota oficial que não abriria investigações e processos contra ministros, por ser atribuição do Legislativo. Mas Lewandowski não passou recibo, exigiu que o procurador se manifestasse sobre o pedido de investigação de Pazuello. Aras recuou e imediatamente cumpriu a ordem, passando a borracha no texto de sua nota oficial. 

Assim, se Aras aceitar pedido do Supremo para investigar o presidente Bolsonaro, ele imediatamente será afastado por 180 dias.

###
P.S. –
A Constituição (art. 86) é claríssima a respeito. Em caso de crimes comuns, o presidente da República é afastado assim que for aceita a denúncia no Supremo. A Câmara (art. 217 do Regimento) então abre prazo para o réu se defender perante a Comissão, como aconteceu com Dilma Rousseff, mas quem está no poder já é o vice Hamilton Mourão e a fatura está garantida, porque os deputados não terão o menor interesse em salvar Bolsonaro. Aí, em nome dos filhos, dos netos, das mulheres, das mães, das amantes etc., os deputados dirão que sim, e o presidente já era.  (C.N.).

Apelo ao Gabinete do Ódio: Por gentileza, troque os robôs, porque os atuais são insuportáveis

TRIBUNA DA INTERNET | Um aviso aos novos robôs que passaram a frequentar agora o espaço livre da Tribuna

Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Carlos Newton

Como editor-chefe da Tribuna da Internet, gostaria de fazer uma apelo ao Gabinete do Ódio, que funciona no Palácio do Planalto, terceiro andar, ao lado da sala do presidente da República, aos cuidados do vereador carioca Carlos Bolsonaro, que mora em Brasília desde janeiro de 2019, mais continua recebendo salários como se estivesse trabalhando na Câmara.

Nosso problema é o baixo nível dos robôs que fazem no blog a defesa de Jair Bolsonaro e do próprio Gabinete do Ódio.

SEM OFENSAS – Este blog é um espaço livre, que pode ser frequentado normalmente por robôs, humanoides, replicantes e androides. Mas é preciso ter nível, saber dialogar, parar de ofender os rivais.

Os humanoides do PT, por exemplo, já sabem jogar o jogo, pois se portam com muita educação e até interagem com os comentaristas. O mesmo comportamento se nota por parte dos replicantes do PSDB  e do PDT, que também frequentam o Blog com presença permanente, 24 horas por dias e 365 dias ano ano, enquanto outros partidos têm robôs que fazem apenas participações pontuais. 

ROBÔ COM DEFEITO – Com a experiência acumulada nos últimos anos, podemos informar, com toda certeza, que o robô “Carlosp” está com defeito, completamente desequilibrado, realmente insuportável, necessitando de revisão geral.

Assim, estamos deletando seus comentários, esperando que os colegas do Gabinete do Ódio o substituam por um humanoide de última geração, que saiba interagir com os rivais de outros partidos.   

Erro de Bolsonaro foi dividir o governo entre militares e adoradores de Olavo de Carvalho

Iotti: o guru | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

Desde o início, Jair Bolsonaro vem comandando um governo fake, dividido entre militares e adoradores do filósofo terraplanista Olavo de Carvalho, numa iniciativa que tinha tudo para dar errado, era como tentar a mistura de água e óleo. Somente os devaneios de uma figura exótica como Bolsonaro poderiam prever o sucesso dessa esquisita associação de facções contrárias entre si.

Quem tinha um pingo de bom senso logo percebeu a contradição, como os ministros Gustavo Bebianno e Santos Cruz, que tentaram pôr ordem na bagunça e acabaram demitidos por Bolsonaro e difamados pelo gabinete do ódio.

TUDO DOMINADO – Seria de se esperar que os demais generais e oficiais superiores integrantes do governo ficassem solidários a Bebianno e Santos Cruz, mas é difícil resistir às tentações do duplo salário, das mordomias e da sensação do poder.

Assim. cada um desses militares (são mais de 3 mil, em cargos de direção ou comissionados) resolveu fazer olhar de paisagem e tocar o barco para frente, como dizia Ricardo Boechat.

Para uma figura tosca e ignorante como Jair Bolsonaro, esse apego dos militares aos cargos civis acabou parecendo um apoio irrestrito a seu governo, mas na verdade isso nunca aconteceu.

PERSEGUIÇÕES A MOURÃO – Nenhum oficial superior – mas nenhum, mesmo! – jamais aprovou a maneira com que Bolsonaro tratava e ainda trata seu vice Hamilton Mourão, que o ajudou muito a se eleger. As perseguições que o presidente e os filhos movem contra Mourão sempre incomodaram os Altos-Comandos das Forças Armadas, que não se empolgaram com essa farsa de um governo paramilitar e logo passaram a temer os resultados negativos para a imagem dos militares.

Mas a gota d’água aconteceu em abril de 2020, quando os filhos de Bolsanaro usaram o gabinete do ódio para organizar uma manifestação antidemocrática contra o Supremo e Congresso, com o presidente da República discursando bem diante do Forte Apache, o quartel-general do Exército.

Somente um desajustado mental poderia imaginar que os militares concordassem com esse tipo de acontecimento naquele território, que é considerado intocável para eles, como um reduto sagrado.

UM FALSO LÍDER – Mesmo assim, o presidente da República continuou se comportando como se fosse o líder das Forças Armadas, que em sua ilusória visão estariam dispostas a apoiá-lo em qualquer aventura institucional. Era delírio, claro.

De forma alguma as Forças Armadas brasileiras podem ser confundidas com os militares em final de carreira que aceitaram cargos civis para reforçar o orçamento familiar.

Assim, por seu próprio esforço e pelo conjunto da obra, o presidente Bolsonaro caminha para o impeachment. Dá para sentir no ar, como uma névoa. E as Forças Armadas nada farão. Apenas aguardam o dia D e a hora H, para cerrar fileiras em apoio ao general Mourão, que é considerado um militar de verdade.

###
P.S.
Quanto à candidatura de Luciano Huck, não chega a ser uma fake news, mas é apenas uma nota plantada por ele próprio, que adora essa sensação de que possa ser candidato a presidente. Como dizia Bussunda, “Fala sério!”. (C.N.)

Bolsonaro está sonhando muito. Quando acordar, pensará que o Brasil é uma nova Alemanha…

TRIBUNA DA INTERNET | As provas do caso Abin são desmoralizantes e só resta a Bolsonaro atacar a imprensa

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O Brasil é um país altamente surrealista, de fazer inveja à criatividade de Salvador Dali. Aqui acontecem coisas que são verdadeiramente inacreditáveis. Quem poderia imaginar que um presidente da República tivesse criado um cargo público de alto salário para sustentar a amante, abrindo um luxuoso escritório para ela em São Paulo, com assessores, secretárias, motorista e automóvel de luxo, tudo pago com recursos públicas, e durante anos levando-a como companheira em dezenas de viagens internacionais, com direito a uso de cartão corporativo para gastar à vontade, e nada tivesse acontecido a ele?

E a segunda-dama viajava com passaporte diplomático, mas de forma clandestina, para que a primeira-dama jamais pudesse tomar conhecimento dessas viagens de lua-de-mel no AeroLula.  Será que um imbróglio desses seria encarado como novo normal, se acontecesse em outro qualquer país minimamente civilizado?  Claro que não.

A AMIGA DE DILMA – Aqui no Brasil, a sucessora Dilma Rousseff decretou segredo no cartão corporativo da segunda-dama de Lula. Deixou vago o cargo de Rosemary, mas contratou uma velha amiga, Sônia Lacerda Macedo, para ser chefe de Gabinete da Presidência da República em Belo Horizonte, cargo público que não existe em nenhuma outra cidade.

A totalidade das nações verdadeiramente democráticas não admite esse mau uso dos recursos públicos, especialmente quando motivado meramente por interesse sexual.

Na Alemanha da chanceler Angela Merkel, por exemplo, o comportamento de Lula da Silva daria um escândalo interminável se fosse repetido por qualquer governante germânico.

O MARIDO DE MERKEL – Na Alemanha, além de ser condenado judicialmente, Lula seria obrigado a reembolsar todos os gastos públicos provocados pelo cortejo à amante. Imaginem a quanto isso montaria, pois seriam cobrados dele todas as despesas do escritório, inclusive a gasolina do carro oficial de Rosemary Noronha, primeira e única chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, cargo que depois dela ficou desocupado.

Enquanto isso, na Alemanha, o professor de química Joachim Sauer, marido de Angela Merkel, quando pretende acompanhá-la em alguma ida ao exterior, viaja sempre em avião comercial, porque sai muito mais barato do que o custo calculado pela autoridades alemãs para levar um carona no avião presidencial.

SONHO DE BOLSONARO – Empolgado com a impunidade de seus antecessores, Bolsonaro faz o que bem entende. Sua gestão é surrealismo puro, no melhor estilo dadaísta, sem lógica e sem racionalidade, num governo bipolar, dividido entre militares e adoradores de Olavo de Carvalho

Lula criou o Gabinete da Amante, Dilma tinha o Gabinete da Amiga e Bolsonaro instituiu o Gabinete do Ódio, dentro do Palácio do Planalto, funcionando no terceiro andar, ao lado da sala presidencial e comandado pelo filho 02, Carlos Bolsonaro, e pelo assessor Tercio Arnaud, especialista em fake news, atos antidemocráticos e robótica digital.

Ainda não satisfeito, o atual presidente se acha no direito de interferir na Polícia Federal e na Agência Brasileira de Espionagem, com o único objetivo de evitar que o filho 01, Flávio Bolsonaro, seja processado por prevaricação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

###
P.S.1 –
Bolsonaro pensa (?) que não vai acontecer nada, embora já esteja sendo investigado em quatro inquéritos no Supremo. Quando for aberto o primeiro processo contra ele, causando seu imediato afastamento por 180 dias, com certeza Bolsonaro vai achar que o Brasil rapidamente se tornou uma nova Alemanha, onde a lei tem de ser cumprida por todos, mas ninguém avisou nada a ele. (C.N.)

E se Augusto Aras estiver apenas embromando Bolsonaro para ganhar a vaga no Supremo?

TRIBUNA DA INTERNET | Aras mente ao dizer que tem provas contra a Lava  Jato. Se tivesse, já teria exibido.Carlos Newton    /   Charge do Clayton (O Povo/CE)

Uma das coisas que são percebidas por quem trabalha em política é que as aparências quase sempre enganam. Praticamente tudo necessita de tradução simultânea, porque é impressionante o índice de desfaçatez, cinismo e traição, conforme estamos acompanhado nas pesquisas sobre as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.

Da mesma forma, merece tradução simultânea a surpreendente e gratuita nota do procurador-geral da República, Augusto Aras, divulgada terça-feira, dia 19, que está agitando a política-.

DISSE ARAS – Sob o título “PGR cumpre com seus deveres constitucionais em meio à pandemia”, assim o procurador-geral sintetizou o objetivo de sua mensagem à nação:

Segmentos políticos clamam por medidas criminais contra autoridades federais, estaduais e municipais. O procurador-geral da República, no âmbito de suas atribuições e observando as decisões do STF acerca da repartição de competências entre União, estados e municípios, já vem adotando todas as providências cabíveis desde o início da pandemia. Eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”.

Sem maiores análises, imediatamente nota-se que a finalidade é agradar ao presidente da República, com Aras dizendo claramente que Bolsonaro pode contar incondicionalmente com ele, inclusive acima da lei e da ordem.

REAÇÃO IMEDIATA – Uma tijolada inconstitucional dessa magnitude, partindo do procurador Aras, é claro que imediatamente causaria fortes reações do Conselho Superior do Ministério Público, da Associação Nacional dos Procuradores da República, do Supremo e do Congresso. Mas o melífluo Augusto Aras não está nem aí, como diz a música baiana.

Na nota, o procurador-geral informa que o presidente da República e o ministro da Saúde podem ficar sossegados, porque não serão processados por crimes comuns porventura praticados no enfrentamento à pandemia. Quem quiser que envie um pedido de impeachment à Câmara, onde está tudo dominado, seja com Rodrigo Maia, Arthur Lira ou Baleia Rossi, que são iguais – um pelo outro, eu não quero troca, como se dizia antigamente.

A diferença é que, de agora em diante, Maia vai liderar a oposição a Bolsonaro, porque já percebeu a inevitabilidade do impeachment, pois Bolsonaro é autocarburante e se consome sozinho. 

VÃ ESPERANÇA – Com essa atitude viciosa, Aras tenta reservar para si a próxima vaga no Supremo, que se abre em julho, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. Mas essa pretensão pode ser esvaziada pela velocidade dos fatos.

Dia 15 de março terminam três inquéritos que atingem diretamente o presidente da República em crimes comuns. Dois deles são interligados – fake news e atos antidemocráticos, porque envolvem o “gabinete do ódio”, que funciona no Palácio do Planalto, sob comando de Carlos Bolsonaro, o filho 02, e do assessor presidencial Tércio Arnaud.

O terceiro inquérito é sobre interferências de Bolsonaro na Polícia Federal, que estão mais do que comprovadas e agora robustecidas pelas provas de atuação da Abin em favor de Flávio Bolsonaro.

###
P.S. –
Os três inquéritos que terminam dia 15 de março são relatados pelo ministro Alexandre de Moraes. Se ele pedir abertura de processo à Procuradoria, Aras ele não terá como mandar arquivar, pois as provas são abundantes. E assim Bolsonaro estará automaticamente afastado por 180 dias. Portanto, será o vice Mourão que escolherá o novo ministro do Supremo e ele até pode escolher Aras, agradecido pelos serviços prestados. No caso, Aras então estaria servindo a dois senhores, e ele parece ser especialista nisso. (C.N.)  

Entenda por que Bolsonaro tem tanta vergonha de mostrar a caderneta de vacinas

Charge do Zé Dassilva: Bolsonaro diz estar com coronavírus | NSC Total

(Charge do Zé Dassilva/Arquivo Google)

Carlos Newton    

Na vida não existe nada gratuito. Tudo tem motivação e justificativa. Mas o governo Bolsonaro tenta escapar dessa lógica e faz um esforço danado para criar fatos aparentemente desmotivados. Foi o que aconteceu com a decisão de baixar um decreto colocando como segredo de Estado a caderneta de vacinações do presidente. A informação foi dada pelo jornalista Guilherme Amado, da Revista Época, que tentou obter os dados através da Lei de Acesso à Informação.

Ao negar a resposta ao jornalista e decretar segredo por 100 longos anos, o Planalto justificou que os dados “dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem” do presidente.

UM ESTRANHO DECRETO – Ora, todos sabem que Bolsonaro é contra a vacinação contra a Covid-19 e não pretende se submeter a nenhuma de suas diferentes modalidades. Mas por que decretar segredo, e por 100 anos?  

Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, a singela caderneta de vacinações do capitão Bolsonaro passou a ser um dos mais bem guardados secretos da República, somente comparável ao cartão corporativo da então servidora federal Rosemary Noronha, a amante e segunda-dama do presidente Lula da Silva, que circulava prioritariamente com ela no Aerolula em suas constantes viagens internacionais, deixando em terra a solitária primeira-dama Marisa Letícia.

O segredo do cartão corporativo da exibida Rose é mantido pelo Supremo, que engavetou a ação movida há vários anos pelo repórter Thiago Herdy, de O Globo.  

MOTIVOS FÚTEIS – Em ambos os casos, o segredo é por motivo fútil. Lula quis evitar que se soubesse quanto a segunda-dama gastava fazendo compras no exterior. Seria um caso de impeachment nunca visto, de um presidente que contratou a amante para trabalhar diretamente com ele e acompanhá-lo em dezenas de viagens internacionais, curtindo a vida adoidado com dinheiro do erário. E na maioria das vezes, eram viagens clandestinas, sem o nome dela na lista de passageiros, para dona Marisa Letícia não desconfiar.

No caso da caderneta de vacinas, o motivo também é fútil e deprimente. O atual presidente não pode exibir as vacinas, porque nelas consta o número enorme de teste sobre Covid-19 que ele vem fazendo desde o início da doença. Não somente ele, mas também os integrantes do primeiro escalão do governo.

Ou seja, faltam testes para prevenir a doença da população em geral, mas no Planalto e na Esplanada não existe a menor carência.

TRATAMENTO PRECOCE – Essa quantidade de testes que beneficia a cúpula do governo explica a tese da “gripezinha”. Como ocorre em toda doença, também a Covid-19 é mais facilmente curada quando diagnosticada na fase inicial, o que possibilita o tratamento precoce, que é o mesmo em todo o país, em padrão decidido pelos próprios médicos.

A prescrição é Azitromicina (um dos mais eficazes antibióticos), Ivermectina (vermífugo), Loratadina (xarope antialérgico) e Dipirona ou Aspirina (febre e dor). No início, a Cloroquina era aplicada, no lugar do vermífugo, mas depois constatou-se a inutilidade da receita do doutor Bolsonaro.

No caso de Bolsonaro, o segredo foi decretado também para garantir que não se saiba também quais são os medicamentos de traja preta de que ele faz uso, para controlar o comportamento bipolar, digo, multipolar.

 ###
P.S.
Se quiser saber detalhes, é só consultar a lista de compras de remédios do Serviço Médico da Presidência, a cargo do Dr. Ricardo Camarinha. (C.N.)

Mourão está jogando o jogo do poder, mas precisa saber respeitar os limites do cinismo

Iotti: "vicentríloquo" | GZH

Charge do Iotti (Arquivo GZH)

Carlos Newton

A política tem grande número de definições. Deriva da expressão grega “politeia”, que indicava tudo o que se relacionava à polis (cidade-estado) e à vida em comum. Desde sempre, tem a ver com governar, dominar, comandar. Hoje, dizem que seria a administração das relações sociais; a ciência de conduzir os povos; a arte de gerir as diferenças e os conflitos sociais… A lista de definições é praticamente inesgotável.

O pensador francês Voltaire era radical. Dizia que “a política tem sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”. Mais recentemente, o líder chinês Mao Tse-Tung afirmou que “a política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue”. Lá atrás, porém, o filósofo grego Platão já liquidara o assunto ao afirmar que “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”.

ARTE DO CINISMO – Em minha visão pessoal, nesta fase ainda primária em que se encontra a civilização, prefiro classificar a política como a arte do cinismo. E isso não é novidade alguma, todos sabem que não existem relações políticas sem uma forte dose de cinismo e desfaçatez.

No Brasil de hoje, a política se transformou num verdadeiro festival de irresponsabilidades, que inclui improbidade, prevarização e até golpismo. São raríssimos os exemplos de seriedade, como a postura do senador José Reguffe (sem partido-DF).

Quando se elegeu deputado federal em 2010, abriu mão dos salários extras (14°e 15° salários); reduziu o número de assessores a que tinha direito, de 25 para apenas 9; diminuiu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”; abriu mão das verbas indenizatórias, das passagens aéreas e do auxílio-moradia; rejeitou também o plano de saúde familiar e a previdência parlamentar. E tudo em caráter irrevogável. Nem se ele quisesse, poderia voltar atrás.

EXEMPLO SOLITÁRIO – Jornalista e economista, José Reguffe é um admirável exemplo de dignidade. Como dizia Vinicius de Moraes, se todos fossem iguais a ele, que maravilha viver! A postura firme de Reguffe precisa ser divulgada, para animar os brasileiros a acreditarem na política. Mas quem se interessa?

No momento, tenho esperanças de que os ministros Alexandre de Moraes e Carmen Lúcia levem a bom termo as investigações sobre crimes comuns comprovadamente cometidos pelo presidente.

OS INQUÉRITOS – São quatro investigações que atingem diretamente o presidente da República  – uma sobre fake news e outra acerca de ações antidemocracia, que se interligam porque envolvem o gabinete do ódio e o Planalto. Os outros dois inquéritos também estão relacionados, porque envolvem as interferências na Polícia Federal (caso Moro) e  o uso da Abin para anular inquéritos contra Flávio Bolsonaro.

Para o impeachment de Bolsonaro, o país depende da atuação desses dois ministros-relatores, cujas decisões devem ser anunciadas em março. E vamos ver se o prevaricador-geral da República, Augusto Aras, terá coragem de arquivar os inquéritos.

###
P.S. 1
O vice Mourão sabe que, na forma da lei, o afastamento de Bolsonaro já é inevitável. Rompido com o presidente há vários meses, Mourão já está jogando o jogo do poder, aguardando sua vez. Para disfarçar, dá declarações a favor de Bolsonaro e de ministros como Pazuello, e tem se excedido nessa prática. O general precisa entender que cinismo tem limite, porque  pode ser confundido com falta de dignidade. (C.N.)

Relatório do procurador Aras sobre inquérito da Abin é uma tremenda “aula de prevaricação”  

Augusto Aras: 8 pontos para decifrar como pensa o novo PGR

O prevaricador-geral só ouvirá as testemunhas “se necessário”

Carlos Newton

A ministra Cármen Lúcia, relatora do inquérito, precisa tomar uma providência enérgica e urgente contra a Procuradoria-Geral da República, que nesta segunda-feira, dia 18, enviou ao Supremo o resultado do primeiro mês de investigação sobre produção de relatórios, pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) na tentativa de anular as investigações do caso das rachadinhas.

O fraquíssimo desempenho no primeiro mês de tão importante investigação demonstra claramente a leniência da Procuradoria-Geral, que está incorrendo no crime de prevaricação, artigo 319 do Código Penal, que dispõe: “Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

APENAS TRÊS PROVIDÊNCIAS – No relatório, o procurador-geral Augusto Aras mostra que, durante um mês inteiro, somente foram tomadas três singelas providências.

A primeira delas foi escrever um texto de poucas linhas para notificar o jornalista Guilherme Amado, da revista “Época”, com prazo para apresentar os documentos citados nas reportagens que revelaram o caso e mostraram que a Abin, subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, ajudou a defesa de Flávio Bolsonaro na tentativa de anular as acusações contra o relator.

As outras duas providências foram ouvir a Abin e o GSI, que obviamente afirmaram à Procuradoria que não patrocinaram interesses particulares do senador Flávio Bolsonaro, porque não foram relatórios oficiais, mas preparados por baixo do pano.

ABSURDA CONIVÊNCIA – O relatório de Aras mais parece uma confissão de culpa, porque revela que até agora a Procuradoria não ouviu o depoimento das advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que defendem Flávio Bolsonaro.

O relatório de Aras diz apenas que, “se necessário”, as defensoras de Flávio Bolsonaro serão ouvidas. Mas como? Será alguma Piada do Ano? Luciana Pires deu entrevista à Época, confirmando ter recebido as sugestões da Abin, mas eram imprestáveis, e apenas uma foi utilizada – fazer determinada petição ao Serpro, serviço de informática da Receita,

Luciana Pires e Juliana Bierrenbach têm de ser obrigatoriamente ouvidas, porque são as únicas testemunhas. E seus celulares, com as mensagens da Abin, via Flávio Bolsonaro, precisam ser apreendidos, se é que ainda não tocaram fogo neles. Mas a Procuradoria só pretende ouvi-las “se necessário”.

CONFIRMAÇÃO E DESFAÇATEZ – A autenticidade e a procedência dos relatórios da Abin foram confirmadas à “Época” pela advogada Luciana Pires, que tornou público e notório o fato de as propostas da Abin terem sido enviadas em setembro, por WhatsApp, a Flávio Bolsonaro, que as repassou para suas advogadas.

É inacreditável que em processo de tal magnitude, que pode e deve significar processo criminal contra o presidente da República, o procurador Augusto Aras tem a desfaçatez de comunicar ao Supremo, por escrito, que só ouvirá as únicas testemunhas “se necessário”.

Portanto, “se necessário”, algum partido político ou parlamentar precisa processar no Supremo esse prevaricador-geral da República, e a ministra Cármen Lúcia, ” se necessário”, tem de determinar o depoimento das advogadas e a apreensão dos celulares. Porque isso é básico e “mais do que necessário”. Mas quem se interessa?

Até os generais do Planalto estão prontos para abandonar Bolsonaro, no dia D e hora H

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro e os generais pensam (?) que podem governar sem apoio do Congresso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O genial escritor Fernando Sabino criou um personagem muito interessante. Era um velho que refletia muito sobre o mundo e classifica os dias pelas cores que significam. Por exemplo, sexta-feira é sempre azul, porque vai fechando a semana de trabalho; mesmo quando chove, o sábado é sempre amarelo e alegre: o domingo se torna vermelho quando dá praia e tem clássico de futebol: mas a segunda-feira, por mais radiante e ensolarada que seja, como aconteceu ontem, é sempre cinzenta.

Realmente, esta segunda-feira, dia 18, confirmou as observações do velho personagem de Sabino – para o governo, foi um dia absolutamente cinzento, fechado e sufocante, verdadeiramente ameaçador.

A MAIOR DERROTA – No domingo, para desespero do ministro-general Eduardo Pazuello e do presidente-capitão Jair Bolsonaro, a vacinação começou em São Paulo, configurando a maior derrota político-administrativa desse governo.

Durante a semana inteira, o general Pazuello, autoritariamente, repetiu suas sinistras entrevistas do eu sozinho, nas quais apenas ele fala e os jornalistas são mantidos em silêncio. E o general  logístico insistiu nas ameaças, dizendo que o Instituto Butantan tinha de retomar as vacinas compradas pelo governo paulista, entregá-las ao ministério da Saúde e “Ponto!”, com o oficial intendente gosta de finalizar suas ameaças.

Mas ele bateu na porta errada. Vivemos numa democracia e ninguém está ligando para as estrelas cadentes que Pazuello leva ilusoriamente nos ombros. Por isso, as vacinas não foram retomadas e a imunização começou em São Paulo, a contragosto de governo.

NA PORTA ERRADA – O caricato Pazuello, que é da Intendência e nem tem o “physique du rôle” de chefe militar, por cultivar uma obesidade que merece cirurgia bariátrica, bateu na porta errada. Ponto. O Instituto Butantan foi criado pelo célebre imunologista Vital Brazil, um dos mais importantes do mundo e que era brasileiro duas vezes no seu nome, pois se chamava Vital Brazil Mineiro da Campanha, porque nascera na cidade de Campanha, em Minas, perto de Três Corações.

Pretender aprisionar e tiranizar uma instituição como o Butantan, só pode ser iniciativa de uma pessoa que não gira bem da cabeça, uma espécie de general tantan, fantasiado de ministro da Saúde e agindo como Napoleão de hospício.

E o Instituto de Vital Brazil honrou seu cientista fundador e simplesmente desconheceu as ordens, não tomou a menor iniciativa para reaver as vacinas e deixou o general tantan falando sozinho, que é como ele gosta de dar “entrevistas”.

O GOVERNO ACABOU – A segunda-feira cinzenta mostrou que esse governo acabou e ninguém mais está disposto a bater palmas para maluco dançar, como se dizia antigamente.  

O silêncio dos militares que ocupam o Planalto é bastante revelador. Nesses dois anos eles até tentaram ajudar Bolsonaro, mas acabaram se contaminando com as maluquices dele. Hoje, estão entrincheirados no palácio, sem saber o que acontecerá em seguida. E no fim de semana o vice Hamilton Mourão, para disfarçar, deu uma entrevista cabotina tentando apoiar Bolsonaro, quando todos sabem que os dois se odeiam.

A estratégia é errada. Fazer o papel de bom moço, num momento dessa gravidade, pode soar como um comportamento indigno e subalterno, que só depõe contra o caráter de Mourão, que é um general de verdade.

###
P.S. –
Hoje é terceira-feira, o dia raiou esverdeado pelas esperanças dos brasileiros, que se animaram com o início da vacinação, já estão pouco ligando para esse governo, sabem que na vida tudo muda e ainda sonham com um futuro melhor, sem presidentes desmiolados nem generais de fancaria. (C.N.)

Quando desejaram “Feliz Ano Novo” a Bolsonaro, ele imediatamente percebeu que era gozação

Charge do Balão (balao-ilustracao.blogspot.com)

Carlos Newton

Cada vez mais barrigudo e envelhecido (ou envilecido, como dizia Rubem Braga), em apenas dois anos de gestão o presidente Jair Bolsonaro exibe uma impressionante decadência física e mental. O lendário ex-governador Amaral Peixoto costumava dizer que o poder rejuvenesce, mas no caso de Bolsonaro é visível que está acontecendo exatamente o contrário.

O fato concreto é que o presidente se transformou numa contradição ambulante, porque deseja ardentemente continuar no poder e tudo faz para se reeleger, porém deixa claro que não gosta de governar, inclusive alegando que não consegue fazê-lo.

IMAGEM DESTROÇADA – Por enquanto, ainda tem chances de se reeleger, devido à fraqueza dos adversários, especialmente porque nos últimos tempos o Brasil se tornou um deserto de homens e ideias, como dizia Oswaldo Aranha.

Sua imagem está mais destroçada no exterior do que internamente no Brasil, e a situação tende a piorar com Donald Trump fora da política, porque Bolsonaro ficará sozinho na missão de alimentar os jornalistas com notícias exóticas. Nessa especialidade, aliás, ele é imbatível, ninguém consegue superá-lo.

Como a pandemia não dá sinais de arrefecimento, a tendência é de que sua popularidade vá diminuindo, como já começou a acontecer nas redes sociais e com os primeiros panelaços.

IMPEACHMENT DA VEZ – Nesse clima, a pressão pelo impeachment aumenta cada vez mais. O presidente já foi muito ajudado pelo engavetador Rodrigo Maia e agora luta desesperadamente para eleger à Presidência da Câmara o rachadista Arthur Lira, líder do corrupto e antiético Centrão. Com isso, evitaria qualquer possibilidade de impeachment via Câmara, que esta semana chega ao 62º pedido, apresentando pela bancada da Oposição.

Mas a eleição de Lira não garante um feliz ano novo a Bolsonaro, porque no Supremo tramitam quatro inquéritos contra ele e que podem motivar processos de impeachment. Dois estão interligados (fake news e atos antidemocráticos), porque as investigações chegaram até o gabinete do ódio, que funciona no terceiro andar do Planalto.

Os outros dois (interferência na Polícia Federal e atuação da Abin na blindagem de Flávio Bolsonaro) também acabaram se interligando, porque o advogado do ex-ministro Moro pediu a anexação das provas sobre a Abin.

DIA 15 DE MARÇO – As investigações de fake news, atos antidemocráticos e interferência na Polícia Federal (caso Moro), relatadas por Alexandre de Moraes, terminam diz 15 de março. O ministro então decidirá se vai pedira abertura de processo ao procurador Augusto Aras.

O outro processo (caso Abin) está com Cármen Lúcia e também não deve demorar a decisão.

Há quem não acredite que Aras dê seguimento aos processos, pois pode arquivá-los, mas é preciso lembrar que se trata daquele procurador que foi enganado por Bolsonaro – pensou que iria para o Supremo, mas preterido por um desclassificado “jurista” do Centrão.

###
P.S. – Como se sabe, a vingança é um prato que se come frio, e Bolsonaro não tem mais nenhum motivo para confiar em Aras. (C.N.)

No Senado, maior defeito de Simone Tebet é ser favorável à luta contra a corrupção

MDB define Simone Tebet como sua candidata à presidência do Senado - Diário  do Poder

Simone Tebet é uma senadora honrada, algo muito raro

Carlos Newton

Está difícil acreditar no futuro do Brasil quando se depara com a realidade da política atual, dividida em dois grupos suprapartidários, que pairam acima de ideologias – os que são a favor da Lava Jato e os que estão contra.

É justamente essa realidade que explica a posição do PT, um dos partidos mais nauseabundos do país, que fechou apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência do Senado, porque ele é contra a Lava Jato e promete, por baixo dos panos, tudo fazer para sepultar a luta contra a corrupção.

SORRATEIRAMENTE – Ou seja, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi preterida pelo PT porque defende abertamente o prosseguimento da Lava Jato e a luta contra a corrupção, enquanto o melífluo Pacheco faz o contrário, sorrateiramente, por baixo das asas do Planalto.

O pior é o objetivo que move o PT, submisso a Bolsonaro e Alcolumbre. A luta do partido contra a Lava Jato visa a anular as condenações do ex-presidente Lula da Silva, para que ela possa ser candidato em 2022.

Na semana passada, aliás, o petista Fernando Haddad deixou de escrever artigos na Folha, porque o jornal se recusa a defender a anulação dos julgamentos de Lula, vejam a que ponto chegamos.

TRÊS PODERES – Como se sabe, essa campanha para destruir a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro tem apoio entusiástico dos três Poderes da República, cujos marqueteiros até criaram uma expressão depreciativa para desmoralizar a luta contra a corrupção – o “lavajatismo”.

Essa campanha abjeta e vergonhosa já conseguiu tornar o Brasil o único país da ONU a prender criminosos somente após julgamento em quarta instância, enquanto a maioria das nações tem apenas três instâncias.

Agora, o novo capítulo é evitar que a senadora Simone Tebet chegue à presidência do Congresso e possa contribuir para desemporcalhar a política deste país.

###
P.S. – O PDT também decidiu apoiar Pacheco, o candidato da Bancada da Corrupção, sabe-se lá por quê. Ah, Brizola, que falta você faz… (C.N.)

Bolsonaro imitou Lula, traiu seus eleitores e se aliou aos maiores corruptos deste pais

TRIBUNA DA INTERNET | Estratégia vitoriosa de Bolsonaro só está valendo para o primeiro turno

Charge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

A situação do país está cada vez mais clara. Pode-se até conceder a Jair Bolsonaro o benefício da dúvida, alegando que talvez o novo presidente pretendesse agir de outra forma e apoiar o movimento contra a corrupção, à época liderado pelo juiz federal Sérgio Moro, cujo trabalho era reconhecido internacionalmente, tendo sido transformado numa das mais importantes personalidade do mundo.

É possível acreditar nisso, julgar que Bolsonaro realmente pretendia atender a seus eleitores e passar o país a limpo, após a trágica experiência do PT, um partido sem quadros, que incentivou a corrupção e entregou o comando da economia a um médico sanitarista sem a necessária capacitação.

A SURPRESA DA RACHADINHA – No entanto, antes mesmo de assumir, o novo presidente Bolsonaro foi surpreendido por um ponto fora da curva. Um poderoso órgão federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia flagrado grande número de deputados estaduais da Assembleia do Rio em lavagem de dinheiro, e um deles era seu filho Flávio. E pior, fora incentivado a essa forma de enriquecimento ilícito pelo próprio pai.

Foi assim que saiu de cena o presidente anticorrupção e surgiu em cena uma nova versão de Bolsonaro, que entusiasticamente aceitou o suposto “pacto de governabilidade” proposto em maio de 2019 pelo presidente do Supremo, Dias Tofolli, com apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos interessadíssimos em abafar o movimento da Lava Jato.

Em consequência, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ficou sozinho e teve de assistir seu projeto de medidas contra o crime ser transformado num pacote a favor da impunidade da corrupção, que incluiu a Lei do Abuso de Autoridade, para amordaçar juiz, membros do ministério Público e delegados.

LIBEROU GERAL – O Supremo também cumpriu sua parte no “pacto” e aprovou a prisão somente após condenação na quarta instância, levando o Brasil a ser o único país da ONU a garantir a impunidade nesse nível absurdo. E assim foram colocados em liberdade muitos criminosos condenados por corrupção, como Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha e muitos outros.

Na verdade, insuflado por Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o Supremo desfechou uma verdadeira guerra contra a Lava Jato e também tirou da Justiça Criminal o Caixa Dois, que virou irregularidade meramente eleitoral, vejam a que ponto chegamos.

Hoje, a Lava Jato, os procuradores e o ex-juiz Moro são atacados diariamente na mídia e na internet por representantes dos três Poderes que nesse sentido continuam “pactuados”. Há algo de errado, evidentemente, mas é isso que está acontecendo, como se o país estivesse de cabeça para baixo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O presidente Bolsonaro preferiu trair seus eleitores e proteger os filhos, que seguiram seu exemplo rachadista para enriquecerem ilicitamente.

Resultado: o país está sem comando. Rompido com o vice-presidente Hamilton Mourão sem o menor motivo, hoje Bolsonaro tornou-se uma figura caricata, que mostra não ter dignidade, responsabilidade, capacidade nem hombridade.

Há alguns muitos anos o economista Edmar Bacha se notabilizou ao chamar o Brasil de “Belíndia”, uma mistura de Bélgica e Índia. E a Bélgica realmente é um bom exemplo para nós. Acaba de sair de seu mais longo período sem governo.Desta vez, o país ficou 650 dias acéfalo, desde a queda do premier Charles Michel. Para o Brasil, também seria melhor ficar sem governo do que continuar aturando Jair Bolsonaro.

###
P.S. –
Como o Brasil é presidencialista, não é possível ficar sem governo. Mas o vice Mourão, comparado a Bolsonaro, até parece ser um estadista do porte de Roosevelt, Churchill ou De Gaulle. É claro que Mourão não está com essa bola toda, como se diz atualmente, nem devemos ter expectativas exageradas, mas Mourão é muito melhor do que Bolsonaro, sem a menor dúvida. (C.N.)

Rosa Weber enfrenta Aras e manda seguir a investigação do currículo de Kassio Nunes

Kassio Marques é nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal - Jornal de  Itatiba

Kassio Nunes tem de explicar por que fraudou o currículo

Carlos Newton

Ao analisar notícia-crime apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo jornalista e radialista Afanasio Jazadji, representado pelo advogado paulista Luiz Nogueira, informando sobre crimes de falsidade ideológica e de plágio, cometidos pelo novo ministro da Suprema Corte, Kassio Nunes Marques, inserindo informações falsas no currículo que montou para se habilitar à vaga de ministro, a ministra relatora Rosa Weber, em 11 páginas, refutou contundentemente o parecer do procurador-geral da República, Augusto Aras, para quem só o STF teria competência para investigar seus membros.

Segundo Augusto Aras, “como a autoridade noticiada detém foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I “b”, da Constituição Federal), por ser Ministro da Suprema Corte, eventual procedimento investigatório voltado para a apuração de crime atribuído à sua pessoa há de ser instaurado nesse STF”.

JOGADA DE ARAS – Para alguns juristas, assim agindo, o PGR se absteve da obrigação de abrir investigação contra o novo ministro (situação nada confortável), adotando iniciativa descabida para que assim a ministra relatora pudesse, amparada em forte jurisprudência, sem entrar no mérito dos possíveis ilícitos, decretar o arquivamento da questão.

Mas não é isso que se lê na decisão monocrática de Rosa Weber, vice- presidente da Suprema Corte. “Há, portanto, uma nítida

separação de funções de acusar e julgar, voltada precipuamente à preservação da imparcialidade e do distanciamento do juiz em relação a atos pretéritos ao processo judicial. Nesse sentido, compete, única e exclusivamente, em casos de infrações penais passíveis de persecução mediante ação penal pública, ao Ministério Público oferecer denúncia ou requerer o arquivamento de inquéritos e peças de informação”.

ARAS SE OMITIU – Ora, a decisão de Rosa Weber mostra estar claro que, se a notícia-crime trazia fortes indícios de práticas criminosas existentes nas informações acadêmicas do novo ministro quanto à conclusão de cursos de pós-graduações, mestrados, pós-doutorados antes do doutorado e até plágio, títulos esses obtidos em universidades de Portugal, Espanha e Itália, no período em que ao mesmo tempo exercia no Brasil o cargo de desembargador federal (juiz não concursado, nomeado por Dilma Rousseff), mais do que pacífico que ao procurador Aras competiria abrir investigação e não passar a responsabilidade para o STF.

E por que abdicou dessa obrigação o chefe da Procuradoria, já que todos são iguais perante a lei?

Explica, didaticamente, a ilustre ministra do STF que “não pode o Poder Judiciário compelir o “Parquet” a quaisquer das condutas nem avaliar a suficiência das informações trazidas em notícia-crime para instauração de inquérito ou procedimento de investigação criminal. Na linha de precedentes desta Casa, somente ao Ministério Público é dada a formação da “opinio delicti”, sem qualquer interferência de agentes estranhos à composição desse mesmo órgão…”

DISSE ROSA WEBER – Mais adiante, a relatora quase que advertindo o PGR, destacou que “inequivocamente, a separação rígida entre as funções de julgar e de acusar constitui verdadeira cláusula inerente ao núcleo do sistema acusatório, razão pela qual é inadmissível que o Poder Judiciário formule juízo meritório quanto ao pedido de arquivamento de inquéritos e peças de informação”.

Não me alongando, apesar da importância da matéria, parece mais do que evidente que a ministra relatora não deixou alternativa ao procurador Aras – ele tem de instaurar procedimento investigatório em face do ministro Kassio Nunes Marques, pois se não estivesse ele convencido das falsidades ideológica, material e de plágio cometidos pelo magistrado, por que sôfrega e erradamente transferiu responsabilidades a quem cabe julgar e não produzir provas e denunciar?

FALTOU À AULA – Com todo o respeito, o procurador Augusto Aras certamente faltou à aula em que os deveres e obrigações do Ministério Público foram tratados.

É claro que voltaremos ao tema, apesar do silêncio ensurdecedor da chamada grande Imprensa, que decididamente este deixando passar em brancas nuvens essa importante questão que afeta os três Poderes na indicação de um ministro despreparado e que teve a audácia de fraudar o próprio curriculum vitae, dentro dessa esculhambação em que se tornou o Brasil.

Para nos livramos de Bolsonaro, basta aplicar a 25ª emenda constitucional dos EUA

São três moleques”, diz Mourão sobre filhos de Bolsonaro | Jornal Alto Vale Online

 Charge do Iotti (Gaúcha-Zero Hora)

Carlos Newton     

Todos estão cansados de saber que o Brasil (ou Brazil) na verdade é uma filial da matriz United States of America (USA) e durante muito tempo foi chamado de Estados Unidos do Brasil, seu primeiro nome oficial durante o regime republicano, da Proclamação da República, em 1889, até 1967, quando o regime militar aprovou uma reforma constitucional e eliminou essa denominação.

No ano seguinte, 1968, o Congresso então votou um projeto relatado pelo deputado Gustavo Capanema (PSD-MG) e o país passou a se chamar República Federativa do Brasil, porém jamais deixou de ser filial dos USA.

NO REGIME MILITAR – Nenhum país gosta de ser subsidiário a outra nação mais potente. A denominação Estados Unidos do Brasil dava a entender que isso aqui poderia ser o Brasil dos Estados Unidos, e os militares não somente eliminaram essa possibilidade de erro, como também avançaram muito na autonomia política, social e ideológica do país, sem submissão aos estrangeiros, e a relação com os Estados Unidos foi entre tapas e beijos, digamos assim.

Essa política admirável vinha se consolidando desde a proclamação da independência, com a diplomacia altiva e nacionalista que sempre caracterizou o Império, especialmente na atuação de Dom Pedro II e do Barão de Rio Branco, dois estadistas que merecem que lhes tiremos o chapéu, como se fazia na época.

MATRIZ E FILIAL – Essa antiga relação subjugada de matriz e filial vinha se deteriorando, até que o presidente Jair Bolsanaro formasse sua equipe e se assumisse como americanólatra, fazendo o possível e o impossível para submeter o Brasil aos Estados Unidos.

Com dois anos de governo, ficou patente que Bolsonaro não tem equilíbrio emocional e político para governar o país. Em consequência, há os que preguem sua renúncia, que não acontecerá, enquanto outros defendem o impeachment, que exige uma tramitação longa, não é solução a curto prazo.

Nesse momento é que sentimos a falta da 25ª emenda à Constituição dos Estados Unidos. Imitamos tanto os norte-americanos, mas esquecemos desse detalhe fundamental.

SOLUÇÃO GENIAL –  A 25ª emenda estabelece procedimentos para preencher uma vaga quando há incapacidade do presidente. E o que nos interessa é a Seção 4, que determina:

“Sempre que o Vice-presidente e a maioria dos principais funcionários dos departamentos executivos ou de qualquer outro órgão que o Congresso possa por lei fornecer, transmite ao Presidente Pro Tempore do Senado e ao Presidente da Câmara dos Deputados sua declaração escrita de que o Presidente não pode desempenhar os poderes e deveres de seu cargo, o Vice-presidente deve assumir imediatamente os poderes e deveres do cargo como Presidente em exercício.

Se o Presidente enviar ao Parlamento não de conformar e declarar que não existe incapacidade, o Vice-presidente reafirmar que ele está incapaz, o Parlamento decidirá a questão, reunindo-se dentro de quarenta e oito horas para esse fim, se não estiver em sessão. Genial! Ou bestial!, como dizem nossos irmãos portugueses.

###
P.S. –
Que falta faz a 25ª emenda, hein? Era só vice Hamilton Mourão pegar a assinatura da maioria dos membros do Conselho da República, que ele mesmo preside, pedir apoio logístico ao Forte Apache, se dirigir ao Planalto, mandar o importuno se retirar, espargir inseticida na cadeira presidencial, no estilo Jânio Quadros, e tocar o barco para a frente… Se na matriz é assim, por que seria diferente aqui na filial? (C.N.)

A Tribuna entra em mais um ano, infectada por roboides, androides e humanoides de toda espécie

Charge, tirinha e notícia – Cadernos Virtuais

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Não é preciso ser nenhum luminar da ciência para entender a Tribuna da Internet. A partir do slogan “Sob o Signo da Liberdade”, sugerido por um dos maiores juristas do país, que desde sempre era leitor da antiga Tribuna da Imprensa e advogado de Helio Fernandes, nosso objetivo foi criar um blog independente, sem influência de partidos políticos e ideologias, para possibilitar uma troca de opiniões de alto nível e verdadeiramente livre, algo inexistente na imprensa, na internet e até mesmo nas universidades.

Essa utopia é uma coisa pessoal, cultivada pelo editor-chefe e criador da Tribuna da Internet, que tenta entender até que ponto realmente existem liberdades democráticas. 

VIAGEM UTÓPICA – Com todas as dificuldades possíveis, fomos em frente nessa viagem utópica, que jamais abandonaremos. E chegamos até aqui, sempre proporcionando a leitores de alto nível a possibilidade de transitarem em uma espécie de chat intelectualizado, para permanente troca de ideias e que é patrocinado pelos próprios participantes.

Nesses dez anos, a TI se transformou num espaço importante, que atrai robôs de diferentes partidos e ideologias, empenhados em conquistar adeptos para suas facções.

Há androides de todo tipo, alguns são amadores, defendem dogmas ideológicos e religiosos, inclusive as mais diversas teorias conspiratórias, mas a maioria é de profissionais a soldo, que recebem 30 dinheiros para defender candidatos e teses, que quase sempre são indefensáveis.

CONSCIÊNCIA – É preciso que os verdadeiros comentaristas tenham consciência de que jamais conseguirão se livrar do assédio dos robôs, que são retirados do blog quando se excedem, mas sempre voltam, com outros nomes ou pseudônimos.

Por isso, o pior trabalho na manutenção do blog, mais cansativo e exasperante, é limpar os comentários, tirar palavrões e ofensas, assim como textos em maiúsculas. É uma chatice fazê-lo, várias vezes por dia, porque nosso amigo Marcelo Copelli só atua na edição de matérias. 

Além de palavrões e ofensas, retiro também textos que excedem a liberdade de expressão, como a crítica depreciativa feita recentemente a meu amigo Joel Silveira por um desses roboides, que imediatamente foi excluído do blog e está vagando na web, choramingando e tentando voltar…

BALANÇO DE DEZEMBRO – Vamos agora ao balanço das contribuições feitas em dezembro, agradecendo muito a nossos amigos que conseguiram colaboram para a manutenção desse espaço livre na internet. Na conta da Caixa Econômica Federal, foram feitos os seguintes depósitos:

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO       VALOR
07        300015           DOC ELET……………35,00

09        091346           CRED TEV…………..105,00
09        091148           DP DIN LOT…………20,00 
22        221143            CRED TEV………….100,00
23        231010            DP DIN LOT……….100,00
23        231028           DP DIN LOT………..230,00

Na conta do Banco Itaú/Unibanco, houve as seguintes contribuições ao Blog:

03     TED  001.5977 JOSAPE……………..200,03
15      TED  001.4416  MARIACRO……….250,00
16      TED  033.1593  DADESO…………….80,00
31      TBI   0406.49194-4 TRIB……………100,00

Por fim, na conta do Bradesco, houve mais uma contribuição à Tribuna da Internet:

24      8253172 TRANS LUNO…………..1.000,00

Agradecendo muitíssimo as contribuições, vamos em frente, sempre juntos e aturando os roboides, humanoides e androides.

Devido às idiotices de Bolsonaro, a imagem do Brasil lá fora não vale uma nota de três dólares

Declarações chocantes marcam mandato de Bolsonaro. Especialista analisa  frases - Política - iGCarlos Newton

Há pessoas que, definitivamente, não têm medo do ridículo. Gostam de se exibir, não resistem a uma câmara ou um microfone e saem dizendo disparates. Era assim com Lula da Silva, autoproclamado o homem mais honesto da humanidade, com Dilma Rousseff, a estocadora oficial de vento da ONU, e é assim também com Jair Bolsonaro, o garoto-propaganda mundial da cloroquina.

Itamar Franco e Michel Temer sabiam se comportar, embora o mineiro se excedesse no carnaval e o paulista gostasse de manter isso, viu. E até Fernando Henrique Cardoso, o mais vaidoso de todos eles, era mais comedido e se expunha menos.

CAVALÃO DESEMBESTADO – Apelidado de “Cavalão” nos seus tempos de caserna, com a chegada ao poder Bolsonaro ficou desembestado . Assim que assumiu o governo, iniciou uma interminável sucessão de declarações imbecis, tipo:

“Nazismo é uma ideologia comunista”; “O erro dos militares foi torturar e não matar”, “O Brasil não pode ser o país do turismo gay. Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay”; “Se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele…”; “É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí”, disse, referindo à adolescente sueca Greta Thunberg, a gestão dele tem sido um nunca-acabar de declarações idiotas.

IMAGEM DESTRUÍDA – Bolsonaro não consegue entender que o Brasil é um país importante e tudo o que seu presidente afirma tem repercussão interna e externa. Com apenas dois anos de governo de Bolsonaro, pode-se repetir Lula da Silva e dizer, sem medo de errar, que nunca antes, na História deste país, se viu um festival igual de bobagens e afirmações negacionistas, especialmente em relação ao coronavírus e à covid-19.

A imagem do país está destruída no exterior, nossos diplomatas são motivo de chacotas e a imprensa mundial demonstra haver consenso sobre a figura caricata de Jair Bolsonaro, que jamais poderia ter sido eleito para presidir o país.

O único consolo é que se trata de um político autocarburante, que consome a si mesmo, sem necessitar que ninguém acenda o fósforo. A partir de agora, com o fim do auxílio emergencial, sua popularidade está destinada a desabar, e Jair Bolsonaro tem um encontro marcado com o fracasso.

###
P.S.
No período colonial, o botânico francês August de Saint’Hilaire dizia: “Ou o Brasil acaba com as saúvas ou as saúvas acabam com o Brasil”. Dois séculos depois, as formigas predadoras não conseguiram destruir o país, mas o cavalão Bolsonaro faz um esforço danado com esse objetivo. (C.N.)

Dizer que Bolsonaro é o maior em ‘corrupção e crime organizado’ é acusação totalmente injusta e inaceitável

Bolsonaro expressa tristeza pela tragédia em Beirute - Record TV Europa

Jair Bolsonaro foi ofendido e o Itamaraty sequer protestou

Carlos Newton

No final do ano a notícia foi destaque em toda a mídia, que repercutiu a nomeação feita anualmente por um consórcio internacional de jornalistas denominado OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project). A justificativa é inaceitável, porque diz que o presidente Jair Bolsonaro “se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região da Amazônia que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país”.

A organização internacional assinala que o chefe do governo brasileiro venceu “por pouco” outros dois candidatos ao “prêmio” do consórcio – o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê turco, Recep Erdogan.

TRÊS AUTOCRATAS – “Os finalistas lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia”, afirma o texto.

O júri afirmou que Bolsonaro foi destacado por “sua hipocrisia”, dizendo que o presidente alçou o poder prometendo combater a corrupção, mas se envolveu com corruptos e acusou outros da prática do crime.

“A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo”, destacou Drew Sullivan, editor do OCCRP e membro do júri.

INDICAÇÃO ERRADA – Bem, com todo o respeito ao júri que consagrou Bolsonaro como o maior do mundo, essa indicação está totalmente equivocada e merecia uma resposta enérgica e radical por parte do Itamaraty e de todo o país.

Nada do que foi dito sobre o presidente brasileiro é verdade, salvo o chamado esquema das rachadinhas e funcionários fantasmas, que foi introduzido nos gabinetes parlamentares da família, mas não se trata de criação deles, que apenas entraram na onda.  

OUTRO GRAVE ERRO – Também não é justo dizer que “o presidente alçou o poder prometendo combater a corrupção, mas se envolveu com corruptos e acusou outros da prática do crime”.

Na verdade, ele não se envolveu, apenas contribuiu para que o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro fosse transformado em leis a favor do crime, e apoiou discretamente o fim da prisão após segunda instância, que transformou o Brasil no único país da ONU a adotar essa norma a favor dos envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro.

ALIADOS MILICIANOS – Não é verdade, ainda, que a família Bolsonaro esteja aliada a milicianos, conforme o comitê denunciou. Isso é coisa do passado. Tanto assim que o principal miliciano referido, o ex-capitão Adriano da Nóbrega, estava foragido e morreu oportunamente ao reagir à polícia em outro estado.  

Também não é verdadeira a informação de que o presidente era ligado a outros milicianos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). E o fato de o miliciano-chefe ser vizinho do presidente e de seu filho 02 no mesmo condomínio é mera coincidência, como se diz nos filmes de Hollywood inspirados em fatos reais.

Aqui no Brasil todos sabem que a família abandonou o crime faz tempo, tendo lavado a fortuna com dinheiro vivo e feito sólidos investimentos no mercado financeiro. Por tudo isso, o país precisa repudiar com vigor essa injustificada indicação do comitê internacional de jornalistas.

###
P.S. –
Quem realmente conhece os Bolsonaro, sabem que eles deveriam ganhar outras indicações mais merecidas, como os maiores do mundo em termos de ignorância, burrice, desfaçatez, soberba, idiotice, incompetência e falta de vergonha na cara, como dizia o grande historiador Capistrano de Abreu, autor da menor e mais eficiente Constituição do mundo. (C.N.)    

Forças Armadas estão assistindo de camarote à derrocada do capitão Bolsonaro

Exclusivo: Bolsonaro diz que não tomará vacina chinesa | Jovem Pan

Bolsonaro está quase vez mais enrolado nos quatro inquéritos

Carlos Newton

Devido ao apoio ostensivo do então comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, do general reformado Augusto Heleno e do presidente do Clube Militar, general Hamilton Mourão, que respaldaram sua candidatura em 2018, atraindo milhões de votos, o presidente Jair Bolsonaro sonhou que poderia contar com o apoio das Forças Armadas para conduzir o governo de forma arbitrária e pouco republicana.

Julgou que poderia comprar o respaldo da caserna por 30 dinheiros, mas a banda militar não toca bem assim. O resultado é que, dois anos após a posse, o presidente está sendo investigado por crimes comuns em quatro inquéritos simultâneos no Supremo, e as Forças Armadas guardam respeitosa distância dessas questões jurídicas, que não lhes dizem respeito.

PRIVILÉGIOS MANTIDOS – Estrategicamente, Bolsonaro manteve todos os privilégios das Forças Armadas, em termos de previdência e assistência médica e odontológica, e equiparou seus salários aos tetos dos Poderes da República, apesar de há anos trabalharem em regime de meio expediente, devido a cortes orçamentários.

Ninguém lhe pediu nada, oficialmente, mas os três comandantes e o ministro da Defesa, em ordens do dia, deixaram claras as reinvindicações, que o presidente da República fez questão de atender.

Mas esses assuntos morreram por aí, os militares continuam nos quarteis, enquanto o governo abre as burras para garantir a compra dos caças Gripen, a construção de fragatas e submarinos nucleares e o reequipamento do Exército, incluindo os novos carros blindados.

É BOM LEMBRAR… – Devido aos problemas judiciais do filho Flávio, em 2019 o presidente aceitou o pacto com o Supremo e o Congresso, para desidratar o pacote anti-crime do então ministro Sérgio Moro e possibilitar outras medidas para garantir a impunidade das elites, como o fim da prisão após segunda instância.

Foi quando surgiu a denúncia contra as mulheres dos ministros Dias Tofolli e Gilmar Mendes, por sonegação de impostos. Na época, Toffoli era presidente do STF e pediu providências a Bolsonaro contra a Receita e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O presidente atendeu e tentou fazer mudanças no Coaf e na Receita, enquanto Toffoli abria um inquérito contra “fake news” sobre o Supremo, sem perceber que poderia ser um tiro no pé.

“GABINETE DO ÓDIO” – No decorrer das investigações das “fake news”, a Polícia Federal chegou ao “gabinete do ódio”, que funciona no Planalto sob comando de Carlos Bolsonaro, o filho 02, e coordenação de Tércio Arnaud Tomaz, assessor do presidente da República.

Ou seja, o inquérito atinge o próprio Bolsonaro, que simultaneamente está sendo investigado também no inquérito dos atos antidemocráticos, por envolver o mesmo “gabinete do ódio”.

Além disso, o ministro Alexandre de Moraes conduz um terceiro inquérito, aberto a pedido de Bolsonaro pelo procurador-geral Augusto Aras, que acusava o ex-ministro Sérgio Moro por denunciação caluniosa e outros seis crimes.

TROCA DE “INVESTIGADOS” – No decorrer das investigações, algo insólito aconteceu. Antes do final do inquérito, o acusado Moro foi tacitamente inocentado, porque seu nome saiu da capa dos autos e foi substituído por Jair Messias Bolsonaro, que passou a ser o “investigado” em oito crimes denunciados pelo advogado de Moro.

Mas como essa troca de nomes aconteceu antes do final do inquérito? Ninguém sabe. É um mistério profundo, coisas da Justiça brasileira.

Por fim, Jair Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal num quarto inquérito, sob relatoria de Cármen Lúcia, acerca da atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para anular as investigações contra Flávio Bolsonaro.

OS MILITARES ASSISTEM – As Forças Armadas, com seus serviços de inteligência, acompanham atentamente os inquéritos e sabem que não há como evitar a abertura de processo.

O mais grave, com provas incontestáveis, é o que apura a denúncia de interferência na Polícia Federal, que ficou mais sólido com a anexação das provas do caso Abin, solicitada pelo advogado de Moro.

Os militares sabem que Bolsonaro está por um fio. Em março, quando terminam as três primeiras investigações, se o Supremo tiver parecer favorável do procurador Augusto Aras e abrir processo, Bolsonaro será afastado por 180 dias para responder por crime comum.

###
P.S.E os militares? Bem, eles continuarão como estão, assistindo de camarote à derrocada de seu benfeitor, o capitão Jair Bolsonaro. É uma ironia do destino, como se dizia antigamente, e eles confiam cegamente no vice Hamilton Mourão. (C.N.)