Sei que ainda há juízes em Berlim, mas tenho dúvida se existem em Brasília

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Charge do Bessinha (site Conversa Afiada)

Carlos Newton

Na manhã desta quarta-feira, a Tribuna da Internet protestava contra a notícia de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se preparavam para aprovar um reajuste de 16,38% em seus próprios salários. Defendíamos a tese de que é hora de iniciar um esforço de redução das desigualdades sociais, e o Supremo poderia dar o exemplo, mantendo o teto atual, de R$ 33,7 mil, e propondo a elevação dos salários dos servidores menos qualificados, para começar a diminuir a distância abissal entre os maiores e os menores salários do serviço público, um fato que rebaixa o nível de civilização existente no país.

Dos onze integrantes do Supremo, apenas quatro votaram contra o reajuste para R$ 39,3 mil, que são turbinados pelo auxílio-moradia e outros penduricalhos – Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin. Os demais ministros – Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Alexandre de Moraes, todos votaram a favor.

ATÉ OS RICAÇOS – Notem que justamente os ministros mais ricos é que votaram a favor do reajuste, como o empresário e fazendeiro Gilmar Mendes; o jurista Luís Roberto Barroso, que já enricara na advocacia antes de chegar ao Supremo; o surpreendente Marco Aurélio Mello, que tem um apartamento hollywoodiano no Rio de Janeiro, cujo condomínio oferece aos moradores mesmo um campo de golfe particular; e até Dias Toffoli, o ministro da inexplicável mesada de R$ 100 mil.

Essa atitude da maioria absoluta dos ministros do Supremo revela uma insensibilidade grotesca e bizarra, que justifica muito bem o fato de Brasília ter o apelido de “Ilha da Fantasia”. Realmente, a elite funcional que vive por lá se julga merecedora de todos os privilégios e considera como “gentalha” os demais brasileiros, os otários que pagam os impostos que sustentam as mordomias da Côrte, numa cidade onde os antigos prédios públicos se transformaram em suntuosos palácios, como Planalto, Alvorada, Burity, Itamaraty, Justiça, Supremo, Jaburu, TCU, STJ, TSE, Procuradoria da República e tantos outros prédios públicos luxuosos, que se transformaram em monumentos à suntuosidade de seus eventuais locatários, porque todos pertencem ao povo, embora os  chamados populares estejam proibidos de frequentá-los.

IMPACTO PROFUNDO – Os insensíveis ministros do Supremo, que têm casa, comida, jatinhos, sala VIP, carros blindados, motoristas e seguranças de graça, tudo pago pelo contribuinte, nem se importaram com o impacto profundo do aumento que pretendem conceder aos próprios salários. Sabem que o reajuste vai percorrer o país como um tsunami, elevando os vencimentos dos três Poderes nos níveis federal, estadual e municipal, ou seja, ajudando de quebrar o país.

A insensibilidade e a arrogância dos magistrados faz lembrar a antiga lenda germânica do moleiro ameaçado pelo rei, que responde acreditar que ainda havia juízes em Berlim. No nosso caso, tenho dúvidas se ainda há juízes em Brasília, embora Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin tenham votado contra o reajuste.

É que também esses quatro ministros deixam a desejar, porque assistem à progressiva desmoralização da Justiça e dos outros Poderes, sem se manifestarem com a veemência que se faz necessária. E a omissão, qualquer advogado sabe, pode ser até criminosa.

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P.S.
Alguém pode alegar que os jornalistas “pessoas jurídicas” são iguais aos magistrados e a imprensa também está contaminada. Realmente, é verdade. Mas deixo claro que não tenho nada a ver com isso. Como se dizia antigamente, quem quiser que segure sua pemba, em todos os sentidos. (C.N.)

Entenda por que Toffoli não consegue justificar sua “mesada” de R$ 100 mil

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Toffoli só está calado, porque não tem o que falar…

Carlos Newton

Alguns comentaristas da “Tribuna da Internet” saíram em defesa do ministro Dias Tofolli, próximo presidente do Supremo Tribunal Federal, no caso da mesada de R$ 100 mil que recebe de sua mulher, a advogada Roberta Maria Rangel, transferidos do banco Itaú. Segundo esses comentaristas, o recebimento desta elevada quantia todo mês é perfeitamente legal, desde que esteja declarado ao Imposto de Renda, e ninguém tem nada a ver com isso.

SILÊNCIO TOTAL – Mas não é bem assim, Se o caso fosse tão simples, o ministro Tofolli já teria quebrado o silêncio que mantém sobre o assunto e estaria processando a revista digital “Crusoé”, que divulgou a denúncia através do site “O Antagonista”.

O assunto é complicado e tenebroso, não tem a ver diretamente com Imposto de Renda, mas com certeza o depósito mensal precisaria constar nas declarações de renda de Toffoli e de sua esposa, assim como na contabilidade do escritório de advocacia por ela encabeçado.

A DENÚNCIA – Divulgada com estardalhaço pelo site, a denúncia detalha que, dos R$ 100 mil depositados mensalmente na conta de Tofolli no banco Mercantil do Brasil, a metade (R$ 50 mil) é transferida para a ex-mulher do ministro, Mônica Ortega, o que configura uma espécie de “pensão alimentícia”, e o restante seria utilizado para custear as despesas pessoais do ministro. Ainda segundo a reportagem, a conta é operada por um funcionário do gabinete de Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os repasses, segundo a reportagem, saem de uma conta de Roberta Maria Rangel no banco Itaú com destino a outra mantida em nome do casal no banco Mercantil do Brasil. Os repasses foram realizados ao menos desde 2015 e somam R$ 4,5 milhões.

PAGAR IMPOSTO – No caso, não se trata de Imposto de Renda, mas o depósito mensal caracteriza transmissão de bens em dinheiro. No Distrito  Federal, essa prática tem incidência de imposto (ITCD) de 4%. Ou seja, Toffoli  teria de pagar R$ 4 mil  todo mês, ou sua esposa, tanto faz, por que o doador “responde solidariamente” pelo imposto devido (art. 11 da lei 3.804/2006). e a ex-mulher do ministro teria de pagar R$ 2 mil pela doação recebida.

Mesmo que Toffoli (ou a esposa) tenha pago o imposto, isso não significa que não haja irregularidade. Se a quantia não tiver sua retirada registrada na contabilidade do escritório de advocacia da mulher, estaríamos diante de lavagem de dinheiro. No entanto, mesmo que o débito mensal esteja contabilizado, a situação continua complicada para Toffoli.

LEI DA MAGISTRATURA – O exercício da profissão do ministro do Supremo é regulado pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional, conhecida como Loman (Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979). Seu artigo 35 estabelece que são deveres do magistrado, entre outras exigências, “manter conduta irrepreensível na vida pública e particular” (inciso VIII).

Já o artigo 36 determina que é vedado ao magistrado: I – exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista; II – exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração.

Ou seja, Toffoli não pode receber mesada de “associação”, e o escritório de advocacia de sua mulher é uma “associação de advogados”, não pertence exclusivamente a ela.

P.S. 1 – A denúncia é gravíssima. Se não recolheu os impostos, Toffoli fica sem alternativa de defesa. Por isso, está em silêncio, apostando no moderno dito popular de que a memória coletiva só dura quinze dias, mas é claro que esta estratégia não vai dar certo. Há jornalistas e membros do Ministério Público que têm memória um pouco mais alongada. (C.N.)

P.S. 2 – Escrever na Tribuna da Internet é uma chatice. Há comentaristas que colocam defeito em tudo que leem, pensam que sabem muito, mas pouco sabem. Aqui na TI, quando sai publicado que um ato é ilegal e alguém quiser contestar, deveria ao menos citar a lei em que baseia seu raciocínio, ao invés de dar pitaco no texto dos outros. (C.N.)

Muitos comentaristas querem deturpar a utopia democrática da “Tribuna”

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Charge do Rice (Arquivo Google)

Carlos Newton

Muitos comentaristas cultivam um sonho impossível aqui na “Tribuna da Internet”. Querem transformar o Blog num espaço de mão única, que defenda apenas um linha de interesse político, ideológico, partidário e social. Ou seja, querem reeditar no jornalismo o velho tema do “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça. Mas trata-se de uma missão impossível (e sem Tom Cruiser…). Este Blog, enquanto existir, será um veículo democrático, que divulgará pensamentos de todas as tendências ideológicas, desde que não sejam aberrações.

É claro que grande número de participantes concorda e aplaude essa liberdade de expressão garantida pela “TI”. Pode ser que haja outro espaço na internet que também garanta a livre expressão, mas, sinceramente, ainda não encontrei. Gostaria de encontrar, é claro, para fazer um empreendimento conjunto – ou uma “joint venture”, como se diz, mais sofisticadamente.

EXEMPLO DE PUGGINA – A liberdade de expressão da TI está marcada aqui pelo fato de publicarmos artigos de Percival Puggina, um intelectual gaúcho que se tornou um dos baluartes do anticomunismo no Brasil. Publicamos um ou dois artigos do Puggina semanalmente. Quando esquecemos, por um motivo ou outro, ele logo manda e-mail reclamando.

Com todos sabem, o editor da “TI” é marxista. Às vezes ele fica pensando em mandar para Puggina um artigo defendendo teses de Marx e Engels, para que publique no Blog dele, como retribuição. Certamente Puggina jamais postaria esse tipo de artigo, mas o editor da TI nem leva a mal, vai continuar publicando os excelentes artigos dele, com todo prazer, porque na verdade defendemos teses semelhantes, que são como as paralelas do Belchior e se encontrarão no infinito, digamos assim. Puggina é um intelectual do bem, luta o bom combate, como diria São Paulo, e merece nosso respeito e admiração.

EXEMPLO DE BOFF – Outro exemplo interessante é Leonardo Boff. Muitos comentaristas ficam furiosos com a publicação dos artigos dele. Querem exercem o suposto direito “democrático” de censurá-lo e expulsá-lo daqui. Jamais o faremos, é claro. Boff pode ser uma decepção ao defender Lula e Dilma, julgando que eles estão ao lado dos pobres, quando os dois petistas pouco estão ligando para isso. Usam os pobres apenas para fazer marqueting político, mas Boff não percebe. É apenas um teólogo, não tem nenhuma malandragem.

Mas devo dizer que quando Boff defende a Mãe Terra, que ele chama de Casa Comum, demonstra um enorme conhecimento científico que precisa ser partilhado pelos homens de bem. Admiro também suas teses ecumênicas, de respeito às outras religiões, seguindo a trilha do Papa Francisco, que certamente é uma das melhores pessoas que Deus colocou na Mãe Terra.

E assim caminha a humanidade, diria o genial diretor George Stevens, espantado com o título brasileiro de seu filme “Giant”.

BALANÇO DE JULHO – Como fazemos sempre, vamos publicar o balanço das contribuições feitas ao Blog em julho, feitas por colaboradores que partilham a tese de que é necessário haver espaços democráticos na internet. De início, agradecendo muito essas contribuições, vamos à lista dos depósitos na Caixa Econômica Federal:

DIA    REGISTRO   OPERAÇÃO           VALOR
05      051420        DP DIN LOT          100,00

12      100495        DP DIN AG              50,00
20       201338       DP DIN LOT            52,00
30       300821       DP DIN LOT          100,00
30       301623       DP DIN LOT          230,00
31       146539       CRED TEV                70,00
31       500005       DOC ELET                31,00

Agora, vamos às contribuições feitas em nossa conta no Banco Itaú:

02       TBI 0406.49194-4 C/C                100,00
02       TBI 2958.07601-6TRIBUNA       30,00
02       TED 001.468 DARCYPEREIR     100,00
05       TED 001.5977 JOSEANTONIO  200,00
23       TED 001.4416. MARIOACRO     250,00
31       TBI 0406.49194-4 C/C                  100,00
31       TED 033.3591 ROBERTOSNA    200,00

Agradecendo muito aos companheiros que colaboram para que mantenhamos esta utopia de abrigar a liberdade de expressão na web, vamos em frente, sempre juntos.

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P.S. – Há um número enorme de sites e blogs  que copiam matérias da Tribuna da Internet sem mencionar a fonte ou até mesmo o autor. Há quem  fique indignado, mas o editor do Blog pouco se importa. Sabe que notícia é como passarinho – depois que voou, não tem mais dono. (C.N.)

Se Jair Bolsonaro vencer, quem governará o país serão os chefes militares

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Carlos Newton

No passado recente, já houve candidatos militares à Presidência, como o marechal Eurico Dutra, o general Henrique Lott ou o brigadeiro Ivan Frota. Mas desta vez é diferente. Nas eleições anteriores não havia este carimbo de “chapa militar”, que acaba de ser estampado na candidatura do capitão reformado Jair Bolsonaro, que já havia tentado montar a chapa puro-sangue antes, com o convite ao general Augusto Heleno, que foi vetado pelo partido dele, o PRP, uma recriação da velha legenda integralista fundada por Plínio Salgado.

O que acontece agora é que os militares novamente querem o poder. Com o lançamento do general reformado Hamilton Mourão, presidente do Clube Militar, a situação fica mais clara. Os militares querem voltar ao Planalto, mas desta vez não precisam dar golpe, tentarão através do voto popular.

“NÃO FOI FELIZ” – Em seu discurso, no lançamento da chapa, o general Mourão fez um “mea culpa” e afirmou que ter errado ao defender a intervenção militar no país. “Naquela ocasião, eu não fui feliz na forma como respondi. O que eu quis colocar é que as Forças Armadas, dentro da visão militar, são responsáveis pela garantia dos poderes constitucionais e da lei e da ordem. Quando se fala isso, está falando em garantir a democracia e a paz social. Felizmente tudo está caminhando da forma que tem que ser” – assinalou.

O vice de Bolsonaro ressalvou que não existe uma tentativa de atentado contra às instituições nem risco de intervenção militar. “Não estamos atentando contra as instituições, buscando quebrar o sistema democrático. Que radicalismo que existe aí? Não existe” – disse o general.

MÍDIA É CONTRA – O mais interessante na situação atual é que, ao contrário do que ocorreu em 1964, a grande mídia se posiciona contra os militares. Capitaneada pelo Grupo Globo, fica clara a aversão dos jornalistas aos candidatos militares. É exatamente o contrário do que ocorreu em 1964, quando apenas a Ultima Hora defendia o presidente João Goulart. Não há um só órgão da grande mídia que defenda Bolsonaro. 

Ninguém sabe o que pode acontecer nesta eleição, a mais confusa desde a vitória de Collor, que na época era o preferido da mídia. O que já se percebe é que os militares vêm com tudo em cima, beneficiados pela incompetência da geração que está hoje no poder. Sem dúvida, Fernando Henrique, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer são um fracasso continuado, presidentes que jamais defenderam os interesses nacionais.

E como não houve renovação de valores nas lideranças civis, vide os exemplos sinistros de Aécio Neves e Sérgio Cabral, o Brasil não tem hoje um candidato que realmente mereça o voto. Teremos de escolher o menos ruim.

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P.S. –
Este é o quadro político, por enquanto. Com a adesão do general, de repente a chapa do capitão ficou mais forte. E do lado civil, resta definir quem enfrentará os militares, que a meu ver estarão no segundo turno, devido à progressiva desmoralização da classe política. Vai ser uma decisão eletrizante em 28 de outubro.

P.S. 2 – É claro que, se Bolsonaro vencer, não será ele quem governará. Os chefes militares vão assumir o poder. Desta vez, sem torturar e sem matar ninguém. Quanto a Bolsonaro, ele apenas vai posar de presidente.  (C.N.)

General Mourão será um grande reforço para a campanha de Jair Bolsonaro

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Gen. Mourão vai dar uma entrevista atrás da outra

Carlos Newton

Afinal, o que significa a integração do general reformado Hamilton Mourão (PRTB) à chapa do capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL)? Bem, há argumentos de que não mudará muita coisa, porque os eleitores do candidato à Presidência parecem estar bem definidos e não têm crescido nas pesquisas. Aliás, todos os concorrentes parecem estacionários. Assim, o lançamento do presidente do Clube Militar pouco significaria, seria apenas uma chapa puro-sangue como qualquer outra.

Mas não é assim que as coisas funcionam na política brasileira, que funciona em meio à maior esculhambação. Na verdade, o general vai ser um vice de respeito, que vai percorrer o país e dará uma entrevista bombástica após a outra, para desmontar os adversários. Vai agregar e atrair eleitores. E também ajudará a diminuir a “boçalidade” que caracteriza grande parte dos adeptos de Bolsonaro.

QUADRO CONFUSO – Mourão é uma novidade e tanto, no quadro confuso que caracteriza esta eleição, em que direita e esquerda (se é que podemos considerá-las assim) caminham totalmente divididas e as possibilidades de segundo turno são múltiplas.

Tudo indica que Fernando Haddad vai disputar em nome de Lula, mas ninguém pode prever se o novo poste poderá se sustentar de pé, sozinho. De toda forma, os votos das esquerdas (se é que podemos considerá-las assim) serão divididos por Haddad com Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela d’Ávila (PCdoB).

Esse ponto é fundamental para abrir caminho a uma possível vitória das direitas (se é que podemos considerá-las assim), seja com Bolsonaro (PSL), Alckmin (PSDB) ou Alvaro Dias (Podemos) .

E O CENTRO? – Neste quadro confuso, Marina Silva e Alvaro Dias podem ser tidos como candidaturas de centro (se é que podemos considerá-las assim), e no caso, Marina seria centro-verde e Alvaro centro-direita, segurando o rojão de seu vice Paulo Rabello de Castro, que é um dos ideólogos do neoliberalismo mais radical no país.

Hipoteticamente, pelo menos seis concorrentes têm condições de vencer – Bolsonaro, Marina, Ciro, Haddad, Alckmin e Alvaro, não necessariamente nesta ordem. Posso estar errado, mas acho que Meirelles não decola e os outros fazem apenas figuração.

E não vejo como a campanha pela TV possa influir de forma muito expressiva, porque nas grandes cidades todos os bairros pobres têm serviços clandestinos de TV a cabo, que aqui no Rio chamamos de gato-Net. Portanto, quem assiste somente TV aberta é uma pequena minoria.

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P.S. 1
Um fato concreto é que a situação econômica do país não está melhorando, circunstância que beneficia os candidatos de oposição, especialmente Bolsonaro, Ciro, Haddad e Alvaro. Quanto a Marina e Alckmin, não sabem fazer oposição. A meu ver, por isso terão menos chances de passar ao segundo turno. Mas posso estar enganado, é claro. (C.N.)
   

Novo escândalo! Lucros disparam, mas Petrobras insiste em “vender” os ativos

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Conforme anunciamos aqui na Tribuna da Internet há duas semanas, com absoluta exclusividade, a Petrobras vive um grande momento  e registrou lucro líquido de R$ 10 bilhões no segundo trimestre deste ano, bem superior ao mesmo período do ano passado, quando o lucro líquido foi de R$ 316 milhões. Ou seja, subiu mais de 30 vezes. E apesar dos elevados prejuízos causados pela corrupção e pela derrota judicial nos Estados Unidos, este é o melhor resultado da companhia desde o lucro obtido no segundo trimestre de 2011, muito superior à previsão do mercado, que projetava ganhos entre R$ 5 bilhões e R$ 6,5 bilhões.

Prestem atenção, srs. candidatos à Presidência de República, que tanto falam na necessidade de privatização da empresa: o lucro líquido no primeiro semestre deste ano chega a R$ 17 bilhões, com aumento de 257% em relação a 2017.  Mesmo assim, o presidente Ivan Monteiro fala em nova vendas de ativos e apoia projeto para ceder às multinacionais a exploração de reservas avaliadas em US$ 1 trilhão na Bacia de Santos.

SE FOSSE PRIVADA? – Para situar a magnitude da tenebrosa transação, basta dizer que US$ 1 trilhão é exatamente o valor da fabulosa dívida pública, que está nos levando de roldão ladeira abaixo. Se a Petrobras fosse uma empresa privada e seus dirigentes estivessem empenhados em passar para empresas estrangeiras a exploração de reservas de tamanho valor, já mapeadas e em produção crescente, certamente seriam imediatamente demitidos e até condenados por crimes de lesa-pátria.

Se fosse executivos de empresas privadas, é claro que estariam dedicados a encontrar formas de financiar a exploração dessas riquezas pela própria Petrobras, que não somente as descobriu e mapeou, como também desenvolveu a avançada técnica de extração do pré-sal, conseguiu custo de extração de apenas 8 dólares o barril.

Mas aqui no Brasil, ocorre o contrário, com a glorificação desses executivos globalizados, tipo Pedro Parente ou Ivan Monteiro (um pelo outro, eu não quero troca, como se dizia antigamente).

FUTURO PROMISSOR – Prevê-se para o segundo semestre de 2018 um aumento de produção de 400 mil barris/dia, com a adição de mais 400 mil barris dia em 2019, que provocarão um enorme incremento da Geração Operacional de Caixa da companhia.

Segundo o economista Cláudio da Costa Oliveira, um dos maiores especialistas em política energética, qualquer tentativa de esconder os fatos é insustentável. A Empresa de Pesquisa Energética – EPE aponta que em 2026 a produção da Petrobras já alcançará 5,2 milhões de barris/dia. Desde total só o supergigante campo de Búzios, descoberto em 2010, responderá por 2,4 milhões de barris/dia. Isso significa que a Petrobras está se tornando uma das maiores exportadoras do mundo, o que possibilitaria vender combustíveis a preços mais baixos no Brasil, facilitando o desenvolvimento nacional.

Entre todas as grandes petroleiras do mundo, a Petrobras é de longe a de maior eficiência financeira. Sua capacidade de Geração Operacional de Caixa é inigualável, muito superior às multinacionais Chevron, Exxon, Shell e British Petroleum. Então como justificar venda de ativos e alienação de megacampos de produção?

P.S. 1 – Diante dessa situação, que a grande mídia tenta ocultar, onde estão os representantes do povo, tipo Bolsonaro, Alckmin, Ciro, Marina, Alvaro, Amoedo, Haddad, Manuela etc.? Onde estão os militares? Os generais Villas Bôas, Augusto Heleno e Hamilton Mourão, o pessoal da reserva, que tanto dá palpites na política, onde eles estão? E a Marinha, a Aeronáutica? Cadê os marinheiros do 11 de novembro e os pilotos de Aragarças? Onde está a UNE, a OAB, a ABI, a Sociedade Protetora dos Animais, onde se esconde esta gente? Vão entregar a Petrobras por 30 dinheiros, às vésperas de se tornar uma das maiores exportadoras do mundo, e a mídia criminosamente silencia. Aliás, todos silenciam. (C.N.)

P.S.2 – Quando publicamos este assunto, sempre aparecem os gênios a prever que o combustível fóssil logo será substituído pelos veículos elétricos ou movidos a hidrogênio. Mas isso vai demorar décadas e décadas, os Estados Unidos acabam de dar uma recueta em suas metas. Além disso,o petróleo é finito, vai e continua sendo insubstituível como matéria-prima de fabricação de uma infinidade de produtos. Enquanto existirem, o petróleo se o gás serão necessários à humanidade. (C.N.)

Nunca antes, na História deste país, houve uma sucessão tão esculhambada…

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

O criador deste bem bolado bordão promocional é o primeiro a esculhambar a eleição, ao insistir na farsa de que está sendo vítima de perseguição política e teve sua defesa cerceada nas instâncias iniciais da Justiça. Se esta alegação fosse verdadeira, Lula da Silva faz tempo estaria solto, porque seus recursos já circularam repetidas vezes pelos tribunais superiores e já passaram até pela famosa Segunda Turma do Supremo, que, em matéria de soltar criminoso, tem hímen complacente e furor uterino, digamos assim.

Embora esteja na cadeia há vários meses, Lula se autoproclama candidato e mergulha o PT na mais grave crise desde a sua criação, em 1980.  E sua insistência em disputar a eleição pode fazer o Tribunal Superior Eleitoral simplesmente cassar o tempo do PT no horário gratuito.

ACOMPANHANDO – Os advogados eleitorais do PT, chefiados pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que tem experiência no TSE, estão acompanhando a situação, por saberem que o PT já está preparando os filmetes da candidatura de Lula, para serem exibidos no horário eleitoral e nas inserções durante a programação das emissoras.

Caso o TSE reaja e tire do ar a campanha do PT, os advogados já estão com a defesa esboçada, separam citação de diversos casos de candidato sub judice que tiveram permissão para fazer campanha.

Acontece que os ministros do TSE já ressalvaram que essas jurisprudências não se enquadram à situação processual de Lula, cuja inelegibilidade na Lei da Ficha Limpa é muito clara e só poderá ser anulada por decisão do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo.

UMA ANTIDEMOCRACIA – É absurda e totalmente antidemocrática a disparidade entre os tempos da campanha de Alckmin e de outros candidatos, como Jair Bolsonaro, Marina Silva, Alvaro Dias, Ciro Gomes e outros,  O tucano terá cerca de cinco minuto e meio em cada bloco diário de 12 minutos, além de 12 inserções durante a programação.

O PT de Lula tem direito  a um minuto e 57 segundos, e o MDB de Meirelles, um pouco menos, um minuto e 52 segundo. Bolsonaro só tem sete segundos e Marina ficou com 12 segundos e meio, devido à aliança com o PV. Ciro e Álvaro têm 35 segundos, cada. E todos eles terão poucas inserções na programação normal das TVs.  Outros candidatos terão cinco segundos de cada intervalo de dois dias ou de três dias.

Fica claro que a lei eleitoral foi feita para beneficiar os grandes partidos. Isso não é democracia nem aqui nem lá na China, como se dizia antigamente.

O silêncio de Dias Toffoli sobre a “mesada” de R$ 100 mil é ensurdecedor

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Toffoli pensa que vai escapar ileso, mas está enganado

Carlos Newton

Ao que parece, manter o silêncio é a estratégia do ministro Dias Toffoli, sobre a denúncia da revista digital “Crusoé” a respeito  da mesada de R$ 100 mil que ele recebe de sua mulher, a advogada Roberta Maria Rangel. Dos R$ 100 mil mensais depositados pela mulher de Toffoli, diz a revista, metade (R$ 50 mil) é transferida para a ex-mulher do ministro, Mônica Ortega, e o restante é utilizado para custear as despesas pessoais de Toffoli. Ainda segundo a reportagem, a conta é operada por um funcionário do gabinete de Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os repasses, segundo a reportagem, saem de uma conta de Roberta Maria Rangel no banco Itaú com destino a outra mantida em nome do casal no banco Mercantil do Brasil. Os repasses foram realizados ao menos desde 2015 e somam R$ 4,5 milhões.

DENÚNCIA GRAVÍSSIMA – Sem alternativa de defesa, Toffoli está apostando no moderno dito popular de que a memória coletiva só dura quinze dias, mas é claro que esta estratégia não vai dar certo.

Por ser integrante do Supremo, Toffoli se julgava inatingível, mas na prática as coisas não funcionam assim. Por seu comportamento corporativista e insolente, afrontando a lei para beneficiar seus amigos e protegidos, como o ex-ministro José Dirceu, a quem propiciou “liberdade plena”, ao invés de prisão domiciliar, Dias Toffoli vem colecionando inimigos no Ministério Público Federal.

QUE DINHEIRO? – Após receber a módica quantia de R$ 4,5 milhões em três anos e meio, agora não adianta fingir que a denúncia não existiu,  A investigação pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Receita será irrepresável, inclusive porque o banco Mercantil do Brasil também está envolvido. Sua equipe técnica encontrou indícios de lavagem de dinheiro nas transações efetuadas na conta do ministro, mas a diretoria do banco ordenou que as informações não fossem encaminhadas para o Coaf, órgão de inteligência financeira do Brasil.

Todos os bancos são obrigados a comunicar ao Coaf transações suspeitas de lavagem de dinheiro. E agora este é o estopim da bomba que não tarda a explodir no colo de Toffoli, como se ele estivesse pilotando um Puma no estacionamento do pavilhão Riocentro.

Por que a Petrobrás quer vender ao exterior uma área que vale US$ 1 trilhão?

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Com a proximidade das eleições, o Congresso ficará esvaziado no segundo semestre deste ano, mas está tudo preparado para a aprovação dos direitos de exploração de uma área da Bacia de Santos avaliada em US$ 1 trilhão, valor equivalente à totalidade da dívida pública brasileira, que em julho chegou a R$ 3,7 trilhões. O projeto defendido pela Petrobras, que deveria ser considerado de segurança nacional, foi aprovado na Câmara direto no plenário, sem passar pelas comissões técnicas. Se o Senado confirmar a aprovação, 70% das riquíssimas jazidas da Bacia de Santos podem passar às multinacionais, depois de todo o trabalho de pesquisa, descoberta do petróleo e mapeamento ter sido feito pela Petrobras.

Nessa área, não existe risco algum às empresas que comprarem os direitos. Além da extração do petróleo, as multinacionais também poderão realizar pesquisas e furar novos poços. O mapeamento está todo feito, é só instalar as sondas.

JUSTIFICATIVA? – O projeto que a Câmara aprovou na calada da noite, em junho, refere-se a um acordo de Cessão Onerosa, fechado pela Petrobras com a União em 2010, que permitiu à estatal explorar 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal na Bacia de Santos (SP), sem licitação. Em troca, a empresa pagou R$ 74,8 bilhões.

Nos anos seguintes, porém, a cotação do barril de petróleo caiu muito. Em razão disso, a Petrobras passou a alegar que pagou à União um valor muito alto no acordo de 2010. Sob o argumento de ter direito a ser ressarcida, então preparou o projeto.

Acontece, porém, que o preços subiram de novo, elevando o barril do “Brent” para mais de US$ 70, ou seja, US$ 8 acima do que a Petrobras diz necessitar para cumprir sua meta de alavancagem.

NOVA SITUAÇÃO – O projeto realmente se tornou obsoleto, porque o quadro mudou totalmente. Além de o preço do petróleo ter subido, a Petrobras conseguiu uma façanha extraordinária e desde agosto do ano passado está extraindo petróleo do pré-sal ao custo de apenas US$ 8 dólares o barril, concorrendo com o petróleo mais barato do mundo, retirado no Oriente Médio a US$ 7 dólares. E quando o dólar sobe no Brasil, como ocorreu recentemente, consequentemente o custo do pré-sal cai para US$ 7 dólares o barril, vejam como a Petrobras é uma empresa altamente viável.

A venda de 70% das reservas da Petrobrás, obtidas pela chamada Cessão Onerosa, envolve diretamente até 3,5 bilhões de barris, mas vai permitir, também, a entrega do petróleo do excedente da Cessão Onerosa, avaliado entre 9 e 14 bilhões de barris.

Ao todo, portanto, está se tratando de riqueza potencial de mais de US$ 1 trilhão, estimando-se o barril de óleo a US$ 70, que a Petrobras extrai pelo custo de miseráveis US$ 8 no pré-sal, repita-se ad nauseam, como dizem os advogados.

POR QUE A PRESSA? – Existe um número enorme de projetos no Congresso. Então, por que esta pressa para votar a “reivindicação” da Petrobras, em final de governo? Por que esta proposta trilionária foi direto para votação no plenário da Câmara, sem ser examinada nas comissões técnicas de Economia e Energia?

Aqui na Tribuna da Internet estamos insistindo no assunto, porque a  mídia está pré-falida e se rendeu aos interesses internacionais. Não se vê um artigo sobre este assunto na grande imprensa.

Na próxima semana, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) vai preparar a pauta de votações a serem feitas em estilo relâmpago, devido às eleições. Espera-se que o senador se lembre de que é representante do povo brasileiro e remeta o projeto às comissões técnicas, para que seja conhecido e examinado.

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P.S.
O valor de US$ 1 trilhão é tão alto que a maioria das nações do mundo nem sabe o que significa.  O nome é “Projeto Aleluia”, como se fosse um assunto religioso, embora se refira à chamada política dos grandes números. Mas será “Aleluia” para quem, cara-pálida? “Aleluia” para o interesse nacional ou para a cobiça internacional? (C.N.)

Plano B de Lula não é um candidato substituto, mas um levante popular

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Carlos Newton

Com as colocações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luiz Fux, e da procuradora-geral Raquel Dodge, ficou patente que não haverá candidatura de Lula da Silva nem participação dele na campanha eleitoral pelo rádio e televisão, desfazendo a pretensão do PT.  E quando se esperava que a reação do partido fosse indicar um candidato substituto, o que ocorreu nesta terça-feira, dia 31, foi exatamente o contrário, com início da greve de fome de seis militantes de movimentos sociais, sob coordenação direta de João Pedro Stédile, do MST.

Em entrevista a Octávio Costa e Bernardo de la Penã, do Jornal do Brasil, o líder dos Sem-Terra previu que, se impedirem a candidatura de Lula, a crise política vai se tornar ainda mais aguda. “Ninguém sabe no que vai dar”, desafiou.

GRANDE  DÚVIDA – Stédile realmente tem razão, porque ninguém sabe mesmo o que vai acontecer. É uma grande dúvida, até porque o PT já está convocando outros militantes para se incorporarem ao grupo que iniciou a greve de fome.

Há poucos dias, o ex-ministro Gilberto Carvalho afirmou que, se Lula não for libertado e continuar impedido de disputar as eleições, a solução será um “levante popular”. A declaração foi interpretada como apenas uma bravata, mas na verdade funcionou como uma sinalização.

Na segunda-feira, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, confirmou que neste sábado (dia 4) acontecerá o 15º Encontro Nacional do PT, que vai confirmar a candidatura do presidente Lula à Presidência da República. E, no dia 15, a candidatura será registrada no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, em meio a uma grande manifestação popular, que está sendo organizada pela Frente Brasil Popular, que reúne 88 movimentos e partidos, já atuando em mais de 600 cidades.

PROVA DE FORÇA – Portanto, a primeira prova de força deste movimento nacional pró-Lula será nesta manifestação agendada para o próximo dia 15, que cai numa quarta-feira.

É claro que o sonho do levante popular pode ser um grande fiasco, como aconteceu nas programadas “ocupações” de Porto Alegre e Curitiba. Mas é preciso admitir que há uma pequena chance de o PT, com apoio da Frente Brasil Popular, conseguir organizar um ato público gigantesco em Brasília e a situação fugir ao controle dos órgãos de segurança, que precisam estar atentos a essa possibilidade.

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P. S.
Acredita-se que na sexta-feira, dia 17 de agosto, a candidatura de Lula já estará rejeitada pelo TSE, pela falta da certidão negativa da Justiça Federal. Se a impugnação for anunciada cedo, tudo pode acontecer. Mas se o TSE somente divulgá-la às 7 da noite, ficará frustrado o protesto armado pelo PT, porque os militantes já estarão nos botecos da vida. Como se sabe, toda sexta-feira à noite comemora-se no Brasil o Dia Internacional da Cerveja. E fica tudo adiado para segunda-feira. (C.N.)

Na solidão daquela cela, o que está pensando Lula, que só recebe bajuladores?

Charge do Kleber Sales (Estadão)

Carlos Newton

Lula da Silva sempre foi um homem impaciente, mas agora esse quadro se agravou na pequenina sala em que se encontra há mais de 100 dias, de apenas 15 metros quadrados, incluindo banheiro. Como se sabe, é a primeira vez que ele está na cadeia, para valer, porque durante o regime militar sua prisão não foi de verdade. Na época, Lula era apenas um dirigente sindical que precisava passar alguns dias nas celas da ditadura, para ganhar mais importância e prestígio nas esquerdas, de forma a minar a influência praticamente hegemônica que Leonel Brizola então exercia.

Sob o codinome de “Barba”, Lula era informante do regime militar e se entendia diretamente com o delegado Romeu Tuma, que então ocupava o cargo de superintendente da Polícia Federal em São Paulo, antes de assumir a direção-geral em Brasília.

DORMIA NA SALA – Tudo isso é mais do que sabido, o delegado Romeu Tuma Júnior publicou dois livros sobre o assunto, sob o título comum “Assassinato de Reputações”, e com os subtítulos “Um crime de estado” e “Muito além da Lava Jato”. Nessas obras, Tuma Jr. conta que Lula era tão íntimo do delegado Romeu Tuma que costumava visitá-lo e até dormia no sofá da sala depois do almoço.

Só estou citando esses fatos (são fatos, sem a menor especulação) para relembrar quem é Lula e como sua cabeça funciona. Como todos sabem, ele é inteligente, rápido e perspicaz. Seu defeito é a falta de cultura.

Com talento inato para exercer liderança, Lula chegou a comandar a política brasileira por 14 anos seguidos, e essa circunstância deve ser bem entendida para quem deseja saber como ele se comporta na prisão.

VISITAS DIÁRIAS – É o único preso do Brasil que recebe visitas diárias dos advogados, parlamentares, parentes e amigos. Sua impaciência é enorme, porque esses interlocutores só lhe levam notícias positivas, de que logo sairá da cadeia e poderá se candidatar, a vitória eleitoral está garantida e poderá se concretizar ainda no primeiro turno…

Lula hoje é uma ilha, cercado de bajuladores por todos os lados. Dizem-lhe que no exterior a pressão sobre o Brasil é enorme, o abaixo-assinado a favor da libertação ganha cada vez mais assinaturas de líderes internacionais, comentam que o festival de música na Lapa, no Rio de Janeiro, atraiu milhares de pessoas neste sábado, insistem em que os tribunais superiores vão inocentá-lo, as pesquisas indicam que nenhum outro candidato chega perto dele, e por aí a fora.

Fico pensando se Lula realmente acredita nessas baboseiras.

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P. S. – Antes de ser preso, Lula afirmou que não era mais uma pessoa, porque já havia se transformado numa “ideia”. Não verdade, não é mais uma “ideia”, ele se tornou apenas uma “ilusão” para ele mesmo e para seus milhões de adoradores. (C.N.)

Toffoli vai ou não vai explicar a mesada de R$ 100 mil da sua mulher?

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Silêncio de Dias Toffoli é constrangedor e revelador

Carlos Newton

Como dizia o grande humorista Paulo Silvino, “perguntar não ofende”. Então, o povo quer saber se o criativo ministro Dias Tofolli, inventor da tese da plausibilidade da inocência de José Dirceu, vai ou não vai explicar por que recebe uma mesada de R$ 100 mil mensais de sua mulher, a advogada Roberta Maria Rangel.

A edição desta semana da revista digital Crusoé denuncia que os repasses de R$ 100 mil ao ministro do Supremo Tribunal Federal saem de uma conta de Roberta no banco Itaú, com destino a outra mantida em nome do casal no banco Mercantil do Brasil.

Os repasses, de acordo com a publicação, foram realizados ao menos desde 2015 e somam R$ 4,5 milhões. Dos R$ 100 mil mensais depositados pela mulher de Toffoli, diz a revista, metade (R$ 50 mil) é transferida para a ex-mulher do ministro, Mônica Ortega, e o restante é utilizado para custear suas despesas pessoais. Ainda segundo a reportagem, a conta é operada por um funcionário do gabinete de Toffoli.

IMPEACHMENT – No linguajar policial, a existência desta conta é tipo “batom na cueca”, não existe possibilidade de defesa. Por isso, a mesada pode motivar um pedido de impeachment do ministro, que jamais deveria ter sido nomeado para o Supremo, pois não tinha notório saber e agora não tem reputação ilibada.

Não é o primeiro ato pouco republicano de Toffoli, que há alguns anos aceitou a reforma de sua casa pela empreiteira OAS, segundo revelou o ex-presidente da empresa, Léo Pinheiro.

Na reportagem, a revista digital Crusoé revelou que, em 2015, a área técnica do Mercantil encontrou indícios de lavagem de dinheiro nas transações efetuadas na conta do ministro, mas a diretoria do banco ordenou que as informações não fossem encaminhadas para o Coaf, órgão de inteligência financeira do Brasil. Todos os bancos são obrigados a comunicar ao Coaf transações suspeitas de lavagem de dinheiro, mas como se tratava de um ministro do Supremo, deixaram para lá…

Golpe contra a Petrobras é de R$ 3,7 trilhões, mesmo valor da dívida pública

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Como o assunto é importantíssimo e a grande mídia não se interessa, vamos voltar a ele. O golpe que a gestão de Pedro Parente armou contra a Petrobras deveria ser o assunto principal do país, neste momento, suplantando em muito a sucessão presidencial, a corrupção epidêmica e a crise eterna da segurança pública, entre outras mazelas. Mas o assunto não frequenta as páginas dos jornais, cujos analistas desconhecem em profundidade a questão e não lhe dão a devida importância, julgam que se trata de mais um enfrentamento entre estatizantes e privatizantes.

Na verdade, o problema é muito mais grave, significa uma ameaça direta à segurança nacional, e o silêncio sobre o assunto só pode ser proposital. Não foi por mera coincidência que o projeto Aleluia teve aprovação pela Câmara na calada da noite, com rótulo de “urgente” e sem passar pelo crivo das comissões técnicas, em plena Copa do Mundo, vejam o profissionalismo que marca este golpe aplicado contra o Brasil pelo próprio Conselho Administrativo da Petrobras, que é pago para zelar pelos interesses nacionais.

SILÊNCIO TOTAL – A grande mídia, que se encontra em avançado processo de falência, é é direta ou indiretamente bem paga para silenciar sobre o assunto, não há outra explicação. Como pode ser aprovado sem debate um projeto parlamentar que envolve interesses da ordem de US$ 1 trilhão, valor equivalente à dívida pública que está aniquilando o Brasil e impede seu desenvolvimento?

Como uma proposta deste nível pôde ser aprovada sem passar pelas comissões técnicas da Câmara e sem que a Polícia Federal e a Guarda Nacional fossem acionadas para algemar os responsáveis por este crime contra a nação? Ou esse grande golpe vai acabar em pizza, sem que ninguém seja responsabilizado?

Os números são estarrecedores. Poucos países do mundo (o Brasil, apesar de tudo, ainda é a nona economia) sabem o que significa US$ 1 trilhão, equivalente a R$ 3,7 trilhões, o total exato da dívida pública brasileira no final de junho.

IDIOTA COMPLETO – O projeto Aleluia foi aprovado numa manobra do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é um idiota completo, nada entende de economia e não levou um tostão, bastou dizerem a ele que a proposta era contra os estatizantes defensores da Petrobras e ele logo aderiu à “causa liberalizante”.

A proposta permite a venda de 70% das reservas da Petrobrás obtidas pela chamada Cessão Onerosa (o que pode representar até 3,5 bilhões de barris). E vai possibilitar, também, a entrega do petróleo do excedente da Cessão Onerosa, avaliado entre 9 e 14 bilhões de barris.

No total, está se tratando de riqueza potencial de mais de US$ 1 trilhão, estimando-se o barril de óleo a US$ 70, que a Petrobras extrai pelo custo de ridículos 8 dólares no pré-sal, rivalizando com o Oriente Médio, que extrai a 7 dólares em alguns campos.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Para quem não conhece o ramo, é preciso esclarecer. Segundo a Agência Internacional de Energia, os custos de exploração e desenvolvimento variam entre 7 e 35 dólares por barril.

O petróleo extraído no Oriente Médio apresenta o menor custo (7 dólares), enquanto o óleo não-convencional produzido nos EUA  (xisto) apresenta o custo mais elevado (35 dólares). O óleo de águas profundas apresenta um custo intermediário, de cerca de 18 dólares por barril. Mas a Petrobras já extrai a 8 dólares (ou 7 dólares, dependendo do câmbio), como se o Brasil fosse a Arábia Saudita do Século XXI. Pense nisso.

NAS MÃOS DO SENADO – O projeto foi criminosamente aprovado na Câmara, em regime de urgência, sem passar pelas Comissões Técnicas, praticamente sem debates, na calada da noite, em plena euforia da Copa do Mundo.

Agora, foi encaminhado ao Senado para ser votado após o recesso. Espera-se que o presidente Eunício de Oliveira (MDB-CE) tenha um ataque de bom senso e faça esta proposta tramitar pelas comissões técnicas. Eunício precisa lembrar que foi iniciado na política pelo sogro Paes de Andrade, um deputado que fez carreira defendendo os interesses nacionais. Sempre foi um ferrenho integrante do “MDB Autêntico”, a ala comandada por dr. Ulysses Guimarães.

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P. S.
Como dizia nosso amigo Carlos Chagas,  o episódio da visita que Paes de Andrade fez à sua terra, Mombaça, no exercício da Presidência da República, é um episódio menor na trajetória do deputado cearense. Ele deve ser lembrado pela defesa dos interesses nacionais. Na ditadura militar, Paes de Andrade chegou a ser cassado, mas ao redigirem o Ato Institucional, escreveram deputado “Vaz de Andrade”. O presidente da Câmara, Auro Moura Andrade, se fingiu de distraído e não houve a cassação. Mas isso é outra história. (C.N.)

Sob nova direção, O Globo se tornou uma imitação da Folha de S. Paulo…

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Nova diagramação faz O Globo parecer a Folha

Carlos Newton

Sou assinante de O Globo e de outros órgãos de imprensa. Ao abrir o jornal esta manhã, levei um susto, pensei que o entregador tivesse se equivocado e deixado à minha porta o exemplar da Folha de S. Paulo, ao invés de O Globo. Mas logo em seguida reparei que o jornal continua a se chamar O Globo, mas sua diagramação é igualzinha à da Folha de São Paulo, virou uma cópia bufa.

Em minha longa carreira, atuei em muitas reformas de jornais, revistas e programas de rádio e televisão. Mas nunca tinha visto nada igual.  Desde que a nova direção assumiu, O Globo está cada vez pior, desculpem a franqueza.

MUDANÇA VISUAL –  Há um ditado moderno que diz: “Nada impede que as coisas possam pior”. É o caso de O Globo. Ao invés de se preocupar com o permanente e necessário aprimoramento do conteúdo do jornal e do portal na internet, a nova direção fez uma reforma apenas cosmética e que expõe uma incompetência absurda e até mesmo infantil. Jornal é conteúdo, não é aparência.

Nessa reforma do jornal, os irmãos Marinho estão jogando dinheiro fora. Se é para ler a excelente Folha de S. Paulo, prefiro comprar o original do que a cópia.

Outro dia, um amigo meu se encontrou com João Roberto Marinho, o capo do grupo Globo, e fez observações sobre o jornal. Marinho respondeu-lhe: “Esqueça O Globo, o importante para nós hoje é a Infoglobo”. Deve ser por isso que os irmãos Marinho não ligam mais para o que acontece no jornal. No tempo do Dr. Roberto, com quem trabalhei 12 anos, isso jamais aconteceria.

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P.S 1 – O amadorismo da nova direção é tão grande que cometeu um erro crasso logo na estréia do novo visual. Como se sabe, o que vende jornal é a manchete a ser exibida nas bancas. Por isso, jamais se diagrama a manchete na parte inferior da página, abaixo da dobra. Pois a manchete de hoje de O Globo ficou dividida, com uma linha acima da dobra e a outra linha abaixo. Sinceramente…

P.S.Em matéria de diagramação, praticamente tudo já foi feito, não há mais o que criar. No caso dos jornais, o importante é a identificação visual, que o distingue dos outros. E a reforma acabou justamente com a identificação visual de O Globo. (C.N.)

Bolsonaro encosta em Lula, mas quem vence são os indecisos, brancos e nulos

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

A revista Veja publica pesquisa realizada pela Ideia Big Data, que confirma levantamentos anteriormente do Ibope, Datafolha e outros institutos, demonstrando que a eleição ainda não começou. A rotina se repete, monotonamente, no mais importante quesito da apuração – a chamada pesquisa espontânea, em que o entrevistador faz a pergunta principal ao eleitor: “Em quem você vai votar?”. Os outros quesitos são todos induzidos, mediante apresentação de listas, e o eleitor então escolhe um nome, são pesquisas de muito menos precisão.

O resultado do Instituto Ideia Big Data é impressionante. Mostra que 43% (quase maioria absoluta dos eleitores) continuam indecisos, e outros 21% já decidiram votar nulo ou em branco. Juntos, são 64%, um índice próximo à maioria de dois terços.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Em meu ponto de vista, o resultado da pesquisa espontânea é o único confiável e que deve ser levado em consideração. Mostra que o índice de rejeição à política (brancos e nulos) está dentro do esperado – 21%.

O índice que realmente surpreende e espanta é o número de indecisos, os eleitores que ainda pretendem escolher um candidato e votar nele. São 43%, algo nunca visto tão próximo à eleição.

Aliás, 43% é percentual que indica votação vitoriosa em segundo turno. Se a legislação brasileira não levasse em consideração apenas os “votos válidos”, a eleição de 2018 estaria como séria candidato à anulação, devemos reconhecer que a desmoralização da classe política no Brasil é realmente arrasadora.

LULA EM BAIXA – Outro dado impactante é que, apesar de toda a campanha nacional e internacional pela “vitimização” de Lula, para isentá-lo dos crimes cometidos e transformá-lo em “perseguido político”, a apuração do Ideia Big Data mostra que o suposto candidato petista está em baixa.

A “pesquisa espontânea”  mostra Lula descendo (17%) e Bolsonaro subindo (14%), já em empate técnico. Os demais candidatos, como dizem os turfistas, nem aparecem no photochart – Ciro Gomes tem 2%, enquanto Alvaro Dias, Geraldo Alckmin e Marina Silva empatam na quarta colocação, com 1% cada um. Os demais fazem apenas figuração.

O resultado confirma a tendência de que Bolsonaro, nas atuais condições de temperatura e pressão, deve ir ao segundo turno. Como Lula não será candidato e a própria pesquisa Ideia Big Data calcula que ele conseguirá transferir apenas um terço de seus votos, a outra vaga no segundo turno está em aberto. Então, façam suas apostas.

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P.S
1 – Na minha Lapa querida, onde trabalhei por cerca de 30 anos na TVE e na Tribuna da Imprensa, houve neste sábado e na madrugada de domingo um formidável ato público, o “Festival Lula Livre”, com apresentações de Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Jards Macalé, Ana Cañas, Beth Carvalho, Chico César, Noca da Portela, Nelson Sargento, Odair José e mais e mais, como diria Jacinto de Thormes, codinome jornalístico do nosso grande amigo Maneco Muller, o criador da crônica social no Brasil.

P.S. 2Chico e Gil cantaram sua parceria “Cálice”, uma verdadeira obra-prima, composta em repúdio à censura no regime militar. Por sua vez, Odair José cantou sua obra-prima “Eu vou tirar você deste lugar”, e alguns espectadores acharam que ele estava dizendo que iria tirar Lula da cadeia. (C.N.)

Demóstenes, Garotinho e Lula são tentativas de candidaturas “sub judice”

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Toffoli transformou Demóstenes em “ficha limpa”

Carlos Newton

Com a chegada de do ex-governador Anthony Garotinho (PRP-RJ), agora são três os políticos conhecidos nacionalmente que vão tentar candidaturas “sub judice” nestas eleições. Os outros dois são Lula da Silva (PT-SP) e Demóstenes Torres (DEM-GO).  Como se sabe, Lula já é ficha suja, mas diz que vai até o final com a candidatura à sucessão de Michel Temer. Por sua vez, Demóstenes, se conseguir legenda,  tentará voltar ao Congresso como deputado, e Garotinho quer ser novamente governador do Rio de Janeiro.

São três personagens no mesmo enredo, que estão à procura do eleitor e em busca do tempo perdido, porque querem voltar ao passado, porém mais parecem saídos do Teatro do Absurdo.

GRAMPEADO – Juridicamente, são três casos completamente distintos. Demóstenes Torres foi grampeado negociando propinas com o bicheiro e doleiro Carlinhos Cachoeira. Com justa razão, o Senado cassou-lhe o mandato em 2012.

Mas em 25 de outubro de 2016 a Segunda Turma do Supremo anulou, por unanimidade, todas as provas que levaram o ex-senador Demóstenes Torres  à cassação do seu mandato parlamentar em 2012 e depois à condição de réu por corrupção passiva e advocacia administrativa em ação penal aberta na Justiça de Goiás.

Parece brincadeira, mas foi verdade. O parecer de Dias Toffoli decidiu que Demóstenes tinha foro privilegiado no Supremo e não poderia ter sido julgado pela primeira instância. Os outros quatro ministros apoiaram essa monstruosidade jurídica, embora Demóstenes tivesse sido julgado e condenado em Goiás um ano depois de perder o mandato, quando não era mais senador.

DEMÓSTENES E GAROTINHO – Apesar de a Procuradoria já ter recorrido da recente decisão de Toffoli, que nesta quinta-feira declarou a elegibilidade de Demóstenes, a candidatura dele está garantida, a não que a Segunda Turma obedeça à lei que dá prioridade às causas eleitorais e julgue antes de 7 de outubro o recurso do Ministério Público.

Garotinho também vai recorrer da decisão do desembargador desembargador Ricardo Cardoso, da 15ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que comunicou ao Conselho Nacional de Justiça a suspensão dos direitos políticos do ex-governador, que será incluído no cadastro nacional de condenados por atos de improbidade administrativa que supostamente o tornariam inelegível.

Embora seja acusado de desviar R$ 243 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, quando a esposa dele, Rosinha Matheus, era governadora, a situação de Garotinho é mais cômoda. Ele ainda não tem ficha suja e somente se tornará inelegível se a 15ª Câmara confirmar a decisão do relator.

O CASO DE LULA – Já a situação do ex-presidente petista é muito diferente. Dos três, é o único que caiu direto na Lei da Ficha Limpa e não vai conseguir certidão negativa da Justiça, porque já está condenado em segunda instância.

Seus advogados de Lula só têm um caminho – recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. E já o fizeram, mas o recurso especial não tem efeito suspensivo, salvo em casos de teratologia (decisão absurda na segunda instância).

Se o pedido for rejeitado, os advogados podem recorrer de novo ao STJ, invocando especificamente a Lei da Ficha Limpa e a teoria da plausibilidade da inocência de Lula, mas não vai dar certo, porque a condenação feita pelo juiz Sérgio Moro foi confirmada por unanimidade da segunda instância, não há teratologia nem plausibilidade que segurem esta descarga.

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P.S.
– Em tradução simultânea, Demóstenes e Garotinho têm condições melhores do que Lula para disputar – “sub judice” – as eleições. A situação de Lula é dificílima. Só pode ser candidato se fizer um macete de valete e dama para a questão ser resolvida na Segunda Turma. E se for noite de lua cheia, como diz Pepeu Gomes, tudo pode acontecer. (C.N.)

Por que todos se omitem na luta pelas reservas (US$ 1 trilhão) da Petrobras?

Maia participa de sessão da Câmara no início deste mês; deputado anunciou desistência da pré-candidatura à Presidência. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Maia conseguiu aprovar o projeto na calada da noite

Carlos Newton

É saudável que haja uma permanente discussão sobre os interesses nacionais, num debate que se situe acima de preferências políticas ou ideológicas. E quando o tema é energia, nenhuma instituição conhece tanto a política do petróleo como a Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras). Seus integrantes são profissionais de altíssimo nível, que desenvolveram técnicas revolucionárias para possibilitar a exploração do petróleo brasileiro em águas profundas.

MADE IN BRAZIL – Seu conhecimento científico e técnico chegou a tal ponto que tornou possível a extração do óleo existente nas profundezas do pré-sal, um avanço extraordinário na indústria petrolífera mundial, com tecnologia “Made in Brazil”.

O quadro atual é preocupante. Primeiro, os engenheiros lutaram para encontrar as riquezas. Depois, se empenharam em desenvolver a técnica para explorá-las. Agora eles se veem na obrigação de lutar para que essas reservas não sejam entregues às multinacionais do setor, e pedem ajuda aos brasileiros nessa estratégica defesa dos interesses nacionais, que dependem da decisão do Senado.

PROJETO ENTREGUISTA – Os membros da Aepet estão propondo que os brasileiros demonstrem sua rejeição ao projeto aprovado na Câmara que permite a venda de 70% das reservas da Petrobrás, obtidas pela chamada Cessão Onerosa (o que pode representar até 3,5 bilhões de barris).

O projeto Aleluia vai permitir, também, a entrega do petróleo do excedente da Cessão Onerosa, avaliado entre 9 e 14 bilhões de barris.

O projeto foi criminosamente aprovado na Câmara, em regime de urgência, sem passar pelas Comissões Técnicas, praticamente sem debates, na calada da noite, em plena euforia da Copa do Mundo.

US$ 1 TRILHÃO – Considerados os 70% da Cessão Onerosa e a totalidade do excedente, está se tratando de riqueza potencial de mais de US$ 1 trilhão, estimando-se o barril de óleo a US$ 70, que a Petrobras extrai pelo custo de miseráveis US$ 8 no pré-sal.

O projeto foi encaminhado ao Senado para ser votado após o recesso. E os engenheiros da Petrobras pedem aos brasileiros que, com um simples e-mail ou telefonema, pressionem os senadores para evitar mais este crime de lesa-Pátria.

Podem fazê-lo pelo telefone Alô Senado: 0800 6122 11 (ligação gratuita), de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas. O telefonema é gravada e a atendente registra a mensagem, que pode ser enviada para um, vários ou todos os senadores. Podem também enviar correio eletrônico para um ou vários senadores veja a lista completa em

www25.senado.leg.br/web/senadores/em-exercicio 

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P.S. 1
Os deputados são ignorantes, nem sabiam o que estavam votando, na calada da noite, na pauta urdida por Rodrigo Maia, que é um completo idiota, também não sabia do que se tratava. Maia é privatista; para ele, vender as riquezas da estatal é o máximo… 

P.S. 2 – E agora, onde estão os representantes do povo, tipo Bolsonaro, Alckmin, Ciro, Marina, Alvaro, Amoedo, Haddad, Manuela etc.? Onde estão os militares? Os generais Villas Bôas, Augusto Heleno e Hamilton Mourão, o pessoal da reserva, que tanto dá palpites na política, onde eles estão? E a Marinha, a Aeronáutica? Cadê os marinheiros do 11 de novembro e os pilotos de Aragarças? Onde está a UNE, a OAB, a ABI, a Sociedade Protetora dos Animais, onde se esconde esta gente? 

P.S. 3 – Só restou a Aepet? Não faz mal, antes só do que mal acompanhadoO assunto é de extrema importância e vamos voltar a ele, com a insistência necessária. (C.N.)

Ninguém teve coragem de contar a Lula que a candidatura dele será rejeitada

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Carlos Newton

No PT, não adianta reclamar nem sugerir Plano B. A decisão de Lula da Silva está mais do que confirmada. Sua candidatura será apresentada para registro na Justiça Eleitoral no último dia de inscrição, 15 de agosto, para possibilitar que o PT aproveite alguns dias no horário eleitoral para divulgar a campanha de Lula, antes de o registro ser rejeitado. Mas a dúvida é saber se isso será possível, pois a campanha começa dia 31 de agosto. Portanto, o TSE terá duas semanas para declarar rejeitada definitivamente a candidatura de Lula, após julgar os recursos a serem apresentados.

Como Lula não conseguirá apresentar toda a documentação exigida para garantir a candidatura e o caso dele é público e notório, tudo indica que o registro será negado imediatamente e de ofício, sem necessidade de queixa de partido concorrente, conforme já explicou várias vezes o ministro Admar Gonzaga, do TSE.

CERTIDÃO NEGATIVA – A falta de um dos documentos obrigatórios pela Lei Eleitoral (certidão negativa da Justiça Federal) é fator suficiente para rejeição “ad limine” (imediata) da candidatura de Lula. O PT poderá apresentar recursos, mas apenas para ganhar tempo, sem a menor chance de aceitação, até porque os criativos ministros petistas Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli não participarão do julgamento, e a lei será respeitada.

Ou seja, o mais provável é que o registro de Lula esteja rejeitado antes do início da campanha pela TV (31 de agosto), circunstância que mudará bastante o quadro.

Caberá então recurso ao Supremo, mas não tem efeito suspensivo, e o nome de Lula não estará na lista dos candidatos nas urnas eletrônicas, cujo fechamento ocorre 20 dias antes da eleição – portanto, no dia 17 de setembro.

PLANO B – Por tudo isso, é recomendável que o PT defina (mesmo sigilosamente) um Plano B, se realmente pretende participar da eleição. Mas a excelente jornalista Mônica Bergamo, que tem bons informantes na cúpula do partido, afirma que Lula tem demonstrado irritação com as pressões e apelos para que indique logo um candidato a presidente, desistindo de concorrer.

Diz a colunista da Folha que Lula tem relatado a interlocutores um diálogo que teria travado com integrantes do PCdoB. Eles lhe disseram que a demora em indicar substituto poderia fazer a situação ficar pior. “Pior para quem, gente?”, teria perguntado o ex-presidente, que está preso há cem dias. “Querem que eu legitime o processo eleitoral sem a minha presença?”, prosseguiu.

Mônica Bergamo acrescenta que um petista que apoia a decisão diz que “Lula não quer sair de cena. Para ele é muito difícil, moralmente e politicamente”.

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P.S.
Em tradução simultânea, isso significa que a ficha ainda não caiu, porque até agora ninguém teve coragem de contar para Lula qual é, verdadeiramente, a situação dele perante a Justiça Eleitoral. Por isso, ele continua vivendo de ilusão, que é uma boa maneira de enfrentar as agruras da cadeia. (C.N.)

Mais uma vez, os brasileiros irão às urnas para tentar escolher o menos pior

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Para quem se preocupa com o país e se empenha por um futuro melhor, a política brasileira está cada vez mais decepcionante. Como se sabe, diversos partidos que vivem à sombra do poder se reuniram para influir juntos na eleição presidencial, num grupo autodenominado de Centrão, posicionamento que lhes propicia pastar à direita e à esquerda. Há duas semanas, foram surpreendidos pela reação vigorosa do governo Temer. Através do truculento ministro Carlos Marun, o Planalto ameaçou demitir todos os correligionários por eles indicados.

O mais incrível foi que, ao invés de obrigar que apoiassem Henrique Meirelles, que é o verdadeiro candidato do governo, o presidente Temer mandou essa expressiva parcela da base aliada fizesse aliança com o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, um partido que faz tempo não integra o governo.

CURVARAM-SE TODOS – Acostumados à política do toma lá, dá cá, os partidos do Centrão imediatamente se curvaram às ameaças de Marun e na última quinta-feira se aliaram a Alckmin, embora saibam que as chances do tucano são rarefeitas, pois até agora foi o único candidato à Presidência que teve menos voto no segundo turno do que no primeiro.

Mas a subserviência do Centrão foi apenas missão passageira, que tem data de validade no dia 7 de outubro. No  dia seguinte, à espera do segundo turno, todos gritam “barata voa” e cada partido do “Centrão” escolhe se apoia algum dos candidatos ou fica neutro, para entrar na base aliada após a posse.

É assim que caminha a humanidade, aqui do lado de baixo do Equador, não há nada de novo no front ocidental.

TUDO CONFUSO – Sabe-se que o Centrão não queria apoiar Alckmin e os problemas já começaram. Primeiro, o Solidariedade pediu um tempo, porque Alckmin refugou sobre a volta da contribuição sindical. Depois, o próprio candidato tucano deu uma declaração infantil, propondo reduzir o número de deputados e senadores, e desse jeito não tem apoio que aguente.

Embora a História do Brasil seja repleta de vices que se tornaram presidentes – como João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer –, o mais curioso é que ninguém quer ser companheiro de chapa. Magno Malta, Josué Gomes, Mendonça Filho e Janaina Paschoal, não necessariamente nesta ordem, já se recusaram a compor chapas com Bolsonaro, Lula, Alckmin ou Ciro Gomes.

A confusão é patética, capaz de enlouquecer qualquer observador estrangeiro. Como explicar que há um possível vice (Josué Gomes) que já foi cobiçado por três partidos – PT, PSDB e PDT? Seria Josué um gênio da política? Não, é apenas um jovem milionário que herdou um império empresarial.

MENOS PIOR – A única coisa certa nisso tudo é que, excetuando-se os correligionários radicais dos candidatos, a esmagadora maioria dos eleitores votará com um dedo tampando o nariz, para escolher o menos pior.

Gostaria de ver os candidatos discutindo os seis grandes temas  nacionais – dívida pública; reforma da Previdência; reativação da economia, que significa empregos; recuperação do SUS; revigoramento da educação pública; mais rigor na segurança.

Como dizia o genial humorista Paulo Silvino, perguntar não ofende, e o povo quer saber.

Você quer saber se as pesquisas são confiáveis, então pergunte ao Silvio Santos 

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Silvio oferecia carros em troca do Ibope

Carlos Newton

Há anos venho escrevendo contra as pesquisas eleitorais. A meu ver, deveriam ser proibidas. Começam a ser feitas um ano antes das eleições e podem ser manipuladas até a reta final, não há o menor controle nem fiscalização. A indução pode ser facilmente feita, dependendo da ordem em que as perguntas são apresentadas (se é que são…). Mas o fator mais negativo é que as pesquisam levam à polarização entre dois candidatos, pelo fenômeno social do chamado “voto útil”, pois muitos eleitores acabam mudando a preferência, quando percebem que seu candidato predileto deve perder a eleição.

Há quem acredite piamente nas pesquisas, eu respeito a opinião alheia, mas minha ironia não chega a tanto, devido aos múltiplos exemplos que nos levam ao descrédito, sem falar nas urnas eletrônicas “invioláveis”, numa época em que até os computadores do Pentágono podem ser pirateados.

MAIOR EXEMPLO – Se quer saber sobre confiabilidade das pesquisas, é só perguntar ao Silvio Santos. A pesquisa de audiência das televisões aqui no Brasil é monopólio do Ibope, que instala aparelhos de contagem na casa dos telespectadores, segundo as diferentes classes sociais, o que significa que a maioria dos equipamentos tem de estar instalada na camada mais pobre da população.

Certa vez, em São Paulo, a TV Record saiu do ar, por um problema técnico, mas continuou dando audiência. Mesmo fora do ar, o número de aparelhos ligados na Record foi aumentando, o Ibope foi subindo, sem explicação.

Silvio Santos ficou furioso, interpelou o Ibope e foi informado de que a Record continuou ganhando audiência por causa da “expectativa da volta”. Ou seja, os telespectadores ficavam ligados esperando para saber o motivo de a emissora ter saído do ar.    

SILVIO REAGE – A reação de Silvio Santos foi brilhante. Colocou um carro zero km no palco de seu programa e anunciou que seria entregue ao primeiro telespectador que tivesse em casa o aparelhinho do Ibope. E não apareceu ninguém…

No programa seguinte, Silvio Santos aumentou a oferta: se aparecessem duas pessoas que tivessem o aparelho do Ibope em casa, seriam entregues dois carros; se fossem 20 pessoas, cada uma ganharia um automóvel.

Mas as semanas se passaram e não apareceu nenhuma pessoa que tivesse o aparelhinho do Ibope, embora a maioria supostamente esteja instalada em casas de pessoas pobres, sem chance de ter um carro zero km. Silvio ameaçou criar seu próprio instituto de pesquisa, o Ibope do SBT aumentou expressivamente, ficou em segundo lugar, vencendo a Manchete e a Band (a Record ainda não era do bispo) e ficou tudo por isso mesmo.

MAIOR PREJUDICADO – O senador Alvaro Dias (Podemos-PR) é um excelente candidato, mas é prejudicado pela pesquisas. Muitas pessoas que o consideram bem dotado para o cargo acabam não votando nele, pela teoria do voto útil, que beneficia quem está no alto das pesquisas.

Esta é a minha opinião. Posso estar errado, é claro, mas acompanhei de perto esse lance do Silvio Santos, porque na época eu trabalhava na TV Manchete. Fiquei impressionado, ao constatar que ninguém tinha o aparelhinho do Ibope em casa. Se alguém tivesse, é claro que apareceria lá no SBT para ganhar o carro zero km.