Com PSB rachado, Joaquim Barbosa não será candidato e Alckmin comemora

Carlos Newton

Estamos de volta para o futuro, porque esta eleição lembra muito a disputa travada em 1989, que teve 22 candidatos e poderia ter 24, se Jânio Quadros não tivesse desistido de concorrer e Silvio Santos não tivesse a candidatura impugnada pelo TSE. Agora, devemos ter por volta de 13 concorrentes, mas tudo ainda está no ar, devido à condenação de Lula e ao impasse envolvendo Joaquim Barbosa, que seria um forte concorrente, já que aparece com 5 pontos, sem ser candidato, e a confirmação de que Michel Temer vai disputar pelo MDB.

Aliás, candidatura de Temer está mais do que certa e o Planalto comemorou a pesquisa Ibope, por confirmar o apoio de 6% ao governo (“bom/ótimo”), com mais 22% que o consideram “regular”.

TEMER E BARBOSA – Nas contas de Temer, sua candidatura estaria em alta, porque o número de simpatizantes subiu de 25% para 28%. Traduzindo: ele conta como votos certos os 6% do “bom/ótimo” e acha que pode atrair boa parte dos 22% que consideram o governo “regular”.

Enquanto Temer está dentro, Joaquim Barbosa está praticamente fora. O ex-presidente do Supremo tem um temperamento forte e já avisou que só aceita a candidatura se tiver apoio unânime do PSB. Como o partido está totalmente rachado, a tendência é de que desista.

Além de Temer, outros presidenciáveis estão animados do a pesquisa. O tucano Geraldo Alckmin, por exemplo, embora esteja estacionado em 7%, quando Lula está fora sobre para 11%. Por isso, Alckmin julga que está em alta e acha que vai herdar os 5% de Barbosa. Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto.

CIRO E ALVARO – Outros dois candidatos azarões, Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos) também estão animados. Sem Lula na disputa, Ciro fica em terceiro e já encostando em Marina Silva (Rede). E Alvaro Dias (Podemos) está sempre pontuando bem, embora ainda nem tenha efetivamente começado a campanha. O mais interessante é que ele tem a menor rejeição, com apenas 13%. Neste quesito negativo, Alvaro Dias só perde para Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem apenas 12% de rejeição.

Aliás, a listagem da rejeição é desanimadora para Temer, que tem 60%, seguido de Fernando Collor (PTC), com 44%; Lula da Silva (PT), 40%; Jair Bolsonaro (PLS), 29%; Geraldo Alkmin (PSDB), 26%; e Marina Silva (Rede), 23%.

ESPAÇO NA TV – As pesquisas são importantes, é claro. Porém, a maior preocupação dos candidatos é fechar coligações e aumentar o tempo disponível na campanha pela TV. Sem fazer alianças, concorrentes como Bolsonaro, Ciro, Marina, Alvaro, Manuela e Collor não tem chance de conquistar eleitores.

Quatro partidos de médio porte podem ficar disponíveis para receberem propostas indecorosas – DEM, PSB, PDS e PT. Fazer coligações vai ser uma briga de foice, que deve custar caro, muito caro.

Cármen Lúcia insinua que O Globo mentiu sobre a prisão após segunda instância

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Cármen agora diz que não ia colocar em pauta

Carlos Newton

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, parece menosprezar bastante  a opinião pública brasileira. Na noite de segunda-feira, em jantar promovido pelo site Poder360, Sua Excelência teve a desfaçatez de sugerir que a decisão de colocar em pauta a revisão da jurisprudência sobre prisão após segunda instância nada tem a ver com a situação do ex-presidente Lula da Silva, que corre risco de ser preso por já estar condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e um mês, por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Não sei por que um caso específico geraria uma pauta diferente. Seria apequenar muito o Supremo. Não conversei sobre isso com ninguém”, afirmou a presidente do STF, querendo sugerir que será mera coincidência se for colocada em pauta a segunda instância em votação, nada teria a ver com a possível prisão de Lula.

SEM PREVISÃO – O fato concreto é que a presidente do Supremo, segundo o jornal O Globo, teria decidido colocar em julgamento a ação que pode mudar a jurisprudência sobre a prisão de criminosos condenados após segunda instância.

O anúncio da próxima colocação em pauta da polêmica matéria foi feito pelo O Globo em pleno recesso do Supremo, poucos dias depois da condenação de Lula pelo TRF-4. Como se diz em linguagem policial, a turma nem esperou o corpo esfriar.

A reação da opinião pública, é claro, foi arrasadora, pois sabe-se que os ministros do Supremo, em maioria, já se mostram dispostos a somente permitir a prisão após condenação em terceira instância, ou seja, após confirmação pelo Superior Tribunal de Justiça.

ATÉ GEDDEL – Esta nova jurisprudência do Supremo significará a libertação de todos os réus da Lava Jato, incluindo Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, além de criminosos comuns, como o ex-senador Luiz Estevão.

Diante da repercussão altamente negativa, Cármen Lúcia agora diz que não há previsão para um novo julgamento sobre o assunto, acrescentando que o tema nem foi conversado com outros ministros da Corte. Ou seja, a presidente do STF está discretamente acusando O Globo de publicar notícias falsas (fake news), embora Cármen Lúcia até tenha reconhecido que, se algum ministro quiser, pode provocar discussão sobre o tema e levá-lo à presidência do Supremo.

VISTA OU PARECER – Como se sabe, o plenário só retoma julgamentos em três hipóteses: quando o processo é devolvido pelo ministro que pediu vista; quando o relator anuncia ter concluído o parecer; ou quando algum ministro vai relatar processo semelhante e então pede reexame da jurisprudência.

No caso, o relator Marco Aurélio Mello terminou em 16 de dezembro o parecer sobre o processo da prisão após segunda instância e imediatamente comunicou à presidência do STF que o julgamento pode entrar em pauta.

Cabe agora à presidente Cármen Lúcia agendá-lo ou não. Em meio à polêmica pode-se dizer, com certeza, que a ministra não afirmou a O Globo que ia colocar a questão em plenário. Tanto assim que o jornal publicou que ela “deve” colocar a questão em pauta após o recesso. Mas a repórter Carolina Brígido, que faz a cobertura do Supremo em O Globo, insiste e confirma que há uma semana a ministra Cármen Lúcia cogitava colocar a matéria em pauta.

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P.S. 1 – O mais importante de tudo isso é que a reportagem do site Poder360 publicou a seguinte informação: “Segundo Cármen Lúcia, é improvável que o STF reverta o entendimento atual de que condenados em segunda instância ficam automaticamente impedidos de concorrer a cargos públicos, independentemente de entrarem com recursos em tribunais superiores”. Caramba! Como a ministra tem coragem de fazer uma afirmação tão leviana? Na verdade, até as paredes do STF sabem que o resultado do julgamento vai ser a proibição de os condenados serem presos após segunda instância?

P.S. 2 – Votarão pela mudança da jurisprudência o relator Marco Aurélio, acompanhado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Alexandre de Moraes. Para não dar na vista, Cármen Lúcia votará contra. O resultado será 6 a 5. O resto é folclore. (C.N.)

Meirelles finge que vai obedecer ao desejo de Temer e abandonar a candidatura

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Sempre em cima do lance, o jornalista Lauro Jardim publicou neste domingo a seguinte nota em seu blog: “Em privado, Henrique Meirelles já admite que só será candidato a presidente se Michel Temer assim o quiser. Ou seja, se o governo escolhê-lo para defender o seu legado. Fora disso, não há o que Meirelles possa fazer”.

A informação é da maior importância e reflete a disputa que agita os bastidores do governo, travada entre o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles. Em tradução simultânea, a nota de Lauro Jardim significa que Meirelles esta fazendo um recuo estratégico, na tentativa de conseguir que Temer diminua a pressão sobre ele.  

Trata-se de um enfrentamento que só tende a se agravar, à medida que se aproxima a eleição. É uma questão já definida desde as origens da Física, mas que serve também para a Política – dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo.  

CANDIDATO DE CENTRO – Em função da derrocada da esquerda, causada pela Era do PT, há uma crença de que, com Lula fora da disputa, a próxima eleição será vencida por um candidato de centro. Presidenciáveis como Michel Temer (MDB), Henrique Meirelles (PSD), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Fernando Collor (PTC), João Amoedo (Novo) e Paulo Rabello de Castro (PSC) estão partindo desta premissa, que pode ser verdadeira ou falsa.

O fato concreto é que há candidatos demais tentando disputar a mesma faixa do eleitorado. É claro que eles vão se amontoar, uns sobre os outros.

Para viabilizar sua candidatura, Temer precisa desesperadamente tirar Meirelles de cena. Já deu várias entrevistas dizendo preferir que ele fique até o fim no Ministério da Fazenda. No dia 22 de dezembro, num café da manhã com dezenas de jornalistas, Temer não se conteve e perguntou a Meirelles, na frente de todos: “Você é candidato?”. E o ministro respondeu: “Ainda não decidi”.   

EM CAMPANHA – Até agora, são 12 presidenciáveis, contando com Bolsonaro (PLS), Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB), e Lula (PT), sem incluir Guilherme Boulos (PSOL), Joaquim Barbosa (PSB) e Rodrigo Maia (DEM), questão em cima do muto.

Boulos e Barbosa podem até se candidatar, elevando o número para 14, mas o presidente da Câmara está apenas tirando uma onda, para aparecer no noticiário e valorizar o passe do DEM.

Vai ser uma eleição maravilhosa e imprevisível. Entre os 14 prováveis candidatos, pelo menos 8 têm alguma chance de vencer. Apenas Collor, Manuela, Amoedo, Castro e Boulos podem ser descartados, por ora, além de Lula, é claro, que segue como candidato até o fim, mas não terá o nome registrado na urna eletrônica. Ou seja, não será votado.

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P.S. –
A disputa por coligações, para ampliar o tempo de campanha na TV, é arrebatadora. Sem caixa 2 dos empresários, os candidatos estão oferecendo mundos e fundos, mas os partidos de aluguel só trabalham com dinheiro vivo. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Acredite se quiser: Boff já reconheceu que se enganou ao defender o PT

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Com toda certeza,a gente está sempre se surpreendendo com o teólogo Leonardo Boff, cujos artigos no jornal “O Tempo” há anos reproduzimos aqui na “Tribuna da Internet”. Na noite deste domingo, o jornalista e advogado José Carlos Werneck nos enviou uma matéria antiga, postada por Boff em seu blog, dia 18 de abril de 2017, em que o defensor da Teologia da Libertação  reconhece ter se enganado ao defender o PT.  Foi uma surpresa ler o “mea culpa” de Boff sobre o partido que ele tanto elogiava.

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CONFIRA O QUE ESCREVEU BOFF

“Precisava vir alguém de fora, de uma jornalista Carla Jiménez do jornal espanhol El Pais, para nos dizer as verdades que precisamos ouvir. Seguramente a grande maioria concorda com o conteúdo e os termos desta catilinária contra corruptos e corruptores que tem caracterizado nos últimos tempos o Brasil.

Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e lazer. E o pior, sem esperança de que esse rumo possa facilmente ser mudado.

Mas tem que mudar e vai mudar. É crime demasiado. Nenhuma sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer que vai corroendo as forças vitais de uma nação. Enganam-se aqueles que pensam que eu, pelo fato de defender as políticas sociais que beneficiaram milhões de excluídos, realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha defendido o partido.

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO – A mim não interessa o partido, mas a causa dos empobrecidos que constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação,  a opção pelos pobres contra a pobreza e pela justiça social, causa essa tão decididamente assumida pelo Papa Francisco. É isso que conta e por tal causa lutarei a vida inteira como cristão e cidadão.

Estou convencido de que o  Brasil poderá ser  quando bem governado a mesa posta para as fomes e sedes do mundo inteiro. Creio que  a revelação de tais crimes, sua punição, o resgate dos bilhões de reais ou de dólares roubados e devolvidos aos cofres públicos, nos deem duras lições. Que todos vigiemos para que nunca se esqueça e nunca mais aconteça”.

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DISSE CARLA JIMÉNEZ NO “EL PAÍS”

O Brasil saltou de uma transmissão política em preto e branco para alta definição de uma semana para outra com a lista de Fachin. Tudo se conhecia mais ou menos por meio de vazamentos em um ou outro veículo de comunicação. Mas ouvir a voz dos corruptores e vê-los em vídeo relatando seus crimes por horas a fio é mais doloroso. É como se a própria mãe estivesse contando que na verdade você é filha do irmão do seu pai, ou de um ladrão de bancos, ou de um estuprador. O impacto é violento, ainda que você desconfie que a verdade da sua vida era outra.

Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?

MAUS EXEMPLOS – Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir. Despertam ojeriza. Dediquem o que resta de suas vidas a entregar tudo, a detalhar tudo, a terminar de contar o que falta para que o Brasil se estabeleça como uma sociedade mais sadia, menos tóxica. Nenhum país merece que a riqueza seja comandada por quem não tem um mínimo de solidariedade com o país e vive da mesquinharia que alimenta a miséria.

Acordão? Só se for para admitir crimes. Ambicionem entrar para a história como os que ajudaram a mudar o rumo, sem violentar a esperança alheia. Uma mensagem que cabe ao Judiciário, inclusive, que como disse o ministro Luís Roberto Barroso ao citar o direito penal, “deixou erguer um país de ricos delinquentes, que vivem de fraudes às licitações, lavagem de dinheiro entre outros crimes”. Vistam a carapuça. Deixem a Justiça atuar e paguem pelos seus crimes. É o melhor que vocês podem fazer para justificar a própria existência.

Tudo dominado, Cármen Lúcia convoca o Supremo para destruir a Lava Jato

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

A culpa de considerável parcela da esculhambação institucional que o país hoje vive foi da Assembléia Constituinte. Para prevenir um novo surto de autoritarismo que atingisse os políticos, os constituintes se cercaram de todas as salvaguardas, como o foro privilegiado e a declaração de culpa após processo transitado em julgado, duas excrescências jurídicas que passaram a garantir também a impunidade das elites.Um criminoso como Pimenta Neves, que matou friamente a namorada com um tiro pelas costas, levou 11 anos até ser preso, ficou apenas 5 anos na cadeia e desde 2016 está livre, leve e solto. A impunidade reinava, até que aconteceu a Lava Jato e as coisas começaram a mudar.

Agora, às vésperas do carnaval, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, que era uma esperança de moralidade, rasga a fantasia e mostra sua verdadeira face, ao anunciar que colocará em pauta a extinção da punibilidade de criminosos após condenação em segunda instância.

RETROCESSO – Sem a menor dúvida, será um retrocesso brutal, com a cumplicidade direta da presidente do Supremo, que está cansada de saber que a mudança na jurisprudência será aprovada por 6 a 5, porque Dias Toffoli estará mudando seu voto e Alexandre de Moraes dará o tiro de  misericórdia na punibilidade das elites, mesmo tendo afirmado aos senadores que era favorável à prisão após segunda instância.

Moraes é do tipo FHC, de quem é amigo pessoal (“Esqueçam tudo o que eu escrevi”). E a presidente Cármen Lúcia não fica atrás. Todos sabem que foi Lula quem a nomeou para o Supremo e ela até o convidou para a posse na presidência do Tribunal, quando o petista já estava totalmente emporcalhado pela Lava Jato.

Agora, Cármen Lúcia vai retribuir, ao convocar o julgamento, sabendo previamente qual será o resultado, embora ela mesma pretenda votar contra, para manter as aparências, compondo um placar de 6 a 5. Como diria Ataulfo Alves, a maldade nessa gente é uma arte…

LIBERAR GERAL – O alcance desta complacência do Supremo será um desastre. Além de Lula não ser preso, os demais condenados pela Lava Jato, inclusive Eduardo Cunha, João Vaccari, André Vargas, Léo Pinheiro, Geddel Vieira Lima etc. etc., todos receberão alvará de soltura. E outros criminosos notórios também serão libertados, como o ex-senador Luiz Estevão. Vai ser um festival. Significa o fim da Lava Jato, a ser decretado pela pusilanimidade de uma magistrada que decididamente não honra o manto sagrado do Supremo, como tantos outros ministros, aliás.

Será uma imoralidade que vai sujar para sempre a História do Supremo e só há uma maneira de evitar este acintoso golpe nas instituições brasileiras, sem que seja necessária uma intervenção militar – é preciso que um dos quatro ministros que ainda respeitam a ética e a moralidade interrompa o julgamento e peça vista. Esta é a obrigação de Luiz Fux, Rosa Weber, Edson Fachin e Luiz Roberto Barroso.

SENTAR EM CIMA – A nação espera que um desses ministros imite Gilmar Mendes, peça vista e sente em cima do processo, como ele está fazendo há mais de um ano com o julgamento sobre o financiamento de campanhas, interrompido quando o resultado já era de 6 x 1 contra a contribuição de pessoas jurídicas a partidos e a candidatos…

Agora, este novo pedido de vista será absolutamente necessário, porque garantirá a continuidade da luta contra a corrupção que afeta os três Poderes. E ninguém poderá reclamar, porque o Supremo tem hoje 216 julgamentos parados por pedido de vista. Será apenas mais um.

Aliás, o mais antigo desses 216 pedidos de vista foi feito em 1998 pelo então ministro Nelson Jobim, numa ação direta de inconstitucionalidade proposta por PT, PDT e PCdoB contra uma lei que disciplina o contrato de trabalho temporário. Curiosamente, na cadeira antes ocupada por Jobim quem se senta hoje chama-se Cármen Lúcia.

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P.S. –
Notem bem: enquanto a Lava Jato atingia somente PT e PP, tudo corria às mil maravilhas. Quando a força-tarefa começou a pegar também políticos do PMDB e do PSDB, logo entrou em ação a Operação Abafa, denunciada pelo então ministro Medina Osório, da AGU, ao deixar o governo em setembro de 2016. Agora, esta convocação do STF para extinguir a prisão após segunda instância é só mais um capítulo desta trama sinistra. (C.N.)

Entre os rivais de Lula, até agora Bolsonaro e Ciro fazem as melhores campanhas

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Bolsonaro e Ciro já começaram a percorrer o país

Carlos Newton

Esta eleição será eletrizante, porque Lula da Silva vai continuar em campanha até o dia 12 de setembro, quando o Tribunal Superior Eleitoral impugnará definitivamente sua candidatura, segundo os cálculos dos especialistas. Estarão faltando apenas três semanas para a votação e então haverá as últimas cenas do enredo. Há três hipóteses: 1) o PT lança um candidato substituto; 2) o PT apoia Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB) ou Guilherme Boulos (PSOL); 3) o PT não lança candidato nem apoia ninguém.

E aí haverá outra briga, porque o PT vai insistir na participação de Lula na campanha pela TV e nos comícios. Como ele estará com seus direitos políticos suspensos pela Lei da Ficha Limpa, o TSE vai ter de afastá-lo do horário eleitoral, o PT será multado e vai recorrer, será mais uma chatice.

FINAL EMPOLGANTE – Sem Lula, o PT (ou o candidato que o partido apoiar) pode até passar para o segundo turno, mas terá pouca chance de vencer a eleição. Depois da ressaca da Era Lula/Dilma, a onda conservadora está muito forte, a esquerda dificilmente emplacará o sucessor de Temer, embora o futuro a Deus pertença, como diria o ministro Armando Falcão, um dos ícones civis do regime militar.

Para o PT, já faz tempo que a campanha começou para valer e Lula vai continuar percorrendo o Brasil, fantasiado de vítima de perseguição política. Entre seus rivais, até agora só quatro entraram em campanha – Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (PSD) e… Michel Temer (MDB).

Os demais estão demorando a dar a largada. Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Manuela D’Ávila (PCdoB) ainda estão engatinhando. Os restantes – João Amoedo (Novo), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Fernando Collor (PTC) –  não têm a menor chance e buscam apenas os 15 minutos de fama imortalizados pela genial antevisão de Andy Warhol.

BOLSONARO E CIRO – Entre os rivais de Lula que já estão em campanha, Bolsonaro e Ciro têm obtido bons resultados, ambos percorrendo o país e fazendo contato com suas faixas de eleitorado. Em cada cidade que chegam, participam de eventos, são entrevistados pela mídia, estão aparecendo bastante. A campanha de Bolsonaro colhe ainda mais frutos do que Ciro, porque ele combina com seus seguidores a instalação de outdoors em ruas e estradas.

Há mais de um ano Henrique Meirelles também em campanha, não perde inauguração do governo e tem viajado muito, mas por enquanto está concentrando sua campanha no eleitorado evangélico. E Temer é o outro candidato que já se mexe incessantemente, empurrado pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira. Não perde oportunidade de aparecer. Além de gravar programas na Band e no SBT, está assediando os mesmos pastores já procurados por Meirelles. 

Em resumo, é certo que, sem Lula, a eleição terá um final eletrizante, mas ninguém pode prever quem irá para o segundo turno, porque vai depender muito das coligações que cada candidato consiga fechar, para garantir o máximo de tempo na televisão.

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P.S. 1 – 
Se não conseguirem alianças com outros partidos, candidatos como Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina Silva e Alvaro Dias terão tempos tão curtos na propaganda eleitoral que chega a ser desanimador.

P.S. 2 – Por fim, ainda falta uma carta neste baralho. Não se pode esquecer a possibilidade da candidatura de Joaquim Barbosa. Ele ainda não se decidiu. De repente, em função de sua resposta ao PSB, o quadro eleitoral poderá se alterar profundamente, mais uma vez. (C.N.)

Para se fortalecer, o PT quer consolidar Lula como “vítima” de perseguição política

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PT está dependendo desesperadamente de Lula

Carlos Newton

Já explicamos aqui na “Tribuna da Internet”, diversas vezes, que Lula da Silva não disputará a eleição deste ano, porque até 12 de setembro sua candidatura estará definitivamente impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, cabendo recurso exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, mas apenas na hipóteses de ser apontada alguma inconstitucionalidade na decisão do TSE, uma circunstância inteiramente improvável. Isso significa que, ao contrário do que o PT divulga, o nome de Lula não constará da relação definitiva dos candidatos, que somente em 17 de setembro será incluída na urna eletrônica. Portanto, com toda certeza Lula não vai concorrer, mas também é certo que vai bagunçar a eleição, podem  apostar.

A jogada do PT é seguir com o teatro da candidatura, fazendo com que a partir do dia 31 de agosto Lula apareça no horário gratuito, na condição de candidato. Desta forma, como o registro de sua candidatura só será impugnado por volta de 12 de setembro, o ex-presidente fará campanha pela televisão durante duas semanas, pelo menos.

ESTRATÉGIA – Por meio dessa ardilosa estratégia, o PT pensa consolidar Lula como “vítima” de tenebrosa perseguição política. Com isso, os dirigentes acham que Lula conseguirá transferir mais votos. Consequentemente, será fortalecida a imagem do partido, a ponto de eleger uma bancada forte no Congresso Nacional, alguns governadores e grande número de deputados estaduais.

O resultado dessa manobra é insondável. Pode até dar certo e reverter a derrocada do PT, que conseguira eleger 75 deputados federais em 2002, em 2006 foi para 89, depois ficou em 88 deputados na eleição de 2010 e caiu para apenas 70 em 2014.  Ou seja, o PT está em viés de baixa e quer estancar a sangria.

É claro que a estratégia do partido vai causar uma barafunda dos diabos, porque todas as pesquisas eleitorais até 12 de setembro obrigatoriamente vão incluir o nome de Lula. Como a eleição será em 7 de outubro, somente as pesquisas na fase final é que mostrarão o quadro real das candidaturas, com os 12 concorrentes legalmente habilitados e seus nomes na lista de presidenciáveis da urna eletrônica.

FINAL ELETRIZANTE – Vai ser interessantíssima a eleição. Se não houver mudanças nas pesquisas, Lula continuará favorito,  com apoio de aproximadamente um terço dos eleitores, que de repente terão de escolher outro candidato, havendo possibilidade de o PT lançar algum substituto até 20 dias antes da eleição, para que seu nome consta da urna eletrônica.

É certo que, sem Lula, a eleição terá um final eletrizante, mas ninguém pode prever quem irá para o segundo turno, porque vai depender muito das coligações que cada candidato consiga fechar, para garantir mais tempo na televisão.

Se não conseguirem alianças com outros partidos, candidatos como Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina Silva e Alvaro Dias terão tempos tão curtos na propaganda eleitoral, que chega a ser desanimador.

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P.S. – Até agora, os candidatos que vêm fazendo as melhores campanhas são Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Michel Temer e Henrique Meirelles, não necessariamente nesta ordem. Logo voltaremos ao assunto. (C.N.) 

Lula se comporta como um alienado e tenta fingir que não aconteceu nada

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Lula não entende o que significa a condenação

Carlos Newton

Lula da Silva, o operário que virou presidente de um dos cinco maiores países e encantou o mundo, poderia ser lembrado como Nelson Mandela, um dos principais ídolos da Era Moderna. Mas não teve grandeza nem dignidade. Pelo contrário, fez questão de usar o poder para enriquecer ilicitamente toda a família, que agora está sendo minuciosamente investigada na fase atual da Lava Jato. Na verdade, Lula se tornou apenas uma pálida lembrança do combativo líder que em 2002 conduziu a oposição brasileira ao poder. Está completamente liquidado politicamente e seus direitos políticos serão suspensos por oito anos. Além disso, ele ainda responde a seis processos e duas denúncias. Ou seja, a punição tende a se estender, ele não conseguirá mais disputar eleições.

Ao que parece, a ficha ainda não caiu, porque Lula continua se comportando como se continuasse a estar acima da lei e da ordem, mas isto não é mais realidade. O problema é que seus assessores e aliados não têm coragem de lhe contar a verdade, ficam inventando que ele poderá usar o recurso A ou B para disputar a eleição e se livrar da condenação, e ele acredita, embora seja tudo ilusão. 

MARKETING – É preciso entender que Lula é um produto de marketing,  não tem base cultural e se move exclusivamente pela intuição. Embora tenha se tornado um extraordinário fenômeno político, continua a ser um ignorante trilateral – de pai, mãe e vizinhança. Cientes dessa situação, Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola até tentaram fazer com que Lula se preparasse para o poder, mas ele não deu atenção a esses conselhos e continuou se orgulhando de jamais ter lido um livro.

Em 2013, Lula surpreendeu a opinião pública, ao afirmar que passara a ler livros e gostara muito da biografia de Abraham Lincoln, escrita por Doris Kearns Goodwin. Até citou uma passagem interessante, em que o presidente americano aguardava uma mensagem num posto de telégrafo, que Lula chamou de “telex”.

Mas era mentira. Lula não lera o livro, apenas assistira ao filme de Steven Spielberg. A passagem do “telex” mencionada por Lula não existe no livro, foi enxertada no filme pelo genial roteirista Tony Kushner.

RECURSOS – Agora, após a condenação que significa a impugnação de sua candidatura, é deprimente constatar que os assessores e dirigentes petistas continuam a iludir Lula, ao lhe informarem que existem recursos capazes de garantir que ele dispute a eleição.

O mais incrível é que esse tipo de enganação seja incentivado pelo ex-ministro da Justiça e ex-procurador federal Eugênio Aragão, que nos últimos anos assessora juridicamente a cúpula do PT. Diz ele que a defesa de Lula pode entrar com um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e tem a opção de tentar uma medida cautelar, um pedido de habeas corpus ou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, o ex-ministro de Dilma afirma que é pacífica a jurisprudência de que, quando o condenado entra com recurso, se consegue atribuir um efeito suspensivo, o que também suspende a inelegibilidade.

CONVERSA FIADA – Tudo isso que o douto e experiente Aragão afirmou é verdade. Mas esqueceu de ressalvar que os recursos mencionados se referem exclusivamente à esfera criminal, nada têm a ver com a candidatura de Lula. Há apenas uma exceção, a cautelar ao STJ, mas precisa ter “plausibilidade”, como condenação discutível, com resultado de 2 a 1. E a 5ª Turma do STJ, presidida pelo ministro Félix Fischer, está fechada com a Lava Jato e não é de brincadeira.

Propositadamente ou não, o ex-ministro da Justiça não esclareceu que, no caso da impugnação da candidatura de Lula, caberá recurso apenas ao Tribunal Superior Eleitoral, e somente poderá ser apresentado depois do dia 20 de agosto. Quanto aos tais recursos ao Supremo, somente poderão ser apresentados após o trâmite do processo no TSE, que deve terminar a 12 de setembro.

Como esses supostos recursos ao Supremo não têm efeito suspensivo, o nome de Lula não estará na urna eletrônica entre os presidenciáveis. A não ser que o STF  adie a votação para incluir o nome de Lula, numa decisão que será a Superpiada do Ano, sem a menor chance aos concorrentes.

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P.S. 1 –
Eugênio Aragão sabe tudo isso. Mas apresenta ao PT esta tese salvadora e irreal, inventando até uma jurisprudência que não existe. Os candidatos de ficha suja que disputaram eleição, como Jáder Barbalho e Paulo Rocha, por exemplo, tinham esse direito porque suas condenações ocorreram antes da entrada em vigor da Lei da Ficha Limpa. Na verdade, não existe e jamais existirá essa “jurisprudência” citada pelo ex-ministro Aragão.

P.S. 2 Sem ter noção sobre o que está realmente acontecendo, Lula se comporta como um abestado, acreditando que vai se livrar de tudo isso, disputar e vencer a eleição.   

P.S. 3 – A apreensão do passaporte de Lula foi apenas o primeiro capítulo. Outros se seguirão. (C.N.)

PT insiste em apoiar a candidatura de Lula e irá para o abismo junto com ele

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Conforme recomendou o experiente Olivio Dutra, um dos fundadores do PT, o partido já deveria estar buscando alternativas à candidatura de Lula, mas vem acontecendo exatamente o contrário. Antes mesmo do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, dava entrevista para dizer que a legenda jamais aceitará uma decisão que não seja justa. “Vamos recorrer, seja qual for o resultado de hoje”, avisou a dirigente petista, acrescentando que os desembargadores estariam rasgando a Constituição, caso confirmassem a sentença do juiz Sérgio Moro, condutor da Lava Jato em Curitiba. E não deu outra coisa, a pena foi até aumentada para doze anos e um mês.

Agora, o PT pode recorrer à vontade, mas será inútil. Com o placar de 3 a 0, o candidato Lula da Silva está incurso na Lei da Ficha Limpa, tornou-se inelegível e agora só pode disputar eleição de síndico do Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo.

SEM PLANO B – O pior é que Lula e o PT se orgulham de não haver Plano B. Ou seja, ao invés de escolher outro candidato para disputar a Presidência com apoio de Lula, o partido continuará insistindo no nome dele, que significa a crônica de uma derrota anunciada.

A enlouquecida estratégia do PT é registrar a candidatura de Lula no último dia de inscrição, 15 de agosto, para forçar um barra e fazer com que ele apareça nos primeiros dias da campanha eleitoral pela TV, enquanto estará tramitando no Tribunal Superior Eleitoral o processo de impugnação da candidatura.

Os próprios advogados e consultores do PT admitem que Lula só poderá aparecer na TV no máximo até 12 de setembro, quando sua impugnação estará definida no âmbito da Justiça Eleitoral e seu nome cortado da lista de candidatos. Quer dizer, só aparecerá na TV durante os primeiros 13 dias da campanha, para combinar com o número do PT.

VAMOS RECORRER – Na sua ignorância jurídica, a senadora Gleisi Hoffman diz que o PT vai recorrer a todas as instâncias para possibilitar que Lula dispute a eleição.

Acontece que não existe este tipo de recurso que a presidente do PT imagina. no caso de Lula, por enquanto só existe recurso à Justiça na área criminal. Nada tem a ver com a eleição, não há como recorrer, porque ainda nem foram realizadas as convenções e escolhidos os candidatos. No momento, a defesa do ex-presidente pode recorrer ao próprio TFR-4 com embargos declaratórios, mas isto não resolve nada, é perda de tempo.

Além dos embargos declaratórios, no momento só é cabível recurso ao Superior Tribunal de Justiça, para tentar absolver Lula, mas isto também nada tem a ver com eleição e vai demorar mais de um ano até ser julgado.

JURISPRUDÊNCIA – O problema da candidatura de Lula é que a Lei da Ficha Limpa é muito clara, já existe farta jurisprudência. O fato concreto é que o candidato do PT está inelegível, não tem mais conversa. Aliás, foi o próprio Lula que sancionou a lei, em 4 de junho de 2010.

Diante dessa situação incontornável, o PT deveria ouvir Olívio Dutra e debater alternativas. Lula já era como candidato, mas é um cabo eleitoral fortíssimo, já provou em três eleições que consegue transferir votos — duas vezes com Dilma Rousseff  uma vez com Fernando Haddad, dois postes pesadíssimos de carregar.

Se o PT não acordar a tempo, vai caminhar junto com Lula para o abismo. Em 2014, a bancada petista na Câmara caiu de 90 para 70 deputados. Se os petistas não tiverem a lucidez de aproveitar a força eleitoral que Lula ainda tem,  o PT vai ser transformar em mais um partido nanico.

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P.S. – Naquele seu estilo atrapalhado e inconfundível, Dilma Rousseff está conclamando o PT “a lutar por Lula em todos os recantos, nas ruas, nas cidades e nos campos”. Será que ela também está se referindo a “matar gente”. É sempre difícil entender o que ela e outros petistas dizem. (C.N.)

Lula está politicamente liquidado, não adianta o PT manter a candidatura dele

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Lula ficará fora da política por oito anos

Carlos Newton

Apesar das manifestações realizadas em grande número de cidades, evidenciando que Lula da Silva ainda é o maior líder político do país, o resultado do julgamento no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre significa que ele é carta fora do baralho, está politicamente acabado e sua preocupação agora é evitar que a condenação seja ratificada pelo Superior Tribunal de Justiça, com o processo transitando em julgado. Se o STJ também confirma a sentença do juiz Sérgio moro, Lula irá mesmo para a prisão, porque um discutível recurso ao Supremo não terá efeito suspensivo.

O resultado de 3 a 0 no Tribunal Regional Federal, mais do que previsível, significa que Lula está fora da eleição presidencial. O PT pode até registrar a candidatura dele em 15 de agosto, que é o último dia, para depois recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral contra a impugnação pela Lei da Ficha Limpa. Esta estratégia até fará com que Lula participe dos primeiros dias da campanha eleitoral pela TV, mas até 12 de setembro ele estará definitivamente fora da disputa, de acordo com os prazos processuais. E o PT terá de indicar um substituto, se quiser participar da sucessão.

HAVERÁ CONFUSÃO – É claro que a presença de Lula no início da campanha vai causar uma confusão dos diabos. Depois da impugnação, muitos petistas ficarão sem entender por que o nome de Lula não constará na lista de candidatos, certamente vão perturbar os mesários, o número de votos nulos e em branco irá aumentar.

Inconformados, os petistas ainda falam que há possibilidade de uma liminar no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo, para garantir a participação de Lula.

Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. No entanto, como diz o padre Óscar Quevedo, “isto não ecziste”. O STJ não tem poder (competência) para se imiscuir em assuntos eleitorais, esta possibilidade é uma tremenda bobagem jurídica. Na verdade, o STJ só pode receber recursos sobre a condenação criminal de Lula, jamais sobre a impugnação da candidatura.

SÓ HÁ UM RECURSO – Na forma do Direito Processual, só caberá recurso ao Supremo se a petição da defesa de Lula apontar alguma inconstitucionalidade cometida pelo TSE ao impugnar a candidatura dele, mas isto também não eczistirá, porque o veto a Lula significará que a Justiça apenas cumpriu rigorosamente o que determina a Lei da Ficha Limpa.

Lula e os petistas podem bufar, espernear, ofender – não vai adiantar nada. Podem recorrer à Organização dos Estados Americanos e às Nações Unidas – também não dará resultado algum. Podem até seguir o exemplo do grande Sobral Pinto e recorrer à Lei de Proteção aos Animais – mais uma vez será inútil.

O fato concreto é que Lula está definitivamente fora da política durante oito anos. E como também será condenado em alguns dos outros seis processos a que responde, a inelegibilidade vai se prolongar. Portanto, a partir de hoje Lula pode imitar o amigo Chico Buarque e sair cantando “Bye Bye, Brasil”, porque sua última ficha caiu.

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P.S.
Até mesmo o novo mentor jurídico do PT, professor Luiz Fernando Casagrande Pereira, da PUC do Paraná, que defende apaixonadamente a eleição de Lula, já admitiu que a candidatura dele estará impugnada pelo TSE até 12 de setembro, cabendo recurso apenas ao Supremo. Isso significa que o nome de Lula não estará nas urnas quando os brasileiros exercerem seu direito de voto, dia 7 de outubro. O resto é folclore, como diz nosso amigo Sebastião Nery. (C.N.)

Caso de Lula mostra que o Brasil não tem a menor importância no plano mundial

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Todos sabem que o Brasil nunca teve importância no plano internacional. Europeus e norte-americanos sempre confundiram o Brasil com a Argentina, acharam que Buenos Aires era nossa capital, tinham consciência de que esta parte do mundo era uma imensa “hacienda”, como ficou claro no famoso filme “Bonequinha de Luxo” (“Breakfast at Tiffany’s”/1962), baseado num livro de Truman Capote e dirigido por Blake Edwards. Na trama, a personagem principal, uma garota de programa vivida por Audrey Hepburn, tenta dar o golpe do baú no brasileiro José da Silva Pereira, que era um misto de político e fazendeiro.

Ainda hoje, 55 anos depois, nada mudou. O Brasil continua a ser uma gigantesca fazenda, com a bancada ruralista ainda dando as cartas no Congresso, embora já ameaçada pela bancada evangélica, que também não é de brincadeira.

DESCONHECIMENTO – No caso dos processos criminais movidos contra Lula, o que mais impressiona é o apoio que ele conseguiu no exterior, com mobilização de importantes políticos e personalidades do mundo artístico. Este fenômeno revela que o quinto maior país do mundo em território e população, embora esteja há tempos no ranking das dez maiores economias, continua a não ter a menor importância no cenário internacional.

Nenhum desses apoiadores de Lula sabe que ele comandou o maior esquema de corrupção do mundo, que já existia, mas ele institucionalizou, ao estabelecer percentuais fixos de propina. Acham que ele está sendo perseguido porque lutou em favor das populações miseráveis, sem entender que ele usou o poder para enriquecer ilicitamente, junto com toda a famiglia Lula da Silva, como já está mais do que provado.

Se o Brasil realmente tivesse alguma importância, as personalidades internacionais  teriam conhecimento da realidade criminosa e promíscua que marcou a carreira de Lula desde o início, sob as bênçãos da ditadura militar. E ninguém faria esse papel ridículo de assinar manifesto em defesa de um político enganador e corrupto.    

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P.S. 1 – 
Quanto aos brasileiros de destaque que ainda apoiam Lula, como Chico Buarque e Fernando Morais, a lealdade deles é comovente, inexplicável e irracional. Parecem personagens de Nelson Rodrigues, a implorar a Lula: “Perdoa-me por me traíres”.   

P.S. 2 – O caso desses seguidores de Lula é um desafio psicanalítico que nem Freud explicaria, mesmo se tivesse apoio de Lacan, Jung e Pinel. É um fenômeno que merece ser estudado pela Patologia forense.

P.S. 3– Quanto ao histórico  julgamento de hoje em Porto Alegre, continuo cravando os 3 a 0 e aceito apostas. (C.N.)   

Lula evitou que surgissem outros líderes e o PT está caminhando para a derrocada

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

Na sua mistura de ignorância e arrogância, o líder sindical Lula da Silva virou político, chegou ao poder e passou a ter delírios egocêntricos. Julgava-se (e até hoje se julga) “dono” do PT e do Brasil; achava-se (e ainda se acha) um candidato imbatível nas urnas. Esta megalomania fez muito mal ao PT, porque Lula jamais  admitiu o surgimento de novas lideranças no partido. Pelo contrário, tudo fez para permanecer sozinho e hegemônico. Por isso, o PT não tem Plano B.

No início da carreira política, devido a suas limitações, Lula se viu obrigado a se cercar de pessoas mais preparadas e esclarecidas, como os advogados Almir Pazzianotto, Aírton Soares, José Dirceu e Hélio Bicudo, o editor César Benjamin, o médico Antonio Palocci, o jornalista Tom Thimóteo, o sociólogo Paul Singer e os economistas Aloizio Mercadante e Guido Mantega, entre outros. Porém, Lula jamais permitiu que crescessem dentro do PT e fizessem sombra à sua liderança única e exclusiva.

NO PODER – No início de seu primeiro governo, em 2003, Lula dependia diretamente do chefe da Casa Civil, pois era José Dirceu que comandava o governo, Lula tinha um cargo apenas simbólico. Quando o “primeiro-ministro” Dirceu foi alvejado pelo mensalão, em 2005, Lula já tinha pegado gosto pela Presidência, ficou muito aliviado ao se livrar dele, colocou a desconhecida Dilma Rousseff na Casa Civil, para funcionar como gerentona, e estávamos conversados.

No ano seguinte, 2006, caiu mais uma liderança em ascensão no PT – o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que imitou Dirceu e abriu uma consultoria para também enriquecer às custas do chamado tráfico de influência. E assim Lula foi ficando sozinho e inexpugnável no governo e no PT. O presidente e os dirigentes do partido eram escolhidos diretamente por ele, não tinha nem conversa.

TUDO DOMINADO – Lula sempre teve o controle total do partido. Em 2010, quando o PT ia escolher o candidato á Presidência, sacou da manga do colete o nome de Dilma Rousseff, que viera do PDT e nem era considerada petista. Ninguém queria, mas Lula fez a convenção aprová-la, depois conduziu a campanha e elegeu o chamado poste.

Lula julgou que ao final do mandato, em 2014, a tal “presidenta” agradeceria a deferência e se retiraria, para que ele fosse candidato. Mas deu tudo errado. Dilma Rousseff se achava o máximo, desafiou Lula e lhe disse que ia disputar a convenção contra ele. Lula nem ligou, sabia que ninguém votaria nela.

Mas Dilma tinha uma bala de prata. Na reta final, ameaçou revelar os abusivos gastos no cartão corporativo da amante de Lula no Brasil e no exterior, mostrando também que muitas vezes Rosemary Noronha viajou clandestinamente, sem que seu nome constasse na lista de passageiros.

LULA RECUOU – Não havia alternativa. Lula teve de recuar. A contragosto, retirou seu nome e defendeu a candidatura de Dilma na convenção. Revoltado com a traição, não queria participar da campanha. No início, fez corpo mole, mas depois teve de entrar para salvar o PT e conseguiu reeleger a ex-companheira.

Quatro anos depois, Lula prepara-se para o dia mais importante de sua vida. Sabe que está praticamente destruído e o partido vai desmoronar junto com ele. Realmente, não sobrou uma só liderança de destaque que possa representar o PT na eleição.

Como dizia o genial Cartola, “o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó”.  E assim, de repente, não vai mais existirá o político Lula. E a legenda  que ele criou para dominar a política brasileira vai se tornar mais um partido nanico.

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P.S.
Na undécima hora, o PT planta as notícias mais fantasiosas, anuncia que o juiz Moro deixou brechas na sentença, a votação no TRF-4 será 2 a 1, Lula conseguirá disputar a eleição e voltará ao poder. O PT pode espalhar notícias à vontade. Acontece que desta vez, porém, não será o marketing que resolverá a parada. A decisão virá dos autos judiciais, com base na minuciosa sentença de 283 páginas do juiz Moro, que condenou Lula a nove anos e meio de prisão. Na política, Lula e o PT estão com seus dias contados. (C.N.)   

Para calar Cunha, Loures e Geddel, Temer prometeu aprovar anistia aos corruptos

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Geddel, Cunha e Loures sonham com a anistia

Carlos Newton

Na quarta-feira (dia 17), o jurista Jorge Béja fez uma importantíssima denúncia aqui na “Tribuna da Internet”, ao revelar a manobra de bastidores para aprovação de uma anistia aos corruptores e corruptores, a ser votada pelo Congresso Nacional, que detém a prerrogativa constitucional para aprovar esse tipo de benefício a criminosos. Apesar do recesso, o artigo de Béja teve intensa repercussão no meio político e atingiu em cheio o Palácio do Planalto, que vinha conduzindo a articulação sob sigilo absoluto.

A denúncia de Béja está destinada a fazer desmoronar o castelo de cartas que foi montado pelo Planalto para blindar o governo Temer, que tem se sustentado mediante este compromisso velado de aprovar a anistia à corrupção.

ACERTO SUPRARTIDÁRIO – Este pacto político imoral e criminoso começou a ser fechado em novembro de 2016, quando os executivos do Grupo Odebrecht estavam ultimando os termos dos acordos de delação premiada com o Ministério Público.

Na Câmara, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) conduziu pessoalmente as articulações, e a manobra seria iniciada com a aprovação da anistia ao crime de caixa dois eleitoral. Na madrugada de 24 de novembro de 2016, quando seria votado o pacote anticorrupção, Maia se reuniu em seu gabinete com líderes e deputados de vários partidos, para articular a inclusão dessa anistia ao caixa dois.

O ignóbil acordo suprapartidário só não teve a participação de dois partidos, PSOL e Rede. Todas as demais legendas estavam envolvidas na manobra, que acabou sendo abortada devido a uma intensa reação de alguns parlamentares, liderados por Miro Teixeira (Rede-RJ) e Ivan Valente (PSOL-SP).

PARECE LOUCURA – Quando se julgava que o Planalto e o Congresso haviam desistido, vem a denúncia de Jorge Béja, revelando que a estratégia foi modificada. Ao invés de anistiar o caixa dois, a pretensão agora é abranger todos os crimes de corrupção política.

É difícil de imaginar, até parece loucura, mas é verdade. Foi com essa promessa que o presidente Temer conseguiu comprar o silêncio de três políticos que podem destruí-lo – Eduardo Cunha, Rocha Loures e Geddel Vieira Lima. Os três sabem que inevitavelmente serão condenados a penas enormes. Mesmo assim, se recusam a fazer delação premiada. Cunha ainda tentou embromar os procuradores, mas Loures e Geddel, nem isso – vão segurar o rabo de foguete sozinhos. Era muito estranho e inexplicável, não acham? Mas agora está tudo explicado.

O jurista Jorge Béja revelou que o golpe será no final da legislatura de 2018, porque deputados e senadores que não forem reeleitos este ano nada têm a perder ao votar a favor da anistia. E os que se reelegerem nem se importam com o mau conceito que os eleitores deles farão. Afinal de contas, ainda terão mandatos por mais 4 anos (deputados) e 8 anos (senadores) e eles sabem que o povo até se esquece em quem votou.

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P.S.
O jurista Jorge Béja prestou mais um grande serviço à nação, ao revelar a existência deste pacto sinistro, que só poderia ser concretizado sob sigilo absoluto e na calada da noite, a exemplo da tentativa frustrada da anistia ao caixa dois. Mas esta nova manobra criminosa também não se concretizará, porque a denúncia de Béja está circulando em alta velocidade na internet, rasgando a fantasia dessa gente. A partir de agora, se continuarem acreditando nessa anistia, Cunha, Loures e Geddel estarão se portando como psicopatas idiotas, e isto eles não são. Por fim, é bom ter em mente que, se essa anistia acontecer, as Forças Armadas irão intervir e fechar o Congresso, que ninguém tenha a menor dúvida. E as tropas seriam aclamadas nas ruas, suprapartidariamente. (C.N.)

Desembargadores do TRF-4 são discretos e eficientes, nada a ver com o Supremo

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Lula está nas mãos de Gebran, Laus e Paulsen

Carlos Newton

Como todos sabem, já faz tempo que o Supremo Tribunal Federal se desmoralizou perante a opinião pública. Sua derrocada começou quando derrubou o teto constitucional para remunerações no serviço público, uma das normas mais importantes da Constituição de 1988. Ao legislar em causa própria, o Supremo reconheceu o suposto direito de elevar a remuneração  dos três ministros que estivessem atuando simultaneamente no Tribunal Superior Eleitoral. Aberta a porteira, depois começou o festival de reconhecimento de “direitos adquiridos”. E a farra prosseguiu com os penduricalhos salariais — auxílios de alimentação, moradia, creche, educação dos filhos, é um nunca-acabar.

Hoje, reina a esculhambação no Supremo, pois cada uma das turmas resolveu criar sua própria jurisprudência, as partes têm de torcer para o processo cair para um dos relatores que seja da Primeira ou da Segunda Turma, dependendo do tipo de questão. Parece brincadeira, mas é esta a realidade.

FORA DA LEI – Antigamente, os ministros do Supremo obedeciam às leis. Os raros casos de descumprimento eram apenas exceções que confirmavam a regra geral. Agora, reina a insegurança institucional. Há ministros que já não falam apenas nos autos, como Gilmar Mendes, que adora aparecer na mídia e dá pitacos sobre qualquer assunto. Ele jamais respeita as leis que regulam a suspeição, não se envergonha de atuar em julgamentos envolvendo amigos íntimos, como nos processos de Michel Temer.

Os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli comportam-se da mesma maneira, também participam de processos envolvendo réus com os quais têm relações de amizade, íntimos, como o ex-presidente Lula da Silva e José Dirceu, e assim oferecem um tremendo mau exemplo aos demais magistrados das instâncias inferiores.

HÁ EXCEÇÕES – É claro que não se deve generalizar, há exceções no próprio Supremo, com ministros que se declaram suspeitos e obedecem rigorosamente à jusrisprudência e ao interesse públicos, mas são minoria, desgraçadamente. Hoje em dia, o exemplo no Judiciário vem das outras instâncias, especialmente das varas e dos tribunais inferiores, como ocorre na Justiça Federal.

Na quarta-feira, com transmissão direta pela TV (no Youtube, pelo menos, pois até agora nenhuma emissora se interessou), o país poderá assistir ao trabalho de uma pequena turma de magistrados no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que estarão julgando o recurso de Lula para anular a condenação a nove anos e seis meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá. O resultado do julgamento é importantíssimo, porque vai definir se Lula conseguirá participar da eleição.

Os três desembargadores da 8ª Turma (Leandro Paulsen, presidente, João Pedro Gebran Neto, relator e Victor Laus) têm comportamento exemplar. São reservados, só falam nos autos, jamais dão entrevistas, arrancar qualquer declaração deles tornou-se um desafio para os jornalistas. Ninguém jamais conseguiu.

BLEFE DO PT – Na chamada undécima hora, o PT está espalhando nas redes sociais que o resultado do julgamento será 2 a 1 contra Lula, o que permitirá que apresente recursos, concorra à Presidência e volte ao poder. Os petistas asseguram também que, mesmo se for condenado por 3 a 0, o nome de Lula estará na lista dos candidatos, no momento da votação.

É tudo conversa fiada. O retrospecto da 8ª Turma mostra invariáveis 3 a 0 nos julgamentos da Lava Jato, em todos os processos nos quais há provas materiais  que confirmem as delações premiadas.

No caso do tríplex, a minuciosa sentença do juiz Sérgio Moro, em 283 páginas, mostra que as provas são abundantes. Ou seja, Lula será condenado por unanimidade e estará fora da sucessão presidencial. Acredite se quiser, diria o genial jornalista e ilustrador Robert Ripley, falando pela voz sinistra do ator Jack Palance.  E não adianta matar gente…

Relações de Temer e Moreira com o vice-presidente da Caixa incriminam o Planalto

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Carlos Newton

Em matéria de escândalos administrativos, jamais se viu nada igual. O governo de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, que compõem uma gestão tipo 3 em 1, ficará na história como recordista absoluto, colocando no chinelo até mesmo a chamada Era do PT. A cada dia surge uma novidade e as notícias sobre corrupção se tornam tão recorrentes e repetitivas que ninguém mais parece dar importância. O mercado financeiro, por exemplo, continua inteiramente descolado da política. Esta semana, enquanto o Planalto pegava fogo com as novas denúncias sobre o esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal, a Bolsa de Valores batia todos os recordes, ultrapassando 81 mil pontos.

Ambas as notícias — corrupção na Caixa e boom na Bolsa — eram previsíveis. É claro que Temer/Eliseu/Padilha não tinham (nem têm) o menor interesse em estancar a roubalheira na Caixa. Quanto à Bolsa, a alta era esperada, porque as aplicações financeiras estão com rendimento muito baixo e os rentistas sempre correm para as ações.

ENVOLVIMENTO – O fato concreto é que toda a mídia divulgou que uma auditoria feita na Caixa pelo renomado escritório Pinheiro Neto verificou que um clima de corrupção generalizada, constatando que um dos vice-presidentes, Roberto Derziê Sant’Anna, teria repassado a Moreira Franco e ao presidente Temer informações privilegiadas sobre operações do banco, atendendo a pedido deles.

Pateticamente, o Planalto convocou a reportagem da Agência Brasil numa tentativa ridícula de abafar o caso. Como os repórteres são da “casa”, têm de engolir qualquer conversa fiada sem questionar o entrevistado. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, então alegou que sempre manteve uma “relação funcional” com Derziê, um dos quatro vice-presidentes da Caixa Econômica Federal  afastado na terça-feira (dia 16) pelo presidente Michel Temer.

O afastamento foi a contragosto, Temer foi forçado pelo Ministério Público Federal, que lhe lembrou a possibilidade de responder a processo cível de improbidade administrativa, caso insistisse em manter nos cargos os corruptos já identificados.

DIZ MOREIRA – “O que foi levantado, pelo menos que vi no jornal, é que eu teria feito solicitação, essa foi a afirmação, que eu havia feito solicitação ao vice-presidente Derziê. Eu sempre tive com os vice-presidentes uma relação de natureza funcional, qualquer solicitação que eventualmente, qualquer pergunta, qualquer indagação, elas sempre estiveram no âmbito funcional. Eu não tenho por hábito nos lugares públicos que ocupei, que foram vários, eu tenho uma larga e vasta experiência, e toda minha biografia nunca foi manchada por qualquer tipo de atitude que gerasse qualquer vergonha”, disse o ministro.

Para o repórter da Agência Brasil, a situação foi tão constrangedora que ele nem assinou a matéria. Como é público e notório, Moreira Franco é membro do “quadrilhão” do PMDB e teve de se socorrer no foro privilegiado para não cair nas mãos do juiz Sérgio Moro. Sua confiabilidade tem o valor de uma nota de três reais. 

Novo escândalo da Caixa acirra a briga entre Temer e Meirelles pela candidatura

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Temer se desmoraliza e Meirelles não cabe em si

Carlos Newton

Depois das duas decisões da Câmara suspendendo os processos contra o presidente  Michel Temer, ele até pensou que havia escapado incólume e estaria desimpedido para tocar sua campanha pela reeleição, mas estava enganado. Nos bastidores, Temer continuou sendo investigado em diversos inquéritos nos quais está envolvido direta ou indiretamente. O afastamento de quatro dos 12 vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, nesta terça-feira, foi apenas a ponta de um gigantesco iceberg que envolve a corrupção no banco estatal e inevitavelmente vai se chocar contra o sonho da candidatura de Temer. 

Desta vez, tudo começou com a Operação Greenfield, que  investiga desvios em fundos de pensão de bancos e de estatais. A Polícia Federal e o Ministério Público descobriram irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS, vinculado à Caixa, e deflagraram uma segunda operação, batizada de Sépsis, que agora veio a desaguar no Palácio do Planalto.

AFASTAMENTO – Em dezembro, procuradores responsáveis pelas investigações já haviam enviado uma recomendação à Presidência da República e à Caixa, solicitando que todos os 12 vice-presidentes do banco fossem demitidos. 

No último dia 8, a Casa Civil e a presidência da Caixa informaram que rejeitariam a recomendação do Ministério Público Federal. Dois dias depois, porém, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, encaminhou à presidente do Conselho de Administração da Caixa, Ana Paula Vescovi, uma recomendação para que fosse feito o afastamento dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal devido a suspeitas de envolvimento deles em irregularidades investigadas pela força tarefa.

Os procuradores, que já esperavam a resposta negativa de Temer, então tiraram uma carta da manga e encaminharam ao presidente da República um ofício comunicando que ele poderá ser responsabilizado, na esfera cível, por ilícitos cometidos pelos atuais vice-presidentes da Caixa. Temer teve de recuar e mandou afastar quatro vice-presidentes, cujas investigações estão em estágio mais avançado.

MEIRELLES VIBRA – Com sua candidatura atacada implacavelmente pelo Planalto nas últimas semanas, o ministro Henrique Meirelles deu força total à investida do Ministério Público contra Temer. Nesta quarta-feira, fez questão de  desmentir o Planalto, ao anunciar que o afastamento dos quatro vice-presidentes não é temporário, e sim definitivo. 

O ministro da Fazenda afirmou também que os outros vice-presidentes da Caixa Econômica Federal que ainda não foram afastados passarão por uma avaliação do Conselho de Administração da Caixa, que é presidido por Ana Paula Vescovi, atual secretária do Tesouro Nacional e subordinada a Meirelles, que desde o início do governo ganhou carta-branca para comandar toda a equipe econômica.

CACHORRO GRANDE – O embate entre Meirelles e Temer é do tipo briga de cachorro grande. Os dois sabem que só existe espaço para apenas um candidato governista. Estão convictos de que, se os dois disputarem a eleição, vão dividir os votos que supostamente poderiam conduzir um deles ao segundo turno. 

Diante desta realidade, Temer tenta desestabilizar de todas as formas a campanha de Meirelles e agora passou a assediar os pastores evangélicos, aos quais promete distribuir mais concessões municipais de emissoras de TV em UHF.

Num festival de cinismo e hipocrisia, Meirelles não passa recibo, continua se entendendo com as lideranças evangélicas e tenta armar uma coligação que possa ampliar seu espaço na TV. Os dirigentes dos partidos que não terão candidatura própria estão exultantes com a disputa entre Meirelles e Temer, porque a cada dia aumenta o valor do apoio político que as legendas nanicas podem dar. É um leilão ao estilo “Proposta Indecente”, o romance de Jack Engelhard que virou sucesso em Hollywood, com Robert Redford e Demi Moore.

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P.S.É claro que há outros participantes nesse leilão, especialmente Geraldo Alckmin, do PSDB, mas o tucano não tem cacife e vai ser engolido na hora da pergunta fatal: “Quem dá mais?”. O assunto é apaixonante, logo voltaremos a ele. (C.N.)

Candidatura de Lula só terá validade até o dia 12 de setembro. Podem apostar.

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Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Carlos Newton

Como todos sabem, embora não seja feriado nacional, o país praticamente vai parar no dia 24 de janeiro, quando a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) proceder ao julgamento da Apelação do ex-presidente Lula da Silva à condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá. O resultado do julgamento é importantíssimo, porque vai definir se Lula conseguirá participar da eleição presidencial ou não. A grande dúvida é se realmente existem recursos capazes de garantir o registro da candidatura dele, para que possa disputar a eleição, mesmo que seu nome seja incluído na Lei da Ficha Limpa, após a condenação no TRF-4.

Detalhe muito relevante: a 8ª Turma do Tribunal tem se mostrado muito rigorosa nos julgamentos da Lava Jato. Até agora, apenas 5 dos réus do juiz Moro foram absolvidos pelo Tribunal, o equivalente a 11,6% dos réus. Mas isso sempre aconteceu por falta de provas materiais, como no caso de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, absolvido duas vezes porque as acusações foram baseadas apenas em delações premiadas. Quando existem provas materiais, os julgamentos invariavelmente da 8ª Turma acabam em 3 votos a 0. 

CASO VACCARI – Embora ainda haja petistas que acreditam na possibilidade de  Lula ser declarado inocente, como base no que aconteceu com Vaccari, o retrospecto da 8ª Turma mostra o contrário. Quando surgiu um processo em que havia provas materiais contra Vaccari, a 8ª Turma aumentou a condenação dele – era de apenas 10 anos e passou para 24 anos de prisão. O ex-ministro José Dirceu também se deu mal. Estava condenado a 20 anos e 10 meses de prisão, no processo que envolve a empreiteira Engevix, e recentemente a 8ª Turma ampliou a pena para 30 anos, 9 meses e 10 dias.

Devido à abundância de provas no caso do tríplex, apontada na sentença minuciosa de 283 páginas, tudo indica que a condenação de Lula no TRF-4 será igual a de Dirceu (3 votos a zero). Isso significa que só haverá um tipo de recurso (Embargos de Declaração), que no caso não tem efeito modificativo nem suspensivo. E ficará afastada a hipótese de haver Embargos Infringentes, porque só podem ser apresentados quando o acórdão não é unânime.

Mesmo se houver divergência entre os três desembargadores quanto à dosimetria da pena, os Embargos Infringentes não mudam a condenação unânime, isso é conversa fiada dos petistas.

ESTRATÉGIA DO PT – Para tentar bagunçar a eleição, a estratégia do PT será registrar a candidatura de Lula no último dia – 15 de agosto. Com isso, o partido conseguirá que seu suposto candidato até apareça na TV, nos primeiros dias do horário eleitoral, que começa dia 31 de agosto.

Mas acontece que até o dia 12 de setembro, no máximo, a candidatura de Lula estará definitivamente impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral e ele não poderá mais aparecer na TV. Isso significa também que seu nome não constará na urna eletrônica, ao contrário da “fake news” que os petistas estão espalhando.

Só restará o recurso ao Supremo, mas não terá efeito suspensivo. Ou seja, a candidatura continuará impugnada. Como se dizia antigamente, a volta de Lula da Silva ao poder já era…

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P.S. –
O PT pode até ameaçar “matar gente”, como anunciou a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, mas o destino de Lula já está traçado. É claro que haverá uma comoção nacional com a impugnação da candidatura dele, já em plena campanha eleitoral, mas a reação dos petistas e aliados poderá ser tranquilamente dominada pelas forças de segurança. Como dizem os árabes, “Mactub”. Em tradução livre, “Estava escrito”. (C.N.)

Há importantes projetos na Câmara, mas falta vontade política para aprová-los

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Carlos Newton

Além da reforma da Previdência Social, tão badalada pelo governo, existem muitos projetos importantes na Câmara que precisam ser discutidos e colocados em votação, mas falta vontade política. Cabe ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), organizar a pauta dos projetos de lei, medidas provisórias e emendas constitucionais em plenário, assim como zelar pelo bom andamento dos trabalhos. Mas não é isso que se vê. Na verdade, Maia só tem cuidado dos interesses do governo e de seus próprios interesses, sem se preocupar com matérias da maior importância paro o país.

Uma das propostas mais relevantes é a emenda constitucional do senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que determina o fim do foro especial para cerca de 50 mil autoridades públicas, reservando o privilégio apenas para presidentes (e vice) da República, e presidente do Supremo, da Câmara e do Senado, no caso de crimes relacionados ao mandato.

UNANIMIDADE – As restrições ao foro privilegiado proposta já foram aprovadas pelo Senado por unanimidade em 31 de maio de 2017. Na Câmara, a emenda já passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Mas, para avançar, ainda precisa ser analisada por uma comissão especial, já criada pela presidência da Mesa, mas que aguarda a indicação de membros, presidente e relator.

Encerrada esta etapa, a emenda poderá seguir para plenário, mas dificilmente Rodrigo Maia a colocará em votação este ano, apesar de sua invulgar importância. Por mera coincidência, quando a emenda for aprovada, um dos atingidos será justamente seu sogro, o ministro Moreira Franco.

SUPERSALÁRIOS – Outro tema importantíssimo é o projeto de lei que prevê limitação dos salários de agentes públicos, aposentados e estabelecendo um teto remuneratório.

Com parecer da senadora Katia Abreu (sem partido-TO), o Senado aprovou em 13 de dezembro de 2016 três projetos da Comissão Especial do Extrateto para dar fim aos chamados supersalários no serviço público. As propostas seguiram para análise na Câmara dos Deputados, onde aguardaram oito meses até ser escolhido o relator, vejam a falta de seriedade que caracteriza os trabalhos legislativos.

No momento, o projeto de lei 6726/16 aguarda parecer do relator na Comissão Especial antes de ser analisado pelo plenário.

SIMPLIFICAÇÃO – Também está na fila a simplificação tributária, que é apoiada pela equipe econômica do governo. Prevê a extinção e substituição de alguns impostos, a adoção da cobrança eletrônica de tributos e outras alterações no regime de tributação do país. Mas ainda está sendo discutida em comissão da Câmara.

Na mesma situação está a emenda 412/09, que trata da autonomia da Polícia Federal (PF). A proposta permite a edição de lei complementar com normas que garantam a autonomia funcional e administrativa da PF, nos moldes do Ministério Público. A partir dessa possibilidade, a instituição ganharia independência para elaborar sua proposta orçamentária.

Por fim, há projeto que pretende mudar a legislação que trata dos planos de saúde. O relator Rogério Marinho (PSDB-RN) apresentou um novo relatório no fim do ano passado, depois da polêmica em torno da proposta de parcelamento do reajuste das mensalidades dos planos para idosos.

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P.S.  Ao invés de defender os interesses dos usuários, a proposta foi feita sob medida para atender aos planos de saúde, que anualmente ganham reajusta acima da inflação, protegidos pelo governo, que está pouco se importando com os interesses públicos. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)ensionistas,

Almoço com Silvio Santos foi mais um passo de Temer em busca da reeleição

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Os três amigos, unidos pelo “Tudo por Dinheiro”

Carlos Newton

O presidente Michel Temer é como a célebre atriz Zezé Macedo, que só pensava “naquilo”. Ele dorme e acorda sempre sonhando com a reeleição, todos os seus movimentos se dirigem nesta direção. Em outubro, teve um jantar secreto na casa de Roberto Irineu Marinho, e no domingo passado almoçou com Silvio Santos. Entre comes e bebes, o prato do dia sempre é o mesmo – a torneira dos cofres públicos, que continuará aberta para a mídia, desde que ajude a aprovação das reformas e não torpedeie a campanha da reeleição, que já está em curso. Negócio fechado, é claro, tanto com a Globo quanto com o SBT.

Os irmãos Marinho são mais comedidos, tentaram manter o jantar em sigilo absoluto, porém  acabou sendo revelado pela Folha de S. Paulo. Mas o apresentador Silvio Santos é diferente, desde que colocou no ar sua primeira emissora, ele apoia quem estiver no poder, não quer nem saber, porque sempre leva vantagem com isso.

SEM FALÊNCIA – Foi com essa estratégia vitoriosa que Silvio Santos se livrou da falência no governo Lula, quando visitou o presidente no Planalto e o convenceu a evitar que o Banco Central interviesse no Panamericano, braço financeiro do grupo SS.

Neste  produtivo almoço. Silvio Santos imediatamente convidou Temer a participar do seu programa dominical e vai levá-lo de novo ao programa do Ratinho.

Como sempre, o presidente estava acompanhado do ministro Moreira Franco, que controla o caixa publicitário do Planalto tem a atribuição de fazer acordos e distribuir recursos às empresas da mídia. Aliás, desde o jantar com os irmão Marinho, os anúncios estão abundando nas televisões, jornais, revistas e rádios, inclusive em seus sites. Nesta empreitada, o governo usa verbas dos ministérios e até das empresas do Sistema, com Sebrae e Sesc patrocinando programas em diversos canais.

INCRÉDULOS – O mais interessante é que a mídia finge ignorar o empenho de Temer para a reeleição e continua dizendo que ele não será candidato e vai apoiar um concorrente de centro, como Geraldo Alckmin (PSDB) ou Rodrigo Mais (DEM), que nem candidato é.

Segundo o ministro Moreira Franco, em entrevista que deu recentemente ao Globo, Temer vai apoiar um candidato que saia da base aliada e a mantenha unida. “Esse candidato não pode ser imposto, tem que ter a naturalidade da sua capacidade de convencimento, de confiança para que possa representar esse conjunto. Eu creio que há possibilidade de termos candidato”, disse Moreira, traçando um perfil feito sob medida para encaixar Michel Temer, conforme qualquer idiota pode perceber.

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P.S. 1 –
Como Willy Sandoval assinalou outro dia aqui na TI, “infelizmente há uma grande possibilidade dessa candidatura Temer se firmar”. Acredite se quiser, diria o ator Jack Palance.

P.S. 2 – O principal objetivo de Temer agora é destruir a candidatura de Henrique Meirelles e fechar acordo com Maia, que comanda o bloco DEM, Solidariedade e PP. Mas isso custará caro, muito caro, e Meirelles também está neste leilão. (C.N.)

Rocha Loures será o novo Marcos Valério e vai passar muitos anos na cadeia

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A fidelidade a Temer custará muito caro a Loures

Carlos Newton

No primeiro parágrafo de ‘O 18 Brumário de Luis Bonaparte’, o jornalista e historiador Karl Marx lembra que o filósofo alemão Georg Hegel dizia que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetiam duas vezes. Na sequência, Marx então completa o pensamento de Hegel, ao escrever que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Mas na verdade as coisas não são bem assim, No Brasil, por exemplo, a tragédia do publicitário mineiro Marcos Valério está se repetindo com o empresário paranaense Rocha Loures, e desta vez não será como farsa, porque vai ser uma nova tragédia.

Os dois – Valério e Loures – têm pontos em comum, porque ambos são muito ricos e não eram políticos. Em Minas, o publicitário cuidava de sua agência, fazia sucesso em âmbito nacional e a vida lhe sorria. No Paraná, o empresário ajudava o pai a ficar cada vez mais rico e abrir indústria em São Paulo, onde rapidamente se tornou diretor da Fiesp. O erro de Valério e Loures foi o mesmo, ao se envolverem em política.

SEM DELAÇÃO – Confiante no extraordinário poder do PT e na influência de Lula no Judiciário, tendo nomeado vários ministros, inclusive Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão, o publicitário Marcos Valério relutou em fazer delação premiada. Não se abriu e ganhou a maior pena do mensalão – 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, com multa de R$ 3 milhões.

Depois, em 2017, Valério pegou mais 18 anos pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, ao pagar propina a um procurador da Fazenda Nacional para beneficiar os bancos BMG e Rural no conselho que analisa recursos contra punições estipuladas pelo Banco Central.  

Se tivesse feito delação, o publicitário já estaria solto há tempos, poderia nem ter havido a segunda condenação, se ele tivesse incluído os crimes em seus depoimentos. Quando se arrependeu e tentou colaborar com a Justiça, já era tarde demais, até hoje a delação está encruada.

O NOVO VALÉRIO – Ingênuo e inexperiente, Rocha Loures está se tornando o novo Marcos Valério. Foi preso pelo crime da mala da JBS, mas só ficou 57 dias na Papuda. O relator Edson Fachin decidiu libertá-lo, porque a Primeira Turma do Supremo havia soltado a irmã, o primo de Aécio Neves e um assessor do senador Zezé Parella. Foi um erro de Fachin, que não deveria ter se curvado à Primeira Turma, pois os dois casos eram muito diferentes.

Enquanto esteve preso, Rocha Loures se recusou a depor. Mais recentemente, em 24 e 27 de dezembro, enfim prestou depoimentos e surpreendeu a força-tarefa, ao negar ter relação de amizade ou profissional com o presidente Michel Temer, embora tenha trabalhado como assessor dele por três oportunidades – uma vez quando Temer era vice-presidente da República e outras duas vezes já na chefia do governo.

MATERIALIDADE – Se não mudar este depoimento e realmente contar o que sabe, Loures estará liquidado. Vai repetir a trajetória de Marcos Valério e ficar preso indefinidamente. O caso de Loures é gravíssimo. Além de ter sido filmado recebendo a mala da JBS, ele depois devolveu o dinheiro à Justiça e ainda completou os R$ 35 mil que faltavam nos R$ 500 mil, que representavam sua comissão de 7%.

Judicialmente, Loures agiu como um retardado. Ao entregar a mala de dinheiro e depois completar os R$ 500 mil, ele deu materialidade ao crime. É como se tivesse virado “réu confesso”. Não tem condições de negar nada. Seu depoimento significa que agiu sozinho em graves crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, numa situação mais grave do que Marcos Valério.

No caso de Loures, além das filmagens e da mala de dinheiro, há grampos telefônicos e depoimentos de empresários que também o incriminam. Seu advogados não têm a menor chance para absolvê-lo. Está antecipadamente condenado a ser uma nova versão de Marcos Valério.