Plantonista que soltou Lula duas vezes ganha o concurso Piada do Ano

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Favreto ficou felicíssimo ao saber que ganhou a Piada do Ano

Carlos Newton

A concorrência foi absurda. Pelo número de piadas inscritas já se sabia que a decisão seria dificílima. A Comissão Julgadora, depois do exaustivo exame das finalistas, acabou escolhendo a piada criada em conjunto pelos três mosqueteiros do PT, que imitaram o romance de Alexandre Dumas pai, pois na verdade eram quatro – os três deputados federais petistas, que foram os criadores originais da anedota (Paulo Teixeira, Paulo Pimenta e Wadih Damous), e o desembargador federal Rogério Favreto, que entrou no papel de quarto mosqueteiro, com a responsabilidade de apresentar a piada ao respeitável público.

A Comissão Julgadora ficou impressionada com a criatividade dos três parlamentares, que apresentaram o pedido de soltura de Lula justamente no fim de semana em que o plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região era o desembargador Fraveto, um veterano militante petista que trabalhou na Casa Civil na gestão de José Dirceu e usa uma camiseta vermelha por baixo da toga.

AVISAR O CHEFE – Tudo combinado, os três mosqueteiros viajaram para Curitiba no sábado, para comunicar a Lula da Silva que ele seria libertado.  No domingo, às 9 hs da manhã, antes mesmo que Favreto assinasse o Alvará de Soltura, os três entraram na cela de Lula para anunciar que ele estava sendo solto. Lula pulou da cama, tomou uma chuveirada, se vestiu, arrumou a mala e ficou esperando, ansioso, enquanto os três mosqueteiros trocavam telefonemas com o desembargador.

A todo momento, um deles saía da sala e perguntava ao carcereiro: “E aí, já chegou a ordem de soltura?”. E a resposta era sempre a mesma: “Ainda não, deputado”. E essa cena se repetiu até a hora do almoço. O alvará para libertar o ex-presidente não chegava nunca…

LULA NO DESESPERO – Embora a piada fosse da melhor qualidade, Lula não achava nenhuma graça, os três deputados cada vez mais embaraçados, enquanto o quarto mosqueteiro ligava aos gritos para a Superintendência da Polícia Federal, reforçando a ordem de soltura que ninguém cumpria.

Lula acompanhava tudo pela televisão, xingava o juiz Sergio Moro, xingava Favreto, xingava os três deputados, e seu palavrório era espantoso. Essa confusão durou até o final da tarde, quando o presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, enfim suspendeu a liminar aprovada pelo plantonista e a Polícia Federal recebeu a ordem definitiva para manter Lula na cadeia.

Os policiais então pediram que os três mosqueteiros se retirassem, para que o detento pudesse jantar e prosseguir o cumprimento da pena.

SEGUNDO LUGAR – A piada que ficou em segundo lugar este ano foi uma variação da primeira colocada e também teve repercussão nacional. O autor foi o ministro Marco Aurélio de Mello, que no dia 19 de dezembro, de uma penada só, resolveu libertar cerca de 160 mil presos que estão cumprindo pena após condenação em segunda instância, e um dos beneficiados seria justamente… Lula da Silva.

O ex-presidente gostou da piada, é claro, mas desta vez já estava escolado, nem se deu ao trabalho de se arrumar e fazer a mala. Ficou acompanhando pela televisão, torcendo como se estivesse na Copa do Mundo, e entrou em desespero quando Dias Toffoli, no início da noite, cancelou a liminar de Marco Aurélio. E a piada se tornou mais uma decepção para o ex-presidente, porque Toffoli era seu grande amigo e o traiu na hora da verdade.

TERCEIRO LUGAR – Na dúvida, a Comissão Julgadora decidiu dividir o prêmio de terceiro para três piadas realmente sensacionais – “TSE diz que urna eletrônica brasileira é perfeita e imune a hackers”; “Propinas a Aécio e Perrela entregues em caixas de sabão… em pó”; e “Pesquisa da CUT desmente todas as outras e elege Lula no 1º turno”.

Também foram muito votadas as seguintes Piadas do Ano: “PT lança candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz 2019”; Rocha Loures diz que não sabia que havia dinheiro na mala…”; “Fiz uso de caixa 2, mas não agi como corrupto”, alega Sérgio Cabral”; e “Vox Populi diz que Haddad já está encostando em Bolsonaro”.

E agora já estão abertas as inscrições para a Piada de 2019.

Conheça as inacreditáveis finalistas do Concurso Piada do Ano de 2018

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Candidatura de Lula ao Nobel tornou-se piada internacional

Carlos Newton

Não dá mais tempo, o ano de 2018 está terminando e a Comissão Julgadora, reunida neste sábado no Centro Cultural do restaurante Paz e Amor, em Ipanema, em meio a poucos comes e muitos bebes, começou a julgar a escolha da Piada do Ano. A última inscrição aceita, na chamada undécima hora, foi a decisão do ministro Raul Julgmann de determinar por decreto a redução do número de homicídios no país, uma piada jurídico-administrativa do maior nível.

Foi impressionante o grau de dificuldade para selecionar as finalistas entre as milhares de piadas inscritas. Exaustos, quase levados à loucura, os jurados já não sabiam mais o que beber ou comer para ganhar inspiração.

ALTA CRIATIVIDADE – Realmente, o elevado nível das anedotas concorrentes mostra a esplendorosa criatividade dos políticos e autoridades do país, que sabem acumular dívidas públicas e piadas impagáveis. Vejam algumas das finalistas:

Deputado petista diz que nova Constituição de Cuba reconhecerá propriedade privada”; “PT vai recorrer à Justiça para que Lula dê entrevistas na cadeia”; “Fachin diz que divergências na Segunda Turma são naturais”; “Câmara já tem mais de mil projetos em regime de urgência…”; “Temer diz que, assim como o técnico Tite, também vai se levantar”; “Irmão de Geddel pede à Câmara nova perícia nos R$ 51 milhões”.

Outras consideradas finalistas de altíssimo nível: “Lentidão do Supremo é culpa da PF e do Ministério Público…”; “Meirelles diz que não é candidato do governo nem do mercado…”; “Jair Bolsonaro agora diz que nunca defendeu intervenção militar”; “No plantão de domingo, Lula é solto duas vezes, mas fica preso”; “TSE diz que urna eletrônica brasileira é perfeita e imune a hackers”.

FORTES CONCORRENTES – Estão na disputa muitas outras concorrentes que merecem o troféu: “Pesquisa da CUT desmente todas as outras e elege Lula no 1º turno”; “PT vai pedir permissão para Lula gravar na prisão os vídeos de campanha”; “Marco Aurélio manda soltar todos os condenados em segunda instância”; “PT lança candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz 2019”; “Temer diz que só levará mágoa pelos ataques morais”; “Negociar a rendição de Battisti com a defesa dele mais parece uma Piada do Ano”.

Também se destacaram entre as finalistas as seguintes piada: “Toffoli solta Dirceu com habeas corpus que a defesa nem pediu”; “Temer diz que não se preocupa com processos e inquéritos”; “Propinas a Aécio e Perrela entregues em caixas de sabão… em pó”; “Lula depõe e diz que vai provar que o sítio de Atibaia não é dele”; “Rocha Loures diz que não sabia que havia dinheiro na mala…”; “Stedile quer retomar trabalho de base e sonha em libertar Lula”; “Temer sai da toca e se oferece para reformar a Previdência”; “Gleisi afirma que Haddad vai ganhar a eleição e libertar Lula”; “Vox Populi diz que Haddad já está encostando em Bolsonaro”.

PIADAS A MANCHEIAS – Os jurados disseram que a criatividade dos piadista merece um estudo acadêmico em termos sociais, políticos e patológicos. Vejam mais algumas finalistas: “Interventor militar devolve recursos que deveria utilizar contra o crime…”; “Haddad defende punição de petistas que enriquecem na política”; “Haddad ainda nem foi eleito e Gleisi já fala em indulto a Lula”; General Augusto Heleno culpa mídia por atentado a Bolsonaro”; “Haddad se lança candidato culpando “as zelites” do país”; Alckmin faz ofensiva para passar a ser o “candidato dos pobres”; “Haddad minimiza o papel de Lula em sua subida nas pesquisas”. “Dilma quer ser eleita para vai retomar seu veio humorístico”.

E as outras finalistas, também com muitas chances, são as seguintes: “Advogado insiste que a ordem da ONU para soltar Lula tem que ser cumprida”; “Meirelles ainda pensa que sua candidatura é apoiada por Temer”; “Fiz uso de caixa 2, mas não agi como corrupto”, alega Sérgio Cabral”; Toffoli quer acabar com os feriados exclusivos do Judiciário”; “Centrão vai mudar porque terei rigor ético, afirma Alckmin”; “Filha de Jefferson alega que PTB é alvo de perseguição judicial”; “Na cadeia, Lula ‘escreveu’ artigo para o Correio Braziliense”; “Maia anuncia que ‘desistiu’ da Presidência para apoiar Alckmin”; “Grupo de advogados pede a prisão de Moro e do diretor da PF”.

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P. S.
Na última hora, tentaram inscrever a piada de que “Objetivo de Netanyahu no Brasil é festejar o Réveillon em Copacabana e pedir forças a Yemanjá”, mas a inscrição não foi aceita, porque se trata de um segredo de Estado e é melhor deixar Bolsonaro pensar que o líder israelense veio realmente assistir à sua chatíssima posse em Brasília. Além disso, os jurados do concurso Piada do Ano ficaram com meio de represálias do Mossad, o temido serviço secreto de Israel. (C.N.)

Antes de assumir, Bolsonaro já mostra que pode fazer um grande governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O presidente eleito Jair Bolsonaro terá muitas dificuldades para governar, não somente devido à gravidade da crise econômica, mas também com as suspeitas sobre cobrança de “pedágio” a funcionários dos gabinetes parlamentares da família. O problema pode engrossar para seu filho Flávio, ao ser aprofundado o exame dos extratos bancários do ex-assessor Fabricio Queiroz, mas só atingirá de raspão o próprio Jair Bolsonaro. O futuro presidente sabe que pode ficar tranquilo, porque durante o mandato não poderá ser processado por ilegalidades cometidas antes de assumir o cargo.

O mais importante de tudo isso é que Bolsonaro pai deu mostras de que pode realmente fazer um grande governo, porque sabe recuar quando está errado, uma característica altamente positiva e raramente vista no Brasil.

CASO DA EMBAIXADA – Em entrevista ao pastor Silas Daniel, exibida neste sábado, Bolsonaro admitiu que há ameaças de boicote econômico ao Brasil, caso o governo decida transferir para Jerusalém a embaixada do país em Israel.

Conversei com o embaixador de Israel sobre isso. Conversei com o Ernesto Araújo [futuro ministro das Relações Exteriores]. Alguns países estão realmente ameaçando boicote à nossa economia caso isso [mudança da embaixada] se concretize. E nós estamos conversando a melhor maneira de decidir essa questão“, afirmou Bolsonaro na entrevista.

Em tradução simultânea, isso significa que será colocada uma pedra em cima do assunto, até porque o vice-presidente Hamilton Mourão já tinha reconhecido a procedência da informação da “Tribuna da Internet” sobre a possibilidade de o Brasil entrar na rota do terrorismo islâmico, que seria uma consequência adicional.

UM SR. PRESIDENTE – Com essas declarações, Bolsonaro mostra que será um governante que sabe recuar quando está equivocado. Parece ter aprendido que, na diplomacia, o Brasil não tem de ser amigo ou inimigo de nenhuma nação. A posição certa é se relacionar com todas elas, respeitar suas soberanias e tirar o maior proveito possível dessas relações internacionais.

Ao mesmo tempo, ao anunciar o decreto que facilitará a compra e posse de arma, Bolsonaro demonstra ser um presidente que cumpre os compromissos assumidos com os eleitores.

Espera-se que continue a agir realmente assim e determine a realização de auditorias na dívida pública e na Previdência Social, sabendo reconhecer e evitar o erro que o futuro ministro Paulo Guedes ameaça cometer, ao anunciar que isentará os empresários de contribuírem com o INSS, justamente uma parcela que constitui uma das maiores receitas previdenciárias.

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P.S. 1 –
Da mesma forma, Bolsonaro precisa exigir que Guedes promova o fim da “pejotização”, colocando na ilegalidade a conhecida prática de transformar empregado em pessoa jurídica, para sonegar INSS, FGTS e Imposto de Renda. Essa jogada sempre foi ilegal, mas de uns tempos para cá a Justiça Trabalhista passou a considerar como uma prática legal e regular. Na verdade, é preciso vedar todos os buracos por onde escoa a receita da Previdência e do governo, e a “pejotização” é um dos maiores rombos.

P.S. 2 – E que ninguém estranhe esses elogios a Bolsonaro aqui na “Tribuna da Internet”. Como dizia Carlos Imperial, “sem liberdade para elogiar, nenhuma crítica pode ser considerada válida”. (C.N.)

“Legado” da intervenção no Rio é uma falácia, pois os tiroteios cresceram 57%

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Militares ajudaram, tiveram até baixas, mas nada mudou

Carlos Newton

A intervenção federal chega ao fim, fazendo um avaliação altamente positiva e alardeando ter deixado um “legado”.  Dez meses e meio depois de decretada, o principal resultado é a redução de crimes como o homicídio doloso e o roubo de cargas, segundo o interventor, general Braga Netto. Acontece, porém,  que a redução dos assassinatos é fenômeno é nacional, não está ocorrendo apenas no Rio de Janeiro, mas no país como um todo, e não se pode atribuí-lo exclusivamente à intervenção militar.

Segundo os levantamentos do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Candido Mendes e do Observatório da Intervenção (OI), o Rio de Janeiro viu o número de tiroteios nas comunidades crescer 57% desde fevereiro de 2018, sob gestão federal na área da segurança pública.

MODELO BÉLICO – A coordenadora do Cesec, cientista social Silvia Ramos, afirmou a Simone Kafruni, do Correio Braziliense, que a intervenção militar errou ao aprofundar o combate armado às quadrilhas do tráfico, com operações, tiroteios, equipamentos de guerra. “O Rio já conhecia esse modelo bélico. Nós achamos que a criminalidade precisa ser resolvida com inteligência, investigação e operações que preservem a vida dos moradores e dos próprios policiais”, disse.

Também entrevistado pelo Correio Braziliense, o coronel Robson Rodrigues da Silva, da reserva da PM estadual, disse que a ação foi muito mais política do que técnica.

“Nossos prognósticos se confirmaram, de que a intervenção dificilmente reverteria o problema da violência no Rio de Janeiro. Apesar de toda a autopromoção, os números são muito pífios para a emergência que a medida justificaria”, opinou. “A população não sentiu grande diferença”, acrescentou.

COMPRAS DE ARMAS – O pior resultado da intervenção militar foi não ter usado o orçamento de R$ 1,2 bilhão. Até esta quinta-feira, dia 27, somente R$ 890 milhões (74%) tinham sido empenhados em compra de viaturas, armas, equipamentos e outros gastos. Faltava empenhar R$ 310 milhões. Se não forem usados até a noite de sábado, estes recursos serão devolvidos, vejam a que ponto de incompetência chegamos.

Parece incrível, mas os interventores militares usaram a maior parte da verba de R$ 1,2 bilhão para reforçar as unidades locais do Exército. A PM, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros receberam a destinação de apenas um terço dos recursos para aquisição de armas, veículos e equipamentos, invertendo completamente os objetivos da intervenção, acredite se quiser.

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P.S.
E o mais curioso foi o general Braga Netto ter culpado o governo estadual pelas falhas nas licitações, esquecido de que o responsável pela feitura dos empenhos era ele mesmo, na condição de Interventor. Poderia ser Piada do Ano, mas não tem a menor graça. (C.N.)

Bolsonaro precisa fazer auditorias na dívida pública e na Previdência Social

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Apesar de toda a crise da imprensa, o grupo Estadão ainda mantém os melhores serviços de agências de notícias no país, com o Broadcast, a Agência Estado e o Estadão Conteúdo. A independência é de tal ordem que muitas vezes os assinantes recebem importantes informações antes mesmo do site do principal veículo do grupo, o jornal Estado de S. Paulo. Nesta sexta-feira, por exemplo, o Estadão Conteúdo revelou que o presidente eleito Jair Bolsonaro vai promover uma revisão geral nos atos praticados pelo governo de seu antecessor Michel Temer, nos últimos dois meses do mandato.

O objetivo é verificar se as medidas tomadas por Temer estão de acordo com os compromissos do governo Bolsonaro. A ação consta como uma das prioritárias em um documento divulgado nesta quinta-feira pelo gabinete de transição, assinado pelo futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

MANUAL DOS MINISTROS – Numa reunião do futuro ministério, Onyx Lorenzoni distribuiu o plano intitulado “Agenda de Governo e Governança Pública”. “Nos primeiros dez dias, cada ministério deverá elencar as políticas prioritárias dentro de sua área de atuação – incluindo a revisão de atos normativos legais ou infralegais publicados nos últimos 60 dias do mandato anterior, para avaliação de aderência aos compromissos da nova gestão”, diz trecho do plano do governo Bolsonaro.

A preocupação é absolutamente válida, porque não se pode confiar numa equipe liderada por Michel Temer, já denunciado três vezes pela Procuradoria-Geral da República. O governo Bolsonaro está certíssimo e deve ser apoiado nessa iniciativa, com louvor. Ao mesmo tempo, porém, seu posicionamento deixa no ar uma grande dúvida.

PERGUNTA-SE – Se o governo Bolsonaro demonstra tamanha preocupação com os atos se seu antecessor, porque então não promove auditorias na Previdência Social e na dívida pública, que chegou aos R$ 3,8 trilhões e já ultrapassa o Orçamento da União?

Como se dizia antigamente, é uma pergunta que não quer calar, porque está em jogo o presente e o futuro dos brasileiros. O Equador convocou a auditora brasileira Maria Lucia Fatorelli e outros especialistas, refez as contas e sua dívida diminuiu 70%. Parafraseando o ex-ministro Juracy Magalhães, o que é bom para o Equador pode ser bom para o Brasil.

Se a dívida diminuir, sobrarão recursos para investimentos e o país poderá buscar a retomada socioeconômica. Mas quem se interessa?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O que pensam disso os militares que assessoram Bolsonaro? Sua omissão é um sinal dos tempos. Com certeza, já não se fazem militares como antigamente. Ou, então, o interesse nacional está “démodé” e até os milicos acham que defender o país é brega e cafona. (C.N.)

Guedes faz um papel tão deprimente quanto o do ex-assessor Queiroz

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Guedes pode levar Bolsonaro a cometer erros graves

Carlos Newton

Para quem ainda tem convicção de que o Brasil pode se transforma em um dos países mais prósperos, sempre que muda o governo essa esperança renasce. Foi assim no regime militar, a cada troca de guarda a gente achava que as coisas enfim iam se ajeitar. Depois, com Tancredo Neves, José Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, cada um deles trazia uma esperança diferente, até que tudo de desvanecesse e as pessoas caíssem na real.

A imensa maioria da população não sabe de nada, é formada pelos chamados “inocentes úteis” (ou “inúteis”, depende do ponto de vista), poucos os que estão cientes do potencial do Brasil e das amarras que impedem seu desenvolvimento.

NOVA ESPERANÇA – Com a chegada de Bolsonaro ao poder, renova-se a esperança, apesar de seus três filhos trapalhões e dos erros cometidos no passado pelo próprio presidente eleito. Como se sabe, o mundo pode acabar daqui a dois mil anos e até lá o caso do cheque da primeira-dama não terá sido convenientemente explicado.

Na véspera de Natal, os sites e portais publicaram as imagens de Bolsonaro lavando as próprias roupas, como se fosse um parlamentar sueco. As fotos foram feitas de longe, ao que parece ele nem sabia que estava sendo flagrado nessa prosaica atividade.

O Brasil precisa ser governado por pessoas simples. Com o passar do tempo, os políticos, magistrados e servidores de alto nível perderam a simplicidade, passaram a se julgar cidadãos de primeira classe, vivendo uma ilusão que não se coaduna com a realidade do país.

UM BOM GOVERNO – Como todo presidente que começa o mandato, Bolsonaro pode fazer um bom governo, mas é uma pena que não esteja totalmente cercado de brasileiros que se interessem pelos principais problemas do país. Infelizmente, deixou os militares em atividades burocráticas e entregou as posições decisórias a figuras do mercado. Foi um erro absurdo. Quem é do mercado não defende os interesses nacionais. Desde o governo FHC, é o mercado que comanda o país, e essa experiência não tem dado certo.

É uma pena que Bolsonaro não entenda de economia. Mas já deveria ter percebido que desde FHC o país é comandado pelo mercado financeiro, altamente deletério, porque nada produz, não gera empregos nem distribui riquezas, opera no Brasil num capitalismo sem risco, nenhum banco vai a falência. Aliás, sempre que isso ameaça acontecer, o governo corre e assume a dívida, como aconteceu no Proer de FHC e no caso do Banco PanAmericano de Lula.

FALTAM AUDITORIAS – A contabilidade oficial do governo é uma caixa preta, cheia de brechas e esconderijos, Dilma Rousseff só foi apanhada porque deu muita bobeira na maquiagem econômica. Bolsonaro (ou qualquer presidente bem-intencionado) deveria promover auditorias da dívida pública e da Previdência.

Nessa fase de transição, Paulo Guedes já demonstrou seu despreparo. Ao anunciar que pretende desonerar os empregadores de pagar o INSS, demonstrou não perceber que a decisão significa extinguir a Previdência Social. Será que Bolsonaro e os militares realmente pretendem inviabilizar a Previdência, ounão os representa?

Acusado de dar um brutal prejuízo aos fundos de pensão, o futuro ministro da Economia fica driblando a força-tarefa da Lava Jato, para não prestar depoimento. Quem pode confiar numa pessoa que age dessa forma?

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P.S. 1 – A meu ver, Paulo Guedes é muito mais perigoso do que o ex-assessor Fabricio Queiroz, que reapareceu para dar uma entrevista-vôlei (a entrevistadora do SBT levantava e ele cortava…), mas o resultado foi patético. Seria melhor ficar sumido, para não atrapalhar a posse da família imperial, digo, presidencial.

P.S. 2 – Bolsonaro precisa estar atento às artimanhas de Guedes. Tem de confiar desconfiando. Se der corda a Guedes, o ministro da Economia vai entregar a gestão aos banqueiros, os verdadeiros príncipes-regentes do Mercado brasileiro.   

P.S. 3 – Os militares que integram o governo não podem se omitir. Precisam orientar Bolsonaro a não se deixar iludir por maus brasileiros que o cercam, especialmente Guedes e o futuro chanceler Ernesto Araújo, que não estão à altura do grau de responsabilidade de seus cargos. (C.N.)

Ciência comprova que o cérebro “registra” quando o médium está em transe

Chico Xavier foi um dos maiores psicógrafos do mundo

Carlos Newton

A pedido dos comentaristas Sebastião Barros e Haley Dias Galeotti, vamos publicar hoje mais um artigo sobre religião. Começo lembrando uma longa entrevista que fiz com Domingos de Oliveira, na década de 80, quando ele estava dirigindo uma peça no Rio e a conversa acabou derivando para ciência e religião. O artigo que publiquei a respeito na Ultima Hora, sobre a conclusão a que chegamos. teve o título “A ciência tem um encontro marcado com a religião”.

Tantos anos depois, continuo tendo esta certeza. Acredito que os fenômenos mentais e espirituais, tipo mediunidade, visões, curas, telepatia, previsões, materializações etc., tudo isso acabará sendo explicado pela ciência.

IMPORTANTE PESQUISA – Em 17 de novembro de 2012, tive confirmação através dos resultados de uma interessante, instigante e impactante pesquisa conjunta de cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA.

Reportagem do site G1 revelou que eles mediram as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros enquanto faziam psicografia, ou seja, enquanto, segundo acredita-se, um espírito a eles “incorporado” supostamente escrevia um texto usando suas mãos.

A equipe liderada por Julio Peres, do Instituto de Psiquiatria da USP, usou voluntários que têm entre 15 e 47 anos de experiência em psicografia. Eles foram divididos em dois grupos – mais e menos experientes. E foram comparados os resultados da ação de psicografar com a atividade cerebral enquanto redigiam um texto fora do estado de transe, isto é, de “próprio punho”.

MEDINDO O CÉREBRO – Para verificar a atividade cerebral dos dez médiuns, os cientistas injetaram neles um marcador radioativo que permite checar a intensidade dos fluxos sanguíneos em diferentes áreas do cérebro por meio de tomografia. E o resultado foi surpreendente:

“Os autores afirmam que os médiuns experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade durante a psicografia, em comparação à escrita normal, justamente em áreas frontais do cérebro associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas. De acordo com os cientistas, isso pode refletir a ausência de consciência durante a psicografia”, diz a matéria.

OUTRO GRUPO – “Os psicógrafos menos experientes, por sua vez, tiveram atividade mais intensa nessas mesmas áreas enquanto psicografavam, ainda que também inferior à registrada durante a escrita fora de transe. Segundo os pesquisadores, esse fato poderia estar relacionado com uma tentativa ‘mais esforçada’ dos médiuns menos experientes de fazer incorporação e a psicografia.

De acordo com o cientista Julio Peres, não há ainda uma explicação exata para esses resultados e mais estudos são necessários. A meu, o indicativo da pesquisa já é sensacional, porque mostra a medição do cérebro em transe.

Não há dúvida de que a pesquisa é importante para os estudos da chamada Ciência Noética, que estuda fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida, a partir do ponto de vista científico. Neste particular, as experiências de psicografia são notáveis.

ANTES DE CRISTO – A Noética não é nenhuma novidade. Pelo contrário, já era estudada por Sócrates, que nasceu 469 anos antes de Cristo. São extraordinárias as reflexões do filósofo grego sobre a existência da alma. Ele não escreveu uma só linha, mas seus discípulos Platão e Xenofonte copiosamente o fizeram. Através de seus relatos, podemos saber que muitos textos sobre a alma, existentes na Bíblia, na verdade são compilações dos ensinamentos de Sócrates, até porque o Livro Sagrado não deixa de ser uma síntese do conhecimento que se tinha à época.

O Brasil é um país riquíssimo em fenômenos paranormais. Há um livro impressionante escrito sobre Chico Xavier pelo jornalista Marcel Souto Maior (“Sob o Véu de Isis”), um texto primoroso, que merece constar em toda biblioteca.  Marcel, que se declara ateu, aos 9 anos de idade já era uma poeta de primeira, podendo ele próprio ser um psicógrafo, sem saber.

REENCARNAÇÃO – Outros fenômenos interessantíssimos são a reencarnação e o “dejá vu”. Há um caso extraordinário, de uma jovem americana que lembrava ter vivido na Irlanda, onde teve vários filhos.  Sabia os nomes deles, suas peripécias de infância, recordava tudo, uma coisa impressionante.

Intrigada, resolveu pesquisar e descobriu que seus supostos filhos estavam vivos e ainda moravam no interior da Irlanda. Conseguiu o endereço e se comunicou com eles por carta. Foi ridicularizada, é claro. Mas não teve dúvidas. Pegou um avião e viajou para lá, onde se defrontou com os filhos (bem mais velhos do que ela), relatou tudo que se lembrava sobre a infância deles, contou detalhes sobre a vida de cada um, todos caíram no choro e enfim os convenceu.

Essa história, é claro, ficou famosa e acabou virando um emocionante filme em Hollywood, “Yesterday’s Children ” (“Minha Vida na Outra Vida”), dirigido por Marcus Cole, com Jane Seymour no papel principal. Mas a maioria dos espectadores julga que se trate de obra de ficção.

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P.S.
Como dizia Shakespeare, entre o céu e a terra há mais coisa do que sonha nossa vã filosofia. Mas uma belo dia chegaremos a uma fase em que a ciência vai explicar a religião, especialmente os fenômenos do espiritismo. O assunto é desafiante, logo voltaremos a falar disso. (C.N.)

“Só sei que nada sei” – a frase de Sócrates até hoje continua valendo

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Já falamos aqui sobre oito dos avatares que criaram as principais religiões, com doutrinas muito semelhantes e praticamente os mesmos ensinamentos – Krishna, Lao Tsé, Moisés, Buda, Confúcio, Sócrates, Jesus Cristo e Maomé. Entre esses oito doutrinadores,  os registros mais precisos que existem são de Sócrates, embora ele tenha nascido muito antes de Jesus (400 anos a.C.) e Maomé (571 anos d.C.).

Esse legado do pensador grego nos foi transmitido por dois de seus discípulos em Atenas: Platão e Xenofonte. Seus  ensinamentos  ministrados quatro séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, perduram até hoje e influenciam não somente o Cristianismo, em suas diferentes segmentações, mas também outras religiões, como o Espiritismo, que nitidamente é baseado nos pensamentos do mestre ateniense.

CORPO E ALMA – Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, o doutrinador Allan Kardec destacou que as bases do Cristianismo foram pressentidas “muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão”.

Kardec analisou em profundidade os ensinamentos dos mestres gregos em relação à espiritualidade, mostrando que antes de Sócrates e Platão, grandes pensadores já haviam concluído haver uma nítida separação entre corpo e alma (espírito). Muitas religiões acreditavam em reencarnação, outras pregavam a transmigração das almas ou metempsicose, segundo a qual o homem poderia reencarnar também em animais.

VIDA E MORTE – Sócrates tinha dúvidas. Aos juízes que o condenaram à morte, disse ele: “De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta, ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extinguir-se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para o lugar onde os mortos têm de se reunir, que felicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos! O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir lá, como aqui, os que são dignos e os que se julgam tais e não o são. Mas é tempo de nos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes”.

DIÁLOGOS – Na prisão, em diálogos com os discípulos, dizia Sócrates: “O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregado de crimes”. E acrescentou:

“Vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólux, nem Górgias, podereis provar que devamos levar outra vida que nos seja útil quando estejamos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber do que cometer uma injustiça e que, acima de tudo, devemos cuidar, não de parecer, mas de ser homem de bem”.

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P.S.
– Passados quase 2,5 mil anos, a humanidade continua com as mesmas dúvidas que atormentavam Sócrates e seus discípulos, a respeito da existência de Deus e da possibilidade de reencarnação. Na verdade, só sabemos que nada sabemos, podemos assim dizer, parafraseando o mais famoso ensinamento do grande mestre ateniense. (C.N.)

As coincidências entre as aulas de Sócrates e as doutrinas de Cristo

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No artigo de ontem, fizemos algumas reflexões sobre os oito grandes avatares que criaram as principais religiões da atualidade, com doutrinas muito semelhantes e praticamente os mesmos ensinamentos, na idêntica tentativa de melhorar a vida de todos e de criar relações sociais mais justas e humanas, numa impressionante coincidência de propósitos e princípios filosóficos pregados por Krishna, Lao Tse, Moisés, Buda, Confúcio, Sócrates, Jesus Cristo e Maomé.

Incluímos Sócrates entre eles, porque em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o doutrinador francês Allan Kardec afirmou que a doutrina cristã “foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão”. Essa questão realmente é fora de dúvida, diante dos registros feitos por dois discípulos, Platão e Xenofonte, a respeito da religiosidade e da espiritualidade de Sócrates.

SÓCRATES E DEUS – Em sua magnífica obra, Kardec resumiu os pontos de maior relevo do pensamento socrático, para mostrar que foram absorvidos pelo Cristianismo e depois pelo Espiritismo os princípios difundidos pelo filósofo ateniense 400 anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

Em verdade, Sócrates era religioso, combatia o paganismo e o politeísmo. Além disso, acreditava no juízo final, conforme Xenofonte registrou na obra “Memoráveis”, ao reproduzir a seguinte frase do filósofo grego, quando condenado à morte: “Mas eis a hora de partimos, eu para morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto Deus”.

“Se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã, em seus escritos também se encontram os princípios fundamentais do Espiritismo”, escreveu Kardec, que citou em seu “Evangelho” os ensinamentos de Sócrates que Platão registrou em suas obras, especialmente em “Fédon” e “Apologia”, além de algumas outras citações feitas por Xenofonte.

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CONFIRA A DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO

Eis parte do resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, na visão de Allan Kardec, pseudônimo do educador, escritor e tradutor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804/1869) que se notabilizou como codificador do Espiritismo (neologismo por ele criado), também denominado de Doutrina Espírita.

I. O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, a alma existia unida aos tipos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de voltar a ele.

Segundo Kardec, nesse pensamento de Sócrates se desenha a base da crença na preexistência da alma, assim como o germe da chamada doutrina dos Anjos Caídos, no Cristianismo.

II. A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro, eterno, imortal, e, sendo ela desta natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto passa. Cessam então os seus transviamentos, pois está unida ao que é imutável, e a esse estado da alma é que se chama sabedoria.

Assim, como ensina o Espiritismo, dizia Kardec que Sócrates já destacava que, para se ter a posse da verdadeira sabedoria, seria preciso isolar do corpo a alma, para conseguir enxergar com os olhos do Espírito.

III. Enquanto tivermos o corpo e a alma mergulhados nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos suscita mil obstáculos pela necessidade de cuidar dele. Ademais, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que pode se tornar impossível sermos ajuizados, sequer por um instante. Mas, se não nos é possível conhecer puramente coisa alguma, enquanto a alma está ligada ao corpo, de duas uma: ou jamais conheceremos a verdade, ou só a conheceremos após a morte. Libertos da loucura do corpo, então conversaremos – lícito é esperá-lo – com homens igualmente libertos e conheceremos, por nós mesmos, a essência das coisas. Essa a razão por que os verdadeiros filósofos aceitam morrer, pois a morte não se lhes afigura, de modo nenhum, temível.

Ainda segundo Kardec, este ensinamento de Sócrates traça o princípio das faculdades da alma que são obscurecidas pelos anseios do corpo, com a expansão dessas faculdades depois da morte.

IV. A alma impura, nesse estado, se encontra oprimida e se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Erra, então, diz-se, em torno dos monumentos e dos túmulos, junto aos quais já se têm visto tenebrosos fantasmas, quais devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estarem ainda inteiramente puras, que ainda conservam alguma coisa da forma material, o que faz que a vista humana possa percebê-las. Não são as almas dos bons; porém, as dos maus, que se veem forçadas a vagar por esses lugares, onde arrastam consigo a pena do primeira vida que tiveram e onde continuam a vagar até que os apetites inerentes à forma material de que se revestiram as reconduzam a um corpo. Então, sem dúvida, retomam os mesmos costumes que durante a primeira vida constituíam objeto de suas predileções.

Dizia Kardec que não somente o princípio da reencarnação se acha claramente expresso neste pensamento de Sócrates, mas também o estado das almas que se mantêm sob o jugo da matéria é descrito tal qual o mostra o Espiritismo nas evocações.

V. Após a nossa morte, o daimon (espírito), que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que têm de ser conduzidas ao Hades, para serem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos.

Na visão de Kardec, eis a doutrina dos Anjos Guardiães, ou Espíritos Protetores, e das reencarnações sucessivas, em seguida a intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI. Os daimons ocupam o espaço que separa o céu da Terra; constituem o laço que une o Grande Todo a si mesmo. Não entrando nunca a divindade em comunicação direta com o homem, é por intermédio dos daimons que os deuses entram em contato e se entretêm com ele, quer durante a vigília, quer durante o sono.

Explicava Kardec que a palavra daimon, usada por Sócrates e da qual derivou o termo demônio, não designava exclusivamente seres malfazejos, mas todos os Espíritos, em geral, dentre os quais se destacavam os Espíritos superiores, chamados deuses, e os menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicavam diretamente com os homens.

“Também o Espiritismo diz que os Espíritos povoam o espaço; que Deus só se comunica com os homens por intermédio dos Espíritos puros, que são os incumbidos de lhe transmitir as vontades; que os Espíritos se comunicam com eles durante a vigília e durante o sono. Ao invés da palavra demônio, se usarmos a palavra Espírito, teremos a doutrina espírita; se usarmos a palavra Anjo, teremos a doutrina cristã”, dizia Kardec.

VII. Se a alma é imaterial, tem de passar, após essa vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, do mesmo modo que o corpo, decompondo-se, volta à matéria. Muito importa, no entanto, distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimente, como Deus, de ciência e pensamentos, da alma mais ou menos maculada de impurezas materiais, que a impedem de elevar-se para o divino e a retêm nos lugares da sua estada na Terra.

“Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização das almas. Insistiam na diversidade de situações que resulta para elas da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam, por intuição, o Espiritismo agora o prova”, assinalava Kardec.

VIII. Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo.

Para Kardec, essa citação de Sócrates equivale a dizer que o somente o homem que se despojou dos vícios e se enriqueceu de virtudes, pode esperar com tranquilidade o despertar na outra vida, como pregam o Cristianismo e o Espiritismo.

IX. O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cuidados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se o mesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda, evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e as marcas que lhe deixaram todos os atos de sua visa. Assim, a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para o outro mundo com a alma carregada de crimes.

“Deparamos aqui com outro ponto capital, confirmado hoje pela experiência – o de que a alma não depurada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que teve na Terra. Não é inteiramente cristã esta máxima: Mais vale receber do que cometer uma injustiça?”, escreveu Kardec, sobre este pensamento de Sócrates.

E na introdução de sua principal obra, Allan Kardec segue analisando muitos outros pensamentos de Sócrates que inspiraram o Cristianismo e o Espiritismo.

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P.S.
O assunto é verdadeiramente intrigante. Amanhã voltaremos a ele, falando um pouco mais sobre os pensamentos de Sócrates acerca da reencarnação, tese adotada pelos espíritas e diversas religiões. (C.N.)

Às vésperas do Natal, reflexões sobre os grandes líderes religiosos

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O indiano Krishna é o mais antigo avatar

Carlos Newton

Futebol, política e religião são assuntos que não devem ser discutidos, porque são temas que despertam fanatismo. Depois de uma longa estrada de jornalismo, a gente aprende a analisar as coisas como se estivesse desligado delas, passa a admirar grandes jogadores de outros times, identifica qualidades em políticos de ideologia oposta e começa a cultuar também líderes de outras religiões. No meu caso, a maturidade me fez ser ecumênico e apoiar o Papa Francisco em seu luta para reunir as religiões, pois todos os caminhos podem nos levar a Deus, sem passagem obrigatória por Roma e pelo Vaticano.

Tenho interesse todo especial pelos chamados “Avatares”, uma palavra derivada do sânscrito. Significa “aquele que descende de Deus” ou, simplesmente, qualquer espírito que ocupe um corpo, representando assim uma manifestação divina na Terra.

DE KRISHNA A MAOMÉ – A humanidade teve grandes avatares do pensamento filosófico, social e espiritual, que nos influenciam até hoje. Pela ordem de entrada em cena – Krishna na Índia (3 mil anos antes de Cristo); Moisés no Egito e Oriente Médio (1.512 a.C); Lao Tse na China (1.300 a.C.); em seguida, Buda na região do Nepal/Himalaia (600 anos a.C.); pouco depois, Confúcio no Nordeste da China (550 anos a.C.); logo após, Sócrates na Grécia (469 a.C.); depois, o próprio Jesus Cristo na Palestina, com a abertura da atual Nova Era; e Maomé (570 depois de Cristo).

Há outros avatares, como Zoroastro (ou Zaratrusta), criador da doutrina dualista (Bem e Mal) dos persas, cerca de 700 anos antes de Cristo, uma religião também muito importante, adotada pelo Império Aquemênida, que dominou grande parte do mundo 500 anos antes de Cristo. Mas vamos nos fixar nos outros oito avatares, que ainda hoje influenciam a humanidade.

MUITA IDENTIDADE – Em todos esses doutrinadores, que trouxeram a palavra de Deus, constata-se uma identificação absoluta, pois são praticamente os mesmos ensinamentos, a idêntica tentativa de melhorar a vida de todos e de criar relações mais justas e humanas, numa impressionante coincidência de propósitos e iniciativas.

Suas origens são bem distintas. Mas tinham em comum os mesmos objetivos sociais e espirituais. Detalhe interessante: nenhum dos grandes avatares deixou por escrito seus pensamentos religiosos e teses filosóficas. As palavras de todos eles foram difundidas ou transcritas por discípulos, apóstolos ou seguidores.

KRISHNA E MOISÉS – Os registros históricos são precários, especialmente de Krishna, o mais antigo, que viveu na Índia antiga há mais ou menos 5 mil anos. Seus ensinamentos, transmitidos por uma série de seguidores (também considerados avatares na Índia), formam a base do Hinduísmo, uma das mais importantes religiões.

Moisés (Moshe ou Mōüsēs, 1.500 a.C.) foi um profeta egípcio da Tribo de Levi, autor da Torah, segundo a tradição judaico-cristã, correspondente aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento cristão. Segundo o Livro do Êxodo, o menino Moisés foi adotado pela filha do faraó, que o encontrou enquanto se banhava no Rio Nilo e o educou na corte como o príncipe do Egito. Por ter matado um feitor, levado por “justa ira”, fugiu do Egito para escapar da pena de morte. E conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. Moisés é patriarca dos judeus e santo nas Igrejas Católica e Ortodoxa.

LAO TSE E BUDA – Diz-se que o chinês  Lao Tse (ou Lao Zi, Lao Tzu, 1.300 anos a.C.) era filho de um alquimista. Conforme os registros do cânone religioso taoísta, Lao Tse teria sido convidado pelo rei Wen para ser o responsável pela biblioteca real. Portanto, era alfabetizado. No 25º ano da era do rei Zhao, iniciou sua grande viagem para o Ocidente, com intuito de chegar aos reinos da atual Índia, para depois ir ao Afeganistão e à Itália. Durante o trajeto, teria aceitado como discípulo um oficial chefe da fronteira, a quem ditou vários escritos, entre eles o Tao Te Ching.”

Os registros são de que Buda (Siddharta Gautama, 600 anos a.C.) nasceu de uma família nobre num reino da região do Nepal. Quando descobriu o que representavam a vida e a morte, submeteu-se a sofrimentos, purificou-se e passou a doutrinar os outros, ensinando que uma pessoa não se torna sacerdote por nascimento e ninguém é pária pelo berço, mas em função de seus próprios atos.

CONFÚCIO E SÓCRATES – Já o chinês Confúcio (K’ung Ch’iu, K’ung Chung-ni ou Confucius, 550 anos a.C.)) nasceu em uma pequena cidade na região chinesa de Lu. Seu pai, Shu-Liang He, teria sido magistrado e guerreiro. O pensador teve seus ensinamentos difundidos na obra “Analectos de Confúcio”, uma coleção de aforismos, compilada muitos anos após a sua morte. Sua filosofia pregava a moralidade pessoal e governamental, além dos procedimentos corretos nas relações sociais, com justiça e sinceridade.

Já o grego Sócrates (469 anos a.C) veio de família humilde. Na juventude era chamado de Sokrates ios Sōfronískos (Sócrates, o filho de Sophroniscus). Seu pai era operário, especialista em entalhar colunas nos templos, casado com a parteira Phaenarete. Durante a infância, Sócrates ajudou o pai no ofício de entalhador, mas logo depois se tornaria o maior filósofo e educador da Antiguidade. Seus pensamentos foram transmitidos pelos discípulos Platão e Xenofonte. São impressionantes as teses de Sócrates sobre a alma, a espiritualidade e a reencarnação.

CRISTO E MAOMÉ – Depois, temos Jesus Cristo e seus ensinamentos compilados na Bíblia, também escrita bem depois da morte dele e que deu origem a grande número de ramificações e seitas religiosas derivadas do Cristianismo. É o grande líder religioso do mundo ocidental.

Por fim, o avatar dos muçulmanos é Maomé (Muḥammad ou Moḥammed), que é bem mais moderno, o único que nasceu depois de Cristo, em 6 de Abril de 570. Para os islamitas, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. E Seria o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.

Como figura política, Maomé unificou várias tribos árabes, criando os primórdios da formação do império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica. Também Maomé nada deixou escrito, foram seus discípulos que redigiram o Corão.

BUDA SINTETIZOU – Ainda sobre as maiores religiões, é sempre interessante destacar um pensamento atribuído a Buda, que sintetiza e justifica a existência dos diversos avatares, os mensageiros de Deus:

“Não sou o primeiro Buda que existiu na terra, nem serei o último. No tempo devido outro Buda levantar-se-á no mundo, um santo, um ser divinamente iluminado, dotado de sabedoria em sua conduta, benigno, conhecendo o universo, um líder incomparável dos homens, um mestre dos anjos e dos mortais. Ele vos revelará as mesmas verdades eternas que vos ensinei. Ele vos pregará esta religião, gloriosa em sua origem, gloriosa em seu clímax, gloriosa em seus objetivos, tanto no espírito como na forma. Ele proclamará uma vida religiosa tão pura e perfeita como a que agora proclamo. Seus discípulos serão contados em milhares, enquanto que os meus contam-se em centenas.”

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P.S. 1 
É interessante notar que desde Krishna, as imagens históricas dos diversos avatares, inclusive Jesus, os exibem na mesma posição de Lótus, que significaria a Estrela de Davi, de Moisés. 

P.S. 2 – O assunto é importante e inesgotável. Amanhã voltaremos a ele, com reflexões sobre os ensinamentos de Sócrates, sua influência no Cristianismo e no Espiritismo. (C.N.)

Temos a impressão de que o interventor militar anda lendo a Tribuna…

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Em três dias, Braga deu um show de eficiência

Carlos Newton

Na segunda-feira, escrevemos um artigo de críticas pesadas ao interventor federal na Segurança do Estado do Rio, general Braga Netto, por ter anunciado que sua meta era devolver ao governo federal pelo menos 20% (R$ 240 milhões) dos recursos que o governo federal destinara ao Estado do Rio de Janeiro.

Em longa entrevista a O Globo no domingo, dia 16, o interventor saiu de sua esfera para fazer críticas ao futuro governador Wilson Witzel e à política de tolerância zero para soldado do tráfico armado de fuzil.

ATITUDE PASSIVA – A “Tribuna da Internet” foi o único órgão de imprensa que abordou o assunto neste termos, considerando inaceitável essa atitude passiva e acomodada dos interventores militares, que estavam se comportando de forma burocrática e leniente, ao deixar de adquirir armas e equipamentos fundamentais para combate ao crime.

Os demais veículos de comunicação, inclusive blogues, sites e portais, silenciaram ou até apoiaram entusiasticamente a postura dos interventores militares, como se realmente estivessem vencendo a batalha contra o crime no Rio de Janeiro, apregoando o êxito de “um legado” que absolutamente não se consegue comprovar.

ESTATÍSTICAS – Fala-se na redução dos homicídios dolosos no Estado do Rio como se fosse resultado da intervenção, mas na realidade trata-se de um fenômeno que ocorre a nível nacional. Este ano teremos bem menos do que os tradicionais 60 mil crimes de morte, porque grande parte desses homicídios ocorre em guerras de quadrilhas, e o número de bandidos parece estar diminuindo, graças à extermínio entre facções.

Como dizia o genial pensador escocês Adam Smith, deve ser a grande “mão invisível” do mercado, colaborando para reequilibrar a situação.

Na verdade, o legado da intervenção no Estado do Rio deve ser calculado em termos de armas, veículos e equipamentos adquiridos pelos militares, sendo quase certo que deixem de usar mais de R$ 300 milhões, que serão devolvidos ao Tesouro Nacional.

TIPO SONRISAL – A “Tribuna de Internet” desponta no Novo Jornalismo como um espaço formador de opinião, lido por profissionais de imprensa, autoridades, políticos e lideranças de todo tipo. Na verdade, a TI só é acessada por quem se interessa por política, economia, humanismo e questões sociais. E isso basta para nós, porque o efeito das matérias é imediato, tipo Sonrisal, como dizia Mário Henrique Simonsen, apreciador do genuíno escocês Adam Smith e dos destilados locais.

O fato concreto é que as críticas ao general Braga Netto foram publicadas na TI, com exclusividade, na segunda-feira, dia 17. Até então, somente haviam sido empenhados 39% do orçamento de R$ 1,2 bilhão. A repercussão do artigo foi tamanha que na quarta-feira, dia 19, o general Braga Netto deu entrevista a Antonio Werneck, de O Globo, para anunciar que já havia empenhado quase R$ 800 milhões, cerca de 67% do total.

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P.S. 1 – 
Foi milagre de Natal, tipo Charles Dicksen? Não. Trata-se apenas do exercício da imprensa livre, cuja função é agir como fiscal da sociedade, para que cada um cumpra seu dever, como recomendava o almirante Francisco Barroso.

P.S. 2 –  E como dizia Millôr Fernandes, “jornalismo é oposição, o resto é secos e molhados”. Mas nós acrescentamos: “Oposição, sim, mas no bom sentido, porque é preciso que a imprensa também apoie toda iniciativa governamental que for de interesse público”. (C.N.)

Sumiço do ex-assessor Queiroz provoca “um suspense de matar o Hitchcock”

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Ilustração reproduzida do blog Tijolaço

Carlos Newton

O subtenente da PM Fabricio José Carlos de Queiroz ameaça emergir a qualquer momento, mas não se sabe ao certo quando ocorrerá essa apoteótica aparição , porque o presidente eleito Jair Bolsonaro apenas revelou que o velho amigo deve prestar depoimento esta semana, sem  anunciar a data.

EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL – Já se sabe também que alguns funcionários do gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro foram convocados para depor esta semana sobre os depósitos que faziam mensalmente na conta de Queiroz. No sábado passado – há 10 dias, portanto – Flávio Bolsonaro deu entrevista sobre o assunto e afirmou ter feito contato com Queiroz, que lhe dera uma “explicação plausível”. E de lá para cá, nada, nada, nada…

Aliás, o deputado Flávio Bolsonaro passou a semana inteira pressionado pela imprensa para definir o que considera uma “explicação plausível”, mas não revelou o que pensa a respeito. Apenas repetiu que não fez nenhum malfeito e não tem nada a ver com os erros do ex-assessor. Será mesmo?

EIS A QUESTÃO – Como se dizia nos antigos anúncios fúnebres, “cumprimos o doloroso dever de informar” que não há nem haverá qualquer explicação que possa ser tida como plausível. Se existisse uma justificativa para a movimentação financeira atípica, Queiroz já teria apresentado, para tentar abafar o assunto.

Por esse motivo, o presidente eleito Jair Bolsonaro comporta-se como se não tivesse nada a ver com o assunto. Disse ter emprestado algo em torno de R$ 40 mil ao subtenente da PM, não lembra ao certo o valor total, e alegou que o cheque de R$ 24 mil à primeira-dama Michelle saiu em nome da mulher porque ele é muito ocupado e não tem tempo de ir ao banco.

É muito difícil considerar essa desculpa como uma “explicação plausível”, até porque Nathalia Queiroz, filha do assessor, esteve contratada pelo gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara até 15 de outubro, mas vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.

DIFICULDADES – É claro que a força-tarefa da Operação Furna da Onça terá algumas dificuldades, porque os assessores que faziam os depósitos já foram orientados sobre os depoimentos. Se confirmarem que pagavam pedágio, serão considerados “cúmplices’ e terão de devolver todo o dinheiro à Assembleia.

Se os assessores-repassadores mantiverem o silêncio para se preservar, os delegados federais, procuradores e auditores da Receita terão de se contentar com os movimentos bancários, o que já será suficiente, porque os números falam mais alto do que qualquer testemunha.

E a lição que fica é que essa prática tem de parar. Não é possível continuar tolerando enriquecimento ilícito de políticos às custas de seus assessores. É o maior exemplo de que a exploração do homem pelo homem continua existindo, quase 200 anos após ter sido denunciada.

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P.S. 1 Não se pode também considerar “cúmplice” quem aceita repassar parte do salário para o deputado. Vítima não pode ser cúmplice, há algo de errado nessa conceituação judicial.

P.S. 2  – Se ainda estivesse entre nós, o grande compositor Miguel Gustavo diria que o suspense que cerca o depoimento de Queiroz é de matar o Hitchcock. (C.N.)

Interventor militar até agora não percebeu que há uma guerra travada no Rio…

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Braga Netto transfere aos outros a culpa pelos seus erros

Carlos Newton

Era esperado que não desse certo a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro, decretada em fevereiro, quando o presidente Michel Temer ainda sonhava com a reeleição. Mas tinha-se a esperança de que a situação melhorasse um pouco, até mesmo pelo volume extra de recursos liberados pelo governo federal.  Mas o que se viu foi um fracasso absurdo, com o interventor militar, general Braga Netto, culpando o governo estadual por não ter conseguido fazer as licitações.

LICITAÇÕES – “O problema é que o Estado desaprendeu a realizar o processo licitatório. A primeira coisa a fazer é especificar o que se quer. Muitas vezes eles não sabiam o que queriam. Precisavam, por exemplo, de pistolas. Mas não sabiam a marca, há necessidade de especificar o modelo”, disse o general a O Globo, como se não fosse ele próprio o responsável pela licitação, pois era sua equipe que tinha de escolher o modelo de pistola, não o governo estadual. E o general, que diz ter dado “cursos de licitações ao Estado”, nem sabe que é proibido especificar a marca…

A entrevista de Braga Netto é festival de arrogância, soberba e desfaçatez. O governo federal liberou R$ 1,2 bilhão para serem gastos até 31 de dezembro. O ano está acabando e até agora somente foram empenhados 39% deste total. Os 61% restantes têm de ser empenhados até a noite do réveillon ou serão devolvidos ao Tesouro Nacional.

VIAGENS AO EXTERIOR – Nas contas do surpreendente interventor, serão devolvidos, no mínimo, R$ 240 milhões, mas este total deverá ser bem maior. E se o general mostrou dificuldades para gastar as verbas de que o Rio de Janeiro tanto carece, na verdade não teve problemas para destinar R$ 447 mil para pagamento de viagens ao exterior, com diárias e hospedagem, tudo em sigilo, sem revelar quantas pessoas viajaram e o que fizeram. O único resultado dessas viagens foi a compra de blindados leves italianos, que ninguém sabe se poderão ser utilizados pela PM ou serão incorporados ao patrimônio do Exército.

É bem diferente da postura adotada pelo governador eleito Wilson Witzel (PSC), que viajou para Israel e para a Inglaterra, gastando recursos próprios, para conhecer novos métodos e equipamentos de combate ao crime, que serão adotados no Rio de Janeiro.

E FALA DEMAIS… – O mais impressionante foram as críticas do interventor ao próprio Witzel, intrometendo-se na área de competência específica do futuro governador, que tem se portado de forma elegante, sem ter apontado o evidente fracasso da intervenção militar.

Além de criticar decisões administrativas do novo governador, o general Braga Netto ironizou uma das propostas dele: “Não tenho atirador meu, posicionado, escondido, esperando para eliminar um elemento que está parado, só porque ele está com um fuzil”.

Como se vê, o general, que nunca esteve numa guerra de verdade, passou 11 meses comandando o enfrentamento às forças da criminalidade no Rio de Janeiro e não conseguiu perceber que por aqui está sendo travada uma guerra. Ou seja, além de arrogante, Braga Netto é também distraído.

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P.S. Com os mais de R$240 milhões que serão devolvidos, poderiam ser comprados modernos coletes à prova de bala, fuzis e pistolas de última geração e muita coisa mais. Porém, o general especialista em licitações esqueceu de fazer os empenhos… (C.N.)

Caso de Flávio Bolsonaro traz à tona a imoralidade que contamina a política

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Bolsonaro tem um serviço a fazer e Flávio está atrapalhando

Carlos Newton

Desde sempre, o Poder Legislativo é formado por deputados e senadores, as Assembleias Legislativas por deputados estaduais e as Câmaras Municipais por vereadores. Como são eleitos pelo povo, que está espalhado por todo o País, é mais do que normal, que, de acordo com seus regimentos internos, tenham autorização para contratarem funcionários em comissão para representá-los nas mais distantes cidades, sem obrigação de comparecerem ao órgão contratante e diariamente assinarem o ponto.

De acordo com arquivos dos jornais, antes da Lei do Nepotismo, em muitos gabinetes parlamentares havia pais, mães, irmãos, namoradas etc., legalmente contratados e incluídos na folha de pagamento. Recebiam seus vencimentos e, se quisessem, poderiam doá-los integralmente e em parte para o caixa de futuras campanhas eleitorais do parlamentar contratante.

NEPOTISMO – Com a Lei do Nepotismo, os parentes foram sendo descartados, mas os amigos continuam em cena, nos níveis municipal, estadual e federal. Se for passado um pente fino nos gabinetes dos parlamentares, vai ser um escândalo incomensurável, especialmente nos escritórios que senadores e deputados mantêm em seus Estados, com tudo pago às custas do Congresso, inclusive o combustível, perguntem ao senador Magno Malta.

O levantamento da Operação Furna da Onça estava caçando corruptos de alto coturno, acabou pescando um peixe menor, mas de grande valor, por ser da família presidencial, que se atualmente comporta como se fosse família imperial, dona do país.

O azar de Flávio Bolsonaro é que está ficando provado se tratar de um político de terceira classe, que não se contenta com o elevado salário e se julga no direito de cobrar pedágio dos assessores.

SEM CAUTELAS – De se convir que, no caso em destaque na mídia, Flávio agiu com excesso de confiança, deixando que seu motorista e assessor criasse uma verdadeira penca de funcionários-fantasmas, sem as cautelas de praxe.

Quem quer praticar ato imoral deve se acautelar. O mundo gira e chega o dia em que aquela bomba que parecia desativada explode de repente, espalhando destroços por todos os lados.

E não adianta querer culpar o PT pelo fato desse caso vir ocupando a mídia inteira sem parar. A família Bolsonaro está no centro das atenções porque se elegeu pregando a moral e os bons costumes. Mas o comportamento do deputado Flávio Bolsonaro indica exatamente o contrário e até envolve o pai e a madrasta num modesto cheque de R$ 24 mil.

SEM DISCURSO LÓGICO – Por óbvio, a ocasião é aproveitada para deixar Jair Bolsonaro sem discurso lógico contra a corrupção. Então, que ele e seus filhos prestem as informações plausíveis e apresentem as justificativas cabíveis. E que o presidente eleito, uma vez no comando do país, não se esqueça da seguinte agenda:

1 – cobrar de Silvio Santos, dono do Banco Panamericano, o ressarcimento de mais de 5 bilhões de reais decorrentes de crimes financeiros cometidos por seus funcionários de confiança na gestão temerária daquele banco;

2 – exigir a responsabilização da diretoria da Caixa Econômica Federal, na época do governo Lula, que comprou 49% do Panamericano antes que houvesse a intervenção pelo Banco Central e a consequente falência, que destruiria o grupo empresarial de Silvio Santos.

3 – verificar as razões pelas quais a Caixa Econômica Federal ainda persiste anunciando diariamente na rede de TV de Silvio Santos, ou seria uma espécie de permuta?

4 – pedir ao COAF, tão competente no exame das ilegalidades cometidas na Assembleia do Rio, que explique como o presidente do STF, Dias Toffoli, além da remuneração como ministro, pode receber mensalmente mais R$ 100 mil do escritório de advocacia de sua esposa, transferindo, ao mesmo tempo, R$ 50 mil a título de pensão à sua ex-mulher, como divulgado por toda a mídia, sem que o ministro se manifestasse ou desse um pio que fosse.

5 – verificar, urgentemente, por que os bancos particulares podem cobrar juros de até 400% ao ano de uma população que tem mais de 60 milhões passando fome e abaixo da linha da pobreza.

6 – divulgar quanto o governo federal está gastando, mensalmente, com as cinco redes de televisão e grandes veículos da mídia, inclusive as verbas publicitárias das estatais e das empresas que compõem o chamado Sistema S (Sesc, Sebrae, Senai etc.).

7 – se a Previdência está falida, favor divulgar os nomes dos seus principais devedores, inclusive veículos de comunicação, que, acertadamente, defendem a urgência da reforma da Previdência.

8 – divulgar o número de funcionários de cada embaixada brasileira no estrangeiro, o gasto total anual e os respectivos cargos, inclusive os adidos militares e policiais.

9 – obrigar as empresas que oferecem planos de saúde a divulgarem as justificativas para elevarem tão acentuadamente os valores cobrados dos segurados. Por que não criar um sistema de crédito a ser acumulado, ao longo da vida, pelos segurados, garantindo aos que menos usam o plano um valor menor do que aquele cobrado indistintamente de todos?

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P.S. 1
O futuro governo tem muito a fazer contra a amoralidade (ou imoralidade) que domina o poder público. Mas precisa lembrar que o exemplo deve começar em casa. (C.N)

Janaina Paschoal explica por que os políticos cobram ‘pedágio’ e ficam impunes

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Janaina: Assessor que denunciar tem de repor o dinheiro

Carlos Newton

A grande dúvida que persistia sobre a cobrança de “pedágio” aos assessores parlamentares acaba de ser esclarecida pela deputada estadual eleita Janaina Paschoal (PSL-SP). Em pronunciamento pelo Twitter, sem citar o caso do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era lotado no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, a professora de Direito Penal da Universidade de São Paulo afirmou que os servidores contratados por vereadores, deputados e senadores continuam a ser vítimas desse tipo de golpe porque são desestimulados a denunciar os parlamentares.

Janaina Paschoal explicou que as próprias Corregedorias das casas legislativas (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado) evitam que os assessores explorados denunciem a situação. De acordo com ela, o servidor não tem incentivos para contar a verdade, uma vez que, se fizer isso, será automaticamente exonerado e precisará devolver integralmente todos os salários que recebeu.

ESTÁ EXPLICADO – O mais curioso é que Janaina Paschoal tomou conhecimento dessa distorção administrativa ao fazer um curso que a Assembleia paulista oferece aos deputados de primeiro mandato.

Durante as aulas, foi analisada a possibilidade de os deputados contratarem assessores de baixa qualidade, com a intenção de lhes pagar apenas parte do salário. No Twitter, a futura deputada afirma que questionou o funcionário da Assembleia que estava ministrando o curso. “Mas assim vocês não vão pegar ninguém! O funcionário precisa ser acolhido em seu relato! Claro que precisará provar o alegado, mas se for tratado como bandido, não vai denunciar nunca!”, reagiu Janaina Paschoal.

INGENUIDADE – Sinceramente, a deputada eleita (que poderia ser vice-presidente da República, mas não aceitou o convite de Bolsonaro) demonstra muita ingenuidade. Pelo seu relato, percebe-se que ela julga que seja um equívoco o modo como a Assembleia paulista trata esse tipo de situação. Na verdade, não há equívoco. O enfoque das Corregedorias legislativas é proposital, para proteger os parlamentares.

Os 81 senadores são privilegiados, podem gastar mais de R$ 500 milhões reais por ano com assessores. O senador Fernando Collor (PTC-AL), por exemplo, conta com uma equipe de 85 assessores, sendo 54 lotados no seu gabinete em Brasília e os outros 31 em Alagoas. Até os serviçais da Casa da Dinda são pagos pelo poder público, porque, como ex-presidente, Collor tem direito a oito assessores federais.

Na Câmara Federal, cada um dos 513 deputados tem verba de R$ 107 mil mensais para pagar 25 funcionários que não precisam ser servidores públicos e são escolhidos diretamente pelo parlamentar.  Na Câmara Distrital de Brasília a farra é ainda maior. Cada deputado distrital tem R$ 184 mil mensais e pode contratar até 25 assessores. O mesmo fenômeno, em proporção menor, ocorre nas 26 Assembleias e 5.570 Câmaras de Vereadores.

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P.S. – Em tradução simultânea, pode-se concluir que a famosa exploração do homem pelo homem ganhou uma versão brasileira muito criativa – a exploração do assessor pelo político. É pena que a família presidencial esteja metida nesse tipo de negócio sujo, que as Corregedorias das casas legislativas tentam encobrir, de forma autoritária e desonesta. (C.N.)

Só resta uma saída (mais ou menos honrada) para a família de Jair Bolsonaro

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No caso, a ovelha negra precisa se afastar da família…

Carlos Newton

Esconder o subtenente Fabricio José Carlos Queiroz é um erro terrível da família Bolsonaro. Ao invés de contribuir para que o assunto seja esquecido, essa estratégia furada provoca efeito exatamente contrário. É como se estivesse sendo feito um desafio aos jornalistas, para que sigam vasculhando o dia a dia de seus gabinetes políticos. E o resultado está sendo desastroso. Com a descoberta, pela redação do jornal O Globo, de que os depósitos na conta do assessor Queiroz coincidem com o dia de pagamento dos funcionários da Assembleia do Rio, não é preciso investigar mais nada.

Trata-se realmente de cobrança de “pedágio” aos servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro, para fins de enriquecimento ilícito do deputado estadual do PSC, conforme a “Tribuna da Internet” já havia antecipado no último dia 9, com absoluta exclusividade, na matéria “Adivinhe o que a família Bolsonaro tem em comum com a família Vieira Lima”.

PRÁTICA COMUM – Pode-se até alegar que o “pedágio” é comum, praticado nos três níveis do Legislativo – Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional. Isso é verdade, muitos parlamentares já foram denunciados e cassados, mas a prática continua, sob justificativa de que os políticos precisam fazer “caixa” para a campanha da reeleição.

Na prática, existem dois tipos principais de assessores que pagam pedágio. O caso mais comum é da “meia entrada”. O parlamentar fica com a metade do salário e o assessor trabalha normalmente no gabinete. Outro tipo é o que fica apenas com um salário mínimo e o parlamentar embolsa o resto. A vantagem do assessor é que, neste caso, não precisa trabalhar.

O caso da família Vieira Lima era exceção, porque Geddel e Lúcio cobravam 80% do salários e os assessores trabalhavam para eles em serviços pessoais e domésticos, tipo semiescravidão.

SAÍDAS “HONROSAS” –  Quando o caso estava no início, sugerimos aqui na TI uma saída mais ou menos honrosa. Flávio Bolsonaro poderia dizer que o subtenente Queiroz era agiota e explorava os assessores, sem conhecimento de ninguém. Podia ser que “colasse”, digamos assim. Ao que parece, a família Bolsonaro não gostou da ideia.

Nesta quarta-feira, segundo o Jornal Nacional, Jair Bolsonaro disse que ele e o filho Flávio não são investigados, mas se estiverem envolvidos em alguma irregularidade, terão de arcar com as consequências.

Resumindo, agora a única saída mais ou menos honrosa é o deputado Flávio Bolsonaro assumir a culpa, renunciar ao mandato de senador que acaba de conquistar, e abandonar a vida pública para entrar na privada, como dizia o Barão de Itararé.

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P.S.
Para tomar uma atitude dessas, é preciso ser um homem de verdade, capaz de oferecer sua cabeça para que o pai possa governar com mais tranquilidade. Seria um ato nobre, num final menos trágico e sujo. Mas tudo leva a crer que o filho vai se sujar e emporcalhar a família inteira. (C.N.)

Aumenta cada vez mais o mistério sobre o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Queiroz, velho amigo da família, sumiu repentinamente

Carlos Newton

Jair Bolsonaro foi eleito por exclusão, digamos assim. Embora houvesse uma grande massa de eleitores revoltados, que se comportam como fanáticos religiosos e realmente acreditam que o capitão-deputado merece ser um mito, muitos de seus eleitores votaram com o dedo tampando o nariz, apenas porque ele seria “o menos pior”, como se passou a dizer. Alguns eleitores votariam até em José Maria Eymael ou no Cabo Daciolo, desde que isso significasse que o PT não voltaria ao poder.

Agora, já houve a diplomação e não adianta reclamar. Temos de aturar o novo presidente do jeito que ele realmente é, não com a imagem que se julgava ter.

ALGO ESTRANHO – Já se sabia que havia algo estranho no enriquecimento imobiliário de Bolsonaro e seus filhos. Sabe-se que nenhum deles ganhou na Mega-Sena nem casou com mulher rica, muito pelo contrário. O patriarca Jair Messias Bolsonaro já está no terceiro casamento, circunstância que normalmente significaria redução no patrimônio, mas o que houve foi expansão.

A estratégia de manter em prolongado silêncio o subtenente Fabrício Queiroz, para acalmar a situação, está totalmente equivocada. O resultado é que a imprensa mata sua curiosidade fazendo jornalismo investigativo e começa a descobrir cada vez mais fatos interessantíssimos.

Já se sabe, por exemplo, que os depósitos dos servidores coincidiam com as datas do pagamento, circunstância que em linguagem policial significa “batom na cueca”.

DUAS MULHERES – Além disso, o subtenente Queiroz está no segundo casamento e suas duas mulheres foram assessoras do deputado estadual Flávio Bolsonaro, aquele que acredita em “explicações plausíveis”.

O mais curioso é que a primeira delas, Debora Melo de Queiroz, hoje com 57 anos, oficialmente reside no apartamento onde Fabrício morou na Praça Seca, em Jacarepaguá, um prédio de categoria, que inclusive tem piscina, enquanto o ex-marido foi morar com a nova mulher, Márcia Oliveira Aguiar, numa pequena e modesta casa no bairro da Taquara, um verdadeiro cafofo.

A primeira mulher foi demitida em maio de 2006. Coincidência ou não, em março de 2007, quem passou a ser empregada do gabinete, como consultora parlamentar, foi a atual esposa de Fabrício, Márcia. recebendo salário de R$ 9.835,63. Ficou no cargo até setembro de 2017.

FILHA FENÔMENO – A filha mais nova de Queiroz chama-se Nathalia e é um fenômeno. Pouco depois de completar 18 anos, foi contratada por Flávio Bolsonaro. Depois, sem deixar o emprego público, passou a aumentar os rendimentos, trabalhando também como “recepcionista” da Norte Fitiness Center, Academia de Ginastica Ltda. Durante 17 meses ela acumulou os dois serviços.

Nathalia deixou o emprego da Assembleia em dezembro de 2016, no mesmo mês em que sua irmã menor, Evelyn, nascida em julho de 1994, portanto com 22 anos, assumiu uma função como “assessora parlamentar”, cargo no qual se encontra até hoje recebendo R$ 7.550,00 líquidos, como registra a folha de pagamento de outubro.

ASSESSORA DO PAI – Nathalia, na verdade, não foi demitida pela família Bolsonaro, pois no mesmo mês de dezembro de 2016 ela ingressou na Câmara dos Deputados, em Brasília, como secretária parlamentar do pai de Flávio, o deputado federal Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2017, seu salário líquido foi de R$ 8.752,58. Menos, portanto, que os R$ 9.207, líquidos que teria recebido como última remuneração na Assembleia.

Ao mesmo tempo, trabalhava como personal trainer na Sports Solution Academia Ltda., localizada na Avenida do Pepe, na Barra da Tijuca.

Tudo isso é muito estranho, mas somente está sendo levantado porque o subtenente Fabricio Queiroz simplesmente sumiu. Se ele já tivesse aparecido e divulgado sua “explicação plausível”, conforme foi sigilosamente considerada por Flávio Bolsonaro, a imprensa estaria dedicada a outros assuntos, como a atrapalhada atuação do futuro ministro Paulo Guedes como consultor de aplicações financeiras dos principais fundos de pensão do país.

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P.S. – Aliás, a força-tarefa da Operação Greenfield está querendo falar com Paulo Guedes há dois meses, mas parece que o economista não quer falar com ninguém e está evitando também os jornalistas. (C.N.)

Generais da “intervenção” erram ao criticar extinção da Secretaria de Segurança

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Braga Netto diz que extinção da pasta atrapalha o legado

Carlos Newton

Reportagem de Renan Rodrigues, em O Globo, revela que o general Richard Nunes, secretário de Segurança do Rio, e o general Braga Netto, interventor federal, criticaram o fim da pasta, proposta defendida pelo governador eleito Wilson Witzel. “Todo o planejamento que apresentei foi montado em cima dessa estrutura: Secretaria de Segurança, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros e Assuntos Penitenciários. Todo o legado foi planejado para esta estrutura. Essa é a minha preocupação com a transição”, questionou o general-interventor Braga Netto, indagando: “Como é que vai se adaptar o legado que vamos deixar, com a nova estrutura?”

Já o general-secretário Richard Nunes disse estar preocupado com a transição sem uma Secretaria para integrar as polícias, referindo-se ao fato de as polícias Civil e Militar passarem a ter status de Secretaria.

LEGADO? – Bem, são nove meses de uma intervenção militar que diz estar deixando um “legado” que a população do Rio de Janeiro não consegue perceber. A insegurança é a mesma, cada vez mais sufocante, as quadrilhas que dominam as comunidades, sejam milícias ou narcotraficantes, enfrentaram as Forças Armadas e continuam irremovíveis.

As tão festejadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram um golpe de marketing do então governador e seu secretário José Mariano Beltrame, que liberaram informalmente o tráfico de drogas. Sem serventia, as UPPs estão sendo fechadas.

Na verdade, nada de novo nas comunidades, os soldados do tráfico continuam desfilando com seus fuzis automáticos de última geração, são eles que mandam em nossas “no go zones”, como dizem lá na Matriz, os EUA.

CRÍTICAS À PF – Além de criticar os oportunos projetos de Tolerância Zero que o futuro governador Wilson Witzel prepara-se para implantar, os generais da intervenção também manifestaram contrariedade com o acesso da Polícia Federal à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Francamente, essa decisão mostrou-se necessária porque a apuração do crime não avança e o miliciano Orlando de Curicica, um dos suspeitos, acusou a Polícia de não ter interesse no caso. A Polícia Federal é hoje uma das instituições mais respeitadas do país, só irá contribuir para elucidar o crime.

Os generais da intervenção demonstram má vontade em relação ao novo governo do Rio de Janeiro, quando deveriam estar colaborando para que a intervenção seja levantada e o Congresso volte a funcionar plenamente, aprovando emendas constituições como a proposta que limita o foro privilegiado. Como se sabe, enquanto houver intervenção, não há emendas constitucionais.

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P.S.
É preciso dar apoio incondicional à política de Tolerância Zero do novo governo. Antes de defender os “direitos humanos” dos criminosos, é preciso lembrar os direitos das vítimas. (C.N.)

Bolsonaro sujou sua imagem, mas pode recuperá-la se iniciar um bom governo

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As explicações bancárias de Bolsonaro são patéticas

Carlos Newton

É infantil a tentativa de achar normal a existência de um subtenente da PM trabalhando de motorista para ganhar R$ 23 mil mensais e envolvido num complicado esquema de depósitos e saques em dinheiro vivo para a família Bolsonaro. É triste ver que a imagem supostamente limpa do presidente eleito não resistiu nem mesmo à fase de Transição. Vai assumir o poder sem “explicação plausível” que possa justificar a “movimentação financeira atípica” do subtenente Fabrício José Carlos de Queiroz, que inclui o já famoso cheque de 24 mil reais à futura primeira-dama.

Essa “movimentação financeira atípica” colocou em saia justa não somente os militares que apoiaram entusiasticamente a candidatura de Bolsonaro, mas também no ex-juiz Sérgio Moro, que abandonou a carreira na expectativa de ter mais autonomia para combater a corrupção e a criminalidade que infestam o país, e de repente descobriu que os políticos são tudo farinha do mesmo saco.

SINCERAMENTE – Nenhum pessoa de razoável nível cultural pode aceitar as justificativas mal alinhavadas de Flávio e Jair Bolsonaro. É difícil acreditar que um subtenente que ganha 23 mil mensais, mesmo tendo a mulher e as duas filhas bem empregadas nos gabinetes da família, continue a viver em dificuldades e tenha necessitado recorrer várias vezes a empréstimos de Bolsonaro pai, segundo afirmou o próprio presidente eleito, como se a prática de emprestar dinheiro a Queiroz fosse algo rotineiro.

Ninguém acredita nisso, é claro, até o general-vice Hamilton Aragão diz que o subtenente tem de se explicar imediatamente, mas cadê ele? Está tão sumido quanto o economista Paulo Guedes, que continua sendo aguardado pela força-tarefa da Lava Jato para explicar seus investimentos temerários na empresa argentina que comprou para organizar suas palestras sobre economia.

HÁ MALES QUE… – Nada acontecerá à posse de Jair Bolsonaro, que vai assumir normalmente dia 1º e tocar o barco. Seu problema é a desmoralização, a quebra daquela crista de moralidade dos falsos heróis com pés de barro. Lembrem-se de que a então presidente Dilma Rousseff também tentou posar de “Soninha Toda Pura”, chegou a manter os direitos políticos, mas agora se sabe que ela também está toda emporcalhada, assim como tantos outros políticos de praticamente todos os partidos, sejamos francos. E Jair Bolsonaro também não é exceção, como Antonio Santos Aquino cansou de escrever aqui na TI.

Vida que segue, diria o amigo João Saldanha, sabedor de que há males que vêm para o bem. Realmente, a lição que o clã Bolsonaro está sendo obrigado a apreender pode ter duplo resultado: 1)  Depois desse imbroglio presidencial, é provável que parlamentares federais, estaduais e municipais enfim parem de aplicar o golpe do assessor que “paga meia”, ou seja, recebe meio salário e repassa a outra metade para o político “aplicar depois na campanha de reeleição”, conforme a justificativa utilizada. 2) E o segundo resultado seria a fanília Bolsonaro se purificar no exercício do poder, passando a lutar pelo interesse nacional, com apoio das Forças Armadas e do juiz Sérgio Moro, que vale por meio governo.

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P.S. –  Esperamos que Jair Bolsonaro tenha aprendido a lição. Depois passar pela experiência da quase morte, certamente pode ter percebido que o velho ditado está correto e dinheiro não traz mesmo felicidade. Assim, pode ser que se recupere moralmente e até transmita ensinamentos aos filhos mais velhos, que até agora não tiveram a educação adequada e se comportam como os Três Patetas que acertaram na loteria da Política. (C.N.)

Existe algo em comum entre o futuro ministro Guedes e e o ex-assessor Queiroz

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Paulo Guedes até agora não prestou depoimento

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Queiroz está sumido com a “explicação plausível”

Carlos Newton

Procura-se desesperadamente o economista Paulo Guedes , futuro ministro da Economia, que está sendo esperado na Superintendência da Polícia Federal em Brasilia, para depor no inquérito que apura fraudes em investimentos dos maiores fundos de pensão do país. O depoimento já foi marcado duas vezes e Guedes continua se esquivando. Por que razão? Seus advogados garantem que os investimentos de Guedes deram lucro. Então, por que o economista não depõe logo perante a força-tarefa da Operação Greenfield e se livra das suspeitas?.

Da mesma forma, procura-se desesperadamente o subtenente Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo íntimo do presidente eleito, que também precisa se explica perante as autoridades policiais.

MEIO DESLIGADO – No caso de Guedes, sua omissão é injustificável. Está morando em Brasília, nada impede que se apresente para depor, voluntariamente, como se espera de um cidadão de bem.  Nesta segunda-feira, conforme relato do repórter Marcello Corrêa, de O Globo, o futuro ministro, imerso em seus pensamentos, esqueceu a cerimônia de diplomação do presidente eleito.

Por volta das 15h30, o economista chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona o gabinete de transição. Entrou apressado. Questionado por jornalistas se não iria ao evento, que começaria logo a seguir, às 16 horas, deu meia-volta e disparou para o carro de onde acabara de desembarcar.

PERDIDO NO ESPAÇO – Quanto ao subtenente PM Fabrício Queiroz, não está sendo investigado nem tem obrigação de depor. No entanto, seu depoimento é muito mais ansiado do que o de Guedes. Os malfeitos do futuro ministro só atingem de raspão o presidente eleito, que pode (e até deve) se livrar dele com apenas um telefonema, como era o estilo mal educado do então presidente Lula.

Mas as armações financeiras do amigo Queiroz, companheiro de pescarias e churrascos, envolve diretamente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle. Tudo indica que a família aumentava a renda mediante repasse de parte dos salários dos funcionários dos gabinetes, e o esquema era comandado pelo subtenente que tomou Doril, digamos assim.

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P.S.
A opinião pública e o futuro ministro Sérgio Moro continuam aguardando a “explicação plausível” anunciada pelo deputado Flávio Bolsonaro.  Quanto mais tempo Queiroz seguir perdido no espaço, mais piora a constrangedora situação do clã Bolsonaro. (C.N.)