As guerras cibernéticas e as novas formas de conflito entre as nações

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
gf

Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Conhecemos as formas clássicas de guerra, primeiro entre exércitos e, após Hitler (com sua “totaler krieg”, a guerra total), de povos contra povos. Inventaram-se bombas nucleares tão potentes que podem destruir toda a vida. Diz-se que eram armas de dissuasão. Não importa. Quem tem a iniciativa ganha a guerra, que duraria poucos minutos. A questão é que elas são tão letais que podem matar a todos, inclusive aqueles primeiros que as lançaram. Viraram armas de espantalho. Mas, cuidado, a segurança nunca é total e não é impossível que algumas delas explodam sob a ação de hackers, pondo em risco grande parte da humanidade.

Ultimamente, inventou-se outra forma de guerra, de que a maioria das pessoas nem sequer se dá conta: a guerra cibernética, chamada também de “guerra informática”, “guerra digital” e “ciberguerra”.

GRANDE CAPITAL – A situação tem um pano de fundo que merece ser considerado: há um excesso de acumulação de capital, a ponto de as grandes corporações não saberem onde aplicá-lo. A agência de políticas de desenvolvimento Oxfam, presente em 94 países e assessorada por cientistas do MIT, forneceu, no ano de 2017, os seguintes dados: 1% da humanidade controla mais da metade da riqueza do mundo; e os 20% mais ricos possuem 94,5% dessa riqueza, enquanto 80% devem se conformar com 5,5%. Eis uma profunda desigualdade que, traduzida eticamente, significa uma perversa injustiça.

Essa concentração demasiada não vê sentido em aplicações produtivas porque o mercado, empobrecido, não tem condições de absorver seus produtos. Ou continua na ciranda especulativa, agravando o problema, ou encontra outras saídas rentáveis.

DUAS SAÍDAS – Vários analistas, como William Robinson, da Universidade da Califórnia, publicaram brilhante estudo sobre o tema. Também Nouriel Rubini, que previu o “debacle” de 2007-2008, entre outros. Eles apresentam duas saídas para o capital ultraconcentrado: investir na militarização, sob o comando do Estado, com a produção de novas armas nucleares, ou em guerras locais, contra as drogas, na construção de muros fronteiriços e na invenção de novos aparatos policiais e militares.

Ou, então, fazer grandes investimentos em tecnologia, robotização, automação e digitalização, cobrindo, se possível, todos os aspectos da vida. Se em 1980 o investimento era de US$ 65 bilhões, agora passou para US$ 654 bilhões. Nesse investimento estão previstos os serviços de controle das populações, um verdadeiro Estado policial e as guerras cibernéticas.

GUERRA CIBERNÉTICA – Detalhando a análise: na guerra cibernética, não se usam armas físicas, mas o campo cibernético, com a utilização de vírus e hackers sofisticados, que entram nas redes digitais do inimigo para anular e eventualmente danificar os sistemas informáticos. Os principais objetivos são geralmente os bancos, os sistemas financeiros e militares e todo o sistema de comunicação. Os combatentes dessa guerra são especialistas em informática e telecomunicações.

O risco maior da guerra cibernética é que pode ser conduzida por grupos terroristas, como o Estado Islâmico, ou por outro país, paralisando toda a infraestrutura, como aeroportos, transportes, comunicações, serviços de água e luz, e mesmo romper os segredos de aparatos de segurança com armas letais, fazendo-as disparar ou inutilizando-as. E tudo isso a partir de centenas de computadores que funcionam em diferentes partes do planeta, impossibilitando identificar seu lugar de partida e assim enfrentá-lo.

Estamos face a riscos inomináveis, fruto da razão enlouquecida. Só uma humanidade que ama a vida e se une para preservá-la nos poderá salvar.

Por que o PT denuncia golpismo nos processos criminais contra Lula?

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para golpe do pt CHARGES

Charge do Nani (nanihumor.com)

Percival Puggina

Réu em sete ações penais, já condenado numa delas, e é tudo golpe? Na ponta da língua de todo cidadão há diversas respostas à pergunta que dá título a este artigo.

  • O PT é um partido que não aceita ser contrariado, que não sabe perder e que quando eleitoralmente derrotado dá início imediato à campanha “fora fulano”, seja lá quem ou o quê tal fulano seja (prefeito, governador, presidente).
  • O partido se vale de sua tentacular inserção nos circuitos formadores de opinião para converter os fatos mais comprometedores em arrevesadas e favoráveis versões.
  • A visão que a legenda tem da realidade é comandada pelo objetivo final, ao qual tudo mais se submete, mantendo, com a verdade e com os fatos, em vista disso, uma relação libertina, alcoviteira.
  • A politização do julgamento transformando Lula em vítima é uma estratégia que se não serve à defesa jurídica, serve à defesa política.
  • O PT integra uma rede internacional de solidariedade comunista e/ou revolucionária esquerdista (o Foro de São Paulo é apenas parte dela) já habituada a dar vazão às posições aqui proclamadas pelo partido que, no passo seguinte, repercute, nacionalmente, o noticiário internacional.
Resultado de imagem para pt CHARGES

Charge do Duke (dukechargista.com)

Por isso se instalou a impressão de que, no exterior, a opinião pública julga ter havido golpe no impeachment de Dilma, malgrado o longo processo parlamentar dirigido, passo-a-passo, pelo STF. Também por isso o PT aposta em que, aconteça com Lula o que acontecer, sua imagem esteja sendo preventivamente enxaguada.

CAUSA MAIOR – Há uma causa maior, porém. Para entendê-la é necessário ir a documentos partidários disponíveis na Fundação Perseu Abramo e nos arquivos do Centro Sérgio Buarque de Holanda. Muito especialmente, recomendo a leitura do documento “O PT e a Constituinte” (1985-1988). Ali, à página 181, no subtítulo “A posição final”, se lê coisas assim:

“O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. Disso decorre que o PT rejeita a Constituição burguesa que vier a ser promulgada (…); por extensão, o PT rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir e, no seu lugar, construir uma sociedade socialista”.

O NÃO À CONSTITUIÇÃO – “O PT, por entender que a democracia é uma coisa importante – que foi conquistada nas ruas, nas lutas travadas pela sociedade brasileira –, vem aqui dizer que vai votar contra este texto, exatamente porque entende que, mesmo havendo avanços na Constituinte, a essência do poder, a essência da propriedade privada, a essência do poder dos militares continua intacta nesta Constituição’. Com esta declaração síntese de seu pronunciamento no Congresso Constituinte, o líder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou o voto não do partido à Constituição que será promulgada no dia 5 de outubro”. (pag. 184)

Penso que esse conjunto de posições deixa claro que o partido do ex-presidente Lula opera dentro e fora dos limites da institucionalidade, aos quais, desde a origem, seus líderes não se submeteram e cujo valor não reconhecem. Opera dentro quando lhe convém e opera fora quando lhe convém. Contrariamente ao senso comum, o partido considera essa conduta virtuosa porque a situa, em quaisquer circunstâncias, com mensalão e Lava Jato ou sem mensalão e Lava Jato, na perspectiva de um ideal socialista revolucionário que a tudo purifica.

Para manter o foro privilegiado, senadores preferem a eleição para deputado

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
A tática para manter o foro

Aécio, Renan, Lindbergh e Gleisi abandonam Senado

Ary Filgueira
IstoÉ

Enquanto o Supremo condenou apenas cinco políticos envolvidos na Operação Lava Jato, as instâncias inferiores já mandaram para a cadeia 116 acusados. Esse balanço explica por que vários políticos desistiram de tentar a reeleição no Senado e preferiram se candidatar à Câmara. Eles acreditam que têm mais chance na eleição proporcional do que na disputa majoritária. E, caso eleitos deputados federais, vão manter uma condição essencial para continuarem em liberdade: o foro privilegiado, exatamente a prerrogativa de serem processados pelo STF. Sem o escudo do mandato parlamentar, serão alvo da Justiça Comum. Ali, os processos correm mais rápido.

Com o receio de não conseguir se reeleger para o Senado, os petistas Gleisi Hoffmann (RS), Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE), além do tucano Aécio Neves (MG) e do peemedebista Renan Calheiros (AL) decidiram disputar um cargo de deputado federal em outubro, abrindo mão de novo mandato na Alta Casa. Sabem que, processados na Lava Jato, teriam muita dificuldade em obter milhões de votos. É mais fácil buscar alguns milhares e garantir a vaga na Câmara.

ASSUSTADÍSSIMOS – Os três petistas estão assustadíssimos com o risco de perderem direito ao foro privilegiado. Eles estão atolados na lama da Lava Jato, mas seus processos correm a passos lentos no STF. Segundo a assessoria do Supremo, apenas Humberto Costa ainda não é acusado.

A investigação está nas mãos da PF, mas deve subir logo para o crivo dos ministros do tribunal. Gleisi, que é também presidente do PT, está prestes a acertar as contas com a Justiça. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo a condenação da senadora por ter recebido propina de R$ 1 milhão no esquema de corrupção na Petrobrás.

Lindbergh foi denunciado por suspeita de corrupção passiva por ter recebido propina da Odebrecht entre 2008 e 2010.

RENAN ENROLADO – O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, é alvo de 17 inquéritos abertos com a autorização do STF e sabe que dificilmente repetirá a mesma votação que o elegeu em 2010, quanto obteve 840 mil votos para o Senado. Outro que vai disputar cadeira de deputado federal é o ex-presidente do PSDB, Aécio Neves (MG). De postulante à Presidência da República em 2014, o senador chegou a ser afastado de suas funções após pedir R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.

A tática, no entanto, pode ter vida curta. O ministro Dias Tóffoli pediu vistas no processo que determina a restrição do foro privilegiado aos crimes de parlamentares relacionados ao exercício do mandato em vigor. Os demais crimes competem à Justiça Comum. Qualquer que seja o voto de Toffoli, a decisão do STF já está tomada por 8 a zero. O privilégio está com os dias contados. 

Bolsonaro provoca crise em seu novo partido, que perdeu adesão de deputados

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para luciano bivar

Bivar usa Bolsonaro para fortalecer o partido

Dimitrius Dantas
O Globo

“Quem vier para não apoiar o Bolsonaro, é preferível que não venha”. A frase do deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, sigla que deve abrigar, a partir de março, o presidenciável Jair Bolsonaro, hoje no PSC, engana. Na verdade, mais gente pediu para sair do que para entrar no partido. No último dia 5, após o anúncio da filiação, o Livres, corrente de viés liberal da legenda, anunciou uma saída em bloco de filiados, acusando o pré-candidato de ser um “falso liberal”.

Dentro da própria família Bivar, a decisão causou um racha: Sérgio, um dos fundadores do Livres, optou pelo grupo dissidente ao invés do projeto liderado pelo próprio pai. Por fim, a movimentação de Bolsonaro também cancelou a estratégia do PSL de ganhar seis deputados federais. A negociação, intermediada pelo Livres, foi cancelada.

TOM DE GALHOFA – Bivar, no entanto, minimiza o “efeito Bolsonaro” no partido: “O Livres é um movimento criado por mim. Saíram meia dúzia de rapazes que cabem numa Kombi. Nós precisávamos de alguém que carregasse nossas bandeiras” — disse, em tom de galhofa, usual nos discursos do mais novo aliado.

Presidente interino do Livres, Paulo Gontijo discorda. Segundo ele, o grupo chegou a assumir 12 diretórios estaduais e iniciou os processos de expulsão do deputado federal Alfredo Kaefer, do Paraná, que se absteve na votação da cassação de Eduardo Cunha, e do deputado estadual carioca Márcio Canella, que votou pela soltura de Jorge Picciani.

A relação entre o PSL e o Livres começou em dezembro de 2015. Apresentados ao PSL por Sérgio Bivar, os integrantes do movimento decidiu usar o partido como uma espécie de incubadora, com o objetivo de criar o “primeiro partido liberal orgânico”, segundo seus militantes. Em troca de ceder o partido, o patriarca da família Bivar permaneceu na presidência, alegando que não gostaria de perder o que chamava de “botão de reset”.

INCOMPATIBILIDADE – O botão foi acionado com a chegada de Bolsonaro. Após o anúncio da chegada do pré-candidato ao partido, o grupo alegou incompatibilidade ideológica. Os deputados que entrariam no partido também deixaram o projeto de lado.

— Foi uma decepção. O PSL optou por um caminho pragmático. O nosso (caminho) era melhorar a qualidade do Legislativo — diz Evair de Melo (PV-ES), um dos deputados que negociavam a ida para o PSL.

Os deputados fazem parte do grupo conhecido como “cabeças-pretas”, como Daniel Coelho (PSDB-PE) e Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), filho do senador Cássio Cunha Lima. Os dois estudavam migrar para o PSL, articulação que implodiu com o anúncio da filiação de Bolsonaro.

PRIMEIRO, NEGOU – Um mês antes do anúncio da chegada do ex-capitão do Exército, Bivar e o grupo publicaram uma nota negando a possibilidade da filiação. Dentro do campo da direita, o Livres antagoniza com os fãs do presidenciável. Nas redes sociais, simpatizantes de ambos os lados trocaram acusações. “Nossa incompatibilidade vem pela forma como ele faz política, com autoritarismo” — afirma Gontijo.

Segundo lideranças do grupo ouvidas pelo Globo, Bivar justificou ao Livres que aceitou receber Bolsonaro por temor de perder espaço em Pernambuco. Eleito como suplente, Bivar ocupa uma vaga na Congresso desde julho de 2017, graças à nomeação do deputado Kaio Maniçoba para a Secretaria de Habitação. Um dos deputados federais interessados em migrar para o PSL, Daniel Coelho é opositor do grupo que atualmente governa o estado. A cláusula de barreira também foi apontada como um motivo que pode ter motivado Bivar.

Bivar, no entanto, apresenta outra razão para filiar Bolsonaro. Diz que ele será um “arauto do liberalismo” para o partido: “O pensamento dele é o mesmo que o meu” — sustenta o presidente do PSL.

No PSDB, um guerrilheiro se transforma num tormento para Alckmin

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
BRASILIA, DF, BRASIL, 09-12-2017, 12h00: Convenção Nacional do PSDB elege o governador de SP Geraldo Alckmin para presidente do partido. Com a presença dos principais caciques tucanos, o atual presidente interino Alberto Goldman, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de GO Marconi Perillo, o prefeito de SP João Dória, o prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (foto), o senador Tasso Jereissati, dentre outros. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Arthur Virgilio diz que Alckmin não tem chances

Bernardo Mello Franco
Folha

Não é fácil a vida do presidenciável Geraldo Alckmin. Ele começou o ano eleitoral em quarto lugar nas pesquisas, com apenas 7% das intenções de voto. Não conseguiu fechar alianças e ainda enfrenta um adversário no PSDB: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio.

Fundador do partido, ele se recusa a abrir mão da pré-candidatura ao Planalto. Acusa o governador paulista de boicotá-lo e cobra a realização de prévias. Aos 72 anos, o ex-senador diz ser o único capaz de evitar uma nova derrota dos tucanos.

SEM PEGADA – “Geraldo é um candidato sem pegada, sem posições definidas. No ritmo em que ele vai, o PSDB ficará fora do segundo turno”, prevê Virgílio. “Olho para a direção do partido e vejo todo mundo feliz, a caminho da quinta derrota consecutiva. Parece que eles jogam para perder”, critica.

O prefeito diz que Alckmin já teve sua chance em 2006, quando foi derrotado pelo ex-presidente Lula. “Ele teve menos votos no segundo turno do que no primeiro”, lembra. “Para provar que não ia privatizar os Correios, ainda se fantasiou de carteiro. Aquela cena me deixou agoniado.”

OPINIÕES FIRMES – Para se diferenciar do governador, Virgílio diz ter opiniões mais firmes em temas que dividem o eleitorado. Promete privatizar quase todas as estatais e se diz liberal “na economia e nos costumes”. Defende a liberação do aborto, a legalização da maconha e o casamento homoafetivo.

“Não dá para um candidato ficar repetindo evasivas e generalidades”, provoca, em outra indireta contra o estilo “picolé de chuchu” do rival.

PERDA DE TEMPO – Em tom de cobrança, o prefeito diz que o PSDB já perdeu muito tempo. Ele afirma que os adversários estão fora do partido. “Já podíamos ter desmontado o Bolsonaro, que é uma figura grotesca, e botado o Lula no gueto em que ele precisa ficar.”

Fiel ao estilo guerrilheiro, Virgílio também desdenha do aceno do presidente Michel Temer a Alckmin: “Eu não me sentiria à vontade com o apoio dele. Acho que não devemos nos aliar ao PMDB, com ou sem P”.

Temer quer evitar desgastes no governo que atrapalhem reforma da Previdência

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Charge do Mário (Blog Angelim)

Alessandra Azevedo e
Rodolfo Costa
Correio Braziliense

O presidente Michel Temer corre contra o tempo para solucionar todas as pendências e aliviar a pressão sobre o governo. Sem ainda ter os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o chefe do Executivo se preocupa em estabelecer as próximas estratégias a fim de garantir quórum para assegurar a admissibilidade da proposta que atualiza as regras para aposentadoria. 

REGRA DE OURO – Desafios não faltam. Preocupado com as divergências entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Meirelles em torno da “regra de ouro” — que impede que o governo faça dívidas para pagar despesas correntes — , que poderiam provocar desgastes na aprovação da reforma da Previdência, Temer tomou a frente e chamou a responsabilidade para si ao pedir que Meirelles e Dyogo assegurassem que o governo desistiu de flexibilizar o dispositivo constitucional. Com a postura adotada, não apenas evitou o conflito de egos entre o chefe da Fazenda e Maia, que pleiteiam o posto de candidato do governo às eleições, como também reforçou a imprescindibilidade da aprovação da reforma da Previdência.

Interlocutores de Temer afirmam que o presidente temia que a flexibilização da “regra de ouro” passasse aos mercados e aos próprios parlamentares a sinalização de que a reforma não é mais tão necessária. “E definitivamente não é isso o que ele quer. A reforma é importante para reforçar a recuperação dos investimentos e a geração de empregos”, sustentou um interlocutor. O crescimento econômico, por sinal, é um trunfo que o governo pretende adotar para as eleições. Desatado o nó em torno da “regra de ouro”, o governo, agora, reforçará as articulações com os parlamentares.

REFORMA E REELEIÇÃO – O governo pretende continuar no trabalho de convencimento para não precisar ceder em novas concessões à reforma. Entre os aliados, há quem defenda uma flexibilização nos requisitos para que os servidores públicos que entraram no funcionalismo até dezembro de 2003 possam se aposentar com o último salário e reajustes iguais aos da ativa. Embora os sindicalistas cobrem mais essa atualização no texto, técnicos e auxiliares do Executivo estão otimistas de que não será necessário deixar o texto menos rígido.

Para os próximos dias, o governo também deve promover articulações para pedir que os líderes orientem as bancadas a derrubar o veto de Temer ao programa de refinanciamento de dívidas (Refis) das micro e pequenas empresas.

O veto, publicado oficialmente nesta segunda-feira, no Diário Oficial da União, incomodou o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que promete votá-lo ainda em fevereiro. O presidente receia que eventuais desgastes com os parlamentares afetem a votação da reforma da Previdência.

Caso Cristiane: recurso da AGU é uma ameaça à moralidade administrativa

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para cristiane brasil charges

Charge do Gilmar (Charge Online)

Jorge Béja

O presidente Temer é o único culpado pela infeliz indicação da deputada Cristiane Brasil para a ser ministra do Trabalho e pelo consequente embate jurídico que acontece na Justiça Federal do Rio de Janeiro, que proibiu a posse da indicada por ferir o princípio constitucional da moralidade administrativa. Após três vezes derrotado e quando se apostava que apenas restaria recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a situação e empossar a indicada, a Advocacia-Geral da União (AGU) surpreendeu. No início da noite desta sexta-feira, a AGU deu entrada no Tribunal Regional Federal-2, com sede no Rio de Janeiro, a outro recurso para anular as decisões que proibiram a posse de Cristiane Brasil como ministra do Trabalho.

A AGU deu ao recurso o nome de Embargos de Declaração. O fundamento: mais de uma Ação Popular foi ajuizada contra a nomeação da deputada.  Por isso, alega a AGU, deveria prevalecer a primeira decisão, tomada às 16:36h do último dia 8 na Ação Popular distribuída para a 1ª Vara Federal de Teresópolis (RJ) e favorável à posse, e não a decisão da 4a. Vara Federal de Niterói (RJ), tomada às 20:11h do mesmo dia 8 e que proibiu a posse da deputada. Questão de hora, portanto.

ALGUMA RAZÃO – Embora o nome dado ao recurso esteja erradíssimo, tanto não prejudica seu exame e julgamento pelo relator ou pelo colegiado da Turma da qual faz parte. A AGU desta vez não deixa de ter alguma razão. ealmente o juízo da Ação Popular é universal, como dispõe o artigo 5º, parágrafo 3º da Lei da Ação Popular (nº 4717, de 1965):

A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos“.

Mas este não é bem o caso. Noticia-se que as duas ações deram entrada na Justiça Federal do Rio no mesmo dia. A divergência, favorável à deputada, estaria na hora. O juiz da 1a. vara federal de Teresópolis decidiu antes (16:36h) e o juiz federal de Niterói depois (20:11h).

AÇÃO POPULAR – Mas a Lei da Ação Popular não fala que a prevenção (competência) se fixa pela hora em que o juiz decide, mas pelo dia em que a ação é proposta. Assim entende e já decidiu o Superior Tribunal de Justiça que expediu a seguinte ementa:

O juízo da ação popular é universal. A propositura da primeira ação previne a jurisdição do juízo para as subsequentemente intentadas contra as mesmas partes e sob a égide de iguais ou aproximados fundamentos” (Revista do STJ – RSTJ nº 106, página 15).

Diante deste impasse inusitado, o razoável seria, então, aferir a hora em que as duas ações deram entrada na Justiça Federal, para o fim do prevalecimento da primeira que foi proposta. A lei diz “´propositura da ação”, e não o momento, a hora, o instante em que o juiz oficializa sua decisão, tornando-a pública. São momentos distintos. Se ficar comprovado que a Ação Popular distribuída ao juiz federal de Niterói foi a primeira, neste caso nenhuma irregularidade existe. Caso contrário, a confusão será tremenda, tudo que foi decidido até agora pelo juiz de Niterói e pelo TRF passa ser inválido e a decisão do juiz de Teresópolis passa a prevalecer. Com isso, Cristiane toma posse, porque o juiz federal de Teresópolis negou a liminar a manteve a posse.

MUITAS DÚVIDAS – Mas surgem questões de alta indagação que o TRF terá de enfrentar com este recurso da AGU apresentado no início da noite desta sexta-feira. Trata-se de incompetência absoluta ou relativa? Se for relativa e não tendo sido questionada antes pela AGU, a competência se prorrogou. Isto é, passou a ser do juiz federal de Niterói. Além disso a AGU não poderia agora, quase 5 dias depois, argui-la. Incompetência relativa se questiona logo na primeira vez que a parte se manifesta nos autos, sob pena de preclusão, que é a perda da oportunidade de suscitá-la depois.

Caso o TRF do Rio aceite a argumentação da AGU e reconheça a competência do juiz de Teresópolis, que negou a liminar e não proibiu a posse, como ficariam as decisões do TRF que mantiveram a liminar do juiz federal de Niterói, que proibiram a posse e que reconheceram a presença da lesão à moralidade administrativa na indicação da referida deputada para a pasta do Trabalho? São decisões de segunda instância e de peso. Elas cairão por terra? Perderão sua validade e com isso a imoralidade administrativa que saiu da cabeça e punho de Temer passa a prevalecer? Isto não seria a vitória do mal sobre o bem? Do pecado sobre a virtude? Da desgraça e da desonra contra a graça e a honra?

QUE ZONA!!! – E para finalizar estas poucas reflexões processuais e morais, eis que muitas outras existem. Com o eventual prevalecimento da decisão do juiz federal de Teresópolis, que foi favorável a Temer & Cristiane, a parte autora da Ação Popular — e mesmo o Ministério Público que obrigatoriamente oficia em todas as Ações Populares — poderiam recorrer para o TRF com pedido para cassar a decisão e voltar a proibir a posse? O risco do ressuscitamento (ou repristinação) da Ação Popular de Teresópolis, com a validação da decisão que não proibiu Cristiane de tomar posse, justifica a retorno do todo o processo na vara federal de Teresópolis ao estado anterior, facultando-se recursos e peticionamentos? Cruz credo, que zona! E Temer é culpado de tudo.

Em absoluto sigilo, PT mantém conversas sobre plano B na eleição presidencial

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para fernando haddad

Haddad vai ficar com o problema nas mãos

Nonato Viegas
Época

Embora a cúpula do PT insista no discurso de que Lula é o único plano para as eleições deste ano, aliados históricos do partido garantem que os dirigentes mantêm conversas considerando alternativas como o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Jaques Wagner. Se o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região confirmar a condenação do ex-presidente no dia 24, a presença dele na campanha será incerta. Para alguns integrantes do PCdoB, PDT e PSB, aliados históricos, a condenação em segunda instância tira Lula do páreo.

O PT organiza protestos em defesa do ex-presidente Lula no dia 24 de janeiro em mais três capitais: Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro. Já estão programadas manifestações em São Paulo e em Porto Alegre, onde ocorrerá, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o julgamento do recurso do petista contra a condenação no caso do tríplex de Guarujá, no dia 24.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O candidato substituto deve ser Fernando Haddad, que já está encarregado de elaborar o plano de governo da candidatura petista. A possibilidade de Jaques Wagner disputar já está praticamente descartada. Mas a definição do Plano B só deve mesmo ocorrer quando a candidatura de Lula for impugnada, e isso só deve acontecer dia 12 de setembro, 25 dias antes da eleição. E há forte possibilidade de Haddad recusar, porque sua eleição para deputado federal é praticamente garantida. (C.N.)

Bolsonaro critica reforma da Previdência e anuncia que votará contra a emenda

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para bolsonaro dando entrevista

Na entrevista, Bolsonaro também atacou Meirelles

Deu no Estadão

Pré-candidato do PSL à Presidência da República, o deputado federal Jair Bolsonaro faz críticas ao projeto de reforma da Previdência e adiantou que votará contra se a proposta de emenda constitucional for colocada à votação na Câmara. Em entrevista ao jornal RedeTV News, da RedeTV, o parlamentar aproveitou ainda para atacar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), possível adversário na corrida pelo Palácio do Planalto neste ano. “A economia só afundou com o Meirelles”, comentou Bolsonaro.

Referindo-se à reforma da Previdência, o deputado disse que, da forma como está, a “proposta do Meirelles” não será aprovada e antecipou qual será seu posicionamento caso a matéria seja encaminhada ao plenário na Câmara. “Da forma proposta, não votarei favorável”.

REFORMA ENXUTA – Para justificar a posição, disse que não pode levar “miséria” aos aposentados por exigência do mercado financeiro, que defende, em geral, as mudanças nas regras das aposentadorias. Sobre os desequilíbrios previdenciários, afirmou ser favorável a uma reforma mais enxuta, para ser complementada pelo futuro governo.

Ao avaliar seus possíveis adversários na eleição presidencial, Bolsonaro definiu Meirelles como um homem da economia e lembrou que o ministro da Fazenda trabalhou para a JBS, do empresário Joesley Batista, preso pela Polícia Federal. Considerou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), como um homem que “tem seu valor”, mas que, apesar de ter um grande número de partidos a seu lado, encontrará dificuldade para ter o nome viabilizado eleitoralmente.

SEGURANÇA – Não citou diretamente o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas classificou como ridícula a ideia do governador, também presidenciável, de criar um ministério para a Segurança Pública. “Esses pré-candidatos são parecidos. Eu sou diferente deles”, assinalou o deputado, que aparece na segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto.

Questionado sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas, mas que pode se tornar inelegível caso tenha a condenação por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro mantida em segunda instância, Bolsonaro garantiu não estar preocupado sobre quem enfrentará no primeiro e segundo turnos. Apesar disso, reconheceu que será beneficiado se o recurso apresentado pelo petista for negado no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4).

Ex-assessor revela que até o advogado de Geddel era pago com dinheiro vivo

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para geddel charges

Charge do Son Salvador (Charge Online)

Murilo Ramos e Marcelo Rocha
Época

O ex-assessor parlamentar Job Ribeiro – que trabalhou para a família Vieira Lima por décadas e cujas digitais foram encontradas no bunker de Salvador – entregou R$ 50 mil em espécie ao escritório do advogado do ex-ministro Geddel, Gamil Föppel, como parte de seus honorários. Procurado pela Época, o advogado de Job, Marcelo Ferreira, confirmou a informação e disse que seu cliente só fez esse pagamento em dinheiro vivo à banca. O restante dos recursos foi pago, segundo Ferreira, pelo próprio Geddel e por sua mãe, Marluce Vieira Lima.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso em Brasília, e seu irmão Lúcio, deputado federal, estão incomodados com o prefeito de Salvador, ACM Neto. A dupla acha que ACM Neto está por trás do movimento de esvaziá-los no MDB baiano. O vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, tenta ocupar o espaço dos Vieiras Lima, atingidos em investigações da Polícia Federal.

TROCA DE COMANDO – Com a Lava Jato nos calcanhares do ex-ministro Geddel Vieira Lima – que está preso – e do deputado federal Lúcio Vieira Lima, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, enxerga a possibilidade de tomar as rédeas do PMDB na Bahia.

Reis se articula para isso e ganhará ainda mais força em 2018, quando assumir a prefeitura. O prefeito, ACM Neto (DEM), deixará o cargo para se candidatar ao governo do estado ou para embarcar numa candidatura a vice-presidente da República.

Empresa de portos confirma Loures como interlocutor do governo no decreto

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Loures tenta proteger Temer e vai se dar mal

Reynaldo Turollo Jr.
Folha


Investigada sob suspeita de ter sido favorecida pelo decreto dos portos de Michel Temer, editado em maio de 2017, a empresa Rodrimar afirmou à Folha que o ex-assessor do presidente e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) integrou um grupo criado pelo governo para discutir as novas normas que foram benéficas para o setor. 
Loures, diferentemente, disse em depoimento à Polícia Federal prestado em novembro que as empresas “imaginavam” nele um interlocutor do governo para o assunto, o que “não era verdadeiro”.

Em junho do ano passado, no início das apurações, ainda na esteira da delação da JBS, o executivo da Rodrimar Ricardo Mesquita, também investigado, disse à PF que Loures era “um importante interlocutor” dos interesses do setor portuário durante as tratativas sobre o decreto. A diferença entre as declarações da Rodrimar e de Mesquita e o depoimento de Loures levanta suspeitas de que o ex-assessor esteja minimizando sua participação na tramitação do texto, o que deve ser examinado pela PF. O inquérito sobre o decreto dos portos é o único ainda aberto que tem como alvo o presidente Temer.

ANTIGO FEUDO – Empresa, executivo e ex-assessor, por outro lado, foram unânimes em afirmar que seus contatos foram institucionais e que não houve pagamentos de propina. O decreto assinado por Temer ampliou de 25 para 35 anos os prazos de contratos de concessão e arrendamento de áreas nos portos, com possibilidade de prorrogação até 70 anos. A Rodrimar opera em duas áreas no porto de Santos (SP), antigo feudo de Temer, e em tese seria beneficiada em uma delas, assim como outras companhias.
Em seu depoimento, Loures relatou que conheceu representantes do setor, incluindo Mesquita, em 2013, “por ocasião da discussão da lei dos portos”. Loures disse que, após 2013, “somente veio a tomar conhecimento da matéria [do decreto dos portos] em 2017, com a chegada da minuta do decreto na Casa Civil, enviada pelo Ministério dos Transportes”. Segundo ele, “não houve um motivo específico” para ter tomado conhecimento à época –ele era assessor especial de Temer.Já como deputado, ele diz que voltou a ser procurado por pessoas do setor. Ele disse acreditar que, “pelo fato de ter passado pela estrutura da Presidência, os representantes […] imaginavam no declarante [Loures] uma maior interlocução das demandas tratadas naquela ocasião junto ao seu ex-chefe [Temer], o que afirma que não era verdadeiro”.


LIVRANDO TEMER
– O ex-assessor disse “que nunca recebeu qualquer orientação especial do presidente para acompanhar o caso da tramitação do decreto”.

Em nota à Folha em junho passado, a Rodrimar afirmou que “Rodrigo Rocha Loures participou do grupo criado pelo governo para discutir o decreto dos portos desde quando era assessor da Presidência da República”. Procurada novamente nesta semana, a empresa informou que “que não tem nada a declarar sobre o grupo formado pelo governo e que tudo está sendo apurado no âmbito do inquérito”.

Loures disse à PF “que já no mandato de deputado conversou em algumas ocasiões e também recebeu Ricardo Mesquita, na condição de representante da ABTP [associação de terminais portuários]”. Ele disse que, nesses encontros, recebia informações sobre o andamento do decreto. Afirmou, no entanto, que “não ficou encarregado nem se comprometeu em hipótese alguma que iria fazer pressão junto ao governo”.

“O GOLAÇO” – Mesquita, no seu depoimento à PF em junho do ano passado, também relatou essas reuniões, que, segundo ele, “tinham frequência praticamente semanal, visando à atualização quanto à tramitação do novo marco regulatório”. A PF questionou Loures sobre um grampo, autorizado pela Justiça, que captou o ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PP-AL), parabenizando-o em 11 de maio de 2017, um dia após a publicação do decreto. “Foi um golaço. A mídia repercutiu muito bem, o setor tá feliz”, disse o ministro a Loures.

O ex-assessor respondeu à Polícia que a felicitação deve ter ocorrido devido à finalização do processo, sem qualquer relação com o papel desempenhado por ele. Seu advogado, Cezar Bitencourt, disse que o cliente respondeu as perguntas da PF.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Temer permanece ressabiado diante da possibilidade de uma eventual negociação de Loures em um acordo de delação. Por hora, seu homem de confiança mantém a versão de ter tido com o presidente apenas um relação “profissional, respeitosa, administrativa e funcional”. A questão é, até quando permanecerá calado? Pagará sozinho essa e outras contas? (M.C.)

Sem ser candidato, Rodrigo Maia já se tornou o homem-forte desta sucessão

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para rodrigo maia charges

Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Carlos Newton

Rodrigo Maia (DEM-RJ) realmente tem muita sorte. Até 2016, era um deputado federal sem expressão nem liderança, com dificuldades para se reeleger, filiado a um partido que caminhava para extinção. De repente, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi cassado, o cargo de presidente da Câmara ficou vago. O partido majoritário era o PMDB, mas  se tornara o deserto de homens e ideias apregoado por Oswaldo Aranha. O segundo maior partido, o PT, apresentou Arlindo Chinaglia, um candidato experiente, mas fraco. Assim, em junho de 2016 Rodrigo Maia acabou sendo eleito presidente da Câmara por eliminação, por 285 votos a 170, ao disputar o segundo turno contra Rogério Rosso (PSD-DF).

UMA REVELAÇÃO – Na direção da Mesa, Maia foi uma surpresa. Mostrou grande habilidade, aproximou-se do baixo clero, também conhecido como “centrão” e se tornou um líder de grande importância no Congresso. Em fevereiro de 2017, já estava absoluto e foi reeleito presidente da Câmara como muita facilidade, vencendo o primeiro turno com 293 votos. Em segundo lugar ficou Jovair Arantes (PTB-GO), com 105 votos; em terceiro, André Figueiredo (PDT-CE) com 59, seguido por  Julio Delgado (PSB-MG),  Luiza Erundina (PSOL-SP) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Demonstrando invulgar talento para negociações, Maia tomou à frente do DEM, ofuscando o presidente do partido, o experiente senador José Agripino Maia (RN), que vem a ser seu parente, do mesmo tronco da família Maia oriundo de Catolé do Rocha, na Paraíba, de onde se espalhou pelo Nordeste e pelo país. 

ROTA TRAÇADA – Desde o início de 2017 Rodrigo Maia definiu sua trajetória política. Este ano, tem reeleição garantida como deputado e vai fazer campanha junto com o pai, Cesar Maia, que é novamente candidato a governador do Rio de Janeiro. Como puxador de votos, Rodrigo Maia quer eleger uma bancada forte. Sabe que em 2019 vai ser reeleito para a presidência da Câmara e presidirá um novo DEM revigorado.  

Embora se envaideça com a possibilidade de ser candidato à Presidência, ele está consciente de que não é a sua hora e não pretende trocar o certo pelo duvidoso. Seu objetivo inicial era fazer o DEM disputar a sucessão com candidato próprio, para se fortalecer. No ano passado, Maia chegou a negociar a legenda com o prefeito tucano João Dória, promoveu também reuniões com o apresentador global Luciano Huck e conversou a respeito com o ministro Henrique Dornelles, que já tem legenda garantida no PSD e almeja fazer coligação com o DEM, que indicaria o vice, possivelmente ACM Neto.   

ARDIL DO PLANALTO – De repente, por invenção do Planalto, que tenta desesperadamente inviabilizar a candidatura de Meirelles, começaram a circular informações de que Rodrigo Maia será candidato. O presidente da Câmara não desmente nem confirma, apenas aproveita a onda para aumentar ainda mais seu prestígio político.

Ele é um negociador nato, passou a ter grande importância na sucessão, porque o apoio do DEM fortalecerá muito qualquer candidatura de centro, centro-direita ou centro-esquerda. Ainda mais porque Maia passou a negociar também em nome do PP e do Solidariedade, presididos pelo senador Ciro Nogueira (PI) e pelo deputado Paulinho da Força (SP). Sozinhos, os partidos DEM, PP e Solidariedade pouco representam na sucessão, podem até lançar Rodrigo Maia como candidato, mas isso não significará quase anda. O importante é que estão unidos e aumentaram estupidamente seus cacifes eleitorais, em meio aos entendimentos em curso para fechamento das coligações.

Temer, Alckmin e Meirelles sabem que só terão chances se conseguirem se coligar com a tropa de choque de Maia, Nogueira e Paulinho. Até porque Rodrigo Maia é espertíssimo e não parou por aí. Agora, está procurando outros partidos para incorporar a seu grupo – os dois primeiros a serem abordados serão o evangélico  PSC, do pastor Everaldo Pereira,  e o PR, fruto da fusão do PL com o Prona, cujo presidente Antonio Carlos Rodrigues recentemente passou algumas semanas preso pelos federais. Mas isso é apenas detalhe, porque o que interessa mesmo é o tempo na televisão. 

###
P.S. – Em tradução simultânea, Rodrigo Maia passou a ser a peça-chave da sucessão. Resta saber se vai conduzir o grupo do centrão a se aliar a Temer, Meirelles ou Alckmin. O suspense é de matar o Hitchcock, diria nosso amigo Miguel Gustavo. (C.N.)

Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora…

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para geraldo vandré

Vandré, com a cantora americana Joan Baez

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, cantor e compositor Geraldo Vandré, nome artístico utilizado pelo paraibano Geraldo Pedroso de Araújo Dia, em 1968 participou do III Festival Internacional da Canção com “Pra não dizer que não falei de flores”, mais conhecida por “Caminhando”. A música surgiu como um apelo nacional de mudança e veio ao encontro das aspirações do povo brasileiro que vivia um regime de opressão e instabilidade econômica, social e política. A letra trazia toda a força, inconformidade e chamado de luta e de mudança, características próprias da juventude. Ela fala em união, igualdade, integração e aborda os problemas sociais da época, a pobreza, a reforma agrária, a vida dos soldados nos quartéis, a inutilidade das guerras, conclamando a todos para uma ação conjunta de mudanças, sem demora.

A composição se tornou um hino de resistência do movimento civil e estudantil que fazia oposição à ditadura militar e foi censurada. O Refrão “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, / Não espera acontecer” foi interpretado como uma chamada à luta armada contra os ditadores, segundo os censores da época.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Justiça convoca Padilha para depor como testemunha de defesa de Geddel

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Padilha não respondeu à solicitação judicial no prazo

Camila Bomfim
G1/TV Globo

A Justiça Federal em Brasília marcou o depoimento do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para o dia 6 de fevereiro no processo em que o ex-ministro Geddel Vieira Lima é acusado de obstrução de Justiça. Geddel arrolou Padilha como testemunha de defesa. Na decisão, o juiz Vallisney de Oliveira informa que Padilha, apesar de ter sido intimado a dizer hora e dia de seu depoimento, como está previsto no Código de Processo Penal, não respondeu à solicitação judicial dentro do prazo.

Com isso, o juiz aplicou um entendimento, firmado pelo Supremo Tribunal federal (STF), segundo o qual, nesses casos, a Justiça pode marcar o depoimento para a data e horário que avaliar como mais adequados. Em nota, a defesa de Padilha disse que não comenta o caso “fora dos autos, em respeito institucional ao Poder Judiciário”.

OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA – Geddel é investigado por tentativa de atrapalhar a delação de Lúcio Funaro, na fase em que ele estava em tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Funaro é apontado como operador de propinas do PMDB. Segundo as investigações, Geddel fez contatos telefônicos constantes com a esposa de Funaro, Raquel Albejante Pita.

Procuradores dizem que o objetivo de Geddel era sondar como estava o ânimo do doleiro e garantir que ele não fornecesse informações às autoridades. Geddel foi preso pela primeira vez em julho de 2017. Ficou cerca de dez dias preso e foi solto por decisão do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Ney Bello.

Hoje ele está preso por causa de uma segunda investigação; os R$ 51 milhões encontrados em malas e caixas em um apartamento em Salvador, que ficou conhecido como o “bunker de Geddel”. Em dezembro, a PGR denunciou Geddel, o irmão dele, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e outras quatro pessoas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ uma saia justa para Padilha, que tem um medo enorme de entrar em delegacia de polícia ou em tribunal, porque não sabe se conseguirá sair em liberdade. (C.N.) 

Temer prefere Alckmin e não apoia candidaturas de Meirelles e Rodrigo Maia

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para alckmin opus dei charges

Charge do Kacio (kacio.art.br)

Pedro do Coutto

Em entrevista a Eliane Cantanhede, manchete principal da edição de quinta-feira de O Estado de São Paulo, o presidente Michel Temer manifestou preferência à candidatura de Geraldo Alckmin e, ao mesmo tempo, não deu força às pretensões de Henrique Meirelles e Rodrigo Maia à sucessão presidencial de outubro deste ano. O Presidente da República afirmou que prefere que Henrique Meirelles permaneça no Ministério da Fazenda até o final de seu governo. E que Rodrigo Maia dispute a reeleição e também se candidate a novo mandato de Presidente da Câmara Federal.

A entrevista ocorreu num almoço no Palácio do Planalto para o qual convidou a jornalista. Focalizou vários temas, incluindo o projeto de reforma da Previdência Social. Eliane Cantanhede também destacou trechos da conversa com Temer no jornal da Globonews, noite de quarta-feira, do programa conduzido por Sérgio Aguiar.

CHEGA DE CRISES – Michel Temer acentuou que o eleitorado brasileiro vai às urnas de outubro buscando a segurança e a serenidade, uma vez que está cansado da sucessão de crises que atinge o país e vai querer a manutenção do programa do governo atual, que está, segundo ele, recuperando a economia e a tranquilidade.

Essa frase pode ser interpretada como um sinal de alerta em relação à candidatura de Jair Bolsonaro. Ao destacar que prefere Geraldo Alckmin, Temer acenou para a manutenção do acordo com o PSDB, principalmente depois que o ex-presidente da República, Fernando Henrique, manifestou seu apoio à candidatura do governador de São Paulo.

APOIO A ALCKMIN – Entre uma pausa e outra, Michel Temer revelou ser amigo pessoal de Geraldo Alckmin há muitos anos. Michel Temer declarou à repórter que Alckmin preenche os requisitos de segurança e serenidade. Tornou claro seu apoio ao governador que, para se candidatar, terá que renunciar até 7 de abril, seis meses antes das eleições. Renunciando, o governo de São Paulo passará às mãos do vice Marcio França, que é do PSB. O presidente da República disse que Rodrigo Maia está se movimentando muito, mas acredita que sua prioridade é se reeleger à presidência da Câmara dos Deputados.

A entrevista publicada pelo O Estado de São Paulo vai forçar uma reação natural do ministro Henrique Meirelles que vinha falando como possível candidato de união do centro no horário político que cabe ao PSD. Vamos esperar porque é possível que ele não se sinta à vontade à frente da economia depois da preferência clara de Temer por Geraldo Alckmin.

UM OUTRO ASSUNTO – Diante da reação do PT contra Luciano Huck por sua fala, domingo passado, no programa do Faustão, interpretada como propaganda eleitoral, o apresentador Huck disse que a entrevista no Domingão fora gravada antes dele desistir de uma possível candidatura à presidência.

Mas acontece que ele desistiu através de artigo publicado há mais de um mês pela Folha de São Paulo, portanto é muito pouco provável que a gravação tenha ocorrido há pelo menos quatro semanas. Isso de um lado. De outro, a foto publicada na imprensa, de acordo com o repórter Gilberto Amêndola, O estado de São Paulo também de quinta-feira, mostra Faustão vestindo camisa igual àquela com que conduziu seu programa no domingo passado.

Coisas da política, situações que causam surpresa.

Defasagem do Imposto de Renda passa de 88% e achata a renda da classe média

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para imposto de renda charges

Charge do Léo (Diário da Mídia)

Rodrigo Oliveira
Site do Sindifisco

Apesar de a inflação oficial do ano passado ter encerrado no menor índice desde 1998 – o IPCA fechou em 2,95% –, a defasagem da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) não para de aumentar. Está em 88,40%, conforme estudo do Sindifisco Nacional. O levantamento preenche o período de 1996 até agora.

“Ao se apossar daquilo que não tem direito, o governo achata a renda do trabalhador. Obriga-o a pagar mais imposto, dinheiro que poderia ser mais bem aplicado – na poupança, no aprimoramento da formação educacional, no consumo etc.”, criticou Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco Nacional.

Se a faixa de isenção atual chega aos contribuintes que ganham até R$ 1.903,98, se fosse corrigida livraria todo assalariado que ganha até R$ 3.556,56 de reter imposto na fonte. Representa dizer que essa diferença de R$ 1.652,58 pune as camadas de mais baixa renda. É importante lembrar também que a tabela do IRPF não vem sendo reajustada.

PAGA-SE MAIS – Isso, porém, não afeta somente o trabalhador de menor salário. Todas as demais faixas obrigam o contribuinte a pagar mais imposto de renda do que deveria. E piora à medida que os descontos permitidos no IR também são menores. O desconto por dependente, por exemplo, de R$ 189,59/mês (R$ 2.275,08 anual), deveria ser R$ 357,19/mês (R$ 4.286,28 anual). Com educação, se corrigido chegaria a R$ 6.709,90, mas, pela tabela de 2017, o teto foi de R$ 3.561,50.

“O prejuízo do contribuinte não ficou maior porque o IPCA de 2017 foi um dos mais baixos em quase 20 anos”, alertou Damasceno. O estudo também está disponível no site www.sindifisconacional.org.br.

(matéria enviada pelo auditor Darcy Leite)

Bolsonaro defende auxílio-moradia e acusa a Folha de tentar desestabilizá-lo 

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Imagem relacionada

Bolsonaro usou o dinheiro para “comer gente”

Camila Mattoso e Italo Nogueira

Em entrevista à Folha, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltou a criticar o jornal e a defender o recebimento de auxílio-moradia da Câmara, mesmo tendo imóvel próprio em Brasília. Ele disse que pretende vendê-lo e pedir apartamento funcional. Questionado se usou o dinheiro do benefício para comprar seu apartamento, ele respondeu: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

Bolsonaro disse ter cometido um deslize em 1999 quando afirmou, em entrevista, que sonegava impostos, recomendação que transmitia na época a toda a população. Ele nega ainda irregularidades na construção de seu patrimônio.

A Folha publicou no domingo (7) que o presidenciável e seus três filhos parlamentares multiplicaram o patrimônio na política, reunindo atualmente 13 imóveis em áreas valorizadas do Rio e de Brasília, com preço de mercado de cerca de R$ 15 milhões.

A entrevista não foi agendada. A Folha encontrou-se com o presidenciável na porta de sua casa em Angra dos Reis, durante apuração sobre servidora lotada em seu gabinete.

O sr. tem escritório em Angra?
Não tenho escritório, ou você quer que eu tenha escritório? Como posso ter escritório aqui? Posso ter funcionário lotado no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, como parlamentar. Não posso ter no Ceará, por exemplo. Se eu for abrir escritório em Resende, abrir em Angra, [já] tenho em Niterói, vou abrir quatro escritórios, vou pagar como?

A gente conversou aqui com algumas pessoas e todas identificam a Walderice (servidora da Câmara) e o Denilson como funcionários, caseiros.
Não são funcionários, a Wal raramente entra aqui, é esposa dele, não queira forçar uma barra…

O sr. afirmou que a Wal é comissionada (na Câmara). O que ela faz?
Ela faz o que qualquer comissionado faz. Qualquer problema da região ela entra em contato com o chefe de gabinete, tenho 15 funcionários no Estado do Rio de Janeiro.

Que tipo de problema?
Uma carência da prefeitura, para que um parlamentar possa apresentar uma emenda pra cá. O prefeito, atualmente, me dou muito bem com ele.

Mas o sr. tem quantos funcionários além dela?
Tem aqui, tem em Resende, tem no Rio de Janeiro, tem no DF.

Tem um período em que ela até virou “chefe de gabinete”?
Negativo.

Teve sim, em 2011 e 2012.
Chefe de gabinete? É comissionado, lá em Brasília, como é chefe de gabinete? O que acontece? De vez em quando o que acontece? Há um funcionário demitido, então aquela verba a gente destina por um funcionário por pouquíssimo tempo, é isso o que acontece. São pessoas paupérrimas aqui na região. Vocês querem criar um fato, não vão conseguir criar um fato.

O sr. fala que ela fica aqui atendendo demandas da região…
Sim, mas não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não, não, ela lê jornais, acompanha o que acontece, faz contato comigo, não tem nada a ver com a casa.

Por que o senhor não responde as 32 perguntas que a Folha mandou (sobre patrimônio)?
Eu tenho obrigação? É CPI agora? Pergunta ao vivo que eu te respondo. Eu tô gravando agora, para vocês pinçar [sic] o que interessa… eu sei a serviço de quem vocês estão, vocês estão a serviço de me desestabilizar. Esse é o trabalho, que não é teu. Porque você, com todo respeito, você merece respeito, mas os interesses da Folha estão acima do seu conhecimento. Para vocês interessa qualquer um presidente da República, menos Jair Bolsonaro. Afinal de contas, aquela mamata de vocês, de milhões ao longo do governo do PT, aquela mamata da Folha vai deixar de existir. Dinheiro não é para dar pra vocês da imprensa desinformar, publicar mentiras ou meias verdades, o dinheiro público é para atender à população, não pra atender vocês.

O senhor falou em um vídeo no Facebook na noite de quarta que está pensando em abrir mão do auxílio-moradia e vender seu apartamento.
Sim, olha só. O que eu devo fazer? Chegando lá em janeiro, acabando o recesso [parlamentar], vou pedir o apartamento funcional, inclusive tem mais ou menos 60 m2 o meu apartamento, vou passar para um de 200 m2, espero que pegue com hidromassagem, ok? Eu vou morar numa mansão, não vou pagar segurança, não vou pagar IPTU, no meu eu pago, não vou pagar condomínio, no meu eu pago, eu vou ter paz.

O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?
Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?

Eu estou satisfeita pelo senhor dar uma resposta.
Porque essa é a resposta que você merece. É a resposta que você merece (…) O dinheiro que entra do auxílio-moradia eu dormia em hotel, eu dormia em casa de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver mil, tem cabimento isso?

Diversos colegas do senhor fazem isso. O auxílio-moradia tem uma modalidade que você recebe em dinheiro e outra que recebe em depósito e presta contas. A maioria dos colegas do senhor faz isso.
Dorme em hotel, flat, geralmente hotel. Ninguém pega dinheiro. Ele apresenta a nota, até aquele limite, R$ 6 mil, o dinheiro é ressarcido para a conta dele. Qual a diferença?

A diferença é que ele comprova o uso para o auxílio-moradia.
Nenhuma nota técnica da Câmara, nada. Nada da Câmara diz o que você tá falando. Não diz que é proibido o parlamentar que porventura tenha casa…

Mas o senhor acha…
Não tem acha. Não vem com esse papo de acha.

É porque o senhor tem discurso de moralidade.
Sim, sim. Discurso, não. Prática. Por que vocês nunca publicaram na Folha que o Joaquim Barbosa me citou no mensalão? Peraí, me responda. Por que na Folha vocês nunca publicaram que o Joaquim Barbosa me citou no mensalão?

Deputado, vamos voltar, o sr está aqui para responder pergunta.
Que estou aqui pra responder pergunta, estou te atendendo, em consideração.

Por que o sr. não tem o mesmo comportamento do auxílio-moradia com a verba (indenizatória, para despesas do gabinete) da Câmara que o sr. se orgulha de ter devolvido?
Opção. Onde eu errei aí? Onde eu estou em curso em alguma lei, onde cometi algum crime?

O sr. não considera que foi um erro?
Não. É um direito que eu tenho. Onde tem alguma instrução na Câmara que diz que quem tem imóvel em Brasília não pode receber auxílio-moradia?

O sr. não acha também que é uma contradição com seu discurso?
Negativo. Eu poderia, esses R$ 100 e pouco mil que devolvi do ano passado, ter encomendado trabalho em gráfica, pago matéria em jornal. Eu poderia ter pago matéria em jornal.

A diferença objetiva entre auxílio-moradia e a verba da Câmara é que a verba da Câmara não vai para o sr. O auxílio-moradia vai para o sr.
Oh, meu Deus do céu. Dá na mesma, cara.

Vamos falar do seu patrimônio. O senhor estava criticando o fato de a Folha ter divulgado o valor do patrimônio do sr., da sua família.
Peraí, você tem que divulgar é o meu patrimônio. Daqui a pouco vão querer pegar minha mãe, com 91 anos de idade. Começar a levantar a vida dela.

Pegamos só dos parlamentares.
Peraí. Você vai pegar da minha mãe daqui a pouco. Meu pai já morreu. dos meus irmãos. Ok? Tem que pegar o meu. Esquece meus filhos. Se o meu filho assaltar um banco agora ou ganhar na Mega Sena, é problema dele, não é meu.

O senhor, por exemplo, quando colocou a economia que o senhor fez (com dinheiro da Câmara), colocou a sua junto com a do seu filho do lado. É a mesma forma como tratamos na matéria. Fizemos levantamento dos parlamentares. Não envolvemos nenhuma pessoa da família que não seja político.
Tem familiares que são igual cão e gato, não se dão. Você tem que levantar a minha vida. Igual, pegaram meu irmão em SP. Pegaram um tempo atrás, funcionário fantasma da Alerj. Não foram vocês dessa vez. Funcionário fantasma. Quando fizeram a matéria, já tinha uma semana que tava demitido. Não foi demitido de forma retroativa. Ninguém, imprensa nenhuma falou… A Folha fez a matéria, depois bateu em cima, não sei quem foi, Record ou SBT. Não diz quem foi que empregou meu irmão em SP. Não disseram. O objetivo é atingir a mim.

A gente procurou o senhor.
Ah, procurou, procurou. Eu tenho obrigação de atender?

Não tem obrigação, mas tem que dizer que a gente procurou.
Não procuraram. Estão mentindo. Não me procuraram. No meu telefone, não.

Procuramos sim, senhor. Procuramos no telefone do senhor, no telefone do Eduardo.
Vocês têm medo de falar comigo.

Não temos medo.
Têm, sim. Várias vezes, entrevista em Brasília, depois de duas vezes que fiz com vocês, se negaram…

Deputado, aqui não é uma disputa de quem é mais corajoso. A gente está em uma conversa sobre…
Auxílio-moradia.

Não, auxílio-moradia a gente já passou.
Patrimônio.

Agora sobre patrimônio.
Patrimônio meu está aí. Bem, vamos lá. O Janot, isso tem uns 3 ou 4 anos, disse que não tinha qualquer indicio de crime na transação.

O senhor tem duas casas num condomínio. A casa 58 e a casa 36. Estão no nome do senhor. Está correta essa informação?
Tá certo.

A casa 58 o senhor comprou em 2009. Está correto?
Tá.

E a 36?
Em 2012, se não me engano.

E como é que foi a compra da 58?
Tá no contrato, cara. Eu estava procurando casa no condomínio porque eu morava de aluguel e apareceu essa oportunidade. O vizinho resolveu vender pra mim porque deu preferência por saber que não vai dar problema pra ele. É simples. O preço que ele botou lá é problema dele, não é meu.

Mas o senhor não acha curioso, estranho, o fato de ela ter comprado 4 meses antes por R$ 580 mil?
Não acho estranho.

Ela ter declarado à Folha que reformou o imóvel para vender e depois da reforma ela vendeu por R$ 400 mil?
Quando eu entrei na casa, ela estava pintada, ela estava caiada, a reforma foi caiar a casa, mais nada. Aquilo não foi reforma que fizeram. Tanto é que, quando eu entrei, tive que refazer tudo. O mais fácil, se eu tivesse recurso, era botar a casa no chão e fazer outra.

O ITBI estava calculado em R$ 1 milhão e o senhor pagou R$ 400 mil.
O ITBI não é em função do que você paga, ele é em função do valor venal, você não tem como sonegar o ITBI.

Mas o senhor recorreu [do valor cobrado no ITBI]? Porque o senhor acabou pagando o dobro de imposto.
Eu não quis recorrer, o meu advogado não quis recorrer.

O senhor pode explicar para quem não entendeu?
Lá, por exemplo, as casas, 90% das casas não têm habite-se, aquelas ruas nossas, com uma chuva um pouco além do normal, ela alaga.

Deputado, a gente está falando de um condomínio na rua Lúcio Costa.
É um bom condomínio, sim. O total da área, da minha casa, é de 240m2.

290 e pouco, segundo o IPTU.
Não é 450m2, que é o padrão que tem por aí.

Há diferença entre o que o senhor pagou e o que foi calculado pela prefeitura. A que o senhor atribui essa diferença?
O meu corretor que fez a compra. Você acha que foi sair de Brasília e ficar 2, 3 dias correndo cartório, tirando certidões negativas, o corretor que fez.

Em 1999, o senhor declarou em uma entrevista que sonegava, defendia a sonegação.
Sim. Mas pera aí, deixa eu complementar. Terminou? Vai, continue.

Esse modelo de compra que o senhor fez, o Coaf classifica atualmente como uma operação sob suspeita de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. O senhor sonegou impostos nessa operação?
Quando eu falei que sonegava… quem hoje em dia e no passado nunca se indignou com a sua carga tributária? Quem quer ter segurança tem que fazer o quê? Segurança particular, quem quer ter saúde, tem que colocar o filho em escola particular… educação. Quem quer ter saúde, precisa ter um plano. Foi um desabafo, e desabafo hoje de novo também. Hoje o povo, como um todo, só não sonega o que não pode, e é uma verdade isso daí. Eu, representando o povo, desabafei naquele momento isso.

Mas o sr., como homem do povo, o sr. acha…
Não é justo você sonegar. O injusto é o governo não dar nada em troca dos impostos que estão sendo arrecadados.

O sr. declarou que sonegou.
Eu nunca soneguei. Eu sonego… ‘Eu mato tudo quanto é bandido que vier pela frente’. Matei algum bandido?

Mas naquela declaração, o sr. falou…
Eu estava na televisão, desabafando a questão da carga tributária nossa.

Sim, e o sr. desabafou que sonegou um imposto.
Não desabafei. Falei ‘sonego tudo que é possível’. Como posso sonegar, por exemplo, ICMS?

Se o sr. sonega tudo o que é possível, o sr. confirma uma sonegação. Concorda?
Não é possível. Não, não, não. Negativo. Era um desabafo. Você acha que, na minha função de parlamentar, se eu fosse um sonegador, ia estar falando?

Mas o sr. falou.
Você acha? Eu tenho imunidade para falar, não é para entrar na Lava Jato. Tenho imunidade para falar o que bem entender. Sou o único deputado que não tenho imunidade parlamentar.

O sr. pode falar que cometeu uma sonegação fiscal?
Nunca cometi.

Mas por que o sr. afirmou naquela época?
Naquela época, eu estava reverberando, como agora poderia reverberar, um clamor popular.

O sr. pode reverberar defendendo a sonegação. Mas o sr., além de defender de defender a sonegação…
Pega a fita lá na íntegra.

Eu peguei. Além de defender a sonegação, o que seria um apoio à população, o sr., como pessoa física, reconheceu ter sonegado. Falou ‘sonego e recomendo a todas as pessoas que soneguem’.
Mas qual o problema? Estou desabafando.

Se o sr. sonega, é um problema fiscal.
Eu não sonego nada. Se houve um deslize num palavreado meu, é uma coisa. O que eu tava é reverberando a indignação popular.

Foi um deslize do sr.?
Hoje em dia, sim. Com a situação que estou, vou falar que foi deslize. Se eu chegar à Presidência da República, nós vamos tratar o dinheiro com zelo. Tanto é que não vai ter dinheiro para vocês da imprensa, que faz essa imprensa fake news como vocês aí. Então, a Folha fake news foi R$ 180 milhões, mais ou menos, no governo do PT. Essa grana vai para o povo.

O sr. acha o salário de deputado justo?
Para mim está excelente. Para mim sobra dinheiro demais.

Mas o sr. acha correto isso?
Pô, cara, você quer que eu devolva meu salário agora?

Não. Quero a sua opinião como pré-candidato a presidente.
Perto da população brasileira, é um salário astronômico.

O sr. acha correto seu salário?
Eu uso meu salário até para fazer campanha. Os 10% que tenho direito, até isso eu uso.

E por que, ainda assim, o sr. pega auxílio-moradia?
Você quer que eu faça o quê? Que eu ganhe um salário mínimo por mês? Quanto tu ganha na Folha?

Eu não sou funcionário público, não sou obrigado a responder isso.
Ah, é? Ah, é?

É.
Ah, é? Você não tem obrigação, você não tem obrigação, mas abre o jogo. Vamos abrir o jogo.

Eu sou da iniciativa privada
Vamos abrir o jogo. Fala o teu salário aqui. Quanto a ‘Foice de S. Paulo’ paga pra você? Conta aí. Vocês tão sem matéria mesmo, né? O Brasil, com 14 milhões de desempregados, roubalheira bilionária, a Petrobras afundada, vocês vêm me encher o saco por causa de um auxílio-moradia de R$ 3 mil.

Você acha que o trabalho da imprensa é encher o saco?
Porra, você está enchendo o saco, porra. Você está procurando ovo… cabelo em ovo, poxa. Você está preocupado… Fica tranquilo. A partir de fevereiro agora, eu vou ocupar um apartamento funcional…

Para que o senhor precisa de apartamento funcional se o sr. tem apartamento em Brasília?
Vou vender o de Brasília. Se quiser comprar, vou ver o preço de mercado.

Deputado, só para esclarecer uma coisa: nenhuma das duas matérias da Folha acusou o sr. que fez alguma coisa ilegal.
Vocês fizeram uma bomba de merda.

O sr. pode classificar como o sr. quiser. Mas o sr. usa como exemplo o fato de não usar dinheiro (verba indenizatória) que a Câmara disponibiliza como uma forma de economizar dinheiro público, que o sr. tem zelo pelo dinheiro público. Mas por que o sr. não tem essa preocupação com o auxílio-moradia, que o sr. ganha R$ 3 mil em dinheiro com o desconto de Imposto de Renda. Ou seja, a Câmara oficializa um aumento de salário já porque gasta Imposto de Renda.
Pergunte ao quarto secretário.

Mas por que o sr….
O dinheiro é legal.

Mas o sr. diz que é diferente de todos os 512 deputados…
Eu poderia devolver o auxílio-moradia e usar a verba da Câmara para outra finalidade. Qual a diferença? No final dá a mesma coisa.

O sr. está tratando o cotão (verba indenizatória de gabinete) como se fosse uma propriedade do sr. Aquilo ali é para o usar para o seu mandato, para o que o sr. necessita, para atividades parlamentares. Se o sr. não precisa, não tem por que o sr. usar. O sr. não devolveu.
Por que o sr. não questiona outros parlamentares que usaram 100% do cotão?

Porque o sr. é pré-candidato à Presidência. O sr. está em segundo lugar…
Ah, o objetivo é este?

Claro.
Me colocar numa estação de quem está denunciado no mensalão, na questão do petrolão, quem recebeu dezenas de milhões de caixa dois para campanha… Auxílio-moradia, para vocês, vale a mesma coisa de quem recebe R$ 20 milhões do petrolão. Ah, está de brincadeira comigo, né?

O sr. está concorrendo ao principal cargo do país.
E é bom vocês torcerem para eu não chegar porque vai acabar a teta de vocês e você vai perder o teu emprego lá.

Por que? O sr. vai pedir a demissão? O sr. vai interferir na imprensa?
Não vai ter dinheiro para vocês. O dinheiro para imprensa vai ser para o povo.

Mas aí quem vai avaliar a verdade é o sr. como presidente?
Não vai ter dinheiro meu, se eu for presidente, no Orçamento para vocês.

Mas o sr. se incomoda com esse olhar da imprensa em relação ao sr.?
Se você faz a matéria justa, bota as datas que eu adquiri, bota a data de compra da época…

A gente traz data, deputado…
Não. Bota lá atrás a data que foi adquirido, preço de mercado…. Como falei para você agora: quer comprar um apartamento em Copacabana por R$ 100 mil?

Mas os R$ 400 mil da casa 58 não é preço de mercado.
Aquela localização é igual a um apartamento em Copacabana na Ladeira dos Tabajaras.

Na orla, na avenida Lúcio Costa?
Isso foi em 2009.

Mas é disso que a gente está falando.
Pergunta para quem me vendeu. É simples o negócio. Se eu quiser vender essa casa aqui para este cara aqui agora por R$ 50 mil, eu posso vender?

Se o sr. quiser…
Ah, bom.

Mas que vai ser estranho o sr. vender esta casa por R$ 50 mil, vai.
Mas se eu quiser vender.

O sr. não vai achar estranho?
Não acho estranho.

Não?
Não. Se eu tenho uma dívida de gratidão com a pessoa. Posso até doar a coisa.

Como presidente o sr. vai manter essa postura de não responder a imprensa?
Respondo a imprensa séria.

Qual imprensa? O sr. já criticou O Globo, já criticou a Folha, já criticou a TV Globo…
Tem imprensa que eu elogio.

Quem por exemplo?
No Nordeste, quase todos os jornais do Nordeste, quando eu vou lá, eu sou tratado com dignidade. No Nordeste, eu sou tratado com dignidade. Estive agora no ‘A Crítica’, em Manaus, pergunta, resposta, numa boa, tranquilo. E a matéria saiu com o que foi tratado no dia anterior.

Como deputado e se for presidente, o sr. acha que pode escolher a quem responder e quem não responder?
Se você perguntar da Folha, vou falar ‘fake news, passe pra outra’. Pode ter certeza.

É essa a postura que o sr. vai ter?
Para vocês da Folha, vai. ‘O Globo’ não. ‘O Estado de S. Paulo’ não. É o meu entendimento. Eu respondo a quem eu quiser.

Como presidente da República?
Eu respondo a quem eu quiser. Vocês da Folha eu não respondo. Vocês da Folha desistam. Não precisa ter aquele comitê de imprensa no Planalto. Sai fora que vocês não vão ter resposta nenhuma.

Então, por que o sr. recebeu a gente aqui hoje?
Vocês estavam aqui na frente, eu até considerei. Querem conhecer a casa não? Filma a casa aí.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando um político se propõe a ser candidato à Presidência, sabe que sua vida será vasculhada pela mídia e pelos adversários. Bolsonaro mostra estar muito despreparado. Não devia ter acumulado tanto patrimônio imobiliário nem contratado empregados pessoais com verbas públicas. Quanto à entrevista, foi extremamente desrespeitoso ao dizer à excelente repórter Camila Mattoso que usou o dinheiro do auxílio-moradia para “comer gente”, porque “estava solteiro”. A jornalista foi educada, fingiu que não entendeu e seguiu adiante com a entrevista. (C.N.)

Filho de Jader Barbalho recebeu R$ 2,2 milhões da Odebrecht, mas nega caixa 2

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Barbalho negou ter recebido valores em caixa dois

Rubens Valente e
Reynaldo Turollo Jr.
Folha

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB-PA), afirmou em depoimento à Polícia Federal que se reuniu com um executivo da Odebrecht em um hotel em São Paulo durante a eleição de 2014 para pedir “doação eleitoral oficial” à campanha dele ao governo do Pará. O ministro disse que recebeu R$ 2,2 milhões declarados à Justiça Eleitoral e negou ter recebido valores em caixa dois, o que contraria o depoimento de dois delatores da Odebrecht, segundo os quais foram pagos em espécie, não declarados, R$ 1,5 milhão em hotéis de São Paulo.

O depoimento de Barbalho, prestado em 14 de dezembro, confirma trechos dos depoimentos de Fernando Reis e Mário Amaro de Oliveira, executivos da Odebrecht que fecharam acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Eles haviam relatado que, em 2014, Barbalho viajara de Belém (PA) para o encontro em São Paulo ao lado de mais duas pessoas, o senador Paulo Rocha (PT-PA), aliado político na campanha, e o então prefeito de Marabá (PA), João Salame Neto (MDB), atual diretor de um departamento do Ministério da Saúde.

FORÇAS COMPROMETIDAS – Segundo Amaro, a Odebrecht detinha, por meio da empresa Saneatins, seis concessões de serviços de saneamento no interior do Pará e pretendia ampliar suas atividades. Por isso, procurou Barbalho para “identificar forças políticas no Estado que estivessem comprometidas com a ampliação da participação privada no setor de saneamento”. Em setembro de 2014, foi agendado o encontro no hotel Tryp em São Paulo.

Na reunião, segundo Amaro, Barbalho disse que, em seu futuro governo, “priorizaria o saneamento de água e esgoto” e “contaria com a Odebrecht Ambiental para estudar uma melhor forma de parceria público-privada”. Segundo Amaro, o candidato mencionou que precisava de R$ 30 milhões para a campanha e indicou um nome “para que recebesse os valores”, o do ex-senador e atual secretário nacional de Portos, vinculado ao Ministério dos Transportes, Luiz Otávio Oliveira Campos.

Segundo Amaro, Paulo Rocha não pediu recursos para sua campanha. Amaro disse que dias depois foi a Brasília para se encontrar com Campos em sua casa, no Lago Sul, e informou que a Odebrecht iria pagar R$ 1,5 milhão em caixa dois. Os delatores entregaram à PGR uma planilha com o registro de três pagamentos à campanha do ministro, sob o codinome “Cavanhaque”.

CONTRIBUIÇÃO PARA CAMPANHA – Barbalho negou ter indicado o nome de Campos para Amaro. Contudo o próprio Campos, em depoimento à PF, confirmou ter recebido Amaro em sua casa e disse ter ouvido do executivo que a empresa iria contribuir com R$ 1,5 milhão para a campanha em doação oficial. Campos disse que apenas pediu que Amaro entrasse em contato com o então secretário-geral do MDB no Pará, que já morreu, e não mais teve contato com ele. Em nota à Folha, Helder Barbalho afirmou que mantém seu depoimento à PF.

“Todas as doações para a campanha ao governo do Pará, em 2014, foram legais, apresentadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.” Salame disse, por meio da assessoria do Ministério da Saúde, que “confirma o relato do ministro Helder Barbalho e reforça que não participou da conversa”. À PF o ministro não disse que Salame ficou fora da reunião. A assessoria do senador Paulo Rocha disse que não o localizou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 –  A versão de Mário Amaro, o delator, foi a de que no encontro, em 2014, em um hotel no Itaim Bibi, Barbalho tinha dois problemas; o do saneamento no Pará, que seria uma de suas prioridades, via solução privada, e a necessidade de bancar a campanha. Exagerou em R$ 30 milhões.  A Odebrecht quase desistiu, mas fechou em R$ 1,5 milhão, em três vezes. A  intenção da empreiteira era estabelecer uma “relação melhor” com a Companhia Estadual de Saneamento do Pará (Cosanpa) que fazia o que podia para “perturbar”. Companhias estaduais não gostavam de perceber que poderiam perder terreno para operadores privados. Barbalho, derrotado no segundo turno das eleições pelo tucano Simão Jatene, disse que o enredo não foi bem esse. Que não tinha qualquer ingerência sobre a área de saneamento no município de Marabá, que não foi via caixa 2 e, o que mais o intrigou, nunca usou cavanhaque. (M.C.) 

Evolução dos votos brancos e nulos exibe a desilusão com a política brasileira

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Resultado de imagem para votos brancos e nulos charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Bruno Carazza
Folha

Três grandes temas dominaram as análises sobre os resultados das últimas eleições municipais no Brasil: o fraco desempenho do PT, o sucesso de candidatos que se apresentaram como não-políticos (Dória, Kalil etc.) e o elevado índice de abstenção nas principais cidades brasileiras. No calor dos resultados das urnas, esses três movimentos foram imediatamente relacionados com a descrença da população com o modo tradicional de fazer política, ainda mais diante das revelações da Operação Lava-Jato. Poucos dias depois, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e alguns analistas começaram a desconstruir a tese de que a elevada abstenção seria um protesto “contra tudo o que está aí”.

Em artigo na Folha, o cientista político Fernando Limongi disse  que a causa para a sensação de que muita gente ter deixado de comparecer às urnas, segundo o pesquisador, estava relacionada a defasagens no cadastro eleitoral do TSE, que não contabilizava eleitores já falecidos ou que migraram para cidades distantes. A partir daí a discussão morreu, e aparentemente ninguém falou mais sobre isso.

NOS CÁLCULOS – Para dar uma dimensão mais exata desse fenômeno, calculei as taxas de votos em branco e nulos sobre o total dos eleitores que compareceram à votação (e não sobre o total do eleitorado, como normalmente se faz) nas últimas eleições brasileiras.

Na era da urna eletrônica, quem aparece para votar e quer protestar contra a “farsa das eleições” tem duas opções: ou aperta o botão “branco” ou digita um  número que não foi atribuído a nenhum candidato ou partido e depois “confirma”.

Há uma nítida tendência de crescimento dos índices de votos brancos e nulos a cada eleição no Brasil, atingindo todos os cargos em disputa. Esses percentuais são mais baixos para o cargo de Presidente da República – a disputa com maior repercussão na mídia e que polariza nosso posicionamento político –, mas já atingem níveis preocupantes nos outros cargos, como nas eleições para senador, em que quase um quarto de todos os que foram às urnas votaram em branco ou anularam o voto em 2014.

ERRO DO ELEITOR?  –  Há suspeitas de que tanto o voto em branco quanto o voto nulo estejam associados não ao protesto, mas a um erro do eleitor. Isso pode acontecer tanto com o cidadão que teve “um branco” e esqueceu o número do candidato, quanto com aquele que se enrolou todo com a urna e apertou qualquer coisa para se livrar logo daquela obrigação. Infelizmente, isso é mais comum do que se imagina no Brasil, dado o grande contingente da população com baixa escolaridade ou pessoas idosas com pouca habilidade em lidar com sistemas eletrônicos.

É importante lembrar que esses erros na votação, que podem na invalidação dos votos, são potencializados pela realização de várias eleições simultâneas no Brasil. Para você ter uma ideia, em 2018 cada eleitor vai votar 6 vezes de uma só vez: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual/distrital. Nessas condições, não é impossível alguém se perder em meio a tantos nomes e números e acabar teclando “branco” ou confirmando um número errado.

ESCOLARIDADE – Para tentar elucidar se os votos brancos e nulos estão mais relacionados com erros do eleitor no momento da votação do que com algum tipo de protesto contra a política brasileira fiz um exercício simples. Minha hipótese é que nos locais em que há mais pessoas com baixa escolaridade é de se esperar que o percentual de votos inválidos seja maior. Ou seja, pessoas com pouca instrução teriam mais problemas com a urna, o que levaria a mais votos nulos e em branco.

Para isso, coletei os dados das votações de todas as zonas eleitorais brasileiras em todos os municípios de 2002 em diante – nesse período a votação já havia se tornado 100% eletrônica em todo o território nacional. Calculei então o percentual de votos brancos e nulos para cada cargo em disputa e correlacionei com o índice de baixa escolaridade dos eleitores naquela zona eleitoral. Como baixa escolaridade eu considerei o percentual de eleitores analfabetos ou com no máximo ensino fundamental incompleto.

Os gráficos mostram um fato interessantíssimo: para todos os cargos, a reta que indica a correlação entre os percentuais de baixa escolaridade e de votos brancos e nulos nas zonas eleitorais brasileiras vai de positivamente inclinada para negativamente inclinada do início da década de 2000 até as eleições de 2014 e 2016.

É PROTESTO, MESMO – Traduzindo para o português, isso significa que enquanto no passado zonas eleitorais com baixa escolaridade produziam mais votos em branco e nulos (o que comprova a tese do erro no uso da urna eletrônica), nas últimas eleições essa relação é negativa: os votos brancos e nulos aparecem com mais frequência nas regiões com escolaridade mais alta. Além disso, a inclinação da reta torna-se mais intensa, assim como os coeficientes de correlação – indicando que esse fenômeno tem se intensificado nos últimos anos.

Como essa tendência é observada para todos os cargos, acredito que temos elementos suficientes para desconfiar que esse movimento de crescimento de votos brancos e nulos não tem a ver com erros na votação, mas sim a um comportamento do eleitor, principalmente nas regiões de mais alta escolaridade (e, extrapolando, mais alta renda).

Essa tendência se adequa à narrativa de que, mesmo antes das manifestações de junho de 2013, a forma tradicional de fazer política vem sendo contestada nos principais núcleos urbanos brasileiros. O crescimento dos votos nulos e brancos seria, assim, uma medida do descompasso de partidos e candidatos em levarem em conta a pauta de ambições da sociedade, que a meu ver se tornou mais exigente de 2013 pra cá.

Piada do Ano! Temer quer “pente-fino” nas próximas nomeações de ministros

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Charge do Jota A. (Portal O Dia)

Alessandra Azevedo, Paulo de Tarso Lyra e Rodolfo Costa
Correio Braziliense

O governo quer uma solução definitiva não apenas para a situação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que segue impedida de assumir o Ministério do Trabalho por conta de decisões de um juiz de primeira instância de Niterói e ratificada duas vezes pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O presidente Michel Temer chamou nesta quinta-feira, dia 11, a ministra da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, para discutir uma saída que impeça a repetição de crises como essa durante a nomeação de pelos outros 13 ministros que devem se desincompatibilizar até abril para concorrer nas eleições de outubro.

TEMER IRRITADO – O encontro entre os dois ocorreu no Palácio do Planalto e, mais tarde, ao par, somou-se o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. Temer está irritado com a situação, alegando que ele, por um preceito constitucional, tem o direito de nomear e exonerar os ministros que quiser. Para evitar novas derrotas, contudo, Grace sugeriu cautela e aconselhou que nenhum novo recurso seja apresentado esta semana. Os caminhos naturais, a partir deste momento, são ações junto ao Superior Tribunal de Justiça — instância que analisa decisões vindas dos Tribunais Regionais Federais — ou ao Supremo Tribunal Federal.

Para interlocutores do governo, é necessária uma decisão institucional, que deixe clara a prerrogativa do presidente — embora ela esteja expressa na Constituição. Lembram que o plenário do STF jamais analisou as decisões, liminares, contra e a favor, respectivamente, às posses de Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff e de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência do próprio Temer.

ATIVISMO JUDICIAL – “Esse assunto, de fato, jamais foi levado ao pleno. Mas não creio que adiante debater isso agora, uma vez que, no caso de Lula, ação perdeu o sentido devido ao impeachment de Dilma Rousseff. E no caso de Moreira, Temer tem aí mais nove meses de mandato”, ponderou o advogado especialista em Direito Públic,o Fernando Luiz Carvalho Dantas. O advogado lembra que, nos dois casos, os recursos foram apresentados em foros apropriados. “Um juiz de primeira instância não pode proferir uma decisão dessas. Se mantivermos esse ativismo judicial, daqui a pouco, vai se tornar inviável qualquer ato praticado pelo presidente da República”, completou o especialista.

Para o advogado trabalhista Marcos Chehab Maleson, um dos fundadores do Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (Mati), o debate está reducionista. Ele criticou alguns juristas que afirmaram que, “se fosse assim, não poderíamos ter um fumante como ministro da Saúde. Fumar não é crime, infringir a legislação trabalhista é”, rebateu Marcos. O advogado, autor de uma das ações que brecaram a posse de Cristiane Brasil, disse que o ponto central do questionamento é o artigo 37 da Constituição Federal: a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. “Nomear como chefe máxima dos fiscais do trabalho alguém que tem condenação trabalhista é imoral”, completou.

PENTE FINO – Para evitar outras dores de cabeça, o governo será mais cauteloso nas próximas nomeações de ministros. Aliados admitem a possibilidade de que Temer cobre um pente-fino sobre pendências judiciais dos futuros indicados. “É uma forma de preservar o governo e o próprio partido. Certamente pode vir a ocorrer. Chega de tanta confusão por algo assim”, sustentou um interlocutor do peemedebista.

A prioridade do Planalto é fazer todo o esforço para assegurar a posse de Cristiane. Não apenas para tranquilizar caciques do PTB, como o próprio Jefferson, mas como também para sinalizar a outros partidos de que o governo mantém compromissos firmados. Tudo para assegurar a confiança dos líderes. “O governo está fazendo o que pode. Decisões judiciais devem ser obedecidas. Tudo que tinha de fazer dentro da legalidade está sendo feito. O governo não quer correr o risco de perder apoio na Previdência”, ressaltou um interlocutor.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Esta “comédia chapliniana”, como bem definiu Pedro do Coutto, na qual se transformou a nomeação e posse de Cristiane Brasil, ainda se mantém em discussão pela tentativa de Temer querer esgotar todas as possibilidades para não contrariar o pai da deputada. Antes tê-lo como aliado do que como adversário. Por isso, aparenta irritação. Tudo pose. Diz que nem Plano B tem para a pasta. Engoliu a seco o desgaste provocado pelas denúncias sucessivas que afetam Cristiane, moralmente sem condições, em hipótese nenhuma, de ser ministra do Trabalho. Temer corre contra as pendências e precisa aliviar a pressão sobre o governo. Mas é impossível. A maioria dos ministros tem envolvimento com a corrupção. Quando não tem, é do tipo Luislinda Valois. Toda cautela ainda é pouco. (M.C)