Polícia Federal alertou a Bolívia sobre a presença de Battisti em Santa Cruz da La Sierra

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Battisti cumprirá a pena numa prisão na Ilha de Sardenha

Camila Bomfim
TV Globo — Brasília

Na operação que antecedeu a prisão de Cesare Battisti, a Polícia Federal alertou a polícia boliviana sobre movimentações em Santa Cruz de La Sierra de pessoas próximas ao italiano. Após o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal emitir a ordem de prisão, a divisão de Inteligência da PF identificou que pessoas ligadas a Battisti estiveram no início de dezembro na cidade boliviana, onde o italiano foi preso na noite de sábado.

Os policiais fizeram o chamado “monitoramento pretérito”: rastrearam os passos do círculo próximo de Battisti antes de ele ser considerado foragido.

INFORMAÇÃO – Dessa forma, dizem investigadores, conseguiriam estabelecer a possibilidade de o foragido ter se deslocado para um lugar onde já tinha aliados.

A informação de que essas pessoas ligadas a Battisti estiveram em Santa Cruz de La Sierra levou a PF a acionar polícia boliviana, e essa informação subsidiou as buscas e a consequente captura do italiano.

Preso no último sábado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, o italiano vai cumprir a pena de prisão perpétua junto a outros 266 detentos na prisão de Oristano , na ilha de Sardenha, região autônoma da Itália. Battisti é o único na prisão da Sardenha a cumprir pena por terrorismo. A maioria dos detentos de lá foi condenada por envolvimento com a máfia.

Filha do Queiroz tinha arranjado outra “boquinha” na Prefeitura de Araruama

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Nathalia arranja emprego público com a maior facilidade

Bernardo Mello Franco
O Globo

Araruama costuma se orgulhar da hospitalidade com os turistas. Não é só com eles. Depois da eleição de 2018, o município da Região dos Lagos ofereceu um exílio remunerado à personal trainer Nathalia de Melo Queiroz. Ela é filha de Fabrício Queiroz, o motorista que virou um problema para a família Bolsonaro.

Nathalia foi exonerada do gabinete de Jair Bolsonaro em 15 de outubro, quando o pai já era investigado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Duas semanas depois, ganhou um cargo de assessora especial da prefeita Lívia de Chiquinho (PDT).

A personal continuou a morar na capital fluminense, a 108 km de Araruama. A secretária da prefeita, Angela Barreira, disse que nunca a encontrou no local de trabalho. “Parece que ela era meio ruim de serviço. Como eu nunca vi, não posso dizer”, desculpou-se.

AS “FUNÇÕES” – Morar longe não era problema, disse Cláudio Márcio Teixeira Motta, assessor estratégico da prefeitura. Ele definiu a filha de Queiroz como “pau para toda obra”. Quando pedi que fosse mais específico, afirmou que ela recebia para representar a prefeitura na Assembleia Legislativa e “escrever alguma coisa nas redes sociais”.

Motta disse que Nathalia ganhava “cerca de mil reais”. Ele ironizou a suspeita de que ela recebia como funcionária fantasma. A personal costumava postar fotos na academia de ginástica em horário comercial. “Se entre uma coisa e outra ela encontrava o namorado, ia ao Bob’s, não tenho nada com isso”, disse. “Nunca precisei de personal, mas até que seria bem-vindo”, gracejou.

FOI EXONERADA – A filha de Queiroz é citada no relatório do Coaf porque transferiu R$ 97 mil para as contas do pai. Na época, os dois estavam lotados no gabinete do senador eleito Flávio Bolsonaro. Na terça passada, ela faltou a um depoimento ao Ministério Público do Rio.

Nathalia foi exonerada da prefeitura em 7 de dezembro, um dia depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar a investigação sobre o motorista. A secretária da prefeita disse que “coincidências acontecem”. O assessor Motta admitiu que houve mais do que isso. “Ela pediu as contas. Pode ter sido a pressão”, disse. A defesa de Queiroz não se manifestou até a conclusão da coluna.

Somente uma intensa mobilização nas redes sociais poderá evitar a eleição de Renan

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Percival Puggina

Só um profundo respeito aos leitores, à democracia e à manifestação da vontade popular expressa no silêncio da urna – seja qual urna for – impede que este artigo inicie com impropérios. Confesso: vontade não faltou. Enfim, Renan Calheiros voltou ao Senado da República e, tão logo renovou o mandato, iniciou campanha para retomar a presidência da Casa.

Reeleito senador, Renan é problema alagoano; eleito presidente do Senado, passa a ser problema nacional. Sua eleição ao posto entraria em profunda contradição com o desejo de desinfecção, de saneamento básico, de separação de material orgânico que o povo brasileiro manifestou nas eleições de outubro, e arma poderosa a serviço dos piores interesses que conspiram contra o novo governo.

EXTREMA IMPRENSA – Não sei quem foi o criador da expressão “extrema imprensa”, mas ela é perfeita para designar o coletivo dos meios de comunicação que operam como dedos das mãos e mãos dos braços da esquerda na imprensa nacional. Dado que para ela quem não é de esquerda é de extrema direita, parece adequado designá-la pelo nome de extrema imprensa.

Dê, então, uma vasculhada no que tem sido dito pela extrema imprensa a propósito das pretensões do senador Renan. Veja se qualquer desses veículos apresentou algo sobre os 14 inquéritos a que responde o cidadão aspirante ao comando da Câmara Alta. Basta-lhe virar réu em qualquer deles para que, se eleito, volte a ser um presidente do Senado excluído da linha sucessória da presidência da República.

SIGILO DO VOTO – Beira ao escandaloso o fato de que sucessivas eleições e reeleições de Renan Calheiros para exercer o mesmo posto tenham dependido do sigilo do voto de seus colegas senadores, o que aponta o caráter obscuro dessas motivações. É uma espécie de voto inconfessável. Fica chato, pega mal, votar em Renan Calheiros. Sobre tudo cai o silêncio da extrema imprensa, mais preocupada com as visões de uma criança abusada, com a promoção de um funcionário de carreira do Banco do Brasil e temas dessa magnitude institucional.

Parece óbvio que se a extrema imprensa ainda mantivesse o controle do direito de opinião, se a sociedade só ficasse sabendo o que ela escolhe divulgar e só pudesse ouvir as opiniões por ela emitidas, o resultado eleitoral nacional de outubro último teria sido bem diferente. A renovação da cena política brasileira foi possibilitada pelos smartphones e pelas redes sociais, que democratizaram o direito de opinião e deram voz ao povo.

GRANDE CHANCE – A situação se repete. Se tudo ficar como está, com o noticiário comandado pela mídia extrema, interessada em criar todos os problemas imagináveis ao governo, são grandes as possibilidades de que o senador alagoano presida o Senado pelos próximos dois anos.

Somente uma intensa mobilização, ao longo das próximas três semanas, através das redes sociais, poderá evitar a eleição de Renan, constrangendo seus pares a tomarem juízo e vergonha. #RenanNão

O amor extraído de uma fotografia, na visão poética de Adalgisa Nery

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Adalgisa Nery, retratada por Portinary

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery (sobrenome de seu primeiro marido, o pintor Ismael Nery), no poema “Escultura”, fala de um amor que começou pelas fotografias.


ESCULTURA
Adalgisa Nery

Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!…

No filme “Um dia muito especial”, a consagração definitiva de Mastroianni e Sophia Loren

Resultado de imagem para "um dia muito especial"Pedro do Coutto

No artigo de ontem, destaquei a consagração de Marcelo Mastroianni e Sophia Loren no cinema italiano, ressaltando papeis importantíssimos da dupla de artistas. Assinalei que a impressão que eles deixavam em suas representações produziam a sensação de que nós espectadores, sintonizados com a sensibilidade, tínhamos a impressão de que estávamos junto a eles nas imagens que se sucediam. Cito hoje, o que não fiz ontem, o desempenho de ambos em “Um Dia Muito Especial”, dirigido por Ettore Scola.

O filme tem base no dia em que Hitler foi a Roma assistir a uma parada militar ao lado de Mussolinni.

O ENREDO – Enquanto o marido da personagem de Sofia Loren saía de casa entusiasmado para se unir à manifestação, a bela atriz projeta sobre si mesma uma ideia de liberdade quando parte para seduzir um vizinho, Marcelo Mastroianni, que se revela homossexual.

As cenas correm paralelas em sequência, uma delas focalizando um ato de submissão de Mussolini a Hitler, acentuado pela presença maciça dos camisas negras, símbolo do Fascismo italiano. Enquanto isso, Sophia Loren tenta relacionar-se com Mastroianni, contribuindo para que tenha ele uma nova imagem e uma nova prática de sexo entre um homem e uma mulher.

A narrativa paralela entre um fato e outro no cinema italiano já tinha sido usada em Roma Cidade Aberta de Rossellini. Quando o diretor intercalava os choques que ainda se travavam nas ruas de Roma com a respiração aliviada dos antifascistas e dos trabalhadores que formavam a resistência pela liberdade do país.

‘VIVA BADOGLIO” – Numa das imagens estava escrito na parede de um edifício a expressão “Viva Badoglio”, general que representava o combate ao nazismo. Entrelaçaram-se imagens unindo a realidade e as ideias de liberdade que se aproximavam de sua realização. Afinal de contas, a Itália de Mussolini fora invadida simultaneamente por forças americanas e brasileiras de um lado e de alemães de outro. Mas esta é outra questão.

O filme de Ettore Scolla é uma obra belíssima e acentuou o encontro entre a realidade e a vontade de reconstruí-la. No vértice da questão com Mastroianni e Sophia Loren brilhando com suas representações, encontrava-se também a libertação tanto da Itália como a da personagem vivida por Sofia Loren.

Para os que desejam que a ficção não tenha vínculo com a realidade, em “Um Dia Muito Especial” vamos observar exatamente o contrário.

O Brasil não vai mudar de uma hora para outra, é preciso ter paciência e perseverança

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Bolsonaro não deve confiar completamente em ninguém

Carlos Newton

As eleições de 2018 e a renovação política no governo federal e em importantes governos estaduais, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, trouxeram um clima de enorme esperança à opinião pública. Mas é ilusão julgar que as coisas vão mudar de uma hora para outra.

LENTAMENTE – Governos são como transatlânticos ou grandes aeronaves, não conseguem fazer curvas abruptas, têm de ir virando lentamente. Por isso, já se nota uma certa impaciência nas redes sociais e nos comentários de sites e blogs. Todos querem mudanças já, mas isso não será possível.

O chamado jogo político não mudou nem vai mudar de uma hora para outra. É compreensível o desespero da opinião pública ao constatar que ainda continua havendo acordos políticos e até mesmo o toma lá, dá cá. Por isso, é preciso paciência.

ARTE DO POSSÍVEL – Há quem defina a política como a arte do possível. Pode ser. Mas como classificar a política em um país como o Brasil, com realidades regionais totalmente diversas, onde se insiste em tentar conviver a miséria absoluta e a riqueza total? É claro que este sistema é insustentável, mas a realidade é que nada tem sido feito para diminuir as desigualdades sociais, uma espécie de assunto tabu, jamais discutido em governos de transição.

Em tradução simultânea, o que se viu foi a transmissão de massas falidas, como é o caso da maioria dos governos estaduais e do próprio governo federal.

Não se fala no assunto, mas terá de haver uma nova negociação das dívidas estaduais, porque vários governadores estão cometendo crimes de responsabilidade, ao reter as parcelas de impostos a serem distribuídas às prefeituras, como está ocorrendo em Minas Gerais. Mas acontece que o governo federal também está tecnicamente quebrado.

CARTA BRANCA – O ministro da Economia tenta injetar otimismo, alardeando que a reforma da Previdência vai garantir dez anos de crescimento sustentável. Que bom se fosse verdade, mas soa como Piada do Ano, sem a menor graça.  O que Paulo Guedes pretende é uma carta branca para fazer o que bem entende, porém jamais a conseguirá.

Na verdade, é preciso abrir a caixa preta da Previdência e da Dívida Pública, discutir a aplicação de juros compostos e planejar estrategicamente o país, como era habitual nos governos militares, quando o Ministério do Planejamento fazia jus ao título, antes de se transformar num órgão meramente burocrático.

O fato concreto é que Bolsonaro está confiando demais em Paulo Guedes, quando não deveria confiar em ninguém. O exercício da Presidência é um ato solitário, porque não se pode transferir o poder. Se acontecer alguma coisa errada, é claro que será atribuída a Bolsonaro. Assim, é importante convocar as auditorias, porque os números são frios e não mentem, não enganam ninguém.

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P.S. 1
 – O povo brasileiro deu um voto de confiança ao presidente e aos novos governadores. Mas é bom lembrar que esse voto de confiança, como tudo na vida, tem prazo de validade.

P.S. 2 – Por fim, é auspicioso saber que os generais já conseguiram neutralizar o chanceler Ernesto Araújo e estão assessorando Bolsonaro diretamente nas questões internacionais. Araújo é diplomata, mas não tem o perfil indicado para comandar o Itamaraty. Isso significa que os filhos de Bolsonaro já não mandam tanto no governo e estão sendo colocados em seus devidos lugares. (C.N.)

“Queiroz pode ser denunciado mesmo se não prestar depoimento”, diz o procurador-geral

Eduardo Gussem será reconduzido ao cargo de procurador-geral de Justiça Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

A equipe de Eduarao Gussem está dando uma geral na Assembleia

Chico Otavio e Vera Araújo
O Globo

Reconduzido ao cargo, o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem , disse nesta segunda-feira que uma eventual denúncia contra Fabrício Queiroz, ex-motorista do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), não depende do comparecimento do investigado ao Ministério Público.

Queiroz já foi chamado quatro vezes pelo MP, segundo ele informou em entrevista ao SBT, para esclarecer a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão rastreada pelo Coaf. Ele faltou a todos os depoimentos marcados, dois deles alegando problemas de saúde. Ele retirou um tumor no intestino este mês.

VERSÃO DEFENSIVA – ‘Neste caso (da convocação dos envolvidos), consiste mais para que eles apresentem a versão, a tese defensiva. O MP busca a verdade. As provas documentais são consistentes’ – disse sobre as listas do Coaf envolvendo cerca de 20 deputados.

O procurador-geral disse que, se for denunciado sem ter comparecido antes ao MP, Queiroz SÓ erá a oportunidade de apresentar a sua defesa em juízo.

Gussem disse que existem 22 procedimentos instaurados para investigar a lista do Coaf, dos quais quatro deputados já comparecerem ao MP para prestar esclarecimentos. De acordo com Gussem, já estiveram no MP os deputados estaduais Luiz Paulo (PSDB), Tio Carlos (SD), Paulo Ramos (PDT) e André Ceciliano (PT), presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

JUSTIFICATIVAS – Segundo Gussem, dos quatro que já compareceram, três apresentaram documentos para justificar as movimentações financeiras. O material está sendo analisado pelo grupo de atribuição originária do gabinete do procurador-geral, o Gaocrim.

O procurador-geral fez questão de frisar que os 22 procedimentos estão sendo tratados “com a mesma intensidade”, embora reconheça que o caso do ex-motorista Queiroz tenha mais visibilidade por se tratar de um senador e filho do presidente da República.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica desmentida a versão de que a Procuradoria só visava o caso de Queiroz e teria abandonado os crimes ainda mais graves na Assembleia, conforme os bolsonários fanáticos vivem afirmando aqui no Blog. (C.N.)  

Moro manda demitir diretora da Funai investigada pelo MP, mas ela continua no cargo

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro — Foto: Nelson Almeida/AFP

Por problemas burocráticos, ordem de Moro está sustada

Andréia Sadi
G1 Brasília

Mais um capítulo do que parece ser uma queda de braço nos bastidores do governo Bolsonaro. Na semana passada, o blog revelou que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, encaminhou à Casa Civil um pedido de exoneração da diretora de Proteção Territorial da Funai, Azelene Inacio, por conta de uma investigação do Ministério Público que aponta conflito de interesse por parte da servidora.

A demissão, pelo menos até agora, não foi publicada no “Diário Oficial da União”, o que surpreendeu o Ministério da Justiça e a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. No governo Jair Bolsonaro, a Funai foi transferida do Ministério da Justiça para a pasta de Damares.

SEM PUBLICAÇÃO – Por questões jurídicas envolvendo a estrutura da Funai dentro do novo xadrez do governo, quem pediu a exoneração de Azelene foi Moro – na última terça-feira (8) – e que seria publicada no “Diário Oficial da União” na quarta (9) ou quinta-feira (10), o que não ocorreu até agora.

Procurado novamente nesta segunda-feira, o Ministério da Justiça voltou a confirmar que o pedido foi feito e encaminhado. Damares disse ao blog que Azelene estava trabalhando “normalmente” na sexta-feira (11), e que também não viu a exoneração.

O blog também procurou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorezoni, nesta segunda-feira. Ele disse que o novo presidente da Funai será nomeado na tarde desta segunda-feira (14) e será o general Franklimberg de Freitas, conforme antecipou o blog. Onyx disse que, por um problema burocrático, a demissão de Azelene não foi publicada e que caberá ao novo presidente da Funai fazer a eventual troca da diretoria. “Tem muita gente na Esplanada que gosta dela”, ressaltou Onyx.

FAZ PRESSÃO – Na Funai, servidores afirmam que Azelene resiste a sair e busca apoio para presidir o órgão federal responsável pela assistências aos povos indígenas, o que já foi descartado pela ministra dos Direitos Humanos. Azelene diz a colegas que é vítima de perseguição e pede ajuda para permanecer no órgão.

Oficialmente, a assessoria da Funai diz que Azelene segue trabalhando normalmente e não foi exonerada, como pediu o Ministério da Justiça.

Na semana passada, o presidente da Apex foi demitido pelas redes sociais pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo. Na ocasião, Alex Carreiro disse que não sairia, enfrentando o ministro e criando a primeira crise do governo. Ele foi demitido depois.

Governo enfim cai na real e o Brasil permanecerá no Acordo Ambiental de Paris

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Divulgação / GILBERTO SOARES DE SOUSA LIMA/MMA

Salles começa a se impor no Ministério do Meio Ambiente

Cleide Carvalho
O Globo

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o Brasil continuará no Acordo de Paris e que o presidente Jair Bolsonaro concordou com a posição. Ele argumentou que há pontos importantes no acordo que podem trazer recursos para o país, e que o problema está na internalização de princípios para a legislação nacional. O acordo estabelece metas de para redução da emissão de gases que causam o efeito estufa.

— Por ora vamos manter a participação. Há pontos importantes, que podem trazer recursos para o país. O acordo está feito. É um guarda-chuva com metas de redução de emissão para o Brasil e outros países. O problema é como internaliza na legislação pátria, de forma que não restrinja o empreendedorismo.  Vamos olhar com cuidado – afirmou o ministro, que participou nesta segunda-feira de almoço com empresários do setor de construção no Secovi – Sindicato de Habitação de São Paulo.

DIVERGÊNCIAS – Salles disse que Bolsonaro concordou com a manutenção. Ponderou que em todo o governo há opiniões divergentes, mas que o importante é que sejam discutidas e que as posições sejam construídas.

No ano passado, ainda em campanha, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris caso fosse eleito, pois as premissas afetariam a soberania nacional. Afirmou que era desfavorável ao acordo porque o Brasil teria que “pagar um preço caro” para atender às exigências.

 “O que está em jogo é a soberania nacional, porque são 136 milhões de hectares que perdemos ingerência sobre eles. Eu saio do Acordo de Paris se isso continuar sendo objeto. Se nossa parte for para entregar 136 milhões de hectares da Amazônia, estou fora sim”, afirmou na época sobre o Acordo de Paris, aprovado em 2015 e que tem como meta a redução de emissão de gases do efeito estufa, de forma a evitar o aquecimento global.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os Estados Unidos saíram do acordo em junho do ano passado, porque Donald Trump havia prometido retirar o país do pacto durante sua campanha presidencial. O recuo de Bolsonaro é mais um derrota para o chanceler Ernesto Araújo, que em boa hora foi neutralizado pelo núcleo duro do governo, formado pelos generais. (C.N.)

Diz o Datafolha: 84% defendem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos

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Charge do Zadoco (Arquivo Google)

Por G1 — Brasília

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (14) pelo jornal “Folha de S. Paulo” aponta que 84% das pessoas que responderam à enquete são favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Segundo a pesquisa, 14% são contrários à alteração da lei, 2% são indiferentes ou não opinaram.

Segundo o jornal, a pesquisa foi feita entre 18 e 19 de dezembro de 2018 e ouviu 2.077 pessoas em 130 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

POLÊMICA – A alteração da idade mínima para que uma pessoa possa ser presa por um crime é alvo de projetos em tramitação no Congresso. Atualmente, infratores entre 12 e 18 anos vão para os sistemas de cumprimento de medida socioeducativa, geridos pelos governos estaduais.

Opinião sobre a redução da maioridade penal, segundo a pesquisa: favoráveis: 84%; contrários: 14%; indiferentes: 2%

De acordo com a pesquisa, entre favoráveis à redução, 33% defendem que a medida deve valer somente para determinados crimes, enquanto 67% acham que ela deve ser aplicada a todos os tipos.

15 ANOS – Os entrevistados na pesquisa apontaram a idade mínima de 15 anos, em média, para que uma pessoa possa ser presa por um crime. Para 45%, a faixa etária mínima deveria ser de 16 a 17 anos. Todos os recortes: 18 a 21 anos: 15%; 16 a 17 anos: 45%; 13 a 15 anos: 28%; 12 anos: 9%

Idade em que pessoa deveria ir para a cadeia por crime que cometeu: De 16 a 17 anos: 45%; De 13 a 15 anos: 28%; De 18 a 21 anos: 15%; Até 12 anos: 9%; Não sabe: 3%.

Opinião entre homens e mulheres: mulheres: 17% não apoiam a redução; homens: 11% são contrários.

QUATRO EMENDAS – Tramitam em conjunto no Senado quatro propostas de emenda à Constituição (PEC) para a redução da maioridade penal. Em 2018, com o fim da legislatura, três delas foram arquivadas.

Um delas, que já havia passado pela Câmara, permanece em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. O texto prevê que adolescentes de 16 a 18 anos deixem de ser inimputáveis se cometerem homicídio doloso (quando há intenção de matar), lesão corporal seguida de morte e crimes hediondos (estupro, por exemplo), e que cumpram pena separados dos maiores de 18 anos.

Gostaria que a nova conversa dos militares com a democracia incluísse também a esquerda

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Charge do Wilmar (Arquivo Google)

Celso Rocha de Barros

Algumas semanas atrás, os sites chapa-branca deram um escândalo porque um dos “Manuais do Candidato” para o concurso do Itamaraty tinha uma passagem desabonadora sobre Bolsonaro. O texto, do historiador João Daniel Lima de Almeida (grande fera, aliás), lamentava que a participação dos militares na discussão sobre o desenvolvimento brasileiro tivesse se tornado tão apagada que o único representante da categoria no debate nacional fosse Bolsonaro, um homofóbico convicto.

Antes que os bolsonaristas comecem a chorar de novo, esclareço: no ano em que o texto foi escrito (2013), Bolsonaro declarou que se orgulhava de ser homofóbico (está no YouTube). A afirmação de Almeida é factualmente correta.

E OS MILITARES? – Mas o importante não é isso, o importante é o seguinte: todos os oficiais das Forças Armadas sabem que Almeida tem razão. Depender de Bolsonaro para participar da vida política nacional é uma tristeza.

Alguém acha que os generais gostam de participar de reuniões com os filhos do presidente, os discípulos de Olavo de Carvalho, o Onyx? Duvido.

Mas pensaram os generais: se a vida lhe dá um amigo do Queiroz, faça uma laranjada. E as últimas semanas mostram que há vantagens em participar de um governo de gente que não passa em psicotécnico. Afinal, as chances de parecer moderado são excelentes.

HÁ ADULTOS… – Enquanto o novo chanceler fazia seu discurso de posse, Mourão se reunia com representantes do governo chinês. E mais: tuitava que estava na reunião, como se dissesse “ó, não se preocupem não, tem adulto nesse negócio”.

Há também relatos de que Augusto Heleno quer limitar a influência dos olavistas. Não é nada pessoal, Olavo. Um amigo meu também foi dispensado do Exército por ter cara de maluco.

E se seu emprego fosse manter o Onyx na linha você também teria aquela expressão carrancuda do Santos Cruz. Coitado, achou que não tinha nada mais difícil do que pacificar a República Democrática do Congo.

GOVERNO BÍPEDE – De modo que já há gente depositando suas esperanças na possibilidade dos generais produzirem um governo Bolsonaro bípede.

Sempre é possível, tomara que aconteça, mas, pessoalmente, ainda concordo com o Manual do Candidato do Itamaraty: é triste que os militares tenham voltado a participar da vida política brasileira na cola da turma do Bolsonaro. Torço para que os líderes de nossas Forças Armadas não se revelem moderados só por comparação com os malucos do atual governo.

Não há absolutamente nada de errado com a nomeação de ex-militares como ministros. Afinal, todo mundo, antes de ser ministro, era alguma outra coisa: militares não são menos qualificados do que economistas, advogados, sindicalistas ou pastores. Os centros de formação militares são excelentes, os oficiais em geral conhecem bem o país. É bom que voltem a ser cogitados para cargos públicos.

VELHO DISCURSO – Mas seria muito melhor se não voltassem no governo de um sujeito que se entusiasma tanto quando fala em golpe de Estado.

O discurso do novo presidente é tudo o que gostaríamos que a reconciliação das Forças Armadas com a política brasileira não fosse.

E eu gostaria que a nova conversa dos militares com a democracia incluísse também a esquerda. Com Bolsonaro na sala, não parece fácil.

Generais neutralizam o chanceler e assessoram Bolsonaro em questões internacionais

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Ernesto Araújo já se tornou uma figura decorativa no governo

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O desgaste que bateu à porta do Palácio do Planalto, desta vez provocado pela troca de comando na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), impulsionou a ala do governo que quer blindar o Itamaraty de novos episódios negativos. A ideia, agora, é criar um conselho de ministros para assessorar o presidente Jair Bolsonaro em temas sensíveis da área internacional. À frente desse grupo estão dois generais: o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno Ribeiro, e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Nos bastidores, tanto Heleno quanto Mourão têm feito contatos externos para tentar apaziguar os ânimos, contornar tropeços e até amenizar declarações dadas por Bolsonaro sobre assuntos controversos ainda não resolvidos, como a transferência da embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém. O risco de um estremecimento com a China é outra preocupação, uma vez que traz maior potencial de perdas para a economia.

CONSELHO DE MINISTROS – Ao jornal O Estado de S. Paulo, Mourão pregou a instalação de um conselho de ministros para avaliar temas estratégicos e evitar novas polêmicas. “Acho que, quando forem ser tomadas decisões relativas à área internacional, o presidente tem que reunir um conselho de ministros ligados ao tema em questão”, afirmou o vice-presidente. No seu diagnóstico, a composição desse colegiado pode variar conforme o assunto em pauta, mas, basicamente, o grupo seria formado por ele e pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Fernando Azevedo (Defesa) e Tereza Cristina (Agricultura).

Questionado se estaria atuando como uma espécie de contraponto a Araújo, o vice negou. Argumentou, no entanto, que é o governo que fala pelo País em grandes questões internacionais. “Agora, toda vez que o presidente me convocar, eu vou emitir a minha opinião.”

No Palácio do Planalto, o impasse que levou à demissão de Alex Carreiro da presidência da Apex, agência subordinada ao Itamaraty e desde esta sexta-feira, dia 11, dirigida pelo embaixador Mario Vilalva, foi visto como o estopim das trapalhadas no setor internacional. A saída é a primeira baixa no Executivo em dez dias de governo.

ASSUNTO PAROQUIAL – Em conversas reservadas, auxiliares de Bolsonaro disseram não entender como um assunto tão paroquial, que poderia ter sido resolvido com diplomacia, teve de parar no gabinete do presidente.

Apesar das negativas oficiais, na prática o Planalto já acompanha de perto os passos do Itamaraty. Demandas de outras pastas, relacionadas ao comércio exterior, são levadas ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O general Augusto Heleno, chefe do GSI, tem resolvido questões da área internacional, apresentadas por colegas de governo, diretamente com Bolsonaro, sem a participação de Araújo. Discreto, ele não fala sobre o assunto. “Sou o soldado do silêncio”, desconversou.

Nesta quinta-feira, 9, por exemplo, Heleno recebeu o novo embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, como revelou a Coluna do Estadão. Na pauta, o estreitamento da relação entre os dois países. Quando ainda era candidato à Presidência, Bolsonaro acusou a China de estar “comprando o Brasil”.

ARAÚJO VENCIDO – Antes de assumir o Itamaraty, Araújo escreveu em artigos e ensaios que o país asiático estava sob um sistema de dominação “disfarçado de pragmatismo e abertura econômica” e definiu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um “raro líder” que decidiu reagir após identificar um processo de decadência do Ocidente.

Mourão também já se reuniu com integrantes da Câmara de Comércio Árabe, além da chinesa. Em mais de uma ocasião, o vice disse que o Brasil não pode se descuidar do relacionamento com outros atores da arena internacional, como a China.

O Itamaraty é atualmente, na avaliação de militares de alta patente ouvidos por O Estado de S. Paulo, o principal núcleo de “vulnerabilidade” do novo governo. Assim como as Forças Armadas, o Ministério das Relações Exteriores se destaca por ser uma instituição com cultura própria arraigada, que agora passa por alterações de estrutura na nova gestão.

SEM HIERARQUIA – Através de portaria, Araújo extinguiu o departamento responsável por negociações de acordos comerciais e abriu espaço para contratar assessores de fora da carreira. Além disso, o chanceler permitiu que diplomatas de cargos mais baixos ocupem postos antes restritos àqueles com mais experiência.

Em conversas reservadas, militares afirmaram que é como se um praça pudesse agora chefiar um oficial. Argumentaram, ainda, que Araújo dispensou a experiência de embaixadores que representam o País há anos no exterior e agora estão “sem emprego no próprio Itamaraty”.

VIAGEM A DAVOS – A preparação da viagem de Bolsonaro, nos próximos dias, para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, também tem contado com a orientação dos titulares da Economia e da Agricultura. Informalmente, a ministra Tereza Cristina tem aconselhado o presidente especialmente no discurso sobre a questão indígena, tema tratado pela imprensa internacional. Ela mostrou a Bolsonaro uma reportagem do jornal americano The New York Times com críticas à política indigenista e observou que o governo brasileiro está sendo mal compreendido no exterior.

Procurado pela reportagem, o Itamaraty não se pronunciou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, os generais já conseguiram neutralizar Ernesto Araújo, que é diplomata mas não tem o perfil indicado para comandar o Itamaraty. Isso significa que os filhos de Bolsonaro já não mandam tanto no governo e estão sendo colocados em seus devidos lugares. (C.N.)

De bermudas, o advogado Kakay ajuda a desmoralizar ainda mais a Suprema Corte

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Sorridente, Kakay posa para a foto no corredor do Supremo

Carlos Newton

Ao trafegar pelo Supremo Tribunal Federal usando bermudas e de sapato tênis, ou seja, despido das vestes mais elementares necessárias para aquele ambiente de seriedade, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mas conhecido como Kakay, arrasta para o fundo do poço o próprio STF, desmoralizando rituais básicos da Justiça.

Defensor de 17 envolvidos na Lava Jato, suas demonstrações de poder e seu relacionamento com os ministros já ocorrem desde longa data, quando os recebia pessoalmente no restaurante Piantella ou em festas, no Brasil e no exterior, onde exteriorizava seus vínculos com autoridades públicas.

SUSPEIÇÕES ÓBVIAS – Esses relacionamentos se tornaram tão próximos e tão públicos que, na forma da lei, a grande maioria dos ministros deveria se considerar suspeita para julgar qualquer causa patrocinada por Kakay, isso se os ministros respeitassem e cumprissem as leis que regulam a suspeição de magistrados, é claro…

Quanto à foto que circulou no final de semana nas redes sociais, mostrando Kakay de bermudas no interior do Supremo, o insólito flagrante deixa no ar algumas perguntas: 1) Como Kakay entrou no Supremo vestido desta maneira? 2) Nenhum segurança e nenhum funcionário estranhou a presença dele no STF com aquela indumentária inusual? 3) Foi barrado em algum momento? 4) Mudaram o chamado “dress code”, as regras para indumentárias no tribunal? Ou a mudança das regras atingiu apenas advogados privilegiados como ele?

E outras perguntas se seguem: 5) Quem bateu a foto de Kakay, que está posando, sorridente? 6). Qual seria o objetivo? Alguma forma de publicidade?

AURA DE PODER – O consumo de bebidas caras e hábitos exóticos em companhia de autoridades na vida noturna confere a Kakay uma aura de poder inigualável na República. Com essa ultima demonstração ostensiva de impunidade, ao ingressar no STF de bermuda, certamente mostra ainda maior capacidade de influência junto aos ministros e a mídia, que lhe dá visibilidade.

Em tradução simultânea, já não basta os próprios ministros do Supremo se dedicarem a desmoralizar a Justiça brasileira, como tem ocorrido à miúde, bastando citar o habeas corpus de ofício que libertou José Dirceu sem ter sido requerido por sua defesa. Agora, surge também o advogado Kakay para esculhambar ainda mais a situação, demonstrando que a Suprema Corte brasileira está vivendo seus piores dias em tempos de democracia plena.

Battisti chega a Roma, para cumprir prisão perpétua depois de quase 40 anos de fugas

Na prisão, Battisti ficará seis meses em isolamento diurno.

Igor Moraes
Estadão

Após quase quatro décadas de fugas, Cesare Battisti chegou à Itália por volta das 11h40 (8h40, no horário de Brasília) desta segunda-feira, dia 14. A aeronave, que partiu no início da noite de ontem de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, pousou no Aeroporto de Ciampino, em Roma, onde era aguardada pelo ministros Matteo Salvini, do Interior; e Alfonso Bonafede, da Justiça.

O italiano será encaminhado por um grupo de agentes penitenciários para a prisão de Rebibbia, na zona urbana de Roma. De acordo com informações do jornal italiano Corriere della Serra, ele deverá ficar sozinho na cela, em uma área de segurança reservada para terroristas, e passará por seis meses de isolamento diurno.

FORAGIDO – Battisti estava foragido desde 14 de dezembro, quando o então presidente Michel Temer autorizou sua extradição para a Itália um dia depois do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, suspender uma liminar que garantia sua permanência no Brasil. No sábado, 12, foi capturado por autoridades bolivianas.

De cavanhaque e óculos escuros, o italiano foi abordado por policiais enquanto caminhava por uma rua de Santa Cruz de la Sierra.

Após a prisão, o governo brasileiro deslocou um avião da Polícia Federal à Bolívia para trazer Battisti ao Brasil e, em seguida, extraditá-lo para a Itália, conforme promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro. O governo italiano, no entanto, já havia decidido levar Battisti diretamente ao país.

HABEAS CORPUS – Em uma tentativa frustrada para tentar evitar a viagem de Battisti de volta para a Europa, os advogados do italiano protocolaram um habeas corpus no STF neste domingo. No pedido, argumentaram que entregá-lo para a Itália seria um “ato complexo” e irreversível.

Os defensores solicitaram que o habeas fosse analisado pelo ministro Marco Aurélio. O pedido, no entanto, foi julgado – e negado – pelo ministro Luis Roberto Barroso.

“Ante o exposto, com fundamento no art. 21, § 1º, do RISTF, nego seguimento ao presente habeas corpus, por ser flagrantemente inadmissível e, ainda, por contrariar a jurisprudência predominante desta Suprema Corte”, diz a decisão que rejeitou o habeas.

Posse de arma de fogo: segunda missiva de um advogado ao ministro Sérgio Moro

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Charge da Sonia (arquivo Google)

Jorge Béja

Senhor Ministro da Justiça e Segurança Pública,
Doutor Sérgio Moro

Na edição deste sábado (12/1), esta Tribuna da Internet publicou a íntegra da “Carta Aberta a Sérgio Moro: Decreto não pode alterar o Estatuto do Desarmamento”, missiva de minha autoria.  O teor da carta buscou demonstrar que decreto não era o instrumento apropriado para alterar o Estatuto, mas apenas para discipliná-lo. Que eventual alteração somente seria viável através de lei.

Daí a missiva ter sugerido ao senhor ministro que convencesse o senhor presidente da República a substituir o decreto que se anuncia, a fim de permitir a posse de arma de fogo pelo cidadão comum, por Medida Provisória ou projeto de lei.

COMENTÁRIOS – Tão logo publicada e exposta, a carta recebeu diversos comentários de eruditos leitores. Uns externando conformidade com o texto da missiva. Outros, contrariedade. Estes, discordaram porque sustentaram que o artigo 5º da Lei nº 10.826 de 2003 (Estatuto do Desarmamento) já contemplava a posse de arma de fogo na residência ou domicílio do cidadão “desde que seja ele o titular ou responsável pelo estabelecimento ou empresa”.

Realmente, senhor ministro, o artigo 5º do texto original da Lei 10.826 de 2003 continha esta redação, que por não ser das melhores, por mencionar residência ou domicílio e em seguida se referir a titular ou responsável pelo estabelecimento o empresa, tal redação foi imediatamente alterada. Nela incluiu-se a expressão “ou ainda no seu local de trabalho” a fim de completar o sentido da oração. Mas a inclusão não se deu por decreto e sim pela Lei nº 10.884 de 2004 que deu a seguinte redação ao artigo 5º: “O Certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável pelo estabelecimento ou empresa”.

POR DECRETO? – A referida alteração poderia se dar por meio de decreto? Parece que não, senhor ministro, porque tanto implicaria na alteração da lei, ainda que a finalidade fosse aperfeiçoar sua redação e alcance. De igual forma, o anunciado decreto que o novo governo anuncia baixar para facilitar a posse de arma de fogo pelo cidadão comum, não se mostra o instrumento legal ao alcance do senhor presidente para flexibilizar a posse da arma. As condições e requisitos para tal já se encontram estabelecidas no próprio artigo 5º e seus parágrafos, 1º e 2º.

Baixar decreto para alterá-los (flexibilizá-los) importaria alterar e mexer no texto da lei. E tanto só será possível através do advento de outra lei, como cinco outras (leis) sobrevieram para mexer no texto do Estatuto. Lei e não decreto.

COLABORAÇÃO – Tomo a liberdade de escrever esta segunda missiva ao senhor Ministro, na expectativa da prestação de minha colaboração para o bom êxito do governo que teve início no 1º de Janeiro de 2019 no qual o doutor Sérgio Moro está integrado no importante cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, certamente um dos mais fortes pilares, assim visto pelo povo brasileiro.

De Vossa Excelência,

Jorge Béja (advogado no Rio de Janeiro).

Governo brasileiro diz à ONU que Lula quer ‘enganá-la’ ao se dizer ‘preso político’

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Charge do Latuff (sul21.com.br)

Daniela Lima
Folha/Painel

O governo brasileiro fez uma defesa enfática da atuação de Sergio Moro e da Lava Jato em documento enviado à ONU contra ação movida pelo ex-presidente Lula no organismo internacional. A peça apresentada ao Comitê de Direitos Humanos afirma que o petista pretende “confundir e enganar” o colegiado ao apontar direcionamento da Justiça e diz que a alegação de perseguição política “é uma afronta às instituições”. O texto sustenta que a acusação de parcialidade de Moro é infundada.

Lula recorreu à entidade dizendo ser vítima de um processo parcial e injusto. As alegações do Brasil foram enviadas à ONU em novembro de 2018. No dia 1º daquele mês, Moro anunciou que aceitaria o convite de Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Justiça.

DIZ LULA – O ex-presidente diz que seus direitos constitucionais, como liberdade de expressão e de exercício político, estão sendo infringidos. O governo brasileiro refuta. Afirma que o petista “falta com a seriedade” ao alegar perseguição e lembra que a Lava Jato atingiu “pessoas de diferentes espectros partidários”, citando Aécio Neves (PSDB) e Sérgio Cabral (MDB) como exemplos.

Na peça apresentada à ONU, o Brasil reconhece a jurisdição do comitê e reafirma o seu “comprometimento com o Sistema das Nações Unidas”. Mas eventual decisão favorável à Lula não deve ser acatada pelo governo Bolsonaro, avaliam aliados do petista. O caso deve ser julgado em março.

CONTESTAÇÃO – Os advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira e Geoffrey Robertson vão apresentar uma contestação à resposta do Brasil em fevereiro. Eles alegam que há “um fundamentalismo exacerbado” no entendimento sustentado pelas autoridades locais.

E a Frente Brasil Popular vai se reunir no dia 29 para planejar atos contra o governo Bolsonaro. A primeira grande mobilização está programada para 8 de março, dia Internacional da Mulher.

Há, porém, a expectativa de que talvez seja preciso ir para as ruas antes, principalmente se o presidente Bolsonaro cumprir a promessa de apresentar o texto da reforma da Previdência até fevereiro.

Enfim são encontrados os carros de Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

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Queiroz, “um cara de negócios”, alega vender carros usados

Cecília Olliveira e Tatiana Dias
The Intercept 

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, se define como “um cara de negócios”. Além de seu salário de R$ 23 mil, ele diz que faz dinheiro comprando e revendendo carros. “Sempre fui assim. Comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia”, corado e bem humorado, em entrevista bastante dócil ao SBT em dezembro – a primeira desde que estourou o escândalo sobre uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, que incluiu um cheque de R$ 24 mil à primeira dama Michelle Bolsonaro.

Embora goste tanto de fazer negócios com carros, o velho amigo da família Bolsonaro parece não se preocupar muito com os seus – ou, claro, pode ser apenas um homem que não liga para bens materiais.

VOYAGE E BELINA – Além de morar em uma casa simples e sem acabamento e ter dois apartamentos em bairros desvalorizados na zona oeste do Rio, Queiroz tem apenas dois veículos em seu nome: um Voyage 1.0 ano 2010 e uma Belina GL ano 1986, segundo o Renajud, sistema do Conselho Nacional de Justiça que permite buscas no Registro Nacional de Veículos Automotores.

O valor dos dois carros de Queiroz, somados, não chega a R$ 25 mil, segundo a tabela Fipe. Não pagaria, nem de longe, sua internação em um dos hospitais mais caros do país, coincidentemente na mesma semana em que familiares seus deveriam prestar depoimento ao MP do Rio. Não compareceram, afinal. “Todas mudaram-se temporariamente para cidade de São Paulo” para dar apoio familiar ao patriarca, alegaram.

TEM COMPROVANTES? – Na entrevista para o SBT, ele não disse – e também, sejamos justos, não foi perguntado pela dócil repórter – se tem comprovantes desses negócios lucrativos que diz fazer, e nem se declarou as vendas para a Receita Federal. Quando um carro é vendido, o comprador tem um mês para transferir o documento para seu nome. É comum que intermediários façam essa transação antes do tempo – e, assim, repassem os veículos para quem comprou sem que isso fique registrado.

Se Fabrício Queiroz era mesmo esse tipo de intermediário, poderia explicar por que a movimentação financeira em sua conta – que ele atribui a seus negócios – costumava acontecer bem nos dias de pagamento da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Em 2016, por exemplo, era só a Alerj pagar os assessores que Queiroz recebia dinheiro, sempre em depósitos em espécie, em valores que se repetiam todos os meses.

OS DEPÓSITOS – Além disso, os depósitos eram feitos por outros assessores de Flávio e Jair Bolsonaro – inclusive por sua mulher e sua filha, Nathália, que além de receber salário como assessora de Jair Bolsonaro em Brasília também trabalhava como personal trainer de celebridades.

Flávio Bolsonaro também está driblando o MP do Rio, mas decidiu aparecer no SBT para uma “entrevista”. Ele se esquivou das denúncias e disse que “não tem como controlar o que os funcionários fazem fora do gabinete”. Falou que Queiroz precisa se explicar e que há um movimento orquestrado para atingir Bolsonaro. O senador eleito não explicou – e, de novo, não foi perguntado – sobre as movimentações de outros de seus assessores na conta do ex-motorista.

DESEMPREGADOS – Queiroz está desempregado desde 15 de outubro, quando foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro. No mesmo dia, em Brasília, sua filha, também foi exonerada da assessoria de Jair Bolsonaro. As duas demissões aconteceram no meio da campanha eleitoral, a 13 dias do segundo turno e um dia depois que saiu a primeira notícia sobre as movimentações suspeitas na conta do agora ex-assessor.

O Ministério Público do Rio de Janeiro, responsável por investigar o caso, está tentando desde dezembro ouvir o que Queiroz tem a dizer sobre seus negócios. Mas está difícil: o ex-assessor já faltou a pelo menos quatro convocações, alegando problemas de saúde. Sua mulher e filhas também foram chamadas e não apareceram. Restou ao MP tentar ouvir Flávio Bolsonaro, que também declinou – via post em sua página, no Facebook – o convite.

Cesare Battisti usou na Bolívia disfarce igual ao divulgado pela Polícia Federal

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Esta foto foi tirada momentos antes de haver a prisão

Flávio Tabak
O Globo

O italiano Cesare Battisti foi filmado por investigadores italianos caminhando numa rua de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, usando um disfarce rigorosamente igual a um dos sugeridos pela Polícia Federal brasileira quando ele foi considerado foragido do país.

Na imagem, ele caminha por uma rua usando cavanhaque, bigode e óculos escuros. Ele estava com uma calça jeans, camiseta preta e sapato de couro, andando livremente sem tentar se esconder. A polícia italiana, que distribuiu as imagens em sua página no Facebook, divulgou que ele foi preso pelas autoridades bolivianas pouco após esse passeio.

Resultado de imagem para disfarces de battisti20 DISFARCES – O estilo combina com o último disfarce da lista da Polícia Federal. Os investigadores brasileiros divulgaram 20 aparências possíveis que o italiano poderia ter como foragido. Entre diferentes chapéus, bonés, óculos, cortes de cabelo e barba, num deles a Polícia Federal acertou, o que faz crer que Cesare Battisti não estava bem informado sobre as investigações ou acreditava que nunca seria reconhecido nas ruas do país vizinho.

Assim como o disfarce, o destino de Battisti também era previsível. Em outubro de 2017, o italiano foi detido pela Polícia Federal em Corumbá (MS), cidade na fronteira com a Bolívia, tentando atravessar para o país vizinho com valores equivalentes a mais de R$ 10 mil em espécie, o que é vedado pela lei brasileira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No “Painel” da Folha, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão diz que Cesare Battisti errou ao fugir para a Bolivia. De acordo com o ex-ministro, se Battisti fosse extraditado a partir do Brasil, “a prisão perpétua poderia ser substituída por trinta anos de detenção, com desconto do período já cumprido, como determinou o STF”. Agora, segundo Aragão, sem o cumprimento do processo formal de extradição a partir do Brasil, a Itália não fica mais restrita às condições impostas pelo Supremo e “pode executar a prisão perpétua plenamente”. (C.N.)

“Quero sair, fugir para muito longe de mim”, dizia o poeta Abgard Renault

Resultado de imagem para abgar renaultPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), no poema “Balada Quase Metafísica”, implora a Deus que tenha pena dele.

BALADA QUASE METAFÍSICA
Abgard Renault

Eu estou assim
absolutamente irremediável
por dentro e por fora, acordado ou dormindo
na Duração, no Tempo e no Espaço.

Eu sou assim:
sem cômodo comigo, sem pouso, sem arranjo aqui dentro.
Quero sair, fugir para muito longe de mim.
Todas as portas e janelas estão irrevogavelmente trancadas
na Duração, no Tempo e no Espaço.

Que é que eu vou fazer?
Não fica bem, assim sem mais nem menos, falecer.
Queria rezar, mas eu sou isto, meu Deus!,
e de minha reza, se reza fosse,
não ouvirias uma só palavra.

Tem pena, uma pena bem doída de mim,
meu Deus, e ouve para sempre esta oração,
e ampara isto que sou eu
na Duração, no Tempo e no Espaço.