Paulo Peres
Poemas & Canções
O jornalista, cronista, romancista, contista, ensaísta e poeta alagoano Lêdo Ivo (1924-2012), membro da Academia de Brasileira de Letras e figura central da chamada geração de 1945, no soneto “A Mudança”, afirma que se pode mudar e permanecer bem longe das mudanças, mesmo sendo, ao mesmo tempo, quem vive e quem morre.
A MUDANÇA
Lêdo Ivo
Mudo todas as horas.
E o tempo, sem demora,
muda mais do que fia.
Mudo mas permaneço
bem longe das mudanças.
Como uma flor, floresço.
Sou pétala e esperança.
Mudo e sou sempre o mesmo,
igual a um tiro a esmo.
Como um rio que corre.
Sem sair de onde estou,
de tanto mudar sou
o que vive e o que morre.
Um poetra METIDO A BESTA:
Eu sou o que não sou
E conheço esse meu lado
Que escondo do mundo
Que me torna atarantado
Sou bom demais
Sou tudo o que fascina
Vivo humilde por vontada
E faço disso minha sina