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Messias já se reuniu com mais de 70 parlamentares
Rafael Moraes Moura
O Globo
Em campanha para ser confirmado no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Jorge Messias já se reuniu com mais de 70 dos 81 senadores que vão decidir, no plenário, se ele pode assumir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro. Mas um grupo de quatro parlamentares ainda resiste a se encontrar com o atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo o mapeamento dos aliados de Messias, ainda falta conseguir audiências com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e com Sergio Moro (PL-PR), Eduardo Girão (Novo-CE) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), todos eles ferrenhos críticos à escolha de Lula, e que já indicaram nos bastidores ou publicamente a intenção de barrar as pretensões de Messias.
CORTESIA – “Acho que Alcolumbre vai recebê-lo sim, no dia ou na véspera da sabatina”, afirmou um interlocutor do presidente do Senado que acompanha de perto as movimentações nos bastidores. “É um gesto, por cortesia, antes de o cara virar ministro.”
Alcolumbre, assim como boa parte de seus colegas, preferia que Lula tivesse escolhido Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga de Messias. O presidente do Senado chegou a ameaçar uma votação-relâmpago de Messias ainda no final do ano passado, logo após o anúncio de sua escolha, em uma estratégia para evitar que o ministro da AGU tivesse tempo de fazer campanha entre os senadores. Temendo os riscos de rejeição, o presidente Lula decidiu travar o processo e só encaminhou oficialmente a confirmação da indicação no mês passado, quando o cenário já parecia mais favorável.
Membro da Igreja Batista, Messias precisa de pelo menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado. Aliados do chefe da AGU garantem que, hoje, ele teria cerca de 48 votos “sim”, inclusive de legendas de oposição ao governo Lula e de parlamentares evangélicos, que reservadamente admitem que não vão “abandonar um irmão”.
SINAL DE ALERTA – A votação apertada do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que foi reconduzido ao cargo em novembro do ano passado com apenas 45 votos favoráveis, no placar mais acirrado para o cargo desde a redemocratização, acendeu o sinal de alerta da base lulista das dificuldades que aguardavam Messias.
Por isso, o ministro decidiu ir atrás de todos os senadores da Casa, inclusive aqueles que já avisaram que não vão apoiá-lo. “Ainda não me reuni com Messias, nem pretendo. Meu voto nele é não”, disse ao blog Mourão.
Pré-candidato ao governo do Paraná, Moro é um dos que mais relutam a recebê-lo, apesar do esforço de aliados de Messias para aparar as arestas e diminuir a rejeição na Casa.
ÁUDIO DA LAVA-JATO – O chefe da Advocacia-Geral da União ainda não conhece pessoalmente o ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, autor de uma das decisões mais controversas da Lava-Jato que expuseram “Messias” (ou “Bessias”, como ficou conhecido) em praça pública, em março de 2016. Os dois estarão frente a frente na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no próximo dia 28.
Na época do áudio, a operação vivia o seu auge e Messias era subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil. Diante do avanço do processo de impeachment e da erosão de sua base no Congresso, a então presidente Dilma Rousseff havia nomeado Lula como ministro da Casa Civil, em uma espécie de última cartada para salvar o governo.
Na interceptação telefônica, Dilma diz a Lula que vai enviar a ele o “termo de posse”. “Seguinte: eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel, pra gente ter ele. E só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, afirmou Dilma.
IMPEACHMENT – A nomeação de Lula foi vista na época como uma tentativa desesperada de Dilma de colocar Lula na articulação política e afastar a ameaça de impeachment, além de garantir foro privilegiado ao petista, evitando que ele fosse preso em primeira instância por Moro. Mas acabou suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF – que hoje trabalha a favor da aprovação de Messias.
Integrantes da tropa de choque bolsonarista pretendem revisitar o episódio durante a sabatina para tentar constranger o chefe da AGU, a quem consideram um “homem de confiança de Lula” e “quadro ideológico do PT”.
DIÁLOGO – Em nota divulgada à imprensa, Messias afirmou que buscará o “diálogo franco e aberto com todos os 81 senadores, de forma respeitosa, transparente e propositiva”. Nesta quarta-feira, deve se encontrar nesta quarta-feira com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), que já disse que a “oposição será oposição” na votação – e recomendou que o indicado de Lula buscasse votos na base aliada do governo petista.
“É da liturgia do cargo e respeito [receber o indicado], como devemos ter a qualquer um. Recebi com educação inclusive aqueles a quem disse ‘não’ [na votação] como o procurador-geral da República, Paulo Gonet”, afirmou Portinho.
PERFIL BELICOSO – Em dezembro do ano passado, ele se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a portas fechadas em um escritório de Brasília. Flávio já afirmou que a escolha de Lula foi “péssima” e que Messias possui um “perfil belicoso”, associado a “pautas da extrema-esquerda – mas mesmo assim teve uma rápida conversa com ele.
Pelas regras atuais, caso seja aprovado pelo Senado, Messias poderá atuar no Supremo até 2055, quando completa 75 anos. Nos bastidores do Senado, o que se comenta é que é tempo demais para ter um “inimigo” no Supremo.
É a lama, é a lama..,
….,,,..
É o fim do caminho!