Netanyahu está em guerra com chefão da inteligência que pode derrubá-lo

Israel aprova demissão de Ronen Bar, chefe do serviço de segurança interna;  Suprema Corte suspende decisão | Mundo | G1

Nenanyahu demitiu Ronen Bar, mas a Justiça o reintegrou

Wálter Maierovitch
do UOL

Com Donald Trump como guarda-costas, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu, como amplamente divulgado, romper a segunda fase do acordo de cessar-fogo, firmado em janeiro com o Hamas, e reiniciar os bombardeios na faixa de Gaza. Tudo foi calculado e acertado pela dupla siamesa Trump-Netanyahu.

Com o rompimento, Netanyahu trombou de frente com Ronen Bar, poderoso chefe do Shin Bet, a agência interna de espionagem israelense. Ronen Bar, no cargo desde 2021 e com mandato até o final de 2026, não concordou com o rompimento, pois o Shin Bet havia sido peça fundamental nas negociações.

Atenção: o Shin Bet é uma agência de inteligência (espionagem) de Estado, e não de governo.

VIVOS E MORTOS – Até o fim da primeira fase do acordo, 33 reféns foram libertados pelo Hamas e, em troca, Israel soltou dos seus presídios 2.000 palestinos. Segundo os dois serviços secretos israelenses, Shin Bet e Mossad (inteligência externa), o Hamas ainda mantém cerca de 59 reféns em cárcere privado desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Pelas informações dos 007 das inteligências, interna e externa, apenas 24 estariam vivos.

Para as famílias das vítimas e para os opositores do governo Netanyahu, o rompimento do acordo, sob alegação de descumprimento por parte do Hamas — que desmente—, põe os reféns sob risco de eliminação. Isso deu causa, em 23 de março, a um protesto gigantesco na frente da residência de Netanyahu em Jerusalém.

Com a pressão popular, entrou em cena Ronen Bar, o chefe do Shin Bet, que atrita com Netanyahu desde os ataques terroristas do Hamas.

QATARGATE – O dissenso aumentou com o chamado escândalo “Qatargate”: malas de dinheiro eram mensalmente enviadas, num acerto de Netanyahu com o Qatar, para a cúpula diretiva do Hamas. Netanyahu imaginava estar comprando os responsáveis pelo Hamas, mas, como apurou o Shin Bet, o dinheiro foi usado para a construção de túneis, aquisição de armas e no ataque de 7 de outubro de 2023. Netanyahu imaginava ter a cúpula do Hamas no bolso e se enganou.

Ronen Bar não aceitou Netanyahu tirar o corpo fora da responsabilidade pela tragédia do 7 de outubro. Para o primeiro-ministro, a responsabilidade exclusiva recai nas forças de segurança.

Na verdade, essas forças protetivas da linha de fronteira com Gaza migraram, por determinação do governo Netanyahu, para a Cisjordânia, para proteger a ilegítima expansão dos assentamentos pelos israelenses da direita radical, que dá maioria ao premiê no Parlamento.

COMISSÃO DE ESTADO – Para os radicais direitistas e supremacistas e para os religiosos sustentados pelo Estado e dispensados do serviço militar, a Cisjordânia pertence a Israel, pois era dos reinos judaicos bíblicos. Para eles, o direito internacional não tem nenhum valor quando em desconformidade com os preceitos religiosos.

Ronen Bar quer uma “Comissão de Estado” para apuração das responsabilidades pelo 7 de outubro, incluindo o “Qatargate”. Dada a sua insistência, Bar foi demitido por Netanyahu. Como tem mandato de Estado até o final de 2026, Bar não deu a mínima bola para a demissão. De novo: ele é chefe de agência de Estado, e não de governo, sendo Netanyahu apenas chefe de governo, e não de Estado.

O premiê nomeou um almirante da Marinha para assumir o Shin Bet. Desmoralizou-se por três motivos: o almirante não falava árabe, algo fundamental no Oriente Médio, dados os históricos problemas com os vizinhos árabes.

CORRUPÇÃO FAMILIAR – O almirante era um diletante em termos de inteligência. E como Bar tinha mandato de Estado, a Justiça israelense o manteve no posto. Netanyahu demitiu o almirante a avisou que está procurando outro nome.

Bar foi contra o rompimento do cessar-fogo com o Hamas, e o Shin Bet empenhou-se, junto ao Egito e ao Qatar, para que o acordo vingasse. Pelo que foi vazado, o chefão do Shin Bet tem todas as informações sobre a trama executado por Netanyahu para, por um projeto de “reforma da Justiça”, reduzir os poderes dos juízes e da Suprema Corte de Israel. Com a reforma, Netanyahu lograria livrar-se de processo de corrupção contra ele e o filho.

Netanyahu enfrenta guerras externas contra o Hamas e o Hezbollah: foram retomados os ataques ao Líbano, centrados nos territórios dominados pelo Hezbollah, após a organização libanesa ter voltado a lançar bombas na fronteira contra o território de Israel, e também à Síria. Internamente, Netanyahu entrou em guerra interna contra Ronen Bar, que tem todo o apoio dos seus comandados. É o pior inimigo de Netanyahu.

É anormal e ilegal que Moraes use um inquérito para pressionar Kassab

🚨 KASSAB DE OLHO NO STF: REVELADO! COMO MORAES PUNIRÁ KASSAB NO STF HOJEMario Sabino
Metrópoles

Alexandre de Moraes mandou uma investigação sobre Gilberto Kassab voltar da primeira instância para o STF, a pretexto da “mudança de entendimento” do tribunal sobre foro privilegiado.

Nada mais me surpreende no Brasil, mas eu ainda fico espantado com alguns acontecimentos, quando não verdadeiramente chocado, e esse é um deles.

PROPINA DA JBS – A investigação é sobre uma propina de R$ 16 milhões que Gilberto Kassab teria recebido da JBS, em 2016. De acordo com o que foi noticiado pelo jornalista Igor Gadelha, o ministro teria o objetivo de usá-la para pressionar Gilberto Kassab a fim de que o partido dele, o PSD, não apoie o projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro.

Como assim um juiz pode lançar mão de um inquérito para fazer pressão política? Pois no Brasil, ele pode, sem que ninguém ou quase ninguém veja problema na enormidade.

“Para fontes do Planalto ouvidas pela coluna, Kassab ‘tem experiência o suficiente’ na política para ‘não querer comprar briga’ com o STF, especialmente com Moraes”, publicou Igor Gadelha.

ANORMAL E ILEGAL – Normalizar o anormal, porém, não transforma o errado em certo. Não transforma o ilegal em legal.

Quando se diz que Alexandre de Moraes vai pressionar Gilberto Kassab em relação ao projeto de anistia, isso significa que ele condenaria ou absolveria Gilberto Kassab a depender da posição que o PSD adotar sobre o assunto.

Ou seja, é o oposto do que se entende por Justiça, porque a coisa fica no terreno do interesse pessoal, da chantagem e da sua área adjacente, a da vingança. Nenhuma “mudança de entendimento” do STF é capaz de mudar esse fato.

NÃO SE BICAM – Aqui em São Paulo, sabe-se que Alexandre de Moraes e Gilberto Kassab não se bicam. O primeiro foi secretário municipal de Transportes durante a gestão do segundo como prefeito de São Paulo e pediu demissão depois de atritos com o chefe.

Quando Geraldo Alckmin pensou em se filiar ao PSD, ouvi, em uma conversa profissional, que o ministro o teria convencido a escolher a opção PSB, partido pelo qual o ex-tucano seria vice na chapa de Lula (não é normal também).

O histórico entre ambos já seria suficiente para que Alexandre de Moraes se declarasse impedido de julgar qualquer processo relacionado a Gilberto Kassab. Mas é o muito pelo contrário que vale no país do vale tudo, e não adianta se perguntar aonde isso vai parar, porque já chegamos onde tudo está mal parado.

Eduardo Bolsonaro diz que votaria contra PL da reciprocidade tarifária

Eduardo Bolsonaro será o indicado para comandar Comissão de Relações  Exteriores 'com ou sem passaporte', diz líder do PL | Política | G1

Filho “Zero Trê”s de Bolsonaro teme uma guerra sem fim

Jamil Chade
do UOL

O mesmo tom de críticas ao governo Lula e apoio a Trump que o ex-presidente Jair Bolsonaro utiliza, agora vem sendo repetido pelo filho 03, Eduardo Bolsonaro, deputado licenciado e que hoje vive nos EUA. Ele afirmou nas redes sociais que, se ainda fosse parlamentar, votaria contra o projeto de lei que permitirá que o Brasil retalie os Estados Unidos por conta das tarifas que irá sofrer.

O projeto, que já passou no Senado com o apoio bolsonarista, agora vai para a Câmara dos Deputados.

COLOCAÇÕES – Eduardo Bolsonaro decidiu usar a ocasião para criticar o governo Lula, elogiar Donald Trump e ainda dizer que seria contra o chamado projeto da reciprocidade.

“Temos que analisar a causa disso tudo: socialistas como Lula acreditam em governos gigantescos”, justificou, sem considerar que europeus, canadenses e dezenas de outros parceiros vivem a mesma situação.

 “E só há uma fonte para alimentá-los: são através dos impostos que todos nós pagamos. Sejamos sinceros, se você pudesse não pagar o imposto, por exemplo, na sua blusinha da Schein, você pagaria?”, questionou.

DESEQUILÍBRIO – E prosseguiu: “Então, por qual motivo Trump iria aceitar que um produto americano paguasse em média cerca de 60% de imposto entrando no Brasil, mas o produto brasileiro – entrando nos EUA – pagasse apenas cerca de 5% desse mesmo imposto? Não soa razoável e equilibrado essa relação econômica”, defendeu o parlamentar licenciado.

Para ele, os EUA vão “apenas elevar suas tarifas para os mesmos patamares das tarifas que eles já pagam hoje para entrar no Brasil”.

“Não é retaliação, isso se chama reciprocidade. Para o Brasil tratar isso como uma guerra comercial e revidar contra a maior economia do mundo, que é nosso segundo maior parceiro comercial, aumentando ainda mais os tributos, seria preciso criar uma carga tributária ainda maior do que atual, o que faria, na sequência, os EUA adotarem o mesmo por reciprocidade”, disse.

GUERRA SEM FIM – Segundo o ex-deputado que promove uma narrativa contra as instituições brasileiras nos EUA, uma reação do Brasil “seria uma guerra sem fim, com potencial de colapsar a economia brasileira, bastante dependente do seu segundo maior parceiro comercial (EUA)”.

“O único prejudicado com esta política conflituosa seria o povo brasileiro, que pagaria mais e mais em nome de uma luta de Lula, que busca supertaxar produtos americanos”, disse.

“Essa guerra não é nossa, não vamos defender a mentalidade tributária socialista, sob a falsa bandeira da proteção da indústria nacional, para manter essa imensa e pesada carga tributária, que esmaga o poder de compra do brasileiro e nos leva a ter uma péssima qualidade de vida. Ou você está satisfeito em pagar o maior imposto do mundo e quase não ter a contraprestação dos serviços públicos?”, disse.

CARGA TRIBUTÁRIA – Eduardo Bolsonaro, no lugar de defender a economia nacional, usou o caso para atacar. “Nosso país está no limite da carga tributária. O povo já não aguenta mais a parasitação estatal via tributo. O hospedeiro está prestes a morrer. Injetar mais pressão tributária, sob a falsa bandeira da proteção da economia nacional, só irá agravar o estado moribundo da nossa economia”, disse.

“Por esses motivos, eu votaria contra o projeto de lei que chegou nesta quarta-feira à Câmara dos Deputados, que manda a mensagem de início de uma guerra comercial contra os EUA”, completou.

Crescimento de Tarcísio em pesquisas preocupa e pressiona Bolsonaro

Tarcísio na briga pelo Planalto é ideia que 'se consolida', diz vice Por  Estadão Conteúdo

Tarcísio cresceu 11 pontos nas últimas pesquisas para 2026

Josias de Souza
do UOL

O crescimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode pressionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a tomar uma decisão sobre o candidato que irá apoiar nas eleições do ano que vem.

Essa pesquisa, a exemplo de outras que vêm sendo divulgadas, pressionam o Bolsonaro a tomar uma decisão. O Bolsonaro não é o Lula. Lá atrás, em 2018, o Lula (que também estava inelegível) empurrou a sua candidatura. Agora, o Bolsonaro tem menos condições de fazer isso, porque, se fizer, ele perderá a oportunidade de ter um candidato competitivo.

OITO SIMULAÇÕES – A Quaest simulou cenários eleitorais entre Lula e Bolsonaro, e também com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL), os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

Tarcísio cresceu 11% nos três últimos levantamentos feitos pelo instituto: subiu de 26% para 37%. O nome dele aparece como um dos favoritos para disputar a eleição presidencial no lugar de Bolsonaro, que foi declarado inelegível por oito anos devido à reunião com embaixadores em julho de 2022, a pouco mais de dois meses das eleições.

Bolsonaro ainda não deu o seu veredicto. Tarcísio tem dito que não pretende se candidatar à Presidência, e só o fará a pedido de Bolsonaro.

PREFERIDOS DA DIREITA – Os nomes de Tarcísio de Freitas e de Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, são os preferidos para substituir Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto em 2026, principalmente entre os eleitores do ex-presidente, segundo o levantamento da Quaest.

O filho Eduardo Bolsonaro, que pediu licença do cargo e foi morar nos Estados Unidos, é citado por 4% do eleitorado geral, atrás, por exemplo, de Ratinho Júnior, escolhido por 9% e empatado com os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União).

Obviamente, o governador Tarcísio de Freitas, por todas as implicações empresariais, porque tem a máquina de São Paulo, está mais bem-posto do que o Eduardo Bolsonaro, que seria a alternativa ficcional que o Bolsonaro levaria às vésperas das eleições.

SAIR DE CENA – E há uma pressão muito grande para que o Bolsonaro saia de cena antes do que ele gostaria, até o fim de ano, para dar essa possibilidade de o Tarcísio cogitar, diante das dificuldades do Lula, se aventurar no cenário nacional.

Agora, quando o Tarcísio atrela sua candidatura ao prestígio do Bolsonaro, ela de fato mantém o Tarcísio na mesma lógica que prevaleceu nesses últimos anos da polarização das eleições no Brasil. A lógica da polarização.

Ou seja, podemos voltar a ter uma disputa em que o eleitor não irá votar a escolher o candidato da sua preferência. Ele irá decidir o voto por exclusão. 

É difícil compreender o que vem acontecendo com a política americana

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington D.C.. — Foto: Pool via AP

Trump anuncia hoje suas novas tarifas de política externa

Lorena Hakak
Folha

Eu cresci vendo os EUA como o país que lidera o mundo liberal e democrático. Foi o país que entrou em duas guerras para tirar a Europa do abismo. Por isso, para a minha geração, é difícil compreender o que vem acontecendo com a política externa americana.

O país ainda hoje exerce um papel importante como um dos principais atores na resolução de conflitos. Porém, em uma guinada, parece ter deixado de lado tanto seus aliados quanto seu discurso histórico. Dá a impressão de estar deixando um espaço vazio à mesa —porém, não existe vácuo em poder.

O aumento de tarifas anunciado pelo governo americano não condiz com o discurso de um país que se autoproclama liberal há tanto tempo. Trata-se de um retrocesso histórico.

CARTA DO ATLÂNTICO – Em 1941, o presidente Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill assinaram a Carta do Atlântico, na qual defendiam a promoção da cooperação econômica e da segurança entre os países em um futuro pós-nazismo.

Segundo o estudo Trade in War’s Darkest Hour (Organização Mundial do Comércio), “assim, Churchill e Roosevelt reconheceram a relação entre a colaboração econômica internacional e a paz e segurança duradouras”. De acordo com o mesmo estudo, esse acordo pode ser considerado o primeiro passo rumo às regras econômicas multilaterais do pós-guerra.

O que se sabia na época era que um aumento do protecionismo no pós-guerra poderia levar o mundo ao mesmo resultado econômico catastrófico vivido nos anos 1930.

PÓS-DEPRESSÃO – Após a Grande Depressão, a busca por acordos de livre comércio era fundamental para promover o crescimento econômico. O Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt) —precursor da criação da Organização Mundial do Comércio em 1995— foi estabelecido em 1947. O Brasil foi um dos signatários do Gatt e um dos membros fundadores da OMC.

As vantagens do comércio são conhecidas e podem trazer múltiplos benefícios aos países signatários. Ele eleva o bem-estar ao ampliar a concorrência, diversificar a oferta de bens e reduzir preços, o que aumenta a renda real.

Também pode funcionar como alternativa à imigração ao contribuir para a equalização salarial entre países.

DIREÇÃO OPOSTA – No entanto, a atual política americana segue na direção oposta, restringindo tanto o comércio quanto a imigração —um caminho com consequências negativas para sua economia. Além disso, acordos comerciais têm potencial político: podem aproximar antigos rivais, como mostrou a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço em 1951, embrião da União Europeia, com França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo entre os signatários.

O Brasil pode se beneficiar da nova configuração da política internacional para buscar acordos comerciais. Um primeiro passo seria o Congresso ratificar o acordo de comércio com a União Europeia. O governo federal também poderia negociar um acordo com os Estados Unidos, reduzindo as tarifas aplicadas pelo Brasil sobre produtos americanos e, ao mesmo tempo, buscando evitar aumentos tarifários por parte dos EUA.

Além disso, o país poderia abrir as portas para uma nova onda de imigração. Como mencionei na minha coluna “E se a imigração for a solução?”, fluxos migratórios podem aumentar o dinamismo da economia. Para um país que está preso na armadilha da renda média há 40 anos, novos acordos comerciais e um novo ciclo migratório poderiam contribuir significativamente para o crescimento de longo prazo.

Tarifaço encerra o século americano e inicia o chinês. Como fica o Brasil?

As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos  EUA e os impactos para o Brasil - Seu Dinheiro

Trump está abrindo a guarda para o comércio da China

William Waack
Estadão

Sem dúvida é histórica a data na qual Donald Trump anunciou um tarifaço. Ela marca no calendário o fim de uma era, e não apenas de políticas comerciais. Mas é enganador o alívio sentido em Brasília pelo fato do País ter sido contemplado com “apenas” 10% a mais de tarifas.

Pois em vez de tentar corrigir distorções do sistema multilateral de comércio do qual muitos se aproveitaram – a China é o melhor exemplo – Trump decidiu explodir o sistema. Que nunca existiu sozinho. Nas grandes alianças das quais os EUA fizeram parte (ou lideraram) nos últimos oitenta anos, comércio formava o terceiro pilar junto de inteligência e defesa.

LEI DA SELVA – Trump demoliu os três pilares, abrindo caminho no seu lugar para a Lei da Selva – aquela na qual leva vantagem quem é mais forte e tem mais força bruta. Como o Brasil é uma potência regional média com escassa capacidade de projeção de poder, e responsável por irrisórios 1,5% de todo o comércio mundial, o mundo com um mínimo de regras seria mais favorável.

Mas esse mundo acabou. A destruição da antiga ordem traz sem dúvidas oportunidades comerciais para o Brasil, especialmente nos setores exportadores da agroindústria (leia-se possível aumento da demanda chinesa). Talvez também para exportadores de sapatos. E espera-se mais investimento direto chinês em setores além de infraestrutura.

Ocorre que essa monumental disrupção expõe sobretudo vulnerabilidades brasileiras. A principal delas é nossa conhecida pouca capacidade de competição internacional fora do campo das commodities em geral e agrícolas em particular.

DEPENDÊNCIA – Exibe também a nossa profunda dependência de insumos sofisticados, não só de defesa – espalhou-se um arrepio de horror pelos setores privados quando no governo brasileiro se falou na possibilidade de retaliar o tarifaço de Trump atacando os EUA no campo da propriedade intelectual.

Não será fácil para o Brasil e o resto do mundo lidar nessas delicadas circunstâncias com um país “cuja alma está doente”, na excelente definição dada pelo professor Mark Lilla em recente entrevista a este jornal.

Na cerimônia “histórica” do anúncio do tarifaço, Trump fez um discurso de perdedor, descrevendo um tipo de economia (e de emprego) que não existe mais e prometendo, como todo populista rasteiro, dias de glória logo ali na esquina.

DOENÇA AMERICANA – Muito dependerá de como Washington responderá ao óbvio: a “doença americana” explicitada em Trump abre extraordinárias possibilidades para a China.

A crescente presença chinesa na América do Sul (além do Canal do Panamá) é abertamente descrita pelo atual governo americano como parte de seus problemas de segurança nacional.

O 2 de abril marca o fim do século americano, provavelmente o início do século chinês. Como fica o Brasil?

Rosa, a mulher inesquecível que enfeitiçou Pixinguinha e Otavio de Sousa

Galeria dos Bambas: Pixinguinha - Kandyru

Pixinguinha era um compositor extraordinário

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O compositor e mecânico Otávio de Sousa, na letra de “Rosa”, parceria com Pixinguinha, expressa o mais alto refinamento do romantismo do início do século XX. Esta valsa foi gravada por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

ROSA
Pixinguinha e Otávio de Sousa

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

44% temem a volta de Bolsonaro, e 41% têm medo da reeleição de Lula

Entrevista no JN: Lula x Bolsonaro! Quem se saiu melhor nas redes sociais?

Pesquisa mostra que a polarização é cada vez mais forte

Douglas Porto
da CNN São Paulo

A volta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Poder Executivo dividem o temor dos brasileiros, de acordo com a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (3).

Para 44%, a volta de Bolsonaro dá mais medo. O ex-presidente está inelegível até 2030 após condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mesmo assim ele mantém a candidatura, à espera da anistia.

Já para 41%, a permanência de Lula desperta mais temor.

OUTROS DADOS – Os que temem os dois, rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro, são 6%. Os que não tem medo de nenhum dos dois são 4%. Os que não sabem ou não responderam são 5%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Foram entrevistadas 2.004 pessoas pela Quaest, presencialmente, entre 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É impressionante a resistência da polarização. Seria mais razoável se a maior parte dos eleitores temesse a eleição de qualquer um dos dois, Lula ou Bolsonaro. Mas apenas 6% disseram temer os dois candidatos. Interessante também o total de 4% que não temem nenhum dos dois. Ou seja, esses eleitores estão pouco ligando para a polarização. (C.N.)

Em resposta a Trump, Senado aprova projeto de reciprocidade econômica

Para 62%, Lula não deve se candidatar, mas ele derrotaria qualquer adversário

Lula diz que vai "vencer" o mercado e fazer a economia "dar certo"

Segundo a Quaest, Lula derrotaria qualquer outro rival

Maria Clara Matos
da CNN

A maior parte dos brasileiros acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria concorrer à reeleição, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (3). São 62% os que dizem que o petista não deveria disputar um novo mandato.

 A fração representa um aumento de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento, feito em dezembro de 2024, quanto o patamar era de 52%.

Na outra ponta, 35% acreditam que o petista deveria se candidatar novamente ao Palácio do Planalto em 2026. Os que optaram por não responder ou não souberam somam 3%.

A porcentagem dos que acreditam que Lula não deve se concorrer ao pleito é a maior na série histórica, que iniciou em julho do ano passado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno na eleição de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (3).

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MESMO ASSIM, LULA GANHA A REELEIÇÃO…
Douglas Porto,
da CNN São Paulo

Lula tem 44% das intenções de voto. Bolsonaro — que está inelegível até 2030 após condenações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — tem 40%. Eles estão empatados no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Além dos dois últimos ocupantes da Presidência, foram testados outros cenários pelo levantamento. Veja:

CENÁRIO 1 – Bolsonaro

Lula da Silva (PT): 44%
Jair Bolsonaro (PL): 40%
Indecisos: 3%
Branco/nulo/não vai votar: 13%

CENÁRIO 2 – Michelle

Lula da Silva (PT): 44%
Michelle Bolsonaro (PL): 38%
Indecisos: 3%
Branco/nulo/não vai votar: 15%

CENÁRIO 3 – Tarcísio

Lula da Silva (PT): 43%
Tarcísio de Freitas (Republicanos): 37%
Indecisos: 4%
Branco/nulo/não vai votar: 16%

CENÁRIO 4 – Ratinho Jr.

Lula da Silva (PT): 42%
Ratinho Jr. (PSD): 35%
Indecisos: 4%
Branco/nulo/não vai votar: 19%

CENÁRIO 5 – Marçal

Lula da Silva (PT): 44%
Pablo Marçal (PRTB): 35%
Indecisos: 4%
Branco/nulo/não vai votar: 17%

CENÁRIO 6 – Eduardo

Lula da Silva (PT): 45%
Eduardo Bolsonaro (PL): 34%
Indecisos: 4%
Branco/nulo/não vai votar: 17%

CENÁRIO 7 – Zema

Lula da Silva (PT): 43%
Romeu Zema (Novo): 31%
Indecisos: 5%
Branco/nulo/não vai votar: 21%

CENÁRIO 8 – Caiado

Lula da Silva (PT): 44%
Ronaldo Caiado (União): 30%
Indecisos: 4%
Branco/nulo/não vai votar: 22%

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A pesquisa é contraditória. Se 62% acham que Lula não deveria se candidatar, como é que ele continua sendo o preferido da maioria? Tem alguma coisa errada aí, é claro, que os “especialistas” tentarão explicar citando o grande número de indecisos. Mesmo assim, não dá para entender. (C.N.)

Queda na popularidade é doença sem diagnóstico e, portanto, sem cura certa

Governo avalia que racha sobre gastos impacta popularidade de Lula... # charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art  #caricatura #caricature #jornal #opovo #jornalismo #illustration  #ilustração #editorialcartoon #politicalart ...

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Fabiano Lana
Estadão

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2, registrou mais uma queda na popularidade de Lula – 56% de desaprovação. É um banho de água gelada nos planos do governo, que anunciou este abril como o mês no qual a maioria dos brasileiros voltaria a admirar a gestão do presidente.

Em um País com um razoável aumento do PIB registrado em 2024, com a menor taxa de desemprego da história, e alguns outros índices a festejar, o forte mau humor da população pode ser uma surpresa.

SEM DIAGNÓSTICO – Não temos ainda um diagnóstico preciso da rejeição ao presidente. É o pior cenário. Porque quando não sabemos as causas de uma doença, é muito mais difícil iniciar um tratamento para a cura.

O que temos é uma miríade de especulações, umas mais embasadas, outras menos. O governo, como sempre ocorre, em qualquer gestão, busca se autoenganar, ludibriando os demais.

Tenta acreditar que oferece um excelente trabalho ao povo, com programas excepcionais, mas não consegue se comunicar direito. Para esta semana está prevista, inclusive, uma grande solenidade no Palácio do Planalto para divulgar os feitos da gestão.

EFEITO INFLAÇÃO – Fala-se da inflação de alimentos. É um forte fator, de fato. Até porque a pesquisa Quaest indica corrosão na base histórica de Lula, entre os que ganham até dois salários mínimos.

Porém, o Brasil já conviveu com tantas hiperinflações que é possível questionar se uma elevação – de certa maneira sob controle de bens básicos – pode causar tamanho estrago.

Existe o fator Janja. A primeira-dama é quase uma unanimidade no quesito rejeição. De maneira injusta ou não, ficou com a fama de deslumbrada e esbanjadora de dinheiro público – no submundo das redes, seu apelido é “Esbanja”.

OUTRAS CAUSAS – Nem adianta alegar misoginia porque a aversão à esposa do presidente Lula é compartilhada também pelas mulheres. Porém, quando se vê o tamanho do Estado, a complexidade do governo, Janja é apenas uma gota no oceano. Não pode ser a responsável principal.

Um candidato forte à explicação é a mudança estrutural na sociedade brasileira. O segmento evangélico só cresce e a rejeição a Lula para quem segue essa religião se aproxima de 70%. É um massacre. É algo que pode ir além de não saber se comunicar com o segmento que representa cerca de 1/3 da população brasileira.

Trata-se de uma questão de valores. A verdade é que, para os evangélicos, em sua maioria absoluta, Lula e o petismo representam o que deve ser combatido. E nisso se inclui leniência com a criminalidade, corrosão aos valores da família, no apoio a causas como a do feminismo e outros ismos, e por aí vai. Anunciar que receptadores de celulares terão penas mais rigorosas pode não ser o suficiente.

LULA E STF- Há também a construção diária do bolsonarismo, sem tréguas, de que Lula é um bandido que foi “descondenado” pelo Supremo Tribunal Federal. A mesma Corte, aliás, segundo essa tese, que irá condenar “politicamente” o presidente Jair Bolsonaro, assim como aprisiona por tanta gente inocente.

Delírio? Pode ser. Mas é um discurso que atrai cerca de 1/3 dos brasileiros. E na política o que conta é isso: discurso. Para usar o termo-chavão: narrativa.

Pode até existir a hipótese do cansaço. Lula faz parte de nossa cena política há mais de quatro décadas. Seus contínuos autoelogios grandiloquentes em discursos para plateias mesmerizadas deixaram de funcionar.

NÃO FAZ SENTIDO – O que antes era considerado uma habilidade retórica sem paralelos agora fatiga a população. Lula não parece fazer sentido para a geração TikTok. Sua tentativa de se adaptar à linguagem das redes ainda soa artificial. De suas longas falas, hoje só ficam as gafes que rodam em vídeos nos grupos de WhatsApp. É preciso salientar que a desaprovação entre 16 a 34 anos chega a 64%!

Temos até aqui apenas algumas conjecturas. Talvez a razão esteja num quesito ainda não identificado. Talvez o País passe por outro boom de crescimento como em 2010, que eleve o patamar de Lula a partir dos próximos meses – pouco provável, conforme os analistas econômicos.

Mas a verdade é que na cabine de comando ninguém sabe muito bem o que fazer para lidar com a queda livre do presidente. A visão segue turva.

Vivemos numa democracia bastarda, sufocada pela ditadura do Judiciário

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Mario Sabino
Metrópoles

Depois que Jair Bolsonaro virou réu no processo por tentativa de golpe de Estado, a imprensa está empenhada em afirmar que o país não está sob uma ditadura do STF, como repetem os bolsonaristas.

Um dos jornais, o Estadão, disse que “os desvios da Corte significam não uma ditadura, mas o abastardamento da democracia. A imprensa profissional trabalha sem censura, o Congresso adquiriu poderes até excessivos sobre o Executivo e o debate é livre — a ponto, inclusive, de assegurar a liberdade deste jornal de ser inclemente nas críticas a alguns ministros do STF”.

SUPOSIÇÃO FALSA – De fato, a democracia brasileira, no seu abastardamento, faz supor que a imprensa profissional (existiria outra?) está completamente livre para fazer o seu trabalho. Mas é uma suposição falsa.

Hoje, a autocensura regula a imprensa brasileira em relação ao STF. É impossível publicar reportagens objetivas sobre aspectos suspeitos da vida de magistrados da mais alta corte brasileira.

A autocensura se estabeleceu a partir de 2019, depois da censura direta à revista que fundei. Embora a censura tenha sido levantada por causa do clamor público, ficou claro para os jornais que era arriscado demais mexer com certos defensores transigentes dos pilares democráticos — e também não era estratégico, visto que Jair Bolsonaro era o inimigo comum.

CENSURA INDIRETA – A censura direta foi substituída pela censura indireta, com o ocultamento “espontâneo” de reportagens sobre integrantes do STF que já estavam no ar, após o recebimento de telefonemas ameaçadores.

Da mesma forma, passou a acontecer o engavetamento puro e simples de apurações de repórteres investigativos — que, agora, já se autocensuram para o alívio dos seus editores.

Podemos não viver sob uma ditadura do Judiciário, mas o abastardamento da democracia brasileira é suficiente para parecer que vivemos sob uma falsa liberdade.

“Adolescência” mostra que não sabemos o que se faz nas escolas e nas famílias

Adolescência: Quem é Owen Cooper, protagonista que nunca havia atuado ates

Owen Cooper interpreta na série o menino assassino

Luiz Felipe Pondé
Folha

Talvez alguém das ciências humanas devesse dizer que, na verdade, não temos a mínima ideia do que estamos fazendo. Principalmente na educação dos mais jovens, um terreno baldio de modas ideológicas, teóricas e de marketing.

A filosofia, graças a Deus, como não serve para nada, segundo o filósofo espanhol Ortega y Gasset, é mais livre do que suas irmãs ciências humanas. Por isso mesmo, um filósofo que não tenha sido tomado pela sanha de “transformar o mundo” — esse mau-caratismo travestido de bom-mocismo — pode, no esteio da tradição cética grega, reconhecer que nunca soubemos, ao certo, o que fazemos. O mundo sempre esteve à deriva, agora finge que não está.

CONFESSAR LOGO – A série britânica “Adolescência” não é apenas um panfleto contra a misoginia. Provavelmente maior do que o debate público sobre ela, esta série é um exemplo de que não temos a mínima ideia do que estamos fazendo nas escolas e nas famílias. Melhor seria confessarmos logo publicamente.

Alguém do mercado da saúde mental ou da educação deveria gritar em alto e bom som: “Sentimos muito, mas não temos a mínima ideia do que estamos fazendo!”

Os pais, também, fariam um grande favor a si mesmos e aos poucos filhos que ainda restam se confessassem, como Santo Agostinho o fez lá entre os séculos 4 e 5, “não conseguimos ter controle do que está se passando!”

DROGADO SÁBIO – O debate público dos últimos tempos se tornou miserável como um drogado que se toma, nas suas obsessões idiotas, por sábio.

A tendência é carregar nos tons da misoginia —outra palavra da moda feita para calar uma série de outras tragédias, como ela— e fechar o debate: devemos aprofundar a educação dos meninos para que deixem de ser violentos.

Afirmar que todo menino é violento é um preconceito sagrado das feministas. No entanto, quanto mais se repetir com megafones que devemos torturar os meninos para saberem que são os únicos culpados do mundo ser como ele é — aqui vai um exemplo da nossa miséria, agora temos certeza de que sabemos o porquê do mundo ser como ele é —, mais revoltados eles ficarão.

INSUPORTÁVEL – Os homens não ficarão imóveis esperando que as missionárias feministas digam quando podem respirar. A verdade é que o convívio na sociedade caminha para o insuportável, e não temos a mínima ideia do que fazer.

O debate público fechará questão em cima de que a única causa de o menino matar a menina na série é uma questão de gênero. Os próprios realizadores podem cair aquém do que fizeram como arte e acreditarem na versão reduzida do que acontece diante dos nossos olhos.

A trama nos dá inúmeros detalhes de que não temos a mínima ideia do que estamos fazendo nas escolas, nem como sair dessa enrascada. A visita dos policiais à escola mostra adultos abobados diante de adolescentes cínicos, irados, agressivos, de ambos os sexos.

IMAGEM DA ESCOLA – A funcionária encarregada de acompanhar os policiais está mais preocupada com a imagem da escola e possíveis processos contra a instituição do que qualquer outra coisa — preocupação muito comum atualmente.

Na série, termos como “incel” e “red pill” aparecem no Instagram dos alunos — olhe no Google se ainda não sabe o que são. “Oitenta por centro das meninas querem 20% dos meninos”, ou seja, quase toda menina, na escola, quer o popular, o fodão.

As escolas sempre foram assim, mas hoje se mente sobre isso. A maioria dos moleques são celibatários involuntários, o incel —ou seja, não pega ninguém. Humilhação pública nas redes. Esse ressentimento os leva ao colo dos rancorosos “red pill” na machosfera. Ser capaz de conquistar uma menina sempre foi um divisor de águas entre “donzelos” e homens no mundo dos meninos.

REDES SOCIAIS – As redes sociais são uma catástrofe, deveriam simplesmente acabar. Mas, quem quer isso? As militâncias, de todos os tipos de lixo, querem é mais mídias sociais e engajamento.

A psicóloga só quer enquadrar o menino assassino de 13 anos nos modelos de violência de gênero. Chega ao absurdo de perguntar a ele “o que você pensa da masculinidade?” Suspeita do pai, como sempre —”o pai suspeito” é o estereotipo comum que serve de argumento para homens jovens não querer ter filhos. A psicóloga, assustada, é parte do problema, não da solução, assim como os professores.

O último episódio, sobre a família do menino assassino, é o melhor: a complexidade da vida em uma família afetiva e funcional, mas devastada pela contingência e pela impossibilidade de ir além das suas possibilidades humanas.

Procurador-geral segue a lei e se posiciona contra a prisão de Bolsonaro

Sem anistia, sem perdão, Bolsonaro na prisão | Facebook

Charge do Adnael (Arquivo Google)

Igor Gadelha
Metrópoles

O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, se manifestou nesta quarta-feira (2/4) contra a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedida por dois advogados. O pedido de parecer da PGR tinha sido solicitado em 18 de março pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, conforme noticiou o Metrópoles, na coluna Paulo Cappelli.

O despacho de Moraes foi feito no âmbito de uma notícia-crime na qual os dois advogados argumentavam que Bolsonaro teria tentado “obstruir a Justiça” ao convocar atos pró-anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.

NOVOS ATOS – Os dois advogados também acusavam o ex-presidente da República de “incitar novos atos que comprometem a ordem pública e a estabilidade democrática bem como coação no curso do processo”.

Em seu parecer de quatro páginas, ao qual a coluna teve acesso, Gonet diz que os dois advogados não poderiam apresentar a notícia-crime diretamente ao STF, pois esse monopólio é do Ministério Público.

“Evidente, portanto, a ausência de capacidade postulatória dos noticiantes, uma vez que a opção pela representação criminal deve ser formulada perante a autoridade policial ou o Ministério Público, e não diretamente ao órgão judicial eventualmente responsável pelo julgamento do noticiado. Inegável, além disso, a flagrante ilegitimidade ativa dos requerentes para requerer medidas cautelares”, escreveu o chefe da PGR.

SEM INFORMAÇÕES – Gonet argumentou ainda que os relatos dos advogados “não contêm elementos informativos mínimos, que indiquem suficientemente a realidade de ilícito penal, justificadora da deflagração da pretendida investigação”.

“A concessão de anistia é matéria reservada à lei ordinária, de atribuição do Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República (art. 48, VIII, da Constituição), que extingue os efeitos penais, principais e secundários, do crime. A realização de manifestações pacíficas pela concessão do benefício não constitui ilícito penal, bem como não extrapola os limites da liberdade de expressão, que é consagrada constitucionalmente e balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade”, afirmou Gonet.

O procurador finaliza o parecer dizendo que sua manifestação “é pelo não conhecimento dos requerimentos formulados” e pelo “consequente arquivamento dos autos”.

“CHANCE ZERO” – Mais cedo, a coluna já tinha noticiado que fontes da PGR viam como muito pequenas as chances de Gonet recomendar a prisão de Bolsonaro nesse caso.

A expectativa era semelhante entre aliados do ex-presidente, que também não viam chances de Gonet se posicionar favoravelmente à prisão agora. “Chance zero”, avaliou à coluna um influente aliado de Bolsonaro.

No entorno de Bolsonaro, a expectativa é de que a Justiça só determine a prisão dele após o ex-presidente ser condenado pelo STF e o processo transitar em julgado.

Trump anuncia tarifa de 10% sobre o Brasil, que vai recorrer à OMC

TrumpGiovanna Estrela
Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2/4) um pacote de tarifas sobre produtos importados, um “tarifaço global”. A medida visa corrigir o que o governo norte-americano considera práticas comerciais desleais e promover a produção doméstica. O Brasil está entre os países afetados. Sobre o Brasil, as tarifas adicionais são de 10%.

A primeira medida anunciada por Donald Trump foi a taxação de 25% em cima de automóveis de países europeu e asiáticos a partir desta quinta-feira (3/4). “A partir de meia-noite nós vamos impor tarifa de 25% para todos os automóveis importados”, disse o presidente.

DIA DA LIBERTAÇÃO – Desde fevereiro, Trump vem sinalizando a adoção de novas tarifas sobre produtos estrangeiros, sem detalhar valores ou critérios. Na última semana, ele reforçou que a taxação será aplicada a todos os países, mas indicou a possibilidade de ajustes e negociações.

A política tarifária faz parte das promessas de campanha do republicano e é chamada por ele de “Dia da Libertação”, pois, segundo o presidente, ajudará os EUA a reduzir a dependência de importações.

As tarifas recíprocas, um dos principais pontos da medida, consistem na aplicação de taxas equivalentes às que os Estados Unidos enfrentam em outros mercados. O governo norte-americano argumenta que países que impõem barreiras ao comércio com os EUA serão submetidos a medidas semelhantes.

PREOCUPAÇÃO – No Brasil, o tarifaço de Trump gera preocupação, principalmente, entre os setores de aço e alumínio, que já enfrentam tarifas desde março. Além disso, o etanol brasileiro já foi citado como exemplo de comércio desigual: enquanto os EUA cobram uma taxa de 2,5% sobre o etanol importado, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o produto norte-americano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não tenha efeito, o governo avalia a imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos.

No Congresso, senadores e deputados discutem a possibilidade de endurecer a política comercial contra os Estados Unidos. Nessa terça-feira (1º/4), o Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais impostas por outros países. O texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deve ser analisado com urgência.

RETALIAÇÕES – A proposta atribui à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a responsabilidade de avaliar respostas a medidas comerciais prejudiciais ao Brasil. Entre as possíveis retaliações, estão:

Aplicação de taxas extras sobre bens e serviços dos países que impuserem barreiras comerciais ao Brasil; Suspensão de concessão de patentes ou remessa de royalties; Revisão de obrigações do Brasil em acordos comerciais internacionais.

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), autor da proposta, destacou que a iniciativa visa proteger a economia nacional e evitar que o Brasil seja prejudicado por decisões unilaterais de outros países. “Não podemos aceitar passivamente essas barreiras comerciais. O Brasil precisa agir”, afirmou.

NA DIPLOMACIA – Além das medidas legislativas, uma comitiva de diplomatas brasileiros foi enviada a Washington para tentar negociar alternativas com autoridades norte-americanas e buscar isenções para determinados setores.

O governo brasileiro também estuda ampliar acordos comerciais com outros parceiros para reduzir a dependência das exportações para os EUA.

Houve reações do mundo inteiro. A Comissão Europeia anunciou que, caso as tarifas sejam aplicadas integralmente, o bloco poderá retaliar com 26 bilhões de euros (cerca de US$ 28 bilhões ou R$ 160 bilhões) em impostos sobre produtos norte-americanos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO tarifaço ao Brasil foi um dos menores, igual ao do Reino Unido e de Singapura, com 10%. Houve tarifaço de 97%, 74%, 64%, 61%, 60% etc. Israel, que é país-irmão, levou uma cacetada de 33%. Se o governo brasileiro fosse competente, estaria debruçado no estudo do tarifaço, para fazer do limão uma limonada e tentar ampliar suas parcerias comerciais externas. Mas o que esperar do governo de Janjo e Janja? (C.N.)

Bolsonaro apoia Trump em tarifaço e fala em “vírus socialista” de Lula

Quem fala que eu vou deixar o país é canalha', di... | VEJAJamil Chade
do UOL

O ex-presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa de Donald Trump, às vésperas do anúncio de tarifas contra os principais parceiros dos Estados Unidos. As taxas poderão afetar alguns dos setores mais estratégicos das exportações brasileiras. Mas, nas redes sociais, o ex-presidente preferiu atacar “a mentalidade socialista” do governo Lula e sugeriu que o Brasil não confronte os americanos.

“A guerra comercial com os Estados Unidos não é uma estratégia inteligente que proteja os interesses do povo brasileiro”, escreveu Bolsonaro, em inglês e em português. “A única resposta razoável às tarifas recíprocas dos EUA é que o governo Lula abandone a mentalidade socialista que impõe altas tarifas aos produtos americanos, impedindo que os brasileiros tenham acesso a produtos de qualidade a preços mais baixos”, defendeu.

DIÁLOGO COM TRUMP – Bolsonaro indicou que, durante seu governo, ele negociou com sucesso as tarifas sobre o aço que estavam sendo impostas em todo o mundo na época, mas que não foram aplicadas ao aço brasileiro graças ao diálogo com o presidente Donald Trump. “Apostei na diplomacia, não no conflito”, disse

Bolsonaro, que não contou a história completa. Em fevereiro, o ainda deputado em exercício Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também declarou que seu pai teria conseguido evitar a taxação dos EUA sobre o aço, durante o primeiro mandato do republicano, por ter uma “ótima relação” com Trump.

Em 2020, porém, a realidade foi diferente para Bolsonaro. Trump estabeleceu barreiras ao aço brasileiro, e o gesto se transformou em mais um episódio que revelava os limites da relação supostamente privilegiada que o Planalto acreditava manter com a Casa Branca. A decisão foi tomada às vésperas da eleição presidencial nos EUA daquele ano, em um setor crítico para o apoio ao republicano.

SEM CRITICAR – Naquele momento e para a surpresa de muitos negociadores, o governo Bolsonaro evitou criticar a barreira. A reação foi interpretada, até mesmo dentro do Itamaraty, como um sinal do apoio de Bolsonaro à tentativa, depois fracassada, de reeleição do aliado em Washington.

“Abriram mão do interesse nacional para defender a eleição de Trump”, lembra um negociador comercial brasileiro. Em nenhum momento, o governo Bolsonaro indicou que poderia questionar a cota na OMC, uma atitude frequente do Brasil para defender seus interesses comerciais.

Em um aceno para os trabalhadores do setor do aço dos EUA, Trump reduziu as cotas para as importações de certos produtos siderúrgicos do Brasil. Para os exportadores nacionais, o temor era de que houvesse um incremento das tarifas de importação, o que acabou sendo evitado. Ainda assim, o pacote significava que o Brasil poderia vender menos.

APENAS LIGEIRAMENTE – Para justificar sua decisão em 2020, Trump alegou uma contração no mercado americano de aço. “As importações da maioria dos países diminuíram este ano de forma proporcional a esta contração, enquanto as importações do Brasil diminuíram apenas ligeiramente”, escreveu Trump, em sua decisão.

De acordo com ele, seu secretário de comércio o informou de “mudanças significativas no mercado siderúrgico dos Estados Unidos desde o momento que decidi excluir, a longo prazo, o Brasil da tarifa proclamada na Proclamação 9705, conforme emenda”. Ele se referia a uma decisão anterior de não subir tarifas aduaneiras contra os produtos brasileiros.

A medida afetava o coração da exportação de aço do Brasil, já que os produtos semiacabados representavam mais de 80% do fornecimento brasileiro aos EUA e significavam receita de quase US$ 2 bilhões.

ALINHAMENTO – Nos primeiros dois anos do governo, Bolsonaro passou a manter Washington como a prioridade em sua política externa. O governo brasileiro deu acesso ao trigo americano, abandonou o status de país em desenvolvimento, cedeu em questões estratégicas e modificou votos históricos do país na ONU para se alinhar com o voto americano.

A expectativa era de que, com isso, haveria uma retribuição do governo americano em diversas áreas, inclusive no setor comercial. O que jamais ocorreu.

Em 2022, Bolsonaro voltou a tentar derrubar a barreira. Mas, já no poder, o democrata Joe Biden ignorou solenemente o pedido do ex-presidente brasileiro.

Parlamentares petistas afirmam que o Ato “Sem Anistia” foi erro de Boulos

Protesto contra projeto de anistia reúne 6,6 mil pessoas em SP, afirma USP

Boulos fracassou na Av. Paulista e recebeu críticas do PT

Pedro Venceslau
da CNN

Deputados e dirigentes petistas, ouvidos pela CNN em caráter reservado, classificaram como um “erro” a convocação para uma manifestação feita uma semana antes do ato pró-anistia, que também será na Avenida Paulista.

A comparação, segundo essas fontes, será inevitável e provavelmente desfavorável para a esquerda.

VISÃO EQUIVOCADA – “Não fomos nós que escolhemos, mas a extrema direita que pautou isso. Essa visão de que pode haver confusão é equivocada. A anistia de 1979 não está na memória da maioria da população”, disse à CNN o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) .

Sobre eventuais comparações com atos da direita, Boulos afirmou que faz mais de um ano que a esquerda não sai às ruas com os movimentos sociais e sindicatos. “Se deixarmos as ruas, a direita vai ocupá-las”, afirmou.

Questionado sobre a ausência de dirigentes partidários nacionais, Boulos ressaltou a presença dos presidentes locais do PT, PCdoB e PSOL.

NOVE DEPUTADOS – O ato contou com a presença de 9 deputados federais dos 3 partidos, como, por exemplo, Erika Hilton (PSOL-SP), Lindbergh Farias (PT-SP), Jilmar Tatto (PT-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP).

Nenhum dirigente nacional partidário, ministro ou governador de esquerda esteve no evento, que foi convocado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Houve divergência em relação ao mote. “Seria melhor defender ‘sem perdão’ para golpistas. O ‘sem anistia’ pode confundir a população”, disse o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que defendeu presos políticos e fez parte do movimento pela anistia em 1979.

MOTE NATURAL – Boulos já havia dito à CNN na semana passada que “sem anistia” é um mote natural e minimizou eventuais comparações de público.

“Não podemos ficar na defensiva nesta pauta e deixar as ruas para os bolsonaristas”, disse o deputado.

“Essa gincana do tamanho não é o principal. A anistia não é um tema de interesse geral, mas de interesse político”, completou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Um poema de Adélia Prado começado do fim, no caminho do céu

A nossa gigante @euadeliaprado sobre receber o prêmio Camões. Divina! ❤️ #frase #poesia #poema #citação #adeliapradoPaulo Peres
Poemas & Canções

A extraordinária professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas não teve dúvidas ao afirmar que, um “Poema Começado do Fim” pode levar até a estrada do céu.

POEMA COMEÇADO DO FIM
Adélia Prado

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.

Julgamentos de generais quebram um tabu que era mantido por 200 anos

Militares no divã - Seguinte

Charge do Angeli (Folha)

José Roberto de Toledo e Thais Bilenky
do UOL

Agora réu, o ex-presidente Jair Bolsonaro precisará comover lideranças do centrão a se desgastarem no Supremo Tribunal Federal se quiser ver o projeto de anistia avançar no Congresso.

A começar pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), políticos dão sinais de que não têm a mesma urgência que o bolsonarismo com a pauta do perdão aos condenados do 8/1.

CONDENAÇÃO À VISTA – O julgamento do Supremo que aceitou a denúncia contra Bolsonaro e mais sete aliados fragiliza ainda mais o ex-presidente, uma vez que sua condenação é considerada provável inclusive pelos seus pragmáticos aliados.

Levou dois séculos, mas militares das mais altas patentes serão finalmente julgados por civis no Brasil por crimes políticos.

Em decisão histórica, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal colocou no banco dos réus três generais quatro estrelas, um almirante, um tenente-coronel e um presidente-capitão – além de dois de seus acólitos civis.

PRINCIPAIS RÉUS – Juntos, os oito tramaram o frustrado golpe para manter Jair Bolsonaro ilegitimamente no poder e matar o presidente que o derrotou na eleição.

Diferentemente dos Estados Unidos, onde Donald Trump escapou de julgamento por estimular um golpe e voltou ao poder na Casa Branca, a Justiça brasileira tem sido célere e pode impedir algo parecido de acontecer no Brasil.

Se Bolsonaro  conseguir escapar, beneficiado pela nova lei da anistia, será um feito inédito na política brasileira.

Defender a anistia é corroborar com as ações antidemocráticas